Pesquisa Pro4 — Por que Chicão cresceu e deve crescer ainda mais?

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Quer saber como a segunda parte da pesquisa do instituto Pro4 prova o crescimento da candidatura a prefeito de Dr. Chicão e o atrela à melhora do governo Rosinha Garotinho (PR) nos últimos dois meses? Ou por que esse crescimento nas intenções de voto ainda deve subir pelo menos mais de 10 pontos percentuais, mesmo que seja improvável a vitória governista em turno único?

Então leia amanhã (12) a edição da Folha da Manhã.

 

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Ranulfo analisa pesquisa: “cidade está diante de candidaturas de bom nível”

Além das tentativas de interpretação feitas aqui, na coluna “Ponto Final” de hoje, outras leituras lúcidas foram realizadas sobre a última pesquisa Pro4 à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Mesmo a partir só dos dados preliminares resumidos aqui, na madrugada de hoje, como chamada à matéria completa, só publicada aqui no final da manhã neste blog, foi o caso da análise do economista Ranulfo Vidigal, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais.

Confira abaixo sua transcrição:

 

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DEU NA FOLHA DA MANHÃ.

Segundo a pesquisa do instituto Pro-4, feita em de 6 de agosto, ouvindo 620 pessoas das sete zonas eleitorais do município, o candidato a prefeito governista Dr. Chicão (PR) passou a liderar a corrida à sucessão na cidade do açúcar e do petróleo, tanto na consulta espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ele ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%).

Ainda segundo o Blog do Aluysio, quem também registrou um expressivo aumento nas intenções de voto foi o deputado estadual Geraldo Pudim, que encostou no grupo da frente ao crescer 6,1 pontos percentuais entre as estimuladas de junho e agosto – evidenciando sua aliança com o médico Arnaldo Vianna..

Começa na próxima semana a campanha eleitoral no rádio e na televisão, onde o candidato do PR terá um bom tempo de exposição, seguido de perto pelo candidato do PDT, vindo na sequência o candidato do PMDB, e do DEM e com pouco tempo de exposição na televisão o candidato do PPS. O debate vai ser acirrado e não dá para afirmar, sequer, qual deles vai para o segundo turno. Dado que a proporção espontânea da escolha é ainda muito baixa, mas uma coisa é inegável, a cidade está diante de candidaturas de muito bom nível — todas capazes de enfrentar a carência de recursos e a estagnação econômica que vão predominar em 2017, com um Orçamento 600 milhões menor, em relação aos 2,2 bilhões estimados para 2016. Muitas paixões e interesses estarão em jogo nos próximos 45 dias.Vida que segue.

 

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Pro4: Chicão lidera sucessão de Rosinha na espontânea e estimulada

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Quem duvidava da força da máquina ou do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), que repense suas certezas. A exatos 52 dias das urnas de 2 de outubro, o candidato governista Dr. Chicão (PR) assumiu a liderança na corrida à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Na nova pesquisa do instituto Pro4, com 620 eleitores das sete zonas eleitorais do município, encomendada pela Folha da Manhã e realizada em 6 de agosto (último sábado), Chicão liderou tanto a consulta espontânea (4,8%), quanto a estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT), que bateu 13,7%; Rafael Diniz (PPS), com 13,2%; e Geraldo Pudim, com 11,1%. Atrás, apareceram Nildo Cardoso (DEM), com 4,2%; e Rogério Matoso (PPL), com 2,9%.

Após a definição da candidatura governista em 27 de julho, Chicão parece ter sido alavancado pela força de uma máquina municipal que ganhou gás com o empréstimo (aqui) de R$ 367 milhões da terceira “venda do futuro”, a ser pago até 2026. Mesmo sendo o mais popular entre os então pré-candidatos rosáceos, na consulta estimulada anterior, feita (aqui) entre 8 e 10 de junho, o vice-prefeito ficou apenas com 8,4%, em quarto lugar na corrida a prefeito. Embora aquele cenário tivesse como possíveis candidatos os vereadores Tadeu Tô Contigo (PRB), que desistiu (aqui) apesar da segunda posição com 13,4%; e Mauro Silva (PSDB), que bateu 1,9% e virou vice na chapa de Chicão; o crescimento deste nos últimos dois meses foi o maior entre os seis candidatos que de fato disputarão a Prefeitura: 9,2 pontos percentuais.

Mas se a força da máquina se faz representar no crescimento de quase dois dígitos inteiros de Chicão, quem também cresceu substancialmente foi Geraldo Pudim, passando dos 5% da pesquisa Pro4 anterior para 11,1%, na mais recente. A evolução de 6,1 pontos percentuais evidencia a popularidade e capacidade de transferência do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), que no final de julho deu (aqui, aqui e aqui) seu apoio à candidatura do deputado estadual do PMDB a prefeito de Campos. E, ao fazê-lo (aqui) com críticas abertas à candidatura de Caio Vianna, Arnaldo parece ter prejudicado seu único filho, que passou da liderança anterior de 15,2% para a segunda posição, com seus atuais 13,7% — pequena queda de 1,5 ponto percentual.

Quem ganhou quase a mesma coisa que Caio perdeu foi o vereador Rafael Diniz. Nos últimos dois meses, ele passou dos 11,3% de junho para os atuais 13,2%, num acréscimo de 1,9 ponto percentual. Crescimento igual ou muito semelhante ao que também apresentaram o vereador Nildo Cardoso, de 2,3% para 4,2% (idêntico 1,9 ponto percentual); e o ex-vereador Rogério Matoso, que passou de 1,1% a 2,9% (1,8 ponto percentual).

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mas se a consulta estimulada das intenções de voto revela quem subiu e caiu nos últimos dois meses de pré-campanha, a espontânea desnuda o muito que ainda há em aberto na cabeça de um eleitor a pouco mais de 50 dias de escolher seu próximo governante: 79,7% — ou oito entre cada 10 campistas — ainda não sabem responder em quem votarão (68,1%), ou afirmam que irão fazê-lo em branco ou nulo (11,6%).

Diante desse quadro de indefinição, um dado importante para avaliar as possibilidades de crescimento é a rejeição dos candidatos. Pudim continua liderando com sobras o índice negativo, com 28,1%, seguido de Chicão (17,4%), Nildo (5,5%), Caio (5,3%), Rogério (3,9%) e Rafael (3,2%). Para 8,9% dos campistas, a rejeição é a todos.

 

Página 2 da edição de hoje (11) da Folha
Página 2 da edição de hoje (11) da Folha

 

Publicado hoje (11) na Folha da Manhã

 

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Chicão na frente — Largada oposta à que oposição esperava ter

Ponto final

Máquina e Arnaldo

Como dito logo na abertura da matéria da página 2, a nova pesquisa Pro4, feita em 6 de agosto e encomendada pela Folha da Manhã, ouvindo 620 eleitores das sete zonas eleitorais do município, reforça no contraste com a consulta anterior do mesmo instituto, realizada (aqui) entre 8 e 10 de junho, o que todo campista sabia há muito tempo: a força da máquina municipal e a do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) são protagonistas no eleitorado goitacá. Não por outro motivo, os candidatos da primeira, Dr. Chicão (PR), e do segundo, Geraldo Pudim (PMDB), exibiram os dois maiores crescimentos de intenções de voto nos últimos dois meses.

 

Garotinho dá voto de Tadeu a Chicão

O maior crescimento foi o de Chicão. Entre junho e agosto, ele passou de 8,4% para 17,6%, num impressionante crescimento de quase dois dígitos inteiros: 9,2 pontos percentuais. Isso mostra que o secretário municipal de governo Anthony Garotinho fez (aqui) uma jogada de mestre, primeiro ao colar sua imagem na TV (aqui e aqui) à do vereador e então pré-candidato a prefeito Tadeu Tô Contigo (PRB), que depois seria obrigado a desistir (aqui) da pretensão pelo senador Marcelo Crivella (PRB), em troca do apoio do PR na sua disputa à Prefeitura do Rio. Como era de se esperar, pelo perfil do eleitorado de Tadeu, sua mais generosa fatia coube ao candidato da máquina.

 

Pudim cresce, mas rejeição…

Quem também cresceu muito, mas menos, foi Pudim. Após ter recebido no final de julho (aqui, aqui e aqui) o apoio de Arnaldo, de quem foi vice-prefeito e depois figadal adversário, o deputado estadual passou 5% para 11,1% — evolução de 6,1 pontos percentuais na sua conhecida pretensão de ser prefeito. O problema do candidato do PMDB é que, apesar da subida substancial nas intenções de voto, ele continua liderando por larga margem o índice negativo da rejeição. E o fato de 28,1% dos campistas não votarem de jeito nenhum em Pudim a prefeito, dão teto ao seu crescimento e chances reais num eventual segundo turno.

 

Único a perder

Mas se ajudou a Pudim, Arnaldo parece ter causado danos à candidatura majoritária do seu único filho, cuja maturidade ao cargo questionou (aqui) publicamente. Entre todos os seis que ficaram na briga pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — no contraste com a pesquisa induzida de junho, entre 11 pré-candidatos —, Caio Vianna foi o único que não herdou intenção de voto de ninguém e o único a perder. Ainda assim, dentro da margem de erro, seus atuais 13,7% mantiveram o jovem pedetista em empate técnico tanto com o governista Chicão, a quem cedeu a liderança, quanto com os oposicionistas Rafael Diniz (PPS), com 13,2%, e Pudim.

 

Ânimo e desânimo

Além do pequeno aumento de 1,9 ponto percentual na consulta estimulada, entre os 11,3% de junho e os 13,2% de intenção de voto atuais, Rafael pode também comemorar a expressiva segunda colocação na espontânea (4,5%) e a menor rejeição (3,2%) entre todos os seis candidatos. Parece um cenário mais animador do que o de Nildo Cardoso (DEM) e Rogério Matoso (PPL) que também registraram pequeno crescimento na estimulada, mas correm descolados do bloco da frente. Como desanimador para toda a oposição é o fato de que Chicão liderou também na espontânea, com 4,8%.

 

Oposto à oposição

Ainda falta definir a posição do PT — e seu cobiçado (aqui) tempo de propaganda — no pleito municipal, embora o indicativo seja (aqui) de que o partido vai manter o resultado da sua convenção municipal e apoiar Caio. Se conseguir, será a segunda derrota dessa pré-campanha estendida que o filho de Arnaldo terá imposto a Garotinho, após vencer (aqui) a queda de braço com este pelo apoio do PSB. Mas começar os 35 dias de uma campanha curta, entre 27 de agosto e 30 de setembro, com Chicão liderando já na estimulada e na espontânea, é um cenário oposto ao que a oposição esperava encontrar no tiro de largada.

Publicado na edição de hoje (11) da Folha da Manhã

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Chicão cresce e lidera sucessão de Rosinha na estimulada e espontânea

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Segundo a pesquisa do instituto Pro4, feita em de 6 de agosto, ouvindo  620 pessoas das sete zonas eleitorais do município, o candidato a prefeito governista Dr. Chicão (PR) passou a liderar a corrida à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), tanto na consulta espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ele ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%).

Em comparação com a consulta estimulada anterior do Pro4, realizada (aqui) entre 8 e 10 de junho, o crescimento de Chicão nos últimos dois meses foi de 9,2 pontos percentuais, quase dois dígitos inteiros. Quem também registrou um expressivo aumento nas intenções de voto foi Pudim, que encostou no grupo da frente ao crescer 6,1 pontos percentuais entre as estimuladas de junho e agosto.

 

Leia a reportagem completa, com vários outros dados da pesquisa, na edição (11) da Folha da Manhã, daqui a pouco na banca e na casa do assinante 

 

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Sucessão de Rosinha — Última pesquisa na Folha desta quinta

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Nas corrida pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), dois candidatos apresentaram consistentes crescimentos nas intenções de voto. Quer saber quem são?

Então leia a edição de amanhã (11) da Folha da Manhã, que divulgará os resultados da última pesquisa do instituto Pro4, encomendada pela Folha e realizada no último dia 6, com 620 eleitores, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 01005/2016.

 

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Guilherme Carvalhal — Cemitérios

Colaborador quinzenal do blog às quintas-feiras, em rodízio com a Paula Vigneron, o escritor e jornalista itaperunense Guilherme Carvalhal pede para avisar que, no próxima sábado (13), ele estará na Bienal do Livro de Campos, no estande da Associação de Imprensa Campista (AIC), às 19h, no evento “Autor com cachaça”. Coicindência ou não, a primeira convidada do mesmo evento, na abertura da Bienal do último sábado (6), foi a Paula:

— É uma excelente iniciativa, que ajuda a divulgar os escritores de Campos e da região! — ressaltou a também escritora e jornalista.

Abaixo, enquanto Carvalhal não desce o rio Muriaé em sua afluência com o Paraíba do Sul, segue seu conto:

 

Carvalhal 10-08-16

 

 

Assusta aos frequentadores o constante estalar de ossos enterrados. Há um regurgitar subterrâneo inexplicável, capaz de causar as mais distintas teorias. Dizem originar-se dos mortos com assuntos não resolvidos do nosso lado e seu movimentar significa uma necessidade de se justificarem ou de acertarem as contas. Outros afirmam se tratar da inveja, de passivamente testemunharem a satisfação dos vivos com os comensais materiais e eles, eternamente soterrados na penúria e na escuridão, gritavam amargurados por uma existência à qual não mais pertenciam.

Muitos cientistas tentaram encontrar uma solução para esse fenômeno. Puseram imensos e potentes estetoscópios ligados a um computador para captar a origem sonora e pouca coisa tal instrumento revelou. Utilizaram de sonares e demais mecanismo de mensuração, sem nada de estranho apontar. Um grupo chegou com uma escavadeira querendo ir a fundo na solução do mistério, mas os moradores bloquearam sua entrada, preservando o sossego de seus finados.

À parte o efeito assustador do fenômeno, muitos encontraram algum divertimento e lidavam com plena naturalidade. Havia quem ali sentasse a apreciasse os ruídos ósseos à maneira como se ouvia piar de passarinho. Uma professora de música começou a percorrer batendo com sua baqueta por diversos pontos, querendo adestrar os restos mortais em ritmo uníssono e arranjar a primeira orquestra póstuma da história. Ela também chegou a transcrever as notas em partitura, ansiosa por reproduzir a legítima música fúnebre.

O mais curioso estava nos entes dos cadáveres. Esses, não se sabe se por misticismo ou por alienação mental, afirmavam compreender perfeitamente as mensagens transmitidas por um modelo semelhante ao código morse. Captavam o barulho e redigiam seus textos, acumulando mensagens a garranchos em seus armários.

Um certo clima de saudosismo se perpetuava. Os mortos nem pareciam assim tão mortos. Um senhor me confessou sua sensação e essa reflete o contexto geral. Afirma ele que, se os mortos de fato tocam música, é para promover uma imensa e alegre festa em seu reino.

 

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O projeto arquitetônico de João Venceslau visava a meta da total igualdade. Os croquis rabiscados estabeleciam plena uniformidade nas distâncias. De qualquer portão se poderia chegar a qualquer lápide com igual gasto de tempo. Pela mesma lógica, não havia diferença alguma na incidência de sol e chuva, estipuladas as posições objetivando a total simetria.

No fim das contas, o traçado ficou tortuoso. O mosaico de curvas para atrasar a chegada aos túmulos fisicamente próximos gerava reclamações. A equidade se deu por uma via pouco lógica, sendo todos identicamente afastados. Do pó ao pó, reverberava o autor da ideia, pois se após a morte cessavam as diferenças, cabia aos vivos zelar pela autenticidade dos desígnios divinos.

A perfeição desse propósito levou a um total planejamento dos velórios e dos cortejos. Autorizavam enterros apenas se houvesse exatamente 100 pessoas na cerimônia, nem mais nem menos. As famílias dos que excedessem esse total deveriam selecionar os mais distantes e proibi-los de comparecer. As daqueles cuja vida não promovesse o alento dos demais precisariam sair à cata de pessoas até obter a cota mínima. Nos casos de mendigos e pessoas sem parente, a municipalidade contratava carpideiras para dignificar o sepultamento.

Ao longo do tempo notou-se uma insistente assimetria nas visitações. Alguns defuntos arrastavam multidões a chorar, enquanto outros eternizavam-se na solidão. A disparidade feriu aos propósitos e o arquiteto pôs-se a pensar, não satisfeito em assistir à geniosidade das pessoas maculando seu tão trabalhoso esquema. Chegou a contratar mais carpideiras para atender aos isolados e calculou uma média de visitações, limitando as visitas mais volumosas. Perpetuaram-se as discrepâncias, já que diante de alguns túmulos caíam lágrimas sinceras e em outros secas gotas forçadas. O arquiteto se entristeceu e trancou-se em seu quarto por constatar que seus esforços em padronizar a estrutura  jamais alcançariam o comportamento humano.

 

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Uma estranha convergência extraplanar se testemunha nesse local. Para se entender, é preciso  começar pelas estrutura arquitetônica. A parte térrea é composta por uma espécie de mausoléu com paginação romana. Uma estrutura normal, rodeada de arbustos e begônias. Há uma entrada larga em dupla porta marmórea e em seu interior uma escada descente.

Nos níveis inferiores ocorre o mistério. Há um complexo labirinto de entradas e saídas muitíssimo bem sinalizado por placas visíveis graças a uma luz azulada existente em todos os compartimentos sem origem especificada. À medida em que se desce se descortinam informes diversos, como um setor dos atingidos da bomba de Hiroshima ou das vítima incineradas no Hindenburg. Emersos de diversos espaços geográficos, de povoados vietnamitas, bolivianos, eslovenos, quenianos e quaisquer outros locais, se faziam presentes. Os esgares dos combalidos na peste negra, nos navios negreiros e pelas tropas de Gengis Khan assomavam pelos cantos e globalizavam o luto.

Não havia um final para aquele complexo. Por mais que se perambulasse, mais novidades apareciam e mais o visitante se perdia na quantidade infinita de residentes. Explicavam aquele local como una zona de convergência de todos os falecidos do mundo. Cada pessoa morta em qualquer local e em qualquer época ali repousava. Assim, pessoas de longínquos recantos que não puderam por força maior enterrar seus entes ali compareciam atrás de alguma proximidade. Consequentemente, pelas galerias ecoavam conversas em muitos idiomas e se prestavam homenagens das mais diversas religiões.

Por mais reconfortante que seja a possibilidade de dar um destino digno aos mortos desaparecidos, reinava ali uma lamúria multiétnica, oriunda de cada ponto cardinal e chegavam preces em tons de saudade e desespero. O vórtice de melancolia tornava esse o lugar mais triste no planeta.

 

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“A decisão de manter Gil como vice de Caio é do PSB nacional”

PSB nacional

 

 

Membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário do partido n RJ, Joílson Cardoso (foto: reprodução)
Membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário do partido n RJ, Joílson Cardoso (foto: reprodução)

“A decisão de manter nossa candidatura de vice-prefeito (Gil Vianna) em apoio a Caio Vianna (PDT) não é de uma pessoa, é da direção nacional do PSB. Nós não compactuamos com o projeto do Sr. (Anthony) Garotinho (PR). Nós vamos virar uma página na história de Campos, apostando num jovem, em direção ao futuro”. Foi o que disse agora há pouco, do Rio, por telefone, o membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário fluminense do partido, Joílson Cardoso.

Segundo ele, a decisão de manter a candidatura de Gil a vice em apoio à de Caio a prefeito — articulada hoje (aqui) por Wilson Sombra, ex-aliado dos Garotinho — foi não só para confirmar o que o PSB goitacá decidiu (aqui) em sua convenção do último dia 30, como também atender ao que reza a resolução nacional nº 03 do partido:

— Essa resolução tem três pontos. O primeiro, que o PSB dispute as cidades pólo do Brasil, com mais de 200 mil eleitores. O segundo, a construção de uma candidatura que expresse o modelo de gestão, voltado à população, que o PSB defende, exitoso em grandes capitais do país, como Recife (governada por Geraldo Júlio) e Belo Horizonte (administrada por Marcio Lacerda), cujas gestões são muito bem avaliadas. O terceiro ponto da resolução nacional diz que, não havendo candidatura própria do PSB, que apoiemos aquela que tiver o viés determinado pelo segundo ponto. E é o caso de Caio, que tem uma proposta de mudança para Campos, reconhecendo os acertos e avaliando os erros de quem, temos certeza, vai suceder a partir de 1º de janeiro de 2017.

Aqui, como divulgou a jornalista Suzy Monteiro, em seu blog “Na curva do rio”, Caio Vianna também se posicionou sobre o retorno do PSB à sua candidatura na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

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Ex-namorado de Clarissa retoma PSB de Campos para Gil e Caio Vianna

 

na noite de hoje (09), site do TSE já com Gil Vianna de volta à presidência do PSB em Campos (reprodução)
Na noite de hoje (09), site do TSE já com Gil Vianna de volta à presidência do PSB em Campos (reprodução)

 

Retomada mais detalhada do TSE de Gil e e sua comissão provisória no comando do PSB (repordução)
Retomada mais detalhada do TSE de Gil e e sua comissão provisória no comando do PSB (reprodução)

 

 

Golpe e contragolpePara quem achava que tinha sido encerrada a disputa de golpes e contragolpes, entre PR e PDT, pelo apoio do PSB na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), acaba de ocorrer uma nova reviravolta: o partido em Campos voltou a ser presidido pelo vereador Gil Vianna, escolhido (aqui) em convenção, no último dia 30, como vice da chapa encabeçada por Caio Vianna a prefeito. A retomada da composição foi oficializada na noite de hoje (09), no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aberto na última sexta-feira (05), como este “Opiniões” adiantou aqui em primeira mão, esse “jogo jogado” talvez pouco ético, mas muito dinâmico, teve seu mais novo lance desferido por Wilson Sombra, ex-namorado da deputada federal Clarissa Garotinho (PR) e ex-coordenador do programa “Jovens Pela Paz” no governo estadual Rosinha (2003/07).

Considerado hábil articulador nos bastidores, Sombra conseguiu o apoio da bancada de senadores do PSB em Brasília, inclusive aqueles não muito chegados ao colega Romário Faria (PSB), para que o partido voltasse a apoiar a candidatura de Caio em Campos.

Após uma conversa de Sombra com o deputado federal Hugo Leal, presidente estadual do PSB, na tarde de hoje, o documento recolocando Gil no comando do PSB goitacá foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e, daí, ao TSE.

Informado pelo blog da nova manobra em relação ao controle e apoio do PSB para as eleições municipais, antes da sua oficialização, o vereador Mauro Silva (PSDB), candidato a vice na chapa governista encabeçada por Dr. Chicão Oliveira (PR), disse que até que isso constasse no sistema do TSE, os rosáceos não comentariam. Mas depois de mais essa reviravolta oficializada pelo TSE, não houve atendimento ou retorno às novas ligações.

 

Atualização às 19h41 para atualização das informações

 

Leia a cobertura completa dessa nova reviravolta na disputa da sucessão de Rosinha amanhã (10), na edição da Folha da Manhã

 

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PT de Campos ganha apoio para não fazer o que Garotinho quer

Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Por significar atender aos interesses do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), o PT de Campos não aceitará ser obrigado pela executiva nacional a lançar candidatura própria a prefeito de Campos. Diferente do PSB — onde a presidente estadual do partido, deputado federal Hugo Leal, roeu a corda (aqui) com a convenção municipal (30) à qual ele próprio compareceu (aqui) —, o PT goitacá ganhou (aqui) no senador Lindbergh Farias um aliado de peso para fazer valer sua convenção do dia 3, quando decidiu (aqui) apoiar a candidatura de Caio Vianna (PDT) na majoritária e fazer aliança na proporcional com PMN e PEN.

No mesmo dia da convenção do PT de Campos, antevendo a decisão pelo apoio Caio, Garotinho ligou ao presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e ameaçou (aqui) retirar o apoio do PR às candidaturas petistas a prefeito em Maricá e Japeri. Mas desde o dia 19 de julho, como revelado (aqui) pela coluna “Ponto Final”, o presidente estadual do PR já vinha ligando a Falcão, para dizer que queria que o PT de Campos caminhasse com os rosáceos, ou lançasse nome próprio a prefeito. O objetivo sempre foi evitar que candidaturas da oposição com chances reais ficassem com o generoso tempo (aqui) de propaganda eleitoral petista.

— Não vamos aceitar ameaças do “Seu” Garotinho. Historicamente, sempre fomos oposição a ele em Campos. E o PT de Campos decidiu democraticamente, em sua convenção, apoiar Caio Vianna a prefeito, candidato por um aliado histórico nosso que é o PDT, para ter a chance de eleger um vereador na aliança proporcional. Até a quarta-feira (10), estarei mergulhado na questão do impeachment da presidenta Dilma (Rousseff, PT) no Senado. Mas depois disso, vou me debruçar pessoalmente sobre essa questão de Campos. Antes mesmo da reunião do diretório nacional (marcada para o dia 15), espero ter uma solução para o problema — estimou Lindbergh.

O “problema” ao qual o senador se refere é que, no dia seguinte à convenção municipal petista e das ameaças de Garotinho, a executiva nacional do PT fez uma indicação, em reunião do dia 4, para o lançamento de candidatura própria em Campos. Mas o presidente goitacá do partido, André de Oliveira, se mostrou seguro ao afirmar ser algo contornável:

— Um indicativo não tem o grau de imposição que a executiva nacional adotou, por exemplo, no município fluminense de Queimados. Não tem o poder de anular a nossa ata de convenção. Para mim e para o PT de Campos, o que está valendo é o apoio a Caio na majoritária e a aliança na proporcional com PMN e PEN. Não levo em conta essa questão do indicativo.

Ex-vereadora e candidata a voltar à Câmara Municipal, a professora Odisséia Carvalho é uma das mais empenhadas em não se submeter o PT goitacá aos interesses de Garotinho:

— Entramos com recurso hoje (ontem) pela manhã, solicitando a revisão desse indicativo da executiva nacional. Amanhã (hoje), estarei no Rio para conversar com o (Washignton) Quaquá (presidente estadual do PT). E na quinta (11), vou a São Paulo, tratar da questão diretamente com o Rui Falcão. Se for preciso, ocupo a sede do PT em São Paulo. Mas eles não vão acabar com o PT de Campos. Candidatura própria ou apoiar Garotinho é a mesma coisa.

Apontado como opção de candidatura própria, caso o indicativo se convertesse numa intervenção sobre o PT de Campos, o professor Aleandre Lourenço diz que prefere respeitar a convenção:

— Acho que não vai ter intervenção. Sobretudo, depois da vitória de Garotinho pelo apoio do PSB. Vou ser candidato a vereador pelo PT e vou ganhar a eleição, disputando cabeça a cabeça com Odisséia e Alessandra Faez (PMN).

 

Página 2 da edição de hoje (09) da Folha
Página 2 da edição de hoje (09) da Folha

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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PSB e PT — Leal do nome ao adjetivo nas disputas da política goitacá

Ponto final

 

 

Leal?

Leal! Raras vezes o nome próprio esteve mais distante do significado do adjetivo, quanto no deputado federal batizado Hugo, que ora preside o PSB fluminense. No jogo de golpes e contragolpes entre PDT e PR pelo PSB de Campos, adiantado (aqui) desde sexta-feira (05) pelo blog “Opiniões”, se estendendo (aqui, aqui e aqui) pelo final de semana, quem parece ter levado a melhor no final foi (aqui) o presidente estadual do PR Anthony Garotinho.

 

Trabalho coletivo

De longe o melhor que há na blogosfera alinhada aos rosáceos, o Ralfe Reis foi ontem (8) o primeiro a adiantar (aqui) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia oficializado a nova executiva goitacá do PSB. Indicada pessoalmente por Garotinho, ela veio presidida por Altamir Bárbara Junior, filho e homônimo do decano vereador da base governista. E para provar que jornalismo é trabalho coletivo mesmo na competição, a postagem de Ralfe se fez ilustrar com uma montagem da Folha da Manhã, assinada por seu editor de arte, Eliabe de Souza.

 

Boi voou

Se desde domingo (07) a reportagem da Folha tentou contato com Leal, por seus números do Rio e Brasília, sem sucesso ou retorno, o deputado estadual João Peixoto (PSDC), aliado de Caio, teve mais “sorte”. Oposto mais uma vez ao nome, disse Leal: “Isso tudo é muito constrangedor, porque eu participei (aqui) da convenção do PSB em Campos que deu o apoio do partido à candidatura de Caio (Vianna, PDT) a prefeito e seu vice na chapa (vereador Gil Vianna). E estamos sofrendo toda essa pressão (de Garotinho) para mudar o diretório. Mas vou reverter isso”. Indagado se acreditou, Peixoto respondeu: “Vou repetir Paulo Feijó (PR): ‘Só falta boi voar’!”.

 

Mesmo adjetivo

Poucas horas depois, o jornalista Alexandre Bastos publicou a ata da nova convenção do PSB, na qual o partido se lançava sozinho na proporcional, dando apoio na majoritária à candidatura de Dr. Chicão (PR). Curioso que, como Leal e referendado pelo mesmo adjetivo, Caio não retornou às ligações da Folha feitas desde sexta por quem revelou a disputa. Assim como fez ontem Gil Vianna, talvez amargando o mesmo gosto que já proporcionara (aquiaqui e aqui) a Rafael Diniz, candidato a prefeito do PPS com quem antes havia empenhado a palavra de compor chapa. À espera do senador Romário (PSB), Gil acabou só, na linha do impedimento.

 

Lições

Se tiver melhor sorte com o PT, cujo apoio também disputa nos bastidores com Garotinho, Caio deverá essa aos petistas locais como André Oliveira, Alexandre Lourenço e, sobretudo, a ex-vereadora Odisséia Carvalho — que ontem ganharam o apoio do senador Lindbergh Farias, como a Folha revela em reportagem na página 2. Definido se terá ou não o generoso tempo de propaganda do PT, o jovem pedetista poderá aprender que a pré-campanha acabou. E, como seus aliados mais experientes já lhe cobram, que campanha se faz é na rua.

 

Espaço reduzido

Este ano, quem passou pela nona edição da Bienal do Livro de Campos, que acontece no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), se surpreendeu com a redução do espaço destinado aos estandes — 27, enquanto em 2014 eram 56 — e aos debates, que estão sendo promovidos apenas na Arena Cultural e no Café Literário.

 

Nomes

A ausência de nomes do cenário nacional — principalmente após o cancelamento da participação da jornalista Leda Nagle — e de mesas sobre assuntos pouco relacionados à literatura, como moda, crise e beleza, também foram outros aspectos criticados pelos visitantes campistas. À parte dessas críticas, o público tem elogiado os valores dos livros à venda no Cepop. Obras sobre diversos assuntos, como jornalismo, direito e medicina, e de literatura podem ser encontrados a partir de R$ 5.

 

Com a colaboração das jornalistas Suzy Monteiro e Paula Vigneron

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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Carol Poesia — Não conseguia transar

 

(“Menage-a-trois”, grafite e tinta grafite sobre papel de Armin Mermann)
(“Menage-a-trois”, grafite e tinta grafite sobre papel de Armin Mermann)

 

 

 

 

Não conseguia transar

 

Amava, mas não conseguia.

Sentia vontade, imaginava, queria… Mas na “hora h” simplesmente desistia.

Não estava ali.

Começava, continuava e se distraía.

O marido chorava, grunhia, não entendia.

Ela o queria, mas queria mais a poesia.

 

Então num dia ardente,

Chegou do trabalho e foi esquentar a comida.

No celular, uma sequência de Ney Matogrosso ela ouvia.

De repente, uma música diferente, uma sequência nova,

uma quentura, uma taquicardia…

Teve que se afastar do fogo, alguma coisa a acometia!

Levou-se trêmula ao tapete da sala. Caiu no chão. Se contorcia!

Se contorcia a cada verso cantado! Se contorcia ao som da melodia!

E se lanhava e se queria!

Aquela música… Uma sinfonia!

Ficou de bruços e se espremia. O tapete. Espremia.

Escapavam-lhe as sandálias, os anéis, as pulseiras, a gargantilha.

Saía-lhe o vestido, o batom, o sutiã, a roupa íntima.

Respirava com dificuldade, tremia.

Não se cabia de tanto prazer.

 

A música, que ocupava a casa inteira,

a tomara de primeira e a comia.

 

A comida queimou no fogo.

O marido chegou. Não entendia…

Ela, ofegante, com dificuldade, se levantou.

Olharam-se como nunca. Estavam nus, pela primeira vez.

 

E, finalmente, aceitaram a poligamia.

Passaram a transar a três:

ele, ela e a poesia.

 

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