Boia salva vidas no marasmo cultural de Campos, Sesi divulga agenda de agosto

O incansável administrador do teatro do Sesi de Campos, Fernando Rossi, divulgou por e-mail, agora há pouco, a agenda cultural da instituição para o mês que se avizinha. Além disso, com inscrições abertas a partir de 13 de agosto, e com vagas limitadas, será oferecida uma oficina de teatro para crianças e adolescentes entre 7 e 12 anos. Até porque o Sesi, sob comando do Rossi e sua competente equipe,  tem sido uma das poucas boias salva vidas neste oceano do marasmo cultural do município, vale muita a pena a divulgação…

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No resgate a Jesus e Francisco, o que o Papa trouxe de novo

Frei Betto, escritor e religioso
Frei Betto, escritor e religioso

Bem vindo, Papa Francisco!

Por Frei Betto

Bem-vindo aos nossos corações, nos quais gravou seu cativante sorriso e a simplicidade tão rara naqueles que, como você, galgam os degraus do poder.

Bem-vinda a sua ousadia evangélica de entrar no Brasil como Jesus em Jerusalém: não montado no cavalo branco dos imperadores, equivalente hoje às limusines blindadas, e sim no “burrico” de um carro de classe média, com o vidro aberto, sem nojo do cheiro de povo nem temor da acolhida calorosa da população.

Bem-vindo este nome, Francisco, para nomear um papa. O santo de Assis rejeitou, nas origens do capitalismo, o sistema produtivo que gerava concentração de riquezas e exclusão social, e que teve em Bernardone, pai do jovem Francisco, um dos pioneiros.

Bem-vindo à opção pelos pobres, à denúncia da corrupção dentro e fora da Igreja, e da “globalização da indiferença” diante dos fluxos migratórios provocados pela miséria semeada na África pelo colonialismo europeu.

Bem-vindo ao “colocar mais água no feijão” de todos que, “comprometidos com a justiça social”, não se cansam de “trabalhar por um mundo mais justo e solidário.”

Bem-vindo, Francisco, ao grêmio de todos que combatem a “cultura do descartável” e, como você, acreditam que “a medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, que não têm outra coisa senão a sua pobreza.”

Bem-vindo à Igreja “advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas que clamam ao céu”, como você enfatizou ao fazer eco ao Documento de Aparecida. Não mais uma Igreja que, sob o pretexto de “não se meter em política”, se aninha à sombra dos ricos e poderosos, cala a voz de seus profetas, prega a cruz de Jesus mas se recusa a carregá-la por considerar difamações e perseguições uma maldição, e não uma bem-aventurança.

Bem-vindo à reforma da Igreja iniciada pela mudança que você imprime ao papado. Nada de arminho, cruz de ouro, sapatos vermelhos. “Acabou o carnaval!”, você advertiu ao quererem vesti-lo como um príncipe. Nada de tratá-lo por Sua Santidade, Sumo Pontífice, Santo Padre, e sim apenas por papa, bispo de Roma, servo dos servos de Deus.

Bem-vindo, Francisco, à urgência de abrir os altares aos sacerdotes casados e às mulheres vocacionadas ao sacerdócio; e os sacramentos aos casais que contraíram segundas núpcias.

Bem-vindo às Comunidades Eclesiais de Base, que você tanto valorizou em Aparecida, em 2007, ao fim do celibato obrigatório, à abertura do debate sobre todos os temas atuais relacionados à teologia moral: preservativo, homossexualismo, aborto, pílula do dia seguinte, célula-tronco etc.

Bem-vindo à reforma da Cúria Romana e à sua iniciativa de nomear uma comissão de oito cardeais dos cinco continentes para assessorá-lo na profilaxia da Igreja. Queira Deus que sejam extintos o Banco do Vaticano, e também as nunciaturas apostólicas, de modo a valorizar, no espírito colegiado do Vaticano II, as conferências episcopais.

Bem-vindo, Francisco, a esse mundo globocolonizado que tanto necessita de um papa que seja expressão de Jesus e São Francisco: tolerante, amigo dos pobres, misericordioso, alegre, servidor da justiça, capaz de respeitar as diferenças religiosas e denunciar as causas das desigualdades sociais.

Deus o conserve e Francisco de Assis o encoraje!

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Legado institucional dos mais velhos tira o emprego dos mais jovens

Paulo Guedes, economista
Paulo Guedes, economista

Conflito de gerações

Por Paulo Guedes

Jovens nas ruas , anunciava O Globo em sua primeira página do caderno de Economia da última quinta-feira. Era uma clara alusão ao protagonismo da juventude nas recentes manifestações. Mas era implacável o título completo: Jovens nas ruas. No olho da rua . Pois a verdadeira notícia foi o aumento do desemprego entre os jovens de 16 a 24 anos, de 14,6% para 15,3%, mais do que o dobro dos 6% registrados para a média de todas as idades. O desemprego entre os jovens é muito alto e não para de subir. Sem legislação trabalhista, sem encargos sociais e previdenciários sobre a mão de obra, 3,5 bilhões de eurasianos mergulharam nos mercados de trabalho globais, condenando ao desemprego em massa os países com mercados de trabalho inflexíveis. Uma verdadeira guerra mundial por empregos.

O problema é mais agudo em economias prisioneiras da armadilha social-democrata do baixo crescimento. Regimes previdenciários irrealistas, legislações trabalhistas inadequadas e organizações sindicais anacrônicas derrubaram o crescimento, aumentaram o desemprego e marginalizaram toda uma geração ao impedir o acesso de jovens pouco experientes aos mercados de trabalho. Na Europa, ficou conhecido como euroesclerose o fenômeno do baixo crescimento e da incapacidade crônica de geração de empregos nas décadas anteriores à criação do euro. Sim, pasme o leitor, pois os males atuais são todos atribuídos à nova moeda. Na Grécia, em Portugal e na Espanha, as taxas de desemprego entre os jovens estão em torno dos 50% – metade dos jovens não tem futuro. No Brasil, com encargos sociais e trabalhistas de quase 100% dos salários, um emprego é destruído para cada emprego criado.

Os jovens sem futuro são vítimas de instituições inadequadas. Justamente indignados, devem perguntar a seus pais por que as garantias trabalhistas e previdenciárias outorgadas a si próprios pelos membros das gerações mais velhas destruíram a capacidade de geração de empregos para os mais jovens. Afinal, herdam de seus pais não apenas valores morais e bens materiais, mas também seus países e suas instituições. O conflito entre as gerações aumenta quando a juventude é ameaçada pelo despreparo, pelo egoísmo, pela irresponsabilidade e pela desatenção dos mais velhos e pelo seu legado institucional.

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Lula e PT no poder passam pela reabilitação de Dilma

Salvem Dilma!

Dilma disse à Folha de S. Paulo: “Lula não vai voltar porque não saiu”. Foi em resposta à pergunta se ele voltaria a ser candidato à presidência da República em 2014 quando, a principio, Dilma tentará se reeleger. O que Dilma quis dizer com essa história de “não voltar porque não saiu?” Objetivamente, nada. Apenas fugiu de uma resposta direta, frontal à pergunta. Razoável. Se nem ela sabe o que vai acontecer…

Uma coisa é termos uma presidência compartilhada como temos hoje. Dilma não se sente segura para governar sozinha. Pede conselho a Lula sempre que a infelicidade bate à sua porta. Se não pede, ele oferece por telefone. Ou por meio de ministros e assessores que devem o emprego a ele e não a Dilma. Bem, outra coisa é proceder como Lula quando Dilma substituiu José Dirceu na chefia da Casa Civil.

Para enganar os tolos, Lula passou os dois últimos anos do seu segundo mandato repetindo que Dilma governava tanto quanto ele. E que era melhor gestora do que ele. Ora, Dilma fazia o que Lula mandava. Muitas das sugestões que deu foram acatadas por Lula, outras não. Esperto, Lula entregou a gerência do governo a ela para governar à vontade. Não se governa sem fazer política. Muito menos se governa centralizando tudo.

Lula teve melhor equipe do que Dilma tem. Embora soubesse lidar com políticos, cercou-se de gente que também sabia.Os bons ventos sopraram a economia enquanto governou. Por hábil e carismático, levou no gogó a maioria dos brasileiros sempre que se viu em aperto.Depois de consultar amigos, viu que não valeria a pena batalhar pelo terceiro mandato consecutivo. Deu um tempo. Chamou Dilma. Espera reciprocidade.

Há condições para que a reciprocidade se consuma. Mas Dilma está obrigada antes a reagir. Sua popularidade não poderá continuar caindo. Falta mais de um ano para a próxima eleição. Se Dilma chegar feito um trapo em março, não parecerá natural que anunciem para deleite certo do distinto público: “Senhoras e senhores, o candidato do PT e de nove entre 10 partidos à presidência da República será… Luiz Inácio Lula da Silva”.

Que brincadeira é essa? A melhor gestora do governo Lula teria fracassado ao se tornar gestora do seu próprio governo? Ou simplesmente Lula mentiu ao imputar-lhe a falsa condição de melhor gestora? Lula pensa que é assim? Que o povo é bobo e jogará a culpa na Rede Globo? Que o país engolirá a desculpa de que o mau desempenho de Dilma surpreendeu até ele mesmo? Mas que uma vez de volta ele haverá de correr atrás do tempo perdido?

O eventual retorno de Lula passará pela reabilitação de Dilma. A permanência do PT no poder passará pela reabilitação de Dilma. Se candidata outra vez ela talvez não se reeleja. Mas se for alijada da disputa presidencial para evitar uma derrota é quase seguro que o PT acabará alijado do Palácio do Planalto. Sem arrogância alguma, aceita-se apostas. Cartas à redação. Ou: e-mails. Como preferirem.

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Estado laico — Um dos recados do Papa Francisco aos políticos do Brasil

“A pacífica convivência entre religiões diversas se vê beneficiada pela laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo suas expressões concretas”

(Papa Francisco, em seu discurso mais político na Jornada Mundial da Juventude, ontem, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro)

Babalaô Ivanir dos Santos, representante do candomblé e filho de uma ex-cortadora de cana de Campos, foi recebido ontem pelo Papa Francisco, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (Foto: Claudio Menezes)
Babalaô Ivanir dos Santos, representante do candomblé e filho de uma ex-cortadora de cana de Campos, foi recebido ontem pelo Papa Francisco, no Teatro Municipal (Foto: Claudio Menezes)
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Candidato à Alerj por um PT que aprenda com as ruas

Embora “acusado” por alguns pragmáticos como inocente politicamente, por não estar disposto a adotar políticas clientelistas para se eleger, pelo menos naquilo que o PT de Campos projeta para tentar fazer pela primeira vez um deputado estadual, em 2014, o professor Alexandre Lourenço parece ser o mais realista dos três pré-candidatos locais: nem ele, nem a ex-vereadora Odisséia Carvalho, nem o vereador Marcão, devem desistir de lançar seus nomes à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Acerca da entrada de Marcão na disputa, diferente de Odisséia, Alexandre disse já estar ciente antes do seu anúncio na imprensa, assim como não se furtou em analisar o desempenho do vereador petista, que julgou estar atuando dentro do esperado para um parlamentar de oposição. Acompanhante assíduo do movimento “Cabruncos Livres”, o professor acredita que não apenas ele, como Campos e o próprio PT, têm muito a aprender com as manifestações de rua que ganharam o Brasil, composto em sua maioria por jovens estudantes.

Foto de Mariana Ricci - Folha da Manhã
Foto de Mariana Ricci - Folha da Manhã

Folha da Manhã – A ex-vereadora Odisséia Carvalho disse que, numa conversa pessoal, vocês dois partilharam a intenção comum de concorrer à Alerj. O papo não serviu para que um abrisse mão para apoiar o outro?

Alexandre Lourenço – Conversamos um pouco, ela falou que estava pensando em ser candidata e eu falei da reunião que tive com o deputado federal Alessandro Molon, que é o líder do grupo político do qual faço parte, e que estava muito animado para disputar a vaga. E a ex-vereadora me incentivou.

Folha – Odisséia também disse que soube pela imprensa do projeto do vereador Marcão de também concorrer à Alerj. E você, como soube e como recebeu essa terceira pré-candidatura a deputado estadual do PT de Campos?

Alexandre – O vereador Marcão me disse que estava pensando e que havia grande chance de ser pré-candidato. Não fiquei surpreso.

Folha – Falando objetivamente, vê a possibilidade de desistir da sua pré-candidatura para apoiar Odisséia ou Marcão, ou que um deles venha a desistir para apoiá-lo?

Alexandre – Não penso em desistir, estou muito animado, sou pré-candidato de oposição ao governo Sérgio Cabral (PMDB, aliado do governo federal do PT), com o apoio do Alessandro Molon, que é considerado um dos mais competentes e respeitados políticos na atualidade. Recentemente, ele foi escolhido pelos jornalistas que cobrem o Congresso como o melhor deputado do PT e um dos cinco melhores do Brasil, além de ser o petista mais votado no Estado do Rio. Acho improvável que Marcão e Odisséia desistam.

Folha – Levando-se em consideração os votos que cada um dos três teve na última eleição a vereador, Marcão sai na vantagem e você na ponta oposta? Considera-se o “azarão” nessa disputa?

Alexandre – Não. No ano passado, disputei minha primeira eleição, uma candidatura de oposição, defendendo a valorização da educação pública e a ética na política. Fiz uma campanha baseada em ideais, inspirada nas mais românticas candidaturas de esquerda, com poucos recursos e, mesmo assim, foi bonita e vitoriosa, já que fiquei em quarto lugar na coligação, tendo sido diplomado como terceiro suplente, na frente de mais de 500 candidatos, dentre ex-prefeito, ex-deputado e secretários municipais. Tenho 27 anos e nunca usufruí de cargo, nem apadrinhamento político, e, mesmo assim, meu nome aparece nas pesquisas. O fato de atuar como professor concursado da Faetec, em Volta Redonda, e na prefeitura de São João da Barra, além de ter trabalhado na Prefeitura de Rio das Ostras, na Seeduc e no Cederj, em Bom Jesus, só favorece a minha pré-candidatura. Posso considerar que tenho potencial de crescimento.

Folha – Quem o conhece pessoal e/ou politicamente, sabe da sua intransigência na defesa da ética. Este discurso, no PT pós-Mensalão, não soa deslocado? Por quê?

Alexandre – Sou muito otimista e penso que, depois das grandes manifestações ocorridas no país, o Partido dos Trabalhadores pode voltar às suas origens, se aproximar dos movimentos sociais, ouvir as vozes das ruas, se distanciar do fisiologismo, das negociatas, dos acordos espúrios e dos partidos de aluguel. Ética na vida pública é fundamental e tem tudo a ver com o momento de transição que estamos passando. Defendo o fim da aliança com o PMDB, sempre fui contra, sou oposição ao governo do Sérgio Cabral.

Folha – Você tem acompanhado de perto a atuação dos “Cabruncos Livres”. Marcão já propôs a principal pauta deles, o Orçamento Participativo, na Câmara. Qual sua opinião sobre o movimento e a atuação do vereador petista?

Alexandre – Tenho carinho e respeito enormes pelo movimento “Cabruncos Livres”. Foi uma das coisas mais bonitas que aconteceu em Campos ultimamente. Participei das reuniões e dos atos, tudo bem democrático. Foi muito emocionante ver milhares de jovens nas ruas da minha cidade. E, principalmente, foi um movimento espontâneo, feito por jovens insatisfeitos com o governo municipal, que estão cansados de populismo barato e querem mais transparência e ética. Considero as pautas do movimento fundamentais para o desenvolvimento e melhoria da educação pública, que é a pior do Estado. Com o orçamento bilionário que temos, não podemos aceitar esta vergonha! O vereador tem desempenhado o papel que esperamos de um oposicionista.

Folha – Se o PT de Campos insistir mesmo nas três candidaturas à Alerj, não estará correndo o risco de repetir a sina de nunca ter eleito um deputado estadual?

Alexandre – Acho que a minha pré-candidatura é necessária. Quero ser a opção progressista dos insatisfeitos, dos estudantes, dos professores, para combater o bom combate e praticar a boa política, pois já temos muitos jovens com pensamentos e atitudes reacionárias exercendo a “velha política”. O partido pode fazer um representante, sim, mesmo com mais de uma candidatura. Nada deve parecer impossível de mudar!

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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Pelo PT de Campos, Odisséia quer aumentar bancada feminina na Alerj

Sua cessão da Prefeitura de Campos à assessoria parlamentar do senador, e pré-candidato a governador, Lindbergh Farias (PT), é só uma questão burocrática. Foi o que garantiu a ex-vereadora e professora Odisséia Carvalho, que não tem planos para desistir da sua própria pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), uma das três que ostenta o PT de Campos, que nunca conseguiu eleger nenhum deputado estadual. Sobre os dois outros pré-candidatos petistas à Alerj, ela disse que trocou com o também professor Alexandre Lourenço, numa conversa, seus planos mútuos de se lançarem; enquanto sobre o vereador Marcão, cujo mandato declinou de analisar, disse que só soube dos seus planos para 2014 pela imprensa.

Foto de Mariana Ricci - Folha da Manhã
Foto de Mariana Ricci - Folha da Manhã

Folha da Manhã – Como reagiu ao cancelamento, por parte da Prefeitura de Campos, à sua cessão ao senador e pré-candidato a governador Lindbergh Farias?

Odisséia Carvalho – Essa questão é meramente burocrática e envolve prazos. Foi enviado no início deste ano, ao Governo de Estado e a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, o pedido de cessão das minhas matrículas para ocupar o cargo de assistente parlamentar do senador Lindbergh Farias,o que não foi respondido em tempo hábil. A cessão do município saiu no DO de 21 de maio, e a do Estado tinha sido enviada para publicação,o que infelizmente não foi possível, pois minha nomeação no Senado ocorreu no dia 15 de abril e tinha apenas um mês para tomar posse. Atualmente, o Senado se encontra em recesso e será enviado um outro ofício solicitando minha cessão a ambos os órgãos, no qual espero ser atendida. É bom lembrar que a cessão é com ônus para o Senado e não onera os cofres públicos municipais, além de existir vários casos no município de Campos de profissionais com matrículas e cedidos  à Prefeitura, como o professor Suledil (Estado) e Fábio Ribeiro (Fenorte).

Folha – E quanto ao lançamento da pré-candidatura do vereador Marcão à Alerj, depois que você e o também professor Alexandre Lourenço já tinham posto seus nomes à mesma disputa?

Odisséia – O professor Alexandre Lourenço foi à minha residência e manifestou o desejo de se candidatar, quando coloquei que também é o nosso desejo de ocupar uma vaga na Alerj, o que fizemos formalmente na reunião do diretório do partido.No caso de Marcão, ele informou que realizou uma reunião com seu grupo político e soubemos pela imprensa  do seu interesse de se candidatar-se à Alerj, o que é legítimo e importante para o PT.

Folha – Há a possibilidade de você retirar sua pré-candidatura para apoiar Marcão ou Alexandre? Ou vai buscar com que um deles, ou ambos, se retirem da disputa para apoiá-la?

Odisséia – O PT é democrático e é necessário ampliar nossa bancada na Alerj. Em 2010, fizemos uma aliança e temos hoje cinco deputados e duas deputadas  do PT. Nessa eleição, teremos candidatura própria, com o pré-candidato Lindbergh Farias ao Governo do Estado e vamos aumentar nossa nominata e legenda. Nossa candidatura será mantida, sabemos que apoio sempre é importante e respeito a decisão dos companheiros, se desejarem manter suas candidaturas.

Folha – Como primeira suplente do PT como vereadora, se Marcão se elegesse deputado estadual, seu regresso à Câmara Municipal não seria uma possibilidade também interessante?

Odisséia – A representação do PT em todas as instâncias é importantíssima. Na reforma do estatuto do partido, ocorrida no  4º Congresso Nacional do PT, foi garantida a paridade, prevendo participação feminina de 50% na composição das nominatas. Não é natural que 52% da população brasileira seja mulheres  e apenas 9% ocupem as cadeiras no Congresso. Na Alerj, dos 70 deputados, apenas 12 são mulheres. Vamos  aumentar nossa bancada feminina do PT.

Folha – Qual sua avaliação da atuação de Marcão no mandato que já foi seu no Legislativo goitacá?

Odisséia – Na nossa concepção partidária, não existe mandato do vereador, mas do partido, baseado no nosso estatuto e princípios construídos ao longo de 33 anos de existência do PT. Cada legislador tem o seu perfil, sou oriunda dos movimentos sociais, filiada ao PT desde 1986.

Folha – Se insistir em três candidaturas locais à Alerj, o PT de Campos não corre o risco de cumprir mais uma vez a sina de nunca ter feito um deputado estadual?

Odisséia – Precisamos seguir com coragem e determinação, com representações do PT na região. Makhoul é pré-candidato a deputado federal e eu, Odisséia Carvalho, sou pré-candidata a deputada estadual. Estamos trabalhando e buscando apoios na região.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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“E que justiça a resguarda?… Bastarda”

Já disse e escrevi, mais de uma vez, que considero o professor Adriano Moura o melhor entre nós, poetas de Campos vivos. Menos vezes, embora merecesse ainda mais, reafirmei outra opinião meramente pessoal: o advogado Gregório de Matos Guerra (1636/95), o “Boca do Inferno”, para mim, é o maior talento que já viveu na poesia brasileira. Assim, no diálogo entre os dois vates, aqueles que vaticinam, que veem antes, estabelecido aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, abro minha lida blogueira na tentativa de aquecer esta manhã fria de sexta-feira…

Gregório de Matos
Gregório de Matos

Trechos de um poema de Gregório de Matos, escrito no século XVII. Qualquer semelhança com a “República do Chuvisco”, não será mera coincidência:

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem faz os círios mesquinhos?… Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?… Guardas.
Quem as tem nos aposentos?… Sargentos.

E que justiça a resguarda?… Bastarda.
É grátis distribuída?… Vendida.
Que tem, que a todos assusta?… Injusta.

O açúcar já acabou?… Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?… Subiu.
Logo já convalesceu?… Morreu.

A Câmara não acode?… Não pode.
Pois não tem todo o poder?… Não quer.
É que o Governo a convence?… Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.

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Marcão busca vaga na Alerj e Orçamento Participativo na Câmara

Anunciada publicamente pelo jornalista e blogueiro Gustavo Matheus (aqui), a pré-candidatura do vereador Marcão à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nas eleições do ano que vem, é mesmo uma certeza do petista e do seu grupo político. Ainda assim, ele confirma que buscará, até o último momento, o entendimento com os dois outros nomes do PT de Campos que já tinham se lançado antes a deputado estadual: os professores Odisséia Carvalho (ex-vereadora e suplente de Marcão na Câmara) e Alexandre Lourenço. Sem descuidar do seu mandato de vereador, que admite ser a base do seu lançamento à Alerj, Marcão já tem definido seu objetivo assim que terminar o recesso do Legislativo goitacá: brigar pelo Orçamento Participativo no município de Campos, pauta lançada das ruas pelo movimento “Cabruncos Livres”.

Foto de Edu Prudêncio
Foto de Edu Prudêncio

Folha da Manhã – Por que se colocar agora como pré-candidato à Alerj, depois que Odisséia Carvalho e Alexandre Lourenço já haviam posto seus nomes?

Marcão – No início do mês, tomei conhecimento de uma pesquisa feita para Alerj em nosso município, onde o nome do vereador Marcão aparece com 5,33% de intenções de voto para deputado estadual, aparecendo nas intenções de voto tanto na pesquisa estimulada, quanto na espontânea, sem que em nenhum momento eu tivesse dito que seria pré-candidato à Alerj. A partir daí fizemos uma reunião com nosso grupo político e ficou decidido que este seria o momento de optar pela pré-candidatura.

Folha – Conversou com algum dos dois antes? Tem esperança que algum deles abandone a pré-candidatura própria e abrace a sua?

Marcão – Havia tido conversas informais com os dois companheiros, dando conta de que havia recebido um convite da direção estadual do PT, desde o mês de abril, para ser pré-candidato, e que existia, sim, essa possibilidade. Esperança, como diz o ditado popular, é a última que morre. Eu alimento, sim, a esperança de que consiga unificar os companheiros em torno da nossa candidatura, até pelo fato de que caso esse projeto tenha a aprovação das urnas, no caso da companheira Odisséia, ela poderá assumir o mandato na Câmara Municipal, já que é a primeira suplente no PT. E tenho pensado em algumas propostas de diálogo para serem apresentadas ao companheiro Alexandre.

Folha – E você abrir mão da sua pré-candidatura para apoiar um dos dois? Há também essa possibilidade recíproca? Qual deles teria sua preferência? Por quê?

Marcão – Na política temos que estar a todo instante dialogando e buscando a meu ver o estabelecimento de uma relação mutuamente consentida e respeitosa. É isso que procuro fazer em minhas ações. Não penso em abrir mão de minha pré-candidatura, tenho ótimo relacionamento com os dois, portanto não há preferência.

Folha – O fato de você sair de um mandato de vereador bastante atuante na oposição o coloca em vantagem sobre os outros dois?

Marcão – Acredito que a visibilidade de um mandato bem desempenhado ajuda na projeção do político, estou totalmente focado em nosso mandato na Câmara. Temos vários projetos sendo concluídos para colocá-los à apreciação da Câmara, no segundo semestre, inclusive um que já está tramitando e diz respeito à pauta que vem das ruas, se refere ao Orçamento Participativo (aqui). Vamos continuar trabalhando muito em busca de mais transparência e controle social. A possível vantagem, se existe, é fruto deste trabalho que estamos desempenhando.

Folha – Quantos votos acha que um candidato do PT à Alerj precisaria fazer para assegurar sua eleição? Quantos pretende ter?

Marcão – Aluysio, além de advogado, eu também sou contador e adoro trabalhar com estas previsões estatísticas eleitorais. No PT, na última eleição, foram necessários exatos 28.798 votos para conquista da vaga, porém não tínhamos candidatura própria para o governo do Estado. Agora, com a pré-candidatura do senador Lindbergh a governador, isso possibilitará que possamos fazer mais deputados federais e estaduais. Estimo que para essa eleição à Alerj, em 2014, quem tiver no PT acima de 20 mil votos, passa a ter muita chance na conquista da vaga.

Folha – Se nenhum dos três desistir, o PT de Campos, mais uma vez, não se arriscará a cumprir sua sina de nunca ter eleito ninguém à Alerj?

Marcão – Espero que esta sina efetivamente não ocorra, e que possamos entrar em entendimento e buscando o fortalecimento do partido, possamos de forma inédita eleger no mínimo um representante para nossa região.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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“Grande Irmão” rege a dança das cadeiras no paredão rosa

Big Brother rosa

Por rafaelvargas, em 24-07-2013 – 10h37

Momentos de tensão, falsas expectativas, intrigas, reviravoltas e quedas de braço marcaram a dança das cadeiras na Prefeitura de Campos.  Como muitos secretários estavam interinamente em seus cargos, o grupo viveu uma espécie de Big Brother Rosa. Após um “paredão” disputado, alguns nomes foram eliminados. Outros ficaram pendurados e interinos.

Porém, com padrinhos fortes dentro da “casa”, alguns deles conseguiram permanecer no jogo. O detalhe é que, mesmo que já tenham sido confirmados, muitos secretários continuam balançando e estão sendo acompanhados – de perto – pela direção da atração pelo big fone.

Neste grande reality show da Prefeitura, os únicos participantes tranquilos são aqueles que foram imunizados pelo “Grande Irmão” ou pelo colar rosa do anjo. De resto, todo mundo querendo demais e ninguém querendo de menos.

Até a eleição de 2016, quando o grupo vai indicar o novo líder da “casa”, tudo indica que o embate entre os aliados vai ficar cada vez mais emocionante.

Emocionante como todo show deveria ser.

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Denúncias de manipulação e ilegalidades na Conferência de Cultura

Aqui, no grupo de discussão “Nelson Censurado”, criado na democracia irrefreável das redes sociais em protesto à condução da política cultural de Campos, a estilista Lívia Amorim denunciou manipulação, arbitrariedades e ilegalidades que teriam sido praticadas pelo poder público municipal na Conferência de Cultura do Município, realizado no último sábado, dia 20. Por extremamente graves, o blog pede a licença devida a Lívia, que acompanhou pessoalmente a Conferência, para reproduzir abaixo seus questionamentos…

III Conferência Municipal de Cultura, realizada no último sábado, no Museu Histórico de Campos (foto de Helen Souza)
III Conferência Municipal de Cultura, realizada no último sábado, no Museu Histórico de Campos (foto de Helen Souza)
Lívia Amorim, estilista
Lívia Amorim, estilista

Dia 20 de julho, último sábado a Prefeitura Municipal de Campos realizou no Museu Histórico de Campos dos Goytacazes, em cumprimento a portaria 33, de 16 de abril de 2013 do Ministério da Cultura a etapa Municipal de seleção dos delegados para as Conferências Regional e Nacional de Cultura. E o que se viu por lá foi uma seção de atos arbitrários que devem ser contestados de forma incisiva por todos nós tamanha gravidade, descaso e desacato a classe artística e movimentos culturais do Município.
A Conferência Municipal de Cultura em Campos dos Goytacazes:
1- O representante do Ministério da Cultura, Sr. Professor Flavio Aniceto não compareceu ao evento conforme constava na programação do evento no Diário Oficial. Sequer ligou ou comunicou formalmente sua ausência;
2- A Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Sra. Patrícia Cordeiro, não compareceu ao evento; Sua equipe não justificou a sua ausência;
3- A Secretária Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer não compareceu ao evento. A equipe não justificou a ausência da mesma;
4- A maioria dos inscritos não comprovou vínculo documental com as instituições que representavam. Não enviaram ofícios de comprovação.
5- As inscrições encerraram-se as 8h30m do dia 20/07 conforme consta no Diário Oficial, mas houveram inscritos após este horário;
6- Representantes do poder público, que também atuam como representantes do ONGs e Institutos, Grupos de Teatro, Associações Culturais inscreveram-se como representantes da Sociedade Civil negando suas participações no governo. Prática comum no Conselho de Cultura também;
7- O Grupo ORI, inscrito como sociedade civil é um Projeto Governamental da Fundação Zumbi dos Palmares; e isto é do conhecimento de toda classe artística local;
8- Menores de idade, representantes do projeto Municipal ORI, participaram como representantes da sociedade civil e votaram sem documentação de RG ou CPF. Os alunos não possuem sequer documentos.
9- O Funcionário Público Municipal Rossini Reis, eleito como delegado para representar a sociedade civil na Conferencia Estadual é funcionário do Museu Histórico de Campos e inscreveu-se como representante da sociedade civil. Na conferência inclusive, ele trabalhava como um dos organizadores do evento com a equipe do Museu. Como negar seu vínculo público?
10- O representante do Grupo ORI, Josimarson Ramos da Silva, eleito como delegado para representar a sociedade civil na Conferencia estadual Inscreveu-se como representante da sociedade civil, sendo que este representava um Projeto Público criado e mantido pela Fundação Zumbi dos Palmares. Sugiro que se verifique a idade do representante, pois até o final deste não havia sido encontrada.

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