Copa da Rússia: Brasil não vai além do empate de 1 a 1 contra a Suíça

 

Phillipe Coutinho comemora o golaço com que abriu o placar, depois empatado pela Suíça (Foto: Marko Djurica – Reuters)

 

Se a Suíça sempre soube se defender, hoje provou que pode também não apenas atacar, como se igualar no placar com o Brasil. Um dos favoritos ao título, o time de Neymar e Tite não foi além do empate de 1 a 1, em outra estreia decepcionante na Copa da Rússia. Ontem, a Argentina já havia empatado (aqui) de 1 a 1 com a Islândia. E hoje, um pouco mais cedo, a campeã Alemanha foi batida (aqui) pelo México por 1 a 0.

A Seleção Brasileira fez um bom primeiro tempo, quando abriu o placar aos 19 minutos, num belo chute de Phillipe Coutinho de fora da área. O arremate de categoria se deu após uma trama do lado esquerdo do ataque, entre o próprio Coutinho, Neymar e Marcelo. Mas, visivelmente, o time se acomodou a partir dos 35 minutos. E, após o intervalo, voltou ao segundo tempo com o mesmo (des)ânimo.

Aos 9 minutos da etapa final, o preço foi cobrado: em cobrança de escanteio do habilidoso meia canhoto Shaqiri, seu companheiro Zuber marcou de cabeça, numa falha do zagueiro Miranda, que marcava o jogador suíço, além de Thiago Silva e Danilo, que não marcaram ninguém. Bem verdade que os brasileiros reclamaram que Zuber teria empurrado Miranda. De fato, houve o contato, mas o juiz mexicano Cesar Ramos pode não ter errado ao interpretá-lo dentro dos limites da disputa na área em em lance de bola parada.

Depois de sofrer o empate, o Brasil sentiu o golpe e não reagiu de imediato. Shaqiri continuava a infernizar com sua perna esquerda pelo lado direito do campo. Ele deu bastante trabalho ao lateral-esquerdo Marcelo, desestabilizado também pelas provocações do suíço. Aos 28 minutos, em outro lance polêmico, o zagueiro Akanji envolveu com os braços o brasileiro Gabriel Jesus, que foi ao chão dentro da área e pediu o pênalti, não marcado. Na dúvida, o certo é que o jovem atacante do Manchester City pouco foi notado em campo. Cinco minutos depois, ele seria substituído por Firmino.

Com o relógio diminuindo suas chances de vitória no jogo de estreia na Rússia, o Brasil passou a pressionar a Suíça nos momentos finais, quando criou e desperdiçou boas oportunidades. Aos 42 minutos, Neymar forçou o goleiro Sommer a trabalhar, cabeceando uma bola cruzada na área por Willian. Dois minutos depois, foi Neymar que cruzou. E quem cabeceou foi Firmino, forçando Sommer a uma grande defesa.

No sufoco, até os zagueiros partiram para o ataque. Foi o caso de Miranda, que deu um chute forte de fora da área, aos 45 minutos, com a bola passando rente à trave esquerda. Aos 49, na última chance clara de conseguir a vitória, após cobrança de falta de Neymar, Renato Augusto — que havia entrado no lugar de Paulinho — acertou um chute dentro da área, mas a bola foi rebatida pela defesa suíça.

Eleito pela Fifa como melhor em campo, Phillipe Coutinho só mereceu por conta da sua atuação no primeiro tempo, coroada com um golaço. Mas na segunda etapa foi uma figura apagada em campo. Apesar de ter buscado o jogo, Neymar não estava em dia inspirado. Bem verdade que ele sofreu com a marcação forte e por vezes desleal dos suíços, sobretudo pelo volante Behrami, substituído por Zakaria após tomar um cartão amarelo que pode ter saído barato. Mas o fato é que, das 19 faltas cometidas pela Suíça no jogo, 10 foram sobre Neymar.

Para quem tem o cuidado de opinar em cima de dados estatísticos, o empate não foi uma supresa. Com o 1 a 1 de hoje, agora são quatro empates nos nove confrontos diretos entre as duas seleções, com três vitórias do Brasil e duas da Suíça. E, em todos esses jogos, uma equipe nunca conseguiu marcar mais de dois gols no adversário.

Como curiosidade, alguém poderia lembrar que quando a Espanha conquistou a Copa de 2010, na África do Sul, ela estreou naquele Mundial com uma inesperada derrota de 1 a 0 contra a Suíça. A Seleção Brasileira não perdeu e tem contra a Costa Rica, às 9h da próxima sexta-feira (22), uma boa oportunidade de (re)adquirir confiança. O empate na estreia, contra um adversário que sempre dificultou sua vida, não é uma tragédia. Mas também não foi o cartão de visita que se esperava de um candidato ao título.

 

 

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México derrota a campeã Alemanha

 

Lozano comemora o gol que deu a vitória ao México sobre a favorita Alemanha (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

 

Depois da Argentina, que ontem (aqui) não foi além do empate em 1 a 1 contra a pequena Islândia, hoje foi a vez de mais um favorito ao título na Copa da Rússia decepcionar. Atual campeã do mundo, a Alemanha foi derrotada pelo aplicado México, por 1 a 0, O gol foi marcado aos 35 minutos da etapa inicial pelo atacante Hirvin Lozano, destaque do holandês PSV, clube que já abrigou os talentos dos brasileiros Romário e Ronaldo Fenômeno.

Desde o começo do jogo, os mexicanos mostraram que estavam dispostos a endurecer contra os campeões. E souberam explorar uma deficiência na defesa germânica: o corredor aberto pelas subidas ao ataque do lateral-direito Joshua Kimmich, que não recebeu cobertura eficaz do volante Sami Kedhira. Foi pela esquerda do seu ataque que o México contra-atacou sempre com perigo e onde o passe de Javier Chicharito achou Lozano para abrir e definir o placar. A comemoração na cidade do México foi tanta que, segundo o Instituto de Investigações Geológicas e Atmosféricas, chegou a literalmente causar um abalo sísmico na capital do país.

No final do segundo tempo, após fazer várias substituições, mas sem conseguir furar o bom esquema defensivo mexicano, até o goleiro alemão Manuel Neuer subiu à área adversária, para tentar o gol como atacante. Conhecido pelo inovador trabalho como líbero, jogando com os pés fora de sua área, não adiantou. Agora, a Alemanha se junta a Espanha em 2014 e a França, em 2002, campeões dos Mundiais anteriores que estrearam com derrota quatro anos depois.

Antes da Copa, o presidente russo, Vladimir Putin, provocou os campeões do mundo, com uma referência clara à II Guerra Mundial (1939/45): “a Alemanha não costuma se dar bem na Rússia”. E parece não ter errado, pelo menos em relação ao jogo encerrado há pouco. Ele foi disputado em Moscou, capital russa que os alemães não conseguiram tomar, depois de invadirem o país na II Guerra. A diferença é que, hoje, o Exército Vermelho usou a camisa verde do México.

Para os brasileiros que comoraram a derrota inesperada do seu algoz na Copa de 2014, é bom lembrar que caso o time de Neymar e Tite se classifique em primeiro lugar no Grupo E, cruzará nas oitavas de final com o segundo do Grupo F, posição em que a Alemanha pode ficar, depois da derrota de hoje.

 

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Brasil estreia hoje contra o ferrolho suíço na Rússia

 

(Foto: Pedro Martins – Moa Press)

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Ausência sentida na Copa da Rússia, a Itália é famosa no mundo do futebol pela eficiência do seu sistema defensivo. Pois a Suíça também. A diferença é que a seleção que enfrenta o Brasil de Neymar, às 15 de hoje, na Arena de Rostov, nunca ganhou um Mundial — título conquistado quatro vezes por italianos e outras cinco, pelos brasileiros.

Ainda que não tenha conquistas importantes no currículo da sua seleção — nunca ganhou uma Eurocopa—, o esquema de jogo dos adversários do Brasil tem nome e nacionalidade no sobrenome: ferrolho suíço. Em línguas faladas no país, é conhecido como “Verrou suisse” em francês e “Schweizer Riegel”, em alemão. O sistema defensivo da Suíça foi apresentado ao mundo pela primeira vez na Copa de 1938, na França, na qual só caiu nas quartas de final, depois de eliminar a Alemanha. Bem verdade que o Brasil terminaria aquele Mundial com a 3ª colocação e sua vocação ofensiva representada no artilheiro da competição: o centroavante Leônidas da Silva (1913/2004), então jogador do Flamengo, com sete gols.

Em tempos mais recentes, a manutenção do esquema tático foi responsável por uma façanha defensiva: na Copa de 2010, na África do Sul, ficou 558 minutos sem tomar gol, estabelecendo o recorde de defesa menos vazada num Mundial. No jogo de abertura, após resistir ao toque de bola da melhor Espanha de todos os tempos, a Suíça fez um gol em contra-ataque e derrotou na fase de grupos o time que seria campeão daquela Copa do Mundo.

Pelo retrospecto, o jogo de hoje promete ser um teste de fogo ao time do técnico Tite, considerado pela imprensa internacional como um dos favoritos ao título na Rússia. Composto de jogadores leves, rápidos e habilidosos, o quarteto ofensivo Philippe Coutinho (Barcelona), Willian (Chelsea), Gabriel Jesus (Manchester City) e Neymar (Paris Saint-Germain) tentará se sobrepor aos atletas suíços, maiores e mais fortes. Pelas características, pode ser um embate semelhante ao enfrentado ontem (aqui) pela Argentina de Lionel Messi, diante dos vigorosos e aplicados vikings da Islândia, no jogo que terminou empatado em 1 a 1.

Para também não decepcionar na estreia, o Brasil não pode repetir os erros cometidos por los hermanos, que afunilaram muito o jogo pelo meio da área adversária. Daí a importância de outro destaque brasileiro, o lateral-esquerdo Marcelo (Real Madrid), considerado o melhor do mundo em sua posição. Ele poderá ser fundamental para abrir o jogo pelo lado canhoto do campo, onde também costuma atuar Neymar.

Sem o lateral-direito Daniel Alves (Paris Saint-Germain), cortado por contusão antes do Mundial, não se espera que seu substituto no time titular, Danilo (Manchester City), tenha a mesma importância. Muito embora as Copas também sejam feitas de surpresas, a expectativa é que as ações ofensivas brasileiras pelo lado destro sejam comandadas por Willian, com apoio do meia Paulinho (Barcelona). Ainda assim, a força pela faixa esquerda do campo, com Marcelo e Neymar, promete ser uma característica da Seleção Brasileira nos campos da Rússia.

Depois que Tite assumiu o comando, a campanha da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da América do Sul foi considerada excelente: 12 jogos, 10 vitórias e dois empates, se classificando em primeiro lugar. Embora tenham conseguido sua vaga só na repescagem, com uma vitória por placar mínimo e um empate com a Irlanda do Norte, a Suíça só ficou atrás de Portugal em seu grupo. Com o mesmo número de pontos (27) as duas seleções europeias tiveram os mesmos 10 jogos, nove vitórias, um empate e nenhuma derrota. Os portugueses só ficaram na frente pelo saldo de gols: 28 contra 16, dos suíços.

E o time do atacante Cristiano Ronaldo estreou na Copa da Rússia (aqui) com muita autoridade, no empate de 3 a 3 contra a Espanha, candidata ao título, na última sexta (15). Ademais, a Suíça tem no time aquele que é apontado como o maior jogador da sua história: o meia canhoto Xherdan Shaqiri (Stoke City), nascido em Kosovo, na antiga Iugoslávia.

No retrospecto do confronto direto entre as duas seleções, foram oito jogos, com três vitórias brasileiras, duas suíças e três empates. Em Copas do Mundo, só se enfrentaram uma vez: em 1950, no Brasil, num empate de 2 a 2. No último jogo, um amistoso em 14 de agosto de 2013, a vitória foi suíça: 1 a 0. Para quem espera uma goleada no jogo de hoje, bom lembrar que a Seleção Brasileira nunca conseguiu marcar mais de dois gols na Suíça. E vice-versa.

 

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Modric dá vitória a Croácia e faz pensar: por que não produzimos mais jogadores assim?

 

Categoria de Modric contra a Nigéria

 

Por conta do trabalho na cobertura da Copa da Rússia, ironicamente não pude assistir ao primeiro tempo de um dos confrontos que prometiam nesta primeira rodada: Croácia x Nigéria. Mas conferi o segundo tempo, quando aos 26 minutos foi ampliada a vitória croata para 2 a 0.

Não só por ter cobrado com muita categoria o pênalti bem marcado pelo árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci, mas pela capacidade de ler e mudar o jogo, dá um grande prazer ver o meia Luka Modric jogar.

Como a seleção da Croácia depende mais dele do que o Real Madrid, no qual brilha em meio a tantas estrelas, Modric notou que a Nigéria pressionava pelo empate no segunto tempo, enquanto perdia de apenas 1 a 0. E, ato contínuo, ele saiu da meia cancha para se aproximar do seu ataque e equilibrar a presão africana.

 

Sob a festa da torcida, jogadores da Croácia abraçam seu craque, após ele definir a partida (Foto: Jamie Squire/FIFA/Getty Images)

 

O resultado? Com volume de jogo igualado, Modric cobrou o escanteio que gerou o pênalti, também batido por ele, bola para um lado, goleiro para o outro. Garantidos os três pontos, a Croácia fica em posição privilegiada no difícil Grupo D, com o empate de 1 a 1 (aqui) entre Argentina e Islândia.

Ao brasileiro com algum conhecimento de futebol, ver Modric em campo torna inevitável o questionamento: após décadas com pelo menos um meia criativo em cada time de primeira divisão do país, como e por que paramos de produzir jogadores como esse cerebral croata?

 

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Argentina empata com a Islândia e Messi põe a barba de molho

 

Messi teve o pênalti defendido pelo bom goleiro islandês  Hannes Halldórsson (Foto: Albert Gea – Reuters)

 

Ontem, no empate Portugal 3×3 Espanha,  foi o dia (aqui) de Cristiano Ronaldo. Hoje, no empate Argentina 1×1 Islândia, não foi o dia de Lionel Messi. Se o atacante português fez três gols, de pênalti, bola rolando e cobrança de falta, o argentino perdeu um pênalti, cobrou faltas e tentou de tudo com a bola rolando, mas os caprichosos deuses do futebol simplesmente não lhe sorriram.

Bonito ver os fortes homens louros de uma pequena nação viking, com população menor do que o município de Campos, igualar o placar contra uma potência do futebol mundial. Dublê de goleiro e cineasta, o goleiro Hannes Halldórsson foi personagem de filme ao defender o pênalti de Messi, aos 19 do segundo tempo. Assim como passou à história do seu país o atacante Alfred Finnbogason, ao marcar o primeiro gol da Islândia em Copas do Mundo, aos 23 da etapa inicial, para empatar o placar aberto quatro minutos antes pelo argentino Sergio Agüero.

Ontem, após marcar o primeiro do seus três gols, Cristiano Ronaldo puxou (aqui) uma barbicha imaginária, numa referência à cabra — “goat” em inglês, abreviatura de “greatest of all time” (melhor de todos os tempos) — com que o craque argentino posou antes da Copa para uma revista dos EUA. Ao passar em branco hoje, Messi ostentava uma barba real. No contraste, melhor deixá-la de molho.

 

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Vanessa Henriques — Nem uma a menos

 

 

 

No último 14 de junho os movimentos feministas da América Latina conquistaram uma significativa vitória: um projeto de lei que despenaliza o aborto até a 14ª semana de gestação foi aprovado pela maioria na Câmara de Deputados da Argentina. Foram 129 votos a favor e 125 contra em uma vitória apertada que fez vibrar a multidão que ostentava lenços verdes ao lado de fora do Parlamento, em vigília desde a noite anterior, a despeito do frio de quase 0 grau. O projeto agora segue para o Senado, de composição mais conservadora, mas que não estará imune à pressão das milhares de mulheres, sobretudo jovens, que abraçaram fervorosamente a luta pelo direito de abortar na Argentina. Dezenas de colégios foram ocupados por meninas secundaristas que se manifestaram a favor do aborto e que se recusaram a desocupar as salas de aula até que obtivessem a aprovação do projeto.

O atual ministro da Saúde argentino, Adolfo Rubinstein, foi um dos defensores da aprovação do projeto de lei, afirmando que “47 mil mulheres deram entrada nos hospitais públicos do país, em 2014, após a realização do aborto em clínicas clandestinas” e que “em 2016 foram registradas 43 mortes maternas por aborto”.

Defender o direito à interrupção da gravidez até cerca de três meses de gestação não significa que se é “contra a vida”, como grupos conservadores querem fazer crer à população, de forma apelativa. Não se trata de matar crianças, de não gostar de crianças ou mesmo de gostar de abortar. Trata-se de defender um direito de interromper uma gravidez não desejada em um período da gestação em que o feto não possui atividade cerebral, critério esse que teve significativa importância na decisão do Supremo Tribunal Federal de descriminalizar o aborto de fetos anencéfalos no Brasil, em 2012. Na ocasião, de acordo com o entendimento firmado, “o feto sem cérebro, mesmo que biologicamente vivo, é juridicamente morto, não gozando de proteção jurídica e, principalmente, de proteção jurídico-penal”. Vale salientar que este também é o entendimento adotado na maior parte dos países considerados desenvolvidos.

A Pesquisa Nacional de Aborto, realizada em 2016, que é um inquérito domiciliar cuja amostra probabilística representa a população feminina de 18 a 39 anos alfabetizada no Brasil, aponta que uma em cada cinco mulheres já realizou um aborto no país. Metade dessas mulheres abortou usando medicamentos e cerca de metade dessas mulheres precisou ser internada para finalizar o aborto (48%). As taxas de aborto são maiores entre mulheres nas regiões Norte, Centro Oeste e Nordeste, em capitais do que em áreas não metropolitanas, em mulheres com escolaridade até o quinto ano do que com nível superior frequentado, entre negras e pardas do que em brancas, entre as mulheres que já tinham filhos do que entre as que nunca tiveram. Por fim, a pesquisa estima que no ano de 2015 ocorreram cerca de meio milhão de abortos no Brasil.

Estes dados nos permitem afirmar que o aborto é um fenômeno comum no Brasil. Mulheres abortam todos os dias por inúmeros motivos. Porque não se sentem preparadas para serem mães, porque não tem um relacionamento afetivo estável, porque não possuem boa condição financeira, porque se julgam jovens demais, porque não querem atrapalhar os estudos e/ou a vida profissional, porque não desejam ter filhos em nenhum momento da vida, porque não desejam ter mais um filho, porque sabem que terão que criar um filho sem a ajuda do pai, ou porque simplesmente não querem. Por qualquer motivo que seja, não querem. É sabido que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. E que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu alguma irresponsabilidade com relação à proteção na hora do sexo.

Cá no Brasil, para agosto está convocada uma audiência pública no STF para discutir a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Em 2016, uma decisão do mesmo STF firmou o entendimento de que o aborto até a 12ª semana é um direito constitucional das mulheres. A decisão não é vinculatória, mas estabelece um precedente importante. O debate promete avançar com a discussão pública sobre tema tão caro às mulheres de todo o país.

Encerro com o bordão entoado pelas argentinas: “Educação sexual para decidir, métodos contraceptivos para não abortar, aborto legal para não morrer”.

 

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Cristiano Ronaldo foi o mais velho a marcar três gols numa Copa

 

Aos 33 anos, Cristiano Ronaldo comemora seu terceiro gol, de falta, que empatou o jogo de 3 a 3 com a Espanha (Foto: Sergei Grits – AP)

 

Quem ainda está impressionado com os três gols marcados hoje por Cristiano Ronaldo contra a Espanha, a estatística histórica talvez impressione ainda mais. Ele não foi o único a marcar três vezes num jogo de Copa do Mundo. Mas, aos 33 anos, foi o mais velho a fazê-lo.

 

Aos 30 anos, Rob Rensenbrink marcou os três gols da vitória holandesa sobre o Irã do goleiro Nasser Hejazi, na Copa de 1978

 

Com o mesmo número de gols numa só partida de Copa e imediatamente abaixo do português em idade, estão dois outros atacantes: o holandês Rob Resenbrink e o uruguaio José Pedro Cea. Aos 30 anos, o primeiro marcou três gols contra a seleção do Irã. Foi na Copa de 1978, na Argentina, na qual a Holanda seria vice-campeã contra os donos da casa.

 

Aos 29, o artilheiro José Pedro Cea vence o goleiro da Iugoslávia pela primeira vez, antes de marcar mais dois pela vitória uruguaia de 6 a 1, em 1930

 

Já contra a ex-Iugoslávia, o uruguaio Cea anotou outros três. Ele tinha 29 anos na ocasião: a Copa de 1930, primeira de todas, disputada no seu país, que seria campeão.

 

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Cristiano Ronaldo manda recado a Messi: “o melhor do mundo sou eu!”

 

Na comemoração do seu primeiro gol, Cristiano Ronaldo acariciou uma barbicha imaginária, mandando um recado a Messi: “o melhor do mundo sou eu!” (Foto: Reuters)

 

Se alguém ainda não tinha certeza de que Cristiano Ronaldo é capaz de ser, em Copas do Mundo, aquilo que sempre foi jogando por clubes, seus três gols no empate de 3 a 3 com a Espanha, encerrado agora há pouco, não deixa mais margem a dúvida. Mesmo num jogo coletivo como o futebol, o atacante português provou hoje com um super-indivíduo, como ele é jogando bola, pode se igular ao melhor jogo coletivo do planeta: o tiki-taka espanhol.

No começo do mês, Messi posou para uma revista dos EUA com a camisa da Argentina e segurando uma pequena cabra, “goat” em inglês e abreviação de “greatest of all time”: o melhor de todos os tempos (Foto: Carles Carabí – Paper Magazine)

Talvez a habilidade e capacidade de decisão de Cristiano Ronaldo só tenha parelha em sua marra. Conhecido por se olhar no telão dos campos do mundo para ajeitar os cabelos sempre impecavelmente penteados, na cobrança de falta com que selou o empate com a Espanha, ele estava tão focado, que nem se deu ao trabalho de admirar a beleza física que acha ter.

Mas como Narciso acha feio o que não é espelho, o português não deixou de fazer uma provocação durante a partida. Após marcar o primeiro gol, num pênalti bobo que sofreu do lateral-direito Nacho, ele acariciou um cavanhaque imaginário. Talvez sem sentido ao público, o endereço do gesto foi certo: o atacante Lionel Messi, que estreia às 10h deste sábado na Copa da Rússia, no Argentina x Islândia.

No começo deste mês de junho, Messi posou para a resvista dos EUA Paper, vestindo a camisa da seleção argentina e segurando junto ao peito um pequeno cabrito marrom. Em inglês, cabra significa “goat”. Mas também costuma ser usado como abreviação de “greatest of all time” (o melhor de todos os tempos).

Desde a aposentadoria do francês Zinédine Zidane e do brasileiro Ronaldo Fenômeno, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo se rivalizam pelo posto de maior jogador de futebol do planeta. Em 2017, o português ganhou o prêmio da Fifa como melhor do mundo pela quinta vez, se igualando ao argentino. Hoje, após marcar o primeiro dos seus três gols, CR-7 disse ao mundo que o melhor é ele. Veremos que resposta Messi dará neste sábado.

 

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Indivíduo e coletivo empatam e dão show: CR 3×3 Espanha

 

Cristiano Ronaldo comemora seu terceiro gol no empate com a Espanha (Foto: Sergei Grits – AP)

 

 

Portugal e Espanha prometiam fazer o primeiro grande jogo da Copa da Rússia. E cumpriram com seis gols no placar final: 3 a 3. Quem também finalmente cumpriu a promessa de ser pela seleção portuguesa aquilo que, nos clubes, o levou a ser eleito cinco vezes pela Fifa como melhor do mundo, foi o atacante Cristiano Ronaldo. Ele marcou os três gols lusitanos, de pênalti (4’), em chute com bola rolando (44’) e de falta (88’), assumindo a artilharia do Mundial. Dois minutos depois, de cabeça e já nos descontos do árbitro, ele quase fez o quarto.

Se a grande virtude de Portugal é seu marrento atacante, a da Espanha é o jogo coletivo: o tiki-taka, baseado na posse de bola e troca incessante de passes, com o qual revolucionou o futebol na virada da primeira década do milênio. Se seu grande craque ainda é Andrés Iniesta, que disputa sua última Copa e saiu no segundo tempo, a equipe espanhola apresentou a sucessão do seu estilo de jogo em outros meias, como David Silva e o jovem Isco.

Muito criticada — inclusive na Copa do Mundo de 2010 que conquistou na África do Sul — por tocar bem a bola, mas sem capacidade de penetração, a Espanha arrumou um brasileiro para solucionar o problema. O centroavante sergipano Diego Costa empatou, um (24’) a um (55’), os dois primeiros gols de Cristiano Ronaldo. Depois, em chute forte do lateral-direito Nacho (58’) de fora da área, a Espanha passou à frente.

Mas o nome do jogo guardou uma cobrança de falta perfeita, no ângulo, para deixar tudo igual no placar final: Cristiano Ronaldo 3×3 Espanha.

 

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Vitória do Uruguai impressa no rosto do craque do Egito

 

Preso ao banco por uma contusão recente no ombro, o craque egípcio Mohamed Salah não esconde a decepção com o gol do Uruguai aos 43 do segundo tempo

 

 

Para quem acompanha futebol, é normal notar seu efeito trágico sobre os homens. Trágico no sentido dado pelos gregos antigos, não de se fazer tragédia. E, numa Copa do Mundo, o efeito se acentua quando impresso nos jogadores, em resumo de uma nação.

Quem assistiu ao Mundial de 94, nos EUA, como não lembrar do choro de rogozijo do atacante Rashidi Yekini (1963/2012), envolto nas redes da Bulgária, após marcar o primeiro gol da Nigéria na história das Copas?

 

 

No mesmo Mundial, embora a maioria lembre o pênalti decisivo perdido pelo atacante Roberto Baggio na final, que deu o título ao Brasil sobre a Itália, como esquecer o imerecido pranto de desconsolo do zagueiro Franco Baresi, caído de joelhos após desperdiçar a sua cobrança?

 

 

Nessa balança tênue entre o céu e o inferno, foi o mesmo drama estampado agora há pouco na face do craque egípcio Mohamed Salah, após ser obrigado a presenciar do banco o gol do zagueiro uruguaio José Gimenez, que definiu o placar aos 43 minutos do segundo tempo. Sem seu grande nome, o Egito marcou sob pressão nos dois tempos e claramente jogava pelo empate.

 

https://www.youtube.com/watch?v=-6cA1A5pDAE

 

Vindo de uma contusão no ombro há apenas 20 dias, Salah foi poupado para o jogo decisivo do Egito contra a Rússia, que ontem (14) goleou a Arábia Saudita por 5 a 0. Curado ou não, Salah deve entrar em campo na próxima terça, dia 19. E, se não for o suficiente para garantir sua presença na próxima fase, azar o da Copa.

Em que pese a simpatia natural pelos donos da casa, quem gosta de futebol torce para que Egito e Uruguai se classifiquem no Grupo A às oitavas de de final. Na dúvida, confira abaixo alguns lances do melhor jogador da liga inglesa na última temporada e maior craque do Magreb (a África do Norte dos islâmicos) de todos os tempos:

 

 

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Brasileiros da Rússia, Portugal, Espanha, Polônia, Costa Rica e México

 

O lateral-direito paulista Mário Fernandes estreou pela Rússia na goleada de 5 a 0 sobre a Arábia Saudita

 

O lateral-direito Mário Fernandes que estreou hoje (aqui) na goleada da Rússia de 5 a 0 sobre a Arábia Saudita, não será o único brasileiro a atuar na Copa por seleções de outros países. Haverá outros também com as camisas da Espanha, de Portugal e da Polônia.

 

Zagueiro e volante Pepe, alagoano que defende Portugal

 

Sergipano Diego Costa, titular do ataque da Espanha

 

Carioca Rodrigo Moreno, opção do banco para o ataque da Fúria

 

A partir das 15h desta sexta, três brasileiros estarão no Portugal x Espanha. Dois entrarão em campo: o volante e zagueiro Pepe na seleção portuguesa e o atacante Diego Costa, pela espanhola. No banco desta, ainda estará o atacante Rodrigo Moreno, filho do ex-lateral-esquerdo do Adalberto, que atuou pelo Flamengo nos anos 1980, antes de ir jogar na Espanha.

 

Thiago Alcântara, filho do brasileiro Mazinho, nascido na Itália e meia titular da Espanha

 

Zagueiro Bruno Alves, filho de brasileiro nascido em Portugal

 

Isso, sem contar com o meia Thiago Alcântara, outro titular da equipe espanhola. Filho do ex-jogador Mazinho — ex-Vasco e tetra com a Seleção Brasileira em 1994 —, ele nasceu na Itália, onde seu pai também jogou. O ténico Tite já declarou que, se não tivesse jogado na Espanha, Thiago seria convocado para o Brasil. No banco da equipe lusitana, também estará o zagueiro Bruno Alves, que é filho de brasileiro, mas nasceu em Portugal.

 

Zagueiro Thiago Cionek, paranaense que defende a Polônia

 

Outro jogador nascido no Brasil é o zagueiro Thiago Cionek. Ele está na seleção da Polônia, que estreia contra a Colômbia em 19 de junho. Ele se naturalizou polonês em 2011 e estreou pelo time nacional daquele país em 2014.

 

Volante Celso Borges, filho de brasileiro com a camisa da Costa Rica

 

Irmãos Giovani e Jonathan dos Santos, filhos de brasileiro na seleção do México

 

Como Thiago Alcântara pela Espanha, e Bruno Alves, por Portugal, a Copa da Rússia terá outros jogadores também com naci0nalidade brasileira, embora não tenham nascido aqui: o meia Celso Borges, que defenderá a Costa Rica; e os irmãos e meias Jonathan dos Santos e Giovani dos Santos, pelo México.

 

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Nas surpresas de sempre, aposta na Bélgica, Portugal e Croácia

 

Após listar aqui as seleções favoritas na Copa da Rússia — Alemanha, Brasil, Espanha, França e Argentina — o leitor Fernando perguntou aqui: “E não terá nenhuma supresa?”. Sempre há. Há aquelas seleções que decepcionarão e voltarão mais cedo para casa. Campeãs, respectivamente, em 1998, 2006 e 2010, a França, a Itália e a Espanha sequer passaram pela primeira fase nas Copas seguintes, em 2002, 2010 e 2014. Até um bicampeão, como o Brasil em 1958 e 62, também não foi além da fase de grupos na Copa de 1966.

Em contrapartida, sempre há aquelas seleções das quais ninguém espera muito, mas surpreendem positivamente. Embora nunca tenham chegado à final. Foi o caso da Camarões de Roger Milla, que só caiu na prorrogação das quartas de final de 1990, após colocar a Inglaterra na roda de bobo; da Bulgária de Hristo Stoichkov, 4ª colocada em 94; da Croácia de Davor Suker, 3ª em 98; da Turquia de Hakan Sükür, 3ª em 2002; do Portugal de Luís Figo, 4º em 2006; do Uruguai de Diego Forlán, 4º em 2010; e da Costa Rica do goleiro Keylor Navas, que em 2014 derrotou Uruguai e Itália na primeira fase, empatando com a Inglaterra, para só cair nas quartas de final, na disputa de pênatis, após empatar sem gols e no tempo normal e prorrogação contra a Holanda.

Supresas como as listadas nos dois parágrafos acima são impossíveis de se prever. Mas, se tivesse que apostar em seleções com potencial para fazer uma bela campanha, mesmo sem talvez romper o tabu de chegar à final, listaria três:

 

Eden Hazard, camisa 10 da Bélgica e considerado um dos mais habilidosos no futebol de clubes da Inglaterra

 

1) a Bélgica, cuja geração dos meias Eden Hazard e Kevin De Bruyne, respectivamente do Chelsea e do Manchester City, é muito boa — a melhor desde a que encantou o mundo nos anos 1980, com Eric Gerets e Enzo Scifo — e já pegou rodagem após cair nas quartas de final de 2014;

 

Cristiano Ronaldo, craque inconteste em clubes, mas ainda a dever em Copa do Mundo

 

2) Portugal, cuja conquista da Eurocopa de 2016 indica que finalmente se conseguiu montar uma equipe equilibrada para dar suporte ao talento de Cristiano Ronaldo, eleito melhor jogador do mundo cinco vezes pela Fifa, mas ainda sem dizer a que veio em Copas do Mundo;

 

Luka Mocric, cérebro do meio de campo da Croácia

 

3) e a Croácia, grande herdeira da clássica escola da ex-Iugoslávia, os “brasileiros do Leste Europeu”, que pega um grupo difícil, com a Argentina de Messi e a sempre temida Nigéria, mas tem em Luka Mocric, meia do Real Madrid, um dos maiores organizadores do futebol mundial.

 

Mohamed Salah, destaque pelo Liverpool no Campeonato Inglês, é a esperança do Egito

 

Muito provavelmente, alguma seleção não listada entre as três opções acima, surpreenderá positivamente. Alguma equipe africana sempre aparece bem. Além da já citada Nigéria, pode ser o Senegal ou o Egito, que deposita suas esperanças no talento do craque Mohamed Salah, astro do Liverpool, mas vem de contusão e é dúvida nesta sexta contra o Uruguai dos perigosos atacantes Luisito Suárez e Edson Cavani, respectivamente do Barcelona e Paris Saint-Germain.

 

Craque da Colômbia e revelação da Copa de 2014, James Rodriguez não emplacou no Real Madrid

 

Num grupo teoricamente fácil, talvez a Colômbia possa repetir ou até superar a boa campanha de quatro anos atrás, quando caiu nas quartas de final. Seu grande craque, o meia-esquerda James Rodriguez foi a revelação da Copa de 2014. E marcou o gol mais bonito da competição, na vitória  de 2 a 0 sobre o Uruguai. Mas o jogador foi para o Bayer de Munique, após não ter emplacado no Real Madrid.

 

Zagueiro Rafa Márquez, do México, vai para a sua quinta Copa do Mundo

 

Em condições normais, o México do veterano zagueiro Rafa Márquez, que vai disputar sua quinta Copa, é conhecido por endurecer contra os grandes. Assim como a velocidade e a aplicação tática da Coreia do Sul — 4ª colocada na Copa que sediou em 2002, junto com o Japão — podem complicar a vida dos favoritos. Mas mexicanos e sul-coreanos cairam no mesmo grupo da poderosa Alemanha, que tem ainda a Suécia, vice-campeã em 1958 e 3ª em 50 e 94.

O futebol é jogado por homens. E, como ressalvou o filósofo espanhol Ortega y Gasset: “o homem é ele e suas circunstâncias”.

 

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