Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro e Carlos Portinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Bacellar mira na Segurança
No outro grupo político mais forte de Campos, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, (União), mirou na Segurança Pública para manter acesa sua pré-candidatura a governador. Área na qual tem batido no governador Cláudio Castro (PL). De quem o campista se afastou após exonerar (confira aqui e aqui) o ex-prefeito de Duque Caxias Washington Reis (MDB) da pasta estadual de Transporte.
Exonerou Reis e perdeu Bolsonaro
Após abrir seu caminho na linha sucessória de Castro, com o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) indo (confira aqui e aqui) para o TCE-RJ em 19 de maio, Bacellar exonerou Washington em 3 de julho. E, por não ter aceitado o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para reconduzi-lo, acabou perdendo (confira aqui) a promessa de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a governador.
Afastamento de Castro
A pedido dos Bolsonaro, Castro tentou reconduzir Washington quando voltou da viagem em que Bacellar assumiu como governador. Mas, pressionado pela tropa de choque do presidente da Alerj, acabou confirmando a exoneração (confira aqui) em 10 de julho. Só que, a partir dali, se afastou de Rodrigo. E afastou deste a possibilidade de assumir como governador ainda em 2025.
Sem Bolsonaro, pauta bolsonarista
Daí a posição recente de Bacellar de focar na Segurança Pública. Para fazer a Alerj aprovar no dia 23 a reforma da Polícia Civil e a chamada “gratificação faroeste”, gratificação em dinheiro aos policiais civis que matarem bandidos. E, no dia 23, aprovar o projeto que endurece a regra para a saída temporária de presos, a popular “saidinha”.
Movimento coordenado com Portinho?
Com o apoio de Bolsonaro perdido pela exoneração de Washington, Bacellar exerce seu domínio da Alerj na busca das pautas bolsonaristas para se manter no jogo eleitoral de 2026. No que tem conseguido, em movimento aparentemente coordenado, o apoio do senador bolsonarista Carlos Portinho (PL).
Mira no Senado para atirar em Castro
Junto com Bacellar, o senador passou a mirar a questão da Segurança Pública do RJ na gestão Castro. Não por coincidência, Portinho disputa com o atual governador uma vaga para se candidatar ao Senado em 2026, numa segunda cadeira que seria puxada pelo favoritismo da reeleição de Flávio (confira aqui e aqui) em todas as pesquisas.
Wladimir Garotinho, Frederico Rangel, Frederico Paes, Juninho Virgílio e Wainer Teixeira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Nova mesa diretora no grupo de Wladimir
Para fora, o debate do grupo do prefeito Wladimir Garotinho (PP) é se este se candidatará a vice-governador ou a deputado federal em 2026, ou se permanecerá prefeito até o fim de 2028. Para dentro, outro debate começa a tomar forma: abreviar a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal a 17 de fevereiro de 2026, para manter Fred Rangel (PP) presidente.
Objetivos da reeleição de Fred Rangel
A reeleição de Rangel teria dois objetivos. Por um lado, seria um obstáculo para o atual vice-prefeito Frederico Paes (MDB) eventualmente se distanciar de Wladimir, caso este realmente se afaste até abril de 2026 para aquele assumir. Por outro lado, seria uma indicação de chapa para a eleição municipal de 2028 em Campos: Fred (Paes) a prefeito e Fred (Rangel) de vice.
“Combinou com os russos?”
Gênio do futebol, Mané Garrincha é conhecido pela advertência ao técnico Vicente Feola na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, primeira das cinco conquistadas pelo Brasil. Antes de o Brasil pegar a União Soviética, então campeã olímpica, Garrincha indagou a Feola após este apresentar seu plano para vencer a defesa adversária: “O senhor já combinou com os russos?”
Juninho e Wainer na cerca
Os “russos”, no caso, não estão do outro lado do campo. Existiria um acerto interno no grupo de Wladimir para que seu líder na Câmara, o vereador Juninho Virgílio (Podemos), fosse o candidato a presidente da Câmara no segundo biênio. O cargo também estaria no radar de Wainer Teixeira (PP), vereador eleito e licenciado para ser secretário de Administração e RH.
— E aí? Rolou uma química? — inquiriu Aníbal, já sentado à mesa do boteco, copo americano de cerveja à mão e quase engasgando entre riso e lúpulo.
— Será que Trump cedeu ao decantado carisma de Lula nos segundos em que eles se cruzaram nos discursos dos dois na Assembleia Geral da ONU? — respondeu Antônio com outra pergunta, antes de sentar e pedir um copo ao garçom.
— Só depois dos dois discursos rolou a imagem de Trump, na antessala do plenário da ONU, conferindo atentamente o discurso de Lula, com tradução em tempo real. Ele ouviu todas as duras palavras do brasileiro sobre a taxação dos EUA pelo mundo e o genocídio do povo palestino promovido dolosamente por Netanyahu na Faixa de Gaza, com apoio dos EUA. Como ouviu que o Brasil não aceita ingerência de poder estrangeiro em sua soberania.
— Sim. E o engraçado é que ao começar a falar do Brasil na réplica do seu discurso longo e auto laudatório, chegou a criticar a suposta perseguição do nosso Judiciário a pessoas e empresas dos EUA. Leia-se as Big Techs e seu gansgsterismo do ódio nas redes sociais. E não deu um pio sobre Bolsonaro. Só depois falou que tinha rolado a tal química com Lula para anunciar o encontro entre ambos.
— Acho que essa química se resume a dois pontos.
— Os dois pontos da borda em que os bolsominions enfiaram os dedos para se virarem pelo avesso? — indagou Antônio, enquanto também se engasgava de riso e cerveja.
— Embora em número menor a cada nova pesquisa, muitos não vão mudar.
— De fato. Primeiro foram as fake news que Trump tinha negado o visto de entrada a Lula nos EUA para falar na ONU. Desmentidos mais uma vez pelo fato, “sua excelência, o fato”, como advertia Rui Barbosa, os minions foram às redes sociais dizer que Trump colocaria Lula em seu lugar. Mas, quando Trump afagou Lula, responderam ao apito de cachorro de Dudu Bananinha para dizer que o brasileiro tinha caído numa armadilha à la Zelensky.
— O que me leva ao primeiro ponto da química.
— Diz aí.
— Estudei no Liceu e tenho muito orgulho dessa formação em escola pública. Que, além da parte acadêmica forte, preparava os adolescentes, nos intervalos entre as aulas, para a vida real sem a nutelagem de hoje. Sempre tinha aquele valentão que tentava intimidar e roubar seu lanche na saída da cantina. Se você aceitasse, teria que comprar dois lanches o resto do ano para conseguir comer um. Mas se encarasse, mesmo que levasse a pior no confronto, não seria mais importunado. Todo tirado a macho de pátio só respeita quem o encara.
— Como Bolsonaro chamando Moraes de “canalha” para depois, na frente dele, pedir desculpas e convidá-lo para ser seu vice? — arguiu novamente Antônio, em outra engasgada de riso e cerveja.
— Trump encarnou Fidel Castro, falou uma hora na ONU e meteu pau em todo mundo. Ele só elogiou dois líderes. Quem foram?
— Além de Lula? Não lembro. Quem foi?
— Lula e Putin. Porque são os dois que encaram Trump. Não aceitam ter o lanche roubado na cara dura. Nunca arregaram para o “valente”. E por isso têm o seu respeito. Esse é o primeiro ponto. E é universal. Vale do Liceu a qualquer outro pátio escolar da geopolítica.
— Tem lógica, sim. E o segundo ponto?
— O segundo ponto foi o empresário que gravou Temer, quando o então presidente disse em 2017: “Tem que manter isso, viu?” Foi o mesmo Joesley Batista que, depois de ser preso naquela confusão, se encontrou com Trump na Casa Branca no início de setembro, antes da química da ONU. E explicou ao Laranjão que se ele continuasse a tretar com o Brasil, a carne do hambúrguer ia ficar mais cara nos EUA.
— E a carne bovina nos EUA já está bem cara.
— No país em que até churrasco de família é com carne de hambúrguer. Gigante do ramo da proteína animal, no Brasil e nos EUA, Joesley falou na língua que Trump entende. E, com ela, também falou bem de Lula.
— Enquanto isso, os “intindidos” de política e até de geopolítica apostam na armadilha em que Trump já humilhou Zelensky aos olhos do mundo.
— Com Trump, nada pode ser desconsiderado. Ele usa o caos como método. E, mesmo que minta como o mesmo pudor com que respira, é um grande comunicador. É como Polônio advertiu sobre Hamlet: “Parece loucura, mas há método”.
— Sim. E, se há método, a loucura é só simulação para se atingir um objetivo pragmático.
— É isso. Mesmo que Trump esteja mais para Iago do que para Hamlet.
— Difícil explicar Shakespeare aos muares posando de “intindidos” em geopolítica das redes sociais.
— Nasceram e morrerão dispostos a entregar o lanche de bom grado. E a ainda agradecerem, usando a bandeira de quem o tomou. Vale a esses pobres coitados a didática de Jim Carville, ex-assessor da campanha de Bill Clinton a presidente dos EUA no início dos anos 90: “É a economia, estúpido!” — parafraseou Aníbal, antes de desviar os olhos ao chão ao lado da mesa e contabilizar nos cascos vazios quantas cervejas tinham rolado até ali.
A Ipespe também mediu a aprovação dos três Poderes. No qual o Executivo comandado por Lula (PT) superou numericamente, ainda que no empate técnico na margem de erro, a desaprovação. De julho a setembro, a aprovação ao Lula 3 cresceu 7 pontos: de 43% aos atuais 50%. E a desaprovação caiu 3 pontos no mesmo período: de 51% aos 48% de hoje.
Corte ideológico e socioeconômico
No corte ideológico do eleitor, o governo Lula é aprovado por 95% dos que se identificam à esquerda (4% desaprovam), 49% ao centro (45% desaprovam) e 10% à direita (88% desaprovam). No corte socioeconômico, o Lula 3 é aprovado por 52% dos pobres (48% desaprovam), 51% da classe média (46% desaprovam) e 16% dos ricos (84% desaprovam).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe
Leitura do Lavareda
“A inflação de alimentos cedeu. O mau humor por conta de supermercado foi diminuindo significativamente (…) O julgamento de Bolsonaro também contribuiu a uma leitura mais positiva do governo Lula. A PEC da Blindagem criou uma reação popular e levou a, digamos, um caldo de cultura onde a popularidade do presidente também cresceu”, explicou o cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe.
STF melhora aprovação após condenar Bolsonaro
A Ipespe também mediu a opinião popular sobre o STF. Sua aprovação cresceu 3 pontos dos 43% de julho aos 49% de setembro, após a condenação (confira aqui) de Bolsonaro. No mesmo período de dois meses, a desaprovação do brasileiro ao STF recuou 5 pontos: de 49% aos 44% atuais.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Câmara desaprovada por 70%
A pesquisa Ipespe também mediu que a Câmara dos Deputados cresceu 7 pontos na desaprovação: de 63% em julho a 70% dos brasileiros em setembro. A aprovação caiu 6 pontos: de 24% aos atuais 18%. “Ao motim no plenário em agosto, somou-se a PEC da Blindagem, produzindo um desgaste significativo na imagem da Câmara”, disse Lavareda.
Pesquisa mais recente de setembro, a Ipespe também revelou a ampla maioria da população contrária à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, popularmente chamada de PEC da Bandidagem. Que foi aprovada na Câmara dos Deputados no dia 17 (confira aqui) e sepultada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado (confira aqui) na quarta (24).
Contra PEC e anistia nas ruas
Na Ipespe, 72% dos brasileiros são contrários à PEC, com apenas 22% favoráveis. Com o objetivo de blindar parlamentares e presidentes de partido de investigações criminais, ela gerou manifestações de repúdio no último domingo (21), também contrárias à anistia a Bolsonaro, em todas as 27 capitais do país, além de cidades do interior, como Campos.
Ruas de 7 e 21 de setembro
Na av. Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, na cidade do Rio, as manifestações contra a anistia e a PEC da Blindagem tiveram público semelhante (confira aqui e aqui) aos atos que pediram a anistia a Bolsonaro em 7 de setembro. Mas superaram estes (confira aqui) em engajamento gerado nas redes sociais, território que a direita dominava desde a eleição de Bolsonaro a presidente em 2018.
Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte
PEC sepultada e anistia estreitada
A reação popular assustou o Congresso. Onde a PEC da Blindagem foi sepultada e os caminhos à anistia estreitados. Hoje, o objetivo real desta é tentar diminuir a pena de Bolsonaro. Presidente da Assembleia Nacional que pariu a Constituição Federal de 1988, Ulysses Guimarães advertia: “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua”.
Cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe
Leitura do Lavareda
“A pesquisa (Ipespe) ajuda a entender a dimensão que os atos do domingo, 21, alcançaram. Há muito não se via um rechaço tão contundente da opinião pública a uma iniciativa da Câmara Federal, que se colocou na contramão do sentimento da sociedade”, resumiu o cientista político Antônio Lavareda, diretor do Ipespe.
A maioria de 46% dos brasileiros é contra a anistia aos condenados no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. Os que querem a anistia geral que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são uma minoria de 28%. Outros 18% querem uma anistia parcial, que reduzisse a pena só dos peixes pequenos dos atos golpistas.
Nova pesquisa Ipespe
Foi o que revelou a pesquisa Ipespe divulgada esta semana e realizada de 19 a 22 de setembro, com 2.500 eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E confirmou a maioria da população brasileira contra a anistia que já tinha sido revelada por três outras pesquisas nacionais de setembro, com institutos e metodologia diferentes.
Maioria contra anistia na Atlas e na Quaest
Na Atlas, feita de 10 a 14 de setembro com 7.291 eleitores, 57% dos brasileiros são contra a anistia, com 40,6% a favor. Na Quaest (confira aqui), feita de 12 a 14 de setembro com 2.004 eleitores, 41% são contra a anistia, com 36% a favor para todos, incluindo Bolsonaro, e 10% a favor só para os presos pela invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Maioria contra anistia na Datafolha
Já pela Datafolha (confira aqui), feita de 8 a 9 de setembro com 2.005 eleitores, 61% dos brasileiros são contra a anistia, com 33% a favor. No agregado, a maioria da população contrária à anistia varia entre 41% e 61%. Com uma minoria, ainda relevante, variando entre 28% e 40,6% dos que se dizem favoráveis a uma anistia que inclua Bolsonaro.
Antes, durante e após condenação de Bolsonaro
Outro dado relevante é que a Datafolha foi feita antes da condenação de Bolsonaro (confira aqui) a 27 anos e 3 meses de prisão na 1º Turma do STF, por 4 votos a 1, no dia 11 de setembro. A Atlas foi feita antes, durante e após a condenação. Enquanto a Quaest e a Ipespe foram integralmente feitas após a condenação do ex-presidente e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Leitura do estatístico
“Na Ipespe, prevaleceram os contrários a qualquer tipo de anistia: 46% dos brasileiros. Essa posição é compartilhada por eleitores de esquerda, centro e direita, assim como pobres, classe média, ricos, eleitores que não votaram ou que votaram em Lula no 2º turno de 2022”, detalhou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
No meio da bipolaridade política do Brasil, o debate em bom nível entre esquerda e direita é não só possível, como necessário. Neste sentido, o cientista político George Gomes Coutinho e o especialista em finanças Igor Franco, professores, respectivamente, da UFF-Campos e do Uniflu, fecham a semana do Folha no Ar nesta sexta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Os dois analisarão o papel do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), nas eleições do RJ em 2026, bem como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.
Igor e George também analisarão as manifestações de rua no Brasil em setembro, pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 7 e contra essa mesma anistia no dia 21, entremeadas com a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado no dia 11. Tudo antes (confira aqui) da “química” (confira aqui, aqui e aqui) entre os presidentes dos EUA e do Brasil, respectivamente, Donald Trump e Lula (PT).
Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, os dois professores tentarão projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Indicados ao Grammy Latino de melhor álbum de tango, o bandoneonista argentino Richard Scofano, o pianista uruguaio Alfredo Minetti e o produtor musical campista Cristiano Simões são os convidados do Folha no Ar nesta quinta, ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.
Os três falarão da perspectiva com a indicação (confira aqui) do álbum “Shin-Urayasu”, com cinco composições originais para bandoneón, ao Grammy Latino, que será entregue em 13 de novembro, em cerimônia na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas.
Richard, Alfredo e Cristiano também analisarão da importância da música latino-americana e, especificamente, do tango, estilo de música e dança nascido na Argentina e no Uruguai, no cenário musical de hoje.
Por fim, Cristiano e Alfredo falarão da influência de Campos em suas vidas e obras. O primeiro, campista, enquanto o segundo viveu na cidade quando era criança, nos anos 1970.
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Donald Trump e Lula falando ontem na ONU, após a av. Paulista receber a manifestação pela anistia a Bolsonaro com a bandeira dos EUA em 7 de setembro, e contra a anistia com a bandeira do Brasil em 21 de setembro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Setembro desastroso ao bolsonarismo
A um ano da urna de 4 de outubro de 2026, setembro de 2025 tem sido desastroso ao bolsonarismo. Começou com a bandeira dos EUA na manifestação da av. Paulista pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 7 de setembro. E, de revés em revés, seguiu até ontem (23) com o afago de Donald Trump (confira aqui) a Lula (PT) na Assembleia Geral da ONU.
“Ótima química” de Trump com Lula
“Eu estava entrando (no plenário da ONU) e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nos abraçamos. Concordamos que nos encontraríamos na semana que vem (…) Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele (…) Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química”, garantiu Trump. Que discursou na ONU em sequência à fala de abertura de Lula.
No dia 11, condenação no STF
Da bandeira dos EUA na manifestação bolsonarista pela anistia no dia 7 à fala elogiosa do presidente dos EUA a Lula na ONU do dia 23, foram vários fatos políticos relevantes. Pode parecer mais tempo. Mas foi no dia 11, por exemplo, que Bolsonaro foi condenado (confira aqui) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, na 1ª Turma do STF, por 4 votos a 1.
No dia 17, PEC da Blindagem e PL da Anistia
No dia 17, uma Câmara dos Deputados presidida por Hugo Motta (REP/PB) e dominada pelo Centrão aprovou (confira aqui) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem a parlamentares e presidentes de partido. Como o caráter de urgência ao Projeto de Lei (PL) para anistia de Bolsonaro e outros condenados pela tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023.
No dia 21, reação contra blindagem e anistia
Já na noite do dia 17, a PEC da Blindagem passou a ser tratada popularmente da Bandidagem. E, com pouco mais de três dias de mobilização, gerou manifestações no último domingo (21) contra ela e a anistia aos condenados no STF por tentativa de golpe de Estado, em todas as 27 capitais brasileiras. Campos, como no 7 de setembro bolsonarista, não foi exceção no dia 21.
Números dos atos de 7 e 21 de setembro
Com medição da USP nos dois principais pontos das manifestações nacionais, a do dia 7 levou 42,2 mil pessoas pela anistia a Bolsonaro à av. Paulista, quase igual aos 42,4 mil contra a anistia (confira aqui) e a PEC da Blindagem no dia 21. Já na av. Atlântica, na orla de Copacabana, a anistia reuniu 42,7 mil no dia 7, também quase igual aos 41,8 mil contra a anistia (confira aqui) no dia 21.
Direita perde domínio das ruas?
Em público real, as manifestações dos dias 7 e 21 foram parelhas. Mas há três pontos de desvantagem à direita. Que dominava as manifestações de rua no país há 11 anos, desde 2014, contra o governo Dilma Rousseff (PT), até gerar o impeachment desta em 2016. O 2º ponto? Na Paulista, a gigantesca bandeira dos EUA no dia 7 deu lugar a uma do Brasil no dia 21.
Direita entrega bandeira do Brasil à esquerda
Com um “SEM ANISTIA” no lugar do “ORDEM E PROGRESSO”, a bandeira do Brasil foi dada de presente à esquerda pelo bolsonarismo em 2025. Como a bandeira vermelha do PT serviu à apropriação da brasileira por Bolsonaro no 1º turno presidencial de 2018. No 2º turno, quando o petista Fernando Haddad tentou retomar as cores nacionais na campanha, era tarde demais.
Perda de domínio das redes sociais
Na comparação entre as manifestações, houve ainda o 3º ponto desfavorável à direita. Que, também desde 2018, dominava as redes sociais. Na medição da Palver, até as 18h do dia 21, o engajamento nos grupos públicos de WhatsApp pela manifestação contra a anistia (confira aqui e aqui) superou o do dia 7. A cada 100 mil mensagens trocadas, 865 foram do ato do dia 21, contra 724 do dia 7.
Melhor definição pelo humor
Após tantos reveses, até onde goleava a esquerda há anos, os do bolsonarismo não se resumiram ontem ao afago de Trump a Lula. Que, na direita brasileira, foi melhor definida (confira aqui) pelo humor do Sensacionalista: “Bolsonarista incendeia estátua da liberdade da Havan após Trump dizer que gosta de Lula”.
Motta desce do muro e complica o 03
Alvo das manifestações do dia 21 tanto quanto Bolsonaro, Hugo Motta desceu do muro. Ontem, barrou a indicação da oposição para fazer Eduardo Bolsonaro (PL/SP) líder da minoria da Câmara e preservar seu mandato do deputado. E a Comissão de Ética abriu processo (confira aqui) por quebra de decoro contra o 03, por agir nos EUA contra os interesses e instituições do Brasil.
Trump ouviu palavras duras de Lula
Líder em todas as pesquisas à reeleição (confira aqui e aqui) em 2026, desde que Trump ameaçou em julho taxar o Brasil por conta do julgamento de Bolsonaro no STF, Lula saiu fortalecido ontem da ONU. Onde fez discurso duro contra as tentativas de ingerência dos EUA nos assuntos internos do Brasil. Que foi assistido atentamente, com tradução em tempo real, pelo presidente dos EUA.
Zelensky recomenda cautela
Pelo modo errático de Trump, não se sabe se o encontro com Lula ocorrerá. E, se ocorrer, em que termos. O constrangimento imposto na Casa Branca em fevereiro ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recomenda cautela. Mas foi um avanço na relação entre os dois países aliados. Desde que os EUA reconheceram, em 1824, a independência do Brasil.
Senado contra defesa de bandido na Câmara
Para finalizar o péssimo dia de um péssimo mês à direita, na noite de ontem o senador Alessandro Vieira (MDB/SE), relator da PEC da Blindagem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Alta da República, deu parecer (confira aqui) para sepultar a pretensão da Câmara Baixa. Também delegado de Polícia, Vieira definiu (confira aqui) a PEC: “Foi desenhada para defender bandido”.
Antropólogo e professor da UFF-Campos, Carlos Abraão Moura Valpassos é o convidado do Folha no Ar nesta quarta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele analisará as manifestações de rua no Brasil, pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 7 de setembro, contra essa mesma anistia e a PEC da Blindagem (confira aqui) em 21 de setembro, entremeadas com a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado no dia 11. Tudo antes dos discursos seguidos hoje (23) na ONU dos presidentes do Brasil e dos EUA, em que Donald Trump anunciou (confira aqui) um encontro com Lula na próxima semana.
Abraão também analisará o papel do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), nas eleições do RJ em 2026, bem como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.
Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Advogado, empresário, produtor rural e comentarista político, Edmar Ptak é o convidado do Folha no Ar nesta terça (23), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele falará sobre as definições para 2026 do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.
Com base nas pesquisas mais recentes, Edmar também tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.
Por fim, ele analisará a questão entre direita e esquerda no Brasil após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado em 11 de setembro. E após as manifestações nacionais bolsonarista do 7 de setembro e a realizada ontem (21) contra (confira aqui) o PL da anistia e a PEC da Blindagem.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Em fase de recuperação desde 9 de julho, quando foi anunciada a taxação dos EUA de Donald Trump sobre o Brasil por conta do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF, o Lula 3 bateu teto na aprovação de governo ou continua a recuperá-la? Hoje, a pouco mais de um ano da urna, Lula (PT) é favorito ou não à reeleição? E quem seria seu adversário mais competitivo?
Contradição na aprovação de governo (I)
Nas duas últimas pesquisas nacionais de setembro, a recuperação na aprovação de governo é contraditória. Na série Quaest, o Lula 3 patinou de agosto a setembro: tinha e manteve tanto a maioria de 51% de desaprovação quanto a minoria próxima de 46% de aprovação.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Contradição na aprovação de governo (II)
Na série Atlas, no entanto, o Lula 3 melhorou: dos 47,9% de aprovação em julho aos 50,8% de setembro, com a desaprovação caindo no mesmo período de 51% aos atuais 48,3%.
Lula liderou todos os cenários Quaest
A situação de Lula pareceu melhor nas consultas eleitorais das duas pesquisas. Na Quaest de setembro, o atual presidente liderou, fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, todos os oito cenários ao 1º turno e todos os nove ao 2º turno.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula liderou todos os cenários Atlas
Na Atlas de setembro, o líder petista também liderou, também fora da margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, todos os três cenários ao 1º turno e os sete ao 2º turno.
Tarcísio é o adversário mais competitivo?
Nas duas pesquisas, o adversário mais competitivo contra Lula a presidente, em um eventual 2º turno, hoje seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). Na Quaest, Lula teve 43% contra 35% de Tarcísio na simulação de 2º turno, diferença de 8 pontos. Na Atlas, Lula teve 50,6% contra 45,2% de Tarcísio na simulação de 2º turno, diferença de 5,4 pontos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ciro Gomes x Lula?
Nas simulações de 2º turno da Quaest, só Ciro Gomes (PDT) teve desvantagem numérica menor que a de Tarcísio contra Lula: 40% deste contra 33% do ex-governador do Ceará, diferença de 7 pontos. Mas Ciro não é considerado de direita nem e é, até aqui, cogitado como candidato a presidente em 2026.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ratinho Jr. x Lula?
Ainda nas simulações de 2º turno da Quaest, abaixo de Ciro e Tarcísio, o melhor desempenho contra Lula foi do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD): 32% contra 44% do atual presidente, diferença de 12 pontos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula x Bolsonaro, Zema e Michelle na Quaest
Contra Bolsonaro, hoje inelegível até 2060, Lula venceria o 2º turno na Quaest por 47% a 34%, diferença de 13 pontos. Foi mesma diferença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em um 2º turno contra o líder petista: 45% deste a 32%. Contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Lula a bateria no 2º turno por 47% a 32%, diferença de 15 pontos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula x Bolsonaro, Michelle, Zema e Ratinho Jr. na Atlas
Já na Atlas de setembro, abaixo de Tarcísio, os melhores desempenhos contra Lula em um eventual 2º turno foram de Bolsonaro (7 pontos atrás: 44,8% contra os 51,8% do petista), de Michelle (7,3 pontos atrás: 44,6% contra 51,9%), Zema (14,7 pontos atrás: 36,7% contra 51,4%), Ratinho Jr. (16,7 pontos atrás: 34,9% a 51,6% do atual presidente).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição é calcanhar de Aquiles de Lula
Apesar da vantagem presente de Lula em todas as simulações Quaest e Atlas aos 1º e 2º turnos de 2026, há índices favoráveis à oposição. Na Quaest, entre conhecimento e rejeição, Lula só é desconhecido por 2% dos brasileiros, enquanto 46% conhecem e votariam nele. A maioria de 52%, porém, conhece e não votaria, rejeição proibitiva à eleição em um 2º turno.
Bolsonaro é campeão de rejeição
Lula só foi superado na medição de rejeição da Quaest por Bolsonaro, desconhecido por apenas 4% dos brasileiros, em quem outros 32% conhecem e votariam, mas intransponíveis 64% conhecem e não votariam.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O espaço de Tarcísio
Já em Tarcísio, 26% conhecem e votariam, enquanto outros 40% conhecem e não votariam. Mas o governador paulista ainda é desconhecido para relevantes 34% dos brasileiros, espaço para crescer que Lula e Bolsonaro não têm.
O muro de Tarcísio
A Atlas, no entanto, revelou a maior dificuldade de Tarcísio numa eleição presidencial. Se a sua postura for a que adotou no discurso do último 7 de setembro — “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes (…) Vamos para a vitória, vamos para a anistia” — proibitivos 54% dos brasileiros, com certeza, não votariam nele.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
João Paulo Granja, advogado
Lula surfa Trump
“Passados dois meses da taxação de produtos brasileiros, além de outras sanções impostas pelos EUA, todas de caráter político, para tentar constranger o STF a absolver o ex-presidente do Brasil, parece que os louros colhidos pelo presidente Lula chegaram ao seu ápice. O que se extrai das pesquisas realizadas de julho a setembro”, resumiu o advogado João Paulo Granja.