Campanha da CDL com aumento dos casos de Covid e sem Hospital de Campanha

 

Debate entre a campanha da CDL pela flexibilização do fechamento do comércio e o adiamento sem data do Hospital de Campanha envolveu o procurador José Paes Neto e o líder lojista Marcelo Mérida, entre as cobranças ao governos Wilson Witzel e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Rio de Janeiro (FCDL-RJ), Marcelo Mérida foi criticado ao final do Folha no Ar da manhã de ontem (27) pelo procurador-geral do município, José Paes Neto. Que destacou no programa da Folha FM 98,3  o fato do líder lojista ter aderido à campanha da CDL-Campos “Prefeito, apoiamos o combate ao coronavírus, mas não mate o comércio!!!”, pela flexibilização do fechamento do comércio na cidade (confira aqui) para combater a pandemia da Covid-19, sem que o setor produtivo local faça a mesma cobrança ao governador Wilson Witzel (PSC). Que ainda não entregou o Hospital de Campanha de Campos, cujo prazo inicial de 30 de abril já foi  adiado duas vezes e ainda não tem data definida (confira aqui) para entrar em funcionamento. A despeito do PSC do governador ser presidido no município por Mérida, pré-candidato do partido a prefeito de Campos:

— Ainda nessa ponderação de preservação das vidas e preservação das atividades comerciais, a gente precisa manter o foco na preservação das vidas. Compreendo a angústia dos comerciantes, compreendo a angústia das instituições de classe, que estão sofrendo uma pressão muito grande. Mas acho até que essa campanha da CDL poderia ser mudada para “governador, não deixe o comércio morrer”. Porque o prefeito vem fazendo a sua parte, vem ampliando a capacidade do município (confira aqui) de fazer os atendimentos. Agora, as instituições de classe precisam também cobrar ao governador. Alguns representantes dessas instituições são, inclusive, muito próximos ao governador. Marcelo Mérida é presidente do partido do governador, conta com o apoio do governador nessa pré-candidatura (a prefeito). Acho que tem que cobrar ao prefeito (Rafael Diniz), mas que se faça campanha para cobrar também ao Governo do Estado (…) A gente sabe que essas medidas que estão sendo tomadas (pelo governo municipal) não são as mais agradáveis, mas são as mais necessárias. Mas da mesma maneira que se chama o governador aqui (em Campos) para almoços, para eventos, para inaugurações, no momento que tem que se cobrar, que tem coisas aparentemente equivocadas acontecendo, é preciso se cobrar de todos os atores, não só do poder público municipal — observou o procurador.

Com contato tentando desde ontem, logo após o Folha no Ar com José Paes, Marcelo Mérida retornou após a cobrança por sua posição ser reforçada publicamente no Folha no Ar da manhã de hoje, com o deputado estadual Bruno Dauaire, correligionário do líder lojista no PSC do governador. Mérida admitiu estar apoiando e participando da campanha da CDL-Campos. E disse não ver contradição em cobrar ao prefeito e ser presidente municipal do partido de Witzel:

— Antes de ser político, sou empresário. Foi por conta da condição de líder lojista que entrei na vida pública. A reabertura do comércio de Campos não é um pleito individual, mas coletivo. O principal é salvar vidas, mas não podemos deixar o comércio morrer. Nunca preguei desobediência civil aos decretos municipais, mas o diálogo. O Hospital de Campanha é essencial, não só para Campos, mas para toda a região. É preciso colocá-lo em funcionamento o mais rápido possível. O seu adiamento gera insegurança para as autoridades de saúde, para a população e também ao setor produtivo. Mas a atmosfera administrativa do Governo do Estado não está ao alcance da sigla partidária. Em Campos, as instituições do setor produtivo vêm pedindo diálogo. O comércio, a indústria e seus trabalhadores estão na insegurança. A gente vê isso no município e no Estado do Rio. Inciativas como a ampliação de leitos no CCC (Centro de Controle e Combate ao Coronavírus de Campos) precisam se ampliar. A CDL foi feliz ao dizer que é favorável ao combate à Covid-19, mas que não pode deixar o comércio morrer — pregou Mérida.

Lançada na mesma terça em que Campos bateu recorde de casos da pandemia — com 71 novos doentes registrados (confira aqui) nas 24 horas anteriores, superado no dia seguinte (confira aqui) com mais 79 novas confirmações de Covid —, a campanha da CDL-Campos pela flexibilização do comércio gerou questionamento e apoio nas redes sociais. Na postagem do link da matéria na página do Folha1 no Facebook (confira aqui), vários leitores comentaram:

—  Dizemos sim ao isolamento social, dizemos sim à depressão, ao desemprego, à violência por conta do desemprego, e por aí vai… todas as pessoas desorientadas por conta desse difícil momento em que vivemos. Por isso não podemos fazer críticas — argumentou Adriana Chagas.

— Só leio lorotas e mais lorotas! Esqueçam a recuperação do comércio, aproveitem as liquidações que vão acontecer, pois logo após vão fechar as portas — disse Henrique Pereira.

— Será que vão aceitar crediário? Quero ver receber dos falecidos da Covid… — indagou Fábio da Silva.

— Isolamento é o que temos. Se o comércio abrir não vai ter quem vá comprar enquanto não acalmar essa quantidade de infectados. CDL não entendeu isso???? — interrogou Ana Cancio.

— Que o comércio abra e só vá à rua quem precisar comprar. Caso contrário, em muito pouco tempo, a crise financeira vai trazer inúmeros prejuízos, inclusive à saúde de todos — analisou Daniel Aguiar.

— Tem que abrir sim, pois se ficar mais tempo com as portas fechadas não morrerão do vírus e sim de fome — alertou Eunice Porto.

— Só estão pensando no dinheiro — opinou Janete Mendes.

— Abre que vocês vão ver se tem quem compra ou não. O povo já está nas ruas sem comércio. Imagina com o comércio aberto — projetou Edvaldo Moreira.

— Sem contar que corre o risco da força de trabalho adoecer — advertiu Reginaldo Genecy.

— Quem quiser trabalhar, que trabalhe. Quem não quiser, que fique em casa. Simples assim! — simplificou Glayson Almeida.

— É só quem está em casa com bucho cheio e contas pagas, dinheiro certo por mês e sem precisar ir à rua, ficar em casa. Simples. Mas não critique quem realmente precisa para sobreviver. Entendam uma coisa nem todo mundo é igual. Há pessoas que vendem almoço para comer na janta, um leão por dia. É só continuar em casa que não irá se contaminar — tentou separar Leandro Pessanha.

— Os dias do comércio, como o do Centro, estão com os dias contados. E não é só por conta da Covid — analisou Giselya Morais.

— Os caras acham que estão sustentando a humanidade. Tenho pena. Se vocês saírem do mercado, outros substituirão. O capitalismo é assim. Vocês mais do que ninguém deveriam entender isso. Quantas empresas quebram e outras substituem? Sempre foi assim e sempre será. Pessoas perdem o emprego o tempo todo, isso faz parte da vida. Quem está preocupado com a própria vida, não está nem aí para lenga-lenga — analisou Rose Menezes.

— Salvar vidas é essencial! — priorizou Rosangela Jesus.

— Hora ótima para abrir! Curva ascendente 50 novos casos/dia uma cidade com poucos leitos e transporte urbano de última. É isso: extermínio geral! — resumiu Felipe Tilio.

— Se precisar de alguma UTI deixa pro pessoal que tá respeitando o isolamento — propôs Ricardo Curty.

— É muito difícil entender que quem está estrangulando a economia é o vírus, não a Prefeitura? Se abrir tudo amanhã, vai aumentar o contágio e o movimento não vai voltar ao normal de qualquer maneira — explicou aqui Leandro Rabello Monteiro, professor de biologia evolutiva da Uenf. Que, na sua condição de especialista, tinha sido entrevistado no Folha no Ar (confira aqui) de 13 de maio.

 

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Líder do partido de Witzel na Alerj, Bruno Dauaire nesta quinta no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta quinta (28), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC). Líder do partido do governador Wilson Witzel na Assembleia Legislativa, ele analisará a operação federal Placebo deflagrada (confira aqui) na terça (26) sobre a gestão estadual. E das suas possíveis consequências no Hospital de Campanha de Campos, que já teve o prazo de entrega adiado duas vezes e ainda (confira aqui) não tem data definida para entrar em funcionamento. Também falará sobre a pandemia da Covid-19 na perspectiva do ano eleitoral de São João da Barra e Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Covid-19 — CDL lança campanha pela flexibilização do fechamento do comércio

 

Campanha da CDL começou ontem com a colagem de cartazes às portas fechadas do comércio: “Prefeito, apoiamos o combate ao coronavírus, mas não mate o comércio!!!” (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Prefeito, apoiamos o combate ao coronavírus, mas não mate o comércio!!!”. Assim, com o apoio em azul e a ressalva em vermelho, pontuada com três exclamações, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos começou uma campanha, colando cartazes nas portas do comércio de setores não essenciais da cidade, fechado para combater a pandemia da Covid-19. Iniciada ontem (26), a campanha foi às ruas no mesmo dia que o município registrou (confira aqui) 71 novos casos da doença nas 24 horas anteriores. Foi o maior número da doença desde que seu primeiro caso em Campos foi confirmado (confira aqui), em 23 de março. Em outra coincidência de datas, foi o mesmo dia em que o comércio foi fechado (confira aqui) por decreto municipal, para tentar evitar o colapso do sistema de saúde.

José Francisco Rodrigues

— O pequeno comerciante não tem como ficar 60 dias fechado. Há muitos que talvez não consigam abrir nunca mais. O comércio da área central obedece ao fechamento. E sofre fiscalização rigorosa se não fizer. Mas basta ir à periferia para constatar que o mesmo não acontece. Concordamos que a prioridade tem que ser salvar vidas. Mas queremos discutir alternativas com o governo municipal. A farmácia, a padaria e o supermercado não funcionam dentro de regras, como dias e horários específicos, afastamento entre as pessoas, fornecimento de álcool gel e exigência do uso de máscaras? Por que não estabelecer as mesmas regras para o resto do comércio? Queremos poder dar essas sugestões ao prefeito. Nosso movimento não é político, é pela sobrevivência do setor — disse José Francisco Rodrigues, presidente da CDL-Campos. Ele tenta coordenar o movimento pela flexibilização do funcionamento do comércio com outras entidades representativas do setor produtivo no município, como Acic, Sindivarejo, Firjan e Carjopa.

Rafael Diniz

— A Prefeitura de Campos vem mantendo a porta sempre aberta ao diálogo com todas as instituições, sobretudo do setor produtivo, desde que a pandemia começou. Mantemos contato constantemente e já nos reunimos diversas vezes com os representantes da CDL, da Acic, do Sindivarejo, da Firjan e da Carjopa. O que não houve ainda foi uma reunião com a CDL desde que seu novo presidente assumiu (no dia 8, confira aqui). Mas é importante e certamente vamos marcar. Entendemos a questão econômica, que o comércio está sofrendo com as restrições do isolamento social, mas só estamos seguindo as recomendações das autoridades médicas e sanitárias — disse o prefeito Rafael Diniz (Cidadania).

 

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José Paes fala de Covid-19 na Justiça e na pele no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7 da manhã desta quarta (27), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o procurador-geral do município, José Paes Neto. Ele falará sobre a operação Placebo, deflagrada hoje (confira aqui) pela Polícia Federal contra o governo estadual Wilson Witzel (PSC). E de como isso poderá afetar o Hospital de Campanha de Campos, prometido inicialmente para 30 de maio, adiado duas vezes e ainda (confira aqui) sem data definida para entrega.

José Paes falará também sobre a decisão judicial da 4ª Vara Cível de Campos, que no dia 18 (confira aqui) deu prazo de 10 dias ao município para ampliar sua capacidade para 457 leitos clínicos e 129 leitos de UTI específicos à Covid-19. E dará seu testemunho pessoal na condição de quem foi infectado (confira aqui) e recuperado (confira aqui) da doença.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Recuperados da Covid-19, secretários de Rafael voltam ao trabalho

 

José Paes (de blusa vermelha) e Thiago Belloti (de camisa azul) voltaram hoje ao trabalho com o prefeito Rafael Diniz (Foto: Supcom)

 

Após cumprirem quarentena por conta de infecção por Covid-19, hoje (25) o procurador-geral do município, José Paes Neto, e o superintendente de Comunicação, Thiago Bellotti, voltaram hoje (25) ao trabalho. Coincidentemente, os dois participaram à tarde de uma reunião do gabinete de crise da pandemia no novo coronavírus.

Como noticiado aqui, Bellotti começou a manifestar os primeiros sintomas da doença no dia 7, enquanto José Paes, no dia 10. O caso do segundo foi mais grave, mas nenhum dos dois chegou a ser hospitalizado. Ainda assim, ambos tiveram que cumprir isolamento social em suas residências.

 

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Graziela Escocard e Rafaela Machado levam Museu e Arquivo ao Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (26), o programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, terá duas convidadas: as historiadoras Graziela Escocard e Rafaela Machado, diretoras respectivamente do Museu Histórico de Campos e do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho. Elas falarão sobre a suspensão dos RPAs das duas instituições por conta da pandemia da Covid-19, da forte reação da sociedade em defesa do Museu e do Arquivo, além da curta passagem da atriz Regina Duarte na secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Missa de 7º dia de Gil Vianna ao vivo às 19h desta segunda, no YouTube

 

Nesta segunda (25), a partir das 19h, a Comunidade Aliança Eterna, ligada à Igreja Católica, celebra a missa virtual de sétimo dia do deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Gil Vianna. Ele faleceu aos 54 anos de Covid-19 (confira aqui), na noite da última terça (19), na UTI do Hospital da Unimed em Campos. Sua viúva Andrea e seus filhos Bruno, Gabriel e Laura convidam todos a participar e se unirem a eles em oração. Em tempos de isolamento social, para evitar a propagação da doença que matou Gil, a celebração da sua missa poderá ser acompanhada ao vivo no YouTube, pelo link https://bit.ly/missa-gilvianna.

 

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Quando a bandeira nacional é símbolo de autoritarismo, todos os dias são de Cinzas

 

Como a conceituada revista inglesa The Economist retratou o Brasil durante a pandemia de Covid em 9 de abril deste ano: “Jair Bolsonaro isola a si mesmo de maneira errada” (Reprodução)

 

 

Matheus Berriel, jornalista

Quantos anos serão comidos?

Por Matheus Berriel

 

No primeiro Carnaval pós-Ditadura Militar no Brasil, em 1986, ano de eleições gerais para a Assembleia Nacional Constituinte, o Império Serrano apresentou na Avenida Marquês de Sapucaí o enredo “Eu quero”, com samba assinado pelo campista Aluísio Machado em parceria com Jorge Nóbrega e Luís Carlos do Cavaco, que levaram a escola de samba ao terceiro lugar do Grupo 1A, o principal da época, equivalente ao Grupo Especial nos dias atuais. Idealizando o encontro com um gênio em sua fonte e a travessia da ponte de uma doce ilusão, a letra do samba listava anseios de um povo que somente três anos depois viria a escolher nas urnas seu presidente. E citava entre os desejos imperianos o de que, em caso de dor, o doutor fosse doutor e não passasse de bedel.

Um dos frutos da Constituinte eleita em 1986 seria, dois anos depois, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que, apesar dos pesares, tem como princípio fundamental a universalização do atendimento. E possui como um de seus braços a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência nacional e com reconhecimento internacional nas áreas de ciência e tecnologia em saúde.

Passaram-se 34 anos desde que o Império Serrano fez-se porta-voz do povo para pedir, “a bem da verdade, a felicidade em sua extensão”, numa relação de sonhos que incluía uma juventude sã, com ar puro ao redor; o povo bem nutrido e o país desenvolvido, tendo paz, moradia, melhoria de renda e educação de qualidade. Foi no mesmo Carnaval em que Caymmi mostrou ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm, recorte da pluralidade cultural brasileira que valeu à Verde e Rosa seu 15º título.

Surpreenda-se agora o leitor com o fato de não ser este um artigo carnavalesco. As informações até aqui expostas servem como pano de fundo para abordar um cenário que, guardadas as proporções e consideradas as instituições, se redesenha sem ter nada de sonho intenso, raio vívido, amor e esperança. Isto em meio à pandemia de uma doença que, embora publicamente tratada como “gripezinha” por quem deveria representar toda a nação, e não apenas parte dela, já matou 340.875 pessoas no mundo, sendo mais de 22 mil filhas deste solo de mãe atualmente nada gentil.

Enquanto faltam leitos nos hospitais e túmulos nos cemitérios, não é doutor quem deveria ser. Os que são e tentaram atuar como tal à frente do ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, foram limados por não avalizarem um protocolo irresponsável, cuja medicação em pauta, a cloroquina, pode tanto salvar quanto matar pacientes da Covid-19.

Ao sonho imperiano da juventude sã, a resposta vem do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que sugere “passar a boiada” e mudar regras relacionadas à proteção ambiental enquanto as atenções estão voltadas para o novo coronavírus. Boa nutrição e renda vão só até o segundo capítulo, pois falta fiscalização no auxílio emergencial distribuído pelo governo e, enquanto desempregados deixam de recebê-lo, as fraudes se multiplicam. E o ministro da Economia, Paulo Guedes, que sustenta o presidente Jair Bolsonaro no cargo, sugere levar 1 milhão de jovens aos quartéis para atuarem como voluntários na construção de estradas, com o pagamento de R$ 200 ou R$ 300 mensais.

Educação é algo também em falta, assim como bom senso. Bastaria mencionar a demora para o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), num ano em que até os Jogos Olímpicos foram adiados, o que não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945. O bônus da pasta surgiu com a divulgação de falas do ministro Abraham Weintraub, chamando de vagabundos e defendendo a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O samba de 86 do Império Serrano faz menção ao Regime Militar como “20 anos que alguém comeu”. Sabe-se lá quantos serão comidos na contagem aberta em 2019, quando foi escancarada a porta para que se tornasse comum o presidente ter um serviço particular de informações e trocar autoridades de Segurança por interesses pessoais e familiares. Ou indicar o armamento da população como forma de evitar uma possível ditadura que, nos delírios bolsonaristas, pode ser imposta por “um filho da puta” que aparecer ou “um bosta de um prefeito” que publicar um decreto e algemar populares em suas casas para respeitarem o isolamento social. Num período em que a bandeira nacional passou a ser vista como símbolo do autoritarismo, não só a quarta-feira, todos os dias são de Cinzas.

 

Publicado aqui, nas redes sociais

 

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Foz do Paraíba do Sul volta a fechar entre o Pontal de Atafona e a Convivência

 

Imagem aérea do sábado (23) mostra o novo fechamento da foz do Paraíba do Sul, entre o Pontal de Atafona e a ilha da Convivência (Foto: Marco Antônio Ribeiro da Silva, o Careca)

 

Fechada em outubro de 2019 (confira aqui), pela degradação da ação humana, e reaberta pela natureza (confira aqui) em março deste ano, com o aumento do volume de água pelas chuvas, a boca da barra do rio Paraíba do Sul voltou a fechar novamente nesta última semana, entre o Pontal de Atafona e a ilha da Convivência. O fenômeno foi registrado no sábado (23) em fotos aéreas, pelo piloto Marco Antônio Ribeiro da Silva, o Careca, da Defesa Civil de São João da Barra. E foi também registrado em vídeo no final da manhã deste domingo (24), pelo empresário campista Kid Soares, durante a maré baixa. Confira abaixo:

 

 

Por volta das 14h30, o empresário voltou ao local e registrou quando a maré voltava a subir, aumentando parcialmente o curso de água rasa entre o Pontal e a Convivência. É o limite natural definido como fronteira entre os municípios de São João da Barra e São Francisco de Itabapona, ameaçado mais uma vez de deixar de existir. Confira no vídeo abaixo:

 

 

— A reabertura vai precisar de volume de água, vazão. Isso se consegue primeiro reflorestando, um trabalho muito lento, assim como foi lento o trabalho até chegar a essa situação. Não digo reflorestar 100%, mas pelo menos as margens. Não cabe mais nenhuma barragem no Paraíba e, se possível, deviam tirar algumas e recriar algumas lagoas aqui na região. Algumas são cruciais para equilibrar a questão de fornecimento de água, de impedir que a língua salina penetre. Barra do Furado foi aberta artificialmente há quatro séculos e ficava aberta enquanto tinha água suficiente para vazar para o mar. Quando esse nível baixava, o mar fechava a barra. A lagoa do Açu era um rio e em Grussaí, a barra fecha também. O fechamento da foz do Paraíba, no entanto, não é um processo natural porque, por mais que o rio oferecesse problemas para saída e entrada, a foz sempre esteve aberta — analisou o fenômeno o eco historiador Arthur Soffiati.

 

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Defensor público Tiago Abud fala de ações sobre a Covid no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã dessa segunda-feira (25), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o defensor público Tiago Abud. Ele falará sobre as ações movidas pela Defensoria Pública da comarca no combate à pandemia da Covid-19 nos municípios da região e sobre a novela do Hospital de Campanha do Governo do Estado na av. 28 de março, que ontem (23) teve (confira aqui) mais um novo capítulo. E também analisará a abertura de novos leitos clínicos e de UTI em Campos, a partir de decisão judicial favorável do dia 18 (confira aqui) em ação movida por ele, junto com a promotora de Justiça Maristela Naurath.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Witzel garante a Rafael que Hospital de Campanha sai em meados de junho

 

 

Em contato na tarde deste sábado (23), o prefeito Rafael Diniz recebeu a garantia do governador Wilson Witzel de que Hospital de Campanha de Campos sai em junho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Apesar do novo secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry ontem (22) ter declarado (confira aqui) que parte dos hospitais de campanha do Estado do Rio poderiam não sair, o governador Wilson Witzel (PSC) prometeu na tarde de hoje (23) que o Hospital de Campanha de Campos será entregue para ajudar a combater a pandemia da Covid-19. A garantia foi dada em contato telefônico com o prefeito Rafael Diniz (Cidadania). O prazo de entrega seria  para o meado do mês de junho, podendo ser um pouco antes ou depois, por razões que o governador não revelou. Mas que seriam os respiradores e a montagem de equipes.

Erguido na área da antiga concessionária Vasa, na av. 28 de Março, o Hospital de Campanha já teve o prazo projetado e adiado várias vezes. Inicialmente seria entregue em 30 de abril (confira aqui), depois em 25 de maio (confira aqui), depois em 12 de junho (confira aqui). E, um dia depois de ter sua conclusão posta em dúvida pelo novo secretário estadual de Saúde, foi hoje confirmado pelo governador ao prefeito de Campos para meados do próximo mês, mas sem definição de data. A promessa veio um dia depois da conclusão da obra ser cobrada ontem (confira aqui) em ofício, tanto por Rafael, quanto pelo deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

 

No dia 18, o juiz Paulo Maurício deu liminar com tutela de urgência à ação movida pelo defensor Tiago Abud e a promotora Maristela Naurath, com prazo de 10 dias para entrega do Hospital de Campanha de Campos em pleno funcionamento (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Justiça determinou entrega antes — Por decisão da 4ª Vara Cível de Campos do dia 18, a entrega do Hospital de Campanha em pelo funcionamento teve prazo fixado (confira aqui) em 10 dias. A contar do dia 19, quando o governo estadual Wilson Witzel (PSC) foi notificado da decisão judicial. Ou do dia 20, quando foi oficiado o Instituto de Atenção Básica e Avançada de Saúde (Iabas), responsável pela obra.

Segundo informou a Defensoria Pública de Campos, autora da ação junto à 3ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público da comarca, que teve decisão liminar favorável com tutela de urgência pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, o prazo de 10 dias para entrega do Hospital de Campanha de Campos continua valendo. A despeito do novo adiamento:

— Efetivamente saiu essa notícia (do adiamento). Mas obviamente que a notícia dada não pode se sobrepor a uma decisão judicial. Então nós temos, por enquanto, o prazo judicial de 10 dias mantido. O que restaria saber é se a empresa (Iabas) já foi intimada da decisão judicial, porque essa intimação era no Rio de Janeiro, já que o ponto de referência dela é São Paulo e Rio, para a gente começar a contar os 10 dias. Foi confirmado com o cartório da 4ª Vara que o Iabas foi intimado na data de ontem (20). E o prazo dela vai até dia 30. E o Governo do Estado foi oficiado no dia 19 — informou o defensor público Tiago Abud.

No final da tarde de hoje, o governador tuitou (confira aqui) sobre a conversa que teve com Rafael, garantindo a entrega do Hospital de Campanha de Campos:

 

 

 

Superfaturamento? — Também neste sábado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) constatou (confira aqui) que houve superfaturamento na compra de mil respiradores por R$ 123 milhões — três vezes o valor de mercado — feita pela gestão anterior da secretaria estadual de Saúde, do médico Edmar Santos, que continua no governo. Denúncias de superfaturamento também rondam (confira aqui) a montagem dos hospitais de campanha em Campos e Casimiro de Abreu. No contrato assinado entre o Governo do Estado e a organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), só a implementação das duas unidades custariam aos cofres públicos quase R$ 20 milhões por mês, valor 10 vezes maior que a construção de um hospital de campanha em São Paulo, que terá maior capacidade. O Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para investigar as suspeitas.

 

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Bispo diz que vídeo do governo Bolsonaro desrespeita as instituições democráticas

 

Divulgado ontem (22) por decisão do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o vídeo da reunião ministerial apontado pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro vem dividindo opiniões. Mas, até que surja a primeira pesquisa de opinião, a impressão é que mudou pouco ou nada na divisão do país, entre os 30% da população que apoiam o governo Jair Bolsonaro (sem partido) e os 70% que não.

Dentro dessa maioria, quem emitiu sua opinião foi o bispo diocesano de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz. Alinhado à ala mais progressista da Igreja Católica e ao Papa Francisco, ele fez duras críticas ao que foi relevado no vídeo. Que o blog pede licença para republicar abaixo:

 

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz e Jair Messias Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— O vídeo divulgado sobre a reunião ministerial, estampa o desrespeito ao Estado de Direito, ao funcionamento das instituições democráticas e (demonstra) a falta de pudor e decoro. Finalmente é repudiável a intenção de desmontar ou destruir a legislação ambiental inspirada na Carta da Terra e alinhada com a carta Laudato Si do Papa Francisco. Que Nossa Senhora Aparecida nos faça buscar caminhos de diálogo, entendimento no respeito ao Bem Comum para superar a pandemia e defender a vida dos brasileiros — advertiu o bispo de Campos no grupo de WhatsApp do blog.

 

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