Luciane Silva — O voto reflete a cada um sua forma de compromisso com a Uenf

 

 

Luciane Silva, socióloga, professora da Uenf e 2ª vice-presidente da Aduenf

Eleições para Reitor na Uenf: desafios e perspectivas no segundo turno

Por Luciane Silva

 

A construção da Universidade Estadual do Norte Fluminense está intimamente  conectada com o projeto de Darcy Ribeiro, a luta de uma região (a mobilização popular de 1989 que resultou em mais de 4 mil assinaturas e deu início a campanha constitucional pela criação da Uenf)  e uma conjuntura política (o encontro de Leonel Brizola, eleito governador do Rio de Janeiro e do antrópologo visionário Darcy). Vinda de duas instituições Federais (UFRGS e UFRJ) chegar a Universidade do Terceiro Milênio em 2010, possibilitava repensar que ciência queríamos para o Brasil. E estar fora das capitais gerava ainda mais questões sobre os desafios em integrar a comunidade e trabalhar pelo desenvolvimento do Norte Fluminense e do país.

Qual o maior desafio a enfrentar neste momento em uma universidade com 100% de doutores e regime de dedicação exclusiva? Talvez, diante do todos os ataques à educação e à ciência , o maior desafio em 2019 e para os próximos 4 anos seja exatamente manter vivo o seu projeto de criação.

A Uenf completa seus 26 anos e enfrentaremos em breve o segunto turno da eleição para reitor. Até este momento, podemos pensar os resultados sob a metáfora do “copo meio cheio ou meio vazio”. Alguns noticiam o favoritismo da chapa 10. Outros, noticiam a ameaça que um segundo turno representa ao projeto de continuidade representado pelo candidato da reitoria.  O comportamento eleitoral nem sempre pode ser lido como algo transparente e racional. Cada categoria faz suas escolhas com base em sua posição dentro do jogo político.

Na Associação de Docentes da Uenf nossa diretoria tomou uma decisão: não apoiamos nenhuma candidatura e ouvimos todos os candidatos. Nossa posição democrática se reflete no próprio resultado que mostra claramente três grupos divididos entre os docentes. Ou seja, este resultado no primeiro turno, explicita o voto como instrumento de rechaço à proposta de continuidade. Este dado, ao menos entre os docentes é evidente, absolutamente objetivo.

Nossa Associação de Docentes foi citada incontáveis vezes nos debates e em certo momento fomos criticados com o uso do termo “imaturidade política”. É importante explicar, embora não devesse ser necessário, que representamos os interesses dos professores e professoras e como tal, nossas posições têm neste grupo sua legitimidade de ação outorgada por eleição. Em 2017, defendemos abertamente a autonomia de gestão financeira para Uenf e fomos frontalmente contrários ao parcelamento desta autonomia.

Nossa questão era simples: não havia clareza sobre a forma do repasse, não havia clareza sobre os valores para folha de pagamento e custeio. E ainda hoje, as universidades estaduais do Rio de Janeiro temem uma autonomia de gestão que não garanta em lei, o pagamento de salários dos servidores. Isto foi dito na reunião feita com o Governo em junho de 2019.

Não se pode esconder os problemas o tempo todo. É parte do processo de gestão, informar a comunidade do que se passa com nossas contas e nosso planejamento para o futuro. Mas na atual conjuntura política, é preciso recuperar a vitalidade de Darcy Ribeiro para construir mundos que não existiam. Mundos de gente realizada na construção de ensino, pesquisa e extensão. Nossa relação com os parlamentares na Alerj e com o governo deve ser de respeito aos expedientes democráticos. Mas jamais devemos deixar de pautar nossos interesses. Se tentam instaurar a CPI das Universidades, se tentam criminalizar nossas aulas, se descumprem a lei, no caso dos duodécimos, não nos parece razoável aceitar sem luta, decisões que nos prejudicam.

O peso do cargo de reitor é demonstrado no emprego do pronome de tratamanto “magnífico”. Vamos retomar uma frase emblemática do antropólogo Darcy Ribeiro: “meus fracassos são minhas vitórias, eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Um processo eleitoral é uma oportunidade única para repensarmos por quais vitórias pretendemos ser reconhecidos como instituição de ensino, pesquisa e extensão. Darcy não abria mão de sua relação com a América Latina e com a indignação. Era um político e está sujeito a críticas. Mas certamente nos deixou como legado, a obrigação de não pararmos de sonhar. De que a Uenf não poderia apequenar-se em conchavos. Creio que ele não comprometeria este sonho por um poder estruturado sob vassalagem ou sob sujeição a qualquer ordem estranha à democracia. E certamente este será o desafio ao próximo reitor eleito. Já que existe a derrota na vitória — a eleição presidencial de 2018 é o exemplo mais eloquente—, o voto reflete a cada um sua forma de compromisso com a Uenf.

Na abertura do capítulo “O Homem Cordial” do livro “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Holanda afirma: “O Estado não é uma ampliação do círculo familar e, ainda menos, uma integração de certos grupamentos, de certas vontades particularistas (…)”. Pensar a Uenf pós eleição é recuperar a crítica a formas particularistas de governo ou gestão que ao amarrarem certos compromissos internos, comprometem exatamente o que se pretendia fazer grandioso: o conceito de universidade.

A curto prazo alguns agraciados sentem a satisfação da vitória. Uma satisfação que se mostrará impotente quando confrontada com a fraqueza institucional diante dos desafios postos: a autonomia de gestão financeira em 2019, a necessidade dos concursos, a superação das fraturas internas, o cuidado com a saúde mental da comunidade, o respeito a diversidade, a discussão de gênero e raça, a acessibilidade. E sobretudo, o exercício diário da democracia. Em especial, será fundamental que se compreenda as discussões sobre gênero realizadas nas instituições de ensino brasileiras, do nível fundamental ao superior.

Nesta eleição temos visto um rebaixamento da discussão sobre a presença feminina em cargos de poder. Tratar este tema com seriedade exige a criação de melhores condições de trabalho para as mulheres. Cientistas, alunas, técnicas e terceirizadas. É importante evitar usos equivocados do conceito de gênero em uma sociedade que debate as desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho.

Termino este texto com um trecho do poema “Mundo Grande” de Carlos Drummond de Andrade: “tu sabes como é grande o mundo, conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores de homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isto, amontoar tudo isto, num peito de um só homem, sem que ele estale”.

Revisitando o projeto de Darcy, após colher entre alunos esta leitura poética afirmo: “meu coração cresce dez metros e explode

Ó Uenf futura, nós te criaremos.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Entre a paixão e a razão, prisão e liberdade de Garotinho deveriam ensinar a Wladimir

 

 

Preso na terça, Garotinho sai da cadeia, após habeas corpus no plantão do TJ da madrugada de quarta (Foto: Agência Brasil)

 

Prisão dos Garotinho

A nova prisão (aqui) de Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri) na última terça (03) pelo caso Morar Feliz, para serem soltos no dia seguinte (04), dividiu opiniões. As das paixões políticas a as jurídicas. Se as primeiras não devem ser consideradas à luz da razão, esta ilumina a complexidade da questão. Enquanto a promotora Ludmilla Bissonho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) vai insistir (aqui) no pedido de prisão do casal, o deputado federal de Macaé Felício Laterça (PSL) falou ainda na terça como delegado da Polícia Federal (aqui) ao blog Opiniões: “Não me parece haver fato novo que justifique as prisões”.

 

Fio da meada

De fato, a questão não é recente. Nesta mesma coluna, em 29 de maio de 2009, foi anunciado (aqui) que a primeira licitação do Morar Feliz, no primeiro dos oito anos de governo municipal Rosinha, tinha sido montada para favorecer a Odebrecht. O valor daquela licitação, adiada em quatro meses por conta da revelação do Ponto Final, era de quase R$ 358 milhões. E até os Garotinho saírem do poder em Campos, seu programa habitacional custou quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos do município. Pela Odebrecht, quem tratava com Garotinho eram seus ex-executivos Leandro Andrade de Azevedo e Benedicto Barbosa da Silva Junior.

 

A Lava Jato no caminho

Durante sete anos, mesmo confirmada, a revelação da Folha não gerou nenhuma investigação. Até que, em 22 de fevereiro de 2016, a 23ª fase da Lava Jato encontrou na residência de Benedicto (aqui) planilhas com as doações da Odebrecht a cerca de 300 políticos de 22 partidos. Entre eles, Anthony, Rosinha e Clarissa Garotinho (hoje, Pros). Em dezembro de 2016, Benedicto (aqui) e Leandro (aqui) delataram à Lava Jato superfaturamento de R$ 63 milhões no Morar Feliz, com repasse de R$ 25 milhões a campanhas políticas dos Garotinho. E, em 26 de junho de 2017, confirmaram (aqui) a história à 1º Promotoria de Tutela Coletiva do MP Estadual de Campos.

 

Ameaça e suspeição

O fato novo foi a denúncia de ameaça a testemunhas do caso. Valeu para o juiz da 2º Vara Criminal de Campos, Glicério Angiólis, decretar a prisão na terça dos ex-governadores do Rio e ex-prefeitos de Campos. Mas não valeu na madrugada de quarta para o controverso desembargador Siro Darlan — espécie de Gilmar Mendes do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) —, que deferiu o habeas corpus liminarmente no plantão. O pedido teria que ser julgado na 1º Câmara Criminal do TJ-RJ, mas todos seus cinco integrantes têm se declarado suspeitos para julgarem Garotinho. Até sexta (06), só faltava (aqui) um deles fazê-lo.

 

Garotinho x Lula

A 1ª Câmara Criminal é considerada uma das mais duras das oito do TJ-RJ. Mas é presidida pelo desembargador Luiz Zveiter, que tem vários processos por difamação e calúnia contra Garotinho. Daí as declarações como suspeitos para julgá-lo. Comparado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril do ano passado, enquanto Garotinho consegue sempre se safar, a tática de eleger seu julgador como oponente político, que não funcionou contra o ex-juiz federal Sérgio Moro, parece até agora estar dando certo para o político da Lapa. Nesta semana, um novo sorteio deverá ocorrer para o julgamento do habeas corpus.

 

Na tribuna da Congresso, na última quarta (04), Wladimir acusou o juiz que prendeu seu pai de “assédio sexual e moral”, e falou em “canalhas” (Foto: Reprodução)

 

Ataque à Justiça

Quem não possui o estilo beligerante de Garotinho é seu filho e deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). Procurado pela reportagem da Folha na terça, ele não quis se pronunciar sobre a prisão dos pais, diferente da irmã e também deputada federal Clarissa. Mas na quarta, após os pais saírem da cadeia, Wladimir fez (aqui) um discurso duríssimo na tribuna do Congresso Nacional, em que atacou frontalmente o Judiciário e o MP de Campos: “não é de hoje que um grupo da justiça local da cidade de Campos vem perseguindo a minha família (…) por um grupo que, por interesses políticos e financeiros, tenta a todo custo destruir a minha família”.

 

Amor x razão

À parte a maneira envelhecida de fazer política, Garotinho tem inegáveis virtudes: talento, obsessão pelos objetivos e capacidade de trabalho. Isso, junto à fase áurea das receitas do petróleo, hoje em franca decadência, fizeram do ex-governador o político mais importante de Campos, desde o ex-presidente Nilo Peçanha. Goste-se ou não, é fato histórico. Quem admira o seu pai, dimensiona o que isso significa a um filho. Mas após a Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj) emitir nota oficial de repúdio (aqui) aos ataques sofridos pelo juiz Glicério, Wladimir deve se cuidar para não repetir os erros do pai. Até para não pagar o mesmo preço.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

Atualização às 13h55 para correção de erro de concordância de número no título da postagem

 

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Semana do Folha no Ar com Leonardo, Edmundo, Raúl, Carlão e Vanessa na Folha FM

 

Leonardo Barreto, Edmundo Siqueira, Raúl Palacio, Carlão Rezende e Vanessa Henriques (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Programa líder de audiência em Campos e toda região, o Folha no Ar 1ª edição volta, da Folha FM 98,3, sempre a partir das 7h da manhã, fechou sua programação da próxima semana. Na segunda (09) o convidado é o secretário de Desenvolvimento Ambiental de Campos, Leonardo Barreto. A rodada semanal segue na terça (10), com o servidor público federal e blogueiro da Folha Edmundo Siqueira; na quarta (11), com o professor Raúl Palacio, candidato a reitor da Uenf no segundo turno da eleição; na quinta (12), com o professor Carlão Rezende, adversário de Raúl no turno final pelo comando da principal universidade de Campos e região; fechando na sexta (13) com a cientista social e militante feminista Vanessa Henriques.

Os ouvintes podem ser também telespectadores, no streaming ao vivo do programa na página da Folha FM (aqui) no Facebook. E, através de comentários, também participar em tempo real com observações, críticas e perguntas. Ou conferir depois as entrevistas, todas disponibilizadas na página da rádio no Face, além (aqui) do Youtube e neste blog. Nas ondas do rádio ou na tela, esperamos você lá.

 

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Triatleta goitacá, Chistiano Abreu Barbosa disputa Mundial do Ironman na França

 

O século 20 de Jesse Owens, Joe Louis, Johnny Weissmuller, Emil Zátopek, Adhemar Ferreira da Silva, Sugar Ray Robinson, Zizinho, Alfredo Di Sténao, Juan Manuel Fangio, Ferenk Puskás, Didi, Mané Garrincha, Pelé, Maria Esther Bueno, Éder Jofre, Teófilo Stevenson, Jacques Mayol, Yasuhiro Yamashita, Carl Lewis, Karch Kiraly, Martina Navrátilová, John McEnroe, Zico, Diego Maradona, Sugar Ray Leonard, Julio César Chávez, Mike Tyson, Magic Johnson, Michael Jordan, Alexander Karelin, Miguel Indurain, Kelly Slater, Alexander Popov, Royce Gracie, Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna produziu grandes atletas, verdadeiras lendas do esporte. Mas, talvez mais do que todos os outros, foi o pugilista Muhammad Ali quem reuniu o que há de melhor entre homem e esportista. Com seu título de campeão profissional peso pesado de boxe cassado e impedido mais de três anos de lutar nos ringues, por ter se recusado a lutar para matar na Guerra do Vietnã, passou a viver de palestras. Saindo de uma delas, na conceituada universidade de Harvard, os estudantes lhe pediram em coro um poema. O campeão parou, pensou alguns segundos, e disse: “Me, we!” (“Eu, nós!”).

Entre a mãe Diva e a esposa Julie, o triatleta Christiano Abreu Barbosa, que disputa neste domingo o Campeonato Mundial do Ironman, em NIce, na França (Foto: Arquivo Pessoal)

Um boleiro habilidoso desde moleque, que na meia idade se aposentou do futebol por contusões. E, pelos mesmos motivos, abandonou a curta carreira seguinte como maratonista. Mas, para dar vazão ao seu espírito altamente competitivo, acabou se tornando um triatleta de destaque, chegando a recentemente liderar o ranking de todo o Brasil em sua faixa etária. Este é Christiano Abreu Barbosa, 46 anos, diretor e blogueiro da Folha, e meu irmão caçula, que neste domingo (08) disputa o Campeonato Mundial do Ironman, em Nice, no litoral mediterrâneo da França.

A largada será  às 9h da manhã, 4h da madrugada no Brasil, nas águas azuis do Mar Mediterrâneo, eixo comercial do mundo até as grandes navegações do séc. XVI. Daí será 1,9 km de natação, com tempo médio previsto entre 30 a 35 minutos. Depois é sair do mar para pegar a bicicleta e pedalar 92 km, parte considerada mais dura da prova, pelo circuito montanhoso nos arredores de Nice, com subidas muito íngremes e descidas perigosas, sobretudo se cair a chuva prevista. Quem conseguir cumprir essa etapa muito bem, deve fazê-lo em cerca de três horas, com médias de km/h consideradas baixas.

Após o pedal, de volta a Nice, é largar a bicicleta para a última etapa do Ironman: correr a pé uma meia-maratona de 21 km. Serão duas voltas pela orla do balneário mediterrâneo, cada uma com 10,5 km. Para quem cumprir muito bem o total da prova, a estimativa é entre cinco horas e cinco horas e meia. É considerado um tempo lento, mas que se justifica pelas dificuldades naturais do percurso no litoral sul da França. A perspectiva de encerramento do Mundial é às 14h locais, 9h da manhã no Brasil.

Como nosso pai antes dele, Christano é um campista apaixonado por sua terra de planície, cortada e parida pelo rio Paraíba do Sul. É ela que ele representará neste domingo, em mar e terra de França, entre os melhores triatletas do mundo. A um oceano, um hemisfério e cinco horas de fuso horário de distância, fica daqui a torcida. E o orgulho, independente do resultado.

Nadando, pedalando e correndo por mais de cinco horas ininterruptas no palco do Mediterrâneo, pia de batismo de uma tal Civilização Ocidental, que o pensamento do triatleta goitacá seja o mesmo do campeão: “Eu, nós!”

 

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HC dos Garotinho: 5 integrantes da 1ª Câmara do TJ se declaram suspeitos de julgar

 

Garotinho sai da cadeia de Benfica no dia 4, após habeas corpus dado na madrugada do plantão do TJ (Foto: Agência Brasil)

 

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio deveria analisar a decisão liminar do desembargador Siro Darlan, que libertou Garotinho e Rosinha no plantão da última quarta-feira.

O problema é que os cinco integrantes do colegiado se declaram suspeitos para julgar o casal de ex-governadores. Agora, o caso será redistribuído.

 

Publicado aqui, em O Antagonista

 

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Enrique fica neutro na disputa Raúl x Carlão na eleição do 2º turno a reitor da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

“Não verbalizaremos opinião em relação aos candidatos vencedores. Cabe à competência deles e a credibilidade dos respectivas propostas de planos de gestão convencerem os eleitotes que consignaram o voto na nossa filosofia e pauta de resgate e renovação da gestão universitária, que persiste claramente como base diferencial nossa. Atenta-se para o fato de termos nos apresentando como aleternativa, contrário às chapas vencedoras que se definem opositoras uma da outra, desconstruindo o espírito de integração que deveria primar no mundo acadêmico”.

 

Enrique Medina-Acosta,em entrevista ao Folha no Ar, no último dia 29 (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Foi o que professor da Uenf Enrique Medina-Acosta enviou na noite de ontem ao blog, para reafirmar sua posição de neutralidade em relação à eleição do segundo turno para reitor da universidade mais importante de Campos e região. A votação entre seus professores, técnicos e alunos recomeça dia 14 (próximo sábado) nos polos avançados do Cederj. Mas atingirá seu ápice no dia 17 (próxima terça), nos campi de Campos e Macaé.

Enrique ficou empatado em segundo lugar no primeiro turno, no último dia 3, com os mesmos 28,52% dos votos conquistados pelo professor Carlão Rezende, candidato da chapa 11  “Avança Uenf: Ciência e Sociedade”. Candidato da chapa 12 “Uenf Renova”, Enrique  foi preterido (aqui) no critério de idade, fixado no estatuto da universidade, por ser 11 meses mais novo que Carlão. Este irá enfrentar no segundo turno o professor Raúl Palacio, candidato da chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”, vencedor parcial, mas destacado do primeiro turno, com 41,70% dos votos.

 

Raul Palacio e Carlão Rezende vão disputar o 2º turno a reitor da Uenf no dia 17 (Fotos de Isaias Ferenandes, monatem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Hoje, nas redes sociais, a chapa de Enrique reafirmou sua posição oficial de neutralidade sobre o segundo turno entre Raúl e Carlão. E reagiu com ironia ao critério desempate que a deixou de fora da disputa final. Confira abaixo:

 

“Comunicado da chapa 12 ‘Uenf Renova’

Prezados membros da comunidade da Uenf,

A chapa 12 ‘Uenf Renova’ foi constituída por um grupo de pessoas interessadas em propor uma alternativa de gestão inovadora, que melhorasse nossa realidade atual.

O resultado do primeiro turno mostrou a validade de nossa proposta, visto que um número expressivo de eleitores votou em nossa chapa, nos colocando junto a outra chapa em segundo lugar.

Somos mais jovens! E esse foi o critério de desempate. Desse modo, nossa campanha terminou.

Quanto ao segundo turno, a chapa 12 ‘Uenf Renova’ não manifestará apoio a nenhum dos concorrentes, pois é competência dos candidatos convencer os eleitores sobre a superioridade de suas respectivas propostas.

Desejamos a nossa comunidade universitária um segundo turno harmonioso e democrático”.

 

Para saber como Raúl Palacio encara o segundo turno, confira aqui.

Para saber como Carlão Rezende encara a disputa final, confira aqui.

 

Abaixo os vídeos das entrevistas com Raúl e Carlão, em três blocos cada uma, feitas antes do primeiro turno no programa Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3:

 

RAÚL PALACIO:

 

 

 

 

CARLÃO REZENDE:

 

 

 

Atualização às 14h37: O Blog do Edmundo Siqueira já havia tratado aqui da neutralidade do candidato Enrique Medina-Acosta no segundo turno entre Raúl Palacio e Carlão Rezende na eleição a reitor da Uenf.

 

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Wladimir Garotinho: “Rodrigo Bacellar está querendo holofotes que não lhe cabem”

 

“O deputado (estadual Rodrigo Bacellar, SD) está querendo holofotes que não lhe cabem, até porque todas as pesquisas até o momento o colocam com menos de 2% de intenção de votos. Se ele quer atribuir à mim fake news de grupos de WhatsApp. Tenho também um arsenal de mensagens de pessoas ligadas a ele, falando bobagem sobre mim. Acho até que se preocupou demais com isso. Deveria?”

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Foi o que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) respondeu a Rodrigo, que enviou nota ao blog atribuindo (reveja aqui) ao filho do casal Garotinho as fake news veiculadas ontem em grupos locais de WhatsApp. Elas buscavam ligar o deputado estadual ao juiz Glicério de Angiólis, quando ainda atuava em Miracema, por conta de uma foto em quam ambos apareciam juntos, em uma solenidade na Câmara Municipal daquele município.

Como o magistrado determinou na última segunda (02) a prisão (aqui) dos ex-governadores do Rio e ex-prefeitos de Campos, por conta da denúncia de irregularidades do Morar Feliz, as mensagens em grupos de WhatsApp ligados aos Garotinho veicularam ontem o print da foto entre Rodrigo e Glicério, seguido de outra mensagem: “Nunca vi juiz entregar título de cidadão, por coincidência o dep Rodrigo Bacelar recebeu um das mãos logo do juiz que hoje mandou prender Garotinho e Rosinha”.

 

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Amaerj divulga nota de repúdio aos ataques contra juiz que prendeu casal Garotinho

 

A Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) acabou de soltar (aqui) nota oficial de repúdio aos ataques que o juiz Glicéio de Angiólis Silva, titular da 2ª Vara Criminal de Campos, passou a sofrer após ter determinado (aqui) a prisão do casal Garotinho na última segunda (02). O motivo foram as denúncias de ex-executivos da Odebrecht (aqui) sobre superfaturamento de R$ 63 milhões no Morar Feliz. Nos oito anos do governo municipal Rosinha, o programa habitacional custou quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos de Campos. E teria gerado o repasse de caixa dois de R$ 25 milhões para campanhas eleitorais dos Garotinho.

As investidas contra o magistrado da comarca de Campos se intensificaram após o habeas corpus favorável aos ex-governadores do Rio e ex-prefeitos de Campos, deferido pelo desembargador Siro Darlan, no plantão da madruga de terça (03) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Ontem, os ataques chegaram até o plenário do Congresso Nacional, com o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), filho do casal. Ele chegou (aqui) a denunciar “um grupo da justiça local da cidade de Campos vem perseguindo a minha família” e usar o adjetivo “canalhas”.

Confira abaixo a resposta da Amaerj:

 

 

A Amaerj manifesta apoio ao juiz Glicério de Angiólis Silva, que decretou as prisões preventivas de cinco pessoas, entre elas os ex-governadores do Estado do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Todos são acusados de superfaturamento em contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a construtora Odebrecht.

A Amaerj repudia as declarações caluniosas e infundadas sobre a decisão judicial. A Associação ressalta que, a partir das provas apresentadas pelo Ministério Público, o magistrado decidiu de forma técnica e fundamentada.

A decisão prolatada demonstra que o magistrado analisou criteriosamente os requerimentos do Ministério Público, tanto que rejeitou em parte a denúncia e indeferiu o pedido de sequestro de bens.

Os juízes atuam com independência funcional em cumprimento da lei. A magistratura continuará dedicada ao trabalho sério e de alta qualidade, que fortalece o Poder Judiciário, instituição basilar do Estado Democrático de Direito.

 

Atualização às 18h45: A reportagem da Folha gerou demanda ontem sobre os ataques ao juiz de Campos à assessoria do TJ-RJ, que se limitou a responder hoje: “Os juízes não se manifestam sobre processos ainda em andamento”.

 

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Rodrigo Bacellar atribui a Wladimir fake news para tentar ligá-lo à prisão do casal

 

Após o habeas corpus na madrugada de quarta (04), que  tirou os ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri) da cadeia, a Folha trouxe hoje uma cobertura completa do caso. Inclusive como grupos de WhatsApp garotistas ontem (04) veicularam mensagens (aqui) tentanto culpar Rodrigo Bacellar (SD), deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, pela prisão do casal mais famoso da Lapa. A prova? Uma foto publicada em 4 de maio pelo jovem parlamentar nas redes sociais. Nela, ele recebia o título de cidadão miracemense. E na legenda registrou que foi “das mãos do Dr. Glicério Angiólis, (então) juiz da Comarca de Miracema”.

Confira abaixo o print veiculado ontem em grupos de WhastApp dos Garotinho, com a identificação da presença de Glicério na solenidade em vermelho. Ao print se seguiu outra mensagem nos mesmo grupos, onde era feita a ilação: “Nunca vi juiz entregar título de cidadão, por coincidência o dep Rodrigo Bacelar recebeu um das mãos logo do juiz que hoje mandou prender Garotinho e Rosinha”.

 

 

Depois que assumiu a 2ª Vara Criminal de Campos, foi Glicério quem decidiu a prisão de Garotinho e Rosinha na última segunda (03). O motivo foi a denúncia do superfaturamento de R$ 60 milhões das obras do Morar Feliz, que renderam quase R$ 1 bilhão do dinheiro público de Campos  à Odebrecht. Dois-executivos da construtora, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade de Azevedo admititam ter repassado R$ 25 milhões de caixa dois para as campanha eleitoral dos Garotinho.

No dia da prisão do casal Garotinho, Rodrigo foi procurado pela equipe de reportagem da Folha, mas preferiu não se pronunciar. Ainda assim, no dia seguinte, foi feito de alvo pelos grupos de WhatsApp dos Garotinho por conta de uma foto casual e antiga, em evento protocolar. É o aquilo que, depois da eleição presidencial dos EUA em 2016, o mundo passou a conhecer como fake news.

Abaixo, a reação do jovem deputado estadual e filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT):

 

Rodrigo Bacellar (Foto: Folha da Manhã)

 

Mais uma vez venho a público, em respeito aos amigos e eleitores, esclarecer que soube através da imprensa que tenho sido citado nominalmente em redes sociais por correligionários do deputado Wladimir Garotinho (PSD), como o responsável por um “complô jurídico”, que culminou com a prisão preventiva do Sr. Anthony Garotinho, que aliás, é a quarta em sua trajetória.

De tão descabida que é a citação eu nem deveria perder meu tempo em responder, afinal, o Estado do Rio de Janeiro está em processo de franca recuperação, tanto moral como econômica, fruto da aliança e cooperação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nunca se trabalhou tanto em prol da reconstrução daquilo que fora devastado e saqueado nos últimos anos. É tempo de trabalho, e não de “fofocas” nem disse-me-disse.

E antes de adentrar no mérito desse absurdo, quero deixar minha opinião pessoal como advogado, registrando que discordo frontalmente do decreto prisional em desfavor do pai do deputado, tendo em vista tratar-se de fato bastante pretérito, o que, por si só, não deveria ensejar uma prisão preventiva. Não tenho como analisar o mérito sem compulsar os autos, mas a prisão preventiva, por ser um instrumento de exceção, é de fato aparentemente inaplicável ao caso em tela.

Eu poderia aqui surfar na onda contra um possível adversário, tripudiar e compartilhar suas agruras em redes sociais, mas ao entrar para a política decidi caminhar com honra, lealdade e principalmente dignidade. Não sou o tipo que se aproveita de fatos eminentemente pessoais para debochar ou tripudiar de alguém, prática comum do “exército rosa” nos últimos 30 anos da política goitacá.

Imagino que ter recebido uma comenda na Câmara de Miracema e posar para uma foto não faz de ninguém um “amigo do peito”. Só estive pessoalmente esse dia com o juiz que decretou a prisão, e inclusive o único processo em que advoguei perante o magistrado em causa eu perdi, no bojo de um processo em Laje do Muriaé onde o prefeito foi cassado.

Creio, como já dito antes, que essa preocupação comigo está se dando em razão das pesquisas encomendadas por eles mesmos sobre o próximo pleito sucessório. A medida que nomes como o meu surgem no páreo, sem a enorme rejeição capitaneada por eles, dá-se início a um processo difamatório e de fake news contra o eventual adversário.
O povo já não aguenta mais essas condutas. Já não há mais espaço para tantas mentiras e invenções. E tem gente que insiste em não enxergar isso!

Mas como diria o ditado, filho de peixe, peixinho é…

 

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Eleição a reitor da Uenf: Carlão sobe o tom das críticas a Raúl no 2º turno do dia 17

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

No início da manhã de ontem (04), logo assim que saiu (aqui) o resultado do primeiro turno da eleição a reitor da Uenf, o professor Raúl Palacio (chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”) ficou com 41,70% dos votos. Que o definiram como primeiro colocado à disputa do segundo turno, que começa no dia 14 nos polos avançados do Cederj e atinge seu ápice no dia 17, nos campi de Campos e Macaé.

 

Raúl Palacio e Carlão Rezende vão disputar o 2º turno da eleição a reitor da Uenf no dia 17 (Fotos de Isaias Ferenandes, montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A dúvida inicial sobre o concorrente de Raúl se deu por conta do empate entre os outros dois candidatos a reitor: os professores Carlão Rezende (chapa 11, “AvançaUenf: Ciência e Sociedade”) e Enrique Medina-Acosta (chapa 12, “Uenf Renova”), cada um com 28,52% dos votos. Embora, inicialmente o presidente da Comissão Eleitoral da Uenf, professor Sérgio Arruda, tenha projetado um prazo mais longo à definição do desempate, ainda no final da tarde de ontem ele foi revelado com base no estatuto da universidade: Carlão.

Desde que Raúl foi definido como vencedor parcial, o blog pediu que ele fizesse uma análise das suas perspectivas para o segundo turno pela reitoria da Uenf. O que ele projetou pode ser conferido aqui. Assim que Carlão foi posteriormente definido como seu adversário, foi pedido que ele fizesse o mesmo tipo de análise. Em viagem a São Luís, no Maranhão, o candidato da chapa 11 só pôde escrever e enviar na madrugada de hoje. Como o texto elevou o tom das críticas à chapa de Raúl, parece que a campanha na Uenf tende a esquentar até o segundo turno do dia 17.

Preterido pelo criério de idade previsto no estatuto, o professor Enrique Medina-Acosta também foi indagado se queria se posicionar sobre o processo eleitoral à reitoria da Uenf, que seguiu sem ele ao segundo turno. E preferiu apenas responder: “Agora é com os candidatos”. Confira abaixo a análise de Carlão:

 

Carlão Rezendo, professor e candidato a reitor da Uenf

As eleições para a reitoria da Uenf no período 2020-2023: uma breve reflexão crítica

Por Carlão Rezende

 

Gostaria de iniciar minhas considerações agradecendo aos votos que a chapa 11 (Avança Uenf) recebeu de estudantes de graduação e pós-graduação, servidores técnicos e professores. Nas últimas semanas visitamos os polos do ensino à distância (EAD), centros e laboratórios, e conversamos com todos os segmentos da comunidade universitária da Uenf. Ainda nestas semanas de campanha participamos de debates organizados pelo sindicato que representa os servidores, o Sintuperj, e pela Comissão Eleitoral, assim como uma sabatina também organizada pelo Sintuperj.

Atuo como professor e pesquisador na Uenf desde os seus primeiros passos e durante várias ocasiões fui questionado sobre a minha participação em eleições na condição de candidato a reitor. No entanto, por problemas de ordem pessoal, sempre me mantive ativo nas questões de defesa da instituição, mas nunca concorri a um cargo que demanda respeitabilidade no meio acadêmico, extrema dedicação e esforço cotidiano de quem se prontifica a ocupá-lo. No entanto, quis o destino que, exatamente neste momento, depois de superadas as questões pessoais, a cobrança fosse refeita e finalmente me sinto pronto a aceitar esta missão institucional. Porém, havia necessidade de encontrar uma pessoa, a meu lado, para compartilhar este período de quatro anos a frente da reitoria da Uenf. Depois de consultar muitos colegas, o nome que emergiu de forma natural foi o do professor Juraci Aparecido Sampaio, depois de um longa conversa em que foi feito o convite para que fosse o meu vice-reitor. Felizmente, após um período de reflexão, o professor Juraci resolveu aceitar o convite e decidiu compor comigo a Chapa 11 Avança Uenf: Ciência e Sociedade.

Apesar de essa ser a primeira vez que concorro ao cargo de reitor, quero esclarecer que, ao longo da minha trajetória institucional dentro da Uenf, ocupei inúmeras funções administrativas, tais como vice-reitor, pró-reitor de Graduação, diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia, e ainda estive à frente da criação do Laboratório de Ciências Ambientais; além de participar de inúmeros conselhos, colegiados e comissões. Como eu, o professor Juraci também possui uma sólida experiência acadêmica e administrativa, tendo também participado de vários conselhos, colegiados e comissões. Mas, além destas funções institucionais, me orgulho de ter participado da criação da Associação de Docentes da Uenf, tendo participado de várias diretorias ao longo dos anos. Mas gosto de frisar que em momento nenhum eu e o professor Juraci deixamos de cumprir nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Em relação ao primeiro turno que acaba de se encerrar, considero que a campanha eleitoral começou em um bom tom e dentro dos padrões democráticos que devem reger a vida universitária. Lamentavelmente em algum momento os representantes e apoiadores da chapa que representa a continuidade da gestão do professor Luís Passoni, começaram a faltar com a verdade em várias questões. Uma delas foi afirmar que eu e o professor Juraci não tínhamos uma experiência administrativa. Além disso, aparentemente em um esforço de mostrar que usaram construtivamente o período em que compuseram a atual gestão, os membros da chapa continuísta começaram a se apropriar de projetos que já vinham sendo realizados antes de sua chegada à reitoria e a colocar como se tivesse sido criado na atual gestão. Este tipo de situação me parece totalmente desnecessária em uma eleição para reitor e vice-reitor de uma instituição pública de ensino como é o caso da Uenf, além obviamente de faltar com a verdade, fato esse que reproduz alguns dos piores aspectos da ação de partidos em períodos eleitorais. E mais: na nossa área preservar a origem do trabalho realizado por antecessores é uma questão de respeito  e um procedimento ético basilar.

Noto ainda, com tristeza, que no estatuto da Uenf não existe a figura de reeleição, mas a chapa composta pelos professores, Raúl Palácio e Rosana Rodrigues, se autodenomina a chapa da continuidade, o que configura um claro projeto de poder dentro da Uenf. Este tipo de postura me parece desnecessária, pois considero que em universidades, após o encerramento de cada ciclo de administração, dirigentes universitários deveriam ter a clareza de reconhecer os benefícios da alternância de visões de desenvolvimento institucional, e dar oportunidade para outras pessoas à frente da reitoria. Assim, quando vejo a chapa apoiada pelo professor Luís Passoni, que se auto-rotula como sendo a da continuidade, prometendo resolver questões que deveriam ter sido resolvidas por eles ao longo destes últimos quatro anos, me causa um misto de surpresa e indignação.

Outro aspecto que nos incomodou bastante foi a prática também alienígena à vida universitária de fazer promessas que se sabe ser incumpríveis apenas para aumentar as chances eleitorais de quem as faz. Nesse sentido, esclareço que a Chapa 11 Avança Uenf: Ciência e Sociedade, não fez e não fará promessas para conquistar votos seja dos estudantes, servidores técnicos ou professores. Entretanto, reafirmamos a nossa disposição e compromisso de trabalhar incansavelmente pela Uenf e buscar ampliar as condições de vivência e convivência democrática dentro de todas as unidades que compõe a nossa universidade. Esta é a missão que estamos propondo. Também tenham certeza que não abriremos mão da defesa incondicional do ensino público, gratuito, de excelência, socialmente referenciado e inclusivo.

Concluindo, entendo que para ser reitor e vice-reitor de uma universidade algumas características têm que ser respeitadas. Não basta, por exemplo, um dado candidato informar que está disposto a conversar com lideranças políticas e acadêmicas. Penso que é preciso estar preparado para dialogar intensamente não apenas com a comunidade universitária e nossos pares, mas também com a população dos municípios em que a Uenf está presente. Aliás, isto faz parte da liturgia do cargo. Contudo, considero a pessoa que está à frente de uma reitoria também deve possuir um desempenho científico à altura dos maiores objetivos que nortearam a criação da Uenf pelos saudosos Leonel Brizola e Darcy Ribeiro. É essa capacidade científica que trará a respeitabilidade necessária junto aos governantes e a população em geral em momentos em que precisarmos obter os apoios necessários para que possamos atingir os altos objetivos que nos foram legados pelos fundadores da Uenf.

 

Atualização às 13h16: Após ler a postagem com a análise crítica de Carlão sobre a sua candidatura, Raúl preferiu não polemizar. Mas enviou a observação: “A comunidade universitária deu a sua resposta em relação ao projeto de universidade que deseja. Simples assim!”

 

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Na tribuna da Câmara, Wladimir ataca Judiciário e MP de Campos para defender os pais

 

Wladimir na tribuna da Câmara Federal (Foto: Divulgação)

 

“Já não é de hoje que um grupo da justiça local da cidade de Campos vem perseguindo a minha família, já não é de hoje que estamos sujeitos a todo tipo de humilhação por um grupo que, por interesses políticos e financeiros, tenta a todo custo destruir a minha família e destruir a honra dos meus pais. Até quando?”

Este foi um dos trechos do discurso do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) na tarde de hoje, na tribuna da Câmara Federal. Ele não poupou o Judiciário de Campos de ataques para defender seus pais, os ex-governadores do Rio e ex-prefeitos de Campos, Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri), presos na manhã de ontem (03) por decisão do juiz Glicério Angiólis, da 2ª Vara Criminal de Campos. Eles foram soltos hoje após habeas corpus concedido pelo procurador Siro Darlan, no plantão da madrugada do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Diferente da irmã e também deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), que se posicionou (aqui) sobre as prisões desde ontem (03), quando Wladimir também foi contactado pela reportagem da Folha, ele só se posicionou publicamente após o habeas corpus.

A nova prisão do casal Garotinho se deu por denúncia de superfaturamento de R$ 60 milhões no programa Morar Feliz. Implementado nos oito anos do governo municipal Rosinha, ao custo total de quase R$ 1 bilhão, foi maior contrato público dos 184 anos de história de Campos. E pelo qual, segundo delação à Lava Jato dos dois ex-executivos da Odebrecht encarregados do contrato (veja os vídeos aqui e aqui), confirmados depois em depoimentos (aqui) ao Ministério Público Estadual de Campos, os Garotinho receberam repasses de caixa dois da maior construtora do país, no valor de R$ 25 milões, para financiar suas campanhas eleitorais.

Em seu pronunciamento hoje na tribuna da Câmara Federal, Wladimir questionou as delações dos executivos. Mas centrou fogo no Judiciário de Campos, que já tinha sido responsável por duas prisões de Garotinho na operação Chequinho, e terceira do ex-governador na operação Caixa d’Água, quando Rosinha também foi presa. Sobre as prisões desta semana, o jovem deputado federal questinou a competência da Justiça Estadual de Campos, que chamou de “arbitrária”, para julgar seus pais no que classificou de “uma verdadeira aberração”:

— Além do mais, a justiça de Campos não tem sequer competência no caso, que vinha tramitando na Justiça Federal. De forma arbitrária e até surpreendente, a Justiça de Campos usurpando a sua competência extrai um trecho de um processo que corre em outra esfera e abre um novo processo na justiça comum, uma verdadeira aberração processual.

Da tribuna da Câmara Federal, Wladimir também investiu contra a própria pessoa do juiz Glicério Angiólis, ao denunciar que ele responderia “processo disciplinar no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por assédio sexual e assédio moral”:

— Mas o que vocês também precisam saber, é que o juiz de primeiro grau que proferiu essa decisão absurda, responde um processo disciplinar no CNJ por assédio sexual e assédio moral, e sabe qual foi a punição dada a ele? Ser promovido para a comarca de Campos, pois ele vinha de uma pequena comarca no município de Miracema. Esse é a punição para um magistrado que comete abusos, caros colegas, uma promoção!

O deputado federal também usou a tribuna, após a prisão e soltura dos pais, para fazer coro à Lei de Abuso de Autoridade, encarada por muitos juristas e pela maioria da população brasileira como maneira de impedir que políticos sejam investigados, denunciados e condenados pelos agentes da lei. E usou o pesado adjetivo “canalhas”:

— A Lei de Abuso de Autoridade não é somente necessária, ela é a única solução para frear os canalhas que se fingem de salvadores da pátria e usam a justiça para fazer justiçamento.

Além do Judiciário, Wladimir também atacou o Ministério Público de Campos, dizendo que partiria da população campista o seu questionamento a supostas irregularidades, que não nominou, nem apresentou provas:

— O povo quer saber quando o Ministério Público de Campos vai abrir os olhos contra a bagunça em que o município se encontra hoje. Quando vai abrir os olhos para as centenas de denúncias de fraudes, de desvio de dinheiro e de acordos escusos.

Logo na sequência de seu pronunciamento, o deputado federal e pré-candidato a prefeito em 2020 tentou misturar suas críticas contundentes ao Judiciário de Campos com a política do município. Afirmou que isso vem ocorrendo “misteriosamente” e falou em “verdadeiro estupro do processo legal”:

— O povo de Campos sofre sem saber a quem recorrer e, misteriosamente, no auge de uma crise na saúde e no sistema de transporte do município, a justiça de Campos que nada vê contra a atual gestão, inventa uma sentença que é um verdadeiro estupro ao processo legal.

O parlamentar de Campos fez menção elogiosa ao deputado federal Felício Laterça (PSL), político de Macaé e delegado da Polícia Federal de profissão, que nesta condição ontem questionou aqui, neste blog, a prisão do casal Garotinho.

Wladimir encerrou seu pronunciamento com a citação bíblica dos Salmos 30:05:

— “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

 

Confira abaixo a íntegra do pronunciamento do deputado de Campos na tribuna da Câmara Federal, em Brasília:

 

 

Confira a cobertura completa do caso na edição desta quinta (05) da Folha da Manhã

 

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Comissão Eleitoral da Uenf define: Carlão disputa 2º turno a reitor da Uenf com Raul

 

Professores Raul Palacio e Carlão Rezende vão disputar o 2º turno da eleição a reitor da Uenf no dia 17 (Fotos de Isaias Ferenandes, monatem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.) montag

 

O professor Carlão Rezende (chapa 11, “AvançaUenf: Ciência e Sociedade”) vai disputar no próximo dia 17, o segundo turno da eleição a reitor da Uenf. O primeiro, realizado ontem (03) foi vencido (aqui) pelo professor Raul Palacio (chapa 10 “Cada vez mais Uenf: Inovadora e Participativa”), que teve 41,70% dos votos. Na apuração concluída na manhã de hoje, Carlão acabou empatado com o professor Enrique Medina-Acosta, ambos com 28,52% cada. Antes do que chegou a ser projetado aqui, pelo presidente da Comissão Eleitoral da Uenf, professor Sérgio Arruda, a definição do segundo colocado de deu ainda nesta tarde, favorárvel a Carlão no critério desempate.

Segundo divulgou aqui o infomativo online da Uenf:

— O artigo 349 do Regimento Interno da Uenf diz: “nas eleições e processos de escolha ou indicação de que, como candidatos, participarem membros do corpo docente, sempre que houver empate, será considerado eleito, entre os de maior titulação, o mais antigo no exercício do magistério na Uenf e, no caso de persistir o empate, o mais idoso”. Os dois candidatos a reitor que ficaram empatados no 2º lugar também empataram nos critérios de titulação (ambos são doutores) e tempo de exercício do magistério (ambos ingressaram no cargo de professor da Uenf em 03 de maio de 1999). No entanto, no critério “mais idoso”, o candidato Carlos Eduardo de Rezende saiu na frente, pois sua idade é 11 meses maior do que a de Enrique Medina-Acosta.

Raul e Carlão, assim como Enrique, candidato da chapa 12 “Uenf Renova”, foram entrevistados na semana passada, antes da eleição do primeiro turno, no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. E voltarão a ser convidados para o mesmo programa, antes do segundo turno do dia 17.

Até lá, confira abaixo as entrevistas com os três candidatos do primeiro turno:

 

Raul Palacio a reitor: “A Uenf tem um papel de desenvolver a nossa região”

Carlão a reitor: “As pessoas têm que perceber que a Uenf é da cidade, é da região”

Enrique a reitor: “Por que a Uenf foi montada? Diminuir as desigualdades sociais”

 

Confira a cobertura completa das eleições da Uenf na edição desta quinta (05) da Folha da Manhã

 

Atualizado às 18h25 para correção de data

 

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