Riso dos parasitas: É preciso coragem para dizer, sem gaguejar, o que Dilma disse

Jornalista e escritor Guilherme Fiuza
Jornalista e escritor Guilherme Fiuza

Plebiscito em Marte

Por Guilhermo Fiuza

Os parasitas da nação estão em festa. Os efeitos dos protestos de rua estão tomando o melhor caminho possível (para eles): constituinte, plebiscito, pré-sal… Os parasitas estão gargalhando em seus gabinetes. Sempre souberam que embromariam a multidão, mas não esperavam que fosse assim tão fácil. Ao fim da primeira semana de manifestações, Dilma foi à TV. Nas ruas, os protestos contra o aumento das passagens de ônibus mostravam o óbvio: a volta da inflação enfim tirara os brasileiros de casa. O transporte era só o item mais visível da escalada de preços em todos os setores. A vida ficou mais apertada — e a paciência acabou. Como todos sabem (ou deveriam saber), o governo popular abandonou a meta de inflação para irrigar sua formidável máquina de duas dezenas de ministérios. Mas na TV, Dilma parecia uma porta-voz dos revoltosos.

A presidente disse que os anseios das ruas eram os mesmos do seu governo. É preciso coragem para soltar um disparate desses sem gaguejar. O tal governo que anseia por mudanças governa o país há dez anos. E Dilma não deu uma palavra sobre gastos públicos — ou, em português, sobre a orgia orçamentária que seu partido preside no Estado brasileiro. Pregou a melhoria dos serviços públicos (supostamente os do Brasil), no momento em que seu governo bate mais um recorde de despesas — como sempre reduzindo os investimentos e aumentando o custeio (a verba dos companheiros). É preciso muita desinibição.

O projeto parasitário é desinibido porque a opinião pública é trouxa. E o pronunciamento da presidente foi engolido pelos brasileiros, incapazes de relacionar a inflação e a queda dos serviços com a administração perdulária e inepta da grande gestora.

Se o movimento que encanta o país fosse minimamente lúcido, cercaria o Palácio do Planalto depois desse pronunciamento. Poderia anunciar, pacificamente, que só sairia de lá com a extinção de pelo menos cinco ministérios inúteis, mantidos para alimentar correligionários. Ou com o compromisso da presidente de voltar a respeitar a meta de inflação. Ou denunciando o escândalo da “contabilidade criativa”, pelo qual o governo do PT passou a fraudar seu próprio balanço — seguindo a escola Kirchner-Chávez —, escondendo dívidas para poder gastar mais com cargos e propaganda.

Será que os heróis das ruas não percebem que é isso o que mais infla o custo de vida (e as passagens de ônibus)?

Não, não percebem. Uma líder do movimento declarou ao “Jornal Nacional” que a próxima prioridade era a reforma agrária… Aí os parasitas estouraram o champanhe. Era a senha para mandarem Dilma tirar da cartola uma constituinte: reforma política! (mesmo balão de ensaio usado por Lula quando estourou o mensalão). E o truque colou. Tiraram a constituinte de cena, mas deixaram o Brasil entretido no debate lunático sobre um plebiscito do crioulo doido. De brinde, Dilma prometeu transformar a “corrupção dolosa” em crime hediondo. Eles venceram de novo.

Enquanto gritam por cidadania, educação, dinheiro do pré-sal e felicidade geral, os revoltosos urbanos estão absolvendo Rosemary Noronha — a protegida de Lula e Dilma na invasão fisiológica das agências reguladoras (responsáveis pelos serviços que a presidente promete melhorar…). Estão absolvendo as quadrilhas que dominaram o PAC — reveladas pela CPI do Cachoeira, que Dilma abafou e nenhum manifestante reclamou. Estão chancelando todos os denunciados na época da faxina imaginária que continuam dando as cartas no governo, como o ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel. Os revoltosos estão sancionando a sucção e cantando o Hino Nacional.

Fica então uma sugestão de pergunta para o plebiscito: o Brasil prefere ser roubado por corrupção dolosa ou indolor?


Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Ruas podem colocar Barbosa na curva da presidência?

Jornalista Merval Pereira
Jornalista Merval Pereira

Fora da curva

Por Merval Pereira

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, prepara-se para convocar por volta de 15 de agosto a continuação do julgamento do mensalão em clima totalmente diferente daquele do fim de 2012, quando 25 dos 38 réus foram condenados.

A tentativa dos advogados de defesa de reabrir o julgamento através dos embargos infringentes parece fadada ao insucesso neste momento em que as ruas se manifestam contra a corrupção e exigem, tanto do Congresso quanto do Judiciário, um tratamento duro no seu combate.

Transformar a corrupção em crime hediondo, como o Congresso está em vias de fazer, dá uma dimensão política nova ao seu combate que, embora seja populista, ajuda a barrar tentativas de postergação das penas a que os réus de colarinho branco foram condenados.

A prisão do deputado Natan Donadon, decretada pelo STF após dois anos de embargos em cima de embargos, é demonstração de que o tempo de conseguir evitar a cadeia com chicanas jurídicas está com os dias contados.

Num sistema de Justiça equilibrado, não haveria qualquer problema em que a pena do ex-ministro José Dirceu fosse reduzida em eventual revisão de julgamento sobre o crime de formação de quadrilha, por exemplo.

De qualquer maneira, a condenação dele e dos demais réus do mensalão já está dada. Só aceitar uma pena que o coloque em regime fechado, como é a dele, seria apenas vingança política.

Mas a triste realidade brasileira é que a transformação da condenação em regime semiaberto significa na prática manobra para que o réu de colarinho branco acabe escapando da cadeia, pois não há no país prisões-albergues suficientes. Os condenados a regime semiaberto acabam mesmo em prisão domiciliar, com todas as regalias inerentes.

Ainda mais se essa eventual revisão de pena vier a ser alcançada através dos embargos infringentes, figura que só é cabível num julgamento do Supremo fazendo-se um malabarismo jurídico. Essa condescendência do tribunal na verdade significaria novo julgamento e seria percebida pela população como manobra para livrar os principais réus políticos da cadeia.

Ainda mais depois que dois novos ministros participarão do julgamento, Teori Zavascki, nomeado na vaga de Cezar Peluso, e Luís Roberto Barroso, que tomou posse ontem na vaga de Ayres Britto.

No momento, o STF é percebido pela população como uma barreira contra a corrupção, assim como o Ministério Público. Não foi por acaso que o fim da PEC 37 foi uma das reivindicações que ganharam as ruas.

O comentário de Barroso de que aquele julgamento foi “um ponto fora da curva”, antes de ser uma crítica, pode ser uma constatação de que o Supremo atuou dentro do espírito dos novos tempos que o país vive, conectando-se às necessidades da sociedade, e até mesmo antecipando-se a elas.

É essa percepção que faz de Barbosa um possível candidato à Presidência da República e, mais realisticamente, o vice ideal tanto para a chapa do PSDB, com Aécio Neves, quanto para a do PSB, com Eduardo Campos.

Mesmo, porém, a possibilidade de vir a ser vice de alguém é considerada remota, pois Barbosa não demonstra estar seduzido pelo apelo popular que o coloca como um candidato dos sonhos de uma parcela ponderável da população.

Apesar de dizer-se lisonjeado pelo resultado do Datafolha que o apontou como o preferido de 30% dos entrevistados em uma das manifestações de São Paulo, Barbosa tem confidenciado a amigos que considera mais importante seu papel de ministro do Supremo, e presidi-lo no momento de “grave crise” por que o país passa, do que participar de uma aventura política a esta altura de sua vida pública.

Mesmo com essa predisposição, Barbosa não nega munição para aqueles que não se sentem representados e saiu defendendo menos poder para os partidos políticos e a “necessidade no Brasil de se incluir o povo nas discussões sobre reforma. O Brasil está cansado de conchavos de cúpula”.

Ao defender as candidaturas avulsas, independentes dos partidos políticos, Barbosa acendeu a imaginação dos que querem vê-lo na disputa presidencial.

Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Brasil prova nas ruas que é melhor que seus representantes

Jornalista e escritor Nelson Motta
Jornalista e escritor Nelson Motta

Nada será como antes

Por Nelson Motta

Antes, os políticos justificavam o baixo nível do Congresso dizendo que, para o bem e para o mal, ele era um reflexo do Brasil, representava o que os brasileiros tinham de melhor e de pior. Ou seja, não se podia almejar um Congresso de primeira com um povinho de quinta. E durante muito tempo nos fizeram acreditar que os representantes não eram piores do que os representados. Na semana passada, o povo nas ruas provou o contrário.

As palavras de (des)ordem atingiram frontalmente os partidos, com sua cultura patrimonialista, seus privilégios afrontosos e seu distanciamento da indignação popular, como uma corporação que se apossou do Estado e se une quando seus interesses são ameaçados — como agora. Mas eles querem mais dinheiro (nosso) para os seus partidos.

Contra a corrupção eleitoral, eles propõem o financiamento público das campanhas, com a bolada sendo distribuída proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso. Ou seja, PT e PMDB, enquanto para a oposição sobraria uma verba do tamanho da sua pequenez. É a forma mais fácil, e cínica, de um partido se eternizar no poder às custas do dinheiro publico. Por que o Zé Dirceu e o Rui Falcão não mandam a militância para a rua defender esta proposta?

O horário eleitoral e os fundos partidários — que já nos custam muito caro — bastam para equalizar as oportunidades e garantir eleições democráticas. Empresas não votam, só têm interesses, investem e depois cobram a conta. São os eleitores que devem ajudar as campanhas de seus candidatos com doações individuais limitadas. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez 25% dos votos sem verbas públicas, só com pequenas doações individuais. E ideias.

Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, Renan não teria sido eleito presidente do Senado, os juizes não ousariam se dar dez anos retroativos de vale-refeição, os partidos não apresentariam projetos para afrouxar o Ficha Limpa e a Lei de Responsabilidade Fiscal, não dariam a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia. Foi por essas e outras que ela aconteceu.

Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Enfermeiros também programam manifestação em Campos

Atenção profissionais da enfermagem!!!!!

Por Branca, em 27-06-13 – 17h21

Enfermagem
Na segunda-feira (dia 01/07) haverá uma concentração a partir das 14h na Praça São Salvador, para uma caminhada até a Câmara de Vereadores de Campos. Estaremos reivindicando os direitos e a valorização da classe. Essa luta é de todos!

Compareçam!!!

Atualização às 19h45: Aqui e aqui, respectivamente, os blogueiros e jornalistas Sérgio Mendes e Joca Muylaert já haviam antes reproduzido a postagem da Branca.

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Cultura pede passagem no novo blog da Folha: ArteFatos, da Lívia Nunes

Desde ontem, a Folha Online conta com um blog novo em sua ágora virtual: o ArteFatos, da jornalista Lívia Nunes, nossa editora da Folha Dois. Do que pretende nesse novo espaço, deixemos que ela fale em voz própria…

Vamos conversar, papear, prosear

Por Lívia Nunes, em 26-06-2013 – 16h40

Estreio o novo canal de comunicação onde esta jovem jornalista pretende comentar e divulgar os eventos e movimentos artísticos que acontecem (ou não acontecem), principalmente, em Campos. Por aqui também vão aparecer muitas opiniões sobre cinema, literatura, música — tudo que faz parte da minha listinha pessoal de interesses. Vamos navegar e desbravar mais este espaço.

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Em todo resto do Brasil, Anthony é a favor dos protestos de rua

O Brasil volta às ruas hoje para mais protestos

Por Anthony Matheus, em 27-06-2013 – 10h55


Como podem ver estão programadas hoje manifestações em 18 cidades, entre elas, Rio de Janeiro, Rio das Ostras e Teresópolis, nesta última a revolta do povo contra Cabral e Pezão pelo desvio das verbas emergenciais é muito grande. E muita gente vai protestar contra a Globo, que é lobo, agora vestindo pele de cordeiro, para tentar enganar mais uma vez os brasileiros.

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Poucas palavras do muito que não é reflexo

O problema de se passar algum tempo sem ler o Ricardo André Vasconcelos é perder coisa boa, dita sempre com precisão, coragem e poucas palavras. É um dos que levam adiante o estilo elevado ao seu nível mais alto pelo escritor e jornalista estadunidense Ernest Hemingway (1899/1961). Abaixo, com Caetano Veloso e a Grécia Clássica em diálogo lacônico, adjetivo derivado da região da Lacônia, onde habitavam os espartanos, criados desde crianças para usarem sempre poucas, mas contundentes palavras, o jornalista e blogueiro revela o “aiatolá-chefe” da planície goitacá, que em muito tem a ver com o “rei dos reis” persa que 300 espartanos deram a vida para depois derrotar, num espírito de coragem presente nas ruas de todo o Brasil, incluindo a Campos dos “Cabruncos Livres”…

Caetano explica…

Por Ricardo André, em 25-06-2013 – 22h45

Traumatizados por serem excluídos e, mais que isso, alvo dos Cabruncos Livres nas duas passeatas promovidas em Campos, os seguidores da seita garotista não descansam enquanto não implodirem o movimento. Eles não sabem lidar com rejeição, odeiam concorrência e vão repetir ad nauseam a catilinária do aitolá-chefe nas redes sociais e microfones amigos.

É como diz Caetano na clássica “Sampa”: “…é que Narciso acha feio o que não é espelho”.

 Narciso, óleo sobre tela de Caravaggio, está na Galleria Nazionale d´Arte, Roma
Narciso, óleo sobre tela de Caravaggio, está na Galleria Nazionale d´Arte, Roma

Sobre a origem mitológica de Narciso e o narcisismo derivado veja aqui.

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Hemingway e Fitzgerald — Da literatura ao cinema, do peixe às asas da borboleta

Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald
Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald

Ernest Hemingway (1899/1961) e F. Scott Ftizgerald (1896/1940) foram os dois maiores nomes da prosa no modernismo dos EUA, ambos auto-exilados durante a Lei Seca em seu país (1920/33), junto a outros conterrâneos, como os poetas Erza Pound (1885/1972) e T. S. Elliot (1888/1965), na internacional “Geração Perdida”, que reunia também gente como o pintor espanhol Pablo Picasso (1881/1973), ou o prosista irlandês James Joyce (1882/1941), na Paris dos “Loucos Anos 20” do século passado. Melhor descrição destes tempo e espaço de revolução nas artes, regados com excessos de vida e álcool, no hiato entre as duas Guerras Mundiais (1914/18 e 1939/45) e um pouco antes da crise mundial do capitalismo a partir de 1929, em seu biográfico “Paris é uma festa”, nunca concluído em vida e só publicado após sua morte, Hemingway assim descreve Fitzgerald:

Foto de Paola D’Angelo

“Seu talento era tão espontâneo quanto o desenho que o pó faz nas asas de uma borboleta. Houve uma época em que ele tinha tanta consciência disso quanto a borboleta, não ligando para o fato de que seu talento podia apagar-se ou desaparecer de todo. Mais tarde começou a preocupar-se com as asas feridas e sua estrutura. Aprendeu a refletir, mas já não conseguia voar porque o amor ao voo o abandonara. Restava-lhe apenas a lembrança dos dias em que voar fora um ato natural”.

O velho Santiago de Spencer Tracy na luta com seu peixe
O velho Santiago de Spencer Tracy na luta de vida e morte com seu peixe gigantesco

Para marcar a diferença entre os estilos de um e outro autor, um colega brasileiro e grande admirador de ambos, Luiz Fernando Verissimo diz que Fitzgerald era “um suculento”, ao passo que Hemningway, “um seco”. A grande obra deste é sem sombra de dúvida “O velho e o mar”, de 1952, na minha opinião pessoal, o maior romance escrito no século 20, apesar de ter gerado um filme fraco, mesmo dirigido por John Sturges (1910/92) e estrelado por Spencer Tracy (1900/67). Em curta de animação, uma versão mais recente e feliz foi produzida pelo diretor russo Alexander Petrov, que pode ser conferida na edição abaixo, com trilha sonora do Buena Vista Social Club, na “Chan chan” tão cubana quanto o Santiago de Hemingway, cuja casa, Finca La Vigía, é mantida até hoje como museu do escritor que a habitou, pelo regime dos Castro…

Já Fitzgerald, embora considerasse “Suave é a noite”, de 1934, como seu melhor romance, acabou tendo eleito por boa parte da crítica, até nossos dias, o seu “O grande Gatsby”, concluído na Paris de 1925, não só como sua obra prima, mas de todo o modernismo estadunidense. Ganhou três versões em filmes de Hollywood, em 1926, 1949 e 1975, até gerar aquela que considero a melhor, de 2012, estrelado por Leonardo Di Caprio e dirigido pelo australiano Baz Luhrmann, ora em cartaz nos cinemas do Rio, mas não de Campos.

Quem estiver mais próximo à Guanabara do que ao Paraíba do Sul, vale muito a pena a conferida, goste-se ou não de literatura. Ao fim e ao cabo, nas palavras que encerram livro e filme, gravadas nos túmulos contíguos de Fitzgerald e sua amada Zelda:

“E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado”

Para quem estiver no Rio, programa de cinema que vale a pena: “O grande Gatsby”
Para quem estiver no Rio, programa de cinema que vale a pena: “O grande Gatsby”
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Prefeitura de Campos nega organização da tropa rosa contra “Cabruncos Livres”

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Prefeitura Municipal de Campos esclarece que são completamente inverídicas as informações postadas pelo jornalista Alexandre Bastos, em seu blog, e ressalta que em momento nenhum o governo, ou os seus integrantes, organizaram ou estariam organizando qualquer tipo de manifestação de rua. Enfatizamos ainda que o direito à manifestação pacífica e ordeira é assegurado pela Constituição Federal a qualquer cidadão brasileiro.

Sérgio Cunha

Secretário de Comunicação Social de Campos

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Quanto custará a tropa rosa aos cofres públicos de Campos?

Pelo menos em Campos, quer saber quem é que pagará a conta da tentativa política de tungar o ronco gratuito dos Cabruncos Livres nas ruas? É só olhar o reflexo do seu próprio rosto na tela do computador! Ou alguém, além dos Ministérios Públicos locais, libertos da PEC 37 pela mesma voz das ruas que aqui se tenta reproduzir para calar, tem dúvida de que essa tentativa tosca de cópia será composta em sua maioria pelos cargos comissionados e terceirizados da Prefeitura de Campos, sangrando impunemente o bolso do contribuinte goitacá para bancar o ingresso desses militantes do próprio bolso no movimento cidadão que tomou conta de todo o Brasil, exatamente para combater práticas como essa?

Qualquer dúvida sobre o valor da conta, bem como acerca da jurisprudência que questiona os critérios pouco republicanos (ou municipais) dessa canhestra utilização política do dinheiro público, basta lembrar aqui do exemplo análogo na manifestação na praça São Salvador em defesa dos royalties, no qual centenas de servidores não tiveram nem tempo (ou preocupação) de tirar os uniformes com que servem ao município,  antes de conferir a postagem sempre esclarecedora do advogado e blogueiro Cleber Tinoco, diretor jurídico do Observatório de Controle do Setor Público…


Cargos em comissão e funções gratificadas do Município de Campos dos Goytacazes

Por Cleber Tinoco, em 25-06-13 – 16h32

Tabela com o quantitativo de cargos em comissão (DAS) e das funções gratificadas do Município de Campos dos Goytacazes. A superestrutura a ser mantida pelo cidadão campista contempla, pasmem, 1500 cargos em comissão (DAS) + 214 funções gratificadas, que gerarão uma despesa de R$ 4,7 milhões por mês.

“A Constituição brasileira prevê a existência de cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração pelos agentes políticos dos três Poderes. Pela previsão constitucional, tais cargos devem se limitar aos que envolvam atribuições de direção, chefia e assessoramento. Os cargos em comissão não são um mal em si, pois é normal que os órgãos de direção — sobretudo no Poder Executivo — nomeiem, para determinadas posições, pessoas afinadas com os programas a serem implementados. O problema, no Brasil, está na falta de republicanismo nos critérios de escolha, assim como no número excessivo de cargos de confiança. Quanto à falta de republicanismo, é preciso instituir requisitos de capacitação técnica e mérito capazes de dar transparência ao recrutamento e de coibir práticas clientelistas e de nepotismo. Quanto ao número de cargos, a solução é mais singela: basta a sua drástica redução, o que, de resto, alinharia o Brasil com as boas práticas administrativas do resto do mundo. Apenas no plano do governo federal – onde os desmandos são menores e mais visíveis – existem mais de 23 mil cargos em comissão, em manifesto contraste com Estados Unidos (9 mil), Alemanha (500) e França (550).” (Trecho da Conferência Magna de Encerramento da XXI Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, proferida pelo professor e próximo ministro do STF, Luís Roberto Barroso, no dia 24 de novembro de 2011, na cidade de Curitiba).

Atualização às 19h34: Aqui, o jornalista Alexandre Bastos divulgou que o pedido de informação do vereador Rafael Diniz (PPS), feito na sessão de hoje da Câmara, para saber quantos são afinal os contratados pelo governo Rosinha, sobretudo aqueles que trabalham no lugar de quem já foi aprovado em concurso e ainda não convocado, foi negado pelo “rolo compressor” governista, na contramão da exigência de transparência do poder público na pauta de todas as manifestações que ganharam as ruas do Brasil.

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