Folha 40 anos — Cristina Pereira

 

Empresária Cristina Pereira

Estrada aquarela da Folha

Por Cristina Pereira(*)

 

Oito de janeiro de 1978.  Ainda antes começava a minha história dentro dessa história.

O começo nasceu através do meu pai, Pereira Júnior, que me chamou , um ano antes,  em 1977, para fazer parte de um grande sonho de se fundar um jornal com o jornalista Aluysio  e sua mulher Diva, que tinha sido minha professora da cadeira de cultura brasileira do curso de comunicação social da Fafic.

Conheci e vivi com eles o resultado de muita preparação e trabalho duro, dia a dia feito com dedicação, garra, talento, inspiração e responsabilidade: “A diferença está na qualidade”.

Meu pai, Pereira Junior, se apaixonou pela ideia apostou e investiu naquele sonho com otimismo e muita garra como quem soubesse profetizar o futuro de agora, 40 anos depois. “O Rei da Propaganda”, o realizador de sonhos sempre caminhou com passos largos, com um entusiasmo contagiante, sem igual. Inesquecível. Tenho muitas saudades da sua presença.

Convite feito e aprovado pelos demais sócios, lá ia eu viver, aprender e vivenciar na empresa Plena Editora Gráfica Ltda. — Folha da Manhã — coisas importantes, valiosas e inesquecíveis para a minha vida pessoal e profissional.

Assim eu via o nascer da  Folha da Manhã:  não  “numa folha qualquer” , lembrando Toquinho, para falar com romantismo da amizade. Num bar em Ipanema, a folha pintou-se em sonho dos amigos.Mas um sonho com realismo, unindo o talento do jornalista Aluysio,  o entusiasmo de Pereira Junior,  a poesia e o instinto comercial da professora Diva, que foram contornando a imensa curva ou o ciclo da vida, num barco à vela navegando e com uma folha desenharam o navio de partida como “bons amigos bebendo de bem com a vida”, tudo em volta preto no branco. O mundo os pertencia para um belo futuro.

Casei no mesmo ano do nascimento da Folha. E assim nossas comemorações se fundem num mesmo espaço de tempo. Por isso, brindamos essa trajetória, “voando e contornando a imensa curva norte-sul (…) viajando Havaí, Pequim ou Istambul (…) E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar/ Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar/ Sem pedir licença muda a nossa vida/ E depois nos convida a rir ou chorar”.  E assim, seguimos, desfilando numa estrada de aquarela, com nossos sonhos, nossas vontades, nossas qualidade e defeitos.

Valeu, Folha! “Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel/ Num instante imagino uma linda gaivota voar no céu”. E com o tempo criar novas lembranças   para o novo ciclo: “Basta imaginar que ele está partindo (…) E se a gente quiser ele vai pousar”.

 

(*) Empresária de comunicação e ex-sócia da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Andral Tavares Filho

 

Advogado Andral Tavares Filho

Missão bem cumprida

Por Andral Tavares Filho(*)

 

Com toda a certeza o meu querido pai apreciaria bastante escrever este artigo, registrando suas memórias e opiniões não só como um dos fundadores, mas também como leitor assíduo da Folha da Manhã. Estou convencido — e, decerto, muitos de vocês, que o conheceram de perto — de que não estou à altura da missão de escrever em seu lugar nesta edição comemorativa, mas posso garantir que ele estaria muito feliz em dar o seu testemunho da grande importância desse órgão de comunicação para o desenvolvimento de nossa região.

Tendo iniciado a sua vida profissional como radialista, vindo depois a ser sócio de três importantes emissoras da cidade, meu pai era um apaixonado pelo rádio. Já maduro formou-se em direito, mas, apesar de encantado com o fato de ter conseguido seu primeiro título acadêmico (mais adiante concluiria um mestrado em comunicação) e da possibilidade de atuar em conjunto com o filho advogado, jamais conseguiu afastar-se do ofício de comunicador, o que incluiria sua participação na primeira diretoria do jornal Folha da Manhã e, depois, a chegada ao mundo acadêmico como professor e coordenador do curso de comunicação social da então Faculdade de Filosofia de Campos.

Era, efetivamente, um homem que acreditava no poder da comunicação de massa e na grande responsabilidade que têm os comunicadores de imprimir qualidade na execução de seus ofícios, visto que a chamada opinião pública se forma, em grande parte, a partir daquilo que é noticiado pelos meios de comunicação.

A principal motivação dos fundadores da Folha da Manhã, ao que me lembro de minha adolescência, era criar um jornal de grande qualidade, que discutisse temas relevantes para o desenvolvimento econômico e social, alavancando o progresso regional. Missão bem cumprida desde o início e ao longo desses 40 anos. Parabéns aos fundadores, à família Abreu Barbosa e a todos os funcionários e colaboradores que fizeram e fazem esse grande jornal. Lá do alto, Aluysio Barbosa, Andral Tavares e Pereira Junior sorriem e aplaudem.

 

(*) Advogado

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Cláudio César Soares

 

Publicitário Cláudio César Soares

Nasce uma estrela

Por Cláudio César Soares(*)

 

Há 40 anos, na agência de publicidade Moenda, minha e de Diva, surgiu através do sonho visionário do jornalista Aluysio Barbosa: a ideia de dinamizar a mídia campista com a criação de um novo jornal, atualizado e conectado às novas tecnologias. Começou aí a tomar formato o projeto do primeiro jornal em offset da região

Através de parcerias importantes como a dos publicitários e radialistas Pereira Junior e Andral Tavares, concretizou-se o sonho, nascendo então a Folha da Manhã. De forma natural, a nossa agencia migrou para o jornal

Me vi então envolvido pelo dinamismo de Pereira Junior, os textos impecáveis de Diva, o traço elegante de Luiz Carlos França e a contribuição individual que cada funcionário e jornalista  investiu nesse novo desafio. Sob o comando de Barbosa, se modificou definitivamente o modelo jornalístico e publicitário da região. Nascia uma estrela: a Folha da Manhã.

Diante do seu sucesso imediato, criou-se um mecanismo de distribuição eficiente, fazendo com que o jornal chegasse muito cedo às bancas do município e de toda a região.

Parcerias importantes foram feitas com agências de notícia nacionais e internacionais, possibilitando a conexão da Folha com o mundo. Telefotos e radiofotos foram  implementados às edições diárias, dinamizando e modernizando a impressão jornalística

Novas demandas foram surgindo e a criatividade dos seus dirigentes fez surgir uma participação efetiva na vida cultural e artística através de shows, apoios a concertos e exposições, apoio ao carnaval de Campos através da criação do troféu “Felisminda Minha Nega”. Criou-se o prêmio Folha Seca, em homenagem aos campistas que destacam no cenário nacional. A Feijoada da Folha passou a fazer parte do calendário político, econômico e social da região. Diante do seu sucesso, a Folha investiu para distribuir alegria aos seus leitores, proporcionando shows musicais nas areias das praias da região.

E a Folha se fez colorida, aumentando o prazer de sua leitura diária. Ratifica definitivamente: a diferença está na qualidade.

 

(*) Publicitário e ex-sócio da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Saulo Pessanha

 

Jornalista Saulo Pessanha

Uma história antiga

Por Saulo Pessanha(*)

 

Minha história com a Folha da Manhã é antiga. Não tem os 40 anos de idade do jornal. Mas está perto disso. Imagino que alcance 38 anos — leia-se do ponto de partida, ou seja, de quando a Folha surgiu, aos dias atuais. Sim, porque não fui do grupo pioneiro na redação. Vim depois. No início de 1978, quando a Folha foi às bancas, eu concentrava forças, mesmo físicas, para tão somente tocar o Bar Doce Bar, então no auge da noite de Campos.

O Doce Bar tinha uma clientela refinada. Era frequentado por boêmios, universitários, intelectuais e, claro, jornalistas. Muitos. O bar abria por volta das 19h e tocava, quase sempre, até o surgir do sol. E eu virava a noite junto. Bebia com a clientela, trabalhando sobretudo a parte musical — de muita música popular brasileira, indo de Cartola a Mário Reis, passando por Caetano Veloso, Chico, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Gonzaguinha.

Eu cuidava da música porque o bar tinha a parte de atendimento ao público entregue a Edmur, uma figura extremamente querida e competente, que, por sinal, era um compositor de mão cheia. Foi campeão de alguns carnavais em Campos, fazendo samba enredo.

Ainda houve uma época que conciliava o comando do Bar Doce Bar com o trabalho em A Notícia. Mas ficou puxado. Daí que dei um tempo na profissão de jornalista. Virei dono de bar. Mas não por muito tempo.

Em 1980, já casado, e sem estar atrelado ao comando do Bar Doce Bar, atendi a convite, já feito antes, de Aluysio Cardoso Barbosa. E ingressei na Folha. Não tinha como recusar o chamamento.

A minha relação pessoal e profissional com Aluysio era ótima. Retroagia aos fins dos anos 1960, quando, com apenas l9 anos, ingressei em A Notícia. Ali, na redação comandada por Aluysio, em que dividia espaço com Prata Tavares, Eduardo Augusto, Péris Ribeiro, José Cunha Filho, comecei a carreira de jornalista. Mas tarde, a redação ganhou Ângela Bastos, Celso Cordeiro e muitos outros companheiros ao longo dos anos.

Na Folha da Manhã, tive idas e vindas, por motivações diversas. O meu retorno ocorreu em 1988. Voltei para retomar o projeto “Folha Rural”, um sucesso editorial nos primeiros anos do jornal.

Mas acabei na editoria de Política porque o ano era de eleição municipal. A troca, a partir do acompanhamento da política paroquial, possibilitou que lançasse dois livros sobre causos envolvendo políticos e afins. E muitas dessas histórias, como tantas outras que me chegam, sobre o lado cômico dos nossos representantes no Executivo e no Legislativo, vão sendo publicadas nas colunas que faço.

 

(*) Jornalista e colunista da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Orávio de Campos

 

Jornalista Orávio de Campos

Aluysio e a nova Folha

Por Orávio de Campos(*)

 

Ao tecer qualquer comentário sobre o jornal Folha da Manhã, em especial quando este importante periódico completa quatro décadas de existência, sempre a serviço dos interesses das classes produtivas e da memória cultural da cidade, seria um grande pecado se não lembrássemos do seu criador intelectual, o pranteado Aluysio Cardoso Barbosa, com o qual tivemos o prazer de compartilhar os nobres espaços da primeira redação.

Aliás, antes nos conhecíamos como profissionais, atuando em jornais diferentes – ele em “A Notícia”, de Hervé Salgado Rodrigues; e nós na edição de “A Cidade”, de Vivaldo Belido de Almeida. Embora não fôssemos assíduos no estreitamente da amizade, eventualmente trocávamos idéias sobre o jornalismo da cidade, quando as novas tecnologias da informação já estavam a nos indicar modernas ações para o futuro.

E “Barbosão”, no espaço do Monte Líbano, entre um café e outro, ainda num ano 77 em seus estertores, falava em compor uma grande equipe. Confessamos, na época, ficamos felizes pelo convite e, juntos, acompanhamos as céleres modificações e as tendências pós-modernas do chamado new journalism que, entre outras novidades, preconizavam a formação de novos repórteres.

Interessante é que o jornal já nasceu sob a égide de um tempo novo, não só no adiantamento das tecnologias gráficas, através do offset, mas, sobretudo, na mudança dos paradigmas que romperam, não de estalo, com os carcomidos vícios herdados do chamado jornalismo romântico produzido em Campos, quando os centros metropolitanos, do eixo Rio-São Paulo há muito tinham aderido ao sistema profissional.

O curso de jornalismo, da Faculdade de Filosofia de Campos, instalado pela saudosa professora Maria Thereza Venâncio, em 1964, com o assessoramento de Hervé, de Dr. Mário Ferraz Sampaio e do próprio Aluysio, permitiu, através de um programa pedagógico adequado ao contexto, essa profissionalização tão almejada e, infelizmente, não seguida por todos os que competiam no difícil mundo da produção de informação.

As atuais tecnologias, como havíamos imaginado, garantem hoje uma velocidade maior na produção e difusão das notícias, enriquecendo as pesquisas através da internet, das redes sociais, com suas variadas possibilidades, e de outras plataformas quase impensáveis naquele instante.

Apesar das ranzinzas  — Aluysio queria continuar a bater nas “pretinhas” e custou a se acostumar com o computador —, ele tinha a percepção clara de que a Folha da Manhã seria hoje o que é, inclusive evoluindo em suas edições onlines.

 

(*) Jornalista e ex-chefe de redação da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

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Folha 40 anos — Aloysio Balbi

 

Jornalista Aloysio Balbi

O jornal fica

Por Aloysio Balbi(*)

 

Aluysio Cardoso Barbosa, dizia que as pessoas passam e o jornal fica. Ele passou. A rigor, a frase é para consumo doméstico, destinada aos jornalistas, estabelecendo uma linha de hierarquia, onde o jornal é mais importante. Ele precisava dizer isso, tanto quanto os jornalistas necessitavam ouvir. Jornalistas são na maioria das vezes vaidosos, competitivos e para alguns até arrogantes — combo de adjetivos nada bons, que deve ser compensados principalmente com ética.

Trabalhei na Folha da Manhã durante 32 anos ininterruptos.  Tive muitos, mas no curso destas três décadas, o meu melhor companheiro de redação foi o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa. Nossas afinidades não se limitavam ao nome ou à cor dos olhos. Poderia ter aprendido mais, porém, o pouco que sei muito veio dele. O melhor retrato falado de Aluysio é o que ele escreveu. Tinha um arco de argumentos e quando disparava uma flecha em forma de texto atingia o alvo certeiramente.

Chamava-me pelo sobrenome: Balbi. Obviamente, sabia o meu primeiro nome. Ao término de um dia de trabalho, no final da década de 80, ele me chama a sua sala e me pergunta meu nome completo. Revelei que entre o Aloysio e o Balbi havia um anônimo “Barros de Gonzaga” que ficara confinado nos documentos de identidade.

Não sabia o objetivo da pergunta. No dia seguinte, quando cheguei ao jornal, me fez outra, querendo saber se já tinha lido a edição daquele dia. Disse que sim, quando na verdade apenas havia passeado com os olhos sobre a primeira página. Ele me disse para ler o jornal todo, de ponta a ponta.

Levei mais de uma hora lendo tudo sem entender nada. A única coisa de deixara de ler era algo que nunca mudava no jornal: o expediente. E ele carinhosamente coloca o expediente a um palmo do meu nariz e vi meu nome misturado com os Barbosa na condição de editor-geral.

Durou uma meia dúzia de anos. O jornal iria dar um passo importante, ganhando cores em suas páginas. Isso requeria uma experiência que eu não tinha. Era necessário contratar um jornalista do Rio ou de São Paulo para essa missão. Os Barbosa me deram a deferência de escolher meu substituto. Quatro grandes jornalistas foram avaliados e ficou aquele que escolhi, depois substituído por Aluysio Abreu Barbosa. Isso para mim foi tão importante quanto ter sido editor-geral.

A partir de então passei a dividir com Aluysio Barbosa a responsabilidade pela opinião do jornal. Bem, foram 32 anos.

Saí recentemente pela mesma porta que entrei: a da frente. Sinto saudades e acho que deixei algumas, mas como dizia Aluysio Barbosa: os jornalistas passam e o jornal fica.

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha

 

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Folha 40 anos — Adelfran Lacerda

 

Jornalista Adelfran Lacerda

Um caleidoscópio da Folha

Por Adelfran Lacerda(*)

 

Oito de janeiro de 1978. O Brasil ainda amargava os anos de chumbo… eram  os  estertores da ditadura da Revolução de 64. Em Campos, uma nova era da mídia começava. Surgia a Folha da Manhã. Com um jornalismo inovador, idealizado na melhor fase Jornal do Brasil, inaugurava a moderna impressão offset.

As alvas páginas da nascente Folha, representavam o fim das oficinas de chumbo, da velha indústria gráfica tipográfica. Cresceu muito. E se tornou o primeiro diário em cores da região, vanguarda no web jornalismo e redes sociais e formação do maior conglomerado de comunicação no interior do Estado do Rio, com a  Rádio Continental, Inter TV, Plena TV, Rádio Jornal de Macaé e a Folha 1.

O mentor dessa nova geração e paradigma da imprensa campista é o eterno mestre Aluysio Cardoso Barbosa. Ele foi oescalador e definidor dos melhores profissionais, ao lado da esposa Diva Abreu Barbosa e, mais recente e competentemente, pelos filhos Aluysio e Christiano Abreu Barbosa.

A Folha foi e é um marco de referência da história regional. Registrou e participou, muitas vezes decisivamente, do auge e a derrocada da indústria sucroalcooleira; do início e da pujança do setor de óleo e gás;  da consolidação do setor ceramista; da redivisão territorial com as emancipações municipais; do crescimento econômico; da farra e esvaziamento dos royalties; dos acidentes ecológicos da Paraibuna Metais e da lixívia de Cataguases; de crimes repugnantes; da crise e absolvição do clero tradicionalista e… do surgimento e a sucessão de políticos como Zezé Barbosa, Alair Ferreira, Rockfeller de Lima, Raul Linhares, Walter Silva, Paulo Feijó, Arnaldo Viana, Alexandre Mocaiber, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Rafael Diniz.

Por trás de tudo isso uma legião de escol de jornalistas e colegas de redação, entre os quais, prestamos tributo de reconhecimento nesse aniversário: Aloysio Balbi, Angela Bastos, Antonio Carlos Paes,  Celso Cordeiro Filho, Cilênio Tavares, Dora Paula Paes, Edla Conti, Edmilson Borges Martins,  Fabiano Venâncio, Fernadinho Gomes,  Fernando Antonio,  Giannino Sossai, Guilherme Belido, Heloisa Helena, Jane Nunes, Jô Siqueira, Jane Ribeiro, João Noronha, João Paulo Arruda, José Carlos Nascimento, Júlia Maria Assis, Luiz Costa, Luiz Mário Concebida, Marilda Rios, Márcia Angella Arêas, Marluce Sardemberg, Martinho Santafé, Mauricio Guilherme, Moacir Cabral, Paulo Renato Porto, Orávio de Campos, Renato Mercante, Ricardo André Vasconcelos, Ricardo Prata Tavares, Rodrigo Florêncio, Saulo Pessanha, Suzy Monteiro, Valdelan Paes, Veronica Matos, Vitor Menezes. Peço desculpas pelas omissão ou falha de memória.

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Diomarcelo Pessanha

 

Repórter-fotográfico Diomarcelo Pessanha

Valorização do fotojornalismo

Por Diomarcelo Pessanha(*)

 

A primeira vez que percebi e fui tocado pelo poder de comunição do jornal Folha da Manhã, foi quando criança. Posso dizer que foi nos meus primeiros momentos de consciência da própria existência, possivelmente no início destes 40 anos.  Não foi por suas  páginas impressas, mas pelas ondas da Rádio Continental, quando em minha casa e em muitos lugares que eu andava tocava o jingle empolgante “Olha Folha da Manhã, preferência popular”.

Mesmo sem  naquele momento entender exatamente que estava diante de uma das grande habilidades que marca a  Folha, que é chegar em todos setores e faixas etárias da sociedade, mesmo que para isso fosse  necessário usar essa transversalidade de  mídias, quando os radialistas liam a notícia do que se tinha publicado de um acontecimento relevante. Naquele momento, talvez  fosse a gênese do que vemos hoje de maneira muito mais expandida, com as mídias online e impressas se retroalimentam velozmente.

Quatro décadas depois, a Folha continua presente e forte dentro da evolução e expansão dos canais de comunicação, fazendo a diferença na precisão e credibilidade da produção de conteúdo tanto em suas páginas impressas, quanto no universo virtual

Minha relação mais íntima e cotidiana com o jornal começou  há 25 anos, quando a fotografia entrou em minha vida pelo fotojornalismo, onde entrei como estagiário e na sequência me tornei funcionário. Quando penso no início de minha profissão como fotojornalista, vem uma sensação de gratidão a credibilidade da Folha. E esta foi também transmitido a mim e aos fotógrafos de minha geração, que tiveram suas narrativas fotográficas impressas no jornal.

Impossível imaginar o significado que a fotografia tomou em minha vida, sem levar em conta  esse tempo de relação com a Folha, onde aprendi que o que eu fazia  era importante. Desde que comecei na Folha, ainda não presenciei nem ouvi falar de tamanha valorização da linguagem fotográfica em nenhum impresso daqui da região, onde a fotografia é o princípio de diagramação e muitas vezes hierarquia do que é relevante naquele dia na capa do jornal.

Se for falar em fotojornalismo consistente e dotado de sua importância como ferramenta poderosa de comunicação, inevitável termos que falar do que a Folha fez nestes 40 anos. Fez  nosso fotojornalismo  referência no interior do Estado, como também uma fotografia creditável  de inúmeros  fatos regionais  que se tornam relevantes nacionalmente. E assim alimentaram imageticamente a capa de grandes veículos de tiragem nacional.

Parabéns jornal Folha Manhã por seus 40 anos.

 

(*) Ex-editor de fotografia da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Alexandre Bastos

 

Jornalista Alexandre Bastos

Papel, caneta e coração

Por Alexandre Bastos(*)

 

Meu avô Antônio Bastos, que faleceu em abril de 1994, não deixou casas, terrenos, nem dinheiro. Aquele homem elegante, culto e muito educado, ensinava que existem tesouros que ninguém pode tirar de nós. “Um ladrão pode levar seu carro, seu relógio, mas jamais poderá levar a sua cultura, seu caráter e o que você aprendeu aqui”, dizia. Foi com essa filosofia que ele criou, ao lado da minha vó Elza, quatro mulheres incríveis. A mais velha, Ângela Bastos, tinha um faro jornalístico desde pequena. Curiosa, atenta e interessada pelos mais variados assuntos, fez história no jornalismo de Campos, ao produzir uma coluna social que ia além do óbvio.

Após uma passagem bem sucedida por São Paulo, ela recebeu o convite do mestre Aluysio Cardoso Barbosa e retornou ao município de Campos para atuar ao lado de grandes profissionais na Folha da Manhã, veículo que revolucionou o jornalismo impresso da região no final da década de 1970. A impressão que eu tinha, desde pequeno, era que a Folha se tornou uma espécie de irmã mais nova da minha tia.

Se estávamos em Atafona, comendo um peixe durante o verão, ela se levantava e dizia: “Não posso ficar porque a Folha me espera”. Se alguém, durante uma festa, contava algo interessante, ela corria para pegar o bloquinho e a caneta. “Vai render uma nota ótima para a Folha”.

Bem pequeno, lembro de uma visita que fiz ao jornal e pedi para conhecer a redação, naquela época ainda com máquinas de escrever e aquele barulho inconfundível. E naquele dia entendi porque ela não parecia muito contente nos finais de semana na praia. Afinal, a praia dela era ali. Os olhos brilhavam e caminhava pela redação conversando e dando palpites sobre todas os assuntos. Naquela época, tia Ângela já perguntava se eu não gostaria de ser jornalista. Sem pensar duas vezes, respondia: “Meu sonho é ser jogador de futebol”.

Mas o tempo passou e um velho ditado, repetido muitas vezes pela minha tia, passou a fazer sentido: “quem sai aos seus não degenera”. Em 2004, quando a Folha tinha 26 anos e eu 22, tive o meu primeiro artigo publicado no jornal. Um ano depois, fiz a minha estreia como repórter na Folha Nessa época, tive o privilégio de trabalhar ao lado da minha tia e percebi que a praia dela virou a minha.

E se não deu para virar jogador de futebol, fica fácil fazer uma analogia. Joguei na Folha ao lado de grandes craques, das mais variadas gerações, entre eles Aluysio Cardoso Barbosa, Aloysio Balbi e Aluysio Abreu Barbosa, meu grande incentivador. A Folha da Manhã, com tudo que me proporcionou, aprendizado e amizades, me fez entender que o velho Antônio Bastos estava certo quando dizia que os nossos tesouros mais importantes são intocáveis.

 

(*) Jornalista, ex-editor de Política da Folha da Manhã e chefe de gabinete da PMCG

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Martinho Santafé

 

Jornalista Martinho Santafé

Histórias de Kapi e Bolinha

Por Martinho Santafé(*)

 

Iniciei no jornalismo em 1970, em Niterói, no auge dos “anos de chumbo”. Em janeiro de 1974, quatro anos antes da primeira edição da Folha da Manhã, e semanas depois de retornar ao Brasil após um exílio “voluntário e sugerido” pela América Latina, comecei a trabalhar no jornal A Cidade, de Vivaldo Belido. Por pouco tempo, pois recebi convite para montar um atelier de artesanato em Duas Barras com um companheiro de viagem. Dois anos depois estava novamente nas trincheiras do jornalismo.

O retorno a Campos ocorreu em maio de 1977 para chefiar a sucursal de O Fluminense, com Fátima Lacerda e Giannino Sossai. Meses depois, soubemos que um novo jornal seria criado e fomos convidados por Aluysio Barbosa e Diva Abreu para participar de algumas reuniões. Com a experiência e o prestígio de muitos anos como correspondente do Jornal do Brasil e já em negociações para adquirir uma offset. Incentivado por Diva, Aluysio estava arriscando em uma aposta que iria ganhar.

A Folha da Manhã nasceu em um período economicamente singular para Campos, justamente durante a transição da agroindústria açucareira para a indústria do petróleo. Embora atividades produtivas tão distintas, o jornal soube conviver bem com elas graças à credibilidade de sua linha editorial definida pelo mestre Aluysio.

No início de 1980 fui convidado para ser o editor da Folha. Das muitas recordações desse período,  certa tarde, Kapi apareceu na redação com um novo poema: “Canção Amiga”. Li, passei ao Celso Cordeiro, que era colunista social, e sugeri: “Publica”. Foi, talvez, a primeira e a última vez que um poema ocupou todo o espaço de uma coluna social em Campos.

Também naquele ano o marginal “Luiz Gordo”, nascido em Campos e “amadurecido” nas favelas do Rio, aterrorizou a cidade com o seu bando, assassinando em Grussaí um rapaz conhecido e sequestrando sua namorada. Já libertada, a jovem foi prestar depoimento na delegacia. A cidade só falava do caso. No meio do fechamento da edição, Antônio Carlos Paes chega com a matéria, mas não tínhamos a foto. Quase surtei…

No mesmo dia, véspera de Finados, havia pautado para um estagiário e radialista conhecido como “Bolinha”, uma matéria sobre os preparativos no Cemitério do Caju. O texto era bom e as fotos excelentes. O que fazer para a primeira página? Escolhi uma foto vertical em quatro colunas, com forte carga emotiva — na lápide de mármore, um anjo erguia os longos braços em direção ao céu —. a chamada de Finados sob a foto e a seguinte manchete na parte superior da capa: “Fulana de Tal depõe em prantos”. A edição esgotou e teve que ser reimpressa várias vezes.

“Bolinha”, então um estagiário bastante promissor, virou Garotinho e deu ruim.

 

(*) Jornalista e ex-editor-geral da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Antunis Clayton

 

Jornalista Antunis Clayton

O Palmeiras me levou para a Folha

Por Antunis Clayton(*)

 

Existem teses que falam da possibilidade de os seres humanos nascerem com determinadas paixões já impressas no DNA. Gente que nasce com a música no sangue, com o futebol no sangue, com o teatro no sangue. Enfim, se é fato ou não, deixo para a ciência o debate. O velho Francisco Santana, pai do meu pai, avô que não cheguei a conhecer e de onde tirei o Francisco pra formar o nome composto do meu neto Miguel Francisco, gostava muito de rádio. Papai relata que, num tempo em que o rádio era presente em poucas casas, na casa dele já havia um. E vovô se enchia de prazer na fidalguia àqueles que lá iam para ouvir os programas musicais.

Pode ser que eu tenha herdado dele a paixão pelo rádio e pela comunicação, mas também acredito que isso pode ter se dado por uma mecânica de aproximação a outra grande paixão. Eu tinha oito anos, em 1974, e vi pela televisão, uma partida de futebol. De um lado estava um time que tinha na sua formação Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. Eu não tinha estudado geografia o suficiente pra me sentir obrigado a não me apaixonar por um Palmeiras (se dependesse só de mim voltaria a se chamar Palestra Itália) encravado no outro lado do mapa. E se tivesse estudado, meu bom gosto daria um pontapé no traseiro da geografia.

Como não vivíamos esse tempo de TV por assinatura com canais especializados em esporte, tive que recorrer ao rádio, àquelas emissoras de ondas curtas, com seu tradicional chiado. Sobretudo à noite, procurava ali as informações do Palmeiras. E me apaixonei pelo rádio sério e dinâmico de São Paulo.

Assim, em fevereiro de 1993, eu era contratado como repórter da Rádio Continental de Campos (AM 1270), realizando um sonho de criança. Entrava, assim, numa casa que aprendi a admirar, respeitar e ser grato, o Grupo Folha da Manhã. Dois anos depois, pelo jornalista e amigo Luiz Mário Concebida, chego à redação do jornal para atuar na editoria de Esporte, sendo contratado pelo jornalista Aluysio Cardoso Barbosa. E me orgulho pelo quilate do contratante, que como eu, em Campos, nutria amor pelo Clube Esportivo Rio Branco.

Aluysio Abreu Barbosa, seu filho, acabara de assumir a editoria geral da Folha, onde ficou por cinco anos, antes de ser diretor de redação. Amigo, parceiro, sempre apostando e abrindo portas àqueles que chegavam. E eu, mergulhava em todas as portas abertas. Foram muitos projetos e experiências que me fizeram crescer, com erros e acertos: Folha Dois, Folha no Ar, A Hora e a editoria geral, além dos projetos de vídeo na companhia de Kapi e Yve Carvalho.

A Folha da Manhã sempre foi uma grande escola; e comigo não foi diferente.

 

(*) Jornalista, radialista e ex-editor-geral da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Folha 40 anos — Igor Siqueira

 

Jornalista Igor Siqueira

A ex do garoto de 17 faz 40

Por Igor Siqueira(*)

 

Foi na reta final de novembro de 2007 que um garoto de 17 anos entrou em um relacionamento sério com uma já famosa e renomada “jovem senhora” de 29 anos. Ao mesmo tempo em que era exigente, essa “mulher empoderada” acabou se mostrando muito receptiva, deixando o mancebo (como diria o professor Fernando da Silveira) muito à vontade no dia a dia. A diferença de idade não evitou que a relação desse certo. Foi eterno enquanto durou — pouco mais de um ano e meio —, mas aquele enlace de curto período (se comparado aos 40 anos que a Folha da Manhã faz neste 8 de janeiro de 2018 e os 27 que estou prestes a completar no dia 19) foi o suficiente para deixar como frutos muito aprendizado, amizades e uma pontinha de saudade.

Cheguei para ser estagiário da escuta, pegando informações das cidades vizinhas a Campos e ligando para bombeiros e polícia em busca de “ocorrências de vulto”. Mas me deram “corda”. Contando com a parceria de muita gente boa, passei rapidinho pela editoria de Geral (lembro-me de uma matéria sobre ambulâncias abandonadas em um depósito da Prefeitura…), fiquei um “tempão” no Esporte (o Goytacaz não subia por nada, mas o Americano ainda estava na elite do Carioca…) e aí aterrissei no site: www.fmanha.com.br. (hoje, Folha 1) Eu me lembro muito bem da propaganda na televisão: “Folha Online. Seu mundo em tempo real”. A Folha tinha entrado em um processo de evolução que continua até hoje: o desafio de informar com a rapidez que o jornalismo atual demanda, unindo precisão e responsabilidade que o jornalismo desde sempre exige. Era necessário um choque cultural para inserir na rotina da reportagem, por exemplo, o envio de fotos pelo celular e a ligação para passar a informações das matérias, até mesmo abrindo mão do furo na edição impressa. Em tempos em que Whatsapp nem sonhava em nascer, isso não era tão simples. E lá estava eu, batendo ponto na rua Carlos Lacerda, 75. Um privilégio.

A Folha foi, é e sempre será uma escola. Editorialmente, a lição diária sempre foi não aceitar as coisas como elas estão. Em várias escalas. Isso vai desde o buraco na rua de um bairro distante até uma eventual falha administrativa do poder público. Como escola, na Folha já passaram e ainda estão muitos professores. A começar pelo fundador, Aluysio Cardoso Barbosa. Foram muitas manhãs acompanhando pela TV a sessão da Câmara de Campos, enquanto o patriarca da família Folha batia as notas do Ponto Final. E foram muitas outras jornadas “sugando” experiência de outros mestres que passaram pela redação e que transpuseram a qualidade jornalística para as mãos do leitor (no papel e no site). Um timaço.

Precisei seguir outros caminhos. O meu casamento com a Folha foi interrompido em 2010 (mas ainda acompanho minha “ex” pela internet). De qualquer forma, continuam a torcida pelo sucesso e a alegria por ter feito parte dessa história. Que se multipliquem os 40 anos.

 

(*) Jornalista do Lance e ex-editor de Esporte da Folha

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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