Intensivista do CCC sobre morto sem suspeita de Covid-19: “não transferimos porque não pudemos”

 

Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no dia de sua abertura, em 30 de março (Foto: Divulgação)

 

Vitor Carneiro, médico intensivista e cirurgião cardíaco, um dos idealizadores do CCC, onde atua na UTI (Foto: arquivo pessoal)

“O jovem chegou ao CCC (Centro de Controle e Combate ao Coronavírus) direto para o setor vermelho (reservado aos casos graves), transferido da UPA de Guarus na quinta (09). Após fazer tomografia, subiu e foi logo entubado (na UTI), pela gravidade do quadro apresentado. Na sexta (10), mesmo sem tempo para fazer o teste rápido (recomendado só após o 7º dia da manifestação dos sintomas), a suspeita de Covid-19 foi descartada. Mas não pôde ser transferido porque, apesar de todos os esforços, não foi possível estabilizá-lo. E assim seguiu até infelizmente vir a óbito na segunda (13)”.  Foi o que esclareceu na manhã de hoje (14) o médico intensivista e cirurgião cardíaco Vitor Carneiro, um dos idealizadores do CCC, onde atua no setor vermelho da UTI. O caso do jovem campista de 28 anos, morto ontem, foi noticiado no mesmo dia (confira aqui) pelo blog.

Vitor teve contato direto com o paciente a partir da manhã de sexta (10), assumindo o caso do colega plantonista da noite anterior. Ele deu detalhes do caso após a coordenação clínica do CCC ter se manifestado sobre o ocorrido por WhatsApp, junto ao blogueiro e ao promotor de Justiça Marcelo Lessa, durante o programa Folha no Ar (confira aqui) no início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3. O intensivista do CCC lamentou, sobretudo, pela família do jovem morto, cujo diagnóstico real da doença teve que ser mantido sob sigilo médico:

— A gente fica chateado porque montamos o CCC (que iniciou suas atividades aqui, em 30 de março) para preparar Campos e região ao pior da pandemia da Covid-19, que ainda virá, a partir do final deste mês (e, segundo o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta revelou ao Fantástico no último domingo, se manterá nos meses de maio e junho). E agora temos nosso trabalho questionado. Não transferimos o paciente porque não pudemos. Ele já chegou ao CCC em estado muito grave da UPA. E foi piorando, a despeito de todos nossos esforços, até vir a óbito. Mas ficamos ainda mais chateados pela família do jovem. Que não pode ter o velório normal do ente querido perdido, pelo protocolo de afastamento exigido por conta da pandemia — disse Vitor.

O médico intensivista do CCC também ressaltou que, como o blog já havia noticiado ontem, o material do rapaz morto foi colhido e enviado ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde para confirmação oficial dos casos de Covid-19. Apesar do caso ter sido descartado como suspeito da doença pela clínica, epidemiologia, laboratório e exame de imagem.

Vitor Carneiro será o convidado desta quinta (16) do Folha no Ar, sempre ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Que recebe amanhã (15) a secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini. O programa da rádio mais ouvida de Campos e região fecha sua semana na sexta (17) com o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo.

 

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Adeus a Moraes Moreira — Saudades do Galinho e de quem as cantou

 

Ídolos Zico e Moares Moreira

 

Não poderia fechar o dia sem lembrar que morreu hoje Moraes Moreira, aos 72 anos. Alheio ao pesadelo real da pandemia da Covid-19, morreu dormindo.

Da sua história como compositor e cantor, que tão bem soube unir a riqueza da raiz da música popular brasileira com os elementos eletrônicos da música pop internacional, dos Novos Baianos à carreira solo de brilho encerrada com sua morte, outros tantos já escreveram mais e melhor.

Sobre sua história com Campos e São João da Barra, escrita através da Folha da Manhã, em shows antológicos no verão de 1989, em Chapéu de Sol e Farol de São Thomé, e em 2005, no Teatro Trianon, Diva Abreu Barbosa já falou aqui, na boa matéria da Paula Vigneron.

Mas não podia encerrar o dia sem lembrar de outra face do gênio da música: a de flamenguista apaixonado. E antes disto, em fé que comungo, um ziquista juramentado.

Lembrando de Moraes, não dá para esquecer de quando Zico aposentou as chuteiras do Flamengo. No último dia 6 de fevereiro, fez (aqui) 30 anos.  Em que eu e 100 mil pessoas indagávamos em uníssono ao maior craque da história do Maracanã, das arquibancadas do estádio, os versos do músico ainda frescos dos seus shows em Chapéu de Sol e Farol: “Por que parou? Parou por quê? Por que parou? Parou por quê?”

Como Moraes Moreira, tenho saudades do Galinho. E, desde hoje, de quem tão bem as cantou:

 

 

“E agora como é que eu fico

nas tardes de domingo

Sem Zico no Maracanã?

Agora como é que eu me vingo

de toda derrota da vida?

Se a cada gol do Flamengo

Eu me sentia um vencedor

 

Como é que ficamos os meninos,

essa nova geração?

Arquibaldo, geraldinos,

como é que fica o povão?

Será que tem outro em Quintino?

Será que tem outro menino?

Vai renascer a paixão ou não?

 

Falou mais alto o destino

e o Galinho vai cantar

láiá laiá

vai cantar noutro terreiro

no coração brasileiro

uma esperança

quem sabe o fim dessa história

não seja o V da vitória

o V da volta, volta

 

Volta Galinho

que aqui tem mais

carinho e dengo

vai e volta em paz que o Flamengo

já sabe como esperar

você voltar”

 

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Promotor Marcelo Lessa fala da guerra contra a Covid-19 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Às 7h desta terça (14), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será o promotor de Justiça Marcelo Lessa. Titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva da comarca, ela falará ao vivo sobre equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais da Saúde Pública de Campos (confira aqui), da fiscalização ao comércio para coibir preços abusivos na venda de álcool 70 (confira aqui), do fechamento e autuação recentes dos supermercados Makro (confira aqui) e Hortifruti (confira aqui), além da dificuldade em impor o isolamento social (confira aqui) à população campista, na tentativa de conter a pandemia da Covid-19 no município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Sem suspeita de Covid-19, jovem campista de 28 anos morreu hoje no CCC

 

Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no dia de sua abertura, em 30 de março (Foto: Divulgação)

 

Além das duas novas suspeitas do novo coronavírus em Campos (confira aqui), uma delas em estado grave, o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) registrou hoje um novo óbito. Foi de um jovem de 28 anos, que teve a suspeita de Covid-19 descartada pela clínica, epidemiologia, laboratório e exame de imagem. Seu diagnóstico, no entanto, não pôde ser divulgado por sigilo médico.

Por questão de procedimento, o material do jovem morto hoje no CCC foi coletado e enviado ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde para confirmação oficial dos casos de Covid-19. O mesmo que até o presente momento ainda não confirmou a morte (confira aqui) do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, no último sábado e no mesmo CCC, por Covid-19.

Tudo leva a crer nas informações sobre rapaz morto hoje no CCC, passadas pela Vigilância em Saúde do município. Em cujo comando a médica infectologista Andreya Moreira tem se desdobrado nestes tempos de pandemia, fake news e medo. Mas até em defesa da seriedade desse trabalho, cabem perguntas lógicas, sem as quais não se pratica ciência, incluída a medicina:

1 – Se não tinha diagnóstico de coronavírus, por que o jovem foi internado no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus?

2 – Se um doente que não tem suspeita de Covid-19 é internado em um local montado para atender pacientes de Covid-19, ele não correrá o sério risco de se curar da doença original e ganhar de presente uma infecção de Covid-19?

Óbvia como as respostas é a ética pela qual o nome e o local de residência do jovem campista morto hoje no CCC serão resguardados.

 

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Campos tem mais 2 suspeitos de Covid-19, um em estado grave no CCC

 

Além dos 15 casos confirmados anteriormente, com um óbito (confira aqui), Campos tem mais dois novos suspeitos de Covid-19. São duas mulheres, uma de 44, outra de 69 anos, internadas no Centro de Controle e Combate ao Coronavíus (CCC) do município. A segunda, além de idosa, tem quadro de obesidade, hipertensão e se encontra em estado grave na UTI. Ela deu entrada ontem à noite na UPH São José, sendo transferida ao CCC. A segunda deu entrada lá hoje, apresenta quadro moderado e está internada em leito clínico. Com um caso descartado hoje, Campos contabiliza até agora 24 suspeitos do novo coronavírus, com 32 descartados.

 

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Técnica em enfermagem é o 5º caso confirmado de Covid-19 em São Fidélis

 

 

A Prefeitura de São Fidélis confirmou nesta tarde mais um caso de Covid-19 no município, totalizando cinco. Confirmado por teste rápido, o novo caso é uma técnica de enfermagem que trabalha em Macaé e está em isolamento residencial.

Os quatro casos confirmados anteriores (confira aqui) são de um idoso de 71 anos, que está internado desde o dia 7 no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, e três infectados da sua família. Eles também estão sendo acompanhados em isolamento residencial, como a técnica em enfermagem confirmada hoje.

 

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Irmãs do Jardim São Benedito pedem doações ao semelhante com fome de pão

 

Independente do péssimo uso que façam dele os falsos profetas, sobre os quais a própria Bíblia adverte, o cristianismo tem sua grande virtude na compaixão pelo semelhante em dificuldade. Em Campos, um dos exemplos mais admiráveis dessa empatia é dado há mais de 40 anos pelas freiras do Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, mais conhecido como Casa das Irmãs do Jardim São Benedito.

Diariamente as freiras distribuem no Mosteiro três refeições à população carente, demanda que aumentou durante a pandemia da Covid-19. E, desde março, elas tiveram que contar com o auxílio do poder público municipal na organização das filas formadas na rua Marechal Floriano, para manter o afastamento mínimo necessário entre as pessoas.

Contra a contaminação do novo coronavírus, a maior arma é a contaminação pela solidariedade humana. Em nome dela o blog publica abaixo o pedido de auxílio das freiras, que pedem doações da comunidade para continuar dando de comer a quem tem fome de pão:

 

Distribuição diária de comida pela freiras do Mosteiro do Jardim São Benedito, com filas organizadas pelo poder público municipal (Foto: Supcom)

 

“O generoso prosperará;

quem dá alívio aos outros,

alívio receberá.”

Provérbios 11:25

 

 

💒Campanha para arrecadação de mantimentos e materiais de higiene para ajudar o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria (Casa das Irmãs do Jardim São Benedito), situado na Rua Marechal Floriano, n° 275 – Centro, Campos dos Goytacazes – RJ, 28010-161.

Horário: 8:00 às 18:00h.

 

🕯️Praticamente é o único lugar que está distribuindo comida a população carente e moradores de rua.

Estão precisando muito de:

– Feijão;

– Café;

– Carne moída ( qualquer tipo);

– Frango;

– Biscoitos (qualquer tipo);

– Suco concentrado;

– Garrafinhas de água mineral;

– Pães (o consumo mínimo é de 120 pães no café da manhã);

– Sabonete;

– Escova de dente;

– Pasta de dente;

– E, o que mais você puder ajudar.🍲

 

Além da ajuda com mantimentos e materiais de higiene as irmãs estão precisando muito de gás de cozinha, como é mais difícil a doação segue as contas bancárias:

*Bradesco:

Agência: 0065-5

Conta: 103297-6

Dalva Costa Ferraz – Madre Superiora

CPF: 524.896.127-00

 

*Banco Itaú:

Agência:0463

Conta: 15281-9

Dalva Costa Ferraz – Madre Superiora

CPF: 524.896.127-00

 

Caso você não possa fazer sua doação diretamente no Mosteiro, nos disponibilizamos buscar sua doação de mantimentos, segue os contatos:

(22)99863-4532 – Marcelle

(22)99955-7739 – Dowglas

(22)99901-6003 – Dani

(22)99915-1617 – Álvaro

 

🙏🏽Contamos sempre com as orações e sua generosidade! ❤

 

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Covid-19 — Por abrir aos domingos, Hortifruti da Formosa é fechado e autuado

 

Por abrir aos domingos, após ser advertido anteriormente pela Postura, Hortifruti da Formosa foi fechado na tarde de hoje (Foto: Divulgação)

 

Advertido duas vezes pela superintendência municipal de Postura para não funcionar aos domingos, visando manter o isolamento social no combate à expansão do novo coronavírus, o Hortifruti da Formosa foi fechado no início da tarde deste domingo (12). E depois autuado na 134ª DP. A decisão da interdição do estabelecimento foi do grupo de Segurança do gabinete municipal de crise criado para combater a pandemia da Covid 19. É integrado pela Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público na esfera estadual. E, na municipal, pela secretaria de Segurança, Guarda Civil e Postura.

Titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva, Marcelo Lessa foi até o local para dar voz de prisão ao gerente do estabelecimento, por crime contra a Saúde Pública. Segundo o promotor de Justiça, por também funcionar como supermercado, o Hortifruti não poderia abrir aos domingos. Isso estaria previsto nos artigos 3º e 4º do decreto municipal que estipulou regras para a abertura do comércio em áreas consideradas essenciais.

Pra fugir do flagrante, o gerente do Hortifruti teria se evadido do local pela saída dos fundos. Ainda assim, um boletim de ocorrência foi lavrado na 134ª DP, por infração de medida sanitária preventiva e crime de desobediência — respectivamente estabelecidos nos artigos 268 e 330 do Código Penal. Novo superintendente municipal de Postura, Márcio Aquino foi contactado por WhatsApp para esclarecer até quando o Hortifruti permanecerá fechado. Mas disse que ainda não tinha essa informação, se comprometendo a passá-la depois.

No final da manhã de sábado (11), por gerar aglomeração de pessoas, o supermercado Makro, às margens da BR 101, na saída da cidade, foi alvo (confira aqui) do mesmo tipo de ação. Poucas horas depois, na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, foi (confira aqui) o primeiro morto de Campos pela Covid-19. Hoje, a PM e o Ministério Público também tiveram que agir para interromper e dispersar um jogo de futebol no campo do Eldorado.

No início da tarde de segunda (13), o Hortifruti gerou nota alegando que seu alvará permite o funcionamento aos domingos. E que, neste último, dia de sua interção e autuação, adotou medidas de segurança por conta da pandemia da Covid-19. Confira abaixo:

— O Hortifruti esclarece que a atividade base indicada no alvará de localização e funcionamento de sua unidade em Campo dos Goytacazes, expedido pela Prefeitura, é de hortifrutigranjeiro, realizando a comercialização de FLV (frutas, legumes e verduras) e, de forma complementar, de produtos de açougue, peixaria e padaria, todos setores que encontram-se autorizados a funcionar aos domingos pelo decreto municipal. No dia 12 de abril de 2020, domingo, a loja adotou a prática de fechar com tapumes algumas gôndolas onde acomoda itens de mercearia de conveniência, outra categoria comercializada pelo Hortifruti. Diante do cenário de disseminação da Covid-19 no Brasil, a empresa adotou medidas de segurança para clientes e colaboradores em todas as suas 60 unidades nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, como intensificação das medidas de higienização dos espaços, placas de acrílico em frente aos caixas, marcas de distância para eventuais filas, além de disponibilizar álcool gel e recomendar o uso do serviço de delivery. A rede aproveita para citar, também, que as atividades de suas lanchonetes em todas as suas lojas estão suspensas neste período.

 

Viaturas da PM e da Guarda Civil hoje em frente ao Hortifruti (Foto: Divulgação)

 

 

Atualizado às 13h37 de 13/04, com a apuração do jornalista Ícaro Barbosa, para colocar a nota do Hortifruti.

 

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Simec: “circulação sistêmica do coronavírus no NF, com transmissão comunitária, é evidente”

 

Ontem, este Opiniões noticiou aqui a vistoria do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) na Saúde Pública de Campos, feita a partir de denúncias dos seus profissionais sobre falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) para enfrentar a pandemia da Covid-19. Ato contínuo, foi gerada demanda ao Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) sobre a questão. Foi antes do blog divulgar aqui a primeira morte do novo coronovarírus em Campos: o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos. E de também noticiar aqui que, dos 15 casos confirmados da doença no município, seis são profissionais de saúde.

Ontem à noite, o Cremerj terminou sua vistoria nas seis principais unidades da Saúde Pública do município. E constatou, antes de enviar seu relatório ao Ministério Público de Campos, à secretaria municipal de Saúde e à sede do Cremerj no Rio:

1 – Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos: avental com gramatura (espessura de proteção) incorreta e máscara cirúrgica incorreta;

2 – Hospital Ferreira Machado (HFM): máscara cirúrgica incorreta;

3 – Hospital Geral de Guarus: máscara cirúrgica incorreta;

4 – UPH São José: máscara cirúrgica incorreta, ausência de avental para triagem e de respirador disponível para atender paciente grave de Covid-19;

5 – UPH Guarus: máscara cirúrgica incorreta, ausência de máscara nº 95, de treinamento, fluxograma e preparo da unidade;

6 – UPH Travessão: máscara cirúrgica incorreta, ausência de médicos, de treinamento, fluxograma e preparo da unidade.

Hoje à tarde, o Simec enviou ao blog sua posição sobre a questão, falando não só da questão dos EPIs e do fluxograma, como também da morte de Hudisson dos Santos, ontem, na UTI do CCC. E concluiu: “A circulação sistêmica do vírus, com contaminação comunitária, nos municípios da região Norte Fluminense, é evidente”.

Confira abaixo:

 

 

O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) vem recebendo desde a última quinta-feira (09/04), queixas por falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para uso por profissionais da saúde.

Entendemos a atual dificuldade do município para adquirir os insumos, principalmente os EPIs, em razão da pandemia. Entretanto, considerando a importância dos materiais necessários à prestação de assistência à saúde, acreditamos ser necessário que a gestão pública municipal desenvolva alternativas, envolvendo os outros dois níveis de governo (estadual e federal), que visem suprir as deficiências encontradas nas unidades de saúde comprometidas com o atendimento aos casos confirmados e suspeitos de infecção por coronavírus (Covid-19).

Faz-se necessário ainda, a intensificação de treinamentos, bem como a gestão de um fluxograma analisador para a organização da assistência à saúde, para fins de ampliar a segurança de todos os envolvidos, profissionais e pacientes.

Reiteramos o nosso compromisso de continuar monitorando a estrutura necessária para a total proteção dos profissionais em ação na linha de frente contra a pandemia.

O Simec também presta solidariedade aos familiares e amigos da primeira vítima da pandemia do coronavírus (Covid-19), em Campos. O homem de 39 anos, internado no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, veio a óbito na tarde deste sábado (11).

A circulação sistêmica do vírus, com contaminação comunitária, nos municípios da região Norte Fluminense, é evidente. O momento é de conscientização coletiva e união de todos no combate à pandemia.

 

Atenciosamente,

 

José Roberto Crespo de Souza, presidente

 

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Covid-19 — Domingo da Ressurreição, o dia seguinte ao que Hudisson morreu

 

Hudisson e o caminhão que dirigia para sustentar sua família (Foto: Arquivo Pessoal)

 

 

Hudisson Pinto dos Santos, morto pela Covid-19 aos 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos

“Gutengerb há muito tempo/ Usou a inteligência/ E aí neste momento/ Ele inventou a imprensa/ Extra, extra, extra, guarde essa para você/ A comunidade confia no jornal que lê”. Esta era a letra de um jingle de sucesso da Folha da Manhã no início dos anos 1980. Um pouco antes, em 1978, o jornal seria o primeiro do interior do Estado do Rio em impressão offset, com parque gráfico próprio. Nestes últimos 44 anos, muita coisa mudou, sobretudo na tecnologia da informação. Mas não o fato de que o jornalismo só tem a confiança da comunidade quando atento à imprevisibilidade da vida humana. Como a do caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, morador da Penha, casado e pai de dois filhos pequenos. Que ontem, no Sábado de Aleluia, se tornou (confira aqui) a primeira vítima fatal da Covid-19 em Campos.

Na quinta-feira (09), o blog Opiniões, hospedado no Folha1, foi o primeiro a noticiar (confira aqui) a gravidade do quadro de caminhoneiro de Campos. Assim como sua internação na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC). Mas o drama de Hudisson começou antes. Da sua lida pelas estradas, ele chegou a Campos, vindo de São Paulo, na quarta-feira (1º) da semana anterior. No sábado (04) buscou a UPH São José, na Baixada Campista. No mesmo dia, fez uma tomografia no Hospital Geral de Guarus (HGG), de onde foi transferido à UTI do CCC. Na segunda (06) fez o teste rápido, que deu positivo para Covid-19, e foi entubado. Mas não resistiu e acabou falecendo na tarde de ontem.

A única “comorbidade” de Hudisson é que ele era obeso. Embora suas fotos evidenciem que não passava de um simples excesso de peso, bem abaixo de muitos outros. À exceção desses poucos quilos a mais, não era idoso, não era diabético, não tinha doença cardiorrespiratória ou renal, não era hipertenso, não fumava e não bebia. O que evidencia a roleta russa que vai definir quem viverá ou morrerá até acabar essa pandemia do novo coronavírus.

 

Robert DeNiro em cena icõnica de roleta russa no filme “O Franco-Atirador” (1978), clássico do cinema de Michael Cimino

 

Outro dado reforça a incerteza. E se baseia na certeza das subnotificações da doença em Campos e no Brasil. Hudisson, talvez não por acaso, morreu de Covid-19 antes mesmo de ter seu diagnóstico de Covid-19 confirmado oficialmente. Até seu último suspiro através de um respirador mecânico, não havia chegado a sua contraprova pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde.

Ontem, no dia em que Hudisson morreu, Campos confirmou outro caso de Covid-19. Até a noite do sábado, era o 15º do município: uma enfermeira de 38 anos, que atua profissionalmente em Rio das Ostras. Com ela, outro dado preocupante: seis dois 15 casos confirmados na planície goitacá são (confira aqui) de profissionais da saúde, três enfermeiros e três médicas.

Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde de Campos

Chefe da Vigilância em Saúde de Campos, a médica infectologista Andreya Moreira argumentou que cinco desses profissionais trabalhavam fora do município. Enquanto uma delas foi contactante do marido que voltou de viagem infectado de Nova York. Ao que poderia ser lembrado que duas outras profissionais de saúde também confirmadas para Covid-19, uma residente em São João da Barra, outra em Itaperuna, foram contabilizadas nas estatísticas daqueles municípios, embora trabalhassem em Campos.

Ontem, no dia em que Hudisson morreu, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) fez uma fiscalização (confira aqui) na rede pública de Campos. O motivo foram denúncias de profissionais da saúde sobre a distribuição de máscaras de proteção em cujas embalagens se lia claramente: “Não uso médico”. Secretária municipal de Saúde, Cíntia Ferrini admitiu que as máscaras denunciadas são inadequadas. Mas alegou que não faltam no estoque as máscaras nº 95, mais caras que as máscaras cirúrgicas necessárias e em falta.

 

Distribuição de máscaras inapropriadas para uso médico foi denunciada por profissionais da Saúde Pública de Campos e pelo vereador Álvaro Oliveira

 

No início da noite de ontem, dia em que Hudisson morreu, o Cremerj constatou em sua fiscalização que há problemas com os equipamentos de proteção individual (EPIs) no CCC, no Hospital Ferreira Machado (HFM) e no HGG, bem como nas UPHs de Guarus, Travessão e São José. No primeiro deles, Hudisson morreu no sábado, após ter buscado o último no sábado anterior. E, mesmo com os EPIs completos, os profissionais de saúde da China e da Itália, primeiros epicentros da Covid-19 no mundo, tiveram taxa de infecção de até 40%.

 

 

Cintia Ferrini, secretária de Saúde de Campos

A secretária de Saúde de Campos admitiu que a o problema dos EPIs existe e é mundial. Sobretudo depois que os EUA se tornaram o maior epicentro global da Covid-19.  E passaram a usar seu poder econômico hegemônico para comprar todos os EPIs disponíveis no mercado internacional. Além dos respiradores mecânicos, fundamentais à sobrevivência dos casos mais graves da doença. Mesmo que não tenham bastado para salvar a vida de Hudisson.

Ontem, no dia em que Hudisson morreu, a secretária Cintia Ferrini lembrou que a falta de EPIs tende a se agravar quando a doença atingir seu pico no Brasil. O que é esperado para o final deste mês, com projeção de queda, na melhor das hipóteses, apenas para junho. E que, quanto mais a população insistir em sair para as ruas, mais essa queda demorará a acontecer.

E o campista dá provas de querer dançar à beira do abismo. Talvez a exemplo do presidente da República que, no dia anterior (10), saiu às ruas de Brasília (confira aqui) e gerou aglomerações para dizer: “Ninguém vai mandar no meu direito de ir e vir”. Do Planalto Central à planície goitacá, que deu a Jair Bolsonaro 64,87% dos seus votos válidos no 2º turno presidencial de 2018, a unidade da rede atacadista Makro foi fechada e autuada (confira aqui) por volta das 11h da manhã de ontem, dia em que Hudisson morreu. A causa foi a aglomeração de gente no supermercado, desde às 9h.

 

Aglomeração de campistas fez o supermercado Makho ser fechado e autuado na manhã de ontem (Foto: Maria Laura Gomes – Folha da Manhã)

 

A despeito do preço das mercadorias da Makro, o campista parece se inspirar mais em Bolsonaro, do que no seu ministro da Saúde, que quis, mas não pode demitir. Na sexta (10), enquanto Hudisson agonizava em um leito de UTI do CCC de Campos, para morrer no dia seguinte, Luiz Henrique Mandetta advertiu: “Vamos pagar esse preço ali na frente. Esse vírus adora aglomeração, adora contato, adora que as pessoas achem que ele é inofensivo. E, aí, as cidades podem pegar a transmissão sustentada”.

 

Trabalhadores carregam corpos de vítimas da Covid-19 na cidade de Bérgamo, na Itália (Foto:
Trabalhadores carregam corpos de vítimas da Covid-19 na cidade de Bérgamo, na região italiana da Lombardia, que ignorou a necessidade de isolamento social (Foto: Fotogramma / EFE-EPA)

 

Ontem, no dia em que Hudisson morreu, seus amigos relataram que ele era uma pessoa quieta e reservada, cuja vida era dedicada à família e ao trabalho. Ele atuou cerca de 4 anos como taxista em Campos, até conseguir o emprego como caminhoneiro em uma transportadora de Vitória (ES). Fez a opção para ter carteira de trabalho assinada e benefícios, buscando dar mais segurança à sua família.

Ontem, no dia em que Hudisson morreu, Ivaneide, sua viúva, disse à Folha da Manhã que eles eram evangélicos e frequentavam a Igreja Batista do Parque Bela Vista. Em isolamento obrigatório, não soube passar informações do velório e do enterro do marido, que estavam sendo organizados pela família. Muito abalada, ela só conseguiu afirmar com a voz embargada, em meio ao choro: “Ele era um homem muito bom!”.

 

“Ressurreição de Cristo” (1617/1619), óleo sobre tela do mestre barroco Peter Paul Rubens, Museu de Belas Artes de Marselha, França

 

Quantos mais homens e mulheres boas de Campos perderão a vida, agonizando em asfixia lenta pela Covid-19, sem sequer poder se despedir de parentes e amigos, é coisa do amanhã. Mas resultado das suas ações hoje, Domingo da Ressurreição. O dia seguinte ao que Hudisson morreu.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Médico psiquiatra Flávio Mussa Tavares no Folha no Ar desta segunda

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda-feira (13), o convidado do Folha no Ar é o médico psiquiatra Flávio Mussa Tavares. Ele falará ao vivo na Folha FM 98,3 da pademia da Covid-19 em Campos, no Brasil e no mundo, do estresse do isolamento social e dos riscos e receios entre os profissionais de saúde, na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Advogado Cleber Tinoco volta à blogosfera goitacá no Folha1

 

No tempo da blogosfera goitacá, o blog “Campos em Debate”, do advogado Cleber Tinoco, era um dos destaques. Sobretudo pela capacidade de levar substância a um debate virtual que muitos de seus pares locais alimentavam com fofoca e maledicência — características tipicamente campistas que anteciparam em alguns anos o fenômeno mundial das fake news nas redes sociais. Destaque também nestas, pela mesma união responsável entre crítica e proposição, Cleber volta à blogosfera nesta segunda (13). Agora no outdoor mais amplo do Folha1. Quem quiser conferir o resultado, pode fazê-lo aqui. E ler abaixo sua carta de intenções nessa nova jornada:

 

 

— Sou advogado da Uenf, tenho 42 anos, casado e pai de uma menina e de um menino. Aceitei o convite do Aluysio Abreu Barbosa para escrever em um blog hospedado na Folha da Manhã. O meu assunto predileto, claro, é o Direito, mas tenho interesse por outros temas, que estudo superficialmente, como filosofia, política, economia, sociologia, neurociência e os relacionados à saúde. Procuro  acompanhar as notícias e gosto de compartilhar as mais relevantes. Pretendo levar ao leitor reflexão e informação. Por fim, lembro que as sugestões de pauta também são bem vindas — disse Cleber.

 

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