Melhor futebol da Copa, Bélgica conquista 3º lugar contra a Inglaterra

 

De Bruyne abraça Hazard e Mertens, após o gol marcado pelo segundo, eleito pela Fifa como melhor em campo (Giuseppe Cacace – AFP)

 

Ao meio-dia deste domingo (15), França e Croácia decidirão o campeão e o vice da Copa do Mundo. Mas se nenhuma das suas seleções tiver uma atuação de gala amanhã, o time de melhor futebol na competição acabou de conquistar agora o terceiro lugar. Com a merecida vitória de 2 a 0 sobre a Inglaterra, a Bélgica encerrou sua participação como a iniciou: com o jogo mais lúdico e ofensivo entre as 32 seleções que se apresentaram na Rússia.

Como fizeram diante do Brasil, nas quartas, e da França, na semifinal, os belgas dominaram o primeiro tempo contra os ingleses. O gol saiu logo aos 4’ de jogo. Mesmo sem estar em dia inspirado, o centroavante Lukaku dominou a bola no meio de campo e enfiou na esquerda para o ala Chadli, que cruzou na área para o ala oposto. Depois de fazer falta contra os franceses, Meunier voltou ao time para se antecipar a Rose e estufar as redes do bom goleito Pickford.

O restante do primeiro tempo se deu para confirmar a força dos times da chave da Bélgica e da França (e do Brasil), sobre aquela em que a Croácia saiu finalista. Totalmente dominada nos primeiros 45 minutos, a Inglaterra voltou do intervalo com as entradas dos atacantes Dela Alli e Rashford. E, sem mais nada a perder, se mandou em busca do empate na segunda etapa.

Os ingleses chegaram a colocar o goleiro Courtois para trabalhar. Aos 25’, o volante Dier chegou a vencê-lo, num toque por elevação em penetração pela direta da área, mas o zagueiro Alderweireld tirou a bola em cima da linha do gol. Por sua vez, mesmo que deva sair da Copa como seu artilheiro, Harry Kane também não estava em seu dia.

Aos 35’, num contra-ataque da defesa belga à área adversaria, saiu um dos lances mais belos do Mundial: numa tabela de pé em pé — e calcanhares de Hazar e De Bruyne —, a bola cruzada por Mertens serviu a Meunier em outra penetração pela direita. O chute forte, de primeira, permitiu uma bela defesa a Pickford.

Dois minutos depois, em outro contra-ataque, De Bruyne serviu a Hazard. Eleito com justiça pela Fifa como melhor em campo, ele não deu chances ao jovem goleiro inglês e conferiu números finais ao placar. Impossível saber como jogarão neste domingo os franceses Mbappé, Griezmann e Pogba, ou os croatas Modric, Rakitic e Pericic, mas Hazard saiu de campo hoje como candidato a craque da Copa.

 

 

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Guiomar Valdez — Não me Khalo, Chê, sou uma antiprincesa

 

 

No mês de março/2018, recebi mensagens e informações nas redes sociais do lançamento naquele mês (‘da Mulher’) da boneca ‘Barbie Frida Kahlo’, dentro do programa da marca, ‘Barbies — Mulheres inspiradoras’!

Meu incômodo não é com a produção e com a comercialização dessa mercadoria ‘inspiradora’; e, nem me espanta. Minha frustração foi constatar em muitos comentários, de fortes e inteligentes pessoas de lutas político-sociais, que elas acharam ‘menos mal’, que ‘gostou da ideia’, ‘que para o bem ou para o mal, representa avanço’, que ‘pode ser um resgate do melhor dessa boneca’, que ‘quero uma agoooora’, etc, etc, etc.

Ou seja, quem produziu, por que produziu, como está sendo ‘vendida’, nada, nada disso e muito mais, não importam. O que importa é compartilhar rápido, é opinar rápido, é adquirir rápido o símbolo ‘Frida Kahlo’ e ficar tranquilos, pois acredita estar contribuindo para o progresso da justiça, da liberdade e das lutas das Mulheres, por exemplo.

Realmente vivemos no apogeu de uma sociedade-sistema do ‘fetichismo da mercadoria’. Vejamos:

O que é MERCADORIA? É o que se produz para o Mercado; para a venda, e, não, para o uso imediato de quem produziu.

Mercadoria existia antes da sociedade-sistema que vivemos há mais ou menos 200 anos? SIM. Qual a ‘novidade’? É que o nosso sistema, revolucionou, potencializou infinitamente, a maneira de produzir para o Mercado, transformando tudo, com o tempo, em Mercadoria. Inverteu-se revolucionariamente a lógica da produção, não é a necessidade (valor de uso) que dita a produção; é a demanda da produção que dita o consumo (valor de troca).

A própria vida humana foi mercantilizada. Sabem por quê? Porque tudo foi reduzido a um VALOR que pode ser medido em DINHEIRO; e, uma das primeiras dimensões humanas a se transformarem em Mercadoria foi o Trabalho, a força de Trabalho.

Como é vista por nós a MERCADORIA, uma boneca, por exemplo? Como algo de vontade independente de seus produtores; o movimento das mercadorias, das coisas no mercado acontece como se fosse um movimento automático, independente da vontade das pessoas; e, paradoxalmente, o Mercado e as mercadorias, são, digamos assim, ‘humanizados’ – o mercado está ‘nervoso’, a boneca ‘subiu’, o petróleo ‘caiu’, etc.

O ‘fetichismo da mercadoria’ constitui-se, sem percebermos, num fenômeno social e psicológico, numa relação social entre pessoas, mediada por coisas/mercadorias…é como se as pessoas agissem como coisas, e, as coisas, como pessoas. Aspectos subjetivos, imateriais, são transformados em objetivos, em coisas reais, na aparência da mercadoria.

Dominados pelo ‘fetiche’ e pela ‘reificação’, é possível compreender a capacidade do nosso sistema produtivo, transformar até aquilo que o critica e o combate, em Mercadoria. Observem como o ‘símbolo Chê’ aparece como mercadoria em camisetas, bonés, etc., completamente desarticulado do conteúdo histórico-crítico ou vestido como mera e frágil contestação – vende e vende muito, até em grifes.

Vejam que essa capacidade ‘criativa-destrutiva’ no modo de produzir, tem uma capacidade de transformação impressionante no campo cultural. Da mesma forma que acontece com o ‘Chê’, realiza-se, dentre outros, nos movimentos musicais de caráter popular e de periferia e nas artes cênicas, em especial, na dança. É desapropriada a expressão crítica, libertadora, no momento em que se transforma em Mercadoria. Pois o ‘valor’ pode ser medido em dinheiro, ok?

E, se tiver o potencial consumidor público-alvo, melhor ainda …

Até aspectos dos movimentos político-sociais, têm uma ‘medição mercantilizada’, e, na proporção em que se fragmentam, contribuem na reprodução da forma e conteúdo da sociedade-sistema em que vivemos. A opressão, a violência, o preconceito, a falta ou a perda de direitos, a desigualdade, é sentida e vivida isoladamente. O ‘fetichismo’ impede a unidade, e, alimenta-os (movimentos) com novas Mercadorias afinadas aos interesses de cada fragmento atomizado.

Se tudo na/da Vida é transformado em Mercadoria, a Morte também o é. Armas, Guerras, Drogas, Órgãos humanos, etc., já foram transformados em Mercadorias há muito! Elas têm o seu valor transformado em dinheiro, em riqueza, e, também em poder, mas não apenas. O ‘fetiche’ desarticula nossa compreensão mais aprofundada, e, ficamos neste tema e no seu combate, reduzidos ao tráfico e a corrupção — fenômenos da aparência dessas Mercadorias!

É isso! Ao refletir naquele momento, sobre o Dia Internacional da Mulher, reconheço avanços histórico-culturais, SIM! Mas, insuficientes! Insuficientes em qualidade e em quantidade! Ainda somos, a maioria de nós, ‘fetichizadas pela ideia de princesas’ e dos seus encantos de vida, que já morreram e não foram enterrados! Enquanto isso, vivemos como fantasmas…

Por isso, não me ‘KAHLO’!

Assinado: uma ANTIPRINCESA!

 

PS: A QUEM INTERESSAR POSSA … as bonecas estão sendo vendidas (em março) a partir de R$249,99 e fazem parte do Barbie Shero Program, “iniciativa que já transformou em bonecas outros ícones femininos da atualidade.”

 

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Blog elege seleção, técnico, craque, jogo e gol mais bonitos das semifinais

 

Faltam só mais jogos para a Copa da Rússia acabar: a disputa pelo terceiro lugar, às 11h de sábado (14), entre Bélgica e Inglaterra; e a final ao meio-dia de domingo (15), disputada entre França e Croácia. Antes, o blog não pode deixar de registrar sua seleção entre as quatro que se apresentaram nas semifinais. E também o melhor técnico, o craque, o melhor jogo e o gol mais bonito da rodada encerrada ontem (11). Vamos a eles:

 

Goleiro: Thibaut Courtois (Bélgica)

 

Lateral-direito: Kieran Trippier (Inglaterra)

 

Zagueiro: Dejan Lovren (Croácia)

 

Zagueiro: Samuel Umtiti (França)

 

Lateral-esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Paul Pogba (França)

 

Meia: Luka Modric (Croácia)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Atacante: Kylian Mbappé (França)

 

Atacante: Ivan Perisic (Croácia)

 

 

Técnico: Didier Deschamps (França)

 

 

Craque: Luca Modric (Croácia)

 

 

Melhor jogo: Croácia 2×1 Inglaterra (11/07)

 

 

Gol mais bonito: Kieran Trippier, primeiro do Croácia 2×1 Inglaterra (11/07)

 

 

Confira aqui, aqui e aqui, respectivamente, as seleções, os técnicos, os craques, os melhores jogos e os gols mais bonitos da fase de grupos, das oitavas e quartas de final.

 

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Paula Vigneron — Quando duas mulheres pecam

 

 

O próximo sábado, 14 de julho, marca o centenário do cineasta sueco Ingmar Bergman. Morto em 2007, no mesmo dia do também cineasta Michelangelo Antonioni, Bergman foi enterrado na Ilha de Farö, onde passou seus últimos anos recluso. Entre suas obras mais conhecidas, estão “O sétimo selo”, “Morangos silvestres”, “Fanny e Alexander” e “Persona”, esta protagonizada por Liv Ullmann, uma das muitas esposas do diretor, e Bibi Andersson, também ex-mulher do sueco e parceira em 13 de seus filmes.

Em uma ilha, duas mulheres, antes desconhecidas, convivem e revivem histórias e segredos. Vindas de um hospital, as estranhas abrem-se uma a outra. Cada qual a seu modo. Uma permanece em silêncio. A outra conduz o relacionamento unilateral com palavras nunca ditas antes. As personagens se conheceram durante a internação da atriz Elizabeth Vogler, interpretada por Liv, que, durante três meses, ficou em absoluto silêncio.

Após problemas na apresentação do espetáculo “Electra”, quando perdeu a voz no palco, Elizabeth isola-se do mundo em sua quietude. Internada, mas sem danos mentais ou físicos, ela recebe o conselho de uma psiquiatra, que compreende o seu novo modo de vida e os motivos que a levaram a segui-lo, e se muda, com a enfermeira Alma, personagem de Bibi, para a casa de praia de médica, em uma ilha.

Em português, “Persona” foi batizado como “Quando duas mulheres pecam”. Nas primeiras cenas do filme, Alma, em uma tentativa de se aproximar de Elizabeth, discorre sobre sua vida, ideal à primeira vista: enfermeira formada há poucos anos, casada e apaixonada pelo marido. O convívio íntimo, já na ilha, no entanto, faz com que a perfeição de sua história seja desconstruída por meio de relatos mantidos, até o momento, em segredo. O pecado do título, então, refere-se às verdades contadas pela mulher, que afirma que o amor acontece somente uma vez e, por isso, ela deve ser fiel ao marido e ao suposto sentimento nutrido por ele.

Com o passar dos dias, a relação se torna mais forte. Alma começa a se comunicar, à sua maneira, com Elizabeth, que responde com pequenas reações faciais e corporais. À medida que dividem as horas do dia, entre cigarros, bebidas e revelações, as identidades das mulheres parecem se fundir diante do espectador. Em uma sequência, à noite, Alma tenta dormir quando Elizabeth invade o seu quarto. Nela, com movimentos uniformes, roupas e expressões semelhantes, elas têm uma atípica troca, simbolizando a fusão entre ambas. As transferências das personagens – propositalmente confusas – são mais visíveis em cenas finais, principalmente durante a aparição do senhor Vogler (Gunnar Björnstrand). “É tudo mentira e imitação”, vocifera a então perturbada enfermeira.

O ato de revelar o interior leva Alma a um estado de angústia que a diferencia da Alma do início da história, cuja aparência transparecia leveza. As mudanças de comportamento ficam mais intensas após a enfermeira ler, à revelia de Elizabeth, uma carta da atriz enviada à psiquiatra. Ela lhe conta os segredos revelados pela companheira e afirma que é ótimo poder analisá-la. A quietude da artista torna-se insuportável para a parceira. Somente quando ameaçada, Vogler diz uma das únicas frases proferidas por Liv Ullmann em “Persona”: “não faça isso”. Um susto. Um pedido desesperado. Um chamado à realidade.

Certas passagens do filme mostram que Elizabeth e Alma se tornam o inferno da outra; o enfrentamento com os piores medos, verdades e fatos sobre suas respectivas vidas; a impossibilidade de negação, que era possível até o encontro das personagens. A transição violenta entre fatos e imaginação.

Proposital, a opção por apenas observar a realidade e as pessoas que dela fazem parte provém da dificuldade de se encaixar no mundo em que vive. Em contato com a psiquiatra, Elizabeth ouve da mulher as verdades que geraram seu novo modo vida: o conflito entre se mostrar e se esconder; entre ser e parecer. Em resposta, por escrito, a concordância: “Eu viveria assim para sempre. Em silêncio, vivendo uma vida reclusa, com poucas necessidades, sentindo minha alma finalmente se acalmar”.

Em seu primeiro filme com Bergman, ao lado da já consagrada Bibi Andersson (com mais uma atuação magistral), Liv Ullmann traduz, em seus olhos e expressões, toda a carga de emoção da personagem – uma das características do cinema produzido pelo homem, sempre relacionado aos mais complexos e profundos sentimentos. Em um monólogo, Liv, norueguesa de então 25 anos, escuta os segredos de Alma. Apenas escuta. Silencia em todos os momentos, fazendo com que a mulher tenha a oportunidade de, sozinha, conhecer a si mesma em um quase exercício socrático. O método é aplicado, também, à atriz, quando ela se depara com seus demônios interiores, e ao público, que é levado a viver e compreender os conflitos de ambas a partir de sua própria realidade.

 

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“Brasileiros da Europa” batem Inglaterra e fazem a final com a França

 

Goleiro inglês Pickford não alcança a cabeçada de Perisic, que empatou a partida no tempo normal, antes da virada na prorrogação (Foto: Frank Augstein – AP)

 

O Brasil foi eliminado (aqui) nas quartas de final pela Bélgica. Mas os “Brasileiros da Europa” estão na final contra a França. Com reverência, é assim que se chamavam os jogadores de futebol da antiga Iugoslávia, clássica escola do esporte mais popular do mundo. Sua maior herdeira, a Croácia do maestro Modric se classificou hoje na virada de 2 a 1 sobre a Inglaterra, consumada na prorrogação. É a primeira final de Copa do Mundo do pequeno país, de apenas 4,1 milhões de habitantes. Em 1998, em seu primeiro Mundial como nação independente, a Croácia já havia chegado à semifinal, quando foi eliminada pela França de Zinédine Zidane.

No primeiro tempo, os ingleses foram melhores. Com base na aplicação tática, movimentação, força física e rapidez, sua jovem seleção chegou ao gol com justiça. Logo aos 4’ de jogo, o placar foi aberto numa bela cobrança de falta do ala direita Trippier. Apesar do domínio das ações, fechada na defesa e explorando os contra-ataques, a Inglaterra, no entanto, não deu muito trabalho ao goleiro Subacic.

Na segunda etapa, a Croácia voltou com novo ânimo. Na categoria dos seus cerebrais meias Modric e Rakitic — jogadores, respectivamente, do Real Madrid e Barcelona —, eles conseguiram ditar e cadenciar o ritmo da partida, contendo o vigor físico inglês. O jovem goleiro Pickford teve bastante trabalho, com pelo menos quatro defesas importantes. Mas ele nada pôde fazer no gol marcado por Perisic, destaque da partida. Dentro da área, o croata da Inter de Milão bateu com o pé a bola disputada de cabeça pelo zagueiro Walker, após cruzamento do lateral-direito Vrsaljko, e empatou a partida.

Com o jogo empatado no tempo normal, veio a prorrogação, que começou com a Inglaterra novamente melhor. Até que aos 11’ ocorreu um lance emblemático, que pode ter passado despercebido à maioria. Após perder uma bola boba na direita do ataque, Modric veio correndo atrás do jogador inglês que saiu jogando. O perseguiu até que, de carrinho, mandou a bola para lateral. Além da técnica, disputando sua terceira prorrogação seguida, o craque croata de 32 anos mostrou com suor aquilo que iria definir o jogo: a entrega!

 

Mandzukic comemora seul gol e a vaga da Croácia à final da Copa do Mundo, seguido por Pericic, que lhe deu o passe (Foto: Dan Mullan – Getty Images)

 

Acabou a etapa inicial da prorrogação. No segunda, logo aos 3’, na esquerda do ataque, Perisic se desdobrou para ganhar uma disputa de cabeça na direita. A bola sobrou para o artilheiro Mandzukic, que depois da Copa será parceiro de Cristiano Ronaldo no ataque da Juventus de Turim. Até então apagado no jogo, o croata apareceu na hora certa, cortando pelo meio da pequena área, para ganhar a disputa com o zagueiro Stones e fuzilar Pickford.

As chances inglesas de empatar e levar à disputa de pênaltis ficariam ainda menores. Autor do primeiro gol, Trippier saiu por contusão, aos 9’ do segundo tempo da prorrogação, e deixou seu time jogar até o final com 10 jogadores — o técnico Gareth Southgate já havia feito suas quatro substituições. A Croácia ainda teria uma chance clara de ampliar o placar, num contra-ataque. Mas o atacante Kromaric entrou pela esquerda da área e arriscou o chute, que pegou na rede pelo lado de fora, enquanto Perisic pedia a bola sozinho na direita, diante do gol.

No próximo domingo, a Croácia fará a final da Copa da Rússia contra a favorita França, que há 20 anos a eliminou numa semifinal. Mas, onde quer que vão neste Mundial, Modric, Rakitic, Perisic e Mandzukic já acrescentaram o sufixo “ic” na história do futebol. Tanto quanto Mick Jagger, que estava no estádio torcendo para a Inglaterra, reforçou sua fama de pé frio.

 

 

 

 

 

Para conhecer mais da histórica campanha da Croácia na Copa, confira os links abaixo:

 

Nas supresas de sempre, aposta na Bélgica, Portugal e Croácia

 

Mocric dá a vitória a Croácia e faz pensar: por que não produzimos mais jogadores assim?

 

Modric brilha na vitória de 3 a 0 sobre a Argentina. Messi verga

 

Gol da Croácia em linha de passe lembrou o Alemanha 7×1 Brasil

 

Em jogo para cardíacos, Croácia elimina Dinamarca nos pênaltis

 

Inglaterra e Croácia eliminam as duas últimas retrancas da Copa

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — Lula, a medida de todas as coisas

 

 

Graças ao imbróglio que aconteceu domingo passado no TRF-4, com a tentativa frustrada de libertação do Lula por parte do desembargador Rogério Favreto, a população se familiarizou com mais um termo juridiquês: a palavra ‘teratológica’. Na área da medicina, a teratologia define o estudo de anomalias congênitas. No Direito, se utiliza para adjetivar uma decisão aberrante ou monstruosa.

A decisão de Favreto foi qualificada como teratológica por parte da presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, ao analisar ontem outro Habeas Corpus que requeria a liberação do ex presidente. Nas palavras da ministra: “Causa perplexidade e intolerável insegurança jurídica decisão tomada de inopino, por autoridade manifestamente incompetente, em situação precária de plantão judiciário, forçando a reabertura de discussão encerrada em instâncias superiores, por meio de insustentável premissa.”

Traduzindo: ‘inopino’ é repentino, súbito; a ‘autoridade manifestamente incompetente’ é o desembargador Favreto, não apenas porque se atribuiu para si a capacidade de decidir sobre um Habeas Corpus mal endereçado — quem determinara a prisão do Lula não foi Sergio Moro, mas a 8ª Turma do TRF4, mesmo tribunal do desembargador petista, portanto o HC deveria ser sido impetrado à autoridade superior, ou seja, ao STJ — mas também porque a questão já tinha sido analisada pelo próprio STJ e pelo STF; a ‘insustentável premissa’ foi a patética decisão de apresentar a pré candidatura do Lula como um ‘fato novo’ que possibilitara nova análise do pedido de liberdade. Como todos sabem, a intenção de concorrer à presidência vem sendo manifestada por Lula desde o ano passado – os campistas lembram a entrevista que o Aluysio Abreu Barbosa lhe fez em dezembro, de repercussão nacional.

No entanto, ainda que Lula tivesse decidido apenas semana passada ser pré candidato, isto tampouco poderia servir de escusa para tirá-lo da prisão. Se tal argumento fosse válido, o ex governador Cabral poderia se utilizar dele para sair de Bangu, bastando alegar que vá concorrer ao palácio de Guanabara. Assim como qualquer outro bandido que esteja em prisão antecipada ou preventiva.

Será que os petistas aceitariam que Geddel Vieira Lima fosse liberado para concorrer a deputado federal? Mais uma vez, fica manifesta a dupla vara ética daqueles que sempre demonstraram desconfiança nas decisões da justiça, no Congresso, na Constituição, nas leis, na imprensa, e tudo o mais que para eles esteja ao serviço do capitalismo-liberal-entreguista (vide processo de impeachment) mas que, assim que aparece um desembargador aloprado com uma decisão esdrúxula — mas favorável à sua causa — são os primeiros em vociferar indignados que ‘decisão de juiz tem que ser cumprida’.

Se o desembargador Favreto tivesse arrancado as grades da cela de Lula com uma corrente amarrada a um trator, e puxado com suas próprias mãos o ex-presidente para fora da Polícia Federal de Curitiba, os seus partidários alegariam que tal atitude foi legal. Afinal, para eles, Lula é inocente. Não em termos da Justiça, é claro, mas no ‘julgamento popular’ onde eles são os promotores, os advogados e os julgadores. Lula foi bom para o povo, e isso basta para relativizar o resto de suas ações, e as do universo em geral. Lula é o metro-padrão da moral petista.

O que ameaça a verdade não é a mentira, mas a certeza.

 

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Com gol de cabeça, França bate a Bélgica e faz a final do domingo

 

O zagueiro francês Umtiti sai da áera belga para comemorar seu gol, que colocou a França na final do domingo (Foto: AFP)

 

A Bélgica tinha o melhor ataque da Copa, mas ele hoje não funcionou. Time mais consistente do Mundial, a França venceu por 1 a 0 e fará a final no domingo contra o vencedor, amanhã, entre Inglaterra e Croácia. Após terem dominado o primeiro tempo, como fizeram contra o Brasil, os belgas dessa vez não conseguiram marcar. No segundo, logo aos 5 minutos, o zagueiro Umtiti cabeceou no primeiro pau um escaneteio cobrado da direita pelo atacante Griezmann. Mesmo marcado pelo meia Fellaini, 12 cm mais alto, o francês cabeceou para definir a partida.

Durante a pressão da Bélgica nos primeiros 30 minutos de jogo, a chance mais clara de gol veio com Alderweireld. Ele acertou um chute forte dentro da área, numa bola rebatida pela defesa francesa, após cobrança de escanteio do meia Chadli. Mas o goleiro Lloris fez uma grande defesa. Se Hazard voltou a jogar muito bem, seus companheiros De Bruyne e Lukaku não reeditaram as grandes atuações contra o Brasil.

A pressão belga começou a baixar quando o francês Kanté, melhor volante da Copa, conseguiu roubar sua primeira bola. Já eram 32’ do primeiro tempo. Sete minutos depois, numa triangulação pela direita com o craque Mbappé, o lateral-direito Pavard recebeu belo passe dentro da área belga e também colocou o goleiro Courtois para trabalhar.

Logo no começo do segundo tempo, o zagueiro Umtiti marcou o gol da França. Em desvantagem no placar, a Bélgica teve que partir de vez para cima. E abriu espaços para a velocidade de Mbappé. Aos 10’, ele participou de três lances consecutivos no ataque. Num deles, o jovem craque serviu de calcanhar ao centroavante Giroud, dentro da área, que forçou Courtois a outra defesa.

Apesar dos riscos, o técnico  espanhol da Bélgica, Roberto Martínez, teve que abrir ainda mais seu time. Aos 14’, ele sacou o volante Dembélé para a entrada de Mertens na ponta direita. Cinco minutos depois, ele cruzou para uma cabeçada perigosa de Fellaini, à direita do gol. Por sua altura, o volante já jogava como centroavante, ao lado de Lukaku. Outro volante belga, Witsel aproveitou jogada de Hazard na entrada da área francesa, aos 34’, de onde chutou uma perigosa bola em curva, forçando Lloris a mais uma defesa difícil.

Logo depois, a Bélgica fez outra substituição, colocando o ala ofensivo Carrasco no lugar de Fellaini. Depois, já nos descontos, o atacante Batshuayi substituiu Chadli, mas os Diabos Vermelhos não conseguiram exorcizar o 0 do seu placar. Aos 50’, o último lance de perigo foi criado pela França. O meia Tolisso, que havia susbtuído Matuidi, chutou para boa defesa de Courtois.

Após a vitória sobre o Brasil, quando surpreendeu pelas alterações no sistema de jogo da Bélgica, o técnico Roberto Martínez, disse que nunca havia perdido um jogo no plano tático. Só que hoje, contra a França, ele voltou a inovar e perdeu. No plano individual, Hazard foi o melhor em campo. Mas o eleito pela Fifa foi Umtiti, que marcou o gol. Assim é o futebol. E ele volta amanhã a campo no Inglaterra e Bélgica.

 

 

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Promessa de jogão e final antecipada hoje no França e Bélgica

 

Craques Mbappé e De Bruyne (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Final antecipada da Copa da Rússia? Se é arriscado afirmar, uma coisa é certa: quem vencer a semifinal de hoje, entre os vizinhos França e Bélgica, entrará em campo como favorito para disputar a decisão no domingo (15). A promessa é de jogão. Dentro de campo, algumas novidades: o meia Matuidi, suspenso no jogo contra o Uruguai, deve voltar à seleção francesa. Entre os belgas, sem o lateral-direito Meunier, que levou o segundo amarelo contra o Brasil, o zagueiro Alderweireld pode ser adaptado na posição. As escalações só serão confirmadas antes do jogo. O mais inusitado, todavia, estará no banco.

Assistente de Roberto Martínez, técnico espanhol da Bélgica, o ex-atacante Thierry Henry é um ídolo do futebol francês. Após cobrança de falta de Zinédine Zidane, foi com o gol dele que a seleção francesa eliminou o Brasil nas quartas de final da Copa de 2006. Hoje, Henry é encarregado de treinar o temido ataque belga De Bruyne, Hazard e Lulaku — responsável pela mais recente eliminação brasileira — contra a França que defendeu.

Em 1998, Henry era um jovem reserva, quando a França ganhou a Copa do Mundo dentro de Paris, na final contra o Brasil. Como volante, Didier Deschamps era titular daquela equipe. Após ser muito criticado com técnico, até pela imprensa do seu país, por não conseguir fazer um grande time do grupo de jogadores técnicos, fortes e jovens de que dispõe, o fato é que Deschamps treina a seleção mais consistente entre as quatro semifinalistas na Rússia.

O equilíbrio francês começa pela defesa: só levou quatro gols na Copa, assim como Inglaterra e Croácia, que disputam amanhã a outra semifinal. A liga do time se estende pelo meio de campo, com Kanté — até aqui, o melhor volante da Copa — e o elegante Pogba. Na frente, os destaques são Griezmann e o jovem craque Mbappé. Cada um marcou três gols no Mundial.

A virtude da Bélgica não é segredo: seu poderoso ataque marcou 14 gols em cinco jogos. A última seleção que chegou numa semifinal de Copa com capacidade ofensiva maior foi o Brasil de 2002, de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, na conquista do Penta. Embora De Bruyne, Hazard e Lukaku sejam os mais conhecidos, outros seis jogadores belgas já balançaram as redes da Rússia. Sua defesa, no entanto, já levou oito gols na competição. Apesar de ter se mostrado firme contra o Brasil, sua composição não será a mesma, com a ausência forçada de Meunier.

No varal da tradição, a camisa da França pesa mais: disputará pela sexta fez uma semifinal de Copa, tendo chegado à final em duas (1998 e 2006). A Bélgica só chegou uma vez à semifinal, em 1986, quando sua última grande geração — de Scifo, Pffaf, Gerets e Ceulemans — foi atropelada por dois gols de Maradona. Invicta há 24 jogos, se os belgas perderem hoje, será sua última derrota, desde foi em 1º de setembro de 2016, diante da Espanha. Ironicamente, foi o mesmo dia em que, contra o Equador, Tite estreou no comando da Seleção Brasileira.

 

Página 10 da edição de hoje (10) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Alexandre Buchaul — Straight Flush

 

 

O Brasil assistiu perplexo à notícia da ordem de soltura de Lula pelo desembargador Favreto. Discutiu-se como nunca a legalidade ou não de tal ordem e das ações que a ela tomaram sequência. De pronto, o país inteiro veio a conhecer detalhes da vida do jurista e uma guerra de reputações, alheia a qualquer questão legal, punha os caráteres dos envolvidos em escrutínio.

O ex-presidente pode ser acusado de muita coisa, mas de certo não é burro. Ousaria dizer que é um dos maiores jogares da realpolitik de que já ouvi falar. Astuto, comparado por si mesmo a uma jararaca, o outrora metalúrgico se movimenta como poucos no tabuleiro político e qualquer que fosse o desfecho das ações desenroladas no domingo, 8 de julho, ele teria tão somente vitórias como resultado.

Tivesse se efetivado a libertação, ganharia força a narrativa de prisão política, a militância se inflamaria e, ainda que tivesse a eventual candidatura negada pelo TSE, o quadro eleitoral se alteraria profundamente. Além do que, sem nenhum fato novo, como agora não houvera, ele já se declarava publicamente pré-candidato quando de sua entrevista ao jornalista Aluysio Barbosa na Folha da Manhã, em 06 de dezembro de 2017, seria muito difícil justificar sua recondução a prisão antes de trânsito em julgado.

Não confirmada a libertação, como não foi, a vitória, ainda que parcial, se deu na tomada completa das atenções de norte a sul do Brasil. Não houve quem deixasse de discutir e mesmo assombrar-se diante da possível soltura de Lula. Já não se discute se ele ganharia a eleição; tal questão é dada como fato. Discute-se, sim, se ele poderá ou não concorrer. Ainda que em menor grau os apoiadores ganham um sopro de esperança e a possibilidade de um Lula solto e disputando a eleição, em que pese desconsiderarem a lei da Ficha Limpa, ganha credibilidade.

Neste domingo que passou, Lula foi a Bélgica.

 

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Blog elege seleção, técnico, craque, jogo e gol mais bonitos das quartas

 

Reta final da Copa da Rússia. Agora restam França e Bélgica, que se enfrentam às 15h desta terça (10). No mesmo horário, na quarta (11), será a vez dos outros: Inglaterra e Croácia. Os dois vencedores farão a final ao meio-dia de domingo (15). Antes, o blog não pode deixar de registrar sua seleção entre as oito que se apresentaram nas quartas de final. E também o melhor técnico, o craque, o melhor jogo e o gol mais bonito nos quatro últimos jogos do Mundial. Vamos a eles:

 

Goleiro: Thibaut Courtouis (Bélgica)

 

Lateral-direito: Mário Fernandes (Rússia)

 

Zagueiro: Rafhäel Varane (França)

 

Zagueiro: Harry Maguire (Inglaterra)

 

Lateral esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Luka Modric (Croácia)

 

Meia: Kevin De Bruyne (Bélgica)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Atacante: Kylian Mabappé (França)

 

Atacante: Romelu Lukaku (Bélgica)

 

 

Técnico: espanhol Roberto Martínez (Bélgica)

 

 

Craque: Kevin De Bruyne (Bélgica)

 

 

Melhor jogo: Bélgica 2×1 Brasil (06/07)

 

 

Gol mais bonito: Kevin De Bruyne, segundo do Bélgica 2×1 Brasil

 

 

Confira aqui e aqui, respectivamente, as seleções, os técnicos, os craques, os melhores jogos e os gols mais bonitos da fase de grupos e das oitavas.

 

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Prende/solta de Lula e eliminação do Brasil da Copa em debate

 

Ontem (08), a quinta edição do 4 em Linha estava preparada para debater Copa do Mundo, com a eliminação do Brasil (aqui) por 2 a 1 diante na Bélgica. Aí veio a novela do solta/prende Lula: um desembargador no plantão do TRF-4 deu o habeas corpus ao ex-presidente, que foi questionado pelo juiz federal Sérgio Moro, negado pelo relator do processo que condenou o ex-presidente e reafirmado pelo plantonista. Até ser negado pelo presidente do Tribunal.

Por conta da decisão jurídica após prorrogação e disputa de pênaltis, o advogado Rafael Crespo, professor de Direito do Uniflu, foi convidado para participar do primeiro tempo do programa. No segundo, a Copa do Mundo e a campanha da Seleção Brasileira entraram em campo. Mas talvez sem mexer tanto com a torcida quanto o destino do ex-presidente, preso desde 7 de abril na sede da Polícia Federal de Curitiba pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Confira abaixo:

 

 

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Artigo do domingo — Cretinice ataca pelas pontas

 

 

Na técnica dos seus jogadores, Brasil e Bélgica foram equivalentes na Copa da Rússia. Aos “entendedores” de futebol que brotam à sombra, como fungos, de quatro em quatro anos, qualquer dúvida foi dirimida no campo, onde os belgas venceram com justiça por 2 a 1. Seus craques De Bruyne, Lukaku e Hazard brilharam na última sexta (06). Neymar, Philippe Coutinho e Marcelo, não. E foi isso que definiu o adversário da França nas semifinais, disputadas por quatro seleções nacionais da Europa, pelo direito de jogar como favorito pelo título. O resto é recalque e “complexo de vira-latas” às avessas.

 

Trio de craques da Bélgica: Hazard, De Bruyne e Lukaku

 

Além da técnica, a novidade tática da Bélgica no primeiro tempo, quando dominou o Brasil e marcou seus dois gols, também ajudou a definir a partida. Na matéria da Folha que anunciou (aqui) o jogo, escrita no dia anterior, foram adiantadas três mudanças na seleção belga: 1) abandonaria a lenta linha de três zagueiros, uma das causas do sufoco contra o Japão (aqui) nas oitavas e feita sob medida, nas quartas, para o rápido e leve ataque brasileiro; 2) o alto e forte Fellaini entraria como titular para reforçar a marcação no meio de campo; e 3) o cerebral De Bruyne, que vinha de desempenho apagado na Copa, jogaria mais próximo ao seu ataque, como atua no Manchester City, na condição de astro da Premier League.

Todas as três alterações foram feitas pelo treinador da Bélgica, o espanhol Roberto Martínez. Mas, aparentemente, a comissão técnica brasileira não foi capaz de antecipar as mudanças no adversário que um jornalista de Campos, a 14.442 km da Rússia, não fez grande esforço para enxergar antes. Ou pior: viu e não se importou. Talvez na pretensão de que a Seleção Brasileira se imporia naturalmente, independente da qualidade do adversário, ou para manter o mesmo “compromisso com o grupo” que causou as eliminações das Copas de 2006, 2010 e 2014.

Nas quartas de final de 2018, o time de Tite entrou em campo com três titulares que se mostravam os pontos fracos do time na campanha da Rússia: os meias Paulinho e Willian, além do atacante Gabriel Jesus. Paulinho foi mantido pelo gol que marcou contra a Sérvia. Willian, pela boa atuação no segundo tempo contra o México. E Gabriel de Jesus, por sua suposta aplicação tática, tão decantada — mas não pelos mesmos motivos reais — quanto o bom futebol da geração belga. O resultado? Nenhum dos três jogou nada e foram todos substituídos depois que o Brasil já perdia por 2 a 0.

O jovem e promissor Gabriel Jesus se despediu da Rússia sem marcar um único gol em cinco jogos de Copa do Mundo. É algo inadmissível para um centroavante titular de Seleção Brasileira, desde que Leônidas da Silva (1913/2004) foi o artilheiro do Mundial de 1938. E, da próxima vez que você comer um Diamante Negro, lembre-se dele. O tradicional chocolate foi batizado com o apelido que o craque brasileiro ganhou da imprensa francesa, pelo seu desempenho na última Copa antes da II Guerra Mundial (1939/45).

 

Apelidado de Diamante Negro na França, Leônidas dribla dentro da área da Suécia, no jogo em que marcou dois gols, garantiu a artilharia e o terceiro lugar ao Brasil na Copa de 1938

 

Em clube, Gabriel é reserva do argentino Sergio Agüero, no mesmo Manchester City que tem De Bruyne como maestro. Na Seleção, o brasileiro foi mantido como titular enquanto Roberto Firmino pedia passagem, vindo na ponta dos cascos da mesma Premier League em que atuam também Lukaku, Hazard, Kompany e Courtois. O goleiro foi outro destaque na eliminação brasileira, após a Bélgica jogar todo o segundo tempo com o placar favorável embaixo do braço, cedendo a iniciativa de jogo. E ninguém tomou mais a iniciativa de atacar do que o meia Douglas Costa, que só entrou aos 13’ do segundo tempo. Ainda assim, mais uma vez provou no campo que não poderia ser reserva de Willian, substituído ainda no intervalo por Firmino.

 

Douglas Costa penetra pela área belga, antes de testar o goleiro Courtouis. Apesar de só ter entrado aos 13’ do 2º tempo, ele foi o melhor atacante do Brasil nas quartas de final

 

Ao contrário de Tite, o técnico espanhol da Bélgica teve a humildade de mexer em seus titulares desde o início do jogo. Para dar lugar a Fellaini, ele sacou do time um dos seus jogadores mais importantes: o meia-direita ofensivo Mertens. Mesmo que tenha sido um dos destaques na fase de grupos, atuando bem e marcando um golaço contra o Panamá, ele assistiu do banco a vitória sobre o Brasil. No lugar do “compromisso com o grupo”, prevaleceu o compromisso com o equilíbrio do time para enfrentar uma equipe igual em técnica.

 

Roberto Martínez e Tite se cumprimentam antes do Bélgica e Brasil, vencido por quem teve humildade de mudar seu time titular de acordo com a qualidade do adversário

 

Futebol à parte, para quem trabalhou na cobertura das duas última Copas, inevitável a comparação entre o “patriotismo” da esquerda brasileira em 2014, com aquele encarnado entre as mesmas aspas pela direita tupiniquim em 2018. Até os 2 a 1 da Bélgica, quem acusava de alienação os espectadores do maior evento esportivo da Terra, é o mesmo militante que se travestiu de torcedor para, escancaradamente, tentar usar a Copa anterior como instrumento político em ano de eleição. Até ser humilhado em pleno no Mineirão, aos olhos do mundo, nos 7 a 1 impostos com piedade pela Alemanha.

 

Em 8 de julho de 2014, do Mineirão para o mundo, Schürle comemora seu segundo gol na semifinal contra o Brasil, o sétimo da Alemanha

 

Depois que a camisa amarela foi usada como uniforme por quem foi às ruas em 2015 e 2016, para pedir e conseguir o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a esquerda fez beicinho contra o Brasil em 2018. E, pior, tentou pateticamente alegar que os graves problemas sociais e econômicos do país, só quatro anos depois, passaram a ser maiores que o futebol.

Na cretinice, a esquerda brasileira se equivale à direita, que tratou de “Menino Ney 100% Jesus” um marmanjo mimado de 26 anos na cara, ironicamente eliminado da Copa pelos Diabos Vermelhos. No séc. XVIII, Samuel Johnson advertiu que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. No Brasil, a sentença foi um passe longo à esquerda, em 2014, e à direita, em 2018. Ambas saíram com bola e tudo pela linha de fundo.

O problema é que o país não aguenta mais esse jogo. É um 0 a 0 entre duas retrancas, sem torcida na arquibancada, com 22 pernas de pau desleais no mesmo campo de várzea. E Gilmar Mendes de árbitro.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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