Vereadores Nildo Cardoso, Marquinho Bacellar, Fábio Ribeiro, Juninho Virgílio e Maicon Cruz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Nildo e a eleição de Marquinho (I)
“O único que ocupou a tribuna da Câmara e declarou o seu apoio (a presidente) a Marquinho Bacellar (SD) foi Nildo Cardoso (PSL). Isto é fato, está registrado. Por que o presidente (Fábio Ribeiro, PSD), após o término da votação, deu a vitória, está lá gravado, a Marquinho Bacellar como presidente em 2023/2024?”. Foi o que explicou e indagou ao Folha no Ar na manhã de ontem (22), na Folha FM 98,3, o próprio vereador de oposição Nildo Cardoso. Ontem, saiu o parecer da Procuradoria da Câmara de Campos que negou o pedido do edil governista Juninho Virgílio (Pros) para anular a eleição de Marquinho, por 13 votos a 12, na terça passada.
Nildo e a eleição de Marquinho (II)
O parecer sobre o voto de Nildo ainda não saiu. E, segundo o atual presidente Fábio Ribeiro, não tem prazo. Ele tinha prazo regimental até 15 de dezembro para marcar a eleição da nova Mesa Diretora, mas decidiu iniciá-la na última terça. “Na minha opinião, Fábio colocou para votar porque corria o risco de, ali na frente, ele não ser o candidato (do governo a presidente)”, avaliou Nildo. Ele também falou da traição do vereador Maicon Cruz (PSC), que assinou termo de compromisso com a reeleição de Fábio, mas votou em Marquinho, definindo a vitória deste: “Eu não faria isso de maneira nenhuma. Mas eu sou eu, respondo por mim”.
Confira no vídeo abaixo o primeiro bloco da entrevista do vereador de oposição Nildo Cardoso ao Folha no Ar da manhã de ontem:
Faleceu por volta das 21h de hoje, aos 90 anos, de uma pneumonia após infecção por Covid-19, o médico Dr. Geraldo Gusmão. No final do ciclo do vírus, ao qual tinha tomado as três doses de vacina, o quadro evoluiu para pneumonia. Para tratá-la, estava internado há 20 dias no Hospital da Unimed. A partir da manhã desta quarta (23), seu velório ocorrerá na capela do Cemitério do Caju, das 10h da manhã às 15h, quando se dará seu enterro.
Dr. Geraldo deixa cinco filhos: Geraldo José (in memoriam), Beatriz, Bernadette, Ana Teresa e Artur Gusmão; além de 9 netos. Ele era viúvo da professora Ariema Gusmão, com que foi casado 59 anos, falecida em 2017. Formado em Medicina em 1956, pela UFF de Niterói, era decano da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia de Campos. Leitor assíduo e, nas suas próprias palavras, “fã número 1 da Folha da Manhã”, foi também amigo do meu pai, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, falecido em 2012. Com os dois tive o prazer de comungar vários cafezinhos e muita sabedoria, no Boulevard dos anos 1980 e 1990.
O carinho e o respeito que tinha por Dr. Geraldo também eram reforçados por minha amizade de adolescência com o advogado Artur Gusmão, procurador do município e seu filho caçula. Que herdou do pai o temperamento polido e gentil, além do cristianismo praticante na fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Em 29 de outubro do ano passado, Artur e as irmãs publicaram na Folha uma homenagem para Dr. Geraldo, que completaria seu 90º aniversário no dia 31 daquele mês. Para honrar esse homem de bem que Campos perde, segue republicada abaixo:
Parabéns ao nosso pai, nosso grande amor!
Por Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur Gusmão
Hoje nosso coração está em festa! É tempo de celebrar e agradecer ao Senhor a vida do nosso pai que completa 90 anos!
Em 31/10/1931 nascia nesta cidade Geraldo Arthur Gusmão Rodrigues, filho de Zita Gusmão Rodrigues e João Higino Rodrigues. Aqui cresceu sob os cuidados e o colo amoroso da sua tia avó materna, D. Josefa Gusmão. Sua infância foi também marcada pela formação religiosa, que teve início na Catedral de São Salvador, onde atuou como coroinha junto ao saudoso Pe. Rosário. Nascia aí uma história de fé, entrega e amor aos ensinamentos do Pai.
Papai iniciou sua escolaridade nos colégios da cidade, tendo sido marcante na sua vida a passagem pelo Liceu de Humanidades de Campos, onde cursou o antigo ginasial e o curso clássico. Tamanha identificação fez dele um liceísta apaixonado, carregado de memórias e saudade, sempre cantando os versos do Hino do Liceu: “Liceísta sempre avante pela glória do Liceu… Que evocamos com orgulho, ó Liceu, Liceu, Liceu!”
Com a maioridade, mudou-se para o Rio de Janeiro onde foi servir ao Exército, em 1950. Em seguida passou a residir em Niterói, a fim de cursar Medicina na Universidade Federal Fluminense. Niterói foi palco não só da sua formação profissional, mas também do encontro com o grande amor da sua vida, Ariema Barbeitas Gusmão. Ali começava a nossa história.
Com o término dos cursos, ele formado em Medicina e ela em Letras, retornaram a Campos onde se casaram em 1958 na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sob o manto protetor de Maria. Foi mamãe quem possibilitou a construção do maior sonho da sua vida: nossa família. Somos cinco filhos frutos de um imenso amor, de uma profunda fé e retidão em todos os passos e escolhas feitas por eles ao longo da vida.
Como médico traumato-ortopedista trabalhou em diversos hospitais: Hospital Ferreira Machado, Santa Casa de Misericórdia de Campos, Sandu, Plantadores de Cana e Beneficência Portuguesa, sempre comprometido com a vida humana.
Ao se aposentar realizou o sonho de voltar ao Liceu novamente como aluno nos cursos de Francês, Inglês e Espanhol. Essa paixão por aprender preenche os seus dias até hoje, se dedicando com afinco às palavras cruzadas, leitura de livros, jornais e do Evangelho. Nesse período ele também aproveitou para intensificar as suas caminhadas pela cidade, percorrendo as pontes que cruzam o rio Paraíba.
Cada caminhada na planície goitacá, sobretudo nas manhãs de sol e céu azul, enchem os seus dias de emoção, ânimo e luz! Encontrá-lo caminhando é sempre uma alegria contagiante! Tamanha paixão por Campos, revivida em pequenos passeios, o faz recitar outros versos, aqueles do hino da nossa cidade: “Campos intrépida Formosa, terra feita de luz e madrigais”, além de lembrar histórias que nunca saíram do seu coração.
Papai é um eterno apaixonado pela natureza. Seu encanto pela lua e suas fases, pelas estrelas que brilham e saltam na imensidão da noite, o tornam uma pessoa simples, desprendida, tomado pela esperança. Olhando para ele, a gente pensa que a felicidade está logo ali, ao alcance da mão.
Difícil em meio a tantas lições que ele nos dá diariamente, falar apenas de algumas. Mas talvez uma das maiores seja o exercício permanente da sua fé em Deus. Parece que quanto mais surgem os imprevistos e dificuldades da vida, maior é a sua fé! Guiado pelo Salmo 22, do Bom Pastor, ele segue firme, amparando todos nós.
Um outro presente que guardamos em nós é o seu amor por mamãe, um amor cuidadoso, companheiro, eterno e cheio de encanto pela mulher admirável que ela sempre foi. E ainda o seu amor pela família, por nós, seus filhos e netos, um amor sempre carregado de preocupação, comprometido com a nossa felicidade, respeitoso com as nossas escolhas e atento às nossas necessidades, mesmo depois que crescemos e nos tornamos pais.
Papai chega aos 90 anos com uma autonomia admirável, uma memória cristalina e com o mesmo encanto pela vida, que tanto nos apaixona, apesar das perdas imensuráveis vividas ao longo desses anos. Ao celebrar 90 anos ele continua sendo um exemplo e uma força incomparáveis nas nossas vidas!
Hoje nós escolhemos um verso da canção “Oração pela Família”, para o seu aniversário: “Que seus filhos vejam a força que brota do amor”. Sua história de vida, papai, traduz essa força que brota do amor. Nós, seus filhos, netos, genros e noras, somos testemunhas deste amor. Não há no mundo presente como esse! Seu amor e a sua oração nos acompanham e nos inspiram todos os dias!
Para o senhor, a nossa admiração sem tamanho, a nossa gratidão mais profunda e o nosso eterno amor!
Dos seus filhos,
Geraldo José (in memoriam), Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur.
A partir das 7h da manhã desta quarta (23), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o historiador João Monteiro Pessôa, professor do IFF-Guarus. Ele falará sobre a crise na Ucrânia, com o reconhecimento da independência de regiões separatistas do país pelo presidente russo Vladimir Putin, e suas consequências ao mundo.
O historiador também analisará a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia na semana passada. Assim como a queda de braço entre a grande potência militar do Leste Europeu e da Ásia com os EUA e a Europa Ocidental. Por fim, dará sua projeção às eleições de outubro no Brasil, a deputado, governador e presidente.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta terça, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Nildo Cardoso (PSL). Ele falará do seu voto, que não foi registrado em ata, na eleição de Marquinho Bacellar (SD) presidente da Câmara, e de toda a polêmica que se seguiu, com a interrupção e depois suspensão da sessão, cujo resultado deve caminhar à judicialização.
Nildo falará também do que se esperar de uma Câmara Municipal controlada pela oposição ao governo Wladimir Garotinho (PSD). Por fim, dará a sua projeção para as eleições de outubro, a deputado federal e estadual, governador e presidente.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Marquinho do Transporte, Fred Machado, Maicon Cruz e Abdu Neme devem compor a nova Mesa Diretora, com Marquinho Bacellar na presidência (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Como a coluna Ponto Final revelou no sábado, o primeiro secretário da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos deve ser o vereador Maicon Cruz (PTC). Mas o primeiro vice-presidente será Marquinho do Transporte (PDT), não Abdu Neme (Avante), que ficará na verdade com a segunda secretaria. O segundo vice-presidente será o ex-presidente da Casa na segunda metade da legislatura passada, Fred Machado (Cidadania).
Marquinho Bacellar, Fábio Ribeiro, Juninho Virgílio e Angelo Rafael (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Juninho que voltou para a Câmara para a eleição da nova Mesa Diretora, deixou vaga a secretaria municipal de Governo. Que passou, desde quinta (17), a ser ocupada pelo militante garotista Angelo Rafael Barros Damiano, ex-presidente do PP em Campos.
Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Abdu Neme, Maicon Cruz e Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Marquinho, Abdu, Maicon e férias do servidor
Com a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) como presidente da Câmara na sessão da última terça (15), que acabou suspensa e promete caminhar à judicialização, a semana não foi fácil para o governo Wladimir Garotinho (PSD). O que ainda não havia sido a anunciado e a coluna adianta é que o vereador Abdu Neme (Avante) deve ser eleito primeiro vice-presidente, e Maicon Cruz (PTC) primeiro secretário. Mais do que nunca, o prefeito precisa de boas notícias. E está tentando criá-las. Uma delas foi o anúncio de pagamento das férias atrasadas dos servidores, que deve injetar R$ 30 milhões na economia local.
Campos tem superávit de R$ 500 milhões
O cronograma para pagamento das férias do servidor ainda está sendo preparado, pois há dúvida jurídica sobre como quitar aqueles que têm mais de uma atrasada. “Em 2021, tivemos a mesma despesa do governo Rafael (Diniz, Cidadania) em 2020, na ordem de R$ 1,8 bilhão. Mas arrecadamos R$ 2,5 bilhões. Destes, R$ 200 milhões foram para pagar dívidas empenhadas, nos deixando com um superávit líquido de R$ 500 milhões. Apesar de todas as previsões de crise feitas em 2020 para 2021, Campos chega a 2022 como um município economicamente viável. É nisso que temos que apostar, acima das disputas políticas”, pregou Wladimir.
Reunião na sexta entre representantes do poder público e da Águas do Paraíba para reparo nas ruas de Campos (Foto: Supcom)
Obras nas ruas da cidade (I)
Outra boa notícia do governo vem para tentar resolver a um dos principais problemas de Campos, desde o governo Rafael: as ruas da cidade esburacadas. Ontem, a Prefeitura de Campos anunciou que começam nesta segunda (21) as obras de recapeamento asfáltico e sinalização viária nas avenidas Rui Barbosa e José Alves de Azevedo, além das ruas Voluntários da Pátria, Barão de Amazonas, Lacerda Sobrinho, Santos Dumont, Teotônio Ferreira de Araújo, Marechal Floriano, Saldanha Marinho, Alvarenga Filho, Tenente Coronel Cardoso, Comendador José Francisco Sanguedo, 21 de Abril, dos Goitacazes e a Travessa Júlio Feydit.
Programação com datas para intervenção nas ruas da cidade (Infográfico: Supcom)
Obras nas ruas da cidade (II)
A reunião preparatória para melhorar as vias públicas ocorreu ontem (18), com representantes do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), das secretarias de Obras e Infraestrutura, de Ordem Pública, da subsecretaria de Mobilidade e da Guarda Civil, além da concessionária Águas do Paraíba, que ajudará a executar o serviço. “A Águas do Paraíba, que trabalha com rede de água e esgoto, vai realizar serviços também no trecho da Rua Tenente Coronel Cardoso e na Saldanha Marinho, além de outra equipe na confecção dos serviços para qualquer situação emergencial”, explicou o secretário de Obras, Jorge Willian Cabral.
Obras nas ruas da cidade (III)
“Vamos requalificar todas as vias do município, pois estão degradadas e precisam de manutenção e sinalização para poder proporcionar mais qualidade à população, garantindo a mobilidade e evitando acidentes no entorno. E vamos retomar a manutenção constante das vias”, prometeu o presidente do IMTT, Nelson Godá. “O objetivo foi congregar os órgãos envolvidos para que a programação dos trabalhos possa causar o mínimo de impacto possível à população. Vamos precisar da compreensão dos munícipes, pois haverá transtornos”, advertiu o engenheiro Sérgio Mansur, subsecretário de Mobilidade.
Mudança da Educação
Na última quarta, a coluna anunciou a possibilidade da saída do secretário de Educação, professor Marcelo Feres. Mas após o voto do vereador Maicon Cruz, que assinou termo de compromisso com a reeleição de Fábio Ribeiro (PSD) como presidente da Câmara, mas definiu a eleição a favor de Marquinho Bacellar, foi especulado que a mudança na Educação poderia ser revista. Um dos acordos do governo seria abrir espaço na pasta a Maicon, que tem atuação política no setor. A fonte de alto escalão da Prefeitura que adiantou a possibilidade da saída de Feres garantiu que nada muda. Como não mudaria se Maicon tivesse cumprido o que assinou.
Destaque internacional (I)
Primeiro atleta de Campos e do interior do estado a nadar da praia do Leme até o Pontal, no Rio, com oficialização da Leme to Pontal Swimming Association (LPSA), o guarda-vidas Alexander Sant’Ana ganhou reconhecimento internacional pelo feito, realizado na segunda-feira (14). Seu nome foi incluído na Openwaterpedia, a enciclopédia das competições de águas abertas em todo o mundo. Além disso, o ultramaratonista teve matéria sobre ele publicada no World Open Water Swimming Association, principal portal dos EUA especializado na cobertura de eventos do gênero.
Destaque internacional (II)
Residente no Parque Santo Amaro e atuante como guarda-vidas em Macaé, Alexander foi o 44º atleta na história a completar o percurso de 35,19 km na categoria individual com neoprene pela LPSA, entidade que desde 2016 regula a mais desafiadora prova de águas abertas do Brasil. Também se tornou o primeiro bombeiro a vencer o desafio. Seu tempo, de 8 horas, 54 minutos e 56 segundos, foi o oitavo melhor entre os 44 nadadores solo com neoprene que já realizaram a prova oficialmente.
Jair Bolsonaro com os autocratas Vladimir Putin, na Rússia, e Viktor Orbán, na Hungria do craque Ferenc Puskás (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— E Bolsonaro na Rússia de Putin e na Hungria de Orbán? — abriu os trabalhos Paulo, antes de molhar a palavra com um gole de Original gelada, na mesa do boteco.
— Foi tentar espelhar Lula na Alemanha, na França, na Espanha e no Parlamento Europeu, na Bélgica, em novembro do ano passado — lembrou Aníbal, garganta já umedecida pela cerveja.
Lula em suas visitas de novembro à Alemanha do chanceler Olaf Scholz, à França do presidente Emmanuel Macron e à Espanha do primeiro-ministro Pedro Sánchez (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Mas tem duas diferenças básicas. A primeira, Bolsonaro ainda é chefe de Estado. Lula, embora recebido como se fosse, já não é há mais de uma década. Além do que, Alemanha, França e Espanha são democracias. A Rússia e a Hungria, não.
— A Rússia é um caso à parte. Enclave europeu na Ásia, na mistura de povos eslavos com os vikings e os mongóis na Idade Média, saiu da ditadura czarista para a comunista, com a Revolução de 1917. O breve período deles de democracia, nos anos 1990, se deu com a derrama dos oligarcas assumindo os serviços do Estado. E Boris Yeltsin humilhando o país aos olhos do mundo, em suas constantes aparições completamente bêbado. Assim como suas Forças Armadas, temidas durante a II Guerra Mundial e a Guerra Fria, foram humilhadas na república separatista da Chechênia. Tanto que, ao assumir a Rússia no início do milênio, após servir à comunista União Soviética como agente da KGB, Putin logo tratou de colocar alguns oligarcas não alinhados na cadeia e ir às forras na Chechênia.
— É um bom resumo da ópera de Tchaikovsky. Mas você não está defendendo o Putin, está?
— Vladimir Putin é um canalha amoral, capaz de matar envenenados dissidentes russos até na Inglaterra. Mas é também uma águia da geopolítica. Nos 22 anos da sua ditadura mal disfarçada na Rússia, reafirmou o poder do país na Europa, que não passa de um promontório da Ásia. A única líder europeia capaz de lhe fazer frente durante esse tempo foi Angela Merkel, que não comanda mais a Alemanha. Mas nem ela foi capaz de achar alternativa ao dilema: se Putin fechar o gasoduto da Rússia que aquece a Europa durante o inverno rigoroso deles, os demais europeus teriam que queimar lenha para não morrerem de frio.
— E essa celeuma com a Ucrânia?
— A Ucrânia está para a Rússia como a Bahia ao Brasil. Foi lá que tudo começou. Putin está certo ao cobrar a palavra empenhada em 1990, em nome dos EUA, pelo seu então secretário de Estado, James Baker, do governo George Bush pai. A promessa era de que a Otan não avançaria sobre o Leste Europeu, na área de influência da União Soviética, comandada à época por Mikhail Gorbatchov. Assim como a Ucrânia, ex-república soviética independente há mais de 30 anos, está certa ao querer fazer valer a vontade da maioria da sua população, que deseja a entrada do país na Otan. Para ficar mais próxima das democracias europeias do que das ditaduras de Putin na Rússia, ou do seu aliado Aleksandr Lukashenko, na Bielorrússia. Sem paixões, os dois lados têm as suas razões.
— A Otan é um restolho da Guerra Fria, para selar a aliança militar dos EUA com a Europa Ocidental, após a II Guerra, e tentar conter a expansão comunista da União Soviética. Com o fim desta, desde 1991, a Otan talvez tenha perdido o sentido de existir.
— A Otan, como o Pacto de Varsóvia feito pela União Soviética em resposta, têm o mesmo princípio da jihad islâmica. Em árabe, jihad significa “esforço”, não “guerra santa”, como volta e meia é mal traduzido. Parte do pressuposto de que se eu sou muçulmano e tenho dois vizinhos, você, que também é muçulmano, e outro que não é, se este o agredir, eu tenho obrigação de me aliar a você contra ele. É o mesmo princípio da sororidade feminina.
— Só que, vou repetir: a União Soviética, o Pacto de Varsóvia e a ameaça comunista não existem há mais de 30 anos.
— Só não pode contar isso aos bolsonaristas, pois acordar sonâmbulo é sempre perigoso. Mas, sim, a ameaça à hegemonia dos EUA vem muito mais da pujança econômica do capitalismo de estado da China do que do arsenal nuclear da Rússia. Putin ameaça mais o Ocidente com sua guerra cibernética, que em 2016 ajudou a eleger Donald Trump presidente dos EUA e a Grã-Bretanha a sair da União Europeia com o Brexit, do que com o poder dos seus exércitos.
— Sim, por isso o Carluxo foi junto. Foi afinar contato com os hackers russos e com o Telegram para a eleição de outubro. Mas e o papai chamando Viktor Orbán de “irmão”?
Vereador carioca e gerente do “gabinete do ódio” do pai presidente, o que Carlos Bolsonaro foi fazer na Rússia? (Foto: Reprodução da CNN)
— Orbán é na Hungria o que Bolsonaro queria ser, no Brasil. E não conseguiu por conta da reação das nossas instituições democráticas. Contra o Congresso, o capitão arregou. No lugar de enfrentá-lo, preferiu comprá-lo com os bilhões do Orçamento Secreto, para fazer do Mensalão do PT uma gorjeta e refazer seus laços desde sempre com o Centrão. O mesmo que, na campanha de 2018, era sinônimo de “ladrão” na voz desafinada do general Augusto Heleno. O embate de Bolsonaro agora é com o Supremo e o TSE, que têm no ministro Luís Roberto Barroso um dos grandes vultos da história recente da República. Tudo para tentar emplacar a narrativa mentirosa de fraude na urna eletrônica.
— Sim, como o próprio Barroso definiu, a ladainha contra a urna eletrônica é a “repetição mambembe de Trump”, com o voto pelos Correios nos EUA. Mas os dois têm utilidade. Servem como aquele termômetro do peru de Natal, que nos EUA é mais consumido no dia de Ação de Graças: quanto mais a narrativa subir, maior será a certeza da derrota.
— A liderança isolada de Lula em todas as pesquisas também é, até aqui, uma certeza. O que não está certo, mas também é uma possibilidade, é Orbán perder as eleições legislativas da Hungria em abril, e com ela o cargo de primeiro-ministro, após 12 anos. A ver.
— Será que as coincidências entre Brasil e Hungria chegarão a tanto?
— A maior semelhança entre Brasil e Hungria está no futebol mágico que ambos praticaram nos anos 1950. O canhoto Ferenc Puskás, que hoje batiza o prêmio da Fifa ao gol mais bonito marcado no mundo todo ano, é o nosso verdadeiro irmão húngaro. Não Orbán.
— E ainda temos o romance “Budapeste”, de Chico Buarque, inspirado também na admiração dele pelo futebol de Puskás e da grande Hungria de 1954. Mas e Bolsonaro?
— Começou o governo batendo continência à bandeira dos EUA. E vai terminar após levar flores, em Moscou, ao túmulo do soldado desconhecido do comunista Exército Vermelho, morto contra o nazifascismo na II Guerra. Para depois ecoar na Hungria o lema “Deus, pátria e família” do integralismo, “repetição mambembe” do nazifascismo no Brasil dos anos 1930.
Bolsonaro bate continência à bandeira dos EUA em Houston, no Texas, em 16 de maio de 2019, para depois homenagear o túmulo do soldado desconhecido do comunista Exército Vermelho, em Moscou, na última quarta-feira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Como, na Campos de 2022, os apoiadores do presidente colocaram outdoor com o slogan “Uma nação, um povo, um líder”, copiado de ninguém menos que Adolf Hitler.
Adolf Hitler e seu slogan “Ein Nation, ein Volk, ein Führer” (“Uma nação, um povo, um líder”) copiado em plena av. 28 de Março, em campanha eleitoral extemporânea e ilegal, pelos bolsonaristas de Campos dos Goytacazes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Bolsonaro e o bolsonarismo são o cachorro que morde próprio rabo. E ainda não percebeu que já chegou ao cotoco — sentenciou Aníbal, antes do gole longo de cerveja e de bater o copo esvaziado sobre a mesa do botequim, como martelo de magistrado.
A partir das 7h da manhã desta sexta (18), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Paulo Ganime, pré-candidato a governador do RJ pelo Novo. Ele projetará a eleição ao Governo do Estado em outubro, suas chances e as dos seus potenciais adversários.
Ganime também analisará a pré-candidatura do cientista político Felipe d’Ávila a presidente pelo Novo. Assim como as chances da terceira via e a polarização do pleito, segundo todas as pesquisas, entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Marquinho Bacellar, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Caio Vianna na disputa pela Câmara de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Câmara de Feijó a Marquinho
Desde 1993, quando o então vereador de oposição Paulo Feijó se elegeu presidente da Câmara de Campos, a eleição ontem a presidente do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) foi a maior virada da política goitacá. Há 29 anos, Feijó levou por 11 a 10, com o voto decisivo de Toninho Vianna. Marquinho levou por 13 a 12, com o voto decisivo de Maycon Cruz (PSC). Este havia assinado seu compromisso pela reeleição do atual presidente Fábio Ribeiro (PSD). Que, mesmo com o poder de determinar a pauta, acabou como o maior derrotado. Junto do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), que agora terá dois anos muito difíceis pela frente.
“Depurados” da base, Bruno Vianna, Raphael Thuin e Fred Machado votatam em Marquinho a presidente da Câmara (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Contabilidade da derrota
Traições, mesmo sobre a própria assinatura, ocorrem na política e na vida cotidiana. Mas o governo também contribuiu na contabilidade da sua derrota. Por conta da rejeição ao Código Tributário, desde a sua proposição em maio de 2021, a situação rompeu com os vereadores Bruno Vianna (PSL), Raphael Thuin (PTB) e Fred Machado (Cidadania). Juninho Virgílio, por exemplo, foi um dos que cobraram à época a depuração da base. No lugar de ontem cobrar satisfação a Maycon, poderia estar hoje comemorando, se a base tivesse mantido os votos de Bruno, Thuin e Fred. Após serem “depurados”, os três votaram em Marquinho a presidente.
Rodrigo e Caio (I)
Além de Rodrigo, quem também teve papel importante para derrotar o governo municipal na eleição à presidência da Câmara foi Caio Vianna. Candidato a prefeito derrotado no segundo turno por Wladimir, secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, pré-candidato a deputado federal em outubro e presidente do PDT em Campos, ele trabalhou pelos votos dos vereadores pedetistas Marquinho do Transporte e Luciano Rio Lu em Marquinho a presidente. Rodrigo e Caio foram aliados no período pré-eleitoral de 2020, quando romperam. Há quem diga que, se não o tivessem feito, teriam derrotado Wladimir. Unidos ontem, deram mostra disso.
Rodrigo e Caio (II)
Com a impopularidade do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), Campos saiu das urnas de 2020 dividida em três polos de poder político. Wladimir, que se elegeu prefeito; Rodrigo, eleito deputado em 2018, que ganhou em 2021 a musculatura da secretaria estadual de Governo; e Caio, que nunca se elegeu, mas é bem votado na cidade desde 2016. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara em 2021, Wladimir chegou a fazer um acordo com Rodrigo, mas ambos romperam antes da votação. Fábio só foi eleito presidente após Wladimir costurar um novo acordo, com Caio. Neste início de 2022, contra Rodrigo e Caio, Wladimir foi derrotado.
Voz da experiência de Anthony Garotinho e Nildo Cardoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Experiência ignorada
Em reunião no Farol, na semana passada, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) teria aconselhado a só colocarem a eleição da presidência da Câmara na pauta se o governo tivesse 15 votos garantidos. O conselho da experiência foi aparentemente ignorado e Wladimir agora projeta as dificuldades que terá, como qualquer chefe de Executivo, com um Legislativo controlado pela oposição. Vereador mais experiente entre os atuais 25, Nildo Cardoso (PSL) advertia, mesmo antes da eleição do aliado Marquinho a presidente: “Já participei de sete eleições (de Mesas Diretoras) e estou vendo gente (do governo) comemorando antes da hora”.
Marcelo Feres, atual secretário de Educação
Mudança na Educação
Das mudanças na Câmara às mudanças no governo, a volta às aulas na rede pública de Campos está marcada para 7 de março. E, segundo garantem fontes do primeiro escalão, não há possibilidade de novo adiamento. Mas após a retomada, que a grande maioria dos pais de alunos considera atrasada, a secretaria de Educação deve mudar de mãos. O nome do novo titular da pasta ainda não está definido, mas não deve ser mais o professor Marcelo Feres. Egresso da rede federal, seu currículo é muito respeitado. Mas a dificuldade de adaptação à realidade municipal pesa na decisão. Que deve ser oficializada até o próximo mês.
A volta às aulas na rede pública de Campos está marcada para 7 de março e não há possibilidade de novo adiamento. Após a retomada, que a grande maioria dos pais de alunos considera atrasada, a secretaria de Educação deve mudar de mãos. O nome do novo titular da pasta ainda não está definido, mas não deve ser mais o professor Marcelo Feres. Egresso da rede federal, seu currículo é muito respeitado. Mas a dificuldade de adaptação à realidade municipal pesa na decisão. Que deve ser oficializada até o próximo mês.
Morreu hoje o cineasta, jornalista e escritor Arnaldo Jabor. Tinha 81 anos e estava internado desde dezembro passado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após um acidente vascular cerebral (AVC).
Era egresso da segunda geração do Cinema Novo, movimento brasileiro dos anos 1960 e 1970 com base no neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa. Que buscava intrepetar as grandes diferenças socioeconômicas do Brasil numa ruptura com a influência do cinema comercial de Hollywood. Estreou na direção de longas com o documentário “Opinião Pública” (1967), antes de se fixar na ficção, a partir de “Pindorama” (1971).
Foi na adaptação da dramaturgia de Nelson Rodrigues que Jabor alcançou sua maior resposta de público e crítico como cineasta. Com trilha sonora do argentino Astor Piazzolla, “Toda Nudez Será Castigada” (1972) teve grande bilheteria, além de conquistar os Ursos de Prata do Festival de Berlim de filme e atriz — para Darlene Glória, no papel da prostituta Geni. Seguiria na adaptação de Nelson no filme seguinte, “O Casamento” (1975), também bem recebido por crítica e público.
Seu filme seguinte, “Tudo bem” (1978), rendeu à diva Fernanda Montenegro o prêmio de melhor atriz no Festival de Brasília, em grande desempenho ao lado de Paulo Gracindo. Com o filme, Jabor abriria sua “Trilogia do Apartamento”, baseada em conflitos amorosos e existenciais entre um casal. Que seria completa com “Eu Te Amo” (1980), unindo Sônia Braga e Paulo César Pereio como casal falido pelo “Milagre Econômico” da ditadura militar no Brasil; e “Eu Sei que Vou Te Amar” (1986), já na redemocratização do país.
Nesse último filme, há uma fala que nunca esqueci, por achar que diante dela nenhum homem teria alguma resposta. Protagonista feminina do filme, no meio da discussão acalorada com seu marido vivido por Thales Pan Chacon, Fernanda Torres o ameaça, na interpretação que lhe renderia a Palma de Ouro em Cannes como melhor atriz:
— Vou dar para um homem muito melhor que você. Vou dar pra Tom Jobim!
Jabor migraria do cinema ao jornalismo a partir dos anos 1990, quando o então presidente Fernando Collor de Mello (hoje, senador do Pros por Alagoas) extinguiu a Embrafilme e feriu quase de morte o cinema nacional. Provocador e sem dogmas ideológicos, Jabor estrearia como articulista de O Globo em 1995. Depois, estenderia sua atuação jornalística à rádio CBN, aos jornais Folha de S. Paulo e Estadão. E, na Rede Globo, ao Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e Fantástico.
Vindo da esquerda, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, criticou aquela por ressentimento aos governos deste, quando foi erradicada a inflação hoje de volta ao país. Como questionou os governos petistas de Lula — no qual sempre reconheceu, no entanto, a grande inteligência política — e, sobretudo, ao desastre de Dilma Rousseff. No plano estadual, também sempre foi crítico severo do ex-governador campista Anthony Garotinho (hoje, sem partido), ao qual comparava ao ex-ditador venezuelano Hugo Chávez.
Atentado terrorista do fundamentalismo islâmico às Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001
Como articulista, empreendia por vezes criativos diálogos com Nelson Rodrigues, com quem falava através de um imaginário telefone de galalite preto. Do que li, foi de Jabor a melhor definição do mundo ainda estupefato pelos atentados às Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Nele, o descendente de judeus-libaneses educado em colégio de padres viu no ato terrorista do fundamentalismo islâmico do Al-Qaeda um alerta ao Ocidente pós-iluminista. Que, com o filósofo alemão Nietzsche, tinha “matado” Deus no século 19. Naquele início de século 21, o jornalista advertiu ao final do seu texto:
— Deus está vivo. E se chama Alá.
Como escritor, Jabor deixa os livros “Os canibais estão na sala de jantar” (1993), “Sanduíches de Realidade” (1997), “A invasão das Salsichas Gigantes” (2001), “Amor É Prosa, Sexo É Poesia” (2004) — que rendeu música em parceria com Rita Lee —, “Pornopolítica” (2006), “Eu Sei Que Vou Te Amar” (2007), “Amigos Ouvintes” (Editora Globo, 2009) e o “O Malabarista – Os Melhores Textos de Arnaldo Jabor” (2014). Vários deles se tornaram best-sellers, alguns desde o lançamento.
Jabor ainda voltaria ao cinema com “A Suprema Felicidade” (2010). É uma ficção biográfica da sua própria vida, a partir da perspectiva do filho de um pai oficial da Aeronáutica frustrado por não pilotar jatos, e uma dona de casa cuja alegria de vida vai cedendo às desilusões do casamento infeliz. Tudo ambientado no bucólico bairro carioca da Urca. Se não chegou a ser um grande filme, é um honesto acerto de contas do cineasta consigo mesmo.
Assim como seu assumido mestre Nelson Rodrigues, Jabor foi um crítico mordaz da família burguesa de classe média, da qual ele mesmo era fruto. Nunca foi de fazer concessões, nem veio ao mundo para concorrer a prêmio de simpatia. Como os títulos de vários dos seus filmes e livros indicam, tinha obsessão pelo amor entre mulher e homem. Sem atenuar dessa relação os conflitos. É mais do que se pode dizer da mediocridade reinante — contra a qual apontou o dedo sem dó, mas sempre com compaixão — que deixa para trás.