Pesquisa a prefeito entre atores e sociedade, decoro pela academia

 

Wladimir Garotinho, Thiago, Rangel, Jefferson Manhães, Sérgio Mendes, Caio Vianna e Arnaldo Vianna; Cléber Tinoco, Priscila Marins, João Paulo Granja, Rodrigo Bacellar, Anthony Garotinho e Juninho Virgílio; Geraldo Coutinho, Edmundo Siqueira, George Coutinho, Hamilton Garcia, Igor Franco e Fabrício Maciel (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pesquisa a prefeito: palavras e silêncio

A eleição a prefeito de Campos é em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses. Mas o favoritismo que Wladimir Garotinho (PP) tem hoje à reeleição, mais que nas palavras do seu grupo político, é aferida por formadores de opinião não alinhados. Como pelo silêncio do grupo dos Bacellar sobre a pesquisa Iguape a prefeito (confira-a na íntegra aqui) que encomendaram. E nela colocaram entre as opções de prefeito ao eleitor, em consulta estimulada, o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD), e seu pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD). Assim como a deputada estadual Carla Machado (PT), mesmo impedida de concorrer.

 

Prefeitáveis que sabem falar

Marquinho, Marcos e Carla não são obrigados a falar com ninguém. Como quem lhes ofereceu voz, através de suas assessorias, não é obrigado a ignorar o que o silêncio ensurdecedor dos três quer dizer. Através dos números, hoje muito favoráveis a Wladimir, há caminhos para se afirmar o óbvio: nada está definido. Foi o que refletiram sobre a pesquisa Iguape prefeitáveis (confira aqui) como o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido). Assim como o professor Jefferson Manhães (PT), reitor do IFF, e o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania). Que levantaram o histórico eleitoral dos Garotinho e fizeram vários questionamentos ao governo Wladimir.

 

Caio lança Arnaldo inelegível

Segundo colocado em todas as pesquisas, o deputado federal Caio Vianna (PSD) tentou criar um fato novo. No lugar de analisar a larga distância que hoje o separa de quem perdeu por margem estreita o segundo turno a prefeito de 2020. Em agosto de 2023, Caio quis lançar seu pai, o ex-prefeito Arnaldo Vianna (hoje, PDT), a prefeito em 2024. Mas, sem apresentar nenhum jurista a endossá-lo, teve sua pretensão confrontada por documentos jurídicos analisados (confira aqui) por advogados politicamente independentes e conceituados de Campos: Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paula Granja. Aos três, Arnaldo seguirá inelegível até o pleito.

 

Exemplo de Rodrigo e análise de Juninho

Recorrer aos juristas é o caminho que um hábil advogado e hoje presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), usou para parar na Justiça (confira aqui e aqui) as denúncias contra ele que vinham sendo feitas por Anthony Garotinho (União), pai de Wladimir. O que reforça o favoritismo deste, com possibilidade de conclusão no primeiro turno. Como projetou a pesquisa Iguape que nenhum dos vereadores do grupo dos Bacellar quis comentar à coluna. Ao contrário do edil governista Juninho Virgílio (União): “O prefeito reconhece que existem coisas a resolver, mas o saldo de realizações é positivo. Esse crédito de confiança da população salta nos números da pesquisa”.

 

Desafio do segundo governo

Para formadores de opinião do setor produtivo do município, a partir do que mostrou a pesquisa Iguape, o grande obstáculo do prefeito não seria nem sua reeleição. Mas o que seria seu segundo governo. “A eleição será o problema menor, o futuro mandato será o maior desafio. Este último turno é que definirá os movimentos seguintes na trajetória de Wladimir. Se até agora bastou se apresentar melhor que seu antecessor (Rafael Diniz, Cidadania), para boa avaliação no segundo mandato terá que se superar. E para isso precisa inovar, surpreender. Mais do mesmo será mal visto”, advertiu o industrial Geraldo Coutinho.

 

Longe da agressividade

Outro formador de opinião independente politicamente, o servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1, Edmundo Siqueira, também não se furtou em analisar à coluna a pesquisa Iguape: “Os números e a presença carismática do prefeito nas redes sociais e ruas tendem a manter a oposição apagada, as críticas necessárias melindradas e a tal pacificação mantida. O cenário tende a se perpetuar, e a vitória em primeiro turno só não se concretiza pelo imponderável. E mesmo que a pacificação se desfaça, Wladimir vem conseguindo se manter afastado do denuncismo do pai e de sua agressividade. Isso é bem visto pelo eleitorado”.

 

Decoro na política goitacá (I)

A linha no chão à agressividade na política goitacá vem sendo riscada pelo polo universitário do município. No Folha no Ar do dia 8, foi o cientista político George Coutinho (confira aqui), professor da UFF: “Disputa de adversários é legítima. Mas sem utilizar recursos vis como a intimidação”. No dia 15, outro cientista político, Hamilton Garcia (confira aqui), professor da Uenf: “Garotinho, que flecha o Bacellar por acusações que têm que ser provadas, também respondeu à Justiça”. No dia 22, o especialista em finanças Igor Franco (confira aqui), professor do Uniflu: “A manifestação de (Marcos) Bacellar (contra Rosinha) tem que ser rechaçada. O passo atrás dele deve ser a linha no chão”.

 

 

Decoro na política goitacá (II)

No Folha do Ar da manhã de ontem (29), foi a vez do sociólogo Fabrício Maciel, outro professor da UFF-Campos, tentar lecionar razão aos desatinos verbais trocados justamente por alguns dos políticos mais experientes de Campos: “Fiquei pensando: talvez seja uma estratégia do Garotinho e Bacellar pai manter essa briga e uma visibilidade, enquanto os filhos fazem a pacificação na prática. E a imagem do Wladimir não fica deteriorada. Só que, se for uma estratégia, ela peca ao ignorar que o não decoro na política pode ter efeitos irreversíveis na forma como a sociedade pensa a política. E isso é bastante grave!”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Pesquisa a prefeito de Campos com quem fala e quem cala

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir Garotinho

“Fico honrado com a confiança de cerca de 75% da população de Campos. Trabalho muito e me dedico pela cidade que tanto amo. Esses números mostram que o caminho que escolhemos trilhar foi acertado: ao lado da população, sem falsas promessas e com muitas entregas, que muitos até duvidavam que fossem possíveis devido a um passado recente de abandono e discurso pessimista do antigo prefeito”. Foi como o atual, Wladimir Garotinho (PP), reagiu desde sexta (25) em suas redes sociais à divulgação em resumo da pesquisa Iguape, feita na quinta (24, confira aqui), pelo portal Folha1 e o blog Opiniões. Ambos trouxeram no sábado (26, confira aqui) a análise da íntegra da pesquisa. Que, por projetar a reeleição no primeiro turno do prefeito de Campos, em 6 de outubro de 2024, gerou também a ressalva:

— Faço um alerta. Em hipótese alguma, números favoráveis irão gerar acomodação em mim e na equipe, queremos fazer mais e melhor — pregou Wladimir. Na pesquisa Iguape feita em 10 de julho, com 1.001 campistas e margem de erro de 3,1 pontos para mais ou menos, ele liderou com larga vantagem os três cenários estimulados. Com a apresentação de nomes ao eleitor, pontuou entre 57,8% e 59,1% das intenções de votos válidos.

FAVORITO EM ELEIÇÃO MATEMATICAMENTE ABERTA — Na consulta espontânea, em que o eleitor fala por conta própria, Wladimir também liderou à distância dos demais, com 27,8% das intenções de voto. Todavia, como essa consulta revelou a maioria de 52,7% dos campistas ainda sem opinar, a eleição daqui a pouco mais de 13 meses permanece aritmeticamente aberta.

Caio Vianna

EM SEGUNDO, CAIO LANÇA ARNALDO — Segundo colocado em todas as pesquisas, o deputado federal Caio Vianna (PSD) comentou a Iguape de julho no domingo (27). Entre 8,5% e 8,9% nos três cenários estimulados, com 2,5% na espontânea, ele liderou, no entanto, a rejeição: hoje, 22,2% dos campistas não votariam nele a prefeito de maneira nenhuma em 2022. Se evitou analisar os números desfavoráveis, o parlamentar tentou trazer um personagem novo para mexer no tabuleiro eleitoral até aqui favorável a Wladimir:

— Estou focado no mandato de deputado federal. São mais de R$ 10 milhões que conseguimos através do meu mandato de investimento para Campos em menos de três meses. Esse é meu foco. Eleição se discute na eleição, ninguém ganha ou perde de véspera. Como meu avô sempre me ensinou: a soberba precede a ruína. Detalhe, eu nunca anunciei pré-candidatura para prefeito na próxima eleição. Inclusive, estou organizando a filiação do meu pai, Arnaldo Vianna, no PSD. Ele estará apto para concorrer e pode ser o candidato a prefeito do nosso grupo — lançou Caio. E foi ecoado no Folha1 na segunda (30, confira aqui), após parecer favorável inicial do advogado João Paulo Granja.

Arnaldo Vianna

ARNALDO INELEGÍVEL — No entanto, após análise de documentos da situação jurídica do ex-prefeito recebidos ainda na noite de segunda pelo blog Opiniões, o advogado inverteu seu juízo: “Terminei a leitura do material e, de fato, constitui óbice à candidatura de Arnaldo”. Ele foi seguido pela advogada Priscila Marins: “A princípio, com esses documentos, entendo que a candidatura de Arnaldo não seria viável, na medida que ele foi condenado à suspensão dos direitos políticos”. O advogado Cleber Tinoco analisou no mesmo sentido: “Arnaldo está com os direitos políticos suspensos por 5 anos, a partir de ato datado de 9 de agosto de 2023. Que se pode considerar como certidão de trânsito em julgado, embora não tenha sido expressa neste sentido. Todos os direitos políticos suspensos: não pode votar nem se candidatar” (confira a análise dos três juristas aqui).

Thiago Rangel

THIAGO RANGEL — Da Justiça de volta aos números da pesquisa Iguape de julho, o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido) ficou em terceiro lugar em dois cenários estimulados e quarto no restante, variando entre 2,5% e 2,8% das intenções de voto, com 0,1% na consulta espontânea. Ele também ficou em segundo no índice negativo da rejeição, com 12,3%, atrás de Caio (22,2%) e à frente de Wladimir (12,1%).

— Fiquei feliz em saber que a população de Campos lembrou do meu nome, já que até o momento não me lancei como pré-candidato. Pesquisa eleitoral é apenas o registro de um instante, tal como uma fotografia. Sobre a eleição, sabemos como começa, mas ninguém sabe como termina. Mesmo assim, por enquanto a pesquisa revela ser muito apertada a margem para definir a eleição em primeiro turno. A eleição parece indefinida — apostou Thiago, com base na consulta espontânea.

Jefferson Manhães

JEFFERSON DO IFF — Reitor do IFF, o professor Jefferson Manhães é o provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, diante da impossibilidade jurídica da deputada estadual petista Carla Machado, ex-prefeita de São João da Barra, concorrer a terceira eleição majoritária consecutiva em município limítrofe. Identificado na pesquisa como Jefferson do IFF, ele variou entre 1,2% e 1,3% nas três consultas estimuladas, com 0,3% na espontânea. Mas, com apenas 5,4% de rejeição, cobrou das próximas pesquisas a medição da taxa de conhecimento dos prefeitáveis entre o eleitorado, para dimensionar o potencial de crescimento de cada um:

— A Iguape foi realizada em 10 de julho. Com distanciamento de 14 meses para outubro de 2024, pesquisas qualitativas teriam maior valor. Das quantitativas, como a Iguape, quais “verdades” extrair? Na consulta espontânea, o atual prefeito tem 27,8% das intenções de voto, padrão histórico de votação da família Garotinho. Mesmo estando o prefeito cotidianamente em evidência, quase em voo solo, e os demais ainda não. Além disso, a espontânea revela que mais da metade da população ainda não tem foco nas eleições municipais. Outro dado importante é que não foi aferido na pesquisa o grau de conhecimento das potenciais candidaturas. Não há dúvida de que o prefeito é muito conhecido, mas muitas outras possíveis candidaturas ainda não o são. O que aumenta muito o potencial de crescimento destas candidaturas, pela baixa rejeição da maior parte delas. Com as proposições à cidade debatidas, com contraditório às ações e omissões da administração, o que não vem ocorrendo pela “trégua política”, o segundo turno é inevitável — apostou Jefferson.

Sérgio Mendes

SÉRGIO MENDES — O ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania) ficou entre 0,5% e 0,6% em dois dos três cenários estimulados, sem conseguir pontuar na consulta espontânea. E ficou com 10% de rejeição, considerada alta entre os candidatos com menos intenção de voto. Mas, como Jefferson, ele não se furtou da análise dos números da pesquisa Iguape, comparando-os com a votação histórica dos Garotinho, grupo pelo qual chegou a governar a cidade entre 1993 e 1996:

— Fundamental observar a evolução histórica da votação dos Garotinho. Em 1988, Garotinho pai venceu com 36,22% dos votos válidos. Em 1996, Garotinho pai venceu com 70,61% dos votos válidos. Em 2008, Rosinha Garotinho venceu com 54,47% dos votos válidos. Em 2012, Rosinha Garotinho venceu com 69,96% dos votos válidos. Em 2020, Garotinho filho (Wladimir) se elegeu com 52,40% dos votos válidos. Na pesquisa Iguape, Garotinho filho teve pequena evolução sobre 2020: está na média com 58% de intenções de votos válidos, a 13 meses das eleições de 2024. Considerados esses percentuais de votações, creio que o cenário pode se reverter na medida que o Garotinho filho está surfando na onda das intervenções, em sua maioria absoluta, feitas pelo Governo do Estado no nosso município. Importantes as reflexões: o governo tem em torno de R$ 1 bilhão em caixa. E os transportes coletivos melhoraram? A iluminação pública melhorou? Ter 9 mil RPAs em regime de escravidão está correto? — questionou Sérgio.

CVC Direita Campos

CVC DIREITA CAMPOS — Militante bolsonarista que chegou a ser preso pela Polícia Federal em 19 de janeiro deste ano, por suspeita de envolvimento nos atentados antidemocráticos em Brasília no dia 8 daquele mês, sendo solto em 13 de fevereiro, Carlos Victor Carvalho, o CVC Direita Campos, oscila entre se candidatar a prefeito ou vereador em 2024. Ao pleito majoritário, teve 0,1% de intenção de voto em um dos três cenários estimulados. Não pontuou na consulta espontânea, mas teve uma das rejeições mais baixas entre as medidas: 1,7%. CVC questionou a Iguape:

— A respeito do levantamento Iguape de julho, mais uma vez a pesquisa não reflete a realidade encontrada nas ruas de Campos. O crescimento do conservadorismo no município terá reflexo nas eleições de 2024. Onde, certamente, teremos vereadores e prefeito aliados ao pensamento cristão e voltados à economia liberal.

MARQUINHO, MARCOS E CARLA — Também citados na pesquisa Iguape, o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD), ficou em terceiro lugar em um dos três cenários estimulados, com 3,1% de intenção de voto, além de 0,4% na espontânea e 8,0% de rejeição. Seu pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD), também teve o nome testado em outro dos três cenários estimulados. Ficou em quarto lugar, com 2,0% de intenções de voto, além de 0,1% na espontânea e 1,4% de rejeição, menor entre as medidas.

 

Marquinho Bacellar, Marcos Bacellar e Carla Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como Carla Machado, que não pode concorrer a prefeita de Campos em 2024, mas teve 2,3% em um dos três cenários estimulados, 0,3% na espontânea e 4,4% de rejeição, Marquinho e Marco Bacellar também foram procurados, por meio de suas assessorias, para comentar seus números na pesquisa Iguape. Que foi encomendada e paga pelo grupo dos Bacellar. Os três prefeitáveis preferiram não comentar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Arnaldo não pode se lançar a prefeito, como queria Caio

 

Justiça interpretada pelos juristas Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paulo Granja indica que a inelegibilidade de Arnaldo Vianna está mantida ao pleito municipal de 2024, no qual o deputado federal Caio Vianna queria lançar o pai novamente a prefeito de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lançado por seu filho (confira aqui), o deputado federal Caio Vianna (PSD), o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT, de mudança ao PSD) não poderá ser candidato a prefeito em Campos em 2024. Essa foi a conclusão a que chegaram três juristas independentes politicamente e conceituados da comarca: os advogados Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paulo Granja.

Advogado do Grupo Folha, Granja chegou ontem a considerar Arnaldo elegível após consulta, como queria Caio. Mas, tão logo noticiou o possível elemento novo na eleição à Prefeitura de Campos em 6 de outubro de 2024, o blog recebeu documentos jurídicos indicando a manutenção da inelegibilidade do ex-prefeito. Após analisá-los, Granja inverteu seu juízo inicial:

— Terminei a leitura do material e, de fato, constitui óbice à candidatura de Arnaldo. Já que reconhece a sua inelegibilidade para os cinco anos seguintes ao trânsito em julgado da sentença, ocorrido em 2023.

A análise do advogado seguiu caminho parecido à da sua colega Priscila Marins, também com vasta experiência eleitoral:

— A princípio, na análise desses documentos, entendo que a candidatura de Arnaldo não seria viável, na medida que ele foi condenado à suspensão dos direitos políticos como uma das condenações. Que só se iniciaria a partir do trânsito em julgado, até porque o julgamento da apelação se deu em junho de 2023. De igual forma há uma certidão acerca da não interposição de recurso, o que, em tese, faria com que a pena começasse a ser cumprida agora. A menos que ele tenha um outro provimento judicial, suspendendo os efeitos desta condenação, a sua candidatura caiaria na Lei da Ficha Limpa.

Outro jurista consultado pelo blog, Cléber Tinoco foi de opinião semelhante ao considerar o ex-prefeito sem direitos políticos no próximo ano:

— Arnaldo está com os direitos políticos suspensos por cinco anos após ter tido condenação em ação de improbidade confirmada pelo TJ-RJ. O período de suspensão teve início em 9 de agosto de 2023, com o trânsito em julgado da decisão, mediante certidão de não interposição de recursos pelos interessados. Ele bem que poderia ter recorrido desta decisão para evitar o trânsito em julgado, mesmo que não vislumbrasse chances de reverter a condenação, de modo a adiar o trânsito em julgado. Aliás, existe julgado do STJ considerando que, em havendo muitos réus, como neste caso, bastaria o recurso de um deles para impedir o trânsito em julgado. Porém, como já existe certidão indicando a não interposição de recurso, todos seus direitos políticos estão suspensos: não pode votar nem se candidatar.

O problema da inelegibilidade atormenta o ex-prefeito desde a eleição de 2012. Quando insistiu em concorrer ao cargo, teve seus votos considerados nulos pela Justiça Eleitoral e favoreceu à reeleição da então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União) no primeiro turno. Em abril de 2019, Arnaldo também tentou (relembre aqui) se lançar a prefeito em 2020, mas desistiu.

 

Atualizado às 18h35 para correção.

 

Arte e política do Brasil à Espanha no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Estilista e ativista cultural de Campos radicada na Espanha, Lívia Amorim é a entrevistada do Folha no Ar desta quarta (30), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará de como o Brasil de Bolsonaro ao Lula 3 é visto na Espanha do primeiro-ministro progressista Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Lívia falará também do seu trabalho no fomento à cultura nos dois lados do oceano Atlântico, entre Europa e Brasil. E, como campista, analisará o governo Wladimir Garotinho (PP), além de tentar projetar as eleições municipais de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Após pesquisa, Caio fala em lançar Arnaldo a prefeito

 

Ex-prefeito Arnaldo Vianna e seu único filho, o deputado federal Caio Vianna (Foto: Instagram)

 

“Estou organizando a filiação do meu pai, Arnaldo Vianna, no PSD. Ele estará apto para concorrer e pode ser o candidato a prefeito do nosso grupo”. Foi o que disse ao blog o deputado federal Caio Vianna (PSD). Ele foi ouvido para repercutir a pesquisa Iguape de 10 julho, que projetou (confira aqui) a reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP) ainda no primeiro turno de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses.

Arnaldo disputou a eleição a prefeito de 2012. Quando teve seus votos considerados nulos pela Justiça Eleitoral e favoreceu a reeleição em turno único de Rosinha Garotinho (hoje, União). Indagado sobre as condições de elegibilidade do ex-prefeito de Campos, o advogado João Paulo Granja, do Grupo Folha, se pronunciou favoravelmente:

— O indeferimento do registro de candidatura do Arnaldo Vianna, nas eleições em que participou, derivou das contas reprovadas junto ao TCU. Em listagem publicada pela Corte de Contas consta que a inelegibilidade dele irá até junho de 2024, antes, portanto, do pleito que se realizará em outubro. Não tendo ciência de qualquer outro impedimento que macule a capacidade eleitoral passiva do candidato, entendo ser possível que se candidate para as eleições majoritárias de nosso município.

Caio concorreu duas vezes a prefeito. Em 2016, ficou em terceiro lugar na eleição vencida em turno único por Rafael Diniz (Cidadania), com Arnaldo apoiando a candidatura de Geraldo Pudim (relembre aqui). Em 2020, com apoio do pai e do então prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), Caio disputou um segundo turno duríssimo contra o eleito Wladimir.

Dois anos e oito meses depois daquele segundo turno de 29 de novembro de 2020 a prefeito de Campos, Caio mantém o segundo lugar. Mas, entre 8,5% e 8,9% de intenções nos três cenários estimulados — com a apresentação dos nomes dos prefeitáveis — da pesquisa Iguape, está hoje muito distante de Wladimir. Que liderou entre 55,4% e 55,7% nos três cenários.

Na consulta espontânea, Wladimir também ficou bem à frente: 27,8% das intenções de voto. Sempre no segundo lugar e à longa distância, Caio teve 2,5%. O deputado lidera, no entanto, a rejeição a prefeito. Pela Iguape, 22,2% do eleitorado não votariam nele de jeito nenhum em 2024. No cargo, Wladimir teve pouco mais da metade dessa rejeição: 12,1%.

Sem analisar os números desfavoráveis, Caio disse sobre a pesquisa Iguape:

— Eleição se discute na eleição, ninguém ganha ou perde de véspera. Como meu avô sempre me ensinou: a soberba precede a ruína.

As próximas pesquisas, incluindo as que já estão sendo feitas, devem incluir também o nome de Arnaldo na disputa. Em abril de 2019, ele tentou se colocar (relembre aqui) como nome na eleição a prefeito de 2020, o que não se confirmou.

 

Governos, decoro, pesquisa e 2024 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sociólogo e professor da UFF-Campos, Fabrício Maciel é o convidado desta terça (29) no Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os quase sete meses do governo Lula 3, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o bolsonarismo.

Fabrício também avaliará o governo Cláudio Castro (PL), a pacificação entre Bacellar e Garotinhos (confira aqui e aqui), e os limites do decoro que vem sendo riscados à política de Campos (confira aqui, aqui e aqui) pelo seu universitário. Por fim, analisará a gestão Wladimir Garotinho (PP), as pesquisas (confira aqui e aqui) sobre sua aprovação popular e as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Economia da agropecuária de Campos e região em debate

 

Os dados econômicos da agropecuária em Campos, na sua comparação com outros municípios, geraram recentemente (confira aqui) um debate entre o reitor do IFF, professor Jefferson Manhães, provável candidato do PT a prefeito de Campos, e o ocupante do cargo e candidato natural à reeleição, Wladimir Garotinho (PP). Que teve também (confira aqui) a participação do seu secretário de Agricultura e ex-reitor da Uenf, professor Almy Júnior.

Professor da Uenf e diretor do Núcleo de Pesquisa Econômica do Rio de Janeiro (Nuperj), cujos dados foram usados por Jefferson em seus questionamentos sobre a agropecuária, o economista Alcimar Chagas tem ajudado (confira aqui) a jogar luzes sobre o tema. Neste sentido, sua análise de um período de 9 anos da agropecuária goitacá, publicado no site do Nuperj, segue republicado abaixo:

 

Alcimar Chagas, economista, professor da Uenf e diretor do Nuperj/

Evolução da atividade agropecuária da microrregião Campos dos Goytacazes no período 2012 a 2021

Por Alcimar Chagas

 

Com objetivo de contribuir para um melhor entendimento da atividade agropecuária na microrregião Campos e, consequentemente, a formulação de políticas de competitividade setorial, analisamos um conjunto de indicadores fundamentais.

 

(Infográfico: Nuperj/IBGE)

 

Observem que a área colhida de lavouras temporárias e permanentes da microrregião somou 108.651 hectares em 2012, representando 52,05% da área total do estado do Rio de Janeiro. Do total da microrregião, o município de Campos dos Goytacazes ocupou 56,61% e São Francisco de Itabapoana ocupou 35,88% do total.

Em 2021, dez anos depois, a área colhida na microrregião somou 64.196 hectares, caindo 40,92% em relação a 2012. Da nova área, Campos ocupou 63,45% e São Francisco ocupou 35,09%.

Ao longo de todo o período Campos dos Goytacazes apresentou uma dedicação quase que total a cana-de-açúcar com uma ocupação de 97,55% da área em 2012 e 98,20% em 2021. Já São Francisco de Itabapoana ocupou 59,0% da área com cana de açúcar em 2012 e 62,15% em 2021. Campos encolheu 33,78% de área colhida e São Francisco encolheu 42,21% em uma década.

Os outros municípios também perderam área colhida, porém concentraram a atividade em cultivo de maior valor. Em 2021, São João da Barra reduziu a área colhida em 83,12 em relação a 2012. Da nova área, colheu 57,25% em abacaxi, 16,10% em coco, 8,8% em mandioca e 4,20% em goiaba.

O município de Cardoso Moreira reduziu a área colhida em 96,17% em dez anos, concentrando as atividades em 64,94% no cultivo de cana de açúcar, 7,0% em feijão e 6,6% em milho e uva em 2021. Já São Fidélis encolheu a área colhida em 74,90% no mesmo período, concentrando as atividades em 57,90% no cultivo de cana de açúcar e 15,44% na produção de tomate em 2021.

Observando a produtividade através da receita monetária por hectare, ficou evidente que os municípios não dependentes ou com menor dependência do cultivo da cana de açúcar, alcançaram um maior valor. O destaque nesta análise ficou por conta de São João da Barra, cuja parcela relativa de 2,21% da área colhida foi com cana de açúcar e o restante distribuído em 57,25% com abacaxi, 16,6% com coco, 8,88% com mandioca e 4,2% com goiaba. A produtividade (R$/hac) no município foi de R$47.246,18 em 2021.

Inversamente, o município de Campos dos Goytacazes com 98,20% da área colhida concentrada na cana de açúcar, apresentou a segunda menor produtividade (R$/hac) de R$6.200,95 em 2021.

São Fidélis apresentou uma produtividade de R$28.374,52 puxada pelo cultivo de tomate e São Francisco com maior diversificação (açúcar, abacaxi, mandioca, etc.) atingiu uma produtividade de R$11.148,84 em 2021.

Todavia, chama a atenção a grande ociosidade de parte importante da terra agricultável e, fundamentalmente, a ausência de agroindústria, o que inibe a possibilidade de ampliação do produto, emprego e renda para a população local.

 

(Infográfico: Nuperj/IBGE)

 

Sobre a atividade pecuária, pode-se observar na microrregião uma queda de 7,54% na produção de leite em 2021 com base em 2012 e uma queda de 33,24% no estoque de vacas ordenhadas no mesmo período. O município de Campos dos Goytacazes liderou a atividade com 36,5 milhões de litros de leite em 2021, seguido por São Francisco de Itabapoana com uma produção de 15,0 milhões de litros e São Fidélis com 12,0 milhões de litros no ano. Cardoso Moreira contabilizou uma produção de 8,0 milhões de litros e São João da Barra com 2,9 milhões de litro de leite em 2021.

Da retração do número de vacas ordenhadas na microrregião, Campos dos Goytacazes teve uma queda de 39,37%, São Francisco de Itabapoana uma queda de 33,24% e São Fidélis uma queda 39,94% no mesmo período.

Apesar da redução no número de vacas ordenhadas em 2021, melhores práticas de manejo e apoio tecnológico elevaram a produtividade leiteira na microrregião nesta década. São Francisco de Itabapoana atingiu a maior produtividade leiteira com 1.589,54 litros vaca em 2021, seguido por Cardoso Moreira com 1.586,99 litros e Campos dos Goytacazes com 1.399,99 litros/vaca no mesmo ano. São João da Barra, apesar de dobrar o número de vacas ordenhadas, atingiu a menor produtividade de 899,94 litros/vaca em 2021.

Assim como na atividade agrícola, a pecuária leiteira apresenta dificuldade competitiva e ausência de elos fundamentais da cadeia produtiva, o que fragiliza o setor e gera forte desânimo no meio rural. Fica evidente a ausência de políticas voltadas para o fomento ao aumento da competitividade do setor e, a consequente, melhoria de vida de quem dependente das mesmas atividades.

 

Publicado aqui, no site do Nuperj.

 

Com 74,7% de aprovação, Wladimir se reelegeria no 1º turno

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com 74,7% de aprovação ao seu governo, Wladimir Garotinho (PP) se reelegeria em turno único se a disputa pela Prefeitura de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses, fosse hoje. É o que projetou a pesquisa Iguape feita com 1.001 campistas no dia 10 de julho. Nos três cenários de consulta estimulada, com apresentação dos nomes ao eleitor, o prefeito chegou a quase 60% das intenções de voto válido. Ele liderou à distância também a consulta espontânea, onde o eleitor diz em quem votará por conta própria, com 27,8% de intenções de voto consolidadas.

1º CENÁRIO ESTIMULADO — No primeiro cenário estimulado, Wladimir liderou com 55,4% das intenções de voto. Veio seguido à distância pelo deputado federal Caio Vianna (PSD), com 8,6%; pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD), com 3,1%; pelo deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), com 2,8%; pelo professor Jefferson Manhães (PT), identificado como Jefferson do IFF, do qual é reitor, com 1,2%; e pelo ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania), com 0,5%. Excetuados os 4,3% de eleitores que declararam votar nulo ou em branco, o prefeito de Campos seria reeleito no primeiro turno, com 57,8% dos votos válidos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º CENÁRIO ESTIMULADO — No segundo cenário estimulado, sem Marquinho Bacellar e com a deputada estadual Carla Machado (PT), Wladimir liderou com 55,5% das intenções de voto. Continuou seguido à distância por Caio (8,5%), Thiago (2,8%), Carla (2,6%), Jefferson (1,3%) e Sérgio (0,6%). Esse segundo cenário tem uma aparente impossibilidade partidária, pois Carla e Jefferson são do PT e não demonstram vontade de mudar. Ainda assim, excetuados os 5,4% de brancos e nulos, Wladimir também seria reeleito em turno único, com 58,5% dos votos válidos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

3º CENÁRIO ESTIMULADO — No terceiro e último cenário estimulado, sem Sérgio e Carla, mas com CVC Direita Campos e com o ex-vereador Marcos Bacellar (SD) no lugar do filho Marquinho, Wladimir liderou com 55,7% das intenções de voto. Permaneceu seguido à distância por Caio (8,9%), Thiago (2,5%), Marcos (2,0%), Jefferson (1,3%), CVC (0,1%). Excetuados os 6,1% de nulos e brancos, Wladimir também seria reeleito no primeiro turno, com 59,1% dos votos válidos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

APROVAÇÃO DE GOVERNO — Essa possibilidade de reeleição em turno único, com quase 60% dos votos válidos, reflete a avaliação popular do governo Wladimir: 74,7% aprovam seus dois anos e meio de gestão. Para 12,6% dos campistas, a administração municipal é ótima, boa para 38,5% e regular positiva para 23,6%. Os 22% da população que reprovam o governo de Campos se dividem entre os 9,7% de regular negativo, os 6,2% de ruim e os 6,1% de péssimo. A pesquisa Iguape, com margem de erro de 3,1% para mais ou menos, dividiu a avaliação regular em positiva e negativa, tirando essa faixa da neutralidade de algumas metodologias.

ELEIÇÃO ABERTA NA ESPONTÂNEA — Na consulta espontânea da pesquisa a prefeito, onde Wladimir teve um pouco menos da metade do seu percentual nos cenários estimulados, ele teve seus 27,8% de intenções de voto seguidos à distância por Caio (2,5%). Os demais, não chegaram a um dígito: Marquinho (0,4%), Carla (0,3%), Jefferson (0,3%), Marcos (0,1%) e Thiago (0,1%), com 15,6% de nulo e branco. Mas com uma maioria de 52,7% que não soube ou não quis opinar, o que revela uma eleição ainda aberta.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

TETO DA REJEIÇÃO — Para avançar sobre esses 52,7% de votos ainda conquistáveis, um dado fundamental é a rejeição. Que fixa o teto de crescimento de qualquer candidato. E é, por isso, considerado fundamental no segundo turno que o Iguape sequer chegou a simular. Quando perguntado em que candidato o eleitor não votaria de jeito nenhum, quem lidera à distância é Caio, com 22,2%. O índice negativo segue com Thiago (12,3%), Wladimir (12,1%, quase metade da rejeição do adversário que bateu no segundo turno da eleição a prefeito de 2020), Sérgio (10,0%), Marquinho (8,0%), Jefferson (5,4%), Carla (4,4%), CVC (1,7%) e Marcos (1,4%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESTATÍSTICO — “A pesquisa tem um desenho amostral com margem de erro de 3,1% para mais ou para menos, o que atesta um padrão de qualidade acima da média. A pouco mais de 13 meses das urnas de 2024, Wladimir já apresenta uma intenção de voto bastante consolidada: 27,8% na espontânea e praticamente dobrando a intenção nas três simulações estimuladas. Outro dado que torna o cenário bastante favorável ao atual prefeito é o fato dele apresentar cerca de metade da rejeição de seu principal oponente em intenção, Caio Vianna. Com isso, se a eleição fosse hoje, de acordo com a Iguape, Wladimir seria reeleito no primeiro turno. O que pode ser explicado pela boa avaliação do seu mandato, 51,1% na soma de ótimo e bom, na comparação com o governo anterior do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania)”, analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos

ANÁLISE DO CIENTISTA POLÍTICO — “A pesquisa confirma a impressão rarefeita que eu tinha. Há aprovação de Wladimir resultante das opções da administração que ele anda fazendo. Ao que parece é um governo que tenta se contrapor, em termos práticos, ao que a cidade experimentou no governo Rafael, que não deixou boa lembrança no eleitor. Não sei afirmar se é proposital ou não, Wladimir optou por muitas intervenções literalmente visíveis, palpáveis, que não deixam dúvida ao eleitor. A experiência do governo dele é também dotada de caráter estético: sinais de trânsito, fachada do HGG, etc. Os indicadores sociais e arredores precisam ser analisados. Mas, na perspectiva do cidadão comum, no que os olhos não treinados podem compreender, não há grandes queixas, sensação de abandono das vias públicas. Isso se expressa: 1) na aprovação do governo; 2) nas intenções declaradas de voto; 3) na baixíssima rejeição”, enumerou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

 

Página 5 de hoje da Folha da Manhã

 

 

 

Com 74,7% de aprovação, Wladimir se reelegeria no 1º turno

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se a eleição a prefeito de Campos de 6 de outubro de 2024 fosse hoje, não daqui a pouco mais de 13 meses, Wladimir Garotinho (PP) seria reeleito no primeiro turno. Nos três cenários da consulta estimulada da pesquisa Iguape, feita com 1.001 campistas no dia 10 de julho, Wladimir liderou com folga, entre 55,4% a 55,7% das intenções de voto. É um pouco mais do dobro dos 27,8% de intenções de voto consolidadas que ele teve na consulta espontânea.

Segundo colocado em todos os cenários, o deputado federal Caio Vianna (PSD) surgiu bem atrás. Ele ficou entre 8,5% e 8,9% nas três consultas estimuladas, com a apresentação dos nomes dos prefeitáveis ao eleitor, e teve 2,5% de intenções de voto na espontânea. Caio, no entanto, lidera a rejeição: 22% dos campistas não votaria nele de jeito nenhum. Atrás dele e do deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), com 12,3% de rejeição, Wladimir é o terceiro no índice negativo: 12,1% não votariam no atual prefeito de jeito nenhum.

A vantagem de Wladimir reflete a aprovação popular de 74,7% aos seus dois anos e meio de governo. Para 12,6% dos campistas, a atual administração municipal é ótima, boa para 38,5% e regular positiva para 23,6%. Os 22% da população que reprovam o governo de Campos se dividem entre os 9,7% de regular negativo, os 6,2% de ruim e os 6,1% de péssimo. Com margem de erro de 3,1% para mais ou menos, o Iguape dividiu a avaliação regular de governo entre positiva e negativa, tirando essa faixa da neutralidade de algumas metodologias.

 

Confira a matéria com a análise da íntegra da pesquisa, com nomes e números de todos os prefeitáveis citados, na edição deste sábado (26) da Folha da Manhã, no portal Folha1 e neste blog Opiniões.

 

Ministério Público, Bacellar, Garotinhos, decoro e fuligem

 

Rodrigo Bacellar, Anthony Garotinho, Marcos Bacellar, Rosinha Garotinho, George Coutinho, Hamilton Garcia, Igor Franco, Frederico Paes, Marquinho Bacellar e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

MP pede esclarecimento a Bacellar

“A Procuradoria-Geral de Justiça instaurou, na última quinta-feira, 17/08, procedimento preliminar de investigação para apurar informações veiculadas em matéria do site Metrópoles (do dia 10, confira aqui), sobre imóveis relacionados ao presidente da Alerj (deputado Rodrigo Bacellar), a quem foi dirigido ofício para prestar esclarecimentos”. Foi o que a assessoria do Ministério Público (MP) informou à reportagem da Folha. Globo, G1, UOL e Veja (confira aqui, aqui e aqui) também repercutiram as denúncias contra Rodrigo. Publicada no mesmo dia 17 pelo Metrópoles (confira aqui) com título: “MP abre investigação sobre imóveis milionários do presidente da Alerj”.

 

Resposta de Rodrigo

Em nota, Rodrigo disse ter determinado aos seus “advogados, antes mesmo de ter ciência de qualquer investigação, que fosse peticionado ao MP, colocando-se à disposição para qualquer tipo de informação”. Garantiu ter “total disposição em revelar, de forma transparente e objetiva, todos os documentos e contratos que comprovam a legalidade em relação aos imóveis e sua conduta pública”. O político de Campos afirmou que todas suas movimentações estão declaradas no Imposto de Renda. E que “repudia tentativa de condenação midiática sem fundamento, baseada em denúncia política, como vimos recentemente na história do país”.

 

Guerra e paz

As denúncias contra o deputado campista na grande imprensa foram antecipadas pelo ex-governador Anthony Garotinho. Desde 2 de agosto, ele tem feito ataques a Rodrigo. Pai deste, o ex-vereador Marcos Bacellar reagiu no dia 13, com ataques pessoais ainda mais pesados contra Garotinho e a ex-governadora Rosinha. Após esta denunciar a agressão verbal à Deam de Campos, o ex-parlamentar recuou e pediu desculpas. Em meio à guerra dos patriarcas dos clãs, a pacificação entre Garotinhos e Bacellar tem sido, até aqui, mantida (confira aqui) pelos chefes dos Poderes goitacá: o prefeito Wladimir (PP) e o presidente da Câmara, vereador Marquinho (SD).

 

Ciência política adverte políticos

Nos 30 anos de fundação da Uenf, Campos lhe deve sua condição de polo universitário. E seus políticos, sobretudo os mais experientes, de quem se espera mais maturidade, têm o que aprender com a academia. No Folha no Ar do dia 8, o cientista político George Coutinho, professor da UFF, lecionou (confira aqui): “A disputa de adversários é legítima no âmbito democrático. Agora, sem utilizar de recursos vis como a ameaça, a intimidação”. No dia 15, outro cientista político, Hamilton Garcia, professor da Uenf, advertiu (confira aqui): “O mesmo Garotinho que está flechando o Bacellar, por acusações que têm que ser provadas, também respondeu à Justiça”.

 

Onde riscar a linha no chão

No Folha no Ar da manhã de ontem (22), foi a vez do especialista em finanças Igor Franco, professor do Uniflu, engrossar o coro pelo decoro na política de Campos. “Ofensas pessoais são linhas a não ser cruzadas, por qualquer uma das duas searas. Principalmente a manifestação de (Marcos) Bacellar (contra Rosinha) tem que ser rechaçada. Ele voltou atrás, percebeu que se excedeu. Esse passo atrás deveria ser a linha no chão. Quando você tem notícias que lançam suspeitas sobre um agente público, isso não é ultrapassagem de limites. O que você não pode é atribuir uma responsabilidade que não está comprovada”, ponderou.

 

 

Proibida por lei estadual, fuligem continua a incomodar os campistas (Foto: Kátia Macabu)

A revolta da fuligem (I)

Advinda da queimada de cana proibida pela lei estadual nº 5990, de 2011, a queda de fuligem voltou a incomodar os campistas nos últimos dias. Em vários pontos da cidade, são vários os registros de residências, comércios, carros, calçadas e ruas sujos. No grupo de WhatsApp do programa Folha no Ar e do blog Opiniões, hospedado no Folha 1, também têm sido muitas as reclamações. “A fuligem está prejudicando a saúde das pessoas e não se restringe ao espaço delimitado aqui. Até no Alphaville e na Pecuária está ocorrendo o mesmo. Ninguém se move para resolver isso”, cobrou a diretora de teatro e servidora federal Kátia Macabu.

 

Mais um flagrante da fuligem em ponto distinto da cidade (Foto: Sávio Gomes)

A revolta da fuligem (II)

“É um absurdo ainda se fazer queima de cana em Campos. Os criminosos fazem isso escancaradamente! Todos sabem quando há queima, até porque todos somos infernizados com a fuligem. Que, para além de ser o corpo de delito desse crime ambiental gravíssimo, é um tormento à população em suas casas. Tudo fica imundo! Até quando as autoridades públicas em Campos fingirão nada ver?”, questionou o advogado criminalista Felipe Drumond. “O silêncio das autoridades públicas! Há total desrespeito e conivência, tornam-se cúmplices e igualmente criminosos pela omissão”, completou o jornalista e psicólogo Sávio Gomes.

 

A causa da fuligem

Entende-se a revolta. E é papel do jornalismo registrá-la. Como a causa do problema secular da fuligem em Campos, à margem da lei há 12 anos. “Não há defesa para a queimada de cana. Que hoje só é feita pelos pequenos produtores. Não compensa financeiramente a eles a colheita mecanizada. Uma colheitadeira custa cerca de R$ 2 milhões. Toda a colheita da cana própria da Coagro é mecanizada. E podemos moer toda a cana dos fornecedores crua, com palha. A fuligem vem do Carvão e da Baixada, no vento sul; e da margem esquerda do Paraíba, no vento nordeste”, explicou o presidente da Coagro, Frederico Paes, vice-prefeito de Campos.

 

Mulher debate mulher nesta 5ª

De cor mais leve que o negro da fuligem, o Agosto Lilás é celebrado pelas mulheres da terra da heroína Benta Pereira contra a violência de gênero. Neste sentido, será realizada uma roda de conversa com o tema “Mulheres Unidas contra a Violência”, às 18h desta quinta (25), na Santa Paciência Casa Criativa, na rua Barão de Miracema, nº 81. Sob mediação de Magnólia Carvalho, representante em Campos da Marcha Mundial de Mulheres, as debatedoras serão a graduanda em psicologia Artemis Rezende, a assistente social Jessica Gomes e a advogada Mariana Ribeiro. O evento terá entrada franca. Todas e todos serão bem-vindos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Da economia à ética, Lula a Wladimir no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Especialista em finanças e professor do Uniflu, Igor Franco é o convidado do Folha no Ar desta terça (22), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. Pela economia e política, ele analisará estes quase sete meses do Lula 3 (PT), além do bolsonarismo, com o cerco de várias investigações se fechando (confira aqui) sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Também aos olhos das finanças e da política, Igor avaliará os governos Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PP). Ele também analisará a pacificação entre Garotinhos e Bacellar em meio a tambores de guerra, e os limites do decoro na política goitacá (confira aqui e aqui), além de tentar projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Na gravidade de Atafona, a casa de Bolsonaro entortou

 

Preamar da Atafona de 2 de março de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Ao contrário do juízo da maioria, não é o avanço do mar que derruba casas em Atafona. Progressivamente mais alta nos períodos da lua cheia, a preamar escava os alicerces das construções. Entortado seu ângulo, é a gravidade que acaba por soçobrá-las ao chão. Raul Seixas ecoa ao marulho das ondas castanhas: “José Newton já dizia/ Se subiu tem que descer”.

A casa caiu! É o que ecoa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde o depoimento de Walter Delgatti na CPMI dos Atos Golpistas, na manhã de quinta. Conhecido como “hacker de Araraquara”, ganhou fama em 2019 com a Vaza Jato. Que evidenciou a promiscuidade ilegal do ex-juiz federal Sergio Moro com os procuradores da Lava Jato, que prendeu Lula em 2018.

Na CPMI, Moro chamou Delgatti de “estelionatário”. O que de fato é. E, ainda assim, foi recebido pelo então presidente Bolsonaro no Palácio Alvorada. Que lhe franqueou acesso ao ministério da Defesa para comandar teorias da conspiração contra a urna eletrônica e o TSE. E, em troca de indulto presidencial, assumir um suposto grampo ilegal de Alexandre de Moraes, ministro do STF.

Em resposta, Delgatti lembrou a Moro que leu suas conversas privadas, quando era o símbolo nacional da Lava Jato. E, com base nesse conhecimento, chamou o hoje senador do Paraná de “criminoso contumaz”. Mas a parte mais contundente do depoimento veio com as respostas do hacker de Araraquara ao deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol/RJ):

— Quem pediu para o senhor tentar fraudar esse sistema (das urnas eletrônicas)?

—  Carla Zambelli (deputada federal bolsonarista do PL/SP), por ordem do presidente Bolsonaro, do ex-presidente Bolsonaro!

— Quem pediu para o senhor assumir a autoria de um suposto grampo contra o ministro Alexandre de Moraes?

— O presidente Bolsonaro!

— Quem te convidou para fazer propaganda eleitoral para sugerir ao povo uma suposta fraude no sistema eleitoral?

— O marqueteiro (de Bolsonaro) Duda (Lima) e também o presidente Bolsonaro!

— Quem te encaminhou ao ministério da Defesa para elaborar questionamentos ao TSE sobre o sistema de votação?

— O presidente Jair Bolsonaro!

— Quem te disse que se o senhor cometesse um ilícito, receberia um indulto?

— O presidente Bolsonaro!

— Quem te deu carta branca para agir mesmo na ilegalidade?

— O presidente Bolsonaro!

Na noite da mesma quinta, advogado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Cezar Bittencourt disse à Veja que seu cliente preso vendeu nos EUA, para o ex-presidente do Brasil, as famosas joias sauditas. Que são patrimônio público do povo brasileiro. Embora, ontem, o jurisconsulto tenha redito que se referiu a apenas uma joia: um relógio Rolex. Em seguida, a Veja liberou as gravações da entrevista em que o entrevistado falou claramente no plural, no dia anterior: “as joias”.

Brilha como ouro saudita o jogo de morde e assopra do experiente criminalista. O mesmo que, à época da prisão de Lula, declarou publicamente que o líder em todas as pesquisas a presidente de 2018, até ter sua candidatura indeferida pelo TSE, foi condenado por Moro sem provas. Para depois servir ao vencedor daquele pleito como ministro da… Justiça.

Ainda na noite de quinta, Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da Polícia Federal e decretou a quebra dos sigilos bancários e fiscal de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle, no Brasil e no exterior. Assim como o de Mauro Cid e seu pai, o general da reserva Mauro César Lorena Cid. Que recebeu a PF em sua casa no dia 11. Quando teve apreendida e divulgada uma selfie com seu reflexo na caixa das joias sauditas.

Personagem coadjuvante dos quatro Trapalhões, o Sargento Pincel parece ter sido promovido a general de quatro estrelas. Para a vergonha cada vez maior das Forças Armadas Brasileiras.

Com alicerces desnudos pela maré alta dos fatos, o ângulo da casa bolsonarista se inclinou ainda mais na manhã de ontem. Quando a PF e a Procuradoria-Geral da República — até tu, Aras? — prenderam cinco coronéis, um major e um tenente da cúpula da PM de Brasília.

Com imagens a provar, os sete militares facilitaram dolosamente o acesso dos vândalos travestidos de “patriotas” que invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes na capital da República, em 8 de janeiro. Por isso, os sete oficiais bolsonaristas são acusados de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e por infringir a Lei Orgânica e o Regimento Interno da PM.

Na vanguarda aberta por vários de seus colaboradores, em veredas variadas, se pavimenta o caminho para Bolsonaro também ser denunciado, julgado, condenado e preso. Não será amanhã. Não servirá para pacificar o país. Mas ninguém pode dizer que, se ocorrer, será surpresa.

Se de fato acontecer, como foi na prisão de Lula, será um dia triste na história da República. Como será qualquer dia em que um seu ex-presidente for preso. Mas, ainda assim, talvez seja necessário à democracia. Contra a qual Bolsonaro foi longe demais, deixou rastros demais, foi desqualificado, desinteligente, inconsequente e arrogante demais.

O capitão não chegou lá sozinho. Só o fez por conta de gente que fingia não ver ou passava pano em suas reincidentes estultices. Enquanto erigia a própria em nome do antipetismo. Com motivos justos de críticas ao PT no poder, sobretudo ao catastrófico governo Dilma Rousseff, quem optou por curar a dor de cabeça cortando a cabeça que a costure no lugar.

Daqui em diante, é só a gravidade. Como o mar com as construções humanas em Atafona.

 

Publicado hoje na Folha da Mnhã.