Orávio de Campos — A arte no espaço urbano

 

 

 

Quando estivemos, com muito orgulho e disposição, à frente da extinta secretaria municipal de Cultura, no governo de Rosinha Garotinho, nos deparamos com diferentes desafios institucionais e o mais interessante deles foi exercitar a compreensão sobre os chamados pichadores anônimos que, em tese, saem por aí (inter) ferindo, com suas tintas negras, na harmonia estética de muros, edifícios, igrejas, viadutos, patrimônios históricos…

Para melhor entender os atos desses artistas não convencionais, na melhor acepção que o termo possa/pode nos sugerir, em princípio preferimos partir da idéia da produção de uma arte marginal aliada aos seus efeitos ideológicos, como é comum nas análises das artes que fluem das culturas populares, logicamente, sem as teorias da cultura erudita divulgadas por Walter Benjamim (1892-1940): um intelectual da (ainda) idolatrada Escola de Frankfurt.

O senso comum tenta ensinar que os “pichadores” não são artistas porque “emporcalham o espaço público”, dando-lhes um aspecto deplorável em prejuízo para os proprietários particulares e, principalmente, para o poder público — encarregado da manutenção de suas prédios e representações históricas e culturais.  Mas aceitar esta hipótese seria a mesma opinião da maioria de uma sociedade entorpecida pelos discursos midiáticos, quando os sabemos descompromissados com a “verdade”.

Em princípio, já que não podemos identificar os autores dessas proezas muralistas, recorremos à filosofia imanente que traduz o sentido da comunicação, como o desejo incoercível de traduzir, com diferentes linguagens, a expressão de pessoas e ou grupos com uma identidade ideológica definida. Realmente, se analisarmos esta arte urbana vamos encontrar hieróglifos eivados de mensagens, na maioria das vezes, envolvidas pelas subliminaridades. Não é diferente do que observamos no campo da Folkmídia, isso para dar razão ao pranteado pesquisador Joseph Luyten.

 

 

Escolhem, os pichadores, onde as mensagens são/serão mais visíveis, como igrejas, patrimônio históricos (como os casos do Obelisco e do Monumento ao Expedicionário, esta obra-prima do artista Modestino Kanto, atualmente limpo graças ao professor Vilmar Rangel), apenas para citar estes exemplos. Mas, apesar de múltiplas ações desses insignes pichadores, podemos, sem susto, afiançar que a cidade de Campos dos Goytacazes é a “menos pichada de todo o interior do Rio de Janeiro”.

Isso credita-se ao trabalho dos grafiteiros, grupos igualmente políticos, mas que transformaram suas vocações na expressividade dos desenhos que, em tese, também, falam das mensagens que querem traduzir no espaço público. E, descobrimos, em nossas boas relações com essas trupes artísticas, com ênfase para o Mestre Andinho Ide e a Anna Franchesca, os princípios da evolução dos desenhos artísticos que, em boa hora, se preparam para adentrar, como já ocorre na Europa, nos grandes museus encarregados de preservá-los. Coisas dos tipos: arte e transgressão.

Como ocorre com outras expressões da mesma raiz, como o funk, os desafios do rap, o street-dance, (integrantes da arte hip-hop), a pichação pode ser identificada como uma trajetória entre a exclusão e a integração, eito radical citado por Michael Herschman no artigo “Por uma leitura político-cultural do espaço público”, publicado no livro ”Nas Fronteiras do Contemporâneo – Território, identidade, arte, moda, corpo e mídia” (Mauad,2001, p.117).

Não temos dúvida. Os pichadores, que respeitam eticamente os espaços dos grafiteiros, numa espécie de costume produzido pela convivência em lugares comuns, através de seus estilos de vida e da experiência social, buscam “retraçar novas fronteiras socioculturais e espaciais”, sem a preocupação ingênua de que estão prestando um trabalho meritório em favor das artes plásticas atuando no cerne do ciberespaço – lugar para onde se concentram todas as tendências da pós-modernidade.

Cremos que as negociações que propusemos nos parcos momentos de apoio ao hip-hop (poderia ter feito muito mais), — dentro de um espaço ainda tenso, porquanto a estética está sujeita à lide de uma análise na maioria das vezes equivocada — produziram a afirmação de diferenças e as hibridações parecem garantir visibilidade, vitalidade e algum poder para esses artistas ciberespacianos.

 

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Empresas de ônibus de Campos pregam a contramão da ilegalidade

 

Vazio da greve dos ônibus de ontem (09) publicada como foto principal da capa de hoje (10) da Folha da Manhã (Foto: Rodrigo Silveira)

 

 

Na contramão da legalidade

Por José Maria Matias (*)

 

O serviço regular de transporte de passageiros de Campos vem enfrentando graves dificuldades em consequência de práticas ilegais e irresponsáveis intensificadas nos últimos três anos. Ações que comprometeram a saúde financeira das empresas legalmente instituídas e que colocam em risco o serviço prestado à população.

Apesar dos colossais obstáculos impostos — como a atuação das lotadas e a tarifa defasada —, as empresas de ônibus tentam sobreviver e garantir o serviço à população, sem incentivo econômico do poder público, a exemplo da Auto Viação São João, que para participar da licitação do setor fez um alto investimento, refletido principalmente na aquisição de mais de 60 ônibus, custo que vem sendo pago mensalmente pela empresa, juntamente com as demais despesas, como a folha de pagamento e combustível, indispensáveis para a sua atuação.

A contrapartida, no entanto, não foi cumprida. Apesar de atender a todas as exigências, a empresa tem seu serviço comprometido pela invasão de lotadas nas ruas da cidade, que impõem uma concorrência desleal e cuja atuação é irresponsável, criminosa e não traz qualquer benefício ao município. Há a (pertinente) cobrança da sociedade por um serviço de qualidade, porém, as empresas não encontram ambiente salubre para trabalhar. O transporte pirata se estabeleceu na cidade de Campos como o câncer do setor de transporte de passageiros e do trânsito.

Ninguém sai ganhando com o comprometimento da saúde financeira das empresas, nem no setor de transporte nem em qualquer segmento. As empresas perdem com o acúmulo de dívidas, a população perde com a queda na qualidade dos serviços, os funcionários perdem com o atraso no pagamento dos salários e o município perde com o estabelecimento da ilegalidade, falta de arrecadação e desemprego.

Em tempo: Antes mesmo da realização da licitação no setor de transporte, a Prefeitura estabeleceu o Programa Campos Cidadão — mantido entre 2009 e 2017 —, um benefício oferecido à população em forma de subsídio de parte do valor da passagem de ônibus. As empresas, entretanto, apenas passaram a receber do governo municipal o valor que antes era pago à vista pelo usuário no ato da prestação do serviço. Portanto, não houve qualquer benefício direcionado às empresas de ônibus e sim aos cidadãos inscritos no programa. Se houve qualquer irregularidade no período de validade do programa, deve ser apurada e os responsáveis punidos. O que não pode ocorrer é a generalização ao se apontar (aqui) ilegalidades.

 

(*) Proprietário da Auto Viação São João

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Igor Franco — Mas, e a criança?

 

 

A mais recente polêmica ocorreu no Museu de Arte Moderna de SP, em que um sujeito nu era tocado por pessoas da plateia. Tudo caminhava dentro do script: uma performance sem sentido para espectadores que afetavam profundidade, devidamente bancada com dinheiro público. Eis que entrou em cena uma criança que, estimulada pela mãe, passou a tocar no corpo nu do homem. Os brasileiros não pareceram dispostos a tolerar essa nova imoralidade.

O assunto já esfriava quando surgiu Dona Regina, do alto de sua singela bravura e humilde altivez. Claramente fora do script, entrincheirada nos confins do Projaquistão — nome alternativo para a Terra do Nunca, realidade paralela onde vivem encastelados artistas e outras celebridades — uma típica avó da família tradicional brasileira discordou publicamente da narrativa uníssona que vigorava na imprensa. Após ser fuzilada por olhares arrogantes dos presentes e ter de ouvir tergiversações a respeito da liberdade, tabus e sobre o papel da arte, nossa brava heroína devolveu uma pergunta que inverteu o protagonismo e matou de raiva aqueles que foram chamados para concordar entre si: mas, e a criança?

Deslocar a discussão para um debate sobre liberdade artística é uma estratégia intencional para criar confusão. A não ser por justiceiros sociais ávidos por demonstrar apoio inabalável a qualquer erro, há pouca gente disposta a defender o que se passou — pouco importa se num museu e sob supervisão. Dias mais tarde, um menino de 13 anos, ainda analfabeto, seria encontrado na cela de um estuprador levado pelos próprios pais. Pela lógica progressista, como houve consentimento dos responsáveis, não poderíamos falar de pedofilia ou negligência.

Qualquer sociedade convive com a chaga do abuso infantil. Em muitos casos, a intenção do abuso é dissimulada através de atos progressivos, com o objetivo de não despertar a surpresa da vítima e envolve-la numa relação. Indefesa e incapaz de perceber a malícia dos atos, muitos menores caem na armadilha de relacionamento abusivos que duram por muitos anos e causam danos perenes ao desenvolvimento da personalidade. Sob qualquer perspectiva — psicológica, sociológica, pedagógica, legal — a tentativa de normalizar o contato entre uma criança e um estranho nu é, no mínimo, irresponsável e reprovável.

Calados durante mais de uma década enquanto o país era destruído em várias frentes, a classe artística tem se mostrado especialmente ativa de um ano e meio para cá. Agora capitaneados por uma ex-paladina da censura de biografias até anteontem, embarcam mais uma vez numa já fracassada expedição, supostamente em defesa da liberdade de expressão, que navega contra os anseios da maior parte da população brasileira, que jamais chancelou sua pauta. Há uma clara divisão entre os anseios de uns poucos e os do restante do país.

Empurrado contra a parede pela atuação em bloco das vozes tradicionais que o trata como um tipo de ser inferior, incapaz de alcançar as virtudes de certas medidas contrárias à sua visão de mundo, o brasileiro médio acumula um sentimento de frustração muito comum ao observado em outras regiões como EUA e Europa. Apesar de panos de fundos diferentes, a discrepância entre a percepção do homem de carne e osso e a opinião predominante nos meios tradicionais tende a transbordar das redes para encarnar em agentes públicos que compartilhem de sua visão. A emergência de Jair Bolsonaro, após os fenômenos do Brexit, Marine Le Pen, Trump e o recente resultado eleitoral alemão não são fenômenos desconectados.

Há quase dois meses, num programa televisivo, ouvi com certa desconfiança um cientista político descartar a hipótese de radicalização ideológica nas eleições de 2018. Embora nosso histórico eleitoral rejeite apostas em candidatos mais estridentes, me parece claro que a temperatura nas redes sociais, que teve súbito aquecimento em 2014 e, desde então, arde em chamas cada vez mais altas, refletirá de alguma maneira no “mundo real”.

Não tenho dúvidas que, em algum desses debates dirigidos e previsíveis, de algum modo alguém haverá de lembrar da pergunta que dividiu o campo: mas, e a criança?

 

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Alexandre Bastos — O silêncio dos bons

 

 

 

Atribui-se a Martin Luther King uma frase de valor inquestionável: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Quando os bons se calam, a maldade triunfa. E em nossa planície goitacá, esse silêncio foi determinante para a colocação em prática de um modelo político personalista e ultrapassado.

Nos últimos anos o município de Campos teve todas as oportunidades de se desenvolver e buscar sua independência. Entre 2009 e 2016 entrararam cerca de R$ 20 bilhões nos cofres da Prefeitura. Porém, o que vimos em nossa cidade foi um projeto pessoal de poder acima de um planejamento sério e estratégico. Não houve investimento na diversificação da economia, não houve diálogo com a sociedade civil organizada e nossas vocações históricas foram ignoradas. E tudo isso acontecia sem que houvesse uma forte manifestação contrária. Certa vez, a deputada Clarissa Garotinho chegou a ironizar, afirmando que este grupo contrário ao casal Garotinho não “fazia nem cosquinha”.

Muita gente já se cansou de ouvir que os problemas atuais foram gerados pela irresponsabilidade da gestão anterior. Mas sabe de uma coisa, esse discurso realmente precisa ser reformulado. Pensando bem, será não não cabe a seguinte reflexão: nós também não temos uma parcela de culpa? Quem se calou quando o casal Garotinho vendeu o futuro, contraiu empréstimos, e deixou dívidas milionárias, não tem culpa? Quem ficou em silêncio quando a cidade foi transformada em balcão de negócios, não tem culpa? Quem aplaudia a cantoria de Rosinha enquanto o marido mandava e desmandava, não tem culpa? Quem viu em silêncio a Prefeitura torrar R$ 100 milhões para construir o Cepop, não tem culpa? E quem viu calado, em 2014, o maior orçamento da história de Campos desaperacer, coincidentemente quando um senhor disputava o governo do estado, não tem culpa? Quem jamais participou de uma audiência pública na Câmara de Campos, não tem culpa?

Mas esse silêncio foi rompido e as urnas gritaram em 2016. A vitória histórica de Rafael Diniz uniu as mais variadas correntes e, após o resultado, nasceu uma expectativa gigantesca. Mais do que uma mudança entre governos, era esperada uma imediata troca de modelo. Mas será que após décadas de descaso, é possível reconstruir uma cidade apenas apertando aquele botão no dia 02 de outubro de 2016. Os cidadãos são parte determinante deste processo de transformação, com um papel que vai além de curtir, compartilhar ou questionar. É hora de decidir em conjunto, como já ocorreu este ano na elaboração do novo Código Tributário, do PPA e ocorrerá no debate sobre o orçamento de 2018 e outros temas fundamentais para adaptar o município a uma nova realidade. Não podemos nos esquecer que a troca do silêncio dos bons pela participação ativa é a melhor maneira de calar o grito daqueles que defendem o retrocesso.

 

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Encontro entre militantes de Garotinho e Rafael pelo olhar da crônica

 

Encontro de militantes de Garotinho e Rafael, ontem (06), diante à Prefeitura de Campos (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

“Olha a água!”

Por Paula Vigneron

 

Durante a semana, os campistas se depararam, por meio de redes sociais, com informações sobre uma grande manifestação que paralisaria o município contra o prefeito Rafael Diniz. A data: seis de outubro. Horário: oito da manhã. Manifestantes se espalhariam por diversos pontos da cidade, impedindo entradas e saídas. E, consequentemente, indo de encontro ao direito de ir e vir.

Na manhã, a concentração, ao contrário do que foi veiculado, em clima de terrorismo, aconteceu em frente à Prefeitura de Campos, localizada na Rua Coronel Ponciano de Azeredo Furtado. Dezenas de manifestantes pró-governo se aglomeraram na entrada da sede do Executivo. Policiais militares e guardas municipais circulavam entre as pessoas para garantir a segurança. Aproximadamente duas horas após o início da reunião, os primeiros protestantes antigovernistas começaram a realizar seus atos.

Gritavam contra Rafael. Diziam que ele ia pagar por vidas perdidas devido a problemas relacionados à área de saúde. Reclamaram por demissões e falta de pagamento aos RPAs (confirmando, inclusive, que o impasse começou em dezembro, ainda durante o governo da ex-prefeita Rosinha Garotinho). Em resposta, os que se posicionam a favor de Rafael criticaram as colocações. Entre atritos, discussões e acusações mútuas, fogos de artifício estouraram nos ouvidos dos presentes, assustando-os. Intervenções pontuais dos responsáveis pela segurança foram necessárias para conter os ânimos de ambos os lados.

“Cadê Rafael?”, questionou um participante antigovernista, sob a sombra de uma árvore e distante da movimentação.

“Está em Cabo Frio”, respondeu o outro, do mesmo grupo, enquanto o prefeito participava de diferentes eventos realizados dentro de Campos.

Afastados das distensões, três homens conversam. Um deles sai para falar ao telefone. Em sua caminhada, aconselha o interlocutor: “Venha de boné e pulseira. Estou de boné e óculos escuros para não saberem que é a gente”. E ficou por um tempo distante dos atos, então mais controlados.

Após minutos de calmaria, com conversas paralelas divididas em críticas e explicações sobre as decisões recentes tomadas pelo governo municipal, homens, segurando a faixa “Tudo muda quando você muda. Deixe o prefeito Rafael Diniz trabalhar”, pegam o microfone e gritam e cantam em apoio a Rafael. Do outro lado da rua, o grupo adversário briga e critica e acusa a postura do líder do Executivo.

No momento do confronto verbal, um vendedor de água estaciona sua bicicleta no meio da rua, entre palavras raivosas proferidas pelos manifestantes. Com camisa amarela e boné, ele sorri, observando os dois lados da moeda. No isopor marfim, está estampado o preço do seu produto, agora esquecido pelo comerciante que se concentra nas pessoas. Entre os gritos e sussurros, o homem bate no isopor para atrair a atenção. Sem sucesso. Ainda assim, inicia o seu discurso, dirigindo-o aos momentaneamente surdos: “Olha a água! Olha a água! Vamos tomar água, gente”. E ali permanece, distribuindo sorrisos à espera de uma boa venda.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Protestos esvaziados e negação da realidade

 

 

 

Charge de José Renato publicada hoje (07) na Folha

 

 

Das duas, uma

Convocados durante a semana (aqui) em grupos de rede social ligados ao garotismo, os protestos de ontem contra o governo Rafael Diniz (PPS) podem ser interpretados de duas maneiras. Ou o descontentamento com os nove primeiros meses da nova administração municipal não é tão grande assim, ou esse sentimento de insatisfação popular soube identificar e não aceitar a tutela de quem saiu pela porta dos fundos da Prefeitura na eleição de outubro passado, após quase 30 anos no comando de Campos. Mesmo com áudios denunciando (aqui) o pagamento de R$ 100,00 por manifestante, os três protestos registrados ontem não arrebanharam 200 pessoas.

 

Na BR 101

Na manifestação que conseguiu reunir mais gente, cerca de 100 pessoas fecharam (aqui) a BR 101, no trecho Campos/Vitória, na altura do Parque Bela Vista II, em Guarus, dizendo fazê-lo em protesto contra os cortes nos programas sociais do município. Por volta das 10h30 da manhã, atearam fogo em pneus e galhos, gerando um engarrafamento que se estendeu por mais de um quilômetro da rodovia mais importante do país. Durou cerca de uma hora. Depois, por volta das 11h30, outro grupo, com cerca de 50 manifestantes, fechou a mesma BR 101 na altura de Travessão. Mas esse protesto só chegou a durar alguns minutos.

 

Tiros no pé e pela culatra

O terceiro protesto foi em frente à Prefeitura. Mas neste, quando os cerca de 40 militantes do garotismo chegaram (aqui), por volta das 10h, lá encontraram (aqui) mais do que o dobro de manifestantes em defesa do governo Rafael. E entre os cerca de 100 simpatizantes do prefeito, estavam 16 dos 17 vereadores da situação. Apenas o edil Cláudio Andrade (PSDC), por demanda pessoal, não pode estar presente. Se a iniciativa garotista foi um tiro no pé, ao não conseguir mobilizar nem 200 pessoas em manifestações que prometiam se multiplicar para fechar todas as entradas e saídas da cidade, foi também um tiro pela culatra: uniu a base governista.

 

Momento hilário

Além das suas consequências políticas, o encontro entre os grupos de Rafael e do ex-governador Anthony Garotinho (PR) produziu também a cena mais hilária dos protestos de ontem. Homônimo do pai, o jovem Anthony Matheus, que se tornou conhecido pelo sonho de se tornar astronauta, ficou chateado ao ver as fotografias de Garotinho e Rosinha num caixão levado pelos militantes do governo. E foi pedir a eles que tirassem as fotos. Ao que foi respondido: “Tudo bem, Anthony. A gente vai atender o pedido de um filho. Afinal seus pais acabaram com a cidade, mas você por enquanto não tem culpa”.

 

Impressões digitais

Além das digitais indisfarçáveis do pai na presença do filho no protesto contra o governo, a ligação de Garotinho com as ações de ontem ficou também evidenciada na presença do ex-vereador Albertinho (PMB) nos dois protestos que fecharam a BR 101. Condenado a oito anos de inelegibilidade na mesma Chequinho que condenou Garotinho a nove anos e 11 meses de prisão, Albertinho já foi flagrado tanto nos protestos de motoristas de vans e lotadas que só este ano pararam Campos (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)  por cinco vezes, quanto na paralisação dos rodoviários (aqui) de 4 de setembro, que pediam fiscalização às vans e lotadas.

 

“Por que será?”

Diante da carência de lógica nas ações do liderado, não é de se estranhar a nova tentativa de negação da realidade, ontem, por parte do líder. Em seu blog, Garotinho negou ter participação nas manifestações esvaziadas, depois de antecipadas por esta coluna (aqui) desde o último dia 28, seguinte ao ex-governador conseguir recorrer em liberdade da condenação criminal na Chequinho, após 14 dias de prisão domiciliar. Na oportunidade, foi lembrado que, enquanto Garotinho esteve confinado e incomunicável na famosa “casinha na Lapa que papai deixou”, Campos não teve nenhum protesto. Ao que foi indagado: “Por que será?”

 

O motivo

O ex-governador também criticou a antecipação dos protestos pelo “Ponto Final” e noticiou uma ação contra os diretores deste jornal no Ministério Público Federal (MPF). O motivo foi aventado (aqui) pelo jornalista Esdras Pereira: “Condenado a quase 10 anos de cadeia (…) e gozando de uma precária liberdade à força de um habeas corpus, Garotinho parece ter protocolado essa denúncia como uma tentativa de ‘fabricar’ um salvo conduto para si próprio, caso membros da facção rosa sejam presos durante a ação terrorista dessa sexta-feira, e seus depoimentos e as investigações policiais o apontem como o suposto mandante”.

 

“Rindo à toa”

Toda a postagem de Garotinho em seu blog se resume em frase própria: “Chega a ser ridículo”. De qualquer maneira, como entre os diretores da Folha acionados está o blogueiro Christiano Abreu Barbosa, pertinente o que este escreveu (aqui) em 8 de abril de 2015, em nota intitulada “Intimidação patética”: “A Folha já foi alvo de enxurrada de processos infundados do governo Rosinha. Ganhou todos. Deve-se lembrar que na derrota, honorários advocatícios são devidos ao lado vitorioso. Só em uma ação perdida mês passado, Rosinha foi condenada a pagar R$ 8.000,00 de honorários advocatícios. Os advogados do escritório jurídico da Folha da Manhã estão rindo à toa”.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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Guiomar Valdez — Bruxas e hereges de todos os mundos: uni-vos e distribui-vos!

 

 

 

Inspirada e instigada pelos recentes artigos neste blog de Vanessa Henriques (“Afinal, o que é feminicídio?”) e de Carol Poesia (“Foto bebendo de perna aberta”), venho contribuir no tempero das questões que envolvem a MULHER e o FEMININO, neste mundo HUMANO, incorporando uma ‘pimenta’, que para muitos ainda é ‘forte’, para outros, é ‘apenas de cheiro’, e, para tantos demais, ‘não é palatável’ – a superação do sistema capital, como condição estrutural da emancipação da Mulher e da dimensão do Feminino.

Minha reflexão está impulsionada por este Outubro/2017, que é Rosa – campanha sobre o câncer de mama, mas, também, é Vermelho – 100 anos da vitória da Revolução Russa! Não consegui desvencilhar, os dramas, as barbaridades e a opressão que sofrem as Mulheres e a dimensão Feminina, muito bem exemplificadas pelas companheiras no blog, com a utopia e com a caminhada para superação, deixadas como herança pelas Mulheres revolucionárias de 1917. Isso mesmo! Adiante voltaremos a este assunto.

Olhando a realidade da luta das Mulheres por Direitos, sem nenhum romantismo, concluo que avançamos, sim! Não há como negar. Mas, velhos e novos limites continuam neste movimento, nos espaços públicos e privados, na imanência e no espírito! No balanço, rupturas não aconteceram, e, elas, são imprescindíveis para a emancipação! Não me contento com o que conquistamos, não me deslumbro com discursos, com leis, com projetos específicos, com esta presença feminina nos espaços de poder/institucionais, etc!

No final, estamos reproduzindo muito mais, e, preocupante, de maneira fragmentada, de maneira excludente. Isso porque lá no fundo, não propomos e nem vivenciamos para dentro e para fora, uma nova Cultura, entendida aqui, como visão de mundo! Historicamente o patriarcado predominou sobre o matriarcado (sinceramente, não sou afeita a nenhum desses ‘arcados’), ambos, promovendo a divisão social do trabalho em gênero, em sociedades desiguais e de classe. O patriarcalismo na sociedade moderna (capitalista, burguesa), muitos pensam que este foi extinto, alça o machismo como sua face mais destruidora e permanente até os dias atuais.

A ‘Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade’, elementos da cultura política, econômica e social da nossa Sociedade Moderna, não chegaram às mulheres de maneira plena. Fomos incorporadas formalmente ao sistema produtivo, sim. Mas de maneira desigual, inferior, hierarquizada, discriminatória e preconceituosa. Atualizando a opressão com um novo diferencial – ACUMULANDO O TRABALHO PRODUTIVO COM O TRABALHO REPRODUTIVO, a centralidade do trabalho das Mulheres nesta ordem moderna, torna-se imprescindível, perfeito, para a reprodução social, econômica e cultural do status quo.

E, assim, se dará em todos os outros espaços sociais, da ‘nova’ família (tipo burguesa – que será o ‘símbolo’, o ‘sonho’ dos oprimidos) aos espaços de poder; dos ‘novos tipos de família’, com forte domínio e direção das Mulheres às questões que envolvem ‘minorias’, etnias, raça, sexualidade, gênero, através da alienação total das razões estruturais que alimentam a opressão, às vezes, entendida e ressignificada como conquistas no âmbito da Liberdade e da Igualdade.

Nossas conquistas foram e são mergulhadas de machismos, de exclusão, de competição, portanto, dos valores hegemônicos da sociedade em que vivemos, incrivelmente, razão das nossas dores. Muitas de nós, reproduzimos nos espaços públicos e privados o machismo, a desigualdade, a cultura da dimensão masculina, no pior que construiu historicamente. Ouso afirmar, que nos espaços organizados de poder/institucionais denominados ‘progressistas’, tidos como de lutas por direitos, de conquistas, de transformação, etc, etc, como os partidos políticos e sindicatos, predominam ainda o machismo, o preconceito e os valores hegemônicos. Quantas situações já vi, já assisti…quantos discursos de homens a favor das Mulheres, já ouvi, como vi a dualidade de vida e ação em suas vidas privadas!

Imagina, somar a isso, toda a dor presente da opressão, repressão e violência, para além dos espaços formais de lutas por Direitos? Nas relações mais íntimas, mais particulares, estampadas e publicizadas pelos meios de comunicação? Opressão, repressão e violência, vividas cotidianamente física ou psicologicamente, como apresentados nos artigos de Vanessa e Carol?

Nós, Mulheres, lutamos muito no âmbito privado e público, é bem verdade. Lutamos como mães, esposas, irmãs, avós, trabalhadoras, desafiamos estruturas autoritárias, demos abrigos, pegamos em armas. Foram incontáveis nossas formas de resistências. Mas, ainda não é suficiente. Morrer do machismo/feminicídio, uma, duas, dez, milhares de vezes ainda não é suficiente! Ainda não se tornou verdadeiramente uma ação intolerante pela sociedade, mesmo sendo hediondo, enquanto crime. Ao saber que, por exemplo, o feminicídio pode ser evitado, revela para mim a conivência social e institucional, de homens e mulheres; garantir Direitos, quando o Estado falha em defender a Vida, para onde vamos?

É preciso lembrar sempre: NÃO É A VIOLÊNCIA QUE CRIA A CULTURA, MAS É A CULTURA QUE DEFINE O QUE É VIOLÊNCIA. De acordo com Luiza Bairros, ‘ela (cultura) é que vai aceitar violências em maior ou menor grau, a depender do ponto em que estejamos enquanto sociedade humana, do ponto de compreensão do que seja a prática violenta ou não’.

Falta ‘algo mais’ em nossas lutas e conteúdos da vitória! NÃO É SUFICIENTE o que já fizemos! Para início de conversa, ouso sugerir alguns pontos:

CONHECER a História e RECONHECER os limites, as idas e vindas; ATENTAR para as permanências do machismo e da opressão em nossos espaços públicos e privados de atuação, incluindo aí, a família; realizar uma CATARSE em nossa visão de mundo, contaminada pelos valores hegemônicos da pós-modernidade (burgueses), expulsando na prática o individualismo exacerbado, a competição, a fragmentação, a atomização, os fundamentalismos, a fluidez, a mercantilização da Vida e da Morte, etc

ALIMENTAR e VIVENCIAR os elementos e a ética da dimensão humana do FEMININO – cuidado, unidade, solidariedade, articulação, coesão, etc; RECONHECER que na luta da Mulher é imprescindível o Homem – é conjunto, não apartado. Não podemos recriar uma nova forma de dualidade, ela reproduzirá os horrores da opressão, da repressão e da violência. É de uma nova MULHER e de um novo HOMEM, que forjaremos uma nova HUMANIDADE.

Daí que retomo ao ‘Outubro Vermelho’- 100 anos da vitória da Revolução Russa. Lições, atuações, conquistas e experiências das Mulheres revolucionárias da Rússia de 1917, não apenas porque foi a partir da ação das Mulheres operárias que precipitou este movimento, mas, muito mais, pelo vigor, profundidade e amplitude de suas formulações e militância, bem como, as utopias, muitas das vezes invisíveis, para nós, Mulheres!

Com a licença dos leitores, reproduzo aqui, um trecho do livro – “A revolução das mulheres – emancipação feminina na Rússia soviética: artigos, atas, panfletos, ensaio”, uma antologia, organizada por Graziela Schneider Urso (Boitempo/2017), que qualifica o quanto precisamos revisitar a História, articulando o passado e o presente:

“Aleksandra Kollontai, Maria Pokróvskaia e Nadiéjda Krúpskaia, entre outras, reorientaram os eixos da revolução iniciando um profundo e complexo processo de emancipação feminina. É possível acompanhá-lo por meio da leitura de uma produção intelectual e política pouco conhecida não só pelas circunstâncias desfavoráveis em que foi produzida, mas pelas suas consequências e prolongamentos na contemporaneidade: mostrar que no início do século XX as russo-soviéticas alcançaram direitos que ainda nos parecem impossíveis representa uma ameaça à ordem vigente. Quais estruturas de pensamento e ação se moveriam se fosse amplamente divulgado que o aborto foi legalizado na União Soviética em 1920? Ou que o programa do Partido Comunista Revolucionário garantiu igualdade de cargos e salários entre homens e mulheres?

Foram mulheres como Krúpskaia – infelizmente, mais conhecida por ter sido companheira de Lenin – que construíram respostas para problemas que, embora fossem próprios de sua época, persistem ainda hoje. Questões consideradas insolúveis, como a divisão sexual do trabalho, têm soluções tão simples como revolucionárias. Por exemplo, a construção de restaurantes, creches e lavanderias populares. Parece que a revolução mais difícil é aquela que está ao nosso alcance.
É preciso ressaltar que todo esse processo se deu em um dos períodos mais sombrios da história russa: em 1917, as mulheres representavam um terço dos operários de Petrogrado. Enfrentavam jornadas de trabalho extenuantes, recebiam menos da metade do salário dos homens e não tinham condições mínimas de segurança. Se nas fábricas eram claramente exploradas, no campo eram escravizadas e vendidas. Em ambos os contextos estavam sujeitas aos mecanismos capitalistas inseridos em estruturas patriarcais, ou seja, viviam o aprisionamento dentro do aprisionamento. Foi nesse cenário que as mulheres russas tomaram a palavra e as ruas.

O resgate deste tema não representa apenas uma reconstituição histórica necessária – visto que mulheres são vítimas de um constante apagamento –, mas a possibilidade de olharmos para nós hoje de uma perspectiva radicalmente outra. É possível enxergar no pensamento dessas mulheres um horizonte para além das propostas de inclusão na ordem existente e de liberações parciais. Escutar essas vozes é desconfiar de que o esforço tão em voga de tratar a revolução como um evento impossível é parte do funcionamento dos mecanismos de dominação vigentes.”

Assim, queridas Vanessa e Carol, Mulheres em luta, fui instigada e inspirada pelos seus escritos, propondo incorporar uma reflexão em nossas lutas, onde, para além das reivindicações e denúncias de curto prazo (o tempo da reprodução), necessárias e urgentes, avancemos com a Utopia (o tempo de médio e longo prazos) que articula todas as Mulheres e todos os Homens, na busca de uma nova Humanidade, de uma nova sociabilidade ‘para além do capital’ (Mészáros) .

Se assim compreendermos e concordarmos, seremos, já aqui e agora, verdadeiras BRUXAS, porque desnudaremos e incorporaremos questões INTOCÁVEIS em nossos movimentos; seremos as HEREGES DO FUTURO, porque sabemos e poderemos provar que:

“Não é inteiramente verdade que as bruxas foram mortas e caçadas em nome de um ‘obscurantismo religioso’. Não! Elas foram queimadas também em nome de um futuro. Um futuro fabril, assalariado, masculino e moderno. Um futuro cromado, veloz e imponente… Somos hereges do novo mundo moderno. Hereges do regime assalariado. O capitalismo não seria possível sem esses dois cercamentos fundamentais: o das terras e da possibilidade comunal por um lado, e por outro, o cercamento dos nossos corpos e a transformação deles em um terreno inesgotável de apropriação de trabalho. Somos hereges do futuro.” (Alana Moraes)

A ‘pimenta’ foi colocada no tempero!

 

[1] Lamento profundamente o falecimento nesta semana, deste grande pensador marxista – István Mészáros.

 

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O que está por trás e à frente dos protestos hoje em Campos

 

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (06) na Folha

 

 

Promessa de caos vigiada de perto

Campos viverá hoje um dia de caos, com quase meio milhão de habitantes sitiados num município com todas suas entradas e saídas fechadas em protesto contra o governo Rafael Diniz (PPS), desgastado pela crise na Saúde e medidas impopulares, como a suspensão da passagem social? Ou, apesar dos áudios denunciando pagamento de R$ 100,00 por cabeça nas manifestações articuladas em grupos de redes sociais ligados ao garotismo, os novos protestos repetirão o fracasso do desfile de 7 de Setembro? Na dúvida, uma certeza: as forças de Segurança e o Ministério Público estão cientes e acompanharão tudo de perto.

 

Limites ao protesto pago

Procurador-geral do município, José Paes Neto revelou à coluna que na última quarta (04), numa reunião previamente marcada no Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, aproveitou para conversar com os promotores sobre o protesto que pretende parar a cidade, então já arquitetado pelo garotismo. José Paes entende que qualquer ato de protesto é válido e tem que ser respeitado dentro do estado democrático de direito. Mesmo o ato de se pagar aos manifestantes, não seria crime. A não ser, lógico, em caso de dano a patrimônio ou a terceiros. Aí, o pagamento poderia até configurar formação de quadrilha.

 

PM atenta

O procurador do município também revelou que foi o próprio comandante do 8º BPM de Campos, tenente-coronel Fabiano Santos, quem revelou ao prefeito Rafael Diniz a movimentação para tentar parar hoje a cidade. Antes mesmo das convocações para os protestos viralizarem nas redes sociais ligadas ao garotismo, o comandante estava ciente dos seus preparativos. Da mesma maneira que já tinha feito no desfile de 7 de Setembro, quando o serviço de inteligência da PM foi fundamental para evitar transformar em baderna o evento cívico no Cepop, símbolo maior da gastança nos oito anos do governo Rosinha Garotinho (PR).

 

Ficha do garotismo (I)

Quem não se esqueceu da gênese do Cepop, também deve se lembrar que protestos cerceando o direito de ir e vir dos campistas são um hábito antigo do casal da Lapa. Em 02 de julho de 2010, na primeira cassação da prefeita Rosinha, seus militantes fecharam a BR 101 ateando fogo em galhos e pneus. Na segunda cassação da hoje ex-prefeita, em 28 de setembro de 2011, cerca de 300 rosáceos fecharam a av. XV de Novembro, diante do Fórum Maria Tereza Gusmão. Liderados por Rosinha, de lá saíram para a sede da Prefeitura e a ocuparam durante três dias, enquanto parte deles voltou a fechar a BR 101 em protesto, no dia 29.

 

Ficha do garotismo (II)

Encerradas as cassações de Rosinha, seu governo seria marcado por mais manifestações como a que seu grupo político pretende promover hoje em Campos. Em 08 de novembro de 2011, por determinação dos Garotinho, seus militantes fecharam novamente a BR 101, desta vez em manifestação contra a divisão dos royalties do petróleo. Em 07 de março de 2013, militantes liderados por Rosinha invadiriam ainda o heliporto do Farol, novamente em protesto contra a redivisão dos royatlties — os mesmos que o casal cederia três vezes consecutivas, nas conhecidas “vendas do futuro” de Campos, a última delas a ser paga até maio de 2026.

 

Contas e comunicação

Talvez quem hoje aceite R$ 100,00 para protestar contra os cortes sociais promovidos pelo atual governo, não saiba (ou queira) fazer as contas. Mas com os R$ 3 milhões que Campos é obrigada a pagar todo mês de juros pela última “venda do futuro” dos Garotinho, daria para Rafael manter o Restaurante Popular, o Cheque Cidadão e a passagem social. O que não exime o prefeito e sua equipe, por vezes tomada de soberba técnica, do pecado político de não ter comunicado os cortes prévia e didaticamente à população. E, pela fluidez da comunicação que definiu a campanha de 2016, mas falta à administração de 2017, o governo sangra.

 

Tempo da reação

Acuado nas cordas por quem nocauteou (aqui) no voto, o governo Rafael carece de reação. Mesmo porque, independente do que houver hoje na cidade, a assembleia dos médicos que definirá se a categoria entra em greve ou não, será dia 17. E, salvo novidade, não há dado animador na área, que consome 50% do orçamento de 1,6 bilhão do município. Há previsão de que possa chegar a R$ 2 bilhões em 2018, puxado pelos royalties. Mas se esperar até lá para reagir, como o ano novo eleitoral só começa após o carnaval de fevereiro, o governo terá só cinco meses até a campanha de agosto. Pode ser pouco tempo para correr atrás do que se perde agora.

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

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Áudio convoca manifestação na Prefeitura a R$ 100,00 por cabeça

 

 

 

Chefe de gabinete do governo Rafael Diniz (PPS), o jornalista e blogueiro Alexandre Bastos divulgou aqui um áudio em que manifestantes estariam sendo convocados ao preço de R$ 100,00 por cabeça, para engrossarem nesta sexta (06) um protesto diante da Prefeitura de Campos.

Confira abaixo:

 

 

A iniciativa faria parte do ato de terrorismo político que se planeja instalar no município amanhã, a partir de convocações de grupos de redes sociais ligadas ao gartismo, com o fechamento de todas as vias de entrada e saída de Campos, como a coluna “Ponto Final” denunciou hoje aqui.

O blog teve acesso mais cedo a um outro áudio, divulgado também nas redes sociais, no qual o terrorismo político pretende bater ponto em frente à Prefeitura com pneus queimados.

Confira abaixo:

 

 

 

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Quanto maior a possibilidade do anonimato, mais corajosa é a defesa do garotismo

 

Para quem lê este “Opiniões” tanto aqui, quanto através (aqui) da sua página no Facebook, é didático observar o contraste entre os comentários e comentaristas. Caso exemplar é a postagem (aqui) do “Ponto Final” de hoje pelo blog, com link em sua página no Face, no qual se denunciou  o terrorismo político que se planeja instalar em Campos nesta sexta, com o fechamento todas as entradas e saídas do município, sitiando meio milhão de habitantes.

Aqui, no blog, onde os comentários possuem menos filtros contra o anonimato dos seu autores, sete dos 15 comentários feitos até o presente momento, defendem de alguma maneira os protestos de amanhã, ou questionam sua origem evidenciada em grupos de redes sociais ligadas ao garotismo. Chega, portanto, à quase metade.

Já na página do blog no Facebook, onde as identidades reais dos comentaristas são publicamente mais conhecidas e fáceis  de ser confirmadas, dos 16 comentários feitos até agora, mesmo que muitos tragam críticas ao governo Rafael Diniz (PPS), apenas um deles defende o caos que o garotismo planeja instalar em Campos nesta sexta.

Ao que parece, quanto maior a possibilidade do anonimato, mais corajosa é a defesa do garotismo e seus atos irresponsáveis com a cidade.

Quem quiser conferir os comentários no blog, basta fazê-lo aqui.

E para quem quiser contrastar com os comentários na página do blog no Face, é só conferir aqui ou em suas reproduções abaixo:

 

Antonio Carlos Ornellas Berriel Existe teoria da conspiração “reversa”? Se existe, acho que é isso que Garotinho está praticando. Plantando notícias de que está comprando a Record ou que vai sitiar a cidade, vai construindo o senso comum de que tudo que se diz dele pode ser exagerado. Amanhã saberemos.

Gilvan Nascimento Silva A Quadrilha de Garotinho está enraizada em Campos, como o PT para o Brasil, da mesma forma que Lula, o Garotinho não vai querer largar o osso assim tão facilmente e o atual prefeito ainda não acordou para essa realidade e o pior de tudo, ainda está contribuindo com a sua má administração para a facção desse evangélico do Paraguai, que com certeza irão fazer de tudo para que nada possa dar certo, o tal “Quanto pior melhor ” tenho até pena do Diniz, dar um um sacode no Dono da República do Chuvisco, vai ser uma tarefa árdua e muito difícil, ainda tem muito dinheiro no Homem da Mala a fonte vai demorar muito pra secar.

José Geraldo M Chaves Não acho que essas atitudes insanas irão prosperar nos locais definidos.
Há que fazer valer a Lei em respeito aos direitos dos outros.
Às Autoridades Policiais responsáveis, a garantia da Constituição com responsabilidade, à exemplo da Espanha, à FERRO, FOGO, CASSETETES e PRISÕES.
Direito ao berro, todos temos e eu mesmo tenho exercido isso nas vias competentes em questionamentos ao governo Rafael, mas sem prejuízo aos terceiros.
À inteligência policial, a identificação prévia dos mandantes e organizadores, para aplicar – lhes a Lei na garantia preventiva da Ordem Pública.
Ao Ministério Público, as providências antecipatórias que lhe são de dever de ofício.
Assim eu penso. Assim eu agiria se prefeito fosse.

Jaciá Lubanco Quantas pessoas esperam meses por uma consulta ou um tratamento e outros tantos motivos de saúde e esse sujeito acha q é dono da cidade e nos aprisiona , acampe na prefeitura,mas nós aprisionar é absurdo e ilegal.

Jorginho Virgilio Como todos sabem ganhei eleição junto ao grupo que apoiava Chicão, mas nunca fui a preferência desse grupo! Faltando menos de 30 dias pra eleição o próprio Garotinho pediu ao partido que não me desse vaga para concorrer, assim como usou Paulo Feijó pra não dar vaga a Nildo Cardoso, Álvaro César e Aílton Tavares na eleição de vereador em 2012. Porém, depois do partido não aceitar as suas ordens e ter feito de tudo para que eu não ganhasse eleição, prevaleceu a vontade de Deus e do povo! Aí sim, depois de eleito, legitimamente e sem responder a 1 processo se quer, o ex governador começou a me tratar de maneira diferente porque queria fazer a mesa na câmara a fim de inviabilizar o governo do então prefeito eleito Rafael Diniz. Não conseguiu e sofreu outra derrota consecutiva… Agora tenta orquestrar a desordem em uma cidade onde ele deixou quebrada e com empréstimos bilionários, mesmo depois de ter tido bilhões de orçamento durante 8 anos de mandato da sua esposa Rosinha. Protesto pacífico sem tirar o direito de ir e vir dos cidadãos e sem orquestramento político faz parte da democracia, caso contrário é terrorismo de perdedor!

Marcus Castro Almeida Se a população está sofrendo é lícito que lute pelos seus direitos. Mas lutar desta forma, querendo até mesmo matar alguém e bloqueando as principais vias de acesso da cidade? Isso não é coisa de cidadão honesto. Além de desonesto é burro.
Geinaldocarvalhojunior Júnior Estado de direito democrático passa longe ou não existe para os garotinhos,autoridades competências tem q dar um basta definitivo nessa situação terrorismo populista vai na contra mão da democracia.
Marcos Gomes Rafael está acabando com a cidade, o povo tem que se mexer , contra esse mentiroso, que enganou a população.

Gilvan Nascimento Silva Você não acha que o povo deveria pensar em mudanças, enganados já estão à muito tempo, como disse Caiado Garotinho é Chefe de Quadrilha, e ele ficou com o rabo entre as pernas.

Ezi Ribeiro Não gosto de falar bem de políticos, mas Rafael segurou um pepino daqueles, os garotinhos venderam os royalties do petróleo até depois de 2020, sem dinheiro o que ele pode fazer?

Marcela Barros Com certeza é… basta ver que os protestos ja começaram e todos orquestrados por ele e seus asseclas malditos..

Moema Barbosa Monteiro O rapaz quer é criar esse clima de incertezas. E a Justiça está colaborando para isso.

Marineide Rangel NÃO DEVO NADA A POLÍTICO ALGUM  TUDO QUE CONSEGUI FOI COM MUITO TRABALHO , E ME ORGULHO DISSO, 

Cristina Fonseca Acostumado ganhar sempre,perdeu garotinho chega de chororó.

Marineide Rangel QUEM FOI CONDENADO Á QUASE 10 ANOS POR COMPRA DE VOTO COM O CHEQUE CIDADÃO ?

Marineide Rangel PORQUE SERÁ QUE O POVO FICOU TÃO QUIETO ESSE TEMPO TODO ? SÓ ESTÃO VENDO OS DEFEITOS DA CIDADE AGORA ? 
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Após Garotinho ficar livre, ameaça é aprisionar Campos?

 

 

 

Charge do José Renato Publicada hoje (05) na Folha

 

 

Garotinho solto, Campos presa?

“Durante a prisão de Garotinho, Campos não teve protestos. Por que será?”. A afirmação e a pergunta deram título à publicação desta coluna (aqui) no dia seguinte (28) à liberdade do ex-governador Anthony Garotinho (PR), após 14 dias de prisão domiciliar na famosa “casinha na Lapa”. Pois ontem (04), exatamente uma semana depois, grupos de redes sociais ligados ao garotismo começaram a fazer convocações para fechar todas as entradas e saídas de Campos amanhã, sexta, dia 6, a partir das 8h. Alvo das promessas de parar o município em ato de terrorismo político, o prefeito Rafael Diniz (PPS) foi tratado como “verme” e “demônio”.

 

Segurança tem mapa para reação

Não se sabe como as forças públicas de segurança, como Polícias Militar, Rodoviária Estadual e Rodoviária Federal, além de Guarda Civil Municipal, irão reagir à ameaça de parar a cidade. O que nenhum dos seus comandantes ou subordinados poderá alegar, assim que o dia de amanhã raiar, é que foram pegos de surpresa. A logística da operação foi detalhada sem receio nas convocações por WhatsApp: “vamos fechar todas as entradas e saídas, da Tapera a Serrinha, do Km 8 à Stª Maria, do Pq. Imperial ao Farol, do Fundão a Sapucaia, da Alberto Lamego a Martins Lage, da Pecuária a Itereré”.

 

Ecos da Lapa

Impossível disfarçar a origem do terrorismo que se pretende instalar na cidade. Logo após sair da prisão no dia 27, ainda diante à “casinha da Lapa”, Garotinho “profetizou” (aqui): “Esse governo (Rafael) pode acabar a qualquer momento. A cidade está sendo destruída”. No seu eco, pregam as convocações ao ato de terrorismo político de amanhã: “vamos mostrar para esse verme, vulgo Rafael Diniz, que nós temos a força. Nos (sic) colocamos ele lá e nós tiraremos. Não podemos ficar de braços cruzados, assistindo essa corja de ladrões que vieram (sic) para roubar, matar e destruir. Vamos mostrar para essa cambada que nós temos a força”.

 

Juízo dos ressentidos

Refletir sobre quem classifica de “verme” e “corja de ladrões”, usando verbos como “roubar” e “matar”, sem apresentar uma mísera evidência, é gastar pensamento com quem não demonstra ter ou valer algum. Tanto pior quando tudo indica se estar agindo para servir aos interesses políticos de alguém condenado (aqui) a nove anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos, na tentativa de fraudar o pleito a prefeito de Campos vencido no voto, ainda em primeiro turno, por quem agora se pretende condenar pelo juízo dos ressentidos.

 

Promessa descumprida

Medidas como a suspensão da passagem social, na última segunda-feira (02), sangram a popularidade de Rafael, eleito não apenas com os votos da classe média, tradicionalmente refratária ao garotismo, mas também das classes desfavorecidas. Sobre a questão, pertinente o artigo do advogado Gustavo Alejandro Oviedo, publicado ontem (aqui) no blog “Opiniões”:  “como sabemos, agora o dinheiro acabou. A promessa do atual governo de manter os programas sociais está sendo descumprida. A conta por ter falado demais na campanha — ciente à época da batata quente que ia receber — pertence a Rafael Diniz, e a pagará com popularidade”.

 

Engano de Nero

Mas o mesmo articulista conclui sua análise equilibrada ao parágrafo final: “Já a conta da administração municipal ficar refém do populismo e das despesas demagógicas sem receita permanente deve ser cobrada, sem dúvida, aos Garotinho”. Há muitos devedores na falência do transporte público goitacá. E se um deles, logo o mais antigo, pensa que pode tocar fogo em Campos, à distância segura de um apartamento na Zona Sul carioca, entoando seu microfone pago na Tupi, como Nero a sua harpa, está muito enganado. Será só mais um dos tantos que cometeu, na sequência ladeira abaixo, desde que decidiu ser candidato a governador em 2014.

 

Perda de vidas

Assim que as forças de segurança pública tomarem as providências para que Campos não se torne refém do terrorismo político nesta sexta, como já fizeram com quem ameaçou (aqui) e medrou (aqui) transformar em baderna o desfile de 7 de setembro, o município terá pela frente outro desafio. E talvez ainda mais grave, pela importância (aqui) da Saúde Pública e a capacidade de liderança dos médicos em qualquer comunidade. Ao governo, além da abertura a ouvir, é necessário dizer. Aos médicos, o diagnóstico de que o caos na Saúde existia quando Garotinho era governo ou estava preso. Na queda de braço, perde a cidade. E a perda é de vidas.

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

Charge do José Renato publicada no último dia 28 na Folha

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — A falência do transporte campista

 

 

 

Na cidade de Campos, as vans e os carros que fazem lotadas geralmente são veículos em estado lastimável, que dificilmente passariam por uma fiscalização do Detran. Por sua vez, seus condutores raramente respeitam um sinal fechado, ou qualquer outra regra de trânsito que o resto dos motoristas está obrigado a cumprir. Entretanto, além do poder da invisibilidade para ser detectado pelas autoridades, este tipo de transporte também tem uma vantagem para o passageiro: o leva pra onde precisa ir, na hora que precisa.

Levar o passageiro para onde quer ir, na hora que precisa, é uma característica que o transporte ‘legal’ não conseguiu realizar, apesar de ter levado um monte de dinheiro em subsídios da prefeitura durante os últimos anos. Agora, com a suspensão (interrupção) da ajuda estatal, não parece provável que as empresas de ônibus de Campos consigam sobreviver.  Permanecendo a impune concorrência das vans e das lotadas, a falência parece ser iminente.

A esperteza dos empresários e a falha na fiscalização por parte da prefeitura criaram o ovo da serpente do sistema ilegal de transito. A administração municipal pagou grande parte da passagem durante anos, e ainda assim não se passa um mês sem que não haja paralisações dos motoristas reclamando de salários atrasados. Os passageiros dizem que a espera nos pontos é absurda, e quando o ônibus aparece, ele já vem cheio de pessoas.

Quem estaria disposto a arriscar sua vida numa van que percorre a 28 de Março a 80 km/h com o porta aberta, se houvesse um ônibus com ar condicionado fazendo o mesmo trajeto, passando com maior frequência, e com a maioria dos passageiros sentados?

Quando o poder público decide subsidiar uma atividade econômica, bancar a demanda (consumidor) é melhor do que bancar a procura  (fornecedor).  Ao garantir um dinheiro certo aos empresários de ônibus, estes procuraram maximizar seus lucros, sem oferecer um serviço de qualidade, nem ter nenhum incentivo em melhorar sua atividade — conjugado ao fato de que, evidentemente, a prefeitura nem se preocupou em fiscalizar nada. Se, em cambio, se tivesse dado ao cidadão a opção de aplicar o desconto no sistema de transporte que mais lhe agradasse, a concorrência teria funcionado de maneira virtuosa para ser a cada dia mais eficiente.

Eu teria utilizado parte do dinheiro gasto no programa ‘Campos Cidadão’ em promover descontos para a compra de bicicletas elétricas, e na construção de mais ciclovias. Este tipo de veiculo é ideal para ser utilizado na nossa planície, e o custo de uma ‘carregada’ certamente é menor do que uma passagem ida-e-volta. É uma ideia maluca? Nem tanto quanto aquela do Aeromóvel — lembram?

De qualquer forma, como sabemos, agora o dinheiro acabou. A promessa do atual governo de manter os programas sociais está sendo descumprida. A conta por ter falado demais na campanha — ciente à época da batata quente que ia receber — pertence a Rafael Diniz, e a pagará com popularidade. Já a conta da administração municipal ficar refém do populismo e das despesas demagógicas sem receita permanente deve ser cobrada, sem dúvida, aos Garotinho.

 

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