Rosinha dá ao blog sua primeira entrevista após cassação do TRE
Na manhã da última terça, dia 25, na condição de repórter da Folha, este blogueiro entrevistou a prefeita Rosinha Garotinho (PMDB), junto a todo seu secretariado, na Fundenor. Na quinta, mesmo dia em que se submetia a uma cirurgia em São Paulo — como este blog adiantou (aqui) —, para extração de um nódulo beningno na garganta, ela era cassada pelo TRE do Rio de Janeiro, por abuso de poder econômico na eleição em que conquistou a Prefeitura de Campos. Muito embora Rosinha vá recorrer no cargo, a entrevista passou a demandar uma atualização pós-condenação. Mais seis perguntas, tratando só do assunto, foram mandadas por e-mail, ainda na noite da quinta. Enviadas na noite de ontem, as respostas são agora adiantadas pelo blog. Elas compõem a primeira entrevista que Rosinha concede, desde sua cassação. A íntegra da entrevista, com análise de boa parte do seu um ano e cinco meses governo, antes da condenação, será publicada amanhã, na edição impressa da Folha.

Blog – No mesmo dia em que foi condenada pelo TRE do Rio, você estava sendo submetida a uma cirurgia para extração de um nódulo na garganta, em São Paulo, onde ainda está. Como recebeu a informação, qual sua reação e como está sua recuperação clínica?
Rosinha Garotinho – Recebi a decisão com serenidade e pedi aos meus colaboradores que tranquilizassem a população. O Cheque Cidadão, a passagem a R$ 1, a reforma das escolas e dos postos de saúde, a construção das casas, o Bairro Legal, enfim, todos os compromissos assumidos durante a campanha serão honrados. Quanto à minha saúde, estou muito bem, extraí um nódulo da garganta que, graças a Deus, era benigno.
Blog – É ponto pacífico que você recorre no cargo. De qualquer maneira, inegável que a decisão traz desgaste político, sobretudo, pela promessa de mudança em relação ao governo anterior, corroído por denúncias e condenações na Justiça. Aos olhos do povo e dos críticos dos dois grupos, a mudança não fica agora com cara de continuação?
Rosinha – De jeito nenhum. Os grupos são distintos. A ação contra mim é porque eu falei na rádio, não é por corrupção, por uso indevido de recursos públicos. Bem diferente dos governos Alexandre Mocaiber e Arnaldo Vianna, onde as obras eram superfaturadas e muitas vezes pagas e não realizadas. Em meu governo, não permito irregularidades. O município estava destruído, já fizemos muito, mas é preciso fazer ainda mais. Afinal, foram 10 anos de destruição.
Blog – Sua condenação, assim como a de Garotinho, se deu por uso indevido dos meios de comunicação, especificamente da rádio e do jornal O Diário. Deste último, você chegou a ser diretora comercial. É hora de repensar os limites da relação do seu grupo político com a mídia?
Rosinha – Eu e o Garotinho sempre sobrevivemos do nosso trabalho, não vivemos da política. Sempre tive programa de rádio e vendia anúncios. Fui convidada para ser diretora comercial de O Diário, como poderia ter sido do Monitor, de qualquer outro veículo de comunicação. Menos da Folha, porque diretora comercial igual a Diva não existe. A nossa relação com a mídia sempre foi muito respeitosa.
Blog – Com a condenação de Arnaldo Vianna no mesmo dia, também por abuso econômico, no mesmo pleito de 2008, não fica a impressão de que o TRE quis fazer uma “limpa” na política de Campos? Qual sua opinião acerca da decisão contrária ao deputado e ex-prefeito?
Rosinha – Quem foi condenado por abuso de poder econômico foi Arnaldo, e não eu.
Inclusive, Arnaldo também foi condenado pelo uso indevido dos meios de comunicação e outros crimes. Eu acredito nos valores democráticos e na força do voto popular. O processo de renovação política e administrativa teve início em 2008, quando o povo acreditou nas minhas propostas e me confiou a tarefa de reconstruir o município.
Blog – Em seu blog, Garotinho insinua que sua condenação se deu por influência política do governador Sérgio Cabral (PMDB). Até que ponto essa retórica se difere das acusações feitas contra você e Garotinho, de igual ingerência em decisões judiciais contra opositores, nos tempos em que um e outro foram governadores?
Rosinha – Sobre o blog, pergunte ao Garotinho. O nosso governo não teve qualquer influência sobre o Poder Judiciário. Nossa relação sempre foi institucional, de forma harmônica e independente.
Blog – Com o voto de minerva do presidente do TRE, Namatela Jorge, que definiu sua condenação e de Garotinho, não se sentiu como seus opositores em 2005, quando o então presidente Marlan de Moraes Marinho decidiu por sua absolvição e a de Garotinho, no recurso contra a condenação de vocês, pela Justiça de Campos, por crime eleitoral na eleição de 2004? Logo depois disso, como governadora, você nomeou o irmão de Marlan desembargador do TJ, não foi?
Rosinha – Eu não sei o que sentiram os meus opositores, só posso responder por mim. Assim como em 2004, nas eleições de 2008 não cometi nenhum crime eleitoral. Eu e o dr. Chicão estamos com a consciência tranqüila. Vamos recorrer da decisão que, com certeza, será reformada em nosso favor, mantendo a vontade popular que nos consagrou vitoriosos nas urnas.






