Portugal, Uruguai e Espanha sofrem, mas vencem pelo placar mínimo

 

“Não há mais bobo no futebol”. Mais batida que a terra em campo de várzea, a frase foi o lema nos três jogos de hoje pela segunda rodada da Copa da Rússia. Verdade que as fortes seleções de Portugal, Uruguai e Espanha conquistaram suas vitórias. Mas contra adversários sem grande história, como respectivamente Marrocos, Arábia Saudita e Irã, o atual campeão europeu e os dois ex-campeões mundiais não foram além do placar mínimo: 1 a 0.

Apesar das três seleções islâmicas conseguirem endurecer as partidas, suas atuações podem ser definidas na contrapartida de outro chavão do futebol: “jogaram como nunca e perderam como sempre”. E se a Copa da Rússia também tem se marcado pela atuação decisiva dos atacantes, hoje não foi diferente: brilharam o português Cristiano Ronaldo, o uruguaio Luisto Suárez e o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa.

 

Cristiano Ronaldo comemora seu gol contra Marrocos, que o isolou com quatro na artilharia da Copa (Foto: Stu Forster – Getty Images)

 

No jogo das 9h, logo aos quatro minutos do primeiro tempo, numa cobrança de escanteio em dois toques pela direita, CR7 deu um drible de corpo em seu marcador antes de usar a cabeça para abrir o placar: Portugal 1×0 Marrocos. Com o gol, o artilheiro luso somou quatro e se isolou na artilharia do Mundial. Jogadores mais técnicos que sauditas e iraniamos, os marroquinos pressionaram bastante todo o resto do jogo, mas ficou nisso.

 

 

Na partida seguinte, iniciada ao meio-dia, outro perigoso atacante marcou seu primeiro gol na Copa da Rússia. Na cobrança de mais um escanteio, mas da esquerda, Luisito Suárez também se livrou do marcador na disputa dentro da área, antes de usar a perna canhota para abrir o placar: Uruguai 1×0 Arábia Saudita.

 

Após passar em branco na estreia do Uruguai, Luisito Suárez hoje marcou o gol da vitória (Khaled Desouki – AFP Photo)

 

Embora formem a seleção mais fraca das 32 presentes na Rússia, os sauditas também buscaram o empate, mas esbarraram em suas próprias limitações e na conhecida garra uruguaia.

 

 

No último jogo do dia, foi onde outro favorito mais penou. E diante do que melhor sabe se defender entre os candidatos à zebra do dia. Após um primeiro tempo sem gols e resumido a um treino entre seu ataque e a defesa do Irã, a Espanha voltou mais determinada na etapa final. Mesmo sem jogar grande partida, o veterano Andrés Iniesta mostrou ainda ter os lampejos de um dos maiores meias da história do futebol.

 

Diego Costa comemora seu gol, qua aliviou a pressão sobre a Espanha, após bom passe de Iniesta (Francois Nel – Getty Images)

 

Aos 9 minutos do segundo tempo, o maestro espanhol avançou pelo meio e serviu a Diego Costa, dentro da área. O centroavante sergipano girou sobre um marcador e, no bate rebate com outro, a bola bateu na sua canela e entrou: Espanha 1×0. Como as outras duas seleções muçulmanas do dia, o Irã também lutou pelo empate, com a mesma ausência de sucesso.

 

 

 

Promessa da quinta: Argentina de Messi x Croácia de Modric

 

Nesta quinta, será a vez de outros dois candidatos a zebra tentarem a sua sorte. Às 9h, a Austrália vai pegar a Dinamarca — em tese a menos favorita do dia. Às 11h, o Peru encara uma candidata ao título: a França do clássico meia Paul Pogba. Já às 15h, o confronto é a promessa de grande jogo: Argentina x Croácia.

 

Duelo comum nos confrontos ente Barcelona e Real Madrid, Messi e Modric se enfrentam nesta quinta no Argentina x Croácia

 

Também postulante ao Mundial, antes de nele estrar com um decepcionante empate de 1 a 1 com os vikings da Islândia, o time do gênio Lionel Messi vai ter pela frente as camisas quadriculadas da maior herdeira da antiga Iugoslávia, respeitada escola do futebol mundial. A Croácia será mais uma vez comandada dentro de campo pelo meia Luka Modric, regente e solista da vitória de 2 a 0 contra a Nigéria.

 

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Blog elege seleção da primeira rodada da Copa da Rússia

 

Encerrada hoje a primeira rodada da Copa, o blog elege sua seleção entre as 32 que se apresentaram. São nove jogadores europeus e dois sul-americanos, o que demonstra até aqui o franco domínio do futebol do Velho Mundo nos campos da Rússia. Para diminuir a diferença, pelo menos fora do campo, o técnico é o colombiano que comanda o México:

 

Goleiro: Hannes Halldórsson (Islândia)

 

Lateral-direito: Nacho Fernández (Espanha)

 

Zagueiro: Diego Godín (Uruguai)

 

Zagueiro: José Giménez (Uruguai)

 

Lateral-esquerdo: Aleksandar Kolarov (Sérvia)

 

Meia: Luka Modric (Croácia)

 

Meia: Kevin De Bruyne (Bélgica)

 

Meia: Isco (Espanha)

 

Meia: Dries Mertens (Bélgica)

 

Atacante: Cristiano Ronaldo (Portugal)

 

Atacante: Denis Cheryshev (Rússia)

 

Técnico: colombiano Juan Carlos Osorio (México)

 

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Melhor jogo, jogador, técnico, time e relevações da primeira rodada

 

Encerrada hoje a primeira rodada entre as 32 seleções da Copa da Rússia, o blog elege seus destaques:

 

1 – Melhor jogo: Portugal 3×3 Espanha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 – Maior craque: Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo marcou os três gols de Portugal no empate com a Espanha

 

 

3 – Melhor seleção: Bélgica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 – Melhor técnico: Juan Carlos Osorio (México)

Técnico do México, o colombiano Juan Varlos Osorio deu um nó na campeão Alemanha (Foto: EPE)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 – Seleção revelação: Rússia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6 – Jogador revelação: Denis Cheryshev (Rússia)

O atacante Denis Cheryshev saiu do banco para marcar dois gols e ser eleito pela Fifa como melhor em campo no Rússia 5×0 Arábia Saudita, jogo de abertura da Copa (Foto: Getty Images)

 

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Orávio de Campos — “Puxadinho” no Centro Histórico

 

Através das redes sociais, o professor Heidenfeld Júnior denuncia a realização de mais um “puxadinho” no nosso Centro Histórico — o mais importante do interior do Estado do Rio, por conter, ainda, belos espécimes da chamada arquitetura eclética — protegido por legislação específica, com destaques para o Plano Diretor e a Lei Orgânica reformada recentemente através de ação do Dr. Edson Batista, após inúmeras reuniões com as principais lideranças da cidade.

A vítima, desta vez, é o prédio, estilo engomador, situado no Largo do Renne (homenagem a João Renne), esquina de Santos Dumont com 7 de Setembro, um dos primeiros do “centro”, após a reforma proposta pelo sanitarista Saturnino de Brito, no clamor da enchente de 1906. Conta Hélvio Cordeiro, no seu “Historiar”, que “(…) o edifício sempre foi privilegiado pela sua excelente localização, facilmente notado por quem passava de bonde, na época puxado por tração animal (…)”

Sem nenhuma placa identificando os responsáveis, um grupo de pedreiros estava, perigosamente, ultimando a demolição de uma das colunas e danificando os desenhos da marquise, com o objetivo de abrir (mais) a porta, o que não é permitido em edifícios tombados pela lei municipal 8487/2013, na qual está prevista, com rigor, uma série de punições para quem atenta contra as características originais dos patrimônios, sem autorização do poder público.

O estrago ocorreu em horário comercial e não apareceram fiscais de Obras, nem de Posturas, para conter a irregularidade: uma tônica na atual administração pela falta de conhecimento sobre o assunto, o que pode resultar (espera-se que não aconteça) na perda de peças importantes do centro histórico, em prejuízo dos nossos foros de civilização. Isso, como o caso do Renne, quando não redundar em vítimas fatais em decorrência de obras sem cálculos estruturais.

Realmente, não é fácil a luta contra interesses capitalistas, cujos objetivos é derrubar a cidade e transformá-la num amplo estacionamento de automóveis. Mesmo com apoio da prefeita Rosinha, tivemos dificuldades na nossa gestão, enquanto presidente do conselho. Havia uma reação forte de outras secretarias e órgãos de fiscalização e, por isso, alguns processos eram despachados sob o argumento de que o determinado imóvel não estava listado na lei 7.972/2008.

Na época, apelamos para a Procuradoria Geral lembrando a existência de outros motivos para a preservação, inclusive a ambiência, os conjuntos arquitetônicos e até mesmo a paisagem urbana e o contexto histórico. E que preservação se dá num sentido mais amplo, no além das peças arquitetônicas, e que contemplam, também, as imaterialidades, embora este juízo seja altamente subjetivo demandando uma série de estudos sobre os fazeres, sabores e dizeres da sociedade…

Solicitamos um parecer sobre a Lei 8487/13, e fomos atendidos, no que no relacionava à interpretação do artigo 6º (Das Competências), no seu inciso III, que diz:  “(…) III – Emitir parecer quanto à demolição, no caso de ruína iminente, modificação, transformação, restauração, pintura ou remoção de bens e imóveis tutelados e protegidos, em conformidade com o Plano Diretor e por estarem localizados no quadrilátero considerado como de Área Especial de Interesse Cultural (Aeic) e ou tombados pelo município. (…)”

A partir do parecer favorável, os processos sobre imóveis dentro do quadrilátero citado no Plano Diretor, com entrada na S, passaram, necessariamente, a ser submetidos ao Coppam, tivessem (ou não) relevância histórico-cultural, por decisão definida pelos conselheiros nas reuniões ordinárias publicadas no diário oficial. Pelo que se percebe (hoje) as leis foram jogadas no lixo, pois as pessoas não estão sendo capazes de dirigir um conselho com poderes executivos.

No último dia 13 de junho, a Câmara Municipal aprovou a mensagem do alcaide, modificando a instância de poder do Coppam, agora sob a responsabilidade da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, retirando do fogaréu o subsecretário adjunto de Cultura e Preservação do Patrimônio Histórico, que, no entanto, continua prestando seus serviços à secretaria de Educação. Felizmente, não modificaram a lei 8487/13, em sua essencialidade.

Na justificativa, o prefeito argumenta: “Dessa forma, espera-se que as atividades do Coppam ganhem maior dinâmica e celeridade, garantindo-se, em razão disso, a preservação do patrimônio histórico e cultural do Município”.  Bom, vamos rezar, agora, para o fim dos “puxadinhos” nos prédios históricos do “centro” e que a legislação seja, finalmente, cumprida pela nova administração; inclusive para que os fiscais possam exercer, com rigor, suas funções com zelo e dignidade.

Amém…

 

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Debate das dores na perna de Neymar abafa questão do individualismo

 

Com corte de cabelo diferente, mas a mesma mão que costuma levar ao rosto para valorizar as faltas que sofre, Neymar deixou o treino de hoje na Seleção com dores na perna direita (Foto: Hannah McKay – Reuters)

 

Saber o que Neymar de fato sentiu hoje, ao abandonar o treino e sair de campo puxando da perna direita, é uma incógnita. O assessor de imprensa da CBF Vinícius Rodrigues disse que as dores são fruto de pancadas que o atacante sofreu no empate de 1 a 1 (aqui) com a Suíça, e não teria nada a ver com a cirurgia à qual ele se sumeteu há pouco mais de três meses, no pé direito.

Ainda que a atual comissão técnica seja bem diferente da que conduziu o Brasil na Copa de 2010, na África do Sul, o fato de é que uma contusão no púbis de Kaká foi minimizada naquela ocasião. Só após o time ser desclassificado por 2 a 1, nas quartas de final contra a Holanda, é que foi revelada a gravidade do problema, que acabaria por abreviar a carreira do jogador.

De concreto, Neymar apresentou hoje um novo penteado, mais curto, após seu proeminente topete louro, na estreia da Seleção na Copa, ser alvo de memes em todo todo o mundo. Enquanto imprensa especializada e torcida discutem a causa das dores na perna do craque brasileiro, uma questão anterior e talvez mais importante ficou submersa: o técnico Tite conversou com ele sobre os excessos de individualismo que, além das pancadas recebidas, nada produziram de concreto no empate contra a Suíça?

 

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Salah marca, mas Rússia vence de 3 a 1 e fica muito perto da vaga

 

Salah marcou o gol egípcio no pênalti que sofreu, na vitória da Rússia por 3 a 1 (Foto: Dylan Martinez – Reuters)

 

Mesmo sem condições ideais, vindo de contusão no ombro há menos de um mês, o craque egípicio Mohamad Salah estreou na Copa. Ele buscou o jogo, criou e finalizou algumas vezes, chegando ao gol após converter o pênalti que sofreu — só marcado após consulta ao VAR. Mas a vitória foi da Rússia: 3 a 1. A dona da casa foi primeira a praticamente garantir sua vaga às oitavas de final. E com justiça: em dois jogos, foram duas vitórias sete gols marcados e apenas um (o de Salah) sofrido.

No jogo de meio-dia desta quarta (20) pelo Grupo A, não se espera outro resultado do Uruguai de Luisito Suárez, que não a vitória sobre a fraca Arábia Saudita. Assim, a outra vaga parece também encaminhada. Tudo indica que russos e uruguaios decidirão, às 11h do próximo dia 25, quem ficará em primeiro e segundo lugares no grupo. Seus oponentes devem ser definidos no dia seguinte, na última rodada do Grupo B, no qual estão a Espanha de Andrés Iniesta e Portugal de Cristiano Ronaldo.

Antes, pela segunda rodada, às 9h de desta quarta os portugueses enfrentam o Marrocos. Os espanhois entram em campo um pouco depois, às 15h, contra o Irã.

No jogo encerrado agora há pouco, após um primeiro tempo equilibrado e sem gols, o placar foi aberto pela Rússia logo aos dois minutos da etapa final, num gol contra do lateral-direito Ahmed Fathy. Com mais espaços pela necessidade do Egito de empatar, os russos ampliaram. Aos 14 minutos, após cruzamento do lateral-direito brasileiro Mário Fernandes, o habilidoso atacante canhoto Denis Cheryshev bateu de primeira para marcar o segundo — seu terceiro na Copa, empatando na artilharia com Cristiano Ronaldo.

Aos 17 minutos, um lançamento longo encontrou o centroavante russo Artem Dzyuba na área. Apesar de grandalhão, ele demonstrou bastante técnica ao dominar no peito, driblar o marcador e bater rente à trave direita, sem chances para o goleiro El Shenawy. Aos 28, numa infiltração pela área, Salah foi agarrado. O juiz paraguaio Enrique Caceres inicialmente marcou falta, mas acionado pelo VAR, conferiu a imagem e confirmou o pênalti, convertido pelo craque africano.

Matematicamente, os russos ainda não garantiram sua vaga, nem o egípcios estão de fora. Mas salvo uma zebra pintada, os donos da casa estarão nas oitavas de final. E o melhor jogador da Major League na última temporada, atuando pelo Liverpool, fará sua última participação neste Mundial, às 11h do próximo dia 25, contra a Arábia Saudita.

Sem Salah, será uma Copa mais pobre.

 

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Primeira rodada concluída com a vitória do único técnico negro na Rússia

 

Capitão em campo do Senegal que derrotou a França de Zidane em 2002, Aliou Cissé é o único treinador negro das 32 seleções presentes na Copa da Rússia

 

Na Copa de 1990, na Itália, Camarões chegou às quartas de final contra a Inglaterra. Perdeu na prorrogação, mas antes impressionou o mundo ao pôr os inventores do futebol na roda de bobo. Desde então, em quase todas as edições da Copa do Mundo, a África trouxe uma equipe que encantava por aliar criatividade, velocidade e força física. Dizia-se, no entanto, que faltava organização tática aos africanos. E, por conta disso, suas seleções passaram a importar treinadores europeus — todos brancos.

Nesse sentido (ou no contrário), foi importante que a primeira fase da Copa tenha sido encerrada hoje com a primeira vitória de uma seleção da África na Rússia, única entre as 32 presntes a ser treinada por um negro: Aliou Cissé, cujo Senegal derrotou agora há pouco a Polônia, por 2 a 1. Como jogador, Cissé foi meia e capitão de Senegal na Copa de 2002, que também supreendeu o mundo ao derrotar por 1 a o a França de Zidane, campeã do mundo em 1998.

No jogo de hoje, o placar foi aberto aos 37 minutos do primeiro tempo, quando o meia Idrissa Gueye chutou de fora da área e a bola desviou no zagueiro brasileiro naturalizado polonês Thiago Cionek, enganando o goleiro Wojciech Szczesny. Em lance polêmico, no qual estava na lateral para ser substituído, mas foi autorizado a entrar em campo pelo árbitro, o atacante M’Baye Niang aproveitou uma bola atrasada, aos 15 da segunda etapa, para ampliar o placar. De cabeça, o meia Grzegorz Krychowiak diminuiu para a Polônia, aos 40.

 

Jogadores do Senegal na dança de comemoração após a vitória sobre a Polônia

 

Por mais restrições que se faça ao politicamente correto, ver um time de jogadores negros, treinado por um negro, dar a primeira vitória ao continente negro na Rússia, é algo simbólico. E não dá para não se deixar contagiar com a festa africana na comemoração.

 

Torcida japonesa fez a festa na vitória de 2 a 1 sobre a Colômbia, p´rimeira de uma seleção asiática sobre uma sul-americana numa Copa do Mundo (Foto: Jack Guez – AFP)

 

Um pouco antes, com a celebração foi japonesa, pela vitória de 2 a 1 sobre a Colômbia. Foi a primeira vez que uma seleção asiática derrotou uma sul-americana em Copas do Mundo. Agora, para a supresa geral, o grupo H é liderado por Senegal e Japão.

Para abrir a segunda rodada, de volta ao Grupo A, que venha agora o Egito. Representante da África do Norte, sua seleção vai enfrentar os donos da casa, favoritos depois da Rússia abrir a Copa no 5 a 0 contra a Arábia Saudita. E, mesmo talvez ainda não curado de uma contusão no ombro há menos de um mês, que possa brilhar o craque Mohamed Salah.

 

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Há 68 anos, Brasil já culpava o juiz pelo empate na Copa com a Suíça

 

A Seleção Brasileira empata com a Suíça num jogo de Copa do Mundo. E boa parte da imprensa e torcida do país do futebol culpam a arbitragem pelo resultado abaixo do esperado. Brasil 1 x 1 Suíça em 17 de junho de 2018, pela Copa da Rússia?

Na verdade, foi um poquinho antes. Era 28 de junho de 1950, quando o Brasil 2 x 2 Suíça foi disputado no Pacaembu, na primeira Copa do Brasil. No último domingo, na Arena de Rostov, as duas seleções teriam seu segundo encontro em Mundiais.

No empate mais recente, o juiz mexicano Cesar Ramos foi considerado culpado pelo futebol que a Seleção Brasileira não apresentou para derrotar os suíços. E pelos mesmos motivos, há 68 anos o responsabilizado foi o árbitro espanhol do primeiro empate: Sr. Azon.

No contraste (ou sua ausência) entre passado e presente, uma certeza: quase sete décadas antes do VAR, já éramos campeões no mi-mi-mi. E foi antes mesmo de ganharmos nossa primeira Copa do Mundo, em 1958.

Abaixo, para tirar qualquer dúvida, a reprodução da página 11 do jornal A Gazeta Esportiva, em sua edição de 29 de julho de 1950, com a repercussão do empate da Seleção Brasileira em 2 a 2 com a Suíça, válido pela segunda rodada do Grupo 1 da Copa do Mundo de 1950, no Brasil:

 

No destaque, as reclamações da imprensa brasileira contra a arbitragem, para tentar justificar o futebol não apresentado no empate Brasil 2 x 2 Suíça, válido por uma Copa do Mundo

 

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Brasil na Copa da Rússia: VAR, arbitragem e necessidades do campo

 

Neymar na síntese da sua atuação no Brasil 1×1 Suíça: valorizando a falta sofrida numa jogada individual e distante da área (Foto: Li Ming – Xinhua)

 

Hoje, um amigo e torcedor raiz de futebol, que não brota só na nutela servida de quatro em quatro anos, perguntou sobre um suposto complô contra a Seleção Brasileira na Copa da Rússia. É o mesma tipo de conversa surgida após a crise convulsiva de Ronaldo Fenômeno, antes da final da Copa de 1998, vencida com integral justiça pela França de Zinédine Zidane.

É como se o Brasil não pudesse perder um jogo por uma infelicidade. Ou simplesmente porque teve pela frente um time melhor. Particularmente, julgava que esse “complexo de vira-latas” às avessas tivesse sido sepultado pela humilhação dos 7 a 1 impostos pela Alemanha na última Copa, em pleno Mineirão. Mais eis que, após o empate de 1 a 1 com a Suíça, ele parece ressurgir dos mortos, como zumbi de filme B.

A CBF fez hoje uma queixa formal à Fifa, que já confirmou ver acerto nas decisões do árbitro mexicano Cesar Ramos. Ela se refere à não utilização do recurso do VAR (árbitro assistente de vídeo) e suas 33 câmeras em dois lances polêmicos: o empurrão trocado entre o zagueiro Miranda e o meia Zuber, no lance do gol suíço; além do suposto pênalti do zagueiro Akanji, que envolveu com os braços o atacante Gabriel Jesus, antes do brasileiro cair dentro da área.

Sobre essas queixas, tratadas desde ontem aqui, na matéria sobre o jogo, mas também sobre o futebol apresentado pela Seleção Brasileira na Copa da Rússia, algumas observações talvez sejam pertinentes:

 

(Reprodução de TV)

1 – Como mostra a foto, o uso dos braços entre Miranda e Zuber foi recíproco, no contato que existe dentro da área em qualquer lance de bola parada, desde que ela é redonda. Depende de interpretação afirmar se foi suficiente para tirar o zagueiro do lance. De concreto: não seria se ele estivesse marcando o adversário, não a bola.

2 – Miranda não acusou o empurrão de imediato. Assim como os demais jogadores brasileiros, ele só passou a se queixar ao árbitro após o lance ser reprisado no telão do estádio. Ironicamente, jogando pelo São Paulo, o zagueiro usou o mesmo recurso de Zuber, em gol validado contra o Corinthians, na semifinal do Paulistão de 2009. Confira abaixo:

 

 

3 – Inquestionável que Akanji envolveu Gabriel Jesus com os braços dentro da área. Mas se o motivo da queda foi o zagueiro suíço ter agarrado por trás o jovem atacante brasileiro, como este caiu para frente? Não depende de interpretação, mas de lógica: não foi pênalti.

 

Por trás, Akanji envolve com os braços Gabriel Jesus, que caiu para frente (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

 

4 – Ao contrário do que se pensa, o VAR não fica nos estádios da Rússia, mas numa central em Moscou. E funciona como via de mão dupla: tanto o árbitro de campo pode acioná-lo, quanto ser acionado por ele. Se o juiz Cesar Ramos não foi acionado, é porque o VAR não constatou evidência contrária à sua decisão. E lances de gol ou suposto pênalti têm checagem obrigatória.

 

Árbitros auxiliares ficam na central do VAR, que não fica em cabines nos estádios da Rússia, mas numa central em Moscou (Foto: Dmitri Lovetsky – AP)

 

5 – Noves fora o mi-mi-mi da arbitragem, como também foi constatado na matéria após o jogo de ontem, Neymar sofreu 10 das 19 faltas contra o Brasil. Destas, quatro foram relativamente próximas à área suíça, não as outras seis. Neymar sofre muitas faltas ou chama muitas faltas? Se for o segundo caso, qual a finalidade de forçá-las longe da área?

6 – Neymar atua pelo lado esquerdo do campo. No Brasil, joga com Marcelo atrás, Phillipe Coutinho ao lado e Gabriel Jesus (ou Firmino) à frente. São todos habilidosos, leves e rápidos. Por que, então, forçar tanto as jogadas individuais? Cercado de jogadores de características semelhantes, dividir a posse da bola não seria mais inteligente? Tite vai fazer algo a respeito?

 

Phillipe Coutinho, no belo chute de fora da área com que abriu o placar contra a Suíça no primeiro tempo. No segundo, sobrecarregado, se apagou (Foto: Getty Images)

 

7 – O Brasil não tem um organizador no meio de campo. É o tipo de jogador bem representado no espanhol Iniesta, no francês Pogba, no croata Modric, no alemão Kross e no belga De Bruyne. A sobrecarga de Phillipe Coutinho por ter que fazer também essa função, voltando para buscar a bola, pode ter sido a causa da sua sensível queda de rendimento no segundo tempo.

8 – Tite foi criticado em suas substituições. Mas agiu certo ao colocar Fernandinho no lugar de Casemiro, que tinha cartão amarelo e seria forçado a marcar faltas pela necessidade do Brasil atacar, após o empate da Suíça. Ao colocar Renato Augusto no lugar de Paulinho, ele tentou dar a criatividade que faltava ao seu meio de campo, mas pelo menos ontem não surtiu efeito.

 

Na disputa entre Gabriel Jesus e Firmino pelo comando de ataque, o segundo foi melhor na Major League e o primeiro, na Seleção antes da Copa

 

9 – A dúvida entre Gabiel Jesus e Firmino é tão difícil quanto o lance entre Miranda e Zuber. Na Major League, Firmino fez 15 gols em 37 jogos na última temporada pelo Liverpool, onde é titular. Reserva do argentino Agüero no Manchester City, Gabriel fez 13 gols em 29 partidas. Na Seleção, Gabriel foi melhor: 10 gols em 18 jogos, contra os 6 gols em 22 partidas de Firmino.

10 – Como registrou a matéria que anunciou aqui o Brasil x Suíça, nada indicava vitória fácil, com placar elástico. Até ontem, o confronto direto entre as duas seleções marcava três empates, três vitórias brasileiras e duas suíças. Grandes Seleções Brasileiras, como a de 1950, de Zizinho; e a de 82, de Zico; empataram com a Suíça. Agora, com mais um empate, se reforça o equilíbrio.

11 – Contra a Costa Rica, adversária do time de Tite às 9h da manhã desta sexta (22), a estatística aponta uma história bem diferente. Em 10 jogos, foram nove vitórias brasileiras, nenhum empate e uma derrota. Atual líder do Grupo E, a Sérvia só conseguiu bater a Costa Rica com um gol de falta. Fazer mais é obrigação de qualquer candidato sério à conquista da Copa.

 

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Bélgica estreia com 3 a 0 contra o debutante Panamá

 

O experiente Lukaku usou a cabeça para marcar seu primeiro gol, após passe de três dedos do maestro belga De Bruyne (Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

 

 

Oito seleções integram o seleto clube dos campeões mundiais de futebol: Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, Espanha, França e Inglaterra. Há apenas 20 anos, o grupo era ainda elitizado: apenas seis, já que a França conquistou seu único título em 1998,  enquanto a Espanha, só em 2010. E até o terem feito, sempre que apresentavam um bom time em Mundiais, era comum se questionar: mas nunca venceram a Copa.

Coube a jogadores de exceção como o francês Zinédine Zidane, além dos espanhois Xavi Hernández e Andrés Iniesta, reescrever com seus pés os conceitos do mundo da bola.

Isso posto, pode se dizer que a única coisa que separa seleções como Portugal e Bélgica da condição de favoritas ao título na Copa da Rússia, é o fato de não terem sido antes campeãs. Da estreia portuguesa no empate de 3 a 3 com a Espanha — ainda com Iniesta —, muito já se escreveu sobre a atuação (aqui) do atacante Cristiano Ronaldo.

Do que já vi em Mundiais desde 1982, acompanhando-as como jornalista desde 90, afirmo com alguma segurança: abaixo apenas de Diego Maradona nas quartas de final contra a Inglaterra, em 86; e de Zidane em 2006, também na fase de quartas, diante do Brasil; o que o português fez na Rússia foi o melhor desempenho individual que já vi num jogo de Copa.

Para Portugal, é preciso ainda demonstrar a consistência do time para além do seu grande craque. Além de descobrir se CR7 vai conseguir manter o nível himalaio do seu primeiro jogo e não padecer de vertigem. Mas quem agora há pouco também estreou com pé direito, com uma vitória de 3 a 0, foi a Bélgica.

Bem verdade que diante do Panamá, debutante em Copa do Mundo, os “Diabos Vermelhos” da Europa até que ameaçaram atear fogo à partida, mas acabaram cozinhando o primeiro tempo em banho maria. A temperatura se elevaria já no início do segundo, quando o atacante Dries Merten abriu o placar num belo chute de primeira, de fora da área.

Com os panamenhos visivelmente cansados pelo esforço de suportar o volume de jogo belga, mais a necessidade de correr atrás do placar adverso, coube ao centroavante Romelu Lukaku definir a partida. Maior goleador da história da sua seleção, ele hoje guardou mais dois: aos 24 e 30 da etapa final.

Do seguro goleiro Thibaut Cortouis ao seu experiente artilheiro, a Bélgica tem uma grande geração. Jovem em 2014, já era apontada como candidata ao título, mas caiu nas quartas de final contra a Argentina. De lá para cá, com vários jogadores brilhando nos principais clubes europeus, dá sinais de ter adquirido a maturidade necessária para voos mais altos na Rússia.

Embora o maior valor da Bélgica seja o equilíbrio coletivo, tecnicamente nivelado por cima, dois meias são destaques: o incisivo Eden Hazard e o clássico Kevin De Bruyne, cérebro do time. O segundo gol do jogo nasceu de uma tabela entre os dois, quando De Bruyne bateu de três dedos para colocar a bola na cabeça de Lukaku. Já no terceiro, foi Hazard quem puxou o contra-ataque e serviu ao centroavante, que concluiu com categoria por cima do goleiro Penedo.

A Bélgica nunca ganhou uma Copa do Mundo. Diferente de Portugal, que ao menos conquistou a Eurocopa de 2016, não venceu nem seu campeonato continental de seleções. Mas está invicta há quase dois anos e exatos 19 jogos, contabilizado o encerrado agora há pouco. Nele, estreou com uma boa vitória no Mundial em que os favoritos Espanha (aqui), Argentina (aqui) e Brasil (aqui) só empataram.

Pior foi a campeã Alemanha (aqui), derrotada por 1 a 0 pelo México. Pelo mesmo placar mínimo o Uruguai suou para bater um Egito desfalcado (aqui) do craque Mohamed Salah. Como foi magra a vitória da França, definida apenas pelo VAR, no 2 a 1 diante da Austrália.

No próximo confronto, contra a Tunísia, essa geração belga terá outra boa chance de adquirir gradativamente confiança, antes de encarar seu último jogo no Grupo G, contra a Inglaterra. Até onde poderá chegar sem até hoje ter ganho uma Copa, só o tempo dirá. Mas não deixará de ir a lugar nenhum por falta de talento.

 

 

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Igor Franco — Pela Onda Celeste¹

 

 

 

Conforme amplamente divulgado na semana passada, a Câmara dos Deputados da Argentina, em votação apertada, aprovou a legalização do aborto até a 14ª semana de gestação mediante vontade exclusiva da mãe. Embora o projeto precise ser votado no Senado e seguir para sanção presidencial, a expectativa é que seja aprovado e a Argentina passe a figurar, junto de Cuba, Uruguai e Cidade do México (a legislação é regional) no rol de países/capital que permitem o aborto sem condicionantes específicas como estupro ou anencefalia. Tal fato foi repercutido em artigos dos colegas Gustavo Oviedo e Vanessa Henriques.

Oviedo argumenta pela via do direito de escolha da mulher sobre seu corpo — direito esse que não pode ser constrangido por imposição estatal ou de outra pessoa. Ainda, ele lembra que países desenvolvidos são praticamente unânimes na legalização do aborto, ponto compartilhado por Vanessa, que também defende que a interrupção da gravidez indesejada seja liberada durante a ausência de atividade cerebral e menciona fatores psicológicos e sociais para justificar o aborto. Vanessa também menciona dados a respeito da ocorrência de abortos no país. Com o respeito pelas posições de ambos, discordo.

Primeiro, e mais importante, parece-me que estabelecer um período específico (e longo) para a autorização do aborto contraria evidências de que, por exemplo, a atividade cerebral no feto começa antes da 14ª semana. A determinação do início e término da vida dependerem do veredito científico é intrinsicamente problemática, uma vez que a ciência biológica é, por natureza, descritiva e não prescritiva, além de sujeita a constante mutação dado o patamar tecnológico em que se encontra.

O argumento pela liberdade de decisão sobre o próprio corpo também não me parece suficiente. Mesmo que concedamos o ponto de que o feto é parte constituinte do corpo da mulher durante a gestação, o que não soa muito lógico e de bom senso, é amplamente aceito socialmente que pode haver limites legais à utilização do próprio corpo. Uma pessoa que esteja tentando se matar, por exemplo, deve ter seu direito respeitado? O consumo compulsivo de drogas deve estar livre de amarras estatais? É aceitável que se permita a uma pessoa submeter-se a situação vexatória ou degradante? Esses exemplos extremos, como o aborto, são apenas algumas das situações onde a atuação estatal sobre uma manifestação de vontade pode ser não só aceitável, como desejável.

Quanto à pesquisa mencionada por Vanessa, embora a metodologia tente aproximar a amostra do universo sobre o qual pretende-se realizar afirmações, há pouca evidência que possa sustentar as conclusões. Dado o caráter ilegal da prática, a falta de registros oficiais impede a confirmação da estimativa feita pela pesquisa. Porém, um exercício mental simples pode colocar em dúvida a conclusão dos pesquisadores, que estimaram em 416 mil o número anual de abortos clandestinos. Isso equivale a uma média de 1.140 abortos ilegais diários. Dados de 2016 indicavam a morte de quatro mulheres por dia no Brasil decorrente de complicações por aborto. Assumindo que todas essas tenham morrido de abortos ilegais — o que não é o caso — o número de mortes em decorrência de abortos inseguros seria de apenas 0,35% do total. Ou se acredita que a prática de aborto ilegal é, em sua maioria esmagadora, ultra-segura, ou se duvida do número divulgado. Essa falta de clareza sobre os números não é exclusividade da pesquisa: mesmo sobre a recente questão argentina é possível encontrar em veículos de reputação números completamente dissonantes.

Por fim, entendo que um ponto central para partirmos da discussão do aborto é estabelecer que a gravidez não surge espontaneamente, mas depende de um ato deliberado para que ocorra. Por óbvio, é possível que se engravide sem que haja intenção da gravidez, mas a ocorrência de resultados alheios à nossa vontade que geram responsabilidade pelo resultado não é restrita a essa questão. Sendo a gravidez e a consequente criação de um bebê um fato de grande risco ao longo de vários anos, não acho suficiente que se argumente pelo sofrimento psicológico da mãe — ainda que lamentável. Este é, inclusive, um caminho perigoso, como demonstra a argumentação do filósofo utilitarista Peter Singer, para quem a morte de bebês e fetos não é diferente.

Reconheço a grande complexidade do tema. Porém, sob pena de decretar a morte de um inocente, permaneço à espera de maiores e melhores evidências que me demovam da ideia de que nossa legislação já abrange o suficiente nesta questão.

 

¹ – Nome pelo qual ficou conhecido o movimento a favor da legislação em vigor na Argentina.

 

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Brasil na Copa da Rússia e violência em Campos sob análise

 

Enquanto a maioria dos brasileiros não deixava o empate de 1 a 1 com a Suíça jogar água no chope da “comemoração”, na noite de ontem rolou a segunda edição do “4 em Linha”. Na tabela ao vivo no Youtube sobre a Copa da Rússia e a violência em Campos, repetimos a escalação o especialista em finanças Igor Franco, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo, o odontólogo Alexandre Buchaul e eu.

Com novo tema ainda a ser definido, a conversa terá nova edição no próximo domingo (24), mas começando um pouco mais cedo, às 20h. Quem não assistiu a de ontem e quiser fazê-lo, é só conferir o vídeo abaixo:

 

 

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