Apresentado pelo colega Alexandre Bastos, este blogueiro teve a oportunidade de conhecer o professor Alexandre Lourenço (PT), numa rápida conversa em frente à Folha da Manhã, já na reta final da eleição municipal de 2012, na qual ele disputava uma cadeira na Câmara. Foi pouco tempo, mas o suficiente para gerar a sólida impressão de se estar diante de um jovem dinâmico, idealista, mas pragmático, desde que salvaguardados seus princípios éticos e morais. De tudo que já se escreveu sobre o Ato de Defesa do Royalties da última sexta, na praça São Salvador, seja do seu pouco prestígio público, seja dos motivos que o levaram a ser assim, lamentavelmente confirmados quando o evento foi transformado num belicoso ato de campanha, creio que o testemunho do Alexandre, feito aqui nas redes sociais, foi a coisa mais sóbria que já li. Não por outro motivo, leitor, divido-o com você, abaixo…
(Foto de Alexandre Lourenço)Alexandre Lourenço
Então, ninguém me contou, não ouvi em rádio amiga nem em jornal parceiro, eu estava lá, presenciei tudo, ouvi os discursos… ontem (na sexta) aconteceu a tão anunciada manifestação do povo de Campos e região contra a decisão do Congresso de mudar as regras da divisão dos royalties do petróleo e de sensibilizar os ministros do STF. Foi anunciado durante a semana toda na televisão, todos na cidade e na região ficaram sabendo, falaram que seria um ato em que todos os partidos seriam respeitados, seria uma manifestação da população, que estava preocupada com as perdas e suas consequências. Esperavam 50 mil pessoas, no mínimo 30 mil pessoas, devido ao enorme número de cargos de confiança e milhares de contratados da Prefeitura. Proporcionalmente deve ser o município com mais funcionários públicos no mundo, por isso os serviços são tão “bons”. Acho que não tinha 10 mil pessoas, acho que umas 8 mil pessoas no máximo, e tirando eu e mais alguns poucos, todos que estavam lá trabalhavam na Prefeitura, ou para algum vereador. O que mais me chamou a atenção e me deixou pensativo, foi a população não ter dado moral ao evento, a prefeita, aos nossos representantes, e a própria questão dos royalties e muitos estão de fato, numa equivocada onda de revolta, torcendo para que a cidade e o Estado percam as verbas. A cidade estava normal ontem, ninguém dos meus amigos, alunos, professores, aqui no face, enfim, as pessoas que não trabalham diretamente na Prefeitura, foram. Acho que sentem vergonha dos nossos representantes, e entendo perfeitamente, pois tb fiquei com muita ontem (na sexta). É muito ruim quando o governo não tem moral, no palco somente políticos do grupo da prefeita, os vereadores daqui, alguns da região, mas todos do grupo, os prefeitos das cidades vizinhas não vieram, pois eram do grupo do Cabral e do Pezão. E como a eleição de 2014 já começou, e eles não estão nem aí para o povo, já começaram a brigar. Não deu outra, foi um ato totalmente de campanha política, cada um querendo aparecer mais que outro perto do chefe, com faixas com seus nomes os deputados bajuladores colocando a culpa no Cabral, no Lula, no PT. Enfim, a população já sabendo como seria, não confiando mais nessa turma, não foi. E não perdeu nada, foi um circo, uma palhaçada, um comício! Eu entendo a revolta das pessoas, mas é um enorme erro pensar assim, tudo pode piorar. E sem os royalties, pode piorar muito! Grande abraço!
Enquanto o palco (no detalhe) já estava apinhado de gente, a praça São Salvador só estava cheia até a metade (foto de Eduardo Prudêncio)
Se é verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras, a que foi capturada no fim de tarde da última sexta, pelo repórter fotográfico Eduardo Prudêncio, no Ato de Defesa dos Royalties transformado em ato de ataques políticos, revela na simples ampliação feita acima que, no momento em que o palco já estava completamente cheio, a praça São Salvador só tinha gente até sua metade, com um claro vazio humano entre a estátua do pracinha e a Catedral. Se não foi até agora mostrada nenhuma foto com este trecho preenchido de público, é pelo motivo mais óbvio do mundo: ela não existe, porque tal fato simplesmente não aconteceu, nem antes, nem depois. Em relação aos horários, basta pegar a capa da Folha, em sua edição impressa do último sábado, poder enxergar e saber ler, para constatar que a foto do clarão de gente na praça foi feita às 17h53, assim como outra, feita de cima do palco, evidencia que nele já estavam a prefeita Rosinha (PR), o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), e toda sua entourage, desde às 17h46, sete minutos antes.
Capa da Folha de sábado, com os fatos, as fotos e os horários do ato de sexta
Até pela clareza dos fatos, fotos e horários, divulgados na capa da Folha desde o final da madrugada de sábado (acima), este blogueiro não pretendia retornar ao assunto. Mas como o Edu Prudêncio ontem o fez, usando as redes sociais, e como tenho por princípio pessoal e profissional jamais deixar sozinho um companheiro de trabalho, sobretudo quando este está inequivocamente certo, reproduzo abaixo o que ele postou no facebook, apenas suprimindo os dois nomes citados, para se evitar a projeção de luz sobre quem não a possui, por subsistentes à sombra do poder. Certo como a população campista majoritariamente ausente do evento, de que a verdadeira batalha final sobre os royalties ora se desenvolve no Supremo Tribunal Federal (STF), no Planalto Central, ao largo da politicagem canhestra que infelizmente ainda dá o ar da graça nesta Planície Goitacá, ecoada por essas personagens medíocres, de fidelidade canina, goela caprina e moral humana, segue o que escreveu ontem o repórter-fotográfico da Folha…
Eduardo Prudêncio
Não consigo acreditar que esses asseclas que seguem a prefeita não admitam certas coisas. Acho que seria melhor admitir que a população não aderiu em massa ao ato que eles organizaram e que foi partidário, pois a todo momento citaram partidos e políticos que estariam comprometidos e quem seria mais capacitado para debater com a presidenta o assunto petróleo.
Hoje ao chegar no trabalho fui tomar conhecimento de que esses asseclas estavam falando que a foto feita ontem durante o ato na praça não é real.
Ao renomado e respeitado jornalista (fulano de tal) e ao “excelente” fotógrafo e blogueiro (beltrano de tal), que em suas páginas pessoais publicaram notas dizendo que fiz a foto antes de o ato começar. Não sei se o segundo citado se lembra, mas estava em cima do trio com o mesmo até a frente da igreja Boa Morte. Ou seja, não tinha como eu estar no trio e na Catedral ao mesmo tempo. O poder da onipresença só um tem. Saí do trio, credenciei no palco, fiz a foto do palco e me impressionei com a quantidade de gente. Atravessei a praça, mas quando cheguei antes da metade à mesma já estava vazia. Fui e fiz a outra foto. A prefeita já estava no palco, seu marido (que acumula as funções de deputado e “prefeito” de fato), sua família… Ou seja o ato já tinha começado e quem tinha que chegar já tinha chegado. Daí em diante a praça não encheu mais e sim esvaziou cada vez mais.
Lamento muito a praça não ficar cheia. Pois defendo o movimento, mas maneira como eles conduzem e mentem desvairadamente muito me entristece e envergonha de termos pessoas incapazes de ver que o desgoverno reina em nossa cidade.
A base do Governo a todo instante afirma que nos últimos 4 anos Campos é exemplo da boa aplicação dos recursos dos royalties, inclusive eu estive presente na prestação de contas da prefeita, onde em seu discurso a Deputada Clarissa afirmou que na ALERJ existe um projeto que está engavetado e que ela está conclamando a bancada de oposição para criação de um conselho para Fiscalização das Aplicações dos recursos dos Royalties do Petróleo no âmbito do Estado.
Ora se vale para lá, também tem que valer para Campos, estamos encaminhando o projeto de lei e tenho certeza de que o governo aprovará, pois quem é exemplo não deve nem teme.
Criação do Conselho Municipal de Fiscalização das Aplicações dos recursos dos Royalties do Petróleo, para que representantes da sociedade civil organizada possam:
– Contribuir na formulação de políticas públicas, acompanhar, avaliar e fiscalizar, amplamente, todas as execuções;
– Indicar as prioridades a serem incluídas no planejamento municipal quanto às questões que dizem respeito aos investimentos;
– Indicar prioridades para a destinação dos recursos , elaborando planos e programas para sua melhor aplicação; e outras ações previstas no corpo do projeto de lei.
Efetuei requerimento que foi tirado de pauta pela mesa da câmara nesta semana, mas que deverá ir à pauta na próxima semana com o objetivo de saber o que tem de tão especial no material da empresa EXPOENTE SOLUÇÕES COMERCIAIS E EDUCACIONAIS LTDA, que inviabiliza a competição com outras empresas para “ganhar” via Inexigibilidade de Licitação, o objeto de aquisição de materiais didáticos para educação infantil (maternal, GI, GII e GIII) e 1º ano do Ensino Fundamental e 2º ano do Ensino Fundamental) e Implantação da Metodologia de Ensino, Atendimento das Escolas da Rede/Secretaria Municipal de Educação – Formação Professores 1 curso por semestre, com valor de R$ 7.983,963,90 ano passado e com valor de R$ R$ 9.931.603,06 esse ano???? Vale lembrar que a União fornece gratuitamente materiais didáticos para os municípios.
De acordo com o Censo 2010 do IBGE , Campos tem quase 60 mil domicílios sem rede de esgotos ou fossa séptica, por esse e outros motivos estamos fiscalizando o contrato de concessão da empresa Águas do Paraíba, queremos saber dentre outro questionamentos: Quais obrigações se encontravam previstas no contrato original e que, nesse momento, não estão mais; Se o contrato firmado com o Município sofreu alguma alteração e o que foi alterado; Se existe alguma obra que deveria ter sido realizada pelo Município e que foi realizada pela empresa, ou que deveria ser realizada pela empresa e que foi realizada pelo município, o cronograma de obras e investimentos.
PROJETO DE LEI EMENTA: Dispõe sobre o atendimento emergencial em eventos de grande porte na Cidade de Campos dos Goytacazes(RJ).
PROJETO DE LEI EMENTA: Dispõe sobre publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos e dá outras providências.
Somos a favor dos royalties Sim!!!
Mas queremos transparência na aplicação de nossos recursos orçamentários!!Como Vereador vou fiscalizar o Poder Executivo para que nenhum serviço essencial falte para nossa população, utilizando as ferramentas dos requerimentos em plenário, a Lei de acesso a informação, Mandado de Segurança e todos os instrumentos jurídicos que estiverem ao meu alcance.
Acredito que o STF como guardião da Constituição irá decidir pela manutenção dessas receitas, porém não podemos jamais permitir que aconteça novamente as ameaças que a nossa população vem sofrendo nos últimos dias por parte do Poder Executivo: Não podemos ameaçar a população de que caso percamos essas receitas, também perderemos serviços essenciais a nossa população.
Isso é um absurdo!!!!! Temos que garantir num futuro próximo à independência financeira, pois o petróleo é um recurso natural e finito!!! Temos que utilizar esses recursos para fomentar a diversificação da base econômica do município!!!
A sensação de boa parte da população é de que com esses bilhões de reais de receitas desses últimos anos, foi feita uma grande festa, só que uma grande parte da população não foi convidada para festa. E agora com a possibilidade da perda, querem chamar a população para rachar a despesa.
Daí vem à sensação de que esses recursos são apenas para servir a determinado grupo político!!!
Vamos lutar sim pelos royalties!!!
Mas vamos lutar muito mais pela transparência e controle desses recursos!!!!
Vereador Marcão!!
Vereador Marcão se inspirou na proposta da deputada Clarissa (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Como o Murillo Dieguez adiantou aqui, em sua coluna, o vereador petista Marcão vai propor, na Câmara Municipal de Campos, o mesmo que a deputada estadual Clarissa (PR) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: criar um conselho para fiscalizar a aplicação dos royalties pelo poder Executivo. Constituído por membros da sociedade civil organizada, o Conselho Municipal de Fiscalização da Aplicação dos Royalties do Petróleo contribuiria na formulação de políticas públicas, acompanhando, avaliando e fiscalizando, amplamente, todas as execuções. O Conselho também indicaria as prioridades a serem incluídas no planejamento municipal, quanto às questões que dizem respeito aos investimentos, além de apontar prioridades para a destinação dos recursos dos royalties, elaborando planos e programas para sua melhor aplicação.
Tudo isso consta no projeto de lei já elaborado por Marcão, que será proposto no correr da semana:
— A base do Governo a todo instante afirma que nos últimos 4 anos Campos é exemplo da boa aplicação dos recursos dos royalties. Por isso tenho certeza de que o governo aprovará meu projeto de lei, inspirado na iniciativa da deputada Clarissa, pois quem é exemplo não deve, nem teme. Somos a favor dos royalties, sim! Mas queremos transparência na aplicação de nossos recursos orçamentários. Como vereador vou fiscalizar o poder Executivo para que nenhum serviço essencial falte para nossa população, utilizando as ferramentas dos requerimentos em plenário, a lei federal de acesso à informação (conheça-a aqui), mandado de segurança e todos os instrumentos jurídicos que estiverem ao meu alcance.
Apesar de acreditar que o Supremo Tribunal Federal (STF) vá decidir favoravelmente aos estados e municípios produtores, cujas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) se encontram sob apreciação da ministra Carmem Lúcia, o vereador do PT repudiou o que já foi classificado aqui como “terrorismo”, numa lista de cortes até dos serviços essenciais de Campos, apresentada aqui, em tom de ameaça, pelo secretário de Governo de Rosinha, Suledil Bernardino, caso a perda dos royalties seja confirmada:
— Acredito que o STF como guardião da Constituição irá decidir pela manutenção dessas receitas, porém não podemos jamais permitir que aconteçam novamente as ameaças que nossa população vem sofrendo nos últimos dias por parte do poder Executivo. Não podemos ameaçar à população, de que caso percamos essas receitas, também perderemos serviços essenciais como saúde, iluminação e coleta de lixo. Isso é um absurdo! Temos que garantir num futuro próximo a independência financeira, pois o petróleo é um recurso natural e finito. Temos que utilizar esses recursos para fomentar a diversificação da base econômica do município. A sensação de boa parte da população é de que com esses bilhões de reais de receitas desses últimos anos, foi feita uma grande festa, só que uma grande parte da população não foi convidada para festa. E agora com a possibilidade da perda, querem chamar a população para rachar a despesa. Daí vem à sensação de que esses recursos são apenas para servir a determinado grupo político.Vamos lutar, sim, pelos royalties. Mas vamos lutar muita pela transparência e controle desses recursos.
Atualização às 17h04: Em seu “Na curva do rio”, a jornalista Suzy Monteiro já havia noticiado aqui, desde o último dia 27, o projeto do vereador Marcão, inspirado na deputada Clarissa.
Após os episódios lamentáveis promovidos pelo poder público de Campos, contra a aprovação da nova lei dos royalties no Congresso, com a quebra de vidraças do Heliporto do Farol e o incêndio no Aeroporto Bartolomeu Lisandro, em vandalismo capitaneado por vereadores governistas e executado por militantes pagos com terceirizações, parecia que o grupo que detém o poder no município havia aprendido a lição, mobilizando a sociedade civil e até os vereadores de oposição ao Ato em Defesa dos Royalties, no final da tarde de ontem, na praça São Salvador. Ledo engano!
Bem verdade que, no último discurso do evento de ontem, a prefeita Rosinha (PR) afirmou que aquele não se tratava de um “ato rosa ou eleitoral”. Mas já era tarde demais! Depois que o deputado estadual Geraldo Pudim e o federal Paulo Feijó (ambos do PR), em pronunciamentos anteriores, atacarem o PT do senador Lindbergh Farias e o PMDB do vice-governador Luiz Fernando Pezão, ambos pré-candidatos à sucessão no governo fluminense, assim como o deputado Anthony Matheus (PR), os quatro vereadores de oposição em Campos desceram do palanque e abandonaram o ato.
Se acompanharam a passeata que saiu da Câmara, no antigo Fórum, até chegarem à praça do Santíssimo e subirem ao palanque, dele depois desceriam os edis Fred Machado (PSD), Rafael Diniz (PPS), Marcão (PT) e Nildo Cardoso (PMDB). Empunhando a bandeira do município de Campos, os quatro alegaram que, a pretexto da defesa dos royalties, o ato havia sido transformado numa plataforma de ataques políticos, com vistas claras à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), em 2014.
Quem dúvida tivesse do caráter real do evento, rapidamente as desfaria ao eco das palavras do discurso de Feijó, tão contundentes quanto costumavam ser seus ataques a Anthony Matheus, até pouco tempo atrás: “Nosso inimigo número um é o PT, e o número dois é Sérgio Cabral”. Assim como para quem esteve no evento, ou veja seus registros fotográficos, poucas dúvidas também restariam de que o público presente, mesmo inchado por servidores terceirizados, muitos uniformizados, ainda assim era bem aquém dos 30 mil aos quais Anthony bravateou estar falando em seu discurso.
Enquanto a defesa dos interesses do município continuar a ser usada para justificar os interesses eleitorais de quem só sabe fazer política considerando os adversários como inimigos, à certeza de que nada de fato mudará, com ou sem royalties, numa reprise do que se assiste em Campos desde 1988, se sobrepõe outra. É a certeza de que a batalha real dos royalties, em sua última linha de resistência, já está sendo travada no Supremo Tribunal Federal (STF), onde a ministra Carmem Lúcia analisa as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) dos estados e municípios produtores.
Pelo menos lá, no Planalto Central, diferente do que parece ocorrer na Planície Goitacá nos últimos 25 anos, e como já havia provado a aprovação da nova lei dos royalties no Congresso Nacional, não adianta querer ganhar no grito.
Publicado hoje na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.
Acabou agora há pouco o Ato em Defesa dos Royalties e da Constituição, na praça São Salvador. Quando subiu ao palanque, o deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), disse que falava para 30 mil pessoas. Já segundo os cálculos oficiais da PM, os presentes eram de 15 a 20 mil. Na dúvida entre os números, aconselhável conferir o registro do repórter fotográfico da Folha Eduardo Prudêncio, com a imagem que dizem valer mais que mil palavras e que, no caso, serve para se saber quantas mil pessoas, mesmo liberadas das escolas e do serviço público municipal, compareceram de fato ao ato na praça do Santíssimo…
Da leitura sempre necessária da coluna “Comentários”, assinada pelo Murillo Dieguez, publicada hoje na edição impressa da Folha, e repercutida virtualmente aqui, no “Blog da coluna”, dois pontos com os devidos contrapontos merecem o destaque do blog…
Da política, e do tema dominante dos royalties, à cultura, confira abaixo outra estreia de opinião na Folha, no espaço semanal da Folha Letras, publicada sempre às sextas na contracapa da Folha Dois, que será mensalmente ocupado por um imortal da Academia Campista de Letras (ACL), cujo pontapé inicial coube hoje ao seu presidente, o professor Hélio Coelho…
Academia Campista de Letras: 74 anos de história
Hélio Coelho
Corria o ano de 1939. Lá fora, em breve começaria a segunda guerra mundial. No Brasil, vivíamos um tempo de restrições democráticas, sem eleições, sem partidos políticos, sem as liberdades formais para o livre debate das ideias em público. Campos era uma cidade que girava em torno das usinas, do comércio e da cana. Havia teatros, clubes, jornais, carnaval, jogos, casas de mulheres, os ritos e as rezas, faculdades, as confeitarias e os cafés onde se misturavam boêmios, jornalistas, advogados, médicos, músicos, poetas, intelectuais e políticos, todos buscando nas brechas possíveis espaços para se expressar. Foi nesse ambiente que a Academia Campista de Letras foi fundada em 21 de junho. Entre seus fundadores, ainda que figurassem progressistas no campo literário e político-ideológico, o grupo hegemônico — ainda que de indiscutível renome intelectual — era constituído por moderados, e conservadores. Tanto é verdade que, por muito tempo, a Academia ficaria blindada ao Modernismo e suas tendências que , numa espécie de Modernismo tardio, corajosamente e com brilho, despontava entre nós como resistência cultural ao longo dos anos 50. Dialeticamente, tempos depois, por ironia e imperativo histórico, seus mais representativos nomes passaram a fazer parte da instituição, em muito contribuindo para sua oxigenação e fortalecimento até os dias atuais…
Fundada no Café Clube (no Boulevard F. de Paula Carneiro/ “Calçadão”) entre falatórios, declamações e tertúlias, das mesas do Café saíram para concretização do ato no antigo Edifício Trianon, na sala de representação do Diário Oficial/RJ, como nos informa Herbson Freitas, sendo seu primeiro presidente o Advogado Nelson Pereira Rebel (1939-1944). Estavam lá: Barbosa Guerra, Gastão Graça, Alberto Ribeiro Lamego, Dióscoro Vilela, Manoel Joaquim da Silva Pinto, Jerônimo Ribeiro, Álvaro Duarte Barcelos, Rogério Gomes de Souza, Letelbe Barroso, José Honório de Almeida, Godofredo Tinoco, Herdy Garchet, Mário Barroso, Alberto Frederico de Moraes Lamego, Silvio Fontoura, Abelardo N. Vasconcelos, Jaime Landim, José Landim, Ewerton Paes da Cunha e Isimbardo Peixoto (segundo Dr. Welligton Paes).
Criada nos moldes da Academia Brasileira de Letras (modelo Academia Francesa), estruturou-se a ACL com 40 Cadeiras reverenciando figuras ilustres nas letras e nas artes, nas idéias, no brilho cultural de Campos. Foi um começo difícil, funcionando precariamente aqui e ali — Automóvel Clube Fluminense, AIC, residências de Acadêmicos — até que, em 10 de abril de 1948 recebeu as chaves e instalou-se no belo e imponente prédio de sua sede no Jardim São Benedito. Esta conquista não impediu algumas dificuldades de funcionamento adequado, e, turbulências no fim da Era Godofredo Tinoco (um capítulo à parte, entre críticas e aplausos, 1944-1983), levaram a que suas reuniões fossem realizadas no Salão Nobre da Santa Casa, no escritório do Acadêmico Dr. Renato Aquino e no Hotel Planície, retomando suas atividades na sede em função dos esforços e gestões dos Presidentes Jamil Ábido (1983-1984), Américo Rodrigues da Fonseca (1984-1996), Walter Siqueira (1996), com destaque para a atuação de Renato Aquino (1996-1999), Waldir Carvalho (1999-2001) e Raul Linhares (2001-2003). Nos últimos dez anos, sob a Presidência de Arlete Parrilha Sendra (2003-2005, 2007-2009), Herbson Freitas (2005-2007) e Elmar Martins (2010-2012/13), a Academia tem ampliado suas relações com a comunidade acadêmica para além da letras, buscando sua inserção com maior intensidade na vida cultural de nossa Terra, promovendo cursos, concursos literários, editando livros, jornal e revistas, dando visibilidade aos trabalhos de Acadêmico/a/s e autores convidados, celebrando convênios com o Poder Público municipal que viabilizaram ampliação e melhoria nas instalações. Essa parceria precisa ser restabelecida, pois é preciso retomar a excelência dessas publicações-interrompidas há mais de dois anos- e muito há por fazer no sentido da ACL vir a ocupar efetivamente seu papel de instância e agência de produção cultural, circulação de idéias e socialização do saber. Salve a Folha da Manhã que, pela visão progressista de sua Direção, especialmente na pessoa de seu diretor e poeta Aluysio Abreu Barbosa, abre o espaço nobre desta página para a Academia e nos convoca para parcerias culturais com grandes desdobramentos! Vale dizer que, na recente solenidade de posse, o representante da Prefeita e o Presidente da Câmara sinalizaram positivamente na direção do apoio que precisamos. Assumo a Presidência para o biênio 2013/2014 com entusiasmo e esperança.
Em abril iniciaremos a publicação dos editais visando preencher as vagas existentes na instituição, na certeza de que o(a)s eleito(a)s fortalecerão as novas e irreversíveis tendências de uma Academia que, aos 74 anos de existência, vive, resiste, supera suas crises e avança como convém existir, ser e avançar no século XXI. Abaixo, as 40 Cadeiras da ACL:
01 – Patrono Alberto de Faria, Acadêmico Hélio Gomes Cordeiro;
02 – Álvaro Ribeiro de Barros, José Cunha Filho;
03 – Anfilóquio de Lima, Welligton Paes;
04 -Amélia Gomes de Azevedo, Sylvia Paes;
05 – Baltazar Carneiro, vaga/Sérgio Diniz;
06 – Benedito Pereira Nunes, Inês Cabral Ururahy de Souza;
07 – Eloy Ornellas, Marília Bulhões Carneiro;
08 – Flamínio Caldas, A. M. Alves Rangel;
09 – Saturnino de Brito, Aristides Arthur Soffiati Netto;
10 – Francisco Portela, vaga/José César Caldas;
11 – Francisco Augusto de Paula Carvalho, Heloisa Helena Crespo Henrique;
12 – Heitor Silva, Hélio Coelho;
13 – Inácio de Moura, Renato Aquino;
14 – João Barreto, vaga;
15 – Azevedo Cruz, Joel Ferreira Mello;
16 – João Batista de Lacerda Filho, Arlete Parrilha Sendra;
17 – João Batista de Lacerda, Elvo da Graça Raposo;
18 – João Batista Pereira, vaga/Espiridião Fadul;
19 – José Alexandre Teixeira de Mello, Christiano A. Fagundes Freitas;
20 – José Bernardino Batista. P. de Almeida, vaga/Ivanise Balbi Rodrigues;
21 – José Carlos do Patrocínio, Herbson da Rocha Freitas;
22 – Conselheiro José Fernandes, Acadêmico Walter Siqueira;
23 – José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, Levi Quaresma;
24 – José Pinto Ribeiro Sampaio, Gláucio Corrêa Soares;
25 – Júlio Feydit, Vilmar Rangel;
26 – Luiz Felipe Saldanha da Gama, Paulo Roberto de Aquino Ney;
27 – Manoel Landim, Antonio N.dos Santos;
28 – Manoel Martins do Couto Reis, Edinalda Maria Almeida Silva;
E do retorno de Makhoul Moussallem (PT) hoje à página da opinião da Folha? Para quem quiser saber, basta ler abaixo…
FLATUS AQUILA
Estão garfando na maior cara de pau, lembrando os tempos da barbárie, no qual os mais numerosos ou os mais fortes, simplesmente sem obedecer a nenhuma regra pré-estabelecida, pactos celebrados ou a lei, tomavam dos mais fracos aquilo que lhes apetecia e ponto. No caso, estão garfando parte expressiva dos nossos royalties.
Os senadores e deputados dos estados não produtores alegam que gastamos mal os royalties. Como deixar nas mãos de incapazes tamanha fortuna? Não quero ser leviano como eles e dizer que os interesses não são comunitários para os seus estados e sim pessoais, no mínimo eleitoreiros. Como eleitoreiras são as atitudes de alguns dos nossos governantes, após a porteira ter sido arrombada. Os deputados, senadores, governantes dos estados do RJ, SP e ES e prefeitos de municípios produtores já não sabiam desde 2009 que este assalto iria acontecer? Claro que sim. Então por que não tomaram as devidas providências com antecedência? Já que tudo neste país visa sempre às eleições e nossos políticos pensam nas próximas eleições e não nas próximas gerações, por que não trabalharam junto ao governo federal e mostraram que estes três estados juntos representam parcela significativa do eleitorado brasileiro, que pode influenciar decisivamente na eleição de 2014 para a presidência da República? Por que não adequaram os orçamentos anuais esperando o assalto, priorizando o que é vital para a população, ao invés de insistir em gastar o dinheiro em obras desnecessárias e faraônicas?
Agora querem convocar passeatas, fechar estradas no nosso estado. Por que não no dos assaltantes, dificultando o ir e o vir deles e não o nosso? Os discursos são para nós mesmos, para dizer o que estamos carecas de saber sobre a garfada e os motivos desta, para nos dizer que estão alertas lutando bravamente pela manutenção dos royalties. Qualquer adolescente já conhece estas estratégias e manobras surradas que não tem nenhum efeito sobre quem está nos assaltando. Querem aparecer no Jornal Nacional e em outros veículos da mídia com fins eleitoreiros. Data venia, essas bravatas e arroubos discursivos, apareçam ou não na mídia, têm o mesmo valor e efeito de flatus de águia em pleno vôo.
Flatus aquila
Makhoul Moussallem
Estão garfando na maior cara de pau, lembrando os tempos da barbárie, no qual os mais numerosos ou os mais fortes, simplesmente sem obedecer a nenhuma regra pré-estabelecida, pactos celebrados ou a lei, tomavam dos mais fracos aquilo que lhes apetecia e ponto. No caso, estão garfando parte expressiva dos nossos royalties.
Os senadores e deputados dos estados não produtores alegam que gastamos mal os royalties. Como deixar nas mãos de incapazes tamanha fortuna? Não quero ser leviano como eles e dizer que os interesses não são comunitários para os seus estados e sim pessoais, no mínimo eleitoreiros. Como eleitoreiras são as atitudes de alguns dos nossos governantes, após a porteira ter sido arrombada. Os deputados, senadores, governantes dos estados do RJ, SP e ES e prefeitos de municípios produtores já não sabiam desde 2009 que este assalto iria acontecer? Claro que sim. Então por que não tomaram as devidas providências com antecedência? Já que tudo neste país visa sempre às eleições e nossos políticos pensam nas próximas eleições e não nas próximas gerações, por que não trabalharam junto ao governo federal e mostraram que estes três estados juntos representam parcela significativa do eleitorado brasileiro, que pode influenciar decisivamente na eleição de 2014 para a presidência da República? Por que não adequaram os orçamentos anuais esperando o assalto, priorizando o que é vital para a população, ao invés de insistir em gastar o dinheiro em obras desnecessárias e faraônicas?
Agora querem convocar passeatas, fechar estradas no nosso estado. Por que não no dos assaltantes, dificultando o ir e o vir deles e não o nosso? Os discursos são para nós mesmos, para dizer o que estamos carecas de saber sobre a garfada e os motivos desta, para nos dizer que estão alertas lutando bravamente pela manutenção dos royalties. Qualquer adolescente já conhece estas estratégias e manobras surradas que não tem nenhum efeito sobre quem está nos assaltando. Querem aparecer no Jornal Nacional e em outros veículos da mídia com fins eleitoreiros. Data venia, essas bravatas e arroubos discursivos, apareçam ou não na mídia, têm o mesmo valor e efeito de flatus de águia em pleno vôo.
Quer saber da estreia do Rafael Diniz (PPS), debutante como vereador, também como articulista da Folha? Pois confira aí…
A construção da democracia: uma tarefa cotidiana
Rafael Diniz
A democracia é como uma planta frágil que temos em nosso quintal, raramente floresce, e pode morrer mediante qualquer leve alteração no clima, e, acima de tudo, exige cuidados e esforços ininterruptos para que não venha a perecer, e possa, então, dar seus frutos. Neste meu primeiro artigo no jornal Folha da Manhã, quero tratar destes “cuidados ininterruptos” que o cultivo da democracia exige, e ao mesmo tempo, apresentar aos leitores como encaro a tarefa de ter a oportunidade de dialogar semanalmente com a população de Campos e toda região. Esses dois temas se unem, deixando claro o que espero desenvolver neste espaço, um lugar em que nós possamos desenvolver, aprimorar, enfim, cultivar a planta frágil da democracia local.
Como todos nós sabemos a democracia não se resume a eleições, e logo, seu cultivo não se resume ao ato de votar e ser votado. Uma sociedade realmente democrática requer, acima de tudo, a constituição de uma atmosfera democrática na vida cotidiana, na família, no trabalho e na vida em sociedade. Um elemento fundamental para a oxigenação dessa atmosfera democrática é o dialogo aberto entre a população e os políticos, o fluxo de novas ideias e ideais, criando e divulgando soluções e propostas para a melhoria da vida das pessoas e da democracia em si. Em vista disso, quero fazer deste artigo semanal um instrumento, mesmo que humilde, de cultivo da democracia em nossa cidade, no qual eu apresentarei minhas visões de mundo, minhas percepções e propostas a respeito dos problemas locais e, eventualmente, a respeito de temas nacionais e globais. Espero dividir com a população o olhar sobre o mundo que tenho desenvolvido nestes meus 29 anos de vida, o olhar de um jovem advogado, vereador do município de Campos dos Goytacazes, filho e neto de políticos, que viveu em países estrangeiros, aprendendo línguas e culturas na Austrália e na Espanha.
Por último, queria ressaltar a importância de espaços como esse, promovidos pelo jornal Folha da Manhã, para consolidação de nossa democracia, e também agradecer a este jornal pela oportunidade a mim concedida.
Como costuma fazer com os comentários que julga merecerem a relevância maior de post, o blog republica abaixo aquele feito aqui, pela leitora Valéria Matos, até por entender que, além das políticas populistas e do aparelhamento do estado, a tentativa do controle da mídia e da liberdade de expressão é outro dos nefastos malefícios que unem o lulo-petismo e, à nível mais provinciano, o garotismo, assim como os midiotas chapas-branca que se prestam a ecoá-los…
Todo governo autoritário teme o poder da liberdade de expressão e do livre pensamento. Eles sabem que você pode prender, torturar, calar e até matar uma pessoa ou mesmo muitas delas. Contudo, é impossível deter uma ideia ou um pensamento que encontre eco nos corações e mentes de um povo.
Assim, para que suas mentiras e fantasias se mantenham eficientes e palatáveis aos cérebros manipulados, esses governos buscam sempre controlar todas as formas de expressão existentes; notadamente a imprensa e os meios de comunicação.
A tática usada é sempre a mesma, disfarçam a censura com cores e flores bonitinhas alegando que pretendem apenas proteger as famílias e o cidadão dos “excessos” ou da “manipulação” proporcionada pelas mentes pensantes que não estão em conformidade com os ditames do “Grande Líder” do partido. Muitas vezes usam falsas alegações de que pretendem democratizar o setor de informações para permitir maior pluralidade de fontes de informação.
Contudo, aos poucos, a verdade que permanece é completamente diferente. Calam-se as vozes discordantes e cria-se uma enorme rede “chapa branca” que assola a população com propagandas doutrinárias ou com notícias de interesse exclusivo da corrente ideológica no poder.
Desta forma, os cidadãos são cada vez mais imersos na doutrina preconizada pelo “Grande Líder” e qualquer tentativa de diferenciar a informação ou retirar dela a maquiagem proposta pelos organismos do poder é destruída.
Exemplos históricos não faltam. No início, a censura e o aparelhamento dos órgãos de informação são sempre apresentada em forma de uma aparente conquista social. Mas, o que se da realmente com o passar do tempo é o total domínio de tudo o que o cidadão lê, vê ou ouve nos meios de comunicação.
Aqui, bem perto de nós, temos o exemplo da Argentina com sua “Lei de Meios”. Apresentada como forma de democratizar os meios de comunicação e acabar com o “monopólio” de algumas empresas (notadamente as que apontavam as mazelas do governo); ela criou uma forte imprensa “chapa branca” e os argentinos são bombardeados com notícias maravilhosas sobre sua economia que, todos sabem, está em frangalhos. A inflação galopante tem sua divulgação proibida e um número fantasioso é apresentado mesmo diante dos protestos dos cidadãos e da miséria crescente.
Até o maior argumento da “Lei de Meios” – a quebra dos monopólios” – não se aplica “aos amigos do rei”. Afinal, um empresário ligado a família Kirchner comprou recentemente um pequeno império de comunicação com várias rádios e um canal de TV. Empresário, aliás, acusado de cometer inúmeras irregularidades em negócios que “caem no seu colo” na área de serviços públicos e obras desde o início do governo Kirchner.
Aqui no Brasil eles também anseiam pelo controle total dos meios de comunicação. Nunca se atacou tanto a imprensa como atualmente. Se na época da ditadura havia censores espalhados pelas redações e agentes da repressão “atrás de cada porta”; hoje há uma enorme pressão para que os organismos de informação se calem e fechem os olhos diante das mazelas dos políticos brasileiros.
O PT tenta a todo custo implantar o “controle social” da imprensa, o que nada mais é do que exercer sobre os meios de informação o poder de controlar sua evolução, sua orientação editorial e suas formas de sobrevivência. Isso criará um “cabresto” natural e tornará muito fácil ao governo destruir quem ousar “cruzar a linha” e publicar notícias capazes de mostrar a verdadeira face canalha dos que estão no poder.
Desta forma, você jamais ficaria sabendo dos Mensalões, dos dossiês, dos dólares nas cuecas, dos acertos e conchavos ilícitos que são a tônica da política nacional hoje em dia. Também não saberia que o filho do Lula deixou um cargo medíocre de estagiário para se tornar um milionário relâmpago durante o governo de seu pai, numa negociata jamais explicada. Também não ficaria sabendo que Lula é dono de uma grande fortuna e de vários imóveis de luxo totalmente incompatíveis com suas únicas fontes de renda (política e INSS) declaradas. Jamais saberia que José Dirceu e outras “figurinhas carimbadas” do PT estão envolvidas em inúmeras negociatas e “consultorias” que causaram enormes prejuízos ao país e resultaram em negócios eticamente duvidosos. Também não saberia que o governo petista da Bahia publicou uma cartilha com dicas de segurança pública ordenando aos cidadãos que reservassem “o do ladrão” como forma de garantirem sua segurança diante da falência do poder público ante a violência desenfreada no estado.
Mas, não pense que a coisa fica restrita ao PT. Como toda nação “democrática” que se preze, o Brasil é hoje considerado um dos piores países para o exercício da livre opinião. Jornalistas que ousam “pensar diferente” do alcaide do momento (seja de que partido for) são executados com frequência cada vez maior sem que os organismos policiais esbocem qualquer interesse em desvendar os crimes.
O próprio Poder Judiciário atua intensamente em favor dos poderosos, calando e destruindo meios de comunicação independentes como blogs, fanzines e sites que divulgam informações sobre as maracutaias e falcatruas de políticos dos mais variados partidos.
O ódio ao livre pensamento e a opinião isenta anda tão intenso que o desejo de controlar o que o cidadão pode ver e saber já é expresso de maneira indisfarçável e verdadeiramente explícita até pelas comissões da Câmara dos Deputados que deveriam garantir a liberdade de expressão e a pluralidade de pensamento.
Assim que tomou posse na Procuradoria da Câmara dos Deputados, o deputado Paulo Cajado (DEM/BA), deu entrevista dizendo que vai implantar um sistema de monitoramento da Internet que varrerá sites, o You Tube e blogs detectando notícias, artigos ou vídeos que desagradem aos parlamentares e promover a sua “retirada do ar” o mais rápido possível.
Se com a Constituição Federal impedindo tais ações eles as praticam com uma desenvoltura total; imagine você – caro leitor – se houver um dispositivo legal que lhes garanta o poder de censurar e controlar a informação ou quem pode divulgá-la.
Será a verdadeira festa dos canalhas.
Portanto, pensando nisso a sociedade civil começa a se movimentar e pretende combater a todo custo em defesa de nossa liberdade de expressão e do livre pensamento. Se houver excessos, que sejam combatidos no campo e com as armas adequadas – as do Judiciário. Como primeiro passo, o Movimento 31 de Julho está divulgando uma Carta Aberta ao presidente do PT – Rui Falcão – demonstrando que não aceitaremos pacificamente a ideia de um controle estatal sobre o que os meios de comunicação (oficiais ou independentes) podem publicar ou não.
Assine e divulgue o abaixo-assinado e mostre o quanto você deseja continuar falando o que pensa sem que ninguém tente te impedir de fazer isso. Segue o teor da carta aberta e um link para a assinatura.
Agora, faça a sua parte.
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Assine o protesto contra o controle do governo sobre os meios de comunicação e a adoção de uma nova forma de censura no link abaixo:.
Leia a carta:
Para:
Sr. Rui Falcão – Presidente do PT – Partido dos trabalhadores
Deputado Rui Falcão
Prezado Sr. Rui Falcão:
Nós, signatários desta carta, defendemos o direito de livre expressão e repudiamos toda tentativa de controle da imprensa e/ou de restrições à liberdade de expressão da sociedade civil, no que expressamos a nossa total discordância e oposição a qualquer iniciativa, que venha limitar, regulamentar ou restringir esse direito que a democracia brasileira duramente conquistou.
O Supremo Tribunal Federal, em 2009, retirou um “entulho autoritário” da Lei de Imprensa, remanescente ainda da época da censura do regime militar, restituindo à ordem jurídica e à sociedade brasileira os princípios democráticos da Constituição Federal de 1988, garantindo a livre circulação de notícias ou opiniões em qualquer meio de comunicação.
A presidente Dilma (PT), no discurso de posse garantiu que lutaria sempre pela total liberdade de imprensa e opinião.
Até mesmo o senador Renan Calheiros (PMDB), que motivou uma gigantesca mobilização das redes sociais contra a sua permanência no cargo, ao ser eleito presidente do Senado com o apoio do PT e do Governo, prometeu a defesa intransigente da liberdade de imprensa e de opinião.
Nós entendemos que estará na contramão da história quem intentar “Marcos Regulatórios” dos meios de comunicação – mídia impressa, falada, televisionada ou virtual pela Internet – visando a regulamentação de conteúdos jornalísticos, trazendo de volta a censura, o que é inadmissível posição autoritária. Portanto, não aceitamos o que se revela um retrocesso e uma afronta à plena democracia brasileira, e imposição inaceitável a corromper a liberdade de livre expressão dos cidadãos.
É essa liberdade de expressão que protege a sociedade contra o arbítrio e as soluções de força. E é por essa razão que repudiamos veementemente a tentativa em curso de restringir a liberdade de informação, em afronta ao disposto nos Artigos 1º (inciso V), 5º (incisos IV, VIII e IX) e 220 § 2º da Constituição Federal de 1988.
Rejeitamos com igual energia que qualquer segmento político intente transformar os veículos de comunicação em “imprensa chapa branca”.
A democracia, na sua oposição ao totalitarismo, se inspira nos princípios que determinam os valores do Estado como imutáveis e superiores a toda ideologia particular.
A partir de amanhã, a Folha Letras, página semanal dedicada à discussão de Literatura, abre espaço para quem entende do assunto nesta planície de Zé Cândido cortada pelo Paraíba de Lamego: a rapaziada esperta, como diria o poeta Cazuza, da Academia Campista de Letras (ACL). Se a Folha Letras é semanal, sendo publicada sempre às sextas-feiras, na contracapa da Folha Dois, uma vez por mês ela será preenchida pelo texto de um acadêmico. Como não poderia deixar de ser, o primeiro texto, trazendo um balanço da Academia desde a sua fundação, num distante 1939, até os dias atuais, será assinado por quem recentemente passou a presidi-la, prenhe de planos e sonhos, daqueles que se sonham juntos: o professor Hélio Coelho.
Afinal, como cantou outro vate da nossa música, mineiro com nome de poeta inglês, se “todo artista tem de ir aonde o povo está”, a Folha da Manhã se orgulha por ser o veículo para essa maior aproximação entre o leitor mortal e toda a imortalidade das suas letras resumidas em apenas três: ACL.