O segundo turno da eleição presidencial está definido entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Ou Ciro Gomes (PDT) ainda tem chance? O segundo turno da eleição a governador do Estado do Rio está definido entre Eduardo Paes (DEM) e Romário Faria (Podemos). Ou Anthony Garotinho (PRP) ainda tem chance? Se há certeza dos primeiros colocados nas duas corridas eleitorais, respectivamente Bolsonaro e Paes, o contraste entre as últimas pesquisas Ibope e Datafolha deixou dúvidas sobre a disputa do segundo lugar. Elas se deram menos nas diferenças dos números, do que das tendências.
Números a presidente
Comparadas as duas últimas Ibope a presidente, divulgadas nos dias 11 e 18, Bolsonaro e Haddad cresceram. O primeiro foi de 26% a 28%, enquanto o petista teve crescimento real de 8% a 19%, mais que dobrando as intenções de voto. Já Ciro tinha 11% e com 11% ficou. Comparadas as duas últimas Datafolha presidenciais, divulgadas nos dias 14 e 19, Bolsonaro e Haddad também cresceram. O primeiro igualmente foi de 26% a 28%, enquanto o petista teve crescimento real de 13% a 16%. Já Ciro tinha 13% e com 13% ficou.
Mesmas tendências
As tendências são as mesmas nos dois institutos: Bolsonaro cresceu dentro da margem de erro, e Haddad, além dela. Ciro, por sua vez, permaneceu estagnado. Como, então, o candidato do PDT pode ter saído do jogo na quarta e ter voltado a ele, na quinta? Simples: Haddad cresceu 11 pontos no Ibope, mas só três, no Datafolha. Outra diferença relevante está no recorte de tempo em que as pesquisas foram feitas. A última Ibope, entre os dias 16 e 18. A última Datafolha, de 18 a 19. É, portanto, a mais atual. Em outras palavras, Ciro ainda está no jogo, mas sai dele caso continue empacado, ou caia, e Haddad continue a crescer.
Números a governador
Da disputa pelo Palácio do Planalto ao Guanabara, a lógica é a mesma. Mas aponta incertezas maiores. Entre as duas últimas Ibope, divulgadas nos dias 10 e 19, Paes cresceu e Romário diminuiu. O primeiro foi de 23% a 24%, enquanto o segundo, de 20% a 18%. Terceiro, Garotinho manteve os mesmos 12%. Nas Datafolha divulgadas nos dias 6 e 20, a estagnação coube a Romário, que manteve os 14% e a segunda colocação. Apesar de líder, Paes caiu de 24% a 22%, enquanto Garotinho, ainda terceiro, foi o único a crescer: de 10% a 12%.
Tendências diferentes
As tendências foram diferentes entre os candidatos a governador. No Ibope, Paes oscilou para cima, Romário para baixo e Garotinho estagnou. No Datafolha, Paes oscilou para baixo, Garotinho para cima e Romário empacou. Tudo ficou dentro da margem de erro, que nas pesquisas a governador é de 3%, acima dos 2% nas consultas presidenciais. Líder nos dois institutos, Paes está em empate técnico com Romário no Ibope, mas isolado no Datafolha. Nas duas consultas, Romário está em empate técnico com Garotinho. Por mais contratempos que colecione a cada dia com a Justiça, o político de Campos ainda está no jogo.
Primeiro turno
A liderança de Bolsonaro na corrida presidencial é mais destacada que a de Paes, na disputa a governador. Entretanto, o ex-capitão do Exército tem em Haddad um segundo colocado em franca ascensão. Bem diferente do que o ex-prefeito do Rio enfrenta num Romário estagnado, ou em queda. Mas é nos terceiros que estão as maiores diferenças. Correndo por fora em suas respectivas provas, Ciro tem uma substancial vantagem sobre Garotinho. E não é nem nas intenções de voto.
Segundo turno
No Datafolha, Ciro teve apenas 22% de rejeição, contra 43% de Bolsonaro e 29% de Haddad. Por isso, o cearense venceu as simulações de segundo turno contra o capitão (45% a 39%) e o petista (42% a 31%). Já para governador, o Datafolha deu 41% de rejeição a Garotinho, bem mais do que os 34% de Paes, ou os 29% de Romário. Por isso, o campista seria massacrado num eventual segundo turno, independente do adversário: 25% a 43% contra Paes, e 26% a 39%, contra Romário. Lutando para ficar vivo no primeiro turno presidencial, Ciro é o mais forte no segundo. Nos dois turnos ao Palácio Guanabara, Garotinho tem o fogo e a frigideira.
Atafona, fim de tarde de 16/01/18 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
A fotografia era o único registro que havia sobrado. Antônia aparecia sorrindo. Um bom observador notaria diferenças entre aquele sorriso e o que estava em destaque na foto ao lado, que tinha mais de cinco anos. Vivacidade. Leveza. Tudo o que, nos tempos finais, havia deixado para trás. Cícero apegara-se à imagem como se fosse uma extensão de seu corpo. A ideia da última memória o perseguia desde que Antônia o deixara, sem aviso prévio e palavras sobre o futuro caminho. Apenas saíra, levando as malas e um retrato do marido e filhos. Ele acordou e, ao procurá-la pela casa, encontrou um bilhete próximo à cafeteira:
“Não sairia sem preparar o seu desjejum, arrumando a mesa de acordo com suas ininteligíveis vontades. Afinal, foi para isso que servi durante os vinte anos em que ficamos juntos. Pedidos e mais pedidos desmedidos. Mas você se esqueceu de olhar para o lado. E eu, Cícero?”
O recado o deixou confuso. Como ela é capaz de enxergá-lo de maneira tão insensível? Vivera intensamente o casamento, dando a ela mais do que podia.
“Coisas materiais, amigo, eu também posso dar à sua mulher. E a atenção que ela sempre busca? Alguém, um dia, pode oferecer a ela. E aí, meu irmão, você vai perder”, alertou-o Milton, companheiro de trabalho desde a juventude.
“Não. Eu dei tudo. Dei atenção, carinho e ouvidos quando ela precisava. Onde errei?”, questionou. O silêncio da manhã o incomodou. A esta hora, a casa começava a borbulhar com os passos de Antônia misturados ao som de sua voz vazia de frases interessantes.
“Mas essa era a minha rotina. A vida a que eu estava acostumado. E agora?”
Andou pela cozinha. Continuava a pensar na possibilidade de ela ter lhe pregado uma peça. Desde o começo do relacionamento, brincava de assustá-lo. Ele sabia que Antônia gostava, mas não conseguia se lembrar de um momento específico. Brincadeiras existiam, principalmente nos primeiros meses.
“Você se recorda da viagem à cachoeira? Eu escorreguei, e você quase morreu de rir. Quando viu que me machuquei, foi me socorrer, com remorso.”
“Não. Não consigo encontrar essas histórias na minha memória.”
Desde a partida de Antônia, cada dia deixado para trás levava mais um trejeito dela de sua mente. Cícero sabia que ela adorava cozinhar e escutar música, mas não ouvia mais os sons que ecoaram pela casa durante dias e noites; semanas, meses e anos. Apenas o movimento da boca estava registrado em sua retina. E uma boca que não tinha voz.
Ele correu ao quarto e tocou na foto. Precisava se certificar da existência de uma realidade em que a mulher ainda transitava. Confirmou sua suspeita e voltou à cozinha. Tomava apenas um café com leite e seguia para trabalhar. Mas, por ser sábado, não sabia bem o que fazer depois de acordar. A esta hora, ela estaria cozinhando com o pequeno aparelho de som sintonizado em uma estação de rádio qualquer, enquanto interpretava a composição da vez. Embora soubesse que o estilo musical favorito de sua esposa era MPB, não havia memorizado, em vinte anos, as canções de que ela mais gostava.
As mãos ágeis seguiam o ritmo dos instrumentos. Como eram seus dedos? Cícero correu, novamente, para olhar o retrato. O que desejava não havia sido registrado pela máquina. Acabara de perder, definitivamente, mais uma parte de Antônia. Buscava, em todos os recônditos da memória, os traços dela, mas eles desapareciam pouco a pouco. Desta vez, carregou a foto em seu bolso.
Seguiu em direção à sala. Ligou a televisão e parou em um canal desconhecido. Um casal vendia joias, contando os benefícios do uso de um produto de primeira linha.
“Quando puder, você me dá um assim?”, perguntou Antônia, em uma tarde de descanso.
Os dois estavam acompanhando a programação da emissora. Ele não respondeu. Ficou em silêncio, seguindo o rito de convívio em sua casa. Os filhos, adultos, viviam em outros bairros. Haviam dito à mãe que não suportavam o descaso.
“Descaso é a mente torta de vocês”, respondeu, tarde demais, Cícero. Assim como Antônia, eles não estavam ali para ouvi-lo. Teria sido mesmo um marido catastrófico como queriam fazê-lo acreditar? Não, não. Cultivava detalhes da história dos dois.
Por minutos, pegou-se tentando reviver o primeiro beijo. O pedido de namoro. A viagem ao Rio de Janeiro. O passeio pelas praias. O casamento. O nascimento do primeiro filho. Todas as imagens haviam se transformado em frases que construíam precariamente sua trajetória. Não conseguia ver o filme da vida sobre o qual todos falavam. Sua memória era um amontoado de palavras perdidas.
“Bobagem!”, e retornou à cozinha. Três meses se passaram desde que Antônia se despedira definitivamente dele. Cícero, no entanto, sabia que ela voltaria. “É só uma ridícula maneira de tentar chamar a minha atenção. Ela fazia isso sempre. Costumava ir ao salão para ficar bonita e atrair meu desejo”, comentou, sozinho, enquanto planejava o almoço do dia. Apertou o cabo de uma panela. A força equivalia à necessidade de se lembrar dela nos dias em que se arrumava. Como era? Como ficava? Qual era o cheiro, o gosto, o tato?
Fechou a geladeira, desistindo de comer àquela hora. Seu estômago estava embrulhado com as lembranças espaçadas. Nem as cenas de sexo passavam diante de seus olhos. Só os fatos eram narrados em sua cabeça por uma voz desconhecida. Seria a de Antônia? Sentou-se à mesa. Estiveram ali, quinze anos antes, para comprar a casa. O corretor de imóveis, um homem de cabelos brancos, ainda dividia o espaço com um Cícero agora envelhecido. Mas, ao lado dele, Antônia deixara de existir. Recorreu à fotografia. Não reconhecia mais o rosto da esposa; da mulher com quem dividira bons dias e noites; daquela que escolheu para construir uma vida.
Ainda com os dedos fechados sobre a foto, refez o percurso para o quarto. Ele estava impregnado dela. Em todos os cantos, havia um pertence esquecido. Brincos, anéis, papéis de cartas, que estiveram em orelhas, mãos e entre dedos hoje desfeitos. A quem pertenciam? Deitou-se. O coração apertado reforçava a ideia do retorno de Antônia. Mas quem era Antônia? Fechou os olhos, invocando pernas, peitos, quadris, rosto. Falas, frases. Tons. Cabelos. Pretos, brancos? Olhares, escolhas. Falhas, acertos. Pés, unhas, sorriso. Os dentes. Eram tortos? Alinhados? Eram?
Puxou o cobertor, ajeitou os travesseiros. Trechos de cenas desconexas passavam por sua cabeça. Posicionou-se. Respirou fundo para aquietar pensamentos e coração. Inspirava, expirava. Expirava, inspirava. Aprendera com alguma colega de trabalho que a técnica poderia ser essencial em momentos de tensão. O rosto dela, agora, dominava a sua mente. Seria dela ou de sua mulher? Virou de lado na cama. À sua frente, o espectro de Antônia o observava adormecer.
A nova consulta Ibope de ontem, para governador do Estado do Rio, não trouxe muita variação para a anterior, divulgada nove dias antes. Líder em todas as pesquisas, Eduardo Paes (DEM) oscilou um ponto para cima e agora tem 24% das intenções de voto. No limite máximo da margem de erro, de três pontos para mais ou menos, ele está no empate técnico com Romário Faria (Podemos), que perdeu dois pontos e agora tem 18%. Novamente esticada a margem de erro, o ex-gênio do futebol também está no empate técnico com Anthony Garotinho (PRP), que manteve seus 12%.
Evolução das pesquisas
Na série de três pesquisas Ibope, divulgadas em 20 de agosto, 10 e 19 de setembro, Garotinho está empacado: não sai dos 12% de intenções de voto há quase um mês. É uma evolução bem diferente de Paes e Romário. O ex-prefeito do Rio saiu de 12%, foi para 23% e agora tem 24%. Por sua vez, o senador pulou de 14% a 20%, antes de registrar os 18% de ontem. O político de Campos só não está pior nas pesquisas porque nenhum dos candidatos abaixo teve crescimento real. Após repetir 5% nas duas primeiras Ibope, Tarcísio Motta (Psol) ontem registrou 4%. Já Indio da Costa saiu de 3%, antes de repetir 4% nas duas últimas.
Poucas mudanças
Atrás de Tarcísio e Indio, mas em empate técnico com ambos, estão Pedro Fernandes (PDT), Márcia Tiburi (PT) e Wilson Witzel (PSC), os três com 2%. Na margem de erro, estão todos embolados com os demais quatro candidatos: Marcelo Trindade (Novo), André Monteiro (PRTB), Dayse Oliveira (PSTU) e Luiz Eugenio (PCO) têm todos 1%. O que explica a pouca mudança nos números e posições, sobretudo nas duas últimas pesquisas Ibope, é foram os números de indecisos: em 10 de novembro, eram 20% os brancos e nulos, com 9% de não sabe ou não respondeu. Ontem, respectivamente, eles eram 20% e 8%.
Segundo turno
Pesquisa a pesquisa, Garotinho parece ainda mais longe do Palácio Guanabara do que ficou em 2014, quando assistiu ao segundo turno ser disputado por Luiz Fernando Pezão (MDB) e Marcelo Crivella (PRB). Mas, mesmo que tivesse alguma chance de avançar na disputa após as urnas de 7 de outubro, o campista não teria motivos para ficar animado. Nas simulações feitas ontem pelo Ibope, ele perderia de lavada o turno final tanto para Paes (24% a 41%), quanto Romário (25% a 38%). No provável confronto final entre os dois líderes das pesquisas, o ex-prefeito do Rio venceria o senador, mas no limite máximo da margem de erro: 37% a 31%.
O rejeitado
O motivo de Garotinho ter estagnado nas intenções de voto, mesmo distante da possibilidade de segundo turno, se deve ao que nele decreta sua derrota em todas as simulações: sua rejeição é de 48%. Em palavras, praticamente metade dos eleitores fluminenses não votaria nele de jeito nenhum. A rejeição de Paes é 31%, enquanto Romário tem apenas 22%. Não bastasse, ontem a vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a liminar que suspendeu a inelegibilidade do político de Campos.
Condenações
Os motivos alegados pelo segundo homem da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) são três. Garotinho foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) pelo desvio de R$ 234 milhões da Saúde, durante o governo estadual de Rosinha. Ele também foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), como chefe de quadrilha armada em associação com a máfia dos caça-níqueis, também quando sua esposa era governadora. Por fim, o político da Lapa teve uma condenação transitada em julgado, por calúnia contra o juiz federal Marcelo Leonardo Tavares, a quem acusou publicamente de corrupção e prevaricação.
Decadência
Político marcado pela agudez do pensamento, desde que foi eleito prefeito de Campos a primeira vez, em 1988, Garotinho tem impressionado nos últimos anos pela desinteligência. Em 2014, chegou a liderar as pesquisas a governador, mas não foi nem ao segundo turno. Coincidência ou não, a partir desta derrota, o governo de Rosinha em Campos se converteu no desastre que possibilitou a vitória da oposição no primeiro turno da eleição municipal de 2016. Sem os cofres do município e após ser preso três vezes, forçou em 2018 uma nova candidatura ao Palácio Guanabara. E, aparentemente sem chances, pode acabar preso mais uma vez.
Nesta página de opinião, um artigo publicado no último domingo (16) afirmava (aqui) desde o título: “Brasil à beira do segundo turno entre Bolsonaro de Haddad”. É o que parece cristalizado a cada nova pesquisa. Na do Ibope divulgada ontem, Jair Bolsonaro (PSL) chegou a 28% e continua líder isolado. Por sua vez, Fernando Haddad (PT) se descolou na segunda posição, com 19%. Na série Ibope, o ex-capitão do Exército chegou ao atendado à faca, no dia 6, com 22%. Foi a 26% no dia 11 e, agora, subir mais dois pontos. No mesmo dia 11 em que foi ungido candidato, Haddad tinha 8%. E de lá para cá cresceu nada menos que 11 pontos.
Ciro, Alckmin e Marina
Se parecia ser a última esperança real para evitar a polarização Bolsonaro/Haddad, Ciro ficou bem para trás dos líderes. Tinha 11% das intenções na última consulta Ibope. E com 11% continuou. Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 9% para 7%. E agora vai ter que tentar segurar a debandada dos partidos do Centrão. Marina Silva (Rede) aparenta queda livre: passou de 9% para 6%. Caso estanque a perda de intenções de voto, ela periga se juntar ainda mais ao bloco de trás. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, já está em empate técnico com Álvaro Dias (Pode), João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB), 2% cada.
Largada no dia 11
Líder das pesquisas presidenciais há dois, Bolsonaro só ficou abaixo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste período. Preso desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, todos sabiam que o petista teria sua candidatura barrada pela Lei do Ficha Limpa, que ele mesmo sancionou quando presidente. A decisão inevitável do TSE veio na madrugada do dia 1º deste mês. E, ainda assim, o PT esticou a corda até o dia 11 para confirmar Haddad. Curiosamente, no mesmo dia saiu a Ibope que pela primeira vez apontou (aqui): candidato forte no primeiro turno, Bolsonaro passou a ser candidato competitivo também no segundo.
Segundo turno
Todas as pesquisas posteriores passaram a retratar a possibilidade de Bolsonaro também ser vencedor no turno final. Na Ibope de ontem, ele só perdeu a simulação de segundo turno para Ciro, mas em empate técnico por diferença mínima: 39% a 40%. Seu empate foi numérico nas simulações contra Haddad (40% a 40%) e Alckmin (38% a 38%). E ele ganharia já acima da margem de erro de Marina (41% a 36%). Índice considerado fundamental para a definição do segundo turno, a rejeição também tem Bolsonaro como líder isolado, com 42%. Mas isto não parece estar fazendo diferença. Até porque Haddad já é o segundo no índice negativo: 29%.
Voto útil
O que tem consolidado a polarização entre Bolsonaro e Haddad é o voto útil ainda no primeiro turno. O mesmo que tem esvaziado Marina e Alckmin e, por enquanto, estagnado Ciro. Dentro do cenário exposto pelo Ibope, são 7% de eleitores os que ainda não sabem em quem votar, além dos 14% que declararam intenção de votar branco ou nulo. Mas caso se definam até 7 de outubro por uma opção válida, o mais provável é que sigam o efeito manada na opção por um dos dois pólos dominantes da eleição. A apenas 18 dias da urna, o que não se conhece ainda são os tetos de Bolsonaro e Haddad.
Primeiro turno?
Enquanto as pesquisas apontavam cinco candidatos competitivos, a eleição em dois turnos era certa. Mas isso pode mudar, caso Marina e Alckmin continuem a cair. E se Ciro resolver segui-los. Ontem, esta coluna advertiu (aqui): “o voto útil pode transformar a eleição daqui a menos de 20 dias em mero plebiscito: anti-Lula ou anti-Bolsonaro. Neste caso, a possibilidade de definição em primeiro turno, ainda altamente improvável, deixa de ser delírio”. Em outra Folha, a de São Paulo, a jornalista Mônica Bergamo viu parecido (aqui): “Analistas experimentados acham que a possibilidade de Bolsonaro levar no primeiro turno, num acirramento, tornou-se real”.
Rumo ao centro
Ciente do perigo que corre, Haddad já começa a isolar os aloprados do seu partido, talvez principais responsáveis pela gênese de Bolsonaro. Ontem ele já disse “não ao indulto” de Lula, anunciado no dia anterior pelo governador mineiro Fernando Pimentel, em típico açodamento petista. Com ou sem segundo turno, Haddad só terá chance se caminhar ao centro. Para isso, tem que readotar o perfil “tucano” que o elegeu prefeito de São Paulo em 2012. Além de abandonar revanchismos mesquinhos como o controle do Judiciário, do Ministério Público e da imprensa, propostos no plano de governo do PT a partir de 2019.
Com o avanço de Haddad, agora oficialmente candidato e identificado como o substituto de Lula, Ciro perde a segunda posição nas pesquisas. Isso levará ao necessário embate pela vaga que sobra num eventual segundo turno. Os votos de Bolsonaro parecem consolidados em grande medida e nesse quadro atacar o capitão, ainda mais após o atentado, não parece a coisa mais inteligente a ser feita. Alckmin é prova disso, crendo ser capaz de roubar votos do líder nas pesquisas, acabou por se colocar, virtualmente, fora do segundo turno.
O caso Alckmin merece ainda uma análise a parte. Experiente, largamente conhecido do eleitorado, “dono” do maior colégio eleitoral do país (São Paulo – vale observar o resultado das eleições de 2014), com a mais ampla coligação, maior tempo de TV e amargando um desempenho ridículo. Essa eleição tem muito a ensinar e quem não aprender vai ter sérios problemas para se manter em campo de forma competitiva no jogo político.
Nesse cenário, o mais provável é que Ciro e Haddad se engalfinhem na disputa pelo direito de ir ao segundo turno e enfrentar Bolsonaro — sem contar os demais postulantes ainda viáveis a isso, Marina e Alckmin. O tipo de armas a serem usadas podem inviabilizar uma aliança de segundo turno e ainda permitir, nessa guerra, que Bolsonaro amplie sua margem.
Por falar em aliança, é sempre bom “combinar com os russos”. Sem nenhuma alusão a Trump, por favor. Refiro-me à lenda que trata do diálogo entre Garrincha e Feola na copa de 58. Políticos que sempre se agrediram e tiveram perante seus militantes e eleitores uma incompatibilidade como de azeite e água não podem, simplesmente, se aliar num segundo turno e achar que o eleitor compreenderia e, principalmente, toleraria essa migração. Lembrem-se do centrão do Alckmin! Isso vai acabar se tornando um bordão.
Charge de José Renato publicada hoje (18) na Folha
Haddad, Ciro e Bolsonaro
O que era previsto aconteceu: Fernando Haddad (PT) continua a crescer nas pesquisas. Na BTG/FSB divulgada ontem, ele dobrou suas intenções de voto: foi em uma semana de 8% para 16%. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, o petista apareceu ainda tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), que subiu de 12% a 14%. Ambos ficaram bem atrás de Jair Bolsonaro (PSL), que cresceu de 30% a 33%. O ex-capitão do Exército também foi líder isolado de outra pesquisa divulgada ontem, a CNT/MDA. Ele teve 28,2%, seguido de Haddad, com 17,6%, já descolado de Ciro, que bateu 10,8%.
Tendências cristalizadas
Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a CNT/MDA foi a primeira pesquisa em que Haddad apareceu isolado na segunda posição. Assim como os 33% de Bolsonaro na BTG/FSB, foi o maior índice de intenções de votos ele que registrou até aqui. Independente das diferenças dos números e metodologias, comparadas as duas consultas divulgadas ontem com as últimas Ibope, Paraná e Datafolha, algumas tendências parecem se cristalizar: Bolsonaro cresceu pouco, Haddad cresceu muito, Ciro cresceu pouco ou já começou a patinar, e Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) despencaram.
Alckmin e Marina despencam
A CNT/MDA anterior havia sido feita em 20 de agosto, tempo longo demais para um contraste dos números. Mas na pesquisa do instituto divulgada ontem, Alckmin teria 6,1% das intenções de voto, com 4,1% para Marina. Já na BTG/FSB, em intervalos regulares de uma semana, fica mais fácil não só notar os crescimentos de Bolsonaro, Haddad e Ciro, como a queda de Alckmin e Marina. Ambos tinham 8%, mas o tucano caiu a 6%, e a ambientalista a 5%. Se sempre foi um candidato forte no primeiro turno, desde a última Ibope, Bolsonaro parece ter se tornado competitivo também no segundo. Esta mudança também foi registrada na última Datafolha.
Competitividade
Na BTG/FSB, Bolsonaro empatou numericamente a simulação de segundo turno contra Ciro (42% a 42%). Mas, fora da margem de erro, o presidenciável do PSL ganharia de todos os demais: de Haddad (46% a 38%), Alckmin (43% a 36%) e Marina (48% a 33%). Já nas simulações de segundo turno da CNT/MDA, o capitão perdeu para Ciro (36,1% a 37,8%) e ganhou de Haddad (39% a 35,7%), em dois empates técnicos na margem de erro. Mas, fora dela, bateria Alckmin (38,2% a 27,7%) e Marina (39,4% a 28,2%) com relativa facilidade.
Voto útil
Hoje, sai a nova pesquisa presidencial do Ibope. Como o crescimento de Bolsonaro e de Haddad são tendências claras, resta saber o teto de um e outro. Com medo do PT voltar ao poder, o capitão já recebe eleitores de Alckmin. Como o petista recebeu parte da debandada de Marina, com medo de um governo de extrema direita. Se Ciro também desidratar, e os indecisos continuarem a diminuir, o voto útil pode transformar a eleição daqui a menos de 20 dias em mero plebiscito: anti-Lula ou anti-Bolsonaro. Neste caso, a possibilidade de definição em primeiro turno, ainda altamente improvável, deixa de ser delírio.
Golpe na campanha
Pressionado pelo crescimento de Haddad nas pesquisas, Ciro voltou a mostrar sua pior face. Ao esmurrar e xingar o jornalista Luiz Nicolas Maciel Petri, em Boa Vista, no sábado, ele deu um golpe também na sua campanha. Petri fez uma pergunta em que lembrou ao pedetista suas palavras sobre conflitos entre brasileiros e refugiados venezuelanos no Estado de Roraima. O candidato não gostou, socou o jornalista no abdômen, o xingou e mandou prendê-lo. Foi um ato de truculência, arbitrariedade e desrespeito à atividade jornalística, protegida pela Constituição. Mais uma vez, Ciro prova ser o maior inimigo de Ciro.
Nas urnas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fechou ontem o sistema de registro de candidaturas à presidência que será inserido nas urnas eletrônicas no primeiro turno. Foram confirmados os nomes de 13 candidatos e seus respectivos vices. Os nomes de Haddad e sua vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), foram considerados aptos para inserção, apesar de o registro ainda não ter sido julgado pela Corte. Haddad só teve o nome confirmado pelo PT após o TSE barrar, com base na Lei da Ficha Limpa, a candidatura do ex-presidente Lula.
Também divulgada hoje, a pesquisa do instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), foi mais uma a confirmar a liderança isolada do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Mas com diferença menor do que a registrada mais cedo (aqui) pela BTG/FSB, para Fernando Haddad. O petista ficou com 17,6% e já apareceu descolado de Ciro Gomes (PDT), que teve 10,8%.
Distantes do pelotão da frente, vieram Geraldo Alckmin (PSDB), com 6,1%; Marina Silva (Rede), 4,1%; João Amoêdo (Novo), 2,8%; Álvaro Dias (Podemos), 1,9%; e Henrique Meirelles (MDB), 1,7%. Os quatro estão em empate técnico, na margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou menos.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Assim como as últimas pesquisas Ibope, Datafolha e BTG/FSB, a CNT/MDA mostra que Bolsonaro se tornou um candidato competitivo no segundo turno, após o episódio da facada, no último dia 6. Ele perdeu a simulação de turno final para Ciro (36,1% a 37,8%) e ganhou de Haddad (39% a 35,7%), mas ambas no empate técnico. Fora dele, o ex-capitão do Exército ganhou de Alckmin (38,2% a 27,7%) e Marina (39,4% e 28,2%). Por sua vez, Haddad perdeu a simulação contra Ciro (26,1% a 38,1%), mas ganhou de Marina (35,7% a 23,3%).
Na rejeição, considerada fundamental para a definição do segundo turno, quem liderou foi Marina, com 57,5% dos eleitores dizendo que não votariam nela de jeito nenhum. Ela foi seguido no índice negativo por Alckmin, 53,4%; Bolsonaro, 51%; Meirelles, 49%; Haddad, 47,1%; Ciro, 38,1%; Amoêdo, 34,5%; e Álvaro Dias, 32,2%.
Na comparação entre as duas pesquisa presidenciais divulgadas hoje, a CNT/MDA é mais antiga do que a BTG/FSB. A primeira foi feita entre os dias 12 e 15, enquanto a segunda, do dia 15 ao 16.
Divulgada sempre às segundas-feiras, a pesquisa da XP investimentos, realizada pelo instituto FSB Pesquisas, foi a que deu na semana passada o mais alto índice de intenções de voto ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL): 30%. Na vova consulta divulgada hoje, o ex-capitão do Exército manteve a liderança isolada, pulando a 33%. O maior crescimento, no entanto, foi de Fernando Haddad (PT), que dobrou as intenções de voto: de 8% a 16%. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, o petista está empatado em segundo lugar com Ciro Gomes (PDT), que foi de 12% para 14%.
Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) confirmaram suas tendências de queda e se distanciam da briga pelo segundo turno. O tucano foi de 8% a 6%, enquanto a ambientalista caiu de 8% para 5%. Eles estão empatados tecnincamente com João Amoêdo (Novo), 4%; Álvaro Dias (Podemos), 2%; e Henrique Meirelles (MDB), 2%.
A pesquisa FSB/BTG também confirmou a tendência que já tinha sido revelada na semana passada por Ibope (aqui) e Datafolha (aqui): líder isolado no primeiro turno, Bolsonaro vai se consolidando como candidato competitivo também no segundo turno. Ele venceu com larga margem as simulações contra Haddad (46% a 38%), Alckmin (46% a 36%) e Marina (48% a 33%). O único adversário que ainda causaria problemas no turno final contra o capitão seria Ciro. Eles ficariam no empate numérico: 42% a 42%.
A última semana foi de mudanças nas pesquisas presidenciais. Começou e terminou com consultas Datafolha. Entre as duas, Ibope e Paraná confirmaram tendências. Como um desfile de moda, é o que se pode tirar de prático das pesquisas.
Após a facada que recebeu no dia 6, a tendência de Jair Bolsonaro (PSL) foi de crescimento nas intenções de voto. Dentro da margem de erro, ele teve 24% na Datafolha de segunda; 26% no Ibope de terça; 26,6% na Paraná de quarta; e 26% na Datafolha de sexta.
Se sempre foi competitivo no primeiro turno, o dado mais relevante sobre Bolsonaro é a competitividade que ele passou a ter também no segundo. Na primeira Datafolha da semana ele começou perdendo por muito em três das quatro simulações de turno final.
Na Ibope do dia seguinte, o capitão chegou à margem de erro nas disputas de segundo turno. A Paraná não fez essas simulações, mas a última Datafolha confirmaria o Ibope: a eleição de Bolsonaro é possível. Ainda assim sua rejeição permanece sempre acima dos 40%, enquanto o limite recomendável é de 35%.
Em relação à semana anterior, Ciro Gomes (PDT) começou a última em tendência de crescimento. Mas pareceu estagnar ao final. Nas duas Datafolha, o cearense começou e terminou com 13% de intenções de voto. No Ibope teve 11%, com 11,9% na Paraná.
Ciro herdou naturalmente parte dos votos de Lula, após este ter sido barrado pelo TSE na madrugada de 1º de setembro. São eleitores que decidiram não esperar mais 10 dias para o ex-presidente ungir, da cadeia em Curitiba, Fernando Haddad como candidato do PT.
Ainda assim, a sangria dos votos de Lula foi contida. E produziu a terceira e mais clara tendência registrada nas pesquisas da semana. Nelas, Haddad foi o único a ter crescimento real, fora da margem de erro.
Vindo de 4% nas intenções de voto, o petista pulou a 9% na Datafolha de segunda. E registou 8% no Ibope, divulgado na terça em que foi ungido candidato. Na quarta, ficou com 8,3% na Paraná, para aparecer com os mesmos 13% de Ciro, na Datafolha de sexta.
Haddad é o menos conhecido entre os candidatos ainda competitivos. Como o Datafolha também registrou, apenas 65% do eleitorado sabem quem ele é. Bolsonaro é conhecido por 86%, enquanto Ciro, por 85%. Faça as contas.
Esse campo aberto, unido à popularidade de Lula e à competência da propaganda do PT, indica que Haddad deve continuar a crescer nesta próxima semana. As dúvidas começam a ser tiradas amanhã (17), com a pesquisa do BTG Pactual, feita pelo instituto FSB. As certezas das tendências esperam as próximas Ibope, na terça (18), e Datafolha, na quinta (20).
Como Dilma externou em 2014, mais que nunca os petistas parecem dispostos a “fazer o diabo” para voltarem ao poder. Foi o que demonstraram na quinta, com a pesquisa fake do Vox Populi contratada pela CUT, que colocou Haddad à frente até de Bolsonaro. Pela desonestidade, revoltou mesmo quem não gosta, nem vota de maneira nenhuma no capitão.
Competitivos até a última semana, Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) ficaram para trás na reta final. Ainda estão em empate técnico com Ciro e Haddad. Mas parecem incapazes de acompanhar quem ganhar a briga pela segunda posição.
Marina estava há dois anos atrás apenas de Lula e Bolsonaro nas pesquisas. Na série Datafolha, entrou a semana com promissores 16%. Mas caiu na segunda para 11% e fechou a sexta com apenas 8%. Na hora H, perdeu metade dos seus votos para Ciro e Haddad.
Alckmin foi o único dos cinco primeiros candidatos que estagnou. Ele foi obrigado a interromper a propaganda agressiva contra Bolsonaro, por conta da facada. Também na série Datafolha, o “Picolé de Chuchu” entrou a semana com 9%, passou a 10% na segunda e voltou aos 9% na sexta.
Ao admitir os erros do PSDB desde a eleição de 2014, passando pelo apoio ao governo Temer, Tasso Jereissati jogou a toalha do partido. Foi autocrítica que Haddad não fez na “inquisição” do Jornal Nacional de sexta, quando relativizou os escândalos de corrupção do PT. Como Rosinha no mesmo dia, ao culpar o povo e a Justiça pelos erros sucessivos de Garotinho.
Resta saber até quando Alckmin terá merenda para saciar a fome dos partidos do Centrão. A banca de apostas já foi aberta para saber quando debandarão entre Bolsonaro e quem vencer a disputa fraticida de Ciro e Haddad.
Pelas últimas pesquisas, o petista abre como favorito esta semana. A apenas três da urna, Ciro não tem saída a não ser deixar Bolsonaro por ora de lado, para mirar o “Poste de Lula”. Nesta peleja entre Caim e Abel, uma pedra no meio do caminho não é uma rima, mas pode ser a única solução.
Um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad é a tendência. Que deixará o Brasil à beira da conflagração.
A transposição do rio Paraíba do Sul ao rio Guandu, para abastecer o zona metroplolitana do Rio de Janeiro, pode comprometer toda a água até 2030. O alerta foi feito pelo candidato a governador Marcelo Trindade (Novo). Ele citou a busca de outras fontes de água e a limitação da sua captação no Paraíba como soluções para preservar o rio que formou e corta Campos. Trindade também falou do potencial logístico do Porto do Açu e do que considera a captura das universidades estaduais, incluindo a Uenf, “por uma esquerda fundamentalista que não se pauta pelo interesse público”. Em parceria com a iniciativa privada, reduzindo a atuação do Estado às áreas de saúde, educação e segurança, ele aposta em transformar o Norte Fluminense, com sua riqueza em petróleo, num “Texas do Brasil”.
Folha da Manhã – Presidenciável do seu partido, João Amoêdo fala em privatizar até o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Sem tantos ativos à disposição, o senhor promete privatizar a Cedae e a gestão das rodovias estaduais. Restringir a administração pública a saúde, educação e segurança, é a solução?
Marcelo Trindade – É só olhar para nossos hospitais, nossas escolas e prisões para encontrar a resposta. O Estado inchado transfere para poucos privilegiados o dinheiro da população que mais precisa. Dinheiro público bem aplicado é quando garante às famílias bons serviços de saúde, educação e segurança. O Estado é incompetente como ator econômico, não deve tirar o espaço da iniciativa privada, geradora de emprego e renda, nem criar cabides de emprego que o povo não suporta mais pagar. São privilégios estarrecedores de um Estado que não dá a menor importância à gestão, nem tem qualquer zelo pelo dinheiro da população. Ninguém aguenta mais isso. Deus nos livre de seguir neste caminho.
Folha – Na última pesquisa Datafolha divulgada em 22 de agosto, o senhor teve 2% de intenções de voto. Ao analisar o resultado, disse que miraria no eleitor indeciso. Mas na consulta seguinte do mesmo instituto, divulgada em 6 de setembro, caiu para apenas 1%. Nessa campanha de tiro curto, sem participar dos debates, ainda dá para decolar? Como?
Trindade – Na pesquisa mais recente do Ibope aparecemos com 2% e empatados tecnicamente com quase todos os mais conhecidos. Não há atalhos para chegar lá. É preciso falar a verdade e apostar na vontade de mudança. Os políticos criaram regras eleitorais draconianas para impedir a renovação. Foi um escárnio limitar a 4 segundos a participação de partidos como o Novo no programa eleitoral. Mesmo assim, nossa mensagem se espalha com força pelas redes sociais porque vai ao encontro do anseio da população, que não aguenta mais ver o dinheiro público escoando pelo ralo, gasto com uma minoria privilegiada. Vamos chegar lá e dar ao eleitor fluminense a chance de um segundo turno qualificado, com propostas sérias da nossa parte, não demagógicas, para tirar o Rio de Janeiro do buraco no qual o PMDB nos jogou.
Folha – Líder isolado nas pesquisas, Eduardo Paes foi seu aluno de Direito na PUC. Como foi a experiência? E que conceito tem dele como prefeito do Rio e candidato a governador?
Trindade – Ele já era prefeitinho da Barra da Tijuca, então não aparecia muito na aula. Mas sempre gostei quando um aluno foi para a política, me dava esperança de mudança. Infelizmente, não foi o caso. Ele se tornou um político tradicional. Como prefeito do Rio, teve uma quantidade de dinheiro que nunca outro prefeito teve, em função da Olimpíada e do repasse de verbas pelos governos do PT. Como candidato a governador agora, negociou e reuniu as mesmas forças que governam o Rio desde 2006 e nos jogaram na maior crise da história, com o maior índice de desemprego do país e pouca esperança no futuro.
Folha – Entre 2004 e 2007, o senhor foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, por indicação do então ministro da Fazenda Antônio Palocci. Como foi sua relação com ele e como vê sua prisão? É o tipo de ligação para quem se anuncia como outsider da política?
Trindade – Antes disso, entre 2000 e 2002, fui diretor da CVM indicado pelo ministro Malan, e foi a reputação que adquiri naquela passagem que me qualificou para a presidência, para a qual fui convidado por Marcos Lisboa e Bernard Appy, duas pessoas que eu não conhecia e por quem passei a nutrir uma grande admiração. A CVM sempre foi um órgão técnico, sem nomeações políticas. É um exemplo para o Brasil. Quanto ao Ministro Palocci, posso apenas dizer que sua relação com a CVM foi de respeito à independência e ao orçamento da autarquia e sem nenhum incidente que indicasse o que agora ele revela em relação a outros aspectos de sua passagem pelos governos Lula e Dilma.
Folha – Se eleito, o senhor terá que lidar com uma Assembleia Legislativa que deve continuar representando o que há de mais fisiológico na política. Como ter governabilidade sem ceder ao “toma lá, da cá”, que não começou com Jorge Picciani (MDB), mas dificilmente acabará depois dele?
Trindade – Se o Novo derrotar a velha política e eleger o governador, o recado do povo aos políticos será muito forte. E político não é bobo, sabe ler as urnas. Terão de mudar as práticas, dar satisfação ao eleitor. Eu divido a futura Alerj em três turmas. A primeira é de deputados sérios eleitos por essa demanda por ética. Na outra ponta estará o grupo que não tem jeito, que põe o interesse privado acima do público, incluindo os bandidos. Entre os dois extremos, estão aqueles que vão para onde o vento soprar. Ele soprará em uma direção diferente. É claro que aceitaremos indicações para cargos no governo, até porque nenhum partido tem todos os quadros necessários, mas isso não se confunde com aceitar gente desqualificada ou indicações não técnicas. Nomearemos apenas pessoas capacitadas, de preferência servidores públicos com capacidade de gestão.
Folha – Até o domingo (09), sua campanha havia recebido R$ 975.360,00, conforme constava no DivulgaCand. Do total, 68% (R$ 665 mil) são de recursos próprios. Com esse modelo de financiamento, alguns candidatos não saem prejudicados? Não é uma forma do poder econômico interferir no pleito?
Trindade – Se você olhar as outras campanhas, todas arrecadaram muito mais, mas tudo ou quase tudo de dinheiro público (fundos partidário e eleitoral). O Novo é contra esse modelo, que leva à troca da filiação de deputados para assegurar tempo de TV por promessa de dinheiro para a eleição. Eu venho do mercado de capitais, e na nossa cultura quem pede dinheiro para investidores coloca o próprio dinheiro junto, para alinhar os interesses e mostrar compromisso. Mas eu, pessoalmente, sou a favor de, além de acabar com o dinheiro público nas eleições, limitar as doações a R$ 50 mil, ou algo assim. Com isso diminuiríamos ainda mais os custos das campanhas, acabaríamos com a baganha e equilibraríamos o jogo entre os candidatos, que pediriam votos e exporiam seus programas pessoalmente ou pelas redes sociais, sem horário eleitoral, que de gratuito não tem nada.
Folha – O Novo não aceita dinheiro público em suas campanhas. Isso afasta nomes de perfil próximo ao partido e com bom potencial eleitoral, mas que não querem arriscar uma candidatura gastando do próprio bolso. Foi o caso do ex-campeão de natação Luiz Lima. Ele conversou com vocês, mas decidiu concorrer a deputado federal pelo PSL do presidenciável Jair Bolsonaro. Questão de princípio ou purismo?
Trindade – Acho que a resposta anterior dá conta desta pergunta. Podemos perder bons nomes por conta de nossos princípios e valores, mas para nós do Novo não se deve abrir mão daqueles princípios por razões eleitorais. Isso não é purismo, mas coerência e visão de longo prazo, ao meu ver.
Folha – Nas 56 páginas do seu plano de governo, as propostas são muito mais focadas na capital e região metropolitana do Rio. Apesar de se anunciar como candidato da “nova política”, não é um erro de antigos candidatos ao governo fluminense, que muitas vezes se portam como um segundo prefeito da capital?
Trindade – A leitura não me parece correta. Nosso plano é o único que começa falando a verdade e tocando no ponto mais crucial para o nosso futuro: o corte de gastos. Diz respeito ao estado inteiro, especialmente às regiões que mais precisam de investimento, como o Norte Fluminense, pois sem o ajuste fiscal ele não vai acontecer. Ao dar estabilidade ao comando das polícias e investir em inteligência e tecnologia, evitaremos a migração de bandidos para o interior. É no estado todo que pensamos ao propor tolerância zero com a corrupção, um governo 100% técnico, choque de eficiência com premiação para servidores que cumprirem metas, concessões de rodovias para desenvolver o interior como em São Paulo, inversão do ônus da prova para que o cidadão não tenha de provar que é inocente a todo momento, trabalho para presos nas penitenciárias, segurança e modernização das escolas, criação de 85 mil vagas e adaptação do currículo a cada região, regionalização do sistema de saúde com muita tecnologia e saúde da família, diversificação e inovação da economia de acordo com a vocação de cada região. Veja o que diz nosso plano para a Cultura: “A concentração de teatros, cinemas e outros equipamentos culturais na capital determina uma menor exploração do potencial cultural no interior do Estado, com reflexos não apenas para a cultura em si como para a atividade econômica dela derivada.” No turismo, explicitamos a preocupação em levar para outras partes do estado o turista que visita a capital. No capítulo sobre desenvolvimento econômico, destacamos a importância da “indústria e inovação tecnológica na geração de energia e no setor de óleo e gás na região de Macaé e Campos de Goytacazes”. O leitor pode conferir tudo isso em nosso plano na página www.trindade30.com.br.
Folha – Sob intervenção militar do governo federal, a segurança é hoje um dos principais problemas do Estado. Qual sua opinião sobre a intervenção? O senhor já projetou que, “no longo prazo, precisa aumentar investimento em educação e diminuir em segurança, senão a gente vai enxugar gelo a vida inteira”. Como fazer a segurança fluminense parar de fazer água?
Trindade – Priorizando investimentos em tecnologia e inteligência para prender mais bandidos e mantê-los em uma prisão diferente da atual, que virou escola de crime. É possível fazer parcerias com a iniciativa privada e colocar o preso para trabalhar e estudar. Ele sairá mais capaz de voltar ao convívio social saudável. Visitei os generais que comandam a intervenção e a Secretaria de Segurança e conheci os avanços em termos de equipamento e gestão. É um legado importante para prender mais bandidos e mantê-los na cadeia, impedindo a migração de criminosos que levam medo e violência para todo o Estado.
Folha – Além da violência, o Estado do Rio vive também um quadro de insolvência financeira. O senhor já disse que “rasgando o plano de recuperação fiscal, a gente quebra”. Firmado entre os governos Michel Temer e Luiz Fernando Pezão, ambos do MDB, ele é a solução?
Trindade – O plano só precisou existir porque o PMDB quebrou o Estado, nos jogou nesse buraco. Não havia outra solução. O acordo tinha que ser firmado por quem estivesse no poder. Infelizmente, para a nossa desgraça, era e continua sendo o PMDB.
Folha – A face mais cruel da falência financeira do Estado se dá sobre os servidores ativos e inativos. O senhor já disse que o atraso no pagamento dos servidores “é uma vergonha”. Mas também declarou que, se eleito, irá eliminar os “privilégios” de parte do funcionalismo. De quais privilégios está falando? Qual seu compromisso em manter a folha em dia?
Trindade – É para manter a folha em dia que precisamos interromper já os privilégios de setores que parecem viver em outro planeta e pressionam o Estado para se apropriar dos recursos públicos que deveriam ser destinados a quem precisa de Educação, Saúde e Segurança. A Alerj aprovou um ilusório reajuste para Justiça, Defensoria e Ministério Público. Ilusório, pois o estado não tem como pagar, e ele violaria o plano de recuperação fiscal. Se a gente não tomar juízo, vai faltar dinheiro outra vez para todos os servidores.
Folha – Outra face do caos financeiro do Estado se dá no abandono da Uenf. A principal instituição de ensino superior do Norte Fluminense é citada apenas uma vez no seu plano de governo. Tem planos mais detalhados para ela?
Trindade – A Uenf tem um papel estratégico no desenvolvimento do Estado. Assim como a Uerj e a Uezo, deve apoiar e ser apoiada pelos setores produtivos. As universidades precisam melhorar a gestão para que os recursos nelas investidos produzam conhecimento e resultados para a sociedade. Não podem ser capturadas por uma esquerda fundamentalista que não se pauta pelo interesse público, mas por um corporativismo que afasta a universidade da sociedade produtiva. Atrair a iniciativa privada pode garantir recursos para reequilibrar as contas das universidades e o desenvolvimento de parte da pesquisa científica. Não vejo, por exemplo, motivo para não pedir uma mensalidade a alunos que podem pagar, mesmo que sejam valores menores que os das faculdades privadas. É um ato de cidadania e justiça social para evitar que os mais pobres subsidiem, com seus impostos, o estudo de pessoas que podem pagar. Isso abre espaço para ampliar a oferta de vagas para os jovens sem recursos.
Folha – Candidato de um partido que tem o liberalismo econômico como bandeira, quais são seus planos para Porto do Açu na questão do desenvolvimento específico do Norte Fluminense?
Trindade – O Açu muda o patamar da logística do Estado, que já tem considerável vantagem competitiva. Está no Plano de Governo que este potencial logístico vai impulsionar o desenvolvimento do Rio de Janeiro, fazendo da logística e do transporte de carga não apenas atividades-meio, mas protagonistas. A ampliação da rede atual de transporte terrestre com SP, MG, ES e o Centro-Oeste – grandes centros produtores – permitirá a distribuição de produtos e cargas para os grandes mercados nacionais e estrangeiros. O grande ator que pode explorar esta atividade é a iniciativa privada, mas o Estado não pode ser omisso em sua responsabilidade de fiscalizar o cumprimento de regras e evitar efeitos sociais negativos. Isso acontece quando há ocupação desordenada e políticas públicas anêmicas. Para evitar o crescimento da violência e a migração de bandidos, é preciso ter policiamento. Para que as empresas não descartem os trabalhadores locais, especialmente os jovens, é preciso ter educação pública de qualidade e adaptada para a realidade local. Para estimular o surgimento de uma cadeia produtiva de pequenas, médias e grandes empresas, o Estado pode articular, incentivar e, principalmente, não atrapalhar.
Folha – Com sua foz em Atafona assoreada, o rio Paraíba do Sul sofre há bastante tempo em período de estiagem. Há registro de língua salina já no distrito de Barcelos. Há vida para Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana sem o rio que os formou? Como recuperá-lo?
Trindade – A demanda de água do rio Guandu para abastecimento humano, uso industrial, mineral e agropecuário já compromete mais de 70% da disponibilidade e poderá comprometer quase toda a água disponível no cenário de maior consumo em 2030. É importante impor limites aos usos atuais e futuros da água nos trechos fluminense e paulista da bacia. A transposição de mais de 100 metros cúbicos por segundo para o Guandu em Barra do Piraí diminui a água que segue até Campos, e por isso a intrusão da língua salina na foz vem piorando, principalmente na seca. Tanto desvio é injusto com a região de Campos. Vou negociar com ANA e ONS e garantir a proteção ambiental nas margens do rio para recuperar qualidade e fluxo da água. Também precisamos de mais energia de outras fontes para evitar tantas alterações nos fluxos dos rios. O governador pode negociar a limitação dessa captação, atuando com os municípios, e ter atenção com o meio ambiente.
Folha – O que Campos, Norte e Noroeste Fluminense devem esperar de Marcelo Trindade governador?
Trindade – Um gestor empoderado pela confiança renovadora da população e consciente do desafio. Vou facilitar a vida dos empreendedores porque só eles podem gerar os empregos que a região tanto precisa. Vou lançar concessões para melhorar a infraestrutura de transporte. Essa região tem tudo para ser o Texas do Brasil. É preciso melhorar o Ensino Médio para empregar a mão de obra local e construir um dos mais fortes pólos econômicos do mundo. Isso é possível. Deus foi generoso com o Estado, nos deu o lugar mais bonito do planeta e ainda nos premiou com o petróleo. É inacreditável que a corrupção e a incompetência dos políticos tenham deixado chegar a essa situação. Não vamos nos conformar com a miséria e falta de estrutura nas cidades da região. A gente precisa se revoltar contra isso. É o que vocês podem esperar: um governador revoltado contra tudo o que deixou de ser feito e animado para fazer o que o Rio de Janeiro precisa. É assim que tem que ser um governador do Novo.
Perguntassem qualquer coisa e ela se aprofundava. Queria saber todos os detalhes. Como uma vez em que lhe perguntaram onde ficava a agência dos Correios:
— É coisa muito importante?
— Material de trabalho que chegou para mim.
— E com que você trabalha?
— Com conserto de computadores.
— Isso dá muito dinheiro?
— Não muito. Mas onde ficam os Correios?
— Não sei.
Ivete levava uma vida pautada por uma forte curiosidade e desprendida de qualquer capacidade de prestar uma informação que fosse. Na escola já demonstrava esses sinais. Mergulhava entre enciclopédias, perguntava os nomes dos países no globo, e entregava suas provas em branco, deixando todos os professores sem entender o que se passava.
Seu jeito de encarar a vida a levou ao redundante fracasso profissional. Ela aprendia com facilidade qualquer profissão, mas sempre se recusava a colocar em prática esses conhecimentos. Adorava desmontar as peças de qualquer máquina, mas se recusava a consertá-las. Aprendia todos os procedimentos administrativos da empresa, sem nunca reproduzi-los.
Pouco a pouco, foi caindo em um esmorecimento existencial. Ficava em casa deitada, enfurnada entre inúmeros questionamentos que não chegavam a conclusão alguma. A parte isso, mostrava-se sempre feliz apesar de ter caído em um enleio do qual não mais se desvencilhava.
Para a grande maioria, Ivete era louca. Toda conversa com ela se desencadeava em um enorme interrogatório sem fim. Como ele jamais chegava a conclusão alguma, seu interlocutor precisava sempre colocar um fim abrupto no diálogo, dar as as costas e ir embora ou algo do gênero.
Quando caiu uma enorme tempestade em sua cidade, Ivete parou à janela observando o vento derrubar árvores e destelhar casas e pesadas pedras de granizo caírem feito meteoros na terra. Ela, como todos os demais moradores, acreditou estar diante do fim do mundo.
Foram três dias de agonia. Todos acharam que não restaria pedra sobre pedra.
Ao amainar da tempestade, os moradores começaram a sair de casa e observar todo o estrago deixado pela intempérie. Mesmo com a destruição espalhada, todos comemoraram pelas próprias vidas.
Ivete então sentou em um canto e chorou. Ninguém compreendeu o que se passava com ela. Suas lágrimas desciam sem nenhuma explicação plausível. Ninguém conseguiria entrar na sua mente e compreender que diante do risco da própria morte, não havia pergunta que não urgisse em receber resposta. E constatar o sentido da própria vida e da própria finitude, respondendo para si mesma a pergunta “será que vou morrer?” a colocou diante de uma resposta que ela preferiria eternamente não saber.
Esta coluna antecipou nas suas duas últimas edições. Artificialmente, a pesquisa Vox Populi divulgada ontem colocaria Fernando Haddad (PT) à frente de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB). Em empate técnico na margem de erro, os três superam o petista nas consultas Datafolha, Ibope e Paraná feitas nesta semana. Só que o Vox Populi foi além. Mais uma vez contratada pela CUT, braço sindical do PT, o instituto colocou Haddad à frente até de Jair Bolsonaro (PSL), líder com mais de 10 pontos de vantagem em todas as pesquisas. Mesmo a quem não vota ou gosta no ex-capitão do Exército, foi ridículo.
Eleitor não é gado
Que Haddad tem bom potencial de crescimento, por ser desconhecido e ter o apoio do popular ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é um fato. Mas induzir que isso signifique a unção imediata pelo povo, é tomar o eleitor por gado. Só prova que o PT não aprendeu nada após conduzir o país à pior recessão econômica da sua história, ter uma presidente deposta por impeachment e ver seu maior líder condenado por corrupção e preso. Conselheiro da candidatura Haddad, Marcos Coimbra é diretor do Vox Populi. Aos campistas, seu instituto lembrou ontem o “Precisão” dos tempos de Garotinho.
Sem festa
Uma data para não comemorar. Ontem, 13 de setembro, completou um ano que o ex-governador Anthony Garotinho (PRP) foi condenado em primeira instância na Chequinho. A sentença de 9 anos, 11 meses e 10 dias de prisão por 17.515 crimes de corrupção eleitoral, além de associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo, não foi o pior daquele dia. No 13 de setembro de 2017, ele acabou preso pela segunda vez em função desta operação.
A primeira vez
A primeira prisão por causa da Chequinho foi em 16 de novembro de 2016. Após protagonizar o episódio da ambulância, Garotinho seguiu para hospital particular, passou por cirurgia, até obter decisão favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que substituiu a prisão por medidas cautelares. Até a sentença, foram cenas dantescas, retiradas de advogados, tentativas de recursos. Na segunda prisão, a liberdade, em 27 de setembro, também veio através do TSE.
Três em um
A terceira prisão ocorreu em 22 de novembro do ano passado, mas já no decorrer das investigações da operação Caixa d’água, quando o Estado do Rio de Janeiro teve em um mesmo presídio três ex-governadores. Além de Garotinho, também foi presa na operação, a esposa Rosinha (Patri). Em Benfica também estava o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) — este, atualmente, já condenado a mais de 170 anos. Também veio de Brasília, através do então presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, a liberdade.
Oásis libertador
Com certeza, estes são alguns dos motivos que levam o ex-governador a apostar na capital federal como um oásis libertador. A aposta é alta. Certo que, em abril, obteve um respiro nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski, que impediu que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgasse a Chequinho em segunda instância. Talvez Garotinho tivesse esquecido tantos outros processos, que vagavam, entre recursos, nos corredores da Justiça. Agora, em plena campanha, deu um tempo na agenda e foi visto em Brasília. O que será que foi fazer lá?
Sem respostas
Seis meses depois, as execuções da vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes continuam sem respostas. A Anista Internacional vem realizando atividades e manifestações questionando as autoridades brasileiras. Em um momento de debate tão acirrado no país, inclusive com atentado a um presidenciável, é mais do que necessária a elucidação. São crimes que, como muitos outros, não podem ficar sem respostas.