“O grande inimigo de SJB é o poder público municipal”

 

O grande inimigo de São João da Barra é o próprio poder público municipal”. A afirmação é do eco historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos. E encontra justificativa na constatação do economista Alcimar Chagas, residente em SJB e professor da Uenf: “o aumento das receitas não é mérito dos gestores. O Imposto Sobre Serviços (ISS) proveniente do Porto do Açu, sem fiscalização, contribuiu com 19,6%. E as rendas petrolíferas contribuíram com 33,5% do total (…) uma arrecadação que o poder público não sabe como gastar com êxito (…) para planejar e operar serviços públicos de qualidade”. Outro residente em SJB, o cientista político Hamilton Garcia, também professor da Uenf, não eximiu de culpa o eleitor: “A população paga o preço de seu vício por ‘benefícios’ e falta de espírito público; neste quesito, o sanjoanense não pode simplesmente apontar o dedo para a prefeita sem assumir sua parcela de culpa”.

Hamilton, Arthur e Alcimar, assim como Cristiano Sampaio, advogado com especialidade em Direito Público e presidente do tradicional Grussaí Praia Clube, analisaram em seus muitos aspectos o primeiro ano do quarto governo Carla Machado (PP). Talvez o mais criticado dos 17 anos de domínio do movimento conhecido como “carlismo” em SJB. Onde a grande arrecadação do município — proporcionalmente, 3,6 maior que a de Campos — não se traduz na oferta de serviços e geração de empregos à população. Na nota de 0 a 10 para o governo pedida aos quatro especialistas, Alcimar preferiu deixar a avaliação aos sanjoanenses. Já entre as dadas por Arthur, Cristiano e Hamilton, a média de Carla foi uma nota 4. Se será sufuciente para passar, e ultrapassar os 20 anos do carlismo no poder, só as urnas de 2024 dirão. Baseado no passado e no presente, Cristiano, no entanto, apostou: “Creio que o carlismo se esgotou”.

 

Sâo João da Barra na análise do economista Alcimar Chagas, do eco historiador Arthur Soffiati, do adogado Cristiano Sampaio e do cientista político Hamilton Garcia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha da Manhã – Como vê o recorde de arrecadação de São João da Barra em 2021, com receita orçamentária realizada de R$ 464,3 milhões nos 10 primeiros meses do ano, contrastando com má qualidade dos serviços públicos oferecidos pelo município?

Alcimar Chagas – Primeiro dizer que o aumento das receitas não é mérito dos gestores. O Imposto Sobre Serviços (ISS) proveniente do Porto do Açu, sem fiscalização, contribuiu com 19,6%. E as rendas petrolíferas contribuíram com 33,5% do total arrecadado. Podemos considerar que o ambiente favorável, com operações portuárias, preço elevado do petróleo e dólar valorizado, potencializou uma arrecadação que o poder público não sabe como gastar com êxito. Notamos a ausência de quadros técnicos capazes para formular e implementar políticas públicas de longo prazo, assim como, para planejar e operar serviços públicos de qualidade para a coletividade.

Arthur Soffiati – A meu ver, a Prefeitura tem uma excelente estrutura para arrecadar e uma deficiente capacidade de retornar recursos públicos para o contribuinte na forma de serviços essenciais, como educação, saúde, saneamento na parte que cabe ao município, transporte interdistrital, cultura, lazer e outros deveres do poder público. Ou o desejo inconfesso de não retornar o dinheiro do contribuinte na forma de bens serviços.

Cristiano Sampaio – Penso que SJB segue a mesma prática de Campos, se comparado a um passado não muito distante. No governo Arnaldo Vianna (PDT) ocorreu uma arrecadação esplêndida em razão das receitas da exploração do petróleo. A SJB de hoje representa um modelo idêntico a essa Campos de ontem. Receitas fartas, porém, não direcionadas para o que de fato fará o município grande para os próximos anos. Rios de dinheiro escoados para um transporte público gratuito. Ação puramente populista e já fracassada na região.

Hamilton Garcia – São fenômenos que se devem aos ciclos eleitorais e ao modo como se obtém sucesso com a maioria do eleitorado: geralmente acumulando recursos para serem ofertados em prendas e prebendas às vésperas das eleições. É uma receita que Carla Machado conhece e tem praticado com muita competência em sua vitoriosa carreira. Naturalmente, em desproveito da cidade.

 

Folha – Saúde, educação, administração e gestão ambiental concentraram 83% das despesas liquidadas de SJB, enquanto apenas 0,13% foram gastos em investimento. O município poupou quase 40% das receitas realizadas, enquanto metade da sua população não tem água tratada e saneamento básico. A educação tem avaliação inferior a municípios do Noroeste Fluminense e a saúde é socorrida por Campos em todas as demandas de alta complexidade. Se dinheiro não falta, o que explica esse estado de coisas?

Alcimar – Isso confirma a negação do planejamento municipal. Os gestores gastam mal e de forma concentrada parte importante dos recursos em custeio. E ignoram a necessidade de investimento em projetos de longo prazo. Preferem os superávits elevados. Os gastos concentrados na saúde não protegem os que mais precisam, os gastos em educação não inibem o comprometimento profissional dos jovens e crianças e os gastos em gestão ambiental não inibem os esgotamentos a céu aberto.  Outras funções importantes como agricultura e ciência e tecnologia não tem qualquer importância no orçamento.

Arthur – Sem dúvida, existe uma disparidade entre a receita e a despesa. Vejamos a gestão ambiental. São João da Barra solicitou ao Inea que levantasse pontos merecedores de proteção no município. Eu mesmo fui contactado pelo Inea no sentido de colaborar. Nada aconteceu. O município pretende agora criar uma Área de Proteção Ambiental (APA) para a parte norte da Lagoa Salgada, quando o correto seria integrar a lagoa toda no Parque do Açu. Sei como isso funciona: sanciona-se um diploma legal e nada mais se faz. Não parece que saúde e educação estejam sendo devidamente atendidas. Parece que o dinheiro arrecadado está sendo guardado para o momento eleitoral.

Cristiano – Para além da óbvia preocupação com a falta de investimentos, o que por si só representa a total ausência de um projeto para o futuro de SJB, o que é incompreensível como um município com uma crescente arrecadação, mesmo diante de uma pandemia, com desembolso significativo de valores, tem resultados pífios na educação, bem como, a evidente falta de estrutura da rede de saúde.

Hamilton – De novo, o sucesso eleitoral, que significa a aprovação tácita da população a este tipo de governo. O paradoxo se resolve na percepção egoísta da maioria, que anseia benefícios para si, sem pensar na cidade, imaginando que possa progredir independente dela, sem perceber que o progresso da cidade abre novos horizontes para todos, sobretudo para as gerações em formação.

 

Folha – Promessas de obras de infraestrutura para o Porto do Açu, como um novo acesso rodoviário estadual, passando por fora da cidade de Campos, mais a federal da EF 118, dão a dimensão do impacto desse empreendimento na região. Que, no entanto, absorve muito pouco da mão de obra sanjoanense. Caberia ao município investir na qualificação profissional da sua população economicamente ativa? Por que isso não foi feito?

Alcimar – São quase 50 anos da Bacia de Campos e 15 anos do porto do Açu com muitos discursos sobre emprego e desenvolvimento. Os resultados estão aí! Na verdade, o município não se insere no fornecimento de mão-de-obra e insumos. O conceito de “capacidade de absorção” explica essa situação. É necessário planejar habilidades e negócios inovativos de acordo com os grandes investimentos que chegam. Como a sociedade não tem um padrão razoável de organização e o poder público é omisso e incompetente, as externalidades positivas fogem e somente as externalidades negativas são fixadas localmente.

Arthur – O complexo do Açu não emprega mão-de-obra de sanjoanenses ou porque prescinde dela na medida em que dispõe da sua, já devidamente qualificada, ou porque não encontra, no município, mão-de-obra adequada. A Prefeitura poderia, sim, qualificar mão-de-obra para o Porto. Por que não isso não é feito? Creio tratar-se de uma pergunta a ser dirigida à prefeita. Talvez a auto-outorga do título de baronesa de São João da Barra tenha lhe bastado. Seja qual for a resposta, a verdade é que o município poderia contribuir muito na redução do desemprego em seu território.

Cristiano – Tenho a convicção que o empreendimento Porto do Açu é um polo de oportunidades regional. Deste modo, há que se ter uma coordenação do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Creio que a tão esperada Ponte da Integração, assim como a ferrovia para escoar a produção pelo Porto, são fundamentais para garantir uma logística de expansão. De fato, a qualificação das pessoas é pedra fundamental para o desenvolvimento de uma cidade, e assim sendo, a meu sentir, é dever que recai sobre o município qualificar os seus.

Hamilton – Tudo gira em torno de ganhar as eleições por meio de prendas e prebendas: esta é a dinâmica dos municípios empoderados em petróleo. Política pública é o programa acessório, também pensado em termos puramente eleitorais. É claro que formação profissional é um programa atraente em tese, mas se você pode obtiver renda com menor esforço, então ele vira uma bandeira mais retórica. Ademais, políticas públicas bem estruturadas dão um bocado de trabalho e o secretariado, nestes casos, costuma ser formado dentro de outro espírito.

 

Folha – Também em parceria com o Governo do Estado, foram anunciadas obras como a conclusão da entrada da cidade e a revitalização do Porto São Pedro. Da oposição, o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) tem feitos críticas à falta de investimentos de recursos do próprio município. Como você vê?

Alcimar – Realmente o esforço de investimento é extremamente baixo no município. De 2017 a 2020 o investimento médio foi de 1,28% ano sobre as receitas correntes realizadas. E, em 2021, foi ainda pior. Quanto à parceria com o estado, tenho lá minhas preocupações já que o munícipio tem dificuldades de formalizar projetos, o que é um elemento limitador. É bom lembrar que o TCE-RJ vai cobrar responsabilidade no uso dos recursos do estado transferidos para municípios, ainda mais que as eleições estão na porta. Isso exige a formulação de projetos técnicos que justifiquem a alocação desses recursos para o bem-estar social da população.

Arthur – De fato, com a arrecadação do município, pelo menos o Porto São Pedro poderia e deveria ser revitalizado na medida da sua importância. A reclamação quanto à falta de investimento não parte apenas do deputado Bruno Dauaire, mas também de muitos munícipes. São João da Barra parece a caixa de Pandora da qual até a esperança fugiu.

Cristiano – Reconheço o trabalho do deputado Bruno Dauaire e ratifico suas críticas, até em razão da coerência que devo manter com minhas convicções. Muito embora as conquistas sejam importantes para SJB, na minha avaliação não têm a força para impactar em desenvolvimento a longo prazo. É certo que aos prefeitos ou prefeitas, os agentes políticos que estão não ponta, próximos aos problemas e soluções, têm que assumir devidamente o encargo de promover um crescimento sustentável.

Hamilton – O governo estadual parece disposto e empoderado para fazer investimentos com a mesma motivação imediatista e eleitoreira; portanto, temos a fome com a vontade de comer produzindo os mesmos resultados, entra eleição, sai eleição: o fortalecimento de oligarquias eleitorais às expensas do desenvolvimento da cidade, que se dá por iniciativas externas, quase sempre mal aproveitadas. Curioso é que a família Dauaire se mostrou virtualmente ausente em todo este período.

 

Folha – São João da Barra é um dos poucos municípios fluminenses que ainda não aderiu a nenhum dos grupos da venda de Cedae. Isso, aliado aos problemas já antigos de captação com o avanço da língua salina sobre o rio Paraíba, pode comprometer o abastecimento de água do município?

Alcimar – O abastecimento de água pela Cedae já é um problema há muito tempo no município. Tanto é verdade que o plano de governo da prefeita Carla Machado para 2017 a 2020 considerava a necessidade de conclusão das obras de saneamento em Atafona-sede e a do Telê Santana em Grussaí, que estão estavam e continuam abandonadas. Segundo estimativas dos mesmos governantes que estão no poder hoje, essas obras terminadas teriam a capacidade para atender 20 mil pessoas, o que nos permite concluir que hoje somente 1/3 da população é atendida dignamente com o abastecimento de água pela Cedae.

Arthur – Embora defensor do serviço público, que considero um dever do Estado, vejo que a questão do abastecimento de água em São João da Barra teria dois caminhos: municipalizar o abastecimento ou transferi-lo à iniciativa privada. Manter a captação em local atingido pela língua salina mostra o desinteresse em resolver o problema de imediato. A solução é transferi-la para local mais seguro. A Prefeitura deve exigir essa mudança, o que deve acontecer com outra empresa. De longa data, a Cedae vem se mostrando preguiçosa em resolver problemas.

Cristiano – De fato, é uma incógnita a inércia das administrações que se sucederam a frente do município de São João da Barra nas últimas duas décadas. Note-se que tal temática sequer é abordada como proposta de campanha. Vejo como uma criminosa omissão do município em não cobrar investimentos nessa área. A falta de alternativa quanto a uma nova fonte de captação de água corrobora a afirmativa da falta de investimentos. A língua salina é um fenômeno recorrente, ou seja, não é razoável postergar uma solução.

Hamilton – Até poucos anos atrás a PMSJB sequer tinha contrato com a Cedae e quem conhece seus procedimentos afirma que o tratamento da água é bem precário. O fato é que boa parte da população não confia na qualidade do fornecimento e se tornou consumidora de água de galão faz alguns anos. O curioso é que este não é um tema eleitoral; a água ainda foi objeto de certa reclamação nos momentos de maior escassez, no verão, mas sem comprometer a força eleitoral de Carla Machado.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Folha – O avanço da língua salina é um dos efeitos do avanço do mar sobre o litoral sanjoanense, que já levou muitas casas e ruas de Atafona. Parece consenso que o processo se agravou a partir da construção da Barragem de Santa Cecília, em 1951, que desvia 2/3 da vazão do Paraíba para atender ao Grande Rio no Sistema Guandu. E, nestes últimos 70 anos, nada foi feito. Como se explica essa passividade?

Alcimar – Segundo especialistas a construção da barragem tem papel preponderante no processo de enfraquecimento do rio Paraíba. Nesse caso vejo que a busca de solução para os problemas decorrentes extrapola os limites da política municipal. Porém a responsabilidade continua nas mãos dos governantes que precisam reunir habilidades e competências necessárias para sensibilizar as esferas estaduais e federais sobre os problemas de dimensões substantivas. Ao contrário, o que se observa é uma total passividade desses governantes que preferem “jogar para a galera” com visitas a Brasília visando a autopromoção, sem nenhum efeito real.

Arthur – A Prefeitura tem usado o argumento de que a praia artificial proposta por um setor da população, a exemplo do que foi feito em Marataízes, apresenta alto custo para o município. Sendo verdade, cabe trazer à tona, mais uma vez, que o geógrafo Eduardo Bulhões, da UFF, apresentou uma solução muito mais barata, que consiste em criar uma praia artificial usando apenas areia. Essa praia seria reconstituída periodicamente. A Prefeitura também não se movimentou em relação a essa proposta mais barata e viável para ela. Parece que a falta de resposta mostra o desinteresse por uma solução, qualquer que seja ela.

Cristiano – Em verdade existem estudos sobre o avanço do mar no pontal de Atafona, sendo que uma corrente aponta que a instalação da barragem do Sistema Guandu é a causa desse mal. Recentemente tivemos conhecimento de estudo que avalia o fenômeno do aquecimento global, como uma causa a mais do problema. A solução do rio Paraíba passa necessariamente por uma articulação política em nível nacional. Porém, como quem mais sofre é São João da Barra, cabe ao município provocar tal debate.

Hamilton – Primeiro pela fragilidade do próprio Estado do Rio de Janeiro à época que a cidade do Rio era a capital do país e depois se tornou o Estado da Guanabara. Depois, pelo fato de que a cidade se esvaziou econômica e politicamente, limitando seu poder de pressão. Mas nada é mais significativo do que sua própria incapacidade de auto-organização em defesa própria: mesmo parcialmente revertido o esvaziamento econômico, com a implantação do Porto do Açu, a questão da proteção de sua costa restaria marginal na política local, embora alguma reação tenha se esboçado nos últimos anos.

 

Folha – Com a perda de força de oposição do rio ao mar, desde outubro de 2019 a foz do Paraíba fechou entre Atafona e a antiga ilha da Convivência. E o mar continua avançando, com a ressaca de novembro deste ano ameaçando cerca de 20 casas da rua Beira-Mar, no que restou do antigo Pontal, além do fim da avenida Nossa Senhora da Penha. O governo Carla respondeu com paliativo de auxílio de R$ 1,2 mil para as famílias atingidas e promessa de casas populares. Isso não é enxugar gelo?

Alcimar – Sim, são ações paliativas para acalmar momentaneamente as pessoas atingidas que vão acabar ampliando o grupo dos desprotegidos posteriormente. A velha prática da política populista, cuja estratégia é fugir da solução definitiva dos problemas para criar “facilidades” imediatas que não se sustentam. Assim esses políticos vão ampliando os grupos dos desalentados, aqueles indivíduos sem as condições básicas e fundamentais de sobrevivência. Um verdadeiro exército de dependentes em total condição de subordinação aos grupos de poder. É dessa forma que essas figuras se perpetuam na política.

Arthur – O auxílio financeiro é enxugar gelo até que ele seque. Já a transferência de pessoas que perderam suas casas para lugar mais seguro com uma política habitacional responsável seria o adequado. Uma política responsável consiste em dialogar com os afetados, encontrar área segura para construção de casas e desenvolver novos bairros. Nada parecido com o programa Morar Feliz, de Campos. Mas tudo indica que nada será feito em termos de política habitacional responsável por parte da Prefeitura.

Cristiano – Não vejo como assistencialismo ou enxugar gelo. Se há pessoas desabrigadas ou desalojadas, cabe ao município de São João da Barra amparar essas famílias. Mas não com promessas e, sim, com ações emergenciais. Esse problema já vem de longa data, esse tema já deveria constar do plano de governo. Contudo, estamos tratando os sintomas e não a causa. O rio Paraíba, como corta três estados da federação é de competência privativa da União, ou seja, demanda um projeto a nível nacional.

Hamilton – É o que se tem feito para remediar a omissão de todos estes anos e a perda da oportunidade com a instalação do Porto do Açu e suas condicionantes ambientais, além da disponibilidade de materiais de contenção marítima que foram utilizados na construção dos píer e embarcadouros do próprio Porto. Enfim, uma janela excepcional, que contava com a participação do Estado e da União inclusive.

 

Folha – Além da nítida impressão de que lavou as mãos na questão do avanço do mar, o governo Carla tem sido muito criticado, até pelos sete vereadores da sua base em uma Câmara com nove cadeiras, pelos buracos espalhados em todas as ruas do município, além da péssima conservação da iluminação pública. Política popular, a prefeita tem este seu quarto mandato bastante criticado pela população. Como você analisa?

Alcimar – Vejo que esse grupo politico fez muito mal à população de São João da Barra. Usou a estratégia populista a que me referi anteriormente e foi jogando os problemas para frente. A incompetência técnica, enquanto se busca de materializar um projeto de poder, fez com que os mesmos se perpetuassem como governantes por um longo tempo. E acabaram atingindo um desgaste natural que é da natureza desse formato de governo. Neste processo, o conhecimento cientifico foi ignorado. E as ações de governo beneficiaram grupos de interesse financiadores de campanhas que acumulam riqueza em detrimento do conjunto da população.

Arthur – Quatro mandatos é tempo mais que suficiente para um prefeito mostrar a que veio. Se a Câmara Municipal e os cidadãos criticam a prefeita no seu quarto mandato, alguma coisa está errada. É de se perguntar como a prefeita tem sido reconduzida ao cargo tantas vezes. Até mesmo explicações recorrendo ao aquecimento global e à elevação do nível do mar, ela poderia usar. Mas nem a isso se dá ao trabalho. Quanto à conservação das vias e da iluminação públicas, trata-se de algo elementar que poderia ser verificado por uma pequena equipe de funcionários que percorresse a cidade periodicamente para ouvir as queixas dos munícipes e atendê-los.

Cristiano – Creio que antes de avançar na resposta, é importante uma reflexão. Se a prefeita Carla Machado logrou ser eleita para quatro mandatos, ela só alcançou tal feito através do voto do cidadão sanjoanense. De fato, o município aparenta um abandono na área de infraestrutura, porém, tal carência decorre do próprio orçamento, quando se verifica uma dotação orçamentária pífia em investimentos. Temos então a realidade de que os recursos existem. Mas há carência de vontade política ou competência.

Hamilton – A população paga o preço de seu vício por “benefícios” e falta de espírito público; neste quesito, o sanjoanense não pode simplesmente apontar o dedo para a prefeita sem assumir sua parcela de culpa, ao incentivar esse tipo de comportamento político eleitoreiro em reiteradas eleições.

 

Folha – O debate à sucessão de 2024 já começou em SJB. Nomes de oposição, como o deputado Bruno e o empresário Márcio Nogueira (PDT), segundo colocado na eleição a prefeito de 2020, são ventilados. Entre os governistas, o nome da vice-prefeita Carla Caputi (DC), apesar da inexperiência eleitoral, surge com força. Como projeta esse tabuleiro? E, se Carla conseguir emplacar sua vice e xará, ou outro aliado a prefeito, como não terminar como foi com Neco (MDB), que ela elegeu para depois romper?

Alcimar – Esse grupo político ainda exerce um forte poder sobre parte importante da população. A grande dependência financeira das famílias e de grupos acomodados, que não conseguem viver de forma independente, continua alimentando esse processo. Por mais que núcleos com independência se movimentem no sentido de mostrar o quanto esse governo é perverso para a população, somente o tempo vai indicar as reais possibilidades para o próximo pleito. Particularmente entendo que políticos de carreira não mudarão o rumo do municipio. Acredito em novas forças sem vícios e com comprometimento efetivo com as transformações.

Arthur – Trata-se agora de uma questão que cabe aos eleitores. Cada presente tem futuros prováveis. Existe um passado próximo que deve ser levado em conta. Não se pede à população que recorde de gestores do século XVIII, mas que estão no poder há muito tempo num passado recente. Já se conhece essa história. Ela pode se repetir, não na forma de comédia, mas de tragédia mesmo. A Carla xará ou outro candidato apoiado pela atual prefeita corre o risco de desgaste.

Cristiano – Constato que de fato as articulações para a eleição de 2024 já movimentam o tabuleiro político, entendendo que isso deriva da inevitável impossibilidade de Carla Machado em concorrer a um novo mandato. Todavia, vejo como muito precipitado tal movimento. Percebo que a um nome não elencado acima merece atenção. Trata-se de Elísio Rodrigues (PL), presidente do Legislativo sanjoanense. Inclusive, em manifestações públicas, ele coloca seu nome à disposição para concorrer em 2024.

Hamilton – Tudo indica que a fidelidade dos sanjoanenses a Carla pode ser renovada às vésperas das eleições, com o festival de empreguismo e benefícios de sempre. Mas pode acontecer também que isto se dê apenas de modo parcial, por exemplo, sem contemplar sua candidata à Prefeitura, caso esta não seja capaz de infundir o mesmo sentimento de cumplicidade que Carla tão bem soube construir em sua vitoriosa carreira.

 

Folha – Política e gestora experiente, Carla quase sempre se marcou como prefeita por segurar despesas nos dois primeiros anos, para acelerar o ritmo governo nos dois últimos anos. Essa pode ser a explicação para a atual má fase da sua gestão?

Alcimar – Acredito que a população está mais bem informada e a pressão dos grupos independentes tem se mostrado mais presente. Com as redes socias mais democratizadas não dá para esconder nada. Nesse aspecto, as críticas têm se espraiado mais velozmente e análises mais confiáveis têm chegado às pessoas que antes ficam somente com os agrumemos dos gestores. Até mesmo o Legislativo dependia das informações cedidas pelo Executivo, que muitas vezes se negava a passá-las. Hoje, os instrumentos de transparência facilitaram o acesso à informação e, consequentemente, o acesso às arbitrariedades praticadas pelos gestores.

Arthur – Pode, e deve ser isso. Ela não é marinheira de primeira viagem. O que cabe discutir é se esse tipo de política não é usar os eleitores. O eleitor é responsável por esse tipo de política. Vale a pena passar por dificuldades durante dois anos para viver com certo conforto durante os outros dois? Cabe continuar nessa política antiga de brincar de gangorra? Dirijo as perguntas não apenas aos eleitores, mas à prefeita e aos candidatos.

Cristiano – Creio que essa dinâmica adotada por ocupantes de cargo do executivo, investindo pouco na primeira metade do mandato, com uma aceleração na metade final, é uma prática comum na política brasileira. Talvez isso se dê em razão do senso comum que o eleitor tem memória curta. Outro ingrediente apto a explicar esse marasmo, digamos assim, deve-se ao esgotamento de uma forma de administrar a coisa pública, calcado em um modelo já ultrapassando de fazer política, fundando no clientelismo e no populismo.

Hamilton – Tem sido uma fórmula de sucesso e, não obstante o desgaste verificado, pode tranquilamente continuar sendo, com a ressalva já apontada e até mesmo com uma improvável guinada radical do eleitorado, a depender do poder de mobilização e convencimento de quem a queira substituir no próximo pleito municipal.

 

Folha – De 0 a 10, que nota daria ao primeiro ano do quarto governo Carla Machado? Por quê? E, contando os três mandatos e um ano da prefeita, mais o criticado governo Neco, que saldo você faz de São João da Barra após 17 anos do carlismo? Em sua visão, em que o município avançou, no que estagnou e no que regrediu? Por quê?

Alcimar – Temos um município gerido há quase 20 anos por um grupo político que se beneficiou do “boom” das rendas petrolíferas na primeira década e da chegada do porto do Açu com investimentos de mais de R$ 15 bilhões. Como resultado esses mesmos gestores não conseguiram eliminar gargalos como a falta de água potável para 2/3 da população, a ausência de 55% de esgotamento sanitário, a limitação de renda de 38% da população que vivem com até 1/2 salário-mínimo, desemprego, aumento da miséria, segurança precária, baixo padrão de educação e de saúde pública. Que nota esses gestores merecem? Prefiro deixar para avaliação dos leitores!

Arthur – Difícil atribuir uma nota depois de 17 anos, mas exatamente por entender que uma pessoa que exerce o quarto mandato não é mais uma inexperiente, atribuo nota 3. Na verdade, essa nota oscila de 0 a 3 porque percebo claramente que o município regrediu, apesar de um grande empreendimento convencional atuar em seu território. O mar e o rio não são os principais inimigos da população, porque são forças irracionais. O grande inimigo de São João da Barra é o próprio poder público municipal.

Cristiano – Devo ser coerente com minha avaliação crítica do primeiro ano do mandato de Carla Machado. Deste modo, a meu sentir, a nota 4 representa fielmente o desempenho de sua administração. Justifico minha nota ao constatar que recursos têm, mas faltam projetos. Assim não vislumbro um futuro melhor, até em razão da falta de investimento em infraestrutura. Minha opinião é ácida, pois não vejo avanços. O “carlismo” nas sucessivas gestões foi mais do mesmo. Creio que o “carlismo” se esgotou.

Hamilton – Daria 5, pois o avanço visto na cidade foi mais vegetativo, pelo impacto do crescimento verificado em Campos e a externalidade do Açu, do que fruto de uma estratégia posta em prática por suas lideranças políticas. Macaé inaugurou, este ano, um movimento que projeta o município para 2030, buscando reunir gestores, pesquisadores e a sociedade, para elaborar estratégias de crescimento sustentável, inclusive incorporando o momento pós-petróleo: não se vê nada parecido com isso em SJB, infelizmente.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

De Campos ao Acre, Lula e Bolsonaro nas pesquisas do Brasil

 

Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bolsonaro de Campos ao Acre

Campos deu a Jair Bolsonaro (hoje, PL) 64,87% dos seus votos válidos no segundo turno presidencial de 2018. Foi quase 10 pontos a mais do que os 55,13% da votação nacional do capitão. Não há pesquisa confiável para dizer se a maioria do eleitorado campista continua bolsonarista, ou não. Mas é fato que o município contribuiu menos à eleição do presidente do que o Acre, estado mais bolsonarista do país em 2018. Que deu 77,22% no turno final ao vencedor — 12 pontos a mais que Campos. E, ainda que no empate técnico, o ex-presidente Lula (PT) já ultrapassou Bolsonaro nas pesquisas presidenciais de 2022 até no Acre.

 

Lula no primeiro turno?

Encomendada pela Federação das Indústrias do Acre (Fieac), a pesquisa Perfil deu a Lula 34,5% das intenções de voto daquele estado, contra 33,2% de Bolsonaro. É diferença bem mais apertada do que no resto do Brasil. Nas duas últimas semanas, cinco pesquisas nacionais — Quaest, Ipec, Datafolha, MDA e Ipespe — registraram que, se a disputa fosse hoje, Lula a venceria no primeiro turno. Mas o fato é que Lula sempre precisou de dois turnos para se eleger presidente: em 2002 e 2006. Desde que o segundo turno foi instituído em 1989, só Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente em turno único: em 1994 e 1998.

 

A impossibilidade da rejeição

Com o segundo lugar nas intenções de voto em todas as pesquisas, Bolsonaro ultrapassa os 50% de rejeição em todas elas — na Datafolha bateu 60%, 62% na Ipespe. O que torna sua reeleição aritmeticamente impossível em um eventual segundo turno. Que só existe para que um candidato atinja o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Mais do que aumentar suas intenções de voto dos 20% a 25% em todas as pesquisas, contra um Lula entre 42% e 49% — números maiores se contados só os votos válidos —, o capitão precisa diminuir a rejeição. No que conta com seu Auxílio Brasil, que pagará R$ 400,00 mensais a 14,5 milhões de famílias.

 

Moro e a toalha jogada por Olavo

Terceiro colocado na corrida, isolado em algumas pesquisas, em empate técnico com Ciro Gomes (PDT) em outras, o ex-juiz federal Sergio Moro (Podemos) está cerca de 15 pontos distante do segundo. Seu desafio foi melhor definido pelo jornalista Lauro Jardim: não é Moro x Bolsonaro, mas Moro x o erário. Ainda assim, ciente das grandes dificuldades do capitão em se reeleger, o astrólogo Olavo de Carvalho, considerado “guru do bolsonarismo”, ontem jogou a toalha: “Não venham com esperanças tolas, porque a briga já está perdida”. Traduzindo, goste-se ou não, o fato é que Lula termina 2021 como franco favorito a outubro de 2022.

 

PL no RJ com Bolsonaros e Castro

As articulações presidenciais movimentam também as eleições legislativas no estado do Rio e em Campos. A migração de Bolsonaro e seu clã ao PL, assim como do governador Cláudio Castro, gera expectativa de crescimento das suas bancadas em 2022. O senador Flávio Bolsonaro se reuniu na segunda (20) com o presidente estadual da legenda, deputado federal Altineu Côrtes. A expectativa é eleger de 12 a 16 deputados federais e de 10 a 14 estaduais. Primeiro suplente à Câmara Federal do PL no estado, Marcão Gomes confirmou sua nova pré-candidatura ao cargo em outubro. Mas lembrou que pode voltar a ocupá-lo antes.

 

Marcão aposta

“A chegada do governador Cláudio Castro e do presidente Bolsonaro ao PL irá sacudir o tabuleiro eleitoral do RJ. Tenho conversado semanalmente com nosso presidente Altineu. E há negociações avançadas para a chegada de deputados federais à nossa bancada. O PL pode saltar de partido de força mediana para a condição de maior do estado às vésperas da eleição. Nossa pré-candidatura a deputado federal está consolidada. E há ainda a possibilidade de assumir o mandato em 2022, caso a deputada Soraya Santos ganhe a vaga de ministra do TCU, eleição no primeiro trimestre do próximo ano”, disse Marcão à coluna.

 

Ironias da política ao futebol

A saudação à chegada de Bolsonaro ao PL por Marcão tem dupla ironia. Vereador de Campos por dois mandatos, chegou ao primeiro pelo PT. E só não se elegeu deputado federal em 2018 pela onda bolsonarista. Ironia por ironia, ele devolveu a feita pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD) no Folha no Ar na última sexta (17), sobre quem seria o pé frio na derrota do Flamengo na final da Libertadores em Montevidéu, à qual ambos foram: “Que ele não seja um prefeito pé frio e resolva os problemas do município. E que, na próxima final do Mengão, Wladimir não vá para testar se o pé frio é ele, como disseram os internautas (risos)”, provocou Marcão.

 

“Esquerdas” nas Américas

Além das dificuldades em todas as pesquisas nacionais, Bolsonaro enfrenta conjuntura internacional adversa à sua reeleição. Começou com a eleição presidencial de Alberto Fernández na Argentina em 2019, passou por Joe Biden nos EUA de 2020 e, no último domingo (19), chegou mais perto com Gabriel Boric no Chile. Fernández é peronista e só pode ser considerado de esquerda por quem não conhece nada do peronismo. Biden sempre foi um moderado. Boric, sim, aos 35 anos, representa a esquerda. Mas uma inserida no século 21, que não parou no tempo da Guerra Fria que matou o ex-presidente chileno Salvador Allende em 1973.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Municípios da Bacia de Campos no ranking do PIB

 

Municípios no processo de metropolização da região fluminense da Bacia de Campos

 

William Passos, geógrafo co especialização em estatística e desenvolvimento regional

Campos, Niterói e Maricá entre os maiores PIBs do Brasil

Por William Passos

 

O município de São Paulo concentrou, sozinho, 10,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019, totalizando uma produção econômica de R$ 763,8 bilhões. Os pualistanos tiveram ganho de participação na soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país na comparação com o ano de 2018. A maior metrópole da América Latina, porém, foi seguida por Maricá e Saquarema, que, somadas, adicionaram mais de R$ 47,6 bilhões à produção econômica do país em 2019, evidenciando a força da economia do petróleo da Bacia de Santos. Já Campos dos Goytacazes, que liderou em 2019 a produção da Bacia de Campos, e já foi, em 2012, a 6ª maior economia municipal do Brasil, encerrou o ano de 2019 na 33ª colocação. Das 25 maiores economias municipais do país, 11 são capitais. Os dados são do PIB dos Municípios Brasileiros 2019, divulgado na sexta-feira (17) pelo IBGE,

Com isso, entre os maiores produtores de petróleo do Brasil, o último ano antes do choque econômico pandêmico internacional da Covid-19 fechou com Niterói se posicionando como o 18º maior PIB do país, totalizando uma produção econômica de R$ 46,6 bilhões, graças à produção do petróleo da Bacia de Santos. Maricá, por sua vez, também limítrofe à Bacia de Santos, assumiu a 22ª colocação, totalizando R$ 37,5 bilhões de produção econômica. E Campos, que liderou em 2019 a produção da Bacia de Campos e encerrou 2019 na 33ª colocação, registrou um PIB de R$ 29,1 bilhões.

A produção da Bacia de Campos foi responsável ainda pelo desempenho de Cabo Frio (o 97º maior PIB do país em 2019, com produção de R$ 11,5 bilhões) e de Rio das Ostras (o 153º maior PIB brasileiro, com o total de R$ 7,7 bilhões).

A grande novidade, no caso da Região da Bacia de Campos, foi a economia de Macaé, que posicionou-se como a 71ª maior economia municipal brasileira impulsionada muito mais pela contribuição do setor de serviços e da Administração Pública do que propriamente pela produção da Bacia de Campos. Dentro do total de R$ 15,1 bilhões produzidos pelo município em 2019, a produção extrativa foi apenas a terceira atividade com o maior valor adicionado bruto, o que pode indicar uma tendência de terciarização da economia macaense e de maior amadurecimento do perfil econômico da sede da Petrobras, após mais de 4 décadas do início da produção comercial de petróleo no litoral Norte Fluminense.

Ainda na Região, mas sem grandes surpresas, São João da Barra posicionou-se como a 150ª maior economia do país, com uma produção de R$ 8,0 bilhões, impulsionada pelo Porto do Açu, o 2º maior porto em movimentação de cargas do país, atrás apenas do Porto de Santos.

 

PIB per capita

A economia do petróleo também foi responsável por posicionar os municípios da Região entre as maiores economias relativas do país. Entre os maiores PIB per capita municipais do Brasil em 2019, estão o líder Presidente Kennedy, que totalizou R$ 464.883,49 de produção econômica por habitante, graças ao fato de confrontar seu território aos blocos de exploração de petróleo do Parque das Baleias, situado na porção capixaba da Bacia de Campos.

Maricá, por sua vez, na 16º colocação nacional, liderou o PIB per capital municipal do estado do Rio de Janeiro em 2019, totalizando R$ 232.761,15 de produção econômica por habitante.

Na sequência, entre os municípios fluminenses, surgiram ainda São João da Barra, o 18º PIB per capita nacional, com R$ 220.707,37, e Quissamã, que já foi o 3º maior PIB per capita do Brasil em 2012, mas que fechou 2019 na 33ª colocação nacional, com R$ 154.726,99 produzidos, sobretudo, graças à produção de petróleo da Bacia de Campos.

Entre os municípios produtores de petróleo, no ranking dos 100 maiores PIBs per capita nacionais em 2019, figuraram ainda dois municípios produtores da Bacia de Santos: Saquarema, na 58ª colocação, com R$ 120.175,92 de PIB per capita, e Niterói, na 97ª posição, com R$ 90.643,80 de produção econômica por habitante.

 

Com Bolsonaro de cabo eleitoral, Lula tem desafio maior que a urna

 

Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Instituída no Brasil pela Constituição de 1988, nas disputas a presidente, governador e prefeito de municípios com mais de 200 mil eleitores, o segundo turno visa eleger o chefe do Executivo pelo mínimo de 50% mais um dos votos válidos. O que, nas pesquisas Ipec (antigo Ibope), Datafolha e CNT/MDA divulgadas esta semana, torna a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) aritmeticamente impossível, no eventual segundo turno de 2022. O capitão teve 55% de rejeição na Ipec, 60% na Datafolha e 59,2% na CNT/MDA. Descontada a margem de erro dos três institutos, o resultado é o mesmo: o número de brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em Bolsonaro hoje é maior do que o máximo de eleitores que ele poderia ter.

Se o que define no primeiro turno são as intenções de voto dos candidatos, no segundo entre os dois mais votados, o vencedor final é definido pela rejeição, que fixa o teto de crescimento de cada um. Hoje, o único que aparece com chance real de fechar a fatura no primeiro turno é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Líder isolado da corrida, ele apareceu com 48% de intenções de voto na Ipec, 47% no Datafolha e 42,8% na CNT/MDA. Pelas três, descontados os votos brancos, nulos e ainda indecisos, Lula seria eleito presidente em turno único. No segundo lugar, também isolado, Bolsonaro bateu 21% de intenções de voto na Ipec e Datafolha, com 25,6% na CNT/MDA. A semelhança entre todos os números atesta seu retrato presente da realidade.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As três novas pesquisas da semana colocaram freio no crescimento rápido do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro (Podemos). Que passou a ocupar o terceiro lugar isolado em quase todas as pesquisas anteriores, tão logo entrou na corrida no final de outubro. A Genial/Quaest, feita entre 2 e 5 de dezembro, ouvindo 2.037 eleitores, deu Lula com 46%, Bolsonaro com 23%, Moro com 10% e Ciro Gomes (PDT) com 5%. A Exame/Ideia Big Data, feita entre 6 e 9 de dezembro, ouvindo 1.200 eleitores, deu Lula com 37%, Bolsonaro com 27%, Moro com 10% e Ciro com 6%. Ambas foram divulgadas na semana passada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Divulgadas nesta semana, a Ipec foi feita entre 9 e 13 de dezembro, ouvindo 2.002 eleitores. E deu Moro com 6%, em empate técnico com Ciro, que teve 5%. A Datafolha foi feita entre 13 e 16 de dezembro, ouvindo 3.666 eleitores. E deu Moro com 9%, em empate técnico com Ciro, que teve 7%. Por sua vez, a CNT/MDA foi feita entre 9 e 11 de dezembro, ouvindo 2.002 eleitores. E deu Moro com 8,9%, e Ciro com 4,9%. Ainda que nesta o ex-juiz tenha ficado fora do empate técnico com o ex-governador do Ceará, registrado apenas na Ipec e Datafolha, nas três o ícone da Lava Jato ficou abaixo do simbolismo “mágico” dos dois dígitos nas intenções de voto.

Apesar da impossibilidade matemática de se reeleger, Bolsonaro surge claramente como o eixo da eleição de 2022. Que tende a ser um plebiscito do seu governo, como foi do governo Donald Trump a eleição presidencial dos EUA em 2020. Para terem uma chance, as opções de terceira via no Brasil têm que focar suas baterias contra Bolsonaro, esquecendo de um Lula que tudo indica já estar no segundo turno. O último tiro do atual presidente para tentar reverter sua rejeição é o Auxílio Brasil de R$ 400,00, aprovado por um Congresso comprado com os R$ 17 bilhões do Orçamento Secreto. Entre agosto e dezembro de 2020, enquanto era pago o Auxílio Emergencial de R$ 600,00, foi o único período em que a aprovação popular de Bolsonaro superou a reprovação.

 

Em 7 de narço de 2020, em Mar-a-Lago, na Flórida, Jair Bolsonaro e o então presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Alan Santos/PR)

 

A partir das pesquisas de março de 2022, após o Carnaval, talvez já se tenha ideia se o Auxílio Brasil conseguirá diminuir a rejeição hoje impeditiva de Bolsonaro. É preciso ter dúvidas. Afinal, R$ 600,00 não são R$ 400,00, cujo valor real na comparação direta será, na verdade, R$ 280,00, descontados os 20% da inflação acumulada nos dois últimos anos. São fruto da grave crise econômica que, segundo todos os economistas, vai piorar ainda mais no próximo ano. Consequência do calote nos precatórios — dívidas transitadas em julgado de pessoas físicas e jurídicas a receber da União —, furo do teto de gastos e irresponsabilidade fiscal para bancar um programa populista e eleitoreiro. De um governo que se elegeu em 2018 como “liberal” na economia.

Tampouco ajuda a diminuir a rejeição de Bolsonaro sua guerra particular às vacinas contra a Covid. Não bastassem as centenas de milhares de compatriotas adultos que matou ao atrasar dolosamente a compra de imunizantes, o presidente agora quer colocar em risco a vida das nossas crianças de 5 a 11 anos. Parece ignorar que sua “guerra” a favor da pandemia está perdida, graças à cultura vacinal do povo brasileiro. Não fosse o orgulho boçal por não ter lido nenhum livro nos últimos três anos, poderia descobrir que a Revolta da Vacina já foi lutada e vencida no Brasil, pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, desde 1904. Que contou à época com o apoio de militares comprometidos com o país, como é o contra-almirante e médico Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa.

 

Charge da época de Leonidas Freitas retrata o sanitarista Oswaldo Cruz no enfrentamento à Revolta da Vacina, na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, em 1904

 

Bolsonaro age para tentar cristalizar sua base fanatizada, entre 20% e 25% dos brasileiros, com medo de perder a vaga no segundo turno. Mas, ao fazê-lo, cristaliza também a rejeição que torna impossível para ele se reeleger.

Com inteligência política ainda muito acima dos potenciais adversários de outubro, ou dos que creem ser ele a “a alma viva mais honesta neste país”, Lula nunca teve um cabo eleitoral tão poderoso quanto Bolsonaro. Se hoje cata décimos de voto como arroz para tentar vencer no primeiro turno de 2022, e finalmente se igualar a Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, o petista os soma sabiamente. Sejam da centro-direita, numa possível chapa com o ex-tucano Geraldo Alckmin; sejam da centro-esquerda, na solidariedade pública a Ciro, após este ter sido alvo de operação no mínimo estranha de uma Polícia Federal aparelhada politicamente pelo bolsonarismo.

 

Ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula firmaram pacto pela democracia no Brasil, em almoço na casa do ex-ministro de ambos e do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, em 12 de maio deste ano (Foto: Divulgação)

 

Se confirmar seu favoritismo nas pesquisas, Lula sabe que o mais difícil será governar um Brasil dividido desde as suas famílias. Que não se unirá com sua eventual volta ao poder. Para tentar superar uma crise econômica agravada pela incompetência de Bolsonaro e Paulo Guedes, mas aberta pelos petistas Dilma Rousseff e Guido Mantega. Sem poder surfar mais uma vez as “vacas gordas” das commodities internacionais, teria que provar que tipo de presidente pode ser nas “vacas magras”. Com parte das Forças Armadas disposta a exercer o papel inconstitucional de “Poder Moderador”. E que não estaria disposta a aceitar passivamente um novo assalto “companheiro” à Petrobras.

 

Publicado na Folha da Manhã de hoje.

 

Wladimir: HGG, novo Restaurante, Ponte, Porto, buracos e eleições

 

Com Arnaldo Neto, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

Nota entre 7,5 a 8 ao primeiro ano do governo Wladimir Garotinho (PSD). Foi a nota que o próprio prefeito de Campos se deu durante o Folha no Ar, na Folha FM 98,3, no início da manhã de ontem. Ele falou de sorte e azar no futebol, de Influenza e Covid, da volta às aulas com exigência de vacina, de Réveillon sem shows e verão com eventos, das obras no Hospital Geral de Guarus (HGG), do adiamento do Restaurante Popular de Guarus para 2022, do que falta à conclusão da Ponte da Integração, da polêmica do bônus ao servidor, dos problemas urgentes do Transporte Público, de um novo acesso rodoviário ao Porto do Açu fora da cidade de Campos, da promessa de R$ 78 milhões para tapar os muitos buracos das ruas, de recuperação da infraestrutura rural, do racha na base governista e da relação entre Executivo e Legislativo, da força do setor produtivo ao barrar sua proposta do Código Tributário, do alerta pela folha da Prefeitura superar a sua arrecadação própria, das candidaturas do seu grupo político a deputado federal e estadual, da possibilidade da sua esposa Tassiana ser uma delas, do seu apoio eleitoral ao governador Cláudio Castro (PL), da sua indefinição a presidente entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), do início de um parque ecológico até o fim do seu mandato, da possibilidade de reajuste ao servidor só em 2023, da avaliação da sua administração até aqui, e da ferrovia que pode fazer de Campos, São João da Barra e região “a porta de entrada e saída do mundo”.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Pé frio na derrota do Flamengo na final da Libertadores? – Primeiro, dizer que eu estava em Lima na vitória contra o River Plate (na final da Libertadores de 2019). Então, eu não sou pé frio. Mas, tinha muito campista lá (em Montevidéu), eu encontrei um monte. Eu até postei na minha rede social que o verdadeiro pé frio é o ex-vereador, candidato a deputado Marcão Gomes (PL), que estava lá e que não estava em Lima (risos). Então, acho que o pé frio foi ele.

Vacinação contra Influenza – Ontem, inclusive, vi uma postagem do governador Cláudio Castro agradecendo ao governador de Minas Gerais (Romeu Zema, Novo) por ter mandado doses da vacina para o estado do Rio de Janeiro, e que elas agora serão repassadas aos municípios. Nós estamos com problema de falta de vacina. Assim como tivemos também, durante um período, a falta da vacina da Covid, nós estamos com a falta da vacina da Influenza. Há bem pouco tempo, chegaram 2.500 doses da vacina, mas isso acaba em três, quatro dias, no máximo, porque a procura está muito grande. Realmente existe um surto no estado do Rio de Janeiro inteiro. Em Campos não é diferente, até porque nós somos uma metrópole. Muita gente aqui viaja para o Rio, está nesse fluxo diário. Eu sigo sempre as orientações da minha equipe de saúde: o doutor Charbell (Kury) junto com o doutor Rodrigo Carneiro, na nossa Atenção Básica. São profissionais muito competentes, muito dedicados, e a estratégia que eles definirem é que nós vamos seguir. A gente anunciou também uma repescagem, com pontos de vacinação para a H1N1 e para gripe. A gente não pode colocar em muitos pontos espalhados, até porque tem pouca vacina. Quanto mais vacina chegar, mais pontos a gente pode abrir.

Volta às aulas irreversível com vacina com exigência de vacinação contra a Covid – Ratifico as duas coisas (que Charbell anunciou no Folha no Ar de quinta): tanto que é um caminho sem volta quanto que vai ser cobrado, sim, o comprovante de vacinação. As pessoas precisam se vacinar, já existe a liberação da Anvisa, inclusive, para a vacinação em crianças. A minha filha, por exemplo, de 12 anos, já tomou as duas doses. Meu filho ainda não tomou, ele tem 9 anos, mas a liberação da Anvisa começou agora. Então, meu filho também vai tomar a vacina. E a gente vai, sim, exigir isso. Não é, como alguns ainda tentam colocar, uma ditadura, uma imposição. Muito pelo muito pelo contrário, isso é questão de Saúde Pública. A gente vê o que acontece em vários países quando a vacinação é baixa. Inclusive, a nova variante é derivada da África, que tem pouca cobertura vacinal. Então, a gente vai exigir, sim. É importante que as pessoas entendam isso. E a gente vai voltar às aulas no início de fevereiro.

Sem shows no Réveillon, mas com eventos no verão – Diferente do Rio de Janeiro, capital, onde a queima de fogos é a principal atração, não é o caso aqui de Campos, não é o caso na praia do Farol e nem Lagoa de Cima. Geralmente, o que leva o público são os eventos, são os shows nacionais que a Prefeitura sempre promove. Nós vamos fazer, sim, uma queima de fogos simbólica. Não vamos ter evento algum no Réveillon, para evitar aglomeração. Mas, nós estamos numa fase em que é impossível a gente controlar totalmente as pessoas, e nem queremos isso mais. Campos ainda tem cerca de 33 ou 34 mil pessoas que não se vacinaram nem com a primeira dose. Eu faço aqui um apelo, mais uma vez, para que essas pessoas se vacinem, busquem o posto de vacinação mais próximo. Hoje, não temos mais fila alguma, é só chegar ao posto que vai ser vacinado. Então, quanto ao Réveillon, Campos foi a primeira cidade da região a adotar essa postura. Quanta à programação de verão, nós teremos, sim, com artistas locais, porque eu pedi isso ao Sesc, inclusive. Ao invés de trazer nomes nacionais, vamos priorizar a cultura local, os artistas locais, que sofreram tanto por não poderem trabalhar durante a pandemia. Eles (do Sesc) têm lá uma curadoria que avalia as bandas, os ritmos. E vamos fazer muita força nos eventos esportivos. Vai ter muito evento esportivo: futevôlei, capoeira, beach tennis, durante o verão inteiro. Também eventos culturais, através da tenda cultural. Acho que a programação vai ser boa e vai ser a contento para todos os veranistas do Farol de São Tomé e também de Lagoa de Cima.

Nova ala do HGG até abril – As obras do HGG estão em ritmo aceleradíssimo. Quando você chega de manhã, à noite já é uma realidade completamente diferente. As equipes estão trabalhando até as 22h. Eles me pediram autorização para instalar refletores para trabalho noturno. Eu, obviamente, autorizei. O dinheiro para as obras já está em caixa na Prefeitura, o Estado já repassou. Então, não tem por que pedir que a empresa não acelere as obras. Eu fico, pessoalmente, muito feliz com isso. É uma realidade antiga daquele hospital, que desabava na cabeça das pessoas, que chove dentro, até hoje. Mas, nós temos etapas daquela obra. A primeira etapa é a parte da frente, aquela antiga estrutura metálica, que começou ainda no governo Rosinha e que já está toda concretada, já está com mais da metade do telhado, a parte hidráulica de piso já foi toda feita, e já está começando a levantar parede. Isso em 20 e poucos dias de obra. Então, a nossa previsão é de que, no máximo até abril, a gente entregue 100% concluída a primeira etapa. Aí, a gente vai transferir os pacientes que estão no prédio antigo para essa ala nova. E aí entrar na nova etapa da obra, que é a restauração. Na verdade, é a reforma completa do prédio antigo. São duas etapas de obra. A gente só liberou, por enquanto, a primeira parte, porque não teria condição de fechar o atendimento.

R$ 1 bilhão do Governo do Estado a Campos – O governador Cláudio Castro veio aqui em Campos e anunciou R$ 500 milhões de investimento para a cidade. Eu já posso antecipar que serão mais de R$ 500 milhões, bem mais, até podendo dobrar, podendo chegar a R$ 1 bilhão de investimento aqui no município. Quando eu apresentei os projetos a ele, eu falei que o HGG era prioridade das prioridades: “Cláudio, não adianta a gente fazer nada na cidade se tiver um hospital que é referência para a região inteira caindo do jeito que está”. Não estava na agenda oficial dele a visita ao hospital, mas eu agarrei-lhe pelo braço e falei: “O senhor tem que parar comigo aqui no hospital para ver a realidade do povo e me ajudar a dar uma solução para isso”. Porque, naquele momento, eu não tinha nenhuma perspectiva de ter recurso para fazer aquela obra. Ele, ao entrar no hospital, ficou sensibilizado. Eu corri aqui, junto com a Prefeitura, para fazer o projeto em tempo recorde. Comecei a obra na confiança de que o governador iria repassar o dinheiro, porque, quando a gente começou, o dinheiro não estava nem no caixa da Prefeitura ainda. A gente vai acelerar, sempre que possível, dependendo aí das condições climáticas. Quando chove, é difícil você fazer obra. Mas, por isso até, a gente avançou no telhado, para poder continuar fazendo a obra civil interna nessa primeira etapa do hospital. Estou muito contente.

Restaurante Popular em Guarus prometido para novembro adiado para 2022 – Eu fiz essa pergunta ao secretário estadual de Assistência, o Matheus Quintal. Ele disse que houve um atraso na licitação. Como todos sabem, é uma parceria. O Estado entra fornecendo a alimentação, e a Prefeitura entra com o pessoal de apoio e também, se possível, com o local. Já arrumei o local, é um galpão ali na rua da delegacia em Guarus, a Prefeitura vai reformar. É coisa pequena que precisa fazer lá: pintura e parte elétrica. Mas, eu dependo da licitação por parte do Governo do Estado para o fornecimento da alimentação. O que o secretário me disse é que vai ser licitado ainda dentro do mês de dezembro, para poder começar no próximo ano. Tanto o Restaurante Popular de Guarus quanto o Café do Trabalhador, que vai ser na rodoviária Roberto Silveira, no quiosque da Prefeitura também. O Estado vai fornecer, se eu não estiver enganado, 500 cafés da manhã para o trabalhador na Rodoviária (Roberto Silveira). Até porque, eu disse ao secretário Matheus Quintal que se, por acaso, der algum problema no Café do Trabalhador, a Prefeitura vai assumir por completo, porque é um custo barato. A gente está falando em torno de R$ 40 mil por mês para servir ali 500 cafés da manhã por dia para os trabalhadores na Rodoviária. Como disse, eu confio na parceria com o governador. Eu entendo, até porque sofro com isso também aqui: a burocracia, às vezes, do serviço público na questão de licitação. Você tem edital, às vezes tem impugnação de edital, prazo de recurso.

Ponte da Integração – Estive no Tribunal de Contas (do Estado, TCE) há pouco tempo, numa agenda para tratar de assuntos da Prefeitura de Campos, e perguntei se alguém tinha alguma informação que pudesse me dar a respeito da Ponte da Integração. A gente tem que tomar muito cuidado com o que é ventilado, porque ainda existe pendência no Tribunal. Eu ouvi isso de uma pessoa de dentro do Tribunal, também já tinha ouvido isso do secretário das Cidades, o Uruan Cintra: “Olha, o Estado já tem o dinheiro separado para terminar a ponte, que é pouca coisa, e também já tem os projetos para fazer os acessos. Mas, dependemos de uma pequena autorização do Tribunal de Contas, que disse, naquela época, que não tinha pendência nenhuma. Mas, tem. Tem uma pendência do corpo instrutivo ainda, relacionada àquela obra”. Eu também disse ao governador Cláudio Castro que talvez fosse a obra mais marcante dele para a região. Mas, eu disse isso antes de ver os outros projetos, principalmente no que diz respeito ao acesso ao Porto do Açu, que vai gerar muito desenvolvimento para toda a nossa região. Então, posso afirmar que tem um conjunto de obras, entre elas a Ponte da Integração. Não posso dar prazo, até porque não estou acompanhando de perto esse assunto, mas é uma obra que interessa ao governador, interessa a todos nós, e ele vai estar batalhando para poder resolver. Mas existe ainda uma pendência do corpo instrutivo do Tribunal em relação ao que já foi gasto para fazer a ponte. O que o corpo instrutivo alega é que o valor que já foi gasto para fazer a ponte é muito superior ao contratado, e que a ponte não foi terminada. O caminho que está se tomando no Tribunal é que, se for o caso de se comprovar que já houve um valor muito acima efetivamente pago e a ponte não esteja pronta, que se puna a empresa que está fazendo, não se puna a obra, para que a obra não continue paralisada do jeito que está. Não existe nada que impeça a obra, mas existe impossibilidade de o Estado pagar a empresa. O corpo instrutivo está preparando como vai dar uma saída ao Estado para continuar a obra.

Polêmica do abono ao servidor – O auxílio tecnológico tem dado uma certa polêmica, desnecessária no meu ponto de vista. O abono não é possível ser pago aos aposentados, por uma questão legal. A Previcampos não pode pagar gratificações, auxílios e abonos, a Previcampos só pode pagar salário. É bom explicar que eu anunciei um auxílio tecnológico de R$ 2 mil para toda a rede de Educação. Isso foi, na época, muito comemorado, mas também houve muito pedido e muito questionamento a respeito da nota fiscal que seria exigida pelo auxílio tecnológico. Por que a nota fiscal? Como o dinheiro é federal, é verba do Fundeb, eu preciso prestar conta disso, eu preciso justificar o gasto. Então, dentro de cada processo, porque em cada auxílio eu abro um processo individual do profissional, eu preciso anexar a nota fiscal, para depois prestar contas ao MEC. Mas houve um pedido pessoal, no evento no Trianon, de toda a rede, inclusive o vereador Maicon Cruz (PSC), que é presidente da Comissão de Educação (da Câmara Municipal). Ele fez esse pedido no microfone, em nome de toda a rede, de que não se cobrasse a nota fiscal, porque o salário está defasado. E é verdade. E eu disse, naquela oportunidade, que a Prefeitura estava estudando uma maneira de que não fosse cobrada a nota fiscal. Qual foi a maneira encontrada? A gente só mudou a fonte de recurso para recurso próprio. Nós não estamos dividindo o Fundeb, como alguns estão tentando dizer, para todos os da Prefeitura. Pelo Fundeb teria que apresentar a nota fiscal, a gente preferiu não pagar com o Fundeb e pagar com recurso próprio. E aí, como não tinha a necessidade da apresentação da nota fiscal, a gente estendeu para toda a rede, porque a gente tinha folga de caixa, temos folga de caixa hoje para poder pagar a todos os funcionários da rede. Então, na verdade, houve uma ampliação daquilo que seria o auxílio tecnológico. Seria apenas para a Educação. Hoje, é para todos os funcionários ativos da Prefeitura. Depois, criaram uma história de rateio do Fundeb. Gente, isso não tem previsão legal. Eu lamento que alguns tenham tentado polemizar uma coisa que é boa para todo mundo: eles vão ganhar os R$ 2 mil, como estava prometido. Só mudou o apelido de auxílio tecnológico para um bônus extraordinário, e todos os outros profissionais da ativa também vão receber.

Transporte público – O maior desafio atual de Campos é o transporte público, que também é o maior desafio futuro. Hoje nós amanhecemos com um grande problema, porque ontem teve uma decisão judicial do doutor Eron (Simas, pela 4ª Vara Cível) determinando que as vans deixem de circular (a decisão foi para não circularem nas linhas exclusivas dos ônibus). Inclusive, está gerando desde ontem uma sede de ruídos, hoje pela manhã já está tendo a paralisação. A paralisação foi determinada a partir de segunda-feira, mas já tem van parando hoje, com certeza teremos barulho na cidade, manifestações, enfim. Por outro lado, as empresas de ônibus de Campos estão com a sua frota bastante sucateada, com muito pouco ônibus na rua. Eles alegam, obviamente, passagem defasada, o diesel esse ano subiu mais de 50%. Então, é uma realidade que não tem fácil solução, porque Campos tem 4 mil km², é o quinto maior município em extensão territorial do Brasil. Não é uma equação fácil da gente da gente fechar. Na campanha, eu dizia é que precisava haver o entendimento e que todas as pessoas envolvidas no setor de transporte buscassem uma solução para o transporte de Campos. E eu tentei isso ao longo desse primeiro ano. Eu tive reuniões tanto individuais quanto coletivas com permissionários de van, com empresários de ônibus, mas a conversa não avança, porque não existe compatibilidade de interesses entre os dois modais. É uma situação bem difícil de se resolver. Eu, inclusive, estou, a partir do próximo ano, lançando oficialmente o conselho da cidade, um conselho consultivo, onde a gente vai, com a sociedade civil e com especialistas, debater vários assuntos da nossa cidade. O primeiro tema desse conselho da cidade que eu vou levar é exatamente sobre o transporte público, porque é uma situação urgente, que está latente todos os dias para aquelas pessoas que precisam pegar o transporte para trabalhar, visitar alguma pessoa, e estão com muita dificuldade.

Acesso ao Porto do Açu fora da cidade de Campos – Sobre a questão da mobilidade, com o advento do Porto do Açu bem aqui do nosso lado, eu tenho um estudo da Firjan e do Dnit, do próprio Porto, que, a partir de 2023, nós teremos um fluxo de mais de 1.500 caminhões por dia em direção ao Açu. Você imagina isso tudo passando dentro do município de Campos? É um caos completo, é um caos absoluto. Para nossa sorte, digamos assim, dentro dos projetos do governador que nós estamos discutindo, existe uma rota de acesso ao Porto do Açu ali pela Estrada dos Ceramistas, pegando na rotatória ali do BPRV e seguindo em frente ali por dentro da Baixada Campista, o que não vai atrapalhar o trânsito da BR 356 para quem vai a São João da Barra, e vai tirar o tráfego de caminhões de dentro da cidade de Campos. A obra já está, inclusive, no portal de investimentos do Governo do Estado, que é o chamado Pacto RJ, o portal onde informa as obras que já foram aprovadas e que estão com orçamento empenhado. Essa é uma delas. É uma obra que, segundo o Governo do Estado, vai custar em torno de R$ 400 milhões. O projeto foi feito pelo próprio Porto do Açu, como uma rota alternativa de carga para poder chegar no porto.

R$ 78 milhões para tapar buracos – A Prefeitura de Campos, hoje, tem 10 equipes na rua tapando buraco todos os dias. Só que, infelizmente, é muito buraco. O pavimento da cidade é um pavimento antigo, Rafael (Diniz, Cidadania) não fez nenhum recapeamento em quatro anos. Então, o asfalto se deteriorou e existe uma condição ainda muito ruim do município de Campos em relação a isso. Mas, repito, nós tapamos buracos todos os dias. Eu, inclusive, ouvi de um amigo empresário, que mora aqui na região do Parque Tamandaré, que ele, pelo menos, hoje vê a Prefeitura tapando buraco. A gente sabe que tem muito mesmo. É uma coisa que me incomoda pessoalmente, inclusive. Mas, que pelo menos ele vê a Prefeitura tapando. Desde ontem (quinta) nós estamos tapando os buracos da estrada de Santa Cruz a Lagoa de Cima, que é um pedido antigo. A estrada tem 16 ou 17 km, toda a extensão da estrada estava completamente esburacada. É um trabalho contínuo, não vai resolver rápido, mas a boa é que, dentre os projetos que foram mandados, já aprovados e apresentados, nós temos lá com o secretário de Infraestrutura do Estado, Max Lemos, um grande projeto de recapeamento, principalmente de toda a área central do município de Campos. A princípio, seriam R$ 50 milhões, mas já aumentou, já tem R$ 70 milhões, nós conseguimos um pouco mais através do deputado Bruno Dauaire (PSC), que teve uma cota que ele conseguiu, de R$ 20 milhões de reais, e ele acrescentou aos R$ 50 milhões que eu já tinha conseguido com o governador Cláudio Castro. O processo já está lá, está em fase de instrução processual, de montagem de edital para poder licitar. Então, a gente vai ter o recapeamento de praticamente de todas as ruas da área central de Campos no próximo ano, nessa parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Meu WhatsApp tocou aqui e estão me lembrando que, além desse recurso de asfalto que o governador vai fazer aqui através do secretário Max, em dezembro de 2020, eu já tinha ganhado a eleição de prefeito, mas não tinha tomado posse, o senador Carlos Portinho (PL) destinou uma emenda de R$ 8 milhões a Campos para asfalto. Depois de muita burocracia junto à Caixa Econômica Federal, conseguimos destravar o projeto e a licitação foi marcada para o dia 18 de janeiro.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Receita própria não paga folha de servidor – A gente tem que fazer um ponto de reflexão de que o nosso acordo com o Tribunal vai até o final de 2024. A partir de 2025, não se pode mais usar nenhum recurso dos royalties para pagamento de pessoal, e a cidade precisa ter receita própria. Então, em algum momento, isso vai ter que voltar à pauta. Não é uma questão do Wladimir. Eu posso nem estar mais prefeito, em algum momento isso vai voltar à pauta. Os investimentos que nós faremos no município, tanto individuais quanto em parceria com o governador, são para aquecer a economia, para gerar outras fontes de riqueza, para que a Prefeitura possa ter mais arrecadação. Mas, se fosse hoje, o que a Prefeitura de Campos arrecada hoje de recurso próprio não paga a folha. Então, se eu não tivesse conseguido o acordo com o Tribunal, hoje o funcionário estaria sem salário, isso é uma realidade. Então, que o setor produtivo, a sociedade, os vereadores entendam que, em algum momento, pode ser com o Wladimir prefeito ou não, essa pauta de ajustes no Código Tributário terá que voltar à pauta em algum momento. E é bom que ninguém diga que foi pego de surpresa.

“Grupo terá em Campos dois candidatos a deputado estadual e dois a federal” – O que nós teremos em Campos, do nosso grupo político? Dois candidatos a estadual e dois candidatos a federal. Fora disso, quem quiser ser candidato, quiser disputar a eleição, eu não vou atrapalhar. Mas, eu não tenho compromisso de que a Prefeitura ou que o governo vá também ajudar da maneira. Vamos fazer força política para eleger aqueles com quem nós temos o compromisso assumido.

Garotinho e Marcelo Mérida a federal, Clarissa e Bruno Dauaire a estadual? – A gente está discutindo isso internamente no grupo. A gente não tem essa decisão tomada ainda. Nós vamos toma-la já no início do próximo ano, vamos decidir quem vai representar o grupo nas próximas eleições. Os nomes citados (Garotinho, Clarissa, Mérida e Bruno Dauaire) já são nomes postos, mas, dependendo do cenário, ainda tem uma vaga em aberto. A gente está discutindo internamente para decidir qual vai ser esse nome. Por que eu acho que não tem espaço para três candidaturas a deputado estadual em Campos? Aí é um ponto de discordância minha com o meu pai (em entrevista ao Folha no Ar em 15 de outubro, Garotinho cogitou que seu grupo lançasse dois candidatos a deputado federal e três a estadual): porque nós estamos numa região onde tem deputado. Por exemplo, o deputado Jair Bittencourt (PP) é de Itaperuna, mas ele é meu amigo pessoal e me ajudou muito a construir a minha candidatura a prefeito em Campos. Eu tenho um compromisso também com o deputado Jair de dar um espaço a ele aqui no município de Campos, para que ele possa fazer uma boa votação aqui e garantir a sua reeleição. E também é importante, porque fortalece a nossa região. Sou municipalista, mas também sou a favor da nossa região. Nós temos 22 municípios no Norte e Noroeste que precisam de representação, que precisam agir de maneira conjunta pelo desenvolvimento. Tem o Davi Loureiro (PRP) também, que é ex-prefeito de São Fidélis, um grande amigo da nossa família, que tem desejo de ser candidato a deputado estadual e é daqui da nossa região. Então, eu acho que não tem espaço para três candidaturas de Campos; tem espaço para duas, mas dando algum espaço também para as candidaturas da região. Os nomes estão postos, falta aí, dependendo do cenário de o Garotinho poder reunir condições jurídicas, definir mais um nome. A gente está, internamente, conversando sobre isso. Não há essa definição ainda, mas teremos, sim, já no início do próximo ano.

Apoio a Cláudio Castro para governador – Com certeza, estarei com o Cláudio Castro. Além de estar ajudando o município de Campos do ponto de vista institucional, é uma pessoa por quem eu aprendi a ter carinho, respeito muito grande. Uma pessoa muito habilidosa, muito sensível. Então, eu estarei com Cláudio Castro em qualquer situação, porque a gente tem que ter gratidão pelas pessoas que nos ajudam. Gratidão não prescreve, e ele tem sido muito correto com o município de Campos e tem nos ajudado muito.

Uma certeza a presidente: “não apoiaria Moro” – Eu não tenho posição formada sobre quem eu vou apoiar, mas tenho sobre quem não vou apoiar. Em hipótese alguma eu apoiaria Sérgio Moro, não existe essa possibilidade. Entendo e acompanho pesquisa, que é um retrato do momento, pode mudar. Hoje, a eleição está muito mais pró-Lula pelas pesquisas que eu tenho visto, mas não acho que a eleição esteja definida. Eu discordo do Lula em alguns pontos, concordo em outros, assim como também de Bolsonaro eu discordo em muitos pontos e até concordo em outros, do ponto de vista conservador de princípios. Mas discordo, por exemplo, de muitas coisas no governo Bolsonaro em relação à economia, discordo muito. Então, eu não tenho posição formada ainda em relação a presidente.

Tassiana só será candidata “se acontecer uma coisa muito inusitada” – Sobre a minha esposa ser candidata, há uma pressão popular da rua por isso, onde eu ando, onde ela anda. Mas, eu sou filho e fui, durante um período, de duas figuras públicas ao mesmo tempo: meu pai, governador; minha mãe, depois, governadora, e meu pai, secretário dela e depois candidato a presidente. Enfim, como filho adolescente que era na época, eu sofri muito com a ausência dos meus pais em casa. Não só eu sofri muito, como meus irmãos sofreram muito com isso. Essa é uma decisão pessoal e familiar. Minha esposa não será candidata porque eu acho que os meus filhos, um de 9 anos e uma de 12, precisam neste momento da atenção da mãe na criação e na formação pessoal deles. O pai, que sou eu, tenho pouco tempo. Tento aproveitar o máximo do tempo que posso com eles, mas é uma realidade: o nosso trabalho nos consome muito tempo. Eu não posso tirar a figura materna neste momento do meu filho e da minha filha. “Ah, mas ela não é candidata de jeito nenhum?”. Não, neste momento, ela não é candidata. Só se acontecer alguma coisa muito inusitada. Mas, esse não é o nosso desejo. Só se acontecer alguma coisa muito improvável, que eu não acredito que vá acontecer. Ela seria uma candidata forte, porque é a esposa do prefeito, o governo está medianamente bem avaliado, acho que até bem avaliado, bem acima da média nesse momento; ela é carismática, bonita, eu acho que ela é uma candidata muito forte naturalmente.

Votaria em Clarissa ou Bruno a estadual? – Pergunta maldosa (risos)! Sobre a Clarissa e o Bruno, eu torço para que um seja (candidato) a estadual e o outro, a federal, para eu poder votar nos dois.

Início do parque ecológico até o fim do mandato – O parque ecológico, inclusive, foi pauta de uma reunião minha ontem (quinta), quando recebi a cúpula do Santander no município de Campos para tratar sobre vários assuntos. Eu também já tive uma conversa com o pessoal do Porto do Açu, porque já existe um projeto de parque ecológico conceitual, que é ali na Arthur Bernardes, logo na entrada da cidade, numa área de 320 mil m² que foi desapropriada por Arnaldo (Vianna, PDT) num TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Ele fez um com o Ministério Público, desapropriou uma área que obrigatoriamente tem que ser destinada a um parque público, e, dentro desses 320 mil m² de área, 100 mil m² têm que ser de mata atlântica. Não é uma coisa que se constrói rápido, mas a nossa ideia é, dentro do nosso governo, dentro desses quatro anos, construir o pórtico de entrada, construir pistas de e caminhada e de acesso ao parque e plantar a mata atlântica. E aí depois buscar outras maneiras de melhorar o parque. Mas, é do nosso desejo, já estamos conversando com várias pessoas sobre isso e, se Deus quiser, teremos um parque ecológico dentro do nosso governo, para felicidade geral da nação e para o bem do meio ambiente. A gente vai ter um pulmão verde bem na área central de Campos e bem na entrada de Campos, logo ali no início da Arthur Bernardes.

Possível reajuste a servidor, só em 2023 – É uma equação que precisa ser discutida e debatida com responsabilidade e com verdade. Realmente, a inflação está muito alta, está corroendo o salário. Mas, a folha vai ser, a partir de 2025, 100% paga com recurso próprio. E, hoje, a arrecadação municipal não paga a folha. Então, até como reconhecimento do momento que o servidor vive e o reconhecimento do ano difícil que todos nós tivemos, eu estou dando esse bônus de final de ano. Inclusive, eu queria aqui deixar um o recado para os RPAs que estão me questionando de não receberem o bônus: o RPA é um funcionário autônomo, eu não tenho como dar bônus. Se eu pudesse, eu daria. Mas é uma equação difícil. É justo o pedido do servidor, mas a gente tem que ter responsabilidade, para que a Prefeitura de Campos não tenha problema de caixa e fiscal. Porque, se tiver, o que vai acontecer é salário de funcionário atrasar de novo, é chegar ao limite absurdo, mas que a legislação determina: quando você ultrapassa o limite de responsabilidade, você tem que demitir servidor. Ninguém quer isso. Nem o servidor quer, nem o Executivo quer, e acho que nem a sociedade quer, porque os salários em dia, pagos regularmente, por mais que não se possa dar reajuste, movimentam a economia da nossa cidade. Então, com responsabilidade, nós vamos fazer as projeções, fazer os estudos, torcer para que a economia da cidade reaqueça, que a gente possa tentar conversar com o servidor para o ano de 2023. Eu já disse ao sindicato, já disse aos servidores que para 2022 não é possível. Não tenho arrecadação própria para isso.

Nota de 7,5 a 8 ao primeiro ano de governo – Eu trabalho muito, me cobro muito, me dedico muito, e talvez essa dedicação exacerbada faça o meu olhar ser muito mais crítico também, porque eu vejo problema em tudo. Isso é da minha natureza: querer resolver, ver problema e querer resolver. Mas, pela situação que encontramos e onde conseguimos chegar hoje… A gente tinha um déficit no orçamento previsto de R$ 250 milhões entre receita e despesa, só previsto para frente, fora o que a gente herdou de dívidas reconhecidas e folhas de pagamento em atraso. E a gente não vai ter déficit este ano. A gente vai ter superávit este ano. E o gasto efetivamente, o que vai ser pago, que vai ser colocado na rua entre fornecedor, funcionário, vai ser na casa de R$ 1 bilhão e 800 milhões, que é mais ou menos o orçamento previsto deste ano, que foi de R$ 1 bilhão e 750 milhões, o orçamento que Rafael projetou para este ano. Nós vamos ter de execução, de fato, R$ 1 bilhão e 800 milhões, com melhora dos serviços. Não é ainda da maneira que gostaríamos em algumas áreas, mas a gente vai ter uma execução financeira parecida com o orçamento que foi projetado e com a qualidade de alguns serviços muito melhor do que nós tínhamos. Isso significa que nós temos sobra de caixa hoje, pelos novos recursos que entraram que não estavam previstos, pelo aumento da receita de royalties que teve também esse ano. Mas, é bom se frisar, porque as pessoas muitas vezes comparam a arrecadação de royalties deste ano com a do ano passado somente, mas 2020 não é parâmetro de comparação para nada; 2020 foi um ano em que a economia esfarelou, por conta da pandemia. Se você pegar, por exemplo, a arrecadação de royalties de 2018, que foi o segundo ano do governo Rafael, ele arrecadou mais de R$ 200 milhões a mais do que eu vou arrecadar este ano. Então, o royalty está recuperando em relação ao ano passado, mas ainda é muito menor do que já foi, tanto no governo Rosinha quanto em alguns momentos do governo Rafael. Tivemos recursos novos, que eu consegui, tanto em Brasília quanto no Estado. Nós vamos ter superávit orçamentário e uma sobra de caixa esse ano, o que vai nos permitir, no próximo ano, fazer novos investimentos para poder aquecer a economia da cidade. Então, baseado no que nós encontramos e na dificuldade demonstrada em vários painéis da Folha (sobre a crise financeira do município, publicados entre julho a setembro de 2020), dizendo da dificuldade que o próximo prefeito teria de equilibrar o orçamento do município diante de tantas dificuldades. E nós conseguimos fazer isso em menos de um ano. E, além de ter conseguido equilibrar o orçamento, a gente conseguiu coisas históricas e importantes em tão pouco tempo: não tem paciente em corredor no Ferreira Machado, no HGG. Nunca se viu isso, nem nos tempos áureos da Saúde de Campos (nos governos dos médicos Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber, nas “vacas gordas” dos royalties). Eu convido quem quiser a ir no hospital ver que não tem gente no corredor, amontoada, como tinha antes. Então, a gente já avançou demais. Indo direto agora à nota, eu me daria de 7,5 a 8. Eu acho que pode melhorar, mas acho que nós fizemos um bom trabalho diante da complexidade que o momento exigiu. Eu estou muito animado e otimista para os próximos anos, mas eu acho que este ano 2021 a gente está fechando muito bem, até acima de algumas expectativas. Queria agradecer publicamente a toda a minha equipe, ao meu vice-prefeito, Frederico Paes, aos vereadores que contribuíram para os projetos importantes que nós mandamos para a Câmara. Para mim, Wladimir, valeu a pena. Eu acho que a gente pode avançar, acho que a gente vai avançar, a população vai perceber os serviços melhorando sempre. O mais importante é você acreditar na sua cidade. Campos tem um potencial gigantesco.

Ferrovia ao Porto do Açu – Eu vou dar uma notícia aqui em primeira mão, que eu recebi do secretário estadual de Desenvolvimento, Vinícius Farah: vai ser anunciada em breve uma parceria com o ministro Tarcísio (Freitas, de Infraestrutura) a liberação para início das obras da ferrovia, da EF 118, que vai ligar o Porto do Açu. Já está, foi aprovado no Congresso Nacional, agora recentemente, o novo marco para as ferrovias. Talvez algumas pessoas não tenham ideia da dimensão do que é isso. Campos, São João da Barra e a nossa região vão ser a porta de entrada e saída do mundo através do Porto do Açu. Nós vamos ser, por exemplo, o Centro de Fertilizantes do mundo, que vai ser instalado no Porto do Açu. Nós temos muitas possibilidades a médio prazo, não é nem a longo prazo, é a médio prazo. Então, acreditem na cidade. Eu tenho uma equipe motivada, uma equipe que trabalha muito. É papel dos secretários tocar o dia a dia e o varejo da Prefeitura: a troca de lâmpada, limpeza, tapar o buraco. Esse é o dia a dia, que quem toca é o secretariado. O prefeito não tem como estar 100% no dia a dia, os secretários estão ali para poderem fazer isso. Mas vocês têm um prefeito que trabalha muito, que é muito articulado e que precisa que vocês acreditem que a cidade de vocês tem um potencial gigantesco e teremos dias muito melhores daqui à frente.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Confira abaixo, em três bloco, a íntegra em vídeo da entrevista do prefeito Wladimir Garotinho na manhã de ontem ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3:

 

 

 

 

Wladimir e balanço de 1 ano de governo no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (17), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD). No balanço do primeiro ano do seu governo, ele falará sobre o combate à pandemia da Covid-19 e Saúde Pública, retorno às aulas e ensino fundamental no município. Falará também da retomada da secular vocação agropecuária de Campos, de infraestrutura rural e urbana, além de Transporte Público.

Por fim, Wladimir falará sobre a relação do seu governo com a Câmara Municipal e tentará projetar 2022, inclusive nas urnas de outubro. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Pandemia 2021/2022 em Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Charbell Kury, médico epidemiologista e subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Sanitária. Ele fará uma retrospectiva deste ano de 2021 no combate à pandemia da Covid-19 em Campos, que comandou. Falará também sobre a chegada da nova variante Ômicron ao Brasil e tentará projetar o que esperar da doença no município, no país e no mundo em 2022.

Por fim, Charbell analisará o 1º ano do governo Wladimir Garotinho (PSD), ao qual pertence, e falará das suas expectativas para as urnas de outubro do próximo ano. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

OAB eleita avalia 1º ano de Wladimir e eleições de 2022

 

Filipe Estefan, Carlos Alexandre de Azevedo Campos, Wladimir Garotinho, Cláudio Castro, Lula, Jair Bolsonaro e Sergio Moro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

OAB eleita avalia 1º ano de Wladimir

Fruto de dois processos eleitorais recentes que movimentaram a cidade, em novembro de 2020 e de 2021, como o governo Wladimir Garotinho (PSD) tem seu primeiro ano avaliado pela nova presidência da OAB-Campos? “Daria uma nota entre 7 e 8, talvez um 7. Ele chegou no meio da pandemia, entrou com uma equipe enxuta, avançou bem na Saúde Pública”, analisou Filipe Estefan, presidente eleito da OAB. “Daria um 7,5. Há empenho para melhorar a estrutura de Saúde da cidade”, endossou Carlos Alexandre de Azevedo Campos, vice eleito da OAB. Os dois foram entrevistados da manhã de ontem (13) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.

 

Nota 7

Para Estefan, o governo Wladimir avançou na Saúde, “não só no controle da pandemia, nos mutirões, mas na parceria com os (hospitais conveniados) filantrópicos. Eu fui advogado e diretor jurídico da Fundação Benedito Pereira Nunes (mantenedora da Faculdade de Medicina de Campos e do Hospital Escola Álvaro Alvim). Vejo avanço na recuperação de estradas vicinais, de escolas, de UBS, na limpeza pública. O Caged aponta um saldo positivo na geração de empregos. Colocou em dia o pagamento do servidor, o que é importante para a economia do município. Por isso dou nota 7 ao primeiro ano, mas tem muitos desafios pela frente”.

 

Nota 7,5

“A boa relação com os hospitais contratualizados é fundamental, como foi no enfretamento da pandemia, com decretos bem articulados, uma leitura técnica boa do fluxo de internações. E só não dou uma nota mais alta por conta de três pontos. Nas ruas da cidade, tem que haver uma melhora na questão dos buracos. Também acho que deveria haver uma ação social mais ativa nos moradores de rua. E o ponto mais negativo é o modo pouco democrático em que governo e presidência da Câmara têm atuado para calar a oposição. A tentativa de mudança à fórceps do Código Tributário é um pouco isso”, ressalvou Carlos Alexandre.

 

“Projeção muito boa a Castro”

Eleitos no pleito de uma categoria bastante politizada, na projeção das urnas ao Palácio Guanabara em 2022, os dois advogados apostaram na manutenção do seu atual ocupante. “O cenário seria o Cláudio Castro (PL), o (Marcelo) Freixo (PSB), talvez o (Hamilton) Mourão (PRTB), mas acho que ainda tem que haver algumas composições, que devem começar com força após o carnaval. Vejo uma projeção muito boa para o Cláudio Castro. Tem feito uma gestão bem serena, bem segura; soube organizar, soube compor, soube dialogar.  Acho que ele sai com uma vantagem, com a máquina, inclusive, e está sabendo usar”, avaliou Estefan.

 

“Tendência é Castro crescer”

“Acho que, na reta final para governador, a tendência é o Cláudio Castro crescer. A máquina do governo está funcionando, são muitos municípios sendo abastecidos com recursos estaduais. O plano de recuperação fiscal do estado ajuda isso, o Cláudio Castro é um aliado de Bolsonaro e a União não vai retroceder. O governador vai continuar com orçamento disponível para fazer a política dele e, com isso, adquirir apoio das prefeituras. E, consequentemente, com a devida propaganda, a gente fica sabendo nos nossos municípios o quanto que o governo estadual tem feito”, lembrou Carlos Alexandre.

 

Sem favorito a presidente?

O presidente e o vice eleitos da OAB também opinaram sobre a eleição a presidente da República. Nenhum deles questionou o fato das pesquisas registrarem o ex-presidente Lula na liderança isolada, seguido do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) também isolados, respectivamente, na segunda e terceira posições. “Ainda é cedo, em que pese a maioria dos institutos indicarem o Lula, alguns até em primeiro turno. Não duvido de pesquisas, mas política é igual a nuvem, tem mudanças. Havendo um segundo turno, será uma disputa interessante. E aí não aponto favoritos”, frisou Filipe.

 

Lula x Bolsonaro x Moro

“É meu desejo que, se houver segundo turno, será Lula e Moro. E não descarto o crescimento do Moro a ponto de tirar Bolsonaro do segundo turno. Principalmente se os bolsonaristas mais fanáticos, que são muito antiLula, são muito antiPT, perceberem que Bolsonaro não tem a mínima condição de ganhar de Lula no segundo turno, mas que Moro tem condição, e mudarem o voto. Não consigo imaginar que essas pesquisas estejam mentindo, tamanha a diferença. Em 2018, nunca vi uma pesquisa sequer dando a vitória de (Fernando) Haddad (PT). É uma realidade: a reação ao péssimo governo de Bolsonaro”, interpretou Carlos Alexandre.

 

Prerrogativa do advogado

Além de analisarem um ex-juiz como Moro na disputa presidencial, os dirigentes da OAB assumiram como principal compromisso a defesa da prerrogativa dos advogados na relação com os juízes, além de serventuários e delegados. “Nós enfrentamos no passado essa questão com muito êxito. Quando um profissional é desrespeitado, magoa, ofende, limita a profissão, e não é justo. O primeiro passo sempre será o diálogo”, pontuou Estefan. “A gente não tem como prometer e alcançar volume zero de violação de prerrogativa. O que não se pode suportar são violações sistêmicas; isso é intolerável”, sentenciou Carlos Alexandre.

 

Publicado hoje da Folha da Manhã.

 

Pandemia e planos de saúde no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (15), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Leonardo Ferraz, médico cardiologista e presidente da Unimed-Campos. Ele falará sobre a pandemia da Covid-19 no município com o surgimento da nova variante Ômicron. Ele analisará também a situação dos planos de saúde no Brasil sendo alvos de grandes grupos, alguns internacionais, e da grave crise econômica do país.

Por fim, Leonardo falará sobre as perspectivas da Unimed com a expansão em torno do Porto do Açu. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

OAB-Campos, Wladimir e 2022 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (14), os convidados do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, são os advogados Filipe Estefan e Carlos Alexandre de Azevedo Campos, respectivamente, presidente e vice eleitos da OAB-Campos. Eles falarão da eleição em novembro e das duas propostas para a nova gestão da OAB na comarca. Também falarão da aprovação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) e dos conflitos de Poderes do Judiciário com o Executivo e o Legislativo.

Por fim, Filipe e Carlos Alexandre analisarão o primeiro ano do governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos, e tentarão projetar as urnas estaduais e federais de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Bolsonaro: inimigo nº1 da liberdade de imprensa

 

Fotógrafo Dida Sampaio, do Estadão, agredido por bolsonaristas em manifestação de apoio ao presidente em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

 

Ricardo Noblat, jornalista

Bolsonaro, o inimigo número um da liberdade de imprensa no Brasil

Por Ricardo Noblat

 

Direto ao ponto: embora parte da imprensa não reconheça por medo, cumplicidade ou em troca de favores milionários, o presidente Jair Bolsonaro é hoje seu maior inimigo. Quer dizer: o maior inimigo da liberdade de imprensa no Brasil.

No final de outubro, em Roma, para o encontro dos chefes de Estado das 20 maiores economias, agentes de segurança de Bolsonaro agrediram jornalistas e ele disse depois nada ter a ver com isso. Pior: negou ter presenciado o que aconteceu à sua frente.

 

 

Desta vez não tem como negar porque há filmes. Uma equipe da TV Bahia, afiliada da TV Globo, foi agredida, ontem (12), por seguranças e apoiadores de Bolsonaro durante a visita que ele fez às cidades atingidas pelos temporais no extremo sul da Bahia.

A repórter Camila Marinho foi agarrada pelo pescoço por um segurança, como num golpe de “mata-leão”. Outro tentou impedir que os jornalistas apontassem os microfones em direção a Bolsonaro. Ao ser tocado pelos microfones, o segurança ameaçou:

— Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim.

Bolsonaro limitou-se a afagar o ombro do segurança agressor na esperança de acalmá-lo. Na hora, não o repreendeu com a severidade merecida. Em seguida deu às costas para os jornalistas quando um deles foi atacado por um dos seus apoiadores.

 

 

A campanha eleitoral de 2022 sequer começou oficialmente e as coisas já estão assim por culpa exclusiva do presidente da República que não cansa de mandar os jornalistas calarem a boca, e que já ameaçou “encher de porrada” a boca de um deles.

 

 

Bolsonaro quer uma imprensa subserviente que só lhe pergunte o que ele aprecia responder. Uma fatia da imprensa brasileira comporta-se ao seu gosto, mas a maior parte dela, não. O que ele deseja é o que todos os que o antecederam no cargo desejaram.

Mas há uma escandalosa diferença: desde a redemocratização do país em 1985, somente Bolsonaro expressou sua fúria contra os jornalistas e as empresas que os empregam. Somente ele estimulou a violência contra os que se restringem a cumprir seu papel.

Presidentes em apuros tentam confundir-se com o Estado na esperança de ser poupados de críticas. De fato, sua honra é distinta da honra nacional. Eles passam, o país fica. E muitos acabam sendo reduzidos pela História a simples notas de pé de página.

Não será o caso de Bolsonaro. Nunca um presidente eleito diretamente pelo povo fez tanto mal ao Brasil como ele – e isso deve ser estudado em profundidade para que jamais se repita. Acertos não ensinam. Infelizmente, só aprende-se errando.

 

Publicado no Metrópoles.

 

As lacunas e as contradições de Sergio Moro

 

Moro e Bolsonaro (Foto: Carolina Antunes/PR)

 

Miriam Leitão, jornalista

As contradições e as lacunas de Moro

Por Miram Leitão

 

A senadora Simone Tebet, pré-candidata do MDB à presidência, disse que o investidor não precisa ter dúvidas sobre o posicionamento dela na economia e acrescentou: “Minha história fala por mim”. Esse é o problema com o candidato Sergio Moro, do Podemos, ele não tem história em alguns temas decisivos do país. Em outros, acumula controvérsias. No mercado financeiro já se ouve o farfalhar dos apoios incondicionais à pessoa sem conteúdo definido, como houve em 2018. O autoengano recomeçou.

O problema em torno de Sergio Moro é o quase nada que se sabe sobre suas ideias em várias áreas. Nos 16 meses que ficou no ministério da Justiça, Moro barrou demarcações de terras indígenas, mandou o fracassado pacote anticrime para o Congresso, embutindo nele o excludente de ilicitude, apoiou indiretamente um motim de policiais no Ceará e abonou os sinais de desvios éticos no governo Bolsonaro, quando começaram a surgir.

Para contextualizar os ditos no parágrafo anterior. Havia 17 processos de demarcação de terras indígenas prontos para serem assinados pelo ministro da Justiça. Moro devolveu tudo para a Funai e nunca demonstrou ter qualquer interesse pelo tema indígena. O apoio ao excludente de ilicitude é agressão ao Direito. Ninguém que aposte no devido processo legal pode achar natural essa licença para matar que é bandeira de Jair Bolsonaro.

Na questão da corrupção, que o levou a ser conhecido no país, Moro disse que tinha “confiança pessoal” em Onyx Lorenzoni, quando se descobriu o caixa dois do então coordenador da transição do governo Bolsonaro. Em 9 de janeiro de 2019, diante do relatório do Coaf mostrando as movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ele disse que o presidente já havia esclarecido o caso do ex-assessor do filho. Até hoje o caso permanece não esclarecido.

Houve um evento assustador na sua gestão no ministério. Greve de policial é proibida, porque é motim de pessoas armadas. E que foram armadas pela sociedade com o fim exclusivo de protegê-la. Policiais militares se amotinaram no Ceará, desafiando o governador Camilo Santana e levando medo à população. Moro enviou o coronel Aginaldo Oliveira para resolver o conflito. Lá, o coronel definiu os amotinados como corajosos e gigantes. “É muita coragem fazer o que vocês estão fazendo. Os covardes nunca tentam, os fracos ficam pelo meio do caminho.” Imagine o perigo se todas as PMs do Brasil seguissem a orientação do enviado do ministério da Justiça ao Ceará. Moro foi padrinho do casamento de Aginaldo com a deputada Carla Zambelli e nunca o repreendeu por essa atitude temerária.

Esses são os fatos. Moro não pode ser idealizado. Ele precisa, na campanha, definir suas ideias e propostas. Ter escolhido como conselheiro um bom economista como Affonso Celso Pastore é bom, mas está longe de ser suficiente. Ele, em muitas áreas, é uma página em branco e precisa preenchê-la. Para o bem ou para o mal, os outros candidatos são pessoas com ideias conhecidas.

O ex-presidente Lula está na vida política do país há mais 40 anos e governou o Brasil por dois mandatos. Bolsonaro teve longa vida parlamentar, na qual defendeu atentados à liberdade e aos direitos humanos. Esse tétrico prontuário foi desconsiderado por muitas cabeças pensantes do país. Deu no que deu. O governador João Doria tem um histórico que não é longo, mas testado na administração da maior cidade e do maior estado do país. Ciro Gomes foi prefeito, governador e ministro. A senadora Simone Tebet foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e, no Senado, presidiu a comissão de Constituição e Justiça. Todos podem dizer “minha história fala por mim”. Moro teve curta experiência administrativa e deixou lacunas e contradições.

Há muitos temas que precisarão de respostas em 2022 e não apenas a economia. O ataque de Bolsonaro à democracia exige uma defesa intransigente do pacto democrático de 1988. As ofensas aos negros, as ameaças aos indígenas, o desprezo às mulheres, o preconceito contra a comunidade LGBTQ no governo Bolsonaro aumentaram a urgência da questão da diversidade. É mais do que um debate sobre minorias, é trincheira de defesa da civilização. Os atentados à Amazônia tornaram emergencial um amplo plano de proteção do meio ambiente. A ambiguidade não será aceitável em 2022. O país vive momento dramático e decisivo.

 

Publicado em O Globo.