Cidadão britânico e goitacá fala da rainha Elizabeth II

 

Como a morte da rainha Elizabeth II, na quinta (8), aos 96 anos, 70 anos dele ocupando o trono da Inglaterra, marcou seu país e o mundo que se acostumou a tê-la como referência? Para tentar entender o legado da mais longeva soberana britânica, que se transformou num ícone da cultura pop, a Folha entrevistou o economista William Pretyman, nascido e criado no Brasil, entre Campos e o Rio de Janeiro, mas também cidadão britânico. O empresário e pordutor rural é filho de um lorde inglês, que era primo de Elizabeth. Ele lembrou que Elizabeth assumiu o trono por acaso. Foi após o tio, o rei Eduardo VII, abdicar do trono para se casar com uma estadunidense divorciada. E do pai, o rei Jorge VI, morrer precocemente aos 57 anos. “O que a ajudou foi ela reunir qualidades ímpares, tendo ao longo do seu reinado se comportado de maneira conciliadora e equilibrada, colocando o bem de seu país antes de seu próprio bem-estar”, avaliou William. Ele vê o engajamento ambiental do novo rei Charles III como positivo. E criticou as “esquesitices” patriarcais da Inglaterra do seu pai: “Como o fato de nas famílias mais abastadas prevalecer o direito do filho mais velho à herança familiar”.

 

William Pretyman e a rainha Elizabeth II (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha da Manhã – Com a morte da rainha Elizabeth II, após 70 anos no trono, chegou ao fim uma era? O que fica e o que vai? Qual o legado dela e seu reinado à Inglaterra, à Grã-Bretanha e ao mundo?

William Pretyman – Sim, penso ter chegado ao fim uma longa era. Quando nasceu, Elizabeth era apenas a terceira na linha de sucessão: portanto acabou tendo que assumir ao trono sem nenhum preparo. O que a ajudou foi ela reunir qualidades ímpares, tendo ao longo do seu reinado se comportado de maneira conciliadora e equilibrada, colocando o bem de seu país antes de seu próprio bem-estar. Com a sua morte a monarquia inglesa se mantem como a mais importante e reverenciada das monarquias ainda existentes.

 

Folha – O que esperar de Charles, agora III, no trono da monarquia parlamentar ainda mais importante do mundo? Seu engajamento nas questões ambientais pode marcar seu reinado?

William – Sim, penso que sim. Charles, ao contrário de Elizabeth foi educado e preparado para assumir o trono, tendo em vários momentos da vida se frustrado com a longa espera, o que é justificável. Seu engajamento nas questões ambientais é tido como fator positivo no mundo conturbado no qual vivemos.

 

Folha – A Inglaterra foi marcada por três rainhas: Elizabeth I, na afirmação do país na Europa e da sua língua com Shakespeare; Vitória, no auge do poder do Império “onde o sol nunca se põe”; e, agora, por Elizabeth II. Como elas foram precursoras no empoderamento da mulher?

William – A Inglaterra, no aspecto de empoderamento da mulher, não chegou a ser propriamente inovadora, pois é um país que sempre valorizou a tradição. Portanto, ainda tem algumas esquesitices, como o fato de nas famílias mais abastadas prevalecer o direito do filho mais velho à herança familiar.

 

Folha – Elizabeth II assumiu o trono com 25 anos, em 1952, quando o primeiro-ministro era Winston Churchill. E morreu após dar posse à 14ª ocupante do cargo executivo durante seu reinado, Liz Truss. Como esse equilíbrio entre Estado e governo marcou o reinado dela?

William – A busca do equilíbrio entre Estado e governo foi um dos mais importantes legados deixado pela rainha. Ela foi soberana sem querer se impor. Ouvia atentamente quando surgiam crises e com sua sabedoria buscava sempre o melhor para o seu país.

 

Folha – Elizabeth II sempre foi tida como referência de devoção à vida pública, da primazia do Estado sobre a vida pessoal. Como ela inspirou e continuará a inspirar pessoas que ocupam posições de poder no mundo?

William – As pessoas que ocupam posições de poder no mundo costumam, por razões óbvias, ter uma visão de curto prazo. Durante seu longo reinado, por ter convivido com líderes de toda espécie de ideologia, a rainha pode transmitir a eles uma visão mais equilibrada.

 

Folha – Seu pai, Walter Frederick Pretyman, foi ordenado lorde por Elizabeth II. Como ela funcionou como elo entre gerações de nobres e plebeus, na Inglaterra, no mundo anglo-saxão e no que tem o inglês como sua segunda língua?

William – Meu pai, Walter Frederick Pretyman, foi ordenado com o título de “Sir” em 1972. Filho caçula de uma família que, para aristocrática, só faltava o título. Percebendo que nada herdaria, deixou a Inglaterra assim que se formou em Oxford. Meio por acaso veio parar no Brasil, onde vislumbrou oportunidades. Seu pai o ajudou a adquirir terras em Campos. Casou-se com Vera, uma paranaense e constituiu uma família, tendo casas em Campos e Rio. A rainha que por sinal era prima de meu pai, concedeu-lhe o título pela dedicação à comunidade britânica no Brasil.

 

Página 5 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Frederico Paes — Castro, barrrismo a deputados e Bolsonaro

 

Castro, Bolsonaro e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Frederico Paes, Engenheiro Agrônomo, vice-prefeito de Campos, produtor rural e presidente da Coagro

Voto e compromisso

Por Frederico Paes

 

Sempre, na minha vida pessoal, profissional e agora política, procurei me pautar de forma a procurar o equilíbrio. Esse caminho é o que eu entendo como capaz de construir resultados, não para pessoas ou grupos, mas para a coletividade.

Eu continuo afirmando que quando deixamos as questões pessoais de lado e partimos para discutir divergências e posturas políticas, as coisas ficam menos complexas e se tornam relevantes.

Na condição de vice-prefeito de Campos, eu posso dar testemunho da importância do papel do governador Cláudio Castro para o nosso município, de como ele tem sido fundamental para a gente construir, com parcerias em várias áreas como a Saúde e a Agricultura resultados em benefício da população.

O prefeito Wladimir Garotinho soube determinar o que queria, montar uma equipe fantástica, mas também soube procurar apoio, parcerias e buscar recursos. Fomos um dos primeiros municípios a solicitar, preparar e apresentar projetos na área de Saúde ao governo estadual. Isso viabilizou por exemplo a construção do novo HGG, com recursos do município e do estado, a partir do governador Cláudio Castro.

O governador Cláudio Castro tem dado demonstração de maturidade política ao estruturar um governo pensando não apenas na região metropolitana do Rio, mas também no interior. Com habilidade, diálogo, interlocução, Cláudio Castro tornou presente o governo do estado em todas as cidades e regiões fluminenses.

Ao mesmo tempo, o governador Cláudio Castro montou uma matriz sólida de apoiamentos políticos, com o prefeito Wladimir Garotinho, os ex-governadores Garotinho e sua esposa Rosinha e com o ex-prefeito de Caxias, Washington Reis (com sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, seria substituído ontem pelo deputado federal Vinicius Farah como vice na chapa de Castro).

Os números indicam que a solidez desse projeto pode encaminhar a definição de um resultado ainda em primeiro turno: Cláudio Castro chegou a 47% e dentro da margem de erro, pode ir a 50% no Ipec. Eu penso que é sobre isso: o quanto a presença de uma gestão pode gerar a compreensão de um projeto político pela sociedade. Eu dei uma entrevista à Folha da Manhã no início do ano e falei da importância do voto no representante com compromisso regional.

Nós temos que eleger o maior número possível de candidatos que se identifiquem com a nossa região. Não precisam ser de Campos, mas têm que ter o compromisso testado, comprovado, com a nossa região. Não é possível votar em candidato que aparece só de 4 em 4 anos, de 2 em 2 anos.

Não vejo compromisso com Campos de outro candidato a governador que não seja o Cláudio Castro. Esses outros candidatos não sabem dos problemas da Dona Maria, do Seu José, de Tocos, de Travessão. Para a essas eleições, além de governador, nós temos bons candidatos nessa condição, temos que eleger deputados com esse compromisso, tanto deputados federais com deputados estaduais. Deputados que se comprometam com nossa região. É preciso que conheçam os nossos problemas e que apresentem ações.

Esse raciocínio, para mim, é determinante e pode representar sucesso e fracasso para algumas candidaturas. Eu acho que Clarissa pode surpreender na corrida ao Senado, principalmente em uma base que não é mensurada, porque as pesquisas estariam fundamentadas em estratificação de 2010, conforme ouvi de um especialista do Rio. Ela pode surpreender principalmente se Bolsonaro der um apoio mais forte. Clarissa está em segundo lugar, tem 8%, tem crescido nas pesquisas, pode herdar votos de Daniel Silveira, que teve a candidatura indeferida.

Eu sou uma pessoa que ando no meio do povo, e o que acontece é exatamente isso: a rua mostra uma realidade em que a vitória do Lula em primeiro turno não é possível mais nesse momento. Eu acho que os dois candidatos que se apresentam, apesar das posições distintas, têm muita coisa em comum. Quem falar que o Bolsonaro não apoia o social, é só ver o que foi feito na pandemia, o Auxílio Brasil, o apoio aos empreendedores. Como Lula tem votos declarados de vários banqueiros. Hoje não temos um terceiro nome, não há alternativas. O Ciro Gomes não se mostrou ainda um candidato viável e o Brasil precisava de mais alternativas. Hoje, vivemos um momento difícil com a polarização, com posições radicais. Se você fala uma coisa, tem sempre um reflexo acirrado, positivo ou negativo, contra a favor, de posições radicais. O centro, como centro-esquerda ou centro-direita, são sempre os melhores caminhos e eu não vejo hoje candidaturas colocadas viáveis nessas posições.

Então, eu acho que essa será uma eleição para presidente plebiscitária. Eu reconheço avanços no governo Bolsonaro, que apoiou Campos com pagamentos de recursos federais em áreas importantes como a Saúde, o Desenvolvimento Humano. E vejo, como uma pessoa do setor produtivo, muitas conquistas. Não se trata de distribuir recursos apenas, fazer programas de transferência de renda, mas também do desempenho da economia do Brasil, que está bombando. Nosso crescimento é superior ao de países da Europa, com reação forte, com redução do desemprego, com o crescimento da indústria, da agricultura.

Na comparação anual, a alta do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 3,2%, segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no início do mês. Com esse resultado no segundo trimestre, o Brasil ocupa o 7º lugar dentro de um ranking de 26 países, segundo levantamento elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating.

Então, vejo que esse desempenho da economia brasileira, em quadro de pós-pandemia, de guerra da Ucrânia, aliado aos programas de inclusão social, geram uma matriz capaz de mover a decisão do voto pelo Bolsonaro, independentemente das divergências de natureza ideológica, política.

O que eu desejo, seja qual for a escolha da população, é que ela se dê de forma consciente, com análise das propostas e realizações, e acima de tudo, o respeito ao voto, à democracia, gere a verdadeira transformação de nossa sociedade.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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General vê uso eleitoreiro do 7 de setembro pelo capitão

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

O que a gente pode dizer é que esse 7 de setembro, esse bicentenário, infelizmente, vai passar para a História como um episódio triste da trajetória da vida nacional, porque ele foi usado para fins eleitoreiros”. Foi o que disse na manhã de ontem, em entrevista ao Folha no Ar, o general da reserva da reserva do Exército Francisco de Brito Filho, que chegou a integrar o governo Jair Bolsonaro (PL) em seu início, como integrou, ainda na ativa e em função militar, o governo Lula (PT). Ele lamentou o descaso com o presidente de Portugal, Rebelo de Souza, no palanque de Brasília para comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. E, no “comício eleitoral” do Rio de Janeiro, constatou “a situação muito difícil” do comando das Forças Armadas. “Cujo silêncio está sendo interpretado por muitos como conivência”, alertou. “Nenhuma força armada, de qualquer país, tem o direito de deixar a sua sociedade apreensiva; de deixar que o governante utilize de mensagens veladas, usando a imagem da Força para fins eleitoreiros”, comentou o general. Que chamou a atenção dos civis à necessidade de se impor limites legais para que candidatos militares voltem à sua Força, em caso de insucesso nas urnas, “como se nada tivesse acontecido”.

 

General da reserva do Exército Francisco de Brito Filho, ex-comandante do contingente brasileiro no Haiti, ex-comandante da Força de Pacificação no Complexo da Maré-RJ, ex-instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (Eceme) e ex-comandante e ex-chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste

 

Seis mil militares no governo Bolsonaro – A questão dos 6 mil cargos militares, que dá uma impressão, um impacto muito forte nessa percepção de militarização do governo, nós temos que também dar um desconto. Por quê? Eu, como militar da ativa, já participei do governo Lula, integrando o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Mas, ocupando um cargo de natureza militar, dentro dos gabinetes de segurança institucional. Existem outros cargos também de natureza militar, que estão computados dentro desses 6 mil. Isso aí, logo no início do governo (Bolsonaro), foi um assunto muito questionado também, e o próprio TCU se manifestou no sentido de verificar se haveriam também um possível desvio de finalidade. Foram identificados alguns. Mas, bem menos de 6 mil. De qualquer forma, que sejam 200, já é uma coisa altamente indesejável, porque esses 200 militares, que vestem farda, deviam estar ocupando cargos de natureza militar, de preferência na estrutura militar de Defesa, e não cargos civis. De qualquer maneira, o TCU identificou isso, mas não conseguiu identificar nenhuma ilegalidade. Foi aí que derivou, inclusive, uma iniciativa louvável da deputada (federal) Perpétua Almeida (PCdoB/AC), no sentido de propor uma PEC que iria restringir essa participação dos militares fora desses limites legais constitucionais. Então, infelizmente, ela levou quase um ano para colher as assinaturas necessárias, e aí essa PEC, depois de feita essa coleta, já está encaminhada ao presidente da Câmara, mas não foi ainda colocada na pauta. Percebam que é uma coisa sensível. Houve a manifestação do poder político, do poder civil, sobre essa anomalia, mas ainda não apresentou nenhum resultado.

Militares ministros ganhando acima do teto constitucional – É preciso verificar com alto nível de detalhamento a verdadeira ocorrência desse valor acima de teto. Eu falo isso até por conta dessa minha experiência que tive no início do governo (Bolsonaro), junto ao Inep, que é uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, mais conhecida pela elaboração do Enem, mas é um instituto sensacional, que oferece outros produtos de importância muito relevante tanto para a educação quanto para a sociedade como um todo. Eu vivi essa experiência, a questão do teto. Eu tinha os meus vencimentos de militar da reserva e, ao receber os vencimentos referentes ao cargo de confiança, eu já havia ali uma preocupação muito grande da Casa Civil no sentido de que, uma vez atingido o teto, teria que ser reduzido o excedente do meu do meu contracheque. No meu caso, isso não chegou a se verificar. No cargo que eu assumi, os vencimentos referentes àquele cargo não extrapolavam esse teto. Mas eu vi colegas que viam os seus vencimentos referentes ao cargo de confiança serem reduzidos, justamente para não furar o teto. Então, eu vejo que pode ter ocorrido por alguma falha na administração, mas há uma postura de respeito a essa regra do teto no que se refere aos vencimentos dos militares que acabaram ocupando cargos de confiança no governo Bolsonaro.

Atos do 7 de setembro – O que a gente pode dizer é que esse 7 de setembro, esse bicentenário, infelizmente, vai passar para a História como um episódio triste da trajetória da vida nacional, porque ele foi usado para fins eleitoreiros. Agora, para poder fazer uma análise um pouco mais profunda, o nosso chefe de governo esteve presente em duas cidades: a capital federal, onde não poderia deixar de comparecer, e no Rio de Janeiro, que até trouxe uma consequência realmente muito triste e indesejável para a população do Rio de Janeiro, que ficou privada do desfile tradicional cívico-militar, não só dos militares, mas das escolas, que se realizava anualmente na avenida Presidente Vargas. Mas, dentro desse cenário negativo, há ainda que se destacar que houve alguns exemplos positivos. Vamos pegar primeiro o evento de Brasília: a ausência do chefe do Poder Judiciário e dos dois líderes do Poder Legislativo no palanque foi uma mensagem muito importante, que fortalece o nosso estado democrático de direito. Um outro aspecto muito negativo, em Brasília, foi a maneira como foi recebido e tratado o presidente de Portugal (Rebelo de Souza), que deixou o seu país, atravessou o oceano para prestigiar a antiga colônia, e foi tratado com total desprezo, descaso, desrespeito no palanque oficial pelo nosso presidente, que preferiu fiar ombreado por outras pessoas, outros atores, deixando de lado ali o único chefe de Estado.

No Rio de Janeiro – Vamos passar aqui para o Rio de Janeiro, onde o chefe de governo realizou um comício eleitoral. A participação das Forças Armadas nesses dois eventos, em Brasília, foi protocolar. No Rio de Janeiro é que eu entendo que o comando do Exército e das Forças Armadas foram colocados numa situação muito crítica, muito difícil, porque, de qualquer maneira, eles se subordinam ao chefe do Executivo, que é o comandante supremo das Forças Armadas, e não poderia deixar de participar de alguma maneira do evento, mesmo sabendo que o local escolhido e as condições que foram colocadas tinham um viés eleitoreiro explícito. Só havia duas posturas a adotar: ou se recusar a participar, de uma maneira taxativa, ou participar com a maior discrição possível. É lógico que, numa recusa taxativa de participar, iria se instalar uma crise num momento em que nós estamos precisando de estabilidade, às vésperas de uma eleição que promete ser bastante acalorada.

Uso das Forças Armadas – É lógico que existem militares da reserva que aderiram ao governo e se identificam como tal. O que precisa ser preservado é justamente essa politização das Forças Armadas, de que o militar fardado, que detém o monopólio do uso da força, está ali ombreando com projetos político-partidários do chefe de governo. E, por mais discreta que tenha sido essa participação, essa mensagem de alguma forma chegou à sociedade. E aqui eu não vou fazer uma crítica, mas vou fazer um comentário: nenhuma força armada, de qualquer país, tem o direito de deixar a sua sociedade apreensiva; de deixar que o governante utilize de mensagens veladas, usando a imagem da Força para fins eleitoreiros. E aí é que vem o meu comentário: eu acho que a estratégia do silêncio adotada pelas Forças Armadas está passando uma mensagem de coesão, está passando uma mensagem de disciplina, mas, de qualquer maneira, esse silêncio está sendo interpretado por muitos como conivência. Isso é muito ruim para as Forças Armadas. E aí é que eu digo que já está mais do que na hora de que essa estratégia de silêncio seja flexibilizada, para que a gente possa trazer tranquilidade para a sociedade. Nenhuma força armada tem o direito de deixar a sociedade apreensiva, a sociedade à qual ela serve. Ela tem obrigação de vir a público e desfazer qualquer mal-entendido. Ela tem que vir declarar oficialmente e desfazer mensagens veladas, desfazer essa falsa impressão de politização das Forças Armadas, que, infelizmente, é explorada pelo governante com fins políticos, partidários e eleitoreiros. Porque da mesma forma que ele faz junto ao eleitorado evangélico, ele está usando o mesmo artifício com as Forças Armadas.

Candidaturas de militares – O que nós temos que verificar é que as ideias defendidas pelo atual governo, autoritárias ou de extrema direita, elas, dentro do jogo democrático, conquistaram muitos corações e mentes. Ou seja, nós temos um segmento da sociedade, que não é desprezível, que realmente concorda com aquelas ideias mais autoritárias que estão sendo apresentadas por esse governo. E os militares da reserva também, como qualquer cidadão, podem mostrar adesão, simpatia a essas ideias mais radicais. A única maneira de tirar esses atores de cena é pelo voto. Não tem outro instrumento que, dentro do jogo democrático, tenha mais poder do que isso. Tem outro detalhe ainda, que é uma anomalia e que a mídia não costuma focalizar: o militar da ativa, no momento, com o arcabouço legal existente agora, ele pode se candidatar estando na ativa. Ele é afastado das Forças no momento em que apresenta o seu registro para as eleições. Então, é uma coisa praticamente simultânea. Ele se filia a um partido e lança a sua candidatura, e aí vem o que eu acho uma anomalia: se ele perde a eleição, ele retorna à Força. Isso não pode acontecer, porque, da mesma forma como o general Pazuello perdeu a sua neutralidade, esse militar que concorre a um cargo político, se filia a um partido, não pode simplesmente retornar a curso como se nada tivesse acontecido. Então, eu vejo que ainda há algum aperfeiçoamento a se introduzir nesse arcabouço legal, no sentido impedir a politização das Forças Armadas.

Forças Armadas no pleito – Faço parte de uma instituição que foi a minha vida. Saí de Fortaleza com 15 anos e deixei a farda com 55. São 40 anos de serviço. É uma instituição que tem bons líderes; que tem uma história que, se não foi apenas de sucesso, há um comprometimento das lideranças no sentido de reconhecer isso e de aprender com isso. E é isso que eu espero e tenho a convicção de que a sociedade pode esperar uma postura constitucional durante as eleições, respeitosa aos resultados das eleições, e que, após virada essa página, nós consigamos continuar trilhando esse caminho de aproximação com todos os segmentos da sociedade, porque essa é a razão de ser das Forças Armadas do país.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Confira abaixo, em vídeo, a íntegra da entrevista do general Francisco de Brito Filho ao Folha no Ar da manhã de ontem:

 

 

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Lula bate Bolsonaro no 1º e 2º turno, mas Sudeste é dúvida

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Hoje, faltam exatos 22 dias para a urna de 2 de outubro. E a semana trouxe quatro novas pesquisas presidenciais. Divulgada só na noite de ontem, depois do fechamento desta edição, a nova Datafolha não entrou neste balanço da corrida. Mas, quaisquer que tenham sido seus números, eles serão contestados pelos eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo colocado, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as pesquisas, o capitão usou a comemoração os 200 anos de Independência do Brasil, em Brasília, no 7 de Setembro de quarta, para promover ato de campanha e soprar aos seus apoiadores o que se convencionou chamar nos EUA de “apito de cachorro” (mensagem com significado só ao subgrupo alvo). “Aqui não tem a ‘mentirosa’ Datafolha, aqui é o nosso ‘datapovo’”, pregou o presidente. “Dá para acreditar em pesquisa encomendada pela Globo?”, questionam em resposta seus eleitores. Surdos à lógica mais elementar: as pesquisas presidenciais semanais do Instituto FSB Pesquisa, contratadas pelo banco de investimentos BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro, revelam o mesmo quadro geral.

PESQUISAS DA SEMANA – Como nas últimas semanas, esta foi aberta na manhã de segunda (5) pela pesquisa FSB, contratada pelo BTG fundado por Guedes. Foi feita entre a sexta (2) e o domingo (4) anteriores, com 2.000 eleitores ouvidos por telefone. Na mesma segunda, à noite, saiu a Ipec (antigo Ibope). Contratada pela Globo, foi feita também entre sexta e domingo, mas com 2.512 eleitores entrevistados presencialmente, metodologia sempre mais confiável. Na quarta, dia 7 de setembro, saiu a pesquisa do Quaest Pesquisa e Consultoria. Contratada pela Genial Investimentos, foi feita da quinta (1º) ao domingo anteriores, com 2.000 eleitores também ouvidos presencialmente. Todas as três pesquisas da semana têm margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

1º TURNO – Na consulta estimulada ao 1º turno, na comparação entre as BTG/FSB de 29 de agosto e 5 de setembro, Lula caiu de 43% a 42% das intenções de voto, Bolsonaro caiu de 36% a 34%, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 9% a 8% e só a senadora Simone Tebet (MDB) cresceu, de 4% a 6%. Entre as Ipec de 29 de agosto e 5 de setembro, Lula se manteve com 44%, Bolsonaro caiu de 31% a 32%, Ciro subiu de 7% a 8%, assim como Tebet cresceu, de 3% a 4%. Entre as Genial/Quaest de 31 de agosto e 7 de setembro, Lula se manteve com 44%, Bolsonaro cresceu de 32% a 34%, Ciro caiu de 8% a 7% e Tebet cresceu, de 3% a 4%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“GLOBOLIXO” OU “POSTO IPIRANGA” – Seja a contratante a “Globolixo”, ou o banco fundado pelo “Posto Ipiranga” de Bolsonaro na economia, todas as pesquisas da semana revelaram a estabilidade da liderança de Lula, entre 43% e 44% das intenções de voto. Assim como a sua vantagem de 8 a 10 pontos para o atual presidente. Também dentro da margem de erro, as três pesquisas registraram movimentos discretos de queda de Ciro e de crescimento de Tebet.

2º TURNO – Nas projeções do 2º turno de 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro em todas. Na BTG/FSB, por 53% a 40%, diferença de 13 pontos que era a mesma da semana passada (52% a 39%). Na Ipec, o petista bateria o capitão no turno final por 52% a 36%, diferença de 16 pontos que cresceu dos 13 pontos (50% a 37%) da semana passada. Na Genial/Quaest, o ex-presidente bateria o atual em 30 de outubro por 51% a 39%, diferença de 12 pontos que diminuiu dos 14 pontos (51% a 37%) da semana passada. De 12 a 16 pontos, a vantagem atual de Lula sobre Bolsonaro no 2º turno variou nas três pesquisas no limite da margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO – Índice fundamental à definição do 2º turno, a rejeição segue liderada por Bolsonaro. Na BTG/FSB, ele tinha e manteve os 55% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula subiu a sua a 46% (tinha 45% na semana passada). Na Ipec, o capitão cresceu a sua rejeição para 49% (tinha 47% na semana passada), enquanto o petista tinha e manteve 36%. Na Genial/Quaest, o presidente diminuiu sua rejeição para 53% (tinha 55% da semana passada), enquanto o ex tinha e manteve 44%. De 9 a 13 pontos, a diferença entre os dois na rejeição também variou no limite da margem de erro entre as três pesquisas.

 

 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS – Nas faixas das pesquisas, as diferenças, no entanto, se revelam por vezes bem maiores. Considerado fundamental na definição da eleição presidencial, a região Sudeste concentra a maior densidade eleitoral do país, com 42,6% dos brasileiros aptos a votar no próximo mês. Mas as pesquisas apresentam estatísticas bem diferentes entre os dois líderes

NO SUDESTE – Na BTG/FSB, Bolsonaro manteve sua liderança no limite da margem de erro no Sudeste, hoje de 38% contra 34% de Lula. Era de 39% a 35% na BTG/FSB da semana anterior, com a mesma diferença de 4 pontos, no limite da margem de erro. Na Ipec, quem hoje lidera na região é o petista, por 41% contra 30% do capitão. A diferença de 11 pontos, fora da margem de erro, era de 6 pontos na Ipec da semana anterior: 39% do ex-presidente contra 36% do atual. Já na Genial/Quaest se deu um movimento emblemático. Pela primeira vez na sua série, Bolsonaro virou numericamente sobre Lula no Sudeste, ainda que na margem de erro: 39% a 37%. O presidente inverteu quase de maneira exata os 36% a 39% desfavoráveis da Genial/Quaest da semana passada.

RESUMO DA ÓPERA – Em resumo, no Sudeste que concentra quase metade dos eleitores brasileiros, Bolsonaro está estável na liderança dentro da margem de erro sobre Lula, segundo a BTG/FSB. Já na Ipec, quem lidera fora da margem de erro e ampliando sua vantagem, é Lula. E na Genial/Quaest divulgada no 7 de setembro em que o Brasil discutia a captura da data por Bolsonaro e sua autoclassificação freudiana de “imbrochável”, ele virava dentro da margem de erro uma vantagem no Sudeste que, até então, era de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

QUADRO GERAL x SUDESTE – A quatro domingos da urna de 2 de outubro, a BTG/FSB, a Ipec e a Genial/Quaest trazem os mesmos resultados gerais, com números iguais ou muito próximos: vantagem fora da margem de erro de Lula sobre Bolsonaro, nas projeções de 1º e 2º turno, e na rejeição. Mas divergem quanto à liderança da corrida presidencial na região Sudeste, onde todos os analistas afirmam que deve ser definido o presidente da República a partir de 2023.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “O fato dos principais institutos de pesquisa eleitoral serem afiliados à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), de seus estatísticos serem credenciados pelos Conselhos Regionais de Estatística (Conres) e das principais empresas de pesquisa estarem em atividade há anos, atestam o reconhecimento do mercado e dos órgãos de fiscalização a confiabilidade e a veracidade das pesquisas. As pesquisas eleitorais buscam ‘fotografar’ a intenção dos eleitores na data das entrevistas, não o resultado das urnas. Por se tratarem de ‘opinião’, as intenções dos eleitores podem mudar até o momento da votação. Mas a experiência das pesquisas eleitorais acompanha os 33 anos da redemocratização brasileira, com novos ajustes a cada nova eleição, reduzem a distância entre o que os eleitores respondem nas entrevistas e a decisão do voto, quando estão diante da urna”, explicou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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General analisa o 7 de Setembro no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

General de Brigada da reserva do Exército Brasileiro, Francisco de Brito Filho é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h25 desta sexta (9), na Folha FM 98,3.

Ex-comandante do contingente brasileiro no Haiti, ex-comandante da Força de Pacificação no Complexo da Maré-RJ, ex-instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (Eceme) e ex-comandante e ex-chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste, o general Francisco analisará a participação das Forças Armadas no governo Jair Bolsonaro (PL) e no 7 de Setembro deste ano, nos 200 anos da Independência do Brasil.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Do apoio a Bolsonaro à ruptura no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mestrando em História na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e professor de História, Filosofia e Sociologia na rede privada de ensino, Eraldo Duarte é o convidado do Folha no Ar desta quinta (8), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as manifestações bolsonaristas do 7 de Setembro, no bicentenário da Independência do Brasil. E dará seu testemunho do apoio ao presidente Jair Bolsonaro (hoje, PL) em 2018 à ruptura com sua tentativa de reeleição em 2022.

Por fim, Eraldo tentará projetar as eleições de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador, a governador do RJ e a presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Genial/Quaest: Lula lidera, mas Bolsonaro ainda cresce

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue estável em sua liderança na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 25 dias. Nos últimos 7 dias, ele tinha e manteve 44% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Foi o que apontou a pesquisa Genial/Quaest divulgada no 7 de setembro de hoje, e feita entre a quinta (1) e o domingo (4) anteriores. Segundo colocado, comparado com a Genial/Quaest de 31 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, de 32% aos atuais 34%. Sua desvantagem ao petista hoje é de 10 pontos. Também na margem de erro, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 8% a 7%, enquanto a senadora Simone Tebet (MDB) cresceu de 3% a 4%. Na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro por 51% a 39%. Há sete dias, o ex-presidente levaria o 2º turno por 51% a 37% do atual, ou 14 pontos. A diferença também caiu 2 pontos, aos 12 pontos de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

REJEIÇÃO — Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, Bolsonaro continua liderando a rejeição, com 53% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% de Lula. Mas o capitão diminuiu 3 pontos no índice negativo, fora da margem de erro, enquanto o petista cresceu 1 ponto dentro dela. Na Genial/Quest de 31 de agosto, a rejeição do presidente era de 56%, contra 43% do ex. Em medição análoga, a pesquisa também indicou a diminuição da diferença na rejeição dentro da margem de erro. Na última semana, passaram de 47% aos atuais 46% os que têm mais medo da continuidade de Bolsonaro, enquanto subiram de 39% aos 40% os que hoje têm mais medo da volta do PT ao poder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

MIGRAÇÃO DE VOTOS NO 2º TURNO — Há, no entanto, outros dados bem fora da margem de erro que reforçam a projeção de vitória de Lula no 2º turno contra Bolsonaro. Entre os eleitores de Ciro no 1º turno, subiu de 48% a 56% (8 pontos) os que votariam no petista no turno final, enquanto caiu de 20% a 17% (3 pontos) os que votariam no capitão. Já entre os eleitores de Tebet no 1º turno, subiu de 32% a 41% (9 pontos) os que votariam em Lula no 2º, mas também de 16% a 22% (6 pontos) os que votariam em Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

BOLSONARO PASSA LULA NO SUDESTE — A discreta melhora de Bolsonaro na disputa direta com Lula se operou em algumas faixas. Na região Sudeste, de maior densidade eleitoral no país, o capitão subiu de 36% a 39%, enquanto o petista caiu de 39% a 37%. Eles mantêm o empate técnico na margem de erro, mas com o atual presidente pela primeira vez numericamente à frente na série das pesquisas Genial/Quaest deste ano eleitoral.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO — Entre os evangélicos, Bolsonaro também continua a ampliar sua vantagem sobre Lula, ainda que dentro da margem de erro. Entre as Genial/Quaest de 31 de agosto e 7 de setembro, o presidente batia o ex por 51% a 27% (24 pontos). E ampliou a vantagem, dentro da margem de erro, para os atuais 53% a 26% (27 pontos).

 

 

 

AUXÍLIO BRASIL — Entre os pobres que recebem o Auxílio Brasil, nos quais Lula sempre teve e permanece com sua maior vantagem sobre Bolsonaro, a elevação que este promoveu do benefício a R$ 600,00, pagos desde o último dia 9, ainda está longe de ser a “bala de prata” esperada. Mas, também dentro da margem de erro, continua a encurtar a grande diferença. Nesta faixa, o petista batia o capitão por 54% a 25%, ou 29 pontos, na Genial/Quaest de 31 de agosto. Uma semana depois, a diferença é de 26 pontos: 55% do ex-presidente contra 29% do atual.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Felipe Nunes, cientista político com doutorado na UCLA e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria

BALA DE PRATA OU TIRO N’ÁGUA? — Bolsonaro aposta tudo no segundo pagamento do Auxílio Brasil, neste mês de setembro, para tentar diminuir mais sua grande desvantagem para Lula entre o eleitor pobre. Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria: “O Auxílio continua não gerando o efeito eleitoral esperado pelo governo. As variações observadas são na margem de erro. Quase 90% já sabe do Auxílio e quase 60% já atribui a Bolsonaro a responsabilidade pelo aumento do valor para R$ 600,00. Ainda assim, o efeito é nulo”.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

OUTRO ESPECIALISTA — “A exemplo da Ipec, divulgada na última segunda (5), a Genial, que utiliza a mesma metodologia de entrevistas presenciais domiciliares, confirmou a estabilidade nas intenções de voto a 25 dias do 1º turno, mantendo o mesmo resultado do seu levantamento anterior, de 31 de agosto, dentro da margem de erro. Lula manteve os mesmos 44% de intenções e Bolsonaro oscilou 2 pontos percentuais para cima, saindo de 32% para 34%, na consulta estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Por outro lado, o percentual de decisão do voto dos eleitores oscilou 4 pontos percentuais para cima, acima da margem de erro, saindo de 65% para 69%. Para 81% dos eleitores de Bolsonaro e 78% dos eleitores de Lula, a decisão do voto é definitiva e não poderá mudar até 2 de outubro. No 2º turno, Lula manteve os 51% de intenção, enquanto Bolsonaro oscilou dentro da margem, indo de 37% para 39%”, analisou concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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De Dom Pedro I a Jair Bolsonaro no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os historiadores e professores Arthur Soffiati e Eugênio Soares são os convidados do Folha no Ar desta quarta (7), ao vivo a partir das 7h25, na Folha FM 98,3. Eles falarão da proclamação e da Guerra de Independência do Brasil, entre 1822 e 1824. Do grito de Dom Pedro I às margens do riacho Ipiranga, os dois também tentarão projetar o que se esperar, 200 anos depois, da comemoração e do receio de uma ruptura institucional pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores na orla da Av. Atlântica em Copacabana.

Por fim, Soffiati e Eugênio tentarão projetar o que se esperar das urnas de 2 de outubro a deputado estadual e federal da região, senador, governador do RJ e presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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No Folha no Ar desta 3ª, o que esperar do 7 de setembro?

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista político, professor da UFF e pesquisador da relação civil-militar no Brasil, Frederico Sá é o convidado do Folha no Ar desta terça (6), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Após o episódio do 7 de setembro do ano passado, encarado como uma tentativa frustrada de golpe, ele tentará responder o que se pode esperar do 7 de setembro desta quarta, a 22 dias das urnas de 2 de outubro e na comemoração do bicentenário da Independência do Brasil.

Frederico também tentará projetar as eleições a deputado federal e estadual da região, a senador e a governador do RJ. Assim como o pleito a presidente da República, polarizado em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). E, independente do resultado das urnas, projetar como as Forças Armadas sairão delas, com os questionamentos do ministério da Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), endossando os de Bolsonaro a embaixadores estrangeiros em 18 de julho.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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BTG/FSB: sem efeito do Auxílio Brasil, Lula e Bolsonaro ao 2º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Feita entre a sexta (2) e o domingo (4), a nova pesquisa BTG/FSB semanal divulgada hoje indica estabilidade da corrida presidencial às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 27 dias. E cada vez mais encaminhada à definição ao 2º turno de 30 de outubro. Como em todas as demais pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na liderança, mas caiu um ponto nos últimos 7 dias, de 44% a 43% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º tuno. Segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) caiu 2 pontos entre as BTG/FSB de 29 de julho e 5 de agosto, de 36% a 34%. A vantagem do petista ao capitão cresceu de 7 para 8 pontos. Terceiro colocado, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também caiu, de 9% para 8%. Só quem cresceu foi a senadora Simone Tebet (MDB), de 4% a 6%. A estabilidade entre Lula e Bolsonaro se deve, sobretudo, à ineficiência do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 em alterar até aqui o voto do eleitor pobre, no qual o petista tem sua maior vantagem.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO E REJEIÇÃO – Com 2.000 eleitores ouvidos por telefone, todas as mudanças estão dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Mas, como observou Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa:ׅ “Com o crescimento de Ciro há duas semanas e uma nova evolução de Simone Tebet, a 3ª via subiu de 11% para 17% em duas semanas. Não é o suficiente para ameaçar os dois líderes, mas é para reduzir a chance de definição no 1º turno”. Na simulação do 2º turno, Lula passou de 52% a 53%. Ele cresceu 1 ponto nas intenções de voto, assim como Bolsonaro, que foi de 39% a 40%, mantendo a mesma diferença de 13 pontos entre os dois. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição segue liderada pelo capitão. Que manteve os 55% e brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 46% do petista, 1 ponto a mais dos 45% de rejeição que tinha há uma semana.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO DOS EVANGÉLICOS – Após crescer entre o final de julho e agosto no voto dos evangélicos e no voto dos pobres que recebem o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, pagos desde o último dia 9, Bolsonaro parou de crescer nessas duas faixas. É o que explica sua estabilidade na desvantagem geral para Lula neste início de setembro. Entre as duas pesquisas BTG/FSB da última semana, o capitão tinha 58% das intenções de votos dos evangélicos, mas caiu 11 pontos, aos 47% de hoje. Lula tinha 29% e subiu 1 pontos, para 30%. A diferença de 29 pontos favorável ao presidente entre os evangélicos, caiu aos atuais 17 pontos sobre o ex.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO DOS POBRES DO AUXÍLIO BRASIL – Considerada a “bala de prata” para tentar virar as intenções de voto sobre Lula, o novo Auxílio Brasil anabolizado pelos R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze tem se revelado, pelo menos até agora, um tiro n’água de Bolsonaro. Se chegou no início de agosto a apresentar diminuição na faixa onde o capitão sempre amargou sua maior desvantagem para o petista, este continua nadando de braçada. Entre as BTG/FSB de 29 de agosto e a deste 5 de setembro, Lula tinha e manteve 58% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro caiu 1 ponto, de 24% para 23%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA – Outra faixa em que o capitão tinha melhorado suas intenções de voto sobre o petista, entre julho e agosto, foi entre o eleitor de classe média, com renda familiar mensal de 2 a 5 salários mínimos, advinda da sensação de queda no preço dos combustíveis. Houve estabilidade nessa faixa. Há uma semana, Bolsonaro batia Lula por 43% a 34% das intenções de voto da classe média. E cresceu apenas 1 ponto, dentro da margem de erro, nessa faixa: 43% contra os 33% do ex-presidente.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “A exemplo das sete principais pesquisas com diferentes metodologias divulgadas na semana passada e cobertas pelo Grupo Folha, o Instituto FSB Pesquisa, ao ouvir 2.000 pessoas por telefone entre sexta-feira e ontem, confirma o cenário de estabilidade nas intenções de votos a 27 dias do primeiro turno. Lula e Bolsonaro oscilaram para baixo dentro da margem de erro da pesquisa, Ciro teria interrompido a trajetória de crescimento e oscilado 1 ponto para baixo, aparecendo agora com 8%, e Simone Tebet, a única a crescer nas últimas duas semanas, saindo de 3% para 4% e agora aparecendo com 6%. O início da campanha na TV e rádio não mexeu no potencial e na rejeição dos dois líderes na corrida presidencial, mas favoreveu os candidatos mais desconhecidos, com Tebet como maior beneficiada”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Bofetadas do Brasil real na cara da esquerda e da direita

 

 

Na leitura da edição de hoje de O Globo, que faço questão de conferir sempre no impresso, dois recados importantes para setores politicamente antagônicos da sociedade brasileira. Que se refletem também em Campos e Norte Fluminense. O primeiro é para nossa intrépida turma da esquerda festiva. Que uma pesquisa da USP revela como de fato é: branca, burguesa, escolarizada, ensimesmada e dogmaticamente preconceituosa quanto ao conservador religioso. Cujo perfil, ironicamente mais democrático em sua distribuição, representa muito melhor o Brasil real.

Destaco um trecho da necessária matéria da jornalista Elisa Martins e do filósofo Pablo Ortellado, que merece ser conferida na íntegra:

 

“A pesquisa revelou que, em comparação com os outros grupos, os progressistas apresentaram um perfil distante da realidade da maioria da população brasileira: mais branco, rico e escolarizado.

— O mesmo não acontece com os outros grupos, principalmente os conservadores religiosos. Eles representam muito melhor o conjunto da população — diz o professor e pesquisador da USP Marcio Moretto.

Os dados chamam a atenção para outra característica das guerras culturais nos últimos anos: como elas assumiram, também, um caráter de luta de classes. A concentração de progressistas nos setores mais escolarizados e de renda os afastou da base popular. E não só: levou a que os progressistas traçassem um retrato deturpado da classe trabalhadora, associado a uma religiosidade fanática ou a uma sexualidade reprimida. Isso não passou despercebido no front político. Tanto que, hoje, são os conservadores que se apresentam como defensores dos valores morais dos trabalhadores”.

 

 

O segundo recado importante da edição de hoje de O Globo foi dado à nossa indefectível elite sócio econômica, bolsonarista em sua maioria. Cujos representantes em Campos e no Norte Fluminense não se diferem muito dos empresários bolsonaristas flagrados em grupo de WhatsApp tramando um golpe contra a democracia no país, em caso de vitória de Lula. Esses herdeiros da nossa Casa Grande escravagista, em sua estupidez muar, parecem surpresos que o brasileiro mais pobre, muito mais pragmático politicamente, não esteja até aqui vendendo seu voto pelos R$ 600,00 do Auxílio Brasil, só até 31 de dezembro.

Sobre o tema, segue a última nota da coluna de hoje do Elio Gaspari, que já disse e escrevi mais de uma vez considerar o maior jornalista brasileiro entre os vivos:

 

Demofobia

Aqui e ali aparecem comentários que especulam sobre a adesão dos brasileiros mais pobres a Bolsonaro por causa do dinheiro do Auxílio Brasil.

É um raciocínio lógico, contaminado por uma pitada de demofobia.

Lula ganhou prestígio popular com o Bolsa Família, mas em seus oito anos de governo aumentou o salário mínimo, alavancou as cotas nas universidades, fez o Prouni e estimulou a agricultura familiar”.

 

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Jefferson Manhães de Azevedo — Mais perto do 2º turno e à espera dos grandes temas

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Jeffeson Manhães de Azevedo, professor e reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF)

Ainda aguardamos o debate dos grandes temas nacionais

Por Jefferson Manhães de Azevedo

 

Em um cenário de regressão de indicadores sociais e econômicos de até 30 anos, trazendo o Brasil ao mapa da fome, de acordo com a ONU, e levando a Insegurança Alimentar das famílias brasileiras aos idos de 92, com mais de 33,1 milhões de brasileiros sem ter o que comer e quase 60% da população convivendo com a insegurança alimentar em algum grau, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar, aliado a um conjunto de movimentos que tentam, insistentemente, desacreditar o sistema de votação eletrônica que vem se consolidando no Brasil desde 1996, com admiração e reconhecimento internacional, além de constantes ataques aos pilares democráticos da nação, e forte reação da sociedade civil organizada, o Brasil inicia o sufrágio popular para a escolha dos seus representantes em âmbito estadual e nacional.

Com cronograma de desembolso a partir do início do mês de agosto, os R$ 41,2 bilhões autorizados pelo Parlamento brasileiro para robustecer existentes e novas ações sociais do Governo Federal, ao longo dos últimos cinco meses do ano e a menos de 90 dias das eleições, foram vistos por muitos com potencial para uma reversão no cenário eleitoral, especialmente entre as duas candidaturas que lideram as pesquisas eleitorais em todo o corrente ano, respectivamente a do ex-presidente Lula e do atual presidente Jair Bolsonaro. Já a partir do mês de julho, não só impactada pelas notícias da proximidade dos novos auxílios, mas também pela redução dos valores dos combustíveis, somados a um movimento expressivo de adesão dos evangélicos, a candidatura do atual presidente da República passou a apresentar, até a semana passada, um consistente aumento de intenções de votos. Apesar de difícil mensuração e prognóstico do impacto destas medidas e ações já na primeira quinzena do mês de julho, não eram raras ou incomuns, especialmente de lideranças de partidos aliados, previsões de certa inversão nas intenções de votos entre os dois primeiros colocados nas pesquisas já em agosto. Até a semana passada, mesmo não evidenciando tal inversão, as pesquisas continuavam apontando um crescimento eleitoral da candidatura do atual presidente e uma tendência de a eleição não mais ocorrer em apenas um turno.

Entretanto, as pesquisas divulgadas esta semana (BTG/FSB, Ipec, CNT/MDA, Genial/Quaest e Datafolha) permitiram um grande número de análises, no sentido de que os dividendos eleitorais resultantes do recentíssimo alargamento do orçamento social federal começam a se estabilizar e não se mostraram, até agora, suficientes para uma inversão do cenário eleitoral de outubro. A novidade, porém, se detém no fortalecimento de candidaturas fora do espectro da polarização dos dois primeiros e distanciados colocados nas pesquisas. Chamadas de “terceira via”, especialmente as candidaturas de Ciro Gomes e Simone Tebet, agora com mais espaço e exposição, devido à campanha eleitoral, mostram-se em processo de leve expansão, apontando, se mantida a tendência positiva, um cenário eleitoral que vai sendo desenhado em dois turnos, porém sem alteração da posição dos atuais primeiros colocados que, devido à fidelidade da intenção de voto de seus eleitores, disputarão o cada vez mais provável segundo turno. Não surgindo fatos novos, as pesquisas também começam a apontar uma vantagem na captação dos votos pela candidatura que hoje desponta em primeiro e estável posição, a do ex-presidente Lula. Acresce a isso, de acordo com a última Genial/Quaest, que os eleitores dos candidatos Ciro Gomes e Simone Tebet preferem o candidato Lula ao candidato Jair Bolsonaro, em um eventual segundo turno. Sendo assim, a probabilidade e o cenário denotam, de acordo com a leitura das pesquisas desta semana, porém é um prognóstico conjuntural, uma consolidação de reprodução do resultado eleitoral no segundo turno similar ao do primeiro turno. Se este cenário se confirma, o atual ocupante da cadeira presidencial será o primeiro presidente a não ser reeleito desde que este instituto passou a ser permitido em nosso país.

Apesar de não tão longeva, é importante destacar que ainda estamos no início da campanha eleitoral, onde os demais candidatos, que não o candidato que exerce a presidência da República, terão, a partir de agora, espaços para apresentar seus programas de governo e pautar temas que compreendem relevantes ao debate nacional, espaço, até então, majoritariamente ocupado pelo segundo colocado nas pesquisas eleitorais. No entanto, do meu ponto de vista, o primeiro debate mostrou que assuntos que se mostram de grande relevância não foram tocados, como o racismo estrutural que transversa nosso tecido social e coloca grande parte de nossa população em situação de grande desvantagem e, não raras vezes, à margem. Outros temas que mobilizam a agenda internacional foram negligenciados ou tangenciados, como a questão do desenvolvimento sustentável, a necessária transição energética e a economia verde que, diante dos tristes e sucessivos recordes de queimadas e desmatamento na Amazônia, coloca o país em situação de isolamento internacional e compromete as exportações nacionais, especialmente grande parte de nossas exportações agrícolas, bem como nosso protagonismo na América Latina. Outro tema pouco explorado foi o de milhões de trabalhadores que vivem na informalidade ou estão em postos de trabalho formalmente frágeis e que precisam ser qualificados e formados, a partir de um esforço nacional de Educação Profissional e Tecnológica, bem como precisam ser alcançados por robustas políticas de proteção social. Somaria a estes, o “desfinanciamento” nacional da educação, ciência e tecnologia que comprometem a superação da grave crise econômica que se estende nos últimos anos, comprometendo a formação de novas e competentes gerações de trabalhadores, bem como adensaria e agregaria valor às cadeias produtivas nacionais frente a uma economia que cada vez mais exige conhecimento e inteligência no setor produtivo.

Por último, apenas como uma inquietação analítica, arrisco a dizer que mesmo com probabilidade muito diminuída, o fantasma do golpe pode ser reencarnado e voltar a assombrar a sociedade brasileira, ressuscitando, ora um pouco esvanecido, o medo de uma iminente derrocada democrática. Desta feita, o voto útil pode abreviar o pleito eleitoral em um único ato. Vamos aguardar as celebrações do Bicentenário da Independência e suas reverberações.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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