História do futebol — Flamengo e Liverpool na alma e na retina de moleques

 

Flamengo, Liverpool e moleques ressurretos

 

Foi por conta do Flamengo de Zico que começou a acompanhar futebol. Ainda intuitivamente no Campeonato Brasileiro de 1980. Mas já com consciência, mais do que talvez fosse normal a um moleque de 9 anos, a partir da conquista épica da Libertadores da América por aquela equipe. Foram três jogos contra o violento e desleal Cobreloa, do Chile. Era o ano da Graça de 1981, hoje tão cantado pela maior torcida da Terra. Que seria encerrado em 13 dezembro com a conquista do Mundial, no passeio de 3 a 0 sobre o Liverpool. De Campos com os olhos em Tóquio, virou a primeira madrugada da sua vida. Marcada a ferro quente na alma de criança, ela nunca mais seria a mesma. Pertencia a algo maior. Até a última respiração, teria tribo e Rei.

 

Flamengo campeão da Libertadores em 1981. Em pé: Leandro, Raul, Mozer, Figueiredo, Andrade e Júnior. Agachados: Lico, Adílio, NUnes, Zico e Tita

 

A partir da tradição oral passada pelo pai, tricolor e ex-boleiro, campeão juvenil de Campos pelo Rio Branco, aprendeu também que o futebol existia antes da sua tomada de consciência dele. Ainda sem internet ou as facilidades do Youtube, absorveu o que pôde do vivido e contado pelos mais velhos. E leu o que lhe caísse às mãos sobre os grandes times e jogadores do passado. Além do futebol, o interesse se espraiou sobre outros esportes. Cujos gênios, sem nenhum favor à sua exceção humana, ganharam a exata dimensão de Da Vinci, Einstein, Darwin, Shakespeare, Pessoa, Kurosawa, Beethoven, Parker, Billie, Cartola ou Jobim.

 

Vasco de 1949, o “Expresso da Vitória”, base da Seleção Brasileira de 1950

 

Moreno, Pedernera e La Bruna, trio protagonista do River Plate nos anos 1940, apelidado de “La Máquina”

Ouviu e leu, mais do que pôde ver em imagens do futebol antes dele. E creu nos grandes times de clube que não testemunhou. Em ordem cronológica, deu fé ao River Plate de La Bruna, Moreno e Pedernera; ao Vasco de Ademir, Heleno e Danilo; ao Hovénd de Puskás, Kocsis e Czibor; ao Real Madrid de Di Stéfano, Puskás e Kopa; ao Peñarol de Cubillas, Spencer e Pedro Rocha; ao Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos; ao Santos de Pelé, Coutinho e Pepe; ao Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Piazza; ao Ajax de Cruyff, Neskens e Kroll; ao Bayer de Beckenbauer, Gerd Müller e Breitner; ao Internacional de Falcão, Carpegiani e Figueroa.

Do que teve a sorte da consciência em tempo presente, viu aquele Flamengo de Zico, Leandro e Júnior imenso ao se apoiar nos ombros de gigantes: o Atlético Mineiro de Reinaldo, Cerezo e Luisinho; o Grêmio de Renato, Caju e Mário Sérgio; o Fluminense de Assis, Washington e Romerito; o Liverpool de McDermott, Hansen e Dalglish. E o que dizer da Juventus de Platini, Boniek e Paolo Rossi; do Napoli de Maradona, Careca e Alemão; do Estrela Vermelha de Savicevic, Prosinecki e Pancev; do Milan de Van Basten, Rijkaard e Maldini; do São Paulo de Raí, Müller e Palinha; do Palmeiras de Edmundo, Rivaldo e Roberto Carlos; do Boca Juniors de Riquelme, Palermo e Tévez; do Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta; do Real Madrid de Zidane como jogador ou técnico, quando reensinou Cristiano Ronaldo a jogar, municiado por Kross e Modric?

 

Luka Modric, Toni Kross e Cristiano Ronaldo

 

Foram times e craques sem os quais não se conta a história do futebol. Alguns de seus remanescentes ainda a escrevem. De épocas, lugares e culturas diferentes, quantos moleques não os levariam vida afora, colados na retina e na alma? No critério subjetivo da opinião, era possível afirmar: todos jogaram mais que o Flamengo de hoje. Mas, pelo menos entre os que viu, nenhum deles tinha a fome, a volúpia do atual campeão da Libertadores e do Brasileiro. Válido por este, na noite de quinta (05), a goleada de 6 a 1 do time do treinador português Jorge Jesus sobre o lanterna Avaí, no Maracanã sob chuva, talvez fosse irrelevante para evidenciar. Mas não foi. Bastou constatar que seu último gol, da promessa Reinier, menino de 17 anos, foi marcado aos 44 do segundo tempo, após belo cruzamento de Rafinha pela direita.

 

 

O que isso quer dizer? Simples! Rafinha é lateral-direito. O que um defensor de um time, que já era campeão três rodadas antes, fazia na ponta direita do ataque a um minuto do fim do tempo regulamentar, quando vencia por 5 a 1? Isso, enquanto seu técnico se esgoelava à beira do campo, entanguido como pinto recém-nascido, mandando seu time à frente. A despeito da qualidade técnica, nunca tinha visto um time de futebol com essa mesma obsessão em agredir o adversário. Tivesse que buscar paralelo no esporte, só encontraria no ex-campeão peso pesado de boxe Mike Tyson, em seu temível início de carreira.

 

Myke Tyson massacra Trevor Berbick para se tornar, aos 20 anos, o mais jovem campeão peso pesado da história do boxe, em 22 de novembro de 1986

 

Após a despedida do Maracanã neste ano histórico, o Flamengo hoje se despede do Brasil que conquistou. Será a partir das 16h, na Vila Belmiro, contra o Santos. Dezenove pontos atrás, o forte adversário é o segundo colocado na tabela do Brasileirão. E tem como treinador o argentino Sampaoli, outro estrangeiro batizado Jorge a lecionar na revolucionária temporada o que só agora começamos a aprender, meia década após a humilhação dos 7 a 1 impostos pela Alemanha: nossos técnicos padecem de crônica defasagem tática.

 

Jorge Sampaoli

 

Se não possui o mesmo diferencial de outros tempos, a habilidade individual com a bola ainda caracteriza o futebol brasileiro. Ocorre que, pela evolução atlética dos tempos do River de La Bruna para cá, cada jogador hoje tem a posse de bola, em média, por apenas 2 minutos em cada 90 de jogo. No conceito que aplica à exaustão, Jesus só ensinava o que os 11 em campo precisam fazer nos 88 minutos restantes.

 

Jorge Jesus

 

Não por acaso, o Flamengo derrubou cinco treinadores brasileiros, entre eles Felipão. Emblematicamente, era o técnico do Brasil contra a Alemanha em 2014. E responsável pelo que Caju, a despeito de ter brilhado no Grêmio de Renato, denuncia como imposição da escola gaúcha ao nosso futebol. Que deu ao Corinthians de Tite, hoje técnico da Seleção Brasileira, a Libertadores e o Mundial com justiça. Mas sem um único craque, como Sócrates, para lembrar.

Após encerrar o Brasileiro em que bateu todos os recordes da era dos pontos corridos, o Flamengo terá pela frente o Mundial, no Qatar. Seu primeiro compromisso será a semifinal do dia 17, contra o vencedor entre o árabe Al Hilal, campeão da Ásia, e o tunisiano Espérance, campeão da África. Quem ganhar vai à final do dia 21. Cujo adversário será definido na outra semifinal, do dia 18, entre o inglês Liverpool, campeão da Europa, e provavelmente o mexicano Monterrey, campeão da América do Norte.

Se reeditar a final contra o Liverpool, 38 anos depois da primeira madrugada em claro de um moleque de 9 anos, o time de Jesus tentará outra ponte Maracanã/Vila Belmiro. Nela, terá a chance de superar a marca alcançada no melhor ano do Flamengo de Zico. Que em 1981 foi campeão da Libertadores e do Mundial. Mas não do Brasileiro, que “só” venceu em 1980, 82, 83 e 87. Se conquistar o mundo que seu povo pede de novo, o Flamengo de 2019 se igualará à marca do Santos de Pelé. Único time da história a vencer no mesmo ano o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial, bisou a façanha em 1962 e 63.

 

Santos de Pelé comemora no Maracanã o Bicampeonato Mundial de 1963, conquistado em goleada de 4 a 2 sobre o italiano Milan, no Maracanã (Foto: Santos)

 

Dois técnicos conseguiram travar o time de Jesus. Vanderlei Luxemburgo com o Vasco e Marcelo Gallardo, com o River — respectivamente, no empate de 4 a 4 pelo Brasileiro e na derrota e 1 a 2 pela final da Libertadores. Foram os únicos a conter a volúpia do Flamengo. Não o venceram, é verdade. Mas foram dois jogos épicos, em que a fome rubro-negra quase ficou à míngua. A equipe inglesa do técnico alemão Jürgen Klopp não terá essa preocupação.

 

Jürgen Klopp

 

Na final de sonhos do Mundial, a realidade seria um Liverpool partindo pra cima do adversário sul-americano. No jargão do MMA, seria trocação franca. Em alta intensidade, venceria quem acertasse e suportasse mais golpes. Além da qualidade técnica dos seus jogadores, preocupa a bola longa dos Reds na linha de defesa alta do Rubro-Negro. Foi com ela que o Atlético Paranaense empatou em 1 a 1 para bater o Flamengo nos pênaltis, dentro do Maracanã, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Era 17 de julho, um mês após Jesus assumir o time.

 

 

Seis meses depois, viver a chance de superar o melhor time de Zico e se igualar ao melhor de Pelé não é pouca coisa. Está a apenas dois jogos de distância do Flamengo de Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta. Seu último confronto no ano, caso o roteiro não seja reescrito pelo destino sempre improvisador, será contra o Liverpool de Salah, Mané e Firmino. Se fizerem novamente a final, quem vencer passará à história do futebol mundial. E seguirá vida afora na retina e na alma de moleques. Os que vivem e os que ressuscitaram em corpos envelhecidos.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Artigo do domingo — A “Suprema Autoridade” e seus avisos

 

“Tiradentes Esquartejado” (1893), óleo sobre tela de Pedro Américo

A “Suprema Autoridade” e seus avisos

 

“Justiça que a Rainha Nossa Senhora manda fazer a este infame Réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constituiu chefe, e cabeça na Capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberana e Suprema Autoridade da mesma Senhora, que Deus guarde. Manda que com baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta cidade ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre e que separada a cabeça do corpo seja levada a Vila Rica (atual Ouro Preto), donde será conservada em poste alto junto ao lugar da sua habitação, até que o tempo a consuma; que seu corpo seja dividido em quartos e pregados em iguais postes pela estrada de Minas nos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha e Sebollas (atual Inconfidência); que a casa da sua habitação seja arrasada, e salgada e no meio de suas ruínas levantado um padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável Réu, e delito e que ficando infame para seus filhos, e netos lhe sejam confiscados seus bens para a Coroa e Câmara Real. Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792”.

Essa foi a sentença que condenou Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”. Na didática do terror, o recado da Coroa de Portugal foi claro: veja o que acontece com quem desafia a “Suprema Autoridade” do Brasil de então. Antes mesmo que a colônia fizesse sua independência e sua república, pelas quais Tiradentes conspirou junto a outros para tentar antecipá-las a Minas Gerais, uma indagação estava imposta em nossa gênese pelos donos do poder: “sabe com quem (ou sobre quem) está falando?”.

No Direito há vários conceitos que se aplicam à vida comum. Um deles é o princípio da proporcionalidade, ou da razoabilidade. Para quem não é jurista, mas acompanha futebol, é simples de entender. Para um jogador que sistematicamente comete faltas durante a partida, no intuito de parar o time adversário, o cartão vermelho, sobretudo se antecedido de um amarelo, pode ser aplicado pelo árbitro ao “conjunto da obra”. Mesmo que a última falta não tenha sido assim tão grave. Mas não sobre um que cometeu sua primeira infração, a não ser que ela tenha sido superlativa em violência.

 

 

Juiz campista Glaucenir Oliveira

Até a última terça-feira (03) o juiz de Campos Glaucenir Oliveira nunca teve uma falta sua levada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). E na primeira delas foi colocado em disponibilidade, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Enquanto durar seu afastamento, não poderá advogar ou exercer cargo público, salvo magistério em curso superior. Em dezembro de 2017, o magistrado campista insinuou em um grupo de WhatsApp que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria recebido dinheiro do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) para soltá-lo da prisão.

Não há dúvida de que Glaucenir errou. Ele próprio publicaria uma carta aberta nas redes sociais, se desculpando e admitindo que suas acusações eram falsas. Antes disso, em 27 de dezembro de 2017, a coluna Ponto Final escreveu: “Ao comentar a decisão de Gilmar de soltar Garotinho, Glaucenir errou se afirmou sem provas: ‘O que se cita aqui, dentro do próprio grupo dele (Garotinho) é que a quantia foi alta’ ou ‘E segundo os comentários que eu ouvi hoje, de gente lá de dentro (do grupo de Garotinho) é que a mala foi grande’”.

Admitido o erro pelo próprio magistrado, a questão é: a punição obedeceu ao princípio da proporcionalidade na primeira infração de Glaucenir levada ao CNJ? Pergunta que leva a outras: 1) Se a irresponsabilidade verbal em um grupo de WhatsApp pode ser um crime de opinião, não há outros mais graves, como corrupção, cuja suspeita jamais pesou sobre o juiz? 2) E se o alvo do crime de opinião não fosse Gilmar Mendes?

No próprio desfecho dado no CNJ ao processo administrativo disciplinar contra Glaucenir, aberto após representação de Gilmar, houve dúvida. Relator do caso, o conselheiro Arnaldo Hossepian votou pela pena de remoção compulsória, que seria o cartão vermelho logo de cara. Já o conselheiro Luciano Frota abriu divergência, votando pela pena de censura, que seria o amarelo. Foi o ministro Dias Toffoli, presidente do CNJ e do STF, onde é colega próximo de Gilmar, quem propôs a alternativa vencedora da pena de disponibilidade.

 

Gilmar Mendes e Dias Toffoli, colegas próximos no STJ e nos rumos da nação

 

Na dúvida que habitou dentro e fora do CNJ, não se pode confundir um crime de opinião do juiz com os que levaram o ex-governador à prisão na operação Caixa d’Água. Ele foi encarcerado, por decisão de Glaucenir como juiz da 98ª Zona Eleitoral, pela acusação de comandar um esquema de cobrança de propina, inclusive com emprego de arma de fogo, no governo municipal Rosinha Garotinho (Pros). O objetivo? Fazer caixa à sua campanha a governador em 2014. A versão foi confirmada em depoimento pelo empresário campista André Luiz da Silva Rodrigues, conhecido como Deca, e o ex-executivo da JBS, Ricardo Saud. Deca usou uma empresa de fachada, a Ocean Link, para repassar o dinheiro da JBS a Garotinho. As investigações surgiram a partir da delação premiada de Saud à Lava Jato.

 

Ricardo Saud, ex-executivo da JBS, delatou na Lava Jato o esquema de Garotinho

 

Se Glaucenir cometeu erro primário, tanto pior para um magistrado, ao verbalizar acusações sem provas em um grupo de WhatsApp, isso também deve ser separado da dinâmica dos fatos que levou à decisão de Gilmar de soltar Garotinho em 2017. Por decisão da Justiça Eleitoral de Campos, ele e Rosinha foram presos em 22 de novembro daquele ano. E a ex-governadora ganharia liberdade no dia 29 daquele mês.

Após 28 dias em Bangu 8, Garotinho só seria solto em 21 de dezembro, por decisão monocrática de Gilmar, então presidente do TSE. O curioso é que foi em seu primeiro dia no plantão na instância máxima da Justiça Eleitoral, seguinte ao plenário encerrar a pauta de 2017 sem apreciar o pedido de habeas corpus. O que levou a pensar se o ministro não esperou apenas 24 horas para decidir sozinho o que, talvez, não tivesse o mesmo desfecho na decisão coletiva dos sete ministros do TSE.

Outro dado curioso é que a ação penal da Caixa d’Água havia sido suspensa em 25 de junho de 2018, por decisão de Dias Toffoli no STF. Ela foi retomada em 18 de outubro deste ano, por decisão contrária da ministra Carmen Lúcia, que assumiu o caso quando Toffoli foi para a presidência do STF. Seus ministros, além da diferença nos juízos, às vezes ficam famosos por frases que despertam diferentes sentimentos na sociedade.

 

 

 

Rainha de Portugal, Maria I, a Louca

Quando foi um dos que decidiram pela liberdade de José Dirceu (PT), em junho de 2018, Gilmar arrogou: “O Supremo está voltando a ser Supremo”. Em março daquele ano, Luís Roberto Barroso sentenciara Gilmar: “Você é uma pessoa horrível, mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”. Em outubro de 2016, Carmen reforçou o direito da imprensa de repassar informações aos cidadãos: “O cala-boca já morreu”. Recusado duas vezes no concurso público para juiz de primeira instância, no qual passou Glaucenir, ao suspendê-lo das suas funções, Toffoli ameaçou na última terça: “Não se pode brincar com o STF”.

“O homem é ele e suas circunstâncias”, definia o filósofo espanhol Ortega y Gasset. Sem comparar os homens, mas atento às suas circunstâncias, Tiradentes foi esquartejado e teve suas partes espalhadas em exposição pública como aviso. Da “Suprema Autoridade” da rainha portuguesa Maria I. Que ficaria mais conhecida como “Maria, a Louca”.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Amaerj promove ato em solidariedade a Glaucenir nesta terça, diante do Fórum

 

Amaerj promove ato em solidariedade a Glaucenir nesta terça (10), em frente ao Fórum de Campos (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

 

A Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj) organizará um ato em solidariedade ao juiz da comarca Glaucenir Oliveira. Será às 13 desta terça (10), em frente ao Fórum de Campos, com participação de juízes e promotores e servidores da Justiça local, além de membros da Defensoria Pública e da Polícia Civil do município, com a presença do magistrado Felipe Gonçalves, presidente eleito da Amaerj.

Como anunciou (aqui) em primeira mão o blog De Fato, do jornalista da Folha Aldir Sales, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu no início da noite da última terça (03) afastar Glaucenir da suas funções. O período do afastamento, no entanto, ainda não está definido. O motivo foi o áudio em um grupo de WhatsApp, vazado e divulgado nacionalmente em dezembro de 2017.

No áudio, o juiz de Campos criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de libertar o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), após 28 dias de prisão na operação Caixa d’Água decidida por Glaucenir. Ele disse no grupo de WhatsApp sobre a decisão de Gilmar: “O que se cita aqui, dentro do próprio grupo dele (Garotinho) é que a quantia foi alta” ou “E segundo os comentários que eu ouvi hoje, de gente lá de dentro (do grupo de Garotinho) é que a mala foi grande”.

Sobre a libertação de Garotinho pela decisão de Gilmar, além de Glaucenir, quem também se pronunciou à época foi Zuenir Ventura, decano do jornalismo brasileiro. Ele comentou a comemoração da decisão pela deputada federal Clarissa Garotinho (Pros): “Na saída da cadeia, o ex-governador Garotinho e simpatizantes oraram agradecendo ao Senhor a liberdade sem tornozeleira. Clarissa, a filha, louvou: ‘Deus é fiel’. Deveria estender o gesto de gratidão e acrescentar: ‘Gilmar também’. Afinal, além de fiel, ele é monocrático — aquele que prefere decidir sozinho. Como o Senhor”.

Diferente do juiz de Campos, o mestre do jornalismo brasileiro não sofreu nenhuma sanção. Zuenir fez menção ao fato de que a decisão monocrática de Gilmar, favorável a Garotinho, se deu no seu primeiro dia no plantão no TSE, seguinte ao plenário encerrar a pauta do ano de 2017 sem apreciar o pedido de Habeas Corpus (HC). O que levou a pensar se o presidente da instância máxima da Justiça Eleitoral esperou apenas 24 horas para decidir sozinho o que, talvez, não tivesse o mesmo desfecho na decisão coletiva dos sete ministros do TSE.

 

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Diretor da UFF-Campos destaca atuação de Wladimir em homenagem por emenda

 

Clarissa e Wladimir com as placas de agradecimento da UFF-Campos entregues por seu diretor, Roberto Rosendo (Foto: Divulgação)

 

“Na minha visão o deputado Wladimir Garotinho (PSD) foi o articulador da nossa emenda no Congresso Nacional e fez um excepcional trabalho, considerando que possui apenas 11 meses de mandato”. Foi o que sublinhou hoje o diretor da UFF-Campos, professor Roberto Rosendo, sobre a aprovação da emenda de bancada (aqui) no valor de R$ 25 milhões, para conclusão das obras do campus da universidade na av. XV de Novembro, abandonadas pela metade em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT).

Rosendo está em Brasília desde ontem, quando entregou placa em agradecimento pela aprovação da emenda a Wladimir. Pelo mesmo motivo, outros deputados federais também receberam a homenagem: Clarissa Garotinho (Pros), Hugo Leal (PSB), Alessandro Molon (PSB), Paulo Ramos (PDT) e Talíria Petrone (Psol).  O diretor da UFF-Campos fica na capital federal até amanhã, para tentar entregar a placa pessoalmente aos outros parlamentares que se comprometeram com a liberação dos R$ 25 milhões: Chico D’Ângelo (PDT), Jandira Feghali (PCdoB), Benedita da  Silva (PT), Marcelo Freixo (Psol),  Glauber Braga (Psol), Christino Áureo (PP), Flordelis (PSD), Sargento Gurgel (PSL) e Márcio Labre (PSL).

 

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HGG: após interdição por água de chuva, início das obras é adiado pela terceira vez

 

Flagrante de água da chuva entrando na enfermaria do HGG, feito no dia 29 por filho de paciente (Foto: Arquivo Pessoal)

 

No último dia 20, pela infiltração da água da chuva, o Hospital Geral de Guarus (HGG) teve (relembre aqui) sete setores interditados e seu atendimento clínico suspenso. Como a coluna Ponto Final revelou (aqui) na última sexta (29), o  problema da infiltração ocorre desde 2009, quando a laje do hospital e sua manta de impermeabilização foram perfuradas no governo Rosinha Garotinho, para a instalação de aparelhos split de ar-condicionado.

 

Flagrante da água da chuva vazando pelo teto do HGG de 11/04/14, no governo Rosinha (Foto: Reprodução)

 

Na mesma sexta, no programa Folha no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, o secretário municipal de Saúde Abdu Neme e o diretor do HGG, Dante Pinto Lucas, disseram (aqui) que as obras no hospital teriam início na segunda (02). Não começaram e ontem (03) Dante disse (aqui) que seria para hoje (04), primeiro na sala de esterilização e depois no centro cirúrgico, com prazo para conclusão de dois meses.

 

No Folha no Ar de 29/11, Dante e Abdu disseram que obras no HGG começariam na última segunda (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Pois hoje, Dante revelou que o início das obras no HGG foi adiado pela terceira vez. Agora, a nova previsão é para esta sexta (o6). Segundo apurou com ele a repórter da Folha Camila Silva: “a empresa que tinha previsão para iniciar o procedimento na segunda e depois nesta quarta informou que iria adiar a instalação dos contêineres”.

Na sexta, a previsão do tempo é de pancadas de chuva. Confira aqui.

 

Atualização às 18h07

 

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Ingrid Trancoso — O dilema da regulamentação da Cannabis no Brasil

 

Maconha foi liberada pela Anvisa para ser usada como remédio, mas não pode ser cultivada no Brasil (Foto: Divulgação)

 

 

Ingrid Trancoso, enhenheira agrônoma, pesquisadora e pós-graduanda da Uenf (Foto: Facebook)

O dilema da regulamentação da Cannabis

Por Ingrid Trancoso

 

A Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu aprovar a regulamentação da produção e comercialização de medicamentos derivados da Cannabis e arquivar a proposta de regulamentação do plantio para fins medicinais e/ou pesquisas científicas. O resultado dessa decisão foi comemorada principalmente pelas indústrias farmacêuticas, que garantiram um mercado bilionário em prol da saúde dos brasileiros. A sociedade continua refém da indústria, pois a tendência é que esses medicamentos sejam disponibilizados a um valor exorbitante, tendo em vista a necessidade de cultivar a planta no exterior, fomentando empresas estrangeiras. A Anvisa teve a oportunidade de incentivar uma cadeia produtiva nacional e assim gerar milhões de empregos, abastecer o mercado interno, possibilitar pesquisas e sobretudo garantir o acesso a saúde de forma justa à sociedade. No entanto, preferiram alimentar o lobby das grandes indústrias e negociar a saúde do povo brasileiro.

Nós, pesquisadores, não encontramos sentido na proibição do cultivo, tendo em vista que existem drogas disponíveis nas farmácias de fácil aquisição e que causam a morte de centenas de pessoas, como por exemplo a dipirona. A Cannabis não causa risco de morte e apresenta efeitos colaterais extremamente menores do que a morfina, que tem padrão de aquisição semelhante a de medicamentos com concentrações superiores a 0,2% de THC (composto psicoativo da Cannabis). Esses medicamentos só poderão ser prescritos aos pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Isso é um absurdo, pois o THC em concentrações superiores também é eficiente no tratamento de diversas doenças. Em muitos casos apresenta maior eficácia e efeitos colaterais mais leves do que as drogas ditas eficientes.

Se por um lado ainda temos muitas dificuldades em garantir a soberania nacional e o acesso justo aos medicamentos derivados da Cannabis, por outro reconhecemos que os pequenos passos dados pela Anvisa impulsionam o debate em relação à importância do desenvolvimento do mercado nacional. Não é possível que Israel, Canadá, Uruguai, Colômbia, dezenas de estados do Estados Unidos e diversos outros países estejam fazendo tudo errado. Basta se informar. Nós, pesquisadores, estamos aqui para isso.

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

 

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Dante diz que obras no HGG começam nesta quarta e fala sobre contratualizados

 

Diretor do HGG, Dante se reuniu ontem (02) com representantes da Saúde de municípios vizinhos (Foto: Divulgação)

 

Anunciadas para ontem (02), as obras no Hospital Geral de Guarus (HGG) vão começar nesta quarta (04). Primeiro com a montagem do canteiro de obras na sala de esterilização, depois com a reforma do centro cirúrgico. Os dois setores estiveram entre os sete interditados (aqui) no último dia 20, com a infiltração da água de chuva, que interrompeu o atendimento clínico do hospital. A previsão é de que as obras sejam concluídas em dois meses, “até o final do verão”. Foi o que disse hoje o diretor do HGG, Dante Pinto Lucas. Ele também quis desfazer qualquer mal-entendido com os hospitais contratualizados de Campos, a partir da sua entrevista (aqui) ao Folha no Ar 1ª edição da última sexta (29), na Folha FM 98,3, junto ao secretário de Saúde Abdu Neme:

— Já trabalhei como médico nos hospitais Beneficência Portuguesa, Plantadores de Cana, Álvaro Alvim e Santa Casa de Misericórdia. Tenho o maior respeito e carinho pelas quatro instituições e seus profissionais, todos meus colegas, alguns de longa data. São hospitais importantes não só para Campos, como para todo o Norte Fluminense, pois atendem doentes de toda a região. Eu disse apenas que, dada a situação financeira fragilizada de Campos com a queda acentuada nas receitas do petróleo, é fundamental que os hospitais contratualizados se sentem com o município para se adequar a essa nova realidade. Não é porque hoje entraram (aqui) esses R$ 8 milhões de verba estadual, que amanhã vamos ter esse recurso de novo. Os leitos dos contratualizados são ocupados por doentes que primeiro são estabilizados no HGG e no Ferreira Machado, que dão o atendimento de emergência e por isso têm que ter uma equipe mais numerosa, que custam mais para serem mantidas.

Dante esteve reunido ontem no HGG com representantes das secretarias municipais de Saúde de São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, Quissamã, Macaé e São Fidélis. A pauta do encontro foi coordenar esforços na tentativa de desafogar a atendimento de emergência na região:

— O Norte Fluminense tem dois polos regionais de Saúde. Campos atende os doentes do seu próprio município, maior do Estado do Rio, São João, São Francisco e São Fidélis. Macaé atende os da sua cidade, mais Quissamã, Carapebus e Conceição. Mas pacientes destes municípios têm vindo também para Campos, porque Macaé tem recebido muitos doentes da Região dos Lagos. Além de recebermos também de Cardoso Moreira, Italva e Itaocara, que deveriam ser atendidos por Itaperuna, polo do Noroeste. O problema é regional, daí a necessidade de tentarmos um suporte com a secretaria estadual de Saúde, para que Quissamã e São João, por exemplo, que também têm hospitais, possam segurar seus pacientes — disse o diretor do HGG.

 

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Anvisa libera medicamentos à base de maconha, mas mantém cultivo proibido

 

Uso medicinal do óleo da maconha foi liberado hoje pela Anvisa, mas cultivo da planta continua proibido

 

Na adaptação do popular samba “Malandragem dá um tempo”, versão irreverente do compositor Bezerra da Silva (1927/2005) sobre a maconha: pode vender como remédio, mas não pode cultivar agora. É o resumo da decisão hoje da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao ministério da Saúde, de liberar a venda de medicamentos à base da Cannabis sativa (nome científico da maconha), mas manter seu cultivo proibido no país. Em Campos, quem se dedica ao estudo científico da planta e seus usos medicinais questionou a medida:

— A questão é que só quem está se beneficiando com essa decisão da Anvisa são as grandes empresas. Isso não vai gerar nenhum emprego para o Brasil. A maconha é uma planta, que não causa nenhum tipo de risco de vida aos seres humanos. E qualquer farmácia do país está cheia de drogas que podem matar pessoas. Não podemos cultivar para estudar cientificamente a maconha. Nem importar material para a produção dos medicamentos ela derivados. Apenas comprar da indústria. Prevaleceu o interesse comercial — reagiu a engenheira agrônoma Ingrid Trancoso, pós-graduanda da Uenf, ao anúncio hoje da Anvisa.

 

Pesquisadores Almy e Igrid falaram no Folha no Ar de 20 de novembro sobre o uso medicinal da maconha (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

Ao lado do ex-reitor da Uenf Almy Junior, também engenheiro agrônomo, Ingrid falou (aqui) sobre o uso medicinal e recreativo da maconha no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, no último dia 20, feriado nacional da Consciência Negra. Foi um dia antes dos dois cientistas participarem de um seminário, no Centro de Convenções da Uenf, sobre o uso medicinal da maconha. Hoje, a nova regulamentação para medicamentos com base nas propriedades da planta foi aprovada por unanimidade pela Anvisa. Ela é temporária, com validade de três anos. Almy também questionou a medida:

— Um retrocesso que só atende a indústria de medicamentos. Impedir o Brasil de produzir seus próprios princípios ativos é antieconômico e nada inteligente. Pior, estes medicamentos a base de cannabis, comercializados pelas farmácias vão ficar muito caros. sobre uso medicinal da cannabis. O estudo da planta para sua utilização medicinal  é um tema que todos nós apoiamos, porque ele é ciência pura. É um tema que países conservadores como Israel, ou estados conservadores (dos EUA) como o Texas, já fazem há muito tempo. E as pessoas só vão entender no dia em que alguém da família precisar de um medicamento qualquer. O debate é que, sem a permisssão para o cultivo, a gente está cerceado do direito de fazer ciência. O pesquisador brasileiro tem o problema da legalização, corre o risco de ser preso porque usa o material nativo do Brasil para fazer ciência. E nós estamos falando de uma planta (a cannabis) que tem 10 mil anos de utilização pelo homem — lembrou o ex-reitor da Uenf.

Na mesma reunião da diretoria colegiada do órgão foi rejeitado o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Por 3 votos a 1, proposta foi arquivada pela agência reguladora. Com a decisão, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta, como ressalvou a pesquisadora da Uenf. Sobre a venda em farmácias, a norma passa a valer 90 dias após sua publicação no Diário Oficial da União. De acordo com a resolução, os produtos liberados poderão ser para uso oral e nasal, em formato de comprimidos ou líquidos, além de soluções oleosas.

O texto não trata do uso recreativo da maconha, que continua proibido. A comercialização ocorrerá apenas em farmácias e drogarias sem manipulação, que venderão os produtos prontos, mediante prescrição médica. O tipo de prescrição médica necessária vai depender da concentração de tetra-hidrocanabidiol (THC), principal elemento psicotrópico da cannabis sativa, ao lado do canabidiol (CBD), que é usado em terapias como analgésico ou relaxante.

O THC altera as funções cerebrais e é a substância que provoca os mais conhecidos efeitos do consumo da maconha, droga ilegal no Brasil. Entretanto, estudos indicam que o THC também pode ser usado como princípio ativo para fins medicinais. Nas formulações com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B e renovação de receita em até 60 dias. Já os produtos com concentração de THC superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Neste caso, o receituário para prescrição será do tipo A, mais restrito, padrão semelhante ao da morfina.

 

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Trump mente, pune Brasil e Argentina e leciona Bezerra da Silva aos lambe-botas

 

Ao anunciar ontem (aqui) que vai retomar as tarifas do aço e do alumínio do Brasil e Argentina porque os dois países sul-americanos desvalorizariam artificalmente suas taxas de câmbio, reduzidas pela realidade da recessão econômica agravada pela guerra comercial entre EUA e China, Trump fez o que sempre faz: usou de fake news.

Para quem governa, abaixo e acima do Equador, usando do mesmo artifício desonesto, o golpe duro nas exportações e na balança comercial brasileiras não deixa de obedecer ao conceito bíblico do eterno retorno: você pode escolher o que semear, mas colherá o que plantou.

Para quem foi eleito presidente do Brasil batendo continência à bandeira dos EUA, cujos defensores repetem o gesto patético diante de uma Estátua da Liberdade fake, fica a lição geopolítica traduzida em samba pelo saudoso Bezerra da Silva: ninguém respeita lambe-botas. Sobretudo quem tem a bota lambida.

 

 

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R$ 8 milhões do governo estadual entram na conta dos hospitais de Campos

 

Rodrigo Bacellar e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Depois de terem liberados R$ 7,3 milhões de recursos municipais no último mês, os hospitais contratualizados de Campos recebem, nesta terça-feira, dia 3, mais R$ 8 milhões. O recurso é oriundo do Governo do Estado, obtido através de intermediação do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Este ano, até então, foram repassados aos contratualizados R$ 82,9 milhões em recursos federais e R$ 50,7 milhões em recursos municipais.

A responsabilidade de média e alta complexidade é do município e, também, do estado. Por esta razão, o estado contribuiu para que o município possa continuar fazendo seus repasses junto aos contratualizados. No último dia 28, a Prefeitura de Campos liberou aos hospitais R$ 2,9 milhões. Antes disso, também em novembro, já havia sido liberados R$ 4,4 milhões — todo este montante de recursos municipais.

— A gente sempre deixou claro que a Saúde é prioridade em nosso governo e os hospitais contratualizados também fazem parte. Tanto que, com  muito menos recursos, a gente vem mantendo os pagamentos dentro de nossas possibilidades. Neste último mês já repassamos R$ 7,3 milhões de recursos do município e agora mais R$ 8 milhões vindos do estado. Vale destacar a grande atuação do deputado estadual Rodrigo Bacellar, a quem, desde já, agradecemos. E, semana que vem, estaremos fazendo repasse da verba federal, mostrando que os hospitais são sim prioridade de nossa gestão. Vivemos uma nova realidade financeira, mas estamos cumprindo nossos compromissos dentro de nossas possibilidades — esclarece o prefeito Rafael Diniz (Cidadania).

O secretário municipal de Saúde e presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Abdu Neme ressalta o cumprimento dos compromissos por parte do governo municipal:

— Após trabalho de bastidores do prefeito Rafael Diniz e do deputado Rodrigo Bacellar, a Prefeitura libera hoje (terça-feira) recursos no montante de R$ 8 milhões. Com R$ 7,3 milhões dos últimos dias, chegamos à cifra de R$ 15,3 milhões. Também estamos na expectativa de, como sempre fazemos seguindo determinação do prefeito, repassarmos em dia os recursos federais para todas as unidades de saúde, o que gira em torno de R$ 5 milhões.

Articulador junto ao Governo do Estado para a liberação da verba de R$ 8 milhões, o deputado estadual Rodrigo Bacellar destacou o trabalho de outros dois políticos:

— Só tenho a agradecer ao vice-governador Cláudio Castro e ao presidente da Alerj, André Ceciliano (PT) por nos atenderem e terem a sensibilidade com a questão que passam as finanças de Campos neste momento. Os recursos serão importantes não só para o município, mas para a região como um todo, uma vez que Campos atende a várias cidades. Espero que os hospitais façam um bom proveito e possam ajudar as pessoas — afirmou o deputado.

 

Da Supcom

 

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Eleição a reitor do IFF — Folha entrevista Jefferson, Jonivan e Ferrarez em jornal e rádio

 

IFF terá como candidatos a reitor os professores Jefferson Manhães de Azevedo, Jonivan Lisboa e Maurício Ferrarez (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Depois de andar sempre na frente da cobertura das eleições a reitor da Uenf, vencida (aqui) pelo professor Raúl Palácio na eleição de 17 de setembro, o Grupo Folha agora reserva especial atenção à eleição a reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF). Ela será realizada no próximo dia 11, quarta-feira da semana que vem, nos 12 polos do IFF, em 10 municípios.

Candidatos ao comando da maior insituição de ensino de Campos e região, os professores Jefferson Manhães de Azevedo, Jonivan Coutinho Lisbôa e Maurício Gonçalves Ferrarez terão espaços iguais para exporem seus planos e ideias. Tanto aos leitores da Folha da Manhã, quanto aos ouvintes e telespectadores (pelo streaming aqui) do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3.

 

Por ordem determinada em sorteio, Jefferson deu hoje entrevista à Folha da Manhã, que será publicada na sexta. Amanhã tem Jonivan na Folha FM e Ferrarez no jornal (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Na última sexta (29), com convite feito às três candidaturas, foram sorteadas a ordem das entrevistas no jornal e na rádio. Reitor candidato à reeleição, Jefferson concedeu na tarde de hoje uma entrevista à Folha da Manhã, que será publicada na próxima sexta (06). Nesta terça (03), Jonivan será o convidado do Folha no Ar, enquanto Ferrarez dará uma entrevista ao jornal no final da manhã, que será publicada no sábado (07).

Na quarta (04), o IFF permanecerá na pauta do Folha no Ar 1ª edição, mas os candidatos estarão presos pela manhã em um debate previamente marcado na reitoria. À tarde do mesmo dia, Jonivan dará sua entrevista ao jornal, que será publicada no domingo (08). Na quinta (05), a Folha FM também entrevistará Jonivan. E, na sexta, Jefferson fechará a semana do Folha no Ar 1ª edição.

A decisão será no voto de professores, servidores e alunos do IFF. As três categorias têm igual valor, diferente da Uenf, onde o magistério tem peso de 50% no colégio eleitoral. A Folha espera poder contribuir no debate de uma instituição de fundamental importância para Campos e toda a região, dentro e fora dos muros da escola.

 

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Artigo do domingo — Da aldeia à tribo, Diva, Yve, Flamengo e Liverpool

 

Diva Abreu, Yve Carvalho, Gabriel Barbosa e Mohamad Salah (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Da aldeia à tribo, Diva, Yve, Flamengo e Liverpool

 

Jogadores do Flamengo entraram sobre o trio na Candelária como campeões da Libertadores e saíram como Heptacampeões do Brasileiro

 

Capa da Folha Dois da terça (26) anuncia os vencedores do Prêmio Alberto Lamego: Diva Abreu Barbosa e Yve Carvalho

No sábado, na virada histórica de 2 a 1 sobre o River Plate, veio a Libertadores da América após 38 anos. No domingo, com os jogadores ébrios em cima do trio elétrico navegando lento um oceano de gente no Centro do Rio de Janeiro, veio o sétimo Campeonato Brasileiro. Na segunda, dia 25, Jorge Jesus ganhou o título de cidadão carioca da Câmara Municipal do Rio. No mesmo dia, no que há de goitacá e particular na alegria de uma nação, foi anunciado que a professora Diva Abreu Barbosa e o ator Yve Carvalho (in memoriam), dois rubro-negros, foram eleitos vencedores do Prêmio Alberto Lamego, mais importante da cultura no município.

Tolstói dizia: “Quer ser universal, canta a tua aldeia”. Atualmente mais conhecida por sua atuação empresarial, publicitária e em eventos, como diretora-presidente do Grupo Folha, Diva foi também poeta, cronista e compositora premiada, inclusive em festivais do Rio de Janeiro, nos anos 1960. Na metade daquela década, quando voltou a Campos, após se formar em História na Universidade Santa Úrsula, foi a primeira mulher a usar calça jeans e fumar em público na planície marcada pelo conservadorismo. O fazia enquanto tomava café no Ceceu, quedando os muros do patriarcado na “Rua dos Homens em Pé”.

Diva formaria gerações em História do Brasil pelas três décadas seguintes, como professora do Liceu e da Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic). Nesta, na segunda metade dos anos 1970, organizou as duas Semanas Universitária de Arte e Cultura (Suacs). Nelas, entre outros, trouxe o diretor teatral Aderbal Freire Filho, que encenou “O Auto da Compadecida”, o cantor e compositor Gonzaguinha, o saxofonista Paulo Moura e o pianista erudito Antônio Guedes Barbosa, todos em apresentações gratuitas. Depois, como chefe do departamento de Cultura do último governo municipal Zezé Barbosa (1983/1988), promoveu a reconciliação do escritor José Cândido de Carvalho com sua cidade natal, ao abrir a Casa de Cultura em Goitacazes que leva seu nome. E instituiu o Prêmio Alberto Lamego que receberá no próximo dia 28 de março.

 

Diva Abreu, Andral Tavares, Jofrinho e Paulo Machado no Festival da Canção no Cinema Goitacá, em 1968

 

Morto de insuficiência renal em 26 de maio de 2018, com apenas 54 anos, Yve Carvalho começou no teatro nos anos 1980. Sua primeira peça foi “Blue jeans”, encenada no Teatro de Bolso (TB) sob a direção de Félix Carneiro, o saudoso Felinho. A partir da sua atuação em “O Noviço”, de Martins Pena, em 1986, Yve saiu de Campos como o primeiro ator campista pago nos palcos do Rio. Lá, investiu na sua formação acadêmica. Após se formar como técnico em ator na Escola de Teatro Dirceu de Mattos, também se graduou em licenciatura em teatro na Unirio.

Aprovado em concurso como professor de arte da rede estadual e ainda morando no Rio, Yve integrou o elenco da peça campista “Auto do Ururau”, dirigida por José Sisneiro, que arrebatou em 2005 o prêmio Shell, dos mais importantes do teatro brasileiro. No mesmo ano, ele venceu como intérprete o FestCampos de Poesia Falada. Defendeu a obra “Goya Tacá Amopi”, do poeta e diretor teatral e Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (1950/2015), que estreara como assistente de direção com Aderbal Freire Filho, durante a Suac de Diva.

 

Antono Roberto Kapi (Foto: César Ferreira)

 

O reconhecimento na terra natal e o fato de ter passado em concurso como professor de arte na rede municipal de Campos, trouxeram Yve de volta em 2006. Sua parceria com Kapi colheria mais frutos, em 2008. Com a interpretação do primeiro, sob a direção do segundo, o poema “conversão a mais de uma atmosfera”, de minha autoria, acabaria vencendo o 11º Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja. O palco, não poderia ser mais honroso: a sala Machado de Assis, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Além da obra, Yve ganharia como melhor intérprete daquele festival, seu único prêmio como ator em terras cariocas.

 

Yve teve sua primeira experiência em cinema no curta “Efígie”, de Carlos Alberto Bisogno

 

Ainda em 2008, Yve faria sua primeira experiência no cinema. Sob a direção do campista Carlos Alberto Bisogno, protagonizou o curta “Efígie”, lançado em 2009. Enriquecido pela experiência, retornaria aos palcos no mesmo ano, para encenar no TB seu primeiro monólogo: “Meu querido diário”, do dramaturgo, poeta e professor Adriano Moura. Novamente sob direção de Kapi, foi um ato de resistência de Yve, bancado do próprio bolso. Encenada já em setembro, foi apenas a segunda montagem de artistas locais naquele ano triste para o teatro de Campos.

 

Yve no TB em “Meu Querido Diário”, texto de Adriano Moura, sob direção de Kapi

 

Yve brilha sob o lampião na primeira encenação de “Pontal”, no bar de Neivaldo, no Pontal de Atafona, no verão de 2010 (Foto: Leonardo Berenger)

No verão de 2010, Kapi passava uma temporada em Atafona. E decidiu juntar poemas sobre a praia sanjoanense, dele, meus, de Artur Gomes e Adriana Medeiros, adaptados como causos contados entre pescadores na peça chamada “Pontal”. Yve foi o primeiro ator pensado e o único a sempre integrar seu elenco. O palco seria o Bambu, como Neivaldo Paes Soares passou a ser conhecido após ocupar no Pontal de Atafona a antiga casa de barco da família Aquino, transformando-a em bar e sua residência. Apesar do teatro improvisado, sem luz elétrica e com acesso apenas pela areia, numa montagem com atores, diretor e autores locais, aquela estreia foi um inesperado sucesso de público.

Com a morte de Kapi em 2 de abril de 2015, dois meses antes de Neivaldo desaparecer misteriosamente na foz do Paraíba, Yve se assumiu também como diretor. Trabalhando com a produtora Oráculo do ator Luiz Fernando Sardinha, ministrou cursos sobre tragédias gregas para jovens. E os dirigiu em clássicos da dramaturgia ocidental: “Édipo Rei”, de Sófocles; “Medeia”, de Eurípedes; e “Prometeu acorrentado”, de Ésquilo. Depois de montar os três no TB, levou o último também ao palco do Trianon.

O grande ator também assumiria a direção de “Pontal”. E a encenou em palcos como o Cais da Lapa, o Porto do Açu, o Sesc e o Sesi de Campos, além da praça do Liceu, durante a o I Festival Doces Palavras (FDP!), em setembro de 2015. Após sua estreia num pedaço do Pontal que não existe mais, foi por iniciativa de Yve que a peça teria outra montagem emblemática. Durante a ocupação do Teatro de Bolso pelos artistas de Campos, no movimento Ocupa TB, entre maio e junho de 2016, “Pontal” foi encenada como mais um ato de resistência de Yve. Que comandaria sua reestreia no teatro já reaberto, com casa lotada, em 30 de junho de 2017.

 

Final da apresentação de “Pontal” no TB, em 39/06/17

 

Do palco às coxias, Yve sempre foi a estrela principal. Uma das maiores na história — matéria de Diva — do teatro de Campos. Que, como ela, merecia o Alberto Lamego em vida.

Cantados os vultos da aldeia, resta a tribo mais ampla. A conquista da América do Sul e do Brasil pelo Flamengo foi embalada a plenos pulmões por sua torcida: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”. O pedido tem mais dois jogos para ser atendido no Qatar. O primeiro, na semifinal do Mundial de 17 de dezembro. Será contra o vencedor entre o Al Hilal, da Arábia Saudita e campeão da Ásia, e o Espérance, da Tunísia e campeão da África.

Para quem acha que será jogo fácil, mas tem consciência de como foi difícil a final da Libertadores contra o River, que se lembre: em 2018, o tradicional copeiro argentino caiu na semifinal do Mundial. Antes dele, o mesmo já tinha acontecido com outros campeões da Libertadores: os brasileiros Internacional (2010) e Atlético Mineiro (2013), e o colombiano Atlético Nacional (2016). Em 2019, dado curioso é que o Al Hilal foi o último time que o técnico português Jorge Jesus treinou, antes de vir para o Flamengo em julho.

Do outro lado, campeão da Europa, o inglês Liverpool tem também um adversário potencialmente difícil na semifinal do dia 18: o Monterrey do México, campeão da América do Norte. Este, por sua vez, terá antes que passar pelo vencedor entre o Hienghène, campeão da Oceania, e o Al Saad, representante do anfitrião Qatar. Treinador alemão do Liverpool, Jürgen Klopp é hoje considerado o melhor do mundo. Ele chegou a aventar enviar seu time B para a disputa internacional. Mas definiu na terça (26) que irá com sua força máxima.

Diferença nas tradições à parte, engana-se quem crê que a gravidade do confronto entre Europa e América do Sul no futebol tenha pesado na decisão do Liverpool. Tampouco foi sua tradição particular com o Flamengo, de quem levou um passeio de 3 a 0, quando Zico e companhia conquistaram o Mundial de Clubes há 38 anos. Como os rubro-negros cantam incessantemente: “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história”.

O que pesou na decisão do milionário clube inglês em 2019 foi o fato da final da Libertadores entre Flamengo e River ter sido assistida em 169 países, por 5 bilhões de pessoas. No pay per view, se cada um dos fãs do esporte mais popular do mundo pagar 1 dólar para assistir à hipotética final do Mundial entre Liverpool e Flamengo, em 21 de dezembro, isso renderia 5 bilhões de dólares — 3,85 bilhões de libras esterlinas, ou 21,15 bilhões de reais. Esse é o placar que realmente conta.

 

Trio de ataque do Liverpool em campo: Firmino, Mané e Salah

 

Dentro do campo, o Liverpool terá na sua vanguarda Salah, Firmino e Mané. O Flamengo, Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique. Como os rubro-negros Diva e Yve, de lado a lado haverá a chance de fazer história e arte. Para, em lance do imponderável, impor a cultura do futebol. Quem conseguir chegar lá, leva o prêmio que transcende as cifras.

 

Vanguarda do Flamengo em campo: Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

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