Datafolha confirma Ibope. Na Paraná, vantagem de Bolsonaro é maior

 

 

Datafolha a presidente e governador

A Datafolha divulgou ontem suas novas pesquisas a presidente e governador do Rio. Na disputa ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 28% das intenções de voto, seguido de Fernando Haddad (PT), com 22%. Na corrida ao Palácio Guanabara, o líder Eduardo Paes (DEM), com 25%. Entre os candidatos válidos, ele veio seguido de Romário Faria (Podemos), com 14%. Anthony Garotinho (PRP) teve 15%, mas teve sua inelegibilidade confirmada no final da manhã de quinta (27) pelo juízo unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com base na Lei da Ficha Limpa, o político da Lapa está fora da campanha e do pleito.

 

Datafolha e Ibope x Paraná

A diferença de seis pontos entre Bolsonaro e Haddad no Datafolha foi a mesma registrada na última pesquisa Ibope, divulgada dia 26. Também divulgada neste dia, a consulta do instituto Paraná deu números diferentes, com vantagem de 11 pontos, bem superior, para Bolsonaro. Nas Datafolha e Ibope mais recentes, ele teria respectivamente 28% e 27% das intenções de voto, com 21% e 22% para Haddad. Na Paraná, até ontem a mais recente, o ex-capitão do Exército teria 31%, com apenas 20% ao ex-prefeito de São Paulo. Nas três pesquisas, Ciro Gomes (PDT) é o terceiro colocado: 11% na Datafolha, 12% no Ibope e 10,1%, na Paraná.

 

Quem leva o 2º turno?

Nestes oito dias que separam o eleitor das urnas do primeiro turno, tudo indica que Bolsonaro e Haddad disputarão a presidência no segundo. Mas suas simulações também foram diferentes nas três últimas pesquisas, com a mesma margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Fora dela, Haddad ganharia de Bolsonaro na Datafolha: 45% a 39%. Na Ibope, com resultados próximos no primeiro turno, a simulação do segundo deu um empate técnico: Haddad 42% a 38% Bolsonaro. Já na Paraná, a vitória fora da margem seria de Bolsonaro: 44,3% a 39,4%. Pelos três institutos, Ciro ganharia tanto do capitão, quanto do petista.

 

E a rejeição?

As taxas de rejeição, que costumam determinar a vitória dos candidatos no segundo turno, também foram diferentes nos três institutos. Com números também próximos, Bolsonaro lidera o índice negativo na Datafolha e na Ibope: respectivamente, 46% e 44%. Em ambas, Haddad também ficou em segundo na rejeição: 32% na Datafolha e só 27%, no Ibope. Com outra metodologia, a Paraná novamente trouxe números bem diferentes. Quando o eleitor respondeu sobre cada candidato “não votaria nele de jeito nenhum a presidente”, o petista foi escolhido por 57,6% dos eleitores. Foi menos do que os 51,8% que não votariam no capitão.

 

Estranhamento

Com o descrédito da Vox Populi, a partir da produção de resultados favoráveis ao PT, Datafolha e Ibope passaram a ser os dois institutos de pesquisas mais conceituados do país. O Paraná cresceu muito na eleição presidencial de 2014, também acirradíssima. No dia 27, esta coluna já havia registrado a diferença grande dos números entre Paraná e Ibope. Assim como a coluna de Murillo Dieguez, proprietário do instituto de pesquisas Pro-4, na edição de ontem da Folha. O estranhamento foi registrado antes da Datafolha de hoje, muito próximo ao Ibope. Se os dois estiverem errados e a Paraná correta, mudar-se-á o paradigma de pesquisas no Brasil.

 

Improvável

O problema com a Paraná é o grande espaçamento das suas pesquisas. A última que fizeram sobre a disputa a governador do Rio foi a divulgada em 31 de agosto. Na que saiu ontem da Datafolha, é impossível saber a migração dos votos de Garotinho, que só voltaria a ser candidato por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). Após seus insuspeitos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli suspenderam, respectivamente, os julgamentos das operações Chequinho e Caixa D’Água, que renderam as três prisões do político da Lapa, nada parece impossível. Mas diante da sua condenação unânime no TSE, é muito pouco provável.

 

Legado de Bolsonaro

Com Garotinho ainda na pesquisa Datafolha, ele permaneceu líder isolado na rejeição: 47%. Com ele fora, a liderança no índice negativo é assumida por Romário, com 36%, seguido de Paes, com 31%. A diferença se reproduz na simulação de segundo turno, onde o ex-prefeito do Rio bate o senador por 44% a 32%. Sem Garotinho, o mais pitoresco no debate de ontem da Record foi a disputa entre Indio da Costa (PSD) e Wilson Witzel (PSC) pela herança de Bolsonaro. E não é sem motivo. Segunda a Ibope do dia 25, o capitão lidera com 35% as intenções de voto no Estado do Rio. Segundo colocado, Haddad tem apenas 14%.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Marcão aposta na renovação do Congresso e critica Garotinho

 

Como vereador de primeiro mandato no segundo governo municipal Rosinha, Marcão Gomes fez parte de uma minoria ruidosa de oposição. O barulho foi tanto que o grupo acabou se tornando governo em 2016, com maioria na Câmara Municipal que ele preside e agora quer trocar por uma cadeira na Câmara Federal. Para tanto, aposta na mesma renovação no Planalto Central da qual participou na Planície Goitacá. Na proposta de falar mais como analista política, que como candidato, o olhar equilibrado só pendeu à crítica sobre Anthony Garotinho (PRP), ontem considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sobre o governo Rafael Diniz (PPS), apostou: “acredito que o pior ficou para trás”.

 

 

Jair Bolsonaro – Bolsonaro em pouco tempo amealhou uma parcela significativa do eleitorado. É um fenômeno político que merece ser analisado. Ele encarna uma revolta muito profunda de uma fatia do eleitorado brasileiro que não vê mais no sistema político atual o grande mediador dos problemas complexos da nossa sociedade.

Fernando Haddad – Uma aposta muito alta do PT confiando na potencial de transferência de votos de Lula. Haddad tem experiência e possui qualificação, e pode ser uma surpresa nessa eleição. É esperar para ver.

Ciro Gomes – Um quadro experiente na política brasileira e que tem potencial para contribuir com qualquer governo. Pode ser uma surpresa nas urnas mesmo na contramão dos apontamentos das pesquisas.

Geraldo Alckmin – Mesmo com tempo de TV não conseguiu decolar nas pesquisas, mas pode ser fiel da balança em um eventual segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, ou Bolsonaro e Ciro.

Marina Silva – Assim como Ciro, Marina é um quadro com qualificação técnica e política elevada e pode vir a contribuir muito a eventuais governos e/ou no processo de pacificação entre os extremismos tanto da direita quanto da esquerda. Essa eleição precisa também ser um apaziguador dos ânimos políticos no país.

Luiz Inácio Lula da Silva – Ao mesmo tempo em que está cumprindo pena é também um supermassivo eleitoral e faz com que boa parte de todo processo gravite em torno do seu potencial eleitoral e da memória afetiva que parcela da população tem por seus governos. Ignorar Lula é não dimensionar o potencial que ele tem de influenciar o eleitorado brasileiro.

Eduardo Paes – Foi prefeito de uma das principais capitais do país, o Rio de Janeiro, o que certamente o credencia para pleitear a vaga de governador. Luta contra o desgaste de ter feito parte do MDB no Rio, ao mesmo tempo em que explora na campanha suas realizações como gestor.

Romário Faria – Demonstrou ser um parlamentar sensível às causas das pessoas com deficiência, o que é uma grande virtude. Tem como sua aliada a memória afetiva da população sobre os tempos em que foi jogador de futebol.

Anthony Garotinho – Ficha suja, como confirmou o TSE. A condenação por órgão colegiado, como é o caso dessa por desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde do nosso Estado, é só mais uma prova do que a gente vem falando há tempos. Garotinho é chefe de quadrilha que tem como o hábito iludir, mentir e difamar. Tem propensão ao drama e é dissimulado. Em Campos, nossa luta é desfazer os estragos que anos de gestão de seu grupo político legaram para as futuras gerações de campistas.

Tarcísio Motta – Tarcísio é oriundo de uma das categorias mais nobres da nossa sociedade que é o professor. Respeito sua biografia. Sou filho de professora da rede pública e conheço bem essa realidade. É importante que tenhamos multiplicidade de postulantes para que a população possa fazer um juízo mais equilibrado.

Indio da Costa – É um quadro experiente, mas que por vezes não se situa bem definido no espectro político, mesmo tendo feito parte de vários governos. Às vezes faz parecer que é uma linha auxiliar do garotismo, Às vezes parece que é polo oposto.

Voto útil – Todo voto é útil. É importante que as pessoas votem com sua consciência, sem se deixar influenciar por pesquisas. A convicção é o que deve contar nessa hora. Analisar o projeto e a vida pregressa dos candidatos é um bom caminho para avaliar qual melhor representas seus anseios. Isso só fortalece nossa democracia.

Segundo turno – O cenário brasileiro está difícil de ler até para os mais experientes. Tudo pode acontecer. Vimos em 2014 uma eleição presidencial decidida por detalhes.

Novo Congresso – Acredito que haverá um índice de renovação maior que na última eleição. O Brasil passa por um processo profundo de revisão de seus valores, de sua perspectiva. E todo esse desejo passa pela renovação dos quadros. Se realmente conseguimos interpretar todos esses movimentos que tivemos desde as jornadas de 2013, certamente vislumbramos uma mudança mais brusca na composição das casas legislativas. É natural que o eleitor expresse seu desejo de mudança através do voto.

Governo Rafael Diniz – O prefeito Rafael Diniz pegou uma cidade quebrada pela péssima gestão anterior, que, mesmo tendo muito mais dinheiro em caixa, deixou R$ 2,4 bilhões em dívidas, incluindo um rombo de R$ 180 milhões no PreviCampos. Na prática, Rafael administra a cidade com metade do dinheiro que o governo anterior tinha em caixa. Mesmo assim, com tantas dificuldades, não deixou Campos quebrar. Acredito que o pior ficou para trás, e que daqui pra frente virão grandes realizações.

 

Página 3 da edição de hoje (28) da Folha

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Fora do ringue eleitoral e sob risco de ser preso, o que resta a Garotinho?

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (28) na Folha

 

 

Garotinho e Tyson

Quem viveu em Campos na segunda metade dos anos 1980, com alguma consciência da cidade e do mundo, deve se lembrar de dois jovens que revolucionaram em suas áreas: Anthony Garotinho e Myke Tyson. O primeiro tinha apenas 28 anos quando se elegeu prefeito do município pela primeira vez, em 1988. Dois anos antes, o segundo havia sido o campeão mundial peso pesado de boxe mais novo da história, título que conquistou aos 20 anos. Ambos impressionavam por características comuns: o talento natural indiscutível, a agressividade no estilo, a impiedade com os adversários, a obsessão pela vitória. E elas foram muitas.

 

Ficha Suja

Na manhã de ontem, Garotinho teve sua condenação pela Lei da Ficha Limpa confirmada por unanimidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes, a condenação já havia sido unânime no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). As duas foram consequência de uma outra condenação, por improbidade administrativa, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O motivo de tantas condenações, uma criminal e duas eleitorais, se deve pelo mesmo fato: o desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde, no governo estadual de Rosinha, que seriam usados para financiar sua campanha presidencial em 2006.

 

Tempos de Cabral e Temer

Com o desvio revelado pela mídia à época, Garotinho fez uma greve de fome de 11 dias. Nela não foi até o fim, como pediram alguns gaiatos. Ele interrompeu o protesto para ir à convenção do PMDB, quando era aliado íntimo de Sérgio Cabral. Não teve o nome confirmado, no que teria sido um golpe do hoje presidente Michel Temer, 10 anos antes do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Com o sonho desfeito de também chegar à presidência, as consequências cobraram o preço 18 anos depois. Se a justiça tardou, não se pode dizer que tenha falhado. O político da Lapa agora não pode nem tentar voltar a ser governador.

 

Só o STF salva

Segundo todas as pesquisas, Garotinho já não conseguiria voltar ao poder. Na Ibope divulgada no dia 25, ele até empatou com Romário (Pode) no segundo lugar das intenções de voto. Mas com uma espantosa rejeição de 50%, mesmo se chegasse ao segundo turno com o líder Eduardo Paes (DEM), lá levaria uma coça: 24% a 41%. Na dúvida, certo é que o político de Campos está fora da campanha eleitoral. Seu retrato ainda aparecerá nas urnas eletrônicas já inseminadas de 7 de outubro. Mas quem por ele optar, não terá o voto reconhecido. Só uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) mudaria essa realidade melancólica.

 

Sobrevida nos filhos

Garotinho não está morto. A reeleição de Clarissa (Pros) como deputada federal é considerada certa. Ela pode ser novamente uma das mais votadas no Estado. Wladimir também tem chances à Câmara Federal. Se conseguir, passará a mirar a eleição a prefeito de Campos em 2020. Os dois filhos têm orgulho do legado do pai. Mas dificilmente continuarão a se submeter aos seus caprichos. Clarissa não aceitará mais ser humilhada, como foi na votação do impeachment de Dilma, com sua ausência trocada pela “venda do futuro” de Campos. E Wladimir não aceitará mais ser descartado, como foi na eleição a deputado estadual de 2014.

 

Quarta prisão?

Fora de uma eleição na Justiça, quando tudo indica que seria também pelo voto, o político da Lapa precisa se adequar à realidade. Sobretudo porque depois de ser preso duas vezes pela operação “Chequinho” e uma pela “Caixa D’Água”, ele pode acabar atrás das grades pela quarta vez. É ameaça a cada dia mais iminente com sua condenação como chefe de quadrilha armada confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), pela atuação como secretário de Segurança da gestão estadual Rosinha. E dizer publicamente que “só falta juiz ser preso”, como fez no último debate a governador do SBT, não melhora em nada sua situação.

 

Mordida na orelha

O político da Lapa teve seu auge na eleição presidencial de 2002. Em terceiro lugar, fez 15 milhões de voto e quase foi ao segundo turno. Ainda elegeu Rosinha governadora naquele mesmo ano, em turno único. Isso deveria ser pendurado na parede como cinturão de um campeão que o tempo envelheceu aos ringues. Garotinho tem só 58 anos. Mas, como Tyson, teve um início tão precoce quanto a decadência. Ainda no primeiro turno, perdeu as eleições de governador, em 2014, e pela Prefeitura de Campos, em 2016. Não bastou para reconhecer que sua glória virou lembrança. E acabou desclassificado como quem mordeu a orelha.

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Por unanimidade, TSE barra candidatura a governador de Garotinho

 

Por unanimidade, a candidatura de Anthony Garotinho (PRP) acabou de ser barrada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele está probido de seguir com a campanha e a propaganda eleitoral. O político de Campos poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas não tem efeito suspensivo: o cumprimento da decisão do TSE é imediata.

 

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Wladimir aposta em Garotinho contra Paes e critica governo Rafael

 

Muito se comenta que, caso seja eleeito deputado federal daqui a 10 dias, Wladimir Garotinho (PRP) passará a mirar a eleição a prefeito de Campos em 2020. Nesta entrevista, a proposta era que analisasse os protagonistas das eleições a presidente e governador. Mas inevitável que visse Anthony Garotinho (PRP) pelos olhos do filho. Ainda assim, definiu acertadamente seu pai: “um sobrevivente” na briga com Romário Faria (Podemos) para enfrentar o líder isolado nas pesquisas, Eduardo Paes (DEM), no segundo turno. Ele aposta nisso, assim como no provável turno final entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no pleito presidencial. Sobre o governo Rafael Diniz (PPS), sua análise tampouco surpreendeu: “um desastre”.

 

 

Jair Bolsonaro – Consegue reunir grande simpatia de parte da população por se encaixar no perfil de quem vai colocar ordem na casa. Pesa sobre ele o receio do autoritarismo, do que será no pós-eleição e a pouca experiência administrativa.

Fernando Haddad – O lulismo impulsiona seu crescimento rápido, porém o sentimento nacional anti-PT pode fazer ele sangrar no segundo turno.

Ciro Gomes – Na minha opinião o mais preparado na atual disputa, mas não consegue ganhar capilaridade eleitoral. Deve-se isso a estratégia colocada em prática pelo PT.

Geraldo Alckmin – Ninguém é governador de São Paulo por quatro vezes sem méritos, mas o PSDB não atrevessa um bom momento devido aos escândalos com Aécio Neves. A candidatura de Bolsonaro conseguiu reunir os votos à direita que tradicionalmente votariam com ele.

Marina Silva – Não passa a confiança necessária e nem tem uma postura que agrade a maior parte do eleitorado. Prejudicou-se ao se aliar ao agronegócio na eleição presidencial de 2014, o que ela sempre combateu na sua origem no PV.

Luiz Inácio Lula da Silva – Detentor da maior quantidade de votos individuais no país. Sem dúvida o maior estrategista dos últimos tempos. Consegue mesmo em condições extremamente adversas polarizar a eleição nacional.

Eduardo Paes – Continuação do que vem dando errado no Rio há 12 anos, tenta esconder seus padrinhos e amigos políticos para ludibriar o eleitorado. Ainda consegue alto índice de votos na capital devido ao difícil momento do atual prefeito.

Romário Faria – Um grande jogador de futebol e foi um bom parlamentar, mas não tem condições de administrar um Estado em grave crise econômica.

Anthony Garotinho – Um sobrevivente. Mesmo sofrendo com ataques, prisões e brigando com grandes figuras, consegue sempre se manter vivo na disputa. Como governador, foi eleito o melhor do Brasil pelo DataFolha. Passou a ter problemas a partir da eleição presidencial de 2002, quando brigou com o PT, não aceitando ser ministro de Lula.

Tarcísio Motta – O Psol tem eleitor cativo à extrema esquerda, em qualquer eleição tem seu percentual garantido, são combatentes e com militantes bem ativos.

Indio da Costa – Pela participação em todos os governos do PMDB e agora no de Crivella, fez com que o eleitor olhasse com desconfiança. Não se consegue identificar a posição dele.

Voto útil – Presente em qualquer disputa, aparecem nos últimos dias que antecedem o pleito e pode decidir de verdade uma eleição.

Segundo turno – No cenário nacional: Bolsonaro x Haddad. No Estado do Rio: Eduardo x Garotinho. Em ambos os casos, tudo pode acontecer. Pesquisas nesse momento não tem relevância.

Novo Congresso ؘ– Terá um papel mais importante do que o do próprio novo presidente da República. Vamos precisar de parlamentares de coragem e sabedoria para enfrentar a crise política e tomar as decisões importantes para o país.

Governo Rafael Diniz – Pergunte aos cidadãos campistas. Eu sou suspeito para falar porque avisei antes que seria um desastre.

 

Página 5 da edição de hoje (27) da Folha

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Ibope: Bolsonaro e Haddad bateram teto, mas Ciro e Alckmin também

 

 

Bolsonaro e Haddad batem teto

Após o líder Jair Bolsonaro (PSL), o segundo colocado Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial também bateu seu teto nas intenções de voto. Foi o que indicou ontem a nova pesquisa Ibope. Na série do instituto, Bolsonaro teve 26% (11/09), 28% (18/09), 28% (21/09) e 27% (26/09). Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, ele está estagnado há 15 dias. Por sua vez, Haddad tinha 8% quando foi oficializado candidato do PT (11/09), cresceu a 19% (18/09), 22% (21/09) e ontem oscilou negativamente a 21% (26/09). O que sinaliza estar no fim a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Ciro e Alckmin estagnados

Líderes em todas as pesquisas, tudo indica que Bolsonaro e Haddad pararam de crescer a 10 dias das urnas, mas passarão por elas ao segundo turno. Menos por seus desempenhos do que pelo fato do terceiro e quarto colocados também estarem estagnados ainda há mais tempo. Nas cinco últimas Ibope, as intenções de voto de Ciro Gomes (PDT) foram 12% (04/09), 11% (11/09), 11% (18/09), 11% (21/09) e, ontem, oscilaram novamente a 12%. Por sua vez, Geraldo Alckmin (PSDB) bateu 9% (04/09), 9% (11/09), 7% (18/09), 8% (21/09) e, ontem, repetiu os 8%. Há mais de 20 dias, os dois estão empatados tecnicamente e sem nenhum crescimento real.

 

Empate técnico no 2º turno

A Ibope de ontem foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizada entre sábado (22) e segunda (24). Neste dia, havia sido divulgada a Ibope anterior, encomendada pela TV Globo e o jornal O Estado de São Paulo, feita de sábado a domingo (23) — apenas um dia a menos. Com a mesma oscilação de um ponto para Bolsonaro e Haddad entre as duas, as mudanças mais significativas ocorreram nas simulações de segundo turno. Na Ibope anterior, o ex-capitão do Exército apareceu perdendo para o ex-prefeito de São Paulo fora da margem de erro: 37% a 43%. Mas na pesquisa de ontem, o resultado foi um empate técnico: 38% Bolsonaro a 42% Haddad.

 

Dilema de Ciro

A Ibope mais recente também apontou o empate técnico no segundo turno entre Bolsonaro e Alckmin:  36% a 40%. Foi um resultado melhor ao capitão do que na pesquisa anterior, onde ele perdeu para o tucano fora da margem de erro. O que não mudou foi a condição de Ciro como adversário mais difícil para Bolsonaro no segundo turno, a quem derrotaria com facilidade por 44% a 35%.  Todavia, como o próprio político cearense destacou na noite de ontem, em sua última participação no debate presidencial do SBT: “Todas as pesquisas mostram que eu ganho do Haddad e do Bolsonaro no segundo turno, mas para isso eu preciso estar lá”.

 

Melhor para Bolsonaro na Paraná

Também ontem foi divulgada a nova pesquisa do instituto Paraná. E ela indicou um quadro mais favorável a Bolsonaro. Ele apareceu com 31,2% das intenções de voto, seguido de Haddad (20,2%), Ciro (10,1%) e Alckmin (7,6%). Foram 11 pontos percentuais de vantagem do capitão para o petista, bem mais do que os seis do Ibope. Ele também teve simulações melhores de segundo turno: ganharia de Haddad por 44,3% a 39,4%, fora da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. E, dentro dela, ficaria em empate técnico com Ciro: 41,6% a 43,2%.

 

A dúvida

Mais recente do que as duas últimas Ibope, a consulta Paraná foi feita entre domingo (23) e terça (25). Como o instituto havia feito outra só entre 7 e 11 de setembro, é bem mais difícil determinar se os dois líderes bateram teto ou não. Dá para afirmar que ambos cresceram nas intenções de voto: Bolsonaro, 4,6 pontos (de 26,6% a 32,2%), enquanto Haddad, 11,9 pontos (8,3% a 20,2%). Além do maior espaço de tempo, a dúvida fica por conta dos contratantes da nova Paraná: a Empiricus Publicações e a revista Crusoé. Elas são ligadas ao site conservador O Antagonista, há algum tempo chamado pejorativamente por seus detratores de “o Pravda de Bolsonaro”. Amanhã, sai mais uma Datafolha a presidente.

 

Com a Corte

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), paralisou o julgamento de mais um recurso do ex-presidente Lula que estava sob análise no plenário virtual. A defesa do petista tenta suspender os efeitos da condenação determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no âmbito da Lava Jato, no caso do triplex do Guarujá (SP). Lula está preso desde abril. Com o pedido de o caso terá que ser julgado presencialmente no plenário. Não foi divulgado prazo para que a Corte analise o recurso.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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TSE julga hoje se Garotinho pode ou não ser candidato a governador

 

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai julgar hoje o mérito do recurso de Anthony Garotinho (PRP) contra sua inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa, decretadada pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A condenação eleitoral do candidato a governador foi consequência da sua condenação criminal pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por conta de desvios de R$ 234 milhões em recursos da Saúde, entre 2005 e 2006, quando Garotinho era secretário do governo estadual Rosinha.

Inelegível pelo TRE, o político de Campos só pode continuar em campanha ao Palácio Guanabara por conta de liminar de 6 de setembro dada pelo o ministro Og Fernandes, do TSE. Hoje a instância máxima da Justiça Eleitoral julga o mérito da questão.

 

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Pedras diferentes no caminho ao centro para Haddad e Bolsonaro

 

De terno, Humberto Castelo Branco, primeiro general presidente da ditadura militar no Brasil

 

 

Elio Gaspari, jornalista e escritor

O centro, como se chega ao centro?

Por Elio Gaspari

 

Tudo indica que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputarão o segundo turno. Na última pesquisa do Ibope, um tem 28% das preferências e o outro ficou com 22%. Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Alvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo têm juntos 31%. Esse percentual, somado ao total dos que não responderam e aos que preferem o voto nulo ou em branco, vai a 49%. Portanto, perto da metade do eleitorado ainda estaria potencialmente disponível num segundo turno.

Os candidatos dos partidos de Lula e de Levy Fidelix (o do Aerotrem) deverão buscar a diferença no mar dos disponíveis, ambos procurando afastar a imagem de radicais. O centro não foi à campanha, mas Bolsonaro, com 46% de rejeição e Haddad, com 30%, tentarão buscá-lo. Será um exercício de acrobacia política, e a responsabilidade final ficará para os eleitores que vierem a acreditar na versão light do PT ou na de Bolsonaro.

O capitão reformado dizendo que nada tem contra as mulheres poderá até ser verdade, mas nesse caso, não se deve acreditar nele, pelo que disse através dos tempos. O mesmo pode ser dito de Haddad quando ele repete que acredita nos mecanismos de combate contra a corrupção, apesar de nunca ter concordado com a prisão de um só petista condenado por corrupção.

Uma coisa é certa: por mais que se deteste o PT, ele tem um comprovante factual de respeito à democracia: governou o país durante 14 anos respeitando a Constituição. Ocorreram alguns incidentes de violência, mas eles não afetam essa constatação. Petistas quebraram o nariz de um manifestante nos primeiros meses do mandato de Lula e em abril passado um cidadão que protestava em frente ao Instituto Lula foi espancado por companheiros do ex-presidente.

Bem outra é a trajetória de Bolsonaro e de seu candidato a vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Um negou que o Brasil tenha vivido uma ditadura entre 1964 e 1985. O outro expôs críptica e didaticamente uma hipotética situação de desordem, usando a palavra “autogolpe”, coisa que “já houve em outros países”, mas “aqui nunca houve”. Engano, na ditadura que ditadura não teria sido, deram-se três autogolpes. O primeiro, em 1965, com o AI-2, que extinguiu as eleições diretas. O segundo, em 1968, com o AI-5, que fechou o Congresso e suspendeu o habeas-corpus. O terceiro, em 1969, quando foi deposto o vice-presidente Pedro Aleixo, empossando-se a “Junta dos Três Patetas”, nas palavras de Ernesto Geisel (em privado) e de Ulysses Guimarães (em público).

Bolsonaro tem um longo caminho a percorrer para chegar a um centro no qual se coloque como defensor das instituições democráticas. Seus eventuais eleitores terão a tarefa de acreditar nele. Nesse aspecto, vale uma ressalva: é considerável o número de defensores da sua candidatura com bom nível de escolaridade e sobretudo de renda que flertam com o colapso das instituições democráticas. Essa camada de viúvas da ditadura foi magistralmente tipificada pelo marechal Castello Branco quando se referiu às “vivandeiras alvoroçadas, (que) vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar.” Ele as sentiu na pele em 1965 e morreu dois anos depois, supondo que poderia impedir o encantamento dos granadeiros em 1968.

As vivandeiras de hoje sonham com um governo de Bolsonaro com o economista Paulo Guedes no Ministério da Fazenda. Quando podem, escondem-se atrás do que se chama de “mercado”. Se pusessem a cara na vitrine, estariam batalhando pelo tão apreciado Henrique Meirelles (2%) ou por João Amoêdo (3%). Preferiram o atalho Bolsonaro.

 

Publicado aqui na Folha da São Paulo

 

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Mérida: atores de outubro e gestão Rafael pela ótica do setor produtivo

 

Desde que anunciou ser pré-candidato a deputado federal em entrevista à Folha, o empresário Marcelo Mérida (PSD) se colocou como representante do setor produtivo de Campos e região em busca de representação em Brasília. Com sua candidatura confirmada em convenção, ele aceitou a proposta do jornal de se posicionar mais como analista político. E falou sobre alguns dos protagonistas das eleições que daqui a 11 dias definirão o segundo turno quase certo a presidente e governador. Mantida a coerência, analisou cada um sob o ponto de vista do seu setor, gerador das divisas e empregos que sustentam a economia do Brasil e do Estado do Rio. De quebra, analisou também a gestão municipal Rafael Diniz (PPS).

 

 

Jair Bolsonaro – A sua candidatura é fruto da sequência de equívocos de governos anteriores, e cresce à mesma medida em que fracassaram gestões de esquerda, como a de Dilma, ou de centro, como a de Temer. Há pontos positivos de sua postura, como a defesa das instituições, como a família, e há exageros como a manifestação de seu economista pelo retorno da CPMF.

Fernando Haddad – Ele foi prefeito da maior cidade do Brasil e não se reelegeu. Ele é reconhecidamente um intelectual capaz, mas depõe contra ele a carga, a pressão e o peso de seu partido. O Brasil precisa amadurecer e encontrar caminhos para trazer avanços com gestões transparentes, com correta aplicação dos recursos, sem que o povo pague a conta de erros.

Ciro Gomes – Tenta se reinventar buscando aproximar seu discurso de viés nacionalista para um posicionamento mais ponderado e liberal, sem muita clareza. Vejo dificuldades que nascem de uma tendência pessoal ao isolamento, e isso se viu em suas alianças.

Geraldo Alckmin – Com fortes alianças e muito tempo de propaganda eleitoral, ele não decolou e hoje sua candidatura se dedica mais a polarizar com os que lideram do que a propor caminhos para o Brasil. Ele carrega também o desgaste dos principais quadros de seu partido com denúncias.

Marina Silva – Ela vive ainda a espera de um resultado que nunca veio: a eleição de 2014, quando substituiu Eduardo Campos à presidência e quase tirou do segundo turno a Dilma. Ela tenta reproduzir essa disputa, mas suas ideias, seu partido que não cresceu, já não encontram mais o mesmo ambiente.

Luiz Inácio Lula da Silva – É um político carismático, sem dúvidas, mas em sua biografia vão estar anotados os erros graves cometidos por seu partido e por seu governo. O comprometimento da máquina pública federal gerou uma grave crise institucional, moral, política e econômica, cujo preço é pago por toda a sociedade brasileira, sem distinção.

Eduardo Paes – A sua história se confunde com a da cidade do Rio de Janeiro, onde foi gestor em diferentes cargos. Ele também viu nascer os graves problemas de denúncias que enfrenta, teve o seu nome envolvido e atrelado a grupos políticos que lançaram o Estado do Rio na maior crise política e financeira já vivida em sua história.

Romário Faria – O senador é uma pessoa conhecida por todos nós por sua passagem na história dos esportes do Brasil, por seu jeito criativo nos campos, suas posições abertas e transparentes como jogador de futebol. Nessa campanha ele pode estar tendo dificuldades de adequar esse seu perfil às demandas que são muito delicadas e graves vividas hoje pelo Estado do Rio.

Anthony Garotinho – Não pertenço ao grupo dele, não sou seu aliado e vejo que Garotinho é um dos principais nomes que Campos projetou, seja para o bem por seus acertos, ou para o mal, por seus erros. A sua forma de de fazer política o leva ao isolamento.

Tarcísio Motta – Ele vai se consolidando no vácuo aberto pela pouca renovação dos grupos e partidos de esquerda no cenário complexo da fragilidade política do Estado do Rio.

Indio da Costa – Respeito muito as posições de meu colega de partido, suas visões administrativas e programáticas para o Estado do Rio e sua história, por ter sido o relator da Lei da Ficha Limpa, um divisor de águas na democracia brasileira. Eu me identifico com a sua posição em uma das questões mais difíceis que o Estado vive, a segurança pública, um debate que deve vir ao lado da geração de empregos com inclusão social e produtiva.

Voto útil – O voto útil para a transformação da sociedade é aquele exercido de forma consciente por parte do cidadão, na definição por nomes que representem um compromisso claro de propor avanços ao País e ao Estado do Rio.

Segundo turno – É preciso avaliar como irão sinalizar os candidatos no segundo turno sobre o diálogo com a sociedade. Se vão ouvir a todos e incorporar novos temas e demandas às suas proposições iniciais. .

Novo Congresso – A reforma do pacto federativo, que priorize as cidades onde vivem as pessoas, a redução e simplificação de tributos para apoiar quem produz e ao cidadão. O Congresso terá a responsabilidade de refundar as bases da República, dando maior espaço para a sociedade opinar, ser representada e respeitada de fato.

Governo Rafael Diniz – Pesa no ombro dele a responsabilidade de ter sido eleito com toda uma expectativa da população que ainda precisa ser confirmada. Para isso acontecer, é preciso dialogar com toda a sociedade, e os segmentos produtivos sempre alertaram para isso. A população quer resultados na saúde, na educação, na geração de empregos e só com interação é que esse caminho pode ser construído.

 

Página 2 da edição de hoje (26) da Folha

 

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

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Ibope: Paes continua líder isolado e torce para Garotinho passar Romário

 

Paes bate teto e lidera

Na pesquisa Ibope divulgada ontem, Eduardo Paes (DEM) continua na liderança isolada da corrida ao Palácio Guanabara. Mas, na série do instituto, o ex-prefeito do Rio parece ter batido teto. Ele manteve os 24% que já tinha registrado na consulta anterior. A segurança de Paes é que o segundo colocado não apresentou crescimento, mas queda: dentro da margem de erro de três pontos para mais ou menos, Romário Faria (Pode) oscilou negativamente de 18% a 16%. Ele ficou em empate numérico com Anthony Garotinho (PRP), que teve crescimento real de quatro pontos, passando de 12% a 16%.

 

Romário cai, Garotinho cresce

Se as tendências de queda de Romário e de crescimento de Garotinho forem confirmadas na próxima pesquisa Datafolha, com divulgação prevista para a próxima sexta (28), a turma da Lapa campista só não gostará mais do que Paes. Primeiro porque, considerado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e concorrendo pendurado numa liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Garotinho pode ter seus votos “jogados fora” ao final. Foi o que ressaltou na noite de ontem a jornalista Eliane Catanhêde, ao analisar na GloboNews as tendências reveladas pela nova Ibope a governador.

 

Teto da rejeição

O outro motivo para Paes estar torcendo para Garotinho ultrapassar Romário na briga pela vaga restante ao segundo turno, é a imensa rejeição do político de Campos: 50% dos eleitores fluminenses não votariam nele de jeito nenhum. Com cerca de metade no índice negativo, o ex-prefeito do Rio tem 27% de rejeição, com 25% para o senador. Não por outro motivo, Garotinho perdeu feio a simulação de segundo turno feita pelo Ibope contra Romário: 25% a 38%. Mas a goleada seria ainda maior se enfrentasse Paes no turno final: 24% a 41%. O candidato do DEM também bateria Romário, mas no limite da margem de erro: 37% a 31%.

 

Índio, Tarcísio e Witzel

A Ibope a governador revelou dados interessantes sobre o bloco intermediário. Após abrir a série do instituto atrás de Tarcísio Motta (Psol), Indio da Costa (PSD) o ultrapassou. Ele teve ontem 6% das intenções de voto, contra 4% do vereador carioca. Este ficou junto do ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC), também com 4%. Todos estão no empate técnico da margem de erro, mas é relevante constatar que, nas duas últimas Ibope, Tarcísio empacou, enquanto Indio e Witzel cresceram dois pontos cada. Coincidência ou não, ambos aproximaram seus discursos ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no endurecimento contra o crime.

 

Líderes

Em relação à corrida ao Palácio do Planalto, alguns outros paralelos são possíveis na disputa ao Palácio Guanabara. Nas duas últimas pesquisas Ibope sobre cada pleito, os líderes repetiram o que parece ser o teto das suas intenções de voto: Paes nos 24%, Bolsonaro nos 28%. A vantagem de Paes é que ele não tem um segundo colocado também isolado e em franca ascensão, como é Fernando Haddad (PT), que já chegou aos 22%. Empatados e oito pontos atrás do líder na corrida a governador, Romário e Garotinho têm agora que se preocupar um com o outro, antes de fazê-lo com Paes. Este, ao que tudo indica, já está no segundo turno.

 

Charge do José Renato publicada hoje (26) na Folha

 

Ponte

Ontem, ocorreu mais uma visita do governador Luiz Fernando Pezão (MDB) à ponte da Integração, entre São João da Barra a São Francisco de Itabapoana, e a nova promessa de conclusão da obra: agora em novembro. Nas imagens do encontro, com políticos das duas cidades, mais confuso do que imaginar como a construção que se arrasta desde 2014 vai terminar em tão pouco tempo, é saber como pensamentos políticos ideologicamente tão distintos no cenário nacional não se furtam de caminhar juntos em assuntos paroquiais.

 

Distâncias

Pezão já contou com apoio dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do mesmo PT que a prefeita Carla Machado (hoje PP) foi filiada. Ela declara abertamente o voto em Fernando Haddad (PT). Entre os que os cercam nas fotos, existem auxiliares militantes, nas redes sociais, de Jair Bolsonaro. Se a ponte sobre o Paraíba será concluída no prazo prometido, só o tempo dirá. Das imagens da visita a percepção é: a distância entre as cabeceiras da Integração não é nada, comparada ao oceano que separa as correntes ideológicas seguidas pelos que estão no mesmo barco nas questões locais.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Após dar R$ 700 mil a Clarissa, PT quer Garotinho apoiando Haddad

 

 

Presidente estadual do PT, Washington Quaquá confirmou ontem que o partido negocia com Anthony Garotinho (PRP) para seu apoio ao presidenciável Fernando Haddad. As conversas ocorriam desde a pré-campanha, mas cada um foi para o seu lado depois que o PT lançou Márcia Tiburi ao Palácio Guanabara. Como na pesquisa Ibope divulgada ontem, Tiburi não foi além dos 3%, enquanto Garotinho cresceu de 12% a 16%, empatando na segunda colocação na disputa a governador com Romário Faria (Pode), o namoro foi retomado:

— Eu liguei ontem (segunda) para o Garotinho. Ele me disse que vai votar no Haddad, mas que não declararia apoio agora, porque precisaria discutir melhor. Temos dialogado, mas quem fecha as alianças nacionais é a coordenação nacional. Agora é hora de unir o Brasil numa frente democrática. É um nível de apoio que a coordenação nacional teria de vir ao Rio — disse Quaquá.

Para garantir o interesse “republicano” das negociações, a aliança nacional entre PT e Pros, partido da deputada federal Clarissa Garotinho, rendeu a ela uma transferência de R$ 700 mil para a campanha de reeleição, feita pela direção nacional petista. Não por outro motivo, assessores de Garotinho confirmam que ele continua com bom trânsito com o partido de Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quaquá, que recebeu do apenas R$ 431 mil do próprio partido para sua campanha de deputado federal, já havia tentado o apoio de Eduardo Paes (DEM), líder isolado em todas as pesquisas a governador. Mas o ex-prefeito do Rio negou qualquer interesse:

— Não há nenhuma tratativa nem conversa nesse sentido. Até porque o Hadad não faz parte da minha aliança e não tenho tido qualquer conversa com o PT. Manterei minha neutralidade.

A relação entre Garotinho e o PT é tão antiga quanto conflituosa. Ele foi eleito governador em 1998, com a petista Benedita da Silva como vice. Mas os dois não demoraram muito a romper. Em 1999, Garotinho classificou o PT, que ainda estava na sua base, como “partido da boquinha”, em referência à fome da legenda por cargos no governo estadual.

Benedita assumiu como governadora após Garotinho sair para concorrer à presidência em 2002. Mesmo no cargo, a petista seria derrotada no primeiro turno por Rosinha, mulher de Garotinho. Naquela época, o casal da Lapa era filiado ao PMDB e aliado próximo dos hoje adversários Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.

 

Com informações de matéria publicada aqui em O Globo

 

Atualização às 10h41: Aqui, o jornalista Saulo Pessanha já havia noticiado o caso

 

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José Maria prega voto útil no 1º turno e aposta em Ciro com o PT no 2º

 

Na entrevista exclusiva que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu à Folha da Manhã em 6 de dezembro, o repórter do jornal se sentou à mesa com o ex-presidente, o senador Lindbergh Faria (PT) e o então pré-candidato a deputado federal José Maria Rangel (PT). O que bastaria para endossar o último como petista “de raiz”, condição reforçada por sua militância de anos no Sindipetro do Norte Fluminense, tradicional reduto do partido na região. Com sua postulação à Câmara Federal confirmada em convenção, José Maria falou à Folha mais como analista político do que como candidato. Entre os principais nomes na disputa presidencial e a governador do Estado, ele claramente tomou partido.

 

 

Jair Bolsonaro – Um fascista enrustido, que traz sérios riscos à sociedade e à democracia. Ele está no Congresso há quase 30 anos e sempre manteve sua apologia à ditadura no discurso. Sua agenda econômica põe em risco nossas empresas públicas, em especial a Petrobras.

Fernando Haddad – A pedido do Lula, recebeu a grandiosa missão de enfrentar esse pleito eleitoral. Foi ministro da Educação e é um dos responsáveis por uma das mais importantes transformações em nosso país, ao ampliar as oportunidades de ensino. É o candidato do povo, das bases sociais e dos trabalhadores. Representa a continuidade do governo Lula.

Ciro Gomes – É um quadro da esquerda brasileira, mas muitas vezes se perde. Erra ao defender uma política econômica que possa prejudicar os trabalhadores. Apesar disso, acredito que estará junto com o PT no segundo turno.

Geraldo Alckmin – É o candidato do mercado e dos empresários, dos poderosos. Tem uma agenda contra o povo, contra os trabalhadores e contra as empresas públicas. Ajudou a aprovar medidas como o teto de gastos públicos e a reforma trabalhista, além de defender a reforma da previdência.

Marina Silva – É uma candidata que sujou a sua história ao se submeter aos interesses da direita. Vive em cima do muro. Está disputando a presidência pelo terceiro partido diferente e com alianças de ocasião. Possui uma agenda econômica conservadora.

Luiz Inácio Lula da Silva – Melhor presidente do país e uma das maiores lideranças da esquerda mundial. É um exemplo que nos guia em busca da melhor qualidade de vida para o povo e para os trabalhadores. Foi o presidente que levou a Petrobras a um grau nunca visto antes na história da empresa, descobrindo o pré-sal, reativando a indústria naval, gerando empregos, renda e tecnologia. Sua prisão injusta e ilegal representa a perda de 13 anos de conquistas.

Eduardo Paes – O Eduardo Paes, como prefeito, fez trabalhos importantes em parceria com os presidentes Lula e Dilma, preparando a cidade do Rio de Janeiro para ser a vitrine do Brasil nos últimos anos. Mas tenho severas críticas perante os descuidos com alguns legados não concluídos na sua gestão e o descaso com os servidores municipais.

Romário Faria – Apesar de ter feito um trabalho importante em defesa das pessoas com deficiência, nos momentos cruciais sucumbiu aos interesses que culminaram com a crise institucional, política e econômica que atravessamos nesse desgoverno Temer.

Anthony Garotinho – O Garotinho representa a velha classe política e o início do cenário falimentar que vivemos tanto no Estado do Rio de Janeiro, quanto em Campos. Teve todas as oportunidades possíveis para preparar a nossa cidade para um cenário econômico independente das receitas provenientes da indústria de petróleo e simplesmente jogou fora.

Tarcísio Motta – Assim como a Márcia Tiburi, candidata do PT, o Tarcísio também é professor e conhecedor dos problemas da educação pública. Realizou um bom trabalho como vereador do Rio de Janeiro. Defende a democracia e vê o presidente Lula como preso político.

Voto útil – Para a defesa da democracia é algo a ser pensado por todos e todas já no dia 07 de outubro. O voto em um candidato com chances reais de combater o fascismo, com compromissos firmes com a classe trabalhadora e o desenvolvimento do país, é fundamental para recolocarmos o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social.

Segundo turno – As pesquisas apontam que, no segundo turno, teremos uma disputa não só de projeto político. Mas, sim, se queremos um país que defende a tortura, a ditadura militar e a disparidade salarial entre homens e mulheres, ou um Brasil com igualdade de oportunidades e no combate contra o racismo, misoginia e todas as formas de preconceito.

Novo Congresso – Uma análise feita pelo Diap aponta que os brasileiros estarão renovando o congresso nacional em quase 50%. Só que para pior: mais elitista, preconceituoso e contra os trabalhadores. Contra isso, temos a necessidade de eleger novas candidaturas com compromisso com a classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Precisaremos ter uma grande base de apoio para fazer o embate contra a reforma da Previdência, por exemplo.

Governo Rafael Diniz – A atual gestão municipal perdeu uma grande oportunidade de promover o desenvolvimento da nossa cidade. Ao invés de cortar privilégios e priorizar os mais vulneráveis, acabou com diversos programas sociais que impactam diretamente na vida do trabalhador, como o Restaurante Popular e o fim do subsídio na passagem urbana.

 

Página 2 da edição de hoje (25) da Folha

 

Pubicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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