Marcão e Marina em Brasília, no último dia 3 (foto: divulgação)
Principal figura do PT em Campos, desde que foi eleito vereador em 2012, o vereador Marcão vai para o Rede Sustentabilidade, criado pela ex-senadora e ex-candidata à presidente da República Marina Silva. A decisão foi acertada desde o último dia 3, quando ele se reuniu em Brasília com Marina, presidente nacional da legenda, mais o líder da bancada na Câmara Federal, deputado Alessandro Molon, e dos seus porta-vozes estaduais Ana Paula Moura e Luiz Eduardo Soares, sociólogo e ex-secretário de Segurança do governo estadual Anthony Garotinho (1999/2002).
Quem também participou do encontro na capital federal para receber o vereador campista foi o vice-prefeito de Macaé, Danilo Funke. Ele foi outro que migrou para o Rede após deixar o PT da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT), desgastado pelas investigações da operação Lava-Jato, defendidas no último domingo por 3,4 milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil, na maior manifestação política da história do país.
Em Campos, o Rede ainda não definiu oficialmente sua posição à eleição majoritária de outubro, apenas que não se coligará com o PMDB ou nenhuma legenda que dê apoio ao grupo do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR). Nos bastidores, no entanto, se especula que a mudança passaria pelo apoio do partido de Marina e, agora, de Marcão, à pré-candidatura do vereador Rafael Diniz (PPS) a prefeito.
Em seu artigo semanal na Folha, publicado na página seguinte desta edição, Marcão explicou os motivos da sua decisão:
— Estou convencido de que a mudança se tornava necessária para que tenhamos mais segurança em torno das políticas públicas que iremos defender no próximo pleito e que estaremos discutindo no momento apropriado. Estou me filiando ao partido Rede Sustentabilidade, com objetivo de ajudar a construir em nossa cidade a nova política, isso ocorre no momento de maior descrédito do sistema político, dos partidos e dos políticos. O trabalho será intenso (…) procurando trabalhar com o objetivo de sempre servir e não se servir da política.
Página 3 da edição de hoje (15/03) da Folha
Publicado hoje (15/03) na Folha da Manhã
Saiba mais aqui, no Blog do Bastos, sobre a estrutura do Rede em Campos
Zero! Na contabilidade do deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), esta é a possibilidade dele ser um “Cavalo de Tróia” do secretário municipal Anthony Garotinho (PR) na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), assim como de ser vice numa chapa de oposição que a dispute. Nas contas do pré-candidato do PMDB a prefeito de Campos, próximo de zero está o caixa do município, numa crise que, ele acredita, forçará o afunilamento das candidaturas de oposição.
(Foto de Michele Richa – Folha da Manhã)
Pudim “Cavalo de Tróia” – Zero de possibilidade! Nem Garotinho tem essa “genialidade” para me fazer de “Cavalo de Tróia”, nem eu tenho a genialidade de enganar (governador Luiz Fernando) Pezão, (presidente da Alerj, Jorge) Picciani, (prefeito do Rio, Eduardo) Paes e (vice-presidente Michel) Temer.
Rogério Matoso “Cavalo de Tróia” – Seria leviano da minha parte afirmar que o ex-vereador se prestaria a esse tipo de papel. Mas o que o mundo político diz é que Rogério Matoso é uma candidatura plantada na oposição por Wladimir (Garotinho, PR). Mas ele tem todo direito de pleitear ser candidato. É legítimo.
Oposição – Hoje todas as pré-candidaturas de oposição colocadas são legítimas. Agora, é imperioso avaliarmos mais adiante a possibilidade de redução do número de candidaturas. Até porque, é com essa hipótese de fracionamento que Garotinho joga. Porque só há uma chance dele vencer a eleição em Campos: levar dois candidatos seus ao segundo turno. Qualquer candidato de oposição que for ao segundo turno repetirá o que ocorreu comigo, como candidato governista, em 2004 e 2006: todos se unem contra.
Governo – A despeito de vários avanços, o modelo de gestão se esvaiu. O governo Rosinha perdeu a capacidade de dialogar com a sociedade civil. É um governo que decide entre quatro paredes, que sequer tem sensibilidade para definir prioridades. Quer exemplo? Há anos o Hospital São José espera R$ 6 milhões para ser concluído, enquanto R$ 18 milhões são gastos na Cidade da Criança. Não sou contra a Cidade da Criança, sou contra colocá-la na frente de um hospital decente para a Baixada. Quer outro exemplo? O transporte coletivo. Houve grande avanço com a passagem a R$ 1,00. Agora suspensa por três meses, ela nunca ofertou segurança, conforto ou regularidade de horário e linha aos passageiros. E as obras de infraestrutura? Toda a população verifica que são obras de custo altamente elevado, de péssima qualidade, com uma demora assustadora. Campos hoje é um grande cemitério de obras inacabadas.
Fogueira das vaidades – As vaidades estão muito afloradas. Todo mundo acha que pode ser candidato, que merece, e isso é natural. Com o avanço do processo, a tendência é que as candidaturas de oposição se afunilem para três ou quatro. Em reportagem publicada num matutino local, a Prefeitura anunciou que está gastando R$ 74 milhões em folha mensal de pagamento. Isso significa que a despesa com pessoal está próxima de R$ 1 billhão por ano. Com pagamento de dívida e a queda dos royalties, isso chega a R$ 1,3 bilhão, R$ 1,4 bilhão. Com um orçamento de R$ 1,7 bilhão, sobram só entre R$ 300 milhões a R$ 400 milhões para investimento. Em resumo: a conta não fecha. O próximo prefeito terá que fazer uma gestão eficiente, enxuta, transparente e atenta às esferas estadual e federal. A crise, ao meu ver, não se finda em 2016. Ela tende a se aprofundar. Por isso as candidaturas de oposição tendem a se afunilar. Como disse o Délio Leal, ex-deputado do PMDB: “Na crise, estamos todos conenados a nos unir”.
Vice – Eu vir como vice de uma chapa encabeçada por outro partido? Zero de possibilidade! O PMDB é o maior partido deste país. O PMDB tem um projeto nacional e estadual. E nós recebemos a incumbência de reinserir o município de Campos nesses projetos. Agora, se é quanto ao vice da nossa chapa, ainda é conjectura, que estaremos trabalhando na perspectiva de alianças, embora o PMDB tenha quadros a oferecer. Como exemplo, cito o nome da Dra. Cândida Barcelos, que implantou a vacina Prevenar em Campos. É uma médica comprometida com as causas sociais, especialmente com a saúde da mulher.
Geraldo Pudim (foto de Michele Richa – Folha da Manhã)
“Nem Garotinho tem essa ‘genialidade’ para me fazer de ‘Cavalo de Tróia’, nem eu tenho a genialidade de enganar Pezão, Picciani, Paes e Temer”.
“O governo Rosinha perdeu a capacidade de dialogar com a sociedade (…) Há anos o Hospital São José espera R$ 6 milhões para ser concluído, enquanto R$ 18 milhões são gastos na Cidade da Criança”.
“O PMDB tem um projeto nacional e estadual. Nós recebemos a incumbência de reinserir o município de Campos nesses projetos”.
Estas foram algumas declarações dadas hoje pelo deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), primeiro secretário da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato a prefeito de Campos. Para conferir a íntegra da entrevista, confira amanhã a edição da Folha da Manhã.
Marcão foi recebido no Rede pelo maior nome do partido: a ex-senadora e ex-candidata à presidência da República Marina Silva (foto: divulgação)
Principal figura do PT em Campos, desde que foi eleito vereador em 2012, o vereador Marcão vai para o Rede Sustentabilidade. A decisão foi acertada desde o último dia 3, quando ele se reuniu em Brasília com a presidente nacional da nova legenda, Marina Silva, com o líder da bancada na Câmara Federal, deputado Alessandro Molon, além dos seus porta-vozes estaduais Ana Paula Moura e Luiz Eduardo Soares, sociólogo e ex-secretário de Segurança do governo estadual Anthony Garotinho (1999/2002).
Quem também participou do encontro na capital federal para receber o vereador campista foi o vice-prefeito de Macaé, Danilo Funke. Ele foi outro que migrou para o Rede após deixar o PT da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT), desgastado pelas investigações da operação Lava-Jato, defendidas ontem nas ruas de todo o Brasil (aqui), na maior manifestação política da história do país.
Em Campos, o Rede ainda não definiu oficialmente sua posição à eleição majoritária de outubro, apenas que não se coligará com o PMDB ou nenhuma legenda que dê apoio ao grupo do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR). Nos bastidores, no entanto, se especula que a mudança passaria pelo apoio do partido de Marina e, agora, de Marcão, à pré-candidatura do vereador Rafael Diniz (PPS) a prefeito.
Leia a íntegra da matéria amanhã (15/03) na Folha da Manhã
Sobretudo para quem costuma reclamar da falta de opções culturais na cidade, começa amanhã, terça-feira, dia 15, a 1ª Semana de Arte da Universidade Cândido Mendes em Campos. A programação se estende até a próxima quinta, dia 17. Além do site da instituição de ensino (aqui), a divulgação vem sendo feito também aqui, na democracia irrefreável das redes sociais pela professora, atriz e cantora Carol Poesia.
Para saber das variadas opções, dias e horários, basta conferir abaixo:
Embora pouco animador, um resumo do dia histórico de ontem pelo jornalista, poeta, pintor e amigo Martinho Santafé, feito aqui, na democracia irrefreável das ruas às redes sociais, que este “Opiniões” pede licença para reproduzir abaixo:
“Compartilhando segredos, aventuras, paixões tão passageiras quanto um sopro de vento”. Desde o seu primeiro conto, “Solidão”, escrito por uma adolescente de 15 anos, Paula Vigneron impressiona pela maturidade da prosa ao compor o prefácio que não há para o seu livro de estreia. Nas livrarias (aqui) desde o ano passado, a obra terá relançamento nessa quarta, dia 16, às 19h, no espaço multimídia do Sesc de Campos, dentro do projeto “Alma brasileira”. O evento terá debate com a autora e leitura de trechos pela atriz Liana Velasco. Reunidos em ordem não cronológica pela editora carioca Autografia, o livro traz 32 contos escritos entre 2008 e 2015, fechados com aquele que, pela força do título, a autora escolheu para batizar também seu livro: “Sete balas ao luar”.
Jornalista e crítica de cinema, lidas desenvolvidas como ramos da mesma raiz de escritora em semeadura precoce, Paula apresenta muitas influências em seus contos; e não só literárias. Do cinema, por exemplo, a jovem escritora assumidamente ecoa do sueco Ingmar Bergman (1918/2007) e do estadunidense Woody Allen — o diretor de drama, não o comediante — alguns questionamentos existenciais primários da humanidade: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Quanto tempo tenho? Que diabos estou fazendo aqui?
Com a cara de Woody Allen impressa às máscaras opostas (e complementares) da comédia e da tragédia, é esta segunda o alvo dos disparos de “Sete balas ao luar” — inclusive no conto que dá nome ao livro, ambientado no sertão de Sergipe, com as bênçãos de “São Lampião”. Quase sempre ácido, algumas vezes mórbido, há humor aqui e ali. Mas é a realidade na qual Virgulino Ferreira da Silva foi executado a tiros que prevalece na ficção de vida e morte de Zé do Cangaço:
— Segurou, novamente, as munições que trazia em seu bolso. Pediu a Lampião que não precisasse usá-las contra si na tentativa desesperada de calar os gritos interiores (…) Ao seu lado, colocaram a sua carabina e sete balas, em forma de cruz, para protegê-lo nas noites de luar.
E mesmo “lá para as terras do Sudeste”, onde “a forte estiagem havia atingido a todos, independente de classe e cor”, a coisa não parece não independer tanto assim. Algumas páginas antes, em cenário talvez familiar aos campistas, um menino de rua se levanta e deita no papelão, “seu companheiro de dias e noites assustadoras”, para encarnar o “Invisível” dentro de uma sociedade que desfila sua ânsia de consumo no “calçadão do Centro da cidade” — qual seria?
Se o final feliz passa longe das histórias de fôlego curto e pegadas fundas de Paula Vigneron, a leveza bate ponto em seu processo de criação, quase sempre emprenhado de música. Da MPB de Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento ao suingue jazzístico de Frank Sinatra. Este, aliás, conhecido como “A Voz”, tem a sua vencendo o limite entre realidade e ficção ao entoar “The way you look tonight”, no conto “A primeira dança”.
Além de inspiração, quem também dá as caras como personagem é Woody Allen. O cineasta novaiorquino faz uma ponta no conto “1975”, quando pisca à protagonista atônita. Vinda de uma viagem no tempo e no espaço para uma Manhattan imaginária, ela baila sem respostas ao som de “Cause I was Born to the blue”, após ser convencida pelo conselho do seu par:
— Pare de se questionar, querida. Você pensa muito. Sinta mais e reflita menos.
Recurso utilizado desde o primeiro conto adolescente, a narrativa retroativa em flashback bate ponto em boa parte do livro. A partir dela, um passado geralmente mais feliz é contraposto ao presente de desencanto, causado por alguma perda ou traição, algum tipo de tragédia humana quase sempre fadada a gerar outra, tão grave ou mais, ao final. E, única certeza da vida, a morte parece estar à espreita nas esquinas dos parágrafos.
Todavia, no lugar de ponto final, é posta a possibilidade de (re)começo. Em “Condenados”, terror e humor negro se misturam numa história deliciosa de voyeurismo e vendeta:
— Sem dúvida, a vingança é um prato que se come frio. Frio, assim como meu corpo inerte que, agora, apodrecia sob a terra (…) Permaneceríamos juntos como juráramos diante do padre quando nos casamos. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Mas nem a morte nos separa.
Em alguns contos, personagens e autora parecem unidos por laços semelhantes. Em “Ilhas”, difícil não pescar algo de autobiográfico na Marina, em quem Fábio acaba por fim acreditando ter “deixado marcas nas terras quase intocáveis em que a doce garota estava escondida e isolada pelas águas furiosas que a atormentavam”.
Neste istmo capaz de transformar qualquer ilha em península, ligando-o a outra ilha ou ao continente, também é possível avistar a prosista real refletida no fictício escritor Daniel, na maré baixa do conto “Comunhão literária”:
— As palavras eram suas companheiras. Refugiava-se nelas para encontrar o destino que lhe cabia (…) acreditava na independência delas e suas ações. O rapaz, no fundo, era guiado pelas letras (…) Comovia-se com a dor do outro, que passava a ser sua até conseguir transformá-la em palavras.
Do lado de cá das páginas, a moça também!
Paula Vigneron, Atafona, fevereiro de 2016 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
* Adaptação de resenha publicada aqui, em 4 de setembro de 2015, anunciando o lançamento do livro “Sete balas ao luar” no Sinasefe
Advogado, publicitário, chargista e crítico de cinema, o argentino caído em Campos Gustavo Alejandro Oviedo também atua, na democracia irrefreável das redes sociais, como arquivo da memória de Campos. Para aqueles que contam com a curteza da lembrança goitacá para tentar um lugar ao sol nos desígnios da tribo, é pertinente a recordação abaixo:
(Reprodução de Facebook)
Diante do contraste lógico entre passado e presente, resta a pergunta: se em 2011, Roberto Henriques rompeu com os Garotinho “para não virar lacaio”, em qual condição reatou com eles cinco anos depois?
Ruínas do prédio do Julinho, julho de 2014 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Era um final de tarde de 5 de abril de 2008. Caminhavam à beira mar, em Atafona, um pai, seu filho menino e um amigo deste, escalando em passos pensados a duna de areia e entulhos do que fora o casarão da família Lysandro, ex-proprietária da usina São João. Em Campos as terras da usina foram as primeiras a ser invadidas e ocupadas pelo MST. Em Atafona, a sem terra era Iemanjá.
Quando chegaram ao topo da duna, entre a areia e as ruínas, a visão do outro lado, espraiada à foz do Paraíba, impressionava. A beleza de sempre ganhara um toque surreal. De tão inclinado sobre sua face norte, o prédio do Julinho, última construção antes da areia do Pontal, parecia a carnação em concreto de uma vertigem de Salvador Dali. Por impossível, a inclinação desafiava a lógica de quem a via. Por certo, a gravidade não deixaria aquilo durar.
Ciente disse, o pai apressou a si, seu filho e o colega deste. Enquanto descia, ele pensava em quantas campanas noturnas, com fogueira e violão, fizera naquele verão, estendidas ao mês de março, junto a outras pessoas, conhecidas ou não, esperando a queda do prédio de quatro andares, que a cada dia parecia inevitável. Único de Atafona, fôra erguido em 1973 pelo visionário empresário Júlio Ferreira da Silva, pai da jornalista Júlia Maria de Assis.
O pai do menino pensava nisso, tentando guiar-se pela lógica em oposição ao absurdo da visão. Quando os três estavam há cerca de 30 metros do Julinho, sua face inclinada soltou um estalo seco, gemido de moribundo, e passou a cair lentamente em sentido norte. No meio da queda lateral, os vergalhões da parte central jogaram cabo de guerra com a face decaída, puxando-a para que toda a estrutura desabasse sobre si mesma, como se fosse operação concebida e executada à perfeição pela intenção humana de um engenheiro.
Estupefatos pelo que acabaram de ver, como todos que ali estavam, a falta de reação se transformou rapidamente em pânico coletivo quando começou a se erguer, lenta como a queda do prédio, a nuvem de poeira do seu último suspiro. O pai agarrou os dois meninos pelos pulsos, retesou o corpo e firmou os pés no chão, pedindo que confiassem nele, não se apavorassem ou corressem, pois aquilo iria passar.
Com os segundos transformados em horas na percepção de quem foi condenado à cegueira momentânea, aquilo que não se via ecoava nos gritos e imprecações das pessoas correndo ao redor, em meio à densa suspensão de partículas. Então, foi inevitável lembrar das nuvens de poeira engolindo pessoas, como um filme de terror na realidade de Nova York no 11 de setembro de sete anos antes, após a queda das Torres Gêmeas do Old Trade Center.
Quando a poeira finalmente se dissipou, o prédio do Julinho, referência de quem eram atafonenses e veranistas por um quarto de século, estava caído.
Quem subir nos escombros do que foi o Brasil, diante do cenário surreal sobre o qual se inclina hoje o país, só pode ter duas dúvidas lógicas em relação à queda do governo Dilma: quando e como?
Independente dos resultados das manifestações de hoje, do abandono do PMDB e até do PT, que já se conformou em entregar os anéis para tentar preservar os dedos (nove, sem algemas nos pulsos), ou das partes ainda não reveladas da delação do senador Delcídio do Amaral, assistir à coletiva de Dilma na última sexta, foi patético. Ver uma presidente fragilizada a ponto de convocar uma coletiva para responder à jornalista Mônica Bergamo, é olhar para um prédio tão inclinado, que à gravidade não resta outro destino a impor.
Para quem ainda não leu, Mônica escreveu (aqui): “A presidente Dilma Rousseff já reage com resignação quando confrontada com o diagnóstico, feito até por ministros da equipe dela, de que o governo pode não chegar ao final”. E ao tentar respondê-la, a dislexia de Dilma produziu a pérola: “Eu me renuncio”.
Mais que outra de tantas estultices, o ato falho, mas preciso, teve o timbre do mesmo estalo seco, gemido de moribundo, de um prédio condenado pela própria gravidade. Oxalá caia apenas sobre si mesmo, sem ferir ninguém e seus escombros sirvam, como o prédio do Julinho, para determinar limites que não podem ser novamente ultrapassados.
E, para quem preferir se guiar por dogmas de fé, ainda dá para pichar sobre as ruínas que Jesus está voltando.
Líder da oposição na Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito de Campos, Nildo Cardoso vai para o DEM. Desterrado primeiro do PMDB, com a entrada do deputado estadual Geraldo Pudim para ser o pré-candidato de Jorge Picciani à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), Nildo também perdeu o PSD, que será assumido (aqui) na próxima semana pelo deputado federal Paulo Feijó (atual PR), aliado do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR).
Hoje presidido pelo empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, filho do ex-presidente da Câmara Municipal Nelson Nahim (PMDB), o DEM em Campos chegou a ser oferecido (aqui) também a Feijó, que preferiu o PSD. O partido vive rachas internos no diretório regional, pela pretensão do deputado federal Índio da Costa de concorrer à Prefeitura do Rio. Com isso, além de Nildo, outras figuras de proa do partido, em nível estadual, também poderiam migrar para o DEM. Especula-se os nomes dos secretários estaduais André Corrêa (Ambiente) e Cristino Áureo (Agricultura), além do secretário municipal de Habitação do Rio, Sérgio Sveiter.
Nildo chegou a usar (aqui) seu perfil no Facebook para anunciar que sua mudança seria revelada na próxima segunda, dia 14, prometendo fazê-la junto com deputados estaduais e federais, além de levar consigo toda a forte nominata de vereadores que já tinha montado para dar sustentação à sua pré-candidatura a prefeito. Ele não confirma que seu destino seja o DEM, mas também não nega. Caso se confirme, sua entrada no partido não afetaria a pré-candidatura de Alemão a vereador.
A novidade é que o partido considerado de centro-direita, poderia se coligar com o comunista PC do B, numa coligação que traria a pré-candidatura a vereadora também da professora Odete Rocha.
Deputado Paulo Feijó deve ir para o PSD, mas foi convidado para assumir também o DEM de Campos (foto: Folha da Manhã)
Presidido em Campos pelo empresário Hélio Montezano, o “Alemão”, pré-candidato a vereador e filho do ex-presidente da Câmara Municipal Nelson Nahim (PMDB), o DEM no município só não foi entregue ao deputado federal Paulo Feijó (atual PR), porque este não pode assumir pessoalmente a legenda. O convite ao aliado do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) foi feito duas vezes, na quinta e ontem, pelo deputado federal Rodrigo Maia, presidente estadual do DEM. Mas Feijó confirmou (aqui) que deve mesmo se mudar para o PSD, levando para a base garotista outro partido que estava na oposição, pelo qual o vereador Nildo Cardoso pretendia se lançar candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).
Consultado pelo oferecimento do partido que preside para o grupo político ao qual se opõe, Alemão disse que só falaria depois de ser avisado pelo diretório regional, cujo presidente fez o convite pessoalmente a Feijó. Este, por sua vez, explicou sua decisão:
— Novamente, isso não saiu de mim. Respondo ao ser questionado. De fato, o presidente do DEM , deputado Rodrigo Maia, colocou o partido à minha disposição em Campos. Falamos ontem (quinta) e hoje (ontem) de manhã. Agradeci muito a ele, mas disse que meu caminho deve ser mesmo o PSD, que é um partido maior, tanto comparado ao DEM, quanto ao próprio PR. Na semana que vem, deveremos estar anunciando oficialmente a decisão.
Indagado se não costurou sua ida ao PSD com a indicação de alguém da sua confiança para assumir também o DEM, Feijó negou. “Diante da gentileza do Rodrigo Maia, não me sentiria à vontade para propor isso”, garantiu.