Alexandre Buchaul — Dívidas de Gratidão

 

 

 

A vida nos reserva surpresas, o acaso espreita a cada esquina e aquele de nós que se crê autossuficiente não poderia estar mais enganado. Passamos, minha família, por uma situação arrasadora que, tendo um final feliz, nos pôs a provar o amargo do desespero, mas, ao mesmo tempo, o doce sabor da solidariedade humana de que ainda somos capazes.

Domingo, 10 de junho de 2018, meu sogro, Ulisses saiu para fazer uma “caminhadinha” como as muitas já feitas desde que sofrera o AVC, ou derrame cerebral como me lembro de dizerem quando ainda era eu criança. Desta vez ele não voltou, não como de costume. O procuramos exaustivamente pelos lugares em que poderia, ainda que eventualmente estar. Buscamos por fim em delegacias e hospitais, o demos por desaparecido.

Anunciamos o desaparecimento nas redes sociais, a imprensa da cidade se mobilizou em noticiar o fato e as pessoas se puseram a ajudar como em raras vezes percebemos no correr de nossos dias. Verificamos todas as informações que pudessem trazer mesmo que apenas um fio de esperança em encontrá-lo, muitas não se confirmaram. Entretanto, em dos grupo de whatsapp, dos muitos que há em nossa cidade, surge a informação de um rapaz, de uma lanchonete em Santa Cruz, que o haveria atendido e visto embarcar no ônibus que faz a linha Campos – Miracema. A busca teve seu raio aumentado, mas havia ao menos um norte a ser buscado. Alguns minutos depois recebo a ligação da Delegacia de Polícia de Miracema, ele havia sido localizado e nos aguardava. O alívio banhado em lágrimas é impossível ser descrito.

Tratar redes sociais e mídias tradicionais como inimigas é um terrível erro. Elas se completam, a velocidade e democracia das redes junto à credibilidade e solidez da mídia tradicional são incríveis. Em minutos a foto e o relato do desparecimento de meu sogro repercutiram por toda a região levados pelas redes sociais e a credibilidade das mídias tradicionais permitiu as pessoas terem a certeza de não se tratar de “fakenews”.

Por fim, a forma como meu sogro foi acolhido e atendido em Miracema merece todos os elogios. Sem dinheiro, sem documentos e desorientado, ele foi acolhido, medicado e assistido com amor. Passou a noite de domingo na unidade de saúde e, no dia seguinte, foi encaminhado à delegacia. Lá, apesar dos relatos inconsistentes que fazia, teve atenção a seu problema até que verificaram nas mídias a busca por ele, prontamente fizeram contato e o mantiveram assistidos até que pudéssemos chegar para o buscar.

O serviço público alcança sua maior honra nas atitudes daqueles que o exercem.  Assistentes sociais e servidores da saúde de Miracema foram primorosos, policiais deram mais uma prova de que para salvar vidas nem sempre são necessários tiros. Vocês tem minha eterna gratidão!

 

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Em sabatina da UOL, Garotinho a governador, Judiciário e corrupção

 

 

 

Vai ter quarta prisão?

“O senhor foi preso três vezes. Vai ter uma quarta prisão antes da eleição?”, perguntaram na manhã de ontem (11) ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Ele respondeu: “Olha, eu não sei”. Foi durante sabatina da UOL, Folha de São Paulo e SBT. O político de Campos teve um dia movimentado. À tarde, ele lançou sua pré-candidatura a governador no Clube de Regatas Boqueirão do Passeio, no bairro carioca da Glória. Lá, além da dinastia Garotinho, com Rosinha (Patri), Clarissa (Pros) e Wladimir (PRP), estiveram vereadores de Campos afastados pela Justiça na Chequinho, além de Brizola Neto (PPL), cotado para vice na chapa.

 

Vingança de Cabral?

Talvez pelo ingresso da UOL e Folha da São Paulo, a sabatina teve mais critério jornalístico do que as “entrevistas” de Garotinho ao jornalista Roberto Cabrini, no SBT — que depois abririam as portas da emissora às três reportagens bastante duvidosas (aqui, aqui e aqui) sobre a Chequinho e a Caixa d’Água. Ainda assim, mesmo ontem o político da Lapa insistiu em dizer que as duas operações da Polícia Federal (PF), responsáveis por suas três prisões, teriam sido consequência das suas denúncias contra o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e a “gangue dos guardanapos”.

 

Origens: Chequinho e Caixa d’Água

Na verdade, a Chequinho nasceu das próprias assistentes sociais da última administração Rosinha em Campos. Elas denunciaram a falta de critérios para se aumentar de 12,5 mil para 30,5 mil os assistidos pelo Cheque Cidadão, num espaço de apenas três meses do ano eleitoral de 2016. Por sua vez, a Caixa d’Água nasceu das delações do empresário Ricardo Saud, da JBS, à operação Lava Jato, revelando do repasse de R$ 3 milhões de dinheiro não declarado às campanhas de Rosinha a prefeita, em 2012, e de Garotinho a governador, em 2014. Elas foram confirmadas pelo empresário campista André Luiz da Silva Rodrigues, o “Deca”.

 

Judiciário e corrupção (I)

Apesar da origem da Caixa d’Água na Lava Jato, Garotinho insistiu em repetir na sabatina que suas acusações não teriam a ver com a maior operação contra a corrupção do Brasil. “Meus casos são com a Justiça Eleitoral de Campos”, buscou minimizar. Porém, quando disparou suas acusações contra juízes, promotores e delegado federal responsáveis pelas duas operações e três prisões, o vídeo da sabatina foi providencialmente cortado, lendo-se apenas: “problemas técnicos, voltaremos em instantes”. Falando sobre corrupção, o ex-governador provocou: “tem empresário envolvido, tem político envolvido. Será que não tem ninguém do Judiciário?”.

 

Judiciário e corrupção (II)

Sobre a possibilidade de ser preso novamente, Garotinho respondeu mais uma vez: “O senhor pode acabar como o ex-presidente Lula? Ou seja, ser condenado agora pelo TRE, se o STF liberar a ação (recurso da condenação em primeira instância na Chequinho), ser preso e cair na Ficha Limpa?”. Aí, após indagar sobre a corrupção no Judiciário, o ex-governador respondeu: “Olha, eu acho difícil”. Ele pareceu confiante ao apostar na manutenção da suspensão do seu julgamento no TRE em decisão monocrática do ministro do STF Ricardo Lewandowski, conhecido pela aplicação do garantismo com políticos acusados de corrupção.

 

Novos números

O instituto Datafolha divulgou, domingo, nova pesquisa presidencial. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado em segunda instância na Lava Jato e preso desde abril, lidera com 30%. Sem ele, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) aparece na frente, com 19% (2% a mais que no cenário com o petista). Entre os muitos pontos que podem ser analisados está o fato de Marina Silva (Rede) voltar a aparecer na frente de Ciro Gomes (PDT), respectivamente com 15% e 10% no cenário sem Lula. Semana passada, o DataPoder 360 apontou que, sem Lula, Bolsonaro liderava, mas Ciro aparecia à frente de Marina.

 

Críticas

E por falar na DataPoder 360, Bolsonaro  tomou a pesquisa como referência ao tentar desqualificar os números mais recentes. Nas simulações para o segundo turno do Datafolha nos cenário sem Lula, Bolsonaro aparece empatado tecnicamente com Ciro (34% contra 34%) e Geraldo Alckmin (33% cada), ao passo que perderia de Marina Silva (32% contra 42%). O deputado venceria somente Haddad (36% a 27%), bem diferente do que foi apresentado pelo DataPorder360 nos quatro cenários considerados  em um eventual segundo turno. Hoje, o Paraná Pesquisa tem sua mais nova sondagem liberada para divulgação.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Pesquisa presidencial Datafolha sob análise no YouTube

 

Companheiros neste Opiniões e em debates anteriores, participei neste noite de domingo de uma rodada de análise da última pesquisa presidencial Datafolha, divulgada hoje (aqui), junto do especialista em finanças Igor Franco, do advogado Gustavo Alejandro Oviedo e do odontólogo Alexandre Buchaul. Batizada de “4 em linha”, a conversa foi transmitida ao vivo pelo YouTube e se repetirá, com outros temas, nas noites de domingo.

Entre várias interpretações, discutimos como a violência brasileira — contabilizada nos 110 homicídios de Campos só em 2018 — pode explicar a ascensão do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Ele lidera todas as pesquisas sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nestes menos de quatro meses que nos separam das urnas de 7 de outubro.

Confira abaixo:

 

 

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Hamilton Garcia — A evolução da esquerda (II)

 

 

 

A submissão do PCB ao radicalismo militar-popular prestista-stalinista — vide artigo anterior — arrastou não só os comunistas, mas o conjunto do movimento democrático (ANL) e sindical a uma profunda depressão, depois da derrota do levante de 1935 e da onda repressiva que se seguiu, abortando a maré montante da nova sociedade civil após o fim da hegemonia oligárquica sobre o Estado, em meio a uma crise econômica internacional (Grande Depressão) e à frustração popular com os rumos da Revolução de 1930 — já sob a égide da Constituição de 1934, a primeira constituição democraticamente produzida no país, não obstante o veto à participação eleitoral do PCB.

O retrocesso aplainou o terreno para a formação de um poderoso bloco conservador que desembocaria no golpe militar-varguista de 1937, permitindo que o processo de modernização passasse à direção da direita, concentrando o poder de Estado nas mãos de Vargas e seus aliados em benefício de uma acumulação nacional-capitalista acelerada sem a participação independente da sociedade civil trabalhadora — incluído seus extratos médios —, aprisionada em formas paraestatais de associativismo sindical e cultural.

O Estado Novo permitiu a Vargas, a um só tempo, desimpedir o caminho para o capitalismo de Estado brasileiro neutralizando tanto a oposição sindical, quanto o empecilho integralista (AIB) a um pacto amplo de alianças em torno do desenvolvimento. Ao franquear livre acesso ao poder — via ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho — aos grupos sindicais moderados, dispostos à barganha com políticos e patrões em troca de privilégios e concessões trabalhistas, Vargas dificultou também o acesso da esquerda ao movimento operário. Aos comunistas, desarticulados e isolados, sobrariam poucas alternativas, tendo prevalecido aquela de tentar recuperar prestígio social ocupando a margem esquerda das concessões do varguismo ao movimento trabalhista (populismo), o que os conduziu a abandonar a extremada oposição e aderir ao queremismo — campanha pela continuidade do Governo Vargas em meio às pressões pela redemocratização e pela constituinte em 1945.

A manobra tisnaria a imagem de Prestes, cuja mulher, Olga Benário — agente da IC no levante de 1935 —, havia sido deportada por Vargas para a Alemanha grávida de uma filha sua, sendo morta em seguida pelos nazistas em um campo de extermínio, sem produzir os resultados esperados e ainda reforçando as desconfianças acerca das intenções totalitárias do PCB.

Mesmo assim, frustrada a manobra queremista pelo golpe civil-militar de 1945, os comunistas lograram obter a ansiada legalidade, não obstante a manutenção do impedimento à liberdade (inter)sindical, e alcançar uma consagradora votação que os colocaria na quarta posição eleitoral em âmbito nacional, sustentando a mensagem da união nacional; que mais refletia a conveniência internacional de um período de paz pera a reconstrução da URSS, do que uma nova estratégia democrática para o socialismo. Logo, o recrudescimento das tensões internacionais (Guerra Fria) e as pressões reacionárias pela contenção dos movimentos sociais – inclusive pelo PTB, interessado no espólio eleitoral do PCB e em eliminar sua concorrência sindical – colocaria por terra a moderação comunista.

A cassação do PCB, seguida da perda do mandato de seus parlamentares, traria de volta o fantasma insurrecional com os comunistas não só abandonando a política de união nacional, como negando a própria ordem democrática (limitada) que haviam ajudado a erigir, voltando-se à pregação revolucionária, agora sob a inspiração da Revolução Chinesa de 1949), sem, mais uma vez, obter a adesão da sociedade.

A recidiva radical seria menos gravosa – dada a relativa ausência de repressão policial –, não fosse o extremo sectarismo que marcou a conduta comunista entre 1948-51, inclusive com tentativas de se formar grupos de autodefesa camponesa armada para enfrentar o arbítrio coronelístico no campo, na esteira da experiência com as Ligas Camponesas – criadas pelos comunistas, a partir de 1945, para driblar o veto católico-latifundiário à sindicalização camponesa.

O fracasso dessa estratégia, cuja expressão urbana foi a malfadada criação de sindicatos vermelhos na tentativa de superar o controle burocrático sobre os trabalhadores, acabaria gerando a reação do setor sindical do partido, que, ignorando as diretrizes do Comitê Central do partido, resolvem voltar aos sindicatos legais, o que levaria à recuperação dos espaços perdidos e ao protagonismo decisivo na greve geral paulista de 1953.

O reatamento dos laços com os sindicatos oficiais, todavia, só reaproximaria os comunistas dos nacionalistas depois do suicídio do líder populista (1954), numa chave semelhante à união nacional, buscando conciliar a via democrático-sindical de acesso à classe trabalhadora, com a perspectiva reformista da acumulação de forças para a revolução; um caminho, sem sombra de dúvida, mais realista para a afirmação dos ideais socialistas do aquele seguido nas fases insurrecionais.

As greves e mobilizações do período 1953-64, fortemente influenciadas pelo PCB, todavia, acabariam por enfraquecer a estratégia reformista ao se deparar com um parlamento petrificado pela ausência de livre organização política no campo — onde residia metade da população — e sem a presença do PCB legal, acabando por alimentar novas correntes rupturistas, agora fora do alcance do prestismo.

Por paradoxal que fosse, o revolucionarismo ganharia tônus com Leonel Brizola (brizolismo), líder radical do PTB gaúcho — partido de amplas bases populares e trajetória ascendente desde a eleição de 1950 — que se insinuaria após a vitoriosa Revolução Cubana (1959) como alternativa nacionalista-popular ao comunismo, avançando, a partir da renúncia de Jânio Quadros (1961), sobre as bases comunistas militares — organizadas, desde 1935, em torno do nacionalismo — sindicais, estudantis e rurais — por meio da recriação das Ligas Camponesas, capitaneadas por Francisco Julião —, através de um programa de mudanças econômico-sociais radicais (reformas de base) a ser implementado por cima do parlamento (“na lei ou na marra”) com o apoio de grupamentos sociais armados (Grupo dos Onze) e da retaguarda dos militares nacionalistas (“dispositivo militar legalista”).

A pressão radical do brizolismo, em maré montante, levaria de roldão não apenas o prestismo — historicamente oscilante entre o putchismo de 1935 e a conciliação de 1945-47, o Manifesto de Agosto de 1950 e a Declaração de Março de 1958 —, mas também boa parte do PTB e o próprio Presidente da República (João Goulart), arrastando a todos para o mesmo precipício de onde, no final de março de 1964, não seria mais possível recuar.

O terrível desenlace, que modernizaria o Estado, a economia e a sociedade brasileira, ao mesmo tempo que a mergulharia numa nefasta ditadura de alto custo humano e social, lançou a esquerda em nova refundação, estilhaçando o PCB e precipitando sua juventude na luta armada à moda cubana (foquismo), numa reiteração trágica do fascínio nacional pela imitação dos modelos estrangeiros, absorvidos aqui sem a necessária consideração acerca das especificidades nacionais.

A nova tournant culminaria com a superação da hegemonia marxista-leninista sobre a esquerda brasileira e sua substituição gradual, a partir dos anos 1970, pela sindical-pastoral, que daria ensejo ao PT em 1980. Mas, isso é assunto para o próximo artigo.

 

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Na vida de Edvar, meio século de luta pela CDL e comércio de Campos

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (08) na Folha

 

 

Cinco décadas de CDL

O empresário Edvar Chagas morreu na madrugada de ontem, aos 79 anos, de parada cardiorrespiratória. Ele completaria 80 anos na próxima sexta, dia 15. Foi presidente quatro vezes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, passando por todas as diretorias da entidade. Pela capacidade de agregar, era considerado o grande conciliador da instituição, tanto internamente, quanto em suas interrelações com a sociedade. Filiado à CDL desde 1964, esteve em todas as suas lutas nas últimas cinco décadas. Na mais recente, foi fundamental na negociação com a Prefeitura, que reduziu o aumento do IPTU de Campos em 2018.

 

Costura do empreendedor

Nos anos 1960, Edvar trabalhou na Singer Brasil. Com o know how no ramo de máquinas de costura, abriu em 1968 a Feira das Máquinas na rua dos Andradas, no prédio que hoje abriga o parque gráfico da Folha da Manhã. Com a CDL Campos inaugurada em 1963, começou a militar nela no ano seguinte, chegando à presidência em 1977 — sendo eleito novamente em 1995 e, consecutivamente, em 2000 e 2001. Após a experiência da Solar Móveis, ele adaptou o nome da sua loja original na mudança para o novo produto. Assim, em 1985, abriria a primeira Femac, na avenida Alberto Lamego, dedicada ao comércio de móveis de primeira linha.

 

Bandeira

Como líder do setor produtivo de Campos, várias foram as iniciativas de Edvar. Sobre a bandeira do imposto único, hoje hasteada pelo empresário e presidenciável Flávio Rocha (PRB), este esteve em Campos ainda na primeira metade dos anos 1990, quando era deputado federal. Como Murillo Dieguez relembra (aqui) em sua coluna na página 6, Rocha fez uma concorrida palestra na CDL. E depois mereceu uma recepção oferecida por Edvar. A partir dali, o empreendedor campista faria do imposto único uma bandeira sua e de todos os que geram empregos e divisas ao país, a despeito de uma das cargas tributárias mais altas do mundo.

 

Legado

Como também conta (aqui) a reportagem da jornalista Dora Paula Paes, publicada na página 8, foi de Edvar a ideia da Feira de Preços Especiais (Fepe). Ela foi criada em 1999, quando o presidente da CDL-Campos era Marcelo Mérida, hoje à frente da Federação Fluminense das CDLs. Encampado o projeto, nele se passou a reunir todo o resto de estoque do comércio de Campos, sobretudo vestuário, ofertado à população com descontos de até 70%. Reunidos num mesmo lugar e iniciativa, com propaganda conjunta, o sucesso foi tanto que hoje a Fepe já prepara sua 30ª edição. Há 19 anos, ganham o comércio e o consumidor do município.

 

Coragem

Junto da esposa Cicinha, dos filhos Edvar Júnior e Luciano, Edvar era anfitrião e frequentador assíduo da vida social de Campos. Numa cidade em que a vaidade pessoal é carro chefe para quem trabalha com mercadorias de ponta, soube trabalha-la como poucos. Mas o fazia também pelo prazer de receber. Não bebia nada além da cerveja moderada e se cuidava bastante fisicamente. Nos verões em Atafona, sua praia de eleição, era comum se cruzar com ele em caminhadas diárias. Não fumante, sua doença pulmonar foi consequência da coragem com que enfrentou um terrível incêndio na Femac, em 23 de outubro de 2013.

 

Amigo

Pessoalmente, Edvar era conhecido pela fidelidade aos amigos. Um dos mais próximos foi o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, fundador deste jornal e desta coluna de opinião, que escreveu até bem perto de morrer, em 15 de agosto de 2012. Pouco antes, quando Aluysio descobriu um câncer de pulmão e se submeteu a duas cirurgias em Porto Alegre (RS), centro de excelência na especialidade, Edvar foi um dos amigos que venceu a distância entre as planícies do Paraíba do Sul e do Guaíba, para estar ao lado do amigo. Se o jornalista estivesse vivo, difícil saber o que escreveria aqui sobre quem alçou a planaltos na madrugada de ontem.

 

Amiga

Na dúvida, melhor ficar com o que escreveu sobre Edvar a esposa de Aluysio, cuja íntegra do texto pode ser lido na capa desta edição. Mais como historiadora e poeta, do que como empresária, Diva Abreu Barbosa testemunhou (aqui) sobre 80 anos de vida, não sobre morte: “Por todo nosso caminhar, sonhamos juntos; brincamos juntos, sofremos juntos e, também, renascemos juntos! Um dia após o outro. Fraternidade que galopa em nosso tempo e em nossos prados. Aleluia! Sempre!”.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Carvalhal — Simulacro

Nove da noite. Sávio logou na realidade virtual, mais especificamente em um programa de vidas digitais. Ali ele deixava de ser Sávio e se tornava Soraia.

Soraia chamava a atenção por onde passava. Balançava seus cabelos ruivos e os homens daquele universo prestavam atenção nela. Já Sávio, com sua barriga e sua calvície, jamais conquistava o olhar de nenhuma mulher.

Ela tinha um charme inerente e conseguia sempre ser o centro das atenções. Chegava nas boates ou nos restaurantes e todos a conheciam e lhe dirigiam a palavra. Ela, sempre articulada, mantinha conversas extensas, enquanto Sávio sempre se atrapalhava em tartamudeios e mal ouvia um “bom dia” do balconista do boteco onde pendurava umas.

Soraia trabalhava como engenheira projetando redes de tubulações em grandes estruturas, como em plataformas de petróleo. Comandava uma equipe de técnicos, todos sempre prontos a acatar suas ordens e reportando-se a ela como senhora. Já Sávio entrava no escritório de administração condominial e recebia ordens do chefe, muitas vezes agressivas, e se perdia em filas de bancos e cartórios, reclamando solitariamente de sua rotina tediosa.

Portanto, ingressar no universo de Soraia sempre lhe garantia a satisfação de aspirações pessoais e profissionais. Ser cortejada, sair para dançar com grupo de amigos, apresentar aos conselho diretor o projeto desenvolvido. Cada parte da vida de Soraia lhe preenchia.

Um dia, tentou se conectar e recebeu a mensagem de erro do servidor. Ficou sem entender e pesquisou na internet o que aconteceu. Descobriu que a página do programa foi invadida por hackers e que todo o histórico dos usuários havia sido deletado. O prejuízo para a desenvolvedora foi imenso e pouco depois ela declarou falência.

Sávio chorou durante dias velando o corpo programado de Soraia, suas carnes de código binário e sua feição expressa pela interface das telas. Chegou a comprar rosas e depositá-las em frente ao computador, prestando suas homenagens póstumas.

Uns dias depois, passando por uma grave agonia, chegou à conclusão de que Soraia era importante demais para deixá-la partir. Assim, a reviveria de um jeito ou de outro. Percorreu pelas lojas e comprou vestido, saltos, maquiagem, peruca. Depilou as pernas, pintou as unhas, assistiu tutoriais para usar delineador e outros produtos. Arrumou-se, olhou-se no espelho e finalmente reviu Soraia, abrindo um imenso sorriso de contentamento.

Desceu pelas escadas logo atraindo a atenção dos vizinhos, que nunca o imaginariam nesses trajes. Saiu caminhando pela calçada, tentando imitar o passo e o rebolado sensuais de Soraia pelas ruas de Nova York. Pensava nos assobios recebidos por ela, mas encontrou apenas risos e ofensas, como um grupo de adolescentes gritando “olha a bichona”.

Começou a perceber as diferenças entre aquele seu refúgio secreto no mundo online e se envergonhou profundamente. Correu para tentar se esconder e acabou na beira de um rio. Olhou para seu reflexo nas penumbra, vendo o quão ridículo estava.

E, num passe de mágica, a imagem de Soraia real surgiu nas águas, convidando-o para chegar junto a ela, a migrar para um paraíso idílico, longe daquele mundo repleto de maldade e preconceito. Ele se deixou conduzir e caiu dentro da água, se afogando. Dessa forma, iria para o mesmo plano imaterial onde Soraia agora jazia.

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Violência explode em Campos; prós e contras de Garotinho a governador

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (07) na Folha

 

Nem deficiente físico

Para quem ainda não entende a popularidade de Jair Bolsonaro (PSL), Campos é um bom exemplo para explicar como ele hoje pode liderar com folga a corrida presidencial. À margem esquerda do rio Paraíba do Sul, até deficiente físico virou vítima de tentativa de homicídio. Na manhã de ontem, um homem de 24 anos, mesmo sem a perna direita, foi baleado na cabeça e na coluna. O crime foi no Parque Eldorado, que integra a zona de guerra pela disputa do tráfico de drogas em Guarus — chamada pela Polícia de “Faixa de Gaza”. Detido e identificado por foto pela vítima, o suspeito é um adolescente de 15 anos.

 

Pelinca ignora Guarus?

O novo alvo da violência de Campos está internado no Hospital Ferreira Machado. Mas teve mais sorte do que os 110 assassinados no município só em 2010 — 71 deles, ou 61,5%, em Guarus. E como a coluna observou em 25 de maio, 13 dias e cinco homicídios atrás: “a sociedade parece esperar que alguém tenha menos sorte na Pelinca, para se revoltar contra o que banaliza enquanto Guarus é o foco”. Não é o caso do vereador de oposição Thiago Ferrugem (PR). Amanhã, ele organiza uma audiência pública na Câmara de Campos, em parceria com a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio.

 

Quem Garotinho é

Da violência desenfreada à política, Ferrugem falou à coluna sobre a possibilidade do ex-governador Anthony Garotinho (PRP) trocar a arriscada pretensão de voltar a ser governador pela segurança de uma candidatura a deputado estadual. Sobre o destino eleitoral do líder de seu grupo político, o vereador disse à coluna: “Garotinho só fala no Governo do Estado. Em momento nenhum ele externa outra coisa. Além do desejo de voltar ao cargo, ele busca a exposição da candidatura para poder mostrar à população, após os processos que enfrentou, quem ele realmente é”.

 

Os processos

Nos dois processos que geraram suas três prisões, o ex-governador teve ontem uma vitória parcial na Caixa d’Água. Seus atos processuais foram suspensos 14 dias pela desembargadora Cristiane Frota, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O tempo foi dado por conta da cirurgia de catarata do advogado do casal Garotinho, Carlos Azeredo. Já na Chequinho, o político da Lapa acabou beneficiado pela decisão monocrática de Ricardo Lewandowski, no Supremo Tribunal Federal (STF). Conhecido pelo garantismo para com políticos corruptos, em 16 de maio o ministro simplesmente suspendeu o julgamento de Garotinho no TRE.

 

Testar a sorte

Quem não teve a mesma sorte foram os beneficiados na suposta troca de Cheque-Cidadão por voto, na eleição municipal de 2016. Dois deles, Ferrugem e o também vereador Geraldinho Santa Cruz (PSDB), ontem perderam no TRE seus recursos na Chequinho. Quem conhece Garotinho como poucos é o ex-vereador Nelson Nahim (MDB). Ontem, ele também falou com a coluna e disse ter pouca dúvida de que o irmão tentará voltar a governar o Estado em outubro. “Se Eduardo Paes (DEM) não for candidato, diria que as chances são de 100%. Mas, mesmo com Paes, acho que Garotinho vai concorrer a governador”.

 

Contras

Nahim não discorda do que a coluna explicou ontem: “A única pesquisa até agora na disputa ao governo fluminense foi do instituto Paraná (…) nela o senador Romário (Podemos) liderou com 26,9%; seguido de Paes (14,1%); Garotinho (11,6%) e Indio da Costa (PSD, 8,8%). O político de Campos, porém, lidera na rejeição: 71,9%. Em 2014, ele não foi nem ao segundo turno da última eleição a governador, quando sua rejeição era ‘só’ de 48%. Portanto, parece impossível que consiga sê-lo agora, com uma rejeição 24 pontos maior, sem controlar a Prefeitura de Campos e após trocar um partido médio, o PR, pelo nanico PRP”.

 

Prós

O irmão, no entanto, aposta em pontos que podem favorecer Garotinho: 1) o discurso de que denunciou o ex-governador Sérgio Cabral e o deputado estadual Jorge Picciani, implodindo o MDB no Estado; 2) não terá a condição financeira de 2014, mas pode ser ainda capaz de levantar o mínimo para a campanha; 3) Romário não concorrerá a governador, repetindo a simulação para valorizar o passe que fez outras vezes; 4) apesar do apoio do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), Indio terá dificuldades para sair da Zona Sul carioca; e 5) mesmo com Paes concorrendo, um eventual segundo turno entre ele e Garotinho seria imprevisível.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Vitor Menezes — A vaga que ocupo está à sua disposição, professor Orávio

 

Ontem, em sua colaboração quinzenal com o blog, o jornalista e professor Orávio de Campos escreveu (aqui) um artigo de forte toada crítica aos rumos dados à atuação do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de Campos dos Goytacazes (Coppam) no governo municipal Rafael Diniz. Entre vários questionamentos, ele também personalizou uma crítica ao presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Vitor Menezes.

Nas palavras de Orávio: “Causou-nos perplexidade, por exemplo, uma postagem recente do conselheiro Vitor Menezes, representante da Associação de Imprensa Campista, tecendo loas pela segunda reunião com quórum do conselho”.

Questionado nominalmente, o blog entrou em contato com Vitor, franqueando-lhe espaço para também se manifestar. O que ele fez prontamente, inclusive propondo que Orávio, como vice-presidente da AIC, assumisse a vaga que a instituição ocupa no Coppam. Confira abaixo:

 

Vitor Menezes e Orávio de Campos (Montagem: Andréa Campos)

 

A vaga que ocupo está à sua disposição, professor Orávio

Por Vitor Menezes(*)

 

O professor Orávio de Campos Soares, a quem tenho admiração profunda e a quem, não tenho dúvida, a cidade deve muito, comete um exagero retórico ao afirmar, em artigo neste blog Opiniões, que eu teria tecido loas à obtenção de quorum, por duas vezes, em reuniões do Coppam (Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de Campos dos Goytacazes) neste ano. Como bom jornalista e pesquisador, e certamente apto a uma análise acurada do discurso, ele saberia depreender do meu registro em rede social justamente o contrário: uma crítica à ausência de quorum em todas às demais reuniões e, pior, ao abandono do Coppam durante todo o ano de 2017.

Essa mesma crítica, entre outras, é a que faço nas reuniões, com ou sem quorum, como podem testemunhar os demais conselheiros, onde tenho registrado a ausência de uma política municipal para a preservação do patrimônio, a suspeita ação de um consultor não nomeado e — como bem disse o professor Orávio — que nem mesmo foi apresentado em uma reunião do conselho.

A cidade está à deriva na questão do patrimônio histórico e cultural. Não há fiscalização, não há estrutura, e muitas decisões — sobretudo relacionadas a compensações por crimes contra o patrimônio que acabam por tornarem-se altamente vantajosas para os criminosos — estão sendo tomadas pelo Ministério Público, em razão da ausência do poder público municipal por meio do Coppam.

Nas reuniões, tenho insistido na necessidade da realização da Conferência Municipal do Patrimônio, para que as representações da sociedade se revigorem, e cobrado a atuação dos representantes do poder público, inclusive da Câmara de Vereadores (que não compareceu a nenhuma reunião).

De todo modo, registre-se que ocupo esta vaga no Conselho como representante da Associação de Imprensa Campista, entidade da qual também é diretor (vice-presidente) o próprio professor Orávio. “Minha” vaga, portanto, também é sua, e seria de grande valia para a cidade se esse meu estimado colega de diretoria na AIC se dispusesse a ocupá-la — substituição que, inclusive, o sugeri pessoalmente.

 

(*) Presidente da Associação de Imprensa Campista

 

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Silêncio de Clarissa sinaliza que Garotinho será candidato à Alerj

 

 

 

Folha, O Globo, Veja e O Dia

Segundo matéria publicada (aqui) na segunda (04) em O Globo, o racha entre o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) e o ex-governador Anthony Garotinho (PRP) foi iniciada após uma entrevista do deputado federal Indio da Costa (PSD) à Folha da Manhã, publicada (aqui) em 6 de agosto de 2017. A partir dela, afirmou o maior jornal fluminense: “Indio passou a se cacifar como candidato a governador de Crivella”. Assim, Garotinho teria sido preterido pelo prefeito do Rio. Na época, a polêmica iniciada na Folha já tinha sido repercutida pela Veja (aqui) e O Dia (aqui). Após O Globo retomar o assunto na última segunda, ele foi tratado ontem (aqui) nesta coluna.

 

Garotinho a deputado estadual

Indio foi secretário do governo Crivella. Assim como a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros). Há 10 meses, ela respondeu duramente (aqui) as críticas ao seu pai feitas pelo então colega na entrevista à Folha. Mas preferiu não fazê-lo agora. Após O Globo dar como descartada o apoio de Crivella à pré-candidatura de Garotinho a governador, a filha deste se limitou a dizer à coluna na segunda: “não vou comentar”. O motivo parece simples: Clarissa não quer queimar pontes com Crivella, caso a disputa de Garotinho em outubro não seja o Palácio Guanabara, mas um mandato na Assembleia Legislativa do Estado.

 

Impossibilidade a governador

A única pesquisa até agora na disputa ao governo fluminense foi do instituto Paraná. Feita entre 4 e 9 de maio, nela o senador Romário (Podemos) liderou com 26,9% das intenções de voto; seguido do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM), com 14,1%; de Garotinho (11,6%) e Indio (8,8%). O político de Campos, porém, lidera na rejeição: 71,9%. Em 2014, ele não foi nem ao segundo turno da última eleição a governador, quando sua rejeição era “só” de 48%. Portanto, parece impossível que consiga sê-lo agora, com uma rejeição 24 pontos maior, sem controlar a Prefeitura de Campos e após trocar um partido médio, o PR, pelo nanico PRP.

 

Sobrevida

Conhecido pela capacidade de interpretar pesquisas e conjunturas, se Garotinho aceitar o que elas projetam para daqui a pouco mais de quatro meses, a candidatura a deputado estadual pode ser sua chance de sobrevida. Ele ainda tem densidade para se eleger à Alerj e formar nela uma grande bancada. Assim se fortaleceria, sobretudo no vácuo de Jorge Picciani (MDB). Daí a necessidade de não queimar pontes, pelo menos por ora, com o prefeito do Rio. Mesmo desgastado com o carioca, Crivella será player na eleição estadual. Até serem presos, Picciani e Paulo Mello (MDB) eram a prova de que a Alerj pode dar mais poder que o Palácio Guanabara.

 

 

Bolsonaro e Ciro

Ontem saiu um novo retrato da corrida presidencial. O portal Poder360 é pouco conhecido como instituto de pesquisa. Mas o resultado recebeu endosso após ser publicado (aqui) pelo jornal espanhol El País. A consulta foi feita com 10.500 pessoas de 349 cidades do país, entre os dias 25 e 31 de maio, em plena greve dos caminhoneiros. A liderança de Jair Bolsonaro (PSL) foi confirmada, com 21% a 25% das intenções de voto. Foi seu maior índice até agora. Mas a novidade ficou mesmo com o Ciro Gomes (PDT) na segunda colocação. Entre 11% a 12%, foi a primeira vez em que ele ficou à frente de Marina Silva (Rede), que anotou de 6% a 7%.

 

Voto de Lula migra

Na margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou menos, Marina ficou embolada com Fernando Haddad (PT), de 6% a 8%; Geraldo Ackmin (PSDB), de 6% a 7%; João Doria (também PSDB), 6%; e Álvaro Dias (Podemos), de 5% a 6%. Em relação às pesquisas anteriores CNT, Paraná e Datafolha, os crescimentos de Ciro e de Haddad sinalizam que os eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão se conformado com sua não participação no pleito e já migram para outras opções de esquerda. O próprio Bolsonaro pode ter recebido parte deles, sobretudo no voto não ideológico do Nordeste.

 

Planalto na planície

Lula não entrou na pesquisa Poder360. Após 56 dias preso, ele ontem pareceu estar bem na sua primeira apresentação pública, em depoimento por vídeo como testemunha de defesa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB). A queda de Marina, em relação às consultas anteriores, pode ser fruto da necessidade do eleitor em ter um opositor a Bolsonaro com a mesma assertividade — como é Ciro. A liderança de ambos foi antecipada (aqui) no domingo, nas redes sociais de Campos, pelo especialista em finanças Igor Franco e o advogado Gustavo Alejandro Oviedo. Os dois são colaboradores do blog Opiniões, hospedado no Folha1.

 

Navio MV Golf

 

Recorde no Açu

Foi batido um novo recorde pelo Terminal Multicargas do Porto do Açu (T-Mult), durante a operação de descarga de carvão do navio MV Golf, para a Anglo American. A prancha atingida foi de 22 toneladas/dia, aumento de 7% sobre a operação anterior, feita com o navio MV Geraldine Manx. Prancha é o volume movimentado por dia, em média, de uma operação de carga e descarga de um navio. Quanto maior a prancha, maior o volume carregado e descarregado, gerando maior eficiência e menor tempo atracado do navio, otimizando os custos da operação.

 

Com o blogueiro Christiano Abreu Barbosa

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

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Orávio de Campos — A quem interessa a morte do Coppam?

 

Demolição do Casarão do Chacrinha ainda gera polêmica

 

 

Esta urbe é, geograficamente, resultado das dimensões politicas das capitanias hereditárias (1532-1534) — assunto desconhecido por desavisados, retendo uma saga que se revela no eito da própria história do Brasil. Mas, pasmem, só no governo Anthony Garotinho, em 1989, criou-se uma lei que, timidamente, tratava da preservação de sua cultura, fato que evoluiu, no governo do ex-prefeito Alexandre Mocaiber, com a criação do Coppam, sigla do Comitê de Preservação do Patrimônio Municipal.

A arrogância do governo Diniz, todavia, mostrando não entender patavinas do assunto, sem uma razão plausível e usando espaços para críticas à gestão passada, vem promovendo reuniões, sem o devido quórum, há quase dois anos. Tempo em que não assumiu qualquer tipo de ação propositiva em função do “tombamento” de valiosas peças constantes da Lei 7.972/2008 e, também, das disposições legais reforçadas pela nova Lei Orgânica do Município, instituída na excelente administração do Dr. Edson Batista.

Causou-nos perplexidade, por exemplo, uma postagem recente do conselheiro Vitor Menezes, representante da Associação de Imprensa Campista, tecendo loas pela segunda reunião com quórum do conselho. Mas, mesmo assim, não se tem notícia de decisões publicadas, como seria legal, no Diário Oficial, desconfiando-se de que se trata de uma estratégia para se caminhar por muitos rumos sem a intenção tácita de chegar a lugar nenhum. Como diz o ditado: “chovendo no molhado”.

Está tudo ilegal no Coppam, reestruturado pela ex-prefeita Rosinha Garotinho, dando-lhe um formato consultivo, deliberativo e executivo (Lei 8.487, Capítulo II, Artigo 5°). A atual representação da sociedade civil no conselho saiu da II Conferência de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural, realizada no dia 14/12/2013, convocada pelo Decreto 403/13, com a nomeação de seus membros ocorrendo no dia 13/01/2014, através da Portaria 019, para que cumprissem um mandato de quatro anos.

Dessa forma, a III Conferência, para a renovação do Conselho deveria ter sido realizada até o mês de dezembro do ano passado, deixando clara a idéia de que os atuais mandatos estão vencidos, porque o insigne alcaide, neto de Dona Zaira Barbosa, não se dignou em nomeá-los, porquanto sua assessoria não lhe convocou para tal mister. Os atuais membros, mesmo os representantes do governo, estão atuando na ilegalidade sendo completamente nula qualquer decisão, caso venham a tomá-la.

Agora, o mais grave. Os processos encaminhados ao Coppam, em todas as reuniões (com ou sem quórum) nunca estão acessíveis, confirmando a notícia de que os pareceres estão sendo feitos, monocraticamente, por um arquiteto (que nunca foi às reuniões) sem qualquer tipo de nomeação para tal, a não ser que esteja contratado por RPA. Pior, ainda: suas decisões (do arquiteto) estão sendo feitas à revelia das leis e, evidentemente, tripudiando sobre a inútil preocupação dos conselheiros.

Só para citar ligeiras atitudes espúrias desse governo, ressalta-se algumas ações compensatórias que, por serem de interesse social, deveriam ser debatidas e assumidas pelo conselho. Uma casa, (oriunda do antigo lenocínio no centro histórico), listada pelo Plano Diretor, foi demolida à Rua Boa Morte tornando-se objeto de ação no Ministério Público e com multa a ser recolhida em favor do Fundo Municipal de Cultura. Pois bem. O espaço foi liberado e hoje funciona um estacionamento de automóveis.

Na realidade, este ato, não se sabendo por qual tipo compensatório foi liberado, inclusive com perdão da multa, contraria os princípios morais dos representantes da sociedade, que, em tese, já tinham decidido por denunciar ao Ministério Público. Uma casa da Antonio Félix de Miranda, 48, antiga Rua dos Frades, estava sendo demolida, semana passada, provavelmente para um “retrofit”, com aproveitamento da fachada. Mas, quem autorizou e por qual processo, se isso seria função do Conselho?

Parece que estamos diante de uma urbe cada vez mais calada, entorpecida, e que se limita, através de poucos interessados em preservação de patrimônio, a tecer lamentações nas redes sociais. Há muito mais a se comentar sobre o assunto. Até porque desconfiamos que este governo não gosta de democratizar idéias. Porque, se gostasse, já teria providenciado há muito tempo a reestruturação dos seus conselhos: o Coppam e o Concultura, ambos carecendo de novas conferências.

Se a política da desfaçatez continuar a mesma, diante do silêncio das instituições, podemos perder o maior museu de arquitetura eclética do interior do Estado do Rio de Janeiro, resultante do projeto urbanístico do sanitarista Saturnino de Brito. Seu cenário atual, já um tanto desgastado pelo tempo, foi construído graças à ação bairrista do presidente do Estado, o preclaro Dr. Nilo Peçanha, o “Mulato de Morro de Coco”, cujos melhoramentos foram por ele inaugurados em 1916, com pompa e circunstância.

Fica no ar a pergunta do nosso título: A quem interessa a morte do Coppam?

 

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Folha referencia O Globo no racha de Crivella com Garotinhos

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (05) na Folha

 

 

Folha referencia O Globo

Em sua edição de ontem (04), O Globo considerou (aqui) praticamente descartada a aliança entre o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e o ex-governador Anthony Garotinho (PRP) para as eleições de outubro. O jornal carioca lembrou uma entrevista publicada na Folha da Manhã (aqui) no último dia 6 de agosto, na qual o deputado federal e então secretário de Crivella Índio da Costa (PSD) afirmou: “a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”. A partir dela, segundo O Globo: “Índio passou a se cacifar como candidato a governador de Crivella”.

 

Índio seguro de Crivella

A coluna falou ontem com Índio da Costa. Ele disse não ter lido a matéria d’O Globo. Mas parecia bem seguro do apoio de Crivella à sua pré-candidatura a governador: “Estou tranquilo quanto a isso, 100% seguro”. Quem também foi secretária da atual gestão carioca foi outra deputada federal: Clarissa Garotinho (Pros). No mesmo 6 de agosto em que a Folha publicou a entrevista com Índio, ela usou as redes sociais para (aqui) defender o pai e responder ao então colega no governo carioca: “Índio, se você pensa tudo isso do Garotinho por que foi buscar o apoio dele na sua derrotada eleição para prefeito do Rio? (em 2016)”.

 

Clarissa muda o tom

Ontem, porém, Clarissa foi mais cautelosa. Além de lembrar da entrevista da Folha de agosto de 2017, a reportagem d’O Globo também revelou que “a aliança entre Crivella e Garotinho começou a implodir de vez em uma reunião no Palácio da Cidade (sede do governo carioca), em 6 de abril (de 2018)”. Dela, participaram Clarissa e Garotinho, além de Crivella e quem herdou sua vaga no Senado Federal, o presidente estadual do PRB Eduardo Lopes. Procurada pela coluna para poder dar sua versão dos fatos mais recentes, Clarissa se limitou a dizer: “não vou comentar”.

 

Outra fonte

Sem posição de Clarissa, a coluna buscou outra alta patente do grupo dos Garotinho. E com ela confirmou a reunião na Prefeitura do Rio em 6 de abril, como sua extensa duração: cerca de quatro horas. Essa fonte também certificou o que parece ter azedado a conversa entre Crivella e a dinastia campista: os cargos que esta ocupava no governo carioca, mesmo após a saída de Clarissa. A informação confirma o que O Globo revelou em sua matéria: “Crivella e Lopes se recusaram a se comprometer com a candidatura de Garotinho, até que o prefeito citou os cargos que a família tinha em sua administração. ‘Isso é uma ameaça?’, perguntou Clarissa”.

 

Fome de cargos

Pelo menos no discurso, essa fome de cargos parece ser um trunfo de Índio sobre Garotinho pelo apoio do prefeito do Rio: “Minha conversa com Crivella e o PRB é política, não ocupação de cargos. Temos um objetivo comum: acabar com o modelo de governo instalado pelo PMDB no Estado. Isso que começou com Garotinho e Rosinha no partido, quando os dois foram governadores. Foi ali que (Jorge) Picciani começou a dominar a Alerj. Para Garotinho, dívida de governo não se paga, se rola. Fez isso no Estado e fez isso em Campos. E o resultado é o que vemos: a conta chega! Ele nem saber fazer política de outra maneira”, disse Índio.

 

Fontes cruzadas

Se mesmo sem querer a fonte do grupo dos Garotinho confirmou os cargos ocupados por seu grupo na mesa de negociação com Crivella, o cruzamento das informações acabou também revelando por onde Índio constrói sua aliança com o prefeito do Rio para tentar chegar ao governo do Estado. “Eduardo Lopes tem saído com Índio a tiracolo, nas caravanas com os pastores (o PRB é fortemente ligado à Igreja Universal, de Edir Macedo, tio de Crivella)”, apontou a fonte. Também sem querer, Índio acabou confirmando seus caminhos: “a aliança com o PRB é pela pré-candidatura de Eduardo Lopes a senador e a minha, a governador”.

 

Wladimir

A coluna também ouviu o pré-candidato a deputado federal Wladimir Garotinho (PRP). Se não queria comentar, ele não resistiu à analogia com a fracassada chapa de 2012 à Prefeitura do Rio, que trazia Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa: “nós espantamos o eleitor dos Maia e o nosso correu deles. Vai ser o mesmo se Crivella apoiar Índio”. Para Wladimir, o critério deveria ser as pesquisas antes das convenções. Na única feita até agora, de 4 a 9 de maio, pelo instituto Paraná, Garotinho teve 11,6% das intenções de voto, contra 8,8% de Índio. Só que o político da Lapa tem 71,9% de rejeição. Em 2014, ele tinha 48% e não foi nem ao segundo turno.

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

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O Globo: racha de Crivella e Garotinho após entrevista de Índio à Folha

 

Crivella, Índio, Garotinho e Clarissa (Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

No último dia 6 de agosto, a Folha da Manhã publicou (aqui) uma entrevista de duas páginas com Índio da Costa (PSD), deputado federal e então secretário municipal do governo Marcelo Crivella (PRB) na cidade do Rio. A manchete foi uma declaração contundente do entrevistado:

— A política de Garotinho é manter o pobre na pobreza.

No mesmo dia (06), também deputada federal e então secretária de Crivella, Clarissa Garotinho (Pros) usou as redes sociais para (aqui) atacar Índio e defender o pai. Ela fustigou o colega no governo da cidade do Rio:

—  Índio, se você pensa tudo isso do Garotinho por que foi buscar o apoio dele na sua derrotada eleição para prefeito do Rio?

No dia seguinte (07/08), quem também repercutiu a Folha da Manhã foi (aqui) a revista Veja. Em nota assinada pelo jornalista Gabriel Mascarenhas, a coluna Radar Online tratou da entrevista de Índio e da reação de Clarissa. A abertura foi bastante irônica:

— Marcelo Crivella parece não ter conseguido levar a paz de Cristo para dentro da Prefeitura.

Passou-se mais um dia e, em 8 de agosto, quem também repercutiu a polêmica iniciada na Folha foi (aqui) o jornal carioca O Dia. Em sua coluna Informe, trouxe a resposta de Crivella às farpas trocadas entre seus então secretários:

— Lamento que antecipem o processo eleitoral — disse o prefeito do Rio, se referindo ao fato de que Índio e Garotinho já tinham anunciado suas pré-candidaturas a governador do Estado, em outubro deste ano.

Passados quase 10 meses, quem hoje trouxe o assunto de volta à tona foi outro grande jornal carioca, O Globo. Em matéria assinada pelo jornalista Thiago Prado e intitulada “Racha entre os clãs Crivella e Garotinho”, a entrevista de Índio à Folha foi novamente citada. A partir dela, diz o jornal carioca, “Índio passou a se cacifar como candidato a governador de Crivella”.

A reportagem de O Globo segue relatando um encontro, em 6 de abril, entre Crivella, Garotinho, Clarissa e o senador Eduardo Lopes. O último é presidente estadual do PRB, ex-partido de Clarissa, e ganhou a vaga ao Senado aberta pela eleição de Crivella a prefeito. De acordo com o jornal:

— A reunião terminou e os presentes jamais estiveram juntos novamente.

Confira abaixo a reprodução da matéria d’O Globo:

 

 

Leia a cobertura completa na edição da Folha desta terça (05)

 

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