São João da Barra confirmou na manhã deste domingo (05) o primeiro caso de coronavírus. Uma paciente de 51 anos, identificada há uma semana na barreira sanitária e que, de imediato, foi encaminhada para o isolamento domiciliar com acompanhamento da secretaria municipal de Saúde.
Ao ser parada na barreira, a paciente relatou ter estado na cidade do Rio de Janeiro anteriormente, há duas semanas.
O quadro da paciente, que já apresentava os sintomas ao ser parada na barreira, é considerado bom.
São João da Barra permanece com 11 notificações, agora com uma confirmação e nove casos descartados por exames e um ainda aguardando o resultado, cumprindo isolamento domiciliar.
Campos teve mais três casos confirmados de Covid-19 neste domingo (05): com os três anteriores (confira aqui), agora são seis. Entre os três casos novos, em vídeo veiculado nas redes sociais, o prefeito Rafael Diniz (Cidadanoa) admitiu o primeiro de transmissão local do novo coronavírus sem origem externa definida. O que indica que, como esperado, ele já está circulando na cidade.
Os outros dois novos casos confirmados hoje seriam de um campista que veio de viagem de Nova York e contaminou aqui um parente. O primeiro caso confirmado foi de um paciente que veio de São Paulo e os dois seguintes, revelados na sexta (03), de duas profissionais de saúde que trabalham fora de Campos. Todos os seis casos confirmados seriam leves e estariam em isolamento residencial.
Ao contrário de São João da Barra, onde a divulgação jornalística do caso confirmado hoje (confira aqui) cabe ao site da Prefeitura, os vídeos publicitários do governo de Campos não divulgam a idade dos casos confirmados de Covid-19 no município.
Fabrício Maciel, sociólogo e professor da UFF-Campos
Coronavírus, desigualdade e a sociedade global de risco
Por Fabrício Maciel
O momento atual nos obriga à reflexão. Não temos para onde fugir. O mundo está de joelhos diante de um desafio que não conhece bem e tenta mobilizar todos os esforços possíveis para enfrenta-lo. Precisamos recorrer a todas as ideias possíveis, todas ao nosso alcance, que somos capazes de reproduzir, de modo a enfrentar este grande mal que nos assola. O vírus coloca, em certo sentido, todos nós em pé de igualdade, democratiza o medo, nos deixa sem saída e sem saber bem o que pode acontecer em poucas semanas. As análises políticas muitas vezes são rasas, diante de um problema de natureza tão profunda, ainda que apontem algumas medidas práticas viáveis em curto prazo.
Um dos maiores pensadores da atualidade, o sociólogo alemão Ulrich Beck, desenvolveu nos anos de 1980 sua poderosa tese da sociedade de risco. Ela aponta alguns caminhos muito frutíferos para nossa reflexão neste exato momento. Para ele, a sociedade atual, situada no tempo da modernidade desde a década de 1970, pode ser definida como a “segunda modernidade”. Nesta fase, a principal característica do mundo identificada pelo autor é que a produção de riscos seria nosso grande problema, maior até mesmo do que a produção de desigualdades, tese esta que se tornou polêmica por questionar algumas das bases mais profundas da sociologia predominante em todo o século XX. O significado desta tese é profundo e se mostra agora com a pandemia do corona vírus. Posteriormente, Ulrich Beck desenvolveu e sofisticou sua tese, ampliando-a para a compreensão de que vivemos agora em uma sociedade global de risco, na qual alguns riscos transcendem os limites das sociedades nacionais e até mesmo das desigualdades de classe. Não é outra coisa o que o vírus agora nos ensina. Ninguém está livre do risco e é urgente que levemos este recado bem a sério.
Em seu último livro, “A metamorfose do mundo” (Editora Zahar, 2016), ainda pouco conhecido no Brasil, Ulrich Beck avançou com aspectos essenciais de sua tese. Nele, ele chama a atenção para o fato de que a ciência procura muito mais compreender a distribuição e a não distribuição de bens do que de males. Agora se torna fundamental que compreendamos a distribuição global de males e como ela pode nos afetar de maneira geral, mas também diferencialmente. Assim, Ulrich Beck está consciente de que a distribuição de males, na sociedade global de risco, também é uma forma, talvez a mais profunda, de desigualdade. Com isso, a realidade atual é que temos territórios mais vulneráveis do que outros, nações mais vulneráveis do que outras e, o que deveria ser óbvio, classes sociais mais vulneráveis do que outras.
Os crimes cometidos em Mariana e Brumadinho, chamados metaforicamente de tragédias ou desastres, são uma grande evidência da irresponsabilidade e da loucura que rege agora um novo capitalismo sem nenhum limite institucional e moral, sendo este novo capitalismo a base econômica insana da sociedade global de risco. Estes crimes também são uma prova viva da seletividade territorial e social dos riscos. Várias matérias na grande mídia brasileira, na época, mostraram que a empresa responsável pelo crime em Brumadinho sabia exatamente da dimensão do risco e até quantas pessoas iam morrer, algo que passou batido aos nossos olhos, o dia inteiro ocupados com a novela da política.
Outro aspecto essencial do último livro de Ulrich Beck tem a ver com o poder e com o que ele está definindo como “política da invisibilidade”. Com este conceito, ele procura compreender a nova forma de poder predominante na sociedade global de risco, que para ele se resume ao poder de definição do que é risco hoje. De modo simples, o que o autor quer dizer é que nós desconhecemos, enquanto sociedade global, boa parte dos riscos que nos ameaçam e como eles podem realmente nos afetar. No caso do corona vírus, algumas pesquisas sobre vacinas para seu combate já foram publicadas, mas as previsões para a utilização das mesmas e a superação de fato do problema ainda são tímidas.
Indo além, Ulrich Beck procura definir o que seriam hoje “classe de RISCO” e “CLASSE de risco”. O primeiro conceito procura dar conta da diversidade de riscos que nos assolam, para além da nossa vontade e controle (ambientais, virais, políticos). O segundo conceito procura enfatizar a nova forma como as classes sociais podem hoje ser pensadas, ou seja, como classes de risco. Com isso, precisamos enfrentar dois problemas hoje, no Brasil e no mundo: encontrar as melhores formas de se defender do corona vírus e compreender como ele afeta diferencialmente as classes sociais. O primeiro problema tem sido enfrentado a partir da compreensão de que a vida se torna o bem maior a ser preservado. Deveríamos saber sempre disso, mas parece que só agora, quando o mundo se depara com um risco de características inéditas, somos postos diante do espelho que mostra à humanidade como ela é pequena e limitada. Agora a grandeza se resume em assumir a nossa pequenez e tentar agir a partir dela.
Quanto ao primeiro problema, parte da humanidade parece estar se saindo bem, na medida do possível, mesmo apesar de comportamentos distoantes e de intencionalidade suspeita como o do não-presidente da república do Brasil. As forças de ordem maior tender a predominar nesta hora. Não é a primeira vez que a humanidade se depara com tamanho desafio e é possível que fiquemos bem em breve. Em momento de tamanha dificuldade, inédito em sua história recente, a humanidade pode vislumbrar a expectativa de algo maior logo adiante, quando a ciência parece não oferecer todas as respostas.
Quanto ao segundo problema, que diz respeito à forma diferencial como o vírus afeta neste momento e vai afetar ainda mais as classes sociais, precisamos ter sensibilidade. Como pessoas, esta é uma chance para profunda reflexão e para ação. Neste exato momento, as classes médias e altas podem se dar ao luxo de ficar em casa, fazer sua quarentena de boa, ler um livro, colocar alguns assuntos em dia e até mesmo fazer uma reflexão como esta que aqui se apresenta. Não é a realidade das classes populares, e isso deveria ser óbvio, mas não é. Mais da metade da população brasileira se encontra neste exato momento em uma situação de completa vulnerabilidade, sem a certeza de que terá, nos próximos meses, o mínimo para sua sobrevivência.
A atual discussão da renda básica universal e as medidas de implantação da mesma, que surgem agora, enfrentam parcialmente o problema, mas não essencialmente. Um real enfrentamento precisaria repensar as bases profundas de reprodução do capitalismo, como uma ordem global incontornável que nunca produziu justiça social. A quantidade de evidências sobre este fato já é mais do que suficiente, já basta. Quando o Welfare State fracassou nos Estados Unidos e na Europa ficou claro que o capitalismo é um sistema que jamais produzirá justiça social por si mesmo. O verdadeiro enfrentamento da desigualdade, para além da renda básica universal, o que pode ser por si mesmo um bom início, deveria incluir a taxação das grandes riquezas e uma sensibilização por parte das elites na condução do mercado.
Quem está por trás das ações patéticas do não-presidente da República? Como é possível não se sensibilizar com pelo menos metade da população vivendo abaixo de qualquer linha imaginável de dignidade? São questões que exigem respostas de imediato, e o corona vírus aprofunda tais questões. Algumas ações de ajuda social e boa vontade já são vistas emanando da própria sociedade, que apresenta com isso seu lado mais sensível e solidário. São ações louváveis, mas não suficientes. O sistema político e as elites econômicas precisam reagir de maneira sensível e responsável, levar a sério o slogam que sempre evocaram para si, o de conduzir os rumos da humanidade. É muito fácil para a classe empresarial arrogar para si a condição de condutora da sociedade, como tem surgido em pesquisa atual que estou realizando com executivos, ao dizer que gera empregos.
Agora, como nunca antes, a questão não é gerar e manter empregos ou obrigar as pessoas a trabalhar. A questão é como enfrentar o problema da desigualdade, sempre existente, com sua intensificação pelo corona vírus, neste exato momento. Um caminho seria uma atitude mais consciente e sensível por parte da classe empresarial, em todos os níveis, mas principalmente nos andares de cima. Um dos pilares da reforma trabalhista foi exatamente deixar nas mãos “das partes”, empregadores e empregados, a possibilidade legal de negociar o que fazer sobre salários e tempo de trabalho. Vamos ser sensíveis neste momento e aliviar para o lado do trabalhador, adotando medidas de tolerância e de proteção social nos próximos meses, sem simplesmente colocar isso na conta do Estado? Isso seria ser “responsável” pela sociedade, ou seja, que a elite usasse os recursos que tem para proteger os vulneráveis. Mas não é o caso. Presenciamos exatamente o contrário. Vamos mexer no caixa da empresa, como se fosse um investimento, e pensar em um salário para proteger o trabalhador nos próximos meses, ou seja, fazer um investimento no próprio capital humano que será necessário ali na frente? Não, longe disso, vamos por na conta do Estado. Nesta hora predominam o medo e a pequenez humana.
Esta atitude idealista não vai acontecer por que o capitalismo global, há 40 anos, vem construindo uma economia política de “generalização da precariedade”. No plano da vida moral, trata-se de um processo de “institucionalização da indignidade” das condições de trabalho e das relações entre as classes. O fato de não ter um trabalho e de não poder trabalhar, o que se complexifica com o corona vírus, é por si mesmo indigno, ameaçando a capacidade de milhões de pessoas de proverem por si mesmas, para si e suas famílias, o mínimo para sua dignidade. Como dignidade das classes populares, compreendo a possibilidade de ter o mínimo para preservar a vida material e a vida moral. Por outro lado, as elites e as classes médias não podem ser dignas se não agem efetivamente para combater a indignidade dos mais carentes. Recursos financeiros para o enfrentamento do problema existem, precisariam ser utilizados com um pouco mais de humanidade. Um pouquinho mais já seria um bom começo.
Publicado aqui e na edição de hoje (05) na Folha da Manhã
Caio Vianna,Gustavo Matheus, Rodrigo Bacellar e Thaís Tostes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Após perder a presidência do PV em Campos e sair do partido atirando (confira aqui), Gustavo Matheus foi rápido: seu novo destino é o PL, legenda do arco de alianças da pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT). Pelo novo partido, o ex-verde tentará amadurecer em mais uma candidatura a vereador. A informação foi passada ao blog por Caio, de quem partiu o convite a Gustavo. Citado por este ao perder o PV, o pedetista também comentou a movimentação da legenda no fechamento da janela partidária. E, ao final, aproveitou para alfinetar seu ex-aliado, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD):
— Com relação à definição do PV, não me cabe fazer comentários porque não faço parte do partido e essa decisão cabe exclusivamente aos seus dirigentes. Obviamente é ruim uma decisão que não respeite a vontade popular dos dirigentes do partido na cidade e dos quadros que compõem o partido aqui em Campos. Com relação ao Gustavo, ele é um grande quadro. Acredito que fez um grande trabalho à frente do PV. Inclusive, na última eleição municipal, ele conseguiu se consagrar como o (candidato a) vereador mais bem votado da história do PV na cidade. Por isso e por todas as outras qualidades que o Gustavo vem apresentando, ao longo da sua trajetória, eu acredito muito no potencial dele. E fiz convite para ele estar com a gente em uma das nominatas que compõem o nosso arco de alianças para as próximas eleições. Ele aceitou esse convite e se filiou ao PL, para concorrer a vereador. E acrescentando, como já havia dito antes, qualquer discussão que exclua a sociedade e vise meramente um projeto de poder, não um projeto de cidade, eu estou fora! — exclamou Caio.
O pedetista repetiu o que havia dito em entrevista publicada (aqui) na Folha em 22 de março. Quando indagado do motivo da sua ruptura com Rodrigo, que era considerado o principal articulador da pré-candidatura a prefeito, Caio respondeu:
“Folha – A cisão com Rodrigo se deu por que ele queria indicar seu pré-candidato a vice, além da disputa entre PDT e SD como destino do vereador Igor Pereira (atual PSB), líder do G-7? Se cedesse, todos fossem candidatos e eleitos, você poderia se tornar refém do deputado?
Caio – Esse tipo de negociata que você relata não é projeto de cidade. É um projeto de poder que exclui a sociedade. Estou fora!”
Por sua vez, no PL, Gustavo terá outra oportunidade de concorrer em uma eleição contra sua colega jornalista Thaís Tostes, pré-candidata a vereadora pelo PDT. Em 2018, quando os dois ex-profissionais da redação da Folha concorreram a deputado estadual, Gustavo teve 2.364 votos, um pouco menos que os 2.485 de Thaís.
Gustavo Matheus, Hans Muylaert, Rodrigo Bacellar, Rafael Diniz, Wladimir Garotinho e Thaís Tostes (Arte: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)
Partido que deu apoio à candidatura vencedora do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) em 2016, o PV de Campos mudou de mãos. No universo de 16 votos da executiva estadual dos verdes, ontem 12 elegeram o psicólogo Hans Muylaert como novo presidente municipal da legenda. Apenas dois votaram pela manutenção do jornalista Gustavo Matheus na presidência, com duas abstenções. O ex-presidente saiu atirando nas redes sociais. E fez Rafael e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) como alvos:
— São oito anos de Partido Verde, sempre com muito respeito, lealdade e vontade de fazer o certo de ambas as partes. Infelizmente o partido se apequena ao bel prazer da mais nova dupla sertaneja da infame política goitacá, Rodrigo e Rafael (…) O prefeito e o deputado fizeram um acordo. Se Rodrigo arrumasse um nome viável até as convenções partidárias Rafael sairia do pleito e apoiaria o candidato de Bacellar como o nome da máquina. Caso contrário, Rodrigo apoiaria a reeleição de Rafael, ou lançaria uma linha auxiliar financiada pelo governo falido pra atacar Caio Vianna (PDT) e Wladimir Garotinho (PSD), os líderes da pesquisa de intenção de voto. A manobra de Rodrigo em lançar nomes ao tabuleiro serve para nada mais, nada menos que escolher o vice de Rafael. E o PV, que em breve terá como presidente o diretor de Turismo de Diniz, se presta a este papel, mas eu não.
Após a derrota e a perda de controle do partido, Gustavo também anunciou sua desfiliação:
— Ferindo o municipalismo e respeito aos cidadãos campistas, que já não aguentam a atual gestão, o PV cospe pra cima e não sai do lugar. Por isso, estou me desfiliando. Nunca compactuei com acordos que excluem ou ludibriam a população. Estou fora!
Diretor municipal de Turismo citado pelo ex-verde, Hans Muylaert falou ao blog sobre sua condução à presidência municipal do PV e do posicionamento público do seu antecessor:
— O passado presidente municipal fez da sigla sua personificação platônica, buscando a sua manutenção em acordos, mesmo que com transferência domiciliar (Gustavo estaria alternando residência entre São Paulo e Campos), se coloca ainda como munícipe de uma cidade que temos que continuar a seguir. Assumi em 2018 a coordenação regional do partido, depois de 16 anos como membro partidário, ainda vivendo toda dinâmica pela perda insubstituível do fundador e coordenador partidário Joca Muylaert (jornalista falecido, verde histórico de Campos e pai de Hans), que me ensinou ser muito mais que filho. Agora assumo novo desafio, além de manter a coordenação regional em meio à pandemia, a presidência do nosso partido em nossa cidade conduzida por votação da executiva estadual. É uma responsabilidade que não passa por conversas personificadas e sim, por assumir o grande desafio de representar cada fundador, seus membros e a diretriz partidária que fica esquecida nessa corrida para se cumprir os prazos eleitorais.
Ao blog do Edmundo Siqueira, Gustavo Matheus falou (aqui) da sua relação com Hans, que vai substituí-lo na presidência municipal do PV:
— Não há racha entre a gente. Ele preferiu seguir no governo quando saímos, faz parte. Quanto ao saudoso Joca, seu pai, eu não estaria no PV se não fosse por ele. Afinal, Joca foi quem me filiou, assinou minha ficha e fez o convite. A avaliação que faço é a realizada no texto. O partido verde resolveu apoiar o governo, desrespeitando o princípio do municipalismo, que já foi forte dentro da sigla. Não há nenhum tipo de retorno de gestão política dentro do partido. Há oportunismo eleitoral. Se tivesse a ver com gestão partidária, não fariam este movimento há seis meses da eleição e há um dia do prazo final de filiações. É sempre assim. Partido na cabeça de algumas pessoas só tem utilidade na hora eleição. Infelizmente, com muita tristeza, deixo o partido, meu único partido em toda vida, minha casa. Lugar onde consegui ser o candidato a vereador mais votado da história do PV em Campos.
Se falou em “oportunismo eleitoral” na sua perda do comando da legenda em Campos, Gustavo teve sua trajetória no PV analisada por Hans, que evocou uma história partidária de “liberações, mas não libertinagens”:
— Há um tempo o coordenador regional do meu partido me ligava, eu morava longe da minha cidade, mas sempre atento ao que acontecia por nossa Campos. Então, me é apresentado, por descrição, o novo presidente municipal do nosso partido. A princípio, seria uma afronta à gestão da época, colocar o sobrinho (Gustavo é sobrinho do ex-governador Anthony Garotinho, sem partido) que iniciava a árdua tarefa de articulador do mais respeitado meio de comunicação da região, como presidente do partido da linha de frente oposicionista, mas em seguida foi por um belo projeto de ver um jovem, ainda verde, representar o melhor. Viu-se que o partido em Campos foi se apresentando controverso no caminhar da tarefa de uma sigla que desde a fundação caminha a passos de seu próprio ritmo de formar o que somos, verdes. A história do Partido Verde em Campos não se inicia há alguns anos, e sim com grandes movimentos de plantio de milhares de mudas por toda a cidade, numa corrente verde de transgressão das sungas de crochê a liberações, mas não a libertinagens.
A menção de Hans à trajetória do ex-presidente municipal do PV no “mais respeitado meio de comunicação da região”, se refere à passagem profissional do último na Folha da Manhã, onde foi repórter de política, além de ter mantido um blog hospedado no site do jornal. Gustavo, que citou seu bom desempenho (1.312 votos) no pleito a vereador de 2016, concorreu depois na eleição a deputado estadual de 2018, antes da qual se deu sua ruptura com o governo municipal. No pleito, teve 2.364 votos. Outra jornalista com passagem pela redação da Folha, que até hoje mantém seu blog “Na Lata” hospedado no Folha1, Thaís Tostes também concorreu a deputada estadual, pelo Rede Sustentabilidade, em 2018. E obteve 2.485 votos.
Criticado por Gustavo, o deputado estadual Rodrigo Bacellar respondeu apenas: “cachorro morto não se chuta”. Também citados, o prefeito Rafael Diniz e o deputado federal Wladimir Garotinho, primo do ex-presidente municipal do PV, preferiram não se pronunciar. Confira aqui a posição do pré-candidato a prefeito Caio Vianna.
Na noite de ontem este Opiniões foi o primeiro a divulgar aqui que os dois novos casos de contaminação pela Covid-19 em Campos, que agora tem três casos confirmados, eram profissionais de saúde. E desde ontem o blog gerou a demanda de posicionamento ao Sindicatos dos Médicos de Campos (Simec), assim como ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).
No início da tarde de hoje, o Simec se posicionou. Informou que “segue diligentemente monitorando a distribuição, e as devidas orientações sobre a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs)”. Mas que “até o momento, não recebeu denúncias da categoria sobre escassez das ferramentas nas unidades públicas de saúde”. E ressaltou que “após a confirmação de infecção por Covid-19 em profissionais da saúde que atuam em Campos, faz-se necessário reiterar a importância da adoção dos padrões de prevenção determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a finalidade de conter a escalada do coronavírus”.
Confira abaixo a íntegra da resposta do Simec, gerada pela demanda do blog:
O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), em prol da proteção dos profissionais da saúde e da população, segue diligentemente monitorando a distribuição, e as devidas orientações sobre a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), bem como o emprego de treinamento continuado para os profissionais da saúde atuantes no enfrentamento à pandemia do coronavírus Covid-19, no município. O Simec informa que, até o momento, não recebeu denúncias da categoria sobre escassez das ferramentas nas unidades públicas de saúde. O sindicato coloca-se à disposição dos profissionais para fins de quaisquer esclarecimentos e suporte pertinentes, e permanece orientando à categoria a realizar a adoção minuciosa de medidas para garantir, nesse momento de preservação a vida, a proteção de médicos, demais colaboradores que atuam nas unidades de saúde e pacientes.
Após a confirmação de infecção por Covid-19 em profissionais da saúde que atuam em Campos, faz-se necessário reiterar a importância da adoção dos padrões de prevenção determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a finalidade de conter a escalada do coronavírus.
Aos médicos e profissionais da saúde, que estão nas linhas de frente da batalha contra a Covid-19, o Simec recomenda o uso de EPI conforme a orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e para pessoas doentes e seus cuidadores, o uso de máscaras combinado com outras medidas de proteção, como lavar as mãos com água e sabão frequentemente, ou realizar a higienização com álcool gel 70° (INPM), e evitar levar as mãos ao rosto.
O Simec continuará monitorando a garantia no fornecimento de EPI, o treinamento adequado e extensivo (para todos os profissionais envolvidos) e a salvaguarda para os grupos de risco, com acompanhamento da passionalidade de dispensa dos serviços e ou realocação para áreas que não tenham contato direto com pacientes infectados.
Itaperuna teve seu primeiro caso confirmado de Covid-19. É um marido de uma médica, que fez um teste rápido no final da tarde de hoje, no Hospital da Unimed da cidade e ainda demanda confirmação pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), na cidade do Rio e referenciado pela secretaria estadual de Saúde. Até então, Itaperuna tinha 113 casos suspeitos do novo coronavírus, número mais de nove vezes superior aos apenas 13 suspeitos de Campos. Mesmo que os 103.224 itaperunenses, segundo o IBGE de 2019, correspondam a cerca de 1/5 dos 507.548 campistas.
A chegada e utilização dos testes rápidos da Covid-19, necessários, mas menos precisos que os PCR, deve aumentar as estatísticas dos casos confirmados em todo o país. Itaperuna é polo de saúde do Noroeste Fluminense, enquanto Campos ocupa esta posição em relação aos demais municípios do Norte do Estado do Rio.
Campos já tem três casos confirmados da Covid-19. Os dois novos casos são de profissionais de saúde. E agora são 12 casos suspeitos, dois deles em estado grave. Este foi o motivo do atraso da liberação da estatística da pandemia no município, geralmente atualizada às 18h. Que não foi feito até agora, às 20h, porque espera a gravação e divulgação de um vídeo da Prefeitura de Campos.
É correto um líder chamar para si a responsabilidade em tempo de crise. E quem conhece o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) sabe o quanto ele é zeloso desse papel. Mas essa centralização na liberação de informações, no desejo de trabalhá-las publicitariamente antes da divulgação, é antijornalística. E um erro crasso de comunicação. Que sempre foi calcanhar de Aquiles da atual administração municipal, apesar dos excelentes jornalistas que possui.
Cabe ao poder público, em suas várias esferas, liderar o combate à pandemia do novo coronarírus. Mas, uma vez que as informações tenham sido confirmadas, liberá-las de maneira rápida é uma obrigação com a sociedade. Se a maquiagem dos números reais da Covid-19 já é inevitável pela subnotificação advinda da falta de testes em massa no Brasil, sua maquiagem publicitária também é dispensável. O respeitável público agradece.
Limpeza na manhã de hoje da área onde será instalado o hospital estdual de campanha da Covid-19 (Foto: Christano Abreu Barbosa)
Após uma equipe do Governo do Estado, em companhia do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), fazer uma vistoria ontem (confira aqui) no terreno da antiga Vasa, onde deve começar a ser instalado nesta segunda (06) o hospital de campanha para a pandemia do novo coronavírus, na manhã de hoje foi a vez de funcionários da Prefeitura iniciarem a limpeza da área. A previsão é de que o hospital seja entregue no dia 30 deste mês, com 100 leitos, mas apenas 20 de UTI, munidos de respiradores mecânicos, fundamentais à sobrevivência dos casos mais graves de Covid-19. O pico da doença no Brasil e na região está projetado para 10 dias antes, a partir do dia 20.
Fake news noticiadas em sites locais chegaram a anunciar que o hospital de campanha seria instalado na Uenf. Este blog foi o primeiro a divulgar aqui, em 23 de março, que a área da antiga Vasa, com 9 mil metros quadrados, havia sido oferecida para o fim. No dia seguinte (24), o local foi confirmado também aqui, pelo deputado Wladimir Garotinho, político da região com mais acesso ao governo Wilson Witzel (PSC).
Limpeza pela Prefeitura da área que vai abrigar hospital estadual de campanha (Foto: Chistiano Abreu Barbosa)
A partir das 7h da manhã desta sexta (03), horário de Brasília, caberá a uma campista radicada há 27 anos na Alemanha fechar a semana do Folha no Ar: a psicóloga e pedagoga Claudya Ribeiro. Da cidade alemã de Stuttgart, ela escreveu um artigo analisando os dados estatísticos da pandemia da Covid-19 na Europa, onde conclui que “nenhuma medida de isolamento é exagerada”. Republicado aqui, neste blog, o texto de advertência causou grande repercussão também na terra natal da autora.
Na manhã campista desta sexta, início de tarde na Alemanha, Claudya será entrevistada ao vivo por Skype, no programa da Folha FM 98,3. Ela falará sobre a expansão do novo coronavírus na Europa e sobre a projeção do pico da doença no Brasil a partir do final deste mês de abril. E explicará porque não há exagero em insistir neste grave momento de crise no isolamento social, necessidade ainda ignorada por muitos campistas e brasileiros.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar internacional desta sexta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Médico infectologista Rodrigo Carneiro dissecou o novo coronavírus no Folha no Ar de hoje, realizado por Skype para manter o isolamento social contra a pandemia (Reprodução)
“Estava lendo o estudo do Imperial College de Londres (que projetou para o Brasil um mínimo de 44 mil mortos pela pandemia da Covid-19), que são os maiores especialistas da área. Certamente vamos ter um aumento do número de casos importante nas próximas semanas. E, do meio ao final de abril, uma explosão no número de casos. E aí a gente trabalha a cada duas, três semanas. O que a gente pode afirmar hoje, categoricamente, é: o número de casos vai subir muito e até o final do mês nós estaremos na aceleração máxima do crescimento. Quanto tempo isso vai durar? Não dá para dar certeza, mas certamente não será algo rápido. A gente deve ter esse período de exceção, no mínimo mais um mês, 45 dias. Na melhor das hipóteses, daqui a 45 dias as coisas poderiam começar a diminuir e a gente ir afrouxando alguma medida (de confinamento). Certamente, o ano de 2020 não será um ano normal”.
Foi o que esclareceu ao programa Folha no Ar da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, o médico infectologista Rodrigo Carneiro. Servidor da Saúde Pública de Campos no Hospital Geral de Guarus (HGG), ele trabalha também em outro hospital referência da região, o São José do Avaí, de Itaperuna. Apesar da gravidade do quadro que a população brasileira vai enfrentar a partir de meados deste mês de abril, passando por maio e com perspectiva de diminuição talvez só a partir de junho, ele acredita que Campos esteja se preparando bem para enfrentar a crise, com a instalação do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, no prédio novo da Beneficência Portuguesa, que entrou em atividade em 30 de março. Assim como o hospital estadual de campanha no município na área da antiga Vasa, que o Governo do Estado promete entregar no final do mês:
— A gente está próximo do segundo centro maior centro do Brasil em número de casos e vamos pegar a rebarba disso, certamente. Teremos muitos casos em Campos. Eu vejo como muito boa a ideia a ideia da abertura da Beneficência, a gente tinha que ter um Centro de Controle. Vai ser essencial, assim como o hospital de campanha. Na minha opinião, Campos vai estar adequadamente servidos para atender os pacientes que precisem de hospital. O que a gente vai ter que melhorar é a parte primária, é na parte de orientação à população — disse o médico infectologista. Rodrigo Carneiro esclareceu também outros pontos sobre o novo coronavírus, em entrevista à Folha FM:
Sintomas mais comuns — A falta de olfato e paladar geralmente vem com a fase de melhora da condição respiratória. Com o aumento de caso e uma mostra maior, a gente está vendo que a febre não está sempre presente. A maioria começa com mal estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, febre e, aí, os sintomas respiratórios nas primeiras 24 horas após esses sintomas. Isso é o clássico. A maioria dos casos são oligossintomáticos (poucos sintomas) ou até assintomáticos.
Contaminação — As pessoas perguntam sobre a quarentena. Por que ficar 14 dias? Foi visto nos pacientes chineses que os pacientes infectados podem eliminar o vírus por até 14 dias, no quadro leve. Os pacientes que ficam internados e necessitam de UTI, esses podem eliminar o vírus por até 21 dias. Isso é importantíssimo. Por quê? Porque eu tenho que ter rigor com as medidas de prevenção do profissional de saúde por um período ainda maior. A gente vai ter que estar com a paramentação adequada para atendê-los
Sequelas — Nos casos leves, o paciente não fica com nenhuma sequela. Nos casos graves, há sequelas pulmonares. Mas há inclusive manifestações não respiratórias, inflamações de pericardite, na membrana que envolve o coração e não é tão raro; encefalite, com quadros que lembram a meningite bacteriana; insuficiência renal. Não são os mais comuns, mas também são descritos. Mas eles podem aparecer normalmente naqueles indivíduos propensos a caos mais graves, que são os idosos e os imunocomprometidos.
Drama e apelo — Esses indivíduos propensos a problemas respiratórios são aqueles que precisam de ventilação mecânica durante muito tempo. E o que os intensivistas (médicos de UTI) passam para a gente é que são pacientes difíceis de você conseguir oxigenar o sangue, o pulmão fica todo inflamado. As medidas têm que ser o que a gente chama de heroicas. Você aumenta muito a pressão no ventilador para empurrar o oxigênio para o paciente e mesmo assim ele não oxigena. São quadros bastante complexos. Idosos, principalmente, não saiam de casa. Para quem tem pai, mãe e avós, cuide, deixe lá em casa e não tenha contato, por favor.
Lições — Está um pouco cedo. A principal é: o homem não está preparado para lidar com uma doença causado por um vírus, um microrganismo com letalidade moderada. A gente nem pode classificar a letalidade do coronavírus como alta, quando compara com outros microrganismos. Está mais do que demonstrado que a humanidade não está preparada para lidar com isso. E poderia ser muito pior. A gente poderia ter um vírus com uma letalidade muito pior. É o principal recado que a natureza está dando para a humanidade. A gente tem que cada vez mais pensar em questão ambientais e como higiene pessoal. A gente precisou passar por uma pandemia para ver a importância de lavar as mãos. A humanidade vai sofrer muito, vai passar por perdas dolorosas. Mas talvez use isso para mudar a importância que os políticos dão à atenção básica em saúde, ao saneamento básico, de termos mais leitos hospitalares, planos de contingência que possam ser rapidamente implementados. O dado positivo é mostrar como a ciência é importante. Nós infelizmente temos em nosso país um administrador que não pensa assim.
Confira abaixo em vídeo os três blocos da entrevista do médico infectologista Rodrigo Carneiro no Folha no Ar de hoje:
A partir das 7h da manhã desta quinta (02), o convidado do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, é o economista Alcimar Ribeiro. Professor da Uenf, ele falará sobre a o que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aponta como dicotomia entre crise da saúde e crise econômica. Também analisará as medidas governamentais em socorro aos a trabalhadores e empresários, por conta do isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, e qual será seu impacto sobre o liberalismo econômico.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.