Malala Yousafzai ganhou o Prêmio Nobel depois que protagonizou a frase: “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Derek Bok, reitor da Universidade de Harvard disse: “O governante que diz que não tem dinheiro para a educação não sabe o preço da ignorância”.
A política venezuelana de Maduro implantada pela atual governante de Campos junto com o seu marido, o secretário de Governo, poderia ser mudada se fosse inspirada nas frases de Malala e de Derek Bok.
Analisando o Índice de Progresso Social (IPS) publicado pela Universidade de Harvard, assinado pelo professor Michael Porter, a cidade campista não tem nenhuma variável das 52 elencadas no estudo que mostra a matriz de políticas desenvolvimentistas de um país, estado ou cidade.
O acesso ao conhecimento básico, à informação e a comunicação são os vetores que o governo de Campos deveria priorizar como: taxa de matrícula na educação primária, a internet e assinatura de banda larga implantada nas escolas.
Nas escolas americanas da rede pública, a utilização das tecnologias no ensino fundamental tem sido preocupação dos governos dos estados e dos municípios. As crianças têm direito ao um pacote de benefício desde minicomputador ao ticket alimentação e seguro contra bullying.
A educação do ensino fundamental é a base para que uma nação resgate a população mais pobre para colocá-la no mercado de trabalho formal em igualdade social competitiva com os mais ricos que estudaram em escolas privadas na sua formação básica e depois concluíram o ensino superior nas universidades de boa qualidade do governo.
A governante de Campos comete “holocausto educacional” no ensino básico ao ofertar um modelo educacional de baixa qualidade com escolas sucateadas e sem infraestrutura básica. Campos não tem escolas em horário integral, os professores não são reciclados com cursos de suas áreas a cada ano letivo, as escolas não têm sistemas de internet e as crianças não tem um notebook de R$ 500 porque a educação não é prioridade no município.
Comparando Campos com Niterói e a cidade de Santos em São Paulo, a fotografia dos indicadores da Educação é discrepante. Vejamos as colunas abaixo:
Infográfico de L. C. Lopes, o “Rato” – Folha da Manhã
Na coluna (1) a fotografia do ‘holocausto educacional’ em Campos comprova a tese que a governante da cidade que está de plantão há seis anos junto com o secretário de governo, não prioriza a Educação. Niterói ocupa a sétima posição no ranking com receita corrente de R$ 7,2 bilhões e Santos é sexto lugar com receita de R$ 9,4 bilhões, enquanto a cidade campista teve de receita acumulada nos últimos cincos anos (2009 a 2013) R$ 11,971 bilhões. Portanto, comparando com Niterói, a diferença de receita chega a R$ 4.77 bilhões e mesmo assim, os indicadores de desempenho de Campos são decepcionantes comparáveis as duas cidades. É inimaginável como uma governante com o caixa cheio de dinheiro deixar a Educação chegar ao estado que está no ranking número 1.445º entre os 5.565 municípios do país.
Observando as colunas 2 e 3, o IDH é mais discrepante, e pior, o IDH Geral, coluna 3 é superestimado, pois o PIB de Campos é falso, cerca de 70% é extraído do mar e reportado para as matrizes das empresas fora da cidade. Traduzindo em linguagem mais simples, os empregos gerados em Campos são oriundos da empregabilidade da Prefeitura e do comércio local, e a renda per capita não pode ser incluída no calculo do IDH sem expurgar a renda remetida do mar para fora da cidade. Recalculando, o IDH de Campos é igual ao de cidades dos grotões do Maranhão.
Na coluna 4, a população com mais de 18 anos que terminaram as primeiras séries do ensino fundamental, o índice é alarmante: só 70% concluíram o ciclo escolar considerado de baixa qualidade em decorrência dos baixos indicadores do Ideb.
O “holocausto educacional” implantado em Campos é comprovado quando entramos no quadro das despesas correntes por função. A prefeita em cinco anos gastou na Educação do ensino básico, apenas R$ 1,555 bilhão, representando 14% em média das despesas correntes.
Comparando com os gastos da administração, onde são alocados contratos com terceirizados e com empresas prestadoras de serviço, o quadro é vergonhoso e irresponsável, condenando uma população de adolescente a não ter oportunidade a uma vaga no mercado futuro de trabalho. A conta administração chega a ser o dobro do que é gasto na Educação. Foram gastos R$ 2.986 bilhões neste período de governo do modelo venezuelano dos Garotinhos.
Outras contas chamam a atenção, como o gasto com cultura que chaga a R$ 124 milhões, uma média de R$ 20 milhões por ano. Com este dinheiro daria para montar várias oficinas de teatro e de cinema para a população. Pergunta-se: para onde foi este dinheiro?
Na conta transporte, outro valor jogado na lata do lixo. São R$ 250 milhões que financiam o sistema de transporte com o programa Passagem a R$ 1,00.
Nos encargos especiais, despesas com dívidas, o valor é alarmante para um município que tem receitas de R$ 2.4 bilhões por ano em média e que está endividado.
Na conta assistência social, foram gastos outros R$ 334 milhões em programas de distribuir esmolas.
Com despesas judiciais, o valor gasto é de R$ 50 milhões em processos jurídicos e com advogados sem considerar R$ 14 milhões pagos no primeiro semestre de 2014 em época de eleição para governo do Estado.
Na conta de obras — urbanismo, habitação, saneamento e gestão ambiental — o valor é escandaloso. Em cinco anos foram gastos R$ 2.591 bilhões e na Saúde outros R$ 2.844 bilhões.
Com uma série de denúncias em cadeia ocorrida nos últimos dias, como no caso da perda de mais de R$ 110 milhões em títulos no mercado de capitais, a situação da prefeita é muito delicada no campo judicial, depois que o vereador Marcão do PT foi a plenário informar sobre o relatório que mostra o desfalque no caixa da Prefeitura decorrente da perda nas aplicações em títulos públicos.
As denúncias não param por aí, compras sem licitação na área da Educação traduzem o quadro de desmando que se encontra a gestão venezuelana implantada em Campos.
O casal que administra o município poderia ir a Niterói e Santos visitar os prefeitos e as escolas para tentar se sensibilizar e entender como se governa.
A prefeita e o secretário de Governo não sabem diferenciar entre crescimento da economia e desenvolvimento econômico. Tampouco têm políticas estruturantes de médio e longo prazo para benefício de todas as classes sociais, baseadas em vetores da produtividade, começando pelo investimento em educação.
Eles preferem políticas populistas de cunho assistencialista que deixa a população adormecendo em colchões de aparato sociais como o “Cheque cidadão” esperando a morte chegar. Campos está em concordata até 2016.
Quase dois terços dos brasileiros (63%) afirmam que, considerando tudo o que se sabe até agora a respeito da Operação Lava Jato, deveria ser aberto um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
O desconhecimento a respeito do que aconteceria depois disso, porém, é grande.
No grupo dos que defendem a abertura de um processo que, no fim, poderia resultar na cassação da petista, só 37% sabem que o cargo de presidente ficaria com o vice. Quando instados a mencionar o nome do vice, metade desse subgrupo erra.
Conclusão: só 12% dos eleitores brasileiros são a favor de um processo de impeachment contra Dilma, estão conscientes de que o vice assumiria o cargo e sabem que o vice é Michel Temer (PMDB).
As conclusões são de pesquisa Datafolha finalizada na sexta-feira (10), dois dias antes das manifestações programadas contra a presidente para este domingo. O instituto ouviu 2.834 pessoas. A margem de erro é de dois pontos.
Dilma não é investigada pela Operação Lava Jato, que descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, mas o Ministério Público Federal afirma que parte da propina paga pelas empresas que participaram do esquema foi repassada na forma de doações ao PT.
Embora o maior grupo da população apoie a abertura do processo de impeachment –posição que nenhum partido relevante defende explicitamente até agora–, a maioria (64%) não acredita no afastamento de Dilma. Menos de um terço (29%) acham que a presidente seria afastada.
O apoio aos protestos contra a presidente é alto (75%), assim como a taxa de eleitores que associam Dilma ao escândalo de corrupção na Petrobras, objeto da investigação da Operação Lava Jato.
Para 57%, Dilma sabia da corrupção na estatal e deixou acontecer. Outros 26% opinam que ela sabia, mas nada poderia fazer para impedir.
A pesquisa mostra também que a Lava Jato pode estar alterando a percepção dos brasileiros a respeito dos problemas do país. Pela primeira vez, o tema corrupção aparece empatado com saúde na liderança do ranking de maiores preocupações. Para 23%, o maior problema é a saúde. Para 22%, corrupção.
O instituto apurou um empate também — este no limite da margem de erro — ao simular uma nova eleição presidencial. Se Dilma fosse cassada e novas eleições fossem convocadas hoje, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) alcançaria 33% das intenções de voto contra 29% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Repercussão
Em visita à Cidade do Panamá, onde está sendo realizada a Cúpula das Américas, Dilma foi indagada, na noite deste sábado (11), sobre os resultados da pesquisa Datafolha.
“Querida, eu não vou falar [sobre o tema]. Posso falar amanhã, depois de amanhã, quando chegarmos lá [no Brasil], sem problema nenhum. Mas, aqui, vou falar do que estou fazendo aqui”, disse a presidente.
Manifestação em São Raimundo Nonato, Piauí, 15/03/2015 (Foto: 180graus.com)
Jornalista Mary Zaidan
#ForaDilma2
Por Mary Zaidan
Com a participação confirmada de quase 400 cidades de diferentes portes, o Brasil volta às ruas neste domingo com o bordão Fora Dilma, expressão maior para tudo aquilo que se abomina no petismo, a começar pela institucionalização da corrupção.
Mais do que a absoluta inabilidade da presidente para gerir o apetite da base aliada e do amigo da onça PMDB, a combinação do caos na economia — inflação e desemprego em alta — com a roubalheira generalizada derrotou o que o PT considerava impossível: o apoio popular, incluindo aí os mais pobres, para quem o partido dizia governar.
As manifestações que os petistas adorariam poder limitar aos “coxinhas”, aos que não suportam ter de dividir viagens de avião com pobres, e a golpistas, ganharam apoio farto entre todas as faixas sociais e em lugares impensáveis.
A pequena cidade maranhense Satubinha, com pouco mais de 13 mil habitantes, que em outubro deu 81,9% de seus votos a Dilma, vai às ruas. São Raimundo Nonato, situada a 576 quilômetros de Teresina, que no último dia 15 de março abarrotou a praça em frente à Prefeitura, promete voltar hoje contra a mesma Dilma que arrebatou 77.6% dos votos de seus 32 mil habitantes. São apenas alguns exemplos.
A partir dos critérios absurdos da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que define como classe C renda entre R$ 291 e R$ 1.019, Dilma propagou aos quatro ventos que fez o maior salto social do planeta, elevando mais de 40 milhões de brasileiros à classe média. Viu tudo ruir em segundos.
Bastou o aumento nas contas de luz para quebrar o encanto. E esse foi apenas o primeiro dos ajustes necessários para corrigir a quantidade de besteiras feitas no primeiro mandato. Outros virão. Talvez ainda mais graves e mais caros.
O curto-circuito se completa com as roubalheiras descobertas, uma atrás de outra, que, além da Petrobras, chega às obras de energia e de transporte, na sagrada Caixa Econômica.
Corrupção, como disse Dilma, é mesmo uma velha senhora. Só que esta senhora hoje tem RG, CPF, passaporte. E dá as cartas no sistema que o PT montou para financiar o seu projeto de poder.
Com índices de desaprovação nos píncaros – 64%, de acordo com o Ibope – e míseros 12% de avaliação positiva, ao governo petista resta apenas uma torcida: que os números das manifestações de hoje fiquem aquém dos de 15 de março. Tendo a desfaçatez como marca registrada, um milhão e meio será cantado como vitória. Menos de um milhão, então, o Planalto fará festa.
Nesta altura, o alvo não é Dilma, mas Lula, que a criou, o PT e tudo aquilo que ele passou a simbolizar: um governo que enganou, fez pouco, mentiu a quem nele apostou. O partido que privatizou o Estado para si, que se elegeu para combater todos os males e se tornou o senhor absoluto de todos os males. Que fez e faz o que condenava com veemência. Que enriqueceu em nome dos pobres.
Por Ricardo André Vasconcelos, em 11-04-2015 – 13h39
Depois de sete anos de vacas gordas, período em que aproveitou-se como quis e pode, o governo Rosinha & Garotinho, rende-se ao óbvio e resolveu reduzir a paquidérmica máquina administrativa. Construída para abrigar o leque de apoio de mais de dezena de partidos, a estrutura vai passar dos atuais 39 órgãos (confira aqui), para apenas 10 secretarias, uma fundação, uma companhia, a procuradoria, o Gabinete da prefeita e o Instituto de Previdência dos Servidores, num total de 15 órgãos ocupantes por comissionados DAS-1, com status de secretário.
As secretarias e fundações extintas vão virar subsecretarias ou superintendências das remanescentes. Exemplo: As atribuições da atual secretaria de Comunicação Social vão passar para a superintendência de Comunicação da secretaria de Governo, enquanto as funções da Fundação Municipal da Infância e Juventude serão assumidas Por uma superintendência da nova secretaria municipal do Desenvolvimento Humano e Social, para onde irão também as ações das secretarias do Idoso e de Trabalho e Renda.
Informações oficiais dão conta de economia anual de R$ 14 milhões. O problema não está aí. A porca vai torcer o rabo na hora de acomodar algo em torno de três centenas de ocupantes de cargos de confiança que ficarão teoricamente desempregados com a extinção dos órgãos para os quais foram nomeados como assessores, diretores, chefes de departamentos. Primeiro é preciso escolher entre os atuais secretários quem vai assumir as novas secretarias ampliadas, depois como ficam os cargos inferiores em cada estrutura extinta. Em algumas secretarias ou fundações a serem extintas, o número de superintendências ou subsecretarias, passa de meia dúzia. Onde encaixar esse pessoal todo?
Dos 15 cargos remanescentes do primeiro escalão, estão em disputa 11, porque na secretaria de Governo permanece Garotinho, no Controle e Orçamento, Suledil Bernardino, na Saúde Chicão Oliveira e na Procuradoria-Geral, Matheus José. Os demais (cerca de 30 atuais auxiliares) estão em volta de apenas 10 cadeiras: Fazenda; Educação, Cultura e Esportes; Infraestrutura e Mobilidade Urbana; Desenvolvimento Humano e Social; Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Ambiental e Gestão e Pessoas e Contratos. Além da Previcampos, Codemca, Fundação Municipal de Saúde e Gabinete da Prefeita.
Na esteira da necessária reforma administrativa a falange política dominante aproveita para armar o tabuleiro para as eleições do ano que vem. Defenestra quem não interessa, incensa quem pode ser útil e testa uns e outros. E mais: deixa na expectativa um exército que cabos eleitorais postos na inatividade, mas com a esperança viva de voltarem ao front para a batalha de 2016. O dinheiro que falta ou poupa-se agora, vai abundar na época certa.
Cada Um Na Sua Casa — Esta é a nova aposta dos estudos Dreamworks, realizadores dos mega sucessos “Shrek” e “Madagascar”. Sob a direção de Tim Johnson (que já dirigira “FormiguinhaZ” e “Os Sem Floresta”) o longa narra a amizade entre dois “marginais”: um extratrerrestre meio desastrado e uma garota pré-adolescente. Como costuma acontecer neste tipo de relatos, aquilo que começa com uma relação de mutua desconfiança irá se tornando uma enorme amizade. Obrigados a percorrer um trajeto juntos ao redor da Terra, este road movie infantil coloca o foco nas diferenças culturais entre a espécie humana e a alienígena; em quanto podem ser diferentes as coisas quando são olhadas através de outra perspectiva e em como, ao aprender dos outros, podemos perceber aquelas coisas que antes não enxergávamos.
Além da amizade entre os protagonistas, o filme possui um humor que pode chegar a agradar mais aos adultos do que às crianças, mas os momentos de ação e de comédia atrapalhada certamente na desapontarão os baixinhos. Tem também aqueles inevitáveis momentos “tristes”, presentes em quase todos os filmes infantis, destinados a que as crianças entendam que na vida há obstáculos a ser superados para poder chegar a um final feliz, embora neste caso seja um final bastante previsível.
O filme é estridente, colorido e com uma direção de arte que resultará muito atrativa para as crianças. Não entrará na lista dos longas de animação que marcaram uma época, como foram “Toy Story” ou “Shrek”, mas garantirá uma hora e meia de entretenimento para seus filhos.
Falando de “Toy Story”: este ano fazem duas décadas que foi estreado o primeiro filme da Pixar, o qual seria também o primeiro longa de animação computadorizada, ou, como é conhecido em inglês, em CGI (Computer-Generated Imagery). A Pixar reinaria solitária como a produtora deste tipo de filmes por alguns anos, até que, em 1998, a Dreamworks (fundada por Steven Spielberg) lança “Formiguinhaz” — embora o estudo só ficaria a par da Pixar a partir de 2001, ano em que estréia “Shrek”.
Depois viriam as companhias Blue Sky (“A Era do Gelo”, 2002), a mesmíssima Disney (“Chicken Little”, 2005), Sony (“Está Chovendo Hambúrguer”, 2009), e muitas outras a concorrer no lucrativo segmento dos filmes infantis.
Revisando este breve resumo de filmes animados digitalmente, se percebe que a qualidade dos mesmos, tanto na técnica quando (e especialmente) nos roteiros, possuem uma média tão alta que dificilmente se encontre em outros gêneros cinematográficos. Nem sequer a animação convencional produziu tantos filmes bons de forma tão hegemônica. Pareceria ser que com a nova tecnologia apareceu também uma nova leva de diretores e roteiristas que vieram renovar não somente o cinema infantil, mas a sétima arte como um todo.
Ironicamente, este crítico lembra de uma oficina de animação que fez em Buenos Aires, lá no ano de 1992, onde o professor que ministrava a aula, uma eminência local, vaticinava que os gráficos animados por computador nunca iriam se equiparar aos desenhos tradicionais, realizados ‘na mão’, por ter aqueles a frieza e a dureza plástica do digital. Tinha razão, involuntariamente: não se igualariam. Viriam a ser superior a tudo que foi feito no cinema até o momento.
Da esquerda para a direita os ex-deputados André Vargas (ex-Pt, atualmente sem partido), Pedro Corrêa (PP-PE) e Luiz Argôlo (SD-BA) (Montagem: Estadão)
Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Fábio Fabrini e Mateus Coutinho
O ex-deputado André Vargas (ex-PT, atualmente sem partido) foi preso nesta sexta-feira, 10, em Londrina (PR) na nova etapa da operação Lava Jato denominada “A Origem”, deflagrada nesta manhã. Também foram preso os ex-deputados Luiz Argôlo (SD-BA) e o ex-parlamentar já condenado no mensalão e atualmente cumprindo pena no regime semiaberto, Pedro Corrêa (PP-PE). O nome da operação faz referência às investigações dos ex-parlamentares, cujo envolvimento com o esquema do doleiro Alberto Youssef foi descoberto nas primeiras etapas da operação, no ano passado.
Ao todo, cerca de 80 Policiais Federais cumprem 32 mandados judiciais: sete mandados de prisão, nove mandados de condução coercitiva e 16 mandados de busca e apreensão nos Estados do Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. Os ex-parlamentares são os três primeiros políticos a serem presos na operação.
Nesta etapa, estão sendo investigados os crimes de organização criminosa, formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência envolvendo três grupos dos ex-deputados. A investigação vai além da Petrobrás e também abrange desvios de recursos ocorridos em outros órgãos públicos federais. Também foram detidos Leon Vargas, irmão do ex-deputado André Vargas, Eliá Santos da Hora, secretária de Argôlo, e um publicitário, identificado como Ricardo Hoffmann. O outro preso, identificado como Ivan Mernon da Silva Torres, é apontado como laranja de Corrêa.
Os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR onde permanecerão à disposição da Justiça Federal. Como perderam a prerrogativa de foro, o caso dos ex-parlamentares está sendo investigado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato.
Polícia Federal cumpre mandados na nova etapa da Lava Jato (foto: Divulgação)
Ex-deputados. No caso de Vargas, a relação entre o ex-parlamentar e o doleiro Alberto Youssef, um dos principais alvos da operação e acusado de liderar um esquema de lavagem de dinheiro internacional, veio a tona desde o começo das investigações. A PF interceptou contatos entre o doleiro e o deputado – 270 mensagens de texto trocadas pelo aparelho BlackBerry, entre 19 de setembro de 2013 e 12 de março de 2014.
A suspeita é de que Vargas trabalhava em favor da rede articulada pelo doleiro, tendo inclusive feito lobby para o laboratório Labogen, de Leonardo Meirelles outro réu da Lava Jato, no Ministério da Saúde. O caso deu origem a um inquérito específico na Justiça Federal no Paraná. Além disso, o parlamentar chegou a viajar de férias com a família em um jatinho fretado pelo doleiro em 2013.
Seu envolvimento com o doleiro levou Vargas a ter o mandato cassado em dezembro do ano passado e também ser expulso do PT.
Já Luiz Argôlo, segundo afirmou Alberto Youssef em sua delação premiada, teria recebido emprestado um helicóptero do doleiro para sua campanha eleitoral de 2014. Na época, Argôlo foi candidato a deputado federal. Ele teve 63.649 votos e tornou-se suplente.
Segundo Youssef, o ex-parlamentar comprou a aeronave em 2012, mas não teve dinheiro para quitar as prestações. O político teria pedido dinheiro emprestado ao doleiro para fazer os pagamentos. Youssef contou à Polícia Federal que não aceitou e fez uma contraproposta.
À PF, o doleiro informou também que “João (Luiz) Argôlo fazia parte do rol de parlamentares do PP que recebia repasses mensais a partir dos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás”. Argôlo deixou o PP no fim de 2013 e transferiu-se para o Solidariedade. Interceptações telefônicas da PF apontam também que o ex-deputado teria recebido propina de R$ 400 mil da OAS por meio de Youssef.
O ex-deputado Pedro Corrêa, por sua vez, foi condenado a sete anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão e vinha cumprindo pena no regime semiaberto no Centro de Ressocialização do Agreste, a 210 km de Recife (PE).
Marinheiro de primeira viagem na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), o deputado Bruno Dauaire (PR) já garantiu nela o retorno da primeira leva dos PMs do interior transferidos às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na capital. Já na próxima semana, 340 PMs serão devolvidos ao interior de onde haviam sido transferido às UPPs. E, até o final do ano, com a formação de novas turmas de PMs, serão devolvidos todos os mil que saíram para atender à capital. Quem garantiu isso ao jovem deputado foi o próprio secretário estadual de Segurança José Mariano Beltrame. Em audiência solicitada por Bruno, os dois se reuniram hoje, na secretaria de Segurança, das 10h30 da manhã ao meio-dia. Daqui a pouco, o deputado estará falando sobre o assunto na tribuna da Alerj.
Ontem, no dia do jornalista, a Associação de Imprensa Campista (AIC) soltou aqui uma nota. Após o óbvio da parabenização pela data, a AIC passou a tratar de assuntos nacionais e estaduais nos quais sua relevância é a mesma, por exemplo, do interesse que a Câmara Federal ou o governo estadual Luiz Fernando Pezão (PMDB) poderiam ter, respectivamente, em projetos como o Campistana junto à Câmara Municipal de Campos, ou para emplacar o Festival Doces Palavras (FDP) com apoio do governo Rosinha Garotinho (PR).
Onde de fato pode fazer alguma diferença, a AIC afirmou que “se coloca em estado de alerta em relação à série recente de textos publicados pelo jornal ‘O Diário’, que questiona o conteúdo de críticas publicadas por blogueiros e jornalistas. A entidade está atenta ao fato de que a liberdade que tem o veículo para levantar o tema não pode se confundir com qualquer sinalização de intimidação judicial e coerção a vozes contrárias aos interesses político-editoriais do jornal”. Certo que quem pretender utilizar qualquer tipo de mídia para prática deliberada de ofensas pessoais, se exporá sempre a ser processado. E, até pelo efeito didático, deve mesmo ser condenado segundo o entendimento da Justiça, soberano num estado democrático de direito, como foi o caso local e recente de quem teve que “morrer” em mais de R$ 15,7 mil no pagamento de indenização por danos morais.
Todavia, esse nunca foi o caso do jornalista Ricardo André Vasconcelos, um dos exemplos mais éticos da mídia goitacá, seja em sua lida de 25 anos de jornalismo profissional em imprensa, rádio, televisão, secretaria municipal de Comunicação, além de como blogueiro e na democracia irrefreável das redes sociais. Ainda assim, por ter se colocado aqui contra a mesma ameaça dos lacaios dos donos do poder em Campos, conforme este blog registrou no dia seguinte aqui e aqui, Ricardo se viu alvo de um enxurrada de ameaças pessoais, como ele próprio teve o espírito democrático de registrar aqui. Como a este “Opiniões”, na defesa de um jornalista em sua defesa do jornalismo, a única e valorosa adesão até agora havia sido (aqui) a do colunista e blogueiro Murillo Dieguez, menos mal que nove dias depois do fato inicial, a AIC, antes tarde do que nunca, tenha se posicionado.
Só não revelou se foi cobrada a fazê-lo; tampouco por quem. E nem é necessário…
Noves fora o jogo para a galera, entre independentes, empregados, patronais e até os servidores da máquina lenta e dispendiosa do Estado, a vitória no dia de ontem foi da catiguria.