Rogério Matoso — Novo presidente da Câmara será o prefeito em 2011
Se a decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela manutenção do afastamento de Rosinha for confirmada no julgamento do mérito do seu recurso, a eleição da mesa diretora da Câmara, com prazo até 15 de dezembro, definirá também o ocupante da Prefeitura a partir de 2011, quando a eleição complementar, se aprovada, deve ser marcada. Numa equação ainda com algumas variáveis, o resultado é definido pela interpretação do presidente em exercício do Legislativo, Rogério Matoso (PPS). Apesar de elogiar Nelson Nahim (PR) e não negar um acordo com o atual prefeito para impedir a posse do suplente deste na Câmara, Edson Batista, Matoso não fecha a porta para que ele mesmo se eleja, no voto, à presidência (sinônimo de Prefeitura a partir de 1º de janeiro) que ora ocupa interinamente. Quanto à vontade da maioria simples que os nove vereadores de Rosinha ameaçam fazer valer no plenário, na sessão da próxima terça, o presidente adverte: “pode ser que o ‘rolo compressor’ precise de reforço para empossar Edson”.

Blog Opiniões – Como você e a Câmara reagiram à manutenção da cassação de Rosinha pelo TSE, pelo menos até que seja julgado o mérito do recurso?
Rogério Matoso – A postura é a mesma de quando assumi a presidência da Casa no início de julho. Mesmo sabendo que não é fácil buscar um consenso, já que são muitas opiniões diferentes, não podemos deixar que a decisão da Justiça atrapalhe os trabalhos do Legislativo.
Opiniões – Se antes da decisão do TSE, as bancadas já pareciam estar confusas nos papéis de situação e oposição, como acha que as peças agora se acomodarão no tabuleiro?
Rogério – Este tipo de especulação após uma decisão judicial é normal. Como presidente tenho conversado o tempo todo com os membros da oposição e da situação. O que eu vejo é que muitos perceberam que existem diferenças entre Rosinha e Nahim. A prefeita afastada nunca recebeu os membros da oposição. Já o prefeito interino age de forma impessoal. Ele recebeu a bancada de oposição e prometeu avaliar uma série de reivindicações nas áreas da Saúde, Educação, Infraestrutura e Geração de Trabalho e Renda. O fato é que com Nahim a oposição pode dialogar, sugerir. Com Rosinha, não existia diálogo. Então, é normal que alguns gostem e outros não.
Opiniões – No lugar da antiga situação fortalecer seu apoio ao governo interino, a decisão do TSE não abriu a porta para vereadores da bancada de Rosinha migrarem à sua oposição, visando dar sustentação a um Nahim mantido na Prefeitura? Antes velada, essa inversão de papéis agora poderá ser não só assumida como reforçada?
Rogério – Nahim governa de forma diferente. Como eu disse, esse perfil diferenciado agrada alguns e desagrada outros. Mas é impossível fazer previsões. Até porque, não existe uma definição. A prefeita afastada ainda será julgada.
Opiniões – A partir da decisão de Brasília, acredita que os nove vereadores da antiga situação agora vão brigar mais do que nunca pela posse de Edson na Câmara ou, com o distanciamento de Rosinha do poder, podem não demonstrar a mesma fidelidade aos Garotinho pela qual o suplente de Nahim é tão conhecido?
Rogério – A entrada de Edson Batista será avaliada pelo plenário da Casa. O procurador da Casa tem um parecer explicando que a posse dele colocará o Legislativo em flagrante descumprimento de lei. De acordo com o regimento, a Câmara somente poderá convocar o vereador suplente após licença, ou perda, ou extinção do mandato do atual presidente da Câmara, o que não ocorreu, uma vez que eventual licença acarretaria na suspensão do exercício da vereança. Não quero parecer intransigente. Existem interpretações e elas devem ser levadas em consideração. A novidade é que existe também uma discussão sobre o número de vereadores necessários para aprovar a entrada de Edson. Como a decisão sobre a convocação é do presidente, eles terão que mudar isso. E, para mudar essa questão, entedemos que a maioria simples não basta. Pode ser que o “rolo compressor” precise de reforço para empossar Edson.
Opiniões – Como o blog já havia indagado (aqui): até que ponto sua resistência em dar posse a Edson vem do parecer da sua procuradoria, ou de um acordo selado com o prefeito interino, para deixar o caminho deste livre para disputar a reeleição à presidência da Câmara?
Rogério – Eu simplesmente estou querendo fazer as coisas certas. O parecer do procurador deixa claro que a posse não deve ocorrer. Sobre Nahim, como ainda é vereador, ele quer participar da eleição da Mesa Diretora. Inclusive, pediu para ser avisado com antecedência caso a eleição ocorra antes da data prevista. Volto a dizer que a minha missão como presidente é cumprir o que determina o regimento interno da Casa. Não tenho nada contra o Edson Batista.
Opiniões – Nahim já havia dito, em entrevista ao blog e à Folha (aqui), que a disputa maior agora passará a ser pela vice-presidência da Câmara, cuja nova mesa diretora terá que ser eleita até 15 de dezembro. Em sua visão, o raciocínio ganha força com a decisão do TSE?
Rogério – É verdade. Se a prefeita continuar afastada, o vice-presidente vai ocupar a presidência.
Opiniões – Em sua opinião, bem como da sua procuradoria, caso a eleição complementar seja marcada, o que só deve ocorrer para 2011, quem seria prefeito a partir de 1º de janeiro? Continuaria Nahim, que assumiu no fato gerador (a decisão do TRE que cassou Rosinha e Chicão), ou assumiria necessariamente o próximo presidente da Câmara, mesmo que o irmão de Garotinho não se reeleja ao cargo?
Rogério – Nosso entendimento é de que o novo presidente da Câmara assumiria o governo municipal.
Opiniões – Quando a eleição da nova mesa diretora será marcada? Nela, a quê você pretende concorrer?
Rogerio – Não existe uma definição. Posso dizer que acontecerá no tempo certo.
Opiniões – Se a avaliação popular aparentemente positiva de Nahim como prefeito o credencia como candidato ao cargo, caso a eleição complementar seja marcada, o mesmo julgamento não se dá quanto ao seu desempenho como presidente? Em caso afirmativo, seguindo a lógica do prefeito interino, essa avaliação positiva também não o torna candidato natural a se perpetuar no cargo pelo voto?
Rogério – Meu primeiro grande desafio foi a disputa por uma cadeira na Câmara. Depois, fui escolhido pelos colegas para ser o vice-presidente da Casa. Sou jovem, estou aprendendo muito. Mas tenho disposição suficiente para encarar novos desafios. Só que tudo isso precisa ser discutido com os companheiros da Câmara e do meu partido.
Opiniões – Até que uma nova eleição seja marcada ou Rosinha absolvida, qual é a diferença entre presidente da Câmara e prefeito de Campos, se é que hoje existe alguma?
Rogério – A diferença é que até o TRE marcar uma nova eleição não existe nada concreto. A prefeita afastada ainda pode retornar. Isso quer dizer que apesar de (o presidente da Câmara) estar respondendo pelo cargo, existe sempre um pouco de instabilidade.






