No dia em que luta pela democracia, Brasil perde Éder Jofre

 

Morto nesta madrugada de pneumonia e campeão mundial de boxe profissional dos pesos galo e pena, Éder Jofre foi considerado pela revista The Ring como o melhor lutador do mundo, peso a peso, dos anos 1960. Em segundo lugar ficou um tal de Muhammad Ali

 

No dia em que o Brasil luta por sua democracia nas urnas, morreu na madrugada de hoje o maior lutador da história do boxe profissional no país. Aos 86 anos, numa clínica em Embu das Artes, na Grande São Paulo, o “Galinho de Ouro”, lendário campeão mundial peso-galo entre 1960 e 1965, e campeão mundial também na categoria acima do peso pena, em 1973, o paulistano Éder Jofre foi finalmente nocauteado por uma pneumonia. A doença fez o que nenhum outro pugilista conseguiu. Com o cartel profissional de 81 lutas, 75 vitórias (52 por nocaute), quatro empates e apenas duas derrotas, por pontos. Até morrer, Jofre nunca caiu.

Nascido em 1972, nunca vi Éder Jofre lutar ao vivo. Mas, desde que me entendo por gente, ouvia sobe suas façanhas no ringue por um seu fã, meu pai, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, morto em 2012. Frutos de uma brilhante geração marcada na infância pela II Guerra (1939/1945), ambos nasceram no mesmo ano de 1936, em que Adolf Hitler quis prostituir o esporte pela política. Foi ao tentar bancar a suposta supremacia branca nas Olimpíadas de Berlim, para ser desbancado diante do mundo pelas quatro medalhas de ouro do negro estadunidense Jesse Owens. Mas isso é uma outra história.

Antes de se tornar uma lenda do boxe profissional, Jofre também testou sua sorte como amador nas Olimpíadas de Melbourne, na Austrália, em 1956. Invicto, chegou como um dos favoritos ao pódio. Mas perdeu numa controvertida decisão por pontos logo na sua segunda luta, diante do chileno Claudio Barrientos. Na forra em 1960, já como profissionais, o chileno foi derrotado por nocaute técnico, determinado pelo árbitro, após amargar nada menos que oito knock downs (quedas) impostos pelo brasileiro.

Como profissional, estreou no ano seguinte, em 1957, na categoria peso galo. Derrotou por nocaute o argentino Raul Lopes, no estádio do Pacaembu. Em 1958, ano da conquista da primeira Copa do Mundo de futebol pelo Brasil, Jofre se sagrou campeão sul-americano, derrotando por pontos outro argentino, Ernesto Miranda, no ginásio do Ibirapuera. Em 1960, foi morar nos Estados Unidos, onde se sagrou campeão mundial pela Associação Mundial de Boxe (WBA), batendo por nocaute o mexicano Eloy Sanchez, em Los Angeles. Em 1962, unificou os títulos da categoria peso galo diante do seu público no Ibirapuera. Onde venceu por nocaute técnico o irlandês Johnny Caldwell, campeão da versão europeia.

Entre 1962 e 1964, Jofre defendeu seu cinturão de campeão mundial peso galo cinco vezes, vencendo todas as lutas por nocaute, em ringues dos EUA, Brasil, Japão, Filipinas e Colômbia. Até que, em 1965, veio a grande controvérsia da carreira profissional do campeão brasileiro. Em uma controvertida decisão por pontos dos jurados, após 15 assaltos, ele perdeu o título para o japonês Fighting Harada, na casa deste, em Nagoya. Após um empate por pontos contra o estadunidense Manny Elias, no Ibirapuera, ainda em 1965, ele fez a revanche contra Harada em 1966. Novamente no quintal do adversário, desta vez em Tóquio, após outros 15 assaltos, veio a mesma questionada decisão por pontos a favor do lutador da casa.

A decepção foi tanta que Jofre anunciou sua primeira aposentadoria, passando a fazer apenas lutas de exibição. Voltaria aos ringues profissionais só em 1969, na categoria acima do peso pena, para derrotar por nocaute o mexicano Rudy Corona. Mas, “vacinado” pelas duas controvertidas derrotas por pontos para o japonês Harada no Japão, só lutaria na segunda fase da sua carreira no Brasil. Após mais 13 lutas, com 13 vitórias e sete nocautes, conquistou o título mundial dos penas em 1973, contra o cubano naturalizado espanhol José Legra, em luta interrompida por decisão médica. Defendeu o novo título três vezes, com três novas vitórias e mais dois nocautes, inclusive o que impôs em Salvador, no 4º assalto, ao mexicano Vicente Saldivar, considerado um dos grandes do seu país.

Em 1974, com a morte do seu pai e até então único treinador, o também lendário Kid Jofre, Éder anunciou sua segunda aposentadoria. Da qual voltaria para fazer mais sete lutas profissionais como peso pena, entre 1975 e 1976, todas no Brasil. E nelas mais sete vitórias e três nocautes ao cartel brilhante. Que só encontraria paralelo dentro do boxe profissional brasileiro em outro grande campeão, o baiano Acelino Freitas, mais conhecido como Popó, que conquistou quatro cinturões mundiais, nas categorias peso super-pena e leve, entre 1999 e 2006.

Jofre também teria uma carreira política. Em 1982, foi eleito vereador de São Paulo a primeira vez, pelo antigo PDS (atual União). Em 1989, filiou-se ao PSDB, no qual foi ativo até 2000. Como edil da cidade mais populosa das Américas, foi autor de 25 leis, a maioria relacionada à saúde e à educação. E é um dos signatários da Lei Orgânica do Município de São Paulo, que entrou em vigor em 1990.

Só a partir de 2007, quando o YouTube foi lançado no Brasil e eu tinha 35 anos, pude ver suas lutas. Por seu estilo técnico e franco, sempre caminhando para cima, baseado na confiança em seu queixo, na sua grande variedade de golpes, incluídos os inclementes ganchos de canhota no fígado do adversário, sua temida pegada com as duas mãos, como de um homem 10 kg mais forte, Éder Jofre me lembrava outro grande campeão do meu tempo, o mexicano Julio César Chávez. Que brilhou nos anos 1980 e 1990, quando conquistou seis títulos nas categorias pena, leve e meio-médios.

Pelo que Jofre fez dentro do boxe, o que mais trago vivo dele na memória foi uma entrevista do então fulgurante e invencível campeão peso pesado profissional Myke Tyson, em seu auge, no final dos anos 1980. Perguntado por uma rede de TV brasileira o que era o Brasil para ele, o mito citou outro: “Éder Jofra!” (sic). Viciado em vídeos do boxe antes do seu tempo, Tyson complementou: “Great fighter, great fighter; one of the best of all time” (“Grande lutador, grande lutador; um dos melhores de todos os tempos”).

Éder Jofre está em cinco Halls da Fama do boxe nos EUA. Incluído o olímpico Hall da Fama Internacional de Nova York, onde é o único brasileiro. Hoje centenária, a revista estadunidense The Ring é também conhecida como a “Bíblia do Boxe”. E, na sua concorrida edição de 90 anos, ela elegeu Jofre como o melhor pugilista do mundo, peso a peso, nos anos 1960. Abaixo do “Galinho de Ouro”, em segundo lugar, ficou um tal de Muhammad Ali.

A vida do campeão brasileiro não foi só de glórias. Nos últimos anos, ela foi marcada pela encefalopatia traumática crônica (ETC), vulgarmente conhecida como “demência pugilística”. Que se marca pelos tremores, perda de coordenação motora, de fala e memória, causada pelos muitos golpes na cabeça. A sua relação com o pai e treinador rendeu um bom filme brasileiro, “10 Segundos para Vencer” (2018), de José Alvarenga Júnior. O campeão foi interpretado pelo ator Daniel Oliveira, enquanto Osmar Padro levou o Kikito de melhor ator, no Festival de Gramado, por sua interpretação de Kid Jofre.

Mas a cena de outro filme, considerado o melhor já feito sobre boxe, ou qualquer temática nos anos 1980, talvez defina melhor a virtude real do campeão brasileiro. Na interpretação que lhe valeu o Oscar como protagonista, em “Touro Indomável” (1981), do mestre Martin Scorsese, Robert De Niro vive o campeão peso médio Jake La Motta. Que teve como grande rival o lendário campeão Sugar Ray Robinson, com quem fez seis lutas memoráveis entre os anos 1940 e 1950, entre as maiores rixas na história da nobre arte.

Após o juiz interromper o último combate entre eles, o La Motta de De Niro caminha no ringue e grita ao seu maior oponente o que só Jofre poderia dizer, em seus 86 anos de vida, a qualquer outro homem da Terra: “Você nunca conseguiu me derrubar!”

 

0

Lula e Bolsonaro hoje na urna e na dúvida: 1º ou 2º turno?

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Sem que se faça um presente, não pode haver um futuro”, advertia em verso o poeta João Cabral de Melo Neto. Hoje, a decisão sobre o futuro do Brasil é pessoal e intransferível, entre você e a urna. Mas as tendências do presente na definição do futuro são coletivas. E foram reveladas pelas últimas pesquisas eleitorais de ontem, nas quais ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega hoje à urna com 50% contra os 36% do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas intenções de votos válidos (sem contar os brancos e nulos) na Datafolha, com 51% a 37% na Ipec (antigo Ibope), com 48% a 40% na MDA, e com 49% a 35% na Ipespe.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

NO 1º OU 2º TURNO? — Na margem de erro de 2 pontos a mais ou menos dos três primeiros institutos, ou de 3 pontos do quarto, a grande dúvida hoje é: Lula pode ou não alcançar o mínimo de 50% + 1 dos votos já em turno único? Ou disputará o 2º turno, marcado para 30 de outubro, contra Bolsonaro? Nenhuma das pesquisas da véspera deu resposta definitiva na véspera da urna. Só sua apuração, fruto da decisão soberana dos 156,4 milhões de brasileiros aptos hoje a votar, como você, poderá dizer.

UMA DÚVIDA, DUAS CERTEZAS — Na dúvida sobre o prolongamento desta eleição presidencial para além da apuração das urnas de hoje, as pesquisas presidenciais só permitem duas certezas. A primeira é a liderança isolada de Lula na corrida, que se manteve durante todo este ano eleitoral em todas as pesquisas. A despeito dos bolsonaristas que as questionam, exatamente como os lulopetistas questionaram todas as que em 2018 projetaram a eleição de Bolsonaro a presidente. A segunda certeza sobre 2022? Haja ou não 2º turno, será por muito pouco.

TENDÊNCIAS — Para tentar responder à principal questão desta eleição presidencial, fundamental saber as tendências dos principais candidatos. Após bater boca com o “padre” Kelmon (PTB) no debate presidencial da Globo na madrugada de sexta (30), Lula apresentou estabilidade na Datafolha (manteve 50% das intenções de votos válidos), na MDA (em 48%) e na Ipespe (em 49%); e viés de queda, dentro da margem de erro, na Ipec (caiu de 52% a 51%). Por sua vez, após evitar o confronto direto com Lula no debate da Globo, Bolsonaro apresentou crescimento fora da margem de erro na Ipec (de 34% a 37% dos votos válidos), viés de alta dentro da margem de erro na MDA (de 39% a 40%), e estabilidade na Datafolha (em 36%) e na Ipespe (em 35%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

HISTÓRICO DO 2º TURNO — Fruto da Constituição de 1988, o 2º turno passou a valer a partir da eleição presidencial do Brasil de 1989. E, de lá para cá, só Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente em turno único, em 1994 e 1998. Mas foi com a eleição ainda em cédulas de papel, quando a facilidade para anular o voto era muito maior. O que reduzia a quantidade de votos válidos necessários para se vencer no 1º turno. Em 2006, com a eleição já integralmente em urna eletrônica, o PT achava que reelegeria Lula presidente no 1º turno. Que tiveram que disputar o 2º turno contra Geraldo Alckmin, hoje no PSB e vice na chapa do petista. Na dúvida aberta pelas pesquisas do presente, o histórico eleitoral brasileiro indica a existência do 2º turno.

VANTAGEM NO 1º TURNO E HISTÓRICO — Se a maior esperança real bolsonarista hoje é chegar ao 2º turno com Lula, várias fontes dentro da campanha do capitão admitem que, se a vantagem do petista sobre ele sair das urnas do 1º turno como algo em torno dos 10 pontos, a toalha será jogada. Sobretudo pelo sempre pragmático Centrão, que já iniciou esta semana a debandada. Enquanto isso, Lula chega hoje à urna do 1º turno com 14 pontos de vantagem sobre Bolsonaro na Datafolha (50% a 36%), na Ipec (51% a 37%) e na Ipespe (49% a 35%); e 8 pontos na MDA (48% a 40%). Mas, novamente no histórico eleitoral brasileiro, nunca um candidato a que passou atrás ao 2º turno conseguiu virar a desvantagem para se eleger presidente.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO E REJEIÇÃO — Na projeção ao 2º turno programado para 28 dias depois de hoje, Lula bateria Bolsonaro por 59% a 41% (18 pontos) na Ipespe, por 54% a 38% (16 pontos) na Datafolha, por 52% a 37% (15 pontos) na Ipec, por 50% a 41% (9 pontos) na MDA. Índice negativo e considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição chega hoje sendo liderada por Bolsonaro, como foi em todo este ano eleitoral em todas as pesquisas. Os brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum são 56% contra 43% de Lula (13 pontos a menos) na Ipespe, 52% a 40% (12 pontos a menos) na Datafolha, 59% a 48% (11 pontos a menos) na MDA, e 46% a 38% (8 pontos a menos) na Ipec.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CIRO, TEBET E “VOTO ÚTIL” — Sem chance real de alcançar os dois líderes da corrida presidencial, há outra questão da eleição ainda aberta dentro da margem de erro das pesquisas: quem será o terceiro colocado, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ou a senadora Simone Tebet (MDB)? Nos votos válidos para hoje, Tebet passou Ciro por 6% a 5% na Datafolha, empatou em 5% na Ipec e na MDA, e está numericamente atrás apenas na Ipespe, 7% a 8% do pedetista. Em geral, a oscilação para baixo de Ciro e para cima de Tebet se equivalem. E não sugeriam até ontem a migração do “voto útil” em que a campanha de Lula apostava para definir a eleição ainda no 1º turno.

ABSTENÇÃO E TRANSPORTE PÚBLICO — Outra questão que pode definir a eleição em turno único, ou não, é a abstenção. Sobretudo na população mais pobre, com renda familiar mensal até 2 salários mínimos, onde Lula sempre teve sua maior vantagem eleitoral. E que precisa mais do transporte público para chegar hoje ao local de votação. Ontem, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Benedito Gonçalves classificou de “absurdo” e negou um pedido da campanha de Bolsonaro para limitar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que municípios mantenham a oferta de transporte público nas eleições. O índice de abstenção em 2018 foi de 20%. Se for mais em 2022, favorecerá a Bolsonaro. Se for menos, a Lula, quem tem convocado a população a votar.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “As pesquisas de intenção de voto não buscam adivinhar o resultado eleitoral, apenas a intenção manifestada pela preferência dos eleitores. Apesar disso, a favor dos institutos, pesa o histórico do confronto com as urnas, em especial do Datafolha, que acertou o resultado das eleições de 1998, 2002, 2006 e 2010, 2014 e 2018. Além das entrevistas presenciais, olhando nos olhos do eleitor, os institutos costumam trabalhar com as pesquisas por telefone, que captam melhor o ‘voto envergonhado’ do eleitor. Por isso, é importante destacar que todas as metodologias são confiáveis e que cada medição tem vantagens e desvantagens. Todas trabalham com margens de erro, que variam a depender da amostra, que funciona como uma colher de sopa. Para conhecer o voto dos eleitores não há a necessidade de entrevistar todos os habilitados a votar, assim como não há necessidade de tomar a sopa inteira para conhecer seu gosto, seu cheiro e sua temperatura”, analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

0

Lula bate boca e direito de resposta vence o debate da Globo

 

Bolsonaro e Lula observados por Tebet, que voltou a ser o destaque no debate da Globo, entre a noite de quinta e madrugada desta sexta, último antes da urna de domingo

 

 

Após sua postura passiva no debate presidencial da Band, quando não contra-atacou às acusações de corrupção feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devolveu na mesma moeda seu principal antagonista no esperado debate da Globo, encerrado esta madrugada. Mas acabou perdendo a linha com um desqualificado escudeiro do capitão, o Kelman (PTB) autoproclamado padre da Igreja Sirian Ortodoxia de Antioquia no Brasil. Esta já tinha informado em nota oficial que o suposto sacerdote “nunca foi seminarista ou membro do clero da Igreja em nenhum dos três graus da ordem, quer no Brasil ou em outro país”. Definido como “padre de festa junina” pela senadora Soraya Thronicke (União), o fato é que o presidenciável do PTB de Roberto Jefferson conseguiu tirar Lula do sério em bate-boca no terceiro bloco do debate, nivelando este por baixo. Entre os candidatos, a melhor voltou a ser a senadora Simone Tebet (MDB). Mas o grande vencedor foi o direito de resposta. Foram 10 durante o evento.

CIRO x LULA — Líder em todas as pesquisas, com possibilidade em algumas de fechar o pleito já no 1º turno de 2 de outubro, daqui a apenas dois dias, Lula foi o alvo preferencial do debate da Globo. Com tema livre, coube a ele abrir o evento, escolhendo Lula para falar sobre as contradições econômicas dos 13 anos do PT do poder. O ex-presidente respondeu lembrando os feitos do seu governo na área. O ex-ministro de Lula lembrou que os desacertos criaram Bolsonaro. Ao que o ex-presidente respondeu que o governo que antecedeu o atual não foi de Dilma, mas o de “um golpista”. Referiu-se claramente ao ex-presidente Michel Temer, o que não deve ajudar à aliança do PT com o MDB em caso de 2º turno.

BOLSONARO, KELMAN E DIREITOS DE RESPOSTA — Por sorteio, coube a Kelman escolher logo depois, abrindo sua tabela com Bolsonaro. Que, na sua última resposta, chamou Lula de “chefe de uma grande quadrilha”, criando ainda uma nova fake news: que o petista “defendia que se roubassem celulares para se tomar uma cervejinha”. Com seu primeiro direito de resposta concedido na Globo para abrir a caixa de ferramentas fechada no debate da Band. E citou a “quadrilha das rachadinhas da família dele, a quadrilha do ministério da Educação com barras de ouro, a quadrilha da compra de vacina”. Bolsonaro também ganhou direito de resposta, chamou Lula de “ex-presidiário”, disse que “a CPI da Covid não provou nada” e bradou: “tenha vergonha na cara, Lula”. Este, em novo direito de resposta, apostou: “É por isso que o povo em 2 de outubro vai te mandar para casa”. E ameaçou: “Vou fazer um decreto para acabar com os seus sigilos de 100 anos”.

TEBET AO CAPITÃO: “COVARDE” — Na vez de Bolsonaro escolher seu interlocutor, teva chutada a escada que pretendeu fazer com Tebet. A quem perguntou sobre as menções da sua vice, a senadora Mara Gabrilli (PSDB), teria feito sobre um suposto envolvimento de Lula no assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), morto a tiros por assaltantes que o sequestraram para roubar, em 2002. A candidata do MDB respondeu que Bolsonaro deveria perguntar isso a Lula, que estava ali. E que preferia falar do problema da fome no Brasil, que seu presidente fala que não existe. Bolsonaro insistiu e Tebet também: “Deveria perguntar a Lula, que está aqui, mas não o faz porque é covarde. Assim como atrasou 45 dias para comprar a vacina (contra a Covid)”.

MAIS DIREITOS DE RESPOSTA — Lula ganhou um novo direito de resposta, disse que Celso Daniel era seu amigo, lembrou que o TSE suspendeu as ilações sobre a morte do ex-prefeito das páginas bolsonaristas e advertiu Bolsonaro: “Você tem uma filha de 10 anos que está assistindo”. Em novo direito de resposta, o capitão voltou a chamar Lula de “ex-presidiário”, o desafiou a dizer qual sigilo de 100 anos tinha decretado sobre sua família, disse que atuou para comprar a vacina contra a Covid e que seu adversário “foi condenado em três instâncias (do Judiciário), mas se livrou por um amiguinho seu no Supremo (o ministro Edson Fachin, nomeado pela presidente Dilma)”.

SORAYA x KELMAN I — Após Soraya Thronicke escolher Kelman para perguntar se ele, como suposto padre, tinha dado a extrema-unção para alguma das mais de 686 mil vítimas fatais da Covid no Brasil, ou se não tinha medo de ir para o inferno por conta do descaso com elas e suas famílias, coube a Lula outro direito de resposta. Que usou para dizer o que tinha feito no governo para combater a corrupção, antes de falar das denúncias que pesam sobre a família de Bolsonaro na compra de imóveis com dinheiro vivo, mas acabou perdendo o tempo para completar o raciocínio.

TEBET x BOLSONARO II — No segundo bloco, onde os candidatos poderiam escolher o adversário para perguntar, mas a partir de um tema sorteador pelo mediador William Bonner, Tebet escolheu Bolsonaro para falar sobre mudança climática. E perguntou sobre o que seria diferente em um novo governo seu, com o atual marcado pelo maior desmatamento em 15 anos no país. No lugar de responder, o presidente provocou a interlocutora. Disse que Tereza Cristina (PP), sua ex-ministra da Agricultura, teria tirado a vaga de senadora de Tebet no Mato Grosso do Sul. A presidenciável do MDB respondeu dizendo que Bolsonaro “mente tanto que acredita na própria mentira”.

“PADRE DE FESTA JUNINA” — Quando o tema sorteado foi o combate ao racismo, Soraya pediu que Kelman comentasse o fato de Bolsonaro ter tido na presidência da Fundação Zumbi um negro, Sérgio Camargo, contra a luta antirracismo. Após Kelman ter relatado sua experiência atendendo a refugiados da Venezuela, a senadora o ironizou: “agora perdeu o emprego de cabo eleitoral”. E depois chamou o suposto clérigo de “padre de festa junina”. Depois, quando ganhou o sétimo direito de resposta do debate, Kelman disse que nele não estava sendo respeitado “o valor de um sacerdote”.

BOLSONARO FOGE DE LULA — No terceiro bloco, aberto por Bolsonaro, quando poderia escolher qualquer adversário para perguntar o que quisesse, ele preferiu fugir de Lula para falar da recuperação econômica do país numa dobradinha com o cientista político Felipe D’Avila (Novo). Que endossou o presidente: “Seria um desastre se a esquerda voltasse a governar o Brasil”.

KELMAN x LULA II — A tarefa de confrontar Lula no bloco sobre corrupção foi terceirizada a Kelman, que leu uma pergunta acusando o ex-presidente de ser o “chefe do esquema” dos escândalos de corrupção dos governos petistas. Interrompido seguidas vezes em sua resposta, Lula demonstrou pouca inteligência emocional ao cair no bate-boca com o suposto sacerdote. Bonner teve que intervir. Com seu direito à fala restituído, Lula disse: “Sou cristão, casado na Igreja. Não estou vendo um padre, estou vendo um impostor”. Ao anunciar a negativa a um pedido de direito de resposta de Bolsonaro, Bonner o lembrou que ser nome sequer tinha sido citado.

CIRO x BOLSONARO — Coube a Ciro perguntar a Bolsonaro, que falou sobre a queda do PIB no governo Dilma e a corrupção generalizada nos governos do PT, que continuava com Bolsonaro, nos escândalos da sua família. O capitão disse que o PIB caiu em seu governo, foi lembrado pelo pedetista que este tinha se referido ao período Dilma, mas insistiu em ato talvez involuntário de sincericídio: “mas caiu no meu também”. Ciro respondeu lembrando de casos de vendas subfaturadas do atual governo no setor petrolífero e do Orçamento Secreto. Bolsonaro creditou as vendas ao Conselho da Petrobras e disse que “o Orçamento Secreto é do Parlamento”.

TEBET, SORAYA E BOLSONARO — Após ter citado criticamente no debate entre Tebet e Soraya sobre educação, quando a presidenciável do União lembrou que “tem gente que se lambuza com leite condensado enquanto nossas crianças (na merenda das escolas públicas) comem bolacha com suco em pó”, Bolsonaro ganhou mais um direito de resposta. Quando voltou a creditar a responsabilidade pelo Orçamento Secreto ao Parlamento.

BOLSONARO BATE, SORAYA SENTE — Na abertura do quarto bloco, novamente com tema sorteado por Bonner, Soraya escolheu Bolsonaro quando tinha que perguntar sobre segurança pública. E forçou o tema ao perguntar ao presidente se, caso perdesse a eleição, ele tentaria dar um golpe de estado. O capitão partiu para cima da ex-aliada, dizendo que ela só se elegeu senadora com o apoio dele, e só teria passado à opositora após ter uma lista de cargos no Governo Federal não atendida. A senadora, visivelmente, sentiu o golpe.

CABO ELEITORAL NO MS E SP — No direito de resposta, o 9º do evento, Soraya disse ao presidente: “Não sou candidata laranja. Me respeite! Não respondeu se vai ou não tentar dar um golpe (se perder a eleição). Saí do governo porque ele abandonou as bandeiras que o elegeram: a liberal na economia e o combate à corrupção”. Como consequência gerou o 10º direito de resposta do debate da Globo, em que o presidente pediu que o eleitor de Mato Grosso do Sul, estado de Soraya, votassem no deputado estadual Capitão Contar (PTRB) a governador, disputa em que está em 5º lugar nas pesquisas. Depois, com o tema política cultural, Bolsonaro trocou figurinha com Kelman. E voltou a fazer papel de cabo eleitoral regional no debate presidencial, ao pedir voto a Mário Frias (PL), seu ex-secretário de Cultura e candidato a deputado federal em São Paulo.

CABO ELEITORAL II — Com o tema privatização, Ciro escolheu Soraya para indagar sobre a Petrobras. Antes de responder, a senadora voltou a se referir à sua refrega com o capitão. Disse que indicou três cargos ao Governo Federal, foi atendida em dois, mas estes teriam preferido sair “porque não quiseram fazer rachadinha”. Refeita, voltou à forma de melhor frasista desta campanha presidencial, ao criticar Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro: “Falou-se muito do Posto Ipiranga, mas esse é de gasolina adulterada”. Depois, Soraya sentenciou: “O maior cabo eleitoral de Lula e do PT é Jair Bolsonaro”. Ao que Ciro completou: “Estou de pleno acordo”.

MAIS DO MESMO? — O 5º e último bloco foi dedicado às considerações finais sete dos candidatos. Nada que parecesse capaz de fazer o eleitor dar outro fim ao seu voto, daqui a apenas dois dias, do que já pretendia antes do debate da Globo.

 

0

Quaest: Bolsonaro cai, Lula cresce e pode vencer no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza)

Hoje, faltam apenas quatro dias para a urna da eleição de domingo, 2 de outubro. Feita de sábado (24) à terça (27), com 2.000 eleitores entrevistados presencialmente, e divulgada nesta manhã, a nova Genial/Quaest confirma a tendência de todas as principais pesquisas das três semanas anteriores: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua a crescer. Na consulta estimulada ao 1º turno, ele passou dos 42% de 14 de setembro, aos 44% de 21 de setembro e tem hoje, sete dias depois, 46% das intenções de voto. Outra má notícia para o presidente Jair Bolsonaro (PL) é que ele, que vinha patinando nos 34% das intenções de voto nas duas semanas anteriores, começou a cair e tem 33% na Genial/Quest de hoje, 13 pontos atrás do líder. Com 50,5% dos votos válidos (sem os brancos e nulos), contra 36,3% do capitão, o petista confirma a possibilidade de atingir o mínimo de 50% +1 dos votos válidos e concluir a eleição já no 1º turno. Mas ainda dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO E REJEIÇÃO — Caso haja o 2º turno presidencial, marcado para 30 de outubro, Lula confirmou sua tendência de crescimento e aumentou sua vantagem sobre Bolsonaro. A quem venceria por 50% a 40% (10 pontos) na Genial/Quaest de 21 de setembro e hoje, sete dias depois, bateria por 52% a 38% (14 pontos de vantagem). O movimento favorável ao ex-presidente é fruto do ocorrido no índice negativo que define o 2º turno: a rejeição. Na qual Bolsonaro aumentou, na última semana, de 54% aos atuais 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. No mesmo período, Lula caiu de 46% aos atuais 44% de rejeição. Entre os dois, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem hoje 53% no índice negativo. Já na consulta estimulada ao 1º turno, Ciro tem 6% de intenções de voto, com 5% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1% da também senadora Soraya Thronicke (União).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO DOS POBRES, CLASSE MÉDIA E RICOS — Nas faixas de renda do eleitorado, Lula cresceu entre a maioria que tem até 2 salários mínimos de renda familiar mensal: de 51% a 56% (5 pontos) das intenções de voto só nos últimos sete dias, período em que Bolsonaro oscilou negativamente de 26% a 24% (2 pontos). Na classe média baixa, com renda mensal de 2 a 5 salários mínimos, o petista também cresceu, de 38% a 42% (4 pontos) e inverteu a vantagem que na semana passada era do capitão, em queda de 40% a 36% (os mesmos 4 pontos). O único crescimento de Bolsonaro nas faixas de renda foi na minoria da classe média alta e alta, com renda acima de 5 salários mínimos: de 45% a 50% (5 pontos) das intenções de voto, em que Lula oscilou negativamente de 33% a 31% (2 pontos) nos últimos sete dias.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“BALA DE PRATA” OU TIRO NO PÉ? — Projetado como “bala de prata” eleitoral de Bolsonaro, municiada pelos R$ 41,3 bilhões da PEC Kamikaze aprovada no Congresso Nacional, o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, pago a partir de agosto, se revelou até aqui um tiro no pé. Entre os eleitores pobres que recebem o benefício federal, Lula cresceu de 54% a 57% (3 pontos) das intenções de voto na última semana, período em que seu principal adversário caiu de 29% a 23% (os mesmos 3 pontos). Considerada uma “Chequinho” em nível nacional, o novo Auxílio Brasil foi um incremento de programa assistencial que era vedado pela Legislação em ano eleitoral. Mas, a quatro dias da urna, ainda não obteve sucesso na intenção do Governo Federal, apontada por muitos analistas, de comprar o voto do eleitor pobre.

 

(infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESTATÍSTICO — “A Quaest, que utiliza a mesma metodologia da Ipec, baseada em entrevistas individuais domiciliares, a exemplo daquele instituto, aponta estagnação de Bolsonaro e crescimento de Lula dentro da margem de erro. Os dois institutos também indicam, neste momento, Lula numericamente vencendo no primeiro turno: na Ipec de segunda, por 52%; e na Quaest, de hoje, por 51% dos votos válidos. Com a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, Lula poderia tanto ir a 53% quanto a 49%, o que levaria a decisão da corrida presidencial para 30 de outubro. Na consulta estimulada, a diferença de Lula para Bolsonaro subiu para 13 pontos, já que o atual presidente oscilou 1 ponto para baixo, de 34% para 33% das intenções. Um dado que chama a atenção é que Lula disparou entre os eleitores mais pobres, com até 2 salários mínimos, crescendo de 40% a 45% em uma semana. Entre os que recebem Auxílio Brasil, o ex-presidente cresceu 7 pontos, de 40% a 47%. Bolsonaro vem segurando sua intenção ao ampliar a diferença entre os eleitores com mais de 5 salários mínimos, em que subiu de 41% a 44%, vantagem de 12 pontos sobre Lula na faixa, onde oscilou para baixo, de 29% a 27%”, analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos

ANÁLISE DO CIENTISTA POLÍTICO — “Acho que agora é aguardar as próximas pesquisas. O cientista político Felipe Nunes, diretor do instituto Quaest Pesquisa e Consultoria, que realizou a pesquisa, recomenda total atenção ao que vai nos chegar das pesquisas de boca de urna no domingo. De resto é o resultado propriamente, com os votos apurados. Até lá, temos mais dúvidas que certeza. Se eu fosse conselheiro dos eleitores petistas que estão no clima de ‘já ganhou’, acho interessante moderar essas expectativas. As abstenções factuais, que pode definir a existência do 2º turno, não são detectadas pelas pesquisas — concluiu George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos.

 

0

Lula, Castro e Romário são franco-favoritos a 2 de outubro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula, Castro e Romário são franco-favoritos

Hoje, faltam apenas quatro dias à urna de 2 de outubro, no domingo. Na realidade de Campos, é uma chance rara que só a democracia pode dar: do usineiro ao boia fria, cada voto tem o mesmo peso e valor. Como fez em várias outras eleições, a Folha tentou retratar esta da maneira mais objetiva possível: através dos números das pesquisas. Que não são infalíveis, mas apontam tendências. Baseado nelas, não na torcida contra ou a favor, é possível afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador Cláudio Castro (PL) e o senador Romário (PL) chegam nesta reta final como franco-favoritos em suas respectivas disputas.

 

Muito além da esquerda x direita

Isso quer dizer que o presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e, ao Senado, os deputados federais Clarissa Garotinho (União) e Alessandro Molon (PSB) não têm chances? Absolutamente, não! Mas caberá a eles tentar alcançar e ultrapassar o líder de cada disputa. E só têm mais quatro dias para isso. Bolsonaro e Freixo, bem verdade, podem ter mais 28 dias depois, até o 2º turno, marcado para 30 de outubro. Mas o fato de Lula liderar até aqui na sua raia, como os bolsonaristas Castro e Romário nas suas, prova como o processo eleitoral é bem mais complexo do que as simplificações ideológicas entre esquerda e direita.

 

Pesquisas a presidente, governador e senador

Esta última semana antes do voto será cheia de pesquisas. E foi aberta com três delas na segunda (26), de institutos sérios e metodologias diferentes. De manhã, saíram a BTG/FSB nacional a presidente e a Genial/Quaest a governador, senador e presidente só no RJ. À noite saiu a Ipec (antigo Ibope) nacional a presidente. A FSB ouviu 2.000 eleitores por telefone, de sexta (23) a domingo (25); a Quaest ouviu 1.500 eleitores presencialmente, de quinta (22) a domingo; a Ipec ouviu 3.008 eleitores presencialmente, de domingo a segunda. As duas nacionais, com margem de erro de 2 pontos. A estadual, com margem de erro de 2,5 pontos.

 

Lula cresce, Bolsonaro patina

A BTG/FSB e a Ipec confirmaram a tendência apontada por todas as pesquisas sérias da semana anterior: Lula em tendência moderada de crescimento e Bolsonaro estagnado, aparentando ter batido em seu teto. No contraste entre as três últimas BTG/FSB, após crescer 3 pontos de 12 a 19 de setembro, o petista cresceu mais 1 ponto ontem e tem hoje 45% na consulta estimulada ao 1º turno, enquanto Bolsonaro patina nos 35% há três pesquisas. Na comparação entre as três últimas Ipec, Lula cresceu 1 ponto do dia 12 ao 19, mais 1 ponto ontem e tem hoje 48%, enquanto Bolsonaro também patina em 31% há três pesquisas.

 

Lula no 1º turno?

Se o crescimento do ex-presidente há três semanas, como a estagnação do atual, apareceu igual na BTG/FSB e na Ipec, as duas pesquisas têm uma grande diferença. É a pergunta que qualquer observador, desapegado de paixões, está fazendo: Lula pode ou não alcançar o mínimo de 50% + 1 dos votos válidos já no 1º turno? Pela BTG/FSB, onde ele tem 48% dos votos válidos, contra 37% de Bolsonaro, não. Muito embora, na margem de erro de 2 pontos, possa ser que sim.  E, sim, com 52% dos votos válidos na Ipec, contra 34% do capitão, Lula levaria a eleição já no 1º turno. Mas, na margem de erro, também pode ser que não.

 

Até tu, Joaquim?

À dúvida sobre a eleição presidencial ser fechada já no próximo domingo, a certeza: Lula está muito próximo do número de votos necessário a isso. Essa marola favorável ao petista é inferior à onda bolsonarista em 2018, mas existe. Lembra um pouco a eleição de Rafael Diniz (Cidadania) prefeito no 1º turno de 2016. Contra sua reprodução nacional, o fato que só Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito presidente em turno único, em 1994 e 1998. A favor, o clima com a série de apoios que Lula vem ganhando. Ontem, foi emblemático o dado por Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo e algoz do PT no Mensalão.

 

Do 1º ao 2º turno

Na campanha de Bolsonaro já é admitida a derrota parcial para Lula no 1º turno. E que se o atual presidente sair dele com cerca de 10 pontos atrás do ex, a toalha será jogada. O petista tem hoje 10 pontos a mais que o capitão na projeção do 1º turno na BTG/FSB, vantagem que chega a 17 pontos na Ipec. Se a eleição presidencial for ao 2º turno, marcado para 30 de outubro, o que ainda parece ser o mais provável, Lula bateria Bolsonaro sem grande dificuldade. Por 52% a 40%, 12 pontos de vantagem, na BTG/FSB. E por 54% a 35%, 19 pontos, na Ipec. Nas duas pesquisas, o petista ganharia os mesmos 2 pontos do 1º ao 2º turno.

 

Castro e Romário goleiam

Na Genial/Quaest, quem lidera é Bolsonaro, em empate técnico com Lula no RJ: 39% a 37%. Fora da margem de erro, o governador Cláudio Castro ampliou a 12 pontos a vantagem sobre Marcelo Freixo na estimulada ao 1º turno: 35% a 23%. Também venceria o 2º turno, por 45% a 31%. Como o 3º colocado, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), tem só 9%, sem bater dois dígitos, há possibilidade aritmética, embora remota, de Castro levar em turno único. Sua situação só não é melhor que a de Romário. Com 39% na estimulada, o ex-craque dá goleada nos adversários menos distantes ao Senado: a campista Clarissa, com 13%, e Molon, com 12%.

 

Publicado hoje, na Folha da Manhã.

 

0

RJ: Romário goleia e Bolsonaro 2 pontos à frente de Lula

 

Lula, Bolsonaro, Romário, Clarissa e Molon (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Com 42,6% do eleitorado brasileiro, a região Sudeste é considerada fundamental para a definição da eleição presidencial, a apenas a seis dias da urna de 2 de outubro. Nela, o estado do Rio de Janeiro tem o terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás dos vizinhos São Paulo e Minas Gerais. E, segundo a pesquisa Genial/Quaest feita de quinta (22) a domingo (25) e divulgada hoje (23), o presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera numericamente a disputa entre os fluminenses, com 39% na consulta estimulada ao 1º turno, contra 37% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No universo de 1.500 eleitores do RJ ouvidos presencialmente no RJ, os dois estão em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos. Fora dela e aliado do capitão, o senador Romário (PL) mantém sua liderança isolada em todas as pesquisas. Na genial/Quaest, ele tem hoje 39% de intenções de voto na consulta estimulada. É seguido pela deputada federal campista e bolsonarista Clarissa Garotinho (União), com 13%, e do também deputado federal Alessandro Molon (PSB), com 12%, tecnicamente empatados.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ALTA, QUEDA E ESPONTÂNEA A PRESIDENTE — Embora lidere a corrida presidencial entre os fluminenses, Bolsonaro apresenta viés de queda, pois perdeu 1 ponto dos 40% de intenções de voto que tinha na consulta estimulada ao 1º turno na Genial/Quaest de 15 de setembro. Em contrapartida, embora venha numericamente em segundo no RJ, Lula tem viés de crescimento, pois ganhou 1 ponto dos 29% que tinha há 11 dias. Essas tendências se confirmam na consulta espontânea, em que Bolsonaro caiu de 35% aos atuais 34%, 4 pontos à frente de Lula, que, no entanto, subiu de 29% a 30%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO — Na projeção ao 2º turno, Bolsonaro também leva vantagem sobre Lula, mas mínima, de 1 ponto:  bateria o principal adversário por 44% a 43% nas urnas fluminenses de 30 de outubro. Em comparação com a Genial/Quaest de 15 de setembro, os dois apresentaram hoje tendências de queda: o capitão tinha 45% e o petista 44%. Ambos perderam também 1 ponto nos últimos 11 dias.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — A desvantagem mínima do ex-presidente ao atual na projeção estadual do 2º turno reflete a rejeição, fundamental à definição das urnas de 30 de outubro. Lula tem 53% dos fluminenses que não votariam nela de maneira nenhuma, contra 51% de Bolsonaro. À frente dos dois, quem lidera o índice negativo no RJ é o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 57% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REELEIÇÃO DO PRESIDENTE? — Em índice análogo à rejeição, quem perde por pouco é o capitão. Ele aumentou de 50% a 51% o número dos fluminenses que acham que não merece ser reeleito presidente, enquanto os que acham que merece caíram de 48% a 47%. O que confirma seu viés de queda moderada no RJ.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

INDECISOS AO SENADO — Ex-craque, Romário dá de goleada na consulta estimulada ao Senado e também tem boa vantagem no placar da espontânea. Quando os nomes dos candidatos não são apresentados, o senador fica com 15%, Molon com 6% e todos os outros nomes da disputa, somados, com 12%. Todavia, os indecisos que na estimulada são apenas 7%, crescem na espontânea a 64%. São 8 pontos a menos do que os 72% da Genial/Quaest de 15 de setembro, mas indicam uma eleição ainda aberta, mesmo a seis dias da urna.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Tecnicamente empatado com Lula, Bolsonaro aparece numericamente à frente entre o eleitorado fluminense tanto pesquisa espontânea, por 34% a 30%, quanto na estimulada, por 39% a 37%. Num eventual 2º turno, a disputa segue bastante apertada, com as intenções de voto em Bolsonaro no RJ superando numericamente as intenções em Lula em apenas 1 ponto: 44% a 43%. Na disputa para o Senado, o candidato à reeleição Romário, o mais conhecido pelo eleitorado, lidera com folga, registrando 39% das intenções de voto. Em relação ao levantamento anterior, de 15 de setembro, o atual Senador oscilou positivamente 2 pontos percentuais, dentro da margem de erro de 2,5% para mais ou para menos. A seis dias da eleição, além da liderança isolada, o candidato do PL apresenta tendência de continuidade do crescimento de sua intenção”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

Genial/Quaest: Castro abre 12 pontos sobre Freixo no RJ

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A seis dias da urna de 2 de outubro, no domingo, o governador Cláudio Castro (PL) segue liderando a corrida ao Palácio Guanabara. Na pesquisa Genial/Quaest, divulgada hoje e feita de quinta (22) a domingo (25), ele cresceu 4 pontos desde 15 de setembro, passando de 31% a 35% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Castro aumentou de 10 para 12 pontos sua vantagem ao principal opositor, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), que cresceu 2 pontos, de 21% a 23%. Em terceiro na corrida, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) cresceu 2 pontos, de 7% a 9%, enquanto os indecisos caíram 2 pontos, de 13% a 11%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

MAIORIA AINDA INDECISA — Apesar de polarizada, a eleição a governador não está cristalizada como a presidencial. Na consulta espontânea, sem a apresentação do nome dos candidatos, Castro também lidera, com 22%, com 11% de Freixo. Ambos cresceram 2 pontos e hoje têm 11 de diferença. Mas, mesmo com queda de 6 pontos, de 65% a 59%, os indecisos ainda são a grande maioria.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

DEFINIÇÃO DO VOTO — Apesar de aritmeticamente aberta, a definição do voto fluminense a governador passou pela primeira vez numericamente a indefinição na série da Genial/Quaest. Ainda que dentro da margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, em um universo de 1.500 eleitores ouvidos presencialmente, hoje são 50% os que dizem que sua decisão à urna é definitiva, com 49% afirmando que podem mudar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO E REJEIÇÃO — Na projeção do 2º turno, marcado para 30 de outubro, Castro também ampliou sua vantagem para Freixo. A quem bateria por 42% a 34% (12 pontos) no levantamento de 15 de setembro, e hoje derrotaria por 45% a 31% (14 pontos). Considerada fundamental para a definição do 2º turno, a rejeição segue com Freixo como líder isolado. Hoje, são 45% os fluminenses que não votariam nele de maneira nenhuma, com 32% do governador em busca de reeleição e 13 pontos abaixo no índice negativo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CASTRO BATE FREIXO NO RIO, BAIXADA E INTERIOR — Castro está à frente de Freixo nas três regiões do estado recortadas pela Genial/Quaest. Na cidade do Rio de Janeiro, única em que o deputado federal do PSB liderava numericamente até 15 de setembro, por 31% contra 29% do governador, este virou fora da margem de erro e hoje venceria por 34% a 28%, 6 pontos de vantagem. Na populosa Baixada Fluminense, embora Freixo tenha crescido mais, de 16% a 20%, continua atrás de Castro, que cresceu de 31% a 33%, 13 pontos de vantagem. No Interior, que engloba Campos e o Norte Fluminense, o governador tem a maior vantagem sobre seu principal opositor: de 34% a 12% de 11 dias atrás, aos 39% a 18% de hoje, 21 pontos de vantagem.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Com entrevistas presenciais face a face, a seis dias do 1º turno, a Genial/Quaest aponta 12 pontos de vantagem a favor do governador Cláudio Castro, que aparece com 35% das intenções de voto na pesquisa estimulada. O percentual é 4 pontos maior, acima da margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, que os 31% apurados no levantamento anterior, divulgado em 15 de setembro. Marcelo Freixo, por outro lado, seu principal concorrente, embora positivamente, oscilou na margem de erro nos últimos 11 dias, de 21% a 23% das intenções. No 2º turno projetado, Castro seria reeleito com 45% dos votos, contra 31% de Freixo. O resultado reflete a rejeição 13 pontos menor do governador, que alcança 32%, contra os 45% de Freixo, quase metade do total, que declararam não votar nele de jeito nenhum. Chama a atenção, contudo, o baixo percentual de decisão do voto, com 49% dos eleitores declarando que a escolha do voto para governador não é definitiva e que ela poderá mudar até domingo. Com isso, a corrida ao governo fluminense segue aberta, com alto grau de indefinição”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

BTG/FSB: a 6 dias da urna, Lula cresce e Bolsonaro patina

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Hoje, faltam seis dias para a urna de domingo, 2 de outubro. E o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre a última semana do 1º turno confirmando seu viés de alta registrado em todas as pesquisas eleitorais da semana passada, como o presidente Jair Bolsonaro (PL) a sua estagnação. Na pesquisa do Instituto FSB Pesquisas, contratada pelo banco de investimentos BTG Pactual — fundado por Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro —, divulgada na manhã de hoje, Lula cresceu 1 ponto em relação à semana passada. E passou de 44% a 45% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, 10 pontos à frente do capitão, que patinou nos mesmos 35%. Nos votos válidos, o ex-presidente tem hoje 48% na BTG/FSB, contra 37% do atual, 11 pontos de vantagem. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, o petista poderia definir a eleição ainda no 1º turno, com o mínimo de 50% + 1 dos votos válidos, excetuados os brancos de nulos. Na projeção do 2º turno, marcado para 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro por 52% a 40%. São 12 pontos de vantagem.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO ESPONTÂNEO E REJEIÇÃO — Na consulta espontânea, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, que melhor mede a consolidação do voto, a diferença é muito pequena para a estimulada. E o crescimento de Lula na última semana foi maior, de 2 pontos, passando de 42% a 44%, enquanto Bolsonaro patinou nos mesmos 34%, 8 pontos atrás na espontânea. A projeção do 2º turno, embora permaneça atrás, foi a única consulta em que o capitão teve uma leve melhora nos últimos sete dias. Ele cresceu 1 ponto, de 39% a 40% das intenções de voto, enquanto o petista patinou nos 52%. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição segue liderada pelo atual presidente, em quem 56% dos brasileiros não votariam de maneira nenhuma, contra 46% do ex-ocupante do cargo. Na comparação com a BTG/FSB de 19 de setembro, Bolsonaro e Lula cresceram 1 ponto na rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ABSTENÇÃO E DEFINIÇÃO DO VOTO — Questão considerada fundamental para a possibilidade de conclusão da eleição por Lula no 1º turno, a abstenção tem preocupado o PT, sobretudo nas classes socioeconômicas mais baixas, onde seu candidato tem maior vantagem sobre Bolsonaro. No entanto, a BTG/FSB de hoje apontou que 84% dos eleitores brasileiros com certeza vão votar no próximo domingo. Outros 9% disseram que provavelmente vão votar. São apenas 4% os que têm certeza de que não votarão, com 1% dizendo que provavelmente não votarão e 2% que não responderam ou não sabem. A definição do voto cresceu 5 pontos na última semana, passando de 81% a 86% os que afirmam já terem tomado a decisão do voto e não mudarão até a urna. A definição do voto sobe a 89% entre os eleitores de Lula e a 91%, entre os eleitores de Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“VOTO ÚTIL” — Outra questão que pode influenciar a possibilidade de definição da eleição ainda no 1º turno é o chamado “voto útil”. Pelo qual o PT tem feito campanha, com o objetivo de ganhar até domingo parte dos eleitores do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (PT). Embora tenha sugerido essa migração na semana passada, quando apontou queda do pedetista (de 9% a 7%) e da emedebista (de 7% a 5%) em rima com o crescimento de 3 pontos (de 41% a 44%) de Lula, o mesmo não ocorreu na BTG/FSB divulgada hoje. Feita com 2.000 eleitores ouvidos por telefone, entre a sexta (23) e o domingo (25), Ciro apareceu agora na consulta estimulada ao 1º turno com os mesmos 7% de intenções de voto que tinha há sete dias, período em que Tebet oscilou 1 ponto para baixo, de 5% a 4%.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “A pesquisa BTG/FSB divulgada nesta segunda, realizada por telefone, mantém a tendência observada nas últimas pesquisas divulgadas na semana passada, por diferentes institutos, mesmo os que utilizam metodologia presencial: Lula oscilando positivamente dentro da margem de erro e Bolsonaro se manteve estável. O ex-presidente subiu 1 ponto percentual em relação à BTG/FSB de 19 de setembro, abrindo 10 pontos de vantagem sobre o atual presidente da República. A seis dias do primeiro turno, Lula tem 45% das intenções de voto e Bolsonaro 35% da preferência. Nos votos válidos, Lula alcança 48% das intenções, contra 37% de seu principal antagonista, levando, neste momento, a eleição na margem de erro aa o 2º turno. Para 86% dos eleitores, a decisão do voto já está tomada e não vai mais mudar até às urnas do próximo domingo. No eventual 2º turno, Lula aparece com 12 pontos de vantagem sobre Bolsonaro, com 52% a 40%; e com 10 pontos a menos de rejeição, com 46% a 56%”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

Meu voto a presidente, governador, senador e deputados

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Hoje, faltam exatos 7 dias para a urna de 2 de outubro. E penso ser um bom espaço de tempo para declarar publicamente meus votos. Que se resumem à minha opção enquanto cidadão em busca de representação, sem a menor interferência na minha atuação profissional enquanto jornalista, radialista e diretor do Grupo Folha de comunicação. Mas penso ser justo com quem mê lê, ouve e vê, saber que tipo de indvíduo político sou.

A presidente, voto em Ciro Gomes (PDT), nº 12. Não acredito em “voto útil” no 1º turno. Penso que o sistema de dois turnos foi introduzido no país pelos constituintes de 1988 justamente para que o voto útil seja feito naturalmente no 2º turno. Ciro é, de longe, o candidato mais preparado para ser presidente da República. E o único a ter um projeto de governo. Tem experiência parlamentar como deputado estadual e federal, ajudou a implantar o Plano Real como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, foi ministro da Integração Regional do governo Lula e foi um excepcional governador do Ceará, sobretudo na educação pública. Se fizesse pelo menos metade no Brasil, não estaríamos neste abismo. É o meu voto mais convicto.

A governador, voto em Rodrigo Neves (PDT), nº 12. Pelo mesmo motivo que não faço “voto útil” no 1º turno entre a opção menos ruim e mais bem cotada nas pesquisas a presidente, não o faço para o comando de um dos estados mais complicados da União. Rodrigo teve um bom mandato parlamentar como deputado estadual e, como Ciro no Ceará, vem de duas excelentes administrações em Niterói, minha cidade natal, que gostaria de ver implantadas para todos os fluminenses.

A senador, na Casa Alta da República, dedicada ao debate e definição dos grandes temas nacionais, voto em Alessandro Molon (PSB), nº400. É um grande parlamentar, com dois mandatos de destaque na Assembleia Legislativa e três na Câmara de Deputados, onde cumpriu papel importante como líder da oposição ao governo Jair Bolsonaro. Aos amigos fãs de Marcelo Freixo, como quem já entrevistou ambos, dou testemunho: “Molon é o que vocês acham que Freixo é”. Junto com Ciro, Molon é o meu voto mais convicto enquanto cidadão.

A deputado federal, na Casa Baixa da República, dedicada ao eco dos interesses regionais no debate nacional, voto em Christino Áureo (PP), nº 1155. A despeito de pertencer ao PP do cangaceiro Artur Lira, presidente da Câmara Federal e pai do Orçamento Secreto, o macaense Christino conhece e representa bem o Norte Fluminense em Brasília. Merece um segundo mandato. De perfil técnico, teve três bons mandatos de deputado estadual e foi um proativo secretário estadual de Agricultura nos governos Anthony Garotinho, Benedita Silva, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, sem se manchar por denúncia de corrupção.

A deputado estadual votarei no Professor Alexandre (PDT), nº 12050. Foi minha última definição de voto e o primeiro que darei a ele, embora sempre o tenha considerado uma boa opção em suas candidatuas anteriores a vereador, por seu compromisso com a educação pública. Estava em dúvida sobre minha opção à Alerj, pesando prós e contras de alguns nomes, até que há cerca de duas semanas saí do IFF, após participar de uma palestra sobre jornalismo, e encontrei com Alexandre e sua esposa panfletando. E com eles conversei um pouco. Ali defini meu voto, com o pensamento que só agora ecoo: “É isso que a política deveria ser! Onde foi que nós nos perdemos?”

 

Atualização às 16h27: Aqui, meu irmão Christiano Abreu Barbosa, diretor financeiro do Grupo Folha e blogueiro do Folha1, também fez a sua declaração de voto para 2 de outubro. Ao meu juízo, são opções coerentes com a orientação política dele, da centro-direita democrática, que têm meu respeito.

 

0

A 8 dias da urna, Lula e Bolsonaro nas pesquisas da semana

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Hoje, faltam oito dias para a urna de 2 de outubro. A dois domingos do 1º turno da eleição presidencial, todas as principais pesquisas indicam a oscilação positiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa, com o presidente Jair Bolsonaro (PL) estagnado nas intenções de voto em segundo lugar, bem à frente do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (MDB). Incomodado pelas tendências, Bolsonaro e seus apoiadores passaram a atacar os institutos de pesquisa. Muitos deles, os mesmos que projetaram em 2018 a vitória parcial do capitão no 1º turno, com Fernando Haddad (PT) em segundo lugar, e a eleição do hoje presidente no 2º turno. Projeções todas confirmadas há quatro anos pelo voto na urna.

CRESCIMENTOS DE BOLSONARO AO TETO — Antes de entrar na última semana da urna aparentando ter batido em seu teto, Bolsonaro teve três claros crescimentos nas pesquisas deste ano eleitoral. O primeiro entre abril e maio, quando herdou naturalmente os votos de centro-direita das desistências do seu ex-ministro Sergio Moro (União) e do ex-governador paulista João Doria (PSDB). Depois, entre o final de julho e agosto, sobretudo nos votos dos evangélicos, por conta dos ataques de toada neopentecostal ao PT; e da classe média baixa, com renda familiar mensal entre 2 a 5 salários mínimos, por conta da redução do preço dos combustíveis. E, o terceiro, a partir da sua superexposição na captura do bicentenário da Independência do Brasil, no 7 de setembro transformado em atos de campanha em Brasília e no Rio de Janeiro. Este último, marcado pelo “imbrochável”, se revelaria impotente para competir com a comoção mundial pela morte da rainha da Inglaterra Elizabeth II, aos 96 anos, em 8 de setembro.

ESTABILIDADE DE LULA DESDE 2018 — Lula, em contrapartida, manteve-se na estável na casa dos 40 e poucos % de intenções de voto todo o ano de 2022. A bem da verdade, ele liderava as pesquisas presidenciais desde 2018. Mesmo depois de preso por corrupção pela operação Lava Jato, em 7 de abril daquele ano. Até ter o registro da sua candidatura indeferido em 31 de agosto, pelo mesmo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) hoje atacado pelos bolsonaristas, o ex-presidente liderava com folga maior do que hoje as pesquisas presidenciais há quatro anos. Na Datafolha de 20 a 21 de agosto de 2018, Lula tinha 39% das intenções de voto, contra 19% de Bolsonaro. Na BTG/FSB de 25 e 26 de agosto de 2018, ele tinha 35%, contra 22% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

PESQUISAS DA SEMANA — Quatro anos depois, a penúltima semana antes da urna foi aberta na manhã de segunda (19) pela pesquisa do mesmo Instituto FSB Pesquisas, contratada pelo mesmo banco de investimentos BTG Pactual, fundado pelo mesmo Paulo Guedes, hoje ministro da Economia de Bolsonaro. Feita entre a sexta (16) e o domingo (18), a nova BTG/FSB ouviu 2.000 eleitores por telefone. Na noite de segunda, saiu a nova Ipec (antigo Ibope), contratada pelo Grupo Globo e feita de sábado (17) ao dia da sua divulgação, com 3.008 eleitores ouvidos presencialmente. Na quarta (21), saíram outras duas pesquisas: a da Quaest Pesquisa e Consultoria, contratada pela Genial Investimentos Corretora, feita de sábado a terça (20), com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente; e a PoderData realizada com recursos próprios, feita de domingo a terça, com 3.500 eleitores ouvidos por telefone.

Por fim, na noite de quinta (22), saiu a sempre aguardada Datafolha. Contratada pelos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, foi feita com 6.754 eleitores ouvidos presencialmente, entre terça e a própria quinta.

1º TURNO — Na consulta estimulada ao 1º turno, todas essas cinco pesquisas, feitas com metodologias e em dias diferentes, registram o leve crescimento de Lula e a estagnação de Bolsonaro. Acima da margem de erro, o petista cresceu só na BTG/FSB. Onde, na comparação com a mesma pesquisa da semana anterior, ganhou 3 pontos, passando de 41% a 44% nas intenções de voto, enquanto o capitão patinou em 35%. A diferença entre os dois hoje é de 9 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nas demais quatro pesquisas, Lula oscilou positivamente, mas dentro da margem de erro. No intervalo dos sete dias anteriores, ele subiu 1 ponto na Ipec, de 46% a 47%, enquanto Bolsonaro patinou em 31% — diferença hoje de 16 pontos. Na Quaest, o ex-presidente cresceu 2 pontos, de 42% a 44%, enquanto o atual patinou em 34% — diferença hoje de 10 pontos. Na PoderData, o petista cresceu 1 ponto, de 43% a 44%, enquanto o capitão patinou em 37% — diferença hoje de 7 pontos. Por fim, na Datafolha, Lula cresceu 2 pontos, de 45% a 47%, enquanto Bolsonaro patinou em 33% — diferença hoje de 14 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTOS VÁLIDOS — Para liquidar a fatura no 1º turno, um candidato precisa nele atingir o mínimo de 50% + 1 dos votos válidos, excetuados brancos e nulos. Nas consultas estimuladas ao 1º turno, Lula entra na última semana antes da urna em tendência de crescimento. E sai de 47% dos votos válidos na BTG/FSB, de 52% na Ipec, de 49% na Quaest, de 46% na PoderData e de 50% na Datafolha. Se confirmar a tendência, pode repetir o que fez com ele duas vezes o Fernando Henrique Cardoso (PSDB), até aqui o único presidente do Brasil eleito em turno único, em 1994 e 1998, desde que o sistema de dois turnos foi adotado no país em 1989.

“VOTO ÚTIL” E ABSTENÇÃO — O feito de Fernando Henrique, creditado aos especialistas ao fato da sua eleição e reeleição presidenciais terem sido conquistadas com votação ainda em cédula de papel, mais fácil para anular o voto e reduzir o universo dos válidos, indica o quanto a tarefa de Lula hoje é difícil. Como não parece aritmeticamente impossível, dois fatores são considerados fundamentais ao objetivo petista: as campanhas pelo “voto útil” em seu candidato ainda no 1º turno e pelo comparecimento do eleitor às urnas, sobretudo o mais pobre, onde o ex-presidente sempre teve sua maior vantagem sobre o atual.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Na pesquisa PoderData de quarta, a cada 10 eleitores que declararam voto em Ciro, quatro afirmaram que poderiam escolher outro candidato até 2 de outubro. Entre os eleitores de Tebet, de cada 10 entrevistados, três consideraram mudar o voto. Esses são os mais suscetíveis ao ‘voto útil’, que a campanha, sobretudo, de Lula tentará explorar nesta reta final. A ciência política utiliza duas palavras da língua inglesa para explicar a distribuição dos votos na reta final entre os dois principais líderes das pesquisas. A primeira palavra, ‘bandwagon’, se refere ao eleitor que opta pelo líder nas pesquisas, enquanto a segunda, ‘underdog’, se refere àqueles que votam para ajudar o segundo colocado. Aplicado ao caso desta eleição presidencial de 2022, muito mais marcada pela rejeição do que pela intenção, a decisão dos eleitores que optarem pelo voto útil se dará pelo combate ao antagonista rejeitado”, analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

FHC E MEIRELLES — Aos 91 anos, FHC se posicionou na quinta e convocou no Twitter o voto a presidente em defesa da democracia. Excluiu veladamente Bolsonaro, mas não nominou Lula, por conta da aliança do seu partido com a chapa de Tebet, que tem a também senadora Mara Gabrilli (PSDB) como vice. Outro aceno da semana favorável ao petista, este explícito, veio de um ex-tucano: o banqueiro Henrique Meirelles (hoje, União), ex-presidente do Banco Central nos dois governos Lula e ex-ministro da Fazenda do governo “golpista” Michel Temer (MDB). Pode não ter trazido votos, mas sinalizou ao mercado, que respondeu imediatamente. Após o apoio de Meirelles ao favorito nas pesquisas presidenciais, junto a sete outros ex-presidenciáveis, o Ibovespa subiu 2,3% e o dólar caiu 1,8% em relação ao Real.

O PLANALTO E O PIAUÍ — Na contagem regressiva dos oito dias que restam à urna, o momento favorável a Lula se reflete na sua vantagem sobre Bolsonaro no 1º turno. Que vai de 7 pontos, na PoderData, a 16 pontos, na Ipec. Se confirmada na casa dos 10 pontos, integrantes da campanha de reeleição admitem que só restará jogar a toalha no 2º turno. Líder do Centrão e coordenador eleitoral do presidente, seu ministro da Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP), chegou a pedir férias na quinta. O motivo? Deixar a disputa ao Palácio do Planalto para se dedicar à campanha eleitoral dos aliados no… Piauí. Com o clima de “barata voa” instalado em Brasília, Nogueira voltou ontem (23) ao governo e à campanha do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO — Na penúltima semana antes do 1º turno, Lula venceria Bolsonaro fora da margem de erro em todas as projeções de todas as principais pesquisas ao 2º turno, marcado para 30 de outubro. Por 52% a 39% na BTG/FSB, por 54% a 35% na Ipec, por 50% a 40% na Quaest, por 52% a 39% na PoderData, e por 54% a 38% na Datafolha. A vantagem do ex-presidente sobre o atual hoje seria de 10 pontos, na Quaest, a 19 pontos, na Ipec.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Índice fundamental à definição do 2º turno, a rejeição é liderada por Bolsonaro em todas as principais pesquisas. Entre os brasileiros que não votariam em um ou no outro de maneira nenhuma, o capitão tem hoje 55% a 45% do petista na BTG/FSB, 50% a 33% na Ipec, 54% a 46% na Quaest, 51% a 38% na PoderData, e 52% a 39% na Datafolha. A desvantagem no índice negativo do atual presidente ao ex vai de 8 pontos, na Quaest, a 17 pontos, na Ipec.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

DE MINAS A LONDRES — Sábio político das Minas Gerais, o ex-presidente Tancredo Neves advertia: “Eleição e mineração, só depois da apuração”. O motivo real do abandono de 24h de Ciro Nogueira da campanha do capitão teria sido o racha dentro dela entre os pragmáticos do Centrão e os radicais bolsonaristas. Cujo discurso golpista, que cresce a rejeição do eleitor médio, foi retomado por Bolsonaro desde o domingo anterior, em Londres, em entrevista ao SBT: “se não ganharmos no 1º turno, com mais de 60% dos votos, algo de anormal aconteceu dentro do TSE”. No mesmo dia, ele usou a sacada da embaixada brasileira na capital inglesa para fazer um ato de campanha, cujos apoiadores foram repreendidos por cidadãos britânicos indignados pelo desrespeito de república amarela de bananas com o funeral da sua rainha. No Brasil, o eco foi a estagnação de velório nas pesquisas da semana, em que Lula apresentou leve crescimento.

 

 

LOGO ALI — Questionar previamente a apuração, quando se está atrás na disputa e com cerca de metade dos eleitores que se diz ter, talvez não fosse considerado por Tancredo como sinal de quem ainda ache possível virar no voto. Isso numa eleição até aqui mais marcada pela estabilidade do que por alterações. O resultado, saberemos daqui a apenas oito dias.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

0

Rodrigo Fernandes — Por que um educador vota em Bolsonaro?

 

 

 

Rodrigo Fernandes, engenheiro e professor de engenharia do IFF

Um voto pela liberdade

Por Rodrigo Fernandes

 

Publicar a minha opinião política numa das principais mídias da imprensa do Norte Fluminense nunca esteve no meu radar, ainda mais quando o destaque é pelo fato de eu ser professor. A realidade é que o meu voto no presidente Bolsonaro não tem uma relação direta com esse fato em si, mas sim por causa dos valores que ele defende que são os mesmos que meus pais me educaram para a vida, e que eu e minha esposa educamos nosso filho: Deus, pátria, família e liberdade.

Não voto em pessoas, mas sim nas pautas e visões de mundo que o candidato defende, até porque pessoas passam, mas nossos valores e ideais devemos defender até o último dia de nossas vidas.

Professor é uma das profissões mais nobres e antigas da humanidade e nosso senhor Jesus Cristo é o maior deles. Ele nos ensina a sempre trabalhar com a verdade, pois sem o conhecimento só nos resta a ignorância, facilmente enganados seremos e pereceremos como povo. Nessa esteira, eu vejo com pesar um professor declarar o seu voto no principal oponente do presidente Bolsonaro, depois de ter acompanhado por anos nos meios de comunicação os vários escândalos de corrupção e mentiras que ele e o seu partido de esquerda estiveram envolvidos.

Estatisticamente, eu posso parecer um ponto fora da curva quando o assunto é o voto de um professor, porém a minha experiência mostra que existem muitos professores que não declaram o voto no presidente Bolsonaro por medo de sofrerem represálias, ainda que veladas, ou ainda serem excluídos por alguns colegas de trabalho. Porém, esses votos não declarados, ali, no cantinho solitário da urna, apertarão sim o número 22 no dia 2 de outubro deste ano, ao contrário do que projeta a maioria dos institutos de pesquisa, que terão sua credibilidade abalada.

O principal motivo do meu voto no presidente Bolsonaro é pela coerência das realizações do seu governo frente às suas promessas de campanha, pois vejamos: a nomeação de ministros técnicos e competentes, sem o loteamento partidário dos ministérios; a Reforma da Previdência, importantíssima para as gerações futuras dos nossos filhos e netos; a redução de impostos (IPI e IOF), zerando tributos federais sobre gasolina, etanol e diesel, e articulando para a aprovação de um teto para o ICMS cobrado pelos estados; a PEC Emergencial, o Auxílio Brasil de R$ 400,00 e o Auxílio Emergencial de R$ 600,00, importantes medidas para ajudar a população mais necessitada nos momentos críticos da pandemia, que também contribuíram para a rápida retomada da economia brasileira, fazendo com que nossa inflação seja menor do que a de países europeus e a dos Estados Unidos;  a compra de mais de 600 milhões de doses de vacina contra a Covid-19;  a Lei da Liberdade Econômica e o Marco das Startups, promovendo um ambiente favorável para o empreendedor brasileiro inovar e gerar mais postos de trabalho e riqueza; o Marco Legal do Saneamento, que está levando dignidade e saúde para milhões de brasileiros; o leilão do 5G; mais de 5 mil obras entregues, dentre elas a tão sonhada transposição do rio São Francisco, que levou água para milhões de brasileiros do Nordeste; o Revogaço, que desburocratiza o Estado e facilita a vida do cidadão; a eficiente administração de empresas públicas, como por exemplo os Correios, gerando lucro ao invés de prejuízo. Enfim, eu poderia listar aqui mais tantas realizações que não são mostradas pela outrora grande mídia brasileira, pois esta preferiu ser um partido de oposição ao governo Bolsonaro, ao invés de cumprir o seu nobre papel de informar a população.

Esta eleição está polarizada, de fato. Por isso, nunca foi tão fácil e natural definir o seu voto para presidente da república. O oponente do presidente Bolsonaro – que só está concorrendo porque foi reabilitado politicamente pelo STF, quando anulou, por motivo técnico, os processos que o condenaram em três instâncias – já teve a oportunidade de mostrar para a população brasileira como não se deve governar uma nação. Talvez, os mais jovens não conheçam a história nefasta que foram os governos de corrupção de 2003 até 2015. Por isso, tomo a liberdade de convidar o leitor para que converse com seus filhos e netos sobre toda a história de corrupção deste período e deixá-los tirarem as suas conclusões e decidam o seu voto consciente nesta eleição histórica.

A humanidade está em constante evolução. A busca por um futuro melhor e mais justo não se dá por imposição do Estado, mas sim pela iniciativa das pessoas, preservando e melhorando o que deu já certo e evitando erros do passado. O Estado deve prover segurança pública, garantir a lei, a ordem e a soberania nacional, bem como o acesso à saúde e a educação para todos os cidadãos. Mas para que as pessoas tomem a iniciativa de empreender, inovar e transformar, gerando riqueza, é preciso haver segurança jurídica, desburocratização, liberdade econômica e de expressão.

Sobre a liberdade de expressão, que foi uma das grandes conquistas do constituinte de 1988, o jurista e constitucionalista Dr. Ives Gandra Martins discorda da interpretação dos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal, quando colocam o regimento do STF acima da Constituição, mantendo ativo o inquérito das “Fake News” há mais 3 anos sem autorização do Ministério Público, e cerceiam a liberdade de expressão. Ele ainda afirma que: “nós estamos tendo uma democracia, não aquela que o constituinte fez, que deu liberdade de expressão para todo mundo dizer o que bem entendesse, mas ao contrário nós estamos tendo uma democracia que diz: pode-se dizer democraticamente o que nós do Supremo entendemos o que é democracia. E estamos vivendo, efetivamente, um cerceamento de defesa, fazendo com que a democracia seja, não o que os constituintes puseram na Constituição, mas estão criando uma nova doutrina”.

O medo de parlar e de expor sua opinião não é uma característica de um país democrático, ainda mais quando causado pelo Poder que deveria garanti-la, pois como já dizia Rui Barbosa: “a pior ditadura de todas é a da elite do Judiciário, porque não temos mais a quem recorrer”.

É preciso lembrar que o próximo presidente irá indicar dois novos ministros para o STF.  Portanto, reeleito, o Presidente Bolsonaro terá indicado um total de quatro nomes para o STF até o final de 2023. Mesmo assim, até 2028, ainda comporão a Corte 5 ministros indicados pelo partido do seu oponente.  A natureza é sábia e nos ensina que devemos buscar o equilíbrio. Portanto, precisamos equilibrar as visões de mundo dos ministros do STF, pois, hoje, está com a sua balança pendendo demasiadamente para o lado esquerdo, e não representa a maioria da população brasileira.

Por isso, este professor que vos escreve votará em 2022 no presidente Jair Messias Bolsonaro.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

0

A 9 dias da urna, pesquisas eleitorais no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE, William Passos é o convidado para encerrar nesta sexta (23), ao vivo a partir das 7h25, a penúltima semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, antes da urna de 2 de outubro. Ele falará da disputa entre Garotinhos e Bacellar da Câmara Municipal de Campos à eleição à Alerj.

William também analisará a eleição a deputado federal na região e as pesquisas a senador e governador do RJ. Por fim, analisará as tendências das pesquisas ao Palácio do Planalto polarizadas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0