Protestos contra Dilma repercutem na imprensa do mundo

Fora Dilma - BBC
“Fora Dilma” na britânica BBC

 

 

“Fora Dilma” no argentino Clarín
“Fora Dilma” no argentino Clarín

 

 

“Fora Dilma” no britânico Financial Times
“Fora Dilma” no britânico Financial Times

 

 

“Fora Dilma” no espanhol El País
“Fora Dilma” no espanhol El País

 

 

“Fora Dilma” na versão espanhola do estadunidense Huffington Post
“Fora Dilma” na versão espanhola do estadunidense Huffington Post

 

 

“Fora Dilma” no britânico The Guardian
“Fora Dilma” no britânico The Guardian

 

 

 

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Na maior manifestação do Brasil desde as “Diretas Já”, quem mudou de lado? E por quê?

Observe bem as bandeiras e cores ontem na avenida Paulista, onde mais de um milhão de pessoas protestou contra o governo Dilma Rousseff e o PT...
Observe bem as bandeiras e cores ontem na avenida Paulista, onde mais de um milhão de pessoas protestou contra o governo Dilma Rousseff e o PT…

 

 

... E compare atentamente com as bandeiras e cores do histórico comício das “Diretas Já” na Praça da Sé, na São Paulo de 31 anos atrás, antes de responder:: Quem mudou? E por quê?
… E compare atentamente com as bandeiras e cores do histórico comício das “Diretas Já” na Praça da Sé, na São Paulo de 31 anos atrás, antes de responder:: Quem mudou de lado? E por quê?

 

Uma multidão foi neste domingo, 15, às ruas para protestar contra a presidente Dilma Rousseff, dois meses e meio após ela dar início ao segundo mandato numa acirrada disputa com o PSDB, principal adversário político do PT. Os manifestantes pediram o fim da corrupção, reclamaram da situação econômica e defenderam o impeachment da presidente. Uma minoria falou em intervenção militar. O antipetismo foi a marca comum entre todos os grupos que decidiram protestar.

Segundo o instituto Datafolha, essa foi a maior manifestação política registrada no Brasil desde o movimento das Diretas-Já, em 1984. Em São Paulo, a Avenida Paulista foi praticamente toda tomada. Grupos organizados discursaram de carros de som para um público predominantemente vestido de verde e amarelo. Políticos de oposição até participaram dos protestos, mas preferiram ficar à margem, sem comandar palavras de ordem. Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), principais adversários de Dilma em 2014, comemoraram a mobilização via rede social.

O governo foi surpreendido com a quantidade de gente que foi às ruas. Dilma chegou a afirmar a auxiliares que as manifestações deixam a situação política “mais complicada” do que em junho de 2013, quando uma série de protestos derrubaram a popularidade da presidente. Para dar uma resposta formal aos atos de ontem, Dilma escalou dois ministros para falar com a imprensa. Enquanto seus discursos eram transmitidos por programas de TV, várias capitais voltaram a repetir o panelaço de domingo da semana passada.

“2 milhões” —  Os protestos contra o governo Dilma Rousseff ao longo do domingo foram realizados em todos os 26 Estados e no Distrito Federal.

Houve manifestações em repúdio à gestão petista nas capitais e em, ao menos, 185 cidades do País. Atos, bem mais tímidos, também foram realizados em Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires.

Segundo informações oficiais das Polícias Militares dos Estados, no mínimo, 1,950 milhão de brasileiros foram às ruas, a maioria vestida de verde e amarelo e com cartazes pedindo impeachment, renúncia da presidente e até mesmo a intervenção militar.

Em São Paulo, a Polícia Militar calculou cerca de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista por volta das 15 horas, momento de maior concentração no local. Nota da corporação informou ter estimado a presença de cinco manifestantes por metro quadrado na avenida e ruas adjacentes.

De acordo com o Datafolha, o evento reuniu 210 mil participantes no local. Se levado em conta o histórico de levantamentos do instituto, o ato político de ontem foi o maior já realizado desde o movimento pelas eleições diretas, em 1984, quando cerca de 400 mil pessoas, ainda de acordo com dados do Datafolha, se reuniram no centro de São Paulo.

Na sexta-feira, o ato pró-governo e em defesa da Petrobrás, organizado pelas centrais sindicais e por movimentos sociais na Avenida Paulista, reuniu, segundo a PM, número aquém de participantes ao registrado pelo Datafolha. Enquanto os policiais estimaram o público em 12 mil pessoas, o instituto de pesquisa falou em 41 mil.

Outras capitais — Capitais como Vitória e Porto Alegre chegaram à marca de 100 mil manifestantes, segundo as PMs locais, superando até mesmo a expectativa da organização. Em Curitiba, foram calculadas 80 mil pessoas. E em Goiânia, 60 mil.

Tradicional reduto do PT, o Nordeste teve passeatas nas nove capitais da região. Cerca de 75 mil nordestinos, segundo a PM, participaram dos protestos.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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Protesto contra Dilma levou 800 campistas às ruas no domingo

Blog do Bastos

 

 

De verde e amarelo, campistas protestam contra Dilma

Por alexandre bastos, em 15-03-2015 – 13h18

 

Em Campos, o ato contra a presidente Dilma Rousseff (PT)  reuniu, de acordo com a Polícia Militar (PM), cerca de 800 pessoas e transcorreu de forma pacífica. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes se concentraram na Praça São Salvador, caminharam pela Avenida Alberto Torres, passaram pela Beira Valão e encerraram os protestos na Pelinca. Confira algumas imagens do ato na planície goitacá:

 

 

 

 

 

Atualização às 16h50 – Por volta das 10h, a concentração para a manifestação contava com cerca de 200 pessoas. Neste momento, representantes da indústria e do comércio, como Acic e CDL, exibiram faixas contra a política econômica da presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, por volta das 11h30, com a chegada de jovens, a maioria da chamada “pedra”, a manifestação ganhou mais corpo. Na saída, de acordo com a PM, cerca de 800 pessoas seguiram o mini-trio elétrico até o final da Pelinca. Durante o percurso, por conta do calor, pelo menos 200 manifestantes deixaram o ato. Na página do ato no Facebook, 4,7 mil internautas haviam confirmado presença.

No trio elétrico, Igor Franco, Roger Azevedo e Fabrício Lírio usaram o microfone para protestar e puxar gritos de guerra como: “Fora, PT”, “Povo nas ruas, Dilma a culpa é sua”, “De verde e amarelo, sem foice nem martelo”. Os manifestantes também alfinetaram os manifestantes pró-Dilma, que teriam recebido R$ 80 para participar de ato no Rio (aqui). “Aqui ninguém recebeu R$ 80 para protestar. Estamos lutando pelo nosso país, sem bandeira partidária, usando verde e amarelo”, diziam os manifestantes que estavam no trio.

Provocação (I) – Durante o protesto, um eleitor da presidente Dilma exibiu bandeira com o nome da presidente na varanda de um luxuoso apartamento próximo ao Palácio da Cultura. A provocação foi recebida com bom humor pelos manifestantes, que rebateram mostrando bandeiras do Brasil.

Provocação (II)  Após a manifestação nas ruas, o debate esquentou nas redes sociais. Simpatizantes do PT e da presidente Dilma debocharam sobre o número de campistas no ato. “Quando eu ia na praça trocar figurinhas da Copa, tinha mais gente!”, ironizou Sandre Antunes.

 

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Domingo de passeatas — Bola do Petrolão aberta na ponta ao Blog do Bastos

pausa

 

 

Para quem se acostumou a buscar aqui, dentre todas as opções na blogosfera goitacá, as últimas notícias e opiniões mais relevantes acerca do Brasil do Petrolão, o blog pede licença neste domingo abafado de passeatas contra o governo Dilma Rousseff (PT), em Campos, no Brasil e no mundo, para rolar a bola ao craque do time dos blogueiros hospedados na Folha Online. Até amanhã, quando espero voltar à ativa, você pode acompanhar tudo, em tempo real, no Blog do Bastos.

Inté!!!…

 

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Crítica de cinema — Dragão devorador de atores

Caixa de luzes

 

O sétimo filho

 

Mateusinho 2O sétimo filho — No universo quase ilimitado da computação gráfica, a partir de meados dos anos 1990, com as inovações revolucionárias da Pixar Studios, praticamente não há fantasia humana que o cinema não possa conceber. Com o sucesso de público e crítica da trilogia inicial de “O senhor dos anéis” (2001, 2002 e 2003), que no conjunto faturou quase três bilhões de dólares de bilheteria, além de receber 30 indicações ao Oscar, arrebatando 17 estatuetas douradas, o tradicional gênero aventura de capa e espada foi reinventado, polvilhado por todo tipo de criaturas fantásticas.

O problema é que nem sempre se tem uma material rico como o do escritor britânico J. R. R. Tolkien (autor da trilogia homônima na qual os filmes se baseiam) para se trabalhar, tampouco a competência do diretor, roteirista e produtor neozelandês Peter Jackson para adaptar com sucesso as fantasias da literatura ao cinema. Frutos deste dilema, filmes descartáveis como “Caça às bruxas” (2011, de Dominic Sena), “João e Maria: Caçadores de bruxas” (2013, de Tommy Wirkola) e mesmo “Jack: O caçador de gigantes” (2013), do talentoso diretor estadunidense Bryan Singer, têm sido empilhados na prateleira dos blockbusters de 15 dias, incapazes de imprimir qualquer memória duradoura no espectador, aturdido em meio a tantos efeitos especiais.

É o mesmo caso de “O sétimo filho”, que estreou esta semana nos cinemas de Campos. Nele, Jeff Bridges vive Master Gregory, o último cavaleiro da ordem dos Falcões, composta apenas por sétimos filhos de sétimos filhos, especializada na caça de bruxas e criaturas sobrenaturais. Apesar dos elementos de cristianismo, o mundo em que vivem é fantasioso, misturando chineses e seus típicos chapéus num cotidiano que remete à Europa medieval.

Anos atrás, Gregory prendeu a poderosa feiticeira Mother Malkin (Julianne Moore) numa solitária escavada no meio da rocha de uma montanha. Com a chegada da lua vermelha, ela se fortalece e se liberta, incorporando no corpo de uma menina. Na nova batalha com a bruxa, o cavaleiro perde seu devotado aprendiz Bill Bradley (Kit Harington, o Jon Snow da brilhante série de TV “Game of thrones”). Para substituí-lo, Gregory compra o passe do camponês Tom Ward (Ben Barnes), outro sétimo filho de um sétimo filho, acometido por visões que não entende ou consegue controlar.

Dividido por sua paixão pela jovem bruxa Alice (Alicia Vikander) e a lealdade ao seu novo mestre caçador de bruxas, assim como por sua verdadeira origem, descoberta no decorrer do filme, Tom vai perdendo aos poucos sua pureza, assim como aconteceu no passado com os próprios Master Gregory e Mother Malkin, fazendo de ambos o que se tornaram. Talvez, se fosse buscado algum significado mais profundo, o filme pudesse revelar o caráter misógino e machista de homens caçando mulheres que tanto a eles se impõem, quanto os seduzem.

Mas se “O sétimo filho” merece algo de maior profundidade é o lamento pela maneira como os efeitos especiais em 3D conseguem roubar quase completamente o espaço que poderia ser dividido com grandes atores. Oscar de melhor ator por “Coração louco” (2010, de Scott Cooper), Jeff Bridges consegue ter seu momento, quando Gregory, diante do túmulo da esposa, revela ao jovem aprendiz como e porque se tornou um homem velho, amargo e solitário. Já a Julianne Moore, Oscar de melhor atriz este ano por “Para sempre Alice” (de Wash Westmoreland e do recém-falecido Richard Glatzer, também em cartaz nos cinemas da planície, cuja excelente crítica da Paula Vigneron você pode conferir aqui), é permitida uma única nesga da intérprete que de fato é, em sua expressão física após o fratricídio, já perto do final do filme.

Mas a melhor definição dessa predominância acéfala da computação gráfica sobre a interpretação, fica por conta do ator beniense Dilmon Hounsou. Depois de impressionar meio mundo por sua intensidade dramática em “Amistad” (1997, de Steven Spielberg) e de ser indicado ao Oscar de coadjuvante por “Terra dos sonhos” (2002, de Jim Sheridan), o africano não tem rigorosamente nenhuma chance de mostrar seu talento na pele de Radu, chefe dos assassinos aliado de Malkin. É que, toda vez que ele poderia fazê-lo, no lugar do grande ator, vê-se apenas as três dimensões de um dragão.

O filme hollywoodiano do diretor russo Sergey Brodrov é feito para vender pipoca e ponto. Mas para quem gosta de cinema, sobretudo da arte da interpretação, talvez fosse o caso de cuspir fogo.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Datafolha: Em passeata da CUT na sexta, 63% acham que Dilma sabia da corrupção

Deu ruim

 

Dos cerca de 41 mil participantes do protesto liderado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em São Paulo na sexta-feira, 63% acham que a presidente Dilma Rousseff sabia da corrupção na Petrobras, segundo dados de uma pesquisa do Datafolha divulgados neste domingo pelo jornal “Folha de S.Paulo”. O Instituto realizou 313 entrevistas, e a margem de erro é de seis pontos para mais ou para menos.

Para 36% dos entrevistados, a presidente sabia da corrupção, mas não poderia fazer nada. Outros 27% acreditam que ela sabia e deixou que os malfeitos ocorressem; e 32% entendem que ela não tinha conhecimento de nada.

Entre os participantes do ato, 71% afirmaram ter votado em Dilma no segundo turno de 2014. De cada 10 presentes, 4 afirmaram que têm o PT como partido de preferência. Ao todo, 25% dos entrevistados disseram estar na rua para protestar contra medidas recentes do governo que tiram direitos trabalhistas. E 22% mencionaram necessidade de aumento salarial para os professores. A reforma política foi citada por 19%, e a defesa da Petrobras, por 18%. Em um questionário em que cada entrevistado poderia marcar mais de um motivo para estar protestando, só 4% mencionaram estar na rua em apoio à Dilma.

No universo dos participantes, 68% disseram ter ensino superior. Estima-se que o total de participantes do ato tenha sido de cerca de 41 mil, também segundo o Datafolha.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Hoje à esquerda ou direita de quem, cara pálida?

Nas palavras do Nelson Motta no contravapor ao anacrônico Juca Kfouri, entre os conceitos de esquerda e direita fundamentados no parlamento da França do séc. XVIII, que esse seja o pensamento de quem hoje sair às ruas ou ficar dentro de casa:

 

 

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Os intelectuais acham que há ódio contra o PT. Nunca se perguntam se o partido fez algo

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Jornalista, escritor e blogueiro Fernando Gabeira
Jornalista, escritor e blogueiro Fernando Gabeira

O quinze

Por Fernando Gabeira

 

Tranquilo como a manhã de domingo. Cantávamos isso nos anos 1980. Espero que todo dia de domingo seja tranquilo. No domingo passado, lia revistas quando ouvi panelaços e gritos de “fora Dilma”. Não sabia que ela apareceu na tevê. Pensei: esses caras estão errando de domingo, o protesto é dia 15. Rapidamente, percebi que era manifestação espontânea da elite branca, como diz o PT. Em Ipanema, com tanto sol, a elite é morena, mas bateu panelas com a mesma intensidade.

O problema das manifestações de hoje não é a leveza do domingo, nem mesmo ter números expressivos. O problema, como em 2013, é evitar a violência e isolar os desordeiros, que se aparecerem agora serão, claramente, uma força auxiliar do governo.

Muita gente pede o impeachment de Dilma. Dizem que é golpismo. Não é. Está previsto em lei e passa por um ritual democrático: existem razões concretas? E por uma reflexão política: se cai o presidente, o que virá depois? Vivemos a mais complexa crise dos últimos 30 anos. Não vejo capacidade em Dilma para liderar o país na sua retomada. Nem vejo o PT com instrumentos para entender a realidade.

Conheço as lentes ideológicas. Elas se tornam mais poderosas quando está em jogo o próprio emprego. O PT tende a afirmar que os protestos vêm dos ricos. Tudo o que vem dos ricos é suspeito, logo deve ser rejeitado pelos pobres. Com o tempo, vão se assustar com o número de ricos no país, ou, finalmente, admitir que rejeição ao PT é um fato nacional. Os intelectuais acham que há um ódio contra o PT. Não se perguntam nunca se o partido fez alguma coisa errada. Pelo contrário, criam a seguinte imagem: os ricos nos odeiam porque os pobres passaram a consumir, frequentar universidades e viajar de avião.

De todos os processos mentais, um dos mais eficazes é esse: localizar uma virtude, no caso a distribuição de renda, e atribuir a ela as razões do ódio ao PT, suprimindo nesse processo mágico a roubalheira, o cinismo e a incompetência. Presidente incapaz, partido corrompido até a medula não têm condições de conduzir o país para fora do buraco em que nos meteram.

As manifestações de hoje não vão resolver sozinhas esta parada. Mas podem discutir direções. Impeachment, renúncia? Os tucanos não gostam de saídas conflitivas. Querem que Dilma sangre quatro anos. Pra que tanto sangue, meu Deus? Se os tucanos querem isso, imaginem os vampiros.

Os meandros da política tendem a desidratar os pedidos de impeachment. Em muitos lugares do mundo o povo dispensou a oposição e os políticos nesta fase. Ao invés de impeachment, que passa por um rosários de crivos necessários, simplesmente adotou “o pede para sair”.

Por mais profunda que seja a crise, agarrado aos cargos e ao poder, o PT jamais aceitaria uma renúncia. E que valor ela teria se no seu lugar fosse instalado o PMDB? Todas as certezas vão passar por uma prova. Como diz o poeta, segunda-feira ninguém sabe o que vai acontecer. Não me refiro apenas ao dia de amanhã, 16 de março. Se a crise se aprofundar, se as pessoas sacudirem a árvore com intensidade, eles acabam saltando por uma questão de sobrevivência. Aí, sim, nesse momento, será possivel falar de união nacional, de trazer as forças da sociedade para contribuir com a ideia de renovar.

Desde adolescente participo de manifestações. Aprendi a vê-las como algo não linear. Elas têm fluxo e refluxo, como o movimento da marés. Não salvaremos o país neste domingo. É só o começo de um novo processo. Será longo e difícil, porque a crise econômica vai roubar também muitos dos nossos sonhos. E não são apenas sonhos de consumo. Sonhos de crescimento, atualização, competividade profissional. Sacudir a árvore é um antídoto à ideia que as vezes nos assalta: meu país fracassou, logo também sou um fracasso.

Domingos são tranquilos e às vezes repetitivos. Desde a macarronada da infância ao futebol, os programas de auditório. Nos domingos, às vezes morremos, pelo menos esta é a sensação que a mesmice nos traz. O panelaço de domingo passado e as manifestações de hoje abrem uma nova fase. Não estamos em 2013. Naquela época, havia apenas uma sensação difusa de revolta contra todo o sistema político.

Nesse momento, as pessoas têm um foco. Sentiram-se enganadas na campanha. Exigem reparos. Estão conscientes de que a Petrobras foi assaltada: querem investigação e cadeia para os culpados. Em 2013, o objetivo parecia apenas exigir serviços públicos decentes em troca dos impostos. Agora o buraco é mais embaixo. Parece que as pessoas perceberam que isso só é possível com uma sacudida maior e focalizada. Não estamos em 2013 simplesmente porque a crise não nos deixará viver essa ilusão.

Não se trata apenas de desabafar num domingo tranquilo. Eles acreditam que esqueceremos tudo durante a semana. Sempre jogaram com o esquecimento. Mas a crise nos dará a memória de um elefante.

 

Publicado aqui, no Blog do Gabeira

 

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Dilma é explícita: não renuncia de jeito nenhum e não será afastada do cargo

Blog do Moreno

 

#Prontofalei

Ao pronunciar a palavra impeachment, Dilma trouxe o tema para dentro do governo.

Mas não foi apenas em público que ela pronunciou a palavra.

Em pelo menos uma ocasião, falando a amigos de longa data, a presidente foi explícita: disse que não renuncia de jeito nenhum e que não será afastada do cargo.

 

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Não precisa ir para a rua — Tudo será resolvido no STF com Dias Toffoli julgando o Petrolão

cozinha

 

 

Jornalista Guilherme Fiuza
Jornalista Guilherme Fiuza

Lugar de elite é na cozinha

Por Guilherme Fiuza

 

Se você estava pensando em sair às ruas amanhã contra Dilma, petrolão e grande elenco, não precisa mais. Pode ficar em casa. Tudo será resolvido no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Dias Toffoli, que presidirá (aqui) o julgamento da Operação Lava-Jato.

Toffoli é o homem certo no lugar certo. Ex-advogado do PT, ex-assessor da Casa Civil de Lula, defensor implacável dos companheiros no julgamento do mensalão, ele foi o presidente do TSE que proibiu a propaganda da “Veja” na véspera da eleição — porque a revista informava (aqui) que Dilma e Lula sabiam de tudo. Alguma dúvida de que Dias Toffoli defenderá você, cidadão, contra a máfia progressista e humanitária que depenou a Petrobras e o Estado brasileiro?

Pronto. Agora que você tem certeza de que a justiça será feita, e que os autores do maior escândalo de corrupção da República serão punidos, relaxe. Economize a garganta e a sola do sapato, porque passeata é muito desgastante. Alugue um desses filmes sobre Al Capone, e viaje para aqueles tempos estranhos em que uma quadrilha tomava o poder constituído e tinha até juiz próprio… Que horror!

E já que você está com o domingo livre, desobrigado de se mandar para as ruas — o que é coisa da elite branca, e você não vai querer se misturar com essa gente que nunca deveria ter saído da cozinha —, aproveite para botar a leitura em dia. Há verdadeiras joias na literatura nacional recente. Comece pelo épico “Pedro Barusco na CPI da Petrobras” (aqui). É emocionante. O ex-gerente da estatal (que está disposto a devolver uns 100 milhões de dólares) contou que era uma espécie de freelancer da corrupção até começar o governo petista. A partir daí, o roubo foi “institucionalizado”, explicou o ex-gerente, que se reportava ao já famoso Renato Duque, diretor inoculado pelo PT na Petrobras.

“É chocante”, reagiu (aqui) Joaquim Barbosa — aquele representante da elite branca que não manda mais nada, para alegria do Brasil progressista e amigo dos pobres. Quem manda agora é Dias Toffoli, e ele não há de permitir que a direita golpista ataque uma instituição que está funcionando tão bem desde 2003, como explicou Barusco.

E esse Brasil que dá certo há mais de década, com mensalão, petrolão e demais benfeitorias socialistas, continuou funcionando por um detalhe singelo: a cabeça da “institucionalização” jamais foi cortada. Joaquim Barbosa, esse golpista, botou em cana vários guerreiros do povo brasileiro — mas nenhum deles estava mais com a mão na massa, ou melhor, na máquina. No que Dirceu foi flagrado, passaram-no imediatamente para a penumbra, dando lugar a Dilma Rousseff. Esta foi eleita presidente sem jamais deixar de prestar solidariedade ao mensaleiro julgado e condenado — e todos sabem que solidariedade é uma marca dos companheiros. Especialmente quando faz chover centenas de milhões de reais do esquema nas duas campanhas presidenciais da candidata solidária.

Resumindo: para se sustentarem no poder, Lula e Dilma foram fartamente beneficiados pelo mensalão e pelo petrolão, esquemas montados e operados em seus governos, com a regência de seus sócios partidários — esses aos quais Lula e Dilma permaneceram publicamente solidários mesmo com toda fama, com toda grana, com toda lama. A gente vai levando, e o Brasil, esbofeteando o óbvio, resolveu aceitar que a presidente e o ex não sabiam de nada. Aí vem o doleiro do petrolão, sob os juramentos da delação premiada, informar: “Sim, eles sabiam de tudo”.

O que está faltando? O que mais precisa acontecer para que o país exija a investigação direta desses governantes que presidiram a “institucionalização” do roubo? Não, não… Ainda é cedo. Espere o PT bater na sua porta e pedir uma comissão para manter a sua luz acesa. Aí, talvez, quem sabe, seja a hora de agir.

Enquanto você assiste chocado ao DVD do Al Capone, o ministro da Justiça, o procurador-geral e o ministro relator da Lava-Jato fazem seu jogral da inocência, anunciando aflitos que não há fundamento para investigar Dilma Rousseff. O médico mandou não contrariar, mas tem muita gente querendo desobedecer — e responder o disparate nas ruas. Deve ser essa gente esbranquiçada que não sabe o seu lugar, e agora deu para sair da cozinha batendo panelas contra o Império do Oprimido.

Um teólogo de esquerda disse que o movimento de 15 de março é coisa das elites que não ouviram a mensagem de Jesus. Pelo visto, o céu também já é deles. Nesse ritmo, seus branquelos, para vocês só vai sobrar mesmo a rua. Corram para lá — antes que seja tarde.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Amanhã — Derruba e depois? A alternativa é pior?

 

Amanhã

 

 

Jornalista e escritor Zuenir Ventura
Jornalista e escritor Zuenir Ventura

O que será o amanhã?

Por Zuenir Ventura

 

Algumas semanas em férias dos acontecimentos e, na volta, a sensação de que o país está, como no mapa, de cabeça pra baixo. Não sei se essa é a pior crise dos últimos tempos, como se diz — a presidente (aqui)  acha que não —, mas é uma confusão poucas vezes vista, em termos de paradoxos e subversão de valores, papéis e sinais. O Brasil nunca foi um país para principiantes, já ensinava Tom Jobim, mas há momentos em que não é nem para catedráticos, como em 1963/64, por exemplo, que deu no que deu. A História não se repete, tudo bem, mas há agora algo parecido — de radicalismo, intolerância, agressividade e ódio. Espera-se que o desfecho não seja igual, embora a discordância seja tanta que nem os próximos se entendem mais, como Dilma e Lula. E o que dizer do PMDB, o maior partido de apoio à presidente, que é o que lhe causa mais embaraços? Quem a acusou de querer atrair “sócio para a lama” não foi um oposicionista grosseiro, mas o próprio presidente da Câmara (aqui), hóspede da “lista de Janot” (saudade dos tempos em que lista de dinheiro sujo era só a dos bicheiros). No seu depoimento na CPI da Petrobras, ele foi homenageado por vários colegas, inclusive do PT e PSDB. Coube a Clarissa Garotinho o espanto: “O que vi aqui foi uma reunião de felicitações. E achei que estava numa CPI”. De fato, o acusado parecia ser o procurador da República.

Em compensação, a melhor defesa do PT não foi feita por um petista, mas pelo ex-ministro de FH Bresser-Pereira. Recorrendo à velha luta de classes, o tucano atribuiu a onda de protestos a “um ódio coletivo dos ricos contra um partido e uma presidente”. O melhor símbolo, porém, da inversão de papéis talvez seja mesmo Paulo Malufn (aqui), que em 2000 Lula queria ver “atrás das grades” e em 2013 foi procurado em sua mansão pelo próprio Lula, em busca de apoio para Haddad. Criticado por este gesto, o ex-presidente declarou em comício: “Dizem que o companheiro Maluf é ladrão, mas isso é uma demonstração de ‘cleptomaníacofobia’ inaceitável nos dias de hoje”. Procurado pela Interpol por desvio de dinheiro, o deputado do PP, o partido com mais figurantes na tal lista, 31, manifestou-se indignado com a corrupção. “Estou com Janot: se alguém deve, tem de pagar. Em 48 anos de vida pública, sempre fui correto”. Que tal?

De que maneira essa confusão política, misturada com o escândalo do petrolão e com os sérios problemas econômicos, tudo isso agravado pela insatisfação geral, vai chegar às ruas amanhã? O comportamento das manifestações será um teste decisivo para a democracia. Tomara que seja um protesto legítimo, não o ensaio de uma arriscada derrubada da presidente Dilma.

Derruba, e depois? A alternativa é pior.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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