Sabatinado ontem (25) à tarde pela equipe de jornalismo político da Folha da Manhã, o candidato a prefeito do PDT Caio Vianna terá sua entrevista publicada na edição de amanhã (27) do jornal. Dará continuidade à sequência iniciada com Geraldo Pudim (PMDB), Rogério Matoso (PPL), Nildo Cardoso (DEM) e Rafael Diniz (PPS), respectivamente aqui, aqui, aqui e aqui.
Com o mais forte do que disse Caio reservado ao leitor da Folha de amanhã, confira abaixo outros os principais trechos da entrevista:
Caio Vianna (à dir.) entrevistado ontem (25) na Folha, para a edição de amanhã (27) do jornal (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
— Não tivemos um racha na minha família, foi um processo democrático, onde cada um escolheu um lado diferente.
— O eleitor de João Peixoto (PSDC) e Gil Vianna (PSB) ainda não tem conhecimento que o primeiro me apoia e o segundo é meu vice. Isso vai acontecer agora, durante a campanha.
— Campos precisa ser pacificada. Conheço e respeito todos os candidatos (a prefeito).
— O problema de Campos não é dinheiro, é de gestão.
— Qual o tipo de experiência que Caio Vianna precisa ter? Se for para guiar pessoas, ela se reflete nesse imenso arco de alianças que temos hoje. Não quero a experiência que outros têm. Não quero experiência em Lava Jato, em deixar faltar remédios nos postos de saúde.
— O que está sendo feito, de fato, com o dinheiro do empréstimo da “venda do futuro”? Precisamos saber.
— Campos precisa priorizar seus gastos. Lógico que calçamento é importante, mas remédio para o povo é muito mais.
— A gente não pode querer governar com gosto de sangue na boca. Este governo (Rosinha Garotinho) teve avanços, como a passagem a R$ 1,00. Isso tem que ser mantido, mas aprimorado.
— Não podemos aceitar esse clima de guerrilha. Antes, esse candidato (Geraldo Pudim) pintava Garotinho como Deus e Arnaldo como Demônio. Hoje, já inverteu tudo. Amanhã, o que ele vai dizer do povo de Campos?
— A divisão da oposição só favorece a um grupo político.
— O fim da indicação política para diretor de escola e chefe de posto de saúde tem que ser discutida antes com as categorias profissionais e com a população que recebe os serviços.
Por que até agora nenhum instituto ligado ao governo Rosinha Garotinho (PR) divulgou nenhuma pesquisa sobre a disputa da Prefeitura de Campos? Ganha um Cheque Cidadão de R$ 200,00 quem responder: porque nenhuma das consultas feitas sob encomenda governista agradou ao marido e secretário e marido da prefeita, Anthony Garotinho (PR), cada vez mais afastado do seu objetivo de tentar liquidar a fatura no primeiro turno.
Chicão, Rafael e Caio empatados
Além do Precisão — cuja ressurreição foi prometida, mas ainda não publicamente consumada —, o instituto local DataViu fez, na semana passada, a pesquisa mais recente à sucessão de Rosinha. Nela, o candidato governista Dr. Chicão (PR) liderou as intenções de voto em empate técnico com os jovens oposicionistas Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT). E, se Geraldo Pudim (PMDB) liderou mais uma vez a rejeição, veio seguido de Chicão no índice negativo.
Um universo de distância
A menos de 40 dias das urnas de 2 de outubro, o resultado coloca um universo de distância entre o garotismo e sua vitória em turno único. Por isso mesmo, a pesquisa não foi divulgada, apesar de registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A consulta também confirmou que, embora o governo Rosinha tenha melhorado sua imagem, segue mal avaliado pelos campistas, num retrato próximo ao desenhado (aqui) neste mesmo mês pelo instituto Pro 4.
Viu? Só na Folha!
Realizada e contratada pela empresa P. R. Barbosa Mídia e Publicidade Ltda, a pesquisa ouviu 500 campistas entre os dias 17 e 18 de agosto. Registrada no TSE com número de protocolo RJ-00290/2016, quem assinou como estatístico responsável foi Augusto da Silva Rocha. O que você, leitor, ainda não havia visto dos seus resultados, vê agora nesta coluna de opinião da Folha da Manhã.
Na última pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela disputa à Prefeitura de Campos, Dr. Chicão (PR), Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT) ficaram tecnicamente empatados nas intenções de voto, seguidos à distância por Geraldo Pudim (PMDB), Nildo Cardoso (DEM) e Rogério Matoso (PPL).
Realizada e contratada pela empresa P. R. Barbosa Mídia e Publicidade Ltda, a pesquisa ouviu 500 campistas entre os dias 17 e 18 de agosto. Registrada no TSE com número de protocolo RJ-00290/2016, quem assinou como estatístico responsável foi Augusto da Silva Rocha.
O que você, leitor, ainda não viu dos seus resultados, confira daqui a pouco na Folha.
As loas do público diante do palanque da cerimônia de posse. Faixas estampando seu nome e a retumbante vitória no primeiro turno. Soldados armados, uns formando o cordão de isolamento, outros preparados para a salva de tiros. “Nunca nos decepcionará”, eis o lema escolhido pelo público, exposto em faixas, camisas e bandeira.
Os jornais alardearam: o presidente para nos livrar da crise. Uma liderança natural, nascida com o tino do controle, de chamar a responsabilidade para si. Não vacila em momentos de dificuldade, não cede à pressão da oposição. Sabia ouvir e aceitar opiniões diversas, mas tomava as decisões conforme seu senso de correção. Passava longe da demagogia e nunca traía sua palavra.
Para o eleitorado, ele remetia a toda simbologia desejada pela cultura popular. Nasceu na classe média, formou-se na faculdade, falava bem e tinha uma bela família. Passava ao mesmo tempo o ar de modernidade e de humildade. Conversava com qualquer pessoas, de qualquer classe, sem preconceitos. Abraçava pedreiro, vendedor de lanchonete, dona de casa, eletricista, dentista, médico, dono de loja, juiz e sempre dialoga de igual para igual. Demonstrava inteligência e empatia, recebia as palavras de cada um com prazer. O aposentado disse que o ganho era pouco e ele explicava as alternativas para melhorar, o empresário questionava a quantidade de impostos e ele, com coerência, apontava as dificuldades de uma correção para baixo tendo em vista as obrigações fiscais do Governo. Não prometia o impossível, discursava serenamente e isso convencia.
Em suas funções anteriores, ele obteve excelente resultado nas pesquisas de opinião, além de cumprir metas objetivas. Em seus dois mandatos como Governador foi responsável pela melhora do rendimento na educação, pela maior universalização da saúde e pelo fomento ao crédito via parceria público-privada, o que aumentou a produção e reduziu desemprego. Como senador aglutinou propostas de setores diversos da sociedade, de crianças a idosos, homens e mulheres, conquistando sua marca de representante de todas as categorias.
Daí as crescentes expectativas. Diante da inflação e do desemprego galopantes, todos desejavam um bom presidente. Reconheceram nele essa pessoa, um tipo ideal, alguém imbuído de encaminhá-los ao progresso, de assumir a vanguarda dessa marcha. Isso explicou os 70% de votos obtidos e a presença massiva da população, com bandeiras e cornetas querendo assistir quando receber a faixa.
Quando anunciaram sua presença nas caixas de som, o povo todo se empolgou. Gritavam seu nome a plenos pulmões, ávidos pelo início de sua era. Concretizavam um sonho com o tão esperado presidente. O bom presidente. O que jamais os decepcionará. Ele subiu ao palanque vindo de trás, passando pela guarda. Ignorou os muitos partidários, quebrando parte do protocolo. Todos riam e ele manteve seu semblante fechado, destoando do que apresentou durante a campanha.
Foi à frente do palco. Tomou o microfone com suas mãos trêmulas e suadas, o suor nunca visto antes. Encerrou sua participação com uma simples palavra:
O vereador Nildo Cardoso (DEM) foi o candidato a prefeito entrevistado hoje da Folha. Antes dele, foram sabatinados Geraldo Pudim (PMDB) e Rogério Matoso (PPL), respectivamente aqui e aqui.
Com o melhor reservado para a publicação na edição de amanhã (25) da Folha da Manhã, confira alguns dos trechos principais do que disse Nildo:
Nildo (à dir.), entrevistado hoje na Folha (Foto de Michelle Richa – Folha da Manhã)
— Preocupo-me com a mãe, a avó e a mulher Rosinha (Garotinho), assinando tanta coisa. Não por vontade dela, mas do marido, a quem já entregou duas vezes seu diploma de prefeita.
— Minha denúncia contra a distribuição escancarada de Cheque Cidadão virou uma ação na Justiça Eleitoral, que já está investigando também a contratação (com fins eleitoreiros) dos RPAs.
— O eleitor, sobretudo o mais esclarecido, que não aguenta mais os Garotinho no poder, não pode deixar de votar em 2 de outubro. Se não quiser votar em Nildo, tem outros quatro candidatos que representam a mudança. Mas quem não votar tem que saber que assim vai estar votando em quem está no poder e quer ficar.
— Arnaldo (Vianna) teve R$ 1,7 bilhão (em seis anos como prefeito, de 1998 a 2004). Rosinha teve mais de R$ 7 bilhões (em quase oito anos, de 2009 a hoje). A população, os doentes, os estudantes, os passageiros de ônibus cresceram na mesma proporção em Campos? Se não, para onde foi o dinheiro?
— O problema de Campos não e dinheiro, é gestão. Temos que acabar com essa terceirização maluca que fizeram por aí, com empresas de fora, sobretudo da Baixada Fluminense, deixando de fora a iniciativa privada local.
Como bem definiu o diretor de teatro e cinema Domingos Oliveira, ao completar 70 anos: “O tempo é um camundongo passando pela sala”. Já fazem cinco anos que escrevi aqui sobre “Houve uma vez um verão” (1971), de Robert Mulligan, meu filme de romance preferido. Às 19h30 desta quarta-feira, 24 de agosto, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio, esse clássico da sétima arte será exibido e depois debatido no Cineclube Goitacá.
Redigida há cinco anos e ora subescrita, confira abaixo a sinopse desse sensibilíssimo filme, seguido do seu trailer:
Numa ilha, três adolescentes vivem o rito de passagem à idade adulta, durante o verão de 1942, com os EUA engajados na II Guerra (1939/45). Um deles, Hermie (Gary Grimes) se apaixona platonicamente por uma mulher mais velha, Dorothy (a belíssima Jennifer O’Neill, então com 23 anos), e busca se aproximar dela, após o marido deixar a ilha para prestar serviço militar. Segue-se então um jogo de sedução entre o garoto de 15 e a “velha” de vinte e poucos, consumado numa cumplicidade sem par entre melancolia e êxtase, com uma notícia chegada do continente.
Linda como Jennifer O’Neill é a trilha sonora do craque francês Michel Legrand, vencedora do Oscar de 1972, sobretudo a música tema, com sua melodia romântica e nostálgica, conhecida de ouvido mesmo por quem não viu o filme. Destaque também à fotografia em tons pastéis de Robert Sturtees, bem como ao sensível e por vezes hilário roteiro autobiográfico de Herman Raucher, o “Hermie” retratado nessa jóia de rara beleza do cinema. É da boca dele que ouvimos, na narração em off retrospectiva, sobre quando avistou pela primeira vez o seu primeiro amor:
— Nada desde aquele dia em que a vi, e ninguém que conheci depois, foi tão amedrontador e perturbador. Porque nenhuma pessoa que conheci a vida inteira fez tanto para me fazer sentir mais seguro, mais inseguro, mais importante e menos significativo.
Nem para Hermie e, talvez, nem para nós…
Atualização às 13h25 de 24/08: Confira aqui a matéria publicada na Folha Dois de hoje, da jornalista Paula Vigneron, sobre a apresentação de “Houve uma vez um verão”, daqui a meia dúzia de horas, no Cineclube Goitacá.
Ilustração de Aldemir Martins para o poema “O navio negreiro”, de Castro Alves (1847/71), com sua “serpente em doudas espirais”
De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
(Adélia Prado)
Depois de mais de quinze horas seguidas de sono, amanheço sem propósito. Antes de qualquer pensamento, a misteriosa sensação de vazio ocupa cérebro e corpo. Aquela inércia. Cadê a força? Estava demorando… Fazia tempo que não acontecia aquela vocação para a inutilidade.
Arrastando-me, levo-me até o banheiro. Olhos tão inchados que quase não posso ver, mas mesmo sem ver sei que preciso lavar esse banheiro. Também preciso lavar roupa. Também preciso preparar aula. Também preciso ir ao banco. Também preciso escovar os dentes, comer, escovar os dentes. Começo pelos dentes. Olho no espelho: vamos lá! Vamos racionalizar esse vazio, levar para o consciente. Você já passou por isso antes! É o quê? Que cara é essa? Por que isso? Pra que isso? Tem motivo pra essa fraqueza toda? Motivo pra levantar você tem – banheiro, roupa, banco, aula…
Por que há dias em que a concretude da vida não basta?
Isso é a vida, garota! Isso basta! Tem que bastar! É a vida! Conforme-se! Nem todo dia tem poesia! Faça! Nem todo dia tem algo além das aulas, roupas, comida e banco.
Não tem?
Não tem!
Mas tem que ter!
Mas não tem!
Mas tem que ter!
Mas não tem, criança mimada! É um fato!
Eu não suporto tanta praticidade…
Começo a pensar (pela milésima vez) em me mudar para o Sana. Abro um pequeno bistrô. Eu posso fazer isso. Fico em contato com a natureza todos os dias. Eu posso fazer isso. Deixar tudo pra trás, esse cotidiano materialista opressor e viver no mato. Uma horta. Agricultura. Pouca gente. Sanfona. Leitura. Escrita. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso? Pensar nisso me dá esperança, paz e vontade de chorar.
Tenho certeza de que posso sim fazer isso. Mas desconfio de que mesmo assim, embevecida pelo o ar mais puro e pelo silêncio mais raro, afastada das notícias de corrupção, guerra e maus tratos, assim, como sempre sonhei, como a própria Eva, acordarei, vez ou outra, sem disposição pra viver.
É a maldita serpente!
É a maldita serpente!
(“Serpente” é o apelido do Tédio, mas só os religiosos sabem disso. Corramos dela como “o diabo foge da cruz”! Ela é a ponte para a “danação eterna”!)
Aliás, desconfio que por causa do tédio, por puro tédio, Adão e Eva “comeram aquela maça”. Enfim… Banho? Banho.
No banho penso nessa vontade louca de deixar a cidade. Tenho esse desejo desde os dezessete anos, desde o pré-vestibular, desde que me senti pressionada pela primeira vez. Insisto na ilusão de que no mato só tem o bem. Herança árcade? Síndrome “Jardim do Éden”? Sangue indígena? Influência de Rousseau – “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”? Ou só ilusão mesmo?
Não sei… Nunca saí de vez do ambiente urbano. Mas quando no mato sinto uma paz infinita, uma inspiração absurda e uma vontade de ser do bem. As mágoas se dissipam, o perdão preenche fácil fácil, uma sensação de “ser mãe de tudo”. Lembro-me de Clarice Lispector, em “Perdoando Deus”.
Penso “ah como seria bom viver no mato”… Afinal, a vida não vivida é sempre melhor do que a que se vive. Claro! Na vida não vivida não há os problemas da viva real, mas haveria outros problemas, que não levamos em consideração na nossa imaginação. Que graça teria um sonho cheio de realidade?
Acabo o banho molenga da água boa e morna. Parece que nem acordei. Vou à cozinha de roupão, faço um café, café de coador! Sinto o aroma da água fervendo passando no pó forte. Um prazer tão antigo e tão simples. Esses momentos são eternos. Começo a achar que a vida não é tão vazia assim, só por poder tomar um banho quente e sentir logo cedo o cheiro de café fresco.
A caneca encosta na boca e aquele vaporzinho praticamente faz uma sauna no centro do meu rosto. É tão bom… Antes do primeiro gole, sinto novamente o cheiro. E bebo. O prazer está completo. Sim, a vida vale à pena. Esqueço-me do vazio, do banheiro, dos dentes, das contas, das roupas, dos afazeres que estão por vir. Durante dez minutos, sorvo devagar, gole por gole, sentada no sofá, de roupão, o café quente.
O sol entrando delicado pela janela e a orquídea azul olhando pra mim, tão viva que parece um avatar (brinco!). Quanta beleza… Sim, está confirmado! A vida vale à pena. Nem pareço estar dentro de um apartamento. Pareço estar no campo, com aromas e sabores. O divino impera! Mas as serpentes estão ao redor. Por algum motivo lembro-me de Augusto dos Anjos – “Andam a espreitar meus olhos para roê-los e há de deixar-me apenas os cabelos, na frialdade inorgânica da terra”. Calafrio.
Um dia tudo acaba. E tem dia que acaba antes de acabar.
De repente a lembrança de tudo o que tenho que fazer (a tal concretude) me toma por trás, pesa na nuca, passa pelos seios da face (os mesmos que há pouco estavam relaxados com o vapor quente), passa seco pela garganta e para no peito, que começa a acelerar. Estou de volta à cidade. De fato, no apartamento de cinquenta e dois metros quadrados. A orquídea já não parece tão viçosa, o sol imperativo exige cortinas, o café está frio e amargo. Estou rígida e gélida no sofá. Por onde começar? Tenho que fazer ligações, lavar o banheiro, arrumar a cozinha, fazer o almoço, preparar aula, corrigir prova, ginástica, ensaio, trabalho…
O tédio que virou encantamento agora é pura ansiedade. Não sei por onde começo. Ligo o computador, pego o celular. Me atualizo. A vida hoje parece que se resume a uma busca constante por atualização. O deleite das sensações ocupa pouquíssimo espaço do dia, isso, para mim, é deveras opressor. Em poucos minutos fico a par das atualidades – olimpíadas, bienal, fora Temer, Cunha, Biel (Quem é Biel?), guerras e conflitos… Um vídeo, em particular, está sendo muito compartilhado… Assisto ao vídeo. Um menino de três anos, vítima de um ataque na Síria. A imagem da criança sendo retirada dos escombros, toda suja de sangue e poeira, somada a fala da jornalista entrecortada por sua própria emoção, me levam para um lugar mais sombrio. Nem café, nem orquídea, nem apartamento, nem Sana. Um lugar onde não há sentido para afazeres, não há sentidos para sensações – sem olfato, paladar, visão, audição ou tato. Respiração paralisada. Tudo suspenso. Um não-instante.
No vídeo, ele é colocado numa ambulância: não reage, não chora, passa a mão na cabeça, percebe o próprio sangue e limpa a mão na cadeira, como quem não sabe o que aconteceu. Na publicação a legenda – “O mundo sempre foi esse lugar triste? Que dor.”.
Nem tédio, nem encantamento, nem ansiedade. Tudo parece pequeno. Eu pareço pequena. Sou pequena. Perco imediatamente o potencial para “mãe de tudo”. Viro filha, quero colo, infantilizada pela tristeza. Conheço essa tristeza. É a tristeza dos sem sentidos. Perdem-se cheiros, gostos e belezas. Esquece-se o que havia de fazer. É tudo pequeno. Perde-se o sentido. Quando sobra espaço para questões, pergunta-se (e nisso há força) – “O mundo sempre foi esse lugar triste?”. Quando não há força – “Que dor.”.
Lavo o banheiro com a imagem do menino na minha cabeça. Uma criança. Do banheiro para a cozinha. Uma criança. Corrijo as provas mecanicamente. E preparo uma aula sobre os conflitos na Síria.
Enfim, a maratona do meu dia se inicia. Não há vencedores. Corro, mecanicamente, para aonde? Corro para quê? Não sei… não sei se eu sobreviveria à dor sem correr. Deixo pra lá a pacacidade do Sana… Não tenho coragem de parar, as serpentes estão por aí… Gostam do mato… E dizem que elas convencem.
“Não quero equipe de transição. Se vencer a eleição, tomo posse em 1º de janeiro de 2017 com a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público Estadual (MPE), o Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Câmara Municipal e a população. Vamos auditar todas as contas e contratos do governo Rosinha (Garotinho, PR)”. Sutil como um murro na cara, a promessa causou ainda mais impacto vinda de quem conhece tão intimamente, há mais de 30 anos, o casal Garotinho: o deputado estadual Geraldo Pudim, que deixou os antigos aliados e o PR para ingressar no PMDB e nele se lançar candidato a prefeito de Campos.
Ofensiva do ex-aliado
Pudim foi escolhido por sorteio, com presença e participação de representantes dos seis candidatos à sucessão de Rosinha, para abrir a primeira rodada de entrevistas destes pela editoria de política da Folha da Manhã — composta dos jornalistas Arnaldo Neto, Suzy Monteiro, Alexandre Bastos e Aluysio Abreu Barbosa. E, pelas quase três décadas de história no primeiro escalão do garotismo, ninguém poderia esperar uma ofensiva tão direta (e intimidadora) contra quem domina a política de Campos desde 1989, há 27 anos, quando Anthony Garotinho se elegeu pela primeira vez prefeito de Campos.
Compromisso com a oposição
Se bateu forte nos Garotinho, prometendo entregar “ao rigor da lei” toda irregularidade encontrada no rastro dos oito anos de governo Rosinha, Pudim também foi assertivo em seu compromisso com a oposição. Enquanto candidatos menos cotados nas intenções de voto das pesquisas, como Nildo Cardoso (DEM) e Rogério Matoso (PPL), fazem provocações públicas a outros oposicionistas, Pudim não titubeou: “Qualquer que seja o candidato de oposição que esteja no segundo turno e se, eventualmente, o candidato que estiver concorrendo no segundo turno for do governo, estarei no palanque de quem estiver na oposição”.
Exemplo?
Talvez até surpreso com a demonstração de tanto empenho para destronar os Garotinho, um jornalista da Folha quis ter certeza do que ouvira: “Sem sombra de dúvida?”. Ao que Pudim respondeu no eco à oração, apenas substituindo a interrogação pelo ponto final: “Sem sombra de dúvida.” Diante disto, chega a ser até curioso saber, na ordem sorteada das entrevistas da Folha, qual compromisso com a oposição demonstrarão em suas respostas Matoso, Nildo, Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT) — cujo apoio do pai, o popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB), Pudim exibe com orgulho no peito.
No tapetão
É grande a expectativa para o sessão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), marcada para a próxima quinta-feira, quando será definido em última instância a situação do Campeonato Estadual da Série B. A competição está paralisada por conta do “Caso do WhatsApp”. Nas instância do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ), o Americano foi inocentado no campo esportivo, mas condenado a pagar multa de R$ 102 mil. O Alvinegro recorreu buscando a redução da multa ou extinção. O Itaboraí, parte interessada, quer a exclusão do clube campista da competição.
Permanência
As Forças Armadas manterão na edição das Paralimpíadas, que começa em 7 de setembro, os 23 mil soldados que fizeram a segurança dos Jogos Olímpicos, terminados domingo. Após um pequeno recesso, os militares começam a atuar novamente no dia 31 de agosto, quando acontece a abertura da Vila Paralímpica. Existe ainda, segundo o ministério da Defesa, a possibilidade de permanência até o final do período eleitoral.
Sugestão para escutar enquanto lê: The SecretWedding – James Horner
Escritor Fabio Bottrel (Foto de Diomarcelo Pessanha)
Agarrada à mão da mãe, Josefina ia contente em direção à IX Bienal de Campos, contando alto as pedrinhas encontradas sobre o asfalto, que imaginava ser terra preta feita de pedra muito dura.
— Fininha, minha filha, você saltita feito uma pulguinha!
— Estamos chegando, mamãe, deixe que eu vá, há tempos quero vir nesse lugar!
Os dedos de Josefina se desgrudaram um a um da mão mãe e ela correu com todas as forças de suas pernas, logo na entrada desviou dos lixos jogados no chão como um drible de um craque futebolista, deslizou na multidão e adentrou o espaço como manteiga desliza no pão. No meio do grande corredorbienalista, parou, abriu os braços, girou, olhando a imensidão de livros, cores e personagens nas capas. Livros baratinhos, que lhe abriam o sorriso, lhe enchiam o pequeno oceano em torno das pálpebras nos olhos, só foi perceber a boca aberta quando o ar gelado lhe percorreu o corpo por dentro.
Entrou num estande bem grande com muitos livros e cheiros diferentes, um bem colorido lhe prendeu a atenção mais do que os outros, logo na capa havia um campo com fim ao infinito, verde e florido com castelo e vestidos d’outra época. Sua mãe estava folheando páginas e mais páginas na estante no final do estande quando Josefina pegou o livro e abriu. Como se um novo mundo lhe saltasse aos olhos, logo no início conheceu a princesa Késia, que corria pelas falésias acima das falácias contra um enorme carcará, tão grande quanto as nuvens no céu…
“…Seus cabelos caracóis voavam com o galopar do alazão retirando do chão as gramas mais firmes, uma chuva tão fria quanto o gelo cortava o vapor exasperado por sua boca de lábios arroxeados e cortados, havia arranhões por toda a pele descoberta pela armadura e na sua espada carregava o sangue do inimigo, o céu anuviava-se de carcarás tapando com suas asas enormes o sol que mostrava a cara coberta de timidez. Uma grande sombra acompanhava a princesa, as patas do pássaro-monstro estavam próximas para segurá-la e levá-la para seu ninho onde seria mais uma a servir de comida para os demais…”
Enquanto Josefina lia, um inseto grande como um besouro pousou em seu ombro, ao sentir as patinhas bem finas alfinetando a pele magra tomou um grande susto, jogou o livro para o alto enquanto caía de bunda numa pilha de papel coloridosobre uma caixa de papelão. Quando se recuperou do susto ainda estava jogada na caixa, olhou à sua volta e não encontrou sua mãe, nem ninguém, o tempo havia escurecido e apenas o frio rondava o ambiente. Na bienal inteira o único som que escutou foi de seus passos pelo corredor.
— Mãe? Mamãe?!! — Gritava Josefina enquanto sentia o medo subir pelos seus pés até o cabelo, estava sozinha e pensava será que li tanto tempo assim pra todo o mundo ir embora e esquecer de mim? Não é possível! Foi só uma paginazinha, bom… eu acho…
— Mãe? Mamãe?!! — Continuava Josefina a gritar, mas nada de se acalmar, sentia, sua mãe não apareceria, e nem ninguém. Enquanto caminhava olhando para todos os cantos viu uma luz entrando por uma das saídas da bienal, caminhou nessa direção e quando colocou os pés afora percebeu que toda a cidade havia desaparecido, um enorme campo verde tal como no livro cobria toda a sua vista, ao longe um grande exército de cães montava sobre cavalos e se comportava tal como pessoas bradando espadas e uivando forte para o alto cavalgando atrás da princesa Késia sobre as falésias acima das falácias vindo em sua direção. Josefina abriu a boca tão estática como se esquecesse do próprio corpo, viu sombras como se aviões sobrevoassem o local pintando o chão em chiaroscuro, olhou para o céu e viu os gigantescos carcarás com caras muito feias e grunhidos muito bravos, um se aproximava dela em posição de ataque, pronto para pegá-la. Josefina gritou alto, muito alto, sentiu um pavor atroz, lembrava da música Carcará, pega, mata e come! Carcará não quer morrer de fome, mergulhou no céu azul em direção a Josefina, quando suas patas prestes a pegá-la pela cabeça a menina é agarrada pela princesa e jogada sobre as crinas do alazão que galopava para o lado enquanto o pássaro levantava golfos de terra com sua aterrissagem improvisada.
Enquanto galopava deitada sobre a cela e sob as rédeas no alazão da princesa Késia viu o exército de cães, uns escoltando enquanto outros uivavam e guerreavam contra os pássaros gigantes. Logo o ambiente se preencheu de árvores e sombras, haviam entrado numa mata fechada onde os carcarás não conseguiriam encontrar, mas não pararam de galopar até entrar em uma caverna escura e com entrada muito fina para depois se abrir num enorme reino com árvores de troncos gigantes protegendo todo o céu com lanças fincadas em suas madeiras, compondo um imensurável globo da morte. Cavalgaram ao redor de uma montanha no centro do local, subindo por uma estrada íngreme até chegar um grande portão de madeira, que logo fora aberto e todos apearam de seus cavalos com alguns gatos do tamanho de gente grande vindo dar as boas-vindas e pegar os cavalos. A pequenina não sabia como agir agora que estava de pé e parada, achava tudo tão estranho que não sabia nem mesmo qual o nome para o que sentia. A princesa se postou diante de Josefina e a olhou dentro dos olhos.
— Olá, eu sou a princesa K…
— Késia!
— Como sabe meu nome?
— Meu deus, eu estou dentro do livro!
— Que livro?
— O seu!
— Meu?
— Sim, conta a sua história contra o exército dos gigantescos carcarás… ops… acho que temos um problema…
Josefina estava reconhecendo a passagem da história onde uma visitante chega ao castelo e logo depois houve um ataque tão forte a ponto de abalar toda a estrutura. Olhou para os cães desembainhando suas espadas e lembrou desse trecho, olhou as portas do castelo emperrando para fechar e lembrou desse trecho…
— Que problema? — Perguntou a princesa.
— Nesse momento da história o castelo é descoberto pelos carcarás e…
Um grande baque corta a fala de Josefina, todo o chão se cobriu de sombra pelas asas de um enorme pássaro nervoso pousando sobre o globo desprezando as lanças pontiagudas, as quais arrancava com o bico com tanta facilidade que aparentavam palitos de dente.
A princesa imediatamente se espantou com a previsão da pequenina e correu enquanto gritava para que levassem a menina para dentro do castelo em local seguro, mas esse não era o certo a se fazer, Josefina já sabia a história e o que aconteceria, o castelo desmoronaria.
— Não!! Não vá para lá! — Disse Josefina à princesa, que se dirigia para o alto da torre principal a fim de guerrear contra os pássaros gigantes.
— Tudo ruirá! Precisamos sair! — Mal Josefina terminou de falar e a torre ruiu com os carcarás adentrando o globo e desmoronando a estrutura ao aterrissar com firmeza.
Josefina sabia do livro dentro da bienal, se ainda existisse poderia olhar na história e achar uma solução para a catástrofe que acabara de acontecer. Pegou o alazão da princesa e correu, correu, correu em direção à estrutura de tendas d’onde houvera saído. Passou pela mata densa, os buracos saltados pelo cavalo, e logo no final da vista já se via as tendas da bienal cercada pelos enormes pássaros. Inclinou seu corpo para frente, não entendia como sabia galopar tão bem logo na primeira vez a montar um cavalo tão grande quanto aquele e como um jóquei pressionou seus pés nos estribos, levantou seu corpo imaginando assim o cavalo tomar mais velocidade. Galopou tão rápido que o vento quase a derrubou e passou sem dar chances para as aves monstras lhe alcançar.
Josefina apeou do alazão já dentro da solitária bienal como um quartel fortificado, correu para o estande procurar o livro, mas não o encontrava, em seu lugar havia um livro manchado de verde e sangue com um jovem índio bradando um grito feroz enquanto estufava o peito com força e abaixo da imagem estava escrito:
— Sou goitacá, descendente dos maiores guerreiros dessa terra! Nesse chão sagrado não se curvará nenhum de nós!
O dia estava ensolarado quando urrou o jovem índio com uma machadinha na mão correndo enfrentar a multidão de invasores de sua terra, pensava ser um bom dia para guerrear, sabia, o tempo limpo daquela maneira eram os olhos dos espíritos de seus ancestrais. Se juntou aos de sua tribo, os rostos se contorciam de bravura e os músculos da perna se torneavam com as passadas fortes e velozes em direção aos inimigos…”
Josefina viu um raio de sol banhar uma de suas mãos que seguravam o livro, logo percebeu todo o ambiente iluminado, o tempo nublado havia sumido junto com o cavalo alazão e o clima estava mais ameno também, não sentia mais frio. Pensou, tudo voltara ao normal, encontraria sua mãe vindo pelo corredor, mas olhou, olhou… e não viu ninguém, nem mesmo um sinal de existir alguém ali, um som, um barulho, ou algo parecido. Viu toda a estrutura do local balançar com o vento forte uivando lá fora, ouviu passarinhos cantando e som de natureza quando esta mostra a sua beleza.
— Mãe? Mamãe?!! — Gritava Josefina a caminhar pelos corredores soltando pelo ar bufos de tristeza por não encontrar sua mãe, a essa hora ela já devia estar preocupada por estar tanto tempo longe de sua filha e Josefina pensava no que dizer, sua mãe não acreditaria nas peripécias que ela acabara de viver.
A menina caminha para fora da bienal e quando chega à saída vê uma enorme planície verde, tão grande a lhe fugir os olhos, tão colorida a lhe ofuscar os olhos, tão límpida a lhe enganar os olhos. No meio, um pequeno vazio separa um exército europeu de um indígena, logo o vazio se preenche com os dois se embrenhando numa guerra sangrenta. Como tintas numa tela de pintura, o sangue era jorrado para o alto e aos montes, coloriam de vermelho a vista e o coração de Josefina, apavorada com tanta violência. Viu uma sombra, perto de seu corpo e quando olhou para o lado notou um velho índio que aparentava estar há tempos ali parado a observá-la, ele lhe estica as mãos e faz um leve aceno com a cabeça para que ela segurasse.
Os dois correm pela planície afora e Josefina não entende como alguém com a pele tão marcada pela velhice tinha tanto fôlego para correr daquela maneira, o velho não se cansava e Josefina já estava ofegante. Após um longo período correndo, começaram a caminhar, mas o velho nada de falar, Josefina achou estranho, mas preferiu não comentar. Andavam sobre uma enorme montanha sem vista para a bienal, o dia já ia se deitar e a noite se preparava para tomar o seu lugar. Oalto da montanha era adornado por várias ocas e quando o velho índio apontou para uma com cores tão vivas que brilhavam como as estrelas naquela noite, Josefina deduziu, ali seria seu lar de agora em diante. Quando olhou para baixo, viu sob as nuvens de neblina os guerreiros sobreviventes da tribo retornarem, alguns carregados, alguns intactos, todos aparentavam concentrados.
Ao redor d’uma fogueira, todos olhavam Josefina, os carregados e os intactos que agora estavam ao seu lado, as mulheres, os velhos e as crianças. Diante das fagulhas de fogo subindo céu afora o cacique começou a falar e a menina notou que não havia chegado nessa parte do livro para saber o que iria acontecer.
— Hoje a profecia se concretiza, a menina vinda das palavras chega a nossa terra e trará a bonança do solo sagrado de nossos ancestrais. Hoje os espíritos falarão através desse couro guardado há séculos e a partir desse momento haverá fartura de animais, fartura de chuva, fartura de frutas.
O velho cacique entregou um papiro bem antigo à Josefina com letras pretas já deteriorando sobre a luz do fogo que tornava o papiro tão velho quase transparente, sob a noite estrelada a menina leu as palavras guardadas há séculos.
— Na terra onde os ventos sussurram como o último suspiro, onde os homens nada podem fazer diante de tanto ódio, onde as palavras são veneno e antídoto, lá, onde a luz e a lua são tão longas que os personagens dessa terra poderiam viver toda uma vida dentro de um dia, lá, onde as sementes plantadas são as flores nascidas aqui, há uma menina Josefina vindoura das frases longas envolta às palavras cercada de ventos exasperantes das palavras adormecidas nos papéis. Com uma multidão à sua volta sedenta pelas letras falantes, a menina sairá das palavras e se tornará a…
Josefina sentiu-se bambear quando alguém esbarrou em seu corpo, ao olhar para o lado viu que estava em pé, não estava sentada, estava claro, não era noite e não havia fogueira, não havia tribo, apenas o livro em suas mãos, ao lado sua mãe continuava a folhear os livros na estante reservando a comprar os mais interessantes. Josefina largou o livro e correu abraçar sua mãe como se houvera passado uma eternidade longe e a saudade fosse insuportável, estava muito contente de vê-la. Sua mãe sem entender retribuiu com felicidade esse abraço de menina fantasiosa.
Cresce o número de colaboradores da Folha da Manhã, ecoados diariamente na sua página de opinião. Após a estreia do advogado José Pessanha da Silva e dos cientistas sociais Brand Arenari e George Gomes Coutinho, aqui e aqui, em julho, eles passarão a ter companhia, neste mês de agosto, do advogado, publicitário Gustavo Alejandro Oviedo, argentino caído em Campos.
Oviedo, que já foi colaborador da Folha como crítico de cinema, voltará a sê-lo no misto de articulista e desenhista, todas as segundas-feiras, quando a opinião do jornal, excepcionalmente, vem publicada em sua página 2. Abaixo, em palavras próprias, o que esse hermano naturalizado brasileiro pretende trazer a você, leitor, a partir do próximo dia 22:
Gustavo Alejandro Oviedo
Sou Gustavo Alejandro Oviedo, um argentino que há 15 anos veio morar em Campos. Estudei cinema na Universidad del Cine de Buenos Aires, e me formei em Direito na FDC de Campos.
Tenho 45 anos e ganho a vida como advogado e publicitário, mas vivo a vida como cinéfilo e desenhista.
Já fui: dono de agência de publicidade; diretor de canal de TV a cabo; co-criador e participante do programa Mercearia Campista. Dirigi alguns curtas e editei uma revista que teve apenas dois números e cujo único mérito foi o de ter iniciado a carreira jornalística de Alexandre Bastos. Também escrevi crítica cinematográfica para a Folha da Manhã.
A Folha da Manhã, através do seu diretor Aluysio Abreu Barbosa, me oferece generosamente um espaço semanal onde poderei manifestar algumas coisas que passam por minha cabeça. Às vezes serão desenhos acompanhados de um texto, e outras textos acompanhados de ilustração.
Desenho de forma ininterrupta desde criança, mas com a exceção de algumas esporádicas ocasiões, nunca publiquei. Apenas desenho porque preciso fazê-lo; por uma necessidade, diria, higiênica.
Faço caricaturas, uma das disciplinas da ilustração mais fascinantes e complexas. Uma boa caricatura é, para mim, muito mais difícil de lograr do que um retrato, dado que a caricatura destaca aquilo que é essencial numa pessoa, tanto no aspecto físico quanto no psicológico.
Um retrato apenas tenta ser uma cópia do original — embora existam retratistas talentosíssimos, é claro. Para fazer um paralelo jornalístico, diria que um retrato é a reportagem de um rosto, mas a caricatura o seu editorial.
Aceito e agradeço o convite do jornal, sem saber se estou à altura do desafio, mas com a convicção de que, enquanto a carreta anda, os cocos se ajeitam.
“É a tática de quem bate a carteira e grita pega ladrão”. Foi assim que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já definiu (aqui) a praxis política do PT federal. Entre tantas outras semelhanças, a definição serve como luva à prática de sempre do ex-petista Anthony Garotinho (PR).
Ontem, em seu blog, o marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR) reproduziu (aqui) notas do jornal “Extra”, do grupo Globo — que ataca ao ser alvo de matérias críticas, mas usa para tentar endossar seus ataques aos outros. E, a partir das notas, questionou a nomeação do ex-prefeito Arnaldo Vianna como subsecretário estadual de Saúde, após a filiação deste ao PMDB.
Após um longo tempo sem atacar o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e do PMDB fluminense, Jorge Picciani, a quem já chamou de “Rei do Gado”, Garotinho atribuiu a este presidente a indicação de Arnaldo “goela abaixo” do governador em exercício Francisco Dornelles (PP).
E ao puxar o assunto à sucessão de Rosinha, Garotinho acusou o golpe quando fingiu bater:
— O desespero do PMDB em Campos é tão grande que foi buscar apoio do ex-prefeito Arnaldo Vianna, que nem pôde ser candidato.
Na tradução da retórica garotinha à realidade, a declaração poderia ser lida:
A – O apoio de Arnaldo transformou a candidatura a prefeito de Geraldo Pudim (PMDB) em competitiva — como evidenciaram as recentes pesquisas Pro4 (aqui) e iNovo (aqui).
B – Com Pudim, além de Caio Vianna (PDT) e Rafael Diniz (PPS) competitivos, o segundo turno é uma certeza matemática.
C – No segundo turno, residem as melhores (e talvez únicas) chances de vitória da oposição.
Traduzido na tecla SAP, entendeu de quem é o desespero? E por quê?
Parece ser verdade a versão de que nem rosáceos, nem oposição, saíram ganhando com a decisão do PT nacional de cancelar (aqui) o apoio do partido à candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT). Como ainda assim, este manteve a aliança do PMN e PEN — legendas da sua base de apoio — na eleição proporcional com os petistas, estes apoiarão pessoalmente o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB), sem lançar candidatura própria na majoritária. Quem desejava o contrário era o marido e secretário de Governo de Rosinha, Anthony Garotinho (PR), que vinha pressionando o presidente nacional do PT, Rui Falcão, desde 19 de julho, como revelado (aqui) por esta coluna.
Tiros pela culatra
Na noite de ontem, em reunião com representantes dos partidos, o juiz da 75ª Zona Eleitoral, Ricardo Starling, informou que, caso se confirme a ausência de candidatura do PT à sucessão de Rosinha, o cobiçado tempo (aqui) de propaganda do partido — um minuto de TV à tarde e noite, entre 27 de agosto e 30 de setembro — deve ser repartido de maneira uniforme entre os candidatos a prefeito de Campos. Como eles são seis, cada um ficará com uma fatia de 10 segundos dos 60 petistas. Assim, se conseguiu aumentar o tempo de TV de Dr. Chicão (PR) e reduzir o de Caio, a pressão de Garotinho sobre o PT nacional acabou também dando mais vitrine para Rafael Diniz (PPS), Geraldo Pudim (PMDB), Nildo Cardoso (DEM) e Rogério Matoso (PPL).