Gustavo Alejandro Oviedo — A casa que pinta a aldeia

 

 

 

Observem a fotografia que ilustra este texto, por favor. Ela mostra a fachada de uma casa localizada na rua Formosa, em frente do colégio Eucarístico. As diferentes texturas do revestimento construção da frente revela que, alguma vez, foi uma mureta baixa, de aproximadamente 60 centímetros. Posteriormente, a mureta elevou-se mais alguns centímetros, e foi colocada uma grade de ferro. Algum tempo depois, as colunas que seguram a grade também foram elevadas. Finalmente, sobre essas colunas, foi instalada uma outra grade contínua, em cuja parte superior nascem trios de ferros pontudos.

A imagem é fantástica porque evidencia a degradação da vida urbana em Campos, principalmente, produto da insegurança — mas não apenas. Se deduz da sua observação que, aparentemente, em algum instante longínquo do tempo, os proprietários não precisavam criar fortalezas para se isolar do ‘mundo exterior’ que existe fora dos limites da sua moradia.

Já foi dito neste blog que uma cidade é aquilo que são os seus habitantes. Isto é verdade. Mas não nos esqueçamos de que os administradores municipais também moram nela (ou deveriam morar). São eles, como representantes dos vizinhos, os que deveriam estabelecer as condições para criar um ambiente urbanístico mais integrado socialmente, mais seguro, e também — e não menos importante — mais belo. Para mim, essa deveria ser a função principal de um prefeito.

Infelizmente, não é o que temos visto nos últimos anos. Os últimos gestores parecem ter sido especialmente eficazes em fazer de Campos uma cidade cada vez mais feia e mais árdua para o convívio social. Exemplos sobram: a conversão da praça São Salvador num espaço insuportável de permanecer num dia ensolarado e de calor; a ‘revitalização’ do Canal Campos-Macaé, que passou de ser uma vala de esgoto para ser uma vala de esgoto com arcos; a falta de políticas de arborização das calçadas , que somadas ao notável desprezo que os proprietários tem pela vegetação na frente de suas casas — ‘suja muito’; ‘levanta o chão’ — revelam quadras onde as casas obedecem ao exclusivo princípio arquitetônico produzido pela especulação imobiliária (lotes pequenos onde o morador fica obrigado a sacrificar espaços verdes para criar cômodos e sobrados suplementares para sua família).

Os bairros populares criados durante a gestão anterior são outra tragédia urbanística. Os conjuntos habitacionais carecem de praças, de centros de convivência e de comércio  e, claro, de vegetação. Recomendo a releitura do texto de Luciane Silva, publicado neste espaço, cujo título é ‘“Morar Feliz”, um guetto dentro da cidade’.

É desolador comprovar que a única experiência urbanística que produziu um bairro mais ou menos agradável em Campos, o Flamboyant, hoje está sendo degradada pela própria legislação municipal. O bairro tinha conseguido, através de umas escassas premissas, ser totalmente diferente ao resto da cidade: prédios limitados a dois andares, lotes de tamanho razoável, vedação ao comércio, e a imposição de espaços verdes. A última modificação ao plano de zoneamento e uso de solo, de 2007, liberou a construção de edifícios de altura desproporcional, como também permitiu a atividade comercial desordenada. Aquele bairro que deveria ser o modelo para o resto da cidade não resistiu à incompetência e à ignorância — no melhor dos casos — dos gestores públicos. Quem quiser morar num bairro bonito, que vá para um condomínio fechado.

Existe uma espécie de resignação, nas nossas cidades latino-americanas, na noção de que um bairro só pode ser bonito se for de gente rica. Os pobres, e até a população de classe média, estariam fadados a viver em lugares miseráveis ou simplesmente feios. Esta ideia pareceria se confirmar na prática, haja vista, por exemplo, que os prefeitos que governaram Campos nas ultimas décadas foram todos populistas, e nada puderam fazer para mudar essa elitista realidade — como já dissemos, até a pioraram.

Para refutar essa ideia, ou ao menos para limpar nossos olhos, existe essa ferramenta fantástica chamada Google Street View. Com ela podemos percorrer as ruas de várias cidades do planeta, como se lá estivéssemos. Basta clicar em qualquer cidade europeia para confirmar como a beleza urbana independe de classes sociais, e como até o bairro mais humilde pode ter casas simples num entorno ameno e integrador.

A foto que encabeça este post também foi tirada com o Google Street View.

 

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Ataques pessoais de Garotinho colhem diferentes respostas dos vereadores

 

Charge de José Renato publicada hoje (14) na Folha

 

 

 

 

Falta de escrúpulos

Quando o principal líder da oposição de Campos busca fatos e fotos pessoais para provocar seus adversários políticos, é capaz de provocar todo tipo de reação. Que Anthony Garotinho (PR) nunca possuiu escrúpulos de ordem moral para atacar levianamente quem quer que seja, não é novidade para ninguém. Esse foi seu modo de agir desde que iniciou na política, nos anos 1980. E na tumultuada e longa sessão de ontem da Câmara Municipal, colheu diferentes respostas.

 

Níveis

Atacado por um jantar que promoveu pelo Dia dos Namorados, o vereador Cláudio Andrade (PSDC) leu na tribuna a íntegra da resposta publicada antes em seu blog. E nela desceu quase ao mesmo nível de Garotinho, a quem acusou de voyerismo e expôs pessoalmente numa suposta crise conjugal com Rosinha. Outro parlamentar atacado pelo ex-governador, o vereador Neném (PTB) teve reação mais serena. Depois de disputar sua terceira maratona, prova mais difícil do atletismo, ele preferiu ironizar quem deu para posar de atleta nas redes sociais, em contraste visível com a barriga e a papada proeminentes.

 

Reações

Mas coube ao vereador José Carlos (PSDC) a resposta mais contundente que o ex-governador teve na sessão de ontem da Câmara. Citado pela prisão do filho em 2015, por guiar carro roubado com placa adulterada, após tentar fugir da PM, seu pai lembrou que ele está pagando pelo crime que cometeu — diferente de Garotinho, condenado a dois anos e meio de prisão pela Justiça Federal do Rio, em 2010, por chefiar uma quadrilha armada no governo estadual Rosinha (2003/2007). Ademais, lembrou o vereador: “Meu filho entrou de cabeça baixa na viatura que o levou preso. Não foi esperneando como Garotinho ao ser conduzido a Bangu”.

 

Propina de sobremesa

Nas cobranças e respostas entre oposição e situação, talvez antecipando o clima das sessões futuras, os ataques pessoais se mantiveram. Depois que uma proposta do vereador Enock Amaral (PHS) de auxílio aos produtores rurais de Campos gerou uma confusão generalizada, Miguelito (PSL) indagou ao microfone: “E o Restaurante Popular?”. Ao que o próprio presidente da Casa, vereador Marcão (Rede), respondeu: “Fazer o Restaurante Popular voltar é muito fácil. É só Garotinho devolver os R$ 20 milhões de propina que recebeu da Odebrecht”.

 

Três fatores

A permanência do PSDB no governo Temer pode ser explicada por três fatores: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, João Dória, prefeito da capital paulista, e Aécio Neves, senador afastado. Esses três atores cujos interesses estão em jogo no meio da crise que se instalou em Brasília desde a delação da JBS e levou de roldão o tucanato, têm razões para querer manter o apoio a Michel Temer num momento em que o peemedebista é arrastado para o olho do furacão.

 

Conveniências ao PSDB

Alckmin é pré-candidato à Presidência em 2018. Para o governador, é mais conveniente enfrentar um adversário trôpego, seja ele Rodrigo Maia ou o próprio Temer, a um fortalecido, como poderia ser caso as eleições indiretas fossem realizadas com o afastamento do presidente. Dória, por sua vez, vê no PMDB um aliado para seus projetos, que podem variar conforme o curso da Operação Lava Jato. E, finalmente, Aécio, que luta para não perder o foro e, com isso, ficar mais perto da prisão.

 

Bandeira cobiçado

O Flamengo até pode não estar lá essas coisas dentro de campo, mas o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Melo, que tem marcado sua atuação como bom gestor das finanças na Gávea. Assim, está bastante cotado nos meios políticos da capital. Pelo menos três partidos (PSDB, PPS e Rede) querem o cartola rubro-negro para ser candidato a governador do Rio. Os tucanos namoravam a candidatura do técnico de vôlei, Bernardinho, mas o escândalo envolvendo Aécio Neves esvaziou a pretensão…

 

Com a colaboração do jornalista Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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Carol Poesia — Poesia dadaísta da cidade ideal por um dia

 

 

 

Sem corrupção. Toca a música preferida, na rua. Ninguém passa fome. Curral eleitoral não existe. Cheia de árvores. Trânsito tranquilo. Respeito e bom humor. Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Obrigada. Com licença. Pois não. De nada. Seja bem-vindo. Não tem corrupção. Professores valorizados. Alunos conscientes. Posso ajudar? Sou importante. Sou respeitado. Temos teatros. Não temos corrupção. Movimento. Unidade. Parceria. Coletivos. Público, de qualidade. Sem corrupção. Benefícios ilícitos não. Vamos pra frente. Tem gente. Respiração. Um corpo só. Isso aí. Vamos lá. Vai dar. Posso ajudar. Sem corrupção. Comida. Todo dia. Saúde. Ciclovia. Museu. Memória. Democracia. Violência não. Algo que faça sentido. Líder que deixa legado. Positivo, é claro. Tolerância. Diversidade. Muitas cores. Muitos abraços. Muitos sorrisos. E igualdade. Vamos lá. Vai dar. Um corpo só. Sem corrupção.

 

Pegue tudo isso

Coloque em um saco branco

Escreva com caneta preta

UTOPIA

Mas não descarte

Pode ser que

Quem sabe

 

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Fernando Leite — A melhor cidade do mundo

 

 

 

Não há cidade melhor do que aquela para qual a gente está sempre voltando. Não há outra que substitua a que “(…)não cresce tanto além das chaminés(…)” e que “(…)permita ao seu povo sentar-se à sombra e descansar os pés(…)”.

As cidades são vivas, se movimentam, pulsam, experimentam o frescor de tempos felizes, adoecem, amargam enormes tristezas e morrem também.

Reproduzem na superfície, os choques das placas tectônicas, em maior ou menor intensidade. Mas, intermitentemente, são moldadas pelo homem, que permite o avanço das chagas da miséria, o inchaço da especulação imobiliária, a paralisia urbana, resultante do trânsito desordenado a coletivização do mal estar.

As cidades são grandes casas comuns. Se bem cuidadas, generosas e confortáveis, se não, insuportáveis.

O gênesis das cidades, que à exemplo do criacionismo, foi “feita à imagem e semelhança do seu autor” e até onde a literatura alcança, a era paleolítica, a arquitetura das cavernas e sua interrelação, as aldeias nas florestas, os aglomerados humanos, se estruturaram, desde sempre, seguindo a lógica do Poder. Do centro para a periferia. Os centros se diferem, mas as periferias se igualam na desordem e na carência.

No feudalismo, os núcleos oligárquicos, urbanos, eram protegidos por muralhas, restando aos que não faziam parte dos limites do domínio, se arranjarem nas vilas, solução de moradias que originou o verbete “vilões” para os que moravam fora das fortalezas. Onde morar, como se vê, foi e é credencial.

“O mundo, vasto mundo” é a soma de todas as cidades, que se separam não, apenas, na distância geográfica, mas temporal. Nova Yorque está à muitas décadas de São Fidélis. Tóquio dista aproximadamente um século de São Gonçalo. Paris já atravessou há décadas para o terceiro milênio enquanto Assunção, no Paraguai, ainda se arrasta no desfecho do segundo milênio.

Reza a lenda que o arquiteto Oscar Niemeyer, que, com Lucio Costa, planejou Brasília, teria se arrependido de sua criação, em função dela ter se transformado no cenário oficial, no que há de mais sórdido na vida brasileira. A Brasília funcional, oficial, espaço público federal. Verdade ou mito, a questão atrai a discussão que interessa: a cidade é onde se vive, efetivamente. Onde se vai as compras, ao barbeiro, a banca de jornais, pela manhã, ao cinema, ao teatro, faz-se a caminhada, no final datarde. A cidade com seus espaços ocupados e vazios, que a equilibram e a ajudam a respirar. Viver não se resume a rotina enfadonha de só ir e vir ao trabalho. É um rito completo que inclui umatroca de afeto com a cidade natal, seja ela qual for.

Para reforçar a ideia, recorro a Linguística, para quem o meio influencia nos hábitos, na linguagem, nas relações cognitivas dos citadinos. O homem do litoral fala diferente do homem da montanha, que, por sua vez, fala com seu acervo próprio de expressões e sotaques. São as variações diatópicas. Aqui mesmo, na Planície soberana, temos uma queda pelo r (erre) em lugar do l (ele). Desfilam nas ruas, diariamente, milhares de “bicicRetas”. Vi esta cena “dijaojinha”, expressão própria da nossa mítica baixada da Égua, que com sua dialética influenciou um dos maiores escritores universais, José Cândido de Carvalho.

O histórico e a identidade cultural das cidades são grandes atrações turísticas e movem interesses diversos do turismo, do fluxo cada vez maior de pessoas, da inesgotável curiosidade, mas cidades são, antes, berços memoriais. Para onde estamos sempre voltando, não importa onde estejamos.

 

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Manuela Cordeiro — Trechos e passagens nas cidades

 

Bogotá, Colômbia (Foto: Manuela Cordeiro)

 

 

Conhecida por poucos no centro sul do Brasil, Boa Vista tem muitos destaques positivos. Sua localização é privilegiada em termos de belezas naturais, mas a logística de acesso à cidade não apresenta muitas facilidades. Via terrestre, a BR 174 é o principal eixo de ligação com o Brasil, além do custoso acesso por avião, de produtos agrícolas até o deslocamento de pessoas.

Assim, para planejar a participação em um congresso na cidade de Bogotá, Colômbia; realizei uma pesquisa com relação aos preços das passagens aéreas. Como Boa Vista está localizada em uma tríplice fronteira, sabendo que por vezes as passagens saindo da Venezuela são mais baratas, procurei informações sobre a fronteira Brasil-Colômbia. Ao conversar com amigos colombianos, tive a confirmação do que precisava saber, o altíssimo preço da passagem do trecho Boa Vista/Colômbia poderia ser contornado se escolhesse a rota Boa Vista/Manaus, Manaus/Tabatinga, Letícia/Bogotá. Aproveitando a dinâmica dos trechos, comento sobre alguns aspectos de qualidade de uma cidade.

 

Trecho um — Mobilidade urbana

Já conhecia a grande metrópole da Amazônia. Mas desta vez tive a oportunidade, ainda que a passagem tenha sido breve, de vivenciar a cidade de outra maneira. Amigos me emprestaram uma bicicleta e me aventurei em um sábado ensolarado na região central de Manaus, no cais do porto e no mercado municipal. O transporte público é um dos princípios critérios, seja para políticas públicas, mas também para mim, particularmente, de avaliação​ de uma cidade. Certamente, as linhas de ônibus são muito mais frequentes e abrangentes em Manaus, se em comparação com a também capital Boa Vista.

No entanto, em termos de ciclovia, a capital do extremo norte está melhor equipada. Em algumas ruas no centro da cidade, há uma  sinalização para os ciclistas que não é respeitada pelos motoristas, seja em um passeio rápido como o meu, ou na tentativa cotidiana dos meus amigos. Em comparação ao deslocamento em Boa Vista, onde consigo ir à feira dos produtores locais, universidade e outras atividades de bicicleta, me parece que Manaus poderia ser mais bem preparado para outras modalidades do transporte público.

 

Trecho dois — Violência

Tabatinga está localizada na tríplice fronteira com Colômbia e Peru. Enquanto que, com a Colômbia, o fluxo de pessoas e mercadorias é intenso, o mesmo não acontece com a  primeira cidade peruana localizada na outra margem do rio Amazonas, para a qual é realizado o ecoturismo. Tanto que minha entrada na Colômbia as deu a partir da cidade vizinha chamada Letícia. Apesar da aparente tranquilidade de Tabatinga, fui avisada por diversas ocasiões para ter cuidado com meus pertences ao andar na rua, evitar ruas que não fossem a principal. Por ter nascido no estado do Rio de Janeiro, sempre revisei com cuidado comentários relacionados à violência nas cidades, já que o alarde com relação a violência no Rio era, ao meu ver, condizente com uma realidade macroestrutural que mescla vários elementos, incluindo o tráfico de drogas. Cidades como Boa Vista experimentam uma violência de “pequenos furtos”. A dinâmica é diferenciada com relação a Tabatinga pelo posicionamento entre os países e a interação de produtos entre os mesmos.

 

Trecho três — Cultura

Deve ser um mandamento, chegar em uma capital e se deixar experimentar suas cores, arquitetura, trejeitos das pessoas. Em Bogotá, tive a felicidade de ser muito bem recebida, hospedando-me no bairro histórico onde a cidade foi fundada e, portanto, a cinco minutos de caminhada dos principais museus e prédios históricos do governo. Some-se a isso tudo a grata surpresa do respeito por uma mulher andando sozinha. Ouço por diversas vezes que “Boa Vista não tem cultura”, isso de uma cidade com a sócio-diversidade magnífica que apresenta.

Uma cidade “não possui cultura” é uma afirmação sem sentido nenhum. Em realidade, o que mais acontece é a falta de investimento por ser algo considerado supérfluo. Quando​ não se tratam de grandes centros como Bogotá, os investimentos em cultura ficam escassos e por vezes baseados em viciados mecanismos de troca.

 

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Antes da pausa, blog indica “Milk” com Jean Wyllys e Tietas para o sábado

 

De hoje a domingo (11), por motivos de ordem pessoal, o titular do blog fará uma pausa na atualização do espaço, que ficará por conta dos seus colaboradores. Antes, ficam duas indicações de programação para o próximo sábado (10):

 

Clique na imagem para ter acesso ao anúncio do evento no Facebook

 

A primeira, começa às 16h deste sábado, no campus Campos Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF), quando o Cineclube Marighella exibirá o filme “Milk — A voz da igualdade”. Dirigido por Gus Van Sant, traz um Sean Penn vencedor do Oscar de melhor ator pela interpretação do personagem-tíulo da vida real, primeiro homessexual assumido a exercer mandato eletivo nos EUA. Após o filme, rolará um aguardado debate com outro miltante da causa, o ex-BBB e polemista deputado federal Jean Wyllys (Psol/RJ).

 

Clique na imagem para ter acesso ao anúncio oficial do evento no Facebook

 

A segunda indicação do blog para o final de semana começa às 21h, no Espaço Casa, na rua Alvarenga Pinto, nº 136: o show “Tietas e a Banda Balacobaco”. Em canto e música, a famosa personagem do escritor Jorge Amado (1912/2001) será interpretada no palco pelas atrizes Gabi Candido, Carol Poesia e Carol Muylaert. A voz e percussão do trio de “Tietas” se fará acompanhar pela bateria de Bosco, o baixo de Bira e a guitarra de Betinho Assad, virtuose goitacá no instrumento.

 

As Tietas Carol Poesia, Gabi Candido e Carol Muyalert na lente de Ricardo Avelino

 

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Posse de Thiago Virgílio, Linda Mara, Ozéias e Miguelito nesta quinta

 

Beneficiados (aqui) por decisão de ontem (06) do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), os vereadores eleitos Thiago Virgílio (PTC), Linda Mara (PTC), Ozéias (PSDB) e Miguelito (PSL), acusados na Chequinho, tomam posse amanhã, quinta-feira (08). No entanto, só poderão ocupar seus gabinetes na Câmara Municipal de Campos no dia seguinte, sexta (09). Presidente da Casa, o vereador Marcão Gomes (Rede) deu tempo para que Carlinhos Canaã (PTC), Cabo Alonsimar (PTC), Geraldinho Santa Cruz (PSDB) e Álvaro Oliveira (SD) desocupem suas salas.

 

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Reabertura do Anfiteatro do Alberto Sampaio e futuro de Campos em outro palco

 

Charge de José Renato publicda hoje (07) na Folha

 

 

 

 

Após TB, reabertura do Anfiteatro

Em 27 de março, o governo Rafael Diniz (PPS) já havia marcado pontos com a classe artística de Campos ao reabrir (aqui) o Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, que havia sido fechado, como vários outros espaços culturais importantes, durante do governo Rosinha Garotinho (PR). Pois ontem (06) a atual administração municipal voltou a marcar pontos com os artistas, depois que o blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, antecipou (aqui) a reabertura de outro espaço cultural na área central da cidade: o Anfiteatro do Parque Alberto Sampaio. Em 1º de julho, ele sediará a Feira dos Povos, evento que será integrado por representantes de diversas etnias.

 

Zezé

Bem verdade que, diferente do TB, do Palácio da Cultura e do Museu Olavo Cardoso, o Anfiteatro do Alberto Sampaio não foi fechado pelos Garotinho. Degradado e inutilizado há mais de 10 anos, o abandono do espaço é anterior ao primeiro governo Rosinha. No entanto, para Rafael, sua reabertura não poderia ser mais emblemática. Construído sobre a parte coberta do canal Campos/Macaé, o Anfiteatro foi inaugurado em 1988, no último ano do governo municipal de Zezé Barbosa (1930/2011), avô do atual prefeito.

 

Kapi

Quando reabriu o TB e o devolveu aos artistas de Campos, Rafael disse que o fazia em cumprimento a uma promessa feita a Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (1955/2015). O diretor teatral, turismólogo e poeta morreu depois de ser relegado ao ostracismo pelos Garotinho. Foi uma vingança mesquinha por Kapi ter gravado vídeo em apoio ao então candidato a prefeito Arnaldo Vianna na eleição de 2008, disputada contra Rosinha. Nessas coincidências que não há, foi também Kapi quem dirigiu a peça que inaugurou o Anfiteatro do Alberto Sampaio, em 1988: “Arena conta Zumbi”, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

 

Esforço coletivo

Se o atual governo de Campos já sofreu críticas por centralismo nas decisões, ou elas não procedem, ou foram ouvidas: a reabertura do Anfiteatro é fruto de um esforço coletivo de sete pastas municipais para promover a Feira dos Povos. Com a Superintendência de Igualdade Racial e Codemca à frente, no projeto também estão engajados Entretenimento e Lazer, Turismo, Limpeza Pública, Guarda Municipal e Postura. Já há confirmadas as participações de representantes das comunidades libanesa, colombiana e argentina radicadas em Campos, além de Angola, em parceria estabelecida junto ao consulado do país africano no Rio.

 

Testemunho

Diretora presidente do Grupo Folha, a professora e empresária Diva Abreu Barbosa chefiava o departamento municipal de Cultura (hoje Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima) em 1988. Ao saber da reabertura do espaço inaugurado em sua gestão, ela testemunhou: “Levamos o pleito dos artistas para Zezé, que encampou a ideia. Na inauguração, numa sexta-feira, era só para ser um dia, mas, pelo sucesso de público, foram três. Kapi montou o espetáculo sexta, sábado e domingo, sempre com a arquibancada apinhada de gente. Acho que Zezé vai ficar muito feliz com a reabertura. Assim como Kapi”.

 

Futuro de Campos (I)

Em outros palcos, o município também tem buscado desempenhar seu papel. Depois de assumir a Prefeitura em janeiro e pagar no primeiro mês o que a Caixa Econômica Federal (CEF) queria cobrar pela “venda do futuro”, celebrada pelos Garotinho no apagar das luzes do governo federal Dilma Rousseff (PT), a gestão Rafael se recusou a dar mais que os 10% previstos na disposição do Senado que autorizou o empenho das receitas futuras de royalties e Participação Especial (PE) na exploração de petróleo.

 

Futuro de Campos (II)

Se desde fevereiro a atitude da atual administração goitacá era uma ousadia, para tentar forçar a CEF a uma renegociação, desde abril ela tem respaldo jurídico, a partir de uma decisão liminar favorável do juiz Julio Abranches, titular da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A Caixa recorreu e o caso agora está no Tribunal Federal do Estado do Rio (TRF-2). O desfecho da “peça” ainda é uma incógnita, mas dela dependerá, na vida real, o futuro de Campos — independente de já estar assegurado (ou não) o de quem o vendeu em troca da abstenção da então deputada Clarissa Garotinho (PR) na votação do impeachment de Dilma.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Ricardo André Vasconcelos — República do suspense

 

Marechal Deodoro da Fonseca, eleito presidente pela Assembleia Constituinte de 1891, renunciou em novembro do mesmo ano…

 

 

Getúlio Vargas, o mais longevo presidente do Brasil resolveu a crise com um tiro no próprio peito em 1954…

 

 

Jango (esquerda), sucedeu a Jânio, que renunciou com oito meses de governo, mas foi deposto por um golpe civil-militar em 1964

 

 

Temer, o vice que conspirou para derrubar a titular, é o primeiro presidente investigado por corrupção no exercício do mandato. Seu futuro é imprevisível

 

 

Nas próximas horas o Brasil pode ter o terceiro presidente em pouco mais de um ano. Nada surpreendente para quem passou dos 50 anos e viu dois impeachments e um presidente hospitalizado poucas horas antes da posse ser substituído por quem chefiou, até poucos meses antes, o partido que sustentou o regime anterior. Como o Brasil não é dado a repetir tragédias, desta vez é Tribunal Superior Eleitoral quem pode mandar para casa o presidente pilhado em falcatruas. Mas não por isso, e sim por um processo transverso  que tem como autor, veja que ironia!, o PSDB, partido que veio a ser o esteio do governo Michel Temer após um processo em que, juntos, e mais o ex-deputado Eduardo Cunha, derrubaram Dilma Rousseff. Jobim (o Tom), tem razão: “O Brasil não é para principiantes”.

Qualquer que seja a solução desta que parece a maior das crises políticas desta terra de Santa Cruz desde que os portugueses por cá deram os costados, o desfecho deve ser inédito. Nada de renúncia como fez Jânio Quadros em 1961, nem quartelada (toc, toc, toc…) como a que derrubou João Goulart (1964) e muito menos o suicídio que fez Vargas emergir do “mar de lama” e “entrar para história”. Temer não tem estatura para qualquer gesto de grandeza. O final desta crise se desenha diferente de tudo que se viu antes porque nunca se viu antes os principais personagens do país — governo e oposição, esquerda e direita — tão descaradamente flagrados em corrupção e alvos de processos judiciais que os colocam a um passo da cadeia. Temer e seus dois antecessores imediatos, Dilma e Lula, estão no centro ou dele foram beneficiados, do maior esquema de corrupção já desvendado no país.

Olhando para mais para trás, é verdade que nunca tivemos mesmo períodos longos de estabilidade política a partir da República. A regra por aqui é a exceção, a começar pela própria derrubada do Império. Fundada de improviso, num golpe militar que queria apenas derrubar o governo e não o regime, a República foi uma espécie de vingança das elites da época. Contrariados com a abolição da escravatura sem que fossem indenizados, viraram a casaca da noite para o dia. A elite cafeeira paulista e os barões do açúcar do Nordeste queriam que o governo imperial pagasse, em dinheiro, por cada escravo liberto pela Lei Áurea. Desapontados, juntaram-se à chamada Juventude Militar, abolicionistas e entusiastas da filosofia positivista de Augusto Comte e foram buscar um herói da guerra do Paraguai, velho e doente para liderar o movimento. O Marechal Deodoro da Fonseca, ensina o jornalista e historiador Laurentino Gomes no livro 1889 (1), só teria decidido proclamar a República quando soube, em meio ao golpe para derrubar o gabinete chefiado pelo primeiro ministro Visconde de Ouro Preto, que o imperador Pedro II convidara para chefiar o novo gabinete  o gaúcho Gaspar Silveira Martins, recém eleito senador. Silveira era inimigo pessoal do marechal e o motivo  prosaico era a disputa pelo coração de uma bela viúva.

Duas curiosidades: a improvisação foi tanta naquele 15 de novembro de 1889, que no final do dia percebeu-se que a Monarquia estava deposta mas a República não havia oficialmente proclamada. Alguns líderes foram para a redação do jornal A Cidade do Rio, do campista José do Patrocínio e juntos redigiram uma moção que foi lida no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo vereador mais jovem, exatamente o mesmo José do Patrocínio, então com 36 anos. No dia seguinte, como o Congresso Nacional estava em recesso, Deodoro, chefe do Governo Provisório, compareceu à Câmara Municipal do Rio para prestar o juramento de posse. A mesma Câmara seria dissolvida semanas depois pelo marechal e que renunciaria ao cargo….. mas isso é outra história…

De volta ao presente, nenhum dos antecessores de Temer que caíram ou foram derrubados tiveram contra si as graves implicações com corrupção como as que são atribuídas ao ainda presidente da República. Se safar-se do julgamento do TSE, como é muito provável, também pode escapar do processo criminal aberto pela Procuradoria Geral da República, porque para a denúncia ser aceita pelo STF precisa da aprovação de 2/3 da Câmara Federal (342 deputados). A solução do impasse é imprevisível: Corrompido até a medula o Congresso Nacional não tem condições morais de eleger, pela via indireta, um eventual sucessor para o Planalto e uma eleição direta agora, com alteração da Constituição, mais parece um casuísmo para livrar o ex-presidente Lula de uma prisão iminente. Vamos esperar para ver que saída a reconhecida criatividade brasileira vai inventar para mais este capítulo da história nacional.

 

(1) – GOMES – Laurentino – 1889 – Editora Globo Livros – 1ª edição – 2013. Para a moção de José Patrocínio, página 61; para a viúva “Baronesa de Triunfo, página 192 e solenidade de juramento perante os vereadores do Rio,página 284.

 

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Feira dos Povos — Após TB, Anfiteatro do Alberto Sampaio também será reaberto

 

Reunião na tarde de hoje entre representantes da Igualdade Racial, Entretenimento e Lazer, Turismo e Codemca, no palco do Anfiteatro do Parque Alberto Sampaio (Foto: Divulgação)

 

 

degradado e inutilizado há anos, o Anfieteatro do Parque Alberto Sampiao será reaberto em 1º de julho, na Feira dos Povos (Foto: Divulgação)

 

 

Depois da reabertura (aqui) do Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, outro espaço cultural importante da área central do município voltará a servir novamente à sua atividade fim. Inaugurado em 1988, no último ano do governo municipal Zezé Barbosa (1930/2011), e inutilizado há mais de 10 anos, o Anfiteatro do Parque Alberto Sampaio sediará em 1º de julho (um sábado) a Feira dos Povos.

Com apresentações de música e danças de cada grupo étnico inscrito, além de venda de roupas típicas, a programação do dia se estenderá de 9h às 22h. Já estão confirmados representantes das comunidades libanesa, colombiana e argentina radicadas em Campos, assim como de Angola, em contato fechado pela Superintendência de Igualdade Racial com o consulado do país africano no Rio.

Na tarde de hoje, no próprio Anfiteatro, além de integrantes da Igualdade Racial, se runiram membros das secretarias de Turismo e de Entretenimento e Lazer, além da Codemca, que administra o espaço construído sobre a parte coberta do canal Campos/Macaé. Também fazem parte do esforço coletivo do poder público municipal as pastas de Limpeza Pública, de Postura e a Guarda Civil.

Na semana que vem, a superintendente de Igualdade Racial, Lúcia Talabi, e seu diretor executivo, Rogério Siqueira, estarão reunidos com o setor de Relações Internacionais da secretaria estadual de Cultura, no Rio, para tentar ampliar o leque de expositores. Após esse encontro, a programação com a lista final das etnias representadas será divulgada oficialmente. No ano que vem, a intenção é estender a Feira dos Povos por uma semana.

O Anfiteatro do Parque Alberto Sampaio foi inaugurado em 1988, no último ano da última administração municipal Zezé Barbosa, avô do atual prefeito Rafael Diniz (PPS). À frente do então departamento de Cultura (hoje Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima), a professora e empresária Diva Abreu Barbosa lembrou que o espaço foi aberto com a peça “Arena conta Zumbi”, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, que teve Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (1955/2015), como diretor:

— Levamos o pleito dos artistas para Zezé, que encampou a ideia. Na inauguração, numa sexta-feira, era só para ser um dia, mas, pelo sucesso de público, foram três. Kapi montou o espetáculo sexta, sábado e domingo, sempre com a arquibancada apinhada de gente. Acho que Zezé vai ficar muito feliz com a reabertura do espaço. Assim como Kapi — disse Diva.

 

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Ocinei Trindade — A melhor cidade de todos os tempos

 

Praça São Salvador de outros tempos (Foto: Reprodução)

 

 

Nova York, Paris, Londres, Tóquio ou Berlim? Curitiba, Florianópolis, São Paulo, Rio ou Campos dos Goytacazes? Onde é possível ser mais feliz entre essas cidades nacionais e estrangeiras? Há quem responda sem hesitar ao conhecê-las todas. Há quem nunca tenha pisado em nenhuma delas, mas mesmo assim seja capaz de opinar. Há os que amam as cidades onde vivem, sentem-se pertencentes, assim como existem aqueles que juram não ter cidade pior do que esta ou aquela onde nasceram e moram. Infelizes?

Certa vez, assisti à uma palestra, dessas que os consultores de recursos humanos adoram realizar para empreendedores ou para trabalhadores desmotivados. A palestrante contou uma pequena história de um homem que acabara de chegar à cidade para onde se mudaria. No posto de combustível, perguntou ao frentista se aquele lugar era bom para viver, pois estava de mudança. O frentista quis saber como era a cidade de onde o homem vinha. Este disse que era ótima; que as pessoas eram amáveis e alegres; e que, apesar dos problemas, a maioria vivia satisfeita, pois a cidade funcionava.

O frentista do posto disse ao homem que este deveria se mudar sem se preocupar, pois naquela cidade as pessoas eram muito mais amáveis e alegres, e tudo funcionava maravilhosamente bem. Ali, ele seria tão feliz ou mais. Contente, o homem agradeceu, se despediu cheio de entusiasmo e otimismo com a vida nova que se desenhava.

Dias depois, um outro homem parou no mesmo posto de combustíveis e perguntou ao frentista como era aquela cidade, pois pretendia se mudar para lá. O funcionário do posto fez idêntica pergunta de antes. Quis saber como era cidade natal daquele homem. Este não poupou críticas. Disse que a cidade era horrível, as pessoas não prestavam, a desonestidade imperava e que nada funcionava. Daí, o frentista disse que ali era bem pior; que ninguém prestava, e todos os governantes eram criminosos e corruptos; que a cidade era caótica. Melhor que continuasse na cidade de origem. O homem saiu contrariadíssimo e irritado com a informação que recebera.

Aí, veio a palestrante performática para concluir a narrativa com a moral da história: nós somos responsáveis pelo lugar onde moramos, vivemos e trabalhamos; que não existe lugar perfeito, mas que somos capazes de transformá-lo, tanto para coisas positivas, quanto negativas; fazemos da casa, rua, local de trabalho e cidade ambientes bons para desfrutar a vida ou não. Apesar de simplista, acabei concordando com a ideia. O problema é: ninguém faz ou cuida de uma cidade sozinho. Em uma era onde o individualismo e a falta de colaboração coletiva se destacam, o desafio fica maior.

Aos 18 anos comecei a viajar sozinho pelo Brasil e pelo mundo. Passei por muitas cidades. Costumo compará-las como se fossem pessoas. Há cidades feias, sujas e conturbadas, mas capazes de oferecer algum acolhimento ou abrigo. Já existem cidades lindas e deslumbrantes que não aceitam alguém sem dinheiro ou com aparência “inferior”. Há cidades superpopulosas vazias de alma e há cidades pacatas cheias de calor humano. Há pessoas com as quais a gente se identifica e se apaixona, independentemente dos traços e feições. O mesmo ocorre com uma cidade.

Claro que é bem mais difícil viver em locais onde existem guerra, crime organizado, tráfico de drogas, além da falta de segurança, saneamento, hospitais, escolas decentes e desemprego; onde os governantes e gestores das cidades são corruptos e descomprometidos com o bem-estar social. Por sua vez, a população que não cuida ou não zela pelo lugar que habita, gera cada vez mais insatisfação e infelicidade coletivamente.

A cidade é de todos, mas na prática não tem sido assim. Há áreas de riscos, locais abandonados pelo poder público ou dominados por criminosos que não estão interessados em sociedade mais igualitária e justa. Em Campos, por exemplo, há mais locais sitiados do que se imagina, onde polícia e agentes da Prefeitura não entram ou têm dificuldades para entrar.

Nas cidades brasileiras, sobretudo onde a população é maior, é gritante a diferença entre os mais e os menos favorecidos. As cidades partidas, muradas, gradeadas, cercadas por fios elétricos ou arames farpados representam o quão diferentes somos, apesar das semelhanças; e o quão semelhantes somos, apesar das diferenças de lugar, estado, classe social, etnia ou sotaque.

Se o frentista do posto ou se a palestrante entusiasta têm razão sobre o que falam das pessoas e das cidades, não custa imaginar que a vontade de mudar já é um primeiro passo para que as cidades e as pessoas sejam bem mais felizes, prósperas e corretas no seu existir. Pode ser em Nova York ou em Campos dos Goytacazes. E isso não depende só de mim, mas de cada um de nós.

 

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Novo avanço de mar no Pontal, mistérios de SJB e parceria da Folha

 

Charge do José Renato publicada hoje (06) na Folha

 

 

 

 

Atafona do Planalto à Planície

Ontem, em Brasília, a prefeita sanjoanense Carla Machado (PP) entregou ao presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM), uma cópia do projeto de recuperação da orla de Atafona, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) e que não tem como ser posto em prática sem verbas federais. Pois, no mesmo dia, o mar avançou ainda mais seus limites sobre a ocupação humana na foz do Paraíba do Sul: o Bar do Santana, no Pontal de Atafona, teve que ser desocupado, depois que a força das ondas abriu uma cratera no piso, expondo os alicerces e colocando toda a construção sob risco de desabamento.

 

Drama de décadas

Blogueiro hospedado na Folha Online, o jornalista Arnaldo Neto, que é morador do Pontal, testemunhou o drama do dono do tradicional boteco atafonense: “Pela manhã, com a ajuda de amigos, Santana já retirava tudo do seu bar (…) À tarde, ele foi procurado para falar sobre o fato (…) Já não foi encontrado. Como muitos moradores de Atafona se acostumaram durante décadas, ao perder a guerra para o mar, Santana foi recomeçar a vida em outro local, ainda na praia sanjoanense. Como todos que já foram atingidos pelo oceano, deve estar torcendo agora para não ser vítima mais uma vez”.

 

Tragédia carnada

Quem já tomou um cerveja ou Coca-Cola no Santana, desde que o estabelecimento era conhecido como Bar do Almir Largado, em referência ao seu antigo dono, impossível não se lembrar de outro dono de boteco no Pontal: o campista Neivaldo Paes Soares. Após ocupar a antiga casa de barcos da família Aquino, ele fez de lá seu bar e residência, até que o mar levou ambas, em julho de 2012, obrigando-o a se mudar para a Ilha do Peçanha. Mais que qualquer um, Neilvaldo encarnou o destino das referências humanas no Pontal de Atafona. Entre as águas do o rio e do mar, ele desapareceria misteriosamente em 21 de junho de 2015.

 

Mistérios (I)

Sem sair de São João da Barra, tão inexplicável quanto o desaparecimento de Neivaldo, há quase dois anos, foi o fato do gerente da agência do Banco do Brasil (BB) na avenida Joaquim Thomaz de Aquino Filho, principal da cidade, não ter ido ontem à 145ª DP registrar ocorrência policial. Assim que o dia amanheceu, PMs numa viatura notaram que a porta de blindex da agência bancária estava toda trincada. Esperaram os funcionários chegar, averiguaram que não havia indícios de tentativa de roubo, mas chamaram o gerente para registrar o fato na DP.

 

Mistérios (II)

O fato foi que até o final da tarde de ontem, o gerente da agência do BB em São João da Barra não havia comparecido à 145ª DP, mesmo que nas fotos, uma perfuração no blindex da agência lembrasse muito um buraco de bala. A dúvida só poderia ser desfeita com o trabalho da perícia da Polícia Civil. Como a ocorrência não foi feita, as imagens das câmeras de segurança não foram solicitadas e a perícia sequer foi acionada. Muito embora se tenha notícia que a porta de blindex tenha sido consertada. Com o flagrante desfeito sem ser periciado, é impossível saber o que de fato houve durante a madrugada.

 

Luta

Desde 2015, a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic) abraçou a causa do Rotary Clube de Campos São Salvador para batizar trecho fluminense da BR 101 com o nome do ex-presidente Nilo Peçanha. O deputado federal Paulo Feijó chegou a ingressar com um Projeto de Lei. A questão também foi encaminhada ao presidente Michel Temer pela Acic, que esperou por três meses, por uma resposta. No momento, a subchefia de Assuntos Parlamentares/Coordenação Política/PR encontra-se analisando para eventual providência. O presidente da Acic, José Luiz Lobo Escocard, está esperançoso que até outubro deste ano possa homenagear o campista ilustre.

 

Exclusividade

O Grupo Folha e a ISL Produções, empresa responsável pela programação dos shows e eventos da 58ª Exposição Agropecuária de Campos, fecharam uma parceria que garante ao grupo exclusividade em mídia e várias ações dentro do camarote oficial da Expoagro. Entre os eventos já definidos pelo Grupo Folha na Expoagro estão a Noite Plena, onde a direção e os apresentadores da Plena TV receberão clientes e parceiros; o desfile Garoto e Garota Country 2017, em parceria com Nelcimar Pires; e o “Tia Patty no Parque”.

 

Com a colaboração dos jornalistas Dora Paula Paes e Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

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