Wladimir Garotinho e Carla Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Pesquisa de Campos amanhã
Amanhã (25) está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a divulgação de uma pesquisa Real Time Big Data à eleição a prefeito de Campos, contratada pelo jornal carioca O Dia. Será a primeira registrada na cidade desde que a Prefab Future, de 26 de maio, deu (confira aqui) liderança folgada a Wladimir Garotinho (PP), com 55,7% de intenção de voto na consulta estimulada. Além de saber se o prefeito mantém a possibilidade de levar no 1º turno, a pesquisa de amanhã responderá a outra importante pergunta: para onde foram os 18,7% de intenção de voto da deputada estadual e ex-prefeitável Carla Machado (PT)?
“Calça de veludo ou nádegas de fora”. O dito popular se aplica ao que está em jogo na eleição a presidente dos EUA de 5 de novembro, daqui a exatos 104 dias. Se o ex-presidente republicano Donald Trump voltar à Casa Branca, pode dar um impulso à extrema-direita mundial maior do que quando se elegeu em 2016. Por outro lado, se ele for derrotado por uma mulher negra e filha de imigrantes, como é a atual vice-presidente democrata, Kamala Harris, será um duro golpe à extrema-direita nos EUA e no mundo. Quem vencer, fará de fichinha a virada da esquerda no 2º turno das eleições legislativas da França, em 7 de julho.
Domínio da narrativa
Desde domingo (21), quando o presidente Joe Biden anunciou a renúncia à candidatura à reeleição, e indicou Kamala como sua sucessora, os democratas passaram, como gostam de dizer os bolsonaristas/trumpistas, a dominar a narrativa. Biden saiu a contragosto, mas desde o seu desastroso desempenho no debate contra Trump, em 21 de junho, suas dificuldades cognitivas, aos 81 anos, se tornaram inegáveis. Oposto a essa imagem de fraqueza, Trump sobreviveria a um atentado a tiros, em 13 de julho, quando discursava na Pensilvânia. Do qual saiu com a orelha sangrando, o punho canhoto em riste e repetindo “fight” (“luta”).
Delírio da esquerda, ameaça da direita
Sugerir que os tiros contra Trump ou a facada em Bolsonaro em 2018 foram fake, como fez parte da esquerda, só prova que esta pode ser tão “gado” em seus delírios quanto gosta de classificar os eleitores dos dois ex-presidentes. Isso posto, não se deve perder de vista o que Trump não esconde: se eleito mais uma vez à Casa Branca, tentará controlar politicamente os militares do seu país, que se recusaram a embarcar em qualquer aventura inconstitucional em 2020. Como o Judiciário dos EUA que o condenou criminalmente após deixar a presidência. Se passasse da ameaça à ação, poderia ferir de morte a própria democracia representativa liberal.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Em empate técnico, Kamala passa Trump
Das intenções assumidas aos fatos, o atentado não serviu para Trump decolar nas pesquisas. A primeira após o tiroteio na Pensilvânia, feita pela Reuters/Ipsos entre 14 e 16 de julho, deu (confira aqui) o ex-presidente na frente, com 43% das intenções de voto, mas empatado tecnicamente com os 41% de Biden, dentro da margem de erro de 3 pontos. Na nova pesquisa Reuters/Ipsos já sem Biden e com sua vice como provável candidata, divulgada ontem (23), a situação se inverteu. Em outro empate técnico na mesma margem de erro, Kamala apareceu (confira aqui) numericamente à frente, com 44% das intenções de voto e 42% de Trump.
Como funciona nos EUA?
Mesmo através das pesquisas, a projeção do pleito é muito mais difícil no sistema do colégio eleitoral dos EUA. À exceção dos estados do Maine e Nebraska, o candidato que vence no voto popular nos demais 48 estados leva todos os delegados de cada. Um exemplo? Mais populoso e mais rico estado do EUA, a Califórnia tem 22.114.456 eleitores aptos a votar. Quem lá vencer a presidente, mesmo que seja só por um voto popular, leva todos os 55 delegados do estado. E quem somar 270 ou mais dos 538 delegados do país, é eleito presidente. Por isso Trump venceu em 2016, mesmo com 2,8 milhões de votos populares a menos que Hillary Clinton.
Promotora x criminoso
Antes da pesquisa de ontem, em sua primeira fala como provável candidata, Kamala deu na segunda o tom que adotará contra o sempre contundente Trump: na mesma moeda! “Eu era a procuradora-geral da Califórnia e antes fui promotora, então, tive que lidar com todo tipo de criminoso nessa época. Predadores que abusavam de mulheres, fraudadores que roubavam consumidores, aqueles que quebravam as regras para ganhar no jogo. Então, prestem atenção quando digo que conheço o tipo de pessoa que é Donald Trump”, advertiu a democrata. E antecipou o papel que pretende desempenhar com o republicano: promotora x criminoso.
A disputa real
Kamala deve ter os votos de estados progressistas como Califórnia e Nova York (29 delegados). Como Trump, os votos de estados conservadores como Texas (38) e Flórida (29). O desafio será pregar além dos já convertidos. Sobretudo nos chamados “swing states” — “estados pendulares” da Pensilvânia (20), Carolina do Norte (15), Michigan (16), Wisconsin (10), Arizona (11), New Hampshire (4), Virginia (13), Minnesota (10), Colorado (9), Nevada (6), Ohio (18), Geórgia (16) e Iowa (6 delegados). Por isso, Trump tem como vice em sua chapa o senador de Ohio J. D. Vance. E, ainda sem vice, Kamala fez ontem seu primeiro comício em Wisconsin.
Após ser informado pelo blog que Maicon e Fred amanheceram inativos na executiva do PSD em Campos, Bruno Vianna foi ao Rio para garantir com Eduardo Paes o apoio do partido à pré-candidatura do União a prefeito de Campos (Foto: Instagram)
“Em conversa hoje com o prefeito Eduardo Paes, reafirmamos nosso compromisso em estar juntos na candidatura majoritária a ser definida em convenção com o partido União Brasil”. Foi o que postou aqui, na noite de hoje, o ex-vereador Bruno Vianna, após se encontrar no Rio com Paes.
Bruno não explicou porque o também ex-vereador Maicon Cruz e o vereador Fred Machado, que assumiram a executiva provisória do PSD em Campos com ele na presidência em 2 de abril (relembre aqui) apareceram hoje (confira aqui) como inativos na Justiça Eleitoral. Maicon, inativo como vice-presidente; Fred, como 2º tesoureiro. Informado de manhã pelo blog da mudança no próprio partido, que ignorava, Bruno creditou o fato à noite a “especulações”.
Como o blog informou, inclusive ao presidente do PSD em Campos, as mudanças teriam sido determinadas pelo próprio Paes. Pelo fato do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ter lançado o também deputado estadual Rodrigo Amorim pré-candidato a prefeito no Rio. E porque Amorim foi diante da residência do prefeito, na semana passada, para tentar gerar e gravar cenas de constrangimento.
Após a ação de Bruno como mensageiro dos Bacellar, Paes pode ter retirado o bode da sala. Que, em Campos, poderia gerar bastante trabalho, já que o ceramista Oziel Crespo, pré-candidato a vice-prefeito na chapa da delegada Madeleine Dykeman (União), é filiado ao PSD. Em troca, os Bacellar, mesmo se lançarem Amorim a prefeito do Rio, devem mantê-lo na rédea curta.
Maicon Cruz, Fred Machado, Bruno Vianna, Eduardo Paes, Rodrigo Amorim e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Se rompeu com Caio Vianna (hoje, MDB) após este ter fechado aliança (confira aqui) com o prefeito Wladimir Garotinho (PP), o PSD do prefeito carioca Eduardo Paes parece ter se afastado da oposição em Campos liderada pelos Bacellar. Desde hoje (22), o ex-vereador de oposição Maicon Cruz e o vereador Fred Machado constam como inativos, respectivamente, dos cargos de vice-presidente e 2º tesoureiro da executiva provisória do PSD goitacá.
Na executiva do PSD em Campos (relembre aqui), só o ex-edil de oposição Bruno Vianna permaneceu ativo como presidente. Ainda sem saber das mudanças, ele está a caminho do Rio, onde já tinha encontro marcado com Paes. O fato é que o destino do PSD às eleições de 6 de outubro em Campos está incerto.
As mudanças no tabuleiro goitacá seriam determinação de Paes. Candidato à reeleição como prefeito do Rio, ele teria ficado insatisfeito com o fato do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ter lançado o também deputado estadual Rodrigo Amorim pré-candidato a prefeito da capital fluminense.
Conhecido, do Rio a Campos, pelo modo muito baixo de fazer política, com base na tentativa de constrangimento pessoal dos adversários, Amorim teria ido à frente da residência de Paes na semana passada. Para tentar produzir aqueles típicos vídeos bolsonaristas. O que teria sido a gota d’água para Paes no namoro político (confira aqui) com os Bacellar.
Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Thiago Rangel (PMB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta sexta (19), na Folha FM 98,3. Ele falará da sua pré-candidatura do PSDB (confira aqui) ao PMB, e sobre ter o vereador de oposição Rafael Thuin (PRD) como vice (confira aqui) em sua chapa.
Thiago também falará da montagem de nominata do PMB, e da pré-candidatura à vereadora da sua filha, a jovem estreante Thamires Rangel. Por fim, ele tentará projetar, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, e aqui), a eleição municipal de 6 de outubro, daqui a exatos 80 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Jacques Tati em seu mais famoso personagem, Monsieur Hulot
Arthur Soffiati, historiador, ambientalista, escritor e crítico de cinema
Presença de Jacques Tati
Por Arthur Soffiati
Jacques Tati (1907-1982) parece ter tentado criar um personagem de humor como Carlitos, Buster Keaton e Harold Lloyd. Seria a França dando a sua contribuição para a comédia no cinema. Ele chegou tarde e não conseguiu o sucesso alcançado pelos Estados Unidos. Os curtas “On demande une brute” (1934), “Gai dimanche” (1935), “Cuida da tua esquerda” (1936) e “Escola de carteiros” (1947) não criaram um personagem. Mas revelaram seu caráter de mímico e a grande agilidade de Tati.
“Carrossel da esperança” (1949), seu primeiro longa, retoma o personagem do carteiro diligente e atrapalhado que se esforça por imitar um carteiro norte-americano. Algumas cenas de “Escola de carteiros” são retomadas no filme. Tati começa a revelar suas qualidades de comediante e diretor. “Carrossel da esperança” foi filmado em preto-e-branco e em cores. Esta segunda versão foi encontrada muitos anos depois. Foi o primeiro filme em cores da França. A restauração foi um trabalho de pesquisa e de artesanato. Mas Tati ainda não encontrara seu lugar.
Finalmente, em “As férias do senhor Hulot” (1953), ele cria um personagem que vai imortalizá-lo como um dos grandes comediantes do cinema. Hulot é um homem desajeitado e trapalhão fora do seu tempo. Ele não faz crítica explicita à modernidade, mas, com simplicidade, mostra que os tempos modernos excluem o ser humano. Hulot vive o presente como se estivesse no passado. Daí as situações cômicas que ele cria.
Em “Meu tio” (1958), Hulot alcança seu momento mais lírico. O filme tem um roteiro explicito. É claro o contraste de uma França antiga e uma França que se americaniza. Hulot vive uma vida simples, morando numa casa com acesso complicado. Sua irmã casou-se com o executivo de uma empresa de tubos de borracha que, para demonstrar sua posição social, tem uma casa toda automatizada e um automóvel moderno. O filho do casal gosta do tio porque ele representa a liberdade e a simplicidade. Até mesmo o cachorro do casal gosta da liberdade que Hulot lhe proporciona de viver entre vira-latas.
Mas o executivo considera Hulot um vagabundo e mau exemplo para o filho, conseguindo-lhe um emprego na fábrica de tubos. As cenas decorrentes de um desajeitado tentando um emprego moderno são impagáveis. O filme mereceu um Oscar e rendeu recursos de bilheteria.
Num esforço descomunal, Tati reuniu todos os seus recursos para “Playtime” (1967), filme ambicioso. Para tal, construiu uma cidade a fim de fazer um filme “limpo”, em que entrasse apenas o que o diretor desejava. Mais uma vez, Hulot se movimenta num mundo moderno de modo antigo. Não há crítica explícita à modernidade, como em “Tempos modernos”, de Chaplin. Hulot se limita a criar situações impagáveis num mundo dominado por uma tecnologia que ultrapassa a escala humana. Quem se formou num mundo analógico entenderá bem as dificuldades de Hulot num tempo que ainda não é digital.
O filme não foi bem de bilheteria. Começa o declínio de Tati, que morrerá endividado. O curta “Aula noturna”, de 1967, nada acrescenta à sua filmografia, sendo mesmo uma espécie de retorno a seus primórdios. Mas seu personagem marcante retorna em “As aventuras do sr. Hulot no tráfego louco” (1971). Ele não mais financia seus filmes, mas continua a viver à moda antiga num mundo novo.
Um traço que observei na filmografia de Hulot e que ainda não encontrei comentado: sua relação com as mulheres. Elas são moças esbeltas e discretas que entram na vida do comediante, produzindo uma forma de encantamento. Mas não existe aproximação mais íntima.
Por fim, “Parada” (1974), seu canto do cisne. O centro do filme não é mais o senhor Hulot, mas o próprio Jacques Tati, que, aos 67 anos, demonstra toda sua agilidade e capacidade mímica. Ele volta aos tempos em que imitava lutadores de boxe e tenistas, além de outros. O filme foi produzido na Suécia. É pequena a filmografia do grande diretor e ator francês.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
Confira o trailer de “Meu tio”, momento mais lírico de Jaques Tati:
Christiano Fagundes, advogado, professor de direito, autor de 24 livvros e membro da ACL
Cecília Meireles: “uma tal intimidade com a morte”
Por Christiano Fagundes
Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu, no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, desde os 3 anos de idade, foi criada pela avó materna. No ano de 1919, estreia em livro, com a obra Espectros. Trata-se de um livro de poemas que foi bem recebido pela crítica.
Pode-se afirmar que a produção literária de Cecília Meireles é ampla, pois, conquanto seja mais conhecida como poetisa, escreveu contos, crônicas e literatura infantil.
Um dos traços fundamentais da poesia de Cecília Meireles é a sua consciência da fugacidade do tempo, da transitoriedade da vida, das coisas. A seguir, um comentário feito pela própria escritora:
“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos 3 anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno que, para outros, constituem aprendizagem dolorosa e, por vezes, cheia de violência. Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade” (Christiano Fagundes, 2010, p.11)
Mister registrar que uma das marcas do lirismo de Cecília Meireles é a musicalidade de seus versos, com o registro de muitas aliterações. No poema “Rômulo rema”, constante da obra “Ou isto ou aquilo”, a aliteração faz-se presente: Rômulo rema no rio/A romã dorme no ramo, /a romã rubra. (E o céu). /O remo abre o rio./O rio murmura./ A romã rubra dorme/ cheia de rubis. (E o céu). / Rômulo rema no rio./ Abre-se a romã./ Abre-se a manhã./ Rolam rubis rubros do céu./ No rio,/ Rômulo rema
A leitura oral do poema evidencia a repetição dos fonemas /R/ e /M/, cujo som lembra o movimento das águas do rio. A expressão “E o céu”, colocada entre parênteses, chama a atenção para a chegada da manhã que aparecerá nos próximos versos. “O rio murmura” sugere uma tensão entre o meio ambiente e as ações do homem em desrespeito à natureza. Trata-se de poema rico em aliteração, musicalidade, personificação, sensorialismo e ludismo.
A fugacidade do tempo, com a passagem da madrugada para a manhã, também está presente. Há uma sugestão de movimento percorrendo todo o poema: “Rômulo rema no rio”; “o remo abre o rio”; “abre-se a romã/ abre-se a manhã”; “rolam rubis”.
No livro “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Meireles retoma uma forma poética de tradição ibérica, denominada romance (composição de caráter popular, escrita em redondilhas), para reconstruir o episódio da Inconfidência Mineira.
Cecília dedicou-se ao magistério primário e universitário, fez crítica literária e colaborou na imprensa, vindo a falecer em 9 de novembro de 1964. Recebeu, post mortem, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. A seguir, uma outra declaração da poetisa:
“Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano”. (Christiano Fagundes, 2010, p.12).
A poesia está presente no cotidiano. Faz parte da vida do homem, desde os primeiros dias de vida, embalando as cantigas de ninar, perpassando pelas brincadeiras com os colegas de escola, chegando às mensagens de amor. Está presente nos momentos festivos e nos de dor.
Inspirados em Cecília, poetisa que tinha a plena convicção da efemeridade e que venceu, ainda criança, a dor da despedida, sejamos como Rômulo: rememos, pois remar é, cada vez mais, preciso. Reinventemo-nos na perspectiva de um rio iluminado pela manhã e pelo amanhã.
Empresário, advogado e pré-candidato a prefeito de Campos, Edmar Ptak (Agir) é o convidado do Folha no Ar desta quinta (18), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a política goitacá na polarização entre Garotinhos e Bacellar.
Edmar também falará da sua pré-candidatura a prefeito e da perspectiva de confirmá-la na convenção municipal do Agir neste domingo (21). Por fim, analisará a nominata do seu partido e tentará projetar, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, e aqui), a eleição a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a exatos 81 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Em meio ao noticário negativo, por conta de uma denúncia anônima de assédio, a Uenf brilha em sua homenagem a duas grandes mulheres de Campos: Zezé Motta e Arlete Sendra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Uenf e violência contra a mulher
Desde que foi fundada em 1993, fruto de um pleito da sociedade goitacá no qual a Folha foi figura de proa, a Uenf teve capital importância na transformação de Campos em polo universitário. E no próprio pensamento da cidade. Verdade, essa mudança não foi o suficiente para evitar que, 31 anos depois, casos de violência contra a mulher sejam registrados quase diariamente na cidade. De fato, matéria da Folha publicada (confira aqui) no último dia 10, com dados da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), contabilizou seus 1.637 atendimentos só no 1º semestre de 2024 — 244 a mais que o mesmo período de 2023.
Por que é preciso evidência?
É uma realidade inadmissível. Que tem que ser combatida com todo o rigor da lei. O mesmo que, só no 1º semestre de 2024, gerou a prisão de 78 agressores de mulheres em Campos — 56 a mais que no mesmo período de 2023. Um dos crimes praticados por homens contra mulheres é o assédio, moral e/ou sexual. Porém, casos como o do jogador Neymar provaram que só a denúncia não basta. Acusado de agressão e tentativa de estupro por uma modelo brasileira em maio de 2019, e depois revelado como agredido no vídeo do hotel em Paris, exemplificou o óbvio: mulheres também podem mentir como homens. É preciso evidência.
À espera da evidência do vídeo
Sem abandonar o exemplo do futebol, foram as evidências que renderam as justas condenações e prisões por estupro dos ex-jogadores Robinho e Daniel Alves. Essas evidências, até aqui, inexistem na acusação de um suposto assédio contra uma suposta aluna da Uenf. Feita (confira aqui) com cartazes colados no prédio da reitoria da universidade na última sexta (12), contra o coordenador do curso de Ciências Sociais do Centro de Ciências do Homem (CCH). Até o momento, a única evidência veio em um vídeo interno da Uenf que teria flagrado (confira aqui) quem colou o cartaz com a denúncia anônima. E teria sido não a suposta aluna, mas uma servidora.
Apuração até o fim!
Se isso for confirmado, não espantará quem conhece há algum tempo a Uenf. Por disputas internas de poder, há décadas a universidade convive com a montagem de dossiês pessoais para ameaça e chantagem. Como um protótipo da rede de assassinato de reputações hoje atribuída aos Bolsonaro. De direita ou esquerda, pessoas e suas ações podem ser igualmente sórdidas. Mas são muito menores que a Uenf. Que tem que ir até o fim na apuração. Se houve assédio, contra quem o praticou. E contra quem, sabendo, acobertou. Se não houve, contra quem fez uma denúncia anônima e falsa. E contra quem agora age, na cara dura, para tentar acobertá-la.
Posição do acusado
Acusado na denúncia anônima como assediador, o coordenador do curso de Ciências Sociais do CCH da Uenf, professor Hamilton Garcia, se posicionou: “Esperamos a divulgação do vídeo que identifica quem colou os cartazes para tomar as providências cabíveis na Justiça. Tanto na Criminal, por calúnia e difamação, quanto na Cível, por danos morais. O caso todo é muito desagradável, mas precisamos entender de uma vez por todas quem está por trás deste virtual ‘gabinete do ódio’ uenfiano”. De formação marxista, mas crítico ao lulopetismo, Hamilton é visto por alguns de seus pares mais sectários de esquerda como um “traidor” político.
Posição da reitora
Antes da notícia da existência do vídeo, a reitora da Uenf, professora Rosana Rodrigues, falou na segunda (15) sobre o caso. Ela negou ter sido procurada por qualquer suposta vítima para falar sobre o suposto assédio: “a Uenf tem canais apropriados para denúncias que resguardam o(a) denunciante. Haverá apuração via processo administrativo e legal. Nunca recebi qualquer informação sobre os assédios relatados. Assédio é intolerável. Ocupo a posição em que estou hoje para dar voz a quem nunca foi ouvida(o) pelo sistema patriarcal, machista e misógino. Mas, infelizmente, a onda das fake news chegou até a universidade”, lamentou a reitora.
A dubiedade da acusação
Como os cartazes também acusaram o diretor do CCH de acobertamento do suposto assédio, que teria acontecido no ano passado, a denúncia foi, no mínimo, dúbia. Mas, pensando bem, esperar o contrário seria demais. Diretor do Centro, o professor Geraldo Timóteo disse: “À frente do CCH, nunca recebi nenhuma denúncia de assédio sexual. Vamos esperar a divulgação do vídeo para ingressarmos na Justiça”. Diretor do CCH até 2023, o professor Rodrigo Caetano disse: “Espero a posição oficial da reitoria e o acesso ao vídeo com quem colou os cartazes. Só garanto nunca ter sido procurado por nenhum aluno com nenhuma denúncia de assédio”.
Repúdio oficial: “sem provas e sem denunciante”
Na manhã de ontem, o Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (Lesce) do CCH divulgou (confira aqui) nota de repúdio. Que entrou de sola: “O Lesce vem a público manifestar a indignação e repúdio à divulgação, por meio de cartazes anônimos, em dependências da Uenf, de grave acusação de assédio contra o coordenador do curso de Ciências Sociais, professor membro deste Laboratório, envolvendo também o diretor do CCH e a reitora (…) O Lesce espera pronta resposta das autoridades universitárias no sentido do pleno esclarecimento e apuração dos fatos, considerando a gravidade de uma denúncia desse teor, sem provas e sem denunciante”.
Campistas: Zezé, Arlete e Uenf
Até que o vídeo e a verdade sejam revelados, é triste ver a Uenf em meio a noticiário negativo, por uma denúncia anônima de assédio sem provas. Mas, ontem, a universidade também brilhou positivamente. A coluna do Lauro Jardim, de O Globo, anunciou (confira aqui) que a atriz, cantora, mulher, negra e campista Zezé Motta receberá um título de doutora honoris causa da Uenf. Cujo site também destacou (confira aqui) que outra grande mulher campista, a professora de Letras e dramaturga Arlete Sendra, aposentada em 2020 após lecionar 24 anos no CCH, receberá o título de professora emérita da universidade. Parabéns às duas! Aliás, às três!
Adolescente de 14 anos, nadadora infantil, atleta do Flamengo, campeã brasileira e campeã estadual, Nicole de Thuin é a convidada do Folha no Ar desta quarta (17), ao vivo, à partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele será acompanhada pela mãe, a ex-Paquita da Xuxa, atriz, cantora e jornalista Roberta Cipriani.
Nicole falará como concilia a rotina de treinamento de atleta de competição com a escola e a vida normal de adolescente. Depois, às vésperas das Olimpíadas de Paris 2024, dirá como projeta as Olimpíadas de 2028, já definidas para Los Angeles. Por sua vez, Roberta falará da sua trajetória como ex-Paquita, atriz, cantora e jornalista, além de mãe de atleta.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Em meio a notícias negativas (confira aqui, aqui e aqui) por conta de uma denúncia anônima de assédio dentro da Uenf, a maior universidade do Norte Fluminense gerou hoje uma notícia bastante positiva. De reconhecimento a uma mulher negra e campista de grande contribuição à cultura nacional: “(a atriz e cantora) Zezé Motta, 80 anos, vai receber um título de doutora honoris causa da Uenf”. Foi o que noticiou hoje (confira aqui) o jornalista João Paulo Saconi, na coluna do Laura Jardim, em O Globo.
— Eu fico muito feliz em saber que sirvo de referência. Penso que valeu a pena todas as batalhas que enfrentei até aqui como mulher preta, como atriz e cantora. Tenho muito orgulho em ser uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial no Brasil. Neste 2024 essa homenagem vem com um sabor ainda melhor, pois estou comemorando meus 80 anos de vida e 40 anos de criação do Cidan, Centro de Informação e Documentação do Artista Negro no Brasil. Estou viva, em atividade, lúcida e com prestigio. Ando com a agenda cheia de trabalho. Isso tudo é uma benção, todo dia eu agradeço — disse Zezé, em declaração publicada na íntegra, também hoje, no (confira aqui) site da Uenf.
— A concessão do título de doutora honoris causa a Zezé Motta reflete o compromisso da Uenf com a valorização de figuras que, através de suas obras e ações, contribuem significativamente para o enriquecimento cultural e a promoção da justiça social. Zezé Motta representa os valores de excelência, integridade e dedicação que nossa universidade preza e promove — disse no site da Uenf sua reitora, a professora Rosana Rodrigues. Que completou ao blog:
— Vamos preparar uma belíssima cerimônia! — prometeu a reitora, no evento ainda sem data marcada para entrega do título.
A pessoa que colou cartaz no prédio da reitoria da Uenf na sexta (12), com denúncia anônima (confira aqui) de assédio na universidade, já teria sido identificada em vídeo do sistema interno da instituição. Seria uma servidora, não a aluna que teria sido a suposta vítima do suposto assédio. Se essa informação for confirmada, além da investigação interna, pode gerar consequências também no Judiciário.
Hoje, o coordenador do curso de Ciência Sociais, professor Hamilton Garcia; e o diretor do Centro de Ciências do Homem (CCH), professor Geraldo Timóteo; adiantaram que pretendem ingressar na Justiça Criminal e Cível contra o(a) autor(a). Embora não nominados, os dois tiveram seus cargos citados na denúncia anônima. Que gerou, na manhã de hoje, carta de repúdio (confira aqui) do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (Lesce), do CCH da Uenf.
— Esperamos a divulgação do vídeo que identifica quem colou os cartazes para tomar as providências cabíveis na Justiça. Tanto Criminal, por calúnia e difamação, quanto na Cível, por danos morais. O caso todo é muito desagradável, mas precisamos entender quem está por trás deste virtual “gabinete do ódio” uenfiano. Neste sentido, é melhor que isso seja divulgado na imprensa séria, para que as pessoas sérias possam acompanhar o caso com a seriedade que merece — disse Hamilton Garcia, coordenador do curso de Ciência Sociais do CCH da Uenf.
— Nem como diretor do CCH, nem como coordenador do curso de Ciências Sociais, nunca recebi nenhuma denúncia de assédio sexual de uma aluna ou aluno. O que cabe, nesses casos, é proteger a vítima e evitar que possa haver uma nova vítima. Se existe a vítima, ela precisa ser identificada internamente. Para, com sua identidade preservada, ser ajudada a se recuperar do quadro de depressão de que fala a denúncia anônima. Agora, se não existe a aluna que teria sido vítima, e se há o vídeo que prova que uma servidora colou os cartazes, além do crime de difamação, há também o de falsidade ideológica. Vamos esperar a divulgação do vídeo para, além da apuração interna, ingressarmos na Justiça — disse o diretor do CCH, professor Geraldo Timóteo.
Ontem, antes da notícia da existência do vídeo, a reitora da Uenf, professora Rosana Rodrigues, falou sobre o caso. Ela também negou ter sido procurada por qualquer suposta vítima para falar sobre o suposto caso de assédio, como foi dito nos cartazes da denúncia anônima colados na reitoria:
— Estamos lidando com essa situação com muita cautela. A universidade tem canais apropriados para denúncias que resguardam o(a) denunciante. Embora essa não seja a forma de se denunciar qualquer ação, haverá apuração via processo administrativo e legal. Posso garantir que a “Rosana” nunca recebeu qualquer informação sobre os assédios relatados. Assédio é intolerável em qualquer ambiente, sobretudo dentro de uma universidade. Entendo perfeitamente que ocupo a posição em que estou hoje para dar voz a quem nunca foi ouvida(o) pelo sistema patriarcal, machista e misógino. E jamais vou me calar ou proteger quem pratica tais atos. Infelizmente a onda das fake news chegou até a universidade
Hoje, também foi ouvido o professor da Uenf Rodrigo Caetano. Como ele foi o diretor do CCH até dezembro de 2023 e um dos cartazes fala que o suposto assédio teria sido praticado no ano passado, ele destacou essa dubiedade temporal da denúncia anônima:
— Espero a posição oficial da reitoria e o acesso a esse vídeo com quem colou os cartazes para conversar com advogados e saber como me posicionar. Não queria falar nada antes. Só garanto nunca ter sido procurado por nenhum aluno com nenhuma denúncia de assédio. E que denúncias anônimas como essa, confusas e, no mínimo, dúbias, afetam a honra e a dignidade das pessoas, de servidores públicos íntegros e dedicados à Uenf, assim como suas famílias. Precisamos e vamos chegar ao fim disso. Se não a Uenf pode virar um inferno! — advertiu o professor Rodrigo Caetano.