“Rosinha é a prefeita que mais realizou pelo município”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Alexandre Bastos

 

Se continua a elogiar a passagem de Rosinha Garotinho (PR) pela Prefeitura de Campos nos últimos seis anos e oito meses, o deputado federal Paulo Feijo (PR) também admite que Campos poderia ser muito melhor com os royalties recebidos nos últimos 20 anos. Ainda assim, ele aposta na força do grupo governista, no qual vê o vereador Mauro Silva (PT do B) e o vice-prefeito Dr. Chicão (PP) como os dois nomes com mais chance para tentar manter a Prefeitura em 2016. Ao admitir estar fora dessa disputa, Feijó também calcula hoje ter 95% de chance de encerrar sua carreira política quando terminar seu quinto mandato na Câmara Federal. Sobre o que ocorre em Brasília, adverte que ninguém sabe onde a crise nacional pode acabar. Do Planalto Central à Planície Goitacá, o deputado defende o diálogo entre governistas e ex, enquanto considera a oposição desunida e desestruturada.

 

Paulo Feijó

 

Folha da Manhã – Como está hoje sua relação com o secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR) e seu grupo? Trabalha com a possibilidade de vir candidato a prefeito de Campos pelo PR em 2016? 

Paulo Feijó – A minha relação com Garotinho é boa, muito embora tenha conversado muito pouco com ele, pelos meus afazeres em Brasília e os dele em Campos. Com o grupo político, a mesma coisa, com algumas exceções, como Dr. Edson Batista (PTB), presidente da Câmara, o vice-prefeito Dr. Chicão (PP), o vereador Mauro Silva (PT do B), líder na Câmara, e o vereador Jorge Rangel (PSB), com quem tenho mais contato. Em relação à candidatura em 2016, não vejo possibilidades, pois tenho 95% de chance de encerrar a minha carreira política após este meu quinto mandato de deputado federal. Acredito que já tenha oferecido uma importante parcela de contribuição a Campos e região nestes meus quase 30 anos de vida pública.

 

Folha – Os nomes mais fortes na disputa interna pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) são mesmo de Chicão e Mauro Silva? Você, Edson Batista, Suledil Bernadino (PR), Fábio Ribeiro (PR) e Auxiliadora Freitas (PHS) correm por fora? Quem teria mais chances, no grupo e junto ao eleitorado?

Feijó – Eu vejo os nomes de Mauro e Dr. Chicão com mais possibilidades, até porque dentro do grupo vejo que os dois estão mais motivados. Eu estou fora. Os demais, não posso avaliar. O candidato do grupo será o candidato com grandes chances de vencer as eleições. No momento certo esse nome será anunciado. A partir daí vamos trabalhar para a vitória.

 

Folha – Em outubro de 2010, você disse (aqui): “Ganharemos de qualquer um. Oposição, em Campos, não existe”. E foi parcialmente confirmado em 2012, com a reeleição da prefeita em turno único. Mas na pesquisa do instituto Pro4, de junho deste ano, 70,2% dos campistas disseram que não votariam em nenhum candidato apoiado por Rosinha em 2016. Ainda acha que dá para ganhar de qualquer um? E a oposição ainda não existe?

Feijó – Não existe eleição fácil e na democracia é comum que o poder mude de mãos, mas acredito que o nosso grupo político fará o sucessor da prefeita, até porque a oposição é muito desunida e desestruturada eleitoralmente.

 

Folha – Em outra entrevista à Folha, em fevereiro 2014, você disse (aqui): “hoje considero Rosinha a prefeita de melhores resultados na história do município de Campos”. Um ano e meio depois, diria o mesmo? Por quê?

Feijó – Com certeza! Rosinha é a prefeita que mais realizou no nosso município, com fortes resultados, principalmente nas áreas econômicas e sociais. Mas vale destacar que, se levarmos em consideração o que Campos recebeu de royalties do petróleo nos últimos 20 anos, verificamos que o nosso município poderia ser muito melhor, até como uma referência de qualidade de vida pro Brasil.

 

Folha – Um fato que tem causado grande desgaste à prefeita é a antecipação de receitas, inclusive de administrações futuras, estimada em até R$ 1,2 bilhão, autorizada pela Câmara (aqui) numa manobra governista julgada ilegal (aqui) pela 3ª Vara Cível de Campos, na última quinta. A ação já tinha sido repudiada por 88,5% da população, na mesma pesquisa Pro4, rejeição próxima das enquetes da Folha (84,7%) e InterTV (90%). Vale a pena insistir em pagar para ver?

Feijó – Quero ressaltar que a crise brasileira é muito forte, a crise na indústria do petróleo idem, com consequências pesadas para nossa região. Em relação ao quadro financeiro do nosso município não conheço os números para fazer esta avaliação.

 

Folha – Em entrevista recente, o vereador Gil Vianna disse (aqui) que foi a manobra governista para autorizar a chamada “venda do futuro” de Campos, e sua esmagadora rejeição entre os campistas, que fez com que ele e outros cinco outros edis abandonassem a bancada rosácea. Diante de tanta sangria na base de apoio popular e legislativa, há alternativa?

Feijó – Há alternativa sim, o diálogo! Acredito que a saída destes vereadores da base tenha ocorrido não por estes motivos, mas principalmente pela falta de conversa. Dou como exemplo a presidente Dilma, que enfrenta um desgaste sem precedentes, mas tem procurado conversar com os partidos políticos, governadores, líderes partidários, movimentos sociais, e está ganhando fôlego. Em Campos, o nosso grupo tem que ir pelo mesmo caminho, o da conversa. Fazendo isso, tenho certeza que traremos vários desses vereadores de volta.

 

Folha – Em março de 2014, Garotinho previu que você se reelegeria deputado federal: “No seu caso, Feijó, aposto em 150 mil votos para cima”. Porém, seus 48.058 votos se aproximaram de um terço da previsão. Até que ponto a entrada de Clarissa Garotinho (PR) em Campos, onde acabou a mais votada, pode ter atrapalhado, já que na cidade você também ficou atrás de Alexandre Tadeu (PRB) e Nelson Nahim (então no PSD)?

Feijó – O que importa é que vencemos as eleições, e bem. O PR elegeu seis deputados federais e eu fui o terceiro mais votado. Claro que eu esperava fazer de 80 a 100 mil votos, pelos serviços prestados que tenho em Campos e região. Furou muito no Noroeste e em Campos. Tive uma votação, principalmente, de reconhecimento e amizade, praticamente sem apoio de máquina administrativa nenhuma.

 

Folha – Por falar em Clarissa, como está a situação dela na bancada do PR na Câmara Federal, onde colegas teriam lhe dado um ultimato para que deixasse de partido? O PSDB deve mesmo ser o destino dela?

Feijó – Ela ocupa hoje um dos mais importantes cargos do PR na Câmara Federal, como presidente da Comissão de Aviação e Transportes. Acho que não é hora dela falar em troca de partido, até porque o pai é o presidente regional do PR no Estado do Rio.

 

Folha – Como alguém no quinto mandato de deputado federal, já viu algo parecido com que se assiste hoje na capital federal, com um governo refém da crise econômica, política, de popularidade e moral? Onde isso pode acabar? Enxerga algum paralelo entre as situações da presidente Dilma Rousseff (PT) e da prefeita Rosinha?

Feijó – A crise política e moral do governo da presidente Dilma é muito grave, o Brasil está acompanhando. É imprevisível onde isso pode acabar, até porque eu acho que a Operação Lava-Jato não vai acabar tão cedo, trazendo resultados trágicos para o governo e o Congresso Nacional. Me posiciono de maneira a contribuir para que o Brasil vença essas dificuldades. Já a crise vivida pelo município na gestão da prefeita Rosinha advém, principalmente, destas dificuldades enfrentadas pelo país e também pela região, em função da queda da receita proveniente dos royalties do petróleo.

 

Folha – Logo após o primeiro turno da eleição de governador do Rio em 2014, com Garotinho excluído do segundo, você recebeu uma ligação de Francisco Dornelles (PP), vice do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), pedindo pela neutralidade. Garotinho ignorou, decidiu sozinho pelo apoio a Marcelo Crivella (PRB) e vocês acabaram derrotados não só no Estado, como em cinco das sete zonas eleitorais de Campos. Arrependeu-se de ter aconselhado? E Garotinho, por não ter seguido seu conselho? 

Feijó – Realmente isso aconteceu, mas no domingo, logo após o primeiro turno, o Garotinho já tinha decidido apoiar Crivella. Na segunda-feira cedo, quando fui conversar com ele, a decisão já está tomada. Fiz o meu papel.

 

Folha – Em 2008, Geraldo Pudim foi fundamental na ponte para que você passasse a integrar o grupo de Garotinho. Agora, Pudim tem sua saída anunciada para ser candidato a prefeito de Campos pelo PMDB. Como viu o movimento e como será enfrentá-lo em 2016?

Feijó – Na minha opinião, sem entrar no mérito da relação com Garotinho, que é uma coisa pessoal, Pudim tem todo direito de buscar o seu caminho. Em relação ao ano que vem, é lógico que eu estarei apoiando o candidato do nosso grupo político.

 

Folha – Vê possibilidade do afastamento entre Pudim e Garotinho ser uma jogada ensaiada, uma espécie de Cavalo de Tróia? E é possível que, a apenas 14 meses da eleição, o eleitor mude uma percepção formada nos últimos 30 anos da parceria política entre os dois?

Feijó – Não, possibilidade zero, houve sim o afastamento. Em relação ao eleitor, só o tempo poderá dizer.

 

Folha – O anúncio da candidatura de Pudim a prefeito pela oposição tem dividido reações. Em artigos publicados ao longo da semana na Folha, o jornalista Fernando Leite saudou (aqui) a iniciativa, questionada pelo também jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), além do advogado José Paes Neto (aqui) e do médico Makhoul Moussallem (aqui). A oposição já começa a se dividir? Ou isso já estaria previsto na tal “jogada ensaiada”?

Feijó – Acredito que não tenha nenhuma jogada ensaiada e, como já disse anteriormente, dificilmente a oposição se unirá para a eleição do ano que vem.

 

Folha – Um dos pontos levantados no artigo de Ricardo foi a formação de uma pauta de princípios a ser estabelecida junto à sociedade, que seria seguida por quem, independente de nome ou corrente política, seja eleito prefeito de Campos. O que pensa da ideia?

Feijó – A ideia é boa, só que o nosso grupo político vai elaborar o futuro plano de governo da mesma forma, discutindo com a sociedade organizada, como foi feito nos dois mandatos anteriores, da prefeita Rosinha.

 

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Artigo do domingo — Princípios ao próximo prefeito de Campos

Proposta

 

 

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial
Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

 

Tony Blair, no seu livro “Minha Visão da Inglaterra”, em “assistência social de segunda geração” diz que “as políticas compensatórias de rendas deveria servir como trampolim para o sucesso, e não como uma rede de segurança social para amortecer o fracasso”. Frei Beto, na ultima entrevista na Folha de São Paulo, faz crítica ao Bolsa Família, comparando com o Fome Zero, enquanto o senador Cristovam Buarque foi o grande idealizador do Bolsa Escola como modelo de inclusão social com visão de futuro, sem gerar dependência social dos beneficiados dos programas de transferências de renda para os mais pobres sem fins eleitoreiros.

O modelo venezuelano implantado em Campos pelos Garotinhos, que há 30 comanda a cidade, gerou um tecido social de pobres dependente dos repasses de recursos da Prefeitura, que são usados como escada para manter o grupo político da família em rotatividade no poder.

O secretário de Governo com técnica de comunicador sofista engana a população mais pobre e até a oposição, quando cita os números do Cheque Cidadão. Prega a mentira como o marqueteiro de Hitler, Goebbels, que afirmava que a “mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Esquece ele de citar que o Governo Federal com o Programa Bolsa Família, em 2015, já distribuiu R$ 30 milhões para 30 mil beneficiados, contra apenas 10 mil beneficiados pelo seu cartão. Omite para ludibriar a população.

A oposição nas eleições de 2016 tem oportunidade única de tirar os Garotinhos do comando da cidade. A Prefeitura com receitas médias de R$ 2.5 bilhões nos últimos cinco anos não gerou um único emprego no setor industrial. Assim, no próximo pleito a oposição unida pode propor vinte políticas estruturantes para salvar a cidade da falência.

1 – Implantar o Orçamento Participativo para ser aprovado em votação pelas comunidades ou distritos da cidade;

2 – Estabelecer como meta administrativa a criação de 12 secretarias;

3 – Criar a função do agente comunitário;

4 – Estabelecer a Educação como meta prioritária de cinco anos de governo;

5 – Criar e priorizar o programa “Educação da creche à alfabetização do adulto na terceira idade”;

6 – Universalizar o ensino básico, integrando família com a escola e os professores;

7 – Criar amplo programa de treinamento remunerado para os professores com carga horária de 120 horas anuais, em módulos multidisciplinares;

8 – Implantar sistema de banda larga na Rede de Ensino;

9 – Financiar Notebooks para os professores com taxas de juros negativa;

10 – Distribuir um tablet para os alunos dentro programa do Governo Federal;

11 – Transformar o Cheque Cidadão em Bolsa Escola;

12 – Transferir os beneficiados que não tem criança matriculada na rede de ensino municipal para o programa Bolsa Família;

13 – Fazer convênio com as universidades, substituindo terceirizados por alunos universitários alocados em áreas afins ao seus cursos;

14 – Na área administrativa, estabelecer como meta gastos-teto de R$ 300 milhões;

15 – Cortar todas as mordomias de secretários e de funcionários com cargos gratificados;

16 – Cancelar contrato de frota de automóveis utilizado pelos secretários e executivos de governo e distribuir vale-combustível para abastecer seu próprio carro;

17 – Rever todos os gastos na área de Saúde, principalmente, de contratos terceirizados de ambulâncias e de mão-de-obra, estabelecendo gasto de R$ 450 milhões anuais;

18 – Rever toda a política do Vale Transporte de R$ 1,00 e criar novo modelo seletivo;

19 – Estabelecer como meta nas contas Habitação, Meio Ambiente e Saneamento gasto-teto de R$ 350 milhões;

20 – E estabelecer como meta de governo 30% de todo orçamento para Educação.

Todas estas medidas básicas têm como objetivo resgatar os princípios básicos de um governo que, ao ser eleito, pense no futuro da cidade e de seus adolescentes, que serão jogados no mercado de trabalho a partir dos 16 anos de idade.

O modelo Venezuelano implantado há mais de 30 anos na cidade pelos Garotinhos é cruel, desumano e sem conteúdo de políticas públicas estruturantes voltadas para criação do emprego e do regaste social. Campos tem jeito se a imprensa que não serve aos Garotinhos e a sociedade acreditarem que podem mudar marchando unida. Simples assim…

 

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Poema do domingo — As meninas de Adriana

Conheci Adriana Medeiros, se não me falha a memória, no FestCampos de Poesia Falada de 2004. Eu era jurado e ela concorria com dois poemas, defendendo-os com brilho como intérprete. Nunca lhe disse, mas me impressionei à primeira vista com sua intensidade dramática, com aquele desabrir uterino com jeito de coisa casual, oximoro refletido também em seus versos. Se foi eleita, com endosso do meu voto, a melhor intérprete daquele festival, ela perpetraria a façanha de vencer como poeta outras duas edições: de 2006, com “Descobrimento de mim”, e de 2009, com “Imagens e versos”.

Falando aqui sobre Castro Alves (1847/71), nosso maior romântico e para quem o ritmo era o “talismã da verdadeira poesia”, disse que via em Campos dois poetas reverberados ao eco da mesma oralidade, tão egressa dos palcos quanto Apolo e Dionísio: Antonio Roberto Kapi e Artur Gomes. E tenho dito!

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

As Meninas

 

Como quem

Convém a dois

Estavam as duas

Quase nuas

Em primícias

De carícias

Estavam elas

Duas e uma

Completamente

Ausentes

Pareciam únicas

As meninas

Douradas

Escancaradas

Sem vergonha

De serem

Inocentes

Como convém

A Deus.

Era um recreio

Meninos empinavam

Suas pipas

Como quem só queria

o céu

E elas estão… lá

Elas… como nuvens

Que no céu flutuam

Estacionando

Nos desejos do meu

Emblema

O que significa

Farme em Ipanema

As meninas juntas

Eram a minha

Incapacidade

De lhes escrever

Um digno poema.

 

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“Pudim não é problema nosso. É dele, do Picciani e de Garotinho”

Pudim de abacaxi

 

 

Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem
Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem

Sucessão Municipal

Por Makhoul Moussallem

 

De pronto vou deixar bem claro: não sou candidato a nada no pleito municipal de 2016. Ganhando os candidatos que apoiarei a vereadores e prefeito, não quero nem cargo de aspone. Participo, mas não entro. Portanto o que eu falar ou escrever, posturas e atitudes que tomar, não estarei pleiteando nada para mim e nem para os meus. Nunca legislei e não legislo em causa própria. Pelo que já realizei em prol da população de Campos na área da saúde (implantação do primeiro Pronto Socorro de Campos, fundação e viabilização da Unimed-Campos, implantação do Hospital Escola Álvaro Alvim, representação da medicina de Campos no Conselho Regional e Federal de Medicina, entre outras ações), e por ter me colocado como candidato a prefeito e a deputado federal — não ficando só no na zona de conforto daqueles que apenas discursam, mas não põem a cara na reta — estou a cavaleiro para opinar e participar como cidadão da política municipal, regional e nacional.

Isto posto, entremos na análise da sucessão que o Fernando Leite (aqui) no domingo, o Ricardo André (aqui) a seguir e  Geraldo Machado, na quarta feira, colocaram em discussão. Permito-me discordar do Leite, quando coloca que o Pudim é o mais preparado para a tarefa de governar Campos após a atual gestão. Pergunto: baseado em qual histórico de atividades dele? Acho louvável a lealdade e a fidelidade que este devotava ou devota ao grupo político do qual fazia ou ainda faz parte. O fato de ele querer sair do PR e ir para o PMDB não o torna desleal, nem tampouco infiel às suas origens. Pode ser que seja uma simples estratégia de enfrentamento do grupo para a dura batalha que vem pela frente. Parece-me que também a deputada federal Clarissa sairá do PR, se já não saiu, e vai para outro partido, e nem por isso está sendo taxada de traidora da própria família.

Diz o provérbio libanês “Não durmas entre as sepulturas e não tenhas pesadelos”. Por que vamos ficar perdendo nosso precioso tempo e discutindo se Pudim saiu ou não saiu do grupo e dormimos preocupados com esta questão? Não precisamos ter essa dúvida; não é problema nosso. É dele, do Picciani e do Garotinho. Além do mais, mesmo que tenha saído, sabemos que o uso do cachimbo faz a boca torta; daí conclui-se que as suas práticas e visão da gestão pública deve ser a mesma do Garotinho e do Picciani, o que em definitivo não nos serve. Portanto, não durmamos no cemitério e não tenhamos pesadelo. Nada tenho de pessoal contra o Pudim, até porque gosto muito de pudim. Tenho é contra a maneira de se fazer a política e a gestão pública do grupo do qual fazia ou faz parte.

 

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Quais são os princípios para se mudar Campos, senhores?

Princípios

 

Ricardo André Vasconcelos, jornalista e editor do blog “Eu penso que...”
Ricardo André Vasconcelos, jornalista e editor do blog “Eu penso que…”

Princípios, senhores, princípios!

Por Ricardo André Vasconcelos

 

A eleição de 2016 não pode ser resumida a uma disputa do garotismo contra os filhotes do garotismo — sejam eles traidores, arrependidos ou meros oportunistas. Ao contrário, é necessário preparar a cidade para o pós-garotismo, agregando homens e mulheres de boa vontade, mesmo os que comungaram do ideário que se pretende mandar para o lixo da história, desde que atendam às premissas expressas numa Carta de Princípios. Não se dá um primeiro passo rumo à transformação dessa magnitude com lançamentos extemporâneos desse ou daquele nome. Antes dos nomes devem vir os princípios a que esses personagens estão dispostos a comprometer-se. O que vimos até aqui é se quer substituir um chefete por outro, mantendo os esquemas suspeitos de financiamento de campanha e sem qualquer compromisso assumido com a transformação.

Para mudar de verdade é preciso derrubar os paradigmas que norteiam o comportamento do qual discordamos. E Campos está numa situação tão ruim, mas tão ruim, que não basta mudar. E melhorar não é suficiente. É preciso transformar. E para fazer diferente, precisamos ser diferentes. Tanto no discurso quanto na prática. Mudança só de personagens não transforma o estado de coisas que repudiamos. Neste momento em que o município sofre uma queda significativa de arrecadação é justamente a oportunidade de rever as prioridades e implantar mecanismos de gestão adequados à nova realidade. E isso se faz com políticas públicas consequentes e não com o conhecido e repugnante clientelismo que é marca dos últimos governos.

Não basta trocar os gestores, mas os métodos de gestão definidos a partir de princípios pré-estabelecidos, objetivos definidos: Honestidade e transparência na gestão dos recursos públicos para promoção da cidadania. Simples assim.

O que assistimos nos últimos 25 anos foi uma crescente apropriação dos recursos públicos para irrigar projetos pessoais e que redundou na banalização da corrupção, degradação das instituições públicas, escravização das entidades privadas e sequestro do cidadão-eleitor com políticas ilusionistas de distribuição de renda que, na verdade, nunca passaram de compra de voto disfarçada de “promoção social”.

À sombra de lideranças autoritárias vicejam seguidores, uns fiéis por devoção, outros por interesses ocasionais, mas nunca surgem lideranças para a saudável, necessária e benfazeja oxigenação do exercício do poder. O grupo que comanda Campos dos Goytacazes nas últimas décadas chegou a tal grau de personalismo, que a administração da Prefeitura está passando da fase de ação entre amigos para espólio familiar.

Aliás, o primeiro pré-candidato a se lançar à sucessão de Rosinha, o deputado Geraldo Pudim, chega ao cenário da sucessão já com a marca do pecado original do apadrinhamento político. Preterido no grupo que o acolhe e elege há 30 anos, trocou Garotinho por Picciani porque descobriu que no PR, a partir de agora, só há espaço político relevante para quem foi batizado com o sobrenome do chefe. E prole é o que não falta!

O esquema eleitoral de Picciani é diferente do de Garotinho? Então Pudim não mudou de lado. Mudou de dono. Picciani, que teve 34 votos em Campos na última eleição, tem prestígio ou dinheiro para alavancar a campanha do ex-garotista?

Do outro lado, personagens com alguma possibilidade de vestir o figurino transformador, como os vereadores Marcão (PT) e Rafael Diniz (PPS) igualmente caem no mesmo vício de, primeiro buscar patrocinadores, depois definir os princípios, as armas com que pretendem implantar um tempo novo. Apresentam-se como eventuais candidatos da máquina comandada pelo governador Pezão. Mau começo!

A escolha do candidato (a) deve ser precedida de compromissos definidos por uma carta de princípios que poderá ser redigida pelo que sobrou da sociedade civil independente, mas que não pode deixar de fora alguns compromissos, sendo o primeiro deles estimular o financiamento de pessoas físicas através de campanhas de arrecadação junto aos que acreditam que é possível disputar e ganhar uma eleição para administrar uma cidade sem a tutela de empreiteiros e fornecedores. Mas, dentro dos limites da lei, aceitar doações de pessoas jurídicas, porém sem qualquer compromisso de contrapartida e com absoluta transparência para despesas e receitas de campanha.

Fora disso, perdoem o fatalismo, sem princípios o fim é o mesmo!

 

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Cineclube Goitacá define programação das próximas cinco quartas-feiras

Já estão fechadas as cinco próximas exibições e debates do Cineclube Goitacá, sempre a partir das 19h de quartas-feira, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio, na sala 507 do edifício Medical Center, onde funciona a produtora Oráculo. Depois de amanhã, dia 12 de agosto, será a vez do advogado, publicitário e crítico de cinema Gustavo Alejandro Oviedo apresentar o filme “Conspiração” (2001), do estadunidense Frank Pierson (1925/2012), que se baseia em fatos reais para retratar a reunião entre lideranças nazistas que formularam a “Solução final” para exterminar os milhões judeus da Europa durante a II Guerra Mundial (1939/45).

 

“Conspiração” traz Kenneth Branagh e Stanley Tucci no elenco
“Conspiração” traz Kenneth Branagh e Stanley Tucci no elenco

 

Na quarta seguinte, 19 de agosto, será a vez do clássico “O tesouro de Sierra Madre” (1948), do mestre estadunidense John Huston (1906/87), que será apresentado pelo jornalista, poeta e crítico de cinema Aluysio Abreu Barbosa. Na tela, no México dos anos 1920, dois desocupados vindos dos EUA se unem a um terceiro, mais velho e experiente minerador, para juntos se embrenharem em busca de fortuna pelo interior inexplorado do país, antes de tropeçarem na conhecida ganância humana.

 

“O tesouro de Sierra Madre” tem um dos melhores desempenhos da carreira do astro Humphrey  Bogart, além de ter rendido Oscar de ator coadjuvante a Walter Huston, pai de Jonh Huston, que levou o Oscar de melhor diretor
“O tesouro de Sierra Madre” tem um dos melhores desempenhos da carreira do astro Humphrey Bogart, além de ter rendido Oscar de ator coadjuvante a Walter Huston, pai de Jonh Huston, que levou o Oscar de melhor diretor

 

Na última quarta-feira deste mês, dia 27, será a vez do universitário Pedro Henrique Guzzo apresentar e mediar o debate de “Ondas do destino” (1996), do cult dinamarquês Lars von Trier. Na tela, no norte da Escócia, cujo litoral é rico em petróleo como a Bacia de Campos, um trabalhador dinamarquês de plataforma, casado com uma escocesa, sofre um acidente e fica tetraplégico. A partir daí, ele estimula a esposa a ter encontros extraconjugais para lhe contar os detalhes dessas relações.

 

“Ondas do destino” é protagonizado por Stellan Skarsgard e Emily Watson
“Ondas do destino” é protagonizado por Stellan Skarsgard e Emily Watson

 

Na primeira quarta do próximo mês, dia 2 de setembro, caberá a Philipe Netto, outro estudante universitário, comandar a sessão e o debate de “Cronicamente inviável” (2000), do brasileiro Sérgio Bianchi. O filme retrata através das histórias de seis personagens, de classes sociais, formações, opiniões e lugares distintos, a inviabilidade da sociedade brasileira, onde ninguém tem culpa e ninguém se salva.

 

Cecil Thiré é um dos muitos protagonistas de “Cronicamente inviável”
Cecil Thiré é um dos muitos protagonistas de “Cronicamente inviável”

 

Já no dia 9 de setembro, é a vez do dono da casa assumir seu papel de anfitrião. Proprietário da Oráculo, além de psicanalista e ator, Luiz Fernando Sardinha apresentar uma visão cinematográfica da maior tragédia do teatro ocidental: “Hamlet” (1990), de William Shakespeare, dirigida pelo italiano Franco Zeffirelli. Num papel icônico da dramaturgia, que já foi desempenhado por atores shakespearianos por excelência, como os britânicos Lawrence Olivier (1907/89) e Kenneth Branagh, o destaque do filme acaba sendo a atuação do astro de ação Mel Gibson como o atormentado príncipe da Dinamarca em busca de vingança pela morte do pai.

 

 

No papel título de “Hamlet”, Mel Gibson surpreendeu positivamente com sua composição
No papel título de “Hamlet”, Mel Gibson surpreendeu positivamente com sua composição

 

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Crítica de cinema — Tão chato, quanto politicamente correto

Caixa de luzes

 

Quarteto fantástico

 

Mateusinho 2QUARTETO FANTÁSTICO — A partir das possibilidades quase ilimitadas da computação gráfica, na última passagem de século, o universo dos super-heróis pôde ser transposto às telas de cinema com a mesma dose de fantástico das páginas das HQs. Se a DC Comics saiu na frente com a franquia do Batman, aberta pelo diretor Tim Burton ainda em 1989, foi com outra exitosa série, aberta por Brian Singer com “X-men — O filme” (2000), que a Marvel Comics passou à frente da concorrente dos quadrinhos também no cinema.

No bojo desse sucesso, outras franquias foram abertas. Entre elas, “Quarteto fantástico” (2005), de Tim Story, que também dirigiu a sequência “Quarteto fantástico e o Surfista Prateado” (2007). O resultado de público não foi de todo ruim, mas ficou aquém de outras séries de super-heróis.

Assim, o Homem Elástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humama e o Coisa tiveram que se contentar em observar outras franquias arrebentarem nas bilheterias. Além dos já citados “Batman” e “X-men”, “Homem-Aranha”, “Super-Homem”, “Homem de Ferro”, “Thor”, “Capitão América” e “Vingadores” também foram mais rentáveis.

Neste ínterim, após interpretar Johnny Storm, nome civil do Tocha Humana, nos dois primeiros “Quarteto Fantástico”, o ator Chris Evans depois emplacaria como protagonista de “Capitão América” e, na pele dele, também de “Vingadores”, gerando o problema da duplicidade. Assim, no lugar de louro, como o ator Evans é, e o personagem Storm sempre foi nos quadrinhos, a grande mudança do novo “Quarteto fantástico”, que estreou esta semana nos cinemas de Campos, foi ter o negro Michael B. Jordan na pele “politicamente correta” do Tocha Humana.

Como ele continua irmão de Sue Storm, a Mulher Invisível interpretada por Kate Mara, mantida tão loura quanto nas HQs, a solução foi colocá-la como filha adotada do Dr. Storm. Personagem inexistente nos quadrinhos, no novo filme ele surge interpretado por Reg E. Cathey. Além de adotar Sue, que passou a ser uma refugiada de Kosovo, em outra pitada politicamente correta, Storm pai reuniu dois jovens gênios da ciência: Reed Richards (Miles Teller), mais conhecido como Homem Elástico, e Victor Von Doom (Toby Kebbell), O Dr. Destino, que está para o Quarteto Fantástico como o Coringa ao Batman.

No lugar da nave espacial dos quadrinhos, repetido no filme original de 2005, o que confere os poderes aos quatro super-heróis é uma máquina de teletransporte, na qual todos trabalham em conjunto. Junto com Doom e Storm filho, Reed chama seu amigo e parceiro de projetos de infância, Ben Grimm (Jamie Bell), o Coisa, para uma viagem a outra dimensão. Lá, eles acabam deixando Doom para trás, sendo resgatados por Sue. A viagem de retorno acaba numa explosão, a partir da qual os quatro desenvolvem seus poderes.

O governo dos EUA se interessa pelo projeto e tenta recriá-lo, enquanto mantém sob custódia os quatro jovens, ajudando-os a controlarem seus poderes, visando utilizá-los em missões militares. Reed foge, mas acaba recapturado com a ajuda do Coisa, ressentido por sua nova aparência e por ter sido deixado para trás pelo amigo. Novamente juntos, eles reconstroem a máquina, a partir da qual Doom, agora transformado no Dr. Destino, volta à Terra só para tentar destruí-la. E a única esperança do planeta, lógico, passa a ser encarnada pelo Quarteto Fantástico.

Embora assine como produtor executivo, esse foi o primeiro filme baseado na mitologia da Marvel no qual seu criador, Stan Lee, não fez uma ponta como ator. E o veterano editor de 92 anos, que protestou contra muitas alterações, não deixa de ter razão. Efeitos especiais sempre impactantes à parte, o filme do jovem diretor Josh Trank consegue ser tão chato quanto o politicamente correto que adulterou a história dos quadrinhos às telas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

 

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Artigo do domingo — A equação de Geraldo Pudim

Pudim doce

 

 

Fernando Leite Fernandes, jornalista, radialista, poeta e editor do blog “Fernando Leite & Outros quintais”
Fernando Leite Fernandes, jornalista, radialista, poeta e editor do blog “Fernando Leite & Outros quintais”

Por Fernando Leite Fernandes

 

Geraldo Pudim é o quadro mais bem preparado para governar esta Capitania de São Tomé, depois da passagem do exército do pequeno Átila, que nem gramínea deixou sobre o chão. Se não é o mais preparado, é um dos raros que ocupa a cena política local. O que há contra Pudim é o estigma por sua longeva lealdade ao líder espiritual dos povos. O que, invariavelmente, deveria ser visto como virtude, diante das atuais circunstâncias, se transformou em pesado fardo político.

Sem querer faltar com respeito ao Garotinho — já disse que um dia a história lhe fará justiça — ele, no tempo presente, encarna a metáfora cruel do lixo atômico, aquele que contamina os que estão à sua volta a anos luz de distância. As consultas dos institutos de pesquisa de opinião não deixam dúvidas. Escolha qualquer um do seu entorno e o resultado será o mesmo. O Garotinho não tem companheiros ou correligionários, têm seguidores. Sua ação ultra personalista e voluntariosa transcende os limites da civilidade dos partidos e beira às raias da cegueira das seitas.

A sucessão municipal que se aviziinha, revela uma reação nunca vista no pacífico e ordeiro povo de Campos. O eleitorado é um nervo exposto. Um expressivo segmento, ouso dizer que amplíssima maioria, não votará por dever ou escolha ou indignação cívica, mas por raiva. Aliás, esta, talvez seja a mais hercúlea realização da administração de plantão: uma monumental catedral de ódio sobre a cidadania.  Convenhamos, a sociedade sempre perde quando elege um gestor ou parlamentar pelo deboche ou pelo ódio. É uma satisfação momentânea, é um sinal, mas não é uma alternativa.

O deputado Geraldo Pudim sabe que há entre ele e o eleitorado uma couraça que precisa ser rompida. E como fazê-lo? É sua equação mais desafiadora. Tem em seu favor um acervo invejável: 30 anos de vida pública e nenhum escândalo de natureza política contabilizado, nenhuma acusação de improbidade administrativa, tem vida modesta, o que na realidade atual é indispensável salvo conduto, uma vez que a mãe das crises política e econômica é a devastadora crise moral.

Para além, do comportamento político, Pudim estudou e aprendeu a lição sobre o município de Campos dos Goytacazes. Sua história rica e soberana, sua geografia singular, sua economia mutante — já estamos na curva descendente da exploração de petróleo na Bacia Campista — seus desafios emergentes, a pressa de uma cidade que se transforma em metrópole e não tem ainda arcabouço para mudança tão radical. Pudim sabe que não é mais posssível repetir o passado, governar empiricamente, sem planejamento e sem aliar nossa mais rica reserva, o saber intelectual, com o poder político democrático e moderno.

Escolher, com raiva, alguém que seja capaz de derrotar o Garotinho, é nada.

Não me move outro sentimento que não seja o de discutir, madura e civilizadamente, o processo eleitoral de 2016. De contribuir para que tenhamos uma indispensável conversa coletiva sobre noso futuro, ao invés de uma briga de rua, tão ao gosto dos agentes mandatários do poder. Os mesmos que minimizam o debate e o engessam numa surrada cantilena de medição de forças entre ricos e pobres. A sociedade, senhora de seu desttino, não pode se apequenar e deixar escapar as grandes causas.

Por fim, imagino que na hora própria, Pudim responderá pelo que se compromete em fazer e não perca tempo com o enjoado bolero da traição do sempre traído, que há de ser a marcha fúnebre deste governo. O novo prefeito de Campos tem que cumprir duas missões basilares: elaborar um plano de emergência para os primeiros 100 dias e providenciar cirúrgica auditoria nas contas públicas.

E se me cabe dar algum conselho ao próximo prefeito, repito o que disse o saudoso Austregésilo de Athaíde, quando lhe perguntaram que primeira medida tomaria se fosse presidente do Brasil: “amarrar a chave do cofre no cós da calça”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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