Expoente — Interrogações das compras de 2011/12 até a publicação da compra de 2013

Aqui, a jornalista Suzy Monteiro divulgou hoje a publicação em Diário Oficial (DO) da mais recente compra de material didático escolar feita pelo governo Rosinha (PR) à empresa Expoente, no valor de R$ 2.042.768,00. Lembrou-se Suzy que a compra já havia sido alvo aqui do registro crítico, em 3 de maio último, do também jornalista Ricardo André Vasconcelos. Na verdade, quase um mês antes, em 9 de abril, a notícia da nova compra já havia sido dada aqui, desde seu ato, neste “Opiniões”. Naquele certame licitatório, a disputa de fato não aconteceu, já que das sete empresas que se inscreveram, coincidentemente apenas a Expoente apareceu para participar, vencendo não por apresentar o melhor preço, mas por ter sido a única a apresentar qualquer preço.

Esse processo de 9 de abril foi acompanhado (e questionado) pessoalmente pelo vereador Marcão (PT), que então já havia tido dois pedidos de informação negados na Câmara pelo “rolo compressor” governista, nas sessões de 19 e 26 de março, acerca das compras sem licitação feitas pela Prefeitura de Campos à mesma Expoente, relativas a 2011 e 2012 (relembre aqui). Posteriormente, o edil petista teria os mesmos pedidos refeitos junto à própria Prefeitura, com base na lei federal 12.527, de acesso à informação (conheça-a aqui), mas também negados, em 15 de maio, num polêmico parecer da Procuradoria do Município (relembre aqui).

A partir daí, em 22 de maio, Marcão ingressou aqui,  com um pedido de mandado de segurança e de liminar, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), para ter acesso às informações que por lei deveriam ser públicas. Agora, a servir de referencial não só aos pedidos de informação acerca da Expoente, mas sobre todos os demais, negados sistematicamente na Câmara e na Prefeitura de Campos, a bola está sob o domínio e à espera do próximo toque da desembargadora Tereza Cristina Gaulia.

Se terá ou não relevância à decisão liminar e depois do mérito, por parte da desembargadora, não custa lembrar que Campos foi o único entre os 92 municípios fluminenses a não utilizar o material didático análogo oferecido gratuitamente pelo ministério da Educação, como revelou aqui a reportagem da InterTV. Coincidência ou não, como no caso das seis demais empresas que se inscreveram junto a Expoente, na compra de 9 de abril, mas não apresentaram preço, o governo Rosinha já havia gasto o dinheiro do contribuinte para oferecer em troca o pior desempenho de ensino e aprendizado entre os mesmos 92 municípios de todo o Estado do Rio, segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da  Educação Básica (Ideb).

Abaixo, a publicação hoje no DO, da compra mais recente feita pela Prefeitura de Campos à Expoente, garimpada com competência pela Suzy, assim como fez aqui o blogueiro Cláudio Andrade…

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Da pedra de Hamurábi ao face do STJ, o que está acima dos interesses dos reis

As dificuldades de se equilibrar direito público e privado por meio da lei não são nenhuma invenção dos nossos tempos. Muito ao contrário, essa demanda de indivíduos gregários, presos à contradição existencial de quem nasce e morre absolutamente sozinho, embora fadado a passar todo o resto da sua vida como animal de bando, está presente desde o Código de Hamurábi, primeiro código de leis humano que chegou até nós, preservado em pedra, elaborado pelo rei homônimo dos babilônios (hoje, iraquianos), mil e setecentos anos antes de Cristo, visando se perpetuar uma legislação que estivesse acima mesmo dos interesses pessoais e/ou pretensamente divinos dos reis daquele tempo.

Não por outro motivo, neste nosso tempo e espaço, onde críticas aos candidatos a rei de hoje, sobretudo aqueles que ainda se arrogam inspirados pelo Divino, passam a ser encaradas como ofensas pessoais, e matérias jornalísticas sobre fatos são respondidas com tentativas de se intimidar jornalistas por meio de processos, é bastante pertinente a postagem feita aqui, na última segunda, dia 3, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sua página no facebook. No vácuo do bom e velho rei Hamurábi, aberto há quase quatro milênios, sigamos a ela…

IMPRENSA & HONRA

Liberdade de imprensa e inviolabilidade das pessoas: o conflito entre o direito individual e o coletivo
http://j.mp/STJimprensaehonra

É praticamente diária a veiculação de matérias jornalísticas a respeito de investigações, suspeitas e escândalos envolvendo figuras públicas – como magistrados, deputados, senadores, governadores e empresários –, que despertam o interesse da população.

O que interliga as publicações na mídia aos processos que chegam ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) é a discussão sobre a existência de dano, e consequente necessidade de reparação civil, provocada pelo confronto entre dois direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal: acesso à informação e inviolabilidade da intimidade e da honra das pessoas.

Se de um lado os veículos defendem seu direito-dever de informar, de tecer críticas e de estabelecer posicionamentos a respeito de temas de interesse da sociedade, de outro lado, aqueles que foram alvo das notícias sentem que a intimidade de suas vidas foi devassada, e a honra, ofendida.

Conheça a jurisprudência do STJ sobre o tema:
http://j.mp/STJimprensaehonra

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GAP: Por que Matheus ameaçou repórter da Época, mas calou sobre a Record?

Aqui, em seu blog, o deputado federal e pré-candidato ao governo do Estado Anthony Matheus, o Garotinho (PR), como era esperado, voltou suas baterias contra as Organizações Globo, depois que a revista Época hoje publicou aqui uma nova matéria denunciando a empresa GAP Comércio e Serviços e suas relações suspeitas com o deputado, seu partido e o governo da sua esposa, Rosinha (PR), em Campos. Pelo visto o que mais irritou Anthony Matheus, o Garotinho, foram as sete perguntas feitas ao final da reportagem pelo jornalista Hudson Correa, a quem o indagado chamou de “fraquíssimo repórter” e “bobinho”, além de prometer processá-lo pessoalmente, cível e criminalmente, na Justiça.

Tentar intimidar jornalistas com processos, o que não deixa de ser um seu direito enquanto cidadão, embora francamente antipático para um homem público, está longe de ser uma novidade contra aqueles que ousam apurar e divulgar fatos desfavoráveis a Anthony Matheus, o Garotinho, seja na capital ou mesmo aqui, em Campos. Todavia, o que mais se estranha é que o deputado e pré-candidato a governador tenha atacado com tanta fúria a Época e seu repórter, mas até agora não tenha dito publicamente nenhuma palavra sobre a divulgação das mesmíssimas denúncias, ontem, em rede nacional, pela TV Record (confira aqui), braço midiático da Igreja Universal do Reino de Deus.

Será que os numerosos fiéis eleitores (não necessariamente nesta ordem) da igreja de Edir Macedo, ambicionados por qualquer político evangélico que contabilize gente como ovelha também para fins terrenos, terá algo a ver com reação seletiva do deputado com nome de evangelista?

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Inflação e arrogância podem soprar ventos de mudança no Palácio do Planalto?

Medindo o vento

Essa confusão na base aliada, que só fez recrudescer nas últimas duas semanas, vai continuar até que se tenha uma definição do quadro econômico. O que está agitando muito a base aliada é a formação de palanques e acordos estaduais para a eleição de 2014. Como a presidente Dilma antecipou muito essa campanha eleitoral, os problemas que só apareceriam ano que vem, começaram a aparecer agora, com a companhia desagradável de problemas econômicos: PIB que não cresce, inflação precisando de controle, déficit recorde da balança comercial.

Então todo mundo está querendo saber para que lado o vento soprará, os partidos para tomarem posição que possa lhes garantir a continuidade no poder, e a presidente Dilma para que possa contar com os apoios políticos de que precisa para a reeleição sem ter que fazer concessões, que não é do seu estilo.

A inflação já está afetando sua popularidade, não em caráter definitivo, mas mostrando que tem potencial para atrapalhar os planos, caso não seja controlada. Está todo mundo inquieto, querendo interpretar as nuvens da política. Se a oposição entrar em 2014 com chances de interromper a sequência do PT no poder, de nada adiantará ter uma base formal de 80% do Congresso que tudo irá pelos ares.

No fundo, no fundo, essa base aliada não é do governo, muito menos do PT. É de conveniência, inclusive o PMDB. E não será surpresa se o PMDB voltar a se dividir. A união do PMDB só aconteceu no momento em que parecia infindável a predominância petista no cenário político nacional. Se houver alguma indicação de que isso pode não acontecer, vários setores regionais importantes podem se desgarrar.

A sensação de que o modelo pode ter esgotado sua capacidade de atuação, decadente sem ter chegado ao apogeu, pode estimular traições. É impossível contar com uma lealdade da base aliada se o que une a maioria dos partidos ao governo não é uma questão ideológica, mas interesses específicos, imediatos ou de longo prazo, mas sempre interesses políticos que independem da lealdade para se realizar. Às vezes, dependem até mesmo de uma traiçãozinha básica.

A culpa desse relacionamento esquizofrênico é do próprio governo, que não perde a oportunidade para demonstrar seu desprezo por esses aliados de ocasião e, sobretudo, pela atuação do Congresso, que considera um mero instrumento de seus desejos, e não um Poder em igualdades de condições.

O ex-presidente Lula, embora tenha saído de sua única experiência congressual na Constituinte de 1988 convencido de que havia 350 picaretas entre os deputados, logo entendeu que além de cooptá-los através de favores diversos, teria também que fingir considerá-los honoráveis parceiros de jornada, dar-lhes espaço e apoio político para que atuassem sem serem incomodados.

Sua compreensão de como se dá esse jogo de toma-lá-dá-cá faz muita falta hoje em dia em que, provavelmente reproduzindo o sentimento da presidente, os articuladores políticos do governo dão aos parlamentares a importância que julgam que têm, isto é, nenhuma.

No momento em que é o presidente do Senado, Renan Calheiros quem dá lições institucionais à ministra Chefe do Gabinete Civil Gleisi Hoffman, fica estabelecido que as relações entre Palácio do Planalto e base parlamentar não andam às mil maravilhas. E é só de uma desculpa que políticos precisam para saltar do barco se for prudente, diante não de uma honra atingida, mas da perspectiva de perda de poder.

Nada funciona mais nesse mundo de relações tão superficiais do que a expectativa de poder ou, melhor dizendo, a expectativa de perda de poder.

Publicado aqui, no Blog do Merval.

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Dos motivos reais de quem nega informação sobre fantasma

Além de ter feito novamente a melhor cobertura em tempo real das discussões no insuspeito Legislativo goitacá, acerca das denúncias envolvendo a empresa GAP e o governo Rosinha (PR), a melhor definição do novo atropelo do “rolo compressor” governista à função constitucional de fiscalizar os atos do Executivo, também ficou por conta (aqui) do Ricardo André Vasconcelos: “GAP só fala em sessão espírita. Na Câmara de Campos, não!”

A vantagem, no caso da atual Legislatura, é que não é preciso nenhuma mediunidade para saber dos motivos reais (basta lembrar aqui) de cada um daqueles edis que votaram contra a prestação de informações sobre graves denúncias feitas quase diariamente na mídia nacional, jogando o nome de Campos mais uma vez na lama aos olhos de todo o Brasil.

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“Rolo compressor” nega informações sobre a GAP

A bancada da prefeita Rosinha (PR) negou o pedido de informação da bancada de oposição sobre a empresa GAP. Os oposicionistas tentavam descobrir uma série de pontos envolvendo os contratos entre a empresa investigada e a Prefeitura de Campos. De acordo com os oposicionistas, os contratos com a GAP superam a casa dos R$ 30 milhões.

Para o líder do governo na Câmara, Paulo Hirano (PR), a oposição está tentando politizar o tema com o objetivo de prejudicar a prefeita Rosinha e o deputado Anthony Matheus (PR). “Querem politizar o caso e, por isso, solicito que a bancada governista vote contra”.

Após o pedido ser negado, o vereador Rafael Diniz (MD) desabafou: “O governo diz que é transparente, diz que busca a verdade e nega essas informações. Na minha opinião trata-se de uma grande incoerência. Não estamos fazendo acusação alguma. Só estamos cobrando transparência”, disse Rafael.

O vereador Fred Machado (PSD) também protestou contra a decisão: “Não se trata de perseguição política. Estamos aqui fazendo o nosso trabalho. Não podemos nos omitir. Precisamos dar respostas aos cidadãos. Afinal de contas, todo o dinheiro envolvido é público”, disparou Fred.

Matéria do Alexandre Bastos, publicada aqui, na Folha Online. Amanhã, na Folha impressa, leia a reportagem completa, pelo Gustavo Matheus, de mais um dia no desenrolar do novelo entre a GAP e a o governo Rosinha, no contraste entre as informações negadas na Câmara de Campos e as novas denúncias sobre o caso feitas na mídia nacional.

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Quer saber da GAP? Siga o Ricardo André!

Depois de aprovado em concurso público federal como servidor do INSS, Ricardo André Vasconcelos volta e meia enche o saco com a ladainha de ter desistido do jornalismo. Balela! Se precisasse ainda provar seu talento como jornalista, necessidade que seu currículo deixou para trás já há algum tempo, a cobertura que ele tem liderado na blogosfera goitacá, desde o início, acerca das denúncias de fraude e lavagem de dinheiro da empresa GAP Comércio e Serviços, além de suas ligações suspeitas com o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho, o PR e a Prefeitura de Campos, bastariam para evidenciar a vocação pujante de qualquer “foca” (iniciante em jargão jornalístico) nesse experiente repórter, referencial profissional para mim e muita gente nessa lida honrosa e ancestral de contar as histórias da tribo.

Não por outro motivo, confira aqui, no blog “Eu penso que”, a reprodução das gravações feitas pelo repórter Hudson Correa e divulgadas aqui em nova matéria da revista Época, que indicam ser o empresário Fernando Trabach a mesma pessoa que se fez passar por George Augusto Pereira (GAP), proprietário fantasma da empresa que continua alugando 80 ambulâncias para o governo Rosinha (PR), a despeito das promessas feitas por Anthony Matheus, o Garotinho, em entrevista à rádio CBN (confira aqui), na qual bravateou suspender o serviço em Campos num prazo de 10 dias, que expirou desde o último dia 31, na sexta-feira passada.

Mais rápido que este blogueiro, o Alexandre Bastos foi o primeiro na Folha Online a fazer aqui o que todo colega desta planície cortada pelo Paraíba, para se manter atualizado sobre o caso, está sendo obrigado (de bom grado) a também fazer: seguir o Ricardo André.

Atualização às 18h25: Na blogosfera local, o primeiro a repercutir a nova matéria da Época, com as sete perguntas que Anthony Matheus, o Garotinho, permanece sem responder sobre suas ligações com a GAP de Fernando Trabach/George Augusto Pereira, foi o Gervásio Cordeio Neto, aqui, no “Sociedade Blog”. À divulgação anterior da reportagem, Ricardo acresceu a reprodução das gravações de áudio.

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GAP promete esquentar sessão de hoje na Câmara de Campos

Confirmado: as denúncias envolvendo a empresa GAP Comércio e Serviços e a Prefeitura de Campos entrarão na pauta de debate da sessão da Câmara, que se inicia daqui a pouco, às 17h. Tema adiado nas duas sessões da semana passada, como tem sido a prática ditada pelo controle governista da Casa, visando esfriar as discussões e/ou dar aos vereadores da situação mais tempo para se prepararem aos enfrentamentos políticos em defesa da Prefeitura, o requerimento da entrada do assunto na pauta, visando pedidos de informação ao governo Rosinha (PR), já havia sido protocolado pelos quatro vereadores de oposição desde o dia 22 de maio.

Ao que parece, após as denúncia iniciais, envolvendo a GAP, o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), e a Prefeitura de Campos,  feitas aqui e aqui pela revista Época, pertencente às Organizações Globo, depois que ontem até a Rede Record, braço midiático da Igreja Universal do Reino de Deus, divulgou aqui o caso em rede nacional, a Câmara de Campos não pôde mais ignorar o assunto. Diferente do Anthony Matheus, o Garotinho, que atacou a Globo, mas até agora não disse palavra sobre a repercussão da mesma denúncia na Record, o Legislativo goitacá não pode ser seletivo naquilo que (à sua maioria) interessa ou não discutir, pelos motivos que todos sabem.

Abaixo, a reprodução do pedido da oposição para colocar o debate da GAP na pauta e pedir informações sobre ele ao governo Rosinha…

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Militante imaginário: desejo de ignorantes ou pequenos burgueses

Arnaldo Jabor 1O militante imaginário

Por Arnaldo Jabor

O Brasil está infestado de ‘militantes imaginários’. Mas, o que é um “militante imaginário”? (Ouvi essa expressão do José Arthur Gianotti — na mosca. Já escrevi sobre isso e volto). O militante imaginário (MI) é encontrado em universidades, igrejas, conventos, jornais, bares. O militante imaginário é um revolucionário que não faz nada pelo bem do povo; ele se julga em ação, só que não se mexe. A revolução imaginária não tem armas, nem sangue, nem dificuldades estratégicas, nem soldados. Trata-se apenas de um desejo ou de ignorantes ou de pequenos burgueses que sonham com uma vitória sem lutas. É uma florescência romântica, poética que nos espera numa ‘parusia’ (Google, gente boa) ao fim da história.

O militante imaginário precisa de algo que ilumine sua vida, uma fé, como os evangélicos — o ‘bem’ de um futuro, o bem de uma sigla, de um slogan. Pensando assim, tudo lhe é permitido e perdoado. “Sou de esquerda” — berra o publicitário, o agiota, o lobista. É tão prático… O grande poeta Ferreira Gullar, ex-exilado, perseguido na ditadura, foi dar uma palestra na USP e ficou perplexo com a obviedade ideológica dos jovens, como se estivéssemos ainda na chegada de Fidel a Havana. Tudo comuna. Ser ‘de esquerda’ dá um charme extra a ignorantes de política. Não há mais esquerda e direita; certo seria falar em ‘progressistas e reacionários’. Com essa dualidade antiga, o PT é ‘de direita’. Mas o MI não quer saber disso — continua sonhando com o surgimento mágico de Lula, com seu dedinho cortado.

A revolução do imaginário militante é uma herança modernista que ficou, desde a coragem de barbudos de Cuba, dos Panteras Negras, dos vietcongues. Nós, no Brasil, amantes do gesto abstrato, inventamos a “revolução cordial”. Preferimos o mundo da teoria. A realidade atrapalha, com suas vielas, esgotos e becos sem saída. Bem ou mal, um militante do PT trabalha, luta por seus ideais delirantes. Mas o militante imaginário é o revolucionário que não gosta de acordar cedo. É muito chato ir para a porta da fabrica panfletar. Militantes imaginários espalham-se pelo país torcendo por uma ‘esquerdaֹ’ como por um time. Isso garante-lhes um charme de revolta, de serem ‘contra o Sistema’. Os jovens por exemplo preferem o maniqueísmo de uma ‘esquerda’ que desconhecem às complicadas equações para entender o mundo atual. (A propósito, não percam na internet o manifesto a favor da Coreia do Norte no site do PC do B. É caso de hospício).

O militante imaginário é uma variante do “patrulheiro ideológico”. Só que o patrulheiro vigia a liberdade dos outros. O militante imaginário só pensa em si — para ele, todos somos burgueses, malvados, contra o bem. Ele nem nos dá a esmola de uma crítica. Ele sorri de nossos argumentos, olhando-nos, superior, complacente com nossa ‘alienação’.

O militante imaginário (MI) tem uma espécie de saudade. Saudade de um mundo que já foi bom. Só que ninguém sabe dizer quando o mundo foi bom. Quando o mundo foi bom? Durante a guerra de 14, no stalinismo, nos anos 40, quando? O MI tem saudade de um tempo quando se achava que o mundo “poderia” ser bom; é a saudade de uma saudade.

Muitos pensam que são ‘marxistas’. Não são. São restos de um mal entendimento da herança de Hegel, que nos brindou com as “contradições negativas”, ou seja, o erro é apenas o inevitável caminho para uma vitória futura do Espírito. Quanto mais erro houver, mais comprovação de sucesso; quanto mais derrota, mais brilha a solidão da esperança.

Não me esqueço de um debate do grande intelectual liberal José Guilherme Merquior com dois marxistas sérios e sinceros. Eles faziam “autocrítica” de todos os erros sucessivos do socialismo real: 1956 na Hungria foi um erro, 1968 em Praga foi um erro, terrível a matança de Pol Pot no Camboja, na revolução cultural da China, 64 e 68 foram duas subestimações do inimigo. E concluíram: continuaremos tentando, chegaremos lá. Merquior atalhou na hora: “Mas, por que vocês não desistem?”. É isso. Mesmo com todas as evidências de ilusões perdidas, os militantes produzem mais fé – como evangélicos. Não são de partido algum, mas com sua torcida ridícula, desinformada, ajudam a eleição dos velhos bolcheviques tropicais.

O MI não quer a vitória, pois seria o fim do sonho e o inicio de um inferno administrativo. Já pensou? Ter de trabalhar na revolução? O militante imaginário detesta contas, balanços, safras de grãos, estatísticas, tudo que interessa à chamada ‘direita’ concreta. Por isso, ela ganha sempre. A esquerda tem “princípios” e “fins”. Mas a direita tem “meios”; a direita é um fim em si mesma. A esquerda é idealista, franco-alemã. A direita é “materialista histórica”.

A esquerda sonha com o “futuro”. A direita sonha com o “mercado futuro”.

A esquerda é contra a social democracia — deu em Hitler. A direita é contra a social democracia — deu em Hitler.

Esquerda e direita se unem numa coisa: nunca são culpados e nunca pagam a conta, como os usineiros.

Estamos vivendo um momento histórico gravíssimo. Estão ameaçadas todas as realizações do governo de FHC, que modernizou institucionalmente o país, enquanto pôde, sob a mais brutal oposição do PT. Seus líderes diziam: “Se o Fernando Henrique for pela ajuda a criancinhas com câncer, temos de ser contra”. As obras do medíocre PAC estão todas atrasadas, as concessões à iniciativa privada são lentas e aleijadas, a inflação está voltando, os gastos públicos subiram 20% e os investimentos caem, o estimulo ao consumo em vez do estimulo à produção vai produzir a catástrofe, e tem muita gente da própria “esquerda” querendo que a Dilma se ferre para a volta do mais nefasto homem do país: o Lula.

Não É possível que homens inteligentes não vejam este óbvio uivante, ululante.

Mas qual intelectual ou artista famoso teria coragem, peito, cu, para denunciar isso publicamente? Quem?

É melhor ficarem quietos e não se comprometerem. O mito da esquerda impede que se pense o país, trava a análise crítica.

Deus vai castigá-los.

Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Record divulga em rede nacional investigações sobre a GAP

Sempre à frente na apuração jornalística, em mídia local, das denúncias e investigações das relações entre a empresa GAP Comércio e Serviços, o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), e o governo Rosinha (PR), o jornalista Ricardo André Vasconcelos divulgou aqui, em primeira mão na blogosfera goitacá, o vídeo com a reportagem sobre o caso, veiculada hoje (03/06) à noite em rede nacional, no Jornal da Record, que este “Opiniões” pede licença para também reproduzir abaixo…

Depois disso, duas dúvidas. A primeira, se o deputado, também evangélico, após hoje (03/06) dizer aqui, em seu blog, que o jornalismo da Globo merecia ir para o lixo, será que agora vai afirmar o mesmo da Record, braço midiático da Igreja Universal do Reino de Deus e seu numeroso rebanho de fiéis eleitores? Ademais, em nível provinciano, será que o apresentador local da Record e vereador Alexandre Tadeu (PRB), motivado jornalisticamente pela matéria nacional da sua emissora, irá se antecipar aos vereadores de oposição, finalmente colocando as denúncias sobre a GAP na pauta de discussão da Câmara de Campos, na sessão de amanhã?

Atualização às 12h26 de 04/06: Na Folha Online, o vídeo postado pelo Ricardo André foi replicado primeiro aqui, no blog da sempre antenada jornalista Suzy Monteiro.

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GAP: “Caça-Fantasma” no Rio, enquanto ambulâncias rodam e são pagas em Campos

Os fantasmas da empresa GAP Comércio e Serviços, denunciada aqui e aqui pela revista Época, que tanto têm assombrado o deputado Anthony Matheus, o Garotinho (PR), e o governo Rosinha (PR), começaram a ser exorcizados. Não só nas cidades de Duque de Caxias, na sede da GAP, e do Rio de Janeiro, onde a Delegacia Fazendária (Delfaz) da Polícia Civil cumpriu ao todo quatro mandados de busca e apreensão, na Operação “Caça-Fantasma”, como informaram na blogosfera local os experientes e sempre atentos jornalistas Suzy Monteiro (aqui), Ricardo André Vasconcelos (aqui e aqui) e Jane Nunes (aqui).

Prazo de Anthony descumprido — Também em Campos, mesmo depois de vencido desde a última sexta-feira (31/06) o prazo de 10 dias dado no último dia 21, em entrevista à rádio CBN, por Anthony  Matheus, o Garotinho (confira aqui, no blog do próprio deputado, e aqui e aqui, no site da CBN), para que a empresa  justificasse a falsificação de documentos revelada pela Época, o fato é que hoje as 80 ambulâncias da GAP, contratadas a R$ 32 milhões/ano, ainda estão nas ruas do município, a serviço da Prefeitura de Campos.

Confira abaixo, no destaque da reprodução, o prazo dado à CBN e descumprido…

Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)

Pagamentos continuam a ser feitos — E, ao contrário do que afirmou a Procuradoria do Município, em nota feita sob encomenda para o blog de Anthony Matheus, o Garotinho (que a divulgou aqui), os pagamentos cuja suspensão foi anunciada desde março, continuaram a ser feitos à GAP. No mês de abril, a Prefeitura de Campos pagou R$ 522.928,00 à empresa denunciada (confira aqui), enquanto em maio, quando o governo Rosinha pagou mais R$ 1.277.025,75, totalizando quase R$ 1,8 milhão, ou mais precisamente R$ 1.799.953,75 dos cofres públicos do município (relembre aqui).

Confira abaixo, nos destaques das reproduções da nota da Procuradoria de Campos e do próprio Portal da Transparência da Prefeitura, o anúncio da suspensão dos pagamentos desde março, mas efetuados de fato em abril e maio…

Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Anúncio da Procuradoria de Campos da suspensão dos pagamentos da Prefeitura à GAP desde março, na reprodução e destaque de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Pagamento da Prefeitura à GAP em abril, na reprodução e destaque de Ricardo André Vasconcelos e Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Pagamento da Prefeitura à GAP em 30 de abril, na reprodução e destaque de Ricardo André Vasconcelos e Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Pagamento da Prefeitura à GAP em maio, na reprodução e destaque de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Pagamento da Prefeitura à GAP em 10 de maio, na reprodução e destaque de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)

Como ficam os motoristas? — Enquanto isso, neste exato momento, acontece no Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campos uma audiência em caráter de urgência, solicitada no último dia 27, pelo sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas e Passageiros, como a Folha Online antecipou aqui, para saber o que será feito dos 400 motoristas que prestam serviço nas 80 ambulâncias da GAP, cuja suspensão dos serviços e pagamentos continuam sendo feuitos, a despeito das aparentes inverdades proferidas em tom oficial pela Procuradoria do Município e pelo deputado Anthony Matheus, o Garotinho.

Confira abaixo, no flagrante fotográfico do repórter da Folha Edu Prudêncio, uma das 80 ambulâncias da GAP rodando hoje pelas ruas de Campos…

Atualização às 20h16: Aqui, baseado na competente apuração do repórter da Folha Bruno Almeida, sobre a audiência de agora há pouco no MPT de Campos, o também jornalista Gustavo Matheus informou que o advogado da GAP garantiu que a rescisão do contrato com a empresa por parte da Prefeitura de Campos, anunciado por Anthony Matheus, o Garotinho, é “só boato”. Pelos gritantes contrastes entre o dito e o feito em relação ao caso, o jurisconsulto está prenhe de razão.

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