Da orfandade

Ao mestre, com carinho…

Por Cilênio Tavares, em 11-08-2013 – 8h18

Conheci Seu Aluysio Barbosa no início dos anos de 1990. Tinha sido incumbido pelo então editor do Monitor Campista, Hélio Cordeiro, o Helinho, para repercutir pauta sobre o Dia da Imprensa, ou Dia do Jornalista, com diretores ou representantes dos outros jornais coirmãos. Sinceramente, não me lembro bem se era um ou outro assunto. Mas a recepção que tive quando cheguei à Folha da Manhã para entrevistá-lo continua bem viva na memória. Depois de me identificar na portaria, me indicaram uma sala para falar com o diretor do jornal. Repórter inexperiente, por um instante fiquei inseguro sobre o que perguntar a um profissional como ele. Não precisava. Sentado numa cadeira tendo à frente uma pequena mesa e uma máquina de escrever — de cor preta, se não me falha a memória —, mandou que eu me sentasse e me deixou muito à vontade para perguntar o que quisesse. A apuração foi feita e em nenhum momento me senti desconfortável como entrevistador. Me recebeu como um colega de trabalho. Nunca esqueci.

Passaram-se alguns anos, até que fui convidado pelo diretor de redação, seu filho, Aluysio Abreu Barbosa, para integrar a equipe do jornal. Lembro-me de que, quando Seu Aluysio me viu na redação, veio em minha direção meio que para que dar as boas vindas, iniciando um breve bate-papo, desses que quase nunca temos tempo dentro do que se permite num turbilhão que é nosso inquieto ambiente de trabalho. Na ocasião, o filho, Aluysio, acabara de adentrar na redação e não sabia que já nos conhecíamos. “De onde você conhece papai?”, chegou a perguntar, também entrando na breve conversa informal. Coisas que a gente guarda de momentos como esse, bacana, em relações que se afinam, apesar da diferença de idade e, de largo, de experiência de profissão. E também de vida.

Seu Aluysio estava — e está — sempre presente na redação. E tinha suas tiradas. Em outra ocasião, já como chefe de Reportagem, fiz uma brincadeira com conotação machista — se não me engano, algo em torno da primeira mulher a assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie —, apenas para “implicar” com a saudosa jornalista e colunista social Ângela Bastos, que tinha um tino para a notícia como poucos que conheci na minha vida profissional. Fiz a brincadeira e saí da redação antes de ouvir a queridíssima Ângela reagir em voz alta à piada. E esperei no corredor, pouco antes da porta de entrada, até que Ângela terminasse a “bronca”, lógico, sempre com a mesma forma carinhosa que ela também tinha com a gente. Ao sair da redação, meio que aprovando a “provocação”, Seu Aluysio não perdeu tempo: “Tá vendo, você provoca, sai da redação e depois reclama?”. E seguiu, rindo, pela escada.

Quando eu estava de saída da Folha para retornar e assumir a editoria do Monitor Campista, ficou quase um mês sem trocar uma palavra comigo. Até que, no último dia no trabalho, num sábado pela manhã, veio em minha direção: “Aqui, faz uma notinha para o Ponto Final, como despedida”. Foi a forma carinhosa de expressar sua insatisfação com a minha saída do jornal, à época. Outra característica que dispensa comentários, mas que vou comentar assim mesmo, e que, admito, passei a conhecer com maior profundidade quando retornei à casa, há pouco mais de três anos: os textos de Seu Aluysio eram fortes, firmes, mas nunca grosseiros. Quando queria colocar o dedo na ferida de algum assunto, o fazia com uma elegância de poucos.

Enfim, outras situações poderiam ser narradas aqui neste espaço sobre momentos de convivência dentro da redação, que ficou órfã há um ano, quando Seu Aluysio passou para um outro plano. Então, melhor é encerrar esta lauda. Até porque, é bem provável que só quem ainda sabe o que é uma lauda possa entender com mais profundidade esse texto. Seguem as rotativas…

(artigo publicado na edição impressa da Folha da Manhã neste domingo, 11 de agosto)

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Arthur Soffiati: “Desde 1989, a cultura de Campos é populista e autoritária”

Desde que se iniciou o ciclo do “garotismo” em Campos, há quase 25 anos, a cultura pública de Campos é populista e autoritária, por razões não apenas políticas, mas visando também a prática de ilícitos financeiros. A afirmação é do professor, escritor, ambientalista e imortal da Academia Campista de Letras (ACL) Aristides Arthur Soffiati, que historiografou a origem de muitas das práticas e rumos da cultura do município, questionadas no debate gerado pela denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, no Trianon, por supostos motivos religiosos da prefeita Rosinha (relembre o caso aqui e aqui, que ganhou mídia nacional aqui e aqui). Aliás, para Soffiati, a discussão é bem mais importante que seus motivos. Nela, não apenas a Prefeitura e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) são vidraça, mas também o Ministério Público Estadual local, por não fiscalizar os indícios de superfaturamento nos shows contratados pelas duas primeiras. Também os produtores de cultura de Campos e as universidades aqui instaladas não escaparam da análise crítica. Para Soffiati: “A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim”.

Folha Dois – Em comentários na blogosfera e nas redes sociais (aqui), você disse estar acompanhando a discussão da cultura de Campos, a partir da denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, por supostos motivos religiosos da prefeita Rosinha. O que tem achado do debate?

Arthur Soffiati – Entre os historiadores, a última discussão importante ocorreu há 30 anos, girando em torno da escravidão no Brasil. Hoje, os historiadores só querem produzir artiguinhos para publicar e pontuar no Currículo Lattes. A falta de discussão empobrece a vida cultural. Assim, mesmo que o debate em torno da censura da prefeitura por supostos motivos religiosos da peça “Bonitinha, mas ordinária” esteja pautada por uma polarização maniqueísta, ela tem o mérito de oxigenar nosso anêmico meio cultural.

Folha – Você citou o pensador francês Abraham Moles, que definia as políticas públicas de cultura como sendo informais, populistas, autoritárias e/ou democráticas. A partir do primeiro governo Anthony Matheus, em 1989, você identificou a cultura pública de Campos num misto entre populista e autoritária. Por quê? Como torná-la democrática?

Soffiati – Ao contrário de Zezé Barbosa e dos prefeitos anteriores a ele, Garotinho entendeu que é possível fazer política partidária com cultura. Tão logo ele assumiu, os produtores de cultura pediram-lhe uma reunião informal. Eu estava lá. Todos tinham ideias a expor. Garotinho encerrou a reunião dizendo que promoveria um grande encontro de rock. Já de início, ele se mostrou autoritário, ao não querer ouvir ninguém, e populista, propondo um evento tipicamente populista. Houve também um evento formal no Palácio da Cultura. Fui convidado a falar. Propus um amplo plano de cultura para discussão. Garotinho, então, me perguntou se eu sabia o que era o nazismo. Respondi que sabia melhor do que ele, na condição professor de história. Entendi, então, que seria difícil discutir cultura no seu governo e que o nome de Hitler era bastante emblemático naquele contexto. Uma política de cultura democrática é discutida com todos os interessados e até mesmo com a população. Ela é construída coletivamente, ainda que sua formatação final seja efetuada por especialistas. Ela requer diálogo permanente entre governo e sociedade, sobretudo com os envolvidos diretamente com cultura.

Folha – Em sua classificação da política municipal de Campos como populista, você afirmou que ela seria usada como maneira de ganhar dinheiro ilícito. Por grave, poderia exemplificar a denúncia, neste ou em outros governos? E, se realmente existe, por que o Ministério Público e a Justiça nada fazem?

Soffiati – Repito apenas o que leio na imprensa escrita e eletrônica e o que consta no próprio site da Prefeitura: valores muito acima dos tabelados para a contratação de cantores, grupos de teatro e outros. Como a política cultural desde a primeira eleição de Garotinho é populista, as somas aplicadas em cultura foram crescendo progressivamente. Muitas perguntas sobre recursos aplicados em cultura estão sem resposta. Então, lanço outra pergunta: por que o Ministério Público Estadual não instaura um inquérito civil público sobre a caixa preta da cultura? Ele não precisa de denúncia específica, embora sua postura tenha sido a de inércia, característica do Judiciário. Bastam as notícias de jornal. Mas, se precisa, entendo que os produtores culturais poderiam encaminhar notícia ao MP. Se não sabem redigir uma notícia, comprometo-me a fazê-la desde que os interessados a assinem em conjunto.

Folha – Acredita que as contratações municipais da banda A Massa, cujo percursionista é marido da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, são encarados como assunto tabu na cultura pública de Campos? Por que essa pergunta não é feita ou respondida?

Soffiati – De fato, a banda “A Massa” deve ser sagrada. Como vivemos numa cultura dessacralizada, creio que a pergunta deve ser colocada preferencialmente pelos agentes de cultura e respondida pelo poder público.

Folha – Você também citou sua passagem como gestor público de cultura, no último governo Zezé Barbosa. Como foi passar da teoria à prática? A experiência serviu para mudar sua maneira de ver a cultura, especificamente a de Campos? Em quê?

Soffiati – Fui provocado a sair da condição de estilingue para assumir a de vidraça, figura, aliás, que considero muito batida. Aceitei. Eu tinha algo a dizer. Inclusive, com o esboço de uma política cultural democrática, convidei os agentes de cultura para uma reunião. Notei resistência da parte deles, talvez por eu não ser considerado artista ou produtor de cultura, talvez por estar no poder. Vários deles, posteriormente, ocuparam cargos em governos. Lembro aqui o nome do campista Danilo Santos de Miranda, que coordena a cultura do Sesc/São Paulo. Ele não é artista, mas, como pensador da cultura, sabe muito bem o que fazer, inclusive melhor do que os ministros da cultura. É discutível pensar que só artistas entendem de cultura. Minha experiência enquanto gestor de cultura reforçou a concepção que tenho de política cultural democrática, mas me mostrou que é muito difícil, talvez impossível, implementá-la em qualquer instância da federação. O Brasil passou de colônia a uma monarquia centralizada, em que o imperador enfeixava em suas mãos dois poderes dos quatro definidos pela Carta Constitucional de 1824. Na República, adotou-se o federalismo, mas nossa tendência, nas crises, é retornar ao unitarismo do Império. Nos Estados Unidos é o contrário: de uma confederação, avançou-se para uma federação. Sempre que há crises graves, a tendência é voltar ao confederalismo. Em resumo, admito que é muito difícil ser democrata num contexto cultural autoritário.

Folha – Seu filho, o professor Gustavo Landim Soffiati, também entrou no debate, lembrando (aqui) a ironia de um grupo político que se formou no teatro, se lançando à vida pública na ocupação do Teatro de Bolso, passados quase 25 anos no poder, tenha na cultura um de seus calcanhares de Aquiles. No caso, onde falhou a imitação entre a arte e a vida?

Soffiati – Garotinho sempre teve um perfil autoritário. Conheço-o desde o tempo em que tinha o apelido de Bolinha, no Liceu. Até a maneira de ele fazer oposição é arrogante, usando para os adversários o deboche e a ridicularização. No princípio, ele enganou os democratas, mas depois de tanto tempo na vida pública, dentro ou fora do poder, não foi mais possível ficar no armário. Em síntese, no tempo em que ele militou no teatro de Campos e na literatura de cordel, foi possível ocultar sua vertente autoritária e populista. Vinte e quatro anos depois, não lhe é possível mais usar máscaras. Hoje, ele mostra, de fato, qual a sua visão de cultura, mesmo no momento de fazer poesia para sua esposa.

Folha – Inegáveis os anos de militância que pessoas como Orávio de Campos Soares, João Vicente Alvarenga e Maria Helena Gomes, entre outros, têm na história cultural de Campos. No poder público, eles não poderiam fazer a diferença no sentido positivo?

Soffiati – Tive grande prazer em assessorar Diva Abreu Barbosa no departamento de Cultura. Acho até que a carta branca que ela me deu chegava a ser transparente. Se dependesse dela, tudo o que sonhei e planejei seria colocado em prática. A Casa de Cultura José Cândido de Carvalho, em Goytacazes, foi uma gota d’água no oceano dos nossos planos. Mesmo almejando ser um Titanic, esbarrei no iceberg de Zezé Barbosa e naufraguei. É em momentos como esse que se mede a estatura moral do gestor público. Sei que não é possível colocar tudo em prática no tempo exíguo de um mandato, mas se não é possível colocar nada, cabe pedir o chapéu e deixar o barco. Permanecer nele dá a impressão de gosto pelo poder ou pelas vantagens que ele proporciona.

Folha – Mesmo ressalvando não querer generalizar, você citou a entrevista com o professor e escritor Adriano Moura (aqui) para também bater forte naqueles que trabalham com cultura em Campos, classificando a atuação destes como “medíocre” e “partidária”. Pode explicar por quê?

Soffiati – Desde que vim morar em Campos, em 1970, noto grandezas e misérias no ambiente cultural do nosso município. Agora, generalizo: em todos os municípios brasileiros, esta é a realidade. Só que, nos grandes centros, as grandezas aparecem mais que as misérias. Aqui, além dos desentendimentos mesquinhos e crônicos entre os agentes culturais, há também a postura medíocre do ególatra, que se considera superior aos outros pelo seu conhecimento. Não há a tradição do estudo, do diálogo profícuo, da autocrítica, da reflexão. Os artistas acham que basta se apresentarem, não buscando compreender em que processo se inserem, como bem demonstrou o crítico literário Alcir Pécora com relação à literatura brasileira da atualidade. Essa mediocridade favorece a bajulação ao poder e a partidarização do intelectual e artista. Ele precisa do poder para se realizar, não para servir à sociedade. Assim, fica fácil para o poder atrair e sustentar o agente de cultura. Ele está no poder não para atender ao público, mas para realizar suas ambições pessoais e para ter uma fonte de renda. Claro que não generalizo, mas o perfil dominante é este.

Folha – Até que ponto a reação dos artistas de Campos, a partir da denúncia de censura à peça de Nelson, pode ter sido, pelo menos em parte, uma tentativa de quem estava de fora das benesses governamentais de forçar e/ou encarecer a venda do passe à cooptação pública municipal?

Soffiati – Minha resposta seria condenada pelo subjetivismo, já que não é possível conhecer as reais intenções dos manifestantes. Contudo, tenho dúvidas se algum manifestante agiria de forma diferente se estivesse na condição de gestor, pois, no poder, nossos intelectuais e artistas costumam defender seus patrões. Sei também de agentes culturais que não se incomodam com o caráter religioso de promoções se estiver no poder. A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim.

Folha – Além das supostas motivações da classe artística local, você questionou também sua formação, ao afirmar que para trabalhar com a produção de cultura, além do desejo, é preciso saber se situar em suas várias manifestações. Neste particular, em que e como a Prefeitura bilionária e as universidades locais poderiam contribuir?

Soffiati – A Prefeitura bilionária poderia e deveria muito bem promover oportunidades para o aprimoramento do artista e do intelectual. A universidade pública idem. Continuarei com minha franqueza nesta resposta. O poder público quer cultura pronta e rasteira. É mais fácil comprar eventos do que promover o aprimoramento dos agentes de cultura. Além do mais, eventos movimentam somas muito mais vultosas do que cursos, o que favorece práticas ilícitas. Se a política cultural é populista, claro que um evento com artistas de renome nacional e internacional rende mais voto do que um curso. Já a universidade pública, onde atuei durante muitos anos da minha vida, cada vez mais se fecha em torno de si mesma, alheia ao mundo exterior. Mas há um traço crucial: os agentes de cultura pleiteiam cursos, mas são muito vaidosos para segui-los. Acham que conhecem muito bem o seu ofício.

Folha – Você também citou vários nomes da cultura goitacá que se destacaram fora da planície. Em termos culturais, Campos seria como o Brasil no futebol, obrigada a exportar seus melhores valores para centros mais desenvolvidos, para que lá eles possam alcançar seu esplendor? Como estancar esse processo? Não há quem brilhe mesmo permanecendo aqui?

Soffiati – De fato, a província restringe os horizontes do intelectual e do artista. Numa entrevista, perguntaram ao falecido violoncelista soviético Mstislav Rostropovich, um dos maiores do mundo, por que ele deixou seu país. Ele respondeu que a União Soviética proporcionava, gratuitamente, uma educação básica excelente, mas depois podava a liberdade do artista. Por isso, ele deixou seu país. A província não proporciona nem educação básica de qualidade nem oportunidade de expressão. Assim, quem tem coragem e deseja voos mais altos acaba partindo. A situação é diferente da do craque de futebol, cujo passe é comprado por grandes times do exterior. O intelectual e artista potencial têm de arriscar. Tomo o caso do meu amigo Carlos Eduardo Berriel. Ele saiu de Campos sem dinheiro, passou muito tempo comendo macarrão e farinha, tocou bumbo no Exército da Salvação para minimamente se sustentar. Hoje, é professor da Unicamp e um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. Ele ama a província, mas não pode retornar a ela, a menos que se aposente. Por outro lado, considero aquele que fica também um corajoso. Foram corajosos aqueles que enfrentaram a ditadura militar sem sair do Brasil. Eles não se beneficiaram do exílio em centros culturais de excelência no exterior. Ser artista e intelectual na província não é fácil, mas é possível se o agente de cultura empreender uma reflexão permanente de sua condição de criador de cultura. Isto vale para os governos.

Folha – Se nem os antropólogos, que se dedicam a estudar a cultura, conseguiram ainda defini-la, como podemos tentar fazê-lo? Em sua opinião, por que o tema é sempre tão complexo?

Soffiati – É preciso distinguir dois sentidos de cultura: aquela objeto de estudo dos antropólogos e aquela entendida como uma dimensão das sociedades complexas. Para o antropólogo, tudo o que uma sociedade produz é cultura. Ele tanto pode estudar a cultura de povos nativos quanto a cultura cotidiana dos moradores de Campos. Já o agente de cultura promove o pensamento, a literatura, as artes visuais, o teatro, a música, a proteção do patrimônio cultural. Nos dois casos, a questão é complexa em si mesma. Retirar-lhe a complexidade significa reduzi-la e empobrecê-la. É salutar que existam várias correntes buscando interpretá-las. É democrático que as várias correntes dialoguem e discutam.

Folha – Em relação à cultura de Campos, você escreveu que não estamos diante de um filme entre bandidos e mocinhos. Neste sentido, estaríamos mais para um western de Sergio Leone do que de John Ford?

Soffiati – Pessoas adultas e maduras sabem que o maniqueísmo do profeta Mani só existe no plano metafísico. No mundo sublunar, Sergio Leone se aproxima mais da realidade do que John Ford, com toda a genialidade deste, pois, para o primeiro, o mocinho tem algo de bandido e vice-versa. Minha análise não é moralista a ponto de esperar dos agentes de cultura uma postura ética exemplar. Mas tudo tem limite.

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Deneval Azevedo: “Estão traindo a cultura de Campos”

Um daqueles que bateram mais forte no comando da cultura de Campos, entregue à presidência da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) desde junho último, na reforma administrativa do governo Rosinha, o professor Deneval Siqueira de Azevedo Filho não aliviou a mão, nem com o esfriamento da discussão desencadeada a partir da suposta censura a “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, por alegados motivos religiosos da prefeita Rosinha, segundo denunciaram integrantes do grupo teatral carioca “Oito de Paus” (relembre o caso aqui e aqui, que ganhou mídia nacional aqui e aqui), que encenariam a peça hoje no Trianon. Para Deneval, a peça estaria sendo na verdade interpretada por aqueles que hoje dirigem a cultura pública do município, não apenas a presidente da FCJOL, de quem, no entanto, questiona o preparo e a formação para estar à frente do cargo. Ex-gerente de Cultura de Campos, no final do governo Mocaiber, o professor parece não ter dúvida ao afirmar: “A ‘garotização’ da cultura foi péssima para Campos!”

Folha Dois – No meio da reação inicial à denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, por supostos motivos religiosos da prefeita Rosinha, segundo denunciaram integrantes do grupo teatral carioca “Oito de Paus”, que encenariam a peça em 10 de agosto no Trianon, você escreveu um texto (aqui) acusando despreparo de quem comanda a cultura de Campos? A quem se referiu e baseado em quê?

Deneval Azevedo – Referi-me a toda equipe da presidente da FCJOL, que é representada legitimamente por sua presidente, Patricia Cordeiro. A secretaria de Cultura do município foi uma farsa criada pela prefeita Rosinha e seus conselheiros, comandados pelo marido dela. Na verdade, hoje, com todos os seus superintendentes e diretores, a FCJOL carece de técnicos, de pessoas especialistas que pudessem criar um link entre o fazer cultural e as universidades, onde os saberes se constroem. Sempre defendi uma política de interação entre a cultura popular e a erudita, porém depender somente do poder público para fazer teatro, música, cinema, literatura, edição, concursos diversos, é uma furada. Há muito amadorismo na cultura campista. E o amadorismo começa nos modos de produção de cultura da FCJOL. Quando não a terceiriza, como é o caso da Bienal do Livro de Campos, faz mal feito ou não faz. Na verdade, estão ignorando a cultura lato sensu no município. É um problema político. É uma falta de vontade política. Comandada por controle remoto, mas regulada de perto pela prefeita Rosinha.

Folha – Como enxergou a reforma administrativa recente de Rosinha, que transformou a Fundação Trianon e a secretaria de Cultura em meras superintendências, concentrando todo o poder executivo da cultura de Campos na presidência da FCJOL?

Deneval – Não faz muita diferença, pois a equipe é a mesma. Não há cargos de verdade. Há um simulacro, onde as pessoas fazem de conta que têm poder, mas não têm. Há favoritismos da prefeita por questões também políticas. Privilegiar um ou outro não adianta. O grupo faz parte de um cordão de puxa-sacos. É uma dança de cadeiras, também trocada por controle remoto e regulada pela prefeita. Quem é Patricia Cordeiro na tradição cultural campista-goitacá? Ninguém. O que fez ou vem fazendo pela literatura, pela tradição do teatro, pela dança, pela arte em geral? Nada. Tudo é muito transitório para passar despercebido. Isso é um truque. Uma encenação. Como foi a questão da censura à peça do Nelson. Um truque. A censura é política, clientelista, é isso! Procurei pelo currículo de Patricia Cordeiro no Google para checar se ela tem o Lattes. Tem nada!

Folha – Em reunião com os artistas, em 17 de julho, no Trianon, a presidente da FCJOL negou (aqui) as denúncias de censura a Nelson, prometendo uma homenagem ao dramaturgo, no final do ano. Antes, no dia 13, o próprio deputado Anthony Matheus também havia negado a denúncia, garantindo que ele e a prefeita Rosinha são fãs de Nelson, desde quando atores. Não pode ter sido tudo um simples mal entendido?

Deneval – Não há mal entendido quando se trata do deputado e da prefeita e de seus súditos mais íntimos. Sim, porque os cargos de confiança no governo deles exigem uma dose enorme de intimidade, cumplicidade e renúncia. Veja o final lamentável de um homem de teatro de primeira linha como Orávio de Campos Soares; vejam o constrangimento pelo qual passou João Vicente Alvarenga, no episódio da desmarcação da peça, professor, filósofo, escritor e homem de teatro. Não vale a pena, por algumas moedas de prata. Esse pessoal da intrépida trupe da FCJOL está traindo a cultura campista. Mas todos vieram do teatro. Então simulam muito bem. O palco está cheio de atores ensaiados e bem marcados. As rubricas (didascálias), aliás um termo que se presta muito bem para as encenações do governo em todas as suas vertentes, termo da teoria literária, didascálias, “que são a voz direta do dramaturgo, diferenciam-se visualmente do resto do texto por estarem escritas entre parênteses ou por estarem impressas em itálico, ou de qualquer outra forma que marque bem que se trata de um texto à margem das falas das personagens”. Então, toda encenação é possível na ciranda do poder municipal. A presidente da FCJOL é apenas uma didascália, entre os possíveis atores da peça real. E parece fazer isso muito bem. Pelo menos seu trabalho agrada a prefeita. Mas cultura não faz não. Cultura é outra sensibilidade!

Folha – Quem defende a política cultural do governo Rosinha, geralmente costuma fazê-lo com ataques a quem protesta, alegando que estes só o fazem por terem perdido a guarida pública que receberiam no governo Mocaiber. Até onde a reação dos artistas, ou parte dela, poderia ser o caso de “farinha muita, meu pirão também”?

Deneval – O poder sabe quem está do seu lado. E odeia oposição. É outra questão. Está com a gente? Quer uma boquinha em troca de… outra didascália. E assim vão criando espaços de performance política, pois todos vivem num espetáculo muito bem ensaiado. Quanto ao governo Mocaiber, fui convidado a assumir um cargo depois da operação “Telhado de Vidro”, gerente administrativo de Cultura do município. Aceitei. Achei que em oito meses poderia ajudar Campos. Completarei o texto na resposta a seguir. Trabalhei com gente muito respeitadora e fui indicado pela sociedade civil organizada. É diferente.

Folha – Como gerente de Cultura, você fez parte do governo Mocaiber, um dos mais criticados na história política recente de Campos. Especificamente na cultura, arriscaria uma analogia crítica entre a administração passada e a atual? Em que, na sua visão, uma e outra gestões mais erraram e acertaram no setor?

Deneval – Quando comecei a gestão, foi-me solicitado, pelo prefeito Mocaiber, três projetos na área de cultura. Procurei restaurar o que havia se perdido, como o importante prêmio de cultura Alberto Lamego, iniciativa de Diva Abreu Barbosa, quando diretora municipal de Cultura, ainda no governo Zezé Barbosa. Dei posse ao Conselho Municipal de Cultura, com reuniões permanentes e deliberativas. Criei o Polo de Cinema e fiz uma parceria com a UFF para a implantação da Escola de Cinema, que chegou a oferecer dois cursos de extensão: um de produção e outro de roteiro. Tudo ia dando certo. Fiz a V Bienal do Livro de Campos, com a ajuda inestimável de Kapi e Rose David. Mas tive a colaboração de todos os presidentes das Fundações. Cristina Lima, Guilherme Leite e do próprio prefeito Mocaiber. Foi a maior Bienal de Campos: 250.000 pessoas visitaram a feira, havia cursos e oficinas. Infelizmente o atual governo não deu continuidade a nada do que fiz. Recentemente, João Vicente Alvarenga resgatou o Prêmio Alberto Lamego. Fiquei feliz e falei para ele. Mas a “garotização” da cultura foi péssima para Campos. Indubitavelmente. Tudo é muito politicamente amador.

Folha – Acompanhou a última Conferência Municipal de Cultura, inclusive as denúncias de arbitrariedades e manipulação na eleição dos delegados (aqui)? Tem alguma opinião a respeito?

Deneval – Soube, lendo a Folha On Line, das denúncias. Acho muito sério que a toda poderosa Patrícia Cordeiro não tenha aparecido. Pouco caso. E o representante do MinC? Sequestram-no? Ou não foi outra encenação? Sou muito desconfiado com essa gente. Faz teatro todo o tempo. A eleição dos delegados tem que ser anulada. Alguém tem que denunciar. Soube que havia até menor de idade representando a sociedade civil organizada, mas era funcionário. De qualquer forma, não se pode brincar com a sociedade. E a sociedade campista, não lê os jornais, os blogs, não vão fazer nada? Lembrem: “ Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, como versejou Fernando Pessoa.

Folha – E em relação às denúncias, feitas (aqui) pelo poeta Artur Gomes, de favorecimento da banda A Massa, quem tem o marido da presidente da FCJOL como percursionista, nas contratações públicas do município. Está a par do caso? Tem alguma consideração sobre ele?

Deneval – Não. Mas conheço Artur e confio nele plenamente. Outro caso para ser investigado. Será que a banda vai tocar para “A cantora gritante”, no seu disco tão anunciado? Parece que a prefeita está usando o estúdio desse tal marido músico para gravar seu CD.

Folha – Artur também propôs (aqui) encenar a peça “O pagador de promessas”, de Dias Gomes, nos jardins do Trianon, em protesto contra a política cultural do município. Ele também disse que, por sua atuação em “Judas, o resto da cruz”, em 1975, você seria o diretor desse espetáculo. Isso realmente sairá da mente do Artur à prática?

Deneval – Não sei. Hoje não dirijo mais. Dou aula de Teoria do Teatro, em nível teórico de graduação, na Universidade Federal do Espírito Santo, onde sou professor associado, do DLL/CCHN/PPGL, mestrado e doutorado em Letras/Estudos Literários, nomeado via concurso público de provas e títulos em 1989. Dirigir não poderia. Mas faria parte da equipe. Com todo esmero e empenho que o movimento merece.

Folha – Em tempo e espaço, a sua militância no teatro foi próxima à da hoje prefeita Rosinha e a do seu marido e deputado, quando estes pertenciam ao grupo do hoje superintendente (ex-secretário) de Cultura Orávio de Campos Soares. Em você, neles e na cultura do município, que mudanças enxerga de lá para cá?

Deneval – Mais antiga. Já estava indo pro Rio e depois vim para o Espírito Santo. Mas ganhei um festival infantil no qual a prefeita fez Chapeuzinho Vermelho, se não me engano. Não conhecia os Garotinho naquela época. Aliás, muito pouco. Agora, Orávio de Campos Soares tem que ser respeitado pelo trabalho que fazia no teatro do Sesc. Ele é um baluarte. Não questiono isso.

Folha – Gente que milita em Campos na literatura e no teatro, como o Antonio Roberto Kapi e o Adriano Moura, vêm batendo (aqui) na tecla de que mais importante do que a troca de acusações de lado a lado, seria a implementação do Fundo Municipal de Cultura. Concorda? Por que isso não foi feito no governo Mocaiber?

Deneval – Concordo plenamente. Foi feito. Sim, foi feita a minuta do projeto, depois o projeto, numa correria enorme contra o tempo, e ele foi enviado para a Câmara Municipal. Mas aí trocou o governo e até hoje não há fundo. Mas que foi feito foi. Kapi estava lá, pois era membro do Conselho Municipal de Cultura.

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Anthony confirma previsão de Ricardo e ataca para tentar se defender

“Assim que anunciar que trata-se de mais uma perseguição dos irmãos Marinho, da Fifa e da oposição, prontamente terá o mesmo espaço neste Blog”.

Em seu “Eu penso que”, sem fazer grande esforço, foi isso que previu aqui, desde ontem, o jornalista Ricardo André Vasconcelos, relativo à matéria da revista Época que noticiou a oferta de denúncia no Supremo Tribunal Federal contra o deputado federal e pré-candidato do PR a governador Anthony Matheus, o Garotinho, nos tempos em que comandava o Estado do Rio em nome da esposa e então governadora Rosinha. Até que demorou um pouco, mas finalmente hoje Anthony confirmou Ricardo, ao usar seu próprio blog na tentativa de se defender da única maneira que sabe: atacando o veículo de comunicação que ousou noticiar um fato jornalístico desfavorável. Amanhã, também não é necessário ser profeta para prever que seguirá a mesma cantilena no programa da rádio local cuja propriedade nove entre cada 10 campistas atribuem a quem diz só ter a “casinha na Lapa que papai deixou”.

Abaixo, a repercussão do novo ataque “garotesco” pelo jornalista Alexandre Bastos, primeiro na blogosfera goitacá a noticiar as cada vez mais previsíveis reações do deputado…

Garotinho: “As Organizações Globo são vingativas”

Por Alexandre Bastos, em 09-08-2013 – 18h44

Demorou um pouco, mas o deputado federal Anthony Garotinho (PR) comentou em seu blog sobre a matéria publicada ontem pela “Época” (aqui). De acordo com o parlamentar, trata-se de uma grande perseguição. “As Organizações Globo são vingativas. Bastou que na quarta-feira eu assinasse o pedido da CPI para investigar o rombo fiscal praticado pela TV Globo contra a Receita Federal, avaliado em mais de R$ 650 mil. Mais uma vez usaram a revista Época para me atacar”, afirmou.

Segundo Garotinho, o ministro Dias Toffoli, numa decisão meramente administrativa, sem sequer instaurar inquérito, mediante uma denúncia que envolve 89 pessoas, disse que pelo fato de eu ser deputado federal, o meu caso, conforme determina a lei, será analisado pelo STF”.

Ele também disparou na direção do repórter Hudon Corrêa. “Para que vocês tenham uma ideia da irresponsabilidade do repórter Hudson Corrêa, o mesmo que vem escrevendo há dois meses matérias contra mim, por orientação da assessoria FSB contratada por Cabral, o ministro Dias Toffoli disse no desmembramento do processo, que eu tenho 15 dias para apresentar minhas alegações, só então ele decidirá se haverá abertura de inquérito. Portanto não há inquérito nenhum contra mim como induz a matéria da Época. Mas para fazer alarde e confundir as pessoas, o repórter dá a entender que eu estou respondendo a processo, quando não há nem inquérito”, frisou.

Para Garotinho, a matéria traz um grande prejuízo a sua imagem. “Ao longo da minha vida pública, esse tipo de perseguição tem trazido grande prejuízo a minha imagem como político; pessoas que não conhecem o mundo jurídico e suas filigranas, lendo uma matéria como essa da Época, acham que eu fiz alguma coisa errada. Quem responde a processo é a Globo, e não eu”, finalizou.

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Com “maior palco fixo da América Latina” no Cepop, Rosinha gastou R$ 347,8 mil em palco desmontável

POÇO SEM FUNDO: ROSINHA ALUGA PALCO ENQUANTO CEPOP VIRA “EFEFANTE BRANCO”

Por Ricardo André Vasconcelos, em 08-08-13 – 15h24

Rosinha com Michel Teló: cachê do artista custou R$ 158.500,00 (Foto: Divulgação/Secom/PMCG)
Rosinha com Michel Teló: cachê do artista custou R$ 158.500,00 (Foto: Divulgação/Secom/PMCG)

Como se não bastassem os altos valores pagos pelos cachês dos artistas contratados para os 15 anos do Trianon (aqui) e Festa São Salvador (aqui), a prefeita Rosinha Garotinho e seu pessoal que administra a “Cultura” no município ainda torraram alguns milhares de reais alugando palco.

Parece mentira, mas não é. Mesmo tendo o “maior palco fixo público da América Latina”, como alardeia propaganda oficial, (aqui), no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto Silva (Cepop), a prefeita prefere alugar palco desmontável. Na lista de pagamentos efetuados pela PMCG no último dia 02 de agosto, constam três notas fiscais (236, 237 e 238, todas de 03/07/2013) emitidas pela WORKING EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA- EPP, no valor total de R$ 347.857,40 por serviços de “palco/camarim e acessórios”, conforme ilustração abaixo extraída do Portal da Transparência da Prefeitura (aqui).

O Blog não pode afirmar se todo o valor refere-se ao aluguel do palco montado para apresentação dos artistas na festa de São Salvador e do show gospel que encerrou, ontem (07/08), o evento evangélico “Marcha para Jesus”, mas não tem dúvidas de que a estrutura que ainda está na Praça São Salvador foi alugada da empresa citada. O que é uma incoerência, tendo a PMCG uma estrutura própria, sem custo e num local com mais conforto para espectadores, que é o Cepop. Sem falar no bem que faria ao caótico trânsito na área central da cidade se todos os shows fossem promovidos no Cepop.

(Clique na imagem para ampliá-la)
O “maior palco fixo público da América Latina” como garante a propaganda. Eventos raros na obra de R$ 100 milhões
O “maior palco fixo público da América Latina” como garante a propaganda. Eventos raros na obra de R$ 100 milhões
Palco alugado pela PMCG para os shows do Padroeiro e que ontem recebeu o encerramento da Marcha para Jesus (Foto: Ricardo André Vasconcelos 08/08/2013 - 13h25)
Palco alugado pela PMCG para os shows do Padroeiro e que ontem recebeu o encerramento da Marcha para Jesus (Foto: Ricardo André Vasconcelos 08/08/2013 - 13h25)

E TEM MAIS:

A farra ainda não acabou. Hoje (08/08) no Diário Oficial (página 14) foi publicado extrato de contratação “de empresa especializada em locação de trio elétrico de porte médio para atender aos eventos culturais, artísticos, esportivos e comemorativos da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima”. Isso num período de 60 dias ao custo de R$ 120.000,00.

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Rio ameaçado de ter que escolher entre “Lindinho” Farias e Anthony Matheus

Nelson Motta, jornalista e escritor
Nelson Motta, jornalista e escritor

A maldição dos zumbis cariocas

Por Nelson Motta

“O Rio sempre foi um cemitério de governantes. O Cabral era, até hoje, uma exceção.” O deputado Eduardo Cunha, que ajudou a enterrar alguns, está dizendo a verdade. Brizola, Moreira Franco, Garotinho, Benedita e Rosinha terminaram suas administrações desastrosas como zumbis governamentais, e agora, depois da glória fugaz, a derrocada de Cabral confirma a maldição.

Antes da fusão à força com o Estado do Rio, feita pela ditadura em 1976, o Rio de Janeiro era uma cidade-estado pródiga em quadros políticos qualificados e respeitáveis, das mais variadas tendências. A integração dos vícios da politica cosmopolita carioca com o atraso e o populismo das velhas oligarquias do interior nivelou tudo por baixo e nos deu os políticos que temos hoje.

A velha piada em que um anjo pergunta a Deus por que poupou o Brasil de furacões, tsunamis, terremotos e vulcões, e Ele responde “espere para ver os políticos que vou botar lá”, serve à perfeição para o Rio de Janeiro. A justiça e o humor divinos nos deram a beleza das nossas praias e montanhas, um clima caloroso e um povo irreverente, criativo e trabalhador, e uma escória política à altura, ou baixeza, dos estados mais atrasados.

Os cariocas, que já tiveram que fazer uma escolha pior que a de Sofia entre Rosinha e Benedita no segundo turno de 2002, estão ameaçados de ter que decidir entre o petista “Lindinho” Farias ou Garotinho. A melhor, ou menos pior, opção seria o vice-governador Luís Fernando Pezão, um administrador honesto, trabalhador e experiente, que seria o “lado bom” do governo, e a antítese do estilo de Cabral. Mas vai levar para a campanha, junto com os créditos de suas realizações, a impopularidade do seu maior cabo eleitoral.

A candidatura de um outsider como Marcelo Freixo, do PSOL, seria muito bem-vinda, mas dificilmente ele conseguiria, em um ano, se tornar conhecido em todo o Estado e um candidato competitivo. E, mesmo se fosse milagrosamente eleito, como conseguiria governar contra os tenebrosos partidos políticos cariocas e uma das Assembleias mais nefastas do país ?

Seria mais um zumbi no Palácio Guanabara.

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PSDB acha que já ganhou a sucessão de Dilma

A gangorra do ‘já ganhou’

O PSDB está contagiado pelo clima do ‘já ganhou’, que contaminou o PT, antes da inflação e dos protestos. Pesquisa tucana diz que a rejeição da presidente Dilma é de 45%. A aposta é a de que ela não se recupera, pois seu governo não tem o que mostrar. Ontem, Dilma disse que caiu pela “insegurança a volta da inflação”. E bancou que a queda dos preços de alimentos, nos próximos meses. vai surpreender e resgatar seu favoritismo.

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Anthony e Rosinha denunciados ao STF por lavagem de dinheiro

GAROTINHO E ROSINHA DENUNCIADOS AO STF EM INQUÉRITO SOBRE LAVAGEM DE DINHEIRO

Por Ricardo André Vasconcelos, em 08-08-13 – 18h27

Garotinho é denunciado ao STF em inquérito sobre lavagem de dinheiro

PGR também denunciou a mulher do deputado, Rosinha Garotinho. Casal tem 15 dias para apresentar defesa

HUDSON CORRÊA

08/08/2013 16h47 – Atualizado em 08/08/2013 16h49

A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) e sua mulher e prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), Rosinha Garotinho. A denúncia foi apresentada no dia 24 de julho, dentro do inquérito que investiga “eventuais crimes de peculato (desvio de verba pública) e lavagem de dinheiro, imputados ao deputado e sua mulher”. O Diário de Justiça publicou as informações nesta quinta-feira (8), mas a PGR não divulgou o teor das acusações.

>>Fantasma ligado a Garotinho é dono de apartamento de luxo

>>Prefeitura rompe contrato com empresa de fantasma ligado a Garotinho

O inquérito refere-se à suspeita da existência de um esquema de desvio de dinheiro do Estado do Rio de Janeiro por meio de ONGs, entre 2003 e 2006, quando Rosinha era governadora fluminense. Em 2010, o Ministério Público do Rio de Janeiro acusou o casal Garotinho e mais 86 pessoas de desviar quase R$ 60 milhões. Os promotores de Justiça afirmaram que pelo menos R$ 350 mil tinham ido parar no caixa da pré-campanha de Garotinho a presidente da República, quando ele era filiado ao PMDB. Atualmente, Garotinho é líder do PR na Câmara e adversário dos peemedebistas.

Quando surgiram as primeiras acusações, Garotinho negou participação em qualquer esquema e afirmou que processos com as mesmas investigações contra ele foram extintos. O deputado disse que a coordenação de sua pré-campanha, quando soube que empresas ligadas às ONGs haviam feito as doações, devolveu dinheiro sem gastar. A investigação envolve também a atriz Deborah Secco e sua família. O pai de Deborah foi apontado como um dos operadores do esquema com as ONGs – segundo o Ministério Público, R$ 158 mil acabaram depositados na conta da atriz. Os advogados de Deborah Secco sempre negaram que ela estivesse envolvida.

O ministro do Supremo Dias Toffoli decidiu desmembrar o inquérito. Isso significa que somente Garotinho e Rosinha continuarão sendo investigados pelo STF. A parte do processo referente a demais investigados, incluindo a família Secco, será enviada a uma vara criminal no Rio.

Toffoli deu prazo de 15 dias para Garotinho e Rosinha apresentarem sua defesa, a partir da notificação. Para que os dois tornem-se réus, o STF precisará aceitar a denúncia da PGR.

Integra da matéria aqui na Epoca on line (aqui)

Atualização – Até este momento, às 18h35 o deputado Garotinho ainda não se pronunciou. Assim que anunciar que trata-se de mais uma perseguição dos irmãos Marinho, da Fifa e da oposição, prontamente terá o mesmo espaço neste Blog.

Aqui, o jornalista Alexandre Bastos já havia replicado a matéria da Época que o também jornalista Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro a reproduzir na blogosfera goitacá.

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Daquilo que quem era oposição em 2006 ensina a quem é governo em 2013

As voltas que o mundo dá

Por Alexandre Bastos, em 08-08-2013 – 2h32

Em março de 2006, após Alexandre Mocaiber vencer a eleição suplementar contra Geraldo Pudim, o grupo do PMDB em Campos, naquela época comandado por Anthony Garotinho, reuniu alguns gatos pingados na sede do partido. Na ocasião passei por lá para fazer uma matéria e vi de perto um discurso interessante.

Derrotado duas vezes em Campos (2004 e 2006), Garotinho comentou sobre o pequeno número de pessoas ao seu lado e disse que aquele pequeno grupo deveria juntar os cacos. “Agora temos que nos unir. A Prefeitura é uma metralhadora e ela está virada para nós. Não podemos desistir. Muitos aliados vão para o governo, mas os que ficarem com certeza estarão mais fortes para as novas batalhas”, afirmou.

Dois anos depois, em outubro de 2008, Rosinha venceu Arnaldo Vianna no segundo turno e o seu grupo voltou ao poder e recuperou a “metralhadora”. E aí, ao cobrir uma outra reunião do grupo, dessa vez superlotada, vi Anthony Garotinho se lembrar daquelas cadeiras vazias de 2006 e dos muitos aliados que foram para o outro lado e voltaram.

Na noite de ontem (7), quando os “Cabruncos Livres” protestaram na Câmara, muitos aliados de Garotinho ironizaram o pequeno grupo. Talvez, muitos deles não estivessem naquela reunião vazia de 2006. Acostumados com o poder e se achando imbatíveis, os rosáceos se esquecem que “a soberba precede a ruína e a altivez do espírito, a queda”. Provérbios 16:18.

É lógico que o grupo governista é muito poderoso e boa parte da oposição bate cabeça por conta de vaidade. Porém, quando se deparar novamente com os poucos “Cabruncos”, os aliados da prefeita Rosinha poderiam agir de uma forma menos prepotente. Respeitem os gatos pingados e lembrem-se dos exemplos de vida do próprio Garotinho ou então de um caso mais recente no mundo das artes marciais. Dono do cinturão e invicto no UFC, Anderson Silva se achou imbatível, abusou das brincadeiras e perdeu para o azarão Chris Weidman.

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