Morre o advogado Fábio Lontra Costa, 73 anos, 9ª vítima fatal da Covid em Campos

 

Advogado Fábio Lontra Costa

Morreu na manhã de hoje, no Hospital Dr. Beda, o advogado Fábio Lontra Costa, de 73 anos. Até o início da noite de ontem (08), Campos tinha 6 mortes sob investigação e 8 confirmadas por Covid-19. Fabinho, como era conhecido pelos muitos amigos, foi a 9ª. Sem velório, por conta da pandemia, seu corpo será sepultado às 16h15 no Cemitério do Caju. Foi a primeira morte por Covid registrada no Beda. Ele deixa os filhos Arthur, Fernanda, Mariana e Laura. E os netos Maria Eduarda, Arthur, Augusto e Pedro Otávio.

Fabinho foi internado no Beda inicialmente por conta de uma infecção bacteriana renal. Chegou a regressar à casa, mas constatada a infecção pelo novo coronavírus, teve que voltar a se internar no hospital, até falecer na manhã de hoje. Advogado conceituado, era também respeitado e gostado fora do meio jurídico. Foi um dos tantos frequentadores tradicionais do bar e restaurante Toca dos Amigos, na rua Pero de Góis, instituição da noite campista, que encerrou as atividades em abril de 2018, com a morte de seu proprietário (relembre aqui), Roberto Alves da Costa, grande amigo de Fabinho.

Já conhecia Fabinho pela proximidade com Mariana, sua filha, também advogada, e com seu genro, o médico Luiz Otávio Enes Barreto. Mas foi na Toca dos Amigos, parando para pensar só agora na ironia da coisa, que me tornei seu amigo. Sujeito extremamente carinhoso, sempre que nos víamos, Fabinho levantava da sua mesa e me cumprimentava com um abraço e um beijo paternal no rosto, retribuídos com reverência.

São esses hábitos de afeto que a pandemia da Covid-19 levou a óbito, antes de matar um sujeito extremamente boa praça. Que dá cara à frieza dos números. E do qual, “do coração do meu coração”, guardarei grande saudade. Maior na que tomo por empréstimo do seu neto mais novo, Pedro Otávio Enes Barreto Neto, de 6 anos. Que em matéria publicada hoje na Folha, entre 18 crianças do ensino fundamental de Campos, disse (confira aqui, no antepenúltimo depoimento) sobre o que mais sentia falta durante o isolamento social da pandemia:

— Dos meus avós, tenho mais saudade ainda. Queria que o mundo não tivesse mais a Covid-19 e nem pessoas morando na rua.

Vá com Deus, Fabinho!

 

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A vida e o mundo na pandemia da Covid-19 pelos olhos das crianças de Campos

 

Desenho de Glenda Calmon Souto de Alencar, 11 anos, do 6º ano do Colégio pH

 

 

Crianças dos EUA indo à escola em 1918, durante a gripe espanhola, que nasceu no estado americano do Kansas

“Coronavírus: uma palavra que eu nem sabia pronunciar. Veio de uma maneira inexplicável e mudou o mundo e meu dia a dia”. Aos 7 anos, Davi Dias Monteiro Biéle cursa o 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Sebastiana Machado, onde começa a se tornar íntimo da palavra escrita. E precisou de poucas para resumir como todos se sentem sobre a pandemia da Covid-19. Que a sua geração carregará como experiência diferente de todas as demais. As crianças de hoje não descobrirão só adultos ou idosos como a realidade da humanidade pode desmoronar da noite para o dia. Ganharam a consciência disso enquanto ainda formam a sua sobre si mesmos e o mundo. Como talvez antes só tenha acontecido com as crianças da II Guerra Mundial (1939/1945), que se calcula ter matado até 85 milhões de pessoas, incluindo brasileiros e campistas. Ou as crianças da última pandemia comparável à do novo coronavírus: a gripe espanhola, Influenza H1N1 e hoje imunizada por vacina, que se estima ter matado até 100 milhões de pessoas entre 1918 e 1920, inclusive no Brasil e em Campos.

As crianças que sobreviveram à gripe espanhola são hoje centenárias. As que sobreviveram à II Guerra, são no mínimo octogenárias. Diferente das que nasceram e cresceram depois, se julgando inatingíveis por tragédia em escala semelhante, o tempo deixou poucas memórias vivas das duas últimas grandes crises globais. Mas, por mais traumáticas que tenham sido suas experiências, nenhuma delas foi reforçada com tanta informação quanto as crianças de hoje. Antes mesmo da Covid-19, muitas aprenderam a mexer em iPhones e computadores, com acesso à internet, enquanto ainda aprendiam a andar e falar. O universo virtual que usam durante a pandemia, para continuar estudando, se divertindo, contatando amigos e familiares distantes pelo isolamento, é o mesmo pelo qual recebem informações sobre a doença. E elas têm medo da realidade que já infectou milhões e matou centenas de milhares no mundo. “Tenho medo de morrer ou que algum dos meus familiares ou amigos morra”, sintetizou Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo.

 

Crianças órfãs da II Guerra, em campo de concentração da Rússia (Foto: Getty Images)

 

Desenho de Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo

Se nenhum especialista é capaz de dizer quando essa crise vai passar, mais que qualquer um deles, são as crianças de hoje que poderão responder: como será o mundo depois que isso tudo acabar? Será aquele que suas vidas construírem, a partir das que foram e serão destruídas pela Covid-19. Como foi o mundo que as crianças sobreviventes da gripe espanhola e da II Guerra cresceram para erguer. E o fizeram com a segurança que pôde ser medida por quase um século, antes da humanidade enfrentar outro desafio capital. Depois dele? “Sinceramente, quando essa pandemia acabar, o mundo continuará do mesmo jeito, pois nós, seres humanos, desprezamos a capacidade de um vírus e somos egoístas”, advertiu Bernardo Soares Tuche, 9 anos, do 5º ano do Colégio pH. “Acredito que todos terão mais cuidado com o corpo, a natureza e com o próximo” projetou Kaio Riscado Costa, 7 anos, do 2º ano do Alpha. “Essa é a resposta que todos nós estamos procurando, nem tudo tem que ser tão triste assim”, mediou Lívia de Oliveira Corrêa, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. A sentença é do clássico infantil “O Pequeno Príncipe”, livro do aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, publicado a primeira vez em 1943, no auge da II Guerra. E se tornou lugar comum, atravessando gerações com a narração do encontro entre um homem e uma criança no isolamento do deserto, onde se conhecem entre palavras e desenhos. Além de ouvir 18 crianças da rede pública e privada do ensino fundamental de Campos, sobre suas vidas e suas visões do mundo com a pandemia da Covid-19, a Folha pediu que elas as retratassem também em desenhos, alguns publicados nesta edição. Vendo através dos seus olhos, entre o medo e a esperança, impossível não se cativar. E não assumir a responsabilidade de quem veio antes pelo mundo que lhes será entregue.

Davi Biéle

— Coronavírus: uma palavra que eu nem sabia pronunciar. Veio de uma maneira inexplicável e mudou o mundo e meu dia a dia. Espero que tudo isso passe logo. Sinto muita falta dos meus amigos e de estar na escola. Mas faço muita coisa com minha família para passar o tempo, como brincar de adedonha, ver filmes, ler livros. Em breve, tudo voltará ao normal. Ficarei mais feliz ainda em estar perto das pessoas que eu amo. O mundo está mudando e vai mudar mais ainda. E pra melhor — apostou Davi Biéle, 7 anos, do 2º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Mariana Cavalcante Feitoza Freitas

— Sim, tenho muito medo de pegar o coronavírus. Para mim o pior é não poder ir para à escola. Ficar o dia todo em casa é desconfortável. Eu tenho uma rotina. Tenho aula online de canto, violão, inglês, faço todos os dias as minhas atividades escolares e vejo vários filmes. Em ligações com as minhas amigas, nós falamos como está a nossa quarentena. Em relação aos meus pais, fazemos atividades físicas de manhã, conversamos mais ainda agora. Tenho sentido muita falta dos meus amigos na escola. Também estou com muitas saudades dos meus avós, pois eu ia para a casa deles toda a semana. Eu também me pergunto por que em pleno 2020 acontece isso? Mas você já parou para pensar que com essa pandemia o céu ficou mais puro, as águas mais claras e as pessoas mais unidas? Então! A união foi necessária, pessoas no mundo inteiro começaram a orar pelo fim da pandemia, as pessoas deram mais valor às coisas mais simples. O ser humano não será o mesmo depois que isso tudo acabar. Todos nós seremos mais gratos pelo que temos, com mais amor ao próximo e a Deus. Eu também! — comprometeu-se Mariana Cavalcante Feitoza Freitas, de 10 anos, do 5º ano do Auxiliadora.

Paula de Magalhães Pacheco

— É uma doença nova, que está deixando as pessoas doentes. Tenho medo de morrer ou que algum dos meus familiares ou amigos morra. É pior ter que estudar em casa, porque é uma confusão danada de folha pra cá e imprimir folha pra lá. Não conseguimos adiantar e fica um desespero pra fazer as atividades. Brinco com a minha irmãzinha, comecei a estudar lettering e falo no WhatsApp com meus amigos. Pergunto aos meus colegas como eles estão, se sentem saudades da escola e dos amigos, do que estão brincando. Sinto falta deles, mesmo aqueles que me enjoam, de brincar junto, de viajar e abraçar meus avós. A última vez que os vi foi no carnaval. As pessoas precisam se respeitar mais, os mais velhos, pensar no próximo — disse Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo.

Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves

— É uma pandemia que põe muito medo em todo mundo. Eu tenho muito medo de ficar doente e ficar sozinho no hospital sem minha família e triste. Tenho medo de ficar sem meus familiares. Acho que estudo mais agora, em casa. Como não tem os professores perto para ensinar, eu tenho que fazer tudo praticamente sozinho e com minha mãe. Tenho brincado no celular, no videogame, visto muitos filmes. Agora, com a minha mãe trabalhando em casa, a gente tem muito mais tempo pra ficar juntos. Na minha casa eu converso sobre o coronavírus com minha mãe, meu irmão e agora com meus avós, que vieram ficar aqui em casa. É mais seguro para eles aqui e fico preocupado para não fazer nada que possa deixar eles doentes.  Sinto muita falta dos meus amigos, da liberdade de ir ao shopping, tomar café na padaria. Estou há mais de um mês sem sair de casa. Acho que as pessoas e o mundo vão estar diferentes depois disso tudo, só não sei como. Quando você não vê uma pessoa há muito tempo, também acaba vendo muita diferença — observou Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves, 11 anos, do 6º ano do Colégio Bittencourt.

Kaio Riscado Costa

— Coronavírus é uma gripe muito perigosa causada por um novo vírus e que tem matado muitas pessoas. Sim, tenho medo da minha família e amigos não conseguirem se proteger e acabarem pegando essa doença. Não poder ir para à escola é ruim, porque, além de estudar, posso brincar e conversar com os meus amigos. Tenho brincado com os meus brinquedos, assistido a vídeos, desenhos e filmes, na televisão e pela internet. Tenho saudades dos meus amigos, professores, de ir para a escola, de ir ao shopping com minha mãe e da escolinha de futsal. Acredito que quando isso tudo acabar, todos terão mais cuidado com o corpo, a natureza e ao próximo — enumerou Kaio Riscado Costa, de 7 anos, do 2º ano do Alpha.

Bernardo Soares Tuche

— Não é uma gripezinha nem aqui, nem na China. No ano de 2019, na China, uma gripe com febre alta, falta de ar, tosse, se espalhou pelo mundo, atacando os mais idosos, crianças e adultos com problemas de saúde. É um vírus que é chamado de coronavírus. No Brasil, surgiu no ano de 2020. Me deu muito medo de perder minha família, meus amigos. E por isso estamos em quarentena em casa. Desde que chegou ao Brasil, estão fechadas as escolas. Estudamos em casa, não encontramos os amigos, os professores, é muito ruim. E por isso tenho estudado menos que o normal. Nestes dias de quarentena, jogo videogame online com meus amigos, leio livros e, se teve coisa boa, foi que ganhei dois gatos: Mia e Oreo. Sinceramente, quando essa pandemia acabar, o mundo continuará do mesmo jeito, pois nós, seres humanos, desprezamos a capacidade de um vírus e somos egoístas — sentenciou Bernardo Soares Tuche, 9 anos, do 5º ano do Colégio pH.

 

Desenho de Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves, 11 anos, do 6º ano do Colégio Bittencourt

 

 

Página 6 da edição de hoje (09) da Folha

 

 

Desenho de Daniel Landes Gouvêa Primo, 9 anos, do 4º ano da Escola Riachuelo

 

Lívia deOliveira Corrêa

— É um vírus que está atacando o mundo todo. Tenho medo, sim, pois é realmente perigoso. Por isso estamos cada um na sua casa. Se não nos protegermos, podemos pegar o vírus. O problema não é ficar em casa, mas eu queria poder ir à escola e abraçar a todos. Quando íamos à escola, as professoras cobravam mais da gente. Em casa precisamos ser mais independentes e responsáveis para fazer nossas atividades. Além de estudar, eu brinco, toco ukulele, canto, leio livros e assisto a séries e filmes na Netflix com a família. Converso com meus amigos pelo telefone, mesmo sem nos ver matamos um pouquinho da saudade. Nesses dias comecei a olhar o mundo com outra cor, comecei a ver coisas majestosas em coisas tão simples. Nem tudo precisa mudar, precisamos tirar lições importantes deste momento. Por que o bonito deveria mudar? Essa é a resposta que todos nós estamos procurando, nem tudo tem que ser tão triste assim — ressaltou Lívia de Oliveira Corrêa, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

Anna Luiza Alves Pontes

— A gente pouco sabe. Então, esse é o motivo da quarentena. A gente tem que se prevenir para não pegar o vírus. Temos que passar álcool em gel, evitar beijar, abraçar. Quando for na rua, tem que usar a máscara ou luva. Eu passo meu dia a dia vendo televisão, estudando ou brincando. Sinto muita falta dos meus amiguinhos, de estudar e brincar juntos, essas coisas de criança. Lá na frente, a gente vai ficar mais prevenido. Então, a vida vai ser melhor — projetou Anna Luiza Alves Pontes, 8 anos, do 3º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Mariana Salles Aguiar Barros

— Tenho medo de pegar o vírus. Não poder ir à escola é ruim, porque lá estudo, brinco, converso. Nossas mães marcam uma live para a gente matar um pouco a saudade. Aí a gente conversa sobre o que vai fazer depois que acabar esse coronavírus. A gente brinca de adedonha, de boneca, pintar, desenhar. Eu vou fazer uma festa, para comemorar meu aniversário que está chegando, dia 26 de maio. Mas vou compartilhar com toda a família. Uma avó minha, mãe do meu pai, mora do meu lado, e a minha outra avó, mãe da minha mãe, está ficando aqui na minha casa, porque ela mora sozinha. Então a gente resolveu que ela vai ficar aqui em casa. Ajuda a matar a saudade, mas eu sinto falta de abraçar e beijar elas. A minha avó que está ficando aqui na minha casa, fica de máscara o tempo todo e lava bem as mãos. Tenho saudades de ir à rua. E o mundo? A gente vai saindo de casa aos pouquinhos, porque se a gente sair de casa e voltar a se aglomerar, o vírus vai voltar para outra visitinha. E isso é o que ninguém quer — ressalvou Mariana Salles Aguiar Barros, 7 anos, do 2º ano do Auxiliadora.

Raj Araújo Freitas

— O coronavírus chegou aqui no Brasil e assustou muita gente. Pelo que estou vendo, é uma doença muito perigosa. Aqui na minha casa, passo o meu tempo mexendo no tablet e estudando inglês pelo YouTube. Eu sinto muita falta da minha escola, dos meus amigos, mas a gente sempre se fala pela rede social. Eu acho que, quando tudo isso acabar, nós devemos continuar com os mesmos hábitos de sempre lavar as mãos, porque isso é importante — lembrou Raj Araújo Freitas, 10 anos, do 5º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado

Ravi Araújo Freitas

— O coronavírus está assustando o mundo inteiro. Muitas pessoas estão ficando doentes. Na minha casa, eu passo o meu tempo escutando músicas, vendo filmes e brincando com o meu irmão. Eu sinto muita falta dos meus amigos, da escola. Quero voltar a estudar logo. Quando tudo isso acabar, eu acho que as pessoas vão ficar muito felizes. E nós devemos agradecer a Deus por tudo isso ter voltado ao normal — disse Ravi Araújo Freitas, irmão gêmeo de Raj, também do 5º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Gabriela Arantes Machado

— Tenho medo, porque esse vírus está causando a morte de muitas pessoas e não quero perder ninguém da minha família. Não poder ir à escola é ruim. Lá é muito melhor para estudar. Também sinto falta de brincar com os amigos no pátio, no intervalo, estar com as pessoas. A ajuda das professoras, as atividades com meus colegas, aulas em ambientes diferentes, faziam as tardes mais alegres. Agora eu jogo no celular, brinco com minha cachorrinha, vejo filmes com meus pais, desenho, brinco de bola e durmo até mais tarde (risos). Tenho falado muito com meus amigos sobre jogos do celular, como está sendo a quarentena, sobre o que estão fazendo em casa. Uma das coisas que mais sinto falta são os meus avós. Eu sempre visitava eles, almoçávamos juntos. Apesar de eu falar com eles todos os dias pelo celular, eles se sentem muito sozinhos. Nós nunca mais seremos os mesmos. As pessoas deveriam ter mais amor no coração, respeitar o próximo, ser menos egoístas e ter gratidão a Deus — testemunhou Gabriela Arantes Machado, 9 anos, do 4º ano do Auxiliadora.

Daniel Landes Gouvêa Primo

— É um vírus que causa doença nas pessoas. Sim, tenho medo de ficar sem ar. Não poder ir à escola é ruim, porque além de estudar, eu ia para me divertir. Agora, além de estudar em casa, brinco de bola, jogo no tablet e no videogame. Tenho conversado mais com meus pais, mas não tenho falado com meus amigos pela internet. Sinto, muita (muuuuita) saudade de estar com meus avós. Sinto muita saudade de andar de bicicleta e poder sair de casa. Quando a pandemia acabar, todo mundo vai poder se divertir de novo. Todos teriam que brincar mais nos parques — pregou Daniel Landes Gouvêa Primo, 9 anos, do 4º ano da Escola Riachuelo.

Lara Sales Severino Peçanha das Dores

— Coronavírus é uma gripe muito evoluída causada pelo vírus chamado Covid-19. Tenho medo da minha família não conseguir se proteger e acabar pegando essa doença. Principalmente meu avô, que precisa embarcar, e meu pai, que sai para trabalhar todo dia. Sinto falta de ir à escola, porque podia ver meus amigos, ter contato com eles e com os meus professores. Em casa, mesmo por vídeo conferência, não é a mesma coisa. É muito triste. Estudar em casa é mais difícil, porque na escola a gente aprende a nem perceber, é mais natural. Tenho lido livros, brincado mais com meu irmão, visto filmes com minha família e conversado com minhas amigas pela internet. Sinto muita saudade de poder passear e de abraçar as pessoas. Já estamos mudando. Precisamos aprender a aproveitar mais os momentos com nossa família e nossos amigos. A nossa higiene também precisa mudar para continuarmos a nos proteger, não só do coronavírus, mas de outras doenças — lembrou Lara Sales Severino Peçanha das Dores, 10 anos, do 6º ano do Alpha.

Júlia Ladeira Vilela

— Para mim coranavírus e Covid-19 são a mesma coisa, é um vírus que causa uma gripe muito forte. Eu tenho medo das consequências da doença no corpo das pessoas. Sinto falta de poder ir à escola, pois é bom ter a presença dos professores. O que eu mais tenho feito é assistir a séries e usar o celular. Eu sempre conversei muito com os meus pais, então isso não mudou. Fico triste de não poder encontrar meus amigos e avós. E minha saudade aumenta mais quando conversamos contamos um ao outro como está a nossa quarentena. Sinto falta também de poder passear, ir ao cinema, sair com amigos e familiares, de viajar. Se pudesse agora, eu iria parar de reclamar da rotina, que muitas vezes é cansativa. E daria mais valor a coisas pequenas como ir à praça, tomar um banho de piscina, sair para tomar sorvete. Eu acho que as pessoas têm que ajudar ao próximo, como estão ajudando nessa quarentena — disse Júlia Ladeira Vilela, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

Pedro Otávio Enes Barreto Neto

— O coronavírus e a Covid-19 são a mesma coisa. Um bichinho perigoso que está pegando todo mundo. É ruim não poder ir à escola. Porque fico sem ver os meus amigos. Vejo filmes, TV, vou na piscina, jogo um pouco de futebol, brinco. Converso muito com meus pais. Todo tempo! Também converso com meus amigos. Tem que falar o nome do amigo? É Pedro Barreto, a gente conversa sobre jogos. Sinto muita saudade de todos, do meu futsal e da pelada que ia com meu pai. Dos meus avós, tenho mais saudade ainda. Queria que o mundo não tivesse mais a Covid-19 e nem pessoas morando na rua — desejou Pedro Otávio Enes Barreto Neto, 6 anos, do 2º Ano do Centro Educacional Vivendo e Aprendendo.

Davi Barcelos Ribeiro

— É uma doença perigosa que está deixando pessoas do mundo doente e longe uns dos outros. Eu tenho medo dela, porque não quero ficar doente e nem que minha família e meus amigos também fiquem. É pior não ir à escola e melhor ficar junto dos amigos. Brincar no recreio juntos e estudar com a professora que é muito legal. Agora em casa eu estudo mais, porque tem muito mais tarefas que eu fazia na aula. Quando não estudo, fico jogando minecraft no videogame, vejo YouTube, brinco de jogo com meus pais, vejo tv, ajudo a arrumar meu quarto e às vezes falo com alguém no celular. Tenho saudade de brincar com meus amigos, de ir ao shopping, de lutar kickboxing, abraçar e beijar as pessoas. Quando isso acabar, acho que Deus vai fazer todas as pessoas se amarem mais, serem amigos e unidos. Eu vou ser mais feliz — resumiu Davi Barcelos Ribeiro, 8 anos, do 3º ano do Auxiliadora.

Glenda Calmon Souto de Alencar

— O coronavírus é um vírus perigoso. Tenho medo pelas pessoas que conheço, dentre elas amigos, família e até eu mesma de pegarmos o vírus e morrermos. Já o Covid-19 é o nome da doença que esse vírus causa. Não ir à escola é ruim. Precisamos de socialização, amizades. Sem a escola, isso fica muito difícil. Claro que temos a internet e nossos familiares, mas nada disso é tão bom quanto ver todos os amigos e professores pessoalmente. Sem falar da quebra da rotina, que mudou completamente. Estou conversando bastante com meus pais, com amigos e brincando mais com meu irmão mais novo. Para passar o tempo, estou ajudando bastante meus pais e fazendo ballet, que com certeza me ajuda a esquecer as coisas ruins que estão acontecendo em todo o mundo. Pela internet não é a mesma coisa que pessoalmente. Tenho mais saudade de sair, ver como o mundo está. Acho que ele vai ficar diferente. Ou, pelo menos, deveria ficar! As pessoas estão aprendendo com essa quarentena a dar valor ao que tem. Muitas estão reclamando de não poder sair, mas quando tudo isso acabar, elas agradecerão por todo o aprendizado que estamos tendo com essa situação — finalizou Glenda Calmon Souto de Alencar, 11 anos, do 6º ano do Colégio pH.

 

️‍️‍️‍Desenho de Júlia Ladeira Vilela, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora

 

 

Página 7 da edição de hoje (09) da Folha

 

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RJ conta covas até o lockdown. Ocupação de leitos de UTI em Campos já é de 82%

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Com o objetivo de salvar vidas e com base em análises técnico-científicas, a Fiocruz considera urgente a adoção de medidas rígidas de distanciamento social e de ações de lockdown no estado do Rio de Janeiro (…) Frente ao agravamento do cenário da pandemia, com o gradativo aumento de circulação de pessoas, a não adoção de medidas imediatas de lockdown pode levar a um período prolongado de escassez de leitos e insumos, com sofrimento e morte para milhares de cidadãos e famílias do estado do Rio de Janeiro”. O alerta foi soado na quarta (06) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sediada no Rio e considerada uma das principais instituições do mundo em pesquisa de saúde pública. Lockdown é uma expressão inglesa que significa “fechamento total”. E foi adotado em vários países para conter as mortes pela pandemia da Covid-19. Temeroso pelo desgaste político da medida, na queda de braço com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador Wilson Witzel (PSC) descartou inicialmente o lockdown. E nas 24 horas seguintes, de quinta (07) para sexta (08), o estado do Rio passou pela primeira vez São Paulo no número de mortes oficiais pela Covid-19: 189 contra 161. Resultado? Witzel enviou ainda na sexta (confira aqui) um ofício ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), com sua proposta de lockdown para todo o estado. Também na tarde de sexta, a UFRJ enviou ao MPRJ a mesma recomendação: lockdown no estado do Rio.

 

Promotora de Justiça Maristela Naurath e defensor público Tiago Abud (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Enquanto isso, nos primeiros dias de maio no Norte e Noroeste Fluminense, a Defensoria Pública teve que recorrer (confira aqui) a ações coletivas na Justiça para tentar obrigar os governos de Itaperuna, São Fidélis, Italva, Cardoso Moreira, Itaocara, Porciúncula, Cardoso Moreira e Varre-Sai a fechar seus comércios, no lugar de abrirem covas. Considerando o estudo da Fiocruz, na madrugada de sexta a promotora de Justiça Maristela Naurath, do MPRJ, recomendou aos prefeitos de Campos, São João da Barra, São Fidélis e São Francisco de Itabapoana “que elaborem estudo técnico devidamente embasado em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde, vigilância sanitária, mobilidade urbana, segurança pública e assistência social a justificar a tomada de decisão sobre a adoção ou não do lockdown, como medida extrema do distanciamento social (…) contra a disseminação do novo coronavírus, com a suspensão expressa de todas as atividades não essenciais à manutenção da vida e da saúde”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com sete mortes confirmadas pelo novo coronavírus, outras seis investigadas, 152 casos confirmados e 451 suspeitos, Campos tinha até a manhã de sexta a ocupação de 68% dos seus leitos da rede pública e contratualizada, sendo 82% de ocupação em UTIs e 63% de leitos clínicos. Já na rede particular, a ocupação dos hospitais Dr. Beda, Unimed e Pronto Cardio, segundo estes informaram à secretaria municipal de Saúde, a ocupação seria de 76% dos leitos, entre UTI e Clínica Médica. Sobre a necessidade da adoção de lockdown alertada pela Fiocruz, o gabinete de crise do município respondeu que vai esperar decisão do governo estadual. A quem também cobrou a instalação do Hospital de Campanha, na área da antiga Vasa, investigado em denúncia de superfaturamento (confira aqui) e com prazo de entrega adiado (confira aqui) para a 2ª quinzena deste mês:

 

Gabinete de crise de Campos (Foto: Folha da Manhã)

 

— O estudo evidencia o que já vínhamos detectando em virtude de tudo que temos acompanhado em relação à evolução da pandemia da Covid-19. De fato, infelizmente, os números vêm aumentando nas últimas duas semanas, com diminuição do isolamento social. Isso exige reavaliação constante das medidas adotadas. Em Campos, há mais de um mês tomamos medidas para garantir o isolamento social e fomos pioneiros, implantando, em tempo recorde, o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), o que garantiu que nosso sistema de saúde não entrasse em colapso.  Hoje, estamos com alta ocupação de nossos leitos de UTI, o que é bastante preocupante, e a rede privada apresenta índices de ocupação ainda maiores, o que assevera nossa preocupação. Conforme nossa Vigilância em Saúde alerta, estamos a uma semana da cidade do Rio em termos de ápice da pandemia, o que nos permite planejar de maneira mais eficaz nossas ações e projetos. Por esta razão, neste momento, iremos manter as medidas que já tomamos e que aguardaremos as determinações do Governo do Estado, até porque é o Estado que regula os leitos de UTI, uma vez que somos município polo em saúde e, mais ainda, pelo fato de que ainda não podemos contar com o Hospital de Campanha, que é essencial para o combate a pandemia, especialmente na questão de absorção da demanda de outros municípios da região e que são atendidos em Campos.

Carla Machado

Por sua vez, São João da Barra tinha, até o início de tarde de sexta, 1 óbito confirmado por Covid-19, 24 casos confirmados e 12 suspeitos. Sobre o estudo da Fiocruz, a prefeita Carla Machado (PP) respondeu, por sua assessoria, que também espera a posição oficial de Witzel sobre a decisão do lockdown:

— Toda forma de evitar o aumento do contágio é válida. Em relação ao lockdown, conforme apontado no relatório da Fiocruz, se o número de casos em São João da Barra chegar ao patamar que seja necessário implantá-lo, o que ainda não acontece, estaremos prontos a aderir às orientações do Estado.

 

Prefeitos de São Fidélis, Amarildo Henrique Alcântara, e de São Francisco, Francimara Barbosa Lemos, mantêm o comércio dos seus municípios abertos, a despeito das mortes pela Covid-19 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Campos e São João da Barra fecharam em decretos municipais os seus comércios. São Fidélis, com 4 óbitos por Covid-19, 89 casos confirmados e 11 suspeitos; e São Francisco, com 1 óbito pela doença, 15 casos confirmados e 13 suspeitos; nem isso fizeram. Se a dúvida existe entre os poderes públicos estadual e municipais fluminenses, entre os especialistas, a necessidade de lockdown apontada pela Fiocruz é uma certeza:

Nélio Artiles

— Essa demora trará consequências severas nas próximas semanas. Vivemos em um país com algumas peculiaridades e que a implantação de lockdown deverá ser acompanhada de um suporte social e econômico aos mais carentes. Não é fácil. Um grande desafio. Concordo que a subnotificação é muito grande. Considerando que o R0 (taxa básica de reprodução do vírus) é de 1 a 4, talvez mais, e que 80% não apresenta manifestação típica ou formas leves, a diferença entre notificados e pessoas infectadas é bem grande. Acredito que essa desproporção é enorme — ressaltou o médico infectologista Nélio Artiles.

Rodrigo Carneiro

— O lockdown é a única solução para evitar uma Manaus no Rio de Janeiro. Falhamos até agora em “achatar a curva”. Tenho bons amigos em Manaus e eles não aguentam mais fazer declaração de óbito em domicílio. O que vemos pela imprensa de lá é só a ponta do iceberg. A aceleração da curva de casos, mesmo com a brutal subnotificação, leva a condutas mais bruscas. O grande problema é a falta de assistência para casos moderados e graves. O aumento de óbitos quando comparado com o mesmo período dos últimos anos está relacionado à Sars-Cov2 — explicou o médico infectologista Rodrigo Carneiro.

 

Com Mário Sérgio de Souza

 

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Ônibus com cortadores de cana de MG para usina Canabrava ficam na fiscalização

 

Ônibus com cortadores de cana de Minas Gerais para lavouras da usina Canabrava foram impedidos de prosseguir viagem na barreira sanitária entre Campos e SFI (Foto: Divulgação)

 

Na barreira sanitária entre os municípios de Campos e São Francisco de Itabapoana, na BR 356, dois ônibus com trabalhadores rurais vindos de Minas Gerais, com destino às lavouras de cana da usina Canabrava, foram interceptados por volta das 9h da manhã de hoje. E impedidos de prosseguir viagem, como parte do combate à disseminação da pandemia da Covid-19.

A ação foi iniciativa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), cujas recomendações foram acolhidas pelos municípios de Campos e SFI. Segundo informou o MPRJ, o transporte dos cortadores de cana, que iriam ficar hospedados em São Francisco, era feito sem nenhum plano de contingência ou quarentena, expondo a risco o sistema de saúde da região.

 

 

Atualização às 18h01. Com pedido de posição feito à assessoria jurídica da usina Canabrava desde o início tarde, a resposta veio às 17h45. E segue publicada abaixo:

“A Canabrava Agrícola, por meio de seu departamento jurídico, vem a público esclarecer o seu comprometimento com as boas práticas jurídicas, em especial às normas que regem a vigilância sanitária e as relativas a segurança do trabalho, preocupados não apenas em evitar a disseminação do Covid-19, mas também em manter incólumes os postos de trabalho e a renda gerada com a atividade econômica, tem envidado todos os esforços e recursos necessários para assegurar que os trabalhadores que laborarão na safra deste ano possuam todos os equipamentos de proteção necessários, bem como tenham transporte e alojamento que respeitem as normas estabelecidas pelo poder público, em especial aquelas editadas neste período de pandemia.

Neste contexto, mesmo tendo acertado com o secretário de Saúde de São Francisco de Itabapoana a forma como se daria o transporte dos trabalhadores que laborarão na safra, bem como onde ficariam hospedados, além dos cuidados que seriam adotados para garantir que não houvesse qualquer risco de contágio, o transporte que seria realizado na data de hoje foi interrompido, por determinação do MPE, MPT e Prefeituras de Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana, acertada após reunião realizada na noite de ontem, sem qualquer prévio aviso.
Como não havia sido publicada qualquer decisão, ato, nota, decreto ou recomendação, da referida reunião, foi determinado, por iniciativa da Canabrava, que os profissionais retornassem às suas cidades de origem e lá permanecessem para a realização da rescisão do contrato de trabalho, diante da total inviabilidade da continuidade da prestação do serviço desses colaboradores, que se deu por conta dos atos praticados, em conjunto, pelos órgãos citados acima”.

 

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Covid-19 — Defensoria Pública quer fechar comércio em sete municípios da região

 

Defensor público Tiago Abud (Foto: Divulgação)

 

A Defensoria Pública (07) moveu hoje uma ação coletiva contra a abertura no município de Varre-Sai, em plena escalada da pandemia da Covid-19 no país, no estado do Rio e nas regiões Norte e Noroeste Fluminense. Nestes primeiros dias de maio, ações semelhantes foram propostas pela Defensoria contra os municípios de São Fidélis, Itaperuna, Itaocara, Porciúncula, Cardoso Moreira e Italva, algumas em parceria com o Ministério Público.

— Essas cidades abriram seus comércios. Não aguentaram a pressão, seguiram a linha adotada pelo presidente (Jair Bolsonaro, sem partido) e acabaram não seguindo o aconselhamento das autoridades sanitárias. Daí entramos com essas ações. Não vemos outro modo de preservar vidas, que não seja a diminuição da circulação de pessoas, aliada à oferta de leitos no sistema de saúde pública. Que estamos tentando ampliar também, porque os leitos de UTI, me parece, não vão chegar nos números inicialmente informados em relação ao estado do Rio. Essas são as duas únicas soluções pare evitar que o médico não tenha que chegar ao momento de ter que escolher entre quem vai atender, qual vida vai salvar — advertiu o defensor público Tiago Abud.

Até a manhã de hoje, Varre- Sai tinha 1 caso confirmado e 1 suspeito de Covid-19. São Fidélis tinha 3 óbitos confirmados, 4 em investigação, 74 casos confirmados e 16 suspeitos; Itaperuna, 2 óbitos suspeitos, 22 casos confirmados e 236 suspeitos; Itaocara, 2 óbitos confirmados, 22 casos confirmados e 5 suspeitos; Porciúncula, 4 casos confirmados e 6 suspeitos; Cardoso Moreira, 1 óbito suspeito, 1 caso confirmado e 24 suspeitos; e Italva, 1 caso confirmado e 4 suspeitos.

 

Atualização às 7h42 de 08/05 para correção dos dados em Cardoso Moreira, que tem um óbito com suspeita de Covid-19 em investigação.

 

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Covid-19 — MPRJ alerta sobre relatório da Fiocruz sobre lockdown no RJ

 

 

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Força-Tarefa de Atuação Integrada na Fiscalização das Ações Estaduais e Municipais de Enfrentamento à Covid-19 (FTCovid-19/MPRJ), recebeu, na manhã desta quarta-feira (06/05), relatório da Fiocruz em que a instituição científica se posiciona a respeito da adoção de medidas rígidas de isolamento social no âmbito territorial do estado do Rio de Janeiro.

“Com o objetivo de salvar vidas e com base em análises técnico-científicas, a Fiocruz considera urgente a adoção de medidas rígidas de distanciamento social e de ações de lockdown no estado do Rio de Janeiro, em particular na região metropolitana”, diz o ofício em que a Fiocruz encaminha ao MPRJ os estudos técnico-científicos que embasam o posicionamento da instituição.

O documento contém análises, justificativas e ponderações de especialistas sobre o tema. O material foi juntado ao procedimento administrativo MPRJ 2020.00314114, que tem por objeto o acompanhamento e a fiscalização de requisitos técnicos para a imposição do isolamento social, a adoção de campanhas educativas sobre prevenção do contágio de Covid-19 e a fiscalização do cumprimento das medidas de restrição social.

Tão logo recebeu o ofício, a FTCovid-19/MPRJ encaminhou os estudos ao governador do estado e ao prefeito do Rio de Janeiro, em complemento às recomendações que solicitaram a elaboração de estudo técnico devidamente embasado em evidências científicas a justificar a tomada de decisão sobre a adoção ou não de medidas extremas do distanciamento social e de nível mais alto de segurança de natureza não farmacológica contra a disseminação do novo coronavírus, a fim de que os gestores esclareçam se irão adotar as medidas propostas pela Fiocruz e/ou outras ações de incremento no isolamento social.

A expressão lockdown em inglês significa confinamento e, no contexto de medidas de isolamento social, consiste numa denominação genérica que envolve um conjunto de medidas restritivas para reduzir ao essencial o trânsito de pessoas nas ruas das cidades. No entanto, os contornos que delimitam tais medidas para um local determinado, como o Rio de Janeiro, devem ser pautados a partir da análise de dados e peculiaridades econômicas, sociais, geográficas, políticas e culturais da região, que devem servir de parâmetro para o eventual decreto da medida por parte dos gestores públicos.

Nesse sentido, tanto o estudo objeto da Recomendação expedida pelo MPRJ, como o material hoje recebido da Fiocruz revelam que é imprescindível um planejamento prévio e célere para qualquer medida de encrudescimento do isolamento social, levando em consideração não só diretrizes como de saúde pública, vigilância epidemiológica e assistência social, como também a realidade do Rio de Janeiro.

Com as recomendações e ofícios expedidos, o MPRJ vem provocando o poder público municipal e estadual, no exercício de suas competências legais, a adotar ações necessárias, adequadas e eficazes mais rígidas de isolamento social (com a consequente fiscalização efetiva), a fim de tutelar a saúde e sobretudo a vida da população no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

 

Publicado aqui, no site do MPRJ

 

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Sesc Mineiro de Grussaí demite funcionários e fecha sem perspectiva de retorno

 

Tradicional Sesc Mineiro demintiu funcionários e fechou as portas (Foto: Divulgação)

 

Devido ao isolamento social para tentar conter a pandemia da Covid-19, o Sesc Mineiro de Grussaí decidiu encerrar suas atividades por tempo indeterminado e demitir seus 700 funcionários e servidores terceirizados. Os que residem em Campos acertaram suas contas na CDL deste município, enquanto os que habitam em São João da Barra o fizeram no próprio Sesc.

No início de abril, a maior parte dos funcionários e terceirizados do Sesc havia sido colocada de férias, com a perspectiva de retornar ao trabalho na última segunda (04). Quando foram comunicados para retornar hoje (06). Devido às dificuldades de locomoção por conta da barreira sanitária de São João da Barra, o CDL de Campos também foi usado para comunicar o fechamento da unidade de Grussaí e os desligamentos.

Há décadas o Sesc Mineiro de Grussaí era uma referência do balneário sanjoanense. Não só em serviço de hospedagem, mas também como opção de restaurante e lazer. Seu fechamento sem perspectiva de reabertura é um triste sinal da crise econômica, advinda da pandemia do novo coronavírus.

No último dia 30, o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do ministério da Economia, Salim Mattar, projetou que a taxa de desemprego no país, que já era alta antes da pandemia, pode até dobrar por conta dos impactos da crise da Covid-19 na economia.

 

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Com colapso à vista, apelo da linha de frente contra a Covid-19: “Fiquem em casa!”

 

Capa da Folha da Manhã da edição de hoje (03)

 

“Estamos apenas de frente com o vírus. Mas devemos ser gratos também àqueles que fazem sua parte ficando em casa. O meu apelo é esse: fiquem em casa! Não saiam na rua se não tiverem necessidade. Não é uma simples gripe! É grave e sério!”. Entre os novos depoimentos que a Folha foi colher entre os profissionais da linha de frente no combate contra a pandemia da Covid-19 em Campos e região, o apelo e advertência de Elciliny Rodrigues, 25 anos, fisioterapeuta da UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, é o que melhor define a realidade que o Brasil deve viver neste mês de maio. Na quinta (30), último dia de abril, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, admitiu (confira aqui): “O que a gente espera para as próximas três a quatro semanas é que o estado do Rio e o Brasil vivam o mesmo colapso que viveu Itália, Espanha e Estados Unidos”.

 

Secretário estadual de Saúde, Edmar Santos projeta colapso do sistema de saúde do RJ, com a pandemia da Covid-19, para este mês de maio (Foto: Divulgação)

 

As palavras da fisioterapeuta e do secretário refletem a realidade já vivida em cidades brasileiras como Manaus. Onde o colapso do sistema de saúde, provocado pela pandemia, tem sua face mais cruel revelada em caixões sepultados uns sobre os outros, em grandes valas coletivas. Ou enterrados pelos próprios parentes, devido à sobrecarga dos coveiros. E se repete na falta de leitos de UTI em estados como Ceará e Maranhão. Matéria da página 7 revela que isso não ocorreu nos hospitais da rede pública e contratualizada de Campos, talvez pela abertura do CCC desde 30 de março, no prédio novo da Beneficência Portuguesa. Mas a taxa de ocupação dos 198 leitos de UTI, segundo o governo municipal, é de 79%. Como sempre foi sua média, antes do novo coronavírus. Isso, a despeito da falta de informação de leitos por parte dos hospitais particulares da cidade. E do hospital estadual de campanha, com denúncia de superfaturamento e sendo construído na área da antiga Vasa, não ter prazo para abrir.

 

Após produzir as mesmas cenas na Itália, na Espanha e nos EUA, cemitérios de Manaus enfrenta o colapso do sistema de saúde e a superlotação dos cemitérios pelos mortos da Covid-19 (Foto: Michel Dantas – AFP)

 

Instituto mais respeitado no mundo em suas projeções sobre a pandemia da Covid-19, o Imperial College de Londres divulgou na última terça (28) um novo estudo (confira-o na íntegra aqui). E apontou (confira aqui) que, entre os 49 países pesquisados, o Brasil tem a maior taxa de transmissão da doença: cada infectado no país como o novo coronavírus contamina outros três. Nessa progressão, foram projetadas 5 mil mortes de Covid-19 entre os brasileiros nos primeiros dias de maio. Até o início de sexta-feira, 1º dia do mês, os óbitos oficialmente confirmados da pandemia no país eram 5.091. Em Campos eram quatro, entre os 21 no Norte e Noroeste Fluminense e os 854 do estado do Rio. Na dúvida entre os dados oficiais e as projeções, a frieza dos números se derrete diante de duas certezas. Cada uma dessas vidas humanas perdidas é e será irreparável. Tão importante quanto é, para você, leitor, a sua e as dos seus entes queridos. A segunda certeza? Os profissionais da saúde formam a linha de resistência contra um vírus invisível, diante do qual muita gente ainda prefere bancar São Tomé: ver para crer.

 

Entre os 49 países pesquisados pelos Imperial College de Londres, o Brasil tem a maior transmissão do novo coronavírus e subnotificação de quase 90% dos casos (Foto: Divulgação)

 

Na expectativa pelo que virá neste mês, quando finalmente deve ser revelado o pico da doença no país, o Imperial College de Londres apontou outro dado preocupante. Devido à falta de testes, o Brasil se destaca negativamente também pela subnotificação da Covid-19. O estudo apontou que só 10,4% dos casos da doença são oficialmente confirmados no país. Baseada em modelos matemáticos, se essa projeção estiver correta, os 5.091 brasileiros confirmados como infectados até sexta, seriam na verdade 820.962; os 9.453 casos do RJ seriam 90.984, os 354 do Norte e Noroeste Fluminense seriam 3.044 e os 85 de Campos, seriam 817. Quaisquer que sejam os números reais do Brasil, no mundo em média 20% do total precisaram recorrer à internação no sistema de saúde. Deles, entre 3% a 5% demandaram leito de UTI e respirador mecânico para continuarem vivos. Foi o caso feliz de Seu Pedro, de 71 anos, natural de São Fidélis, no Centro de Combate e Controle ao Coronavírus (CCC) de Campos. Na última sexta (confira aqui e no vídeo abaixo) ele saiu da UTI onde havia passado 24 dias internado, 12 deles respirando com auxílio de aparelho, para completar seu tratamento em um leito clínico.

 

 

Mas quem são essas mulheres e homens no combate à Covid-19 em Campos e região, a que tantos “Seu Pedro”, jovens e velhos, mulheres e homens, deverão a vida quando tudo isso acabar? Saudados como heróis no mundo inteiro, como esses profissionais da linha de frente veem o inimigo e a si mesmos? Têm medo? O que os motiva a seguir em frente?

Elecilliny Rodrigues, fisioterapeuta da UTI do CCC de Campos

— O medo e o amor pela profissão andam juntos. A angústia e a aflição são inevitáveis. Fomos pegos de surpresa por um inimigo invisível, onde tudo é novo e precisamos sempre estar atentos para cada passo. Peço a proteção de Deus todos os dias antes de sair da minha casa e que o manto de Maria seja a minha maior proteção. Fui questionada várias vezes quando aceitei trabalhar com esse tipo de paciente. Não é fácil ter que se isolar daqueles que amamos e agradeço todo incentivo que venho recebido dos meus familiares. Estamos fazendo a nossa parte, nos protegendo para proteger vocês. Nosso dia a dia tem sido muito cansativo, nos estressamos, usamos máscaras por 12 ou 24 horas seguidas e elas machucam, roupas quentes, equipamentos de proteção que nos deixam com dores de cabeça, mas que são necessários para segurança de todos. Não somos os únicos a ser considerados heróis, estamos apenas de frente com o vírus. Mas devemos ser gratos também àqueles que fazem sua parte ficando em casa. O meu apelo é esse: fiquem em casa! Não saiam na rua se não tiverem necessidade. Não é uma simples gripe! É grave e sério! — alertou Elciliny Rodrigues, 25 anos, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos, na Beneficência Portuguesa.

Keila Severiano Rodrigues, técnica em enfermagem do hospital de campanha de Quissamã

— Tenho um pouco de medo, mas a vontade de ajudar sempre prevalece. Estudei para isso e sei das minhas atribuições. A covid-19 é uma doença invisível, não estamos vendo contra quem lutamos. Só sabemos que é uma doença transmitida pelo contato físico e por gotículas de saliva que ficam no ar. A população não está preparada para enfrentá-la. Pelos meus pais não estaria atuando na linha se frente, mas sou uma profissional e jurei ajudar cuidar dos enfermos. Não me vejo como heroína e sim como uma pessoa normal, que tem medos e anseios. É Deus sempre no controle. Quando assumi um plantão com uma paciente com suspeita de Covid-19 e intubada, depois fiquei sabendo que ela estava se recuperando e seu teste dela tinha dado negativo para a doença. Ela foi extubada e terá alta em breve, porque estava evoluindo bem. Esse dia foi muito bom. Receber essa boa notícia me marcou bastante, já que a luta pela vida no combate a essa pandemia é diária e constante — ressaltou Keila Severiano Rodrigues, 41 anos, técnica de enfermagem do hospital de campanha de Quissamã, enquanto aguarda para atuar também no hospital de campanha estadual de Campos.

Hugo da Silva Barreto, da lavanderia da Beneficência Portguesa, que abriga o CCC de Campos

— Trabalho em contato direto com as roupas de todos que estão na linha de frente contra a Covid-19. Tenho que ter muita atenção por ser tratar de um setor de muita contaminação. Sinto medo, mas também orgulho de poder ajudar para que todos tenham roupas limpas e desinfetadas para o tratamento dos pacientes. Tenho o apoio da minha família, mas muitos ficam preocupados e tento passar o máximo de tranquilidade a eles. Vejo muita união entre os colegas de trabalho. E, no semblante de todos, a vontade de ajudar ao próximo. Faltam palavras para decifrar o que todos meus amigos da linha de frente representam para mim. Tenho eles como heróis arriscando a própria vida para salvar outras. Vejo nos olhos deles o orgulho que têm de lutar por vidas, mesmo sabendo que podem se contaminar. O momento mais marcante para mim foi quando eu soube que a instituição no qual eu trabalho iria ser centro de referência no combate ao coronavírus. Na hora, senti medo. Mas depois falei para mim mesmo que eu iria dar meu melhor para ajudar — lembrou Hugo da Silva Barreto, de 34 anos, que trabalha na lavanderia da Beneficência Portuguesa, que abriga o CCC de Campos.

Élida Campos Serra, fisioterapeuta da UTI do CCC de Campos

— É um misto de sentimentos. Ao mesmo tempo e quero ajudar e dar assistência, penso na grande possibilidade de contaminação. Mas saber que sou papel importante e posso fazer a diferença no processo de cura e reabilitação de pessoas, é o que me dá esse equilíbrio e me encoraja. Lidamos com algo novo, ainda não muito bem descrito cientificamente, estamos conhecendo a doença no seu curso. Isso é mais difícil para saber a conduta ou tratamento ideal. A parte mais difícil é manter o afastamento da minha família, sem saber por quanto tempo. Ainda sim recebo incentivo e apoio de todos. Não nos vejo como heróis. Vejo pessoas corajosas em assumir os riscos em benefício de toda sociedade. Todos os pacientes me marcam, especialmente os que perdemos. Reconhecer uma história, uma vida e sonhos por trás de um número de leito é sempre o mais impactante — ressaltou Élida Campos Serra, 34 anos, fisioterapeuta intensivista do CCC de Campos na Beneficência Portuguesa.

Lurdiane Carvalho Oliveira, nutricionista do CCC de Campos

— Receio, medo estão muito presente nos últimos tempos em nossas vidas. Mas sabe o que ameniza esses sentimentos? Muitas orações e quando ouvimos dos pacientes: “Obrigada pelo seu carinho, adoro sua visita”. Tenho isso no meu coração. Antes da profissão, somos seres humanos. E para esses pacientes, o mais próximo fisicamente que eles podem estar de outro ser humano, somos nós da linha de frente. Infelizmente, eles não podem ter o apoio físico dos familiares. Como uma das partes mais difíceis para nós é ficarmos longe dos nossos familiares, que tanto amamos. Parece contraditório, mas é por esse amor que precisamos manter a distância, para proteger eles e cuidar dos que mais precisam da gente neste momento. Vejo que, juntos, somos gigantes lutando contra outro gigante, só que invisível. Às vezes podemos perder uma batalha, mas, se Deus quiser, nós iremos ganhar essa guerra. O momento mais marcante foi quando uma paciente relatou: “Vocês estão sendo muito importantes na minha recuperação. As pessoas têm medo da gente e nos discriminam como se tivéssemos culpa de ter nos contaminado”. Peço a Deus todos dias sabedoria, paciência, proteção e saúde para a humanidade — rogou Lurdiane Carvalho Oliveira, 32 anos, nutricionista da Beneficência Portuguesa, onde funciona o CCC de Campos.

Aline do Nascimento Alvez, técnica em enfermagem de um hospital particular de Campos

— É uma questão de equilíbrio, você saber segurar suas emoções, seus medos e prestar atendimento a quem depende de você naquele momento. E é claro sempre usar os EPIs (equipamentos de proteção individual) necessários. A Covid-19, é uma doença letal e contagiosa. Graças a Deus, eu tenho muito apoio da minha família e dos amigos. E olha que são muitos questionamentos. Mas quando você exerce sua profissão com amor, bota a sua fé em Deus na frente e vai. A relação profissional com a equipe é de cuidados, amor ao próximo e respeito. Na verdade, nós sempre fomos heróis, mas só agora que o mundo está vendo isso. Nós deixamos a nossa casa, os nossos filhos, para salvar vidas de quem nós nunca vimos. Viramos noites sem dormir, preocupados se aquele paciente vai viver ou não, se fizemos de tudo ou não, um trabalho de equipe incansável. Isso pra mim é ser herói. E, sim, queremos reconhecimento. Quando ente querido seu sendo internado, isolado. E quando morre, não tem direito nem a um enterro descente, isso é muito marcante — disse Aline do Nascimento Alves, 37 anos, técnica em enfermagem de um hospital particular de Campos.

Mírian Silva da Conceição, técnica em enfermagem do hospital de campanha de Quissamã

— Já passamos por vários tipos de vírus e bactérias, mas nenhuma comparada com esse novo coronavírus. É uma doença nova, totalmente contagiosa, sem vacina ou medicações 100% comprovadas como cura. Ao longo desses meus anos em UTI, essa é a primeira doença que mostra que um simples vírus pode destruir a humanidade. A vida do paciente depende da nossa vida e para isso é necessário controle emocional, firmeza e muita fé em Deus. Não tenho palavras para descrever o amor que recebo da família e amigos. Meu isolamento acontece para o bem deles. A solidão é o mais complicado. E de repente eles dão um jeito de chegar a mim com um doce caseiro que tem sabor de amor. No trabalho, nos tornamos uma família em prol de quem precisa de nós. Somos seres humanos, temos medo, vontade de ajudar e amor ao que fazemos. Fizemos um juramento. Precisamos ser reconhecidos. Menos massacrados por uma escala desumana e salários defasados. O mais difícil é a incerteza de não sabermos se estaremos ou não sendo contaminados. Acredito que uma das piores coisas é quando recebemos a notícia de que um profissional da saúde se contaminou e foi abatido pelo vírus. Sensação de impotência e muitas vezes segurar as lágrimas é o mais difícil — desabafou Mírian Silva da Conceição, 45 anos, técnica em enfermagem do hospital de campanha de Quissamã.

 

Página 6 da edição de hoje (03) da Folha

 

Publicado hoje (03) na Folha da Manhã

 

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Covid-19 — Após 24 dias na UTI do CCC, 12 intubado, idoso de 71 anos se recupera

 

CCC em sua abertura, em 30 de março, no prédio novo da Beneficência Portuguesa (Foto: Divulgação)

 

Em meio à pandemia da Covid-19, nem tudo são notícias ruins. Hoje, no Centro de Controle de Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, um idoso de 71 anos, natural de São Fidélis, teve alta da UTI após passar nela 24 dias, 12 deles intubado no respirador mecânico. Após a merecida comemoração da equipe do CCC, Seu Pedro passou a um leito clínico para completar sua recuperação. Ele deu entrada no dia 7 no CCC, como o blog havia registrado aqui.

Confira abaixo a alegria do paciente e da equipe do CCC:

 

 

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Do voto em Bolsonaro à ruptura, Fernando Miller nesta 6ª no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta sexta (01), o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Fernando Miller, juiz aposentado, advogado e professor de Direito. Ele falará da defesa do voto em Jair Bolsonaro em 2018 (confira aqui) ao rompimento com o presidente (confira aqui) e da postura deste como líder do país na pandemia da Covid-19. Também analisará a saída do ex-ministro Sergio Moro do governo, contra o qual fez denúncias graves, da nomeação presidencial ao comando da Polícia Federal suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e da reação de Bolsonaro, que abriu uma crise institucional com a instância máxima do Poder Judiciário.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Covid-19 — Brasil tem maior taxa de infecção do mundo e notifica apenas 10,4%

 

Cenas dos cemitérios de Manaus devem se repetir nos próximos dias em várias outras cidades e regiões do Brasil (Foto: Chico Batata – Divulgação)

 

O Brasil tem a maior taxa de contágio de Covid-19 no mundo. Cada doente brasileiro infecta em média outras três pessoas. Com essa propagação da pandemia, o país deve ultrapassar 10 mil mortes na próxima semana. A previsão é do estudo do Imperial College de Londres, sobre a evolução da pandemia em 48 países. Foram suas projeções que fizeram o primeiro-ministro britânico Boris Johnson adotar o isolamento horizontal para tentar conter a doença. De acordo com o novo relatório, o crescimento da infecção entre os brasileiros tem potencial para fazer mais 5,6 mil vítimas nos primeiros dias de maio. Somente os Estados Unidos também supera a expectativa de mortes: 13 mil.

No entanto, enquanto o país norte americano já caminha para uma fase de estabilização da doença, o Brasil está com a transmissão em alta. O cálculo é de um brasileiro doente infectando quase outras três pessoas, já que o indicador de propagação ficou em 2,81. Comparando com outros países, o Brasil é seguido pela Irlanda (2,24), México (1,95), Polônia (1,78) e Peru (1,55). Quanto maior esse número, mais rápido a doença se espalha entre a população.

 

Subnotificação

Além do Brasil ser o país do mundo em que a pandemia da Covid-19 mais se propaga, foi também apontado no estudo entre os que possuem mais subnotificações de infectados pela doença. Apenas 10,4% do total de infectados está sendo notificado, estima o relatório. Assim, entre os 81.329 casos confirmados oficialmente até o momento, na verdade 782.010 brasileiros já estariam contaminados, segundo o levantamento do Imperial College de Londres.

 

Confira a íntegra do estudo do Imperial College de Londres aqui.

 

 

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Na nova crise institucional criada por Bolsonaro, a certeza: o problema é você!

 

Você, que aplaudiu quando Gilmar Mendes impediu Lula de ser nomeado ministro da Dilma.

Você, que aplaudiu quando Carmem Lúcia impediu Cristiane Brasil de ser nomeada ministra do Temer.

Você agora apoia a insistência de Bolsonaro em nomear Ramagem ao comando da Polícia Federal, mesmo depois da nomeação ser suspensa (confira aqui) por Alexandre Moraes?

O que fica da contradição são duas certezas. A primeira? O STF vai responder à insistência do presidente com as próprias palavras deste: “E daí?”

A segunda certeza dessa nova crise institucional criada em plena pandemia da Covid-19? Bolsonaro é só a consequência. A causa do problema é você!

 

 

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