Frente Democrática amanhã, na Alerj, com Paulo Melo e Picciani

Segundo o repórter da Folha Rafael Vargas acabou de apurar com a vereadora petista Odisséia Carvalho, está confirmado o encontro da Frente Democrática de Oposição, às 17h de amanhã, na Assembléia Legislativa, com o presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB), e o presidente estadual da legenda, Jorge Picciani. De Campos, vão os presidentes dos diretórios dos oito partidos que integram a Frente, mais os vereadores de oposição. Eles vão apresentar suas ações e se colocar como alternativa de governo ao município de Campos, na eleição de 2012, mesmo que em candidaturas divididas no primeiro turno, que se reuniriam no segundo contra o casal garotinho. O encontro deve servir também de preparação para uma reunião da oposição campista com o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB).

Opiniões de poesia — Castro Alves

Conforme anunciado aqui, segue o transplante, do “Cantos” a este “Opiniões”, de textos que o blogueiro produziu sobre poesia. A bola da vez, no resgate, é Antônio Castro Alves, mais alto eco do nosso Romantismo aos “Versos que Homero gemeu”…

 

Castro Alves — Brisa do Brasil

Por aluysio, em 07-10-2009 – 15h33

Ouvir ou dizer que o Brasil nunca produziu poetas à altura de seus maiores romancistas, não é conversa nova. Tampouco é recente constatar que o conceito de brasilidade desta mesma prosa superior (será?) foi fundamentado com a publicação de “Os sertões”, em 1902, narrativa ocular de Euclides da Cunha (1866/1909) da Guerra de Canudos (1896/97). Após seguir seus passos pelo sertão baiano, expedição que rendeu um caderno publicado a 26 de dezembro de 2002, comemorativo ao centenário da obra, escrevi que a partir dela  “nossa literatura (…) rompeu com a importação de modelos, de realidades estrangeiras, e se propôs a discutir o Brasil, plantando na terra seca a semente do Modernismo, fazendo brotar Ramos e Rosas em meio a Rochas, contrapondo nosso atraso diante de outros países e, muito mais grave, o atraso do Brasil em relação ao Brasil”.

Sete anos depois, necessário ressaltar que a defesa de “Os sertões” como pedra fundamental de uma prosa genuinamente brasileira foi feita antes e depois, por gente mais balizada, do grande euclidianista Roberto Ventura (1957/2002) ao mestre peruano Mario Vargas Llosa. Mas e a posia brasileira? Se realmente ainda deve o seu equivalente a Machado de Assis (1839/1908) — para quem a prosa de Euclides serviu de ponte rumo ao Modernismo de Graciliano RAMOS (1892/1953) e Guimarães ROSA (1908/1967) —, quem há de contestar a brasilidade pujante e inaugural do poema “O navio negreiro”, escrito por Castro Alves (1847/1871) em 1868, 34 anos antes de “Os sertões”?

Certo que Gonçalves Dias (1823/1864), primeiro grande poeta do Romantismo que teve Castro Alves como estrela derradeira, buscou fundamentar antes essa mesma brasilidade. Todavia, se poemas seus com essa aspiração nacional, como “O canto do Piaga” (de 1847) e “I-juca-pirama” (de 1851), pela qualidade dos versos, estão à altura de “O navio negreiro”, deste se distanciam pela idealização indianista de Gonçalves Dias, no paralelo fictício do Brasil pré-crabalino com a Idade Média européia e suas estórias de cavalaria. Já Castro Alves optou por desenrolar o drama dos seus versos sob a luz do sol real, sem abandonar o hemisfério Sul ou se afastar do Equador. Bom baiano, sua latitude era África com Brasil.

Escrito por um jovem de 21 anos, “O navio negreiro” integrava o livro “Os escravos”, seu segundo. O primeiro — único publicado nos 24 anos em que se resumiram sua vida — foi “Espumas flutuantes”, sendo “A cachoeira de Paulo Afonso” o terceiro. 

Cronologicamente, o primeiro poema de “Os escravos” foi “A canção do africano”,  escrito em 1863 por um adolescente de 16 anos, idade em que se manifestou pela primeira vez a tuberculose que iria matá-lo, assim como o amor pelas mulheres, marca da sua vida, começou a se manifestar em sua lírica. Iminência da morte oposta à paixão pela vida: contraste superlativo que iria marcar toda a poética de antíteses de Castro Alves.

 Três anos mais tarde, em 1866, o poeta passou de admirador a amante da atriz portuguesa Eugênia Câmara, 10 anos mais velha que ele e sua grande paixão. Para ela, além de poemas, escreveu a peça “Gonzaga”, sobre o famoso caso de amor que teve a Inconfidência Mineira como pano de fundo.

Quando compôs “O navio negreiro”, Castro Alves estava em São Paulo, roteiro precedido por Rio e Bahia, após deixar, em 1867, os estudos de Direito em Recife, curso no qual nunca se formaria. Ia em companhia de Eugênia, lendo em público seus versos e encenando com a musa sua peça, colhendo sucesso popular incomum a um poeta no Brasil, cujo crédito devia mais à audição do que à leitura da sua obra.  Não por outro motivo, classificava o ritmo, que marca a musicalidade dos versos, como “talismã da verdadeira poesia”. E isso num tempo anterior à disseminação do verso livre de Walt Whitman (1819/1892), quando a rima e a métrica ainda eram elementos indissociáveis do fazer poético.

Guardadas as proporções devidas, fenômeno análogo ocorre em Campos, com o já tradicional Festival Nacional de Poesia Falada. Em algumas de suas edições anuais anteriores, o sucesso de poetas egressos do teatro, como Antônio Roberto Kapi e Adriana Medeiros, deveu-se muito à oralidade impressa em seus versos pelo ritmo do palco, esse “talismã” que raras vezes brilhou na poesia brasileira como em “O navio negreiro”. Não terá sido coincidência que o poema foi recitado por seu autor, pela primeira vez,  em um teatro, triunfalmente, num hoje distante 7 de setembro de 1868.

Seja pela forma de pequena epopéia, ou pelo conteúdo libertário — equilibrado entre Romantismo e Sociologia —, “O navio negreiro” é fruto direto da principal influência de Castro Alves: o escritor francês Victor Hugo (1802/1855). E para além da literatura iam os paralelos com seu mestre. Ainda que sem a excelência deste, que chegou a ser um dos maiores artistas gráficos da França de sua época, o poeta baiano manteve em paralelo a atividade de desenhista e pintor.  

Se essa característica de imagista está expressa em toda a sua obra literária, em “O navio negreiro” ela atingiu, talvez, o seu ápice. Após as antíteses entre mar e céu do primeiro movimento, como vida e morte confluídas no eterno (“Embaixo — o mar… em cima — o firmamento… / E no mar e no céu — a imensidade!”),  será pelos olhos do albatroz, “Leviatã do espaço”, que se descortinarão as glórias passadas dos povos marinhos, cantadas no segundo movimento e pontuadas, não coincidentemente, com os nautas da pátria de Homero, pai de todos os vates.  

Segue-se então o terceiro movimento, reunido na vertigem de uma única estrofe, quando a ave-poeta dá seu mergulho. Como um travelling descendente do cinema, num daqueles geniais planos-sequência de Orson Welles, revela-se ao leitor o “quadro de amarguras”, a “cena funeral”, as “tétricas figuras”, a “cena infame e vil”, o “horror” do tráfico de escravos.

No quarto movimento,“talismã” do autor, o ritmo imprime a musicalidade expressa pelo “estalar do açoite” sobre os africanos, tirados do porão e postos “horrendos a dançar” no convés, costume realmente adotado nos navios negreiros para que o prejuízo da morte por inanição não se abatesse sobre  a  mercadoria humana. E no refrão da “orquestra irônica, estridente”, ecoa o riso do maestro Satanás.

Na passagem do quarto ao quinto movimento, outra das antíteses de Castro Alves. Após Satanás, surge Deus, cujo livre arbítrio aos homens não O exime de ser violentamente cobrado pelo poeta, que recruta também as forças da natureza a apagar o “borrão” da escravidão. É ainda neste movimento que os escravos ganham indentidade, a partir de referências geográficas (“Ontem a Serra Leoa”) e etnográficas, muito embora a citação das personagens bíblicas Agar (escrava egípcia de Abraão)  e Ismael (filho dos dois e patriarca da tribo dos ismaelitas, mais tarde árabes) aponte para a África do Norte, o Magreb muçulmano, enquanto a maioria dos escravos negros trazidos à América advinha da África sub-saariana, ao sul. Espécie nativa da Ásia, tampouco os tigres citados fazem parte da fauna africana.

Como o caráter de nacionalidade do poema se refere ao continente do outro lado do Atlântico, é só no sexto e último movimento que surge o “povo que a bandeira empresta / P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia”: “Auriverde pendão da minha terra / que a brisa do Brasil beija e balança”. Nas aliterações (brisa, Brasil, beija, balança), recurso antecipado ao Modernismo, nossa digital é descoberta na arma do crime, como se toda a descrição da crueldade com que este foi cometido convergisse em preâmbulo à revelação final dos assassinos de uma raça: NÓS!

Ao fim do seu prefácio de “Os sertões”, ao resumir todo caráter da sua obra, Euclides da Cunha sentenciou o genocídio praticado pelo Exército Brasileiro contra as 25 mil almas arrebanhadas por Antônio Conselheiro num aldeamento miserável de sertão: “Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”.

Em verso e prosa, nas denúncias dos crimes que cometemos, a identidade de uma nação.

 

 

O NAVIO NEGREIRO

 

TRAGÉDIA NO MAR

 

 

’Stamos em pleno mar… Doudo no espaço

Brinca o luar — doirada borboleta —

E as vagas após ele correm… cansam

Como turba de infantes inquieta.

 

’Stamos em pleno mar… Do firmamento

Os astros saltam como espumas de ouro…

O mar em troca acende as ardentias

— Constelações do líquido tesouro.

 

’Stamos em pleno mar… Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano

Azuis, dourados, plácidos, sublimes…

Qual dos dois é o céu? Qual o oceano?…

 

’Stamos em pleno mar… Abrindo as velas

Ao quente arfar das virações marinhas,

Veleiro brigue corre à flor dos mares

Como roçam na vaga as andorinhas…

 

Donde vem?… Onde vai?… Das naus errantes

Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?

Neste Saara os corcéis o pó levantam,

Galopam, voam, mas não deixam traço.

 

Bem feliz quem ali pode nest’hora

Sentir deste painel a majestade!…

Embaixo — o mar… em cima — o firmamento…

E no mar e no céu — a imensidade!

 

Oh! Que doce harmonia traz-me a brisa!

Que música suave ao longe soa!

Meu Deus! Como é sublime um canto ardente

Pelas vagas sem fim boiando à toa!

 

Homens do mar! Ó rudes marinheiros

Tostados pelo sol dos quatro mundos!

Crianças que a procela acalentara

No berço destes pélagos profundos!

 

Esperai! Esperai! Deixai que eu beba

Esta selvagem, livre poesia…

Orquestra — é o mar que ruge pela proa,

E o vento que nas cordas assobia…

 

…………………………………………………………………………………………………………

 

Por que foges assim, barco ligeiro?

Por que foges do pávido poeta?

Oh! Quem me dera acompanhar-te a esteira

Que semelha no mar — doudo cometa!

 

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,

Tu que dormes das nuvens entre as gazas,

Sacode as penas, Leviatã do espaço!

Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas…

 

 

Que importa do nauta o berço,

Donde é filho, qual seu lar?…

Ama a cadência do verso

Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a noite é divina!

Resvala o brigue à bolina

Como um golfinho veloz.

Presa ao mastro da mezena

Saudosa bandeira acena

Às vagas que deixa após.

 

Do Espanhol as cantilenas

Requebradas de langor,

Lembram as moças morenas,

As andaluzas em flor.

Da Itália o filho indolente

Canta Veneza dormente

— Terra de amor e traição —

Ou do golfo no regaço

Relembra os versos do Tasso

Junto às lavas do Vulcão!

 

O Inglês — marinheiro frio,

Que ao nascer no mar se achou —

(Porque a Inglaterra é um navio,

Que Deus na Mancha ancorou),

Rijo entoa pátrias glórias,

Lembrando orgulhoso histórias

De Nelson e de Aboukir.

O Francês — predestinado —

Canta os louros do passado

E os loureiros do porvir…

 

Os marinheiros Helenos

Que a vaga iônia criou,

Belos piratas morenos

Do mar que Ulisses cortou,

Homens que Fídias talhara,

Vão cantando em noite clara

Versos que Homero gemeu…

…Nautas de todas as plagas!

Vós sabeis achar nas vagas

As melodias do céu…

 

 

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais, inda mais… não pode o olhar humano

Como o teu mergulhar no brigue voador.

Mas que vejo eu ali… que quadro de amarguras!

Que cena funeral!… Que tétricas figuras!…

Que cena infame e vil!… Meu Deus! meu Deus! Que horror!

 

 

Era um sonho dantesco… O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar do açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

 

Negras mulheres, suspendendo à tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras, moças… mas nuas, espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs.

 

E ri-se a orquestra, irônica, estridente…

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais…

Se o velho arqueja… se no chão resvala,

Ouvem-se gritos… o chicote estala…

E voam mais e mais…

 

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

 

…………………………………………………………………………………………………………

 

Um de raiva delira, outro enlouquece…

Outro, que de martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

 

No entanto o capitão manda a manobra

E após, fitando o céu que se desdobra

Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!…”

 

E ri-se a orquestra irônica, estridente…

E da roda fantástica a serpente

Faz doudas espirais!

Qual num sonho dantesco as sombras voam…

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!…

 

 

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante is céus…

Ó mar! por que não apagas

Co’a a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?…

Astros! noite! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!…

 

Quem são estes desgraçados,

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são?… Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa…

Dize-o tu, severa musa,

Musa libérrima, audaz!

 

São os filhos do deserto

Onde a terra esposa a luz

Onde voa em campo aberto

A tribo dos homens nus…

São os guerreiros ousados,

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão…

Homens simples, fortes, bravos…

Hoje míseros escravos

Sem ar, sem luz, sem razão…

 

São mulheres desgraçadas

Como Agar o foi também,

Que sedentas, alquebradas,

De longe… bem longe vêm…

Trazendo com tíbios passos,

Filhos e algemas nos braços,

Nalma — lágrimas e fel.

Como Agar sofrendo tanto

Que nem o leite do pranto

Têm que dar a Ismael…

 

Lá nas areias infindas,

Das palmeiras no país,

Nasceram — crianças lindas,

Viveram — moças gentis…

Passa um dia a caravana

Quando a virgem na cabana

Cisma da noite nos véus…

… Adeus! ó choça do monte!…

… Adeus! palmeira da fonte!…

… Adeus! amores… adeus!

 

Depois o areal extenso…

Depois o oceano de pó…

Depois no horizonte imenso

Desertos… desertos só…

E a fome , o cansaço, a sede…

Ai! quanto infeliz que cede,

E cai p’ra não mais s’erguer!…

Vaga um lugar na cadeia,

Mas o chacal sobre a areia

Acha um corpo que roer…

 

Ontem a Serra Leoa,

A guerra, a caça ao leão,

O sono dormindo à toa

Sob as tendas d’amplidão…

Hoje… o porão negro, fundo,

Infecto, apertado, imundo,

Tendo a peste por jaguar…

E o sono sempre cortado

Pelo arranco de um finado,

E o baque de um corpo ao mar…

 

Ontem plena liberdade,

A vontade por poder…

Hoje… cum’lo de maldade

Nem são livres p’ra… morrer…

Prende-os a mesma corrente

— Férrea, lúgubre serpente —

Nas ròscas da escravidão.

E assim roubados à morte,

Dança a lúgubre coorte

Ao som do açoite… Irrisão!…

 

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se eu deliro… ou se é verdade

Tanto horror perante os céus…

Ó mar, por que não apagas

Co’a a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?…

Astros! noite! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!…

 

 

E existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?!…

Silêncio!… Musa! chora, chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto…

 

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra,

E as promessas divinas da esperança…

Tu, que da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança,

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…

 

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu na vaga,

Como um íris no pélago profundo!…

… Mas é infâmia de mais… Da etérea plaga

Levantavai-vos, heróis do Novo Mundo…

Andrada! arranca este pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta de teus mares!

 

S. Paulo, 18 de abril de 1868

Futebol-arte com ou sem o Brasil

“Todo brasileiro nasce flamenguista, só que alguns degeneram”. Volta e meia repetida pelos rubro-negros, a frase do compositor Ary Barroso é não só verdadeira, no que se refere aos exageros ufanistas do torcedor médio do time da Gávea e da Seleção Brasileira, como pertinente à sequência de um raciocíonio que comecei a desenvolver aqui, em diálogo com um leitor, e que pretendo retomar agora, véspera do jogo de amanhã, contra o Equador, que definirá (ou não) nossa passagem à próxima fase da Copa América.

Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”
Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, artilheiro da Copa de 1938, com oito gols

Caracterizado por seu aspecto lúdico e sua vocação ofensiva, disse anteriormente que o chamado futebol-arte, na Seleção Brasileira, foi praticado dentro de um período histórico muito claro e definido, que vai da Copa de 1938, na França, à de 1982, na Espanha. Em ambas, coincidentemente marcadas pela presença de craques do Flamengo (Leônidas da Silva e Domingos da Guia, em 38; Zico, Leandro e Júnior, em 82), caimos diante da Itália, que acabaria levando aqueles dois Mundiais separados por 44 anos.

Ferenc Puskas, segundo Pelé, o maior jogador da história
Ferenc Puskas, segundo Pelé, o maior jogador da história

Entre eles, mesmo quando não foi campeão, o Brasil só não foi a seleção sensação da Copa, quando dela foi eliminado por duas equipes européias que figuram até hoje entre as melhores na história do futebol mundial, como provas vivas de que a arte no trato com a bola não tem pátria: a Hungria de Ferenc Puskas, em 1954, e a Holanda de Johan Cruijff, exatos 20 anos depois. 

Fritz Walter, capitão da Alemanha campeão em 54
Fritz Walter, capitão da Alemanha campeã em 54

E não deixa de ser curioso constatar que ambas cairam na final diante da Alemanha (ainda Ocidental, dividida pelo Muro de Berlim), país que, junto com a Itália, tradicionalmente pratica em melhor nível aquilo que ficou conhecido como contraponto do futebol-arte: o futebol-força. No paralelo, devidas são as ressalvas da superioridade técnica da Itália de 38, de Giuseppe Meazza, sobre à de 82, do carrasco Paolo Rossi, assim como a da Alemanha do kaiser Franz Beckenbauer, de 74, sobre à de Fritz Walter, em 54.    

Didi, o gênio da Folha Seca, maior jogador da Copa de 1958
Didi, o gênio da Folha Seca, maior jogador da Copa de 1958

Em relação ao Brasil, a ressalva também é pertinente à Copa de 1966, quando fomos eliminados ainda na primeira fase, com Pelé violentamente caçado pela boa seleção portuguesa de Eusébio e Coluna, no único Mundial que a Inglaterra sediou e venceu, pelos hábeis pés dos Bobby Charlton e Moore. Mas, além de 1938 e 1982, a beleza do jogo brasileiro encantou o mundo em 1950, quando perdemos a final em pleno Maracanã, diante do Uruguai; em 1958, nossa primeira conquista, quando o campista Didi conduziu o futebol brasileiro à sua maioridade; em 1962, no Bi de Garrincha, mais lúdico dos nossos jogadores; em 1970, na apoteoese do Tri e talvez desse próprio período histórico de quase meio século, muito bem resumido pelos pés de Pelé, Gérson, Rivelino e Tostão; e até em 1978, quando o time do capitão Cláudio Coutinho saiu da Argentina do generalíssimo Jorge Videla com o duvidoso título de “campeão moral”.

Telê Santana, técnico da Seleção nas Copas de 1982 e 1986
Telê Santana, técnico da Seleção nas Copas de 1982 e 1986

Mas a partir da Copa de 1986, no México, com Zico no sacrifício e já na mesma curva descendente de Falcão e Sócrates, um Telê Santana escaldado pela derrota quatro anos antes escalou como titulares dois típicos volantes de contenção, desprovidos de maior qualidade ténica: Alemão e Elzo. Tolidos de capacidade criativa no meio-de-campo da Seleção Brasileira, útero sem o qual o futebol-arte não se concebe, a decadência e posterior aposentadoria daquela brilhante geração de 82 foi parcialmente atenuada nas Copas de 1986, de 1990 (na Itália), de 1994 (nos EUA), de 1998 (novamente na França), de 2002 (no Japão e na Coréia do Sul) e de 2006 (na Alemanha reunificada), pela linha direta de três atacantes de exceção: Careca (86 e 90), Romário (90, como reserva, e 94) e Ronaldo Fenômeno (94, como reserva, 98, 2002 e 2006). 

Romário, “o cara” da Copa de 1994
Romário, “o cara” da Copa de 1994

Bem escudados na frente por Muller (Careca), Bebeto (Romário e Ronaldo) e Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho (Ronaldo), e com uma priorização cada vez maior dos cuidados defensivos, a coisa meio que virou: segura na defesa e chuta a bola para a frente, que os caras resolvem. Romário, em 94, e Ronaldo, em 2002, resolveram. Mas tanto eles, quanto Careca, como dito antes, foram atacantes de exceção, não regra — numa linha direta tão rara, quanto na filosofia foram, por exemplo, Sócrates (o ateniense, não o brasileiro), Platão e Aristóteles.

Paulo Henrique Ganso conseguirá ser “o cara” do futuro?
Paulo Henrique Ganso conseguirá ser “o cara” do futuro?

Quando a regra prevaleceu em nosso ataque, com Luís Fabiano (na Copa de 2010) e, agora, com Pato, bons jogadores, mas incapazes de resolver as coisas sozinhos, como seus antecessores eram, fomos obrigados a olhar para trás, para o setor de criação de jogadas. E, em todo o futebol brasileiro (ou jogado por brasileiros), ninguém é capaz, como o próprio Mano Menzes já admitiu, de encontrar nada além de Paulo Henrique Ganso, um jovem de 21 anos, para depositarmos todas as esperanças do resgate de algo que a Seleção Brasileira abandonou como regra há quase três décadas.

Zico, referência da Copa de 1982 a partir do Mundial de Clubes de 1981
Zico, referência da Copa de 1982 a partir do Mundial de Clubes de 1981

Não por acaso, Ganso, assim como Neymar, são produtos de um time, o Santos, que voltou a tentar colocar em prática o futebol-arte. Nem tão artístico assim, a partir da consistência defensiva imposta por Muricy Ramalho, deu até para conquistar a última Libertadores, contra o mesmo Peñarol que o Santos de Pelé derrotou na primeira conquista da América do Sul por um clube brasileiro, em 1962. Mas o fato histórico é que, depois do Flamengo de Zico (campeão da Libertadores e Mundial, em 1981), referência e base daquela Seleção de 82, apenas dois clubes tupiniquins praticaram, sem margem à contestação, o futebol-arte: o São Paulo de Telê, Bi-Mundial 1992/93, e o Palmeiras, de Vanderley Luxemburgo, Bi-Brasileiro 93/94.

Melhor do mundo, queiram ou não os argentinos, Lionel Messi
Melhor do mundo, queiram ou não os argentinos, Lionel Messi

No que se refere à Seleção de hoje, deve até dar para bater o Equador, amanhã, a exemplo do que fez ontem a Argentina, com uma seleção sub-22 da Costa Rica, e passar à próxima fase da Copa América. Mas mesmo que conquistemos a própria competição, convém baixar a bola do ufanismo tolo e constatar a verdade: não temos mais o melhor time, ou a melhor seleção, ou o melhor  jogador do mundo. Estes são, por ordem, o Barcelona, a Espanha e, admitam ou não as patriotadas argentinas, Lionel Messi.

Frutos de anos de trabalho nas divisões de base do clube catalão, os três são hoje as melhores traduções coletivas e individual daquilo que se convencionou chamar de futebol-arte. Para que ele volte a caracterizar o jogo da Seleção Brasileira, após quase 30 anos de abandono, por ora não resta nada além do trabalho, da humildade, do compromisso e, sobretudo, da paciência.

O IFFernal

 

 

Quem quiser conhecer melhor a realidade presente do Instituto Federal Fluminense (IFF), mais importante instituição de ensino da região, pela visão bem humorada e crítica de alguns dos seus alunos, clique aqui

Versos do domingo — Gregório de Matos

A recente retomada de atividades do blogueiro serviu para retomar alguns dos temas pretendidos na gênese deste “Opiniões”, mas que infelizmente foram ficando no meio do caminho. Entre eles o de discutir cultura, sobretudo a poesia. Neste intuito, comecei a republicar aqui alguns dos textos feitos para o blog “Cantos”, infelizmente também abandonado, no qual colaborava em parceria com o professor Fernando Moura e a antropóloga Fernanda Huguenin, camaradas em armas e pena. 

Pois, hoje, neste domingo de inverno, se aqueça você, leitor, com os versos daquele que considero o maior talento já produzido pela poesia brasileira, grande nome do nosso Barroco, Gregório de Matos (1636/1695), o Boca do Inferno… 

 

As Cousas do mundo

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa,
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

Relaçõe$ entre mídia e recur$o$ público$ diante do e$pelho

Personagem do jornalista Élio Gaspari, Eremildo, como o blogueiro, é um idiota. Nesta condição, ele me perguntou e eu não soube responder se quando alguém põe sob suspeita as relaçõe$ entre mídia e recur$o$ público$, sendo eminência parda da mais importante insituição de ensino da região, que tem um concurso público para jornalista reprovado e investigado pelo Ministério Público Federal, será que esse alguém fala de mais alguém além daquele alguém que vê diante do $eu e$pelho???…

Brasil 2 x 2 Paraguai — Sorte para manter uma escrita de equilíbrio

Se, desde 2000, o Brasil havia vencido o Paraguai quatro vezes, perdido quatro e empatado uma, a segunda rodada do time de Mano Menezes, hoje, pela Copa América, reafirmou o equilíbrio da última década entre os tradicionais rivais continentais. Mas como o gol de Fred que empatou o jogo em 2 a 2, saiu só aos 44 do segundo tempo, o alívio final foi brasileiro.

Se Mano surpreendeu, ao entrar em campo com  Jobson no lugar de Robinho, o domínio adversário nos primeiros 20 minutos, quando marcou sob pressão no campo brasileiro, só pôde causar espanto a quem se esqueceu que o Paraguai mantém a mesma base do time que caiu apenas nas quartas-de-final da Copa da África do Sul, numa suada vitória de 1 a 0 da campeã Espanha.

Logo aos 24 segundos, o hábil Estigarribia, jogando aberto na esquerda, mostrou seu cartão de visitas ao testar Júlio César em chute de fora da área. Aos dois minutos, num bom passe por elevação de Barrios, Santa Cruz chutou por cima do gol. 

Passada a pressão inicial, a resposta só veio aos 19 minutos, quando Ganso passou a Jadson, que achou Pato na área. Ele chegou a driblar o goleiro, que esticou a mão para impedir o chute. A partir dali, os brasileiros conseguiram reter mais a bola, enfeiando o jogo para poder equilibrá-lo. Cientes ou não da tática dos marmanjos, a pequena torcida brasileira, aos 26, passou a ensaiar o coro: “Olê, olê, olê, olá! Marta! Marta!”

Do único outro lance de perigo no primeiro tempo saiu o gol brasileiro. Na raça, Rami-res ganhou a bola no campo paraguaio, aos 38, e tocou para Ganso iniciar a única tabela que os dois armadores brasileiros conseguiram criar. O meia do Santos passou a Jadson, que colocou de canhota, da entrada da área, no canto direito de Villar.

Ao voltar ao segundo tempo, com Elano no lugar de Jadson, o Brasil deixou claro a tática para tentar segurar a vitória: ceder a bola e jogar nos contra-ataques. Mas quem encaixou um, aos 10 minutos, foi o Paraguai: Estigarribia cruzou da esquerda, nas costas de Thiago Silva, para Santa Cruz empatar.

Aos 22, em falha de Daniel Alves dentro da área, a bola sobrou para Santa Cruz cruzar da direita à entrada de Valdez. O chute ainda bateu em Lúcio e voltou no próprio Valdez antes de entrar. Mano, que já preparava Lucas substituir Ganso, acabou colocando a promessa do São Paulo no lugar de Ramires. Depois, mandou a campo também Fred, no lugar de Neymar, que saiu vaiado.

A insistência com Ganso, assim como a opção pessoal do treinador por Fred, desde a convocação, salvou o Brasil no final. Aos 44, mesmo marcado, Ganso tocou de primeira para servir a Fred, que fez o giro sobre dois marcadores e chutou para garantir o empate.

Ainda no intervalo, com a vitória parcial de 1 a 0, gol de uma aposta pessoal sua, Mano brincou ao se dizer um “burro com sorte”. E com o gol de Fred, a sorte continou a sorrir para o lado do técnico, ao apito final. Na próxima quarta, diante do Equador, que ontem perdeu por 1 a 0 da Venezuela, a sorte pode ainda bastar. Mas a partir das quartas-de-final, a necessidade de inteligência deve demandar algo além do que um lampejo de Ganso.

 

 

Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)
Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)

 

 

BRASIL

 

JÚLIO CÉSAR — Duas defesas sem grande dificuldade. Nos gols, nada pode fazer. NOTA 5.

DANIEL ALVES — Tomou um passeio do habilidoso meia esquerda Estigarribia e falhou clamorosamente, dentro da área, no lance do segundo gol paraguaio. NOTA 3.

LÚCIO — Não comprometeu, mas também não brilhou. De qualquer maneira, esteve mais seguro que o companheiro de zaga. NOTA 5.

THIAGO SILVA — Foi em suas costas a bola cruzada por Estigarribia, que encontrou Santa Cruz na área para anotar o primeiro gol paraguaio. NOTA 4.

ANDRÉ SANTOS — Prova vida da carência de um lateral esquerdo de nível na Seleção. Até tenta apoiar, mas, definitivamente, não sabe cruzar. NOTA 4.

LUCAS LEIVA — Abaixo da atuação na estréia contra a Venezuela, quando foi o melhor brasileiro em campo. NOTA 5.

RAMIRES — Mantém a má fase técnica que o obriga, por vezes, a recorrer a violência. Mas demonstrou raça ao ganhar a bola que gerou o primeiro gol brasileiro. NOTA 5. Foi substituído, aos 24 da segunda etapa, por LUCAS, que entrou para jogar aberto pela direita, mas pouco produziu. NOTA 4.

JADSON — Grande surpresa de Mano, teve um primeiro tempo superior a Ganso, a quem entrou para ajudar na armação. Bom passe que achou Pato dentro da área, antes de abrir ele mesmo o placar, na entrada da área, com um chute consciente no canto direito do goleiro. NOTA 7. Saiu no intervalo para a entrada de ELANO, que entrou para tentar segurar o 1 a 0, mas teve que armar o jogo, após a virada paraguaia. Bela cobrança de falta, aos 40, que só não transformou em gol graças à defesa de Villar. NOTA 5,5.

GANSO — Teria outra atuação apagada, não tivesse dado os passes que geraram os dois gols brasileiros. Sobretudo no segundo, em que tocou de primeira, mesmo marcado, deu um lampejo do futebol que o levou à Seleção. NOTA 6.

PATO — Teve menos chances que contra a Venezuela, mas novamente as desperdiçou. Segundo tempo muito apagado. NOTA 4

NEYMAR — Se Ganso achou em pelo menos dois lances o futebol do Santos, o mesmo não se pode dizer do atacante em todos os 90 minutos de hoje. NOTA 3. Saiu vaiado, aos 37 do segundo tempo para a entrada de FRED, que mesmo com pouco tempo e fora da melhor forma, recebeu de Ganso e executou o giro dentro da área sobre dois marcadores para arrancar o empate. NOTA 7.

MANO MENEZES — No intervalo, quando ganhava de 1 a 0, com gol de Jadson, uma aposta pessoal, disse, brincando, ser um “burro com sorte”. Ao final do jogo empatado por Fred, outra aposta contestada, poderia repetir a sentença. NOTA 5.

 

PARAGUAI

 

VILLAR — Pelo menos três defesas salvadoras. NOTA 8.

VERÓN — Abusou das entradas maldosas em Neymar, mas o marcou bem. NOTA 6.

DA SILVA — Vinha tendo atuação segura, até o gol de Fred. NOTA 4.

ALCARAZ — Zagueiro grandalhão e viril. NOTA 5,5.

TORRES — Bem na marcação, tentou apoiar com Estigarribia. NOTA 6.

RIVEROS — Típico volante de contenção. NOTA 6. Deu lugar a CÁCERES, que manteve a forte marcação no meio. NOTA 6.

VERA — O primeiro gol paraguaio nasceu de seus pés. NOTA 6,5.

ORTIGOZA — Deu origem ao segundo gol do seu time. NOTA 6,5.

ESTIGARRIBIA — Melhor em campo. Infernizou a ala direita da defesa brasileira. NOTA 8,5.

SANTA CRUZ — Marcou um gol, deu passe a outro e ainda ajudou a marcar. NOTA 8.

BARRIOS — Embora mais habilidoso, teve atuação abaixo do colega de ataque. NOTA 6. Deu lugar a VALDEZ, que marcou o segundo gol. NOTA 7.   

 

PMDB e Frente Democrática têm encontro marcado hoje na ExpoAgro

A convite do presidente regional do PMDB, Ivanildo Cordeiro, o partido promove encontro regional na noite de hoje, na 54ª ExpoAgro de Campos, entre seus prefeitos Carla Machado (São João da Barra), Riverton Mussi (Macaé) e Luiz Carlos Fenemê (São Fidélis), além do deputado federal Adrian Mussi. Segundo Cordeiro, também foram chamados e confirmaram presença, de outras legendas, o prefeito de Cardoso Moreira, Gilson Siqueira (PP), o deputado estadual João Peixoto (PSDC), os vereadores Rogério Matoso (PPS) e Odisséia Carvalho, o ex-deputado Claudeci (PSL), o ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS), Odete Rocha (PCdoB), Andral Tavares Filho (PV) e Fabrício Lírio (PRP). 

O ponto de encontro será no estande da Prefeitura de São João da Barra, no Pavilhão Industrial, e de lá o grupo segue para jantar num restaurante. Além de consolidar o que Cordeiro chama de “cinturão regional” do PMDB, chamando seus detentores de mandatos na região para ajudar o partido a reconquistá-los em Campos, a intenção é também fortalecer a Frente Democrática. 

O deputado estadual Robeto Henriques (PR), também foi convidado, mas não poderá comparecer. A escolha do estande de São João da Barra como ponto de encontro, de acordo com Ivanildo, é uma forma de agradecer ao apoio que Carla tem dado à oposição local ao casal Garotinho, chegando a colocar seu nome à disposição para disputar a Prefeitura de Campos em 2012.

Nahim: secretários-candidatos, 25 vereadores e polêmica da ExpoAgro

Em conversa com o blogueiro, o presidente da Câmara Nelson Nahim (PR) respondeu a algumas questões levantadas no blog pelo “colega” governista Jorge Magal, em relação não só às pré-candidaturas ao Legislativo de 10 secretários municipais (aqui), como também o possível aumento do número de vereadores (aqui). Questão levantada pelo blog, o cunhado de Rosinha também sobre o envolvimento do seu filho, Hélio Montezano, na polêmica do não repasse de verbas municipais a 54ª ExpoAgro. Por partes, vamos às versões de Nahim…

 

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

Secretários candidatos a vereador — “Não vejo nenhum problema nisso. Todos têm o direito de concorrer. Rosinha, pelo que eu saiba, já estabeleceu que quem quiser se candidatar tem que sair do governo em dezembro. A própria prefeita já se antecipou para evitar qualquer uso eleitoral das secretarias”.

Aumento da Câmara para 25 veradores — “Não sei quem foi que delegou a Magal o direito de falar por mim. Eu não fui. Se ele não quis nem falar meu nome, como é que pode pretender falar em meu nome? O fato é que combinamos, não só entre os vereadores da situação, mas também de oposição, em só falar sobre a questão após a volta do recesso, em agosto. E Magal, agora, não sei por que, resolveu furar o acordo. De qualquer maneira, diferente do que ele disse, eu não sou contra o aumento para 25 vereadores. Acho até que, com mais representantes, a população tem maiores chances de ser atendida. Entretanto, como presidente da Câmara, eu tenho responsabilidades não só como político, mas também como gestor, como presidente de uma Casa que só pode gastar com pessoal, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, até 70% do seu orçamento. Atualmente, temos 17 vereadores, que têm, cada um, um chefe e um sub-chefe de gabinete. Como já tivemos 21 vereadores, há até a previsão para retomarmos os cargos extintos, quando baixamos para 17, mas não de criar mais quatro cargos de chefe e quatro de sub-chefe, caso aumentemos agora para 25. Além disso, há a questão do aumento do vencimento dos vereadores, que é fixado, no máximo, em 60% do que ganham os deputados estaduais. E estes, a reboque dos novos deputados federais, se deram aumento no início do ano. Por orientação do procurador da Câmara de Campos, Helson Oliveira, resolvemos deixar essa questão para a próxima Legislatura, muito embora também caiba à atual fazer mais essa previsão de aumento de gasto com pessoal. Eu sou o presidente da Câmara e serei eu que terei que responder, no Judicário e no Tribunal de Contas, caso a previsão de gastos com pessoal ultrapasse os 70% limitados em lei”.

Polêmica da ExpoAgro — “Acho que Rosinha foi mal informada nessa questão. Meu filho não fez nenhum convênio com a Prefeitura. Além de vereador, sou advogado e sei muito bem que isso seria ilegal. O convênio era entre a Prefeitura e a Fundação Rural de Campos. São, portanto, a prefeita e o presidente da Fundação que têm que falar sobre isso, não eu ou meu filho. Hélio faz eventos na Fundação. Ele não recebeu nada da Fundação. Muito pelo contrário, ele pagou à Fundação para promover os shows durante a Exposição. E isso não foi uma novidade deste ano, mas já vinha acontecendo nas edições anteriores da Exposição, desde o governo Mocaiber, passando por Rosinha e pelo meu período interino, sem nenhum impedimento legal”.

Racha com Rosinha —  “Isso não existe, tanto que quando ela anunciou que não iria repassar os recursos à Exposição, eu sequer me pronunciei sobre o assunto. Acho que a interpretação dela, em relação à justificativa alegada, não foi correta, mas respeitei e não questionei seu direito de decidir como achasse melhor. Em relação ao episódio da Exposição, como eu disse antes, quem tem que falar são mesmo a prefeita e o presidente da Fundação”.