A partir das 7 da manhã desta sexta (15), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a promotora de Justiça Maristela Naurath. Titular da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos e encarregada das ações de fiscalização da saúde na comarca, ela falará da atuação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) na pandemia da Covid-19. Também analisará a situação do sistema de saúde de Campos e a possibilidade de adoção de lockdown nos municípios da região.
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Enquanto há muita gente enfastiada com o ócio do isolamento social, estes tempos de Covid-19 têm sido de labuta redobrada no jornalismo. Seja para contas as histórias de quem está envolvido com a pandemia — e não há ninguém de fora —, seja para relembrar histórias de antes dela, que não podem ser esquecidas. E, apesar de muito trabalho, há recompensas.
No último sábado (09), matéria publicada aqui e na Folha da Manhã ouviu 18 crianças do ensino fundamental de Campos, das redes pública e privada, sobre a visão de mundo de quem forma a sua em meio à pandemia. E teve boa repercussão local, inclusive a registrada aqui, no perfil do Centro de Ensino pH no Instagram, uma das escolas que teve alunos como personagens.
Já na última terça (12), o blog lembrou aqui o aniversário de 19 anos do falecimento de um campista que conquistou o Brasil e o mundo com a sua arte: Waldir Pereira, que passou à história do futebol como Didi. Mesmo ao lado de Pelé e Garricha, foi considerado o grande craque na conquista da primeira Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, em 1958, na Suécia. Título que repetiria no Bi de 1962, no Chile. Brilhou também em grandes times de clube, como Fluminense e o Botafogo de Garrincha, com passagem pelo também lendário Real Madrid de Puskás e Di Stéfano.
O texto lembrou ainda da homenagem que o gênio da bola recebeu da Folha da Manhã, em 2000. Menos de um ano antes de morrer, no Teatro Trianon, ele recebeu do jornal o prêmio que sua mais famosa jogada batizou: o Folha Seca. Para dar a dimensão do que Didi foi nos campos, o texto recorreu ao auxílio de outros três jornalistas, os campistas Péris Ribeiro e Chico de Aguiar, além do carioca Carlos Heitor Cony, já falecido. A reunião deles acabou reproduzida aqui no site Ultrajano, de outro mestre do jornalismo brasileiro: José Trajano.
Para retratar um presente de crise mundial, projetando nas crianças o futuro de depois da pandemia, sem esquecer de saudar as grandes referências do passado, compensa a certeza de que o trabalho está sendo feito e alcança algum reconhecimento. É o que impulsiona a seguir em frente nesta lida ancestral de contar as histórias da tribo.
O sujeito finge que não vê os protestos pedindo intervenção militar e pelo AI-5 no Brasil. Relativiza ou apoia ataques ao Congresso e ao Supremo. Enquanto se presta a passar pano até no nazismo — no nazismo! — do ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, em pastiche (relembre aqui) do ministro da Propaganda de Hitler. E não tece uma mísera palavra sobre os insultos verbais e a intimidação física, vestidos com a camisa da Seleção Brasileira, contra enfermeiras que protestam pacificamente em Brasília.
Aí esse mesmo sujeito chama de “ditadura” a necessidade de lockdown. Que é apontada pela Fiocruz, pela UFRJ, pelo Imperial College de Londres e todos os especialistas da Terra como única forma de tentar desacelerar a contaminação da pandemia da Covid-19. Na tentativa de não colapsar o sistema de saúde — e o funerário — das regiões mais atingidas. Como se deu na China, no Irã, na Itália, na Espanha e nos EUA. Antes do Brasil se tornar o principal epicentro da doença no mundo, como apontou estudo da USP.
Enquanto a humanidade busca uma vacina ou tratamento eficaz para a Covid-19, fica a dúvida: há cura possível para a estupidez dessa… gente?
“É como se fosse uma crise anunciada. Em que você vê muita gente que pensa assim: ‘Ah, ninguém imaginava que isso nunca poderia acontecer’. Ninguém, porque não estão prestando atenção no que os pesquisadores estavam falando na última década, que a gente estava vivendo uma situação muito clara de que isso era uma questão de tempo. Não era questão ‘se’ ia acontecer, mas de ‘quando’ ia acontecer. E agora a gente está em uma situação de ter que lidar com isso, já que o processo de prevenção não foi feito de maneira adequada. De alguma maneira isso vai passar pela gente, o mundo inteiro está correndo atrás de tentar resolver isso. Mas existe a chance de que vai ocorrer em um curso mais logo do que a gente gostaria”. Foi assim, como algo até certo ponto esperado e evitável, que Leandro Rabello, professor de biologia evolutiva da Uenf, analisou a pandemia da Covid-19 no Folha no Ar do início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3.
Indagado se uma segunda onda da doença pode ocorrer, como há suspeita de estar se iniciando na China e Coréia do Sul, com base no que ocorreu com a última pandemia enfrentada pela humanidade, a da gripe espanhola do Influenza do H1N1 entre 1918 e 1920, Leandro fez algumas ressalvas do ponto de vista científico:
— Uma coisa que os coronavírus de uma maneira geral diferem dos vírus Influenza, que é de uma outra família, é que a taxa de mutação dos coronavírus é menor. O que determina essas ondas de infecção é o parâmetro do R0, que é a medida de transmissibilidade média. Isso depende muito de quantas pessoas tem doentes, quantas saudáveis, suscetíveis e quantas estão imunizadas. Essa imunização pode ocorrer porque a pessoa teve a doença e se recuperou, ou porque foi vacinada. Então, os epidemiologistas estão tentando fazer medidas para mudar esse parâmetro, para tentar evitar o espalhamento dessa doença, sem você ter a ferramenta da vacina. Então o número de doentes, suscetíveis e imunizados vai variando ao longo do tempo. É claro que você pode ter uma segunda onda. Mas, por enquanto, não tem nenhuma evidência que essa segunda onda seja de um vírus geneticamente diferente dessa primeira onda que está indo.
Mesmo se o vírus da Covid-19 não sofrer nenhuma mutação, o que nada até agora indicaria, a questão do isolamento social ainda vai variar de acordo com a diminuição e aumento do número de casos, para evitar o colapso dos sistemas de saúde do mundo. Foi o que professor da Uenf, à qual voltou após lecionar Ciência Naturais quatro anos na Universidade de Hull, na Inglaterra, explicou:
— Com o isolamento, as pessoas estão deixando de pegar o vírus agora e vão pegar mais para frente, numa segunda situação. É de se esperar que, com o isolamento sendo relaxado, você vá tendo outras ondas acontecendo. Mas se você não mudar grande coisa no vírus, o que parece ser por enquanto o caso, essas ondas não serão tão grandes assim. Mas vão acontecendo e esse isolamento tem que ser reimposto para você ter certeza que não vai sobrecarregar o sistema de saúde. Por isso os países estão pensando em relaxar, mas têm que ficar de olho para não sobrecarregar o sistema de saúde. Enquanto você não tiver como mudar a proporção de pessoas imunizadas, por vacinação, você tem que ficar fazendo esse controle para evitar o colapso. Mas o cenário mais perigoso, mais mortal, até agora não tem nenhuma evidência de que seja o caso. Pelo histórico evolutivo dos coronavírus como um todo, pode ser que não aconteça isso em um período relativamente curto. Mas a gente não tem como ter certeza.
Com os trechos da matéria extraídos do segundo bloco, confira nos vídeos abaixo os três da entrevista do Folha no Ar de hoje com Leandro Rabello Monteiro, professor de biologia evolutiva da Uenf. No terceiro, ele esclarece as dúvidas geradas por teorias conspiratórias no Brasil e mundo afora: qual é a origem no novo coronavírus?
A partir das 7h da manhã desta quinta (14), a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina Lima. Citada e instada a falar no Folha no Ar de segunda (11), quando o entrevistado foi o historiador Arthur Soffiati, Cristina respondeu no mesmo dia (confira aqui) às cobranças pela suspensão dos RPAs e das atividades do Museu Histórico e do Arquivo Público de Campos, que garantiu ser temporária. E poderá se aprofundar na questão, além de responder à pergunta: a cultura é sempre a primeira vítima da crise? Ela analisará também o que julga serem os pontos positivos e negativos do governo Rafael Diniz (Cidadania).
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Nélio Artiles, médico infectologista (Foto: Folha da Manhã)
“O lockdown também vai acontecer em Campos. Eu acho que é inevitável. E qual é o critério? É estatístico, você observar a questão da internação, dos leitos que estão sendo utilizados. Isso são decisões que você tem que tomar. No Rio de Janeiro, quando você tem filas para internação, filas esperando a UTI, eu penso sinceramente que a atitude de demorar um pouco, a cada dia que demora, eu penso que serão mais mortes que acontecerão. O lockdown tem que ser imediato na cidade do Rio de Janeiro. E aí você deve avaliar de acordo com o local, você deve ter a autonomia de cada gestor, a responsabilidade. O problema é que muitos gestores não têm essa responsabilidade, não têm bom senso. E aí a gente fica naquela: quem é que vai tomar a atitude pelo outro?” Foram o alerta e a indagação que o médico infectologista Nélio Artiles lançou no início da manhã de hoje, no Folha no Ar, na Folha FM 98,3, sobre a pandemia da Covid-19.
A indagação de Nélio, um dos mais conceituados infectologistas da cidade, seria respondida logo depois. Na ausência de responsabilidade do prefeito de São Fidélis, Amarildo Henrique Alcântara, que insistia em manter aberto o comércio do município da região mais afetado pela pandemia do novo coronavírus. Com maior responsabilidade com a vida humana, o desembargador José Carlos Paes, da 14ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), determinou o fechamento do comércio fidelense, à exceção dos serviços essenciais, até 31 de maio. Tomada desde segunda (10) a decisão judicial, no entanto, só se tornou conhecida na tarde de hoje (confira aqui), após o Folha no Ar com Nélio Artiles.
Ainda sem saber da decisão do TJ-RJ, Nélio Artiles foi indagado na Folha FM se adiantava Campos fechar seu comércio até 31 de maio, enquanto o município vizinho de São Fidélis, com quatro mortes oficiais por Covid-19, cinco outros óbitos sob investigação, 108 casos confirmados e 13 suspeitos, mantinha seu comércio aberto. O infectologista respondeu:
— O pior é que casos graves que acontecem em nosso entorno, acabam sobrando para Campos. Não adianta. O lockdown da gente vai ficar quebrado pelos municípios vizinhos. Infelizmente, nem todos têm o bom senso se tomar a atitude. O ministério da Saúde vinha com o (Luiz Henrique) Mandetta numa linha. E por incompatibilidade política e de entendimento racional, se muda o ministro e entra o (Nelson) Teich. Que mantém a mesma linha, porque cientificamente ele tem que manter, não pode mudar. Mas aí o exemplo do gestor maior, que é o presidente (Jair Bolsonaro) acaba atrapalhando muito essa questão dos outros gestores — observou Nélio.
O infectologista seguiu falando da questão da subnotificação dos casos no país. Segundo estudo recente do Imperial College de Londres (confira aqui), apenas 10,4% dos brasileiros contaminados seriam de fato notificados. No fim de abril, o levantamento acertou a previsão de que o Brasil chegaria aos 10 mil mortos no início de maio. Oficialmente, o número foi ultrapassado no dia 9 do mês:
— É provável que esse estudo inglês mostre que a população quase toda brasileira vai acabar pegando esse vírus, se a gente considerar que é só 10% (dos casos reais que são oficialmente notificados). Será que a população toda da Itália pegou, da Espanha? Toda que eu falo, assim, grande parte, pelo menos os tais 40%, 50% da população. É provável. Porém, o problema é todo mundo pegar de uma vez só. Se trocar de novo de ministro e entrar o Osmar Terra, que preconiza a liberação a abertura total, dizendo que confinado transmite mais, isso vai totalmente contra a ciência. E pode trazer um problema muito sério, que é o adoecimento rápido de muitas pessoas ao mesmo tempo. E você sobrecarrega os leitos todos (hospitalares). Então acho que o lockdown é inevitável. Ele vai acontecer, sim. Porém, não acho que vai ser na mesma linha, ao mesmo tempo. Cada gestor público tem que ter, sim, a sua autonomia e o bom senso. Infelizmente, isso não acontece.
Confira nos vídeos abaixo os três blocos da entrevista com o médico infectologista Nélio Artiles, um dos mais conceituados da cidade. Os trechos destacados na matéria estão no segundo. No terceiro e último há importantes informações de utilidade pública sobre a ação de medicamentos para tentar combater a Covid-19:
Didi, Péris Ribeiro, Chico de Aguiar e Carlos Heitor Cony
O campista Didi foi eleito pela crônica esportiva internacional reunida em 1958 na Suécia, por conta da Copa do Mundo daquele ano, naquele país, como maior jogador da competição. O que significa dizer: do mundo. Desde garoto, ouvia sobre aquele meia direita clássico de passes longos e precisos, por meio de um grande fã e conterrâneo seu: meu pai. Que o vira jogar ainda em Campos, antes de explodir e chegar à Seleção Brasileira na Copa de 1954, na Suíça, quando atuava no Fluminense, clube do coração tricolor do velho Aluysio.
Mesmo após o craque deixar as Laranjeiras, por não aceitar mais ter que entrar pela porta de empregados do clube, meu pai continuaria torcendo por Didi. Que se imortalizaria no maior Botafogo de todos os tempos, ao lado do ponta direita Mané Garrincha, o “Anjo das Pernas Tortas”, e do lateral esquerdo Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”. Com os dois, mais um tal de Pelé, Didi comandaria a conquista da nossa primeira Copa do Mundo.
Em verso, o botafoguense Vinicius de Moraes escreveu no Bi do Brasil em 1962: “A um passe de Didi, Garrincha avança”
Na final, o placar seria aberto logo aos 4 minutos de jogo pela Suécia, dona da casa. E o Brasil sentiu bastante. Mais pelo fantasma da derrota por 2 a 1 para o Uruguai, em pleno Maracanã, apenas oito anos antes, na final da Copa de 1950, do que pelo belo gol do meia esquerda sueco Liedholm, que marcou após driblar os zagueiros brasileiros Bellini e Orlando.
Coube a Didi pegar a bola no fundo das redes, ir caminhando com ela lentamente ao meio de campo. Enquanto acalmava seus companheiros, dizendo: “Acabou a palhaçada! Agora vamos meter bola nos ouvidos desses gringos!”. Já escrevi que foi ali, naquela caminhada elegante e determinada, que o futebol brasileiro ganhou sua maioridade. A final acabaria vencida por 5 a 2 pelo Brasil, com dois gols do menino Pelé. O primeiro teve direito a chapéu sobre o zagueiro dentro da área, arrematado antes da bola tocar o chão, para colocar o gol de Liedholm no chinelo.
Di Stéfano, Didi e Puskás com a camisa merengue do Real Madrid
Apelidado naquela Copa do Mundo, pela imprensa estrangeira, de “Mr. Football”, Didi ficaria mais conhecido pelo epiteto “Príncipe Etíope de Rancho”, dado por Nelson Rodrigues. E seria Bicampeão pela Seleção Brasileira em 1962, quando jogava de novo pelo Botafogo, após passagem frustrada no Real Madrid do húngaro Ferenk Puskás e do argentino Alfredo Di Stéfano, com quem o maior jogador de futebol da história de Campos teria se desentendido.
Em 2000, no show de final de ano promovido pela Folha da Manhã, um prêmio também passou a ser entregue a um campista que tivesse elevado o nome da cidade no Brasil e no mundo. E o primeiro agraciado foi talvez o maior deles: Didi. O duplo do nome do jornal com a jogada mais famosa do craque, um chute que a bola tomava efeito, descaindo súbita ao gol, para enganar o goleiro, batiza até hoje o prêmio: Folha Seca. Não por acaso, coube à cantora Elza Soares, viúva de Garrincha, não só o show da noite, como entregar aquele primeiro Folha Seca ao seu criador.
O cronista esportivo Armando Nogueira foi quem melhor resumiu a “folha seca” de Didi. Para tanto, teve que tabelar com o maior romance de Machado de Assis: “chute oblíquo e dissimulado, como os olhos de Capitu”.
Didi herdou de Zizinho a camisa 8 e a condição de cérebro da Seleção Brasileira
Havia conhecido Didi pessoalmente em 1993, sete anos antes da sua homenagem pela Folha, no Teatro Trianon. Foi numa noite chuvosa do Rio de Janeiro, onde o jornalista campista e amigo Péris Ribeiro lançava seu “Didi — O Gênio da Folha Seca”, na livraria Argumento, no Leblon. A obra continua sendo a melhor referência literária para se conhecer a vida e a obra do gênio do futebol.
Foi naquele evento do livro em que, além de Didi, conheci tambem a sua maior referência nos campos. De quem o campista herdaria a titularidade como meia direita e cérebro da Seleção Brasileira: Zizinho, o Mestre Ziza. Grande craque da Seleção Brasileira vice-campeã de 1950, foi o único meia da história do Flamengo que geraria dúvida na comparação direta com Zico. Maior ídolo também de Pelé, quando Zizinho morreu, em fevereiro de 2002, escrevi uma crônica sobre aquele encontro, depois republicada aqui.
Guiomar e Didi
Em 2000, em contato com Didi antes da noite de homenagem, ele havia me pedido para lhe arrumar um litro de cachaça da terra. Mas, antes de entregá-la, me deu as coordenadas: “Só não pode ser quando Guiomar estiver por perto”. Nos anos 1950, Guiomar era uma vedete e cantora de rádio, que se apresentava vestida de odalisca em programa do compositor rubro-negro Ary Barroso. Depois que ela se se casou com Didi, em escândalo da época, pois o jogador já era casado e tinha filhos, reza a lenda que Ary, despeitado, compôs o samba “Risque”.
Obediente às instruções que eram seguidas em campo por Pelé e Garrincha, esperei um momento em que Guiomar afrouxasse na “marcação”. E entreguei a garrafa de cachaça embalada, dentro de uma bolsa, a Didi. Que recebeu o passe dissimulado comos os olhos de Capitu, com uma alegria nos seus tão grande quanto demonstrou ao receber o prêmio, batizado com a sua jogada, dado pelo maior jornal da sua cidade. Impecavelmente vestido de terno e gravata, emanava em cada mínimo gesto e expressão a elegância principesca que Nelson Rodrigues lhe atribuiu nos campos.
Didi morreria menos de um ano depois, em 12 de maio de 2001, aos 72 anos. Hoje completam-se 19 anos da sua perda. Que o blog homenageia publicando abaixo textos de três outros jornalistas sobre o “Príncipe Etíope”. Dois são campistas: Péris Ribeiro, biógrafo do craque, e Chico de Aguiar. O terceiro, o carioca Carlos Heitor Cony, morto em 2018, publicou o seu na Folha de São Paulo em 2001.
Confira-os abaixo:
Didi com a camisa do Fluminense, que vestiu de 1949 a 1956
Péris Ribeiro, jornalista e flamenguista
Didi, o gênio iluminado
Por Péris Ribeiro
Ganhou ares de pesadelo — e pesadelo com a força do mais arrebatador tango portenho —, certa desdita vivida por Messi. O ano? 2016, em uma Copa América perdida para o Chile, nos pênaltis, em decisão ocorrida nos Estados Unidos. É incrível, mas ainda me lembro bem do seu choro, de sua imensa frustração. E da dura e sofrida realidade, da impossibilidade ante o impossível.
Porém, há de ter doído bem mais, a constatação real de que ainda não seria daquela vez. Nem a jogada genial, nem o gol decisivo. Muito menos, o sorriso refletido na taça. Na subida ao pódio, o sufoco de novo contido.
Quando, em que dia, afinal, ele poderá rasgar o peito e gritar: “Argentina! Argentina campeã!”?
Livro “Didi — O Gênio da Folha Seca”, de Péris Ribeiro, lançado a primeira vez em 1993
Como os deuses da bola sabem ser matreiros, e são tantas e tantas vezescruéis, há muita gente por aí ostentando façanhas de dar inveja. Uma gente, frise-se, capaz de exibir bem pouco mais que um mínimo que seja de talento.
Em compensação, existem certos gênios predestinados. Iluminados.Aqueles para quem a sorte nunca deixou de sorrir. Como Didi, o Príncipe Etíope. Alguém com um dom mágico, capaz de obter o que poucos, bem poucos, puderam na vida. Ainda mais, no sinuoso universo do futebol.
Basta dizer que, festejado em 1962, em Santiago do Chile, como bicampeão mundial, Didi já havia conseguido uma glória particular, toda sua, alguns anos atrás. É que, lá na Suécia, fora consagrado o MaiorJogador da Copa de 1958 – justamente a primeira de todas, na qual o Brasil saiu com as honras de grande campeão.
Aliás, refletindo com serenidade e rigor sobre o tema, não é pouca coisa ser considerado o Maior Jogador de uma Copa do Mundo. Em absoluto! Muito menos, em uma Copa que tem Pelé e Garrincha em campo. E ainda convém lembrar que também havia, nos gramados escandinavos, talentos luminares como os franceses Kopa e Fontaine, o tcheco Masopoust, o húngaro Bozsic e os alemães Rahn e Fritz Walter. Ou o sueco Skoglund, o argentino Labruna, o galês John Charles e o goleiro russo Lev Yashin, já celebrado como o “Aranha Negra”.
Pois ainda assim, e mesmo com todo o tipo de honraria por aí já recebida, nem no ato da heroica conquista em estádios do Chile, Mestre Didi faria por menos. É que, nos atapetados gramados andinos, o elegante e cerebral inventor da “Folha Seca” iria imprimir, pela última vez, a sua marca genial. Particularmente, porque só a ele, e a mais dez ilustres jogadores, seria concedida a honra de um Bi em Campeonatos Mundiais. No caso, oito brasileiros com ele, Didi, nove — e dois italianos.
— Tenho consciência, que fiz por onde chegar a algum lugar. Sei bem disso. Mas sei também que Deus foi bom demais, dando-me além. Quantos fazem por merecer, e nada conseguem? — disse-me Didi certa vez, em um ameno final de tarde. O sol morno e agradável — era início de primavera — como testemunha privilegiada.
Será Messi, um desses definitivos — e imerecidos — desafortunados da bola?
Após a conquista da Copa do Mundo de 1958, o menino Pelé chora no ombro de Didi, consolado também pelo goleiro Gilmar
Chico de Aguiar, jornalista e vascaíno
Didi, o meu rei do futebol
Por Chico de Aguiar
Sem essa de Pelé, Garrincha, Maradona ou Messi. Muito se discute sobre qual é o maior jogador de todos os tempos. Mas não são só esses os grandes nomes do futebol. Tem também o Didi, por exemplo, que foi eleito o craque da primeira grande conquista do Brasil na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. E bicampeão em 1962, no Chile. Quem o viu jogar pode confirmar que digo uma verdade irrefutável.
É indiscutível que Pelé merece a coroa. Foi três vezes campeão do mundo com a Seleção Brasileira — único jogador a conseguir essa conquista — e tem vários outros títulos internacionais, tanto com a nossa Seleção quanto com o seu clube, o Santos. Nenhum outro jogador de futebol foi tantas vezes campeão. Além de ter sido o maior artilheiro dentre todos.
Garrincha é outro craque que tem lá sua claque, sua torcida apaixonada. Tem dois títulos mundiais com a Seleção Canarinho e, jogando ao lado de Pelé, conseguiu a proeza de nunca ter saído derrotado de campo. Exibia um futebol moleque, de dribles e de encanto, que o levou a ficar conhecido como Alegria do Povo, título inclusive do filme de sua vida.
Para os argentinos, por exemplo, a preferência é pelos filhos da pátria, Diego Armando Maradona e Leonel Messi. O primeiro brilhou, o outro ainda brilha nos campos do mundo. Maradona, realmente, exibiu um futebol exuberante de dribles e jogadas mirabolantes. Foi estrela de primeira grandeza na Seleção Argentina e em todos os clubes pelos quais atuou. Mas, uma única vez foi campeão mundial com a Seleção do seu país.
Messi, por sua vez, nunca foi unanimidade com a camisa azul da Seleção Argentina. Embora seja o seu maior artilheiro, várias vezes fracassou, talvez por não ter tido ao seu lado companheiros do mesmo nível técnico do seu futebol. Ao contrário, no Barcelona, o seu clube, Messi sempre esteve muito à vontade, sendo o atleta mais valorizado. No clube catalão, Messi foi várias vezes campeão, espanhol ou em outras taças europeias.
Quanto ao Didi, foi craque do mesmo nível desses que já foram citados aí em cima. A diferença era a função que desempenhava em campo, na armação das jogadas para os atacantes. Porém não se eximia da função de executar o último arremate, com a famosa folha-seca, o chute mais perigoso e temido por todos os goleiros do mundo. Didi não se destacou como artilheiro, mas foi o cérebro da Seleção Brasileira e de todos os times dos quais vestiu a camisa.
Exaltado pelos grandes cronistas de esporte que viveram sua época, Didi foi particularmente homenageado por Nelson Rodrigues — o maior dramaturgo brasileiro —, que lhe deu o título de Príncipe Etíope de Rancho, por seu toque na bola sempre bonito e elegante, pelos dribles desmoralizantes e pelos passes preciosos, curtos ou de 40 metros.
Mesmo após deixar os campos, Didi e sua maior paixão
Carlos Heitor Cony, jornalista e tricolor
Didi
Por Carlos Heytor Cony
Que Pelé, Garrincha, Jair da Rosa Pinto, Nilton Santos, Zico, Rivelino, Gérson, Zizinho e Romário me perdoem. Mas o maior jogador que vi jogar foi Waldir Pereira, o Didi, que conheci com a camisa tricolor do Madureira e, mais tarde, com a camisa tricolor do meu time, o Fluminense.
Vestiu outras camisas, inclusive aquela desbotada da antiga seleção nacional, quando foi bicampeão mundial. Em 1958, na Suécia, Pelé foi o herói. Em 1962, no Chile, foi Garrincha. Mas nas duas ocasiões, o maestro, o eixo sobre o qual o time girava, era Didi.
Nunca houve jogador elegante como ele. A imagem que Nelson Rodrigues criou é definitiva: o príncipe de rancho, o príncipe etíope que desfilava arrastando um manto de arminho e púrpura.
Devo a Didi o meu afastamento da torcida em campo. Quando o Fluminense vendeu seu passe para o Botafogo, jurei nunca mais assistir a jogo do meu time. Com raríssimas exceções, cumpri o juramento.
A história oficial garante que ele inventou a folha-seca num jogo da seleção contra o Peru, em busca da classificação para a Copa do Mundo. Não foi bem assim. Foi numa partida do Fluminense contra um time suíço, cujo nome, traduzido, era “gafanhoto”. A camisa dos caras era verde, daí o nome.
Foi no Maracanã, nas balizas que foram dedicadas a Ghiggia, quando deviam ser dedicadas a Didi. Ali ele marcara o primeiro gol no estádio, num amistoso Rio e São Paulo. Ali ele fizera a primeira folha-seca, o chute que fazia da bola uma pluma ao vento, tal como a mulher, segundo o Duque de Mântua no “Rigoletto”: mudava de inflexão e de pensamento.
Entrevistei-o uma vez, em sua casa na Ilha do Governador. Ele não era elegante apenas em campo. Nunca entrevistei o Aleijadinho nem o Machado de Assis. Mas acho que já entrevistei um artista genial.
A partir das 7h desta quarta (13), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Leandro Rabello Monteiro, professor de Biologia Evolutiva da Uenf, após lecionar Ciências Biológicas na Universidade de Hull, na Grã-Bretanha. Ele falará das interrelações entre o homem e os vírus através da evolução, sobre a pandemia da Covid-19 pela perspectiva da ciência, além da origem e do futuro do novo coronavírus.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta terça (12), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o médico infectologista Nélio Artiles. Ele falará da necessidade de lockdown no estado do Rio para conter a pandemia da Covid-19, alertada desde em estudo da Fiocruz (relembre aqui) desde quarta (06). Também analisará a ampliação do fechamento do comércio de Campos e impôs restrição à prática de exercícios físicos ao ar livre, estabelecida (confira aqui) no novo decreto de hoje, até 24 de maio. E falará sobre a taxa de ocupação dos leitos de UTI da rede pública, contratualizada e privada do município.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Questões levantadas hoje pelo historiador Aristides Soffiati no Folha no Ar, sobre o Museu Histórico e o Arquivo Público de Campos, foram respondidas depois do programa pelo prefeito Rafael Diniz e a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina Lima (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Nós passamos quatro anos sem Biblioteca Municipal. E agora estamos sem Museu e sem Arquivo. Eu não sei se isso é de fato um fechamento definitivo disfarçado de algo relativo à crise econômica e crise causada pelo vírus, que eu acho perfeitamente justificável, ou se é uma coisa que vai passar e essas pessoas vão voltar a trabalhar. Agora pergunto: vai voltar? Acho que caberia não só à gestora de cultura do município se pronunciar publicamente, mas ao prefeito dar uma garantia para nós de que Arquivo e Museu são instituições muito importantes à cultura de um município da estatura de Campos. Como é que fica isso?” Foi o que indagou no início da manhã de hoje historiador Arthur Soffiati, no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3. Que dedicou seu último bloco à questão do Museu Histórico e do Arquivo Público Municipal. com a suspensão dos RPAs que trabalhavam nas duas instituições. Após o programa, o blog ouviu o prefeito: “Por óbvio é temporário”, garantiu Rafael Diniz. E foi reforçado pela presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima: “Nunca houve a possibilidade de não voltar”, confirmou Cristina Lima.
— No caso de Rafael, que é (pré-)candidato também, o que ele teria que dizer em um momento como esse. (Acha que seria:) “Olha, eu fechei temporariamente o Arquivo, porque faltam recursos, a gente está vivendo um momento difícil, mas eu vou voltar e vou chamar esse pessoal todo”. O pessoal que trabalha nas instituições (Museu e Arquivo) não pode ser qualquer um, é um pessoal treinado, tem que ter experiência. E não pode ser mandado embora, nem trocado por outro assim, da noite para o dia. Eu vi ontem a manifestação de Dom Roberto (Ferrería Paz), o bispo de Campos, a favor do Arquivo e a favor do Museu. Eu também estou a favor do Arquivo e a favor do Museu — frisou Soffiati. E foi respondido pelo prefeito:
— A gente está devendo a esses RPAs. Essa reivindicação deles é justa. Só que, como as atividades do Museu e do Arquivo foram suspensas, por conta da pandemia da Covid-19, e esses RPAs não estão trabalhando, não tenho como pagar a eles durante o período de paralisação. Por óbvio é temporário. Assim que a pandemia passar e a vida voltar ao normal, no que será considerado normal após a Covid, as atividades voltarão. Não tem como a gente fechar definitivamente o Arquivo e o Museu. Prova da importância que damos a essas instituições está na dedetização promovida recentemente no Arquivo, assim como o sistema contra incêndio que estamos instalando no prédio (Solar do Colégio, erguido pelos padres jesuítas em meados do séc. XVII) — lembrou Rafael Diniz, em resposta às questões levantadas no Folha no Ar.
— Em 18 de março, as atividades do Museu e do Arquivo foram suspensas por conta da pandemia. Os RPAs recebem por serviços prestados. Se os serviços deixaram de ser prestados, pela necessidade de isolamento social, continuar pagando poderia até configurar improbidade. Por conta da crise econômica, os RPAs já estavam estão com quatro meses de salários atrasados. Como os DAS, estão com dois meses e meio de atraso. Eles estão certos em reivindicar o recebimento. Assim como é legítima a preocupação dos historiadores e pesquisadores com a a retomada dos trabalhos dessas duas instituições. Mas nunca houve a possibilidade de não voltar. A manutenção, que já não vinha sendo feita por conta do atraso nos salários, é que vai permanecer temporariamente suspensa. Mas não é nada que vá comprometer a estrutura e o acervo. E é bom lembrar que, além da dedetização feita no Arquivo ano passado, estamos instalando nele um sistema contra incêndio. No governo Rosinha, sem nenhuma pandemia, o Arquivo passou alguns anos fechado e foi reaberto — comparou Cristina Lima.
Durante o Folha no Ar da manhã de hoje, o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Marcelo Sampaio, também professor de História, enviou uma nota de repúdio. Que foi aprovada no sábado (09), em teleconferência, por todos os 13 integrantes do Conselho. E foi lida na abertura do último bloco da entrevista com Soffiati:
— O Conselho Municipal de Cultura de Campos dos Goytacazes em sua última reunião ordinária, realizada no dia 9 de maio através de uma webconferência, decidiu por 13 votos a zero publicar esta nota de repúdio ao desligamento de RPAs e estagiários remunerados lotados no Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, Museu Histórico de Campos, Teatro de Bolso Procópio Ferreira e Teatro Municipal Trianon assim como ao corte dos contratos dos professores substitutos. Apesar de terem conhecimento da difícil situação financeira vivida atualmente pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, os conselheiros decidiram por unanimidade tornar pública a não aceitação destas decisões governamentais, por entenderem que nestes tempos de crise na saúde, economia e política estas medidas só pioram ainda mais o quadro em nosso município. Com o objetivo de tentar minimizar as danosas consequências das referidas decisões, o Conselho Municipal de Cultura de Campos dos Goytacazes também decidiu convidar para prestarem maiores esclarecimentos sobre os respectivos assuntos as gestoras responsáveis pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte.
Hoje, depois da entrevista com Soffiati no Folha no Ar, A Associação Nacional de História, Anpuh Brasil, também se manifestou sobre o que classificou como “desmonte do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho e do Museus Histórico de Campos dos Goytacazes”. Confira abaixo:
ANPUH-BRASIL CONTRA O DESMONTE DO ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL WALDIR PINTO DE CARVALHO E DO MUSEU HISTÓRICO DE CAMPOS DO GOYTACAZES
A Associação Nacional de História, ANPUH-Brasil, se une às demais instituições de Campos de Goytacazes e Rio de Janeiro na denúncia e no protesto contra o desmonte do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho e do Museu Histórico de Campos do Goytacazes. Ambas as instituições sofreram recentemente um corte de pessoal em suas equipes, prejudicando enormemente a rotina de trabalho do Arquivo e do Museu da Cidade.
Criado há 18 anos, o Arquivo Púbico Municipal foi eleito no ano passado como um dos cinco melhores do país, pela Câmara Setorial de Paleografia e Diplomática, órgão atrelado ao Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), após reunião dos Arquivos Públicos do Brasil. Em 2017, o Arquivo já havia colhido os frutos do trabalho de sua equipe, ao vencerem na categoria de Preservação de Bens Móveis e Imóveis; premiação chancelada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
O Museu Histórico de Campos de Goytacazes, por sua vez, tem sido marcado por vários desafios, desde a sua territorialização até a conquista da visibilidade que lhe é devida. Nos últimos anos, se firmou como um notável espaço de memória da cidade, com exposições que despojam algumas das questões centrais do passado da cidade, como a recente exposição sobre o Dia da Consciência Negra.
O desmonte perpetrado naquelas instituições inviabiliza a continuidade dos importantes serviços prestados à sociedade de Campos de Goytacazes. Apesar da indispensável quarentena recomendada pelas autoridades sanitárias, os trabalhadores das referidas instituições estavam ativos em espaços online, mantendo contato com a comunidade, na certeza da relevância de suas atividades a nível regional e nacional. Além disso, a desarticulação das atividades realizadas implica também a preocupação com a manutenção e preservação dos acervos ali acolhidos; patrimônios públicos da cidade e do país.
Pelas razões aqui expostas, solicitamos que sejam tomadas providências para a manutenção do funcionamento destas instituições. Estamos solidários e compromissados com toda a equipe de trabalhadores instalados no Arquivo e no Museu de Campos de Goytacazes; exemplos de funcionários, compromissados com a organização, preservação e divulgação de bens históricos, pertencentes – portanto – a todos nós.
Para saber mais da polêmica sobre o Museu Histórico e o Arquivo Publico de Campos, bem como as reações à suspensão das suas atividades e dos RPAs que lá trabalhavam, que o prefeito e a presidente da Fundação Cultural garantiram ser temporária, confira aqui e aqui as postagens do Blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1. Para conferir os três blocos do Folha no Ar de hoje com o historiador Arthur Soffiati, que tratou do assunto no último, confira os vídeos abaixo:
A partir das 7h desta segunda (11), quem abre a semana do Folha no Ar é um velho conhecido do ouvinte e telespectador, pelo streaming, do programa da Folha FM98,3: o eco historiador Aristides Soffiati. Ele analisará a pandemia da Covid-19, assim como as interações entre homem e vírus, pelos olhos da História. Também tentará colocar em perspectiva histórica o Brasil do presidente Jair Bolsonaro. E, na conjuntura local, falará da suspensão das atividades do Museu Histórico e do Arquivo Público de Campos, gerando fortes reações na comunidade, abordadas aqui e aqui pelo Blog do Edmundo Siqueira no Folha1.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Há cerca de duas semanas, os tomógrafos dos dois hospitais municipais de Campos, o Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus (HGG), pararam de funcionar. Desde então, os pacientes da rede pública que precisam do exame são encaminhados ao hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos (SPBC). Como lá está instalado o Centro de Combate e Controle ao Coronavírus (CCC) de Campos, isso tem gerado preocupação com a possibilidade de contaminação de pacientes sem a Covid-19, dada a alta transmissibilidade da doença. A Prefeitura negou qualquer risco e garantiu que os tomógrafos do HFM e HGG voltam a funcionar ainda esta semana.
Através da superintendência de Comunicação (Supcom), o poder público municipal informou que a equipe da General Eletric (GE), responsável pela manutenção dos tomógrafos, “esteve na cidade no último dia 30 e identificou o defeito. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) aguarda a chegada das peças para as trocas. Esta semana, os tomógrafos voltam a funcionar. Nenhum munícipe está ficando sem realizar o exame. Por enquanto, os exames estão sendo realizados no Hospital da Beneficência Portuguesa em uma ala à parte, sem nenhum contato com o Centro de Controle e Combate ao Coronavirus”.
Secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini também se posicionou sobre a temor de contaminação, que tem acometido pacientes da rede pública municipal sem a Covid, mas com necessidade de tomografia. Ela negou qualquer possibilidade:
— Em relação à Beneficência Portuguesa, posso dizer que (o exame de tomografia dos pacientes da rede pública municipal) é feito em um fluxo externo. Não passa por dentro do CCC, que é o local onde se dá o atendimento ao paciente com Covid. E existe todo um processo de desinfecção, que é feito a cada paciente atendido. Então, não é o tomógrafo que pode ocasionar o risco de contaminação. Com certeza, não.