Com oposição sob ameaça de divisão, Bacellar parte para dentro de Sérgio

Em seu estilo combativo de sempre, hoje o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) respondeu aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, à provocação velada feita ontem (aqui) pelo ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS) à pré-candidatura de Caio Vianna (PDT) à Prefeitura de Campos.
Ainda ontem, o blog já havia registrado aqui a posição de Bacellar em defesa de Caio contra o ataque dos Garotinho. Bem como as provocações inominadas de Sérgio contra a situação da prefeita Rosinha Garotinho (PR) e a oposição representada pelo filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN).
Enquanto Bacellar defende Caio, Sérgio é presidente do PPS, que tem no vereador Rafael Diniz seu pré-candidato a prefeito. Rafael e Caio selaram um pacto de não agressão em 10 de fevereiro, noticiado aqui, pelo jornalista Alexandre Bastos.
Passados mais de quatro meses e faltando pouco mais de três para a eleição, os dois jovens pré-candidatos de oposição, lideram a corrida em empate técnico com o vereador Tadeu Tô Contigo (PRB) e o vice-prefeito Chicão Oliveira (PR).
Conforme registrado aqui, na última pesquisa do instituto Pro4, em consulta estimulada, Caio ficou em primeiro, com 15,2%, seguido de Tadeu (13,4%), de Rafael (11,3%) e de Chicão (8,4%). A margem de erro é de 3,9% para mais ou para menos.
Dentro dessa disputa voto a voto, fontes dão conta de que o acordo entre Caio e Rafael, até pelos perfis aparentemente semelhantes, estaria sendo desrespeitado já durante a pré-campanha, antes mesmo da homologação das candidaturas nas convenções partidárias. Isso teria gerado a reação pública, mas velada de Sérgio, que por sua vez mereceu a resposta sempre direta de Bacellar.
Abaixo vamos a ela:
— Abriram as portas do cemitério. Com isso, as múmias despertaram. O ex-prefeito Sérgio Mendes, um político local que foi varrido para a tumba em 1996, é um dos zumbis a desfilar pela rede social escrevendo asneiras. Agora mesmo está agredindo gratuitamente pré-candidatos de oposição. Tenta agir em nome do vereador Rafael Diniz (PPS). Resta saber se tem procuração para esta empreitada suja. Mas vamos ao histórico da personagem: Com a prefeitura que ganhou do seu mentor Anthony Garotinho, hoje desafeto, o máximo que Sérgio Mendes conseguiu foi andar trôpego nos verões do Farol de São Thomé, urinar em via pública e atrasar salários de servidores. Saiu da prefeitura pela porta dos fundos. Dois anos depois teve menos de quatro mil votos ao postular um mandato na Alerj. Não conseguiu eleger a esposa como vereadora e, mais recentemente, no governo Mocaiber (quem diria!), foi parar na Codemca para cuidar dos cemitérios da cidade. Sua gestão na Codemca foi deprimente. Não suportaria cinco minutos de auditoria. Não custa deixar uma pergunta no ar: de que estaria vivendo Sérgio Mendes, já que nunca conseguiu exercer a profissão de jornalista?
Da lua cheia que subiu o Paraíba com dois urubus até a rabiola de uma pipa

Ontem, tive a sorte de estar no lugar certo, na hora certa. Mas, sem o equipamento apropriado, tive que improvisar. Numa das mesas externas do Restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona, à beira da foz do Paraíba do Sul, a lua cheia nasceu antes mesmo do sol se pôr.
Havia deixado minha Canon SX 510 HS em Campos. Não que seja uma máquina profissional, mas me daria mais recursos de zoom, fotometria, definição e agilidade do que a câmera do iPhone. Foi com esta, na ausência de alternativa, que passei a enquadrar lua, rio, cerca, barcos e casario, enquanto marcava o voo aleatório dos pássaros ao redor, à caça do instante de intersecção com um cenário já deslumbrante, mas ao qual tentava imprimir também a vertigem e a velocidade da vida animal.
Acabei dando a sorte de pegar dois urubus batendo suas asas em sentido oposto, como o sol que ainda não conhecera seu jazigo do oeste, na Serra do Imbé, enquanto a lua cheia já rompêra seu cordão umbilical com o leste, abandonado no Atlântico. Mesmo sem a vista do oceano, foi a mesma lua que o jornalista Aldir Sales fotografou no mesmo momento, do terraço do seu apartamento em Campos, na Pecuária.
Capturada com mais recurso material, numa Sony HX 300, mas também mais técnica humana, segue abaixo a mesma lua que subiu o rio nas asas dos urubus, à velocidade da luz refletida do sol, até Aldir flagrá-la (aqui e aqui) no flerte com a rabiola de uma pipa:

Fogo amigo: defesa de Auxiliadora com ataque à educação e cultura

Não é só a oposição que anda se estranhando (aqui) com a oposição em Campos. Dentro de um governo municipal com 10 pré-candidatos anunciados, as divisões internas são ainda mais intestinas. Algumas foram evisceradas nos comentários da matéria publicada aqui, sobre a pesquisa do instituto Pro4 que deu larga margem de vantagem ao vice-prefeito Chicão Oliveira (PR) na disputa governista tentar suceder a prefeita Rosinha Garotinho (PR).
O mais curioso é que, na defesa dos seus candidatos, com a radicalidade típica do garotismo, alguns militantes acabam revelando não só as cisões presentes em relação à eleição do próximo governo, mas aquelas fizeram a diferença — em alguns casos para pior — nos oito últimos anos da administração Rosinha.
Senão, vejamos o comentário feito aqui por Walker Pessanha, defensor a pré-candidatura a prefeita da vereadora Auxiliadora Freitas (PHS):
— (…) Qdo o senhor diz do desgaste da professora Auxiliadora em relação à educação ao meu ver é um grande equívoco. Penso que o senhor não deve ter acompanhado o mandato e a vida pública da professora. Pelo contrário ele teve maus desgaste com o governo justamente por defender as idéias dela pela educação. Teve que lutar para ter seus projetos colocados em pauta na câmara e atendidos. Se houve algum avanço e conquista para a categoria foram as leis e indicações que ela fez e lutou. A lei orgânica do município da educação e cultura avançaram por ela. Foi a melhor secretaria de educação. Ela fez política de educação e não eventos. Ela representa o segmento por causa. Infelizmente ela não e executivo senão a educação e cultura estariam com muito mais conquistas (…)
Aos olhos do leitor um pouco mais perspicaz e informado, na defesa de Auxiliadora, secretária municipal de Educação (2009) e presidente da Fundação Trianon (2010/12) durante o primeiro governo Rosinha, fica clara a crítica do seu defensor à situação atual da educação — avaliada aqui como a antepenúltima entre os 92 municípios do Estado do Rio — e à cultura públicas de Campos. Esta última, entregue pessoalmente por Rosinha ao questionado comando da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro.
Não por outro motivo, o “Ponto final”, coluna de opinião da Folha, afirmou aqui, na edição do último dia 7 de junho:
— Patrícia não tem intenção ou substância para romper com a política dos shows de pouca qualidade e altos cachês, na prioridade “cultural” dos oito anos de gestão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Por tragicômico que possa parecer, ter Patrícia ali, para manter as coisas como estão, é uma das poucas coisas que restou a Rosinha dentro do governo Rosinha.
E, no mesmo dia 7, a afirmação foi confirmada aqui, em publicação no próprio Diário Oficial (DO) do município, no qual Rosinha liberou R$ 450 mil, mesmo em tempo de crise, para “eventos culturais” sob responsabilidade de Patrícia Cordeiro. Tanto pior que foram recursos oriundos da terceira “venda do futuro” feita pelos Garotinho, para ser paga até 2026, pelas três próximas gestões municipais. Se não bastasse, hoje a presidente da FCJOL foi aquinhoada com mais R$ 33,5 mil, segundo publicação de hoje (aqui) do DO.
Destinado sempre ao mesmo fim, de Rosinha à amiga Patrícia, os cofres públicos do município já sangraram em quase R$ 1 milhão só neste ano. Sempre segundo dados do DO, foram mais R$ 149 mil (aqui) em 23 de março, R$ 55,9 mil (aqui) em 18 de maio, R$ 52 mil (aqui) em 24 de maio e R$ 204,6 mil (aqui), no dia 31 do mesmo mês.
E tudo isso sob reprovação severa de quem defende a vereadora governista para suceder Rosinha: “Ela (Auxiliadora) fez política de educação e não eventos”. Isso quer dizer que hoje se faz?
Fogueira das vaidades: oposição x governo, oposição x oposição

Se as eleições serão daqui a pouco mais de três meses, o caldo já começa a ferver na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Divulgada com exclusividade aqui e aqui, na Folha e neste blog, a pesquisa mais recente do instituto Pro4, feita entre 8 e 10 de junho, com 620 eleitores, nas sete zonas eleitorais de Campos, colocou lenha na fogueira não só entre oposição e um governo cada vez mais agarrado ao vice-prefeito Chicão (PR) como tábua de salvação, mas também entre oposição e oposição.
No primeiro caso, como o jornalista Alexandre Bastos registrou aqui, assustado com a liderança de Caio Vianna (PDT) tanto na consulta espontânea, quanto nos dois cenários estimulados pelo Pro4, o garotismo já começa a bater no filho do seu principal dissidente, o ex-prefeito Arnaldo Vianna. Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o sempre combativo ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) já começou a semana alfinetando:
— O alto índice de aceitação do pré-candidato Caio Vianna nas pesquisas para as eleições municipais em Campos dos Goytacazes tem deixado o Coronel Bolinha de cabelo em pé.
Bem, mas se essa era a parte esperada, a novidade ficou por conta do ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS). Tão ligado ao vereador e pré-candidato a prefeito Rafael Diniz (PPS), quanto Bacellar a Caio, Sérgio foi mais sutil ao evitar nomes e apelidos, mas não menos contundente. Aqui, ele também usou seu perfil no Facebook para rasgar o verbo antes mesmo de desejar uma boa semana:
— Marido mandando na prefeitura no lugar da mulher: basta! Mulher mandando no lugar do ex ou do rebento: nem pensar! Penso que carecemos de alguém com vôo próprio, ética, coragem, competência, determinação, sobretudo independência, para uma efetiva mudança. Boa semana amigos!!!
Pelo visto, mal saiu a primeira pesquisa e já começa a perigar o acordo de paz entre Caio e Rafael, anunciado em 10 de fevereiro, aqui, também no Blog do Bastos. Na ocasião, os dois jovens e promissores políticos posaram para foto e ensaiaram o discurso conjunto:
— A maturidade tem que prevalecer. Campos é maior do que desejos pessoais.
Bem, às certezas de que haverá segundo turno e de que o candidato governista, independente de quem for, estará nele, ameaça se repetir uma terceira: apostar na divisão da oposição é o segredo do sucesso de Garotinho.
Lua ainda suja de placenta pra começar bem a semana

Para começar bem a semana, nem que seja por uma câmera de celular, a lua cheia ainda suja de placenta do final da tarde de ontem (19), no Cais do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona.
Nascida ontem entre os coqueiros da foz do Paraíba do Sul, subiu o rio e voou hoje à capa da Folha:

Chicão bem na frente para ser o candidato a prefeito dos Garotinho

Por Aluysio Abreu Barbosa
Se a nomeação (aqui) para a presidência do PreviCampos, no meio da última semana, do empresário e procurador Nelson Afonso Oliveira, irmão de Dr. Chicão Oliveira (PR), foi visto por analistas políticos como claro indicativo de que o vice-prefeito deve ser o candidato governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), essa tendência é aprovada pela maioria da população campista. Em consulta estimulada do instituto Pro4, feita entre 8 e 10 de junho, nas sete zonas eleitorais do município, com 620 eleitores, a partir de um disco com os nomes de todos os 10 pré-candidatos governistas, Chicão liderou com folga. Além da margem de erro de 3,9 pontos percentuais para mais ou menos, o vice deveria ser o candidato dos Garotinho para 17,7%, seguindo do presidente da Câmara Municipal Edson Batista (PTB), com 7,4%, e de Thiago Ferrugem, ex-secretário de Desenvolvimento Humano, que ficou com 6,3%.
Mas se Chicão é o mais popular na dezena de pré-candidatos rosáceos, nem para ele deve ser fácil superar o desejo majoritária do campista por mudanças na maneira de governar o município. Em outra consulta estimulada, quando exposto às alternativas “O melhor é votar no candidato apoiado pela prefeita Rosinha, porque o trabalho dela precisa de continuidade” e “Ou o melhor é votar em outro candidato, para que ele faça as mudanças que Campos precisa”, sete entre cada 10 campistas ficaram com a segunda opção. Se 24,8% preferem a continuidade, 70,8% acham que um candidato de oposição seria o melhor.
Independente do desejo popular por mudança em relação aos oito últimos anos de governo Rosinha, na mesma pesquisa do Pro4, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 000696/2016 e cuja primeira parte foi noticiada (aqui) pela Folha no último domingo, Chicão já havia surgido como pré-candidato governista com mais intenções de voto, hoje, entre os campistas. No cenário estimulado em que seu nome foi colocado junto aos demais pré-candidatos, ele ficou em quarto lugar, com 8,4%, mas em empate técnico com os três primeiros da oposição: o vereador Rafael Diniz (PPS), em terceiro, com 11,3%; o também vereador Tadeu Tô Contigo, em segundo, com 13,4%; e Caio Vianna, em primeiro, com 15,2%.
Como nos cenários estimulados do Pro4 estava ainda Mauro Silva, líder governista na Câmara Municipal e já lançado pré-candidato próprio do PSDB, o 1,9% do vereador poderia ser transferido a Chicão, caso os rosáceos decidam lançar apenas um candidato. A hipótese se reforça com a não divulgação de outra pesquisa, do instituto Precisão, que várias fontes governistas informaram ter sido feita em período próximo à do Pro4. As prévias garotistas marcadas ontem para 23 de julho, portanto, podem ser uma mera formalidade.

Pubicado na edição de hoje (19) da Folha da Manhã
Fabio Bottrel — Um conto em três atos

Toc, toc, toc…
Toc, toc, toc…
Daniel escutava o ruído do ponteiro dos segundos como se arranhasse o seu tímpano a cada batida…
Toc, toc, toc…
Enquanto a folha branca continuava em branco, estava sentado, tentando preencher o papel com sentimentos há duas horas e sequer a primeira palavra havia chegado. Sentia que estava chegando, era torturante, tinha vontade de gritar para que ela chegasse logo, pois já estava pronto para escrevê-la, mas sabia, de nada adiantaria. Continuou com as mãos sobre o papel, esperando as palavras chegarem, seu olhar de vez em quando se distraía e esquivava para frente, da sua janela via um mar de luzes contrastar com as esparsas estrelas no tapete negro do céu. Estava no alto da torre do condomínio Splendore, rente a Avenida XV de Novembro, à sua frente todo o bairro de Guarus tomava textura de uma obra impressionista com o amarelado das luzes se deitando no rio Paraíba à meia-noite. O conto tinha data de entrega para o dia seguinte e ele ainda não havia começado, sentia a ansiedade subir a garganta como uma pia ao ser desentupida. Decidiu abrir a última cerveja que tinha, já perdeu as contas de quantas vezes havia levantado para ir ao banheiro sem ter vontade e beber água sem ter sede, sabia de seu cérebro criando fugas para esses momentos de dificuldades e prometeu para si mesmo que essa seria a última.
Ploc, ploc, ploc…
Se arrependeu de ter aberto a cerveja, agora era mais uma coisa para distraí-lo, ficava escutando as borbulhas da espuma estourar, perfumando o ar…
Ploc, ploc, ploc…
Decidiu aceitar que ainda não estava preparado para escrever, voltou à idealização da história.
— Sobre o que é a minha história?
Não sabia, e chamava a si mesmo de idiota por tentar escrever uma história da qual nem fazia ideia. À altura dos anos de sua dedicação, não havia espaço para esse tipo de amadorismo. Decidiu começar primeiro com os personagens.
— Sobre quem é essa história?
— Pode ser sobre mim. — Ouviu uma voz na sua cabeça.
— Quem é você?
— Seu personagem. — Disse a voz.
— Qual o seu nome?
— Não sei, você ainda não me deu um.
Daniel analisou a voz pelo tom suave e um pouco grave, vislumbrou seu personagem como um jovem rapaz.
— Rafael. O que acha? — Perguntou Daniel.
— Pode ser Rafuxo?
— Rafuxo, apesar de ser uma boa marca de perfil, soa cômico, e não sei se adequaria ao contexto da história.
— Sobre o que é a história? — Perguntou Rafael.
— Ei, você já escreveu meu nome como Rafael, eu ainda nem aceitei… — Continuou Rafael.
— Pare de me chamar de Rafael, não gostei desse nome!
— Ok! Eu também não sei sobre o que é a história…
— Não sabe? Eu te ajudo a encontrar uma. — Retrucou o personagem. — Pode me chamar de João. O que acha?
— Acho que é um bom nome, João. Mas você decidindo as coisas assim me sinto sem domínio sobre a obra.
— Relaxa, você ainda nem começou a criá-la.
— Ok. Mas precisamos de mais personagens para interagir com você, senão viraria um monólogo e não é minha intenção.
— Nem eu gostaria de ser sozinho como você! Trate de me dar um destino diferente.
Pelo personagem ter surgido de Daniel, sabia da vida de seu autor, pois ainda não tinha uma própria, nem mesmo uma história, até o momento era um amigo que viviana cabeça do seu criador.
O autor ficou pensativo com a última frase do personagem: “Trate de me dar um destino diferente. ” Acendeu um cigarro e olhando a fumaça se esvair ficou a refletir sobre a vida. Sabia que estava perdendo o foco da história, mas das suas reflexões surgiam novas referências de escrita, era um ofício de autodescoberta.
Daniel era solitário como todo escritor dedicado às necessidades da sua arte, os artistas de hora vaga poderiam se dar ao luxo de ter uma vida normal, mas esses ele não chamava de artistas. Era gente que se completava de vazios em concursos de vida finda, almejando passar despercebido sua covardia de jamais suportar ser um artista. Ele ficava a observar os que falavam com propriedade sem ter no sangue a veia da verdade, utilizando de títulos em papel barato para dar credibilidade a uma obra que só existe para si própria. Se não fosse pelo seu cachorro – Balzac, ninguém saberia se estava vivo ou morto, só saía do seu apartamento para levá-lo a fazer as necessidades, raramente encontrava alguém que lhe despertasse mais interesse que os livros. Às vezes passava semanas isolado, concentrado em suas obras e tinha em seus personagens seus amigos mais próximos, enquanto eles existirem nunca estará só, quando tem de matar um deles, mata também a si próprio na dor d’uma despedida de alguém que só existiu dentro de alguém: não há corpos para todas as almas. Às vezes observava nas expressões das pessoas uma pena ao descobrir sua solidão carente mesmo de família, seu único parente tinha quatro patas. Daniel não gostava quando olhava essa expressão, preferia não falar da sua vida fora do padrão, as pessoas não entendiam, suas necessidades não eram superficiais, mas profundas, assinou a vida e a morte com a arte em primeiro lugar, esse era o sentido da sua existência e a existência é muito maior que a vida.
Já era madrugada e a cerveja havia acabado, não tinha mais dinheiro para comprar outra – mazelas do ofício que escolhera, essa própria foi deixada em sua casa por um amigo. Estava cansado, preparou sua cama para deitar, estava frio e se cobriu com o edredom mais grosso que possuía. Ao deitar o sono se foi, ficou a olhar para o teto até que escutou uma voz feminina.
— Tire a mão de mim, seu crápula!
— Eu não encostei em você, sua maluca! — Ouviu João responder a voz que acabara de aparecer.
— Encostou, sim! Só porque ainda estamos na cabeça do autor não significa que você pode fazer o que bem entender!
— Não crie essa mulher doida, Daniel! — Suplicou João para o autor.
— Eu ainda não a conheço.
— Prazer, Amanda.
— Por que vocês já vêm definindo até o nome? Eu sou o criador de vocês, essa é a minha função.
— Você não consegue colocar umapalavra no papel e reclama de já aparecermos com o mínimo para uma personagem decente. Ah, me poupe! Odeio ser criada por um escritor com bloqueio, temos de fazer trabalho em dobro!
— Eu não estou com bloqueio.
— Não… então por que está aí olhando pro teto?
— Tá bem. Então me ajude a criar a história.
— Aí, tá vendo?! — Replicou Amanda. — Tão bom quando a gente já nasce naqueles escritores que sentam de frente para o computador e escrevem tão rápido do teclado chegar a tremer. A gente já vem ao mundo dentro de uma história em vez de ficar discutindo o que deve acontecer… Mas tudo bem… a história pode se passar em Campos dos Goytacazes e…
ZzZzZzZzZzZzZZzZz…
— Acho que ele dormiu… — Disse João.
— Pois é, tadinho… parecia cansado mesmo. Vamos ter de esperar ele acordar para existirmos.
— Só espero que ele se lembre d’a gente quando acordar…
***
— Au! Au! Au!
Daniel abriu um dos olhos, o dia já havia amanhecido e seu cachorro alertava a hora de ir passear. Espreguiçou dando um aperto no edredom, sentou na cama ainda sonolento, olhou sua cara amassada no espelho do armário e levantou. Escovou os dentes duas vezes, como sempre fazia depois de lavar o rosto na pia. Colocou um pouco de ração para o cachorro, enquanto o bichinho comia ele trocava de roupa e logo depois esperava Balzac na porta.
Sempre dava a volta no quarteirão, mas naquele dia algo lhe tirou da rotina. Viu um carro todo amassado oriundo de um acidente, ao lado a mãe desesperada chorava por ter perdido o filho, não estava morto, não estava ali, havia sumido, sem mais nem menos. Daniel ficou estático olhando para o acidente e tentando entender enquanto alguns fanáticos religiosos discutiam ao seu lado o poder de deus – quem levou aquela criança antes do acidente, enquanto outros diziam ser um delírio, que já não havia ninguém no carro mesmo. Chegava perto da multidão para escutar os murmurinhos, era sua matéria-prima mais autêntica e lamentou não estar em posse do seu caderninho de anotações, sabia, na mesma velocidade que a ideia chegava, ela também se esvaía. De súbito a voz feminina lhe veio à cabeça.
— Nem pense fazer isso comigo!
— Sim! Essa ideia é perfeita. Esse será o conflito central! — Disse o autor.
— Então eu não entro nessa história? – Perguntou João.
— Claro que entra! Você será o pai da criança perdida, marido da Amanda.
— Pelo amor de Deus, mas isso é sofrimento em dobro! — Podia até mesmo sentir Amanda pestanejando dentro de sua cabeça, estava pronta para ser escrita.
— Ah, como se fosse uma benção aguentar uma mulher doida que nem você! — Respondeu João com desanimo ao saber a escolha da história de sua vida.
Daniel correu para a casa enquanto seu cachorro não entendia e latia, ainda não havia acabado o passeio e isso era trapaça. Prometeu para o bichinho que compensaria na parte da tarde, levaria para a Praça do Liceu onde ele poderia se soltar, correr e ficar mais tempo do que os passeios cotidianos. Correu o máximo que pôde com medo da ideia desaparecer antes de poder escrever, tanto que nem Balzac conseguiu alcançá-lo.
Ao bater a porta do apartamento nem mesmo trancou, correu para o escritório, sentou e sentiu suas mãos tremularem, as ideias haviam chegado de supetão e todas ao mesmo tempo vigorosas para serem escritas pelas trêmulas mãos.
O barulho das primeiras teclas soou como a sinfonia mais harmônica aos seus ouvidos e seu corpo extasiou quando viu na tela as primeiras palavras em negrito:
Primeiro Ato
Continua no próximo sábado…
Das lágrimas, versos ao campeão

Quando Muhammad Ali morreu, na noite de 3 de junho, alguma coisa em mim se quebrou. Talvez porque Ali fosse a maior referência ainda viva do meu pai sobre mim. Não por outro motivo, escrevi sobre ele (aqui), no artigo do domingo seguinte. E depois aqui, na terça sequente, para anunciar a exibição e debate do documentário “Quando éramos reis”, de Leon Gast, sobre a disputa de título entre Ali e George Foreman, em Kinshasa, capital do Zaire, hoje República Demorática do Congo, pulsando no coração da África e no Cineclube Goitacá.
Após o filme, na última quarta (aqui), em meio ao debate, confesso que o mais comovente, para mim, foi perceber o poeta e jornalista Ocinei Trindade em meio às lágrimas, pelo que acabara de assistir. Longe de um entusiasta, como eu, do mundo das lutas, o pranto alheio (e comum) confirmou aquilo que o comediante judeu Billy Crystal disse (para quem entende inglês, aqui) no belo discurso funerário sobre o mitológico campeão de boxe, seu “big brother” muçulmano: “Ele tinha a capacidade de extrair, sempre, o melhor de todos nós”.
Lembro que, no correr do debate, Ocinei comentou que o título do filme era equivocado: “Com B. B. King, James Brown, George Foreman e Muhammad Ali, o nome desse filme não deveria ser ‘Quando éramos reis’, mas ‘Quando éramos deuses’”. Como entre os antigos gregos que criaram o pugilato e uma tal Civilização Ocidental, aqueles deuses descidos em 1974, na África que pariu o homem, eram mais divinos, justamente por humanos.
Nos versos escritos hoje (aqui) pelo poeta, a intersecção que há entre homens e deuses:
Quando Muhammad Ali me fez chorar
Não era só um filme, era uma vida.
Não era uma despedida, era um encontro.
Não era só uma luta, era missão.
Não era só uns milhões de dólares, era tudo.
Não era só um espetáculo, eram ossos e músculos.
Havia sangue e suor escorrendo pelo meu corpo.
Existe ainda alguém desafiando deuses e heróis?
Senti um aperto no peito, desses que corrói.
Destruir gigantes no Olimpo não é fácil.
Imagina só o Titã que sabe na alma onde dói.
Toda a beleza que sua realeza invoca.
Não sei bem o que provoca aqui dentro.
Só sei que estou dentro de um ringue de lutas.
É uma estranheza assim meio filha da puta
que não quer me parir, não quer sair, nem partir.
Desconfio que Muhammad Ali é um puro pretexto.
Serve para me levar aos lugares sombrios onde nunca vou.
Ajuda-me a imaginar o rei ou o homem que eu sempre sou:
Vencido, desiludido, impedido, sentido.
Amargurado, angustiado, atribulado, atrelado ao show.
Quando o outro importa mais que eu, onde me ponho?
Um mundo cercado de mediocridade e casebres medonhos.
Não sei bem onde se esconderam aqueles antigos e alegres sonhos.
É uma multidão a repetir palavras, frases e sons enfadonhos
Um homem tristonho e vazio não merece muito além de rima feia.
Chicoteia a minha pele que não para de ressecar e murchar.
Será que a velhice não passa de uma outra combatida ilusão?
Percebo mais perto a morte rondando o jardim sem flores.
Pressinto, decerto, a vida mais ávida por idiotices e dissabores.
É a melancolia, sim, instalada entre o umbigo e a garganta.
Não sei se adianta muito eu chorar ou lágrimas disfarçar.
Só sei que ali diante de Ali, eu me senti ainda mais diminuído.
Fui engolido por todos os fanáticos estúpidos maometanos.
Fui devorado por todos os cristãos imbecis e profanos.
Fui esmagado por judeus intolerantes, gananciosos e insanos.
Antes de estar ali com Ali, encontrei Jesus no templo.
Não muito tempo ali permaneci, mas sei que o vi e ele a mim.
Estava disfarçado em mortalha e capuz escondido atrás da palavra.
Pediu para que eu orasse e não me comportasse como hipócritas exibidos.
Obedeci, mas depois, talvez, percebi que não o atendi tão bem assim, remido.
Eu menti para os meus seguidores e seus fingidores.
Omiti a verdade de mim mesmo provavelmente, receio.
Clamei ao Tempo uma pausa, uma outra ilusão, mas ela não veio.
Talvez precisasse de uma mão sem luvas para me esbofetear.
O soco de Ali para me nocautear além do Oceano e eu afogar certeiro.
Creio que todo aquele gozo foi deveras insuficiente para toda a gente.
Deveria eu ter sido bem mais pecador e, quem sabe, ainda mais indecente.
Poderia me desnudar inteiro, sóbrio ou ébrio, pelas ruas de Kinshasa.
Não fiz tudo, nem tudo chorei, nem toquei Maomé, nem Jesus, nem Ali.
Voltei sozinho e tocado por eles para a casa onde moram palavras cheias de si.
Campos, 17.06.2016
Guilherme Carvalhal — A Cabeça Falante

Quando anunciaram a mais fantástica invenção desde a lâmpada elétrica, o público da quermesse se dispôs à frente daquele homem de cartola e vestimenta mística. Entre eles havia uma mesa coberta e cobrou 10 reais de cada um para apresentar algo capaz de mexer com a fé do mais fiel dos homens. Amealhou as notas e descobriu a mesa, revelando uma cabeça humana que se mexia e falava.
Todos riram daquela peça, evidenciando que por baixo da toalha se escondia alguém cuja cabeça apontava para fora pela parte superior através de um buraco. Todos fizeram perguntas e interagiram, muitos se sentindo tapeados por um truque barato e reclamando seu dinheiro de volta. Diante da sensação geral de ludibrio, o homem da cartola arrancou a toalha que cobria a parte de baixo, entre as pernas da mesa, e ali se viu o vazio. Não havia ninguém escondido e a cabeça falava por si só, sem estar presa a corpo algum. O pânico tomou conta da maioria, que saiu correndo em desespero querendo se distanciar dessa bruxaria. O homem da cartola, previamente ciente do pânico a acometê-los, gargalhava, a parte do seu espetáculo em que encenava o feiticeiro a espantar os tolos com seus poderes aprendidos nos círculos herméticos de Karnak.
Posteriormente à debandada, sobraram alguns ainda reticentes com a paranormalidade daquela cabeça. Palpitavam tratar-se de tecnologia moderna, questões de transistores, chips ou nanotecnologia, apta a produzir uma inteligência artificial que movia uma cabeça inorgânica articulada. O homem da cartola então os desafiou:
— Descrentes, somente a erudição antiga da pedra filosofal e da cabala é capaz de um fenômeno desses. Não há nada de tecnologia aqui, apenas elementos alquímicos muito além de seu conhecimento. Se duvidam, coloco-os à prova: quaisquer dúvidas que tiveram, basta fazê-la, pois a cabeça falante consultará de Dagon a Tutatis para responder e provar a extensão de sua sabedoria.
Ninguém, à exceção de um, ousou dar um passo em frente, alarmados e reticentes quanto às profecias que a cabeça poderia revelar. Gideão se posicionou temerário à dianteira, intentando mostrar sua superioridade em relação aos demais:
— Diga-me então, cabeça — perguntou incrédulo e com voz empostada de deboche — minha esposa está de caso com outro homem? — e virou-se confiante aos espectadores.
— Sim — disse a cabeça para espanto geral — Ela encontra-se sorrateiramente com Aderval em rápidas aventuras amorosos quando o senhor sai para caçar. Estão há oito meses nessa, desde uma noite em que a deixou sozinha e ele passou pela sua janela e foi convidado a entrar.
O olhar de pasmo no rosto de Gideão transparecia a sucedânea de conjecturas traçadas em seu pensamento. Lembrou-se de momentos suspeitos flagrados entre a esposa e Aderval, como trocas de sorriso mais íntimas do que mera amizade ou umas visitas inesperadas dele, frutos da vontade de se aproximar de sua senhora. Então, absorveu o relato daquela misteriosa cabeça, que jamais havia tido contato algum com as pessoas dessa cidade e jamais saberia mencionar as relações existentes entre seus moradores, e tornou aquilo algo tateável, a prova de um crime entregue em um envelope, perdendo o aspecto galhofeiro e embarcando em uma jornada interna.
Enquanto muitos se seguravam para rir da pilhéria e do adultério exposto publicamente, ele pôs-se em correria para casa. O homem da cartola desafiou mais algum dos restantes, porém todos deram para trás aturdidos com a possibilidade de alguma verdade escondida vir à tona.
Poucos instantes depois, quatro estalos de tiros originados da lateral da igreja chegaram aos ouvidos. O povo correu para perto e lá encontrou Aderval e sua suposta amante caídos ao chão mortalmente baleados por Gideão, este com seu revólver na mão e ar de perdido, meio aliviado, meio arrependido.
A turba então se voltou furiosa contra o homem da cartola. Culpando-o pela tragédia e pelas mentiras propagadas só para gerar o caos entre aquela boa gente, partiram para cima dele e o apanharam entre seus gritos de aflição; surraram-no e deixaram-no ferido ao chão:
— Espere — disse um dos homens ao terminarem de linchá-lo — Temos que nos livrar dessa cabeça dos demônios.
Todos rodearam a mesa e assistiram à expressão assustada da cabeça. Seu rosto todo se fechou com o semblante de uma pessoa encarando o destino fatídico, vivenciando seus últimos momentos quando a morte se expressa abertamente:
— Não, por favor, eu não fiz nada — ela implorava — Eu apenas respondi a uma pergunta. Não fui eu quem matou o casal. Por favor, tenham compaixão de mim. Sou inocente. Eu não fiz nada.
Jeremias se aproximou com seu martelo de demolição. Levantou-ou com toda sua força após a aglomeração liberar espaço. Nesse instante, a expressão da cabeça pedindo clemência chegou ao ápice e muitos esconderam o rosto não querendo presenciar esse espetáculo. Seus pedidos continuaram e caso houvesse lágrimas em seus olhos, ela choraria. O golpe fluiu rápido, explodindo a cabeça e espalhando pedaços de crânio e cérebro sobre as pessoas em volta. Atônitos, todos voltaram para casa com as mãos sujas de sangue e a lembrança daquele uivo horrorizado emitido pela cabeça em seus segundos finais.
“Quando éramos reis”, nesta quarta, no Cineclube Goitacá

Num ano de perdas, algumas irreparáveis, o que nos resta é manter vivo o legado. Neste sentido, nessa quarta (15/06), na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com avenida 13 de Maio, o Cineclube Goitacá vai exibir e debater o filme “Quando éramos reis”, de Leon Gast. Oscar de melhor documentário em 1997, narra em detalhes um evento de 23 anos antes. “The rumble in the jungle” (“A luta na selva”), foi o título promocional dado à disputa do título profissional peso pesado de boxe, na África, entre o jovem campeão George Foreman e seu desafiante, Muhammad Ali, considerado antes e depois o maior pugilista de todos os tempos — morto (aqui), aos 74 anos, na noite do último dia 3 de junho.
Caetano Veloso admitiu não gostar de boxe, mas escreveu “virá impávido que nem Muhammad Ali”, na música “Um índio”. E “Quando éramos reis” é uma oportunidade documental única para constatar o encontro da cultura black em sua explosão nos EUA dos anos 1970, sendo levada de avião ao coração da África, às margens do legendário rio Congo, em Kinshasa, capital do então Zaire, hoje República Democrática do Congo. Emblematicamente, era a primeira vez que dois campeões negros de boxe, esporte majoritariamente dominado por atletas negros, decidiriam o cinturão de todos os pesos na África.
Ao velho continente que pariu a espécie humana, voltavam como reis os descendentes daqueles que séculos antes saíram acorrentados como escravos. Neste sentido pascal de retorno, foram promovidos shows com estrelas negras da black music dos EUA, como o mestre do blues B. B. King (aqui) e o rei do soul James Brown. No estádio de futebol de Kinshasa, onde seria realizada a luta, os músicos negros estadunidenses se apresentaram para dezenas de milhares de africanos, dançando e cantando juntos como a mesma tribo.
Mesmo de pele mais clara do que Foreman, Ali era adorado pelos africanos muito antes de lá disputar um título de boxe. Na África e no planeta, sua fama já havia conquistado fãs, sobretudo nos países do terceiro mundo, não só pela técnica exuberante do pugilista, mas por conta da sua luta pelos direitos civis dos negros nos EUA, da sua conversão ao islamismo, quando trocou o nome de Cassius Clay para Muhammad Ali, e da sua recusa em lutar na Guerra do Vietnã (1955/75), quando teve seu título de campeão revogado pelo governo dos EUA, quase acabou preso e foi impedido de boxear por três anos e meio. Roubaram aquele que seria o período áureo da carreira de qualquer atleta.
Foi dessa empatia com o povo africano que Ali se valeu, extraindo do coro “Ali, buma ye! Ali, buma ye!” (“Ali, mata ele!”) a força para fazer o impossível, chocando mesmo jornalistas experientes como Norman Mailer e George Plimpton, que dão seus depoimentos no documentário, assim como o cineasta e ativista do movimento negro Spike Lee. Como este diz em determinado momento do filme, independente do tempo em que se viva, é muito difícil se ter a oportunidade de poder conviver com heróis de verdade.
É que quando Ali lutava, dentro ou fora dos ringues, todos éramos reis.
Confira nos vídeos abaixo a música de Caetano e o trailer do filme de Leon Gast:


