Edson Batista (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
“Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.
“A base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia”
“Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade”
Estas foram algumas das citações mais fortes do presidente da Câmara de Campos e pré-candidato, vereador Edson Batista (PTB). Na condição de pré-candidato governista a prefeito, ele esteve hoje na Folha, onde deu uma entrevista e demonstrou conhecimento histórico acima da média dos políticos locais. Confira amanhã sua íntegra na Folha da Manhã.
Com o pingo no único “i” da sentença muito bem pontuado pelo historiador Leandro Karnal, entre os maiores intelectuais viventes do Brasil e dos raros imunes ao desvario das paixões políticas de lado a lado, é fato: Não vai ter golpe!
A gravidade da situação do país pode ser não só explicada, mas até atenuada por aqueles que se esforçam para tentar entendê-la junto aos seus leitores. Neste sentido, alguns textos de opinião publicados hoje, em mídia nacional e local, foram soberbos. Abaixo, este “Opiniões” toma a liberdade de reproduzir dois:
Jornalista José Casado
Em maio, dupla chance de solvência da crise
Por José Casado
Desde 1988 todas as crises no Brasil foram resolvidas dentro da Constituição. Vai continuar assim, sabem juízes e políticos. Pelos ritos constitucionais, começa em abril o desfecho do jogo de poder em que Dilma Rousseff e Lula se meteram.
A presidente tem até 1º de abril para apresentar defesa no impeachment na Câmara. O processo vai ao plenário a partir do dia 20. Garantindo 171 aliados em votação aberta no plenário, Dilma resolve seu problema (o de Lula é com a Justiça, que ele julga “acovardada”). Se perder, passa à decisão do Senado.
Assim, maio começaria com a legitimidade de Dilma testada simultaneamente em duas instâncias — no Senado e na Justiça Eleitoral, onde avança o processo sobre suposta fraude na campanha de 2014, com dinheiro de empresas beneficiárias da corrupção na Petrobras.
No Congresso, o futuro de Dilma depende do PMDB de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e Michel Temer, o vice que conspira em duas frentes: impeachment já, na parceria com a oposição, ou eleição indireta a partir de janeiro de 2018.
No TSE, Dilma e Temer estão abraçados. Sua sorte depende da desmontagem de provas colhidas nos inquéritos sobre corrupção. A relatora, juíza Maria Thereza Moura, deu celeridade ao processo para que possa ser julgado a partir de maio. Caso a presidente e o vice sejam cassados, novas eleições podem coincidir com as municipais, em outubro.
Sob a névoa desse fim de verão de fortes emoções políticas, maio se insinua como mês de possibilidades para solvência da crise, na rota constitucional. Até lá o horizonte deve ficar ainda muito mais turvo, antes de desanuviar.
Historiador Arthur Soffiati
O bote da jararaca
Por Arthur Soffiati
Confuso com as crise do Brasil, procurei um velho amigo que ajudou Lula a fundar o PT. Nossa conversa foi longa, mas saí dela mais tranquilo por concordar com ele em grande parte. Ele não rompeu com Lula. Apenas se afastou dele. Ambos seguiram caminhos diferentes. Hoje, ele não está filiado a nenhum partido. Suas opiniões estão sendo publicadas com seu consentimento.
“Lula e eu tínhamos os mesmos ideais, mas temperamentos diferentes. Ele era combativo, mas sabia negociar com os patrões. Ele acreditava numa política socializante sem romper com o capitalismo. Era pragmático. Eu mais teórico. Disse-lhe muitas vezes que Trotski achava inviável um país socialista num mundo capitalista. Stalin desejava consolidar o socialismo num só país. A União Soviética acabou engolida pelo contexto mundial capitalista.”
“Era esse seu projeto na fundação do PT e nas suas campanhas para a presidência da República. Creio que o governo dele só foi possível com a “Carta aos Brasileiros”, assegurando que não era tão perigoso quanto alardeavam. Quando ele ganhou, um amigo me disse que precisávamos de uma corda grossa para segurá-lo do nosso lado. Caso contrário, ele seria puxado pelos empresários.”
“A elite brasileira se divide em econômica, que só pensa em dinheiro, e a ideológica, que não gosta do povo, mesmo que ele tenha enriquecido. Lula apostou na elite econômica. Nos seus governos e nos de Dilma, os bancos enriqueceram e as grandes empreiteiras se agigantaram. Percebi claramente uma política de leniência com as elites econômicas, política esta anterior ao PT. Lula deu continuidade a ela. Não digo que os programas “Minha Casa, Minha Vida”, “Bolsa Família e PAC”, por exemplo, tenham sido criados para atender às empresas. Eles tiveram a intenção legítima de elevar o padrão de vida da população pobre. As empresas adoraram esses programas porque uma classe média emergente passou a ter poder aquisitivo e a consumir. Não houve educação adequada para o uso da renda.”
“Até aí, tudo bem. Sem combate à corrupção dentro do capitalismo, passa a ser inevitável o controle das empresas e dos bancos. O populismo do PT não freou a gula das empreiteiras. Pelo contrário, alimentou-a. Ao mesmo tempo, para agradar os manifestantes de 2013, que sabiam o que não queriam, Executivo e Legislativo Nacionais promoveram um arremedo de reforma política. Embora parcial, essa semirreforma permitiu que o Ministério Público e o Poder Judiciário ganhassem força. Mesmo com os protestos de 2013, a população elegeu um Congresso hoje desmoralizado. Que moral tem Eduardo Cunha para conduzir um processo de impeachment? As alianças que o PT fez para garantir sua governabilidade representam sua grande ameaça. O PT, hoje, dorme com o inimigo. Aliás, o PT é inimigo do PT. O próprio Lula reconheceu que Dilma ganhou com um discurso bem diferente da prática que ela tem agora. Houve maquiagem da marola, que arrebentou como vagalhão agora.”
“E não é só. Do PT, tem vindo a delação de Delcídio do Amaral. Do PMDB, vieram Temer e Cunha. Quem tem aliados assim não precisa de oposição, que só colhe as sujeiras que vazam para usá-las como chicote. As grandes empreiteiras formaram um cartel para roubar a Petrobras. Mesmo que Lula e Dilma não tenham qualquer envolvimento com elas, foi no governo de ambos que elas cresceram. Viu-se, então, a judicialização da política. Até mesmo o Executivo e o Legislativo recorrem ao Judiciário para dirimir suas dúvidas.”
“Novos escândalos vieram à tona, levando a sucessivas manifestações. A do dia 13 foi monstruosa. Sei bem que novamente a classe média é sua promotora. Mas é preciso reconhecer que o Brasil tem classes sociais, e a classe média tem peso. Sei que suas reivindicações são simplistas e até perigosas, como o apelo a um novo golpe militar. São pessoas despolitizadas. Mas as manifestações, como um todo, são um solavanco no governo. É preciso lidar com elas de frente. Não adianta recorrer a escapismos, como fazem os despolitizados nas redes sociais. Inclusive, fico assustado com os intelectuais de ambos os lados, que, irresponsavelmente, só colocam lenha na fogueira. Nessa altura dos acontecimentos, fica difícil uma solução. Se Dilma sair, quem entra no lugar dela e resolve a crise econômica num passe de mágica? De fato, enfrentamos uma crise política alimentada pela crise econômica que o PT negou existir.”
“Por isso, não fui às manifestações do dia 13. Não quis acirrar ainda mais os ânimos já exaltados. Espero que não marchemos para um golpe político, mas lamento que Lula volte ao governo na situação delicada e que está. Seria melhor que ele se calasse. Ele foi e continua sendo um boquirroto. Ele nunca teve autocrítica. E Dilma, cheia de problemas, convida-o para um ministério. Sua missão é aquietar as formigas, mas, seus telefonemas só assanham essa formigas. Enfim, os petistas estão metendo os pés pelas mãos. Pelas conversas gravadas e divulgadas (não entro no mérito da legalidade da difusão), nota-se o esforço para arranjos nada éticos, que repudiávamos quando fundamos o PT. Não sei se Lula, como um superministro será a solução, pois as manifestações demonstraram sua insatisfação com ele. O governo não governa mais. Apenas manobra para ficar no poder.”
Alemão, em foto tirada hoje e postada em seu mural de Facebook, à direita do do ex-sócio, primo e amigo Wladimir Garotinho (PR)
Presidente do diretório municipal do DEM, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, está fora do partido. E garante que levará junto a nominata que já vinha montando com o auxílio do pai, o ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (PMDB). O motivo, antecipado aqui, é a entrada do vereador Nildo Cardoso no DEM (aqui e aqui), onde agora vai tentar ser candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).
Quanto a Alemão, seu novo destino pode também definir seu apoio e do pai na disputa pela Prefeitura de Campos. Se for para o PPS, o apoio será ao vereador Rafael Diniz. Se for o PMDB de Nahim, o deputado estadual Pudim será o apoiado. O PSDC de outro pré-candidato a prefeito, deputado estadual João Peixoto, e o PSD deixado por Nildo e oferecido (aqui e aqui) ao deputado federal Paulo Feijó (PR), correm por fora.
Abaixo, o que disse Alemão:
“Fui convidado a permanecer no DEM, contudo teria que aceitar a pré-candidatura do vereador Nildo Cardoso a prefeito. Nada pessoal contra o vereador Nildo, mas temos ideias bem diferentes e tão pouco pretendo fazer política igual a dele. O fato de ser apenas um estreante na política, concordo plenamente com ele, pois estou mesmo iniciando minha vida pública, e essa é mais uma razão para a saída do partido, pois pretendo fazer as escolhas certas e apoiar quem acredito. Da mesma forma desejo ao vereador boa sorte e, em breve, eu e os outros pré candidatos a vereador do nosso grupo anunciaremos a nova legenda onde disputaremos as eleições”.
“A queda do governo Dilma é uma questão de dias”. Foi o que disse ontem (aqui) em Vitória (ES), durante a Convenção Nacional de Cidades do PPS, o senador pelo partido Cristovam Buarque. Primeiro reitor eleito da Universidade Federal de Brasília (UNB), ele foi também governador do PT no Distrito Federal, quando criou o bolsa-escola mais tarde transformado em bolsa-família, além de ministro da Educação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seu currículo, portanto, não é receita de “coxinha”.
Desde a condução de Lula sob ameaça de força coercitiva, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, no dia 4 deste mês, o desespero do ex-presidente passou a ser traduzido por quem ainda se presta a tentar defendê-lo. Não é preciso ir longe. Do Planalto Central à planície goitacá, poderíamos ficar no exemplo de um presidente de associação de imprensa que bravateia duvidar que a Globo News dará à coletiva de Lula o mesmo espaço conferido à cobertura da sua condução pela Polícia Federal. E, desmentido alguns minutos depois, no lugar de assumir a parcialidade companheira, diz ter sido a emissora que evitou ser parcial demais.
O que falar do educador que, sem vergonha da apologia ao crime lecionada, bate no peito para dizer: “Prefiro Lula roubando do que qualquer outro político honesto do Brasil”? Ou da cronista que escreve contra a demanda de uma nação por heróis, com a mira no calcanhar de Moro, para tentar defender o peito aberto de Lula? Ou da feminista em apoio a um líder patriarcal cobrando macheza de “mulheres de grelo duro”, saudando a consciência masculina do clitóris? Ou do jornalista que defende a manutenção de Dilma para não sermos governados por Temer, na amnésia seletiva de quem votou na chapa composta por ambos à presidência? Ou de quem, independente do ofício, perdeu o emprego por conta do desastre econômico do lulopetismo, mas continua a defendê-lo, purgado pelo bolso vazio, em aparente questão de fé?
Seria menos pior se fossem realmente “petralhas”, na associação de petistas com os Irmãos Metralhas, bandidos dos quadrinhos da Disney. Mas se tratam de pessoas reais, a maioria dotada de cultura, sensibilidade e índole acima da média. Bem verdade que, embora ainda ruidosa, representam uma parcela hoje ínfima da população. Na contabilidade das manifestações nacionais dos últimos domingo (13) e sexta (18), a cada 100 brasileiros que saíram às ruas pelo fim do governo Dilma, a prisão de Lula e em defesa da atuação de Moro, apenas sete marcharam pelos motivos opostos. E a diferença foi ainda maior em Campos (aqui), onde diante de cada 100 manifestantes contra o PT, somente quatro se apresentaram à defesa do partido.
Anabolizada de “coxinha” a “pernil” pela disparidade, verdade que essa maioria antipetista, na planície ou no planalto, guarda no discurso tanta hipocrisia quanto os casos “petralhas” tipificados acima. Afinal, como levar a sério quem sai para protestar contra Dilma e Lula e se cala, em sua própria cidade, sobre Rosinha e Garotinho? Na extensão institucional mais grave desta contradição, como entender a Justiça Federal da comarca goitacá promover um ato público de apoio a Moro, enquanto (aqui) ajusta a venda da cegueira diante ao desperdício, por uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, dos recursos federais dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde (SUS) — apontado em inspeções midiáticas, mas inócuas (aqui), do Ministério Público Federal (MPF) local?
Clássico do cinema, “Os intocáveis” (1987), do mestre estadunidense Brian De Palma, recria com brilho a Chicago dos anos 1920 para contar a história real do agente federal Eliot Ness (vivido por Kevin Costner) na tentativa de prender o criminoso Al Capone (Robert De Niro, no auge). No julgamento, após descobrir no bolso do capanga do mafioso uma lista com os nomes dos jurados, Ness leva o caso ao juiz, no escritório deste, na presença do promotor e advogado de defesa. Respondido que o papel não era prova de nada, o agente pede licença aos demais para falar em particular com o magistrado, conversa não revelada pelo corte da cena.
Na tomada seguinte, já no salão do júri, o juiz reflete acabrunhado antes de pedir ao meirinho que trocasse o júri de Capone pelo do julgamento ao lado. Exultante, mas surpreso, o promotor se vira para Ness e pergunta: “Mas o que você disse a ele?”. Ao que o agente federal responde: “Que o nome dele também estava na lista”.
Foi mais ou menos assim que Moro enquadrou o Supremo Tribunal Federal (STF), tanto nas gravações que geraram a prisão do então líder de Dilma no Senado, Delcídio do Amaral, quanto nas mais recentes, nas quais Lula cobra ao telefone (aqui) subserviências e “gratidões” tão republicanas quanto o nível do seu linguajar. No caso de dúvida, a entrevista de Delcídio (aqui) convertido em delator da Lava-Jato, publicada ontem na revista Veja, impressiona pelo detalhamento do bilionário esquema de corrupção, seus beneficiários e mandantes, bem como pelas cascas de banana mesquinhamente deixadas um para o outro, entre presidente e ex.
Foi nelas que ambos escorregaram, ao acharem que Lula poderia assumir (e salvar) o governo de Dilma e, de quebra, se salvar da ameaça de prisão pelo foro privilegiado. Três dias depois da maior manifestação política da História do Brasil sair às ruas contra uma mandatária e o antecessor que a inventou como poste de esquentar lugar.
Com a OAB endossando o pedido de impeachment de Dilma, a devolução do inquérito de Lula pelo STF para Moro e a legalidade dos grampos sobre o ex-presidente atestada pelo procurador geral Rogrigo Janot, pertinente a última fala de Ness a Capone, perto do final do filme: “Never stop fighting until the fight is done” (“Nunca pare de lutar, até que a luta termine”).
Senador Cristovam Buarque e vereador Rafael Diniz (foto: divulgação)
Desde ontem, o vereador e pré-candidato a prefeito de Campos Rafael Diniz (PPS) está com sua equipe em Vitória, participando da Conferência Nacional de Cidades promovida por seu partido. Governada por um prefeito do PPS, Luciano Resende, a capital capixaba recebe no evento os nomes de maior peso nacional da legenda, como seus presidentes nacional e estadual, deputado federal Roberto Freire (SP) e estadual Comte Bittencourt (RJ), o líder da bancada federal, deputado federal Rubens Bueno (PR), além do senador Cristovam Buarque (DF).
Ex-ministro da Educação do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, além de governador de Brasília pelo PT, quando criou o bolsa-família, Cristovam falou aos presentes sobre o quadro nacional de tensão e incerteza. Para o senador e ex-petista, “a queda do governo Dilma Rousseff é uma questão de dias”.
Sobre a questão municipal, objeto do encontro, Rafael disse estar “recolhendo experiências valiosas do partido em várias cidades brasileiras”, como na própria Vitória, para tentar aplicá-las em Campos, num seu eventual governo.
Magistrados e outros servidores da Justiça Federal de Campos, ontem, em ato de apoio a Sérgio Moro (foto: divulgação)
Os juízes federais de Campos Gilson David Campos, Giovana Teixeira Brantes Calmon, Rosangela Lúcia Martins, além de outros servidores da Justiça Federal no município, fizeram ontem uma manifestação em apoio ao juiz titular da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, responsável pela operação Lava-Jato. Aqui, em matéria do jornalista Arnaldo Neto, a Folha Online registrou a manifestação.
Louvável a atitude dos magistrados federais na planície goitacá ao colega de primeira instância. Agora, como os recursos dos royalties e do Sistema Único de Saúde (SUS) são federais, diante do quadro falimentar do município, talvez fosse o caso de se perguntar por que, com bravas exceções do Ministério Público e Justiça estaduais, não se lava nada a limpo em Campos?
Enquanto isso, gente como o aposentado Amaro Silva Barreto, de 64 anos, continua morrendo, de infarto, após dar entrada com dor no peito e receber alta do PU de Guarus, sem fazer sequer um exame — como detalhado aqui, na matéria do jornalista Marcus Pinheiro. Ao que talvez também coubesse perguntar: apagadas as luzes dos flashes, o que resultou de prático todas as vistorias do Ministério Público Federal (MPF) local (relembre aqui) “acerca da precária situação de Saúde no município de Campos”?
Rosilene Ribeiro Barreto, 58 anos, viúva do aposentado Amaro Silva Barreto, exibe o atestado de óbito e lamenta: “Se o aparelho de eletrocardiograma do PU estivesse funcionando, meu marido estaria vivo” (foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
Ciro Gomes começou a vida política nos anos 1980 pelo antigo PDS, partido que dava sustentação à Ditadura Militar (1964/85). Nos anos 1990, foi tucano, governador do Ceará e depois ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, surfando na onda da estabilização econômica do Plano Real implantado por seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso. Na década seguinte, se converteria em aliado do PT, ocupando o ministério da Integração Regional do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Ex-candidato a presidente da República pelo PPS em 1998 e 2002, passou pelo PSB e Pros antes de chegar ao PDT, pelo qual é agora potencial pré-candidato mais uma vez à presidência, numa espécie de alternativa à esquerda, caso o PT confirme o naufrágio que parece mais inevitável a cada onda. Na esperança de recolher parte dos náufragos, Ciro vinha se destacando como defensor do governo Dilma Rousseff (PT), mesmo depois que seu irmão, Cid Gomes (PDT), também ex-governador do Ceará, ter “pedido para sair” do ministério da Educação, após ser humilhado publicamente (aqui) pelo presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB).
Pois foi ao tentar puxar briga com manifestantes que não ameaçavam seu irmão, na noite de ontem, diante do edifício deste, em Fortaleza, que Ciro deu prova de como andam as coisas (ou sempre foram?) entre as lideranças governistas do Brasil. Resumidos ou na íntegra dos flagrantes em vídeo, os “diálogos” são elucidativos:
— Vão estudar História!
— Onde é que na História diz que Lula é inocente, doutor?
— Lula é inocente, nada. O Lula é um merda!
“Amanhã mete um tiro na tua cabeça, filho da puta!”
A janela para mudança de políticos com mandato se encerra hoje em todo o Brasil. Em Campos, as definições ficam para a véspera. O deputado federal Paulo Feijó, por exemplo, que tinha confirmado publicamente (aqui) sua ida ao PSD, para assumir a legenda em Campos e na região, acabou decidindo ficar mesmo no PR. Por sua vez, o vereador oposicionista e pré-candidato a prefeito Nildo Cardoso, que saiu do PSB (aqui) para fugir da sua posse governista por Feijó, reafirmou ontem que seu destino será mesmo o DEM. Presidente do partido em Campos, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, já havia declarado (aqui) que sairia do DEM se Nildo entrasse.
Para manter Feijó, o PR deu-lhe o cargo de presidente da Comissão de Transporte na Câmara Federal. O partido detém o ministro da pasta, o ex-senador Antonio Carlos Rodrigues (PR/SP). O deputado o transforma no segundo nome mais importante na bancada federal do PR, abaixo apenas do líder, Maurício Quintela (PR/AL):
— Eu realmente ia para o PSD, que é um grande partido. Mas o pessoal do PR gosta muito de mim e fez essa oferta para que eu ficasse. Pela importância do cargo, como presidente de uma Comissão com ministro do mesmo partido, achei que seria mais importante ficar.
Do legislativo federal ao municipal, Nildo Cardoso confirmou ontem sua saída do PSD, que além de ter sido oferecido a Feijó, tem em seus quadros o ex-deputado estadual Roberto Henriques, recentemente reconvertido em aliado do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR). Líder da oposição na Câmara de Campos, Nildo reafirmou que seu destino será o DEM e respondeu à ameaça de saída do seu atual presidente municipal:
— Está tudo acertado com o deputado (federal) Rodrigo Maia, presidente do partido. Deve ser publicado na segunda. Quanto a Alemão, não vou polemizar com ele, que ainda não é nada na política, só um pré-candidato a vereador. Não chego sozinho ao DEM e minha nominata já vem pronta. Não haveria mesmo espaço para ele. Mas desejo sorte ao rapaz.