Ponto final — E agora, quem poderá ajudar?

Ponto final

 

“Mas alerto a vocês que não devem se assustar a cada pesquisa”. Foi o que Anthony Garotinho (PR) pregou (aqui) em seu blog na última quinta (25), ainda no susto de dois dias antes, quando Ibope e GPP registraram a virada de Luiz Fernando Pezão (PMDB) como novo líder da corrida a governador. Mas se os 29% a 26% do Ibope (aqui), ou os 28% a 22% do GPP (aqui), favoráveis a Pezão contra Garotinho, bastariam para provocar calafrios na curva da Lapa, o que dizer da pesquisa Datafolha divulgada ontem (aqui), com 31% do primeiro contra apenas 23% do segundo, a apenas oito dias de 5 de outubro?

Na comparação com a consulta anterior do Datafolha, a mais recente não deixa dúvida: Pezão cresceu seis pontos, passando de 25% a 31%, enquanto Garotinho e Marcelo Crivella (PRB) caíram. O primeiro quedou de 25% a 23%, perdendo os mesmo dois pontos percentuais do sobrinho de Edir Macedo, que diminuiu de 19% para 17%. Na margem de erro de três pontos para mais ou para menos, Pezão se isolou oito pontos percentuais na liderança, enquanto Garotinho e Crivella estão empatados tecnicamente.

Nas projeções de segundo turno, a tendência é a mesma, embora alcance proporções ainda mais assustadoras. Pezão conquistaria em 26 de outubro quase o dobro da votação do adversário, caso este seja Garotinho, num impressionante massacre eleitoral de 54% a 30%. Ainda que por diferença um pouco menor, o político da Lapa também tomaria outra surra de votos se enfrentasse Crivella no segundo turno, para quem perderia por 49% a 30%.

Determinante no segundo turno, sejam quem forem os dois escolhidos pelas urnas do primeiro, a rejeição é outro fator amedrontante para Garotinho. De fato, este foi o único índice em que ele conseguiu crescer entre as duas últimas amostragens Datafolha, nas quais passou de 46% a 49%, liderança negativa ainda mais isolada do que a de Pezão nas intenções de votos. Para se ter uma ideia, o segundo colocado na rejeição é o petista Lindberg Farias, com 20%, menos da metade do ex-prefeito de Campos.

Na mesma postagem em seu blog em que já parecia prever o brejo como destino da vaca, Garotinho citou o trecho bíblico: “Até aqui nos ajudou o senhor”. Esqueceu-se de dizer que se trata de passagem do primeiro livro de Samuel (7:12), que ungiu Saul e David reis de Israel, assim como de revelar quem conseguirá ajudá-lo daqui em diante a ser coroado governador do Rio. Pelo susto que o político da Lapa tem tomado a cada nova pesquisa, a ajuda não virá do eleitor.

 

Publicado hoje na Folha.

 

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Qual medo vencerá? De Marina ou mais quatro anos de Dilma?

medo

 

Nelson Motta
Jornalista Nelson Motta

No jogo sujo, todos perdem

Por Nelson Motta

Quando os estrategistas da campanha de Dilma Rousseff festejavam o efeito devastador dos ataques massivos a Marina Silva, mostrando-a como uma ameaça às conquistas sociais e um salto no escuro, comemoravam o inverso da proposta que levou Lula ao poder: a vitória do medo sobre a esperança.

Mas, no segundo turno, quando o tempo de televisão é igual e os ataques e mentiras podem ser rebatidos no ato e com a mesma força persuasiva, será que os debates cara a cara vão mostrar, sem intermediários, quem é quem e o que quer fazer? Quem será a esperança e quem será o medo? Qual a melhor atriz?

Mas até o dia da eleição muita lama ainda vai rolar. Se a delação premiada de Paulo Roberto Costa equivale à queda de um Boeing carregado de políticos, empresários e funcionários poderosos e intocáveis, imaginem a de seu chefe Alberto Youssef. O medo de uns é a esperança de outros.

Até as grandes empreiteiras estão com medo e, na esperança de redução das acusações e das penas, já se uniram para oferecer sua colaboração nas investigações, mas foram rejeitadas pelo procurador-geral Rodrigo Janot como um “cartel de leniência”. Cada uma terá o seu processo.

Pena que as bombas vão explodir depois das eleições, mas, seja quando for, assim como o julgamento público do mensalão, serão altamente educativas para a sociedade, como um antídoto do veneno das campanhas eleitorais, que deseducam e abusam do eleitor.

Em vez de uma polarização entre velhos adversários conhecidos, a eleição vai se tornando um plebiscito sobre o governo Dilma e o PT. E o pior que pode acontecer nesses casos é vitória do “sim” ou do “não” por diferença mínima, que, mais que uma conquista eleitoral, significa que o país está radicalmente dividido, não entre conservadores e progressistas, esquerda e direita, mas pelo marketing politico mais, ou menos, eficiente.

Nesse cenário, haverá esperança que possa vencer o medo que metade do Brasil tem de uma vitória de Marina, ou o medo que a outra metade tem de mais quatro anos de Dilma? Depois da guerra suja, os vencedores serão os melhores marqueteiros, o grande perdedor será o país.

 

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Ponto final — Tensões garotistas

Ponto final

 

Pressionado pelas últimas pesquisas Ibope e GPP, que registraram a virada de Luiz Fernando Pezão (PMDB) na corrida eleitoral ao governo do estado, Anthony Garotinho (PR) enfrenta tensões em sua candidatura e seu grupo político. Como mostra a reportagem do jornalista Alexandre Bastos na página seguinte (aqui), a Prefeitura de Campos tem atrasado por meses o pagamento dos prestadores de serviço, sobretudo dos pequenos, apesar do gigantesco orçamento de R$ 2,5 bilhões neste ano eleitoral.

Por conta deste e de outros problemas na Prefeitura e na campanha a governador, circulou nos corredores da Câmara Municipal que Garotinho teria dado uma severa reprimenda no secretário de Governo Suledil Bernardino (PR), pela condução das coisas em Campos. E as mesmas fontes deram conta que o caldo teria entornado também no Rio, entre o deputado estadual candidato à reeleição Geraldo Pudim (PR) e o ex-presidente do partido em Campos, Wladimir Garotinho.

Apesar das declarações públicas em contrário, não é segredo que Pudim e Wladimir não se suportam. O primeiro se opôs à candidatura do segundo à Alerj, que em resposta lançou Bruno Dauaire (PR) em seu lugar. Mas dessa vez a discussão teria beirado às vias de fato, como de fato foi entre os militantes do PR e do PMDB, após os primeiros hostilizarem um comício de Pezão, na noite de quarta, em Bangu, como mostra matéria da página anterior (aqui), do jornalista Arnaldo Neto, baseada em reportagem do jornal O Dia (aqui).

Enquanto isso, o Legislativo Municipal se presta a ecoar boatos, já que não realiza mais sessões e sua assessoria só foi saber da paralisação do Portal da Transparência, desde junho, ao ser indagada pela Folha, como revelado na página anterior pelo jornalista Mário Sérgio Junior (aqui). Ainda assim, será palco da disputa seguinte à de governador, pela governabilidade de Rosinha (PR): a presidência da Câmara de Campos. Aí as tensões se dividem desde já entre os vereadores Edson Batista (PTB) e Paulo Hirano (PR). 

 

Publicado hoje na Folha.

 

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E não adianta chamar Freud

Pink Freud

 

Jornalista Ricardo André Vasconcelos
Jornalista Ricardo André Vasconcelos

A rejeição e o segundo turno

Por Ricardo André Vasconcelos

 

Faltando pouco mais de nove dias e três programas de televisão para o primeiro turno, há poucas ou nenhuma chance de mudança significativa no quadro da disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, reflete uma evolução que vinha sendo percebida há pelo menos três semanas, ou seja, estagnação das intenções  de voto do até então líder das pesquisas, Anthony Garotinho (PR), e a  ascensão de Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Crivella (PRB) e Lindberg (PT) estão longe de ter chance de estar no segundo turno. Salvo um fato novo extremamente grave que tire um dos dois com assento já garantido.

Por isso, as articulações já se voltam para o segundo turno e chama atenção as dificuldades que Garotinho terá, primeiro para costurar alianças com os candidatos desclassificados no primeiro turno, e, principalmente, enfrentar a rejeição do eleitor ao seu nome, que gira em torno dos 40%.

Nos últimos dois anos Garotinho esteve diariamente num programa de rádio transmitido para todas as regiões do Estado, desempenhou com eficiência seu mandato de deputado federal e, como líder do PR na Câmara Federal, foi presença constante na mídia. Além disso, os dois mandatos que comandou no Governo do Estado, entre 1999 e 2006, ainda estão na memória do eleitor e, daí ser ele o mais conhecido dos candidatos e justamente está aí também seu “calcanhar de Aquiles”, seu ponto fraco: 39% dos eleitores, segundo a pesquisa do Ibope desta terça-feira, não votariam nele “de jeito nenhum”.

Vice-governador nos últimos sete anos e meio e titular a partir de abril, Pezão por sua vez era conhecido por pouco mais da metade do eleitorado no início da campanha e foi conquistando o eleitor beneficiado tanto pela máquina do Estado quanto pelos 10 minutos de exposição no programa eleitoral no rádio e TV contra dois minutos de Garotinho. Com pouca rejeição (16%), Pezão saiu de 15 pontos em julho para chegar à liderança com 29, enquanto Garotinho saiu de 21 pontos para 26, ou seja, cresceu apenas cinco pontos durante a campanha enquanto o adversário dobrou suas intenções de votos

No segundo turno os dois candidatos terão o mesmo tempo de televisão — 10 minutos cada — e a escolha da estratégia do programa e do discurso nas ruas serão importantes, mas o vital será resolver o problema da rejeição.

E não adianta chamar Freud.

 

Publicado aqui, no blog “Eu Penso que…”, e hoje na Folha.

 

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Ponto final — Nem Freud

Ponto final

 

“Aguardemos a nova previsão do tempo ainda esta semana da Datafolha”. Foi assim que esta coluna ontem concluiu (aqui) sua análise da virada eleitoral de Luiz Fernando Pezão (PMDB) sobre Anthony Garotinho (PR) na disputa do governo fluminense, consumada na pesquisa Ibope (aqui) divulgada na terça (23). Mas não foi nem preciso esperar o Datafolha. Ainda na noite de terça, o GPP não só confirmou a virada de Pezão (aqui), como ampliou a vantagem que este hoje tem sobre Garotinho em intenções de voto.

Se o Ibope de terça colocou Pezão com 29%, contra 26% de Garotinho, no mesmo dia o GPP daria 28% ao governador, deixando o deputado federal com apenas 22%. A diferença de três pontos percentuais do primeiro instituto, num empate técnico dentro da sua margem de erro de 2% para mais ou menos, se transformou numa disparada de seis pontos nos números do segundo, cuja margem de erro é de 1,3%.

Sem repercutir o GPP, divulgado parcialmente pelo jornalista Felipe Patury, da revista Época, Garotinho tentou reagir aos números do Ibope com acusações contra o mais conceituado instituto de opinião do país e seu proprietário. E nesta manifestação conseguiu resumir todos os motivos para ter sido ultrapassado nas pesquisas ainda no primeiro turno, sendo também derrotado por Pezão em todas as projeções do segundo turno, assim como pelo senador Marcelo Crivella (PRB).

Em conversas pessoais, garotistas pensantes já admitem não só ser o brejo o destino provável da vaca, como creditam ao destempero do líder essa condução do rebanho. No segundo turno, se Garotinho lá estiver, nada indica que a tática infantil do “eu contra o mundo” irá mudar. Tampouco que seja capaz de reverter uma rejeição de 46%, segundo o Datafolha (aqui), ou mesmo de 39%, para o Ibope. Diante disso, como ressalva o jornalista Ricardo André Vasconcelos em artigo na página ao lado (aqui): “Nem adianta chamar Freud”.

 

Publicado hoje na Folha.

 

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Ainda quer mais tempo para prosseguir?

Calvin e Haroldo - autoritarismo

 

Antropólogo Roberto DaMatta
Antropólogo Roberto DaMatta

Autoritarismo

Por Roberto DaMatta

 

Talvez a palavra “autoritarismo” seja a mais adequada para caracterizar a nossa índole política. Veja bem: eu falo em caracterizar, e não em definir. Somos também anárquicos, malandros e lenientes — portanto, antiautoritários em certas situações, e tais comportamentos dependem de ideologias, partidos e pessoas. Sobretudo dos amigos, e daí vem, paradoxalmente, o problema da impunidade que impede castigar delitos flagrantes precisamente porque não julgamos os crimes, mas quem os praticou. Se o autor é um desconhecido, somos implacáveis e fascistas, mas, se é um amigo, ele tem a nossa condescendência e a nossa compaixão.

Afinal, falamos autoritariamente, mas sem perceber: “Este eu conheço! É pessoa de bem, tinha suas razões!”. O crime, como disse um dia o presidente Lula, foi cometido por meros (e inocentes) “aloprados”; e o mensalão foi uma trivialidade num sistema político recheado de corruptos. O problema é que a trama dos favores que une os poderosos é muito densa para não ser descoberta por algum maldito jornalista investigativo ou revelada por alguma rede ou câmara de televisão.

No Brasil, o crime hediondo e depravado é feito por quem não conhecemos; já o crime cometido por quem faz parte do nosso círculo de relações é um erro de cálculo ou um descuido. Donde o inocente e mendaz: “Eu não sabia…” Nosso autoritarismo ainda não entendeu que, numa democracia, somos simultaneamente construtores e habitantes de um mesmo teto!

O dado novo é a desmistificação do governante como uma pessoa predestinada e superior que pode tudo. Sobretudo roubar. E a questão hoje em dia não é mais de ter sido pobre ou das competências de como resolver os problemas, mas do modo pelo qual esses problemas serão resolvidos. No Brasil atual, nem Stalin ou Hitler teriam sucesso, porque o modo de governar está intrinsecamente ligado à roubalheira amistosa, vista como normal, aceitável e inevitável. O governar como um serviço e uma entrega baseada no resgate de valores, mais do que de rotineiras receitas técnicas, é o que está faltando neste nosso Brasil prestes a eleger um novo presidente.

É preciso liquidar com o autoritarismo do “todos fazem” e nós também fizemos, mas, infelizmente, a imprensa reacionária propagou de modo exagerado e ilegítimo o nosso delitozinho, inventando um “mensalão” petista que jamais existiu. O do PSDB é real, o nosso é fantasia reacionária. Por isso, tivemos que lutar para realizar uma revisão de todo o quadro legal e praticamente reformulamos as sentenças e a tese do julgamento.

Contra isso, só um temporal de ética que comece discutindo o personalismo. Esse personalismo que atribui mais responsabilidade às pessoas do que às questões que demandam a cooperação de todos para serem resolvidas.

Quem é a autoridade? Saber quem manda (ou é o “dono da bola”) é, sem sombra de dúvida, a questão que mais nos aflige. Competir com uma pessoa — usando argumentos pífios — é mais importante do que contribuir para resolver um problema crucial. Quando o mandão é obvio, não há problema. Mas, quando não existe consenso sobre quem é o mais importante, ficamos aflitos, e o conflito deflagra os bate-bocas mal-educados, visando à “desconstrução”, que são a primeira consequência do nosso desconforto com a igualdade.

No fundo, sempre achamos que as pessoas são mais importantes que os problemas e é exatamente isso que tipifica o personalismo que leva ao autoritarismo. Nele, o centro é sempre a pessoa, e elas são tão poderosas que frequentemente fazem com que os problemas (bem como as normas e leis) sejam esquecidos ou ultrapassados.

O dinamismo democrático conduz a uma troca de cadeiras. Se não fosse um exagero, eu diria que essa transparência e esse embaralhamento entre o público e o íntimo têm tido um efeito revolucionário de desmistificar precisa e paradoxalmente os revolucionários de plantão. É o que o nosso pífio programa eleitoral tem o dom de revelar. Nele, os batedores de carteira usuais surgem com clareza, mas é fascinante descobrir o fascismo aberto dos candidatos revolucionários para quem todo o mal do mundo é produzido pelos banqueiros. A satanização é um reducionismo absurdo.

Como contrapeso, porém, temos a campanha dilmista falando de um futuro governo aberto às forças do empreendedorismo, do lucro e do mercado que o PT sempre rejeitou, ao lado de uma visão francamente autoritária e contraditória relativamente ao papel da mídia. Ao jornal cabe informar! — diz a presidenta. E nós, na nossa luta para desmistificar o mundo público nacional, livrando-o dos seus sofismas personalistas, familísticos e autoritários, ficamos abestalhados com a revelação da índole (do geist, como diria um sociólogo alemão) deste governo que tem desmantelado o Banco Central, a Petrobras, os Correios e agora um impecável IBGE nesta ultima década, e que ainda quer mais tempo para prosseguir.

 

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Ponto final — Previsão do tempo

Ponto final

 

Atribui-se ao ex-governador mineiro Magalhães Pinto (1909/96) a famosa máxima: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e já mudou”. Dentro deste relativismo, é possível que Anthony Garotinho (PR) ainda vire essa eleição a governador, depois da virada que tomou na pesquisa Ibope divulgada ontem, primeira em que Luiz Fernando Pezão (PMDB) apareceu à sua frente já no primeiro turno.

A apenas 11 dias das urnas de 5 de outubro, Pezão confirma mais uma vez sua tendência de crescimento. Nas três últimas pesquisas Ibope, divulgadas em 2, 9 e 23 de setembro (ontem), ele subiu inicialmente de 19% para 25%, para agora registrar 29%, num impressionante crescimento de 10 pontos percentuais em menos de um mês. Já Garotinho, primeiro caiu de 27% para 26%, índice com o qual ontem se manteve.

Quanto ao segundo turno, do empate exato em 35% na consulta Ibope divulgada dia 2, Pezão passou Garotinho na projeção seguinte em 40% a 33%, abrindo agora consistentes 10 pontos de vantagem: 43% a 33%. Ou seja, o governador cresceu oito pontos, enquanto o deputado federal caiu dois.

Se a estagnação eleitoral parece ser o grande problema de Garotinho, diante do franco crescimento de Pezão, não é o único. Também estacionado, o senador Marcelo Crivella (PRB) se mantém na terceira colocação com os mesmos 17% nas três últimas pesquisas Ibope. Todavia, segundo a divulgada ontem, ele também ganharia o segundo turno de Garotinho pelo governo fluminense com relativa facilidade, por 41% a 33%.

Política é como nuvem. Ao dizer que foi Deus quem quis que ele soubesse da virada no Ibope enquanto estava em Campos, demagogia à parte, o horizonte amplo da planície goitacá ontem reservou poucas nuvens para Pezão, nestes 11 dias até 5 de outubro. Já para Garotinho e sua intrépida trupe, a cada nova espiadela no céu, o clima parece cada vez mais sujeito a ventos fortes, trovoadas e pancadas de chuva. Aguardemos a nova previsão do tempo ainda esta semana do Datafolha.

 

Publicado hoje na Folha.

 

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Porque Marina pode perder, mais do que Dilma pode ganhar

Marina, Dilma e Aécio (foto de Orlando Brito)
Marina, Dilma e Aécio (foto de Orlando Brito)

 

Saulo Queiroz, empresário e ex-deputado federal
Saulo Queiroz, empresário e ex-deputado federal

Perspectivas para o segundo turno

Por Saulo Queiroz

Podem ocorrer mudanças no cenário nestes 15 dias que restam de campanha, mas pouco provável que mudará o desenho de um segundo turno entre Dilma e Marina. A reação de Aécio, tímida se considerarmos o pouco tempo restante, fica comprometida pelo seu desempenho em Minas, muito aquém da expectativa de pelo menos uma maioria em seu berço político. Para entrar no páreo, precisaria avançar pelo menos sete pontos, chegando a 24%. Representa todo o eleitorado do Centro-Oeste, algo em torno de dez milhões de votos. Aécio terá que buscar esses votos só no embornal de Marina. Muito complicado.

Vale, por isso, uma avaliação de potencial das duas candidatas na disputa de segundo turno. Comecemos por Dilma. Primeira observação importante é distinguir a eleição em que não há um candidato a reeleição daquela em que um dos contendores busca a manutenção do poder. Neste caso, onde se encaixa Dilma, a escolha do eleitor tem um caráter plebiscitário: quero ou não quero que ela continue no cargo.

Desde as convenções, seu desempenho nas várias listas do Ibope e Datafolha se manteve em uma variação pequena, entre 34% e 39%. Durante todo esse tempo, cerca de 60% do eleitorado estão dizendo que não querem reeleger a presidente. É o caráter plebiscitário.

Todavia, na simulação de segundo turno contra Marina, Dilma tem avançado bem e os números já mostram uma situação de equilíbrio. Mas isso não basta para ganhar.

O detalhe é que para o segundo turno todas as variáveis são desfavoráveis à presidente. Não há perspectivas de receber apoio de partidos que perdem no primeiro turno, caso de PSDB, DEM e PTB, que tenderão a caminhar com Marina.

Os resultados das eleições estaduais tendem a favorecer Marina.

No Rio Grande do Sul, haverá segundo turno entre Ana Amélia e Tarso Genro. Por conta da polarização natural, Ana Amélia, em nítida vantagem, deve apoiar Marina. No Paraná, existe a perspectiva de Beto Richa vencer no primeiro turno, devendo apoiar Marina no segundo. Raimundo Colombo em Santa Catarina deve também vencer no primeiro turno e apoiará a reeleição da presidente no segundo turno.

No Sudeste, o PT deve ganhar no primeiro turno em Minas e o PSDB em São Paulo. Em Minas, no segundo turno Marina poderá contar com o PSDB de Aécio, o que poderia equilibrar a disputa, e em São Paulo, se houver empenho do PSDB, Marina pode consolidar uma grande vantagem.

O segundo turno na eleição do Rio, entre Garotinho e Pezão, não ajuda Dilma, porque o atual governador é favorito e não deverá se empenhar pela reeleição da presidente. No Espírito Santo, Dilma praticamente não tem ninguém, como não tem agora.

No Nordeste, os adversários de Dilma nos dois maiores colégios eleitorais, Bahia e Pernambuco, devem vencer no primeiro turno e poderão atuar no segundo turno com muita força, de forma a reduzir ainda mais a vantagem que Dilma tem hoje na região, que é de apenas 13 pontos percentuais (53% a 40%). Nos demais estados, o resultado do primeiro turno não mudará o cenário favorável a Dilma, que deve ganhar em todos eles.

No Norte o quadro é muito favorável para a presidente nos três principais estados (Pará, Amazonas e Tocantins). No segundo turno ela deve manter nítida vantagem, bem acima de 60% dos votos válidos.

No Centro-Oeste, a vantagem de Marina no segundo turno deverá ser ampliada, porque, com exceção de Mato Grosso do Sul, seus parceiros que disputarão o governo terão desempenho nitidamente superior no segundo turno, como mostram pesquisas de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Marina, aparentemente entra no segundo turno agregando duas vantagens importantes: a simetria no horário eleitoral e o possível apoio de partidos políticos importantes, mal-sucedidos no primeiro turno, caso de PSDB e DEM, mas com vitórias importantes no primeiro turno na eleição de governador, caso de São Paulo, Paraná e Bahia. Depois a oportunidade de, com tempo de televisão reforçado, poder realmente dizer ao país o que pretende e, o que é vital.

Neste final de primeiro turno, por conta de equívocos que se repetiram, seus adversários estão conseguindo desqualificar seu preparo para o cargo e a impossibilidade de atrair quadros competentes para compor seu governo e garantir maioria confiável no Congresso. Se quiser ganhar a eleição, ela terá que desmistificar, com ações concretas, estas duas questões.

Em algumas questões terá, por isso, que arbitrar entre suas convicções pessoais e de seu partido e o senso comum da população e as regras da lei, como chamou a atenção Roberto Rodrigues no caso do Código Florestal.

Dependendo de como as coisas correrem no segundo turno, é perfeitamente possível que a vontade de mudar perca para o temor do imponderável. A atriz principal desse filme se chama Marina Silva.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Ponto Final — A bela e o lindinho

Ponto final

 

Mais de uma pessoa já constatou que a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR) herdou o talento político do pai; com vantagens contadas por arroba na silhueta. Ontem, por exemplo, em matéria publicada na página 5 da edição de hoje, ao ser indagada sobre as fortes declarações do senador Lindberg Farias contra seu pai, Clarissa usou a ironia para bater de volta não só no candidato petista ao governo do Rio, como em quem aconselhou este a fazer de Garotinho de alvo preferencial: o ex-presidente Lula.

Em entrevista exclusiva aos jornalistas Dora Paula Paes e Arnaldo Neto, publicada na Folha do último domingo (aqui), Lindberg quis desconversar a pergunta sobre sua fama de não cumprir acordos, exemplificada com uma acusação do político da Lapa, respondendo: “Garotinho não tem autoridade moral para atacar ninguém”. Pois ontem, em matéria do jornalista Alexandre Bastos, publicada hoje na página ao lado (aqui), Clarissa respondeu: “Eu entendo o senador. Está querendo criar uma onda na reta final, mas até agora nem uma marolinha!”

No caso, a deputada estadual do PR e candidata a campeã de votos como deputada federal menosprezou a intenção de Lindberg de tentar criar uma onda eleitoral de última hora ao governo do estado. E ao dizer que a tal “onda” não é nem “marolinha”, Clarissa bateu também em quem mandou Lindberg bater em Garotinho. Ainda presidente, em 2008, Lula chamou de “marolinha” a mesma crise mundial que agora, seis anos depois, corrói a economia do país e afeta as chances de Dilma Rousseff continuar presidente nos próximos quatro anos.

 

Publicado hoje, na edição impressa da Folha.

 

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