Transporte público de Campos, enfim, gera união na Câmara

 

Manifestação na rodoviária antiga, no dia 21, por falta de transporte público para Três Vendas, Serrinha e Caxeta (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

Wladimir Garotinho no Folha no Ar

Transporte é unanimidade na Câmara

Apesar de novamente em clima quente, a Câmara Municipal aprovou ontem (28), por unanimidade, dois projetos do governo Wladimir Garotinho (sem partido): o controle da bilhetagem de ônibus e vans pela Prefeitura, que dará em contrapartida um auxílio para compra de diesel aos permissionários. A intenção é solucionar o principal problema hoje do município: o transporte público.  A temperatura se elevou quando o vereador de oposição Marquinho do Transporte (PDT), na tribuna, se irritou com a manifestação dos permissionários de vans. E disparou contra eles: “se estão insatisfeitos, que deixem o transporte”.

 

Consenso vai reunir Garotinho e Bacellar

Após a grita geral, a sessão foi interrompida por 1h30. Mas, num raro momento de consenso, os vereadores voltaram para aprovar os dois projetos do Executivo. O problema maior é o preço da passagem de vans para pontos mais distantes do município. Ficou acertado um encontro de estudos de viabilidade técnica dos permissionários de vans e ônibus, e do Instituto Municipal de Trânsito de Transportes (IMTT). Depois do qual será marcada, em data e local ainda a serem definidos, uma reunião entre permissionários, edis do governo e oposição — entre eles Marquinho Bacellar (SD) —, técnicos do IMTT e o prefeito Wladimir.

 

Marquinho Bacellar no Folha no Ar

“Tem que ter culhão”?

Apesar do consenso no transporte público, antes a Câmara também esquentou por conta da entrevista ao Folha no Ar do prefeito Wladimir Garotinho na última sexta (24). Quando ele fez o balanço do seu primeiro ano e meio de governo, ao qual deu nota 7. Eleito presidente da Câmara em 15 de fevereiro, em pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar atacou: “Quem não tem diálogo é o mimado do prefeito. Ele diz que vereador quis ser sócio da Prefeitura, mas não teve coragem para falar o nome. Tem que ter culhão”. Talvez devesse cobrar o mesmo “atributo” a quem foi para a oposição após ter a delirante proposta recusada.

 

Quem assume?

Marquinho também falou da possibilidade de impeachment do prefeito, que foi tratada no programa da Folha FM 98,3 de sexta. Sobretudo se a oposição confirmar a vantagem que hoje possui na eleição da nova Mesa Diretora, com prazo até dezembro: “Você (Wladimir) não é preparado, não deveria sair de Brasília (deixou o mandato de deputado federal para disputar e ganhar a Prefeitura em 2020). Disse que ouviu que estamos tramando impeachment. É mentira, se você viesse aqui, ouviria a verdade. Se algum vereador que falou, assuma”, cobrou o vereador da oposição ao prefeito e aos próprios colegas.

 

Nélio Artiles no Folha no Ar

Covid volta a matar

Após um tempo sem produzir óbitos em Campos, a Covid voltou a assustar quem achava que a pandemia já era coisa do passado. Nos boletins semanais, o divulgado na última sexta-feira, registrou seis mortes pela doença. Cinco na própria semana passada e um nela confirmado, mas ocorrido no dia 9. No programa Folha no Ar do início da manhã de ontem (28), o médico infectologista Nélio Artiles alertou para a necessidade de reforço das vacinas. Segundo a secretaria municipal de Saúde, 87% dos campistas receberam a primeira dose, enquanto 78,16% tomaram a segunda dose, 41,6% a terceira dose e apenas 8,69% a quarta dose.

 

 

Vacinas e máscaras

“A grande maioria das pessoas dos que estão nas UTI brasileiras com Covid é de não vacinados. Quanto aos vacinados, qual a quantidade de doses? Entre os vacinados, a gente sabe que, passados seis meses, a proteção diminui de maneira significativa. Há a necessidade de repetição da vacina a cada seis meses. Há também a questão da mutação do vírus. Essa variante Ômicron já veio com uma perspectiva de letalidade menor, embora com maior transmissibilidade. As pessoas também passaram a se proteger menos, abandonando o uso de máscaras, o que aumenta a circulação do vírus”, analisou o infectologista Nélio Artiles.

 

Graziela Escocard no Folha no Ar

Dia do Museu

No início da manhã de hoje, a entrevistada do Folha no Ar é a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu Histórico de Campos, que completa 10 anos nesta quarta. O programa da Folha FM 98,3 deve se encerrar às 9h. Depois, a agenda do Museu está cheia. Às 10h, haverá apresentação musical da Lyra de Apolo na Praça do Santíssimo Salvador. Às 11h, se dará a cerimônia de enterramento de uma cápsula do tempo, com cartas impressas e salvas em pendrive. Às 18h, será aberta a exposição “SB Cultural”, com quadros de Renato Pessanha. Às 19h, fecha o dia o debate “Museu Histórico de Campos — 10 anos contando nossas histórias”.

 

Ao Livro Verde

As homenagens desta quarta à história viva de Campos não se resumem ao seu Museu. Presidente da CDL, o empresário e arquiteto Edvar Junior convida para celebrar, a partir das 9h30 da manhã, os 178 anos da livraria Ao Livro Verde. Fundada em 13 de junho de 1844, no período imperial, é a livraria mais antiga do Brasil, sem nunca ter sido fechada ou mudado de endereço. Há quase um século sob o comando da Família Sobral, hoje a Ao Livro Verde tem como proprietário o comerciante Ronaldo Sobral, dando continuidade ao trabalho do seu pai, o saudoso Dr. João Sobral. Depois, a intenção é todos irem juntos à homenagem ao Museu.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Museu de Campos, solares e TB no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Historiadora e diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard é a convidada do Folha no Ar desta quarta (29), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da história e da programação dos 10 anos do Museu.

Graziela também analisará a demanda de reforma dos solares dos Jesuítas, que abriga o Arquivo Público Municipal, e dos Airizes, além da reabertura do Teatro de Bolso (TB), dentro da política cultural do governo Wladimir Garotinho (sem partido).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Covid e dengue em Campos no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Médico infectologista, Nélio Artiles é o convidado do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o aumento de casos e mortes de Covid-19 em Campos, assim como o abandono de cuidados como o uso de máscaras e higienização das mãos.

Nélio falará também sobre a varíola dos macacos, com 17 casos confirmados até agora no Brasil, sendo quatro no estado do Rio de Janeiro, dengue e hepatite. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Destino de Garotinho na pauta do TRE e ciclovia na Formosa

 

Garotinho tem seu destino na pauta do TRE desta quinta (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Futuro de Garotinho no TRE

Ex-prefeito de Campos e ex-governador, Anthony Garotinho (União) poderá ou não concorrer em outubro ao Palácio Guanabara? A pergunta suscita dúvidas até entre os juristas. Mas tem previsão de estar mais perto da resposta amanhã. Nesta quinta (23) está marcado o julgamento dos embargos de declaração de Garotinho, por sua condenação na Chequinho, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O resultado, após publicado o acórdão, deve definir se o político da Lapa está ou não elegível. A Lei da Ficha Limpa veda a participação eleitoral dos condenados em segunda instância, como é o caso do TRE.

 

Se fosse a deputado…

Além da Chequinho, Garotinho também tem condenação em segunda instância por improbidade. Mas a nova lei do crime para políticos aprovada este ano no Congresso, que liberaria também o ex-governador, está sob análise do ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O que deve definir o destino do político de Campos é o TRE. Em um estado democrático de direito, com Poderes independentes, não deveria ser assim. Mas quem conhece o jogo jogado da política aposta que Garotinho correria menos risco se fosse candidato a deputado federal ou estadual. Eleições em que seria considerado pule de 10.

 

“Filme de kung-fu”

“Serei candidato a governador ou nada”. Foi o que Garotinho definiu a si para 2022, como esta coluna adiantou em 18 de maio. Pesou o grande espaço do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), rival dos Garotinho, na gestão Cláudio Castro. As pesquisas hoje apontam pouca chance do político da Lapa voltar ao Palácio Guanabara, mas ele certamente tiraria votos de Castro. Em abril de 2014, quando liderava as pesquisas a governador, antes de não ir nem ao segundo turno daquele pleito, Garotinho e sua beligerância foram definidos pelo então presidente da Alerj, ex-deputado Paulo Melo (MDB): “Só em filme de kung-fu é que um bate em 50”.

 

Engenheiro civil Sérgio Mansur, subsecretário municipal de Mobilidade, e arquiteto urbanista Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Formosa com ciclovia (I)

No trecho entre seus cruzamentos com a avenida José Alves de Azevedo (Beira Valão) e a rua Felipe Uebe, a rua Tenente Coronel Cardoso, a popular Formosa, deve estar inteiramente recapeada e com as faixas da sua nova ciclovia pintadas até a próxima semana. A projeção foi feita ontem à coluna pelo subsecretário de Mobilidade de Campos, Sérgio Mansur, engenheiro civil com especialização em transporte. A possibilidade de a ciclovia ser substituída por vagas para carros chegou a ser discutida com comerciantes da área, no Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos. Mas seu próprio presidente, o empresário Edvar Júnior, defende a ciclovia.

 

Formosa com ciclovia (II)

“Campos está integrada ao Plano Nacional de Mobilidade Urbana, do ministério das Cidades. Para receber verbas federais na área, é uma exigência se ampliar alternativas de transporte. Com o combustível no preço em que está e os problemas no transporte público, a bicicleta é o meio de transporte de muitos trabalhadores”, explicou Mansur. “Falo como arquiteto e urbanista, não como comerciante: é necessário ampliar as faixas a ciclistas. As ciclovias em Campos não são interligadas. Isso tem que mudar. Fiz uma enquete e 70% das pessoas querem a ciclovia na Formosa. Só 30%, quase todos lojistas, querem vagas a carros”, constatou Edvar.

 

 

Oportunidade do imóvel

Campos recebe entre 8 e 10 de julho, no Boulevard Shopping, a 3ª edição do Salão do Imóvel. Como nas duas edições anteriores, o evento promete condições únicas de aquisição de imóveis, com descontos de até R$ 85 mil, financiamentos em até 120 parcelas e opções com ITBI, escritura e registro do imóvel grátis. Serão mais 1.000 imóveis prontos e em construção, com opção de zero na entrada, com construtoras e imobiliárias de Campos, no maior evento do setor no Norte Fluminense. “Estamos trazendo condições exclusivas para que todos possam adquirir sua casa e seu terreno”, destacou Otávio de Souza, sócio da Ideal Imobiliária.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula x Bolsonaro em Campos

No próximo sábado (25) o vereador carioca e ex-senador petista Lindbergh Farias estará em Campos para o evento “Roda de Samba Lula Lá”. Será no espaço cultural Santa Paciência, a partir do meio-dia, com entrada franca. No segundo turno presidencial, os campistas deram a eleição de Jair Bolsonaro (hoje, PL) 64,87% dos votos válidos. Foi quase 10 pontos a mais do que os 55,13% dos brasileiros que elegeram o presidente. Não há dados confiáveis para precisar a força eleitoral do capitão hoje no município. Mas, como apontam todas as pesquisas nacionais após três anos e meio de governo Bolsonaro, ela hoje tende a ser menor.

 

Gustavo Petro, presidente eleito da Colômbia no domingo, mais um da esquerda na América do Sul

De Campos à América do Sul

Se o bolsonarismo será maior que o petismo na Campos de 2022 (Fernando Haddad teve 35,13% dos votos campistas no segundo turno de 2018) só pesquisas registradas ou as urnas dirão. Mas um termômetro será o número entre os presentes no evento petista de sábado e as dezenas que saíram em apoio a Bolsonaro nas ruas do município, em meio às manifestações nacionais do último 7 de setembro. Que devem se repetir no próximo, bicentenário de Independência. Na América do Sul, com outra vitória da esquerda na eleição de Gustavo Petro a presidente da Colômbia no último domingo (19), os ventos não sopram favoráveis à direita.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Péssimo exemplo aos estudantes do Liceu, Garotinhos x Bacellar já encheu

Intervenção de PMs armados nas confusões na Câmara Municipal e no Liceu de Humanidades de Campos (Fotos: Folha da Manhã)

Desde a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) a presidente da Câmara Municipal de Campos em 15 de fevereiro, e sua posterior anulação pela atual Mesa Diretora derrotada no voto, a mesma cena se repetiu em vários dias de sessão no Legislativo goitacá. Eram militantes dos vereadores tentando forçar a entrada para a tribuna, alguns aparentando estar armados com volume visível na cintura, sendo contidos por PMs armados de fuzil. O péssimo exemplo dos edis de Campos foi refletido na última segunda-feira (13). Do outro lado da praça do Liceu, na tradicional escola estadual que a batiza, um PM armado de fuzil que passava de serviço teve que intervir para separar uma briga generalizada de estudantes.

No último episódio da disputa política entre Garotinhos e Bacellar traduzida em violência física, na última quinta (16), quatro enfrentamentos entre militantes dos dois grupos tiveram que ser novamente separados por policias militares armados. Sem nenhum constrangimento, foi diante do palanque onde estava o governador Cláudio Castro (PL). Em evento para marcar a retomada de obras no Parque Saraiva, enquanto discursava o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), as quatro confusões espocaram em meio à plateia, demandando a intervenção dos PMs do bom programa estadual “Segurança Presente”.

Após os deputados presentes discursarem, o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) fez uso da palavra. Em meio aos aplausos da sua claque e vaias da claque dos Bacellar, pregou concórdia, mas não deixou de cutucar seu antecessor, o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania):

— A gente entende perfeitamente que as militâncias fazem parte da política, mas hoje é dia de gratidão. É dia que nossa cidade precisa agradecer pela parceria, pela dedicação de todos os atores políticos. (…) Independente das plateias que aplaudem A ou B, o importante, neste momento, é que a cidade de Campos está ganhando. Eu costumo dizer que a obra é do município. Todo gestor que assume, deve terminar a obra que o outro começou. Infelizmente, isso não foi o que aconteceu com o prefeito que me antecedeu e parou a obra (…) As brigas e diferenças a gente deixa para o lado de fora. Aqui, hoje, é dia de celebrar e agradecer.

Depois de Wladimir, o microfone passou a Rodrigo, com a disputa entre vaias e aplausos se invertendo entre as claques. E, ao melhor estilo Bacellar, tocou fogo no parquinho:

— Quem conhece a família Bacellar sabe que não temos papas na língua. Não tenho medo de vaia, de cara feia, de porrada, de nada (…) É muito fácil chegar no palco, como tem acontecido há muito tempo nesta cidade, e pregar a paz, dizer que é dia de festa. Mas ontem à noite o prefeito saiu de casa com aquele frio que estava e veio aqui na rua às 23h para falar mal do ex-prefeito (Rafael). Não tenho procuração para falar do ex-prefeito, mas falar dele é sacanagem porque quem veio aqui tirar o paralelepípedo do Parque Saraiva foi a mãe do prefeito (Rosinha Garotinho, hoje no União). Falar de Parque Saraiva é mole… Gravar vídeo falando que a obra é em parceria com o Estado. Que parceria é essa? É o governador que paga 100% da obra (…) Tem que parar com essa palhaçada de vídeo, de blábláblá, de atacar os outros. Tem que parar de ser ingrato com o governador que faz tudo por Campos. Que o pai do prefeito chama de ladrão todo dia. Que parceria é essa?

É verdade que a obra no Parque Saraiva foi iniciada e paralisada em 2016, no último ano do governo Rosinha. Como várias outras ainda inconclusas, foi feita a toque de caixa para tentar eleger Dr. Chicão (PP) prefeito de Campos, derrotado ainda no primeiro turno por Rafael Diniz. Como é verdade que este passou os quatro anos do seu governo sem retomar a obra, durante um período de “vacas magras” dos royalties do petróleo. São verdadeiros, portanto, tanto o argumento de Wladimir, de que a obra não foi retomada por Rafael, quanto o de Bacellar, de que a obra foi abandonada por Rosinha. E faz parte do jogo político realçar os fatos positivos e tentar esconder os negativos. O que não é normal, ou não deveria, é levar a ferro e fogo as amnésias seletivas dos adversários. Sobretudo quando estes estão no mesmo palanque.

Protagonista do palanque, Cláudio Castro falou depois de Rodrigo. Realçou a parceria com Wladimir, mas não deixou de alfinetar os pais deste:

— O Parque Saraiva precisa de dignidade, de gente que respeita o povo. Não viemos aqui para criar briga. Campos é assim, o sangue ferve mesmo. A gente entende que isso faz parte. (…) O mais importante não é quem fez a obra, é que a obra chegue na população. Ninguém nunca me viu em palanque bradar que eu fiz isso ou aquilo. (…) Não tenho como deixar de ser verdadeiro e, sem querer colocar lenha, mas tem gente que colocou muita lama (Garotinho e Rosinha) e quer voltar. Não tenho como agradecer a parceria com muita gente boa. Quero agradecer a parceria com Rodrigo Bacellar, mas quero, sim, agradecer a parceria com o prefeito Wladimir Garotinho. Meu amigo. Ninguém faz nada sozinho.

Após ouvir os elogios do governador ao prefeito de Campos, Rodrigo desceu do palanque esbravejando. Depois do evento, apareceu de cabeça fria no almoço que organizou para Castro na Estância Jacyntho. Ao reunir em torno de Castro quase todos os ex-prefeitos de Campos desde os anos 1990, à exceção emblemática de Garotinho, Rosinha e do atual, Wladimir, a mensagem do deputado estadual foi clara: sem os Garotinhos, Campos está em paz. O problema dessa mensagem é que, em meio a um bom mandato de deputado federal, Wladimir foi eleito prefeito em 2020. E se não sofrer impeachment por uma Câmara presidida por Marquinho, irmão de Rodrigo, só sairá se perder sua reeleição — como aconteceu com Rafael.

Entre o Parque Saraiva e a Estância Jacyntho, o jornalista da Folha Aldir Sales ouviu de um Castro descendo do palanque no bairro esquecido por Rosinha e Rafael: “Garotinho é uma piada”. O governador mostrou o quanto a pré-candidatura de Garotinho ao seu cargo incomoda, assim como os ataques deste ao atual ocupante do Palácio Guanabara. Por sua vez, outro jornalista da Folha, mais atento à população do que aos políticos e suas brigas de interesse, Ícaro Barbosa registrou a opinião de quem interessa:

Essa obra vai ser uma melhoria indispensável para o bairro, asfalto, calçada, esgoto. Hoje vivemos uma realidade que, quando chove, é de lama, quando faz calor, é de poeira. Mesmo essa praça onde está acontecendo o evento, está vendo (ao apontar ao local onde estava o palanque)? Isso era um lixão, estava tudo bagunçado. Limparam por causa dessa visita. Tinha rato, cobra, barata e isso tudo jogava a gente para dentro da bagunça. Vamos ver se melhora daqui para frente. Essa é nossa esperança. Já vai fazer quase 10 anos nessa situação e não aguentamos mais — testemunhou o vigilante Giovani Viana Fernandes, de 55 anos. Falou à Folha da porta da sua casa e alheio às brigas entre militantes dos Garotinhos e dos Bacellar.

Desde a retomada do ano letivo após a pandemia da Covid, os jovens estudantes do Liceu só precisaram olhar do outro lado da praça homônima para testemunhar as confusões constantes na Câmara Municipal, apartadas por PMs armados de fuzil. E, como exemplo costuma vir de cima, parecem ter reproduzido o péssimo que vem sendo dado há meses pelos homens públicos da cidade. Encontrariam referência mais digna se buscassem, entre a lama ou a poeira do Parque Saraiva, o exemplo de cidadãos como o Giovani.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

“O que Garotinhos x Bacellar muda na vida das pessoas?”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“O que essa briga (entre os grupos políticos dos Garotinhos e dos Bacellar) muda na vida das pessoas? Ou é uma briga mera e simplesmente pelo poder? Em que a Câmara de Vereadores trocando de mãos vai fazer a diferença na vida das pessoas?”. As indagações foram feitas no início da manhã de ontem, no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, por Marcão Gomes (PL), pré-candidato a deputado federal, ex-vereador por dois mandatos e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos. A crise que esta vive, na visão dele, remonta à eleição da atual Mesa Diretora, costurada ainda em 2020. E, por inabilidade do governo Wladimir Garotinho (sem partido) no Legislativo, teria se agravado até gerar a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) a presidente da Câmara. Apesar de depois anulada, Marcão foi taxativo: “De fato, o presidente eleito foi o Marquinho (…) a gente não tem o que questionar quanto a isso”. Ele deu nota 5 ao primeiro ano e meio da gestão Wladimir, elogiando a reabertura do Restaurante Popular e o Cartão Goitacá. Mas não vê a curto prazo como o governo municipal resolverá seus dois principais problemas: o reajuste ao servidor e a questão do transporte público. Elogiou também a atuação do deputado estadual Rodrigo Bacellar e do governador Cláudio Castro, seus correligionários no PL.

 

Marcão Gomes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Crise na Câmara de Campos — No final de dezembro de 2020, pós-vitória de Wladimir, a situação da composição da Câmara de Vereadores não era fácil. O presidente atual, Fábio Ribeiro (PSD), foi eleito com 24 votos e uma abstenção. Mas, essa aparente vitória maiúscula, na verdade, estava indefinida até às vésperas da votação. O Rodrigo Bacellar (hoje, PL) entrou no jogo com os vereadores que o apoiavam e, no finzinho, houve um acordo pactuado de bastidores entre o Wladimir e o Caio Vianna (hoje, PSD), que deu a vitória para o Fábio Ribeiro. A eleição estava muito disputada e poderia ser vencida ou perdida por um voto apenas. O Rodrigo não esperava que o Caio fosse fazer um acordo com Wladimir, que acabou dando uma rasteira em todo mundo nos bastidores. Naquele momento, o PDT (então, partido de Caio) divulgou uma carta dizendo do apoio e da governabilidade para o prefeito recém-eleito. A partir daquele instante, o Rodrigo Bacellar liberou a sua bancada para que pudesse apoiar ou não o governo. Então, foi uma vitória aparente de 24 a 1. Desde os primeiros dias da presidência do Fábio Ribeiro, já se via que não seria uma gestão simples. E logo após, quando foram encaminhados alguns projetos por parte do Poder Executivo (em maio de 2021), alguns vereadores se posicionaram contrários. Eu acho que faltou habilidade ali do governo. Culminou com a eleição do Marquinho Bacellar (em 15 de fevereiro de 2022). Ao meu ver, de forma muito precoce, o presidente atual, Fábio Ribeiro, colocou em votação. E acabou acontecendo o que aconteceu. Teve a eleição, depois se discutiu o descumprimento do regimento interno; anulou a eleição. De fato, o presidente eleito foi o Marquinho Bacellar. Todos nós sabemos disso, a gente não tem o que questionar quanto a isso.

O que a briga entre Garotinhos e Bacellar muda na vida das pessoas? — Nós temos dois núcleos hoje que se combatem o tempo inteiro: o núcleo garotista e o núcleo dos Bacellar. Mas, fora dessas bolhas, a sociedade civil organizada quer saber: o que essa briga muda na vida das pessoas? Qual é a entrega que elas vão ter? Ou é uma briga mera e simplesmente pelo poder? Em que a Câmara de Vereadores trocando de mãos vai fazer a diferença na vida das pessoas? Eu acho que o governo do Wladimir ele tem alguns calcanhares de Aquiles para poder resolver, problemas que são antigos. O governo do Rafael também tinha, só que tinha esses problemas com muito menos recursos. Então, ele (Wladimir) precisa saber como é que ele vai dar essa resposta para a população.

Nota 5 para 1 ano e meio do governo Wladimir — De 0 a 10, dou nota 5. Passa raspando. Porque os principais problemas que o município tem hoje, ao meu ver, são problemas já pré-existentes. Na área de Saúde, tem 73 unidades básicas que estão de pé, não todas funcionando. Nós temos hospitais, o Ferreira Machado e o HGG. Temos unidade lá em Ururaí, temos unidade em Morro do Coco, mais avançadas. Temos unidades pré-hospitalares que precisam de insumos, os seus prédios precisam estar funcionando da maneira adequada. Ele vem equilibrando essa entrega na Saúde. Na Educação, ficamos um tempo enorme parados na pandemia. Agora, com o retorno à sala de aula, nós vimos também a situação precária de várias unidades, de várias creches. Também é um número muito elevado de equipamentos: 180 escolas e 60 creches. Não é fácil a manutenção de toda a estrutura. Mas, os três principais problemas que eu elenco, e aí eu vou explicar porque eu dei a nota cinco. O problema social é um problema global hoje, do Brasil: a fome. Nós temos 137 mil pessoas em Campos, segundo dados do CadÚnico, em situação de extrema pobreza. Neste ponto, eu acho que é onde o governo do Wladimir consegue atingir a média para passar raspando de ano. Por quê? Ele conseguiu formular a reabertura do Restaurante Popular e agora a entrega do Cartão Goitacá, que é para poder amenizar. Salvo engano, está entregando a cerca de 3 mil pessoas. Vai amenizar um pouquinho dessa questão do problema social do município. Na área social, a meu ver, ele está indo bem. Na questão da pavimentação, do cuidado com a cidade, também eu acho que está passando na média. Alguns buracos existentes estão começando a ser tapados. A sensação de limpeza na cidade em alguns pontos da cidade ainda não é a ideal, mas ele acaba passando raspando.

Dois principais problemas — Os dois principais problemas, e aí a nota dele (Wladimir) não vai subir de jeito nenhum num curto espaço de tempo, são as questões dos servidores públicos e a do transporte público do município. Para poder agradar uma classe (dos servidores) que, merecidamente, precisa de uma recomposição salarial, que não tem desde 2016, a cada 1% de aumento que o prefeito escolha dar aos servidores públicos, vai ter um impacto de R$ 10 milhões na folha de pagamento por ano, mais ou menos. Eu vejo com muita dificuldade ele conseguir equacionar essa relação, onde os servidores já têm mais de 40% de perdas salariais desde 2016. Vamos supor que a Prefeitura resolva dar 10% de recomposição de perdas. Isso vai ter um impacto na folha da Prefeitura de R$ 100 milhões, mais ou menos, durante o ano. Então, esse é um problema muito grande. E aí, essa briga política de Câmara e de Poder Executivo não contribui em nada para a resolução desse problema. Às vezes, o servidor público acaba depositando a esperança: “Ah, o Marquinho Bacellar, o grupo Bacellar vai resolver o problema do nosso aumento”. Não vai resolver. Presidente algum que assuma a Câmara de Vereadores vai resolver esse problema, porque esse é um problema que só pode ser resolvido pelo prefeito. É inconstitucional qualquer proposta que saia da Câmara Municipal para resolução do problema dos servidores públicos. Podem os 25, de forma unânime, propor um projeto de lei para aumentar em x% o salário dos servidores públicos; esse projeto é inconstitucional, porque não é competência da Câmara de Vereadores. Mas acho que isso traz um desgaste muito grande, político, hoje para o prefeito Wladimir. E o outro grande problema, que também não enxergo com possibilidade de resolução num curto prazo, é o transporte público, onde as pessoas sofrem todos os dias. Se você for olhar em vários terminais do município, as pessoas se transportam feito sardinha em lata. É um problema antigo, não tem solução também num curto espaço de tempo. E também não é uma solução que a Câmara de Vereadores vai conseguir dar sem, obviamente, todos os atores: Poder Legislativo, Poder Executivo, os empresários de transporte, sejam os concedidos ou os de transporte alternativo. Não vai conseguir dar solução sem que eles estejam à mesa para encontrar um caminho para entregar um serviço de transporte melhor para a população.

Desempenhos de Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro — É um triste cenário do desenho atual da nossa política esse enfrentamento dos dois grupos políticos (dos Garotinho e Bacellar). Mas, como eu disse anteriormente, fora dessa bolha alimentada por esses grupos políticos, a sensação que a população tem, até não só aqui na pedra, mas naquela situação do povo mais humilde, o que eles querem saber? O que essa briga contribui para melhorar a qualidade de vida e a entrega de serviços à população campista? Essa briga não contribui em nada. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que reconhecer a atuação do deputado Rodrigo Bacellar em favor do nosso município e de toda a região. Importantes programas do estado foram implementados: Segurança Presente, Esporte Presente, RJ Para Todos. Tem entrega de serviços. Então, a gente tem que enaltecer o trabalho que o Rodrigo vem fazendo. Nós perdemos para a Covid dois deputados estaduais: o nosso saudoso João Peixoto e o nosso saudoso Gil Vianna. Mas a atuação do Rodrigo tem sido muito forte ao lado do governador Cláudio Castro. O Governo do Estado hoje tem feito um verdadeiro canteiro de obras no entorno dos municípios do Norte e do Noroeste Fluminense. Aqui em Campos, além do Parque Saraiva, tem previsão de mais de R$ 300 milhões também de investimentos para a Vila dos Pescadores, para o Parque Santa Clara, para alguns bairros do nosso município. Tem o investimento, salvo engano, de R$ 16 milhões para o HGG. Então, o Governo do Estado tem contribuído muito nessa parceria do deputado Rodrigo Bacellar, do governador Cláudio Castro. Tem havido essa entrega. A população quer saber efetivamente disso. O que satisfaz a população é a entrega. Fora o pessoal da bolha que foi lá para brigar, a população, o povo do Parque Saraiva estava muito satisfeito com a entrega. O que eles queriam ouvir ali dos agentes públicos era sobre a entrega.

Eleitor mal representado e envergonhado — A bolha e a briga dos dois grupos políticos não têm contribuído em nada. As pessoas se sentem muito mal representadas e envergonhadas. Se você for fazer uma enquete, por exemplo, e perguntar: hoje, quem são os 25 vereadores eleitos que estão na Câmara Municipal? Pouquíssimos sabem elencar pelo menos 1/3 dos vereadores lá fora, porque o que chama a atenção é a briga, e não a entrega. Então, eu acho que deve haver uma revisão. Eu acho que a briga pelo poder de certa forma é legítima, é salutar. Mas, que haja sempre um encontro de vontade para entregar à população uma melhor qualidade de serviço. Essa terra de Marlboro não contribui em nada para ninguém. Essa é a sensação que a gente tem conversando com as pessoas.

Briga com Rodrigo e aliança deste desde 2018 com Rafael Diniz — Hoje, nós (Marcão e Rodrigo Bacellar) somos companheiros no Partido Liberal. Naquele momento (em que Marcão era secretário de Rafael Diniz), aquela discussão que nós travamos não tinha impacto nenhum social, de entrega, nem político. Na verdade, foi uma fala do Rodrigo que eu rebati, e aí a gente ficou falando a respeito, à época, de ele não ter tido nenhuma ajuda do governo Rafael Diniz durante o processo eleitoral. Eu discordei, publiquei que ele teve ajuda e disse onde ele teve ajuda. E aí, a gente começou. A gente vê hoje a proximidade do Rodrigo e do Rafael, e você vê que eu tinha razão; que, na verdade, eles tinham um entendimento político desde antes. Mas, isso é uma questão política que a gente superou. Inclusive, a gente acabou fazendo as pazes, conversando, durante a Feijoada da Folha. Ele me chamou, ele estava com o presidente (da Alerj) André Ceciliano: “Marcão, vamos zerar aquela conversa da gente, aquela discussão que a gente teve”. Por mim, tranquilo, tudo bem, vida que segue. Até porque, não tem importância política. Era uma questão de gratidão, de ingratidão, olhares a respeito de apoio ou não apoio durante uma campanha eleitoral (de 2018, com apoio do governo Rafael à eleição de Rodrigo a deputado estadual), o que não traz, como eu disse anteriormente, impacto nenhum na vida das pessoas. Nós, agentes públicos, temos que nos preocupar com o que a gente pode construir em parceria para entregar à população. Por isso, em resposta anterior, eu elogiei muito o trabalho do Rodrigo, porque ele vem demonstrando essa entrega para a população, não só de Campos, mas de vários municípios do estado do Rio de Janeiro. E hoje nós somos companheiros de partido, nós temos o nosso governador Cláudio Castro fazendo, a meu ver, um belo trabalho. O que interessa é mudar a qualidade de vida da população, é entregar serviço para a população. É isso que a população espera dos representantes eleitos.

Hoje com Rodrigo, grupo de Rafael torce por governo ruim de Wladimir? — Eu acho que a gente tem que torcer pela nossa cidade. O Wladimir foi eleito pela maioria da população de Campos, ele tem o encargo de ser prefeito do município até o dia 31 de dezembro de 2024. E tenho conversado muito isso com as pessoas. Estou numa pré-candidatura, onde a gente não pode pedir voto, mas a gente pode conversar sobre política com todo mundo. Hoje, nós acabamos por ficar sem deputado federal da cidade, porque a Clarissa (Garotinho, União) não reside em Campos. O intuito de a gente ter um deputado federal é de ajudar. O Rodrigo, mesmo com esse clima bélico entre os dois grupos, ele tem feito pela cidade. Até o governador tem ajudado muito o município. Então, nós temos que torcer pela entrega, pela melhoria da qualidade do serviço, e não pura e simplesmente para um governo não dar certo.

Alvo de Rodrigo no Parque Saraiva foi Garotinho, não Wladimir? — Essa colocação do Rodrigo Bacellar na entrega das obras do Parque Saraiva, a meu ver, ela tem muito mais a ver com as críticas contundentes e insinuações feitas pelo pré-candidato Anthony Garotinho ao Governo do Estado do que com o vídeo gravado pelo prefeito Wladimir (em que criticou o governo Rafael por não ter retomado as obras no Parque Saraiva abandonadas pelo governo Rosinha Garotinho). Eu acho que o que mais incomoda e estava incomodando ao deputado, a meu ver. Ele pode ter externado daquela forma, citando o vídeo, mas eu acho que o que tem de pano de fundo nisso são as insinuações. Esses dias eu estava vendo um vídeo do ex-governador e pré-candidato ao Governo do Estado onde ele insinua que as obras do Governo do Estado são superfaturadas. Ele fez um vídeo dizendo que, ao invés de entregar paridade para os policiais, para os bombeiros, piso nacional do magistério, o governador tem feito obras suspeitas. E aí faz gestos nos seus vídeos, como se tivesse tendo dinheiro. Eu acho que tudo isso incomoda muito a um cara, deputado estadual, que foi secretário de Governo, está ao lado do governador, está aqui no município entregando uma obra muito importante, e o pai do prefeito, por trás, minando, fazendo insinuações. Eu acho que tudo isso aí acabou por culminar naqueles discursos mais fortes. A questão do vídeo, a citação dela foi justamente para não dar luz ao que o Garotinho vem fazendo nos bastidores e o que o que a própria deputada Clarissa Garotinho também vem fazendo, que são críticas muito contundentes a um parceiro, que é o governador. Cláudio Castro não tem sido parceiro, tem sido um pai para o município de Campos e para a gestão de Wladimir. Desde os primeiros momentos da gestão do Wladimir Garotinho ele vem atuando, inclusive para pagamento de folhas de servidores públicos, obras do HGG. Então, acho que o incômodo de fundo são essas insinuações maldosas da deputada Clarissa e do ex-governador Garotinho, em sua pré-candidatura desesperada, querendo desqualificar um governador que vem fazendo muito pelo nosso município.

“Ausência de diálogo com a Câmara” — O que eu tenho acompanhado, conversando com alguns atores envolvidos nesse processo, é que de fato há uma ausência muito grande de política, da política de bastidores, entre o governo Wladimir Garotinho e a Câmara de Vereadores: ausência de diálogo. É o estilo dos Garotinhos ao administrar. Quando a prefeita Rosinha encaminhava projetos à Câmara de Vereadores no meu primeiro mandato (2013/2016), a gente recebia os projetos faltando minutos para entrar em pauta; os vereadores mal tinham tempo de ler o projeto para votar. Me parece que vem sendo uma prática recorrente a ausência de diálogo sobre os principais problemas a serem enfrentados, sobre projetos de lei a serem discutidos e votados. Essa falta de diálogo entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo acaba acarretando na insatisfação de muitos vereadores, o que faz com que eles possam pular nesse muro baixinho aí (dos Garotinhos aos Bacellar), que depois o Marquinho (Bacellar) falou (em entrevista do Folha no Ar) que vai ser uma esteira rolante. Agora, impacto disso na vida das pessoas, que é o que as pessoas esperam? Nos dois principais problemas da Prefeitura que eu elenquei aqui, que são a questão do aumento dos servidores e a do transporte público, impacto zero.

Governo Wladimir com uma Câmara na mão da oposição — No que vai dificultar a administração de Wladimir a tomada do poder do Legislativo pela oposição? Ele vai ter que ser quase perfeito na elaboração do seu orçamento. Por quê? Provavelmente os vereadores vão colocar diminuta a margem de realocação do orçamento, de remanejamento. Vão colocar de forma diminuta tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Então, o pessoal da secretaria de Fazenda, do Controle da Prefeitura, vai ter que ser quase perfeitos, porque se eles vacilarem um pouquinho na hora de confeccionar o orçamento, todo remanejamento solicitado a posteriori terá que ter o aval da Câmara de Vereadores. E aí, por certo, os vereadores irão impor ao Poder Executivo algumas dificuldades na concessão da liberação desses créditos. Então, esse é um problema muito grave. Da mesma forma que o outro grande benefício que poderá ser dado à população por uma Câmara com maioria de oposição é que assegure ao cidadão campista que não vai haver aumento de tributos, não vai haver nenhuma recolocação de nenhuma taxa de uma contribuição. Então, na verdade, o Poder Legislativo vai ele vai conseguir controlar a entrada de recursos do Poder Executivo e a saída de recursos. Mas, ele não vai poder impor em momento algum aonde aquele recurso deve ou não deve ser aplicado, a quem ele deve ou não deve ser entregue.

Possibilidade de impeachment de Wladimir pela Câmara com a oposição? — O risco ele sempre vai existir, a partir do momento em que ele não tenha no mínimo 2/3 dos vereadores ao lado dele. Mas, o risco sempre existe. Isso acabou virando moda no país desde o afastamento da Dilma (PT, em 2016). Em vários outros momentos se fala em impedimento no país. Durante o período do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em vários momentos o Rodrigo Maia (hoje no PSDB), à época (quando era presidente da Câmara Federal), recebeu vários pedidos de impedimento. Então, isso pode acontecer. Um fato político pode ser criado, desde que tenha uma base jurídica relevante e consubstanciada. Então, esse é um outro grande impacto e uma outra grande preocupação política do chefe do Poder Executivo quando ele não tem minimamente uma maioria consolidada ou no mínimo um pouco mais de 1/3 dos vereadores que possam assegurar essa defesa para ele na Câmara dos Vereadores. Pelo clima bélico que a gente vê entre um grupo e outro, muitas vezes quase até chegando às vias de fato, o querer pode ser 10. Agora, eu não vejo hoje, não enxerco nenhum fato jurídico relevante que possa provocar este pedido de impedimento, porque você tem que ter os requisitos, tem que atender aos requisitos da lei.  Não basta apenas a vontade política, tem que ter o cumprimento do que exige na lei.

 

Confira em vídeo, nos dois blocos abaixo, da íntegra da entrevista de Marcão Gomes ao Folha no Ar de ontem (17):

 

 

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Câmara de Campos e eleições no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-presidente da Câmara Municipal de Campos e pré-candidato a deputado federal, Marcão Gomes (PL) é o convidado desta sexta (17) para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará o ano e meio do governo Wladimir Garotinho (sem partido) e a crise na Câmara de Campos, na disputa de poder entre os Bacellar e os Garotinhos.

Marcão também tentará projetar a eleições de outubro a deputado estadual e governador do RJ. Assim como o pleito a deputado federal, que pretende disputar mais uma vez, e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula e Bolsonaro nas pesquisas presidenciais, IBGE e Campos

 

Lula e Bolsonaro pelas pesquisas Datafolha, Genial/Quaest, BTG/FSB e do IBGE (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula pode vencer no 1º turno?

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ganhar a eleição de outubro no primeiro turno? A pesquisas Datafolha de maio e a Genial/Quaest de junho, apontam essa possibilidade. O petista teria 54% dos votos válidos pela Datafolha de maio. E 52,87%, pela Genial/Quaest de junho. Também de junho, a BTG/FSB deu a Lula 48% dos votos válidos. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, as três indicam que Lula está hoje, a 109 dias das urnas de 2 de outubro, perto de fechar a fatura em turno único contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Como de disputar o segundo turno de 30 de outubro com o capitão.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

Pesquisas x IBGE

Nos recortes dessas três pesquisas presidenciais, onde o eleitor é dividido entre sexo, idade, escolaridade, raça ou cor de pele e renda mensal, surgem dados ainda mais reveladores. Sobretudo quando esses números são cruzados com os da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral do IBGE atualizado em 13 de maio. Para tanto, a coluna recorreu a um especialista, o geógrafo campista William Passos. Que tem especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do próprio IBGE.

 

Brasileiro por sexo

“Segundo a pesquisa socioeconômica do IBGE, a população brasileira é, na sua maioria, feminina. Existem cerca de 109.185.000 mulheres no país, ou 51,1% da população; contra 104.381.000 homens, ou 48,9% dos brasileiros. Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, que são realizados presencialmente, a intenção de voto feminina é cerca de 25% mais favorável a Lula. Já na pesquisa BTG/FSB divulgada na última segunda (13), a vantagem de Lula no voto feminino cai para 19%. Esta última, por ouvir os eleitores por telefone, acaba trabalhando com um perfil de eleitor mais elitizado”, explicou William.

 

Por idade

O geógrafo especializado em estatística seguiu em sua análise cruzada entre as pesquisas presidenciais e a do IBGE: “a PNAD mostrou que 5,7% dos brasileiros têm de 14 a 17 anos, enquanto 10,7% têm de 18 a 24 anos. Nas últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro foi 37% e 21%, respectivamente, nos eleitores entre 16 e 24 anos. Já a BTG/FSB reduziu a vantagem de Lula nessa faixa etária para apenas 7%. Ainda segundo a PNAD, 23,9% dos brasileiros tem de 25 a 39 anos, 25,5% da população tem de 40 a 59 anos e 15% dos brasileiros tem mais de 60 anos”.

 

Por escolaridade

“Na divisão por escolaridade, 32,8% dos brasileiros não completaram o ensino fundamental, enquanto 7,7% da população tem ensino fundamental completo. A soma dos dois estratos dá 40,5% da população. Que compõe o eleitorado com ensino fundamental apurado pelo Datafolha e Genial/Quaest, no qual Lula lidera com diferença de cerca de 35%. Na BTG/FSB, as intenções de voto de Lula sobre Bolsonaro nesse eleitorado caem para 24%. Já 7,3% dos brasileiros não completaram o ensino médio, 26,5% conseguiram concluir e 4,6% chegaram a entrar na faculdade. Mas só 13,8% completaram o ensino superior”, detalhou William.

 

Por cor da pele

Da escolaridade à questão da cor de pele, o geógrafo com especialização doutoral em estatística pintou um quadro com mais dados: “por cor ou raça, segundo a PNAD, 43% dos brasileiros se declara branco, enquanto 45,9% se diz pardo e somente 10% se reconhece como negro. Por divergência de metodologia, é possível que dentro da composição étnico-racial denominada ‘preta’ nas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, onde Lula supera Bolsonaro em cerca de 35% das intenções de voto, estejam inseridos os autodeclarados pardos e negros do IBGE. Por sua vez, a pesquisa BTG/FSB não mediu as intenções de voto por cor”.

 

Por renda

“Já em relação à renda mensal, o IBGE revela que 46,34% dos brasileiros ganha até 2 salários mínimos. É nesta camada que Lula supera Bolsonaro em cerca de 35% das intenções de Bolsonaro, na Datafolha e Genial/Quaest. O número chega a 40%, na média entre os 44% de vantagem do petista entre os eleitores até 1 salário mínimo, e dos 35% entre os que ganham de 1 a 2 salários, faixas pesquisas pelo instituto. Já 14,91% dos brasileiros recebe entre 2 e 10 salários, enquanto apenas 1,66% aufere mais de 10 salários. Este é o único extrato de renda em que Bolsonaro supera Lula, mas em apenas 10 pontos percentuais”, ressalvou William.

 

População de rua improvisa abrigo no Jardim São Benedito (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

E em Campos?

Considerada uma cidade conservadora, Campos não tem pesquisa presidencial registrada. Mas em 2018 deu a Bolsonaro 64,87% dos seus votos válidos no segundo turno a presidente. Foram quase 10 pontos a mais do que os 55,13% dos brasileiros que elegeram o capitão. Matéria da Folha de 16 de abril revelou que o município tem 137.067 pessoas com renda de até R$ 89. Outros 10.919 têm renda entre R$ 89 e R$ 178. Com o salário mínimo a R$ 1.212, o país vivendo a maior inflação nos últimos 26 anos e a maior queda de renda na última década, em quem esses campistas pobres votarão a presidente? Se você fosse um deles, em quem votaria?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Alan Turnovsky: “traficantes armados não são cidadãos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“A gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem”. No início da manhã de ontem (14), ao microfone da Folha FM 98,3, a declaração foi feita pelo delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Alan Turnovsky (PL), pré-candidato a deputado federal. Para ele a operação policial na comunidade do Jacarezinho, que autorizou contra a maior facção criminosa do Rio e acabou em 28 mortes, foi “cirúrgica”: “os 27 mortos (sem contar o policial civil morto em serviço) todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador”. Assim como a operação policial da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, que acabou com 23 mortos: “A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele (…) Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local”. Turnovsky elogiou políticos de Campos, como o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o ex-governador Anthony Garotinho (União). Também apostou na reeleição de Cláudio Castro (PL) a governador e numa “reviravolta”, com base nas abstenções, para reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Alan Turnovsky (Foto: Divulgação)

 

Segurança Pública – Tenho 27 anos como delegado de polícia. Em minha carreira, atuei na área operacional praticamente toda ela. Às vezes em que eu não estava na área operacional, fui chefe de Polícia Civil de 2009 a 2011 (no governo Sérgio Cabral) e, agora, com o governador Cláudio Castro, fui secretário estadual da Polícia Civil. Em Segurança Pública, eu acho que, para início, a pessoa tem que saber que quando comete um crime, ela tem que ter punição; ela tem que ser presa. Isso vem desde os primórdios da civilização. Penso que segurança é o feijão com arroz: tem os crimes previstos; você comete o crime e é preso. Se você, a partir daí, começar a trabalhar a sua política de Segurança, acho que você não vai ter grandes dificuldades de resultado. O problema é quando você começa a confundir o criminoso com a população de bem. Muitas vezes falam que o Rio de Janeiro é violento, tem muitas comunidades. Mas 99% das pessoas das comunidades ou até mais um pouco são pessoas de bem, trabalhadoras, que querem uma oportunidade, buscam seu trabalho, seu emprego, seu estudo. O problema é aquele 1%, até menos de 1% em muitas vezes. A gente pode dar um exemplo da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Você vai ter 120 mil pessoas lá, pelo último Censo, sendo mais de 119 mil pessoas do bem. Então, confundir essas 119 mil com aqueles criminosos que fazem barulho, mas são minoria, faz com que a população fique meio descrente na Segurança Pública. Eu não vejo grande dificuldade se a gente não confundir criminoso com trabalhador.  De criminoso, a polícia cuida, e de trabalhador, todos nós cuidamos.

“Pessoas de bem”? – Comecei falando da comunidade porque é onde você tem mais violência, fuzis, armamentos mais pesados. A delegacia de bairro é responsável por dar segurança à localidade. Com a Polícia Militar fazendo preventiva, e a delegacia fazendo as investigações. Depois, você vai ter as delegacias especializadas, também da Polícia Civil, que trabalham o crime organizado. E, por último, você tem, a partir de 2001, desde o atentado das Torres Gêmeas (de Nova York, em 11 de setembro aquele ano), todas as polícias do mundo trabalhando corrupção e lavagem de dinheiro. É o “follow the money”, seguindo o dinheiro das grandes quadrilhas. E para isso a gente tem um departamento hoje de lavagem e corrupção da polícia, também fortíssimo, que ocupa dois andares do nosso prédio da secretaria e, junto com a inteligência, faz um grande trabalho de rastreamento desse dinheiro desviado. E a gente consegue, no meio de 2022, agora, quando eu me afastei (da secretaria de Polícia Civil para ser pré-candidato a deputado federal), ter mais de R$ 150 milhões de investimento em equipamentos de investigação, de inteligência, busca em internet, cruzamento de dados. Ou seja, a polícia investiu não só no crime mais beligerante, que é o crime onde usam armas de guerra, mas também naqueles que desviam dinheiro público, perseguindo o dinheiro das grandes organizações criminosas: seja tráfico, seja desvio de dinheiro público. A gente teve, logo de cara, duas grandes operações contra milicianos no Rio de Janeiro, em que a gente, primeiro, neutralizou cinco milicianos. Depois, numa troca de tiro em Itaguaí, outros 12 também acabaram morrendo no confronto com a polícia. As investigações contra milícia começam numa força-tarefa solicitada pelo TRE, para que as eleições fossem livres, as pessoas pudessem votar em quem elas quisessem. E, a partir daí, a gente desenvolveu toda uma mecânica de investigação contra as milícias. A gente tem mais de 1.200 milicianos presos nessa gestão. As pessoas que estou falando são as pessoas do mal. E todas as outras que não cometeram nenhum tipo de crime nesses três segmentos são as pessoas do bem.

Operação no Jacarezinho com 28 mortos – Em primeiro lugar, eu era o secretário de Polícia Civil e autorizei a operação do Jacarezinho. Ninguém vai a uma operação para matar outras pessoas. Quando a gente faz uma operação, vai para busca e apreensão de armas e drogas, e prisões de traficantes. Naquele dia, a polícia, num beco em que ela demoraria 30 segundos para passar, ela demorou uma hora e meia. A violência da ação dos criminosos era tamanha, que já tinha um policial morto e a gente não conseguia progredir. Ele toma um tiro na cabeça numa barricada. Já tinha quase uma hora e meia, a gente não conseguia entrar, até que um policial conseguiu penetrar na primeira barreira e a gente conseguiu, depois de uma hora e meia, entrar no Jacarezinho. A triste coincidência é que esse policial (que conseguiu entrar) não morreu de tiro nessa incursão. Ele foi heroico naquele momento inicial para entrar, e morreu duas, três semanas depois, da Covid. Ele até se arriscou jogando uma granada de luz e som. Naquela em que os bandidos se assustaram, ele conseguiu entrar sozinho pelo beco, e foi ele quem furou o bloqueio. A operação do Jacarezinho era a luta do Estado contra a maior facção criminosa do Estado do Rio de Janeiro. Essa facção foi a mesma que tinha matado três crianças na Baixada, que furtavam passarinho. A facção que enfrentou a gente no Jacarezinho foi a mesma que, quando uma menina terminou o namoro com um traficante, esquartejou a menina. E por que eles querem sempre o enfrentamento? Porque cada vez que tiver mortes, cada vez que eles conseguirem essa discussão na sociedade sobre as nossas operações, eles não estão mais preocupados com aquela operação do dia; estão preocupados em não ter a próxima. Então, no Jacarezinho, primeiro lugar: os 27 mortos, todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador. Comprovadamente, todos eram envolvidos com tráfico. A quantidade de armas e drogas apreendidas lá foi um número absurdo. Dezenas de fuzis, pistolas, granadas. Foi uma hora e meia de tiro em cima da entrada da polícia, enfrentando o Estado, sim. Eu fico imaginando como é a vida do cidadão tendo que conviver com traficantes que enfrentam o estado dessa forma. O dia a dia desse cidadão deve ser muito penoso, com certeza é. É neles que a gente tem que pensar, e não nos 27 traficantes que enfrentaram o estado e acabaram, numa operação legítima da Polícia Civil, morrendo.

Operação na Vila Cruzeiro com 23 mortos – Na Vila Cruzeiro eu já não era mais secretário. (Como especialista na área) eu vejo que a polícia não pode ir lá recuperar carga. Você liga para a gente, aí você fala: eu só posso fazer operações hoje se eu preencher um questionário com 50 perguntas para poder justificar a excepcionalidade da minha operação. Então, sem essas operações no dia a dia, proibidas pela Justiça, a tendência é que o traficante vá se fortalecendo. E aí, quando eles se fortalecem, eles passam a acreditar que aquele território ali é impenetrável. Na semana da operação na Vila Cruzeiro, que foi uma operação da Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, eles tinham atirado num helicóptero que passava em cima daquela comunidade. Um helicóptero civil, passageiros normais, sem nenhum ataque a eles, nenhum tiro efetuado. Eles tentaram derrubar um helicóptero e postaram isso na rede, como se aquilo fosse uma área deles no Rio de Janeiro, impenetrável. Aí a Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária vão lá. E você deve ter visto a imagem da forma que eles atiravam na equipe de perícia que estava perto da mata e feriram o papiloscopista no rosto. Os policiais civis que foram lá fazer perícia sendo alvejados. Então, a gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem. Então, enquanto eles continuarem com esse tipo de atitude, a polícia é mais preparada, o Estado é mais forte, e eles vão continuar sendo neutralizados nas operações. Qual é a solução? A solução melhor era eles pararem de traficar. Repito: a reação da polícia depende da ação deles. Se a ação é violenta, a polícia tem que atirar para se defender. A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele. É muito simples. Quando você tem 27 mortes sem nenhum inocente, é que a polícia foi cirúrgica. E se eles morreram foi porque eles enfrentaram a polícia. Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local.

Liberação da maconha – Eu estava acompanhando a Marcha da Maconha. E vamos deixar uma coisa bem clara, eles usam a maconha para pedir a liberação da droga, mas quando você vai ver a leis que eles querem criar, é a liberação das drogas para gerar recursos. Todas as drogas. Então, essa história do romantismo da maconha é uma armadilha para a liberação das drogas. Quando você for ver as leis que eles propõem, eles falam de liberação de drogas. Inclusive, tinha um documentário, já de 2007, 2009, com o Fernando Henrique (Cardoso, PSDB), ex-presidente, em que eles falam abertamente isso: na produção de impostos para gerar riqueza. E aí, com relação a liberação das drogas, é óbvio que eu sou contra isso. De todas.

Pré-candidatura de Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual, à Alerj – Quando fui chamado, em setembro de 2020, pelo governador Cláudio Castro para assumir a secretaria de Polícia Civil, ele me disse: “Delegado, talvez a gente não tenha dinheiro para pagar o salário no segundo semestre, porque a gente tem que renegociar a nossa dívida e está difícil. Eu queria você nesse momento difícil, com a sua experiência, para me ajudar a tocar o governo”. E eu topei. E, para minha agradável surpresa e de todo o Estado do Rio de Janeiro, o governador e a equipe econômica dele conseguiram reverter a situação financeira, conseguiram gerar recursos com a venda da Cedae, os royalties subiram, renegociaram a dívida (do Estado do Rio com a União). Ele conseguiu colocar novamente o estado financeiramente viável, e aí o governador Cláudio Castro passou a poder investir também nas prefeituras parte dessa verba, ajudando o Rio de Janeiro a sair de uma grande estagnação. Como eu falei, só na Polícia Civil foram quase R$ 200 milhões de investimento. Com isso, a base do governo, quando sai para candidatura na Alerj, sai muito forte, porque, efetivamente, conseguiram fazer um grande trabalho. O secretário, que agora é pré-candidato a deputado, Rodrigo Bacellar, também fez parte desse núcleo duro do governo, na Segov; fez um grande trabalho liderado pelo governador Cláudio Castro e é um nome de força dentro do governo, que saiu da teoria e conseguiu aplicar, na prática, uma melhoria para o Rio de Janeiro. Então, tem todo o seu valor.

Eleição a governador – Eu vejo o governador Cláudio Castro numa crescente. O governador chegou como vice-governador desconhecido, e foi o trabalho dele apresentado que está o tornando um candidato viável. Na área da segurança, foi o governador que enfrentou a milícia, enfrentou o tráfico e enfrentou a lavagem de capitais. Ele me chamou e me disse que os crimes de bairro, crime do interior, crime dos municípios, deveriam ter o mesmo valor que as organizações criminosas. Então, ele acerta área de segurança. Eu acho que quando o governador acerta área de segurança, é o primeiro passo para ter credibilidade junto à população. Você pode ser rico, você pode ser pobre, mas todos nós precisamos de Segurança Pública. Você talvez você possa pagar um plano de saúde, talvez você possa pagar um bom lugar para você dormir, para você jogar futebol, fazer um esporte. Mas, em Segurança Pública, todos são iguais, todos precisam que o Estado forneça. Então, com os menores índices de criminalidade desde 2011 na sua gestão, eu acho que ele sai na frente, porque ele deixa de ser algum teórico para ser um cara que acerta na prática. E quando ele acerta na área econômica, conseguindo tirar o estado do buraco, distribuir riqueza para os prefeitos e distribuir desenvolvimento econômico para o estado, eu acho que ele passa a ser um candidato muito forte, um candidato que faz, um candidato que está testado. Essa, para mim, é a grande diferença. Então, esse fato de ele não ter disparado numa pesquisa eu acho ótimo, porque quer dizer que as pessoas estão analisando a essência do governo dele. Acho que até o final deste governo, as pessoas vão ter a consciência de saber o que funciona na prática e o que funciona na teoria. E o governador funcionou na prática. Eu aprendi muito com o governador Cláudio Castro. Ele tem uma habilidade de lidar com as pessoas muito grande.

Wladimir – Você vê grandes confusões no estado e o governador consegue atender a todos. Eu já vi lá no Palácio várias vezes diversos prefeitos. O próprio prefeito de Campos, que eu conheço a família, já trabalhei com o pai dele. O Wladimir lá, a gente se encontrava nos bastidores, sempre muito bem atendido pelo governador. Então, ele atende a todos os prefeitos. Ele procura fazer o bem para todo mundo, independente da bandeira, se a bandeira é do lado de direita ou de esquerda. Essa foi uma das qualidades muito fortes do governador Cláudio Castro. É um homem de diálogo e que faz.

Pré-candidatura de Garotinho a governador – Primeiro, quero mandar um abraço para o ex-governador Garotinho. Trabalhei com ele. Eu era diretor de Polícia Especializada, foi um governador me deu uma função de fazer várias prisões no Rio de Janeiro, e a gente fez. Sabe que cumpri minha missão com ele, tenho meus créditos da missão cumprida. Como eu falei do Wladimir, o prefeito, também me dou bem.

Eleição a presidente – As pessoas reclamam muito das pesquisas, mas tem um fator que leva todas essas pesquisas a serem problemáticas, que é a abstenção. Na última eleição para a Prefeitura do Rio, a abstenção foi maior que os votos dos candidatos. Então, essa questão da abstenção é que vai definir a eleição. Evidentemente, eu estou no Partido Liberal, eu acredito nos conceitos defendidos pelo presidente Bolsonaro e pelo governador Cláudio Castro: é dureza com a criminalidade, que é a minha área; investimento em tecnologia, investigação; supremacia do Estado perante o crime organizado. Então, isso tudo na minha área me faz, obviamente, optar por Cláudio Castro e Jair Bolsonaro. Porém, o que eu vejo hoje é que votos válidos, isso tem que ser analisado. O fato é que está polarizado, e quem vai decidir são aqueles que agora, hoje, dizem que não vão votar em nenhum dos dois. Se essas pessoas votarem, eu acho que a decisão ainda está muito aberta, e tanto o presidente Jair Bolsonaro, que na vez passada teve essa abstenção a seu favor, pode muito bem fazer uma reviravolta nessas pesquisas e sair vencedor. Eu acho que está totalmente indefinido.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Bandeira LGBTQIA+ e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor e pré-candidato a deputado estadual, Renato Batista (PSB) é o entrevistado do Folha no Ar nesta quarta (15), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará das bandeiras da educação e LGBTQIA+, que fazem parte da sua militância política. Analisará também a aliança entre seu PSB e o PT no Estado do Rio, que se equilibra entre as pré-candidaturas do deputado federal socialista Alessandro Molon e do deputado estadual petista André Ceciliano ao Senado, além da disputa a governador.

Por fim, Renato tentará projetar a eleição de outubro ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Ex-chefe de Polícia Civil, Alan Turnovsky no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegado, ex-secretário estadual de Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal, Alan Turnovsky (PL) é o convidado desta terça (14) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Segurança Pública e a letalidade das operações policiais no Rio de Janeiro, como as da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, e a do Jacarezinho, em maio de 2021, cada uma com mais de 2o mortos.

Turnovsky tentará também projetar as eleições à Alerj, em que espera homologação em convenção para tentar uma vaga, e para governador. Por fim, ele também tentará projetar as urnas de outubro ao Congresso Nacional e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

BTG/FSB: Lula na margem de erro para definir, ou não, no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Líder em todas as pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ou não definir a eleição no primeiro turno? Não na pesquisa BTG/FSB divulgada hoje, feita entre 10 e 12 de junho. Mas com 48% dos votos válidos ao petista na consulta estimulada, a existência do segundo turno ficou dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Hoje, a 111 dias das urnas de 2 de outubro, Lula ficou com 44% das intenções na consulta estimulada, contra 32% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 9% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1%, cada um, do deputado federal André Janones (Avante) e do cientista político Felipe D’Avila (Novo). Não votariam em nenhum, 5%; em branco e nulo, 2%; enquanto outros 2% não souberam responder.

Os demais seis presidenciáveis ficaram abaixo de 1 ponto. Mas o ex-deputado federal José Maria Eymael (DC), a socióloga Vera Lúcia (PSTU), a economista Sofia Manzano (PCB), o bacharel em Direito Leonardo Péricles (UP), o deputado federal Luciano Bivar (União) e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros) têm, juntos, 2% das intenções de voto. Comparada com a de maio, a nova pesquisa BTG/FSB mostrou estabilidade de Bolsonaro, que tinha e manteve 32% das intenções de voto. Já Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro de 2 pontos: de 46% do mês passado aos 44% de agora. A vantagem atual do petista para o capitão é de 12 pontos, ou 18 milhões de eleitores. É mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na pesquisa BTG/FSB anterior, feita entre 27 e 29 de maio, Lula definiria a eleição no primeiro turno, também dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos. Projeção que confirmou a Datafolha feita entre 26 e 26 de maio, na qual o ex-presidente apareceu com 54% dos votos válidos (48% contra 27% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Como seria depois confirmada pela Genial/Quaest feita entre 2 e 5 de junho, na qual o petista apareceu com 52,87% dos votos válidos (46% contra 30% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Nas pesquisas BTG/FSB de maio e junho foram ouvidos 2 mil eleitores de todo o país.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que sempre dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como a BTG/FSB ou o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Pelo telefone, também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, com o qual Lula tem sua maior vantagem sobre Bolsonaro, como ressalva o Agregador de Pesquisas do jornal Estadão. Nele, na média entre as últimas pesquisas presidenciais de 14 institutos do país, Lula tem hoje 46% contra 30% de Bolsonaro. São os mesmos números da Genial/Quaest.

 

(Infográfico: Estadão)

 

Confirmado o segundo turno, marcado para 30 de outubro, Lula vence em qualquer cenário da pesquisa BTG/FSB: 54% contra 36% de Bolsonaro, 48% contra 32% de Ciro Gomes e 55% contra 25% de Simone Tebet. Além de Lula, Bolsonaro perderia também para Ciro, com 38% a 48%. E empataria com Tebet: 40% a 40%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota de Bolsonaro para Lula e Ciro no eventual segundo turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Pela Datafolha, Bolsonaro tem 54% de rejeição, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem 60% de rejeição, contra 40% de Lula. Pela nova BTG/FSB divulgada hoje, Bolsonaro tem 59% de rejeição, contra 44% de Lula. Para quem tem 54%, ou 60%, ou 59% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição. Desde que o segundo turno foi adotado no Brasil, na eleição presidencial de 1989, Bolsonaro tem a maior rejeição entre todos os ocupantes do Palácio do Planalto que já tentaram a reeleição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dado curioso da nova pesquisa presidencial BTG/FSB? Contratante regular do instituto PSB Pesquisas, que coloca Lula na margem de erro para definir, ou não, a eleição presidencial no primeiro turno, o BTG Pactual é um banco de investimento que tem entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro.