Contra a Bélgica, Brasil tem hoje seu primeiro teste de fogo na Copa

 

O Brasil de Neymar terá hoje, contra a Bélgica, seu primeiro teste de fogo na Copa da Rússia (Foto: CBF)

Por AluysioAbreu Barbosa

 

O Brasil terá às 15h de hoje, contra a Bélgica, seu primeiro teste de fogo na Copa da Rússia. E vice-versa. O vencedor já saberá seu adversário na semifinal, que será definido entre a França e o Uruguai, a partir das 11h. Ao lado dos uruguaios, o time de Tite tem a melhor defesa do Mundial, com apenas um gol sofrido. E hoje terá pela frente o melhor ataque da Copa: a decantada geração belga marcou 12 gols em quatro jogos, média de três por partida.

Nas quartas de final, os dois times poderão trazer mudanças em relação aos titulares que atuaram nas oitavas. Na Seleção Brasileira, é uma certeza. Tite ontem anunciou que Marcelo volta à lateral-esquerda, bem ocupada nos dois últimos jogos por Filipe Luís. Considerado o melhor do mundo na posição, o atleta do Real Madrid está curado da lombalgia que o tirou de campo no começo da partida contra a Sérvia. Outro jogador do clube madrilenho, Casemiro está suspenso pelo segundo cartão amarelo, na vitória de 2 a 0 sobre o México, e será substituído por Fernandinho.

Apesar de estar em melhor fase do que Gabriel Jesus, o centroavante Firmino começa do banco. Mas é opção certa no segundo tempo, se o titular não desencantar e o time precisar de gols. Outra alternativa ofensiva é o meia Douglas Costa, que entrou muito bem contra a Costa Rica e está curado da lesão muscular sofrida naquele jogo.

Na Bélgica, nenhuma mudança foi confirmada, mas o técnico espanhol Roberto Martínez pode repensar a linha de três zagueiros, considerada uma das causas do sufoco tomado na virada de 3 a 2 sobre o Japão. Composta de jogadores altos, mas pesados e lentos, a manutenção dessa linha seria ideal para jogadores leves, habilidosos e rápidos, como Phillipe Coutinho, Willian, Gabriel e Neymar.

 

Capa da Folha de hoje (06)

 

Por outro lado, se mostrou deficiências defensivas, A Bélgica tem um quarteto ofensivo tecnicamente tão bom quanto o do Brasil: Kevin De Bryne na armação, Dries Merten pela direita, Eden Hazard pela esquerda, tendo à frente Romelu Lukaku. Como os brasileiros, todos são destaques jogando por grandes clubes da Europa. Ontem, o centroavante belga mostrou respeito ao falar em português para defender Neymar das críticas que o craque brasileiro vem sofrendo por conta das simulações nos quatro primeiros jogos:

 

Em português, o atacante belga Lukaku defendeu Neymar na coletiva de ontem

 

— Para mim, Neymar não é ator. Os adversários são mais duros com ele porque Neymar tem qualidades que não são normais. Para mim, no futuro, ele será o melhor do mundo. E estou feliz porque amanhã vou jogar contra ele pela segunda vez na minha carreira — disse Lukaku na coletiva de ontem. Todavia, o atacante alto, forte e inteligente não deve se furtar hoje em forçar a marcação hoje em cima dos baixos laterais brasileiros Fagner e Marcelo, para tentar o cabeceio em bolas alçadas na área. Foi através das jogadas aéreas que a Bélgica conseguiu virar o placar contra os japoneses.

Nivelados aos brasileiros na técnica com a bola rolando, os belgas podem também trazer outra novidade para tentar levar vantagem nas bolas altas: Maroune Fellaini, de 1,94m, está cotado para ganhar uma vaga de titular no meio de campo. De cabeça, ele marcou o gol de empate contra o Japão. Considerado um dos melhores jogadores da Premier League da Inglaterra e cérebro da Bélgica, De Bruyne não vem de boas apresentações na Rússia. Hoje, ele pode jogar mais próximo do ataque, como atua no Manchester City.

Se o Brasil conquistar vantagem no placar, uma alteração provável é a entrada do zagueiro Marquinhos. Como volante, seu aproveitamento no decorrer da partida foi aventado ontem por Tite, em coletiva. O jogador já atuou na posição no Corinthians, então treinado pelo técnico da Seleção. E voltou a fazê-lo, quando entrou no segundo tempo contra o México.

Também ontem, foi anunciado que o lateral-direito Danilo, com lesão no ligamento do tornozelo esquerdo, está fora da Copa. Num time que tem seus destaques em Neymar, Philippe Coutinho e no zagueiro Thiago Silva, três craques de bola, o Brasil entra em campo por uma sorte melhor.

Na única vez que se enfrentaram em Mundial, nas oitavas da Copa de 2002, os brasileiros venceram um jogo duro por 2 a 0. Os belgas até hoje reclamam por um gol de Marc Wilmots, anulado por falta em Roque Júnior, quando o placar ainda estava 0 a 0. Hoje, quem vencer encara depois outro teste de fogo, contra França ou Uruguai. O sobrevivente joga como favorito a final.

 

Página 10 da edição de hoje (06) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

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Os elementos da equação entre Brasil e Bélgica

 

Algumas considerações sobre o Brasil e Bélgica, que definirá às 15h desta sexta (06) um semifinalista da Copa da Rússia:

 

 

1 – Suspenso do jogo pelo segundo cartão amarelo, a imprensa belga estranha como os brasileiros não se preocupam com a ausência de Casemiro no meio de campo. No Real Madrid, ele foi feito titular por alguém que conhece um pouquinho do setor: Zinédine Zidane.

2 – Sem Casemiro, o Brasil vai (aqui) de Fernandinho como primeiro e único volante. Se o titular não estivesse suspenso, o reserva possivelmente entraria no lugar de Paulinho, para tentar conter a habilidade e vocação ofensiva dos belgas.

3 – Na coletiva de hoje, Tite disse que pode voltar a usar o zagueiro Marquinhos como volante. No Corinthians, o treinador já usou o jogador na posição, na qual atuou também pela Seleção, quando entrou no segundo tempo das oitavas de final contra o México.

4 – Tite também confirmou a volta de Marcelo ao time. Com lombalgia, ele saiu no começo do jogo contra a Sérvia e assitiu do banco à vitória sobre o México. Seu reserva Filipe Luís jogou bem, é melhor defensor e mais alto. O time belga venceu o Japão na altura dos seus jogadores.

5 – Embora também venha jogando bem, o lateral-direito Fagner é outro jogador baixo na defesa brasileira. Atacantes altos e inteligentes, como Lukaku, tendem a forçar a marcação em cima dos defensores mais baixos, nas tentativas de cabeceio.

6 – Em melhor fase do que Gabriel Jesus, o centroavante Firmino começa o jogo no banco. Se o Brasil precisar de gols, sua entrada é certa. Outra opção ofensiva é o meia-atacante Douglas Costa, que entrou muito bem contra a Costa Rica e está recuperado da lesão muscular.

7 – Brasil e Bélgica se enfrentaram cinco vezes. Foram quatro vitórias brasileiras e uma belga. Em Copa, só se cruzaram uma vez: o jogo duro pelas oitavas em 2002, vencido pelo Brasil por 2 a 0. Mas os belgas reclamam até hoje de um gol anulado quando o placar ainda estava zerado.

8 – O Brasil tem um quarteto ofensivo temido, com Philippe Coutinho, Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Mas o mesmo pode se dizer do formado pelo armador De Bruyne, Mertens à direita, Hazard à esquerda e Lukaku na frente. Pela qualidade dos jogadores, podem sair muitos gols.

9 – A defesa belga é alta, mas lenta. Pode ser explorada pelo ataque brasileiro, formado por logadores leves, hábeis e rápidos. Em contrartida, a defesa do Brasil é tão boa quanto o ataque. Na Copa, o time de Tite só levou um gol. Mas não atuou sem Casemiro à frente da zaga.

10 – Uma das causas do sufoco contra o Japão (aqui), a linha belga de três zagueiros pode não ser repetida. O técnico Roberto Martínez pode adotar duas linhas de quatro. O meia Fellaini pode ganhar uma vaga. E De Bruyne, que não vem bem, também pode jogar mais próximo ao ataque.

11 – Já virou lugar comum falar da geração belga. Jogadores como Hazard, Courtois, De Bruyne e Lukaku brilham em grandes clubes ingleses. Todos estão no auge, após o amadurecimento em 2014, no Brasil, quando foram eliminados pela Argentina nas quartas de final da Copa.

12 – Faltam à Bélgica as conquistas. Já tiveram grande times, como o de Scifo, Gerets, Pfaff e Ceulemans, que chegou às semifinais da Copa de 1986, seu melhor desempenho em Mundiais. Mas nunca ganharam nem uma Eurocopa. Sua camisa não pesa no varal. A do Brasil, sim.

13 – Elogiada desde 2014, a Bélgica apresentou (aqui) o melhor futebol da fase de grupos em 2018. Mas seu único jogo contra um grande não conta, pois a vitória de 1 a 0 sobre a Inglaterra foi um confronto entre reservas. O Brasil é o seu primeiro grande teste na Rússia. E vice-versa.

14 – Badalados pelo que jogaram na fase de grupos, os belgas cairam na realidade com a atuação decepcionante contra o Japão. Seus jogadores assumem o favotismo do Brasil. Por outro lado, se foram capazes de jogar mal e virar um placar de 2 a 0, o que poderão fazer se jogarem bem?

15 – O Brasil é o segundo colocado no ranking de seleções da Fifa. A Bélgica é a terceira. Primeira, a Alemanha ficou na fase de grupos. Quem passar às semifinais, terá outro jogo muito duro, contra França ou Uruguai. O sobrevivente fará a final na condição de favorito.

16 – Ao lado do Uruguai, o Brasil tem a melhor defesa: levou apenas um gol. A Bélgica tem o melhor ataque, com 12 gols em quatro jogos. A última vez que, com a melhor defesa, o Brasil cruzou em Mundial com o melhor ataque, foi na semifinal de 1958, contra a França. O placar foi 5 a 2 para os únicos sul-americanos a terem vencido uma Copa na Europa. Há exatos 60 anos.

 

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Guilherme Carvalhal — Pôr do sol

 

 

Nesse momento quando chega o meio termo entre dia e noite, por dentro me sinto igualmente dividido. Essa é a hora em que a grande maioria da humanidade muda sua rotina, saindo do trabalho e retornando para casa, migrando da labuta para o lazer e a ociosidade. Igualmente, eu transito entre dois polos de mim mesmo.

Assim como o sol ao longo do horizonte se põe e as lâmpadas nos postes acendem, por dentro de mim emerge uma mistura de escuridão interrompida por lampejos de lumes. A própria vida que se almejava apagar, feito desligar uma lâmpada no interruptor sem a opção de voltar atrás.

De que me adiantaria permanecer numa vida sem sentido e sem aspirações? Isso ao que chamo de vida não me apetece. Quando o dia finda em uma explosão celeste entre o róseo e o alaranjado, toda essa beleza não me diz nada. Ela apenas me indica uma quebra atemporal, uma mudança nos ponteiros. Meu coração não exulta nem nada. Apenas serve para me lembrar da apatia que me acomete.

Por dentro, me pergunto diariamente: devo dar um fim à minha vida ou seguir como essa contraposição entre clarões e escuridão que assola minha alma? Valeria a pena para mim, ciente de que cada momento de paz, de amenidade, sempre será seguido por uma decadência inusitada, pairando sobre mim uma nuvem densa que lança suas chuvas sem avisar, seguir adiante?

Havia como dar um fim nisso. Saber que um pôr do sol poderia ser meu último momento. Saber que minha alma se amainaria paulatinamente até dar espaço a uma noite sem lua nem estrelas. Porém, ao contrário do movimento de rotação, não haveria porvir. Haveria o eterno pausar do tempo. Sem novas noites, sem novo amanhecer. Apenas o vazio eterno da morte.

Nesse começo de anoitecer que pela janela me saltam os pensamentos mais pujantes. Quando a noite ganha força, vejo como um fechar de ciclo que me arrasta mais e mais para dentro de um buraco negro, para um caminho sem volta. Sinto por dentro meu coração feito uma estrela, e que pouco a pouco se apaga, para em uma última faísca deixar de brilhar para sempre.

Ou até que um novo nascer do sol o faça voltar.

 

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Comandante do ataque da Bélgica, Lukaku defende Neymar

 

Não foram apenas a torcida e ex-craques brasileiros, como (aqui) Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, que se levantara em defesa de Neymar, crucificado internacionalmente (aqui) por suas simulações em campo. Em bom português, o perigoso centroavante Romelu Lukaku, que comanda o ataque da Bélgica contra o Brasil, hoje também levantou a bola do camisa 10 adversário:

 

Adversário amanhã do Brasil, hoje o atacante Lukaku defendeu Neymar

 

—  Para mim, Neymar não é ator. Os adversários são mais duros com ele porque Neymar tem qualidades que não são normais. Para mim, no futuro, ele será o melhor do mundo. E estou feliz porque amanhã vou jogar contra ele pela segunda vez na minha carreira.

 

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Marcelo volta contra Bélgica. Fernandinho substitui Casemiro

 

Marcelo e Fernandinho entram em campo contra a Bélgica. No banco, zagueiro Marquinhos será opção como volante (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Tite confirmou agora há pouco que Marcelo voltará ao time titular do Brasil nas quartas de final contra a Bélgica, às 15h desta sexta (06). E, como o blog já havia adiantado aqui, Fernandinho será o susbtituto de Casemiro, suspenso pela segundo cartão amarelo. A despeito da boa fase de Firmino, Gabriel Jesus também foi confirmado no comando do ataque.

Se não fosse a ausência forçada de Casemiro, é possível que Fernandinho tomasse o lugar de Paulinho entre os 11 que entram em campo amanhã. O objetivo seria reforçar a marcação no meio de campo, para tentar conter a habilidade e a vocação ofensiva dos belgas.

Caso seja necessário no decorrer da partida, sobretudo se o Brasil estiver em vantagem no placar, é  provável que o zagueiro Marquinhos entre como volante. Ele atuou na posição quando entrou contra o México, nas oitavs. Assim como no Corinthians, quando era treinado por Tite.

Sobre a opção de Marquinhos, o treinador da Seleção falou:

— Como primeiro meio-campista mais atrás, assim como ele entrou (contra o México). É um jogador versátil, que já jogou comigo. Aliás, o primeiro jogo do Marquinhos no profissional (do Corinthians) foi um clássico contra o Palmeiras jogando como volante. Então ele tem as ferramentas para jogar ali.

 

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Protagonistas do Penta apoiam Neymar na busca do Hexa ao Brasil

 

Para muita gente boa, Ronaldo Fenômeno foi o maior camisa 9 do futebol mundial. E ninguém que duvida que Rivaldo tenha sido um dos maiores camisas 10 da Seleção Brasileira. Juntos, eles foram os principais responsáveis pela conquista do Penta, em 2002, nos campos do Japão e Coreia do Su. Hoje, ambos entraram de novo em campo. Mas na defesa: de Neymar.

O craque presente do Brasil tem sido alvo (aqui) de um bombardeio da crítica internacional por suas simulações nos quatro jogos da Copa da Rússia.

 

Ronaldo Fenômeno e Neymar

 

— O futebol tem muitas visões e interpretações. Eu sou contra essas opiniões. Eu acho que o Neymar usa de maneira muito inteligente a sua mobilidade para se defender de todas as pancadas e porradas que leva durante o jogo. Acho que os árbitros tem sido pouco protetores com ele. Eu era alvo de jogadas violentas repetidamente e me sentia injustiçado. Essas críticas são bobagens. O resultado que ele está entregando para a Seleção Brasileira é maravilhoso. Temos que ser mais técnicos nos comentários e menos conversa fiada de boteco — alfinetou Ronaldo em entrevista.

 

Rivaldo e Neymar

 

— Neymar, jogue como sempre jogou e não se preocupe com os comentários dos outros países, porque muitos já estão em casa. Se tiver que driblar, drible; se tiver que dar chapéu, dê. Se tiver que fazer gol, faça. Se tiver que cair com as faltas, caia. E se tiver que ganhar tempo no chão, ganhe. Porque todos fazem o mesmo. O problema é que você é o cara da Copa e ídolo do nosso país e, infelizmente, isso está incomodando muita gente, eu não sei por quê. Vai pra cima, como sempre e continue nos encantando com teu futebol — pregou Rivaldo nas redes sociais.

Com esse apoio, fica um único lamento: o tempo que separou os três craques no campo.

 

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Admirável mundo novo — Aberta a disputa ao título de babaca da Copa

 

A disputa pelo título de babaca da Copa está aberta. E, como na Rússia, ingleses e brasileiros também despontam como candidatos à final. Na capa do tabloide The Sun, jornalistas ingleses anunciaram (aqui) o Inglaterra e Colômbia com um trocadilho ligando o segundo país à produção de cocaína — da qual o primeiro é um dos maiores consumidores no mundo.

 

Após atuação brilhante contra a Argentina, o craque francês de origem africana Kylien Mbappé foi alvo de tuíte racista pelo youtuber brasileiro Júlio Cocielo

 

Mas não faltou quem se apresentasse à tabela com a cretinice. Após a vitória de 4 a 3 da França sobre a Argentina, quando o jovem craque francês Kylian Mbappé impressionou o mundo pela velocidade e habilidade do seu futebol, o jogador de ascendência africana mereceu o seguinte comentário do youtuber brasileiro Júlio Cocielo:

 

 

Cocielo possui 7,4 milhões de seguidores no Twitter, 11,2 milhões no Instagram e o Canal Canalha, mantido por ele no YouTube, 16,2 milhões. Acusado de racista pelo tuíte, ele o apagou e publicou um pedido de desculpas:

— O tuíte foi interpretado de mil formas diferentes e gerou uma enorme discussão. De qualquer forma, não existe justificativa, isso fez eu me sentir muito mal só de imaginar ter sido uma pessoa escrota. Arrependido e aprendido! Lição pra vida! Nunca mais se repetirá! (…) Peço desculpas publicamente.

Apesar do ato de contrição, internautas irritados pelo tuíte sobre o craque francês vasculharam os perfis de Cocielo nas redes sociais. E encontraram diversas outras postagens ofensivas feitas anteriormente. Em 2013, ele tinha escrito que só seria possível deixar de fazer piadas de negros caso eles fossem exterminados. No mesmo ano, falou que não faria vídeo sobre o Dia da Consciência Negra porque na cela não havia wi-fi.

 

Casamento dos youtubers Tata Estaniecki e Júlio Cocielo no luxuoso resort Barceló Bávaro Palace em Punta Cana, na República Dominicana. A festança de quatro dias foi bancada pelos milhões de seguidores do casal nas redes sociais

 

Por conta da polêmica, patrocinadores romperam seus contratos com o influenciador virtual. Foram os casos da Adidas, do banco Itaú e da varejista virtual Submarino. Para se ter uma ideia dos dividendos pecuniários que esse admirável mundo novo são capazes de render, Cocielo se casou em março com a também youtuber Tata Estaniecki, no luxuoso resort Barceló Bávaro Palace em Punta Cana, na República Dominicana. A festança durou quatro dias.

Ironicamente, os críticos do “politicamente correto” geralmente se identificam mais com o espectro político da direita. E as sanções que o youtuber politicamente incorreto recebeu pelo tuíte sobre Mbappé foi o mais capitalista possível: no bolso. Mais ou menos como os EUA, eliminados da Copa da Rússia pelo Panamá, costumam fazer com os países que não rezam em sua cartilha. A não ser que tenham ogivas nucleares e mísseis transcontinentais, como a Rússia e a Coreia do Norte. Aí, o mundo real se impõe.

 

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Craque, Neymar atrela sua imagem no mundo às simulações

 

Neymar tem futebol para levar o Brasil ao título na Rússia e ser eleito o craque da Copa. Mas sua imagem está definitivamente marcada no mundo pelas simulações e reações espalhafatosas. Confira o comercial de uma rede de fast-food na África do Sul e decida: foi ou não inspirado no camisa 10 brasileiro?

 

 

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Blog elege seleção, técnico, craque, jogo e gol mais bonitos das oitavas

 

Dia de abstinência de Copa e redescobrir que existe vida além do futebol. Mas, concluída ontem (03) as oitavas de final do Mundial na Rússia, o blog não pode deixar de registrar sua seleção entre as 16 que apresentaram antes do afunilamento nas oito que disputarão as quartas de final a partir deste sábado (30). E também o melhor técnico, o craque, o jogo e o gol mais bonitos das oitavas. Vamos a eles:

 

Goleiro: Kasper Schmeichel (Dinamarca)

 

Lateral-direito: Mário Fernandes (Rússia)

 

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

 

Zagueiro: Yerry Mina (Colômbia)

 

Lateral-esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Meia: Kylian Mabappé (França)

 

Atacante: Edinson Cavani (Uruguai)

 

Atacante: Harry Kane (Inglaterra)

 

Atacante: Neymar (Brasil)

 

 

Técnico: Tite (Brasil)

 

 

Craque: Kyllian Mbappé (França)

 

 

Melhor jogo: França 4×3 Argentina (30/06)

 

 

Gol mais bonito: Edinson Cavani, segundo do Uruguai 2×0 Portugal (30/06)

 

 

Confira aqui a seleção, o técnico, o craque, o jogo e o gol mais bonitos da fase de grupos.

 

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Tite fazia a Neymar as mesmas críticas que hoje fazem os estrangeiros

 

Antes do jogo de ontem vencido pelo Brasil, Tite e Juan Carlos Osorio se cumprimentaram. Após, o técnico do México fez as mesmas críticas a Neymar que o brasileiro fazia em 2012 (Foto: Mike Hewitt – FIFA/Getty Images)

 

Apesar de ter feito um gol e ter dado o passe ao outro, com atuação decisiva no 2 a 0 do Brasil sobre o México (aqui), Neymar foi alvo de várias críticas. Após a partida, o colombiano Juan Carlos Osorio, treinador da seleção mexicana, chamou de “palhaçada” a reação espalhafatosa do craque brasileiro, ao ter o tornozelo deslealmente pisado pelo lateral-direiro Miguel Layún. E disse que aquilo era “mau exemplo para as crianças”.

Grandes nomes do passado também questionaram severamente a atitude do camisa 10 do Brasil. Ex-goleiro de destaque da seleção da Dinamarca e do Manchester United, Peter Schmeichel disse sobre o episódio:

— Não consigo achar outra maneira de descrever que não seja lamentável. Parecia que ele (Neymar) estava morrendo. Pensei que ele seria colocado numa maca, então numa ambulância, e nunca mais o veríamos de novo. Você já viu (Cristiano) Ronaldo fazer isso? Ele aprendeu quando era novo. Você vê Messi e Harry Kane fazendo isso? Gianni Infantino (presidente da Fifa) estava no estádio, eles têm de olhar para isso. É preciso que os árbitros deem uma advertência a ele na primeira vez que fizer isso, e depois o expulsem. Só assim ele vai aprender.

Outros grandes jogadores do passado, os ex-atacantes da Inglaterra Alan Shearer e Gary Lineker, também se manifestaram nas redes socias:

— Pelo amor de Deus, Neymar. Pare. Estamos cansados disso — disse Shearer

— Neymar joga tão bem quanto se joga em campo. É um jogador incrivelmente bom — ironizou Lineker.

Lineker também foi bastante questionado hoje nas redes sociais, por não ter criticado as simulações dos jogadores do seu país no empate de 1 a 1 contra a Colômbia, quando a Inglaterra conseguiu na disputa de pênaltis a última vaga às quartas de final. Mas tentou manter a ironia:

— Eu nunca disse que eles (os jogadores ingleses) eram diferentes. Mas Neymar é o melhor.

O fato é que, após sua primeira atuação na Copa à altura das expectativas e diante do ataque de estrangeiros, o torcedor brasileiro partiu em defesa de Neymar. Contaminadas pelo maniqueísmo da política brasileira, algumas reações, no entanto, foram tão canastronas quanto os rolamentos do atacante:

— O VAR “erra”sistematicamente contra a seleção (brasileira). Mas o pior acabou sendo um pisão de Layún no tornozelo de Neymar com o jogo parado, na beira do campo. Nesse caso o VAR também não serviu para a expulsão do agressor. O imperialismo, no entanto, já está empenhado em falsificar a realidade contra o time brasileiro, que está cada vez mais perto de mais um título — publicou aqui o Diário da Causa Operária.

Em sentido contrário, um vídeo viralizarou hoje nas redes sociais do país. Nele, em 2012, então técnico do Corinthians, que acabara de perder de 3 a 2 para o Santos pelo Brasileirão, Tite teceu críticas a Neymar muito parecidos com as do treinador do México, inclusive no tal “mau exemplo para as crianças”. Confira abaixo:

 

 

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Orávio de Campos — A Morte de Lydia Lambert

 

 

 

Não existem coincidências dentre as narrativas propostas pelos principais memorialistas quando escrevem sobre a história da cidade. Mas, de certa forma, pelo estilo de cada um, podemos, claramente, identificar suas razões ideológicas e o fato de pertencerem (ou não) à bolha social do seu tempo, pela tentativa de esconder, pelo simulacro, qualquer tipo de indícios sobre a culpabilidade de um ou de outro personagem ilustre envolvido com a natureza do crime.

Há muitos anos, causa-nos espanto o fato descrito por Gastão Machado (1899-1964: Os Crimes Célebres de Campos), Horácio de Souza (1878-1937: Cyclo Áureo), Júlio Feydit (1845-1922: Subsídios para a História de Campos dos Goytacazes) e Hervé Salgado Rodrigues (1914-1995: Campos – Na Taba dos Goytacazes), dando conta da “Morte de Lydia Lambert”, cujo corpo, vítima de estupro e asfixiamento, aparecera boiando no Porto Grande, defronte à Rua Santos Dumont, que à época tinha o nome de Rua Direita.

Manhã do dia 29 de junho de 1866. Estivadores encontraram o cadáver da bela mocinha, de cerca de 20 anos de idade, filha de Manuel da Barca e neta do vice-cônsul francês, Jules Lambert, uma pessoa importante porquanto inaugurara em 02 de julho de 1846 a barca-pêndulo, única forma de atravessar para o outro lado, segundo registro do Dr. Hervé (p.58).  Estava o corpo em meio à sujeira comum nos portos onde a sociedade despejava seus excrementos no Paraíba.

Feydit (p. 473-474), que fora vereador, prefeito e delegado, narrou o seguinte: “A 29 de junho de 1866 foi encontrada morta, no Porto Grande, uma moça de cor parda, de nome Lydia, filha de Manoel da Barca, mestre da Barca da Passagem, de onde lhe veio aquele apelido. Os médicos opinaram que ela não morrera por submersão, mas sim por lhe taparem a boca para que não gritasse, enquanto era violentada. Era então Delegado de Polícia o Dr. José Joaquim Herédia de Sá, que procurou descobrir o criminoso sem nada conseguir; e, por essa razão, sendo muitos os indiciados, ainda hoje o mesmo mistério envolve o autor do crime”.

Souza (p.354), diz que “(…) o crime ficou até hoje envolto em denso mistério (...)”. E, também, noticiou: “E causa pasmo que um crime tão monstruoso não pudesse ser desvendado pela polícia, não deixando de si um só indicio para a descoberta do espírito diabólico que o concebeu e praticou”. Gastão, um dos maiores teatrólogos desta urbe, preferiu, com o pseudônimo de Gil de Mantua, romancear o caso e sua narrativa acaba misturando as possibilidades do real com rasgos ficcionais, fechando o crime com conjecturas misteriosas.

Quem nos dá alguns indicativos positivos é Hervé (p.58), muito mais corajoso ao descrever: (…) “O crime figura no livro de Gastão Machado, ‘Os Crimes Célebres de Campos’ e ficou impune, sendo provável o motivo porque um dos principais suspeitos era um velhote, rico capitalista”. E opina: “O negócio foi tão bem abafado que nem Gastão registrou, porque não pode, o nome do capitalista que perseguiu a moça nas ruas com galanteios e fora por ela repelido. Sempre o dinheiro garantindo impunidade”.

Através de um exercício sobre literatura comparada, envolvendo os escritores, por dedução, considerando-se a época em que a cidade estava concentrada no espaço do centro histórico, chega-se à figura do maior capitalista de então, José Martins Pinheiro (1801-1876), agraciado, pelo Imperador Pedro II, com o título de Barão da Lagoa Dourada, após ter doado, em 1865, 10 contos de réis para a campanha bélica dos “Voluntários da Pátria”. Era, também, comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Tido como mulherengo pelos seus patrícios, o barão contava, à época do crime contra Lydia Lambert, 65 anos de idade, exatamente como narra Hervé, que o criminoso poderia ser um velhote rico, capitalista e de muita influência na cidade. O que se sabe, a posteriori, é que o Barão nunca mais teve paz na vida, a ponto de, no dia 29 de julho de 1876, 10 anos depois, deixando uma carta testamento dirigida do Alferes Antonio Lopes Rangel, atirou-se da Ponte sobre o Rio Paraíba, inaugurada três anos antes.

Vivia tomado pelo remorso como o que sentira Românovitch, o personagem principal de Dostoievski, no “Crime e Castigo”. Os memorialistas falam que ele estava falido, o que não corresponde à realidade. No documento ao alferes cita “ter sido vítima da irresponsabilidade de amigos e estar velho e doente, motivo porque suas propriedades estavam abandonadas, reinando enorme indisciplina entre seus escravos”.  O tema nos faz embarafustar nos arquivos públicos em busca de sua peça exordial. O Barão pode ter sido o autor da morte de Lydia Lambert e as pesquisas em documentos oficiais poderão esclarecer o crime, 152 anos depois.

Nos registros constam que defronte ao lugar onde encontraram o cadáver estuprado e asfixiado da filha do barqueiro francês, havia o “Banco das Cismas”, onde se reuniam poetas e escritores, como Manoel Moll, Múcio da Paixão e Theófilo Guimarães, para tertúlias literárias. O lugar poderia ter sido o ethos da inspiração de Azevedo Cruz para tecer o seu mais expressivo poema — “Amantia Verba” — traduzido como versos amantes à terra em que nasceu.

Bom, mas esta é uma outra história…

 

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Em jogo tenso pelo preconceito, Inglaterra bate a Colômbia nos pênaltis

 

Harry Kane comemora o pênalti sofrido e convertido por ele, que abriu o placar (Foto: Victor R. Caivano – AP)

 

Mais cedo, a Suécia hoje se classificou por 1 a 0 e despachou a Suíça. E agora vai enfrentar a Inglaterra nas quartas. No jogo que encerrou a fase das oitavas de final, os ingleses derrotaram a Colômbia na disputa de pênaltis, após um emocionante empate de 1 a 1 em tempo normal, mantido na prorrogação. Mesmo sem seu maior craque, James Rodríguez, vetado por lesão muscular, a seleção sul-americana lutou com bravura num jogo bastante tenso. Não só por seu caráter eliminatório, como pela capa de ontem do jornal inglês The Sun.

Preconceito assumido pelo tabloide inglês The Sun, no trocadilho cretino da sua manchete

Ao anunciar a partida de hoje, ao lado da foto do artilheiro Harry Kane, o tabloide sensacionalista usou como manchete: “Como 3 leões enfrentam uma nação que deu ao mundo Shakira, um ótimo café e… ahn… outras coisas. Vai Kane!”. Em inglês, “Go Kane” é um trocadilho para simular “cocaine” (cocaína), droga que já mergulhou a Colômbia numa sangrenta guerra pelo controle da sua produção e tráfico internacional.

A provocação preconceituosa do jornal inglês gerou reações de indignação por todo o mundo. E claramente insuflou os ânimos dos jogadores colombianos. Na Arena Spartak, em Moscou, o primeiro tempo se marcou mais pelas entradas ríspidas e trocas de provocação do que por chances de gol. O placar só seria aberto aos 11’ da segunda etapa, após Harry Kane sofrer e converter um pênalti. Ele se isoulou ainda mais na artilharia da Copa, agora com seis gols.

No que parece ter virado hábito deste Mundial, a Colômbia só mudou o resultado nos descontos da partida. Aos 49’, o zagueiro colombiano Yerry Mina, ex-Palmeiras e atual Barcelona, confirmou sua vocação de goleador e usou a cabeça para empatar. Foi o terceiro gol dele na Copa. A Inglaterra claramente sentiu o golpe, passando sufoco na prorrogação também por falha do seu técnico Gareth Southgate. Ele demorou a fazer as substituições a que ainda tinha direito, depois de já ter mudado o time no segundo tempo para tentar segurar a vitória parcial.

Como os ingleses conseguiram manter o empate pelo menos na prorrogação, o jogo foi para a disputa de pênaltis. Kane voltou a converter. Como não desperdiçaram Falcão García, Cuadrado, Rashford e Muriel. O goleiro Ospina mergulhou no canto esquerdo para pegar a cobrança de Henderson. Mas Uribe acertou o travessão e não abriu vantagem aos colombianos, que viram Trippier empatar a disputa em 3 a 3. Na última rodada, o goleiro inglês Pickford defendeu o chute de Bacca. E Dier converteu, conquistando a vaga às quartas para a Inglaterra.

Com a derrota da Colômbia, além da Argentina, agora serão seis europeus (França, Rússia, Croácia, Bélgica, Suécia e Inglaterra) e dois sul-americanos (Uruguai e Brasil)  disputando quatro vagas às semifinais.

Fechadas as oitavas, foi a primeira vez que os ingleses venceram uma disputa de pênaltis em Copas do Mundo. Eles já haviam perdido na semifinal de 1990, para a Alemanha; nas oitavas de 1998, para a Argentina; e nas quartas de 2006, para Portugal. Ao espantar hoje essa bruxa do seu futebol, a Inglaterra poderia aproveitar para exorcizar também o preconceito cretino assumido por sua imprensa.

 

 

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