Definidos Alemanha e Argentina como os finalistas do Mundial, no tira-teima das que disputaram em 1986 e 1990, conheça abaixo a seleção das semifinais, incluindo time, técnico e gol mais bonito da rodada, que certamente será lembrada para sempre na história do futebol, pela tragédia das tragédias na Copa das Copas:
Goleiro: Sergio Romero (Argentina)
Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)
Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)
Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)
Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Volante: Javier Mascherano (Argentina)
Meia: Toni Kroos (Alemanha)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)
Técnico: Joachim Löw (Alemanha)
Na linha de passe que colocou o Brasil na roda de bobo dentro do Brasil e diante do mundo, o gol do brilho coletivo com cara de pelada de uma brilhante geração germânica, segundo do craque Toni Kroos — destaque individual da rodada, ao lado do volante argentino Javier Mascherano — e quarto da Alemanha nos históricos 7 a 1 de 8 de julho de 2014:
Conheça aqui, aqui e aqui, respectivamente, as seleções da fase de grupos, das oitavas e quartas de final.
Além do belo futebol de toque de bola e rapidez, com que ontem derrotaram o Brasil por 7 a 0, os alemães têm conquistado fãs neste Mundial pelo respeito e a simpatia com que têm se relacionado com o país da Copa e seu povo. O atacante Lukas Podolski nem jogou ontem, como tem sido pouco aproveitado pelo técnico Joachim Löw. Mas confira abaixo o que o jogador alemão postou aqui, após a partida, em português e na democracia irrefreável das redes sociais:
Podolski com os índios Pataxós no litoral sul da Bahia, onde a seleção da Alemanha buscou sua sede na Copa
“Respeite a AMARELINHA com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol.
A vitória é consequência do trabalho, viemos determinados, todos nós crescemos vendo o Brasil jogar, nossos heróis que nos inspiraram são todos daqui.
Brigas nas ruas, confusões, protestos não irão resolver ou mudar nada. Quando a Copa acabar e nós formos embora, tudo voltará ao normal então muita paz e amor para esse povo maravilhoso, um povo humilde, batalhador e honesto. Um país que eu aprendi a amar”.
Depois de mobilizar o mundo contra o racismo ao comer uma banana atirada em sua direção no campo, enquanto defendia a camisa do Barcelona, o lateral direito Daniel Alves não teve papas na língua ao voltar a entrar firme em outra polêmica, em defesa do grupo eliminado ontem por 7 a 1 pela Alemanha, utilizando mais uma vez a democracia irrefreável das redes sociais, mas desta vez gerando reações mais variadas. Acompanhe aquia polêmica em tempo real e confira abaixo a transcrição do desabafo do jogador brasileiro:
Eu quero aproveitar esse momento duro, difícil, complicado para todos nós que escolhemos o futebol como profissão e que fomos escolhidos, para representar nosso país, nessa copa do mundo. Gostaria de dizer que, Para mim poder compartilhar todos esse tempo com vocês foi prazer inigualável, sei que um monte de babacas vão fazer chacota, sei que um monte de perdedores do jogo mais importante do mundo, que é o da vida, vão se alegrar por isso, mas, gostaria de dizer publicamente que vocês são fodas, que sou um privilegiado de formar parte desse grupo, que vocês são os melhores, que vocês são campeões, onde todos esses babacas nunca serão, pois vocês se superaram e conseguiram vencer na vida, vocês hoje são respeitados, aqui pode que não, mas, no resto do mundo tenho certeza que sim. Dias ruins, vem nas nossas vidas, para aprendermos a valorizar os dias bons de uma maneira que somente quando temos os dias ruins nos damos conta disso!
Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk
Se você acha que desperdiçou ontem 90 minutos, mais 15 de intervalo, para no final tomar de sete, não deixe de investir outros 61 minutos da sua vida para assistir ao vídeo abaixo e resgatar consigo mesmo, enquanto brasileiro, uma dívida de 64 anos. O documentário é do jornalista Geneton Moraes Neto.
Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo
(Capa da edição de hoje da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves, foto de Valmir Oliveira, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ontem, desde o apito final do árbitro mexicano Marco Rodríguez, começou uma nova Copa do Mundo no Brasil. De um lado, entre os que acham entender de futebol, para ver quem mais repete: “Eu avisei!”. Do outro, entre quem não entende nada, mas ainda pensa tirar proveito político da maior tragédia da história do futebol brasileiro, a disputa será para saber quem mais ecoa: “Fizemos a Copa das Copas, só faltou time!”.
O fato é que na maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira em 100 anos, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1, ontem, no Mineirão. E o mais triste talvez tenha sido assistir a uma geração de jogadores tão comprometida não ter forças para reagir à pressão do clima de “pátria de chuteiras”, no qual foi envolvida desde o início da campanha, assim como foi ontem por um futebol baseado no toque de bola, que já foi nosso, mas mudou de pátria há alguns anos e foi ditado diante do mundo em fluente alemão.
Antes da semifinal de ontem, os três gols até então sofridos pela Alemanha da Copa haviam saído pelo lado esquerdo da sua defesa, onde o zagueiro Benedikt Höwedes atuava improvisado como lateral. Por isso a crônica esportiva foi quase unânime ao saudar a coragem de Felipão quando, depois de mistério nas escalações dos dois times, uma hora antes do jogo foi anunciado que quem entraria na vaga de Neymar seria o jovem Bernard, justamente para jogar no lado direito do ataque brasileiro — e envergando a camisa 20, a mesma usada pelo campista Amarildo para entrar no lugar de Pelé e ajudar na conquista da Copa de 1962. Por outro lado, o técnico alemão Joachim Löw, além de Höwedes na esquerda, confirmou a escalação do veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, no comando do ataque germânico, numa formação mais conservadora.
Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira
Marcada desde a Copa das Confederações, vencida em 2013 pela pressão no campo adversário nos minutos iniciais, a esperança de que a coragem brasileira surtisse resultado durou exatamente 10 minutos. Foi quando Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou um contra-ataque rápido com Sami Khedira e Thomas Müller, que acabou em escanteio. Grande nome do jogo, o meia Toni Kroos bateu pela direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para abrir o placar, num erro de toda a defesa brasileira, mas sobretudo de David Luiz que marcou a bola.
Mas o pior estaria porvir…
Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16
Dos 21 aos 27 minutos, num espaço de apenas seis, a até então sólida defesa brasileira tomaria nada menos que outros quatro gols. Aos 21, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross achar Müller dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou à defesa parcial de Júlio César, mas pegou a sobra para fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.
Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha
Aos 23, o meia Mezut Özil enfiou o lateral Philipp Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Novamente solto dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos, que bateu no canto direito de Júlio César. Aos 27, novamente Kroos apareceu para roubar a bola de Fernandinho, tabelar com Khedira e receber dentro da área, para bater forte e marcar seu segundo gol no jogo.
Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha
Para acabar de fechar a tampa do caixão brasileiro ainda no primeiro tempo, o zagueiro Mats Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.
Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha
Diante do quadro praticamente irreversível, alguns torcedores brasileiros começaram a deixar o estádio, enquanto os que ficaram perderam a paciência aos 39, quando começaram a vaiar o Brasil. Até que, no minuto seguinte, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
No segundo tempo, com Ramires e Paulinho nos lugares de Hulk e Fernandinho, o Brasil tentou novamente pressionar, mas esbarrou no goleiro Manuel Neuer. Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas de Paulinho, na mesma jogada, Neuer faz quatro grandes defesas consecutivas.
Aos 12, substituído pelo atacante André Schürrle, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em contrapartida, no minuto seguinte, o centroavante brasileiro Fred bateu de fora da área e foi vaiado sonoramente pela torcida, que depois repetiu contra ele o coro da presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”. E não ficou sozinho, quando aos 17 o telão do Mineirão mostrou Ronaldo, que assistiu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo, e também foi vaiado pela torcida.
Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto
Dentro do campo, Lahm lançou Khedira pela ponta direita e correu para receber de volta e cruzar para Schürrle marcar o sexto da Alemanha, aos 23. Felipão aproveitou enquanto a torcida ainda tentava contar quantos gols tinha tomado, para tirar Fred, que era tão perseguido pelas vaias da torcida da casa, quanto foi o brasileiro Diego Costa nos três jogos que fez na Copa pela Espanha.
Aos 33, num contra-ataque, Müller cruzou da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chegou atrasado na marcação de Schürrle. O alemão dominou dentro da área de perna direita e emendou uma petardo de canhota, no ângulo de Júlio César: Alemanha 7 a 0.
Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha
Em outro contra-ataque, aos 44, Özil saiu cara a cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão tocou com consciência, mas a bola saiu pela linha de fundo, rente à trave. Aos 45, Marcelo lançou Oscar, que recebeu na área, dominou, driblou o zagueiro Jérôme Boateng e bateu na altura da marca do pênalti, sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.
Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil
Na dúvida do que será ainda pior, entre ter que assistir a Argentina disputar a final do dia 13 no Maracanã, ou enfrentá-la na disputa pelo terceiro lugar, dia 12, em Brasília, uma certeza: ninguém tem o direito de repetir nessa tragédia do futebol brasileiro o mesmo feito em outra, há 64 anos, com os ex-jogadores Barbosa, Juvenal e Bigode, responsabilizados pela derrota brasileira na final da Copa de 1950. E isso vale tanto para os que rapidamente se converteram no culto de martirização midática de Neymar, quanto para os que cerraram fileiras na “caça às bruxas” virtual contra o lateral colombiano Juan Zúñiga, responsável pela contusão do craque brasileiro numa disputa imprudente.
Nesse mesmo oba-oba patriótico que só surge entre os brasileiros de quatro em quatro anos, todos da crônica esportiva do país da Copa acusados de sofrer de “complexo de vira latas” por apontar críticas táticas e técnicas ao time, ou à maneira como ele tentou ser descaradamente utilizado para fins políticos em ano de eleição presidencial, também não devem ceder à nenhuma pequenez. Nela, dá de goleada a grandeza demonstrada pelo zagueiro David Luiz, símbolo maior desse time, que mesmo sem ter feito grande partida deu sua cara a tapa ainda na saída do campo:
— Eu só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre em tantas outras coisas. Infelizmente não conseguimos. Desculpa a todo mundo. Desculpa a todos os brasileiros. Eu só queria ver meu povo sorrir. Todo mundo sabe o quanto seria importante para mim ver o Brasil feliz pelo menos por causa do futebol. Eles foram melhores (…) É um dia de muita tristeza, mas de muito aprendizado também (…) Eu, na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos. Não vou fugir de nada. Vou assumir tudo. E nunca vou desistir. Uma dia ainda vou alegrar esse povo de alguma forma.
No futebol, a primeira coisa a ser assumida diante da belíssima exibição de futebol dada ontem pela Alemanha, que agora fará a final no Maracanã como favorita contra o vencedor entre Argentina e Holanda, não veio de nenhum analista ou cronista esportivo, mas de um torcedor anônimo saindo do Mineirão, entrevistado a esmo por uma das redes de TV que cobriu a partida:
— É até uma vergonha dizer isso, mas o Brasil tinha que ter entrado com mais medo. Não temos mais futebol para enfrentar a Alemanha de igual para igual.
Fora do futebol, entre os muitos outros erros revelados nesta Copa, cada um assuma o que quiser.
Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou contra-ataque pela direita, com Khedira e Müller. O lateral brasileiro correu para se recuperar e ceder o escanteio. Líder de assistências na Copa, Kross bateu o escanteio da direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para fazer seu quinto gol nesta Copa. Erro primário de posicionamento de toda a defesa brasileira no lance de bola parada, sobretudo de David Luiz, que faz uma grande Copa, mas marcou a bola.
Aos 21 minutos, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross tocar na direita para Müller, dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou e Júlio César defendeu, mas a bola sobrou o para centroavante fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.
Aos 23, o meia Ozil enfiou o lateral Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos que bateu no canto direito de Júlio César.
Aos 26, os primeiros torcedores começam a abandonar o Mineirão.
Aos 27, o meia Kroos roubou a bola de Fernandinho, recebeu de volta dentro da área após tabela com Khedira, e bateu forte dentro da área para fazer seu segundo gol no jogo: Alemanha 4 a 0.
Aos 28, o zagueiro Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.
Aos 32, a minoria alemã nas arquibancadas começou a gritar olé para o toque de bola do time que, dentro do campo, parecia maioria.
Aos 39, os torcedores brasileiros começaram a vaiar seu time.
Aos 40, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
Atualizado às 17h55
No segundo tempo o Brasil voltou com Ramires no lugar de Hulk e Paulinho, no de Ferandinho. Na Alemanha, saiu o zagueiro Hummels para a entrada de outro, Mertesacker.
Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas, no mesmo lance, de Paulinho, Neuer faz quatro grandes defesas. Mas a torcida que ainda restava ao Mineirão volta a gritar “Brasil” das arquibancadas.
Aos 12, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em seu lugar, entra Schürrle.
Aos 13, Fred bate de fora da área e é vaiada sonoramente pela torcida, que depois repete contra ele o coro que já tinha cantado no final do primeiro tempo para a presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”
Aos 15, Müller bateu de fora da área pela direita, de curva. Antes da bola entrar no ângulo osposto, Júlio César voa e troca de mão para fazer uma defesa excepcional.
Aos 16, David Luiz lança Maicon dentro da área, pela direita. Mas no lugar de tentar a jogada, o lateral repete um hábito da Seleção nesta Copa, cai para tentar simular um pênalti e é vaiada pela própria torcida.
Aos 17, o telão do Mineirão mostra Ronaldo, que viu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo. Ele também é vaiado pela torcida.
Aos 20, a torcida volta novamente a entoar o coro contra a presidente da República: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
Aos 23, Lahm lança Khedira pela ponta direita, penetra pela pela área e recebe de volta e cruza para Schürrle marcar o sexto da Alemanha. Felipão aproveita enquanto a torcida ainda estava atônita para tirar Fred de campo, que era tão perseguido pelas vaias do torcida brasileira, quanto foi na Copa inteira o Diego Costa.
Aos 32, apesar da imensa inferioridade numérica, os cantos intraduzíveis da torcida alemã ecoam sobre o silêncio sepulcral da brasileira.
Aos 33, num contra-ataque, Müller cruza da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chega atrasado na marcação de Schürrle, que domina de perna direita e emenda uma patada de canhota, no ângulo de Júlio César. Alemanha 7 a 0.
Aos 34, a torcida brasileira que ainda restava perde a paciência e passa a vaiar generalizadamente a Seleção Brasileira. David Luiz é único poupado.
Aos 36, na linha de passe da seleção alemã no campo defensivo do adversário, brasileiros e germânicos gritam “olé!” das arquibancadas a cada toque da bola de pé em pé.
Aos 44, em outro contra-ataque, Özil sai de cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão toca com consciência, mas a bola sai pela linha de fundo, rente à sua trave direita.
Aos 45, Marcelo lança Oscar, que recebe na área, domina, dribla Boateng, e bate da altura da marca do pênalti sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.
Nem William, nem Paulinho. O substituto da Seleção Brasileira será seu jogador mais jovem: Bernard, de 21 anos. Sua camisa é a 20, mesmo número usado pelo campista Amarildo, ao substituir Pelé para ganhar a Copa de 1962 (relembre aqui). Em contrapartida, a Alemanha também surpreendeu, escalando seu veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, desde o início das semifinais de daqui a pouco, no Mineirão. Ele terá a chance de tentar ultrapassar o ex-craque Ronaldo Fenômeno como maior artilheiro da história das Copas, após empatar nesta com o brasileiro no número total de 15 gols.
Os técnicos Luiz Felipe Scolari e Joachim Löw fizeram mistério sobre suas escalações até o último momento, num xadrez tático antes do jogo de verdade começar daqui a pouco no campo. No entanto, o treinador alemão manteve Benedikt Höwedes na lateral esquerda, zagueiro adaptado à função que não tem feito uma boa Copa — foi pelo seu setor que nasceram os três gols sofridos pela Alemanha nesta Copa. Considerado o possível mapa da minha na defesa germânica pelo treinador Felipão, como o blog antecipou aqui, Bernard entra para jogar avançado pela direita, em cima de Höwedes. Com isso, Hulk cairá pela direita e Oscar fica liberado para fazer mais pelo meio a função tática que vinha sendo desempenhada por Neymar.
O Brasil pode até não ganhar o jogo. Mas pela coragem e inteligência demonstradas pelo tão criticado Felipão na escalação do Brasil nesta semifinal, em contraste com a proposta conservadora de Löw, vale a pena torcer. Afinal, como diz Sean Connery, na pele de Malone, a Kevin Costner, interpretando Eliot Ness, antes de ambos se reunirem para enfrentar uma guerra e prender Al Capone, no clássico filme “Os Intocáveis” (1987), do diretor Brian De Palma: “Deus não gosta de covardes!”
O Brasil entra em campo com Júlio César, Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho e Oscar; Bernard, Fred e Hulk. A Alemanha vem como Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Höwedes; Schweinsteiger, Kedira, Kroos e Özil; Müller e Klose.
Antes que tenha início hoje as semifinais da Copa do Mundo, com o Brasil x Alemanha de logo mais, e o Argentina x Holanda de amanhã, o blog divulga sua seleção e o gol mais bonito na fase das quartas de final, com a novidade da eleição também do melhor técnico. Confira abaixo:
Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica)
Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: David Luiz (Brasil)
Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Volante: Paul Pogba (França)
Meia: James Rodríguez (Colômbia)
Meia: Lionel Messi (Argentina)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Arjen Robben (Holanda)
Técnico: Louis van Gaal (Holanda)
Quanto ao gol mais bonito das quartas, na torcida de repeteco daqui a pouco, reveja-o no vídeo abaixo:
Quem quiser relembrar as seleções da primeira da fase de grupo e das oitavas de final, basta conferir respectivamente aqui e aqui.
E como, desde que o teatro foi inventando junto com a democracia pelos antigos gregos, as máscaras da tragédia e da comédia sempre foram siamesas, confira abaixo o vídeo do comediante Danilo Gentili, um dos nove “inimigos da pátria” publicamente enumerados pela lista negra do PT (relembre o caso aqui e aqui). Para aliviar a tensão antes da semifinal entre Brasil e Alemanha de daqui a pouco, bem como da falta que nela Neymar poderá fazer, vale a pena para rir um pouco da comédia dessa nossa necessidade humana de tragédia…