Assessoria de Garotinho questiona e Marcão reafirma propina da Odebrecht


Questionamento à Folha
Ontem entrou em contato com a Folha o jornalista Antero Gomes, assessor de imprensa do ex-governador Anthony Garotinho (PR). No exercício pertinaz, mas educado da sua função, ele fez a ponderação de que a manchete da Folha de ontem (14) trouxe a público uma afirmação do presidente da Câmara de Campos — “Marcão: Restaurante Popular se Garotinho devolver propina” — que não corresponderia exatamente às delações dos executivos da Odebrecht que denunciaram o repasse de caixa dois ao casal de ex-governadores, em troca da licitação do Morar Feliz direcionada à empreiteira durante os governos municipais de Rosinha (PR).
Muitas perguntas
O assessor de imprensa também questionou o fato da redação da Folha não ter procurado Garotinho para repercutir a declaração do vereador Marcão (Rede), embora tenha admitido que a praxe do seu assessorado é não atender ou retornar nenhuma tentativa de contato do jornal da sua própria cidade. Se a atuação profissional da assessoria for um passo na direção do restabelecimento desse contato interrompido unilateralmente pelo ex-governador, será um ponto bastante positivo. Mesmo porque, seja na Lava Jato, na Chequinho, ou no rombo de R$ 2,4 bilhões deixado nas contas públicas do município, são muitas as perguntas a serem feitas.
Marcão reafirma
Ouvido pela coluna sobre o questionamento da assessoria de Garotinho, Marcão reafirmou sua posição: “O jornalista poderia ter falado comigo. As delações da Odebrecht revelaram ao Brasil a relação promíscua entre governos em várias esferas e a empreiteira. Se foi de caixa 1, caixa 2, ou caixa 3, foi danoso ao erário público. E os repasses ilícitos no total de R$ 20 milhões ao casal Garotinho foram confirmados pelos executivos Leandro (Andrade de Azevedo) e Benedicto (Barbosa da Silva Júnior), que assinaram a licitação do ‘Morar Feliz’ com Rosinha. Sou advogado e tenho o meu conceito de propina. E foi isso que Garotinho recebeu”.
Desde 2009
A operação Lava Jato, que eviscerou as relações entre as principais empreiteiras com muitos nomes da política do Brasil, já instaurou 1.434 processos, prendeu 205 suspeitos, condenou 141 pessoas e recuperou R$ 10,3 bilhões desviados dos cofres públicos. E ela teve início em 17 de março de 2014. Quase cinco anos antes, em 29 de maio de 2009, esta mesma coluna adiantou que a licitação do “Morar Feliz” foi montada para dar a vitória à empresa Odebrecht. Confirmando o “Ponto Final”, o resultado da maior licitação dos 182 anos da história de Campos seria publicado em Diário Oficial (DO) em 23 de setembro de 2009.

“Tudo propina”
Ex-secretária da Odebrecht, onde trabalhou de 1979 a 1990, Conceição Andrade deu uma entrevista bombástica ao “Fantástico” em 27 de março de 2016 — antes da “delação do fim do mundo”, que seria feita pelos principais executivos da empreiteira. Nela, a ex-secretária afirmou sobre os pagamentos da Odebrecht a políticos, registrados em planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) na residência de Benedicto, em 22 de fevereiro de 2016, nas quais também constavam os nomes de Garotinho e Rosinha: “Tudo isso era propina. Tudo que tem dentro, toda essa relação que existe nessa lista foi pagamento de propina, de caixa dois”.
Só dinheiro
Segundo o próprio Benedicto, todos os pagamentos aos Garotinho foram em espécie e moeda brasileira. A exigência não era praxe entre os demais políticos. Mas talvez explique o fato de o ex-governador se defender dizendo que nunca teve contas no exterior. Aliás, confirmando o trecho da decisão da Justiça de Campos que apontou Garotinho como “prefeito de fato”, ao determinar sua prisão em novembro de 2016, pela Chequinho, Leandro deixou claro que todas as negociações da Odebrecht eram feitas diretamente com o marido de Rosinha. Com a prefeita de direito, o executivo disse só ter se encontrado para assinar o “Morar Feliz”.
Liminar no STF
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) tomada, ontem, acolhendo pedido de liminar da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) impede arrestos, bloqueios e sequestros para pagamento de servidores, fornecedores e prestadores de serviços, com recursos oriundos de operações de crédito para o estado dentro e fora do país, de verbas oriundas de transferências voluntárias da União e de verbas públicas vinculadas a obrigações orçamentárias.
Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves
Publicado hoje (15) na Folha da Manhã

















