Dia desses, estava conversando sobre o Facebook com o Alexandre Bastos. Após elogiar a peneira atenta que ele faz, para o seu blog, de postagens interessantes em meio ao oceano de irrelevâncias da democracia irrefreável das redes sociais, confidenciei ao jornalista e amigo que raramente leio mural alheio de Facebook, ou confiro o feed de notícias. Por ficar quase sempre circunscrito à minha própria linha do tempo, que utilizo no mais das vezes só para reproduzir as postagens deste blog, Bastos sentenciou, não sem ironia: “Você usa o Facebook como Orkut”.
Até porque nunca tive Orkut, não pude discordar.
O fato é que em meio ao desfile um tanto nauseante de egos e futilidades, o Facebook tem coisas muito interessantes. Foi o caso da surpresa benfazeja que tive hoje, ao receber notificações automáticas das minhas publicações de 13 de novembro de 2014. Assim, fui lembrado involuntariamente que hoje faz exatamente um ano que morreu o poeta Manoel de Barros (1916/2014), ao reler um texto que postei inicialmente aqui, no Face, e ampliei para publicação aqui, no blog.
Mas, além dos dois textos em prosa sobre o poeta, em seu dia de sua morte, postei também aqui, só no Face, uma foto que tirei no interior da Catedral de Lima, capital do Peru, que havia acabado de visitar, junto a um soneto de GregóriodeMatos(1636/95) em forma de oração, numa despedida ao poeta que partia. Neste um ano de saudade de Manoel, que também prezava muito suas lembranças do Peru, tomando chincha, cerveja de milho de origem pré-hispânica, em companhia dos índios quechuas (incas) e aymaras (tiahuanacos), a certeza do seu verso: “o tempo só anda de ida”.
Abaixo, o barroco da foto e do soneto de Gregório, o “Boca do Inferno”:
Oratório da Capela de São João Batista, na Catedral de Lima, no Peru, com o entalhe de Cristo considerado mais belo das Américas (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Você confia na prefeita Rosinha Garotinho (PR)? Se a resposta é sim, você representa menos de três entre cada 10 campistas. Este foi o resultado da pesquisa do instituto Pro4, realizada com 981 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, entre 22 e 24 de outubro, segundo a qual 60,3% da população não confiam em sua governante, ao contrário dos 26,7% que disseram ainda confiar, enquanto 13,1% não souberam ou quiseram responder. A margem de erro da amostragem é de 3,1 pontos percentuais para mais, ou menos.
A pesquisa do Pro4 começou a ser divulgada pela Folha (aqui) desde sua edição do último domingo (08/12), na qual foi revelado que se tivesse condições jurídicas e se a eleição fosse hoje, Arnaldo Vianna (PDT) seria eleito prefeito mais uma vez, e em turno único, com 55,2% dos votos válidos. Este foi o resultado da consulta estimulada, muito embora o ex-prefeito pedetista tenha liderado com folga também a espontânea (19,2%), na qual Rosinha apareceu em segundo lugar (com distantes 3,8%), e seu marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR), teve a lembrança de apenas 0,2% dos campistas — exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo (aqui), que disputou pelo PTB, mas não venceu a última eleição para vereador.
Relativo à confiança na prefeita, em sua edição de ontem (12/11), a Folha revelou (aqui) outro dado esclarecedor da mesma amostragem: 74,9% do eleitorado disseram que não votarão em nenhum candidato apoiado por Rosinha à sua sucessão, numa rejeição que excede sete entre cada 10 campistas. Apenas 18,2% disseram que votarão em quem se aventurar a disputar a Prefeitura de Campos com o apoio da sua atual titular.
Por outro lado, embora a desconfiança do eleitor campista em sua governante seja alta, o sentimento diminuiu na comparação com a última consulta do Pro4, feita entre 18 a 22 de junho, com base em 426 entrevistas, na qual 77,2% declararam não confiar na prefeita. Ou seja, a desconfiança da população caiu relevantes 16,9 pontos percentuais, até os 60,3% de outubro. Entre os que declararam confiar em Rosinha, também houve aumento, embora mais tímido: os 17,8% de junho aumentaram 8,9 pontos percentuais, até os 26,7% de três meses depois.
De fato, a reação de Rosinha, embora ainda muito longe da popularidade do primeiro mandato, foi registrada por outros dados da pesquisa. Como a Folha revelou (aqui) na última quarta-feira (11/11), comparando as consultas de junho e outubro do Pro4, a avaliação popular do governo de Campos cresceu de 1,4% para 3,1% em ótimo, de 10,8% para 16% em bom, e de 34,3% para 40,9%, na neutralidade do regular. Na ponta oposta, caíram os índices de avaliação de ruim (de 17,6% a 12,3%) e péssimo (de 35,7% a 24,2%).
Se ainda não se sabe quem será o candidato governista ao comando de Campos em 2016, uma projeção incômoda ao eventual escolhido: mais de sete entre cada 10 campistas não vai votar nele(a). Segundo a nova pesquisa do instituto Pro4, realizada nas sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, a partir da entrevista de 981 eleitores, entre 22 e 24 de outubro, apenas 18,2% dos eleitores estão dispostos a votar no escolhido pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) para sucedê-la. Sem se importar com nomes, impressionantes 74,9% da população declararam que votarão em outro candidato, ao passo que 6,8% não souberam ou quiseram responder. A margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais para mais, ou para menos.
Se na comparação das duas últimas pesquisas Pro4 em Campos, feitas em junho e outubro deste ano, o governo Rosinha melhorou (aqui) suas avaliações de ótimo (1,4% para 3,1%), bom (10,8% para 16%) e regular (34,3% para 40,9%), enquanto diminui o péssimo (35,7% para 24,2%) e ruim (17,6% para 12,3%), curiosamente aumentaram o número de pessoas que não votarão em nenhum candidato apoiado pela prefeita em sua sucessão. Enquanto na pesquisa de junho, feita entre os dias 18 e 22, com 426 entrevistas, 70,2% do eleitorado disse que não votaria em nenhum nome governista para prefeito de Campos. Se este número subiu 4,7 pontos percentuais nos últimos três meses, no mesmo espaço de tempo também diminuíram exatos 5 pontos os 23,2% que estavam dispostos a votar no candidato governista em 2016.
A pesquisa Pro4 de outubro começou a ser divulgada na edição da Folha do último domingo (08), com a primeira consulta do instituto com as intenções de voto nos pré-candidatos a prefeito (relembre aqui). Em dois cenários estimulados, o vice-prefeito Dr. Chicão de Oliveira (PP) e o líder da bancada governista, vereador Mauro Silva (PT do B) não mostraram desempenhos muito animadores. Com o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) na disputa, Chicão ficou em 6º lugar, com 4%, e Mauro em 10º, com 0,7%. Sem o pedetista no páreo, o vice-prefeito aumentou para 4,9%, mas manteve a 6ª colocação, enquanto o vereador rosáceo subiu para 9º , com 1,5%.
Antigarotismo não só entre quem estuda mais e ganha melhor
Quem estuda mais e ganha melhor não vota nos Garotinho? Pois esta certeza tem se expandido. Quando o assunto é escolaridade, se é entre quem tem curso superior o maior percentual de eleitores (87,2%) que não votará em nenhum candidato governista a prefeito de Campos, esta opção é majoritária em todas as demais faixas: 80,7% de quem tem ensino médio, 68,3% de quem cursou da 5ª à 8ª séries do fundamental, e 58,4% até entre quem só foi até a 4ª série, antigo eleitorado preferencial do garotismo.
Por outro lado, se também é majoritário em todas as faixas de renda aqueles que não votarão em qualquer candidato de Rosinha para sucedê-la, o maior percentual destes não se dá nos mais ricos. Acima dos 78,9% antigarotistas que ganham acima de cinco salários mínimos, ficaram os 84,9% que ganham de dois a cinco salários e não votam em ninguém que a prefeita apoiar.
A assessoria do titular da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, Marcelo Lessa Bastos, pediu à redação da Folha um e-mail, ao qual enviou em seguida mensagem com nota em anexo. Nesta, a resposta do promotor à sua citação na sentença do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Ralph Manhães, divulgada aqui, no blog “Na curva do rio”, da jornalista Suzy Monteiro.
Sobre a polêmica invasão à Santa Casa de Misericórdia de Campos (aqui) pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) e seu estafe, com a participação direta do promotor estadual Marcelo Lessa, em 20 de outubro, Ralph advertiu em sua decisão do último dia 6:
“Salienta-se que já há reconhecimento na jurisprudência que tal sanção pode ser aplicada também aos membros do MP, sendo certo que a edição do ato administrativo questionado nesta demanda não pode autorizar a invasão a uma entidade que está sob intervenção judicial, ainda mais da forma que se deu. Assim, todos aqueles que praticaram a conduta de invasão da Santa Casa, a senhora Prefeita, o representante do Ministério Público que ali atuou aparentemente sem atribuição e os demais ‘nomeados’ como interventores municipais, ficam advertidos de que a reiteração de condutas daquela natureza será rechaçada na forma do art. 14, do CPC, além da apuração de outras práticas, devendo, portanto, se absterem de praticar atos incompatíveis com a boa-fé e a lealdade processual, submetendo-se, desta forma, ao estado democrático de direito, no qual todos estão sujeitos à lei e às decisões judiciais”.
Por sua vez, Marcelo deu hoje sua resposta pública ao magistrado, solicitando à Folha a reprodução integral da sua nota. Na impossibilidade de fazê-lo no jornal impresso, pelo tamanho do texto, este blog enseja a “oportunidade do exercício do contraditório e do salutar esclarecimento à opinião pública” evocada no e-mail do Parquet. Confira abaixo, nessa querela assumida entre um juiz e um promotor de Justiça de Campos, a que nível chegou a contaminação das instituições do município após 26 anos sob domínio do garotismo:
Promotor Marcelo Lessa e o juiz Ralph Manhães (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
NOTA:
Tendo em vista a menção feita a minha pessoa em decisão do juízo da 1ª Vara Cível de Campos, tomada nos autos de ação cautelar em que não atuo e da qual fui “intimado” através da imprensa oficial, em que S. Exª formulou veemente juízo de censura em relação a minha atuação no episódio relativo à requisição de bens e serviços da Santa Casa de Misericórdia por parte do Município de Campos, cunhando, no bojo da decisão, exótica “advertência” relativa a possíveis sanções em decorrência de suposto ato atentatório à dignidade da Justiça (art. 14 do Código de Processo Civil), tenho a esclarecer o seguinte:
1) O juízo partiu da equivocada premissa de que o decreto da Prefeita consistiria em afronta à decisão judicial que determinou a intervenção na Santa Casa, daí concluir que o signatário não teria atribuição para atuar em simples comparecimento ao hospital acompanhando a Prefeita quando da execução dos efeitos práticos de seu decreto. Sucede que, ao contrário do que afirmado na citada premissa, o referido decreto em absolutamente nada colide com a referida decisão judicial de intervenção, sendo a forma de sua execução consequência lógica de sua higidez.
2) Qualquer operador do Direito com um mínimo de conhecimento em Direito Administrativo sabe que o chefe do Executivo tem a prerrogativa de requisitar administrativamente bens e serviços, e o simples fato de estar uma unidade prestadora de serviços do SUS sob intervenção judicial, motivada por suposta má gestão de seus antigos diretores, não a torna, por si só, imune ao poder de polícia administrativo, como que envolta numa espécie de redoma capaz de blindar a junta nomeada pelo juízo e lhe servir de escudo para a tomada de uma decisão arbitrária como a de suspender a prestação de um serviço público essencial, como é o caso das internações pelo SUS, como forma de pressionar o Município a pagar suposta dívida, ainda que existente, exibindo, concomitantemente, através da imprensa, leitos vazios como se fossem troféus.
3) A legalidade do referido decreto, aliás, ainda que pendente de julgamento no agravo interposto, foi por ora reconhecida pelo Relator do referido recurso, que lhe conferiu efeito suspensivo. Aliás, têm sido comum as reformas de decisões equivocadas proferidas pelo juízo da 1ª Vara Cível de Campos neste processo!
4) Por conseguinte, como o decreto e seu efetivo cumprimento nada tinham a ver com a ação cautelar em comento, não se pode falar de atuação deste Promotor sematribuição, por acompanhar a Prefeita em suposto ato atentatório à autoridade do Poder Judiciário, simplesmente porque, afora possível questão de vaidade, o que se resolve dentro do foro íntimo de cada um, nem o decreto, nem sua execução, tinham nada de atentatório. Não é preciso lembrar que os atos administrativos gozam do atributo da autoexecutoriedade, dada a trivialidade da lição que se aprende ainda nos bancos universitários. Daí ressalto que, fincadas essas premissas, não tenho nenhum tipo de satisfação a dar ao juízo em referência com relação ao ato que pratiquei ou aos que ainda possa vir a praticar, completamente desvinculados da ação cautelar sob comento, ou a quem resolvo acompanhar, posto que não preciso das bênçãos do juízo para exercer minhas prerrogativas institucionais.
5) Nesta linha de princípio, torno público que a esdrúxula advertência contida na referida decisão – aliás mais uma suspensa, ainda que temporariamente, pelo Tribunal – não irá intimidar este Promotor de exercer em toda a plenitude as suas prerrogativas, nas quais se compreende o amplo acesso a qualquer instituição hospitalar, pública ou privada, esteja ou não sob intervenção judicial, até porque, como bem destacado na decisão judicial em comento, todos nós estamos sujeitos ao império da Lei e à autoridade das decisões judiciais, inclusive os juízes, em especial com relação às decisões de seus superiores hierárquicos, sendo certo que, em decorrência do propalado império da Lei, todos são e serão responsabilizados civil, criminal e administrativamente por eventuais atos arbitrários que vierem a praticar, sem nenhuma exceção, sendo certo que este Promotor conhece como ninguém as vias próprias para buscar este tipo de responsabilização na hipótese de vir a ser vítima de um ato deste jaez.
A tática da intimidação usada pelos Garotinho, ao arguir no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) a suspeição de juízes de Campos que ousam cumprir a lei, em questões essenciais como Saúde Pública, mas em desacordo com os interesses do governo Rosinha Garotinho (PR), não tem surtido efeito. Hoje, por unanimidade, a 11ª Câmara Cível do TJ rejeitou a suspeição do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Ralph Manhães. A decisão deste, que obrigava Rosinha a repassar R$ 3 milhões à Santa Casa de Misericórdia de Campos, por serviços prestados pelo hospital no Sistema Único de Saúde (SUS), foi suspensa também hoje, no prazo de 48 horas, pelo presidente do TJ-RJ, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, como informou aqui o Blog do Arnaldo Neto.
O prazo do pagamento foi estendido para que o presidente do TJ tome com Ralph as informações sobre a decisão deste. Enquanto isso, confira aqui, no site do TJ, e em sua reprodução abaixo, com os destaques do blog, a decisão unânime que negou a suspeição do magistrado de Campos pedida pelos donos do poder no município:
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
Por Aluysio Abreu Barbosa
Só 3,1% dos campistas consideram o governo Rosinha Garotinho ótimo, enquanto exatos 16% o classificam como bom, e 40,9% a avaliaram com a neutralidade do regular. Mesmo somados, os 19,1% de bom e ótimo são inferiores só aos 24,2% que consideram a gestão municipal péssima. Tanto pior, quando este índice é acrescido de outro negativo: os 12,3% que acham o Executivo de Campos ruim. Mas, se pode não parecer, o fato é que houve uma reação rosácea junto ao eleitorado campista.
Ao comparar os números da mais recente pesquisa Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, ouvindo 981 eleitores, com a consulta anterior do mesmo instituto, as coisas ficaram menos piores para os rosáceos. Entre 18 a 22 de junho, apenas 1,4% dos 426 entrevistados considerou o governo ótimo, com 10,8% de bom, 34,3% de regular, 17,6% de ruim e impressionantes 35,7% de péssimo.
Ou seja, de junho a outubro, num espaço de três meses, embora ainda mantenham números ruins, o governo Rosinha caiu na avaliação negativa. Os 35,7% de péssimo em junho, passaram a ser 24,2% em outubro, queda considerável de dois dígitos. Já os 17,6% de ruim de junho, diminuíram cerca de cinco pontos percentuais, para 12,3%, três meses depois.
Somado por alguns como aprovação dos governos, quando os especialistas em pesquisas o consideram avaliação de neutralidade, o regular que correspondia a 34,3% em junho, cresceu mais de seis pontos percentuais, na última pesquisa de outubro. O que também subiram foram os índices reais de aprovação de Rosinha: se em junho, apenas 1,4% o considerava seu governo ótimo e 10,8%, bom, os dois números subiram, respectivamente, para 3,1% e 16%. A menos de um ano da eleição, pode ser pouco para quem pretende fazer seu sucessor, mas a verdade é que já foi pior.
O que não muda é a constatação que quem estuda mais e ganha melhor, não vota nos Garotinho. Entre os entrevistados com ensino superior, se nenhum deles considerava a administração rosácea ótima em junho, o índice permaneceu de 0% em outubro. Quando a questão é renda, a resistência ao garotismo se repete: o maior índice (36,8%) dos que consideram o governo de Campos péssimo está entre quem ganha acima de cinco salários mínimos.
Há mais tempo do que gostaria de lembrar, uma mulher me ensinou muitas coisas, entre elas, a poeta portuguesa Florbela Espanca (1894/1930). Neo-romântica e alheia ao modernismo dos seus contemporâneos e conterrâneos FernandoPessoa (1888/1935) e Mário de Sá-Carneiro (1890/1916), Florbela se notabilizou por versejar em soneto, numa herança do realista Antero de Quental (1842/91) e do épico Luís de Camões (1524/80), pedra fundamental da língua portuguesa. Sua poesia confessional, com seu inaugural eu poético a sangrar todo mês e desejar todo dia, reflexo de uma vida sentimental atribulada e finda pelas próprias mãos, marcou muito o jovem que fui.
Abaixo, na forma de quartetos, a tradução em flor e verso da alma que um dia reconheci semelhante:
Historicamente, não há como negar que Anthony Garotinho Matheus (PR) e Arnaldo França Vianna (PDT) foram os dois prefeitos mais populares de Campos, a partir do advento do garotismo, que domina a política de Campos desde 1989. Mas se é o nome do primeiro que batiza o movimento — com merecimento por ter governado o Estado do Rio e depois eleito a mulher governadora, enquanto fazia 15 milhões de votos à presidência da República —, haverá alguém em sã consciência capaz de negar que, hoje, em qualquer disputa eleitoral na cidade natal de ambos, Arnaldo faria com Garotinho mais ou menos o que a Alemanha fez com o Brasil (aqui) da malsinada “Pátria de Chuteiras” petista da última Copa?
Aliás, se alguma dúvida havia de que o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) é hoje, de longe, o dono do maior cacife eleitoral de Campos, ela está desfeita pelas duas últimas pesquisas à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — também muito popular em seu primeiro governo, mas perigando se ombrear ao seu antecessor Alexandre Mocaiber, no julgamento póstero, pelo desastre da sua segunda administração. Se na pesquisa do instituto Informa (aqui), feita entre 19 a 22 de setembro, ouvindo 404 eleitores campistas, Arnaldo apareceu na consulta estimulada com 43,3% das intenções de voto, naquela feita pelo instituto Pro4 entre 22 e 24 de outubro, com 981 entrevistas, o pedetista bateu 42,5% também na estimulada.
Se todos os detalhes da mais atual consulta a prefeito de Campos, constam (aqui) na reportagem da página 2 desta edição, seu resumo poderia ser: se a eleição fosse hoje, Arnaldo seria eleito prefeito de Campos em turno único, com 55,2% dos votos válidos. Para se ter uma ideia do massacre que talvez fosse capaz de transformar os 7 a 1 num bulling inocente do pré-escolar, os dois pré-candidatos dos Garotinho, o vice-prefeito e secretário de Saúde Dr. Chicão de Oliveira (PP) e o líder da bancada rosácea, vereador Mauro Silva (PT do B, de mudança para o PSDB), teriam irrisórios 6,1% nas intenções de votos válidos. Isto, se fossem somadas.
Todavia, tudo parece indicar que Arnaldo, mais uma vez, não poderá ser candidato. Depois da publicação da pesquisa nesta edição de domingo, não será surpresa se o jornal do grupo de comunicação de Garotinho, a mando do seu dono mal assumido, se prestar a noticiar as pendengas jurídicas do seu mais popular opositor.
E ainda que essa perseguição vá cumprir o efeito prático de aumentar a popularidade de Arnaldo, a partir de sua vitimização, a verdade é que o ex-prefeito não demonstra, nem de longe, a mesma “competência” jurídica do ex-líder. Pode ser, por exemplo, no caso da decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello (aqui e aqui), primo do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB), que liberou a candidatura de Rosinha e Chicão à reeleição em 2012, a apenas uma semana do pleito. Pode ser, em caso mais recente, a inesperada suspensão de efeito conseguida (aqui e aqui) numa dessas famosas Câmaras do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que revisou (aqui) a corajosa sentença do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Elias Pedro Sader Neto, no polêmico caso da Santa Casa.
Enquanto Elias, Moros e Joaquins não forem a regra do nosso Judiciário em todas as suas instâncias, a tendência é que a “competência” jurídica de Garotinho, a exemplo dos Lulas e seus Toffolis, tenda a continuar prevalecendo. Pelo menos na esfera local a qual o político da Lapa foi reduzido, depois de não conseguir passar do primeiro turno da eleição a governador de 2014, e de conseguir perder no segundo (aqui), ao apoiar Marcelo Crivella (PRB), em cinco das sete Zonas Eleitorais (ZE’s) de Campos.
São as mesmas ZE’s que, pesquisadas agora pelo Pro4 na disputa pela Prefeitura, deram a Garotinho 0,2% de intenção de voto na consulta espontânea para uma eleição a prefeito à qual ele não pode concorrer. Menos mal que, ainda assim, o ex-governador conseguiu ficar 0,1% à frente de Beto Cabeludo, que teve 1.664 votos para vereador em Campos, na última eleição municipal.
Talvez Arnaldo tenha menos chance de concorrer a prefeito, do que Garotinho de se aventurar na mesma tentativa de Beto Cabeludo, visando formar uma grande bancada no Legislativo, numa necessidade imperativa de sobrevivência para quem se vir na iminência de perder o Executivo. Quem trabalha sempre com pesquisas, sabe toda a verdade que elas contêm.
Não por outro motivo, depois de Murillo Dieguez anunciar (aqui) em sua coluna da última sexta a consulta divulgada no domingo de hoje, com repercussão (aqui) no Blog do Bastos, e sabendo a partir das suas próprias pesquisas a realidade que o Pro4 iria revelar, Garotinho ontem usou a rádio do seu grupo de comunicação para atacar Arnaldo. Sem nada de novo, tentou esquentar uma velha denúncia, sobre supostas contas do ex-prefeito no exterior, que segundo seu algoz estariam ainda mais gordas, em virtude do aumento do dólar em relação ao real — motivado pelo fracasso econômico do lulopetismo no Brasil, muito parecido em motivo e método à crise particular na qual o garotismo mergulhou Campos.
Enquanto fala na alta do dólar em relação ao real, Garotinho esquece, ou finge, diante aos “aleluia” do seu público pago com dinheiro público, que esse deveria ser mais um motivo para não tentar se vender o futuro do município em dólar, na Bolsa de Nova York, para receber em real. Menos mal que o adiamento mês a mês (aqui) dessa “tenebrosa transação” indique que a mesma, a despeito dos muitos credores, esteja perigando (aqui) ir pelo ralo.
Enquanto isso, numa pesquisa que pode ser feita por qualquer internauta, basta entrar sem pedir na democracia irrefreável das redes sociais para constatar que uma simples foto postada (aqui) por Caio Vianna ao lado o pai, em seu mural pessoal no Facebook, até o momento em que este artigo era escrito, teve 1.137 curtidas. Isto em três dias.
Enquanto isso, a fan page do programa “Fala Garotinho” (aqui) no mesmo Facebook, aditivado no escambo decadente de brinde por audição/curtida/voto, não tem excedido a média de 20 curtidas por postagem, como a da foto de Caio e Arnaldo que recebeu mais de mil. Na verdade, desde a sua primeira postagem em 11 de outubro, a tal fan page recebeu ao todo 1.669 curtidas em seus 27 dias de vida. É mais ou menos o número dos DAS do governo Rosinha.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )
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Por Aluysio Abreu Barbosa
Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) tivesse condições jurídicas de concorrer, ele teria uma diferença na intenção dos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Foi o que apontou a última pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, ouvindo 981 pessoas das sete zonas eleitorais do município, primeira consulta do instituto sobre a eleição de prefeito de Campos em 2016. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.
Na espontânea, Arnaldo lidera com 19,2%, seguido de longe pela própria Rosinha, com 3,2%, que não pode ser candidata pela terceira vez, nem ter nenhum parente concorrendo à sua sucessão. Em terceiro lugar, aparece o vereador de oposição Rafael Diniz (PPS), com 1,8%; acompanhado do vereador “independente”Alexandre Tadeu (PRB), o “Tô Contigo”, com 1,6%. Pré-candidato governista a prefeito mais bem colocado, o atual vice, além de secretário municipal de Saúde, Dr. Chicão de Oliveira (PP), surge em quinto, com 1,2%. Ex-governista, o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB) vem em sexto, com 1,1%, à frente do vereador “independente” Gil Vianna (PSB), do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do vereador de oposição Nildo Cardoso (PMDB), os três com 0,9%.
Marido da prefeita e seu secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR) também foi citado na espontânea, mesmo que como ela não possa concorrer. O ex-governador, ex-prefeito e ex-deputado federal e estadual ficou com 0,2% das intenções de voto em sua cidade natal, exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo, candidato a vereador derrotado no último pleito municipal, e da presidente Dilma Rousseff (PT), que enfrenta muitas dificuldades para continuar no comando do Brasil, mas ainda assim lembrada para governar Campos. Fungando no cangote de Garotinho, Cabeludo e Dilma tiveram 0,1%.
Mas é na pesquisa estimulada que a vantagem de Arnaldo permite apontar sua vitória em primeiro turno único, caso a eleição fosse hoje. Com 42% de intenções de voto, se excetuados os 9,3% de brancos e nulos e os 13,8% que não souberam ou não responderam, o ex-prefeito de Campos chegaria a impressionantes 55,2% dos votos válidos, liquidando a fatura sem necessidade de segundo turno.
Quando Arnaldo está no páreo, com menos votos, assim como menos problemas na Justiça Eleitoral, o segundo colocado no primeiro cenário da consulta estimulada foi Tadeu Tô Contigo, com 8,3%; seguido de Pudim (5,7%), Rafael (4,5%), Peixoto (4,1%), Chicão (4%), Gil (3%), o deputado estadual Papinha (2,2%), Nildo (1,9%) e do líder da bancada rosácea, vereador Mauro Silva (1%). A soma de 5% dos dois principais pré-candidatos governistas, além de Arnaldo, é também inferior aos percentuais de intenção de voto individuais de Tô Contigo e Pudim.
Sem Arnaldo na disputa, foi montado um cenário B da pesquisa estimulada. Nele, além do vereador do PRB e do novo deputado estadual do PMDB, Rafael Diniz também aparece puxando a disputa. Líder da corrida sucessória com boa vantagem, Tô Contigo surge com 14,6%, seguido por Pudim e Rafael, juntos no empate exato de 8,2%. Depois deles, surgem João Peixoto (7,1%), Gil Vianna (6,3%), Dr. Chicão (4,9%), Papinha (3,7%), Nildo Cardoso (3,5%) e Mauro Silva (1,5%). Sem Arnaldo, a soma das intenções de voto de Chicão e Mauro (6,4%) é inferior ao alcançado individualmente não só por Tô Contigo e Pudim, como também por Rafael e João Peixoto.
Se Arnaldo não puder participar e a sucessão de Rosinha não for definida em turno único, a rejeição é sempre considerada fator principal para quem chegar ao segundo com chances de vencê-lo. Neste quesito negativo, quem lidera com folga é Pudim (24,7%), seguido do próprio Arnaldo (10,3%), Chicão (8,6%), Papinha (6%), Clodomir Crespo (4,8%), Peixoto (4,5%), Gil (4%), Tô Contigo (3,1%), Nildo (2,5%) e Mauro (2,2%). Entre os citados, a menor rejeição e consequente maior possibilidade de vitória num eventual segundo turno é de Rafael Diniz. Apenas 0,9% dos campistas não votariam nele.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )
Rafael Diniz e Papinha são os menos conhecidos
Além da rejeição, que impede o crescimento do candidato durante a campanha, podendo definir sua sorte, como foi o caso de Anthony Garotinho na eleição a governador de 2014, quando não conseguiu nem chegar ao segundo turno, outro fator fundamental à conquista de novos eleitores é o conhecimento que o eleitorado tem do candidato. Em tese, quanto menos conhecido, maior a chance de crescimento durante o processo eleitoral, à medida em que a campanha for massificando a imagem de cada político, suas ideias e propostas junto ao eleitor.
Na medição desse quesito, o instituo Pro4 saiu mais uma vez na frente nas pesquisas em Campos. Líder inconteste da consulta, tanto espontânea, quanto estimulada, e prefeito duas vezes de Campos, Arnaldo Vianna é bem conhecido por 79,3% do eleitorado goitacá, não muito por 0,7%, dele ouviram falar 17,4%, enquanto apenas 2,5% afirmaram não conhecê-lo.
Por sua vez, Tadeu Tô Contigo, popular apresentador de TV, além de vereador, é bem conhecido por 54,6% da população. Candidato a prefeito de Campos duas vezes, 47,3% dos eleitores conhecem bem Gerado Pudim, percentual que cai para 35,9% em relação a João Peixoto, mesmo deputado estadual cinco vezes; e para 30,9% quanto a Gil Vianna, vereador em segundo mandato.
Entre os governistas, Dr. Chicão de Oliveira, que compôs por duas vezes a chapa vencedora com a prefeita Rosinha, é bem conhecido por 31,1% dos campistas. Já quanto a Mauro Silva, vereador de primeiro mandato, só 20,2% do eleitorado disseram conhecê-lo bem.
Se o baixo percentual de conhecimento de Mauro dá chance ao crescimento de sua eventual candidatura, as possibilidades neste sentido são ainda maiores para Rafael Diniz e Papinha. Apenas 17,3% do eleitorado afirmaram conhecem bem o jovem vereador de oposição em primeiro mandato, percentual que cai para 15,6% quanto ao ex-vereador rosáceo, mas atual deputado estadual do bloco antigarotista.
Apesar dos problemas na Justiça Eleitoral, Arnaldo Vianna continua o campeão de votos no município de Campos
Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) pudesse ser candidato, ele teria uma diferença nos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Este e muitos outros claros indicativos do eleitorado de Campos, ouvidos em todos suas sete Zonas Eleitorais (ZE’s), começarão a ser levados a público a partir da edição de amanhã da Folha, seguida de uma série de matérias durante a semana. Na pauta, a mais recente pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, com universitários/IBGE no trabalho de campos, sob coordenação do empresário e colunista Murillo Dieguez, ouvindo 981 pessoas, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.
É a primeira pesquisa do instituto que aborda as intenções de voto a eleição a prefeito de Campos em 2016.
Confira a matéria completa amanhã, na edição da Folha da Manhã, bem cedo nas bancas e na casa dos assinantes.
Deputado João Peixoto e seu “padrinho” a prefeito de Campos, o ex-governador Sérgio Cabral
“O que eu fiz com (o governador Luiz Fernando) Pezão (PMDB), vou fazer por você. A Prefeitura de Campos vai cair no seu colo”. Foi o que Sérgio Cabral (PMDB) disse ao deputado estadual João Peixoto (PSDC), que respondeu ao ex-governador:
— Entrei nessa porque você pediu. Mas agora, sobretudo depois dessa pesquisa Informa (aqui) para prefeito de Campos, eu entrei de cabeça. E não entro em eleição para perder — disse o ex-vereador de Campos e cinco vezes deputado estadual, em seu terceiro mandato consecutivo.
Leia a íntegra da matéria amanhã na edição impressa da Folha
Da profissão de Cristo, Edson de Souza Ribeiro, o Edinho Black, fez da carpintaria uma arte. E a vida e a obra desse desse refinado designer de móveis de madeira, no ofício que aprendeu desde os 15 anos com um tio marceneiro, estarão expostos na mostra “Contrastes — Vida e obra de Edinho Black”, que será aberta nessa sexta-feira (06/11), no Sesc-Campos, com coquetel a partir das 19h. Os “contrastes” do título se dão entre a plasticidade dos objetos de peroba, vinhático e imbuia que o artista é capaz de produzir, com a forma rústica com a qual ele imprime sua arte à madeira.
Parte da vida e da obra de Edinho, bem como o processo de criação de suas obras, seguem na exposição do Sesc até o final deste 2015, em 31 de dezembro. O horário de visitação é de 9h às 21h nas terças às sextas, e de 9h às 18h, aos sábados, domingos e segundas.