Capa da Veja de 24 de outubro do ano passado, que gerou a depredação da sede da revista, em São Paulo, às vésperas do segundo turno, por militantes da campanha de Dilma à reeleição
Por Beatriz Bulla
O doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento na Operação Lava Jato, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento da “estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões” na Petrobras. Durante o processo de delação premiada, Youssef afirmou que “tanto a presidência da Petrobras como o Palácio do Planalto” sabiam do esquema.
Questionado sobre a quem se referia ao mencionar Palácio do Planalto, Youssef citou os nomes de Lula, Dilma, e parte da cúpula do governo do ex-presidente: Gilberto Carvalho, Gleisi Hoffmann, Antonio Palocci, José Dirceu, Ideli Salvatti e Edison Lobão.
O trecho da delação de Youssef que cita Lula e Dilma aparece no pedido de abertura de inquérito encaminhado pela Procuradoria-Geral da República para investigar a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, descartou a possibilidade de investigar a presidente Dilma Rousseff.
“Em complementação ao termo de declarações realizado na data de ontem, o declarante gostaria de ressaltar que tanto a presidência da Petrobras, quando o Palácio do Planalto tinham conhecimento da estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões no âmbito da estatal”, relatam os investigadores sobre o depoimento de Youssef.
Na sequência, explicam: “Indagado quanto a quem se referia em relação ao termo ”Palácio do Planalto”, esclarece que tanto a presidência da República, Casa Civil, Ministro de Minas e Energia, tais como Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, José Dirceu e Edison Lobão, entre outros relacionados”.
As evidências apontam, segundo a Procuradoria, que Gleisi recebeu R$ 1 milhão em agosto de 2010 para custear sua campanha. As investigações demonstram “que o apoio político aos operadores do esquema de contratos ilegais e corrupção de agentes públicos mantidos no ambiente da Petrobras era algo imprescindível”, aponta a peça da PGR. A petista será investigada por suposta prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nota neste sábado (7) em que rejeita a tese de promover um pacto pela governabilidade com aliados da presidente Dilma Rousseff (PT). No texto, o tucano diz que “qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”.
A nota é uma resposta a reportagem publicada pelaFolha neste sábado que mostra que, assediado por governistas, o ex-presidente tem admitido a aliados a hipótese de uma aproximação com a presidente petista, na tentativa de ajudar a achar uma saída para as crises política e econômica.
Segundo a Folha apurou, FHC tem se reunido com interlocutores do Planalto e discutido os efeitos da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Em sua resposta, FHC diz que “o momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Este quer antes de mais nada que se passe a limpo o caso do Petrolão”.
O ex-presidente diz ainda que “cabe sim que as forças sociais, econômicas e políticas se organizem e dialoguem sobre como corrigir os desmandos do lulo-petismo que levaram o país à crise moral e a economia à recessão.”
Também em nota, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) chamou de “delírio sem qualquer fundamento na realidade” a tese de um acordo pela governabilidade de Dilma. “A condição para tirar o Brasil da crise é tirar o PT do poder”, disse.
Ele disse ainda que a oposição tem o dever de “travar um combate sem tréguas ao desastre ético e administrativo do lulo-dilmo-petismo para nos credenciarmos cada vez mais a derrotá-los nas ruas e no voto. Abraço de afogados? Estamos inequivocamente fora”, encerrou.
Ela perdeu muito peso em poucos meses. Na balança do corpo, perdeu 15 quilos, desde novembro, graças a uma dieta argentina. Na balança do poder, Dilma Rousseff perdeu parte do apoio de seu principal aliado, o PMDB, e a confiança do país. Hoje, ela é uma mulher bem mais magra e uma presidente bem mais fraca.
Está emparedada pelo Congresso, que se amotina por causas nobres e motivos espúrios. Está isolada do povo por não ter condições financeiras para manter um governo assistencialista e populista. Corta programas sociais para não ver o Brasil se desmilinguir. Com um Estado inchado que custa 40% do PIB – repetindo, um Estado que consome quase metade do PIB, um dos Estados mais caros do mundo –, Dilma sai à cata de dinheiro, arrecadando ainda mais impostos. Ela sabe que quebrou.
Da mesma forma que reduziu a barriga e os quadris, Dilma terá de encolher o Estado e as estatais, coisa que já deveria ter feito em tempos gordos, antes da dieta. Em 2005, há dez anos, havia um projeto de ajuste fiscal de longo prazo, com uma meta de déficit zero nas contas públicas. Dilma achou “rudimentar” esse regime. Deu no que deu, o Estado ficou obeso, e só mesmo uma cirurgia radical nos salvará.
Não será o médico argentino Máximo Ravenna que fará emagrecer a gulosa máquina petista. Esse método reduz apenas quilos, rapidamente, e visa queimar as reservas de gordura do corpo. Associa cardápio de baixa caloria a atividade física e acompanhamento psicológico. Dilma é obediente, ingere apenas 800 calorias por dia e ajusta seu figurino. No corpo, tinha muitas reservas a queimar. Já no país…
Para ajustar as finanças, ainda bem que Dilma não chamou um argentino. O mago Joaquim Levy, sorridente e pragmático, precisa mostrar resultados rápidos na economia. O ajuste de Levy é draconiano, mas será que seu cliente, o governo do PT, se ajustará às regras da dieta? Ou se viciou no desperdício? Dilma e Levy precisarão se entender às mil maravilhas, porque, se houver uma quebra de discurso e de confiança entre médico e paciente, neste caso, quem sofrerá será nosso corpinho, quem sofrerá será o Brasil.
Dilma prova hoje o sabor amargo de uma vitória eleitoral conquistada em cima de mentiras, ilusões, conchavos, acusações irresponsáveis e promessas vãs. O eleitorado militante petista está mais calado que a presidente. Se existe alguém, hoje, que não provoca inveja no Brasil, é Dilma. Também não inspira pena. Chegou aonde chegou por suas próprias pernas, arrogância, omissão e temperamento. Dilma II só pode culpar Dilma I. Também pode culpar seu criador, Lula, que a fez acreditar num futuro mirabolante.
Metida no inferno astral, o que faz Dilma? Come menos e fala menos. Quase some. A imprensa a acusa de “letargia” e “inércia”. Chama a presidente de “zumbi” e “surda”. Parece telespectadora de si mesma. Vê a lista dos políticos acusados de corrupção, divulgada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, felizmente sem seu nome. Vê a paralisação dos caminhoneiros. Vê a greve de professores. Vê a revolta das mulheres dos sem-terra, armadas com facões. Vê despencar a venda de carros em fevereiro. Vê sua Medida Provisória devolvida por Renan Calheiros, logo quem. Vê que perdeu até a chance de indicar cinco novos ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque a Câmara aumentou a idade máxima, no STF, de 70 para 75 anos. Vê um movimento nas ruas e redes sociais por seu impeachment. Vê o povo insatisfeito e temeroso com a volta da inflação e do desemprego.
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) divulgou a resposta oficial à sua inclusão na lista do Petrolão. Aquie aqui, na Folha Online, por meio de assessoria e pessoalmente, já tinha antes divulgado suas versões. Confira abaixo a mais recente:
Senador Lindberg Farias (foto do seu perfil de Facebook)
Nota Oficial
Recebi com surpresa, porém com serenidade, a inclusão do meu nome na representação formulada pelo Ministério Público Federal perante o STF.
Minha indignação é colocarem todos na mesma situação. Igualaram políticos que receberam propinas, pagamentos pessoais, depósitos em conta com doações legais de campanha. É preciso separar o ‘joio do trigo’. Só recebemos doações legais, na conta de campanha.
A acusação contra mim é que Paulo Roberto teria pedido a Youssef para este repassar dois milhões para minha campanha. Youssef, por sua vez, afirma categoricamente que não me conhece, que nunca recebeu pedido de Paulo Roberto para fazer pagamento a mim e, consequentemente, nunca fez.
Todas as doações da nossa campanha foram devidamente registradas, na forma da lei eleitoral, como se atesta da própria petição do MPF ao Supremo.
Mesmo assim, requereu-se a instauração de um inquérito apenas pelo fato de minha campanha ter recebido recursos regulares e oficiais oriundos do PT e de empresas, o que significa criminalizar a política, uma vez que não há qualquer indício de irregularidade de qualquer ordem.
Reiteramos a certeza do arquivamento do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal e a confiança na Justiça.
Vice-governador da Bahia, João Leão rugiu ao ter seu nome listado no Petrolão
Por Biaggio Talento
Salvador — A confirmação do nome do vice-governador da Bahia, João Felipe de Souza Leão, entre os que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), irritou o político do PP. O partido foi o recordista de nomes, com 31 parlamentares envolvidos.
Em nota, Leão se disse surpreso por seu nome constar na lista e afirmou que está “cagando e andando” para “esses cornos todos”. A abertura de inquérito no STF foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato na Corte.
“Acredito que pode ter sido por ter recebido recursos em 2010 das empresas que estão envolvidas na operação. Mas, botar meu nome numa zorra dessas? Não entendo. Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa”, afirmou o vice-governador da Bahia.
Os 28 inquéritos aceitos por Teori e que investigarão 45 políticos com foro privilegiado foram abertos com base em apenas duas delações premiadas, feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. Já foram fechados, no entanto, 15 acordos de colaboração — recorde absoluto em investigações de escândalos de corrupção no país.
Segundo a procuradoria-geral da República, os políticos recebiam uma espécie de mensalão da Petrobras, pagamentos mensais a partir de propinas cobradas de contratos com a estatal
O espaço de charges no blog é do José Renato e ninguém tasca, mas não dá para não reproduzir a charge de hoje do mestre Chico Caruso, estampada da capa de O Globo:
O ex-ministro Antonio Palocci foi citado por delator (foto de Gustavo Miranda)
Por Vinicius Sassine, Renata Mariz e Evandro Éboli
Brasília — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki enviou à Justiça Federal do Paraná o pedido para que seja investigada a doação de campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, que supostamente teria sido negociada pelo ex-ministro Antônio Palocci, que apareceu nesta sexta-feira na lista dos que serão investigados pelo esquema de corrupção descoberto pela Lava-Jato. O caso será examinado pelo juiz Sérgio Moro.
Dilma pessoalmente não será alvo de qualquer tipo de investigação. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alegou “vedação constitucional” para analisar o caso por ele ser anterior à sua gestão como presidente.
Citação feita por Costa
A presidente foi citada no depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, numa menção ao dinheiro usado para o financiamento da campanha presidencial de 2010. Costa declarou que recebeu um pedido de Youssef e que autorizou o uso de R$ 2 milhões destinados ao PP, desviados de contratos da estatal, na campanha de Dilma. O pedido teria partido do ex-ministro Antônio Palocci, conforme a delação de Costa. Youssef desmentiu o depoimento do ex-diretor. Mesmo assim, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entendeu que “a suposta solicitação da vantagem deve ser apurada em relação a quem a teria feito”.
Janot pediu a remessa dos autos — exclusivamente sobre o ex-ministro — para a Justiça Federal no Paraná, em razão de o político não ter mais foro privilegiado e de as citações não terem conexão com outros investigados no âmbito do STF. O procurador-geral descartou investigar Dilma com base no artigo 86 da Constituição Federal: “O presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.”
Yousseff afirmou “categoricamente” que a declaração de Costa não é verdadeira. “Quanto à afirmação de Paulo Roberto Costa, no sentido de que teria sido o depoente procurado para atender demanda de Antônio Palocci, de forma que fossem liberados R$ 2 milhões do PP para a campanha presidencial de Dilma Rousseff, declara, categoricamente, que esta afirmação não é verdadeira”, cita a petição do procurador-geral, no trecho relacionado ao depoimento de Youssef.
Costa disse que Yousseff não esclareceu a ele se o pedido deste montante foi feito pessoalmente por Palocci ou se por meio de algum assessor. “Apenas mencionou que era um pedido vindo de Antônio Palocci.” O ex-diretor afirmou ter conhecido Palocci em 2004, quando o ex-ministro integrava o Conselho de Administração da Petrobras e Dilma, então ministra de Minas e Energia, presidia o colegiado. Costa esteve em “várias reuniões com Antônio Palocci, pois este era membro do conselho e também ministro da Fazenda”, cita a delação do ex-diretor.
Petição de Gleisi
Em outra petição, com pedido de abertura de inquérito contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), há a reprodução de depoimento do doleiro Alberto Youssef em que ele “gostaria de ressaltar que tanto a presidência da Petrobras, quanto o Palácio do Planalto tinham conhecimento da estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões no âmbito da estatal”.
A declaração reproduzida na petição sobre Gleisi foi feita após o doleiro detalhar as circunstâncias em que supostamente entregou R$ 1 milhão à campanha de Gleisi ao Senado, em 2010.
… … estratégia de Mark Felt (Garganta Profunda) para apanhar corruptos e corruptores
Jornalista e blogueiro Vitor Hugo Soares
Na pista do dinheiro sujo: Juiz Sergio Moro ensina como chegar a corruptos e corruptores na política e nas empresas ao estilo “Garganta Profunda”
Por Vitor Hugo Soares
“Siga o dinheiro (Follow de Money) e você chegará ao chefe do crime”. O conselho certeiro de W. Mark Felt (o Garganta Profunda), principal fonte de informação dos repórteres Bob Woodward e Karl Bernstein (Washington Post) nos bastidores do poder nos Estados Unidos — ao longo das investigações do célebre Escândalo Watergate – , volta a pontificar no Brasil 2015 do Petrolão.
No caso americano, a estratégia recomendada por “Deep Throat”, seguida à risca pelos dois consagrados jornalistas (premiados personagens de filmes e livros), culminaria na queda (renúncia) do então todo poderoso ex-presidente republicano, Richard Nixon, no desfecho do maior escândalo policial, político, econômico e social da história norte-americana.
Mas isso é história de outros tempos e de outros costumes, dirão certamente ou pensarão alguns, quando colocados repentinamente diante de tais fatos históricos nesta semana brasileira de dar frio na barriga. Tá legal, eu aceito o argumento. Mas sou obrigado, outra vez, a apelar para as palavras do garoto genial, personagem principal do filme sueco Minha Vida de Cachorro: “É preciso comparar”.
O fato relevante na história do começo deste artigo (e bota relevante nisso, apesar do certo descaso de parte da imprensa nacional) é que mais de quatro décadas depois, a recomendação é retomada pela voz firme e consistente do Juiz Sérgio Moro. Isso na palestra sobre corrupção e lavagem de dinheiro, feita na aula inaugural da Escola de Magistratura do Paraná, segunda-feira, 2 (confira aqui).
Então, sem se referir explicitamente ao caso que toma a atenção do país, e faz Brasília estremecer, o principal condutor do processo jurídico resultante da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, disparou o tirambaço com potência e alcance superior aos megatons “da bomba atômica em fabricação no Irã”, segundo Netanyahu comunicou no Congresso dos Estados Unidos, com pompas e circunstâncias de comício de encerramento de campanha eleitoral em Israel.
Na semana da entrega da lista de Janot ao Supremo Tribunal Federal e a posterior divulgação de nomes de políticos metidos ou suspeitos no crime de lesa-Petrobras, a aula de Moro teve efeito de abalo sísmico na área geográfica, humana, política e criminal do maior e mais deslavado escândalo de conluio entre corruptos e corruptores de grosso calibre de que se tem notícia na história do Brasil.
Na aula inaugural em Curitiba, epicentro do Lava Jato, o juiz de primeira instância falou durante uma hora. Praticamente tudo o que ele disse merece registro nos anais dos cursos jurídicos e dos centros acadêmicos de estudos e aprendizados no campo criminal. Neste espaço de opinião semanal, considero relevante destacar alguns pontos.
O primeiro, aquele em que Sérgio Moro disse ficar mais confortável por se tratar de uma palestra técnica, sobre a carreira jurídica. “Então, isso gera um discurso mais pessoal e um compartilhamento de experiências”, disse o juiz com passagem brilhante pelos bancos de Harvard.
Em seguida, o registro essencial e eixo (perdoem pela palavra tão ao gosto petista) de seu pensamento, merecedor de atenção e reflexão nestes dias de fogo no Brasil: “A criminalização da lavagem de dinheiro facilita a investigação e a responsabilização criminal daqueles que, no âmbito da atividade criminal, exercem funções de comando ou de mando”. Segue atual, portanto, “o velho conselho norte-americano: siga o dinheiro, e você descobre quem é o chefe e o responsável pelo crime”, disse Moro.
Para o juiz, “é importante que o criminoso seja obrigado a ficar sentado sobre o seu dinheiro sujo”. Que esse dinheiro sujo não seja utilizado para qualquer finalidade, especialmente, e também, no domínio econômico”.
Moro fez a definição mais polêmica e explosiva da palestra, ao comparar dois tipos de “profissionais” que praticam o crime de lavagem de dinheiro. “Tem um que pratica o crime antecedente, por exemplo, o tráfico de drogas, e tem o outro que pratica apenas o crime de lavagem de dinheiro”. Concluiu: quanto mais sofisticada a atividade criminosa, maior a distinção dos papéis citados acima. “Ou seja, você não lava o seu dinheiro, você recorre a um profissional da lavagem de dinheiro”.
É preciso dizer mais?
Então, mãos à obra, justiça e sociedade. Sigamos a pista do dinheiro sujo, como recomenda o juiz. Assim, quem sabe, a exemplo do Watergate, nos EUA, também, através dos comparsas (todos eles) chegaremos finalmente ao chefe de tudo no Lava Jato e na roubalheira na Petrobras. Depois, só restará a punição: exemplar, implacável e do tamanho do crime cometido e seus malefícios à nação.
O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deixou a presidente Dilma Rousseff de fora da lista de políticos supostamente envolvidos com a roubalheira da Petrobras.
Melhor para ela — e talvez para o país. A conferir mais tarde. Mas embora fora da lista, é a presidente Dilma que a encabeça. Porque ninguém enfrentará pior situação do que ela. Ninguém.
Os porta-vozes de Dilma dizem que com a divulgação da lista de Janot, a crise atravessará a rua. Sairá do Palácio do Planalto para o prédio do Congresso, entrando pela porta dos fundos.
Era o que mais desejava a presidente antes que a crise política detonada pelo PMDB no Congresso se juntasse à crise econômica. O Congresso devolverá a crise para o Palácio do Planalto. Isso é certo.
Não tem outro jeito. De resto, pior do que a avaliação dos políticos, somente a avaliação que os brasileiros fazem de Dilma. Lembra-se da mais recente pesquisa de opinião do Datafolha?
Em dezembro último, 42% dos brasileiros adultos consideravam o governo Dilma ótimo ou bom. Em fevereiro, apenas 23%. Em dezembro, ela era sincera, segundo 73% dos entrevistados.
O índice caiu para 35% em fevereiro, enquanto subiu de 13% para 54% o índice dos que a consideram falsa. Dilma é desonesta para 47% dos brasileiros.
Apenas 14% acham que Dilma não sabia da corrupção na Petrobras. A maior parte (52%) acredita que ela sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse.
Em resumo: a presidente falsa, desonesta, que sabia da corrupção na Petrobras e nada fez, e que toca um governo ruim, será a principal vítima do que atravessaremos daqui para frente.
Com uma crise econômica pelo meio. E cercada de maus gestores políticos — sem falar dela mesma, que não gosta do que deveria fazer, e não disfarça a arrogância.
Quem gosta de uma pessoa assim?
Governo algum gosta de marolas. Sonha sempre com um mar de almirante. No fim do seu segundo mandato, Lula batizou de “marolinha” o tsunami econômico que sacudiu o mundo.
Dilma não poderá fazer o mesmo. Até porque “marolinha” ou tsunami, isso é coisa nossa. Somente nossa. Como era o Guaraná Fratelli Vita, por exemplo. Como é a ararinha azul.
Para preservar a sua e escapar ao mensalão, Lula entregou a cabeça de José Dirceu, ex-coordenador de sua campanha presidencial vitoriosa de 2002, e ex-chefe da Casa Civil.
Dilma não tem cabeça valiosa para entregar.
A de Lula? A corrupção sistêmica na Petrobras começou no segundo governo Lula. Mas se ele perdesse a cabeça, Dilma perderia a dela. E o PT acabaria. Simples assim.
A presidente incapaz de se reinventar está sozinha. Perigosamente só.
Como dito ontem, estou de volta. E valeu a pena me ausentar um pouco da lida blogueira, para constatar que com a sucessão de talentos na Folha, como os dentes de um tubarão, se faz pouca ou nenhuma falta. Arnaldo Neto, que já vinha ajudando este “Opiniões” na repercussão do Petrolão, além de dedicar seu dia de ontem à apuração do caso, junto ao Rodrigo Gonçalves, ao Mário Sérgio Junior e ao Eliabe de Souza, o Cássio Jr, resultando na histórica edição impressa de hoje da Folha impressa, assumiu a cobertura do assunto também na Folha Online, a partir do seu blog. Se diante da divulgação oficial da lista dos 49 políticos denunciados pelo procurador geral da República ao Supremo Tribunal Federal, mesmo todos (ou quase) que vinham ignorando solene e misteriosamente o caso na blogosfera goitacá, resolveram fingir que o maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente existe, diante à possibilidade de competição, Arnaldo manteve a Folha onde sempre esteve no jornalismo de Campos e da região: na frente!
Ministro Teori Zavascki, do STF, abriu os inquéritos e determinou a quebra dos sigilos
O ministro Teori Zavascki quebrou o sigilo total dos políticos investigados pela Operação Lava Jato, na noite desta sexta-feira (6). Do Rio de Janeiro, estão citados o senador Lindbergh Farias (PT), o deputado federal e presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e o deputado federal Simão Sessim (PP). O deputado fluminense Alexandre Santos (PMDB) teve o pedido de abertura de inquérito arquivado. Foram autorizadas investigações contra políticos do PT, PMDB, PP, PTB e PSDB. No total, são 47 políticos investigados.
A temida lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atinge em cheio a base aliada presidente Dilma Rousseff no Congresso, envolvendo políticos dos três principais partidos governistas: PT, PP, PMDB, além do senador aliado Fernando Collor, do PTB. As duas principais autoridades do Congresso Nacional integram a lista: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Da oposição, o senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais, foi relacionado.
A relação de senadores contém dois importantes ex-ministros do primeiro mandato de Dilma Rousseff: Edison Lobão (PMDB-MA), que comandava a pasta de Minas e Energia, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil.
Parlamentares alvos dos inquéritos:
PP
– Senador Ciro Nogueira (PI)
– Senador Benedito de Lira (AL)
– Senador Gladson Cameli (AC)
– Deputado Aguinaldo Ribeiro (PB)
– Deputado Simão Sessim (RJ)
– Deputado Nelson Meurer (PR)
– Deputado Eduardo da Fonte (PE)
– Deputado Luiz Fernando Faria (MG)
– Deputado Arthur Lira (AL)
– Deputado Dilceu Sperafico (PR)
– Deputado Jeronimo Goergen (RS)
– Deputado Sandes Júnior (GO)
– Deputado Afonso Hamm (RS)
– Deputado Missionário José Olímpio (SP)
– Deputado Lázaro Botelho (TO)
– Deputado Luis Carlos Heinze (RS)
– Deputado Renato Molling (RS)
– Deputado Renato Balestra (GO)
– Deputado Lázaro Britto (BA)
– Deputado Waldir Maranhão (MA)
– Deputado José Otávio Germano (RS)
– Ex-deputado e ex-ministro Mario Negromonte (BA)
– Ex-deputado João Pizzolatti (SC)
– Ex-deputado Pedro Corrêa (PE)
– Ex-deputado Roberto Teixeira (PE)
– Ex-deputada Aline Corrêa (SP)
– Ex-deputado Carlos Magno (RO)
– Ex-deputado e ex-vice governador João Leão (BA)
– Ex-deputado Luiz Argôlo (BA) (filiado ao Solidariedade desde 2013)
– Ex-deputado José Linhares (CE)
– Ex-deputado Pedro Henry (MT)
– Ex-deputado Vilson Covatti (RS)
PMDB
– Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado
– Senador Romero Jucá (RR)
– Senador Edison Lobão (MA)
– Senador Valdir Raupp (RO)
– Deputado Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara
– Deputado Aníbal Gomes (CE)
– Ex-governadora Roseana Sarney (MA)
PT
– Senadora Gleisi Hoffmann (PR)
– Senador Humberto Costa (PE)
– Senador Lindbergh Farias (RJ)
– Deputado José Mentor (SP)
– Deputado Vander Loubet (MS)
– Ex-deputado Cândido Vaccarezza (SP)
PSDB
– Senador Antonio Anastasia (MG)
PTB
– Senador Fernando Collor (AL)
Arquivamentos
Além dos pedidos de abertura de inquérito, o Ministério Público Federal pediu o arquivamento em outros sete casos, entre os quais os dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência da República, e Delcídio Amaral (PT-MS); e dos ex-deputados Alexandre Santos (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-presidente da Câmara.
Outros três – Os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) tiveram parte das acusações arquivadas, mas serão alvos de inquérito em relação a outra parte.
Com informações: G1, O Globo, Veja, Estadão e Folha de S. Paulo.
Diante da misteriosa omissão de boa parte da blogosfera goitacá sobre o maior escândalo de corrupção dos 126 anos da história da República do Brasil, este “Opiniões” tem andado quase sempre à frente da repercussão local do que há de mais importante, em fatos e versões nacionais, acerca do Petrolão. Hoje, no entanto, quando finalmente pode sair a íntegra da lista dos políticos denunciados pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, estarei ocupado de outra função jornalística, por certo mais prazerosa, como crítico de cinema. Rolo a bola para o Blog do Arnaldo Neto, garoto novo que subiu o Paraíba do Sul desde sua foz com categoria de veterano no jornalismo de Campos.
Amanhã, quando descerei o Paraíba, espero estar de volta aqui. Inté!!!…
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o economista Ranulfo Vidigal dá sequência aos instigantes (e preocupantes) paralelos entre a Campos dos Garotinho e a Venezuela de Hugo Chávez e Nicólas Maduro, feitas pelo Wilson Diniz, também economista e analita econômico do jornal carioca O Dia. Mais uma vez, este “Opiniões” pede a devida licença para reproduzir:
Modelo venezuelano dos Garotinhos (III)
• Continuando a analisar o modelo venezuelano dos Garotinhos, recorro a Maquiavel para entender o atual momento que o ex-governador do Rio, Garotinho está passando exercendo o cargo de subalterno da prefeita da cidade de Campos. A sua trajetória vivendo em inferno zodiacal depois que foi candidato a Presidente da República parece personagem cinematográfico de Bernardo Bertolucci, O Último Imperador, que após a Revolução Chinesa de 1949, foi condenado a trabalhos forçados para o resto da vida.
• Perdendo prestígio em sua carreira, depois que resolveu fazer greve de fome como se fosse um líder humanitário perseguido por sistemas autoritários, entrou em desgraça política e hoje paga o preço da sua insensatez como político oligarca da Região Norte Fluminense. Sua queda depois da derrota para governador em 2014 é semelhante à decadência de ‘Greta Garbo’, artista que trabalhava na Praça Mauá e foi parar em Irajá, bairro do subúrbio do Rio.
• Recorro ao filosofo Maquiavel, quando afirmou: “Creio que este seria o verdadeiro modo de chegar ao Paraíso: aprender o caminho do inferno, para evita-lo”. No caso do modelo venezuelano dos Garotinhos, eles não conhecem o pensamento do filosofo medieval. Caminham agora na estrada do inferno, e hoje estão na porta do inferno político a espera para ser recepcionado por representante do povo nas eleições de 2016, para julgá-los nas urnas pelo abandono que cometeram em não priorizar a Educação do Ensino Básico para as crianças e para os professores de Campos.
• Olhando com detalhes os indicadores da Educação, os números são alarmantes. Em 2012, a Rede de Ensino Básico tinha 55.222 alunos, os gastos por aluno superavam o do Chile e o proposto pelo MEC, mas os números não fotografam a realidade da qualidade do ensino que é ofertado as crianças carente da cidade.
• Comparado com Macaé, que sofre os efeitos da ‘maldição do petróleo’, Doença holandesa, os gastos dos Garotinhos são inferiores da cidade vizinha que tem arrecadação menor do que a do município campista. Macaé gastou no mesmo período, R$ 8.339 reais por aluno, enquanto a quantia de Campos foi de R$ 5.281 reais e indicador do Ideb, projetado para 2021, é 5.2 comparáveis a cidades dos grotões do Nordeste.
• O modelo venezuelano implantado pelos Garotinhos contraria todos os manuais de organismo internacionais como as metas estabelecidas no Fórum Mundial de Educação, realizado em Dacar, onde 164 líderes de países elaboraram as metas da educação mundial para crianças a partir de três anos de idade, jovens e adultos em 2015.
• Olhando o quadro do modelo campista dos Garotinhos, os indicadores também se assemelham aos de países africanos.