Brasil de Neymar não foi brilhante, mas conseguiu sua vaga às oitavas

 

Paulinho e Thiago Silva, autores dos gols contra a Sérvia que classificaram o Brasil às oitavas (Foto: Pedro Martins – Mowa Press)

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Funcionou com o melhor jogador de futebol do mundo. Parece não ter dado errado com um candidato a chegar lá. Na terça (26), as críticas foram fundamentais para que Lionel Messi humanizasse a qualidade única do seu jogo, conduzindo a Argentina na suada classificação às oitavas de final da Copa da Rússia, com a vitória de 2 a 1 sobre a Nigéria. Um dia depois, ontem foi a vez de Neymar marcar mais por seu futebol do que pelo cabelo, xingamentos, reclamações, simulações e choro sem lágrimas. Ele não deixou o seu na vitória de 2 a 0 do Brasil sobre a Sérvia, mas enfim jogou nesse Mundial mais para o time do que para o ego.

O anúncio de que o craque jogaria de acordo com o que dele deseja a torcida, foi dado antes da bola rolar. Após a execução do hino brasileiro se restringir à versão reduzida da Fifa, Neymar sorriu em aprovação quando seus conterrâneos cantaram o restante à capela, ecoado nas arquibancadas do estádio do Spartak de Moscou.

Soado o apito inicial, o primeiro susto não veio com a marcação sérvia sob pressão, mas quando Marcelo parou a jogada pela esquerda. Eram ainda 8’ do primeiro tempo quando um dos principais jogadores do Brasil anunciou que não tinha mais condição de jogo. E levou mais um minuto para que Filipe Luís entrasse em campo para substituí-lo na lateral-esquerda.

Pelas redes sociais, Marcelo garantiu na noite de ontem não ter sofrido nada grave. Sem ele, quem ficou em campo tentou resolver. Aos 25 minutos, Filipe Luís iniciou uma jogada pela esquerda, entre Neymar e Gabriel Jesus. O camisa 10 do Brasil concluiu o lance, obrigando o goleiro Stjokovic a uma boa defesa.

O time de Tite encontrava dificuldades com a força da marcação da Sérvia, com maior média de altura entre as 32 seleções na Rússia. Mais baixas e técnicas, a Argentina e o Brasil foram semelhantes não só na resposta de seus craques às críticas sofridas pelas atuações dos dois primeiros jogos. Os belos lançamentos que geraram o primeiro gol de ambos, em seus jogos decisivos da terça e da quarta, também foram muito parecidos.

Contra a força física dos nigerianos, foi o meia Éver Banega quem enfiou uma bola longa para Messi, em incisão pela área, abrir o placar. Diante dos gigantes sérvios, coube a Philippe Coutinho o passe em profundidade para que o meia Paulinho penetrasse na área para encobrir o goleiro Stjokovic. Aos 36’: Brasil 1 a 0. O entrosamento veio também do Barcelona, onde os dois jogadores brasileiros atuam.

Aos 45 do primeiro tempo, em outra jogada com Filipe Luís pela esquerda, Neymar buscou o ângulo oposto do gol sérvio, mas a curva da bola abriu demais. Após o intervalo, com a vitória ainda parcial da Suíça sobre a Costa Rica, a Sérvia voltou do vestiário com disposição para tentar vencer e continuar na Copa.

Dos 10 aos 20 minutos, eles promoveram uma blitzen sobre a área brasileira. Jogador mais temido do ataque adversário, o grandalhão Mitrovic perdeu duas boas chances. Na primeira, após Alisson rebater para o meio da área, o centroavante sérvio cabeceou em cima de Thiago Silva. Depois, em cruzamento da direita, ele testou para a defesa do goleiro brasileiro.

Cansada pela marcação sob pressão do primeiro tempo e pelo volume de ataque no começo do segundo, os sérvios ofereciam espaços na defesa. Após conseguir um escanteio em jogada individual pela ponta esquerda, Neymar cobrou aos 33’, para Thiago Silva dar número definitivo ao placar. Ele teve espaço aberto pelo trabalho do companheiro de zaga, Miranda, que puxou a marcação de Mitrovic.

Com a ducha de água fria, a Sérvia claramente se entregou. O Brasil ainda produziu outras chances, mas ficou nisso. Se não foi brilhante, bastou para se classificar às oitavas em primeiro lugar no Grupo E. E sinalizou uma trajetória ascendente para encarar mais um duelo, às 11h da próxima segunda, contra um velho conhecido: o México, que ontem levou de 3 a 0 da Suécia.

No mesmo dia em que a Alemanha só ganhou o direito de pegar a Lufhtansa de volta para casa, ficou de bom tamanho.

 

 

 

ALISSON – No primeiro tempo, deu três socos em bolas alçadas na área. Na etapa final, fez mais quatro defesas, mas numa delas cometeu o erro primário de rebater para o meio da área. O centroavante Mitrovic cabeceou e Thiago Silva salvou. NOTA 6.

FAGNER – Não é Daniel Alves, cortado por contusão antes da Copa, mas tem jogado melhor do que Danilo na estreia contra a Suíça. Na defesa, recebeu bastante ajuda de Willian, que descia para acompanhar as investidas do lateral-esquerdo Koralov. Nota 6,5.

THIAGO SILVA – Além de salvar o Brasil no momento de maior pressão da Sérvia, cabeceou o escanteio de Neymar, no primeiro pau, para fechar o placar. Deixou para Miranda o combate direto com o grandalhão Mitrovic e jogou mais na base da classe. NOTA 8,5.

MIRANDA – Travou uma batalha física com Mitrovic, sem levar a pior. Quando preciso, recorreu a chutões para espanar bolas na área brasileira, mas também demonstrou categoria nas antecipações. NOTA 8.

MARCELO – Com espasmo muscular na região lombar, saiu chorando de campo, aos 9 minutos iniciais. SEM NOTA. Foi substituído por FILIPE LUÍS, que teve trabalho com as subidas do lateral-direito Rukavina. Sem se igualar ao titular na parte ofensiva, obrigou o goleiro Stjokovic a fazer uma defesa difícil, em chute fora da área. NOTA 7.

CASEMIRO – Único marcador do meio de campo brasileiro, teve trabalho com a pressão sérvia, sobretudo no começo do segundo tempo. NOTA 6,5.

PAULINHO – Não foi o melhor em campo, como elegeu a Fifa, mas finalmente apareceu na Copa como homem-surpresa no ataque, como cansou de fazer no Barcelona e em jogos do Brasil pelas Eliminatórias. Concluiu com classe um belo passe de Philippe Coutinho, seu colega no clube espanhol, para abrir o placar. NOTA 7. Foi substituído aos 11 da etapa final por FERNANDINHO, que entrou para reforçar a marcação no meio de campo e aliviar a pressão sérvia. Mas esta só diminuiria com o segundo gol brasileiro. NOTA 6.

WILLIAN – Novamente decepcionou tecnicamente, mas cumpriu uma importante função tática, na disputa com o lateral-esquerdo Koralov, melhor jogador da Sérvia. NOTA 6,5.

PHILIPPE COUTINHO – Tentou jogadas pela esquerda com Neymar, com quem demonstra cada vez mais afinação. E acertou um belo passe para o gol de Paulinho, numa bola longa que lembrou a enfiada do meia argentino Banega, um dia antes, para o golaço de Messi contra a Nigéria. NOTA 8. Foi substituído por RENATO AUGUSTO aos 35 do segundo tempo. SEM NOTA.

NEYMAR – Ainda não teve uma atuação de candidato a melhor jogador do mundo, mas ontem finalmente se destacou mais pelo futebol do que pelo cabelo, xingamentos, reclamações, simulações e choro sem lágrimas. Ao atuar mais menos para o ego e mais para o time, teve sete finalizações, três delas colocando o goleiro Stjokovic para trabalhar, além de acertar 63 dos 80 passes tentados. E sofreu apenas três faltas. NOTA 7.

GABRIEL JESUS – Com 10,2 quilômetros percorridos, foi o jogador brasileiro que mais correu em campo. Não é um peso morto, como foi Fred na última Copa. Mas o jovem centroavante completou ontem seu terceiro jogo sem balançar as redes da Copa da Rússia. NOTA 6.

 

 

 

STJOKOVIC – Com nome de um grande craque iugoslavo da linha, nos anos 1990, foi exigido pelo Brasil. Sem culpa nos dois gols. NOTA 7.

RUKAVINA – A preocupação com o potencial ofensivo brasileiro pela esquerda, mesmo com a saída de Marcelo, não o impediu de apoiar. NOTA 7.

MILENKOVIC – Marcava Thiago Silva quando este fez o gol. NOTA 6.

VELJJOVIC – Lento como seu companheiro de zaga. NOTA 6.

KORALOV – Destaque da sua seleção, talvez tenha sido o melhor lateral-esquerdo da fase de grupos na Copa. Apesar do duelo com Willian, tentou apoiar. NOTA 7.

MILINKOVIC-SAVIC – Antes do jogo, disse que os brasileiros eram bons atacando, mas não defendendo. Ontem o volante confirmou sua primeira observação, não a segunda. NOTA 6.

MATIC – Teve trabalho na marcação, na qual levou cartão amarelo por uma falta tática em Gabriel Jesus, e tentou apoiar. NOTA 6,5.

KOSTIC – O meia-direita surpreendeu em ações ofensivas pela esquerda, mas nada que fizesse diferença. NOTA 6,5. Foi substituído por RADONJIC aos 37 do segundo tempo. SEM NOTA.

LJAJIC – Levou cartão amarelo por uma falta em Neymar fora de campo. Ativo no ataque, sobretudo em tramas com Koralov. NOTA 6,5. Cansou e foi substituído por ZIKOVIC aos 30 da etapa final. SEM NOTA.

TADIC – O mais hábil da seleção sérvia, tentou, mas conseguiu chegar ao gol brasileiro. NOTA 6,5.

MITROVIC – Temido nas bolas aéreas, mais pela altura e porte físico, do que pela habilidade, teve sua chance ao cabecear dentro da área brasileira, mas em cima de Thiago Silva. NOTA 6. Foi substituído por JOVIC aos 44 do segundo tempo. SEM NOTA.

 

Página 10 da edição de hoje (28) da Folha

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Além de craque e líder da Argentina, Messi também é o técnico?

 

Jorge Sampaoli e Lionel Messi no jogo contra a Nigéria (Foto: Reuters)

 

Depois do 2 a 1 contra a Nigéria (aqui), na última terça (26), ninguém duvida que Lionel Messi é o responsável pela sofrida classificação da Argentina às oitavas. Mais ainda do que pelo golaço com que abriu o placar, o exemplo de liderança que ele deu ficou evidenciado no empenho da atuação em campo e na preleção com os demais jogadores, antes de voltarem do intervalo.

Mas o que ninguém ainda sabia é que o craque argentino também dava a palavra final das substituições do time em campo, antes de serem feitas pelo cada vez mais solitário técnico Jorge Sampaoli. É o que sugere um vídeo viralizado hoje na Argentina sobre o jogo de ontem.

No segundo tempo, algum tempo depois da Nigéria empatar a partida aos 6 minutos, resultado que desclassificaria a Argentina, Sampaoli e Messi se encontram na lateral do campo. É quando o técnico pergunta: “Ponho o Kun?”. O craque confirma com a cabeça, um pouco antes do lateral Nicolas Tagliafico sair de campo para dar entrada ao atacante Sergio “Kun” Aguero.

Confira abaixo:

 

 

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Brasil sofre pressão, mas derrota a Sérvia por 2 a 0 e pega o México

 

Thiago Silva comemora seu gol, após cobrança de escanteio de Neymar, que definiu a vitória de 2 a 0 sobre a Sérvia (Foto: Michael Steele – Getty Images)

 

 

Nem Neymar, nem Philippe Coutinho, nem Gabriel Jesus, centroavante que completou três jogos na Copa da Rússia sem balançar as redes. Os gols da vitória brasileira foram marcados pelo meia Paulinho, aos 36’ da primeira etapa, e pelo zagueiro Thiago Silva, em cobrança de escanteio aos 33’ do segundo tempo.

Embora não tenham brilhado nas conclusões, Phillipe e Neymar o fizeram na construção das jogadas que levaram aos gols. Eleito melhor em campo pela Fifa, Paulinho abriu o placar num chute por cobertura sobre o goleiro Stjokovic dentro da área, após receber o passe longo de Coutinho, também por elevação. O entendimento dos dois brasileiros vem também do Barcelona, onde jogam juntos.

Por sua vez, Thiago Silva cabeceou no primeiro pau uma bola cruzada da esquerda por Neymar, em cobrança do escanteio gerado numa jogada individual do atacante brasileiro. O 2 a 0 foi uma ducha de água fria na Sérvia, que tinha no começo do segundo tempo seu melhor momento no jogo. Agora o clássico zagueiro é o primeiro na posição a ter marcado gols pelo Brasil em duas Copas do Mundo — já havia guardado outro em 2014.

Às 11h da próxima segunda (02/07), a Seleção Brasileira disputa as oitavas de final contra o México. No confronto entre ambos pela primeira fase da última Copa, na Arena do Castelão, em Fortaleza, o placar foi 0 a 0. Quatro anos depois, na Arena Samara, na Rússia, o jogo será eliminatório, com prorrogação e disputa de pênaltis em caso de empate.

O time de Tite não foi brilhante. Sofreu pressão da Sérvia após o 1 a 0, mas teve tranquilidade para definir a partida. A trajetória para pegar o México, velho conhecido, parece ascendente. A partir das oitavas, começa a Copa de verdade: ganhou, continua; perdeu, se despede. Hoje, o Brasil seguiu em frente.

No mesmo dia em que a Alemanha ganhou o direito de pegar a Lufhtansa nas oitavas, ficou de bom tamanho.

 

 

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Alemanha leva 2 a 0 da Coreia do Sul e está fora da Copa da Rússia

 

O habilidoso atacante Son Heung-min fez o segundo gol da Coreia do Sul e selou a desclassificação precoce da Alemanha na Copa da Rússia (Foto: Benjamin Cremel – AFP)

 

Caiu o primeiro favorito na Copa da Rússia. Campeã em 2014, no Brasil, a Alemanha foi derrotada por 2 a 0 pela aplicada, mas limitada Coreia do Sul, e está fora do Mundial. Os dois gols sul-coreanos foram já nos descontos da partida.

Aos 47’ do segundo tempo, o zagueiro Kim Young-Gwon completou uma sobra de bola na área germânica. Anulado por impedimento, o lance foi confirmado pelo árbitro estadunidense Mark Geiger com o auxílio do VAR. Depois, aos 51’, o habilidoso atacante Son Heung-min definiu um contra-ataque com o gol alemão livre, após uma subida desesperada do goleiro Manuel Neuer ao ataque.

 

Defensor Kim Young-Gwon marcou o primeiro gol da Coreia contra a Alemanha (Foto: Shaun Botterill – Getty Images)

 

Com sua eliminação precoce na Rússia, a Alemanha repete a França, em 2002; a Itália, em 2010; e a Espanha, em 2014. Campeãs dos Mundiais anteriores, nenhuma das quatro seleções conseguiu passar da primeira fase quatro anos depois.

Apesar da campanha impecável nas Eliminatórias da Europa, a verdade é que a Alemanha já vinha desapontando nos amistosos antes da Copa. Neles, anotou três empates (0x0 com a Inglaterra, 2×2 com a França, 1×1 com a Espanha), duas derrotas (0x1 para o Brasil e 1×2 contra a Áustria) e uma vitória magra de 2×1 contra a fraca Arábia Saudita. E continou a decepcionar em sua estreia na Rússia, na derrota (aqui) de 1 a 0 para o México.

Em seu segundo jogo na Copa pelo Grupo F, os germânicos chegaram a dar esperança de reação. Com um golaço de falta do meia Toni Kross, aos 50’ do segundo tempo, eles conquistaram uma vitória épica de 2 a 1 sobre a Suécia. Mas pela atuação burocrática de hoje contra a Coreia do Sul, onde precisavam vencer novamente para passar às oitavas, mereceram a pouca sorte.

 

Após gerar o segundo gol da Coreia, numa subida desesperada ao ataque, o goleiro Neuer encarnava a desolação alemão ao deixar o gramado (Foto: Laurence Griffiths – Getty Images)

 

Antes da Copa, o presidente do país sede, Vladimir Putin, lembrou a II Guerra Mundial (1939/45) para provocar os atuais campeões do mundo: “a Alemanha não costuma se dar bem na Rússia”. Dos campos de batalha aos do futebol, ele não estava errado.

Agora, se vencer o jogo contra a Sérvia e conquistar sua vaga às oitavas como primeiro colocado no Grupo E, o Brasil pegará o México pelas oitavas. Se ficar em segundo, encara a Suécia. Se repetir na Rússia seus algozes da Copa de 2014, será outro favorito a voltar mais cedo para casa.

 

 

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Possibilidade de vitória do Brasil contra a Sérvia depende de Neymar

 

Contra a Costa Rica, antes de dar a Neymar um merecido cartão amarelo por socar a bola, o juiz holandês Bjorn Kuipers não usou palavras para dizer ao craque brasileiro o que ele precisa aprender: “fala demais” (Reprodução)

 

Na última sexta (22), me despedi momentâneamente (aqui) dizendo que voltava hoje ao blog. Ontem, após a conquista da vaga às oitavas pela Argentina, não resisti e postei aqui sobre a épica vitória do time de Lionel Messi por 2 a 1 sobre a Nigéria. Hoje, pouco menos de cinco horas antes do Sérvia x Brasil, as estatísticas da Fifa apontam 63% chances de vitória para o time de Tite, com 23% de empate e apenas 14% para os sérvios.

Estatíticas à parte, a verdade é que ninguém esperava que a Seleção Brasileira fosse antecipar em um jogo sua fase eliminatória na Copa da Rússia. Se perder hoje, no último jogo do Grupo E,  e a Suíça conseguir pelo menos um empate contra a fraca Costa Rica, o Brasil volta para casa. Desde a Copa de 1974, na Alemanha, a atuação brasileira na primeira fase de um Mundial não gerava tanta apreensão.

De volta às projeções sobre o jogo decisivo de daqui a pouco, a verdade é a seguinte: se Neymar decidir jogar futebol, no lugar (aqui) de xingar adversários e companheiros de time, reclamar da arbitragem, insistir em jogadas individuais distantes da área, valorizar faltas, simular pênaltis e chorar sem lágrimas, aumentam bastante as chances do Brasil garantir sua vaga às oitavas. Caso contrário, pode ser outro sufoco.

Abaixo as estatísticas da Fifa sobre o Sérvia x Brasil:

 

 

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Saulo Pessanha — Solte a cachorrinha

 

 

Nos anos 50, o telefone tilintou e Mário Manhães de Andrade, então gerente de A Notícia, atendeu. Era um comerciante sírio, contando uma “tragédia” em casa.

Sumira uma cadelinha e os filhos estavam inconsoláveis. Mário disse que não recebia anúncios pelo telefone. Mas o sujeito o venceu no cansaço. Os sinais da cadelinha foram passados e o preço, de três cruzeiros, por vez, combinado. O comerciante mandou colocar sete vezes, ao preço final de vinte cruzeiros.

O anúncio saiu um dia só e o telefone novamente tilintou. Por coincidência, o próprio Mário Manhães atendeu. O homem estava eufórico e desmanchou-se em elogios ao jornal, dizendo que logo apareceu uma pessoa com um exemplar de A Notícia e a cadelinha.

Em meio aos elogios, o sírio disse que mandaria pagar os três cruzeiros.

— Calma aí! Não são três cruzeiros. São vinte.

— Mas o anúncio só saiu uma vez!

— Mas o combinado foi para sair sete vezes!

Discute daqui, discute dali, até que Mário deu a solução:

— Se o senhor não está satisfeito, solte a cachorrinha e deixe o anúncio sair mais seis vezes.

Do outro lado do fio, o homem ficou em silêncio por uns 15 segundos. Depois explodiu uma gargalhada, vencido. E mandou pagar os 20 cruzeiros.

 

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Com gol de craque em vitória da raça argentina, “Pulga” morde a orelha de CR 7

 

Rojo comemora o gol da vitória argentina com o “Pulga” agarrado em suas costas (Foto: Gabriel Bouys – AFP)

 

Como um tango, foi dramático. Mas a vaga argentina às oitavas de final foi conquistada no gol do zagueiro Marcos Rojo, com estilo de atacante, aos 43 do segundo tempo. O placar final repetiu o do primeiro confronto entre Argentina e Nigéria em Copas do Mundo. Em 1994, los hermanos também bateram os africanos por 2 a 1.

Antes do jogo de hoje, o camisa 10 da Nigéria, Obi Mikel, falou sobre seu oposto: “um grande jogador não joga mal três jogos seguidos. E, para mim, Messi é o maior jogador de futebol que já existiu”. Fazia referência às atuações apagadas do 10 argentino no empate de 1 a 1 com a Islândia e na derrota por 3 a 0 contra a Croácia.

Ao entrar em campo com a escalação que os jogadores impuseram ao técnico Jorge Sampaoli, a Argentina impôs seu toque de bola no primeiro tempo. Um dos principais motivos foi a boa atuação do meia Éver Banega. Foi ele que, aos 14 minutos, achou seu camisa 10 em penetração pela direita, num passe de 35 metros. Na corrida entre dois zagueiros nigerianos, Messi matou na coxa esquerda, deu mais um toque com o bico da mesma perna e bateu cruzado de direita.

Diego Maradona, que assistia ao jogo e dava seu show à parte nas tribunas, assinaria a obra. Mas só se, em seu tempo de gênio dos campos, ele tivesse uma perna direita como a do também canhoto Messi. Na dúvida, após o gol, os grandes craques argentinos do passado e do presente demonstraram certeza ao agradecer pela fonte da inspiração, levantando suas mãos e faces em direção ao céu.

 

Maradona agradece aos céus pelo gol de Messi (Foto: Olga Maltseva – AFP)

 

Como o gênio do passado, o do presente agradece à fonte de inspiração do seu gol (Foto: Olga Maltseva – AFP)

 

No primeiro tempo, Messi ainda colocaria Gonzalo Higuaín na cara do gol, além de bater uma falta com muita categoria. Mas Higauín perdeu a chance e a cobrança de falta, caprichosamente, bateu na trave.

Antes dos times voltarem à segunda etapa, o sempre reservado Messi surpreendeu ao assumir a condição de capitão e puxar sua equipe com palavras de incentivo. Mas logo aos seis minutos, o juiz turco Cüneyt Çakir inventou um pênalti do volante Javier Masquerano. Sem ter nada a ver com isso, o meia africano Victor Moses deslocou o goleiro Franco Armani na cobrança, para empatar.

 

Victor Moses fez pirueta para comemorar seu gol, em pênalti batido com categoria (Foto: Giuseppe Cacace – AFP)

 

Após o gol nigeriano, os argentinos sentiram o golpe e cairam muito de rendimento. Passaram a buscar a vitória menos na qualidade técnica ou organização tática, do que na raça personificada pelo rosto ensanguentado de Masquerano.

Com zagueiro virando atacante, Rojo daria à sua apaixonada torcida a vitória e a permanência na Copa da Rússia. Emblematicamente, ao comemorar seu gol, ele levou Messi, apelidado de “Pulga”, agarrado nas costas.

A Argentina agora encara a forte seleção da França nas oitavas, às 11h do próximo sábado (30). Menos pelo que apresentaram hoje, no vexatório 0 a 0 com a Dinamarca, do que pelo potencial técnico dos seus jovens jogadores, os franceses são os favoritos. Mas terão pela frente quem hoje mostrou estar disposto a provar que ainda é o melhor jogador de futebol da Terra.

Após perder o pênalti contra o Irã, colocando Portugal em rota de colisão com o contagiante Uruguai de Luisito Suárez, Cristiano Ronaldo pode colocar de molho a sua barbicha de goat (aqui e aqui) — abreviação de “greatest of all time”: melhor de todos os tempos. Se assistiu ao jogo de hoje, o atacante português pode ter sentido o “Pulga” morder atrás da sua orelha.

 

 

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Alexandre Buchaul — Xeque

 

 

 

Engana-se quem crê que a eleição de 2018 é um fim em si mesma. Ao menos para nós, habitantes da planície goitacá, tal disputa é mais meio que fim. Postulantes de pouca ou nenhuma expressão política se lançam ao pleito a fim de conseguir algum espaço que os favoreça na disputa das eleições para vereador em 2020, ou com fins menos republicanos e mais reprováveis. Mas, em que pesem os duvidosos resultados de tal estratégia, não merecem análise mais detalhada.

Entretanto, há outros que, sendo da “base aliada”, fazem dessa disputa que se avizinha uma queda de braços com o prefeito, que a utilizam para cobrar a Rafael mais apoio e espaço no governo. Os menos habilidosos esticam tanto a corda que acabam por romper a relação com o alcaide. Outros, mais matreiros, crescem na disputa e fazem com que os membros mais íntimos do núcleo duro do governo torçam seus narizes, antevendo o crescimento não de um aliado, mas, tomando a liberdade de parafrasear Fernando Pessoa, um adversário adiado.

Há ainda os adversários históricos, uma guerra familiar que nos faz lembrar os velhos coronéis das histórias de cordel. Famílias que se revezam há décadas no poder, seja através de seus próprios membros, seja através de prepostos que variam de aliados a inimigos ao sabor dos ventos.

A próxima eleição opõe esses antagonistas históricos, de um lado os Garotinho representados por Wladimir que, confirmada a pré-candidatura, estreará nas urnas em outubro. No outro córner, Marcão, preposto da família Barbosa, herdeiros de Zezé que foi outrora alijado do poder pelo patriarca da família Garotinho.

O resultado dessa possível peleja serve de medida de força para a eleição a prefeito em 2020. Será um jogo duro, os Garotinho lutam para sobreviver após as últimas derrotas e as denúncias a que respondem na Justiça. O grupo de Rafael, herdeiro do espólio dos Barbosa, busca se consolidar e ainda há os ventos que dizem ter o vereador Marcão suas próprias aspirações quanto à Prefeitura.

Além de toda a movimentação, acima superficialmente levantada, ainda há outros pré-candidatos correndo por fora. E alguns postos fora do páreo por atitudes estúpidas. A disputa em torno da presidência da Câmara de Vereadores e o vendaval de suposições acerca das intenções de possíveis candidatos a prefeito em 2020, surgindo de vários seguimentos de nossa sociedade, são o prenúncio de fortes emoções no xadrez político campista.

O rei está em xeque. Resta saber quem anunciará: xeque mate!

 

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Hamilton Garcia — A evolução da esquerda III (O desenlace do comunismo brasileiro)

 

 

 

A terceira onda extremista (1963-64), que levaria a esquerda e os movimentos sociais, mais uma vez — vide artigo anterior —, aos calabouços, não seria, infelizmente, a última. A culpa pelo mau cálculo e o subsequente desastre político, como de costume na esquerda brasileira — para a qual autocrítica não passa de uma modalidade laica de expiação de culpa —, não recairia sobre seus idealizadores/implementadores, mas sobre seus inimigos (o “imperialismo latifundista”) e a parcela mais experimentada da esquerda radical que, refletindo sobre a tortuosa trajetória, tateava uma alternativa, ainda que enredada em seus mitos e utopias.

Foi assim que o PCB assistiu, impotente, a debandada de sua juventude em direção à luta armada foquista, de inspiração cubana, a partir de 1967 — até ser esmagada pela repressão militar-policial em 1974. Enquanto brizolistas, castristas e maoístas buscavam o caminho das armas, supondo estar o povo à sua espera, o PCB enveredou pela resistência pacífica dando apoio à Frente Ampla que, em 1966, uniu, no exílio, João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, e, posteriormente, animando a oposição criada pela reforma partidária de 1965 (Ato Complementar 4), que instituíra o bipartidarismo (Arena x MDB).

O caminho democrático de resistência à ditadura se mostrou estrategicamente sólido e, embora enfrentando o ceticismo inicial da juventude e dos intelectuais, acabou por nos conduzir a uma transição pactuada em 1984 (Nova República}, que uniu a oposição — excetuando o PT — e os dissidentes do regime (PFL). Apesar do sucesso da transição democrática, os louros da vitória foram colhidos pelos remanescentes do caminho revolucionário: como explicar o paradoxo?

Uma das principais causas para tal, foi a relativa paralisia que tomou conta do partido após a razzia repressiva de 1974-76, que eliminou um terço de seus dirigentes nacionais, levou o restante ao exílio, e desmantelou suas conexões internas. Como consequência, os quadros remanescentes que restaram no país fecharam-se em extremada clandestinidade, crispando ainda mais a mentalidade de gerações formadas na adversidade da ilegalidade. Mesmo tendo Prestes rompido com o PCB na volta do exílio (1979) — formalizando sua dissidência na Carta aos Comunistas (1980) —, o partido prosseguiu fiel ao sovietismo e resistente à renovação de seus quadros e métodos, colocando-se a meio caminho do necessário encontro com a nova sociedade brasileira transformada pela industrialização acelerada do período 1967-1979.

Os jovens que se aproximaram do PCB nesse período tinham uma noção de radicalidade diferenciada em relação aos dirigentes do partido — a maior parte deles formada nos embates dos anos 1930-50, quando o país ainda era predominantemente rural. Enquanto para os velhos dirigentes a radicalidade se confundia com períodos da própria trajetória onde predominaram o sectarismo e o revolucionarismo, para os jovens ela significava uma mudança drástica das instituições republicanas e dos organismos sociais-partidários, no sentido da aproximação com as bases por meio da pluralidade de ideias e dos métodos democráticos — inclusive internos às organizações.

Em termos práticos, a renovação inconclusa dos comunistas — uma tradição de longa data, como nos mostrou Raimundo Santos[1] — significou a interdição efetiva de toda uma geração de novos quadros bem preparados à posição de direção, que continuaria nas mãos dos heróis formados em condições bem mais desvantajosas e culturalmente defasados em relação ao novo país que emergira. A consequência foi o desencontro entre a nova política democrática dos comunistas e a geração radical-democrática em desacordo com seus métodos e crenças ideológicas, o que acabou por abortar as possibilidades competitivas do partido diante de um PT que nascia encetando algumas dessas expectativas.

O encontro do castro-stalinismo com o sindicalismo-pastoral, em contato estreito com a classe operária — inclusive do ponto de vista ideológico (catolicismo) e, por isso mesmo, capaz de atrair seus elementos corporativistas mais avançados, aglutinados em torno do sindicalismo diferenciado de Paulo Vidal (1969-1978), em São Bernardo do Campo —, significaria o mais sério desafio à recuperação da influência política do PCB. O encontro do pragmatismo sindical com a teologia da libertação produziria a massa crítica de lideranças e público popular que permitiu ao velho esquerdismo se reerguer após o fracasso da luta armada. Lula e seus companheiros de greve foram catapultados à condição de lideranças operárias nacionais na esteira das mobilizações operárias de 1978-80, alimentadas pela carestia e o arrocho salarial provocado pelo fim do “milagre econômico”.

Enquanto a classe operária irrompia num cenário político de agitações marcadas pelo protagonismo intelectual e estudantil das classes médias renovadas, o PCB aprofundava seu hiato social ao reagir de modo convencional aos novos desafios colocados pela agitação social. Em novembro de 1978, por meio de sua imprensa clandestina (Voz Operária)[2], os pecebistas afirmavam que “(…) o melhor canal para onde fazer confluir (…) toda a movimentação (…) em favor das soluções democráticas é o Congresso Nacional”, e que “(…) estes objetivos só podem ser realizados com a (…) unidade do MDB (…)” onde “caberá a estes parlamentares introduzir permanentemente no debate político nacional as grandes reivindicações dos movimentos populares (…)”.

Apontando a via institucional concreta para a superação do regime de exceção, os pecebistas, ao mesmo tempo, colocavam em segundo plano a pressão pela renovação política ansiada pela sociedade civil emergente, que a equação parlamentar-emedebista expressava apenas em parte, deixando de perceber que a frente democrática estava prestes a assumir novas formas diante dos desafios surgidos – inclusive a iminência da volta das velhas lideranças exiladas, entre elas Leonel Brizola, Miguel Arraes Luís Carlos Prestes.

O novo contexto abriria as portas para a ascensão das esquerdas às estruturas de poder do Estado a partir das eleições de 1982, com a participação marginal do PCB. Mas, as promessas de grandes mudanças não se realizariam, dada as pressões centrípetas do sistema de poder vigente e o despreparo das esquerdas em encarar o desafio numa perspectiva frentista; tal como apontado pelo VI Congresso do PCB em 1967. Mas, isso é assunto para o próximo artigo.

 

[1] Vide A Primeira Renovação Pecebista: reflexos do XX Congresso do PCUS no PCB (1956-57); ed. Oficina de Livros/BH-1988.

 

[2] Apud Hamilton Lima, O Ocaso do Comunismo Democrático o PCB na última ilegalidade (1964-84), in. <http://repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/278789>, pp.246-247.

 

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Juros, Rússia, Brasil e gestão Rafael Diniz em debate neste domingo

 

Fora de Campos, não poderei participar da terceira edição do 4 em Linha. Pelo YouTube, ela vai ao ar às 20h deste domingo (24), com o especialista em finanças Igor Franco, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo e o odontólogo Alexandre Buchaul. Pelos três, quatro serão os temas abordados: polêmica na Rússia, juros no chão, Brasil na Copa e a gestão Rafael Diniz.

Mesmo distante, convido você, leitor, a conferir:

 

 

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Pausa até o próximo jogo do Brasil. Abraço e inté!

 

 

Quem me conhece profissionalmente sabe que Copa do Mundo é o trabalho que mais tenho prazer em fazer. Cubro-as para a Folha da Manhã, pela TV, desde a de 1990, na Itália. Nestas sete últimas, a partir de 2010, no Brasil, o trabalho tornou-se muito mais dinâmico, com a produção de fatos 24h com o advento das redes socias.

Às 15h de Brasília da próxima quarta (27), o Brasil volta a campo para o seu último e talvez decisivo jogo do Grupo E, contra a Sérvia. Até lá, por motivo de ordem pessoal, farei uma pausa na cobertura diária da Copa da Rússia. Nesse pequeno intervalo serão disputados 17 jogos, todos com potencial de encantar fãs do futebol neste planeta bola azul e girante, mesmo os que só pegam carona de quatro em quatro anos nas cores das suas nações.

Daqui a quatro dias, se Deus quiser, a gente se vê. Abraço e inté!

 

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Philippe Coutinho brilha. Neymar simula pênalti, força cartão e chora

 

Autor do primeiro gol e eleito novamente pela Fifa como melhor em campo, Philippe Coutinho assume de Neymar o papel de protagonista (Foto: André Mourão – Moa Press)

 

Se contra a Suíça marcou pelo prominente topete louro, contra a Costa Rica Neymar apareceu pelas atitudes nervosas e pelo choro, não por seu futebol (Reprodução)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Foi um sufoco! O placar final do Brasil 2×0 Costa Rica não pode mascarar o fato de que os dois gols foram já nos descontos, aos 46’ e 52’ do segundo tempo. E que, mesmo com a renúncia do adversário ao ataque, jogando quase sempre com os 11 jogadores em seu próprio campo, a melhor chance de gol no primeiro tempo foi costarriquenha. Aos 13’, o ala Gamboa cruzou da ponta-direita para trás. Filho de brasileiro, o meia Celso Borges entrou livre na área e chutou cruzado. Mas a chance de marcar contra a seleção do país de seu pai saiu pela linha de fundo.

Goleiro do Real Madrid e da Costa Rica, Keylor Navas só teve duas intervenções no primeiro tempo, ao cortar com os pés uma penetração de Neymar e, depois, num chute de Marcelo. Ne resto, um velho problema do time de Tite se repetiu nos 45 minutos iniciais: bom pela  esquerda, com Marcelo e Neymar, o time de Tite é manco pela direita. Willian, que nada havia feito de produtivo, foi substituído no intervalo por Douglas Costa. Com ele atuando no lado direito do campo, o Brasil ganhou volume de jogo.

Logo aos 3’ da segunda etapa, a Costa Rica contou com a sorte, quando Gabriel Jesus cabeceou uma bola no travessão. No rebote, Philippe Coutinho chutou com força, mas Gamboa rebateu. Depois o Brasil pôs Navas para trabalhar em pelo menos seis bolas chutadas em direção ao gol, ainda que nenhuma de grande dificuldade. Sem conseguir furar a retranca, Tite testou na Copa do Mundo uma opção tática que nunca havia tentado. Aos 22’, ele substituiu Paulinho, que também tinha atuação apagada, pelo centroavante Firmino, passando a jogar com dois atacantes de área. Um deles, Gabriel Jesus serviu Neymar dentro da área, aos 33’.

Tocado no abdómen pelo zagueiro Gonzaléz, o camisa 10 do Brasil se jogou. O árbitro holandês Bjorn Kuipers marcou pênalti, mas após ser alertado pelos colegas do VAR, conferiu o lance no monitor à beira do campo e mudou corretamente a marcação. Neymar, que já tinha pegado a bola para cobrar, ficou visivelmente contrariado.

 

Juiz holandês disse sem palavras o que Neymar precisava ouvir: “fala demais, fala demais” (Reprodução)

 

Dois minutos depois, ao reclamar da cera de um jogador caído da Costa Rica, o craque brasileiro acintosamente socou a bola no chão, como garoto mimado, e foi advertido com o cartão amarelo. Coutinho reclamou e também levou o seu. O experiente juiz holandês já tinha resumido com a mão o gesto que parece resumir as atuações de Neymar até aqui na Copa da Rússia: “fala demais, fala demais”.

Quando tudo parecia perdido, já nos descontos, Marcelo cruzou da esquerda dentro da área. Firmino fez o pivô e passou a Gabriel de cabeça. Ao errar o domínio, ele teve seu maior feito em campo, deixando a bola sobrar para Coutinho abrir o placar. O alívio foi tanto que Tite até caiu na comemoração do gol.

Com a Costa Rica abatida e visivelmente cansada, aos 52’ Casemiro apareceu pela entrada da área e serviu a Douglas pela direita. Ele cruzou para Neymar, livre, dar números finais à partida. Encerrada, ele sentou no gramado e chorou. Refeito, poderia refletir sobre o cartão amarelo talvez até tardio que tomou, o pênalti simulado em tempos de VAR, a insistência inútil em jogadas individuais distantes da área e sobre o fato de ter sido o jogador que mais sofreu faltas e cometeu faltas em campo: quatro de cada lado.

No Grupo E, com a virada de 2 a 1 da Suíça ontem sobre a Sérvia, esta será obrigada a jogar pela vitória contra o Brasil para continuar na Copa, às 15h na próxima quarta (27). E, se perder, o Brasil pode dizer adeus à Rússia. A Sérvia é uma república nascida da antiga Iugoslávia, escola respeitada no futebol. É a mesma que também pariu a Croácia, algoz da Argentina de Lionel Messi na última quinta (21).

 

 

ALISSON – Um espectador privilegiado do jogo. Na chance de gol mais clara da Costa Rica, aos 16 do primeiro tempo, o meia Celso Borges chutou para fora. NOTA 6.

DANILO – Com a renúncia da Costa Rica ao ataque, foi impossível julgá-lo defensivamente. No apoio, sobretudo no primeiro tempo, foi mais ativo do que Danilo contra a Suíça. Mas nenhum dos dois parece ser capaz de suprir a falta de Daniel Alves. NOTA 6,5.

THIAGO SILVA – Cioso da sua braçadeira de capitão, que não mereceu usar em 2014, ao chorar e ficar de costas para a disputa de pênaltis nas oitavas de final contra o Chile, ontem foi outro espectador. NOTA 6.

MIRANDA –  Mais um espectador em lugar privilegiado. NOTA 6.

MARCELO – Com o meio de campo nulo na criação, é a válvula de escape na do Brasil da defesa ao ataque. Sem trabalho atrás, ficou livre para apoiar. Aos 41 da primeira etapa, arriscou a gol, para defesa de Navas. No segundo tempo, o primeiro gol nasceu do seu cruzamento. NOTA 7,5.

CASEMIRO – Como todo o sistema defensivo, teve pouco trabalho. No segundo tempo, a necessidade o empurrou para a área da Costa Rica. Testou Navas em chute a gol aos 26’. Aos 52’, puxou a jogada que gerou segundo gol. NOTA 7,5.

PAULINHO –  Sumido das ações ofensivas no primeiro tempo, Tite gritou aos 24’: “Willian pega o ala e Paulinho agride”. NOTA 5,5. No segundo, sem atender ao técnico, foi substituído aos 22’ pelo atacante FIRMINO, que fez o pivô e cabeceou a Gabriel Jesus a bola que sobrou para Coutinho marcar o primeiro gol. NOTA 7.

PHILIPPE COUTINHO – No primeiro tempo, bateu a gol duas vezes, mas para fora. Na etapa final, pôs Navas para trabalhar aos 11’. Tomou cartão amarelo desnecessário, aos 35’, após reclamar do recebido merecidamente por Neymar. Mas assumiu de novo o papel que se esperava deste, ao abrir o placar e ser eleito pela segunda vez como melhor em campo. NOTA 8.

WILLIAN – Peça nula no primeiro tempo, quando chutou para fora sua única tentativa de concluir. NOTA 5. Saiu no intervalo para a entrada de DOUGLAS COSTA, que imprimiu muito mais volume de jogo ao Brasil, dando o passe ao gol de Neymar. Não deveria sair do time. NOTA 8.

NEYMAR – Voltou a abusar da individualidade e dribles distantes da área adversária. Aos 32’ do segundo tempo, simulou o pênalti bem anulado com o recurso do VAR. Depois tomou um pito do juiz por falar demais e levou um merecido cartão ao socar a bola no chão, como garoto mimado. Sofreu quatro faltas, mesmo número das que cometeu, evidenciando o nervosismo assumido no choro ao final da partida. Antes, porém, fez o gol que selou vitória. NOTA 7.

GABRIEL JESUS – Seu maior feito em campo foi ter errado ao dominar a bola passada de cabeça por Firmino, que sobrou para Philippe Coutinho abrir o placar. NOTA 5,5. Após o primeiro gol do Brasil, foi substituído FERNANDINHO, que entrou para recompor o meio de campo. SEM NOTA.

 

 

 

NAVAS – No primeiro tempo, uma boa saída em bola enfiada a Neymar e a defesa no chute de Marcelo. Na segunda etapa, quando o Brasil partiu para cima, fez pelo menos sete defesas, mas nenhuma de grande dificuldade. Nos gols brasileiros, nada podia fazer. NOTA 8.

GAMBOA – Foi do ala direita o cruzamento para Celso Borges, na melhor chance de gol do primeiro tempo. Como, no segundo, foi ele quem desviou o chute de Coutinho que iria para o gol. NOTA 7,5. Foi substituído aos 29 da segunda etapa pelo zagueiro CALVO, na tentativa de fechar ainda mais o time. NOTA 6.

GONZALÉZ – Foi ele quem tocou Neymar no abdómen, no pênalti cavado pelo brasileiro e depois anulado pelo VAR. No segundo tempo, teve trabalho com a pressão brasileira. NOTA 6.

ACOSTA – Foi o líbero na linha de três zagueiros no ferrolho costarriquenho. Quando o jogo ainda estava no 0 a 0, levou cartão amarelo por atrasar cobrança de lateral. NOTA 6.

DUARTE – Com seus dois companheiros de zaga, teve mais trabalho no segundo tempo. E o desempenharam com sucesso, até levarem o primeiro gol já nos descontos. Nota 6.

OVIEDO – No primeiro tempo, o ala esquerda pouco apoiou. No segundo, com a entrada de Douglas Costa, teve motivo para ficar atrás. NOTA 6.

Guzman – Volante que atuou mais como quarto zagueiro. Nota 6. Foi substituído aos 37’ do segundo tempo pelo volante Tejada, que levou uma lambreta de Neymar. NOTA 5.

CELSO BORGES – Filho de brasileiro, o costarriquenho perdeu aos 16 minutos a melhor chance de abrir o placar contra a seleção do país do seu pai. E, em Copa, fica quem erra menos. NOTA 5.

VENEGAS – No primeiro tempo, ainda tentou adiantar a marcação na saída brasileira. No segundo, com a renúncia das ações ofensivas, pouco foi visto. NOTA 5.

UREÑA – Pesado e lento para a tarefa de puxar contra-ataques, foi outro pouco notado em campo. NOTA 5. Foi substituído aos 8’ pelo veterano meia BOLAÑOS. NOTA 5.

BRIAN RUIZ – Se as coisas não correram tão bem ao camisa 10 do Brasil, o que dizer do 10 de um time que entrou em campo para só se defender? NOTA 5.

 

Página 10 da edição de hoje (23) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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