Caio Vianna,Gustavo Matheus, Rodrigo Bacellar e Thaís Tostes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Após perder a presidência do PV em Campos e sair do partido atirando (confira aqui), Gustavo Matheus foi rápido: seu novo destino é o PL, legenda do arco de alianças da pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT). Pelo novo partido, o ex-verde tentará amadurecer em mais uma candidatura a vereador. A informação foi passada ao blog por Caio, de quem partiu o convite a Gustavo. Citado por este ao perder o PV, o pedetista também comentou a movimentação da legenda no fechamento da janela partidária. E, ao final, aproveitou para alfinetar seu ex-aliado, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD):
— Com relação à definição do PV, não me cabe fazer comentários porque não faço parte do partido e essa decisão cabe exclusivamente aos seus dirigentes. Obviamente é ruim uma decisão que não respeite a vontade popular dos dirigentes do partido na cidade e dos quadros que compõem o partido aqui em Campos. Com relação ao Gustavo, ele é um grande quadro. Acredito que fez um grande trabalho à frente do PV. Inclusive, na última eleição municipal, ele conseguiu se consagrar como o (candidato a) vereador mais bem votado da história do PV na cidade. Por isso e por todas as outras qualidades que o Gustavo vem apresentando, ao longo da sua trajetória, eu acredito muito no potencial dele. E fiz convite para ele estar com a gente em uma das nominatas que compõem o nosso arco de alianças para as próximas eleições. Ele aceitou esse convite e se filiou ao PL, para concorrer a vereador. E acrescentando, como já havia dito antes, qualquer discussão que exclua a sociedade e vise meramente um projeto de poder, não um projeto de cidade, eu estou fora! — exclamou Caio.
O pedetista repetiu o que havia dito em entrevista publicada (aqui) na Folha em 22 de março. Quando indagado do motivo da sua ruptura com Rodrigo, que era considerado o principal articulador da pré-candidatura a prefeito, Caio respondeu:
“Folha – A cisão com Rodrigo se deu por que ele queria indicar seu pré-candidato a vice, além da disputa entre PDT e SD como destino do vereador Igor Pereira (atual PSB), líder do G-7? Se cedesse, todos fossem candidatos e eleitos, você poderia se tornar refém do deputado?
Caio – Esse tipo de negociata que você relata não é projeto de cidade. É um projeto de poder que exclui a sociedade. Estou fora!”
Por sua vez, no PL, Gustavo terá outra oportunidade de concorrer em uma eleição contra sua colega jornalista Thaís Tostes, pré-candidata a vereadora pelo PDT. Em 2018, quando os dois ex-profissionais da redação da Folha concorreram a deputado estadual, Gustavo teve 2.364 votos, um pouco menos que os 2.485 de Thaís.
Gustavo Matheus, Hans Muylaert, Rodrigo Bacellar, Rafael Diniz, Wladimir Garotinho e Thaís Tostes (Arte: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)
Partido que deu apoio à candidatura vencedora do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) em 2016, o PV de Campos mudou de mãos. No universo de 16 votos da executiva estadual dos verdes, ontem 12 elegeram o psicólogo Hans Muylaert como novo presidente municipal da legenda. Apenas dois votaram pela manutenção do jornalista Gustavo Matheus na presidência, com duas abstenções. O ex-presidente saiu atirando nas redes sociais. E fez Rafael e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) como alvos:
— São oito anos de Partido Verde, sempre com muito respeito, lealdade e vontade de fazer o certo de ambas as partes. Infelizmente o partido se apequena ao bel prazer da mais nova dupla sertaneja da infame política goitacá, Rodrigo e Rafael (…) O prefeito e o deputado fizeram um acordo. Se Rodrigo arrumasse um nome viável até as convenções partidárias Rafael sairia do pleito e apoiaria o candidato de Bacellar como o nome da máquina. Caso contrário, Rodrigo apoiaria a reeleição de Rafael, ou lançaria uma linha auxiliar financiada pelo governo falido pra atacar Caio Vianna (PDT) e Wladimir Garotinho (PSD), os líderes da pesquisa de intenção de voto. A manobra de Rodrigo em lançar nomes ao tabuleiro serve para nada mais, nada menos que escolher o vice de Rafael. E o PV, que em breve terá como presidente o diretor de Turismo de Diniz, se presta a este papel, mas eu não.
Após a derrota e a perda de controle do partido, Gustavo também anunciou sua desfiliação:
— Ferindo o municipalismo e respeito aos cidadãos campistas, que já não aguentam a atual gestão, o PV cospe pra cima e não sai do lugar. Por isso, estou me desfiliando. Nunca compactuei com acordos que excluem ou ludibriam a população. Estou fora!
Diretor municipal de Turismo citado pelo ex-verde, Hans Muylaert falou ao blog sobre sua condução à presidência municipal do PV e do posicionamento público do seu antecessor:
— O passado presidente municipal fez da sigla sua personificação platônica, buscando a sua manutenção em acordos, mesmo que com transferência domiciliar (Gustavo estaria alternando residência entre São Paulo e Campos), se coloca ainda como munícipe de uma cidade que temos que continuar a seguir. Assumi em 2018 a coordenação regional do partido, depois de 16 anos como membro partidário, ainda vivendo toda dinâmica pela perda insubstituível do fundador e coordenador partidário Joca Muylaert (jornalista falecido, verde histórico de Campos e pai de Hans), que me ensinou ser muito mais que filho. Agora assumo novo desafio, além de manter a coordenação regional em meio à pandemia, a presidência do nosso partido em nossa cidade conduzida por votação da executiva estadual. É uma responsabilidade que não passa por conversas personificadas e sim, por assumir o grande desafio de representar cada fundador, seus membros e a diretriz partidária que fica esquecida nessa corrida para se cumprir os prazos eleitorais.
Ao blog do Edmundo Siqueira, Gustavo Matheus falou (aqui) da sua relação com Hans, que vai substituí-lo na presidência municipal do PV:
— Não há racha entre a gente. Ele preferiu seguir no governo quando saímos, faz parte. Quanto ao saudoso Joca, seu pai, eu não estaria no PV se não fosse por ele. Afinal, Joca foi quem me filiou, assinou minha ficha e fez o convite. A avaliação que faço é a realizada no texto. O partido verde resolveu apoiar o governo, desrespeitando o princípio do municipalismo, que já foi forte dentro da sigla. Não há nenhum tipo de retorno de gestão política dentro do partido. Há oportunismo eleitoral. Se tivesse a ver com gestão partidária, não fariam este movimento há seis meses da eleição e há um dia do prazo final de filiações. É sempre assim. Partido na cabeça de algumas pessoas só tem utilidade na hora eleição. Infelizmente, com muita tristeza, deixo o partido, meu único partido em toda vida, minha casa. Lugar onde consegui ser o candidato a vereador mais votado da história do PV em Campos.
Se falou em “oportunismo eleitoral” na sua perda do comando da legenda em Campos, Gustavo teve sua trajetória no PV analisada por Hans, que evocou uma história partidária de “liberações, mas não libertinagens”:
— Há um tempo o coordenador regional do meu partido me ligava, eu morava longe da minha cidade, mas sempre atento ao que acontecia por nossa Campos. Então, me é apresentado, por descrição, o novo presidente municipal do nosso partido. A princípio, seria uma afronta à gestão da época, colocar o sobrinho (Gustavo é sobrinho do ex-governador Anthony Garotinho, sem partido) que iniciava a árdua tarefa de articulador do mais respeitado meio de comunicação da região, como presidente do partido da linha de frente oposicionista, mas em seguida foi por um belo projeto de ver um jovem, ainda verde, representar o melhor. Viu-se que o partido em Campos foi se apresentando controverso no caminhar da tarefa de uma sigla que desde a fundação caminha a passos de seu próprio ritmo de formar o que somos, verdes. A história do Partido Verde em Campos não se inicia há alguns anos, e sim com grandes movimentos de plantio de milhares de mudas por toda a cidade, numa corrente verde de transgressão das sungas de crochê a liberações, mas não a libertinagens.
A menção de Hans à trajetória do ex-presidente municipal do PV no “mais respeitado meio de comunicação da região”, se refere à passagem profissional do último na Folha da Manhã, onde foi repórter de política, além de ter mantido um blog hospedado no site do jornal. Gustavo, que citou seu bom desempenho (1.312 votos) no pleito a vereador de 2016, concorreu depois na eleição a deputado estadual de 2018, antes da qual se deu sua ruptura com o governo municipal. No pleito, teve 2.364 votos. Outra jornalista com passagem pela redação da Folha, que até hoje mantém seu blog “Na Lata” hospedado no Folha1, Thaís Tostes também concorreu a deputada estadual, pelo Rede Sustentabilidade, em 2018. E obteve 2.485 votos.
Criticado por Gustavo, o deputado estadual Rodrigo Bacellar respondeu apenas: “cachorro morto não se chuta”. Também citados, o prefeito Rafael Diniz e o deputado federal Wladimir Garotinho, primo do ex-presidente municipal do PV, preferiram não se pronunciar. Confira aqui a posição do pré-candidato a prefeito Caio Vianna.
Na noite de ontem este Opiniões foi o primeiro a divulgar aqui que os dois novos casos de contaminação pela Covid-19 em Campos, que agora tem três casos confirmados, eram profissionais de saúde. E desde ontem o blog gerou a demanda de posicionamento ao Sindicatos dos Médicos de Campos (Simec), assim como ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).
No início da tarde de hoje, o Simec se posicionou. Informou que “segue diligentemente monitorando a distribuição, e as devidas orientações sobre a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs)”. Mas que “até o momento, não recebeu denúncias da categoria sobre escassez das ferramentas nas unidades públicas de saúde”. E ressaltou que “após a confirmação de infecção por Covid-19 em profissionais da saúde que atuam em Campos, faz-se necessário reiterar a importância da adoção dos padrões de prevenção determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a finalidade de conter a escalada do coronavírus”.
Confira abaixo a íntegra da resposta do Simec, gerada pela demanda do blog:
O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), em prol da proteção dos profissionais da saúde e da população, segue diligentemente monitorando a distribuição, e as devidas orientações sobre a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), bem como o emprego de treinamento continuado para os profissionais da saúde atuantes no enfrentamento à pandemia do coronavírus Covid-19, no município. O Simec informa que, até o momento, não recebeu denúncias da categoria sobre escassez das ferramentas nas unidades públicas de saúde. O sindicato coloca-se à disposição dos profissionais para fins de quaisquer esclarecimentos e suporte pertinentes, e permanece orientando à categoria a realizar a adoção minuciosa de medidas para garantir, nesse momento de preservação a vida, a proteção de médicos, demais colaboradores que atuam nas unidades de saúde e pacientes.
Após a confirmação de infecção por Covid-19 em profissionais da saúde que atuam em Campos, faz-se necessário reiterar a importância da adoção dos padrões de prevenção determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a finalidade de conter a escalada do coronavírus.
Aos médicos e profissionais da saúde, que estão nas linhas de frente da batalha contra a Covid-19, o Simec recomenda o uso de EPI conforme a orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e para pessoas doentes e seus cuidadores, o uso de máscaras combinado com outras medidas de proteção, como lavar as mãos com água e sabão frequentemente, ou realizar a higienização com álcool gel 70° (INPM), e evitar levar as mãos ao rosto.
O Simec continuará monitorando a garantia no fornecimento de EPI, o treinamento adequado e extensivo (para todos os profissionais envolvidos) e a salvaguarda para os grupos de risco, com acompanhamento da passionalidade de dispensa dos serviços e ou realocação para áreas que não tenham contato direto com pacientes infectados.
Itaperuna teve seu primeiro caso confirmado de Covid-19. É um marido de uma médica, que fez um teste rápido no final da tarde de hoje, no Hospital da Unimed da cidade e ainda demanda confirmação pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), na cidade do Rio e referenciado pela secretaria estadual de Saúde. Até então, Itaperuna tinha 113 casos suspeitos do novo coronavírus, número mais de nove vezes superior aos apenas 13 suspeitos de Campos. Mesmo que os 103.224 itaperunenses, segundo o IBGE de 2019, correspondam a cerca de 1/5 dos 507.548 campistas.
A chegada e utilização dos testes rápidos da Covid-19, necessários, mas menos precisos que os PCR, deve aumentar as estatísticas dos casos confirmados em todo o país. Itaperuna é polo de saúde do Noroeste Fluminense, enquanto Campos ocupa esta posição em relação aos demais municípios do Norte do Estado do Rio.
Campos já tem três casos confirmados da Covid-19. Os dois novos casos são de profissionais de saúde. E agora são 12 casos suspeitos, dois deles em estado grave. Este foi o motivo do atraso da liberação da estatística da pandemia no município, geralmente atualizada às 18h. Que não foi feito até agora, às 20h, porque espera a gravação e divulgação de um vídeo da Prefeitura de Campos.
É correto um líder chamar para si a responsabilidade em tempo de crise. E quem conhece o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) sabe o quanto ele é zeloso desse papel. Mas essa centralização na liberação de informações, no desejo de trabalhá-las publicitariamente antes da divulgação, é antijornalística. E um erro crasso de comunicação. Que sempre foi calcanhar de Aquiles da atual administração municipal, apesar dos excelentes jornalistas que possui.
Cabe ao poder público, em suas várias esferas, liderar o combate à pandemia do novo coronarírus. Mas, uma vez que as informações tenham sido confirmadas, liberá-las de maneira rápida é uma obrigação com a sociedade. Se a maquiagem dos números reais da Covid-19 já é inevitável pela subnotificação advinda da falta de testes em massa no Brasil, sua maquiagem publicitária também é dispensável. O respeitável público agradece.
Limpeza na manhã de hoje da área onde será instalado o hospital estdual de campanha da Covid-19 (Foto: Christano Abreu Barbosa)
Após uma equipe do Governo do Estado, em companhia do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), fazer uma vistoria ontem (confira aqui) no terreno da antiga Vasa, onde deve começar a ser instalado nesta segunda (06) o hospital de campanha para a pandemia do novo coronavírus, na manhã de hoje foi a vez de funcionários da Prefeitura iniciarem a limpeza da área. A previsão é de que o hospital seja entregue no dia 30 deste mês, com 100 leitos, mas apenas 20 de UTI, munidos de respiradores mecânicos, fundamentais à sobrevivência dos casos mais graves de Covid-19. O pico da doença no Brasil e na região está projetado para 10 dias antes, a partir do dia 20.
Fake news noticiadas em sites locais chegaram a anunciar que o hospital de campanha seria instalado na Uenf. Este blog foi o primeiro a divulgar aqui, em 23 de março, que a área da antiga Vasa, com 9 mil metros quadrados, havia sido oferecida para o fim. No dia seguinte (24), o local foi confirmado também aqui, pelo deputado Wladimir Garotinho, político da região com mais acesso ao governo Wilson Witzel (PSC).
Limpeza pela Prefeitura da área que vai abrigar hospital estadual de campanha (Foto: Chistiano Abreu Barbosa)
A partir das 7h da manhã desta sexta (03), horário de Brasília, caberá a uma campista radicada há 27 anos na Alemanha fechar a semana do Folha no Ar: a psicóloga e pedagoga Claudya Ribeiro. Da cidade alemã de Stuttgart, ela escreveu um artigo analisando os dados estatísticos da pandemia da Covid-19 na Europa, onde conclui que “nenhuma medida de isolamento é exagerada”. Republicado aqui, neste blog, o texto de advertência causou grande repercussão também na terra natal da autora.
Na manhã campista desta sexta, início de tarde na Alemanha, Claudya será entrevistada ao vivo por Skype, no programa da Folha FM 98,3. Ela falará sobre a expansão do novo coronavírus na Europa e sobre a projeção do pico da doença no Brasil a partir do final deste mês de abril. E explicará porque não há exagero em insistir neste grave momento de crise no isolamento social, necessidade ainda ignorada por muitos campistas e brasileiros.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar internacional desta sexta, pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Médico infectologista Rodrigo Carneiro dissecou o novo coronavírus no Folha no Ar de hoje, realizado por Skype para manter o isolamento social contra a pandemia (Reprodução)
“Estava lendo o estudo do Imperial College de Londres (que projetou para o Brasil um mínimo de 44 mil mortos pela pandemia da Covid-19), que são os maiores especialistas da área. Certamente vamos ter um aumento do número de casos importante nas próximas semanas. E, do meio ao final de abril, uma explosão no número de casos. E aí a gente trabalha a cada duas, três semanas. O que a gente pode afirmar hoje, categoricamente, é: o número de casos vai subir muito e até o final do mês nós estaremos na aceleração máxima do crescimento. Quanto tempo isso vai durar? Não dá para dar certeza, mas certamente não será algo rápido. A gente deve ter esse período de exceção, no mínimo mais um mês, 45 dias. Na melhor das hipóteses, daqui a 45 dias as coisas poderiam começar a diminuir e a gente ir afrouxando alguma medida (de confinamento). Certamente, o ano de 2020 não será um ano normal”.
Foi o que esclareceu ao programa Folha no Ar da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, o médico infectologista Rodrigo Carneiro. Servidor da Saúde Pública de Campos no Hospital Geral de Guarus (HGG), ele trabalha também em outro hospital referência da região, o São José do Avaí, de Itaperuna. Apesar da gravidade do quadro que a população brasileira vai enfrentar a partir de meados deste mês de abril, passando por maio e com perspectiva de diminuição talvez só a partir de junho, ele acredita que Campos esteja se preparando bem para enfrentar a crise, com a instalação do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, no prédio novo da Beneficência Portuguesa, que entrou em atividade em 30 de março. Assim como o hospital estadual de campanha no município na área da antiga Vasa, que o Governo do Estado promete entregar no final do mês:
— A gente está próximo do segundo centro maior centro do Brasil em número de casos e vamos pegar a rebarba disso, certamente. Teremos muitos casos em Campos. Eu vejo como muito boa a ideia a ideia da abertura da Beneficência, a gente tinha que ter um Centro de Controle. Vai ser essencial, assim como o hospital de campanha. Na minha opinião, Campos vai estar adequadamente servidos para atender os pacientes que precisem de hospital. O que a gente vai ter que melhorar é a parte primária, é na parte de orientação à população — disse o médico infectologista. Rodrigo Carneiro esclareceu também outros pontos sobre o novo coronavírus, em entrevista à Folha FM:
Sintomas mais comuns — A falta de olfato e paladar geralmente vem com a fase de melhora da condição respiratória. Com o aumento de caso e uma mostra maior, a gente está vendo que a febre não está sempre presente. A maioria começa com mal estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, febre e, aí, os sintomas respiratórios nas primeiras 24 horas após esses sintomas. Isso é o clássico. A maioria dos casos são oligossintomáticos (poucos sintomas) ou até assintomáticos.
Contaminação — As pessoas perguntam sobre a quarentena. Por que ficar 14 dias? Foi visto nos pacientes chineses que os pacientes infectados podem eliminar o vírus por até 14 dias, no quadro leve. Os pacientes que ficam internados e necessitam de UTI, esses podem eliminar o vírus por até 21 dias. Isso é importantíssimo. Por quê? Porque eu tenho que ter rigor com as medidas de prevenção do profissional de saúde por um período ainda maior. A gente vai ter que estar com a paramentação adequada para atendê-los
Sequelas — Nos casos leves, o paciente não fica com nenhuma sequela. Nos casos graves, há sequelas pulmonares. Mas há inclusive manifestações não respiratórias, inflamações de pericardite, na membrana que envolve o coração e não é tão raro; encefalite, com quadros que lembram a meningite bacteriana; insuficiência renal. Não são os mais comuns, mas também são descritos. Mas eles podem aparecer normalmente naqueles indivíduos propensos a caos mais graves, que são os idosos e os imunocomprometidos.
Drama e apelo — Esses indivíduos propensos a problemas respiratórios são aqueles que precisam de ventilação mecânica durante muito tempo. E o que os intensivistas (médicos de UTI) passam para a gente é que são pacientes difíceis de você conseguir oxigenar o sangue, o pulmão fica todo inflamado. As medidas têm que ser o que a gente chama de heroicas. Você aumenta muito a pressão no ventilador para empurrar o oxigênio para o paciente e mesmo assim ele não oxigena. São quadros bastante complexos. Idosos, principalmente, não saiam de casa. Para quem tem pai, mãe e avós, cuide, deixe lá em casa e não tenha contato, por favor.
Lições — Está um pouco cedo. A principal é: o homem não está preparado para lidar com uma doença causado por um vírus, um microrganismo com letalidade moderada. A gente nem pode classificar a letalidade do coronavírus como alta, quando compara com outros microrganismos. Está mais do que demonstrado que a humanidade não está preparada para lidar com isso. E poderia ser muito pior. A gente poderia ter um vírus com uma letalidade muito pior. É o principal recado que a natureza está dando para a humanidade. A gente tem que cada vez mais pensar em questão ambientais e como higiene pessoal. A gente precisou passar por uma pandemia para ver a importância de lavar as mãos. A humanidade vai sofrer muito, vai passar por perdas dolorosas. Mas talvez use isso para mudar a importância que os políticos dão à atenção básica em saúde, ao saneamento básico, de termos mais leitos hospitalares, planos de contingência que possam ser rapidamente implementados. O dado positivo é mostrar como a ciência é importante. Nós infelizmente temos em nosso país um administrador que não pensa assim.
Confira abaixo em vídeo os três blocos da entrevista do médico infectologista Rodrigo Carneiro no Folha no Ar de hoje:
A partir das 7h da manhã desta quinta (02), o convidado do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, é o economista Alcimar Ribeiro. Professor da Uenf, ele falará sobre a o que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aponta como dicotomia entre crise da saúde e crise econômica. Também analisará as medidas governamentais em socorro aos a trabalhadores e empresários, por conta do isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, e qual será seu impacto sobre o liberalismo econômico.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Que o tempo é de cuidados com a pandemia da Covid-19, ninguém discute. Mas como também ninguém discute outra coisa, embora todas as demais doenças do mundo permaneçam existindo, coube a Maron El Kin, um dos médicos mais respeitados de Campos, fazer o alerta no grupo de WhatsApp deste blog.
Professor da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), servidor federal e estadual aposentado da Saúde Pública, prestes a completar meio século de medicina e um dos clínicos-gerais mais disputados de Campos, Maron continua atendendo em seu consultório. Homem de estilo contundente e espírito público, seu diagnóstico é sempre preciso — por precisão, ou necessidade:
Maron El Kik, médico
“Entendo que a pandemia é prioritária, mas não existe só patologia por coronavírus! Os médicos que não estão na linha de frente do coronavírus têm que ter sensibilidade para outras patologias tão severas ou mais que estão matando! Sépsis em diabético com ferida tratando online; idosa de 95 urrando há 7 dias de dor e online dando analgésico e ela fraturada; hemorragia digestiva em alcoolista em uso de aspirina desmaiando e ninguém fazendo nada por causa do Corona; paciente sem andar dizendo online que era acidente vascular e era tumor; dor nos braços em idosa tomando anti-inflamatório e era angor pectoris; idosa com insufiência cardíaca que broncoaspirou e fez pneumonia e criou se um pandemônio achando que era Corona, pois sem história da paciente apavoram; asmática há anos que limpou a casa ontem e hoje está dispneica e saem todos correndo dizendo que é Corona. Medicina é coisa muito séria! Vamos nos proteger, proteger os pacientes, mas parar com esta paranoia e examinar o paciente. Os idosos, os pacientes com comorbidade devem ter cuidados especiais, mas reafirmemos que existem outras doenças”.
Criado para fornecer pautas a este blog e ao programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, um grupo local de WhatsApp foi criado. Que, a despeito da condição de Neandertal tecnológico do seu moderador, tem sido bastante movimentado. E, nas últimas semanas, como qualquer outra roda de debate da Terra, foi quase monopolizado pela Covid-19 como tema.
Hoje, uma das integrantes do grupo, de orientação política de esquerda, postou dois tuítes do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos). Que se mudou de mala e cuia à Brasília para chefiar o “gabinete do ódio”. Responsável pelo tom do discurso do presidente e pai Jair Bolsonaro (sem partido) no último dia 24, no pronunciamento nacional em que chamou de “gripezinha” e “resfriadinho” a doença que, até aqui, já matou 241 brasileiros.
Pois hoje Carluxo, como é também conhecido o filho 02 presidencial, demonstrou não só seu conhecido ódio pela esquerda, como também pela direita liberal. E confundiu marxismo com keynesianismo, onde o Estado assume seu papel de indutor econômico da sociedade capitalista em tempos de crise. Que foi como os EUA saíram da Grande Depressão de 1929, venceram a II Guerra Mundial (1939/45) e reconstruíram a Europa Ocidental e o Japão dos escombros.
Em seu idioma particular, que por vezes demanda tradução ao português, Carluxo se posicionou contra a ajuda do governo do seu pai aos trabalhadores informais do país. Que perderam a subsistência por conta do isolamento social para combater a Covid-19:
Carluxo foi respondido no grupo do blog por um jovem liberal, aluno de Humanas da UFF-Niterói que defende com convicção seu credo. E quebra o paradigma da universidade pública brasileira como monopólio do pensamento de esquerda:
— Fico feliz demais desse sujeito atacar o pensamento liberal. Gera menos confusão entre o que defende um Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central e um dos economistas mais respeitados do país) e o que defende um Carlos Bolsonaro. O engraçado é que 30 anos sendo sustentado, ele e a família toda, com dinheiro público em cargos políticos. não é socialismo. Mas uma ajuda emergencial para informais é socialismo.
Com humor didático, o jovem liberal foi complementado no grupo por outra integrante de esquerda. Com uma ilustração que serve para definir não só o filho 02 do presidente, como o perigo sério e real que seu pensamento representa neste tempo de crise do novo coronavírus. Depois do qual o país e o mundo nunca mais serão os mesmos:
Com Júlia Maria Assis, Marco Alexandre Gonçalves e Sônia Guimarães Alves
Decisão da Justiça não se discute, se cumpre. É um velho e vero dito popular. Vale para a decisão do plantão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que ontem (31) permitiu (confira aqui) a reabertura da madeireira Madecom em Campos. Vale para a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também de ontem, em portaria conjunta com o ministério da Saúde, que autorizou (confira aqui) o sepultamento e a cremação de corpos no Brasil antes mesmo da emissão das certidões de óbito, por conta da pandemia da Covid-19.
No Brasil, o pico da doença no país é esperado para dia 20 deste mês. E segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pode se manter pelos meses de maio e junho.
Responsável pelo recuo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson na sua posição inicial de só isolar idosos e doentes crônicos, como desejava fazer no Brasil o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Imperial College London fez uma projeção do avanço do novo coronavírus (confira aqui) no maior país da América do Sul. Pelo estudo, mesmo com o isolamento de toda a população, podem morrer de 44 mil a 206 mil brasileiros.