Paula Vigneron — Quando duas mulheres pecam

 

 

O próximo sábado, 14 de julho, marca o centenário do cineasta sueco Ingmar Bergman. Morto em 2007, no mesmo dia do também cineasta Michelangelo Antonioni, Bergman foi enterrado na Ilha de Farö, onde passou seus últimos anos recluso. Entre suas obras mais conhecidas, estão “O sétimo selo”, “Morangos silvestres”, “Fanny e Alexander” e “Persona”, esta protagonizada por Liv Ullmann, uma das muitas esposas do diretor, e Bibi Andersson, também ex-mulher do sueco e parceira em 13 de seus filmes.

Em uma ilha, duas mulheres, antes desconhecidas, convivem e revivem histórias e segredos. Vindas de um hospital, as estranhas abrem-se uma a outra. Cada qual a seu modo. Uma permanece em silêncio. A outra conduz o relacionamento unilateral com palavras nunca ditas antes. As personagens se conheceram durante a internação da atriz Elizabeth Vogler, interpretada por Liv, que, durante três meses, ficou em absoluto silêncio.

Após problemas na apresentação do espetáculo “Electra”, quando perdeu a voz no palco, Elizabeth isola-se do mundo em sua quietude. Internada, mas sem danos mentais ou físicos, ela recebe o conselho de uma psiquiatra, que compreende o seu novo modo de vida e os motivos que a levaram a segui-lo, e se muda, com a enfermeira Alma, personagem de Bibi, para a casa de praia de médica, em uma ilha.

Em português, “Persona” foi batizado como “Quando duas mulheres pecam”. Nas primeiras cenas do filme, Alma, em uma tentativa de se aproximar de Elizabeth, discorre sobre sua vida, ideal à primeira vista: enfermeira formada há poucos anos, casada e apaixonada pelo marido. O convívio íntimo, já na ilha, no entanto, faz com que a perfeição de sua história seja desconstruída por meio de relatos mantidos, até o momento, em segredo. O pecado do título, então, refere-se às verdades contadas pela mulher, que afirma que o amor acontece somente uma vez e, por isso, ela deve ser fiel ao marido e ao suposto sentimento nutrido por ele.

Com o passar dos dias, a relação se torna mais forte. Alma começa a se comunicar, à sua maneira, com Elizabeth, que responde com pequenas reações faciais e corporais. À medida que dividem as horas do dia, entre cigarros, bebidas e revelações, as identidades das mulheres parecem se fundir diante do espectador. Em uma sequência, à noite, Alma tenta dormir quando Elizabeth invade o seu quarto. Nela, com movimentos uniformes, roupas e expressões semelhantes, elas têm uma atípica troca, simbolizando a fusão entre ambas. As transferências das personagens – propositalmente confusas – são mais visíveis em cenas finais, principalmente durante a aparição do senhor Vogler (Gunnar Björnstrand). “É tudo mentira e imitação”, vocifera a então perturbada enfermeira.

O ato de revelar o interior leva Alma a um estado de angústia que a diferencia da Alma do início da história, cuja aparência transparecia leveza. As mudanças de comportamento ficam mais intensas após a enfermeira ler, à revelia de Elizabeth, uma carta da atriz enviada à psiquiatra. Ela lhe conta os segredos revelados pela companheira e afirma que é ótimo poder analisá-la. A quietude da artista torna-se insuportável para a parceira. Somente quando ameaçada, Vogler diz uma das únicas frases proferidas por Liv Ullmann em “Persona”: “não faça isso”. Um susto. Um pedido desesperado. Um chamado à realidade.

Certas passagens do filme mostram que Elizabeth e Alma se tornam o inferno da outra; o enfrentamento com os piores medos, verdades e fatos sobre suas respectivas vidas; a impossibilidade de negação, que era possível até o encontro das personagens. A transição violenta entre fatos e imaginação.

Proposital, a opção por apenas observar a realidade e as pessoas que dela fazem parte provém da dificuldade de se encaixar no mundo em que vive. Em contato com a psiquiatra, Elizabeth ouve da mulher as verdades que geraram seu novo modo vida: o conflito entre se mostrar e se esconder; entre ser e parecer. Em resposta, por escrito, a concordância: “Eu viveria assim para sempre. Em silêncio, vivendo uma vida reclusa, com poucas necessidades, sentindo minha alma finalmente se acalmar”.

Em seu primeiro filme com Bergman, ao lado da já consagrada Bibi Andersson (com mais uma atuação magistral), Liv Ullmann traduz, em seus olhos e expressões, toda a carga de emoção da personagem – uma das características do cinema produzido pelo homem, sempre relacionado aos mais complexos e profundos sentimentos. Em um monólogo, Liv, norueguesa de então 25 anos, escuta os segredos de Alma. Apenas escuta. Silencia em todos os momentos, fazendo com que a mulher tenha a oportunidade de, sozinha, conhecer a si mesma em um quase exercício socrático. O método é aplicado, também, à atriz, quando ela se depara com seus demônios interiores, e ao público, que é levado a viver e compreender os conflitos de ambas a partir de sua própria realidade.

 

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“Brasileiros da Europa” batem Inglaterra e fazem a final com a França

 

Goleiro inglês Pickford não alcança a cabeçada de Perisic, que empatou a partida no tempo normal, antes da virada na prorrogação (Foto: Frank Augstein – AP)

 

O Brasil foi eliminado (aqui) nas quartas de final pela Bélgica. Mas os “Brasileiros da Europa” estão na final contra a França. Com reverência, é assim que se chamavam os jogadores de futebol da antiga Iugoslávia, clássica escola do esporte mais popular do mundo. Sua maior herdeira, a Croácia do maestro Modric se classificou hoje na virada de 2 a 1 sobre a Inglaterra, consumada na prorrogação. É a primeira final de Copa do Mundo do pequeno país, de apenas 4,1 milhões de habitantes. Em 1998, em seu primeiro Mundial como nação independente, a Croácia já havia chegado à semifinal, quando foi eliminada pela França de Zinédine Zidane.

No primeiro tempo, os ingleses foram melhores. Com base na aplicação tática, movimentação, força física e rapidez, sua jovem seleção chegou ao gol com justiça. Logo aos 4’ de jogo, o placar foi aberto numa bela cobrança de falta do ala direita Trippier. Apesar do domínio das ações, fechada na defesa e explorando os contra-ataques, a Inglaterra, no entanto, não deu muito trabalho ao goleiro Subacic.

Na segunda etapa, a Croácia voltou com novo ânimo. Na categoria dos seus cerebrais meias Modric e Rakitic — jogadores, respectivamente, do Real Madrid e Barcelona —, eles conseguiram ditar e cadenciar o ritmo da partida, contendo o vigor físico inglês. O jovem goleiro Pickford teve bastante trabalho, com pelo menos quatro defesas importantes. Mas ele nada pôde fazer no gol marcado por Perisic, destaque da partida. Dentro da área, o croata da Inter de Milão bateu com o pé a bola disputada de cabeça pelo zagueiro Walker, após cruzamento do lateral-direito Vrsaljko, e empatou a partida.

Com o jogo empatado no tempo normal, veio a prorrogação, que começou com a Inglaterra novamente melhor. Até que aos 11’ ocorreu um lance emblemático, que pode ter passado despercebido à maioria. Após perder uma bola boba na direita do ataque, Modric veio correndo atrás do jogador inglês que saiu jogando. O perseguiu até que, de carrinho, mandou a bola para lateral. Além da técnica, disputando sua terceira prorrogação seguida, o craque croata de 32 anos mostrou com suor aquilo que iria definir o jogo: a entrega!

 

Mandzukic comemora seul gol e a vaga da Croácia à final da Copa do Mundo, seguido por Pericic, que lhe deu o passe (Foto: Dan Mullan – Getty Images)

 

Acabou a etapa inicial da prorrogação. No segunda, logo aos 3’, na esquerda do ataque, Perisic se desdobrou para ganhar uma disputa de cabeça na direita. A bola sobrou para o artilheiro Mandzukic, que depois da Copa será parceiro de Cristiano Ronaldo no ataque da Juventus de Turim. Até então apagado no jogo, o croata apareceu na hora certa, cortando pelo meio da pequena área, para ganhar a disputa com o zagueiro Stones e fuzilar Pickford.

As chances inglesas de empatar e levar à disputa de pênaltis ficariam ainda menores. Autor do primeiro gol, Trippier saiu por contusão, aos 9’ do segundo tempo da prorrogação, e deixou seu time jogar até o final com 10 jogadores — o técnico Gareth Southgate já havia feito suas quatro substituições. A Croácia ainda teria uma chance clara de ampliar o placar, num contra-ataque. Mas o atacante Kromaric entrou pela esquerda da área e arriscou o chute, que pegou na rede pelo lado de fora, enquanto Perisic pedia a bola sozinho na direita, diante do gol.

No próximo domingo, a Croácia fará a final da Copa da Rússia contra a favorita França, que há 20 anos a eliminou numa semifinal. Mas, onde quer que vão neste Mundial, Modric, Rakitic, Perisic e Mandzukic já acrescentaram o sufixo “ic” na história do futebol. Tanto quanto Mick Jagger, que estava no estádio torcendo para a Inglaterra, reforçou sua fama de pé frio.

 

 

 

 

 

Para conhecer mais da histórica campanha da Croácia na Copa, confira os links abaixo:

 

Nas supresas de sempre, aposta na Bélgica, Portugal e Croácia

 

Mocric dá a vitória a Croácia e faz pensar: por que não produzimos mais jogadores assim?

 

Modric brilha na vitória de 3 a 0 sobre a Argentina. Messi verga

 

Gol da Croácia em linha de passe lembrou o Alemanha 7×1 Brasil

 

Em jogo para cardíacos, Croácia elimina Dinamarca nos pênaltis

 

Inglaterra e Croácia eliminam as duas últimas retrancas da Copa

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — Lula, a medida de todas as coisas

 

 

Graças ao imbróglio que aconteceu domingo passado no TRF-4, com a tentativa frustrada de libertação do Lula por parte do desembargador Rogério Favreto, a população se familiarizou com mais um termo juridiquês: a palavra ‘teratológica’. Na área da medicina, a teratologia define o estudo de anomalias congênitas. No Direito, se utiliza para adjetivar uma decisão aberrante ou monstruosa.

A decisão de Favreto foi qualificada como teratológica por parte da presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, ao analisar ontem outro Habeas Corpus que requeria a liberação do ex presidente. Nas palavras da ministra: “Causa perplexidade e intolerável insegurança jurídica decisão tomada de inopino, por autoridade manifestamente incompetente, em situação precária de plantão judiciário, forçando a reabertura de discussão encerrada em instâncias superiores, por meio de insustentável premissa.”

Traduzindo: ‘inopino’ é repentino, súbito; a ‘autoridade manifestamente incompetente’ é o desembargador Favreto, não apenas porque se atribuiu para si a capacidade de decidir sobre um Habeas Corpus mal endereçado — quem determinara a prisão do Lula não foi Sergio Moro, mas a 8ª Turma do TRF4, mesmo tribunal do desembargador petista, portanto o HC deveria ser sido impetrado à autoridade superior, ou seja, ao STJ — mas também porque a questão já tinha sido analisada pelo próprio STJ e pelo STF; a ‘insustentável premissa’ foi a patética decisão de apresentar a pré candidatura do Lula como um ‘fato novo’ que possibilitara nova análise do pedido de liberdade. Como todos sabem, a intenção de concorrer à presidência vem sendo manifestada por Lula desde o ano passado – os campistas lembram a entrevista que o Aluysio Abreu Barbosa lhe fez em dezembro, de repercussão nacional.

No entanto, ainda que Lula tivesse decidido apenas semana passada ser pré candidato, isto tampouco poderia servir de escusa para tirá-lo da prisão. Se tal argumento fosse válido, o ex governador Cabral poderia se utilizar dele para sair de Bangu, bastando alegar que vá concorrer ao palácio de Guanabara. Assim como qualquer outro bandido que esteja em prisão antecipada ou preventiva.

Será que os petistas aceitariam que Geddel Vieira Lima fosse liberado para concorrer a deputado federal? Mais uma vez, fica manifesta a dupla vara ética daqueles que sempre demonstraram desconfiança nas decisões da justiça, no Congresso, na Constituição, nas leis, na imprensa, e tudo o mais que para eles esteja ao serviço do capitalismo-liberal-entreguista (vide processo de impeachment) mas que, assim que aparece um desembargador aloprado com uma decisão esdrúxula — mas favorável à sua causa — são os primeiros em vociferar indignados que ‘decisão de juiz tem que ser cumprida’.

Se o desembargador Favreto tivesse arrancado as grades da cela de Lula com uma corrente amarrada a um trator, e puxado com suas próprias mãos o ex-presidente para fora da Polícia Federal de Curitiba, os seus partidários alegariam que tal atitude foi legal. Afinal, para eles, Lula é inocente. Não em termos da Justiça, é claro, mas no ‘julgamento popular’ onde eles são os promotores, os advogados e os julgadores. Lula foi bom para o povo, e isso basta para relativizar o resto de suas ações, e as do universo em geral. Lula é o metro-padrão da moral petista.

O que ameaça a verdade não é a mentira, mas a certeza.

 

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Com gol de cabeça, França bate a Bélgica e faz a final do domingo

 

O zagueiro francês Umtiti sai da áera belga para comemorar seu gol, que colocou a França na final do domingo (Foto: AFP)

 

A Bélgica tinha o melhor ataque da Copa, mas ele hoje não funcionou. Time mais consistente do Mundial, a França venceu por 1 a 0 e fará a final no domingo contra o vencedor, amanhã, entre Inglaterra e Croácia. Após terem dominado o primeiro tempo, como fizeram contra o Brasil, os belgas dessa vez não conseguiram marcar. No segundo, logo aos 5 minutos, o zagueiro Umtiti cabeceou no primeiro pau um escaneteio cobrado da direita pelo atacante Griezmann. Mesmo marcado pelo meia Fellaini, 12 cm mais alto, o francês cabeceou para definir a partida.

Durante a pressão da Bélgica nos primeiros 30 minutos de jogo, a chance mais clara de gol veio com Alderweireld. Ele acertou um chute forte dentro da área, numa bola rebatida pela defesa francesa, após cobrança de escanteio do meia Chadli. Mas o goleiro Lloris fez uma grande defesa. Se Hazard voltou a jogar muito bem, seus companheiros De Bruyne e Lukaku não reeditaram as grandes atuações contra o Brasil.

A pressão belga começou a baixar quando o francês Kanté, melhor volante da Copa, conseguiu roubar sua primeira bola. Já eram 32’ do primeiro tempo. Sete minutos depois, numa triangulação pela direita com o craque Mbappé, o lateral-direito Pavard recebeu belo passe dentro da área belga e também colocou o goleiro Courtois para trabalhar.

Logo no começo do segundo tempo, o zagueiro Umtiti marcou o gol da França. Em desvantagem no placar, a Bélgica teve que partir de vez para cima. E abriu espaços para a velocidade de Mbappé. Aos 10’, ele participou de três lances consecutivos no ataque. Num deles, o jovem craque serviu de calcanhar ao centroavante Giroud, dentro da área, que forçou Courtois a outra defesa.

Apesar dos riscos, o técnico  espanhol da Bélgica, Roberto Martínez, teve que abrir ainda mais seu time. Aos 14’, ele sacou o volante Dembélé para a entrada de Mertens na ponta direita. Cinco minutos depois, ele cruzou para uma cabeçada perigosa de Fellaini, à direita do gol. Por sua altura, o volante já jogava como centroavante, ao lado de Lukaku. Outro volante belga, Witsel aproveitou jogada de Hazard na entrada da área francesa, aos 34’, de onde chutou uma perigosa bola em curva, forçando Lloris a mais uma defesa difícil.

Logo depois, a Bélgica fez outra substituição, colocando o ala ofensivo Carrasco no lugar de Fellaini. Depois, já nos descontos, o atacante Batshuayi substituiu Chadli, mas os Diabos Vermelhos não conseguiram exorcizar o 0 do seu placar. Aos 50’, o último lance de perigo foi criado pela França. O meia Tolisso, que havia susbtuído Matuidi, chutou para boa defesa de Courtois.

Após a vitória sobre o Brasil, quando surpreendeu pelas alterações no sistema de jogo da Bélgica, o técnico Roberto Martínez, disse que nunca havia perdido um jogo no plano tático. Só que hoje, contra a França, ele voltou a inovar e perdeu. No plano individual, Hazard foi o melhor em campo. Mas o eleito pela Fifa foi Umtiti, que marcou o gol. Assim é o futebol. E ele volta amanhã a campo no Inglaterra e Bélgica.

 

 

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Promessa de jogão e final antecipada hoje no França e Bélgica

 

Craques Mbappé e De Bruyne (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Final antecipada da Copa da Rússia? Se é arriscado afirmar, uma coisa é certa: quem vencer a semifinal de hoje, entre os vizinhos França e Bélgica, entrará em campo como favorito para disputar a decisão no domingo (15). A promessa é de jogão. Dentro de campo, algumas novidades: o meia Matuidi, suspenso no jogo contra o Uruguai, deve voltar à seleção francesa. Entre os belgas, sem o lateral-direito Meunier, que levou o segundo amarelo contra o Brasil, o zagueiro Alderweireld pode ser adaptado na posição. As escalações só serão confirmadas antes do jogo. O mais inusitado, todavia, estará no banco.

Assistente de Roberto Martínez, técnico espanhol da Bélgica, o ex-atacante Thierry Henry é um ídolo do futebol francês. Após cobrança de falta de Zinédine Zidane, foi com o gol dele que a seleção francesa eliminou o Brasil nas quartas de final da Copa de 2006. Hoje, Henry é encarregado de treinar o temido ataque belga De Bruyne, Hazard e Lulaku — responsável pela mais recente eliminação brasileira — contra a França que defendeu.

Em 1998, Henry era um jovem reserva, quando a França ganhou a Copa do Mundo dentro de Paris, na final contra o Brasil. Como volante, Didier Deschamps era titular daquela equipe. Após ser muito criticado com técnico, até pela imprensa do seu país, por não conseguir fazer um grande time do grupo de jogadores técnicos, fortes e jovens de que dispõe, o fato é que Deschamps treina a seleção mais consistente entre as quatro semifinalistas na Rússia.

O equilíbrio francês começa pela defesa: só levou quatro gols na Copa, assim como Inglaterra e Croácia, que disputam amanhã a outra semifinal. A liga do time se estende pelo meio de campo, com Kanté — até aqui, o melhor volante da Copa — e o elegante Pogba. Na frente, os destaques são Griezmann e o jovem craque Mbappé. Cada um marcou três gols no Mundial.

A virtude da Bélgica não é segredo: seu poderoso ataque marcou 14 gols em cinco jogos. A última seleção que chegou numa semifinal de Copa com capacidade ofensiva maior foi o Brasil de 2002, de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, na conquista do Penta. Embora De Bruyne, Hazard e Lukaku sejam os mais conhecidos, outros seis jogadores belgas já balançaram as redes da Rússia. Sua defesa, no entanto, já levou oito gols na competição. Apesar de ter se mostrado firme contra o Brasil, sua composição não será a mesma, com a ausência forçada de Meunier.

No varal da tradição, a camisa da França pesa mais: disputará pela sexta fez uma semifinal de Copa, tendo chegado à final em duas (1998 e 2006). A Bélgica só chegou uma vez à semifinal, em 1986, quando sua última grande geração — de Scifo, Pffaf, Gerets e Ceulemans — foi atropelada por dois gols de Maradona. Invicta há 24 jogos, se os belgas perderem hoje, será sua última derrota, desde foi em 1º de setembro de 2016, diante da Espanha. Ironicamente, foi o mesmo dia em que, contra o Equador, Tite estreou no comando da Seleção Brasileira.

 

Página 10 da edição de hoje (10) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Alexandre Buchaul — Straight Flush

 

 

O Brasil assistiu perplexo à notícia da ordem de soltura de Lula pelo desembargador Favreto. Discutiu-se como nunca a legalidade ou não de tal ordem e das ações que a ela tomaram sequência. De pronto, o país inteiro veio a conhecer detalhes da vida do jurista e uma guerra de reputações, alheia a qualquer questão legal, punha os caráteres dos envolvidos em escrutínio.

O ex-presidente pode ser acusado de muita coisa, mas de certo não é burro. Ousaria dizer que é um dos maiores jogares da realpolitik de que já ouvi falar. Astuto, comparado por si mesmo a uma jararaca, o outrora metalúrgico se movimenta como poucos no tabuleiro político e qualquer que fosse o desfecho das ações desenroladas no domingo, 8 de julho, ele teria tão somente vitórias como resultado.

Tivesse se efetivado a libertação, ganharia força a narrativa de prisão política, a militância se inflamaria e, ainda que tivesse a eventual candidatura negada pelo TSE, o quadro eleitoral se alteraria profundamente. Além do que, sem nenhum fato novo, como agora não houvera, ele já se declarava publicamente pré-candidato quando de sua entrevista ao jornalista Aluysio Barbosa na Folha da Manhã, em 06 de dezembro de 2017, seria muito difícil justificar sua recondução a prisão antes de trânsito em julgado.

Não confirmada a libertação, como não foi, a vitória, ainda que parcial, se deu na tomada completa das atenções de norte a sul do Brasil. Não houve quem deixasse de discutir e mesmo assombrar-se diante da possível soltura de Lula. Já não se discute se ele ganharia a eleição; tal questão é dada como fato. Discute-se, sim, se ele poderá ou não concorrer. Ainda que em menor grau os apoiadores ganham um sopro de esperança e a possibilidade de um Lula solto e disputando a eleição, em que pese desconsiderarem a lei da Ficha Limpa, ganha credibilidade.

Neste domingo que passou, Lula foi a Bélgica.

 

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Blog elege seleção, técnico, craque, jogo e gol mais bonitos das quartas

 

Reta final da Copa da Rússia. Agora restam França e Bélgica, que se enfrentam às 15h desta terça (10). No mesmo horário, na quarta (11), será a vez dos outros: Inglaterra e Croácia. Os dois vencedores farão a final ao meio-dia de domingo (15). Antes, o blog não pode deixar de registrar sua seleção entre as oito que se apresentaram nas quartas de final. E também o melhor técnico, o craque, o melhor jogo e o gol mais bonito nos quatro últimos jogos do Mundial. Vamos a eles:

 

Goleiro: Thibaut Courtouis (Bélgica)

 

Lateral-direito: Mário Fernandes (Rússia)

 

Zagueiro: Rafhäel Varane (França)

 

Zagueiro: Harry Maguire (Inglaterra)

 

Lateral esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Luka Modric (Croácia)

 

Meia: Kevin De Bruyne (Bélgica)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Atacante: Kylian Mabappé (França)

 

Atacante: Romelu Lukaku (Bélgica)

 

 

Técnico: espanhol Roberto Martínez (Bélgica)

 

 

Craque: Kevin De Bruyne (Bélgica)

 

 

Melhor jogo: Bélgica 2×1 Brasil (06/07)

 

 

Gol mais bonito: Kevin De Bruyne, segundo do Bélgica 2×1 Brasil

 

 

Confira aqui e aqui, respectivamente, as seleções, os técnicos, os craques, os melhores jogos e os gols mais bonitos da fase de grupos e das oitavas.

 

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Prende/solta de Lula e eliminação do Brasil da Copa em debate

 

Ontem (08), a quinta edição do 4 em Linha estava preparada para debater Copa do Mundo, com a eliminação do Brasil (aqui) por 2 a 1 diante na Bélgica. Aí veio a novela do solta/prende Lula: um desembargador no plantão do TRF-4 deu o habeas corpus ao ex-presidente, que foi questionado pelo juiz federal Sérgio Moro, negado pelo relator do processo que condenou o ex-presidente e reafirmado pelo plantonista. Até ser negado pelo presidente do Tribunal.

Por conta da decisão jurídica após prorrogação e disputa de pênaltis, o advogado Rafael Crespo, professor de Direito do Uniflu, foi convidado para participar do primeiro tempo do programa. No segundo, a Copa do Mundo e a campanha da Seleção Brasileira entraram em campo. Mas talvez sem mexer tanto com a torcida quanto o destino do ex-presidente, preso desde 7 de abril na sede da Polícia Federal de Curitiba pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Confira abaixo:

 

 

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Artigo do domingo — Cretinice ataca pelas pontas

 

 

Na técnica dos seus jogadores, Brasil e Bélgica foram equivalentes na Copa da Rússia. Aos “entendedores” de futebol que brotam à sombra, como fungos, de quatro em quatro anos, qualquer dúvida foi dirimida no campo, onde os belgas venceram com justiça por 2 a 1. Seus craques De Bruyne, Lukaku e Hazard brilharam na última sexta (06). Neymar, Philippe Coutinho e Marcelo, não. E foi isso que definiu o adversário da França nas semifinais, disputadas por quatro seleções nacionais da Europa, pelo direito de jogar como favorito pelo título. O resto é recalque e “complexo de vira-latas” às avessas.

 

Trio de craques da Bélgica: Hazard, De Bruyne e Lukaku

 

Além da técnica, a novidade tática da Bélgica no primeiro tempo, quando dominou o Brasil e marcou seus dois gols, também ajudou a definir a partida. Na matéria da Folha que anunciou (aqui) o jogo, escrita no dia anterior, foram adiantadas três mudanças na seleção belga: 1) abandonaria a lenta linha de três zagueiros, uma das causas do sufoco contra o Japão (aqui) nas oitavas e feita sob medida, nas quartas, para o rápido e leve ataque brasileiro; 2) o alto e forte Fellaini entraria como titular para reforçar a marcação no meio de campo; e 3) o cerebral De Bruyne, que vinha de desempenho apagado na Copa, jogaria mais próximo ao seu ataque, como atua no Manchester City, na condição de astro da Premier League.

Todas as três alterações foram feitas pelo treinador da Bélgica, o espanhol Roberto Martínez. Mas, aparentemente, a comissão técnica brasileira não foi capaz de antecipar as mudanças no adversário que um jornalista de Campos, a 14.442 km da Rússia, não fez grande esforço para enxergar antes. Ou pior: viu e não se importou. Talvez na pretensão de que a Seleção Brasileira se imporia naturalmente, independente da qualidade do adversário, ou para manter o mesmo “compromisso com o grupo” que causou as eliminações das Copas de 2006, 2010 e 2014.

Nas quartas de final de 2018, o time de Tite entrou em campo com três titulares que se mostravam os pontos fracos do time na campanha da Rússia: os meias Paulinho e Willian, além do atacante Gabriel Jesus. Paulinho foi mantido pelo gol que marcou contra a Sérvia. Willian, pela boa atuação no segundo tempo contra o México. E Gabriel de Jesus, por sua suposta aplicação tática, tão decantada — mas não pelos mesmos motivos reais — quanto o bom futebol da geração belga. O resultado? Nenhum dos três jogou nada e foram todos substituídos depois que o Brasil já perdia por 2 a 0.

O jovem e promissor Gabriel Jesus se despediu da Rússia sem marcar um único gol em cinco jogos de Copa do Mundo. É algo inadmissível para um centroavante titular de Seleção Brasileira, desde que Leônidas da Silva (1913/2004) foi o artilheiro do Mundial de 1938. E, da próxima vez que você comer um Diamante Negro, lembre-se dele. O tradicional chocolate foi batizado com o apelido que o craque brasileiro ganhou da imprensa francesa, pelo seu desempenho na última Copa antes da II Guerra Mundial (1939/45).

 

Apelidado de Diamante Negro na França, Leônidas dribla dentro da área da Suécia, no jogo em que marcou dois gols, garantiu a artilharia e o terceiro lugar ao Brasil na Copa de 1938

 

Em clube, Gabriel é reserva do argentino Sergio Agüero, no mesmo Manchester City que tem De Bruyne como maestro. Na Seleção, o brasileiro foi mantido como titular enquanto Roberto Firmino pedia passagem, vindo na ponta dos cascos da mesma Premier League em que atuam também Lukaku, Hazard, Kompany e Courtois. O goleiro foi outro destaque na eliminação brasileira, após a Bélgica jogar todo o segundo tempo com o placar favorável embaixo do braço, cedendo a iniciativa de jogo. E ninguém tomou mais a iniciativa de atacar do que o meia Douglas Costa, que só entrou aos 13’ do segundo tempo. Ainda assim, mais uma vez provou no campo que não poderia ser reserva de Willian, substituído ainda no intervalo por Firmino.

 

Douglas Costa penetra pela área belga, antes de testar o goleiro Courtouis. Apesar de só ter entrado aos 13’ do 2º tempo, ele foi o melhor atacante do Brasil nas quartas de final

 

Ao contrário de Tite, o técnico espanhol da Bélgica teve a humildade de mexer em seus titulares desde o início do jogo. Para dar lugar a Fellaini, ele sacou do time um dos seus jogadores mais importantes: o meia-direita ofensivo Mertens. Mesmo que tenha sido um dos destaques na fase de grupos, atuando bem e marcando um golaço contra o Panamá, ele assistiu do banco a vitória sobre o Brasil. No lugar do “compromisso com o grupo”, prevaleceu o compromisso com o equilíbrio do time para enfrentar uma equipe igual em técnica.

 

Roberto Martínez e Tite se cumprimentam antes do Bélgica e Brasil, vencido por quem teve humildade de mudar seu time titular de acordo com a qualidade do adversário

 

Futebol à parte, para quem trabalhou na cobertura das duas última Copas, inevitável a comparação entre o “patriotismo” da esquerda brasileira em 2014, com aquele encarnado entre as mesmas aspas pela direita tupiniquim em 2018. Até os 2 a 1 da Bélgica, quem acusava de alienação os espectadores do maior evento esportivo da Terra, é o mesmo militante que se travestiu de torcedor para, escancaradamente, tentar usar a Copa anterior como instrumento político em ano de eleição. Até ser humilhado em pleno no Mineirão, aos olhos do mundo, nos 7 a 1 impostos com piedade pela Alemanha.

 

Em 8 de julho de 2014, do Mineirão para o mundo, Schürle comemora seu segundo gol na semifinal contra o Brasil, o sétimo da Alemanha

 

Depois que a camisa amarela foi usada como uniforme por quem foi às ruas em 2015 e 2016, para pedir e conseguir o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a esquerda fez beicinho contra o Brasil em 2018. E, pior, tentou pateticamente alegar que os graves problemas sociais e econômicos do país, só quatro anos depois, passaram a ser maiores que o futebol.

Na cretinice, a esquerda brasileira se equivale à direita, que tratou de “Menino Ney 100% Jesus” um marmanjo mimado de 26 anos na cara, ironicamente eliminado da Copa pelos Diabos Vermelhos. No séc. XVIII, Samuel Johnson advertiu que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. No Brasil, a sentença foi um passe longo à esquerda, em 2014, e à direita, em 2018. Ambas saíram com bola e tudo pela linha de fundo.

O problema é que o país não aguenta mais esse jogo. É um 0 a 0 entre duas retrancas, sem torcida na arquibancada, com 22 pernas de pau desleais no mesmo campo de várzea. E Gilmar Mendes de árbitro.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Hamilton Garcia — A evolução da esquerda (IV): a era petista

 

 

Às vésperas de seu ocaso político, o PCB, ainda não atingido em sua espinha dorsal pela repressão e tentando reconquistar a liderança perdida na sociedade civil depois da dura derrota de 1964 — vide artigo anterior —, produziu um documento que, não obstante o linguajar anacrônico e os resquícios canônicos do marxismo-leninismo, apontou com precisão a direção da luta política a uma esquerda envolta nas brumas do mito revolucionário: “mobilizar, unir e organizar (…) (as) forças democráticas (…) contra o regime ditatorial (…) e a conquista das liberdades democráticas”[1].

Nesta resolução, a unidade democrática ainda não havia assumido a fórmula rígida do MDB: “As formas concretas que assumirá a unidade (…) serão ditadas pelo desenvolvimento da luta. Por ser uma reunião de forças heterogêneas, a frente (…) desenvolve-se simultâneamente com a luta entre os seus próprios componentes. (…) Os comunistas defenderão sempre, no seio da frente (…) a necessidade (…) de organizar (…) o povo (…)”[2].

Tampouco a frente tinha seu foco principal nas forças liberais — como aconteceria a partir de 1978: “A batalha antiditatorial exige um cuidado prioritário pela unidade das forças mais avançadas da frente única. Os comunistas obrigam-se, por isso, a dirigir sua atenção (…) para a aproximação com as diversas correntes que se incluem no movimento de esquerda (…)”[3].

O realismo político pecebista, envolto na bandeira rota do bolchevismo, não foi suficiente para neutralizar a atração que o guevarismo exercia sobre os jovens militantes, o que os impeliu a usar as primeiras grandes manifestações sociais contra o regime, convocadas por eles — a mais famosa delas a Passeata dos Cem Mil, em julho de 1968 —, numa mobilização em prol não da constituição da frente democrática, mas da frente popular articulada à guerrilha; o que acabaria por reforçar a ditadura, limpando o caminho para a institucionalização do arbítrio, em dezembro (AI-5), e o esmagamento da oposição, que esboçava seus primeiros atos de resistência não só com base nos intelectuais e nos estudantes, mas também com o apoio do operariado e da Igreja (católica).

Como já vimos, os comunistas, fortemente perseguidos, deixaram escapar a forma concreta com que a frente democrática se apresentaria a partir do ressurgimento dos movimentos sociais — estudantil (1977) e operário (1978). Desde então, as forças progressistas, nucleadas em torno de diversos movimentos sociais, na imprensa alternativa (Opinião e Movimento) e no MDB-autêntico — onde o PCB atuava —, passaram a discutir a criação de um partido popular, que, todavia, esbarraria na pretensão das lideranças exiladas em reconstruir/legalizar seus próprios partidos.

O impasse intra-oposição (interna e exilada) só se resolveria após a segunda greve operária do ABCD (março de 1979), em favor das forças internas, quando a intervenção policial projetou Lula como liderança política nacional autônoma, sem vínculos com as forças tradicionais da esquerda (neostalinistas, castristas, maoístas e nacionalistas), e em rota de convergência com os teólogos da libertação — nova tendência assumida pelo catolicismo de esquerda depois da Ação Popular (1962).

É daí que surge o Movimento Pró-Partido dos Trabalhadores (1979) que, sem conseguir atrair as velhas lideranças, em vias de retornar do exílio (Prestes, Brizola e Arraes), é bem sucedido em unificar a diáspora esquerdista — excetuando os stalinistas —, os ambientalistas, a juventude e uma miríade de novos movimentos sociais oriundos da urbanização dos anos 1960-70.

O PT vem à tona operando uma série de rupturas importantes no âmbito da esquerda radical. No plano da composição social, a classe trabalhadora deixa o segundo plano que ocupava no PCB, cujos quadros históricos eram de origem militar, e passa a ser a principal fonte política da nova agremiação; não obstante a centralidade castrista na esfera organizava da máquina partidária e dos intelectuais marxistas no âmbito da luta ideológica.

No plano da estrutura interna, o PT também inovaria assumindo um caráter federativo e pluralista, típico dos partidos socialistas ocidentais, em oposição ao centro único dos partidos comunistas. Isto fez com que os petistas, no curto e médio-prazo, tivessem dificuldades competitivas com os partidos centralistas que disputavam o controle dos movimentos sociais, mas tais dificuldades acabariam superadas pela capacidade da nova formação política em atrair militantes e simpatizantes em diversos segmentos sociais, e campos ideológicos — em particular entre os cristãos —, além de votos.

No plano ideológico, de novo, a inovação aproximava o PT do paradigma socialdemocrático, onde predominava uma acepção ampla de classe trabalhadora e os ideais socializantes eram vagos o suficiente para comportar uma ampla diversidade de crenças organizadas numa luta interna pactuada.

Todas estas inovações, porém, ocorreram sem prévio revisionismo político-ideológico e nem mesmo conheceram um esforço de sistematização posterior, tornando o PT um feixe de forças sociais e ideologias contraditórias, amalgamadas por uma liderança carismática, de perfil pragmático, que perseguia o poder externo com base no controle do poder interno (aparato partidário) por meio de lideranças unicistas de viés totalitário, e amparada em discurso de fundo místico-libertador que aliava utopia e pragmatismo numa perspectiva classista singular, baseada no neocorporativismo identitário.

Tal combinação mostrou-se poderosa fórmula para se chegar ao poder, eclipsando e contornando o espinhoso debate acerca do papel da democracia política, e suas instituições, na construção de uma sociedade mais justa e menos desigual — para não falarmos das instituições econômicas necessárias para tornar sustentável tal propósito. Mas, ela se mostrou insuficiente para fundar uma nova tradição apta a renovar a política brasileira, construir um novo modelo de desenvolvimento (sustentável) e contornar os perigos do carisma e do poder de Estado — inclusive a sedução do dinheiro.

A nova esquerda radical — de feições “ornitorrínticas” — atravessou o rubicão do poder, depois de 13 anos à frente da União, mostrando toda sua incompetência política e programática, não só para manter a sustentabilidade econômica do país — afundando-o na maior recessão de sua história —, mas para fazer as reformas políticas necessárias para a reversão do esgarçamento dos valores e das instituições públicas/privadas parasitadas pelo etos neopatrimonial, ao qual, finalmente, se rendeu e se converteu, em cabal demonstração da esterilidade de sua fórmula.

 

[1] Resolução Política do 6º Congresso (1967), In. Marco Aurélio Nogueira (org.), PCB: vinte anos de política, ed. LECH/SP-1980, p.174.

[2] [2] Id. p.179.

[3] Id. p.180.

 

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Inglaterra e Croácia eliminam as duas últimas retrancas da Copa

 

Com a camisa nº 20, o meia Deli Alli é abraçado pelos companheiros após marcar o segundo gol da Inglaterra sobre a Suécia (Foto: Alastair Grant – AP)

 

Brasileiro naturalizado, o lateral Mário Fernandes empatou o jogo com a Croácia, mas depois perdeu sua cobrança na disputa de pênaltis (Foto: Kevin C. Cox – Getty Images)

 

Definidos Inglaterra e Croácia para uma das semifinais da Copa da Rússia, venceu o futebol. Por mais simpatia que se possa ter pela eficiência defensiva da Suécia, ou pela festa dos donos da casa em sua melhor campanha no futebol, desde a dissolução da União Soviética, manteve-se uma saudável tradição: retrancas não vão além das quartas de final em Copas do Mundo.

Pela boa qualidade técnica dos seus jogadores, a Croácia foi apontada aqui, antes da bola rolar no Mundial, como uma provável supresa. Assim como a seleção da Bélgica, pelos mesmos motivos, que ontem eliminou o Brasil por 2 a 1. Mas, para eliminar a Rússia, os croatas acabaram de passar pelo segundo jogo seguido com prorrogação e disputa de pênaltis. O cansaço pode fazer diferença na semifinal da próxima quarta (11), diante de uma Inglaterra que mais cedo passou sem sustos pela Suécia, com o 2 a 0 conquistado em tempo normal.

É a primeira vez que os ingleses chegam a um semifinal, desde 1990. Por sua vez, a Croácia volta à semifinal em que chegou na sua primeira Copa como país independente, em 1998, após a dissolução da antiga Iugoslávia. Quem vencer o confronto pegará o favorito ao título na final do domingo (15). Ele será definido por França e Bélgica, na semifinal desta terça (10). Mas o que esse Mundial vem provando é que favoritismo não ganha mais jogo.

 

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Eliminação do Brasil e polêmicas fora de campo em debate neste domingo

 

Na ressaca da eliminação do Brasil (aqui) pela técnica seleção da Bélgica, a Copa da Rússia e alguns lances polêmicos do seu entorno (aqui) dominarão a quinta edição do 4 em Linha, a partir das 20h deste domingo (08), em live no Facebook. Entrarão em campo para o debate o especialista em finanças Igor Franco, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo, o odontólogo Alexandre Buchaul e eu. Sem demanda de torcida, aguardamos você:

 

 

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