Ontem, dia 13, Arnaldo Vianna na Folha entre sua esposa Edilene e os jornalistas Paula Vigneron e Aluysio Abreu Barbosa (Foto: Paulo Pinheiro – Folha da Manhã)
Na manhã de ontem, quinta-feira (13), o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB) deu uma entrevista na Folha da Manhã, feita pela jornalista Paula Vigneron e por mim. Nela, o experiente médico e político revelou histórias do passado e fez insitigantes análises do quadro presente no município.
Após esta Sexta da Paixão (14) e do Sábado de Aleluia de amanhã (15), a publicação da entrevista virá como presente da edição da Folha no Domingo de Páscoa (16). Vale a pena conferir.
No início das novas administrações municipais, ocorreu uma expectativa de reais mudanças, mas imediatamente as cobranças foram refreadas e embarreiradas pelo discurso da crise. A propalada crise. Seria uma negação do óbvio se, não conhecêssemos a História da Humanidade e ignorássemos que o mundo em algum momento não estivesse passando por crises… É assim desde quando nos tornamos “civilizados”.
Nossa aldeia goitacá, “umbigo do mundo”, como costumo dizer, não está imune. Somos o tambor do planeta e aqui as coisas ecoam com mais intensidade e vamos combinar só entre nós que as cobranças ecoam com mais intensidade. E esse é o principal desafio que o prefeito Rafael Diniz vai enfrentar em sua gestão.
Somos cerca de meio milhão de cidadãos, estamos com uma infraestrutra administrativa que foi depauperada ao longo de oito anos de desGoverno de uma “gestão” — e sendo eufêmico — “desastrosa, que promoveu um desmonte da máquina administrativa”. Mas vou encerrar essa fala, pois foi exaustivamente repetida durante a campanha eleitoral e já passou da hora de desmontarmos os palanques e começar a dar respostas às demandas da população.
Chega do “blá-blá-blá de paciência”, de que herdamos uma cidade falida, sem orçamento e coisa e tal. Disso todos sabíamos, não era nenhuma novidade tanto que decidimos mudar tudo e mudamos no primeiro turno das eleições.
Com o devido respeito que o prefeito Rafael Diniz merece (e todos sabem que foi dele o meu voto), mas não observei, até o presente momento, mudanças significativas em relação ao governo anterior, os serviços públicos continuam com sérios problemas estruturais. Vejamos por exemplo o transporte público, estamos aquém do ideal não houve melhoria, ampliação da frota e já ocorreram greves prejudicando a população e o comércio e as desculpas foram as mesmas do desGoverno anterior.
Na área da Educação — e disso posso falar de cadeira, pois sou um educador concursado que pensa e discute Educação sob o prisma da Educação de Qualidade e Transformadora — e posso afirmar com todas as letras, não houve nenhuma mudança tanto no que tange à questão pedagógica, quanto às condições físicas em que se encontram as unidades de ensino do município. E olha que estamos às portas da mudança da Base Curricular Nacional, mas mudemos de assunto vamos falar de outras áreas…
A Saúde continua com muitos problemas pois o desGoverno anterior não priorizou as demandas dos cidadãos e consequentemente as urgências ficam difíceis de serem sanadas: ambulâncias, UBSs e Unidades Hospitalares sucateadas, medicações básicas em falta. E a administração atual passa mais tempo administrando o caos. Realmente é complicado trabalhar e temos que dar o devido desconto, mas não podemos deixar de cobrar mais eficiência nas ações, a população quer soluções imediatas e não desculpas.
Existem soluções para as questões que estão aí e passam por uma participação popular, por fóruns de discussão coletivas, diálogos abertos dos dirigentes com a população e não assessores que permanecem sentados em seus gabinetes.
Assim que recebi o convite para escrever a respeito dos primeiros cem dias do governo de Rafael Diniz, tive imediatamente duas reações opostas – senti grande responsabilidade, já que morando fora de Campos há dez anos não me familiarizo com a cena política do jeito que gostaria. Por outro lado, me senti feliz, pois pensei que poderia falar sobre aquele que hoje ocupa o cargo de prefeito da cidade de Campos como uma pessoa que transitou em alguns mesmos espaços de formação que eu. Conheci Rafael Diniz desde a infância, pois estudamos juntos no Auxiliadora.
Sendo dois anos mais velho do que eu, compartilhávamos os espaços fora da sala de aula, principalmente em uma escola na qual as atividades culturais eram intensas. Certo ano, lembro-me de uma edição dos Jogos Mazzarello, competição de esportes entre escolas da congregação salesiana, que foi realizada no Censa. As lembranças trazem o hino do Auxiliadora: “Nós somos de Dom Bosco a juventude/Nós somos da escola o coração…”
Nos idos de fim da década de 1990, pude perceber de longe o protagonismo de Rafael na condução de uma equipe, não me lembro o esporte. Mas certamente o olhar assertivo e o sorriso confiante chamaram a minha atenção e dos outros colegas que vibravam juntos no ginásio com a sua liderança. Em consonância com a lembrança do som da borracha das bolas que batiam no chão em harmonia com a gritaria animada dos adolescentes.
Certamente se ainda morasse em Campos, teria votado em Rafael. De maneira clara e conforme o tom dos textos dos outros colaboradores desse blog, os desafios são imensos com uma herança tão, no mínimo, mal planejada dos governos anteriores da planície goitacá. Mas a equipe de trabalho do atual prefeito também deve ser recordada.
Procuro não utilizar argumentos pessoalizados, mas tive a oportunidade de conviver com a respeitadíssima Lúcia Talabi, atriz e diretora de teatro, que é superintendente da secretaria de igualdade racial. Também com a competente advogada e socióloga Sana Gimenes, de quem fui caloura na Uenf, no curso de ciências sociais. Apenas para nomear duas pessoas que compõem uma equipe mais do que respeitada para a condução das pastas do governo.
Olhando de longe, parece-me que as eleições de Rafael driblaram maniqueísmos em virtude da necessidade e da crença na mudança. Essa sensação de que poderia de fato haver alguma mudança concreta nos rumos de Campos dos Goytacazes era perceptível mesmo aqui do extremo norte do país.
Os meus amigos que se consideram mais ‘progressistas’, na falta de termo mais adequado, bem como parte considerável da elite da cidade apostou em Rafael. Não sou afeita a ingenuidades e, com o perdão de essa análise ser uma delas, esse é um grande estímulo que não tem a ver não somente com a formação sólida e a preparação para o cargo político, mas claramente com um cenário favorável na política campista e uma saída não tão cegamente unilateral, pendente para um dos dois extremos, por assim dizer.
De breve passagem a Campos no final do ano, estive em um restaurante no qual soube que Rafael estava se reunindo com a sua equipe. Logo pensei que seria uma oportunidade para desejar pessoalmente a ele toda a sorte na empreitada que se iniciaria dali a poucos dias. Apesar de ele ter sido uma figura marcante para mim nos eventos do Auxiliadora, não tinha certeza que se lembraria de mim. Assim que ele saiu de onde se reunia, cumprimentou as pessoas ao redor e quando me viu me abraçou com um sorridente Manu. Tive então a oportunidade de desejá-lo sorte na gestão da cidade nos próximos anos.
Passados os primeiros cem dias e com a sensação de mudança não tão latente, mesmo para alguns de seus próprios eleitores, permanece a confiança na competência do atual prefeito e de todo seu grupo. Particularmente para mim, ainda ecoa a continuidade do hino da escola, pertinente, para a atualidade dos caminhos de Rafael: “Queremos ser promessa no futuro/ Luz no escuro, solução!”
Escrito na noite de terça, o “Ponto Final” de ontem (aqui) foi feito sem conhecimento do teor da delação da Odebrecht contra o casal Garotinho. Sabia-se apenas que os dois estavam citados na temida “delação do fim do mundo”, que envolve vários políticos brasileiros. Ainda assim a coluna adiantou que Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo, executivos da empreiteira, estavam por trás das denúncias contra os ex-prefeitos de Campos. Afinal, os dois assinaram o contrato do “Morar Feliz”, no valor total de quase R$ 1 bilhão dos cofres públicos do município, maior contrato dos seus 182 anos de história.
Desde maio de 2009
A bem da verdade, o “Ponto Final” adiantou desde 29 de maio de 2009, ainda no primeiro dos oito anos de governo Rosinha Garotinho (PR), que a Odebrecht venceria a primeira licitação do “Morar Feliz”. O resultado, confirmando a coluna, foi publicado em Diário Oficial (DO) em 23 de setembro de 2009, enquanto o contrato foi celebrado com pompa e circunstância em 1º de outubro daquele mesmo ano. Na ocasião, Rosinha não se importou em posar às câmeras ao assinar, ao lado de Leandro Andrade de Azevedo, o contrato que já vinha sido previamente assinado também por Benedicto Barbosa da Silva Júnior.
Com o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa ainda à frente da coluna, o “Ponto Final” adiantou em quase quatro meses que a Odebrecht venceria a licitação do “Morar Feliz” (Reprodução)
Dinheiro aos Garotinho
Pois ontem, enquanto a coluna recontava toda a história, foi revelado o que os mesmos Leandro e Benedicto delataram (aqui) ter sido a contrapartida para que a Odebrecht levasse exatos R$ 996.434.912,43 do dinheiro do campista, destinadas à construção inacabada de 6,5 mil casas, com qualidade, planejamento e preços bastante questionáveis: repasses da empreiteira às campanhas de prefeita de Rosinha, em 2008 e 2012, e de Garotinho (PR) a governador em 2014, quando não foi nem ao segundo turno. Sem a divulgação dos valores, forma de pagamento e origem do dinheiro, a informação foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Deu no JN
Ontem, Jornal Nacional, da Globo, reforçou o que esta coluna e reportagens deste jornal vêm mostrando desde março do ano passado. Com as delações revelando dinheiro da Odebrecht nas campanhas de Rosinha e Garotinho, o JN também destacou que os valores não foram contabilizados nas prestações de contas declaradas ao TSE. Se antes as informações das planilhas que apontam o clã Garotinho eram consideradas extraoficiais, agora constam em documentos oficiais e podem virar alvo de inquéritos a qualquer momento, por mais que os citados tentem transparecer tranquilidade.
Gravações
A expectativa é que com a revelação das gravações feitas com os delatores a pressão aumente ainda mais sobre o casal Garotinho, como já começou acontecer, desde ontem, com o teor revelado principalmente sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Boa parte das declarações já está sendo disponibilizadas pela mídia nacional e o que foi dito por Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo pode fazer a casa cair de vez para os Garotinho. A assessoria do casal salienta que “qualquer acusação tem que ser baseada em provas”. No entanto, não dá detalhes sobre a não declaração dos repasses.
Convocação
E se desde que assumiu a presidência da Câmara de Campos, Marcão Gomes (Rede) já tinha garantido que nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) iria se sobrepor à da Lava Jato, com as novas revelações é mais do que certo as investigações, inclusive com a convocação dos delatores da Obebrecht (aqui) que assinaram com Rosinha o “Morar Feliz”. Quando foi proposta na legislatura passada, a CPI da Lava Jato em Campos acabou indo para o fim da fila, ficando atrás de outras que também nunca deram quaisquer resultados.
Cerco se fecha
A previsão é que dentro de nove dias, a contar de hoje, comecem os trabalhos não só da CPI da Lava Lato, mas também a CPI das Rosas, ambas propostas por Marcão, sendo a última relativa aos contratos do governo Rosinha Garotinho (PR) com a Emec Obras e Serviços Ltda, que mesmo em período de crise financeira recebeu R$ 76 milhões dos cofres públicos de Campos. A mesma Emec doou à campanha de Garotinho. As duas CPIs serão iniciadas tão logo recebam as análises da comissão de Obras, feita em conjunto com a Procuradoria da Câmara. A comissão é composta pelos vereadores Fred Machado (PPS), José Carlos (PSDC) e Genásio (PTC), todos governistas.
Com a colaboração dos jornalistas Rodrigo Gonçalves e Arnaldo Neto
Executivo e delator da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo no ato da assinatura da primeira etapa do “Morar Feliz”, com a prefeita Rosinha, em 1º de outubro de 2009 (Foto: Ricardo Avelino – Folha da Manhã)
Dentro de 10 dias, a contar de hoje, começarão os trabalhos da CPI das Rosas, relativas (aqui) aos contratos do governo Rosinha Garotinho (PR) com a Emec, e da CPI da Lava Jato. Nesta, serão convocados à Câmara de Campos os executivos da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo. Foram eles que assinaram o contrato do “Morar Feliz” entre a construtora e a então prefeita Rosinha, no valor total de quase R$ 1 bilhão, maior da história do município, como o “Ponto Final” adiantou (aqui) em sua edição de hoje.
Benedicto e Leandro são parte integrante da “delação do fim do mundo”, feita (aqui) por 77 executivos da Odebrecht contra vários políticos brasileiros. Especificamente sobre Rosinha e Garotinho, segundo consta no Diário Oficial da Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como o blog do Arnaldo Neto adiantou (aqui), os dois delatores “relatam o pagamento em favor de Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira [Rosinha Garotinho, PR], nos anos de 2008 e 2012 de vantagens não contabilizadas, quando da campanha eleitoral para a Prefeitura Municipal de Campos”. “No mesmo contexto, narra-se o repasse de recursos também em favor de Anthony William Matheus de Oliveira [Garotinho, PR], para fins da campanha eleitoral do ano de 2014, quando candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro”.
Aprovada na Câmara de Campos na legislatura passada, a CPI da Lava Jato foi posta para o fim da fila, numa manobra bastante criticada do ex-presidente da Casa, Edson Batista (PTB), visando impedir as investigações. Agora, o atual presidente, vereador Marcão Gomes (Rede) informou ao blog que tanto a CPI da Lava Jato, quanto a CPI das Rosas, ambas propostas por ele, serão iniciadas tão logo receba as análises da comissão de Obras, feita em conjunto com a Procuradoria da Câmara. A comissão é composta pelos vereadores Fred Machado (PPS), José Carlos (PSDC) e Genásio (PTC), todos governistas.
Marcão anunciou que, no caso da delação da Odebrecht contra Garotinho e Rosinha, todas as informações serão requisitadas formalmente pela Câmara de Campos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Justiça Federal do Estado do Rio, para onde o caso foi remetido, já que o casal de ex-governadores e ex-prefeitos não goza mais de foro privilegiado.
Delatores da Odebrecht que denunciaram que Rosinha teria recebido dinheiro da empreiteira para as eleições de 2008 e 2012 à Prefeitura, assim como Garotinho, na eleição a governador perdida de 2014, Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo assinaram o contrato do “Morar Feliz”, no total de quase R$ 1 bilhão dos cofres públicos de Campos (Reprodução com destaques)
Na foto do Boulevard que anda rodando a democracia irreferável das redes sociais locais, será que alguém já notou que a lâmpada do poste à direita está queimada?
Ah! Essa superintendência de Iluminação Pública…
(Foto: Kelvin Klein – Projeto Nurbe)
Atualização às 15h08:Aqui, o sempre atento jornalista e blogueiro Saulo Pessanha já tinha publicado a foto
Atualização às 16h21 de 16/04/17 para dar o crédito devido ao autor da foto
Eleito no primeiro turno, Diniz comemora a vitória, mas ainda não derrotou o garotismo na medida em que, por omissão, anistia os malfeitos do governo Rosinha (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
Cem dias é um período curto para avaliar uma administração, mas é tempo suficiente para constatar que, como na vida, os governos também trilham um caminho tênue entre a virtude e o pecado, entre a ruptura e o continuísmo. Enquanto não escolhe sobrevive a esperança, mesmo que outros sinais indiquem que a velha política anda rondando as novas cabeças coroadas.
Ao prefeito Rafael Diniz (PPS) é justo que se empenhe um crédito de confiança ou até mesmo certa condescendência. Afinal, assumiu uma prefeitura falida, desorganizada, cheia de arapucas e sem nenhuma informação oficial, porque, como sabemos, a ex-prefeita Rosinha Garotinho negou-se a qualquer ato de transição. Talvez por isso, durante esses primeiros três meses a impressão é que o governo inteiro trabalha apenas para dentro. Estão conhecendo a máquina, contornando as armadilhas, enxugando gastos para garantir a folha de pagamentos, que já bateu no limite de 54% da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Sei que isso não é pouco, principalmente num cenário de crise nacional aliada a uma queda de receita em torno de R$ 1 bilhão, algo cerca de 1/3 a menos que a antecessora teve ano passado.
O quadro é gravíssimo, mas alguém tem que dialogar com a sociedade que comprou a ideia de um “governo diferente”. Enquanto os jovens e aparentemente competentes, auxiliares do governo acertam as engrenagens da máquina, o prefeito deveria, se me permitir a sugestão, manter atualizado o discurso da diferença, enquanto sua equipe elabora o que será diferente na prática. O papel do líder político é manter acesa a chama que desbordou na mudança e a sintonia com as aspirações da população. Se a demanda reprimida não pode ser atendida, é preciso que se leve ao conhecimento da população os motivos, as dificuldades e as soluções viáveis. É preciso reconectar o cidadão que cobra soluções ao eleitor que apostou na mudança.
Até aqui, talvez pelo imenso desafio que ocupa toda a equipe, parece mais um governo de continuísmo que de ruptura. “Mais do mesmo”. Pode ser falha de comunicação, poder ser. Mas há sinais que começaram antes mesmo da posse, como o acordo com a então bancada governista que deu ao prefeito 50% de suplementação automática no orçamento em troca da aprovação das contas da prefeita referentes a 2015 e, de quebra, garantiu a eleição da Mesa Diretora fiel ao novo governo. É ela, a volta política rondando e tentando se (re) estabelecer com seus cantos e encantos.
Na primeira semana de governo, dois novos — e maus — sinais: um do Executivo e outro do Legislativo: o engenheiro que seria uma das principais peças da área de obras do governo anterior e o maior foco de críticas da então oposição à administração finda foi nomeado secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (portaria 038/2017). Não conheço o engenheiro, mas simbolicamente sua nomeação é uma espécie de anistia aos desmandos da gastadeira Rosinha. E, antes de completar uma semana na cadeira de presidente da Câmara, o vereador Marcão Gomes (Rede), em 06/01/2017, prorrogou, por R$ 1,2 milhão, um contrato de publicidade que já tinha sido prorrogado quatro vezes na gestão Edson Batista. Em plena crise, por que e para que gastar R$ 1,2 milhão em publicidade? Fiz as críticas de forma pública: a primeira em entrevista à Folha e a segunda em meu blog, ambas ignoradas.
Ignorar críticas, mesmo as mais construtivas é outro sinal da velha política. A mesma que opta pela maioria confortável no Legislativo em troca do apoio fisiológico venha de onde vier. Mas nada é mais representativo da velha política do que o carreirismo usar o poder como trampolim para guindar os amigos a postos mais altos. E as eleições para Assembleia Legislativa e Câmara Federal, no ano quem vem, podem descortinar se o governo municipal vai usar sua máquina em favor dos seus aliados, como os antecessores fizeram, ou vai ser diferente.
Em cem dias leem-se sinais de uma nau entre a ruptura e o “mais do mesmo”. Entender que o eleitor, ao derrotar o garotismo queria algo de novo pode ser fundamental para o sucesso ou fracasso do novo governo. O eleitor, ao dar a vitória a Rafael Diniz no primeiro turno e nas sete Zonas Eleitorais, verbalizou, de forma cristalina, que queria ruptura e isso exige mais do pôr a burocracia em ordem e recuperar as finanças. É preciso que se conheça o que foi apurado nas auditorias e trazer à luz os malfeitos de um governo que foi escorraçado nas urnas justamente porque sobre ele pairavam todas as suspeitas. E se nada vem à tona, anistiam-se todos os dias um governo que acabou em caso de polícia.
Há tempo pois de escolher um rumo que esteja em sintonia com as urnas.
Charge de José Renato publicada hoje (12) na Folha
Garotinhos do Planalto à Planície
Do Planalto à Planície o dia ontem não foi bom ao casal Garotinho. Em Brasília, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou a “lista do fim do mundo”, com os pedidos de inquérito da Procuradoria Geral da República (PGR) a partir das 77 delações de executivos da Odebrecht. Nela, entre políticos de vários partidos e regiões do país, estão Rosinha e Anthony Garotinho (PR). No mesmo dia, na Câmara de Campos, seu presidente, vereador Marcão (Rede), propôs (aqui) a CPI das Rosas para investigar o contrato do governo municipal Rosinha com a Emec, entre 2011 e 2016, no valor total de R$ 76,1 milhões.
Despejo do “Morar Feliz”
Sem maiores dados sobre os motivos do envolvimento do casal Garotinho nas investigações da Lava Jato, que só serão conhecidos na próxima semana, dado o generoso recesso de Páscoa do Poder Judiciário, se supõe se tratar das obras do “Morar Feliz”. Entre suas duas etapas e vários aditivos para a construção de 6,5 mil casas, durante os oito anos de governo Rosinha, a Odebrecht recebeu R$ 996.434. 912,43 (quase R$ 1 bilhão) dos cofres públicos de Campos. Foi o maior contrato da história do município, abandonado sem a conclusão das obras, quando a fonte dos royalties começou a secar com a queda do preço do barril de petróleo.
Coincidências?
A publicação em Diário Oficial da primeira licitação vencida pela Odebrecht no “Morar Feliz”, no valor de R$ 357,4 milhões, se deu em 23 de setembro de 2009. O resultado foi antecipado quase quatro meses por esta mesma coluna, em 29 de maio daquele ano. A etapa inicial do “Morar Feliz” seria assinada em 1º de outubro de 2009, entre Rosinha e dois executivos da empreiteira: Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo. Ambos estão entre os 77 delatores da Odebrecht na “lista do fim do mundo”. Nela também constam o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), o ex Riverton Mussi (PDT) e o ex de Rio das Ostras Alcebíades Sabino (PSDB).
CPI das Rosas
Atualmente sem foro privilegiado, as denúncias da Odebrecht contra Garotinho e Rosinha serão encaminhadas à Justiça Federal do Estado do Rio. Já em foro legislativo municipal, o dia também não foi bom aos ex-prefeitos de Campos na Câmara da cidade que dominaram por tantos anos. Foi lá que o presidente Marcão propôs a CPI das Rosas, para investigar o governo municipal passado por suspeitas em outro contrato milionário: com a Emec Obras e Serviços Ltda, entre 2011 e 2016, no valor total de R$ 76.150.706,73, para manutenção civil e paisagística de canteiros, parques, praças, jardins e afins.
Destino governista
Segundo Marcão, ele encaminhou ofício à secretaria municipal de Controle, que teria encontrado fortes indícios de dois ilícitos: 1) da prática de preços que não correspondem aos valores exigidos e fixados pelo Tribunal de Contas e 2) da combinação e formação de cartel dentro da licitação. “Estes são os fatos determinados para a abertura da CPI”. Sem ser posta em votação, os documentos para embasarem a CPI foram encaminhados à Comissão de Obras e Serviços Públicos, que tem o vereador Fred Machado (PPS) como presidente e membros, José Carlos (PSDC) e Genásio (PSC), todos governistas.
Passado capixaba
A Câmara de Campos também vai solicitar à Justiça Federal do Espírito Santo a cópia do inquérito que investiga a Emec por denúncias de irregularidade no município capixaba de Presidente Kennedy. Lá, em 2012, a operação “Lee Oswald”, da Polícia Federal (PF) chegou a prender Fábio Saad Junger, da Emec. “Por que o silêncio do governo passado a respeito disso? Em 2014, a revista Veja trouxe reportagem sobre políticos que receberam doações de empresas. Entre eles, o senhor Anthony Garotinho que recebeu nada menos que R$ 350 mil. Doados pela empresa que tinha contrato com a Prefeitura de Campos”, alfinetou Marcão.
Fantasias?
Segundo o presidente do legislativo, a licitação inicial entre o governo Rosinha e a Emec foi feita em 2011, sofrendo vários aditivos. O valor médio foi de R$ 15 milhões anuais, até um pregão feito em 2016, no valor de R$ 11,45 milhões, em novo contrato de oito meses. Depois, em 7 de dezembro, quando o governo Rosinha já tinha perdido a Prefeitura nas urnas, outro pregão de cerca de R$ 2,5 milhões foi realizado. Líder do PR, o vereador Thiago Ferrugem disse não se opor à investigação, mas queria que fosse pelo Ministério Público ou PF: “Não se pode admitir que se crie fantasias para encobrir a insatisfação com o atual governo”, acusou.
No cumprimento da promessa de devolver o Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira aos seus verdadeiros donos — os artistas de Campos —, o diretor da casa Fernando Rossi informou ao blog que está aberto o recebimento das pautas dos grupos locais que quiserem apresentar projetos para compor a programação de 2017.
Rossi explicou que o TB cobrará 10% da bilheteria aos grupos, quando a praxe é 20%, deixando 90% à produção dos espetáculos. Já em locação para eventos, a taxa cobrada será de um salário mínimo.
Fechado nos últimos três anos do governo Rosinha Garotinho (PR), o TB foi alvo de uma ocupação dos artistas (relembre aqui), entre 9 de maio e 6 de junho de 2016, para denunciar o descaso da municipalidade com o espaço. Então secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR), visitou o teatro ocupado e prometeu (aqui) sua reabertura em 45 dias, o que só seria cumprido (aqui) pelo governo Rafael Diniz (PPS). Ainda vereador de oposição, o hoje prefeito visitou (aqui) o TB durante a ocupação, para dar apoio aos artistas.
Ironicamente, no início dos anos 1980, quando os dois eram artistas de teatro amador, Garotinho e Rosinha se lançaram na política após liderarem uma ocupação do TB.
Enquanto a sessão da Câmara pega fogo com a expectativa da proposta da CPI das Rosas (leia aqui) pelo presidente Marcão Gomes (Rede), um dos vereadores mais combativos da história recente de Campos cumpriu hoje mais uma etapa para assumir uma das 25 cadeiras da Casa. O comunicado do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já chegou à 76ª Zona Eleitoral de Campos, mandando dar posse a Marcos Bacellar (PDT), cujos votos foram validados por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cumprido o rito burocrático da Justiça Eleitoral, com os dias úteis encurtados pelo feriado da Paixão, Morte e ressureição de Cristo, a expectativa de Bacellar é assumir seu mandato na próxima semana. Quanto aos pedetistas locais que fingem comemorar a volta do combativo edil, enquanto se agarram à aliança atrapalhada e mal confessa com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), o jeito é esperar cantando: “Coelinho da Páscoa que trazes pra mim?”…
Na sessão de hoje (12) da Câmara de Campos, seu presidente, vereador Marcão Gomes (Rede), propôs a sessão a CPI das Rosas, como batizou a investigação parlamentar do contrato do governo Rosinha Garotinho (PR), entre 2011 e 2016, com a Emec Obras e Serviços Ltda, no valor toral de R$ 76.150.706,73, para manutenção civil e paisagística de canteiros, parques, praças, jardins e afins.
— Encaminhei ofício à secretaria municipal de Controle, que encontrou fortes indícios de dois ilícitos: 1) da prática de preços que não correspondem aos valores exigidos e fixados pelo Tribunal de Contas e 2) da combinação e formação de cartel dentro da licitação. Este são os fatos determinados para a abertura da CPI. Além dela, a Prefeitura vai fazer uma Tomada de Contas Especial, que é de sua responsabilidade, para apurar o prejuízo gerado ao erário municipal e solicitar judicialmente o devido ressarcimento — explicou o parlamentar.
Segundo Marcão, a licitação inicial foi feita em 2011, sofrendo vários aditivos ao longo dos anos. O valor médio teria sido de R$ 15 milhões/ano, até um pregão feito em 2016, no valor de R$ 11,45 milhões, num novo contrato de oito meses. Depois, em 7 de dezembro último, quando o governo Rosinha já sabia que havia perdido a Prefeitura nas urnas, foi realizado mais pregão, no valor de cerca de R$ 2,5 milhões.
— A coisa fica ainda mais suspeita, ao saber que tudo isso foi feito mesmo depois que a Polícia Federal (PF) chegou a prender o dono da Emec, Fábio Saad Junger, figura próxima aos Garotinho. O nome da operação federal foi Lee Oswald, já que foi motivada por irregularidades praticadas pelo mesmo grupo empresarial no município capixaba de Presidente Kennedy. Isso foi em 2012. E assim mesmo depois fizeram tudo isso em Campos — questinou o presidente da Câmara Municipal.
O nome operação da PF e do município do Espírito Santo, no qual o dono da Emec foi preso, fazem referência a uma tragédia da política estadunidense, até hoje envolta em muito mistério: em 22 de novembro de 1963, em Dallas, capital do Estado do Texas, Lee Harvey Oswald teria assassinado a tiros de fuzil John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos EUA.
Charge de José Renato publicada hoje (11) na Folha
Bacellar de volta ao jogo
“As galerias e os colegas da Câmara vão encontrar um vereador mais amadurecido, mas com a mesma disposição e garra. Mais até do que pela disposição de combate, minha carreira sempre foi marcada pela capacidade de agregar. Minha passagem pelo sindicato e pela Câmara são exemplos disso. O que sei fazer é agregar. É o que farei em defesa dos interesses da população de Campos”. Foi esse o tom usado por Marcos Bacellar (PDT), ao falar ontem à coluna sobre sua volta à Câmara de Campos, próxima de acontecer a partir da liminar concedida (aqui) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a última sexta, dia 7.
“Chucky”, o retorno
Tão logo o TSE comunique a decisão ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro (TRE-RJ), os votos dados ao pedetista serão validados. E, na recontagem, ele assumirá a vaga de Cecília Bainha (PT do B). Quando isso acontecer, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) não só terá mais um(a) vereador(a) liberto(a) da sua gravidade cada vez menos densa, mas será obrigado a conviver com os “meteoros” lançados da tribuna por um dos seus críticos mais aguerridos. Para quem não se lembra, foi em seus tempos de presidente da Câmara que Bacellar apelidou o político da Lapa de “Chucky”, em referência à série de terror trash “Brinquedo assassino”.
Godoy, a revanche?
Embora tenha apoiado Caio Vianna (PDT) a prefeito, a quem tentou emprestar um pouco da sua experiência, consta que Bacellar e o grupo do prefeito Rafael Diniz (PPS), hoje com 18 dos 25 vereadores, têm mantido contatos. Por outro lado, como advogado do grupo de Garotinho, Thiago Godoy (PR) foi o principal adversário na volta do pedetista à ao legislativo. Como o vereador Jorge Magal (PR) teve condenação confirmada pelo TRE, caso perca a vaga, a cederá justamente a Godoy, também investigado na operação Chequinho. Numa dessas ironias da vida, seria interessante ver o jovem garotista sendo recebido por Bacellar na Câmara.
Carla e Pedro
Tão experiente e bem informado quanto Bacellar na política de Campos e região, mas dedicado a ela como jornalista, Saulo Pessanha noticiou ontem (aqui) em sua coluna “Painel Político”, na Folha da Manhã, e em seu blog, hospedado na Folha Online, que a prefeita de São João da Barra (SJB), Carla Machado (PP) negou que vá lançar seu filho, Pedro, nas eleições legislativas de 2018. “Isso nunca foi ventilado da minha parte e da parte de Pedro”, disse Carla a Saulo.
Na dúvida, certeza
Na verdade, após soprar ao nordeste de SJB e Campos, a possibilidade de Pedro vir a deputado estadual foi noticiada (aqui) nesta coluna em 31 de março. O plano seria a prefeita testar o filho para uma futura candidatura à sua própria sucessão. Se, 10 dias depois, a negativa foi porque realmente não se pensou na hipótese, ou porque foram fortes as reações contrárias, de outros potenciais pré-candidatos, nunca se saberá. A certeza é que, irmão de Carla e tio de Pedro, o vereador de Campos Fred Machado (PPS) deve ter ficado aliviado. Ele é aliado próximo de Marcão (Rede), presidente da Câmara goitacá e forte pré-candidato à Assembleia Legislativa.
Luta pela Uenf
A Campanha Somos Todos Uenf será lançada, hoje, às 17h30, no Centro de Convenções. A ideia é sensibilizar a população para o momento mais difícil da história da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, desde a sua fundação em agosto de 1993. Até o Conselho Universitário decretou estado de calamidade pública na instituição. No sábado passado já houve um Dia de Ação financiado por jovens empresários, que promoveu algumas melhorias, como limpeza e reparos. Com a campanha, projeta-se reviver os anos de luta de toda a região para a criação da Uenf.
Sob protesto
A situação crítica trouxe ontem o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Pedro Fernandes, à Uenf. Apesar da iniciativa louvável do deputado estadual Bruno Dauaire (PR) em trazer o secretário, este nada pode fazer de imediato a não ser lamentar também com os servidores e alunos que o receberam com protesto. O secretário disse que sentia vergonha de ver a Uenf como está, mas não deu prazo para o socorro. Com todo o respeito, não é de lamentação que se alimentam os funcionários. A melhor forma de negociar é pagar a quem deve.