Obstáculos de Campos contra Covid-19: relotação de médicos à emergência e EPIs

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Cintia Ferrini, secretária de Saúde de Campos

No enfrentamento à Covid-19, Campos tem dois problemas: 1) a relotação dos servidores de saúde ao atendimento de emergência e 2) o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos servidores de saúde. Mas qual o tamanho desses obstáculos? No programa Folha no Ar da última quarta (15), a secretária de Saúde Cintia Ferrini disse (confira aqui) que 15% dos médicos concursados do município (165 de um total de 1.100) estariam ignorando as convocações para atender na emergência. Após levantamento nos três últimos dias, o número achado foi menor: 3,8%, ou 41 médicos. Destes, 25 (2,3%) não apareceram, mesmo residindo em Campos. Enquanto outros 16 (1,5%) estariam fora da cidade, em licenças sem vencimento, canceladas pelos decretos municipais. O percentual de médicos ausentes das emergências só chegaria a 12%, ou 132 profissionais, se somados aos 91 (8,5% da categoria) que até a última segunda-feira (13) entregaram atestados. Todos estão sendo periciados pelo PreviCampos.

Em comentário feito a esta postagem, às 6h13 da manhã de sábado (18), a secretária Cintia Ferrini esclareceu a diferença nos números: “Minha fala foi que estimadamente 15% dos médicos do ambulatório (se recusavam a atender na emergência) e não foi do total. Estamos juntos, profissionais e gestão, buscando o melhor atendimento e com segurança, para população”.

Thais Andrade, diretora do PreviCampos

Os decretos municipais eximiram do atendimento na emergência apenas as categorias de risco ao novo coronavírus: profissionais de saúde com mais de 60 anos, gestantes, cardiopatas ou diabéticos descompensados, em tratamento oncológico ou de doenças imunossupressoras. Até que os 91 atestados sejam periciados pelo PreviCampos, sua diretora, Thais Andrade, informou que estão comprovadamente dispensados da emergência outros 45 médicos, ou 4,1% da categoria.

Maristela Maurath, promotora de Justiça

Os 41 médicos que até agora não apresentaram nenhuma justificativa para não atender à convocação de atendimento na emergência, como os que tiverem seus atestados recusados pela perícia, serão analisados caso a caso pela Procuradoria-Geral do município e pela 3ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público Estadual. Sua titular, a promotora Maristela Nahuat, informou ainda não ter recebido do poder público municipal os números das ausências no atendimento de emergência à população campista:

— Estou esperando ansiosa pelo envio detalhado dessas informações, mas até agora não recebi. Assim que chegarem de maneira oficial e detalhada, abriremos um inquérito civil público para investigar. Temos que analisar as justificativas, pois há aquelas em que uma doença do profissional justifica a dispensa. Por enquanto, tudo relativo à Covid-19 em Campos e alguns outros municípios está reunido no processo administrativo 004/2020. Em relação aos atestados, já há um inquérito civil público anterior, o 008/2020, aberto em março. Caso se comprove a ausência forjada, isso poderia gerar não só ação de improbidade administrativa, como criminal. Esperamos que tudo seja enviado já periciado, como foi combinado. E será analisado caso a caso.

José Paes Neto, procurador-geral de Campos

Procurador-geral de Campos, José Paes Neto também garantiu que a análise do município, paralela ao do MP, será de caso a caso. Ele lembrou que o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) tem acompanhado o processo de convocação à emergência. E exemplificou diferenças que têm que ser levadas em conta:

— Com assento no gabinete de crise, o Cremerj tem acompanhado e ajudando a contactar os médicos. O que dá transparência e evita qualquer clima de “caça às bruxas”, pelas diferenças que levaram os médicos à greve. Prova disso é que o ponto biométrico foi temporariamente suspenso. Quem, mesmo assim, se recusou a ser relotado na emergência, terá seu caso analisado individualmente em sindicância. Assim como, em paralelo, pelo Ministério Público. Há quem more nos EUA e realmente nem tenha como retornar agora. Há quem more no Rio e está fazendo um curso de mestrado, que o capacitará para enfrentar a pandemia. Como também há quem está no Rio, mas simplesmente não quer voltar para atender em Campos. Casos como este podem gerar da advertência à demissão. O caso, lógico, é mais grave para quem está na cidade e ainda assim se recusa a atender à população na emergência.

Em contrapartida, estudos na China e Itália, primeiros epicentros da Covid-19 no mundo, apontam que a taxa de infecção pode chegar a até 40% nos profissionais de saúde, mesmo paramentados com todos os equipamentos de proteção individual (EPIs). E eles começaram a faltar no mercado internacional desde que os EUA, com seu poder econômico hegemônico, passaram a ser o novo epicentro da doença. Com base nisso, a secretária municipal de Saúde Cintia Ferrini fez uma indagação no Folha no Ar de quarta:

— Existe realmente uma possibilidade, dependendo do aumento aí de casos da evolução da doença no país e na cidade de Campos, de faltar EPIs. E se faltar? Você vai deixar de atender a um paciente? Você vai deixar um paciente vir a óbito pela falta de EPI?

Rogério Bicalho, delegado co Cremerj em Campos

Na defesa da integridade física dos profissionais de saúde, a resposta foi dada hoje pelo delegado do Cremerj em Campos, Rogério Bicalho. Ele cobrou o que tem passado diretamente ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e aos demais integrantes do gabinete de crise:

— Entre as recomendações do Cremerj para atendimento na pandemia da Covid-19, a primeira é: “Os profissionais de saúde, na rede pública e privada, só devem atender à população de risco com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), compostos, minimamente, de máscara de proteção, luvas descartáveis e, quando for o caso, avental de proteção”. Isso já tinha sido passado semanas atrás numa reunião onde estavam o prefeito, delegados de Polícia Civil, promotores do MP, comando da PM, entre outros que integram o gabinete de crise. Atender a um paciente suspeito de Covid-19 sem EPI seria como pedir a um policial para entrar numa comunidade dominada por traficante sem colete e sem fuzil. Sem EPI o profissional de saúde na linha de frente é um soldado abatido.

 

0

Presidente do Simec, José Roberto Crespo nesta sexta no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (17), o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, fecha a semana do Folha no Ar, na FM 98,3. Ele falará ao vivo sobre a “circulação sistêmica do novo coronavírus, com transmissão comunitária, nos municípios da região Norte Fluminense”, conforme nota Simec (confira aqui) divulgada no último domingo (12).

José Roberto analisará também o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) na Saúde Pública de Campos, cujas falhas foram detectadas em vistorias do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e admitidas pela secretária municipal de Saúde, Cintia Ferrini. E da revelação feita por ela (confira aqui), da dificuldade em relotar os servidores de saúde ao atendimento de emergência, considerado fundamental no combate à pandemia da Covid-19.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Humorista chama campista de feio e propõe Campos como cobaia para Covid-19

 

Com base no direito constitucional da liberdade de expressão, há limite para o humor? É o que testa o comediante carioca Léo Lins,  do programa The Noite, de Danilo Gentili, no SBT. Conhecido pelas piadas de gosto duvidoso, ele propôs aqui, em seu perfil de Instagram, que o isolamento social para conter a pandemia da Covid-19 seja suspenso em “cidades que não tem (sic) importância”. Entre elas, Campos dos Goytacazes, ao lado da paranaense Umuarama e da catarinense Chapecó:

— E ai (sic) observamos, se morrer muitas pessoas mantemos a quarentena, se forem so (sic) alguns vamos voltando aos poucos. Creio que acim (sic) todxs sai (sic) ganhano (sic) — tentou escrever.

 

 

Antes do novo coronavírus, o humorista já tinha causado polêmica, ao fazer piada com o que pensa sobre Campos e sua população. Em apresentação de stand up, ele arrancou risos da plateia ao dizer:

— O lugar que eu fui fazer show até hoje, que tinha a maior concentração de pessoas feias da face da Terra, foi no interior do Rio de Janeiro, em Campos. Aconteceu algum acidente em Campos. Se quiserem fazer um filme de zumbi lá (aqui), só precisam contratar os seres humanos. O resto do material a cidade provê naturalmente. As pessoas lá (aqui) são tão feias que eu acho que o cantor Belo ganhou esse apelido depois de um show em Campos.

 

 

Resta saber o que os familiares e amigos do caminhoneiro Hudisson Pinto da Silva, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, morto por Covid-19 (confira aqui) no último sábado (11), na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), achariam das piadas do comediante “bonitão”. Assim como os outros 21 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, seis deles em estado grave, que Campos havia contabilizado (confira aqui) até ontem (15).

Em 2013, quando trabalhava na Band e já tinha passagens compradas ao Japão, onde cumpriria compromissos profissionais, Léo Lins teve (confira aqui) seu visto cancelado. O veto aconteceu após a divulgação de um vídeo em que o humorista fazia piadas com o tsunami do Japão em 2011, que matou 15.894 pessoas. E gerou o abaixo-assinado “Impedir a entrada de Léo Lins no Japão”, feito por descendentes de japoneses e enviado ao Consulado daquele país.

Em sua polêmica mais recente, Léo Lins teve resposta de outro carioca de nascimento como ele, mas campista de coração. Ex-campeão mundial de natação, ex-presidente da Fundação Municipal do Esporte e pré-candidato a vereador, Raphael Thuin publicou (aqui), em seu perfil no Facebook:

 

 

Em comentário (confira aqui) à postagem do blog no site Folha1, mais acessado do interior fluminense, a leitora Juliana Sanchez respondeu às “piadas” do humorista sobre Campos com ironia: “Levou chifre de alguma garota daqui kkkk Só pode!!! Esperto!”

 

0

Como todos os movimentos fanáticos, autodestruição é inerente ao bolsonarismo

 

Consequência da Covid-19 com o isolamento vertical na cidade italiana de Bérgamo, que o presidente Jair Bolsonaro quer adotar no Brasil

 

 

Philipp Lichterbeck, jornalista correspondente do Brasil para a Alemanha

A seita que ameaça destruir o Brasil

Por Philipp Lichterbeck

 

 

A extensão da irracionalidade é aterrorizante e ameaça arrastar o Brasil para o abismo. Para a sua disseminação, há um motivo: o bolsonarismo. Esse nome se deve a um homem cujo livro favorito foi escrito por um torturador. Por conseguinte, o bolsonarismo tem correspondentes ideias para a sociedade: violentas, autoritárias, sem empatia, anti-intelectuais e pseudorreligiosas.

O bolsonarismo assumiu agora todas as características de uma seita cujos membros estão dispostos a seguir seu líder incondicionalmente, até a morte. Esse culto à morte está se tornando cada vez mais evidente nas manifestações dos bolsonaristas. Um caixão é carregado alegremente; no meio de uma pandemia, expõe-se a si mesmo e a outros ao perigo de um contágio e se grita: “A Covid-19 pode vir. Estamos prontos para morrer pelo capitão.”

Como em todos os cultos religiosos, as contradições são ignoradas. O bolsonarista sempre acha que sabe mais que os outros — mesmo que os outros sejam o mundo inteiro. Ele não segue as estrelas da razão e do conhecimento que fizeram a humanidade avançar ao longo dos séculos (apesar dos inúmeros retrocessos). O norte na bússola do bolsonarista é a satisfação de seu ego insultado.

O bolsonarista odeia o conhecimento quando este contradiz sua visão de mundo. Ele é como um motorista que anda na contramão na autoestrada e ouve no rádio que há um motorista na contramão e depois grita: “A mídia mente! Não é um motorista, são milhares!”

Inicialmente, o bolsonarismo negou a existência da Covid-19. Tratava-se de uma “fantasia” e uma “invenção da mídia”. Então, a doença se tornou uma “gripezinha” que não poderia afetar “atletas”. Quando ficou claro que a Covid-19 poderia muito bem fazer isso, seguiu-se o próximo passo na infalível lógica bolsonarista: cloroquina! Existe um remédio para a cura da Covid-19, mas os poderes das trevas não permitem que ele seja usado.

Os mesmos bolsonaristas que há cinco minutos haviam negado a existência da Covid-19 se tornaram, de repente, especialistas em curar a doença viral altamente complexa. Infelizmente, seus conhecimentos não podem ser aplicados. E por quê? Porque, segundo eles, os governadores e prefeitos do Brasil teriam concordado em implementar medidas de quarentena e introduzir o comunismo.

É típico: no momento que a situação não transcorre segundo a vontade deles, já que o Brasil é um Estado federalista, os bolsonaristas gritam: “Ditadura!” São como crianças que se jogam no chão gritando no supermercado para que suas mães comprem doces. Evidencia-se também a completa falta de princípios desse movimento. As mesmas pessoas que hoje alertam histericamente sobre uma ditadura defendiam ainda ontem uma ditadura, na qual seu herói disse uma vez ter sido um erro apenas torturar e não matar. O que essas pessoas querem agora?

O bolsonarismo segue uma lógica primitiva, criando sempre opostos simplistas. Isso inclui, por exemplo, achar que saúde e economia são contradições. Segundo essa lógica, os brasileiros deveriam preferir se expor ao risco de infecção para não cair na crise econômica. O bolsonarista parece não estar ciente dos custos econômicos (e sociais) de milhões de pessoas doentes e dezenas de milhares de mortes. Cálculos com mais de duas variáveis não são seu ponto forte.

O bolsonarista segue principalmente um impulso adolescente. Ele quer ser do contra e causar problemas. Ele sempre contradiz o que os adultos estão dizendo, neste caso: o resto do mundo. Ele fica satisfeito quando se opõe à maioria, vendo-se como um herói. E isso lhe dá a justificativa para agir como vítima.

Como todos os movimentos fanáticos, o instinto de autodestruição é inerente ao bolsonarismo. Assim como Hitler acreditava que a Alemanha merecia ser devastada se não conseguisse vencer a guerra, o bolsonarista gostaria de destruir tudo. Não há outra explicação para a sabotagem do presidente e de seus apoiadores contra as autoridades do setor de saúde pública.

Os bolsonaristas acusam a mídia e os governadores de torcer pela disseminação da Covid-19. Na realidade, são o presidente e seus apoiadores que estão fazendo de tudo para provocar o desastre sanitário.

 

Publicado aqui, no Deutsche Welle (DW), emissora internacional da Alemanha que produz jornalismo independente em 30 idiomas

 

0

Médico Vitor Carneiro, da UTI do CCC, às 7h desta quinta no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (16), o convidado do Folha no Ar é o médico intensivista e cirurgião cardíaco Vitor Carneiro. Ao vivo na Folha FM 98,3, rádio mais ouvida de Campos e região, ele falará sobre o processo de criação e funcionamento do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), sobre a capacidade do município em atender aos doentes mais graves da Covid-19 com leitos de UTI e respiradores, além da questão contrastante entre fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a necessidade de relotação dos profissionais de saúde de Campos ao atendimento de emergência.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Covid-19 — Secretária de Saúde: 15% dos profissionais recusam atender emergência

 

Cíntia Ferrini no Folha no Ar da manhã de hoje, feito por Skype para manter o isolamento social (Reprodução)

 

“Da listagem do ambulatório (dos profissionais da Saúde Pública de Campos relotados ao serviço de emergência, para atender à pandemia da Covid-19) eu posso estimar: ainda 15% se recusam. A gente tem feito um trabalho de conscientização. Acho que a gente também tem que entender que é um momento em que as pessoas ainda têm muito medo (…) A gente precisa conscientizar, treinar para que eles (os profissionais da Saúde Pública) se sintam seguros para trabalhar nas emergências. Não existe pré-julgamento, mas existe um momento em que a gente precisa dos profissionais nas emergências. A gente precisa garantir que as emergências funcionem. E se a gente tem um profissional de saúde efetivo, com o pagamento regular, é a primeira mão de obra que a gente precisa contar. Este é um trabalho que a gente tem feito todos os dias, junto com representantes do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), inclusive fazendo contato com esses profissionais no sentido de conscientizar. E a gente está avançando, com algumas dificuldades, algumas escalas em aberto ainda”.

Essa ausência de profissionais da Saúde Pública no atendimento de emergência à população foi admitida no início da manhã de hoje (15), no programa Folha no Ar, pela secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini. No programa ao vido da Folha no Ar 98,3, ela foi indagada sobre qual processo administrativo está sendo adotado pelo poder público municipal em relação a esses profissionais que se recusam a trabalhar na emergência:

— A gente faz a convocação (de relotação dos profissionais às emergências) por meio de Diário Oficial. A gente entra e contato e apresenta quais são as vagas disponíveis. O que acontece? No momento em que a gente levanta esse número de profissionais e alguns se recusam (a trabalhar na emergência), há uma determinação para que a gente encaminhe para o Ministério Público essa listagem. O processo administrativo é esse. Porque não é uma decisão específica da gestão municipal, é do gabinete de crise. E o que está definido por ele hoje é que os profissionais que se recusam a se apresentar, tem casos que a gente não conseguiu contactar e tem casos de recusa, a gente encaminha essa relação ao Ministério Público. Essa é a orientação do próprio Ministério Público e do Cremerj.

Desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao município, a secretária de Saúde também relatou que subiu muito o número de atestados médicos entre a classe médica que atua na rede municipal:

— A gente teve atestado médico em um dia de mais de 100 profissionais médicos. É sempre colocado algum problema de saúde por imunocomprometimento. E isso tem sido avaliado pela PreviCampos. Ou é algum problema respiratório, alguns casos relacionados a problema mental, depressão ou pânico. O número de atestados apresentados tem sido muito expressivo. E isso é bem preocupante. Fora os afastamentos que o próprio decreto (da pandemia da Covid-19) prevê: tem mais de 60 anos, é imunocomprometido, paciente oncológico, cardíaco. A gente tem profissionais de saúde com mais de 60 anos, que devem ser afastados, mas eles querem trabalhar nesse enfrentamento. E é fato, a gente está neste momento de relotação. Infelizmente ainda tem profissionais que se recusam a ir para as emergências. E isso está sendo acompanhado pelo Cremerj e pelo Ministério Público. A gestão da Saúde hoje é compartilhada, no sentido de tornar tudo muito transparente.

Em contrapartida, Cintia Ferrini também foi questionada dos vários problemas com fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs). Encontrados em vistoria recente do Cremerj em todas as principais unidades da rede de Saúde Pública de Campos (confira aqui e aqui), eles estariam motivando o receio dos profissionais em ser relocados ao serviço de emergência, onde poderiam ficar expostos à contaminação pelo novo coronavírus:

— O que acontece no Brasil e no mundo é que as necessidades que você tem para EPI quadriplicaram. O mercado não consegue atender a necessidade. Este é um fato. A gente tem vivido um dia de cada vez. Você não consegue hoje ter um estoque para garantia de um mês, dois meses. Isso hoje é quase que utópico. Nós temos feito treinamentos constantes. Alguns equipamentos o fornecedor entrega com um pouco mais de facilidade, outros com um pouco mais de dificuldade. Temos trabalhado com os profissionais para que eles sejam conscientizados da importância de utilizar com responsabilidade, para que a gente evite o desperdício. Existe realmente no país uma possibilidade, dependendo do aumento aí de casos da evolução da doença no país e na cidade de Campos, de faltar. E se faltar? Você vai deixar de atender a um paciente? Você vai deixar um paciente vir a óbito pela falta de EPI? — questionou a secretária municipal de Saúde.

 

Confira nos vídeos abaixo os três blocos do Folha no Ar de hoje com a secretária Cintia Ferrini:

 

 

 

 

0

Campos chega a 22 casos confirmados de Covid-19, com quatro novos de hoje

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Campos fechou hoje (15) sua contabilidade da pandemia de Covid-19 com 22 casos confirmados. Quatro deles foram registrados nesta quarta: um idoso de 81 anos, que está em serviço de home care e teve contato com um parente infectado de São Francisco de Itabapoana; uma mulher de 31, que é militar e veio de Roraima; um homem que é profissional de saúde e atua em Macaé; além de uma mulher de 46, ainda sem maiores informações. Nenhum caso é grave e eles estão em isolamento residencial.

Dos 18 casos confirmados anteriormente, seis estão internados em estado grave em UTIs. Quatro deles estão no Hospital Dr. Beda: um homem de 31 anos e outro de 41, ambos com obesidade; outro homem, de 60, com diabetes; e uma mulher de 59, sem comorbidade. Na UTI do Hospital da Unimed está uma mulher de 58, com diabetes e doença cardiovascular. Enquanto outra mulher, de 69 e com obesidade e hipertensão, está na UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC).

Dois outros casos confirmados estão internados em leitos clínicos e apresentam quadros moderados da Covid-19. Um homem de 78 anos, com doença cardiovascular, está na Unimed. Enquanto uma menina de 6 anos, que tem asma e imunodeficiência primária, está no Hospital Ferreira Machado, de onde saiu da UTI Peditátrica (Utip) para um leito clínico.

Dos demais 14 casos confirmados em Campos, entre eles os quatro novos de hoje, 13 estão em isolamento residencial. O que falta na conta é o caminhoneiro Hudisson Pinto dos Santos, de 39 anos, casado e pai de dois filhos pequenos, morto (confira aqui) em 11 de abril na UTI do CCC. A Vigilância em Saúde não o contabiliza como caso confirmado, por questão de protocolo, enquanto seu diagnóstico clínico, exame de imagem e teste rápido positivos não forem oficializados pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde.

Além dos 22 casos confirmados no total, Campos tem 28 casos suspeitos (sem contar Hudisson) e 33 casos descartados.

 

0

Covid-19 — A partir de 6ª, Mercado Municipal terá só 4 acessos e controle de fluxo

 

Com controle de fluxe de pessoas no Mercado, fiscalização de fluxo de pessoas no espaço será permanente (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Motivo de várias reclamações e fiscalizações da Prefeitura, por conta das aglomerações de gente geradas durante a pandemia da Covid-19, o Mercado Municipal de Campos começa a receber amanhã as novas placas de contenção de pessoal. E, a partir já desta sexta (17), só terá quatro pontos de entrada e saída: 1) pela rua Tenente-Coronel Cardoso (Formosa), ao lado da peixaria; 2) pela avenida José Alves de Azevedo (Beira Valão); 3) pelo estacionamento do Mercado, na descida da rua João Pessoa; e 4) pelo corredor do Shopping Popular (Camelódromo), que já está sendo construído para unificar o acesso dos três hoje existentes, na rua Barão do Amazonas.

Compreenda melhor no mapa:

 

Projeto da Codemca para controlar o fluxo de pessoas no Mercado, que começa a ser instalado amanhã e passa a funcionar na sexta (Imagem: Divulgação)

 

Cada um desses quatro pontos terá uma tenda, com fiscais fornecendo álcool gel 70 para higienização das mãos das pessoas que entram e saem do Mercado. Elas também serão orientadas para evitar aglomerações no espaço interno, mantendo o limite de dois metros de afastamento físico nas filas. Posteriormente, também serão distribuídas máscaras de proteção aos consumidores.

Não há um número máximo dos consumidores que serão permitidos ao mesmo tempo no Mercado. A média de frequência diária, nas 12 horas de funcionamento, vai de 1 mil a 1,2 mil pessoas no total. No espaço interno, fiscais contratatados temporariamente estarão em constante comunicação com as quatro tendas de entrada e saída, visando controlar o fluxo de gente.

Todas as informações foram repassadas pelo diretor da Companhia de Desenvolvimento Carlos Vinicius Viana Vieira, a quem coube a tarefa de ordenação do Mercado. As medidas de contenção foram decididas ontem (14) em reunião do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) com seu gabinete de crise, montado para combater a pandemia da Covid-19 em Campos.

 

0

Secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (15) a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será a secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini. Administradora e especialista em Saúde Pública, ela falará sobre os equipamentos de proteção individual (EPIs) aos profissionais de saúde, da capacidade real de testagem para Covid-19 do município, além da disponibilidade de leitos e respiradores na rede goitacá.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Intensivista do CCC sobre morto sem suspeita de Covid-19: “não transferimos porque não pudemos”

 

Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos, no dia de sua abertura, em 30 de março (Foto: Divulgação)

 

Vitor Carneiro, médico intensivista e cirurgião cardíaco, um dos idealizadores do CCC, onde atua na UTI (Foto: arquivo pessoal)

“O jovem chegou ao CCC (Centro de Controle e Combate ao Coronavírus) direto para o setor vermelho (reservado aos casos graves), transferido da UPA de Guarus na quinta (09). Após fazer tomografia, subiu e foi logo entubado (na UTI), pela gravidade do quadro apresentado. Na sexta (10), mesmo sem tempo para fazer o teste rápido (recomendado só após o 7º dia da manifestação dos sintomas), a suspeita de Covid-19 foi descartada. Mas não pôde ser transferido porque, apesar de todos os esforços, não foi possível estabilizá-lo. E assim seguiu até infelizmente vir a óbito na segunda (13)”.  Foi o que esclareceu na manhã de hoje (14) o médico intensivista e cirurgião cardíaco Vitor Carneiro, um dos idealizadores do CCC, onde atua no setor vermelho da UTI. O caso do jovem campista de 28 anos, morto ontem, foi noticiado no mesmo dia (confira aqui) pelo blog.

Vitor teve contato direto com o paciente a partir da manhã de sexta (10), assumindo o caso do colega plantonista da noite anterior. Ele deu detalhes do caso após a coordenação clínica do CCC ter se manifestado sobre o ocorrido por WhatsApp, junto ao blogueiro e ao promotor de Justiça Marcelo Lessa, durante o programa Folha no Ar (confira aqui) no início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3. O intensivista do CCC lamentou, sobretudo, pela família do jovem morto, cujo diagnóstico real da doença teve que ser mantido sob sigilo médico:

— A gente fica chateado porque montamos o CCC (que iniciou suas atividades aqui, em 30 de março) para preparar Campos e região ao pior da pandemia da Covid-19, que ainda virá, a partir do final deste mês (e, segundo o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta revelou ao Fantástico no último domingo, se manterá nos meses de maio e junho). E agora temos nosso trabalho questionado. Não transferimos o paciente porque não pudemos. Ele já chegou ao CCC em estado muito grave da UPA. E foi piorando, a despeito de todos nossos esforços, até vir a óbito. Mas ficamos ainda mais chateados pela família do jovem. Que não pode ter o velório normal do ente querido perdido, pelo protocolo de afastamento exigido por conta da pandemia — disse Vitor.

O médico intensivista do CCC também ressaltou que, como o blog já havia noticiado ontem, o material do rapaz morto foi colhido e enviado ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), credenciado pela secretaria estadual de Saúde para confirmação oficial dos casos de Covid-19. Apesar do caso ter sido descartado como suspeito da doença pela clínica, epidemiologia, laboratório e exame de imagem.

Vitor Carneiro será o convidado desta quinta (16) do Folha no Ar, sempre ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Que recebe amanhã (15) a secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini. O programa da rádio mais ouvida de Campos e região fecha sua semana na sexta (17) com o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo.

 

0

Adeus a Moraes Moreira — Saudades do Galinho e de quem as cantou

 

Ídolos Zico e Moares Moreira

 

Não poderia fechar o dia sem lembrar que morreu hoje Moraes Moreira, aos 72 anos. Alheio ao pesadelo real da pandemia da Covid-19, morreu dormindo.

Da sua história como compositor e cantor, que tão bem soube unir a riqueza da raiz da música popular brasileira com os elementos eletrônicos da música pop internacional, dos Novos Baianos à carreira solo de brilho encerrada com sua morte, outros tantos já escreveram mais e melhor.

Sobre sua história com Campos e São João da Barra, escrita através da Folha da Manhã, em shows antológicos no verão de 1989, em Chapéu de Sol e Farol de São Thomé, e em 2005, no Teatro Trianon, Diva Abreu Barbosa já falou aqui, na boa matéria da Paula Vigneron.

Mas não podia encerrar o dia sem lembrar de outra face do gênio da música: a de flamenguista apaixonado. E antes disto, em fé que comungo, um ziquista juramentado.

Lembrando de Moraes, não dá para esquecer de quando Zico aposentou as chuteiras do Flamengo. No último dia 6 de fevereiro, fez (aqui) 30 anos.  Em que eu e 100 mil pessoas indagávamos em uníssono ao maior craque da história do Maracanã, das arquibancadas do estádio, os versos do músico ainda frescos dos seus shows em Chapéu de Sol e Farol: “Por que parou? Parou por quê? Por que parou? Parou por quê?”

Como Moraes Moreira, tenho saudades do Galinho. E, desde hoje, de quem tão bem as cantou:

 

 

“E agora como é que eu fico

nas tardes de domingo

Sem Zico no Maracanã?

Agora como é que eu me vingo

de toda derrota da vida?

Se a cada gol do Flamengo

Eu me sentia um vencedor

 

Como é que ficamos os meninos,

essa nova geração?

Arquibaldo, geraldinos,

como é que fica o povão?

Será que tem outro em Quintino?

Será que tem outro menino?

Vai renascer a paixão ou não?

 

Falou mais alto o destino

e o Galinho vai cantar

láiá laiá

vai cantar noutro terreiro

no coração brasileiro

uma esperança

quem sabe o fim dessa história

não seja o V da vitória

o V da volta, volta

 

Volta Galinho

que aqui tem mais

carinho e dengo

vai e volta em paz que o Flamengo

já sabe como esperar

você voltar”

 

0

Promotor Marcelo Lessa fala da guerra contra a Covid-19 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Às 7h desta terça (14), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será o promotor de Justiça Marcelo Lessa. Titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva da comarca, ela falará ao vivo sobre equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais da Saúde Pública de Campos (confira aqui), da fiscalização ao comércio para coibir preços abusivos na venda de álcool 70 (confira aqui), do fechamento e autuação recentes dos supermercados Makro (confira aqui) e Hortifruti (confira aqui), além da dificuldade em impor o isolamento social (confira aqui) à população campista, na tentativa de conter a pandemia da Covid-19 no município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0